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Condutores e Dielétricos Sérgio Antenor de Carvalho c©2012 2 Conteúdo 6 Condutores e Dielétricos 5 6.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 6.2 Lei de Ohm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 6.3 Resistência Elétrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 6.4 Resistência de Aterramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 6.5 Condutor em condições estáticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 6.6 Condições de Fronteira - Interface Condutor - Espaço Livre . . . . . . . . . . . . . . . 18 6.7 Dielétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 6.8 Condições de Fronteira - Interface Dielétrico - Dielétrico . . . . . . . . . . . . . . . . 34 6.9 Capacitância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 6.10 Energia no capacitor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 6.11 Rigidez Dielétrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 3 4 CONTEÚDO Capítulo 6 Condutores e Dielétricos 6.1 Introdução • já estudamos que cargas em movimento constituem uma corrente elétrica • a corrente elétrica estacionária gera um campo magnético estacionário • agora estudaremos as características elétricas de um material ou meio em condições esta- cionárias – material (meio) condutor – material (meio) dielétrico • veremos como caracterizar um objeto pelo seu comportamento elétrico – material condutor - resistência elétrica – material dielétrico - isolante – material dielétrico - capacitância elétrica • considera como o material permite o fluxo de elétrons • a teoria quântica nos dá um modelo que explica o comportamento elétrico dos materiais (meios), historicamente este comportamento foi percebido a partir de métodos experimentais • para um elétron se movimentar num material ele precisa ganhar energia, ao ganhar energia ele se afasta do núcleo do átomo • o elétron absorve ou emite quantidades discretas de energia 5 6 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • para um elétron se movimentar num material ele precisa ganhar energia 6.2 Lei de Ohm • um meio ou material condutor possui elétrons livres • um meio ou material condutor permite a ocorrência da corrente de condução • como surge esta corrente? o que dá origem a ela? – quando aplicamos um campo elétrico num condutor – quando temos uma distribuição de potencial no meio • um elétron sob um campo ~E sofre uma força ~Fe = −e ~E • no espaço livre o elétron aceleraria e aumentaria a sua velocidade • num material cristalino o seu deslocamento é impedido por colisões com a estrutura cristalina • uma velocidade média é atingida • está velocidade média constante atingida é denominada velocidade de deriva (drift) ou velocidade de arrastamento • a velocidade de deriva ~vd está linearmente relacionada com o campo ~E • ~vd = −µe ~E , onde µe é a mobilidade do elétron, positiva por definição • do estudo de corrente de convecção sabemos que ~J = ρv ~U • substituindo ~vd = −µe ~E na equação acima obtemos • ~J = −µe ρe ~E, ρe é a densidade de carga do elétron livre • observe que embora os elétrons movam-se no material, a densidade ρv do material é nula • o termo −µe ρe é denominado de condutividade σ 6.2. LEI DE OHM 7 • σ = −µe ρe (S/m) onde σ é medido em siemens por metro • ~J = σ ~E que é a forma pontual da Lei de Ohm • o que significa o parâmetro condutividade σ de um material (meio)? – capacidade de mobilidade dos elétrons livres • cite algumas condições que influenciam a condutividade σ – temperatura ∗ maior temperatura maior vibração da rede cristalina maior número de colisões dos elétrons livres – umidade – frequência do campo elétrico – intensidade do campo elétrico, materiais não lineares • exemplos de condutores metálicos – prata σ = 6, 17× 107 S/m - cobre σ = 5, 80× 107 S/m – ouro σ = 4, 10× 107 S/m - alumínio σ = 3, 82× 107 S/m – latão σ = 1, 5× 107 S/m - níquel σ = 1, 45× 107 S/m • exemplos de condutividade de materiais – mármore σ = 10−8 S/m - granito σ = 10−6 S/m – porcelana σ = 10−10 S/m - diamante σ = 2× 10−13 S/m – poliestireno σ = 10−16 S/m - quartzo σ = 10−17 S/m • o recíproco da condutividade σ (S/m) é a resistividade Ωm • para o cobre temos