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DIREITO PENAL
1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL E INTERPRETAÇÃO DA LEI
PENAL
Princípio da Legalidade: O princípio da reserva legal delimita o poder
punitivo do Estado e dá ao Direito Penal uma função garantista, pois define o
delito e a pena, ficando os cidadãos cientes de que só pelos fatos
anteriormente delineados como crimes poderão ser responsabilizados
criminalmente e apenas naquelas sanções previamente fixadas podem ser
processados e condenados. O referido princípio se desdobra em quatro
princípios:
a) nullum crimen, nulla poena sine lege praevia (proibição da edição de leis
retroativas que fundamentam ou agravem a punibilidade)
b) nullum crimen, nulla poena sine lege scripta (proibição da
fundamentação ou do agravamento da punibilidade pelo direito
consuetudinário);
c) nullum crimen, nulla poena sine lege stricta (proibição da fundamentação
ou do agravamento da punibilidade pela analogia);
d) nullum crimen, nulla poena sine lege certa (a proibição de leis penais
indeterminadas).
Princípio da Intervenção Mínima: A aplicação abusiva da previsão
legislativa penal faz com que ela perca parte de seu mérito e, assim, sua força
intimidadora. O princípio da intervenção mínima está diretamente ligado aos
critérios do processo legislativo de elaboração de leis penais, servindo, num
primeiro momento, como regra de determinação qualitativa abstrata para o
processo de tipificação das condutas, e, num segundo momento, juntamente
com o princípio da proporcionalidade dos delitos e das penas, cominar a
sanção pertinente. Destarte, surge como tendência, a idéia de que só se deve
criminalizar condutas de efetiva gravidade e que atinjam bens fundamentais,
valores básicos de convívio social.
Princípio da Humanidade: A Declaração dos Direitos do Homem disciplina
em seu artigo 5º, que: "ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou
castigo cruel, desumano e degradante". No mesmo sentido, a Convenção
Internacional sobre Direitos Políticos e Civis, de 1966, dispõe em seu artigo 10,
inciso I, que: "o preso deve ser tratado humanamente, e com o respeito que lhe
corresponde por sua dignidade humana". A Constituição Federal de 1988
trouxe diversos dispositivos onde se constata a consagração do princípio da
humanidade. Exemplo: artigo 5, inciso XLIX, da Lei Maior, que: "é assegurado
aos presos o respeito à integridade física e moral". O próximo inciso do mesmo
artigo assevera que: "às presidiárias são asseguradas as condições para que
possam permanecer com seus filhos durante o período da amamentação".
Ainda mais enfatizante é o inciso XLVII, do citado artigo, que dispõe: "não
haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do
artigo 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de
banimento; e) cruéis".
Princípio da Pessoalidade: Aduz que a pena não pode passar da pessoa
que praticou o delito. A Carta Magna em vigor disciplina no artigo 5º, inciso
XLV que: "nenhuma pena passará da pessoa do condenado (...)".
A pena não se pode estender a pessoas que não participaram do delito,
ainda que haja laços de parentesco, afinidade ou amizade com o condenado.
Não se pode olvidar, contudo, que a pena pode gerar danos e sofrimentos a
terceiros, em especial a família. Assim, determinadas legislações vêm
disciplinando a criação de institutos que auxiliam tanto a família do
sentenciado, como a vítima do delito.
Princípio da Individualização da Pena: A legislação constitucional pátria
consagrou o princípio no artigo 5, inciso XLVI, dispondo que: "a lei regulará a
individualização da pena". A individualização da pena passa por três fases
distintas: A legislativa, a judicial e a executória ou administrativa.
No primeiro momento, a lei delimita as penas para cada tipo de delito,
guardando proporcionalidade com a importância do bem jurídico defendido e
com o grau de lesividade da conduta. Nesta fase, ainda, se estabelece as
espécies de penas que podem ser aplicadas, de forma cumulativa, alternativa
ou exclusiva.
Na segunda fase, ocorre a individualização realizada pelos magistrados.
Diante das diretrizes fixadas pela legislação, o juiz vai decidir qual das penas
deve ser aplicada e qual a sua quantidade, dentro dos limites trazidos no
preceito penal secundário, determinando, inclusive, o meio de sua execução.
As regras básicas da individualização da pena, em nosso Código Penal, estão
previstas no artigo 59 e não podem deixar de ser observadas pelo juiz.
A terceira e última etapa da individualização da pena ocorre com sua
execução e é denominada de individualização administrativa ou
individualização executória. A Constituição Federal traz alguns preceitos que
devem ser respeitados na etapa executória. No artigo 5ª, inciso XLIX, diz ser
"assegurado aos presos o respeito a integridade física e moral". Já no inciso
XLVIII, do mesmo artigo, se impõe que o cumprimento da pena se dará em
estabelecimentos que atendam "a natureza do delito, a idade e o sexo do
apenado".
Princípio da Consunção : É o princípio segundo o qual um fato mais amplo
e mais grave consome, isto é, absorve outros fatos menos amplos e graves,
que funcionam como fase normal de preparação ou execução ou mero
exaurimento.
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
A legislação penal constitui obra humana, suscetível de imperfeições, de
obscuridades. Interpreta-se a lei penal, uma vez que, ela possui sentido e
alcance próprios. A interpretação consiste em extrair da norma o seu
verdadeiro significado e conteúdo, face a realidade para aplicação ao caso
concreto. Espécies de Interpretação:
a) Quanto ao sujeito a interpretação pode ser:
AUTÊNTICA: Quando procede do próprio órgão elaborador da norma.
Podendo ser: Contextual - feita pelo próprio sujeito que elaborou a norma
ou quando está no próprio texto da lei; ou Posterior - interpretação efetuada
depois de editada a lei,
DOUTRINÁRIA: Efetuada pelos escritores de Direito em seus comentários
às leis, sendo denominado "Communis Opinio Doctorum". Não tem força
obrigatória pela diversidade de pensamentos.
JUDICIAL OU JURISPRUDENCIAL: Efetuada pelos órgãos do Poder
Judiciário através de juízes e tribunais, tendo força obrigatória para o caso
concreto desde que sobrevenha à coisa julgada e esteja coberta pela
imutabilidade. Se ultrapassado o prazo de recurso faz coisa julgada material.
b) Quanto ao Meio Empregado:
GRAMATICAL: Análise do texto legal verificando o que dizem as palavras da
lei.
LÓGICA OU TELEOLÓGICA: Consiste em indagar a vontade da lei, levando
em consideração os motivos que determinaram a sua produção. As
necessidades, os aspectos históricos, o direito comparado e elementos extra-
jurídicos: química, biologia, psiquiatria, etc.
c) Quanto ao Resultado:
DECLARATIVA: Quando a eventual dúvida se resolve pela letra e vontade
da lei, sem necessidade de conferir um sentido mais amplo ou restrito. Não
precisa restringir ou estender; porque está escrito.
RESTRITIVA: Quando o texto da lei disser mais que a sua vontade, surgindo
a necessidade de restringir o alcance de suas palavras.
EXTENSIVA: Nesse caso o texto da lei disse menos do que deveria dizer.
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA OU INTRA: É permitida toda vez que
houver uma fórmula casuística seguindo uma cláusula genérica, a qual deve
ser interpretada de acordo com os casos anteriormente elencados na
interpretação extensiva em que a própria lei determina que se estenda o seu
conteúdo. Exemplos de fórmulas casuísticas: traição, emboscada e
dissimulação. Exemplo de cláusula genérica: outro recurso.
EXERCÍCIOS
01. (Secretário de Diligências – MPE/RS – FCC – 2008) Tendo em conta o
Princípio da Reserva Legal, é correto afirmar
que
a) é lícita a aplicação de pena não prevista em lei se o fato praticado pelo
agente for definido como crime no tipo penal.
b) o juiz pode fixar a pena a ser aplicada ao autor do delito acima do máximo
previsto em lei, aplicando os costumes vigentes na localidade em que ocorreu.
c) é vedado o uso da analogia para punir o autor de um fato não previsto em
lei como crime, mesmo sendo semelhante a outro por ela definido.
d) fica ao arbítrio do juiz determinar a abrangência do preceito primário da
norma incriminadora se a descrição do fato delituoso na norma penal for vaga e
indeterminada.
e) o juiz tem o poder de impor sanção penal ao autor de um fato não descrito
como crime na lei penal, se esse fato for imoral, anti-social ou danoso à
sociedade.
02. (Advogado – UDESC – FEPESE – 2010) Assinale a alternativa correta.
a) O princípio da humanidade das penas está consagrado na Constituição
Federal.
b) O princípio da aplicação da lei mais benéfica não é utilizado pelo direito
penal.
c) O princípio da intervenção mínima não se confunde com o principio da
ultima ratio.
d) Por força do princípio da insignificância não são punidos os crimes de
menor potencial ofensivo
e) A existência de crimes funcionais ofende o princípio da igualdade
03. (Defensoria Pública – DPE/SP – FCC – 2010) A absorção do crime-
meio pelo crime-fim configura aplicação do princípio da
a) sucessividade
b) alternatividade
c) consunção
d) especialidade
e) subsidiariedade
04. (Defensoria Pública – DPE/MA – FCC – 2009) Na consideração de que
o crime de falso se exaure no estelionato, responsabilizando-se o agente
apenas por este crime, o princípio aplicado para o aparente conflito de normas
é o da
a) subsidiariedade
b) consunção
c) especialidade
d) alternatividade
e) instrumentalidade
05. (Técnico Administrativo – MPE/AP – FCC – 2009) O princípio
constitucional que assegura ao acusado o direito de ampla defesa, em
processo em que seja assegurada a igualdade das partes, denomina-se
princípio
a) juiz natural
b) do estado de inocência
c) da verdade real
d) da obrigatoriedade
e) do contraditório
06. (Técnico do Ministério Público – MPE/SE – FCC – 2009) O art. 5º,
LVII, da Constituição Federal dispõe que "ninguém será considerado culpado
até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Nesse dispositivo
constitucional está consagrado o princípio
a) da anterioridade da lei penal.
b) da presunção de inocência.
c) da legalidade.
d) do contraditório
e) do juiz natural
07. (Técnico Administrativo - MPU – FCC – 2007) Dispõe o artigo 1º do
Código Penal: "Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem
prévia cominação legal". Tal dispositivo legal consagra o princípio da
a) ampla defesa.
b) legalidade.
c) presunção de inocência.
d) dignidade.
e) isonomia.
