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Onuf – A user's manual O construtivismo é um modo de estudar as relações sociais, quaisquer que sejam, não uma teoria, consiste mais num sistema particular de conceitos e proposições. O construtivismo entende que o ser humano é um ser social, somos definidos através das relações sociais. Uma regra (rule) diz as pessoas o que elas deveriam fazer, estabelecendo um padrão de conduta para determinadas situações. A falha em seguir uma regra acarreta consequências se ela é usualmente seguida. Elas estão no campo das normas, os atores estão cientes das sanções de não fazê-lo, são ainda elas que embasam as instituições. A prática abrange todos os modos pelos quais as pessoas lidam com regras, seja quebrando-as ou seguindo-as, produzindo-as ou mudando nas ou ainda abolindo-as. Uma noção sobre do que se tratam as regras pode ser obtida através da observação da prática das pessoas. As pessoas e a sociedade estão num processo continuo de co-constituição, as responsáveis por mediar este processo são as regras sociais. As regras nos permitem dizer quem são os participantes ativos de uma sociedade, ou seja os agentes. Ninguém é um agente para todas as situações, a agencia é uma condição social que se dá pelo papel que o indivíduo exerce em uma instituição, o papel deve estar em conformidade com a instituição. As regras ajudam a definir as situações do ponto de vista dos agentes e lhes dão escolhas, a escolha mais básica é seguir a regra, fazer o que ela diz que o agente deve ou não fazer, no entanto as escolhas dos agentes são constrangidas pelas próprias regras. Os agentes atuam na sociedade fazendo o melhor possível para alcançar objetivos que refletem suas necessidades e desejos a luz das circunstâncias materiais. A ação é sempre pautada em conhecimento prévio, por exemplo com relação a viabilidade ou não de determinada ação devido aos recursos disponíveis. Toda sociedade tem regras dizendo aos agentes quais são os objetivos apropriados para eles. No entanto nem sempre há certeza com relação aos objetivos pelos quais se age, a maior parte do tempo os agentes tem informação limitada ou inconsistente sobre as condições materiais e sociais que afetam a capacidade de obter dados objetivos. Agir para alcançar objetivos é uma conduta racional e os agentes confrontados com escolhas agirão racionalmente. Instituições são formadas por regras e práticas relacionadas que formam um padrão estável de intenções dos agentes, constituindo um ambiente dentro do qual os agentes se conduzem de forma racional. Os agentes estão cientes das instituições que povoam seus ambientes, e não do porque dessas regras que formam as instituições incidirem diretamente sobre sua conduta. Na medida em que alguns agentes fazem escolhas e outro agentes são afetados por estas, as instituições produzem consequências para outros agentes que não podem ajudar mas podem estar atentos e responder a isso. Num mundo complexo os agentes frequentemente fazem escolhas que tem consequências para eles mesmo e para outros, que eles não anteciparam ou que não se importaram muito a respeito. Uma vez que a definição de agencia envolve objetivos se há consequências não intencionais é porque existe uma estrutura agindo. Consequências não intencionais frequentemente formam um padrão estável com respeito a seus efeitos nos agentes. Os agentes desejosos de evitarem mudanças nesses padrões podem escolher adotar regras para esta finalidade. Todo padrão estável de regras, instituições e consequências não intencionais fornece uma estrutura à sociedade reconhecível a qualquer observador. Estrutura é o que o observador vê enquanto instituições são o algo dentro do qual agem os agentes. Observadores externos, agentes de uma sociedade diferente, podem reconhecer uma estrutura mais complexa que os agentes devido ao seu distanciamento. Quando os agentes tornam-se cientes do que os observadores tem a dizer, os observadores tornam-se agentes quaisquer que sejam suas intenções. Quando os agentes em geral levam em conta esta nova informação ao fazer suas escolhas isto resulta numa estrutura de complexidade ainda maior. Pode-se dizer que a diferença entre estrutura é instituição é que a primeira existe quando constrange os atores sem que eles a percebam. Quando a estrutura é percebida torna-se uma instituição. Uma vez que um observador fale