σ = 5, 80 × 107 S/m e µe = 0, 0032 sob o campo de 1V/m, encontre para um condutor de cobre de seção transversa com área = 1cm2: a) J ; b) I; c) ρe d) vd • a) J = σ E = (5, 80× 107) (1) = 5, 80× 107 • b) I = ∫ s ~J · ~ds = J S = (5, 80× 107)(1× 10−4) = 5, 8 kA • c) σ = −ρe µe → ρe = −σµe = −5,80×107 0,00322 = −1, 8× 109C/m3 • d) vd = −µeE = −(0, 0032)(1) = −0, 32 cm/s 8 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS 6.3 Resistência Elétrica • as forças de resistência ao movimento do elétron livre em um condutor dão origem ao conceito de resistência elétrica • deduziremos a resistência elétrica de um material condutor partindo da forma pontual da lei de Ohm • consideremos um condutor de comprimento finito ` • na figura vemos o que ocorre quando aplicamos uma ddp – temos um campo elétrico entre as faces – temos a formação de uma corrente elétrica • a corrente I através da seção transversa é dada por I = ∫ s ~J · ~ds = ∫ s σ ~E · ~ds = σ Ex S • onde ~ds é tomado na direção de ~J e ~E é assumido uniforme sobre S e ` • a diferença de potencial entre b e a é dada por Vab = ∫ a b (− ~E · ~dl) = Ex ` 6.3. RESISTÊNCIA ELÉTRICA 9 • usando o resultado I = σ Ex S temos Ex = I/σ S, assim Vab = ( I σ S ) ` = I ( ` σ S ) • definiremos resistência elétrica como R , Vab I Ω • razão entre a ddp e a corrente gerada por esta • no caso do condutor de comprimento l e seção transversa uniforme de área S temos R = ( ` σ S ) Ω • a resistência do fio é função de que? • parâmetro definido para representar a razão constante entre a ddp e a corrente gerada R , Vab I → Vab = RI • a última equação é a Lei de Ohm • no caso materiais condutores de seção transversa não uniforme e/ou condutividade não uni- forme, usamos as expressões gerais dadas por R = Vab I = − ∫ a b ( ~E · ~dl)∫ s σ ~E · ~ds = − ∫ a b ( ~J σ · ~dl)∫ s ~J · ~ds • examinando a expressão geral para resistência elétrica R = Vab I = − ∫ a b ( ~E · ~dl)∫ s σ ~E · ~ds = − ∫ a b ( ~J σ · ~dl)∫ s ~J · ~ds • a resistência elétrica será função de que parâmetros? 10 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • encontre a resistência entre as faces a e b • como resolvemos o problema? • encontre a resistência entre as faces a e b • como resolvemos o problema? – podemos impor uma ddp entre as faces e – determinar a corrente gerada • como deve ser a forma do campo elétrico? • ~E = −∇V • variação linear de V • variação linear de V = k1 φ+ k2 V • ~E = −1 ρ ∂V ∂φ ~aφ • ~E = f(ρ)~aφ 6.3. RESISTÊNCIA ELÉTRICA 11 • como deve ser a forma do campo elétrico? • ~E = f(ρ)~aφ Vab = − ∫ a b ~E · ~dl = − ∫ pi/2 0 Eφ~aφ · ρ dφ~aφ = −Eφ ρ pi 2 ~E = −2Vab pi ρ ~aφ R = Vab I = Vab /∫ rb ra ∫ c 0 σ (−2Vab pi ρ ) ~aφ · (−dz dρ~aφ) = Vab 2σ Vab pi [z]c0 [ln ρ] rb ra R = pi 2σ c ln(rb/ra) Ω • a resistência entre as faces a e b é dada por R = pi 2σ c ln(rb/ra) Ω • encontre a resistência de fuga de um cabo coaxial de comprimento ` • como resolveremos? • aplicando a lei de Gauss obtemos que o campo elétrico interno é ~E = q 2pi ε ρ ` ~aρ • a ddp entre as superfícies equipotenciais será Vab = − ∫ a b ~E · ~dl = − ∫ a b ~E · dρ~aρ = q 2pi ε ` ln(b/a) 12 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • a corrente gerada pela ddp entre as superfícies equipotenciais será I = ∫ ~J · ~ds = ∫ σ ~E· ~ds = σ ∫ l 0 ∫ 2pi 0 q 2pi ε ρ ` ~aρ·ρ dz dφ~aρ = σ q ε • a resistência de fuga será R = Vab I = 1 2pi σ ` ln(b/a)Ω • encontre a resistência da estrutura abaixo • como resolveremos? R = Vab I = 1 4pi σ ( 1 a − 1 b ) Ω 6.4. RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO 13 6.4 Resistência de Aterramento • grande parte das instalações de distribuição de energia elétrica em baixa tensão é feita por sistema trifásico em Y , onde temos quatro fios – três fases e um fio neutro aterrado • o aterramento do neutro é feito para descarregar para a terra, qualquer pico de tensão indese- jável, por exemplo – um raio na rede elétrica • a qualidade do aterramento é dependente da resistência de aterramento • resistência de aterramento de um eletrodo é aquela entre o eletrodo e o infinito • exemplo: eletrodo na forma de uma semi-esfera de raio a • calcule a resistência de aterramento de um eletrodo na forma de uma semi-esfera de raio a • vamos imaginar um segundo eletrodo também na forma de uma semi-esfera mas com raio b • a sobre tensão é a fonte que cria a corrente para a terra • a diferença de potencial entre as semi-esferas é dada por V = − ∫ a b ~E · ~dl = ∫ b a E~ar · dr~ar = ∫ b a E dr = ∫ b a J σ dr 14 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • como calculamos o vetor densidade de corrente ~J∫ semi-esfera ~J · ~ds = i→= J (2pi r2)→ J = i 2pi r2 • usando o valor de J na equação V = ∫ b a J/σ dr obtemos V = i 2pi σ ∫ b a 1 r2 dr = i 2pi σ ( 1 a − 1 b ) • assim R = V i = 1 2pi σ ( 1 a − 1 b ) • a resistência de aterramento é obtida fazendo b→∞ R = 1 2pi σ ( 1 a − 1 b ) Ω, b→∞⇒ Rat = 1 2pi σ a Ω • na figura temos o comportamento da resistência da estrutura • consideremos a = 10 cm e uma condutividade do terreno igual a σ = 10−2 S/m – Rat = 12pi×10−2×10−1 = 160 Ω – Rb=1m = 12pi×10−2 ( 1 0,1 − 1 1 ) = 143 Ω difere 10% da Rat – Rb=10m = 158 Ω difere 1% da Rat • eficiência de uma malha de terra • como podemos melhorar a malha de terra? 6.5. CONDUTOR EM CONDIÇÕES ESTÁTICAS 15 6.5 Condutor em condições estáticas • condição estática existe quando em um condutor a corrente devido ao movimento das cargas é nula • as vibrações térmicas que produzem movimento dos elétrons livres e da estrutura do material ainda existem • a condição estática se refere a que corrente? • consideremos que colocamos um excesso de cargas no interior do bloco condutor • o que acontece? 16 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • consideremos que colocamos um excesso de cargas no interior do bloco condutor • o que acontece? – as cargas geram um campo elétrico – haverá repulsão mútua – as cargas irão para uma posição de equilíbrio – as cargas injetadas e as cargas livres (elétrons) se movimentam para estabelecer o equilíbrio – na condição de equilíbrio quanto vale o campo interno? • o equilíbrio eletrostático é alcançado quando o campo interno no material é nulo • o que acontece? – num bom condutor o equilíbrio eletrostático é rapidamente alcançado – num isolante pode levar horas ou até dias • no equilíbrio eletrostático temos – a superfície e o volume do material são eqüipotenciais – a carga injetada deve estar na superfície do material – a superfície gaussiana sendo a superfície do material não engloba a carga 6.5. CONDUTOR EM CONDIÇÕES ESTÁTICAS 17 • vamos calcular o tempo de duração da redistribuição de cargas • injetamos uma densidade de carga ρ0 no instante t = 0 • o vetor densidade de corrente é dado por ∇ · ~J = −∂ρ ∂t • como a densidade de carga só varia como o tempo ∇ · ~J = −dρ dt • sabemos que ∇ · ~D = ρ, ~J = σ ~E e ~D = ε ~E, assim ∇ · ~J = ∇ · (σ ~E) = ∇ · ( σ ~D ε ) = σ ε ∇ · ~D = σ ε ρ • das duas equações anteriores temos dρ dt = −σ ε ρ→ dρ ρ = −σ ε dt • integrando obtemos ln ( ρ ρ0 ) = −σ ε t→ ρ(t) = ρ0 e−t σ/ε • a razão ε/σ é denominada de constante de tempo de relaxação τ = ε/σ • neste tempo a densidade de carga cai a 1/e do seu valor inicial, cerca de 36,78% • exemplo 1: cobre com ε = ε0 e σ = 5, 8× 107S/m, τ ' 1, 5× 10−19 s • exemplo 2: água destilada com ε = 80 ε0 e σ = 1, 0× 10−4S/m, τ ' 7, 0µ s • exemplo 3: porcelana com ε = 6 ε0 e σ = 1, 0× 10−10S/m, τ ' 0, 5 s • exemplo 4: quartzo com ε = 3, 8 ε0 e σ = 1, 0× 10−17S/m, τ ' 933, 31h • determine o tempo de relaxação τ da prata, σ = 6, 17×107 S/m; se em t = 0 temos ρ0 determine as distribuições em t = τ e t = 5τ • considerando ε = ε0 temos τ = � σ = 10−9/36pi 6, 17× 107 ≈ 1, 43× 10 −19 s • assim t = τ → ρ = ρ0 e−1 ≈ 0, 368 ρ0C/m3 t = 5 τ → ρ = ρ0 e−5 ≈ 6, 74× 10−3 ρ0C/m3 18 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS 6.6 Condições de Fronteira - Interface Condutor - Espaço Livre • existe uma interface entre um condutor e o espaço livre • ligamos uma fonte que gera um campo elétrico • depois de um certo tempo temos o condutor em condições estáticas • o que acontece? • existe uma interface entre um condutor e o espaço livre • aplicamos ∮ ~E · ~dl no caminho diferencial fechado abcda, obtemos∮ abcda ~E · ~dl = ∫ b a ~E · ~dl + ∫ c b ~E · ~dl + ∫ d c ~E · ~dl + ∫ a d ~E · ~dl = 0 • o caminho abcda é um caminho diferencial, assim∫ b a ~E · ~dl + ∫ c b ~E · ~dl + ∫ d c ~E · ~dl + ∫ a d ~E · ~dl = 0 E2t∆w − Ebn ∆h 2 + Ean ∆h 2 = 0 • fazendo ∆h→ 0, com ∆w pequeno mais finito E2t∆w − Ebn ∆h 2 + Ean ∆h 2 = 0 E2t∆w = 0→ E2t = 0 • o campo tangencial a fronteira entre o condutor e o espaço livre é nulo • está coerente este resultado? 