GABARITO:
01 C
02 A
03 C
04 B
05 E
06 D
07 B
2. DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
ANTERIORIDADE DA LEI
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não
há pena sem prévia cominação legal.
LEI PENAL NO TEMPO
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude
dela a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória.
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda
que decididos por sentença condenatória transitada em
julgado.
A lei que revoga um tipo incriminador extingue o direito de punir (abolitio
criminis). A conseqüência do abolitio criminis é a extinção da punibilidade do
agente. Por beneficiar o agente, o abolitio criminis alcança fatos anteriores e
será aplicado pelo Juiz do processo, podendo ser aplicado antes do final do
processo, levando ao afastamento de quaisquer efeitos da sentença, ou após a
condenação transitada em julgado. No caso de já existir condenação transitada
em julgado, o abolitio criminis causa os seguintes efeitos: a extinção imediata
da pena principal e de sua execução, a libertação imediata do condenado
preso e extinção dos efeitos penais da sentença condenatória (Exemplo:
reincidência, inscrição no rol dos culpados, pagamento das custas etc.).
Vale lembrar que os efeitos extrapenais, contudo, subsistem, como a perda
de cargo público, perda de pátrio poder, perda da habilitação, confisco dos
instrumentos do crime etc. A competência para a aplicação do abolitio criminis
após o trânsito em julgado é do juízo da execução:
Súmula nº 611 do STF: “Transitada em julgado a
sentença condenatória, compete ao juízo das execuções
a aplicação da lei mais benigna.
O parágrafo único do artigo 2º trata do fenômeno da extratividade da lei
penal, ou seja; a lei pode retroagir SOMENTE quando para beneficiar o agente.
Extratividade: É o fenômeno pelo qual a lei produz efeitos fora de seu
período de vigência. Divide-se em duas modalidades: retroatividade e
ultratividade.
Na retroatividade, a lei retroage aos fatos anteriores à sua entrada em vigor,
se houver benefício para o agente; enquanto na ultratividade, a lei produz
efeitos mesmo após o término de sua vigência.
Não há que se falar em conflito de leis entre o artigo primeiro (legalidade) e o
parágrafo único do artigo 2º (extratividade). Vejamos:
a) No artigo 1º, decretando a irretroatividade da lei, o Código Penal (CP)
procurou defender a dignidade humana e a estrutura democrática brasileiras,
ambos fundamentos cruciais à existência da nossa República federativa (Art.
1º, III e Parágrafo Único da CF-88), porque trata-se de uma barreira à
discricionariedade estatal no que se refere à punição. Ele reflete o objetivo
claro de controle dos bens jurídicos da sociedade. O que seria de uma nação
se qualquer pessoa com poder pudesse escolher as condutas que devem ser
punidas e assim fazê-lo do modo que lhe der mais satisfação?
b) O artigo 2º, por sua vez, em seu parágrafo único, faz exatamente o
mesmo do artigo 1º. A retroatividade que valida é restringida aos efeitos
benéficos do dispositivo penal em questão, o que é relacionado com os
objetivos da punição estatal e igualmente ao princípio da dignidade humana,
porque evitar que as mudanças sociais se estendam àqueles que, por exemplo,
têm o direito constitucional de ir e vir cerceado por uma conduta que não é
mais considerada lesiva, é negar a igualdade de tratamento do Estado a toda a
sociedade, sobretudo quanto à defesa da dignidade e quanto à justiça, ambos
também explicitamente acobertas constitucionalmente.
LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora
decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato
praticado durante sua vigência.
As leis acima citadas são auto-revogáveis, ou seja, são exceções à regra de
que uma lei se revoga por outra lei. Subdividem-se em duas espécies:
• leis temporárias: Aquelas que já trazem no seu próprio texto a data de
cessação de sua vigência, ou seja, a data do término de vigência já se
encontra explícito no texto da lei.
• leis excepcionais: Aquelas feitas para um período excepcional de
anormalidade. São leis criadas para regular um período de instabilidade. Neste
caso, a data do término de vigência depende do término do fato para o qual ela
foi elaborada.
Estas duas espécies são ultrativas, ainda que prejudiquem o agente
(Exemplo: Num surto de febre amarela é criado um crime de omissão de
notificação de febre amarela; caso alguém cometa o crime e logo em seguida o
surto seja controlado, cessando a vigência da lei, o agente responderá pelo
crime). Se não fosse assim, a lei perderia sua força coercitiva, visto que o
agente, sabendo qual seria o término da vigência
da lei, poderia retardar o
processo para que não fosse apenado pelo crime.
TEMPO DO CRIME
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do
resultado.
Trata-se da fixação do tempo em que crime reputa-se praticado. Existem
três teorias sobre o tempo do crime:
• Teoria da atividade: O tempo do crime é o tempo da ação, ou seja, é o
tempo que se realiza a ação ou a omissão que vão configurar o crime;
• Teoria do resultado: O tempo do crime é o tempo que se produz o
resultado, sendo irrelevante o tempo da ação;
• Teoria mista ou da ubiqüidade: O tempo do crime será tanto o tempo da
ação quanto o tempo do resultado.
A teoria utilizada pelo Código Penal (CP) é a teoria da atividade. Na teoria
da atividade o agente, em caso de lei nova, responderá sempre de acordo com
a última lei vigente, seja ela mais benéfica ou não.
TERRITORIALIDADE
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
crime cometido no território nacional.
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como
extensão do território nacional as embarcações e
aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do
governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em
alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes
praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas
em pouso no território nacional ou em vôo no espaço
aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial
do Brasil.
LUGAR DO CRIME
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que
ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem
como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado.
Para os crimes de espaço máximo ou à distancia (crimes executados em um
país e consumados em outro) foi adotada a teoria da ubiqüidade, ou seja, a
competência para o julgamento do fato será de ambos os países.
Para os chamados “delitos plurilocais” (ação se dá em um lugar e o
resultado em outro dentro de um mesmo país), foi adotada a teoria do
resultado (art. 70 do CPP), ou seja, o foro competente é o foro do local do
resultado. Nas infrações de competência dos Juizados Especiais Criminais, a
Lei 9.099/95 seguiu a teoria da atividade, ou seja, o foro competente é o da
ação.
EXTRATERRITORIALIDADE
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos
no estrangeiro:
I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da
República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito
Federal, de Estado, de Território, de Município, de
empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia
ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu
serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou
domiciliado no Brasil;
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, quando em
território estrangeiro e aí não sejam julgados.
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a
lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
estrangeiro.
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira
depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei
brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não
ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a
lei mais favorável.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido
por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se,
reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.
EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA: O art. 7º do CP prevê a
aplicação da lei brasileira a crimes cometidos no estrangeiro. São os casos de
extraterritorialidade da lei penal.
� O inciso I refere-se aos casos de extraterritorialidade incondicionada,
uma vez que é obrigatória a aplicação da lei brasileira ao crime cometido fora
do território brasileiro.
� As hipóteses direito inciso I, com exceção da última (d), fundadas no
princípio de proteção, são as consignadas nas alíneas a seguir enumeradas:
a) Contra a vida ou a liberdade do presidente da república.
b) Contra o patrimônio ou a fé pública da União, do distrito federal, de
estado, de território, de município, de empresa pública, sociedade de economia
mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público;
c) Contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) De genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.
Nesta última hipótese adotou-se o princípio da justiça ou competência
universal. Em todas essas hipóteses o agente é punido segundo a lei brasileira,
ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA: O inciso II, do art. 7º, prevê
três hipóteses de aplicação da lei brasileira a autores de crimes cometidos no
estrangeiro. São os casos de extraterritorialidade condicionada, pois dependem
dessas condições:
a) Crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir.
Utilizou-se o princípio da justiça ou competência universal;
b) Crimes praticados por brasileiro. Tendo o país o dever de obrigar o seu
nacional a cumprir as leis, permite-se a aplicação da lei brasileira ao crime por
ele cometido no estrangeiro. Trata-se do dispositivo da aplicação do princípio
da nacionalidade ou personalidade ativa;
c) Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes
ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam
julgados. Inclui-se no CP o princípio da representação.
A aplicação da lei brasileira, nessas três hipóteses, fica subordinada a todas
as condições estabelecidas pelo § 2º do art. 7º. Depende, portanto, das
condições a seguir relacionadas:
� A Entrada do agente no território nacional;
� Ser o fato punível também no país em que foi praticado. Na hipótese de
o crime ter sido praticado em local onde nenhum país tem jurisdição (alto mar,
certas regiões polares), é possível a aplicação da lei brasileira.
� Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a
extradição
� Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não
estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
O art. 7º, § 3º, prevê uma última hipótese da aplicação da lei brasileira: A do
crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. É ainda um
dispositivo calcado na teoria de proteção, além dos casos de
extraterritorialidade incondicionada. Exige o dispositivo em estudo, porém, além
das condições já mencionadas, outras duas:
� Que não tenha sido pedida ou tenha sido negada a extradição (pode ter
sido requerida, mas não concedida;
� Que haja requisição do ministro da justiça.
PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena
imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou
nela é computada, quando idênticas.
Considerando que, sendo possível a aplicação da lei brasileira a crimes
cometidos em território de outro país, ocorrerá também a incidência
da lei
estrangeira, dispõe o código como se deve proceder para se evitar a dupla
posição. Cumprida a pena pelo sujeito ativo do crime no estrangeiro, será ela
descontada na execução pela lei brasileira, quando forem idênticas,
respondendo efetivamente o sentenciado pelo saldo a cumprir se a pena
imposta no Brasil for mais severa. Se a pena cumprida no estrangeiro for
superior à imposta no país, é evidente que esta não será executada.
No caso de penas diversas, aquela cumprida no estrangeiro atenuará a
aplicada no Brasil, de acordo com a decisão do juiz no caso concreto, já que
não há regras legais a respeito dos critérios de atenuação que devem ser
obedecidos.
EFICÁCIA DE SENTENÇA ESTRANGEIRA
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei
brasileira produz na espécie as mesmas conseqüências,
pode ser homologada no Brasil para:
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a
restituições e a outros efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança.
Parágrafo único - A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte
interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de
extradição com o país de cuja autoridade judiciária
emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição
do Ministro da Justiça.
Quanto à eficácia de sentença estrangeira, o Código Penal, em seu Art. 9°,
em consonância com o Art. 105, I, da Constituição Federal (CF), prescreve que
a sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie
as mesmas conseqüências, pode ser homologada no Brasil para: I – obrigar o
condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; II –
sujeitá-lo a medida de segurança. É importante anotar também que a contagem
de prazo inclui o dia de começo em seu cômputo. Contam-se os dias, os
meses e os anos pelo calendário comum (Art. 10, CPB). O fundamento da
homologação da sentença estrangeira está no entendimento de que nenhuma
sentença de caráter criminal que emane de autoridade jurisdicional estrangeira
terá eficácia em determinado Estado sem o seu consentimento, pois o direito
penal é fundamentalmente territorial.
CONTAGEM DE PRAZO
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo.
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário
comum.
A contagem do prazo penal tem relevância especial nos casos de duração
de pena, do livramento condicional, do sursis, Da decadência, da prescrição,
etc., institutos de direito penal.
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. Há no caso
imprecisão tecnológica. O calendário comum a que se refere o legislador tem o
nome de gregoriano, em contraposição ao juliano, judeu, árabe, etc.
FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DA PENA
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade
e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena
de multa, as frações de cruzeiro.
Também se tem entendido que, por analogia com o art. 11, deve ser
desprezada a fração de dia multa, como se faz para o dia de pena privativa de
liberdade. Extintos o cruzeiro antigo e o cruzado, o novo cruzeiro e o cruzeiro
real, o real é a unidade monetária nacional, devendo ser desprezados os
centavos, fração da nova moeda brasileira.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos
fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser
de modo diverso.
EXERCÍCIOS
01. (OAB/138º) Sobre norma e lei penal, assinale a alternativa CORRETA:
a) A lei penal pode retroagir em qualquer caso.
b) A lei penal brasileira aplica-se a todos os crimes ocorridos no Brasil.
c) A lei penal brasileira não se aplica a nenhum crime ocorrido fora do
território nacional.
d) Admite-se a interpretação extensiva in bonam partem (em favor do
acusado).
02. (MPE/RS – Secretário de Diligências – FCC – 2010) Em tema de
aplicação da lei penal, é INCORRETO afirmar:
a) Na contagem do prazo pelo Código Penal, não se inclui no seu cômputo,
o dia do começo, nem se desprezam na pena de multa, as frações de Real.
b) Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado.
c) O princípio da legalidade compreende os princípios da reserva legal e da
anterioridade.
d) A regra da irretroatividade da lei penal somente se aplica à lei penal mais
gravosa.
e) As leis temporárias ou excepcionais são autorrevogáveis e ultrativas.
03. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) João cometeu um
crime para o qual a lei vigente na época do fato previa pena de reclusão.
Posteriormente, lei nova estabeleceu somente a sanção pecuniária para o
delito cometido por João. Nesse caso,
a) a aplicação da lei nova depende da expressa concordância do Ministério
Público.
b) aplica-se a lei nova somente se a sentença condenatória ainda não tiver
transitado em julgado.
c) não se aplica a lei nova, em razão do princípio da irretroatividade das leis
penais.
d) aplica-se a lei nova, mesmo que a sentença condenatória já tiver
transitado em julgado.
e) a aplicação da lei nova, se tiver havido condenação, depende do
reconhecimento do bom comportamento carcerário do condenado.
04. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) José, brasileiro,
cometeu crime de peculato, apropriando- se de valores da embaixada brasileira
no Japão, onde trabalhava como funcionário público. Em tal situação,
a) somente se aplica a lei brasileira se José não tiver sido absolvido no
Japão, por sentença definitiva
b) somente se aplica a lei brasileira se José não tiver sido processado pelo
mesmo fato no Japão.
c) aplica-se a lei brasileira, independentemente da existência de processo no
Japão e de entrada do agente no território nacional.
d) a aplicação da lei brasileira, independe da existência de processo no
Japão, mas está condicionada à entrada do agente no território nacional.
e) aplica-se a lei brasileira, somente se for mais favorável ao agente do que
a lei japonesa.
05. (Procurador – TCE/RO – FCC – 2010) No tocante à aplicação da lei
penal,
a) a lei brasileira adotou a teoria da ubiquidade quanto ao lugar do crime.
b) a lei penal mais grave não se aplica ao crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da
permanência, segundo entendimento sumulado do Supremo Tribunal Federal.
c) a lei brasileira adotou a teoria do resultado quanto ao tempo do crime.
d) o dia do fim inclui-se no cômputo do prazo, contando- se os meses e anos
pelo calendário comum, desprezados os dias.
e) compete ao juízo da causa a aplicação da lei mais benigna, ainda que
transitada em julgado a sentença condenatória, segundo entendimento
sumulado do Superior Tribunal de Justiça.
06. (Analista de Promotoria – MP/SP – VUNESP – 2010) Considere que
um indivíduo, de nacionalidade chilena, em território argentino, contamine a
água potável que será utilizada para distribuição no Brasil e Paraguai.
Considere, ainda, que neste último país, em razão da contaminação, ocorre a
morte de um cidadão paraguaio, sendo que no Brasil é vitimado, apenas, um
equatoriano.
De acordo com a regra do art. 6.º, do nosso Código Penal ("lugar do crime"),
considera-se o crime praticado
a) na Argentina, apenas.
b) no Brasil e no Paraguai, apenas.
c) no Chile e na Argentina, apenas.
d) na Argentina, no Brasil e no Paraguai, apenas.
e) no Chile, na Argentina, no Paraguai, no Brasil e no Equador.
07. (Magistratura – TJ/SP – VUNESP – 2009) A norma inserida no art. 7.º,
inciso II, alínea "b", do Código Penal - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora
cometidos no estrangeiro (...) os crimes (...) praticados
por brasileiro - encerra o
princípio
a) da universalidade ou da justiça mundial.
b) da territorialidade.
c) da nacionalidade ou da personalidade ativa.
d) real, de defesa ou da proteção de interesses.
08. (Magistratura – TJ /GO – FCC – 2009) Pela regra da consunção,
a) a norma especial afasta a geral.
b) é admissível a combinação de normas favoráveis ao agente.
c) a norma incriminadora de fato que constitui meio necessário para a prática
de outro crime fica excluída pela que tipifica a conduta final.
d) a norma subsidiária é excluída pela principal.
e) o concurso material prevalece ao formal, se favorável ao agente.
09. (Analista Judiciário – TER /AP – FCC – 2006) Considerando os
princípios que regulam a aplicação da lei penal no tempo, pode-se afirmar que
a) não se aplica a lei nova, mesmo que favoreça o agente de outra forma,
caso se esteja procedendo à execução da sentença, em razão da imutabilidade
da coisa julgada.
b) pela abolitio criminis se fazem desaparecer o delito e todos os seus
reflexos penais, permanecendo apenas os civis.
c) em regra, nas chamadas leis penais em branco com caráter excepcional
ou temporário, revogada ou alterada a norma complementar, desaparecerá o
crime.
d) a lei excepcional ou temporária embora decorrido o período de sua
duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, não se aplica ao
fato praticado durante a sua vigência.
e) permanecendo na lei nova a definição do crime, mas aumentadas suas
conseqüências penais, esta norma será aplicada ao autor do fato
10. (Procurador do Estado – PGE/PE – CESPE – 2009) A respeito da
aplicação da lei penal, assinale a opção correta.
a) Quanto ao momento em que o crime é considerado praticado, a lei penal
brasileira adotou expressamente a teoria da ubiquidade, desprezando a teoria
da atividade.
b) Com relação ao lugar em que o crime é considerado praticado, a lei penal
brasileira adotou expressamente a teoria da atividade, desprezando a teoria da
ubiquidade.
c) Aplica-se a lei penal brasileira a crimes praticados contra a vida ou a
liberdade do presidente da República, mesmo que o crime tenha ocorrido em
outro país.
d) Os agentes diplomáticos são imunes à lei civil do Brasil, mas não à lei
penal.
e) Os parlamentares não podem ser processados civilmente pelas opiniões
que emitem no exercício de seus mandatos, mas estão sujeitos à sanção penal
no caso de incorrerem em crime contra a honra.