para os agentes sobre a estrutura eles se apropriam da mesma e institucionalizam a estrutura adaptando regras para as situações. Onde há regras, e então instituições, há uma condição de regra na qual alguns agentes usam as regras para exercer controle e obter vantagens sobre outros. A anarquia não é ausência de regra, é uma condição de regra, um mecanismo que torna possível a criação de regras, na qual regras não são diretamente responsáveis pelo modo como os agentes conduzem suas relações. As regras de fundo garantem que as consequências não intencionais das escolhas de muitos agentes, e não legisladores, façam o trabalho de governar. Alguns agentes querem ser governados deste modo indireto porque isto atende seus objetivos mais que qualquer outro arranjo faria. Outros agentes tem pouco ou nenhuma escolha no problema. Embora padrões apenas ocorram os agentes fazem arranjos. Fazer um arranjo para a anarquia é apenas uma possibilidade. A anarquia internacional pode ser entendida como um arranjo social, uma instituição em grande escala. As regras produzem regras como condição para que os agentes, como instituições, nunca possam escapar. Rules Make Agents, Agents Make Rules Embora ser um agente não requeira o grau de auto consciência que nós associamos com ter uma identidade, os agentes normalmente tem consciência suficiente de suas identidades, singulares e coletivas, para ter um interesse em promover estas identidades. Agentes podem passar agência, individualmente ou coletivamente, a outros, um ou mais, dando a estes a oportunidade para agir em nome do primeiro para fins particulares. Agentes atuando de forma coletiva tornam-se um único agente. Através do uso de recursos eles adquirem uma existência material e tornam-se objetos de identificação. Os agentes nunca são livres para agirem sobre o mundo em todos os meios que eles podem desejar, muitas das limitações tem um componente material. Regras que dão a qualquer agente uma oportunidade para agir criam limites para outros agentes. As regras em geral limitam a gama de atos que outros agentes são livres para executar. Nenhum ser humano como agente tem total autonomia, bem como agentes agindo juntos nunca tem total independência. Agentes sempre são limitados pelas regras que dão a outros agentes oportunidades para agir, inclusive se eles agem coletivamente. Para os construtivistas todas as regras são sempre reguladoras e constitutivas ao mesmo tempo. A regulação de conduta constitui o mundo no qual ela ocorre, e as regras que serviriam apenas para regular a conduta tem efeito de enfraquecê-la ou fortalece-la constituindo-na. Agentes fazem regras e as usam para instrução, direção e compromisso. As regras são formais se agentes as encontram como fixadas e inevitáveis em seu mundo, as regras também diferem na extensão em que são ligadas a outras. Regras formais, que são efetivamente suportadas por outras regras, são legais. A formalidade fortalece uma regra tornando clara sua característica normativa no processo de separá- las de regras que são normativamente mais ambíguas como as convenções. Uma regra dando suporte a outra a fortalece pelo aumento das chances dos agentes escolherem seguir esta regra, e quanto mais seguida for uma regra mais forte normativamente ela se torna. Agentes são inclinados a tornarem as regras legais e a segui-las se elas são legais porque eles sabem o que essas regras são, o quanto elas importam para outros agentes e que consequências eles podem esperar de não segui-las. Quando os agentes se encontram num ambiente legal, é racional para eles seguir as regras como proposição geral, isto é menos custoso. Rules Form Institutions, Institutions Form Societies Regras e práticas relacionadas são quase impossíveis de serem separadas na prática porque os agentes respondem a regras todo o tempo seja pelas escolhas ou pela observação de escolhas feitas por outros agentes, elas tem um efeito nestas regras em seus lugares nas famílias de regras. Regras e normas se distinguem pela formalidade sendo as segundas informais o suficiente para que não sejam percebidas como regras, são inconscientes. Regimes internacionais diferem no tamanho, eles tem regras que trabalham de modos diferentes em diferentes proporções. Regimes diferem ainda na medida em que eles tem regras suportando outras. As instituições diferem do mesmo modo, sendo compostas por regras que