6.6. CONDIÇÕES DE FRONTEIRA - INTERFACE CONDUTOR - ESPAÇO LIVRE 19 • existe uma interface entre um condutor e o espaço livre • aplicamos ∮ s ~D · ~ds no cilindro diferencial, obtemos∮ s ~D · ~ds = ∫ topo + ∫ base + ∫ lateral = q • avaliando as integrais obtemos∫ topo = D2n∆S, ∫ base = 0, porque?∫ lateral = 0 quando fazemos ∆h→ 0 • obtemos D2n∆S = q • a carga q dentro do cilindro é carga livre, onde está esta carga? assim D2n∆S = q = ρs∆S D2n = ρs, E 2 n = ρs ε D2t = E 2 t = 0 D2n = ρs, E 2 n = ρs ε 20 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • uma tora condutora infinita tem na face com normal ~n = ~az uma densidade superficial de cargas ρs = 10µC/m 2 e na face com ~n = −~az tem densidade superficial de cargas ρs = −10µC/m2 • o que está acontecendo? • determine: – campo elétrico no espaço livre – campo elétrico dentro da tora devido as distribuições de cargas – campo elétrico aplicado na tora • da condição Dn = ρs e ~D = ε ~E temos ~Dtopo = ε0 ~Etopo = ~n ρs = ~az ρs ⇒ ~Etopo = 10 ε0 ~az µV/m ~Dbase = ε0 ~Ebase = ~n ρs = −~az ρs ⇒ ~Ebase = 10 ε0 ~az µV/m 6.6. CONDIÇÕES DE FRONTEIRA - INTERFACE CONDUTOR - ESPAÇO LIVRE 21 • os dois plano infinitos com ρs e −ρs geram cada placa gera ~E = ρs 2 ε0 ~an ⇒ ~Ei = ρs 2 ε0 (−~az) + −ρs 2 ε0 (~az) = −10 ε0 ~az µV/m • como calculamos o campo elétrico aplicado à tora • em condições estacionárias o campo interno é nulo ~E = ~Ei + ~Ea = 0⇒ ~Ea = − ~Ei = 10 ε0 ~az µV/m 22 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS 6.7 Dielétricos • vimos que bons condutores possuem elétrons livres – quando aplicado um campo elétrico surge uma corrente de condução • num dielétrico não temos elétrons livres • quando aplicamos um campo elétrico num dielétrico temos – formação e orientação de dipolos elétricos • temos dois tipos de moléculas num dielétrico – molécula polar – molécula não polar 6.7. DIELÉTRICOS 23 • possuem um deslocamento permanente entre os centros de gravidade da carga positiva e da carga negativa, cada par age como um dipolo • não formam um dipolo, a não ser que um campo elétrico seja aplicado • temos dois tipos de materiais – material polar - formado por moléculas polares – material não polar - formado por moléculas não polares • em qualquer situação temos a orientação de dipolos elétricos quando aplicamos um campo elétrico no material 24 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • o momento do dipolo microscópico é dado por ~p = Q ~dCm • temos n dipolos idênticos por unidade de volume e estamos considerando um volume ∆V • o momento de dipolo total é a soma vetorial de todos os momentos de dipolo ~ptotal = n∆ v∑ i=1 ~piCm • definimos o vetor polarização elétrica ~P como o momento de dipolo por unidade de volume ~P , lim ∆v→0 [ 1 ∆v ~ptotal ] , lim ∆v→0 [ 1 ∆v n∆ v∑ i=1 ~pi ] C/m2 • qual é a utilidade do vetor polarização elétrica ~P ~P , lim ∆v→0 [ 1 ∆v n∆ v∑ i=1 ~pi ] C/m2 • o campo forma os dipolos e depois os orienta 6.7. DIELÉTRICOS 25 • o campo não forma os dipolos mas pode aumentar os seus momentos e depois os orienta • exemplo: água H2O • o forno de microondas aquece os alimentos porque o campo eletromagnético força os dipolos da água a mudar de orientação e pelo atrito gera o calor • isolador de linha com parafuso - para fixação em madeiras de qualquer tipo 38mm x 92mm - diâmetro parafuso 52 mm 26 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • nas linhas de transmissão, os isoladores isolam eletricamente as linhas da terra e sustentam mecanicamente os cabos aéreos de transporte de energia fixados nas estruturas • as cargas dos dipolos são chamadas de cargas de polarização ou cargas polarizadas • temos dois tipos de distribuições de cargas de polarização – densidade superficial de cargas de polarização - ρsp – densidade volumétrica de cargas de polarização - ρvp 6.7. DIELÉTRICOS 27 • o que acontece quando aplicamos um campo elétrico num material dielétrico? – alinhamos dipolos elétricos • consideremos um volume dv limitado