GABARITO:
01 D
02 A
03 D
04 C
05 A
06 D
07 C
08 C
09 B
10 C
3. DO CRIME
Crime é a ação ou omissão, imputável a pessoa, lesiva ou perigosa a
interesse penalmente protegido, constituída de determinados elementos e
eventualmente integrada por certas condições ou acompanhada de
determinadas circunstâncias previstas em lei. É a violação de um bem
penalmente protegido. Crime também pode ser conceituado como um fato
típico e antijurídico. A culpabilidade constitui pressuposto da pena.
Para que haja crime, é preciso uma conduta humana positiva ou negativa.
Nem todo comportamento do homem, porém, constitui delito, em face do
princípio da reserva legal. Logo, somente aqueles previstos na lei penal é que
podem configurar o delito.
Pode-se dizer, portanto, que o primeiro requisito do crime é o fato típico
(previsto em lei). Contudo, não basta que o fato seja típico, é preciso que seja
contrário ao direito: antijurídico. Isto porque, embora o fato seja típico, algumas
vezes é considerado lícito (Exemplo: Legítima defesa). Logo, excluída a
antijuridicidade, não há crime.
O tipo é o modelo descritivo da conduta contido na lei. O tipo legal é
composto de elementares e circunstâncias.
Elementar: Vem de elemento, que é todo componente essencial do tipo sem
o qual este desaparece ou se transforma em outra figura típica.
Justamente por serem essenciais, os elementos estão sempre no caput
(cabeça) do tipo incriminador (texto da lei penal), por isso o caput é chamado
de tipo fundamental. (Exemplo: art. 121 matar alguém Matar é elementar do
tipo)
Circunstância: É aquilo que não integra a essência, ou seja, se for retirado,
o tipo não deixa de existir. As circunstâncias estão dispostas em parágrafos
(exemplo: qualificadoras, privilégios etc.), não servindo para compor a essência
do crime, mas sim para influir na pena.
O crime será mais ou menos grave em decorrência da circunstância,
entretanto será sempre o mesmo crime (Exemplo: furto durante o sono noturno;
o sono é circunstância, tendo em vista que, se não houver, ainda assim existirá
o furto).
Espécies de Elemento
1) Elementos objetivos ou descritivos: são aqueles cujo significado
depende de mera observação. Para saber o que quer dizer um elemento
objetivo, o sujeito não precisa fazer interpretação. Todos os verbos do tipo
constituem elementos objetivos (exemplo: matar, falsificar etc.). São aqueles
que independem de juízo de valor, existem concretamente no mundo (exemplo:
mulher, coisa móvel, filho etc.). Se um tipo penal possui somente elementos
objetivos, ele oferece segurança máxima ao cidadão, visto que, qualquer que
seja o aplicador da lei, a interpretação será a mesma. São chamados de tipo
normal, pois é normal o tipo penal que ofereça segurança máxima;
2) Elementos subjetivos: compõem-se da finalidade especial do agente
exigida pelo tipo penal. Determinados tipos não se satisfazem com a mera
vontade de realizar o verbo. Existirá elemento de ordem subjetiva sempre que
houver no tipo as expressões “com a finalidade de”, “para o fim de” etc. (ex.:
rapto com fim libidinoso etc.). O elemento subjetivo será sempre essa
finalidade especial que a lei exige. Não confundir o elemento subjetivo do tipo
com o elemento subjetivo do injusto, que é a consciência do caráter
inadequado do fato, a consciência da ilicitude;
3) Elementos normativos: É exatamente o oposto do elemento objetivo. É
aquele que depende de interpretação para se extrair o significado, ou seja, é
necessário um juízo de valor sobre o elemento. São elementos que trazem
possibilidade de interpretações equívocas, divergentes, oferecendo um certo
grau de insegurança. São chamados de tipos anormais porque possuem grau
de incerteza, insegurança.
Existem duas espécies de elementos normativos:
• Elemento normativo jurídico: É aquele que depende de interpretação
jurídica (exemplo: funcionário público, documento etc. Todos esses vêm
definidos na lei);
• Elemento normativo extrajurídico ou moral: É aquele que depende de
interpretação não jurídica (ex.: mulher “honesta”).
RELAÇÃO DE CAUSALIDADE
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do
crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido.
No campo penal, a doutrina aponta três teorias a respeito da relação de
causalidade:
a) Da equivalência das condições ou equivalência dos antecedente ou
conditio sine que non: Segundo a qual quaisquer das condutas que compõem
a totalidade dos antecedentes é causa do resultado, como, por exemplo, a
venda lícita da arma pelo comerciante que não tinha idéia do propósito
homicida do criminoso comprador. Contudo, recebe críticas por permitir o
regresso ao infinito já que, em última análise, até mesmo o inventor da arma
seria causador do evento, visto que, se arma não existisse, tiros não haveria;
b) Da causalidade adequada: Considera causa do evento apenas a ação
ou omissão do agente apta e idônea a gerar o resultado. Segundo o que dispõe
essa corrente, a venda lícita da arma pelo comerciante não é considerada
causa do resultado morte que o comprador produzir, pois vender licitamente a
arma, por si só, não é conduta suficiente a gerar a morte.
c) Da imputação objetiva: Pela qual,
para que uma conduta seja
considerada causa do resultado é preciso que: 1) o agente tenha, com sua
ação ou omissão, criado, realmente, um risco não tolerado nem permitido ao
bem jurídico; ou 2) que o resultado não fosse ocorrer de qualquer forma, ou; 3)
que a vítima não tenha contribuído com sua atitude irresponsável ou dado seu
consentimento para o ocorrência do resultado.
A teoria adotada pelo Código Penal: "O resultado, de que depende a
existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido."
Ao dispor que causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido, nota-se que Código adotou a teoria da equivalência das condições ou
conditio sine qua non.
Para se aferir se determinada conduta é causa ou não de um resultado,
deve-se fazer o juízo hipotético de eliminação, que consiste na supressão
mental de determinada ação ou omissão dentro de toda a cadeia de condutas
presentes no contexto do crime. Se, eliminada, o resultado desaparecer, pode-
se afirmar que aquela conduta é causa. Caso contrário, ou seja, se a despeito
de suprimida, o resultado ainda assim existir, não será considerada conduta.
Atente-se para o fato de que ser causa do resultado não é bastante para
ensejar a responsabilização penal. É preciso, ainda, verificar se a conduta do
agente considerada causa do resultado foi praticada mediante dolo ou culpa,
pois nosso Direito Penal não se coaduna com a responsabilidade objetiva, isto
é, aquela que se contenta com a demonstração do nexo de causalidade, sem
levar em conta o elemento subjetivo da conduta.
Portanto, dizer que alguém causou o resultado não basta para ensejar a
responsabilidade penal. É mister ainda que esteja presente o elemento
subjetivo (dolo ou culpa) nessa conduta que foi causa do evento.
O art. 13 caput aplica-se, exclusivamente, aos crimes materiais porque, ao
dizer "o resultado, de que depende a existência do crime", refere-se ao
resultado naturalístico da infração penal (aquele que é perceptível aos sentidos
do homem e não apenas ao mundo jurídico), e a única modalidade de crime
que depende da ocorrência do resultado naturalístico para se consumar
(existir) é o material, como por exemplo; o homicídio (121 CP), em que a morte
da vítima é o resultado naturalístico.
Aos crimes formais (exemplo; concussão - 316 CP) e os de mera conduta
(exemplo; violação de domicílio - 150 CP), o art. 13 caput não tem incidência,
pois prescindem da ocorrência do resultado naturalístico para existirem.
SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA INDEPENDENTE
§ 1º - A superveniência de causa relativamente
independente exclui a imputação quando, por si só,
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto,
imputam-se a quem os praticou.
O primeiro parágrafo do art. 13 nos diz que: "a superveniência de causa
independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os
fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou". Admite, o referido
mandamento legal, a interrupção do nexo causal entre a conduta do agente e o
resultado, sob determinadas hipótese, quais sejam:
a) a causa que produza o resultado seja superveniente à conduta do agente,
isto é, ocorra depois de sua ação;
b) que a causa superveniente seja relativamente independente da conduta
do agente, isto é, mantenha relação com a conduta inaugurada pelo autor;
c) que a causa superveniente independente produza o resultado por si só,
isto é, seja causa bastante para a produção do resultado.
Exemplo: Telma ministra veneno mortal a Clarice, que, socorrida por uma
equipe de médicos e enfermeiros, vem a morrer, poucos minutos após a
ingestão da substância, em função de acidente sofrido pela ambulância a
caminho do hospital.
Encontram-se aqui todas as características elencadas acima:
a) o acidente com a ambulância que transportava Clarice ocorreu após a
ingestão do veneno ministrado por Telma (superveniência);
b) o acidente não teria acontecido se Clarice não tivesse sido envenenada
por Telma (independência relativa);
c) as lesões causadas pelo acidente foram determinantes para a morte de
Clarice ("por si só").
Dessa forma: Telma responderá pelos fatos que praticou, qual seja, tentativa
de homicídio.
Não obstante, caso somente aplicássemos o caput do art. 13 ao caso em
tela, Telma seria responsável pela morte de Clarice uma vez que, eliminando-
se o envenenamento, o acidente da ambulância, que provocou a morte de
Clarice, não teria ocorrido; logo é causa.
Contudo, vejamos outros exemplos:
a) Telma, mesmo sabendo ser Clarice é cardiopata, tendo certeza de que
sua conduta não virá a provocar sua morte, aplica, em Clarice, um terrível
susto, vindo esta a falecer vítima de um infarto fulminante;
b) Telma, não sabendo ser Clarice cardiopata, ministra-lhe remédio para
descongestionar-lhe as vias respiratórias, porém acelera-lhe o batimento
cardíaco e Clarice vem a sofrer um infarto fulminante;
c) Telma, sabendo ser Clarice cardiopata e desejando o resultado morte, a
expõe, deliberadamente, a situação de alta tensão emocional (criada por ela
mesma, Telma), vindo Clarice a sofrer um infarto fulminante.
Para cada uma dessas situações, teríamos uma situação jurídico-penal
distinta para Telma. No primeiro exemplo, a conduta de Telma poderia ser
tipificada como homicídio culposo; no segundo caso, não haverá crime; na
terceira hipótese, haveria homicídio doloso.
Note-se que em todas as soluções apresentadas, o simples estabelecimento
do nexo de causalidade entre a conduta de Telma e o resultado "morte de
Clarice" não são suficientes para resolvermos o problema. Há de se analisar,
como estabelece a doutrina, os demais elementos do fato típico (além do nexo
de causalidade e do resultado morte).
Cabe ainda analisarmos se a conduta humana é dolosa ou culposa e,
também, a subsunção do fato à norma penal incriminadora - tipicidade.
Voltemos aos nossos exemplos: no primeiro caso, Telma agiu com culpa
consciente (o agente esperava levianamente que o resultado não ocorresse);
no segundo não houve dolo nem culpa na conduta de Telam, sendo, portanto,
o fato atípico; na terceira houve dolo, com consciência e voluntariedade no
preparo da situação que causou o resultado morte.
Não restam dúvidas que soluções apoiadas exclusivamente no
estabelecimento de um nexo de causalidade objetivo entre conduta e resultado
e na simples existência do próprio resultado, que são características
necessárias, mas não suficientes, para se construir o fato típico, cometem
grave erro no que diz respeito a sua formação completa. Dada a superação da
Teoria Causal da conduta humana e da Responsabilidade Penal Objetiva, não
poderíamos aceitar, em nenhuma das três hipóteses acima colocadas, o
mesmo desfecho jurídico-penal para Telma. Outrossim, além do fato típico,
também a antijuridicidade e a culpabilidade são requisitos para a existência do
crime, estendendo-se, então, a análise para conceitos como a ilicitude do fato e
sua reprovabilidade social.
RELEVÂNCIA DA OMISSÃO
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o
omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou
vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir
o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da
ocorrência do resultado.
Da mesma forma que ação, em Direito Penal, não significa “fazer algo”, mas
fazer o que o ordenamento jurídico proíbe, a omissão não é um “não fazer”,
mas não fazer o que o ordenamento jurídico obriga.
Omissão relevante para o Direito Penal é o não cumprimento de um dever
jurídico de agir em circunstâncias tais que o omitente tinha a possibilidade
física ou material de realizar a atividade devida.
Conseqüentemente, a omissão passa a ter existência jurídica desde que
preencha os seguintes pressupostos:
� Dever jurídico que impõe uma obrigação de agir ou uma obrigação de
evitar um resultado proibido;
� Possibilidade física, ou material, de agir.
O primeiro pressuposto (dever jurídico de agir ou de evitar um resultado
lesivo) exige o conhecimento dos meios pelos quais o ordenamento jurídico
pode impor às pessoas a obrigação de não se omitir, em determinadas
circunstâncias.
Em segundo lugar, o dever jurídico pode ser imposto ao garantidor, ou seja,
a pessoas que, pela sua peculiar posição diante do bem jurídico, recebem ou
assumem a obrigação de assegurar sua conservação. A posição de garantidor
requer essencialmente que o sujeito esteja encarregado da proteção ou
custódia do bem jurídico que aparece lesionado ou ameaçado de agressão.
O essencial para compreender a posição de garantidor é o reconhecimento
de que determinadas pessoas estabelecem um vínculo, uma relação especial
com o bem jurídico, criando no ordenamento a expectativa de que o protegerá
de eventuais danos. O Direito, então, espera a sua ação de garantia. Se não
cumprir esse dever, será imputado por omissão imprópria.
No Código Penal, esta regra está no artigo 13,§ 2º: a posição de garantidor
pode emanar de:
a) dever legal; Imposto pela lei.
b) aceitação voluntária, Ou seja, quando o sujeito livremente a assume, tal
como acontece, por exemplo, nos casos de contrato;
c) ingerência, Quando o sujeito, por sua conduta precedente, cria a situação
de perigo para o bem jurídico.
Art. 14 - Diz-se o crime:
CRIME CONSUMADO
I - consumado, quando nele se reúnem todos os
elementos de sua definição legal;
TENTATIVA
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma
por circunstâncias alheias à vontade do agente.
PENA DE TENTATIVA
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se
a tentativa com a pena correspondente ao crime
consumado, diminuída de um a dois terços.
Tentativa é a execução iniciada de um crime, que não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente; seus elementos são o início da
execução e a não-consumação por circunstâncias alheias à vontade.
Quando o processo executório é interrompido por circunstâncias alheias à
vontade do agente, fala-se em tentativa imperfeita ou tentativa propriamente
dita; quando a fase de execução é integralmente realizada pelo agente, mas o
resultado não se verifica por circunstâncias alheias à sua vontade, diz-se que
há tentativa perfeita ou crime falho.
São infrações que não admitem tentativa:
a) os crimes culposos;
b) os preterdolosos;
c) as contravenções;
d) os omissivos próprios;
e) os unissubsistentes;
f) os crimes habituais;
g) os crime que a lei pune somente quando ocorre o resultado, como a
participação em suicídio;
h) os permanentes de forma exclusivamente omissiva;
i) os crimes de atentado.
Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços; a diminuição de uma a dois terços não decorre
da culpabilidade do agente, mas da própria gravidade do fato constitutivo da
tentativa; quanto mais o sujeito se aproxima da consumação, menor deve ser a
diminuição da pena (1/3); quando menos ele se aproxima da consumação,
maior deve ser a atenuação (2/3).
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO
EFICAZ
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de
prosseguir na execução ou impede que o resultado se
produza, só responde pelos atos já praticados.
ARREPENDIMENTO POSTERIOR
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa,
até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato
voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois
terços.
CRIME IMPOSSÍVEL
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do
objeto, é impossível consumar-se o crime.
A desistência voluntária consiste numa abstenção de atividade: o sujeito
cessa o seu comportamento delituoso; assim, só ocorre antes de o agente
esgotar o processo executivo.
Arrependimento eficaz tem lugar quando o agente, tendo já ultimado o
processo de execução do crime, desenvolve nova atividade impedindo a
produção do resultado.
Quanto ao arrependimento posterior, nos termos do artigo 16 do Código
Penal, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
Crime impossível é também chamado de quase-crime; tem disciplina jurídica
contida no artigo 17 do Código Penal, segundo o qual “não se pune a tentativa
quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do
objeto, é impossível consumar-se o crime”; há dois casos de crime impossível:
a) por ineficácia absoluta do meio;
b) por impropriedade absoluta do objeto.
Dá-se o primeiro quando o meio empregado pelo agente, pela sua própria
natureza, é absolutamente incapaz de produzir o evento; exemplo: o agente,
pretendendo matar a vítima mediante propinação de veneno, ministra açúcar
em sua alimentação, supondo-o arsênico; dá-se o segundo caso quando
inexiste o objeto material sobre o qual deveria recair a conduta, ou quando,
pela situação ou condição, torna impossível a produção do resultado visado
pelo agente; nos dois casos não há tentativa por ausência de tipicidade; para
que ocorra o crime impossível, é preciso que a ineficácia do meio e a
impropriedade do objeto sejam absolutas; se forem relativas, haverá tentativa.
Art. 18 - Diz-se o crime:
CRIME DOLOSO
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o
risco de produzi-lo;
CRIME CULPOSO
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia.
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei,
ninguém pode ser punido por fato previsto como crime,
senão quando o pratica dolosamente.
Dolo é a vontade livre e consciente de praticar a conduta descrita no tipo (lei
penal incriminadora). Para o Código Penal, o crime é doloso quando o agente
quis o resultado ou quando assumiu o risco de produzí-lo. Quando quis o
resultado, estamos falando de dolo direto. Quando assumiu o risco, é o dolo
indireto, que pode ser eventual ou alternativo.
O dolo direto é simples de entender: o agente quer o resultado, tem a
vontade, a intenção de produzir o resultado.
Já o dolo indireto se divide em dolo eventual, que ocorre quando o agente
assume o risco de produzir o resultado; e em dolo alternativo, quando o agente
visa a um ou outro resultado (matar ou ferir por exemplo).
Então o crime doloso é aquele em que o agente quer produzir um resultado
e age de forma a produzir tal resultado (ex. quer matar uma pessoa, então
pega uma arma, aponta para referida pessoa e aperta o gatilho, efetuando
disparos buscando a morte da vítima).
No caso do dolo eventual, seria o caso de alguém que coloque fogo em
outro, por “brincadeira”, jogando combustível em todo o corpo da vítima. Caso
a pessoa venha a morrer queimada, o agente responderá por crime doloso,
pois ao colocar fogo em todo o corpo de uma pessoa, assumiu o risco de matá-
la.
Na culpa, a finalidade da conduta quase sempre é lícita, mas há uma não
observância do dever de cuidado por parte do agente, causando o resultado.
Neste caso, o agente não quer produzir o resultado, mas por um descuidado, o
produz.