variam não apenas em generalidade e formalidade mas também em número e arranjo. O contexto dentro do qual alguma instituição funciona como um agente é em si mesmo uma instituição. A sociedade é uma instituição complexa dentro da qual muitas outras instituições relacionadas são encontradas. Dentro da Sociedade Internacional os estados funcionam primariamente como agentes simplesmente pela condução das relações entre eles. A Sociedade Internacional inclui muitas outras instituições, mais ou menos independentes. Algumas delas adicionam agentes secundários como offices das organizações internacionais para esta sociedade. A soma total das instituições e suas relações contribuem para uma sociedade de complexidade desconcertante e mudança constante mesmo se seus grandes padrões pareçam ao mesmo para alguns observadores chamarem de generalização. Rules Yield Rule A maior parte do tempo os agentes escolhem seguir a regra. O padrão das escolhas dos agentes tem uma consequência geral, sendo ou não intencionada por agentes particulares elas tem o efeito de distribuir os benefícios materiais e sociais entre os agentes. Uma categoria extremamente importante destes benefícios é o controle sobre os recursos e sobre outros agentes e suas atividades. Alguns agentes se beneficiam mais que outros. Ao longo do tempo as instituições trabalham para a vantagem de alguns aos custos de outros. Os agentes mais beneficiados encontram mais incentivos para seguir as regras enquanto os menos beneficiados encontram menos, no entanto para eles ainda é melhor segui-la devido ao custo de uma recusa em fazê-lo. Apesar de quebrar uma regra dada, os agentes que não se beneficiam por seguirem uma regra podem escolher usar os recursos necessários para mudar esta regra e então mudar a distribuição de benefícios que resultam da existência da regra. Se alguns agentes tentam mudam a regra outros agentes que se beneficiariam menos devido a estas mudanças podem escolher usar os recursos necessários para manter a regra funcionando. Estes agentes que se beneficiam mais de uma dada regra provavelmente terão de usar menos reservas disponíveis para manter a regra do que os que desejam muda-la. Claramente, regras “dizem o que dizem” e instituições mudam devagar porque os agentes fazem escolhas racionais em circunstâncias que sempre dão vantagem para alguns agentes em detrimento de outros. As consequências gerais dos agentes responderem a regras com os recursos disponíveis para eles é que alguns agentes exercem grande controle sobre o conteúdo destas regras e sobre seu sucesso em serem seguidas. Por fazerem os agentes e a sociedade o que eles são as regras tornam a regra inevitável. Regra é algo dos agentes para outros agentes e o fazem por seguir regras. Regra é algo que acontece aos agentes quando eles seguem as regras ou quando eles sofrem as consequências de de não seguirem as regras. Anarquia Uma anarquia não é governada por ninguém em particular, e por todos em associação como uma consequência não esperada de seus muitos atos não coordenados, as relações internacionais não são anárquicas. A anarquia é uma construção social fruto de regras, e que pode ser mudada e transformada em processos de interação entre agentes e estrutura. Para Onuf, a sociedade da qual fazem parte os Estados é mais corretamente descrita como uma sociedade heterônoma que uma sociedade anárquica. O exercício da autonomia, ainda que limitada, dos agentes torna a heteronomia uma condição social na qual agentes aceitam como aparente consequência não esperada de suas escolhas autônomas individuais. Os estados exercem sua independência sob o princípio da soberania e sob um número de regras de compromisso garantindo seus direitos e deveres com respeito uns aos outros. A independência de um estado é limitada na dos outros e todos aceitam as consequências não intencionais, que resultam de suas muitas escolhas individuais. Dentro desta condição geral de regra são encontradas um grande número de instituições contribuindo para tal numa variedade de modos. Os agentes constantemente trabalham essas instituições e dentro delas. Apesar de seu número e variedade e da complexidade de suas relações elas são arranjadas como são em proposta, pelas intenções dos agentes para servir aos seus interesses incluindo seu interesse comartilhado em serem governados. Resumo feito por Gabriele Brito IRiscool 2011.2