por uma superfície ds • neste volume temos um campo elétrico aplicado • o volume dv tem uma altura d que é o módulo do vetor ~d que define o dipolo • quando aplicamos o campo elétrico alinhamos os dipolos • metade de dv está acima de ds e metade abaixo • quando ~E 6= 0 moléculas nos dois volumes serão polarizadas • formam-se dipolos com ~p = Q ~d • cada molécula acima de ds causará uma carga −Q fluindo através de ds para baixo • cada molécula abaixo de ds causará uma carga +Q fluindo através de ds para cima 28 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • temos uma densidade molecular de n moléculas por m3 • para carga +Q fluindo para cima dQcima = Qndv 2 = Qn ~d · ~ds 2 • para carga −Q fluindo para baixo dQbaixo = −Qndv 2 = −Qn ~d · ~ds 2 • desde que dQcima e dQbaixo produzem efeitos iguais, o fluxo líquido de carga positiva fluindo para cima, através de ds torna-se dQ = Qn ~d · ~ds • assumindo ~E uniforme temos que todos os ~p são iguais ~P = n ~p = nQ ~d • assim dQ = ~P · ~ds • temos a relação entre ~P e dQ dQ = ~P · ~ds • expandindo v para incluir todo o volume do material 6.7. DIELÉTRICOS 29 – a superfície s será a superfície do material – dQ será a carga de polarização na superfície dQsp = ~P · ~ds = ~P · ~n ds dQsp ds = ~P · ~n = ρsp C/m2 • onde ~n é o vetor unitário para fora do volume • ρsp é a densidade superficial de carga de polarização • a carga de polarização Qsp total que flui para fora de v é Qsp = ∮ s ~P · ~ds • a carga de polarização que permanece dentro de v é Qvp = −Qsp = − ∮ s ~P · ~ds • aplicando o teorema da divergência obtemos Qvp = − ∫ v ∇ · ~P dv = ∫ v (−∇ · ~P ) dv • notamos que ∇ · ~P deve ter unidades de C/m3 e podemos escrever Qvp = ∫ v ρvp dv → ρvp = −∇ · ~P • como o material não está carregado temos Qsp +Qvp = 0 assim∮ s ~P · ~ds − ∫ v ∇ · ~P dv = 0 30 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • encontre ρsp e ρvp para o cubo dielétrico quando ~P = 10−2~az C/m2 dentro do cubo ρstopo = ~P · ~n = 10−2~a · ~az = 10−2C/m2 ρsbase = ~P · ~n = 10−2~a · (−~az) = −10−2C/m2 ρslaterais = 0 • para a ρvp usamos ρvp = −∇ · ~P = − ( ∂Px ∂x + ∂Py ∂y + ∂Pz ∂z ) = 0 • devido a polarização de um dielétrico temos a formação de – densidades superficiais de cargas de polarização ρsp – densidade volumérica de cargas de polarização ρvp • o que estas distribuições de carga geram? campo elétrico • o campo elétrico devido a uma densidade de carga livre é ε0∇ · ~E = ρv • o campo elétrico devido a uma densidade de carga de polarização é ε0∇ · ~Ep = ρvp • considerando as duas densidades ε0∇ · ~E = (ρv + ρvp) • agora ~E representa o campo total • campo elétrico total ε0∇ · ~E = (ρv + ρvp) • usando ∇ · ~P = −ρvp obtemos ε0∇ · ~E = ρv −∇ · ~P 6.7. DIELÉTRICOS 31 • rearranjando encontramos ε0∇ · ~E +∇ · ~P = ∇ · (ε0 ~E + ~P ) = ρv • podemos definir um ~D de um modo mais geral como ~D = ε0 ~E + ~P • o termo adicional em ~D aparece quando um material dielétrico é polarizado • material dielétrico polarizado ∇ · ~D = ρv • observe que a equação acima é independente das densidades de carga de polarização • o que isto quer dizer? – o fluxo elétrico é gerado por cargas livres – o fluxo elétrico independe do material (meio) • qualquer material ou meio ∇ · ~D = ρv ∮ s ~D · ~ds = q • num material (meio) ~P está relacionado com o campo ~E aplicado • este relacionamento é função do tipo do material • num material isotrópico ~P e ~E estão linearmente relacionados ~P = ε0 χe ~E • onde χe é a suscetibilidade elétrica, que representa facilidade de orientação de dipolos – no vácuo χe = 0 não existe dipolos para orientar – na água χe = 79 • substituindo a relação em ~D = ε0 ~E + ~P obtemos ~D = ε0 ~E + ε0 χe ~E = ε0(1 + χe) ~E • a linearidade entre ~D e ~E leva-nos a definir ε = ε0(1 + χe) • onde χe é a permissividade elétrica, assim ~D = ε ~E • uma elevada suscetibilidade elétrica corresponde a uma elevada permissividade – no vácuo ε = ε0 32 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS – na água ε = 80 ε0 • podemos definir uma permissividade relativa ou constante dielétrica como εR , ε ε0 → εR = 1 + χe • exemplos – água destilada εR = 80, teflon εR = 2, 03, ar εR = 1, 0006, mica εR = 5, 4 • uma esfera condutora de raio a, carregada