São três as modalidades de culpa: a imprudência (prática de um ato
perigoso, ex. correr com o carro em via pública cheia de pessoas), a
negligência (falta
de cuidados, falta de precaução, ex. deixar o agente sua
arma municiada em cima da mesa em local com crianças) e a imperícia
(ausência de aptidão técnica, teórica ou prática).
AGRAVAÇÃO PELO RESULTADO
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena,
só responde o agente que o houver causado ao menos
culposamente.
É um delito qualificado pelo resultado que se caracteriza por uma especial
combinação de dolo e negligência. O delito fundamental doloso é por si só
susceptível de punição, no entanto a pena é substancialmente elevada com
base numa especial censurabilidade do agente, uma vez que o perigo
específico que envolve esse comportamento se concretiza num resultado
agravante negligente.
As condutas previstas por este tipo legal são as que correspondem ao
preenchimento dos tipos legais de lesões à integridade física simples e de
lesões à integridade física graves. O comportamento lesivo da integridade
física tanto se pode traduzir numa ação, como numa omissão; ponto é, que
nesta última hipótese, recaía sobre o agente um dever jurídico de garante.
A lesão da integridade física tem que ter sido praticada a título doloso (o
dolo eventual é suficiente). Em relação ao resultado morte deve o agente ter
atuado pelo menos com negligência. A questão que se coloca é a de saber se
o evento agravante pode ter sido dolosamente produzido. Embora
genericamente esta combinação crime fundamental doloso-evento agravante
doloso possa ser uma possibilidade de acordo com a regra geral do art. 18 CP,
a solução mais acertada neste caso consiste em proceder à punição do agente
de acordo com as normas do concurso legal ou aparente de crimes, vale dizer,
por homicídio doloso consumado.
ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal
de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.
DESCRIMINANTES PUTATIVAS
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato
que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção
de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível
como crime culposo.
ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o
erro.
ERRO SOBRE A PESSOA
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é
praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da
pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
Erro de Tipo é o que incide sobre as elementares ou circunstâncias da figura
típica, sobre os pressupostos de fato de uma causa de justificação ou dados
secundários da norma penal incriminadora; é o que faz o sujeito supor a
ausência de elemento ou circunstância da figura típica incriminadora ou a
presença de requisitos da norma permissiva; ex: sujeito dispara um tiro de
revólver no que supõe seja uma animal bravio, vindo a matar um homem; o
erro de tipo pode ser essencial e acidental.
O erro de tipo exclui sempre o dolo, seja evitável ou inevitável; como o dolo
é elemento do tipo, a sua presença exclui a tipicidade do fato doloso, podendo
o sujeito responder por crime culposo, desde que seja típica a modalidade
culposa.
O erro de tipo essencial ocorre quando a falsa percepção impede o sujeito
de compreender a natureza criminosa do fato; recai sobre os elementos ou
circunstâncias do tipo penal ou sobre os pressupostos de fato de uma
excludente da ilicitude; apresenta-se sob 2 formas:
a) erro invencível ou escusável (quando não pode ser evitado pela norma
diligência);
b) erro vencível ou inescusável (quando pode ser evitado pela diligência
ordinária, resultando de imprudência ou negligência.
As descriminantes putativas ocorrem quando o sujeito, levado a erro pelas
circunstâncias do caso concreto, supõe agir em face de uma causa excludente
de ilicitude; é possível que o sujeito, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, suponha encontrar-se em face de estado de necessidade, de
legítima defesa, de estrito cumprimento do dever legal ou do exercício regular
de direito; quando isso ocorre, aplica-se o disposto no artigo 20, § 1º, 1ª parte,
do Código Penal, segundo o qual é isento de pena quem, por erro plenamente
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse,
tornaria a ação legítima; surgem as denominadas eximentes putativas ou
causas putativas de exclusão da antijuricidade.
No caso de erro provocado por terceiro, responde pelo crime o terceiro que
determina o erro (artigo 20, § 2º); o erro pode ser espontâneo e provocado; há
a forma espontânea quando o sujeito incide em erro sem a participação
provocadora de terceiro; existe o erro provocado quando o sujeito a ele é
induzido por conduta de terceiro; a provocação poder ser dolosa ou culposa; há
provocação dolosa quando o erro é preordenado pelo terceiro, isto é, o terceiro
conscientemente induz o sujeito a incidir em erro; o provocador responde pelo
crime a título de dolo; existe determinação culposa quando o terceiro age com
imprudência, negligência ou imperícia.
Erro acidental é o que não versa sobre os elementos ou circunstâncias do
crime, incidindo sobre dados acidentais do delito ou sobre a conduta de sua
execução; não impede o sujeito de compreender o caráter ilícito de seu
comportamento; o erro acidental não exclui o dolo; são casos de erro acidental:
o erro sobre o objeto; sobre pessoa; na execução; resultado diverso do
pretendido (aberratio criminis).
Erro sobre objeto (error in objecto) ocorre quando o sujeito supõe que sua
conduta recai sobre determinada coisa, sendo que na realidade incide sobre
outra; é o caso do sujeito subtrair açúcar supondo tratar-se de farinha.
Erro sobre pessoa (error in persona) ocorre quando há erro de
representação, em face do qual o sujeito atinge uma pessoa supondo tratar-se
da que pretendia ofender; ele pretende atingir certa pessoa, vindo a ofender
outra inocente pensando tratar-se da primeira.
Erro na execução (aberratio ictus) ocorre quando o sujeito, pretendendo
atingir uma pessoa, vem a ofender outra; há disparidade entre a relação de
causalidade pretendida pelo agente e o nexo causal realmente produzido; ele
pretende que em conseqüência de seu comportamento se produza um
resultado contra Antônio; realiza a conduta e causa evento contra Pedro.
Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) significa desvio do
crime; há erro na execução do tipo; o agente quer atingir um bem jurídico e
ofende outro (de espécie diversa).
ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se
evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente
atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato,
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir
essa consciência.
Dispõe o artigo 21, em sua primeira parte: “O desconhecimento da lei é
inescusável.” O legislador refere-se apenas ao “desconhecimento da lei” e não
sobre a errada compreensão da lei, como no art. 16. Ignorância é o completo
desconhecimento a respeito da realidade. O erro é o conhecimento falso,
equivocado, a respeito dessa realidade. Embora a palavra desconhecer possa
ser interpretada também como um falso conhecimento, é visível o intuito do
legislador em distinguir a mera ausência de conhecimento da lei, inescusável,
do erro de proibição, que pode ser escusável. O agente supõe ser lícito seu
comportamento, porque desconhece a existência da lei penal que o proíba.
Trata-se do princípio ignorantia legis neminem excusat: promulgada e
publicada uma lei, torna-se ela obrigatória em relação
à todos, não sendo
pensável que, dentro do mesmo estado, as leis possam ter validade em relação
a uns e não em relação a outros que eventualmente a ignorem. Não pode
escusar-se o agente com a simples alegação formal de que não sabia haver
uma lei estabelecendo punição para o fato praticado. A segunda parte do artigo
21 refere-se ao erro de proibição, que exclui a culpabilidade do agente pela
ausência e impossibilidade de conhecimento da antijuridicidade do fato. Não
foram incluídos na disposição o desconhecimento da lei, tido como não
relevante, e o erro sobre os pressupostos fáticos das descriminantes
(descriminantes putativas), objeto de dispositivo diverso.
A culpabilidade não é elemento do crime, não integra o conceito de crime. A
culpabilidade, também chamada de juízo de reprovação, é a possibilidade de
se declarar culpado o autor de um fato típico e ilícito, ou seja, é a
responsabilização de alguém pela prática de uma infração penal.
O pressuposto para se analisar a culpabilidade é que já exista o crime, no
entanto, o agente da infração penal não responderá pelo crime que cometeu.
Atualmente, os requisitos para a culpabilidade são: a imputabilidade, a
consciência da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa.
Excluem a culpabilidade;
a) erro de proibição (21, caput);
b) coação moral irresistível (22, 1ª parte);
c) obediência hierárquica (22, 2ª parte);
d) inimputabilidade por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado (26, caput);
e) inimputabilidade por menoridade penal (27);
COAÇÃO IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA
HIERÁRQUICA
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou
em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal,
de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou
da ordem.
1) Coação física irresistível: Coação física é o emprego de força física para
que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa.
Ex: O sujeito mediante força bruta, impede que o guarda ferroviário combine
os binários e impeça uma colisão de trens.
Quando o sujeito pratica o fato sob coação física irresistível, significa que
não está agindo com liberdade psíquica. Não há a vontade integrante da
conduta, que é o primeiro elemento do fato típico. Então não há crime por
ausência de conduta. A coação que exclui a culpabilidade é a moral. Tratando-
se de coação física, o problema não é de culpabilidade, mas sim de fato típico,
que não existe em relação ao coato por ausência de conduta voluntária.
2) Coação moral irresistível: Coação moral é o emprego de grave ameaça
para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa. Moral não é física. Atua
na cabeça, na vontade do sujeito.
Ex: O sujeito constrange a vítima sob ameaça de morte, a assinar um
documento falso.
Quando o sujeito comete o fato típico e antijurídico sob coação moral
irresistível não há culpabilidade em face da inexigibilidade de conduta diversa.
A culpabilidade desloca-se da figura do coato para a do coator.
A coação moral deve ser irresistível. Tratando-se de coação moral resistível
não há exclusão da culpabilidade, incidindo uma circunstância atenuante.
São necessários os seguintes elementos:
� Existência de um coator – responderá pelo crime
� Irresistível : Não tem como resistir.
� Proporcionalidade : Proporção entre os bens jurídicos.
