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* * * DA COAÇÃO Coação é toda violência, ameaça ou pressão injusta exercida so -bre uma pessoa para forçá-la, contra a sua vontade, a realizar um negó -cio jurídico. É o emprego de uma violência psicológica que vicia a vonta- de. É o vício mais grave dos negócios jurídicos, pois age contra a liberda-de das pessoas. ESPÉCIES DE COAÇÃO Ela pode ser a) Física ou Absoluta - Moral ou Relativa. Na primeira não há nenhum consentimento ou manifestação da vontade do coagido. Nessa há emprego de força física que transforma a pessoa num verdadeiro fantoche nas mãos do coator. Ex. colocar a im -pressão digital de um analfabeto num contrato, agarrando sua mão a for -ça. Como não há nenhuma declaração de vontade, tal coação acarreta a inexistência do negócio. A coação que torna o negócio anulável é a relativa ou moral. Nes-sa, apesar a ameaça sofrida, a vítima tem uma opção, ou escolha. Ou pra-tica o negócio ou sofre o mal ameaçado. É uma coação psicológica. Ex. quando o assaltante exige que a vítima lhe dê algo ( ou faça algo ) sob a-ameaça de morte ( É a conhecida frase: a bolsa ou a vida ). Normalmente é ameaça de um mal iminente. Mas pode ser exercida com força física, com ameaça de dano ( mal ) ainda maior. Ex. torcer o braço da vítima, sob * * * ameaça de quebrá-lo; torturar a vítima, sob ameaça de continuar. Sob outro critério, a coação pode ser b) Principal - Acidental. O Código não faz essa distinção, mas a Doutrina entende que a coação é principal quando é a causa determinante do negócio; o negó –cio só foi praticado porque houve coação. A coação é acidental quando não foi a causa do negócio; este teria sido praticado mesmo sem coação, mas em condições menos prejudiciais para a vítima. É como no dolo aci -dental: não anula o negócio e só obriga o coator a indenizar a vítima. REQUISITOS DA COAÇÃO Tais requisitos estão previstos principalmente no art. 151 do CC. Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação. São os seguintes: a) Deve ser a causa determinante do negócio. A vítima só realizou o negócio porque sofreu a violência ou grave ameaça; Sem a coação, o * * * negócio jurídico não teria sido praticado. Se alguém sofreu coação, mas deu seu consentimento independente da ameaça. Não pode querer anular o negócio. Precisa haver uma relação de causa e efeito entre a coação e o negócio realizado. Incumbe à vítima provar essa circunstância. b) A coação deve ser grave. A coação para anular o negócio deve ser de tal gravidade que efetivamente cause na vítima um fundado temor de dano. Esse dano pode ser moral ou patrimonial. Para apurar-se a gra -vidade do dano usa-se o critério concreto, considerando-se as condições pessoais de cada vítima. Por isso, diz o art. 152 do Código Civil: Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a con- dição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. Assim, a ameaça incapaz de amedrontar um homem jovem e forte poderá aterrorizar uma mulher idosa e doentia... Também no tocante à gravidade da coação, o art. 153 do Código Civil diz que não se considera coação o simples temor reverencial. Tal te- mor é o medo de desagradar os pais, patrão, superior hierárquico e de- mais pessoas a quem se deve respeito. Assim, uma noiva não pode dizer que foi coagida a casar porque não quis desagradar seu pai. No entanto, como a lei menciona o simples temor, se o medo reverencial vier acom - * * * panhado de ameaça de males mais graves, ficará caracterizada a coação. c) A coação deve ser injusta, ou seja, há de ser ilícita, contrária ao direito, abusiva. Por isso, diz o art. 153, primeira parte, do Código Civil, -que não é coação a ameaça do exercício normal de um direito. Assim, não é coação a ameaça do credor de executar a dívida; ou pedir a falência do devedor; nem denunciar a existência de um crime. Contudo, como a lei fala em exercício normal de direito, haverá coação quando o coator faz uma ameaça contra o direito ( ex. – Se você não pagar a dívida, vou lhe dar uma paulada. ). Ou quando, embora tendo um direito, o coator exigir uma vantagem ilícita, ou imoral ( ex. – Vou re -querer sua falência, se você não perdoar a minha dívida; vou denunciar seu crime, se você não casar comigo. ) d) O dano ameaçado deve ser atual ou iminente, ou seja, não deve ser um mal impossível, remoto ou evitável. Não pode ser um mal futuro. e) O mal ameaçado deve referir-se à pessoa ou aos bens da vítima ou de pessoa de sua família. A ameaça deve ser de dano pessoal, como sofrimentos físicos, tortura, prisão, ou de dano patrimonial, como incên –dio, depredações, etc. E a vítima pode ser o outro contratante, ou pessoa de sua família ( esposa, pais, filhos, etc. ) Essa expressão família, no entanto, tem uma acepção ampla, po - * * * dendo referir-se à noiva, um amigo íntimo, parentes afins ( sogra, cunha –do ). O que ocorre é que, se se tratar da família do coacto, há uma presun- ção legal da gravidade da ameaça; se se tratar de outras pessoas, deve ser provado que o coacto ficou atemorizado. Por isso que o art. 151, pará- grafo único, do Código Civil afirma: Art. 151, parágrafo único - Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente,o juiz, com base nas circunstâncias,decidirá se houve coação. COAÇÃO DE TERCEIRO Trata-se da situação em que a coação é exercida por um terceiro, em favor de uma das partes: Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto.