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ARMADILHAS EXTRACELULARES DE NEUTRÓFILOS NETs Bruno Bernardo Evaldo Dutra Isabela de Avellar Ricardo Silva INTRODUÇÃO Quando patógenos invadem o corpo humano o sistema imune aciona diferentes mecanismos de defesa para eliminar o invasor. Entre seus componentes estão os neutrófilos. Neutrófilos são os leucócitos mais numerosos no sangue e são as primeiras células recrutadas em tecidos inflamados. INTRODUÇÃO Citoplasma com grânulos e polimorfonuclear. Figura 1. Imagem de um neutrófilo. Observe o núcleo polimorfonuclear e os grânulos em seu citoplasma. Obtida por microscopia de luz. DESCOBERTA RECENTE Até recentemente, sabia-se que os neutrófilos usavam dois processos para matar os micro-organismos. 1)A fagocitose 2)A degranulação NETs Uma terceira estratégia de eliminação de patógenos pelos neutrófilos foi descoberta recentemente. O novo mecanismo envolve a liberação do DNA e de proteínas com propriedades microbicidas (que podem estar nos grânulos ou dispersas no citoplasma). O DNA e as proteínas formam uma rede, chamada de NETs (neutrophil extracellular traps). NETs A rede serve como armadilha para prender e confinar os agentes patológicos, evitando a sua disseminação pelo organismo e permitindo, ao mesmo tempo, a ação conjunta e localizada das proteínas microbicidas. FORMAÇÃO DAS REDES Figura 2. Formação da rede dos neutrófilos. Na primeira imagem os protozoários ativam a regulação do neutrófilo. Na segunda o núcleo do neutrófilo assume uma forma arredondada e centralizada. Na terceira o núcleo se funde as proteínas do citoplasma e há o rompimento da membrana plasmática, liberação das redes e morte da célula. NETs E LEISHMANIA A Leishmania é o protozoário que causa a leishmaniose. Esse parasita é transmitido pela picada do mosquito palha. No mundo, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas por essa doença que causa morbidade e mortalidade significativas. O encontro entre neutrófilos e as Leishmanias ocorre logo após a liberação dos protozoários na poça de sangue que a picada forma na pele do indivíduo. NETs E LEISHMANIA Através de diferentes metodologias de microscopia observou-se que sempre que os neutrófilos entravam em contato com a Leishmania as redes surgiam. Em uma das microscopias foram usadas substâncias que emitem cor quando se ligam aos constituintes dos NETs: NETs E LEISHMANIA O DNA As histonas Elastase Figura 3. Coloração especifica para cada constituinte das nets. Imagem obtida por microscopia de fluorescência. NETs E LEISHMANIA Figura 4. Leishimania (indicada pela seta) presa em uma rede extracelular produzida por neutrófilos, em imagem obtida com microscópio eletrônico de varredura (MEV). O parasita morre ou é somente aprisionado ? As redes foram tratadas com uma enzima capaz de romper o DNA (DNase) e assim desfazer as armadilhas. Os resultados indicaram que esse processo diminuiu a morte dos parasitos, indicando assim que as redes não só aprisionam como também matam a Leishmania. O que mata os parasitas ? Para descobrir o que matava os parasitas de fato, já que somente o aprisionamento físico por si só não explicaria a morte das Leishmanias, os pesquisadores trataram os parasitas com histonas purificadas na presença de substâncias que coram células mortas de vermelho e as vivas de verde. Figura 5. Parasitos ( protozoários do gênero Leishimania) vivos (em verde) e mortos (em laranja) devido a ação das proteínas histonas. DESAFIOS E NOVAS DÚVIDAS Ainda não é conhecido o mecanismo que determina a ‘decisão’ dos neutrófilos entre as três formas de destruição de patógenos (fagocitose, degranulação ou netose). No entanto como a netose é seguida pela morte dos neutrófilos acredita-se que haja uma regulação específica para acionar essa estratégia de ação. DESAFIOS E NOVAS DÚVIDAS Embora as bases moleculares envolvidas na formação das redes/armadilhas de neutrófilos ainda sejam pouco conhecidas, várias evidências demonstram que esse processo depende da geração de radicais oxidantes, grupamentos químicos altamente reativos. DESAFIOS E NOVAS DÚVIDAS Em pacientes com a doenças granulomatosa crônica, enfermidade na qual os neutrófilos não produzem os radicais oxidantes normalmente empregados para eliminar certos micro-organismos. Nos neutrófilos desses pacientes, os genes que contém a informação para a produção da enzima que gera os radicais estão alterados. DESAFIOS E NOVAS DÚVIDAS A deficiência na produção dessa enzima faz com que os neutrófilos não eliminem eficientemente os micro-organismos invasores e também na produzam NETs. Os portadores dessa enfermidade genética estão mais suscetíveis a infecções. CONCLUSÃO Assim como as outras células do sistema imune, os neutrófilos são de suma importância para uma resposta eficaz. Pode-se perceber que suas funções ainda precisam de muitos estudos e ainda há muito o que descobrir. Referências Bibliográficas Revista Ciência Hoje – Edição de setembro de 2011