3) Obediência hierárquica: Relação de direito público. Subordinação
pública. Ordem de superior hierárquico é a manifestação de vontade de um
titular de função pública a um funcionário que lhe é subordinado, no sentido de
que realize uma conduta positiva ou negativa.
Se a ordem é legal, nenhum crime comete o subordinado (e nem o superior),
uma vez que se encontram no estrito cumprimento de dever legal. Quando a
ordem é ilegal, respondem pelo crime o superior e o subordinado.
EX: O soldado receber uma ordem do delegado para torturar o preso. Não é
aceitável, pois é ilegal.
São necessários os seguintes elementos:
� Obediência às formalidades legais.
� Não manifestamente ilegal (Ex. Tortura, matar)
� Obediência estrita.
EXCLUSÃO DE ILICITUDE
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício
regular de direito.
Estrito Cumprimento do Dever Legal: É o dever emanado da lei ou de
respectivo regulamento. O agente atua em cumprimento de um dever emanado
de um poder genérico, abstrato e impessoal. Se houver abuso, não há a
excludente, ou seja, o cumprimento deve ser estrito. Exemplo, soldado mata
assaltante que faz jovem de refém, por ordem de seu superior hierárquico.
Exercício Regular do Direito
O exercício de um direito não configura fato ilícito. Exceto se a pretexto de
exercer um direito, houver intuito de prejudicar terceiro. Exemplos:
a) Lesões esportivas: Pela doutrina tradicional, a violência desportiva é
exercício regular do direito, desde que a violência seja praticada nos limites do
esporte.
b) Intervenções cirúrgicas: Amputações, extração de órgão etc.
constituem exercício regular da profissão do médico.
c) Consentimento do ofendido: Exemplo; não há invasão de domicílio
se a “vítima” autorizou a entrada em sua casa. Requisitos:
• ser o bem jurídico disponível;
• que a vítima tenha 18 anos completos ou mais;
• ser o consentimento dado antes ou durante o fato;
• a consciência do agente de que houve consentimento.
EXCESSO PUNÍVEL
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses
deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.
ESTADO DE NECESSIDADE
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem
pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha
o dever legal de enfrentar o perigo.
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito
ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois
terços.
O estado de necessidade é uma causa de exclusão de ilicitude, encontra-
se tipificado no art. 24 do CP. Consiste em uma conduta lesiva praticada para
afastar uma situação de perigo. Não é qualquer situação de perigo que admite
a conduta lesiva e não é qualquer conduta lesiva que pode ser praticada na
situação de perigo. Existindo uma situação de perigo que ameace dois bens
jurídicos, um deles terá que ser lesado para salvar o outro de maior valor.
Requisitos para a existência do estado de necessidade:
• Perigo deve ser atual ou iminente, ou seja, deve estar acontecendo
naquele momento ou prestes a acontecer. Quando, portanto, o perigo for
remoto ou futuro, não há o estado de necessidade.
• Perigo deve ameaçar um direito próprio ou um direito alheio.
• Perigo não pode ter sido criado voluntariamente. Quem dá causa a uma
situação de perigo não pode invocar o estado de necessidade para afastá-la.
Aquele que provocou o perigo com dolo não age com estado de necessidade
porque tem o dever jurídico de impedir o resultado.
• Quem possui o dever legal de enfrentar o perigo não pode invocar o
estado de necessidade. A pessoa que possui o dever legal de enfrentar o
perigo deve afastar a situação de perigo sem lesar qualquer outro bem jurídico.
• Inevitabilidade do comportamento lesivo, ou seja, somente deverá ser
sacrificado outro bem se não houver outra maneira de afastar a situação de
perigo.
• É necessário existir proporcionalidade entre a gravidade do perigo que
ameaça o bem jurídico do agente ou alheio e a gravidade da lesão causada
pelo fato necessitado
LEGÍTIMA DEFESA
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios
necessários, repele injusta
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Requisitos da Legítima Defesa
• Agressão: é todo ataque praticado por pessoa humana. Se o ataque é
comandado por animais irracionais, não é legítima defesa e sim estado de
necessidade.
• Atual ou iminente: atual é a agressão que está acontecendo e iminente é
a que está prestes a acontecer. Não cabe legítima defesa contra agressão
passada ou futura e também quando há promessa de agressão.
• A direito próprio ou de terceiro: é legítima defesa própria quando o
sujeito está se defendendo e legítima defesa alheia quando o sujeito defende
terceiro. Pode-se alegar legítima defesa alheia mesmo agredindo o próprio
terceiro (ex.: em caso de suicídio, pode-se agredir o terceiro para salvá-lo).
• Meio necessário: é o meio menos lesivo colocado à disposição do
agente no momento da agressão.
• Moderação: é o emprego do meio necessário dentro dos limites para
conter a agressão.
Antijuricidade é a contradição do fato, eventualmente adequado ao modelo
legal, com a ordem jurídica, constituindo lesão de um interesse protegido.
A antijuricidade pode ser afastada por determinadas causas, as
determinadas causas de exclusão de antijuricidade; quando isso ocorre, o fato
permanece típico, mas não há crime, excluindo-se a ilicitude, e sendo ela
requisito do crime, fica excluído o próprio delito; em conseqüência, o sujeito
deve ser absolvido; são causas de exclusão de antijuricidade, previstas no
artigo 23 do Código Penal: estado de necessidade; legítima defesa; estrito
cumprimento de dever legal; exercício regular de direito.
Estado de necessidade é uma situação de perigo atual de interesses
protegidos pelo direito, em que o agente, para salvar um bem próprio ou de
terceiro, não tem outro meio senão o de lesar o interesse de outrem; perigo
atual é o presente, que está acontecendo; iminente é o prestes a desencadear-
se.
Legítima defesa, nos termos do artigo 25 do Código Penal, entende-se em
legítima defesa quem, usando moderadamente os meios necessários, repele
injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Quanto ao estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito,
determina o artigo 23, III, do Código Penal, que não há crime quando o sujeito
pratica o fato em estrito cumprimento do dever legal; é causa de exclusão da
antijuricidade; a excludente só ocorre quando há um dever imposto pelo direito
objetivo; o artigo 23, III, parte final, determina que não há crime quando o
agente pratica o fato no exercício regular de direito; desde que a conduta se
enquadre no exercício de um direito, embora típica, não apresenta o caráter de
antijurídica.
EXERCÍCIOS:
01. (Procurador – TCE /AP – FCC – 2010) São crimes que se consumam
no momento em que o resultado é produzido:
a) omissivos impróprios e materiais.
b) materiais e omissivos próprios.
c) culposos e formais
d) de mera conduta e omissivos impróprios.
e) permanentes e formais.
02. (Procurador – TCE /AP – FCC- 2010) Nos crimes preterdolosos,
a) o agente prevê o resultado, mas espera que este não aconteça
b) o dolo do agente é subsequente ao resultado culposo.
c) há maior intensidade de dolo por parte do agente.
d) o agente é punido a título de dolo e também de culpa.
e) o agente aceita, conscientemente, o risco de produzir o resultado.
03. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2009) O art. 14, § único, do
Código Penal dispõe que "salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa
com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois
terços". O percentual de diminuição de pena a ser considerado levará em conta
a) a intensidade do dolo
b) o iter criminis percorrido pelo agente
c) a periculosidade do agente
d) a reincidência
e) os antecedentes do agente
04. (Procuradoria do Estado – PGE/CE – CESPE – 2008) Há crime
quando o sujeito ativo pratica fato típico em função de
a) estado de necessidade.
b) coação moral irresistível.
c) legítima defesa.
d) estrito cumprimento do dever legal.
e) exercício regular do direito.
05. (Analista do Ministério Público – MP/SE – FCC – 2009) Adotada a
teoria finalista da ação,
a) o dolo e a culpa integram a culpabilidade
b) a culpa integra a tipicidade e dolo a culpabilidade
c) o dolo integra a punibilidade e a culpa a culpabilidade
d) a culpa e o dolo integram a tipicidade
e) o dolo integra a tipicidade e a culpa a culpabilidade.
06. (Técnico do Ministério Público – MP – SE – FCC – 2009) Denomina-
se crime complexo o que
a) exige que os agentes atuem uns contra os outros.
b) se enquadra num único tipo legal.
c) é formado pela fusão de dois ou mais tipos legais de crime.
d) exige a atuação de dois ou mais agentes
e) atinge mais de um bem jurídico.
07. (Auditor Fiscal de Tributos Estaduais – SEFAZ/ PB – FCC – 2006) A
coação irresistível e a obediência hierárquica são causas de exclusão
a) culpabilidade
b) ilicitude
c) tipicidade
d) punibilidade
e) antijuridicidade
08. (Delegado de Polícia – PC – DF – NCE – UFRJ – 2005) Não ocorre
nexo de causalidade nos crimes:
a) mera conduta.
b) materiais.
c) omissivos impróprios.
d) comissivos por omissão.
e) de dano.
09. (Analista Judiciário – TJ – SE – FCC – 2009) Quanto ao elemento
moral, os crimes podem ser:
a) comissivos e omissivos.
b) simples e complexos.
c) individuais e coletivos.
d) dolosos e culposos.
e) políticos e mistos.
10. (Ministério Público – MP /CE – FCC - 2008) Ainda que não encontre
tipificação em excludente prevista em lei, a doutrina tem aceito a inexigibilidade
de conduta diversa como causa supralegal de exclusão da
a) antijuridicidade
b) culpabilidade
c) tipicidade
d) ilicitude
e) punibilidade
11. Assinale a alternativa CORRETA a respeito de tentativa e consumação
do crime:
a) Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao consumado, diminuída
de um a dois terços, portanto a pena do crime tentado é sempre menor que a
do crime consumado.
b) Os crimes culposos não admitem tentativa, inclusive na omissão
imprópria, assim como nos crimes unissubsistentes, que são aqueles que se
realizam em um único ato.
c) Pode haver tentativa no crime preterdoloso ou preterintencional, porque
nesta espécie de crime há dolo no antecedente e culpa no conseqüente.
d) A adequação típica de um crime tentado é de subordinação mediata,
ampliada ou por extensão, já que a conduta humana nessa espécie de crime
não se enquadra prontamente na lei penal incriminadora.