com uma carga q, está envolvida por uma coroa dielétrica definida pelos raios b e c e permissividade elétrica ε, calcular e esboçar a distribuição de ~D, ~E e ~P • como iremos resolver? • calculamos primeiro o vetor densidade de fluxo elétrico ~D • usando a lei de Gauss obtemos∮ s ~D · ~ds = Dr 4pi r2 = q → ~D = q 4pi r2 ~ar • campo elétrico no dielétrico ~Ed = q 4pi ε r2 ~ar • campo elétrico no espaço livre ~E0 = q 4pi ε0 r2 ~ar a < r < b e r > c 6.7. DIELÉTRICOS 33 • o vetor polarização ~P só existe na capa dielétrica • como calculamos ~P ~D = ε0 ~E + ~P ~P = ε− ε0 ε q 4pi r2 ~ar • a polarização do material enfraquece o campo que gerou a orientação dos dipolos • a capa dielétrica não altera o fluxo dielétrico 34 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS 6.8 Condições de Fronteira - Interface Dielétrico - Dielétrico • existe uma interface entre dois dielétricos • ligamos uma fonte que gera um campo elétrico • depois de um certo tempo temos o sistema em condições estáticas • o que acontece? • relacionaremos os campos ~E e ~D na fronteira • o procedimento é idêntico ao usado na fronteira condutor espaço livre • existe uma interface entre os dois dielétricos livre • aplicamos ∮ ~E · ~dl no caminho diferencial fechado abcda, obtemos∮ abcda ~E · ~dl = ∫ b a ~E · ~dl + ∫ c b ~E · ~dl + ∫ d c ~E · ~dl + ∫ a d ~E · ~dl = 0 • o caminho abcda é um caminho diferencial, assim∫ b a ~E · ~dl + ∫ c b ~E · ~dl + ∫ d c ~E · ~dl + ∫ a d ~E · ~dl = 0 E1t∆w − (Eb1n + Eb2n ) ∆h 2 − E2t∆w + (Ea1n + Ea2n ) ∆h 2 = 0 • fazendo ∆h→ 0, com ∆w pequeno mais finito E1t∆w − (Eb1n + Eb2n ) ∆h 2 − E2t∆w + (Ea1n + Ea2n ) ∆h 2 = 0 E1t∆w − E2t∆w = 0→ E1t = E2t • o campo elétrico tangêncial à fronteira entre dois dielétricos é contínuo • o campo elétrico tangêncial a fronteira entre dois dielétricos é contínuo • como ~D = ε ~E D1t D2t = ε1 ε2 6.8. CONDIÇÕES DE FRONTEIRA - INTERFACE DIELÉTRICO - DIELÉTRICO 35 • existe uma interface entre os dois dielétricos • aplicamos ∮ s ~D · ~ds no cilindro diferencial, obtemos∮ s ~D · ~ds = ∫ topo + ∫ base + ∫ lateral = q • avaliando as integrais e fazendo ∆h→ 0 obtemos D1n∆S −D2n∆S = ρs∆S → D1n −D2n = ρs • como ~D = ε ~E ε1E 1 n − ε2E2n = ρs 36 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • dado um campo elétrico ~E1 = 2~ax + 3~ay + 5~az V/m na interface dielétrica plana (z = 0) sem cargas livres, determine ~D2 e os ângulos θ1 e θ2 • usando E1t = E2t obtemos ~E1 = E1t︷ ︸︸ ︷ 2~ax + 3~ay +5~az ~E2 = 2~ax + 3~ay︸ ︷︷ ︸ E2t +E2z ~az • usando a condição D1n −D2n = ρs = 0 obtemos ~D1 = ε0 εR1 ~E1 = 4 ε0~ax + 6 ε0~ay + 10 ε0~az ~D2 = ε0 εR2 ~E2 = D 2 x~ax +D 2 y ~ay + 10 ε0~az • a componente E2z é dada por E2z = D2z ε2 = 10 ε0 5 ε0 = 2 • as componentes D2x e D2y são dadas por D2x = 2 ε0 εR2 = 10 ε0 D2y = 3 ε0 εR2 = 15 ε0 • os campos ~E2 e ~D2 são ~E2 = 2~ax + 3~ay + 2~az ~D2 = 10 ε0~ax + 15 ε0~ay + 10 ε0~az • usando ~A · ~B = AB cosθAB obtemos ~E1 · ~az = | ~E1|cos(90o − θ1) 5 = √ 38 senθ1 → θ1 ≈ 54, 2o ~E2 · ~az = | ~E2|cos(90o − θ2) 2 = √ 17 senθ2 → θ2 ≈ 29, 0o 6.8. CONDIÇÕES DE FRONTEIRA - INTERFACE DIELÉTRICO - DIELÉTRICO 37 • temos uma barra de teflon estendendo-se de y = 0 até y = a, sabendo que o campo na região y < 0 é ~E1 = E0 (~ay + ~az), determine ~E, ~D e ~P em todas as regiões • na região 1 temos ~E1 = E0 (~ay + ~az) ~D1 = ε0E0 (~ay + ~az) ~P1 = 0 • na região 2 temos E1t = E 2 t = E0~az D1n = D 2 n = ε0E0~ay ~E2 = ε0 εR ε0 E0~ay + E0~az ~D2 = ε0E0 (~ay + εR ~az) • o vetor polarização elétrica no teflon é dado por ~P2 = ~D2 − ε0 ~E2 = ε0E0 ( εR − 1 εR ) ~ay + ε0E0 (εR − 1)~az • na região 3 temos E2t = E 3 t = E0~az = E 1 t D2n = D 3 n = ε0E0~ay = D 1 n ~E3 = ~E1 = E0 (~ay + ~az) ~D3 = ~D1 = ε0E0 (~ay + ~az) ~P3 = ~P1 = 0 • sugestão: considere três meios distintos, ε1, ε2 e ε3 38 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS 6.9 Capacitância • analisemos o sistema abaixo – dois condutores mergulhados num dielétrico homogêneo – o condutor 1 tem uma carga total positiva Q – o condutor 2 tem uma carga total negativa −Q – não existem outras cargas e a carga total do sistema é nula • o que mais sabemos? • o que mais sabemos? – a carga está na superfície dos condutores – o campo elétrico é normal às superfícies condutoras – a superfície dos condutores são equipotenciais – com C1 tem uma carga positiva o fluxo elétrico está dirigido de C1 para C2 – existe uma ddp entre os condutores • o que acontece de aumentamos a ddp V0 entre os condutores? – a carga na superfície dos condutores aumenta – o campo elétrico aumenta – o fluxo elétrico aumenta – o sistema continua com carga total nula • definimos capacitância do sistema como a razão entre a magnitude da carga total de um con- dutor e a ddp do sistema C , Q V0 F (farads) C/V 6.9. CAPACITÂNCIA 39 • podemos escrever C , Q V0 F (farads) C/V • em termos da densidade de carga ρs e o campo ~E entre os condutores como C = ∫ s ρs ds − ∫ +− ~E · ~dl F (farads) • da condição de fronteira na superfície do condutor temos ρs = ε ~E · ~n assim ρs ds = ε ~E · ~n = ε ~E · ~ds C = ∫ s ε ~E · ~ds − ∫ +− ~E · ~dl F (farads) • analisemos a equação C = ∫ s ε ~E · ~ds − ∫ +− ~E · ~dl F • o que podemos dizer sobre capacitância? – a capacitância é independente do potencial e da carga, porque? – se a densidade de carga aumenta por um fator N a lei de Gauss indica que o campo elétrico também aumenta por um fator N – o capacitor com este comportamento é o capacitor linear 40 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • calcular a capacitância de uma estrutura de placas grandes, paralelas e de área A, mantidas a uma distância d por um dielétrico com permissividade elétrica ε • o campo elétrico entre os condutores é ~E = −ρs ε ~az assim V = − ∫ + − ~E · ~dl = − ∫ z=d z=0 −ρs ε ~az · dz ~az = ρs d ε • a carga no condutor vale Q = ρsA assim C = Q V = ρsA ρs d ε = εA d F • analisando C = εA d F • vemos que – a capacitância só depende dos parâmetros físicos da estrutura – maior permissividade elétrica maior capacitância – maior área maior capacitância – menor distância d maior capacitância projeto mais difícil por causa do centelhamento 6.9. CAPACITÂNCIA 41 • encontre a capacitância de um cabo coaxial de comprimento l, com dielétrico de permissividade elétrica ε • como resolveremos? • aplica-se uma fonte de tensão V no cabo coaxial • uma superfície gauusiana de raio ρ e a lei de Gauss fornece ~D D 2pi ρ l = q → ~D = q 2pi ρ l ~aρ ~E = q 2pi ρ l ε ~aρ V = − ∫ a b q 2pi ρ l ε ~aρ · dρ~aρ = −q 2pi l ε ln(ρ)|ab = q 2pi l ε ln(b/a) • a capacitância é dada por C = q V = 2pi ε l ln(b/a) F • analisando a expressão .... 42 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • calcule a capacitância de l metros de uma linha de transmissão paralela cujos fios tem raio a e estão a uma distância d >> a • resposta C = q V = pi ε l ln(d/a) F • consideremos dois capacitores em paralelo • as placas superiores formam um condutor único, com carga total Q = q1 + q2 • temos um potencial V + nas placas superiores e V − nas placas inferiores, assim C = Q V + − V − = Q V = q1 V + q2 V = C1 + C2 • para N capacitores temos C = C1 + C2 + ...+ CN • associação em paralelo de capacitores aumenta a capacitância total mas ... • consideremos dois capacitores em série • a mesma carga que a fonte retira de um capacitor ela coloca no outro V = V1 + V2 = q1 C1 + q C2 = q C • assim C = C1C2 C1 + C2 6.9. CAPACITÂNCIA 43 • associação em série reduz a capacitância total mas .... • calcular a capacitância de uma estrutura de placas grandes, paralelas e de área A, mantidas a uma distância d, onde foi usado dois dielétricos • resposta C = A `1 ε1 + `2 ε2 F 44 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS 6.10 Energia no capacitor • para se carregar um capacitor é necessário transferir cargas de um condutor para outro – precisamos realizar trabalho para se carregar o capacitor • como calcularemos esta energia? • consideremos dois condutores com uma ddp V formando capacitor com capacitância • a magnitude da carga em um condutor é dada por q = C V • a energia gasta para deslocar uma carga diferencial dq é dada por dw = −dq ∫ final inicial ~E · ~dl • como − ∫ final inicial ~E · ~dl = V temos dw = dq V • considerando que o processo de carga na estrutura começou com uma carga nula até a carga total Q, o trabalho total W será W = ∫ Q 0 dq V • com q = C V temos W = ∫ Q 0 dq V = ∫ Q 0 q C dq = 1 2 Q2 C • escrevendo em termos da capacitância (q = C V ) temos W = 1 2 C V 2 6.10. ENERGIA NO CAPACITOR 45 • onde está armazenada a energia? W = 1 2 C V 2 • no campo elétrico entre os condutores WE = 1 2 ∫ vol ε| ~E|2 dv • temos outra abordagem para calcular capacitância C = 2.0WE V 2 • no capacitor de placas planas e paralelas temos C = εA d , ~E = −ρs ε ~az V = − ∫ + − ~E · ~dl = | ~E| d • assim temos WE = 1 2 ε | ~E|2Ad = 1 2 C | ~E|2 d2 W = 1 2 C V 2 = WE 46 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • dois capacitores foram carregados com tensões v1 e v2 e são ligados como mostrado na figura, calcular a tensão v de equilíbrio e a energia perdida na ligação • o que acontece com a carga no sistema? • permanece a mesma, assim • por quê perdemos energia? • a carga permanece a mesma, assim q1 + q2 = q ′ 1 + q ′ 2 C1 v1 + C2 v2 = C1 v + C2 v v = C1 v1 + C2 v2 C1 + C2 tensão de equilíbrio • a energia perdida na centelha e na resistência da fiação é ∆W = ( 1 2 C1 v 2 1 + 1 2 C2 v 2 2 ) − ( 1 2 C1 v 2 + 1 2 C2 v 2 ) WE = 1 2 C V 2 • tensão de equilíbrio v = C1 v1 + C2 v2 C1 + C2 • energia perdida na centelha e na resistência da fiação ∆W = ( 1 2 C1 v 2 1 + 1 2 C2 v 2 2 ) − ( 1 2 C1 v 2 + 1 2 C2 v 2 ) 6.11. RIGIDEZ DIELÉTRICA 47 6.11 Rigidez Dielétrica • não podemos aumentar a intensidade do campo ~E num dielétrico indefinidamente • num certo valor ocorrerá um centelhamento • diz-se que há, neste ponto, uma ruptura do dielétrico • o valor do campo elétrico que um isolante suporta é denominado de rigidez dielétrica • observe que este campo é a superposição do campo elétrico externo, aplicado ao dielétrico, mais o campo criado pelo próprio dielétrico • ar - 3M V/m • papel - 15M V/m • óleo - 15M V/m • poliestireno - 20M V/m • borracha - 20M V/m • vidro - 30M V/m • mica - 200M V/m • no vácuo a rigidez dielétrica é infinita, porém existe o centelhamento, os elétrons podem ser arrancados do condutor • no ar chama-se corona o centelhamento que ocorre quando a sua rigidez dielétrica é vencida 48 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • duas placas metálicas planas e paralelas estão isoladas a ar e sob uma tensão de 3 kV , calcule a menor distância d possível entre as placas para que não ocorra centelhamento • como resolveremos? • considerando o campo constante (por quê?) temos V = | ~E| d→ d = V| ~E| • quanto vale este campo | ~E|? | ~E| = 3× 106 → d = 3× 10 3 3× 106 = 1mm • consideremos que as duas placas metálicas planas e paralelas estão isoladas a ar e sob uma tensão de 20 kV , que as carregou, a distância entre as placas é d = 1mm, foi colocado um papel com espessura de 1mm entre as placas, sabendo que a rigidez dielétrica do papel é de 15MV/m dizer se esta rigidez vai ser vencida • como resolveremos? • antes de colocar o papel temos V = | ~E| d→ | ~E| = 20 k 1× 10−3 = 20MV/m • a rigidez do papel será vencida, por quê? • depois que colocamos o papel, o campo ~D fica inalterado (por quê?), mais o campo ~E foi enfraquecido (por quê?) • o novo campo interno é dado por | ~E| = 20× 10 6 ε0 ε = 5MV/m • não vence a rigidez do papel, como podemos garantir que a rigidez do papel seja vencida? 6.11. RIGIDEZ DIELÉTRICA 49 • determinar a maior tensão aplicável a um cabo coaxial com raios a e b cujo dielétrico tem rigidez dielétrica E0 • como resolveremos? • a ddp num cabo coaxial é dada por V = q C • como já calculamos a capacitância temos C = 2pi ε ` ln(b/a) F • a ddp no cabo coaxial é dada por V = q ln(b/a) 2pi ε ` • em que lugar a rigidez dielétrica será vencida na estrutura? • a rigidez dielétrica será vencida no condutor interno, por que? • o campo elétrico é dado por ~E = ρ` 2pi ε ρ ~aρ → ~E ∣∣∣ ρ=a = q 2pi ε ` a ~aρ 50 CAPÍTULO 6. CONDUTORES E DIELÉTRICOS • uma rigidez dielétrica E0 implica numa carga máxima no condutor ρ = a dada por E0 = qmax 2pi ε ` a • como V = q ln(b/a) 2pi ε ` temos Vmax = E0 2pi ε ` a ln(b/a) 2pi ε ` = E0 a ln(b/a) • a maior tensão aplicável a um cabo coaxial com raios a e b cujo dielétrico tem rigidez dielétrica E0 Vmax = E0 a ln(b/a)V • determinar a maior tensão aplicável a uma linha de transmissão paralela cujos fios possuem raio a e estão separados por uma distância d >> a, sabendo que a rigidez dielétrica do meio vale E0 • resposta Vmax = 2E0 a ln(d/a)V