12. No que diz respeito aos crimes tentados não é correto afirmar:
a) não se admite a tentativa nos crimes culposos;
b) não se admite a tentativa nos crimes omissivos impróprios;
c) não se admite a tentativa nos crimes unissubsistentes;
d) não se admite a tentativa nas contravenções penais;
13. Se “A”, Delegado de Polícia, acatou ordem de “B”, seu superior
hierárquico, para não instaurar inquérito contra determinado funcionário, amigo
de “A”, acusado de falsidade documental,
a) “A” praticou o crime de prevaricação e “B” é inocente, já que não tinha
atribuição para apurar o crime de falsidade.
b) só “B” praticou o crime de prevaricação, porque “A” obedeceu à ordem de
seu superior hierárquico.
c) nenhum dos dois praticou o delito, porque a instauração de inquérito não
é ato de ofício.
d) “A” e “B” praticaram o crime de prevaricação.
14. São elementos do crime, EXCETO a:
a) ação;
b) tipicidade;
c) ilicitude;
d) punibilidade.
15. (FUNDEP – TJ/MG - TÉCNICO JUDICIÁRIO – TÉCNICO JUDICIÁRIO -
2009) Quando o resultado do crime surge ao mesmo tempo em que se
desenrola a conduta como no crime de injúria verbal, é CORRETO defini-lo
como
A) crime de mera conduta.
B) crime impróprio.
C) crime formal.
D) crime material.
16. (Agente penitenciário/BA – FCC – 2010) Se o agente, para a prática de
estelionato, utiliza-se de documento falsificado de forma grosseira, inidôneo
para iludir a vítima, caracteriza-se
a) crime impossível.
b) crime provocado.
c) erro sobre elementos do tipo.
d) crime putativo.
e) tentativa de crime.
17. (Procurador – BACEN – FCC – 2006). O resultado é prescindível para a
consumação nos crimes
a) materiais e de mera conduta.
b) formais e materiais.
c) formais e materiais.
d) omissivos próprios e materiais
e) de mera conduta e formais
18. (Analista Judiciário – TER/PI – FCC – 2009) João, dirigindo uma
motocicleta sem capacete, foi interceptado por um policial em serviço de
trânsito, o qual lhe deu ordem para parar o veículo. João, no entanto,
desobedecendo a ordem recebida, fugiu em alta velocidade. Cerca de uma
hora depois, arrependeu-se de sua conduta e voltou ao local, submetendo-se à
fiscalização. Nesse caso, em relação ao crime de desobediência, ocorreu
a) tentativa
b) consumação
c) arrependimento eficaz
d) desistência voluntária
e) crime impossível.
19. (Defensoria Pública – DPE/MS – VUNESP – 2008) Admite a figura
culposa o crime de
a) dano
b) corrupção ou poluição de água potável
c) infração de medida sanitária preventiva
d) excesso de exação
20. (Técnico Administrativo – MPE/AP – FCC – 2009). No tocante à culpa,
considere:
I. Conduta arriscada, caracterizada pela intempestividade, precipitação,
insensatez ou imoderação.
II. Falta de capacidade, despreparo ou insuficiência de conhecimentos
técnicos para o exercício de arte, profissão ou ofício.
III. Displicência, falta de precaução, indiferença do agente, que, podendo
adotar as cautelas necessárias, não o faz.
As situações descritas caracterizam, respectivamente, a
a) negligência, imprudência e imperícia.
b) imperícia, negligência e imprudência
c) imprudência, imperícia e negligência
d) imperícia, imprudência e negligência
e) negligência, imperícia e imprudência.
21. (Ministério Público – MPE/PE – FCC – 2002). Na culpa consciente, o
agente
a) prevê o resultado, assumindo o risco de que venha a ocorrer.
b) não prevê o resultado, que era previsível
c) prevê o resultado, mas espera sinceramente que não venha a ocorrer.
d) não prevê o resultado, que é imprevisível
e) prevê e deseja que o resultado ocorra.
22. (Magistratura – PR – FAE – 2008) A culpa que decorre de erro culposo
sobre a legitimidade da ação realizada denomina-se:
a) Culpa própria
b) Culpa imprópria
c) Culpa inconsciente
d) Culpa consciente
GABARITO:
01 A
02 D
03 B
04 B
05 D
06 C
07 A
08 A
09 D
10 B
11 D
12 B
13 D
14 D
15 C
16 A
17 E
18 B
19 B
20 C
21 C
22 B
4. DA IMPUTABILIDADE PENAL
Imputabilidade penal é o conjunto de condições pessoas que dão ao agente
capacidade para lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível. O
conceito de sujeito imputável é encontrado no artigo 26, caput, do Código
Penal, que trata dos inimputáveis. Imputável é o sujeito mentalmente são e
desenvolvido, capaz de entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de
acordo com esse entendimento.
A inimputabilidade pode ser absoluta ou relativa.
Se for absoluta, isso significa que não importam as circunstâncias, o
indivíduo definido como "inimputável" não poderá ser penalmente
responsabilizado por seus atos.
Se a inimputabilidade for relativa, isso indica que o indivíduo pertencente a
certas categorias definidas em lei poderá ou não ser penalmente
responsabilizado por seus atos, dependendo da análise individual de cada caso
na Justiça, segundo a avaliação da capacidade do acusado, as circunstâncias
atenuantes ou agravantes, as peculiaridades do caso e as provas existentes.
TÍTULO III
DA IMPUTABILIDADE PENAL
Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois
terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou
retardado não era inteiramente capaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
Menores de dezoito anos
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são
penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas
estabelecidas na legislação especial.
Emoção e paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;
A emoção é um estado emotivo agudo, de breve duração, ao passo que a
paixão é um estado emotivo de caráter crônico, de duração prolongada.
Emoção: A ira momentânea, o medo a vergonha
Paixão: O amor, a ambição e o ódio.
A emoção e a paixão não excluem a imputabilidade penal.
A emoção é momentânea, instantânea.
Paixão: É algo duradouro. Ódio é a mesma coisa que paixão, pois é também
duradouro. Ex: O marido chega em casa e encontra a esposa com outro,
comete um homicídio. Foi movido por forte emoção.
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou
substância de efeitos análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era,
ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o
agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou
força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da
omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Embriaguez é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou
substancia de efeitos análogos, cujas conseqüências variam desde uma ligeira
excitação até o estado de paralisia e coma.
Voluntária: Dolo, com vontade.
Culposa: Não está acostumado, começa a beber e fica bêbado: Será
considerado imputável, pois no momento da decisão de beber, optou pela
bebida. Poderia ter evitado. Exceção: O bêbado que bebe há muito tempo
(alcoolismo) doença mental.
A embriaguez divide-se em :
a) Embriaguez não acidental: A embriaguez não acidental pode ser
voluntária ou culposa.
Voluntária: Ocorre quando o individuo ingere substância tóxica, com o intuito
de embriagar-se.
Culposa: Ocorre quando o individuo, que não queria se embriagar, ingere,
por imprudência, álcool ou outra substancia de efeitos análogos em excesso,
ficando embriagado.
A embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade, ainda que
no momento do crime o embriagado esteja privado inteiramente de sua
capacidade de entender ou de querer.
b) Embriaguez acidental: A embriaguez acidental somente exclui a
culpabilidade se for completa e decorrente de caso fortuito ou força maior.
Exemplo de Força maior. Alguém obrigar outra pessoa a beber fisicamente.
Exemplo de caso fortuito: Tomar remédio e não ter sido avisado pelo médico
que misturado com álcool seria potencializado pela mistura. Embriaguez
involuntária.
c) Embriaguez patológica: Embriaguez patológica é a decorrente de
enfermidade congênita existente, por exemplo, nos filhos de alcoólatras que se
ingerirem quantidade irrisória de álcool ficam em estado de fúria incontrolável.
d) Embriaguez preordenada: Embriaguez preordenada ocorre quando o
individuo, voluntariamente, se embriaga para criar coragem para cometer um
crime. Não há exclusão
de imputabilidade. O agente responde pelo crime,
incidindo sobre a pena uma circunstancia agravante prevista no artigo 61,
inciso II, alínea “a” CP.
5. DO CONCURSO DE PESSOAS
O concurso de pessoas, também denominado de concurso de agentes,
concurso de delinqüentes (concursus delinquentium) ou co-delinqüência,
implica na concorrência de duas ou mais pessoas para o cometimento de um
ilícito penal.
Não há que se confundir o concursus delinquentium (concurso de pessoas)
com o concursus delictorum (concurso de crimes) nem tampouco com o
concursus normarum (concurso de normas penais). São três institutos penais
totalmente distintos, muito embora possam vir a se relacionar.
O Código Penal Brasileiro não traz exatamente uma definição de concurso
de pessoas, afirmando apenas no caput do art. 29 que "quem, de qualquer
modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de
sua culpabilidade". Dispõe, ainda, que "se a participação for de menor
importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço" (art. 29, § 1º),
bem como que "se algum dos concorrentes quis participar de crime menos
graves, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até
metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave" (art. 29, §
2º).
Em nível doutrinário, tem-se definido o concurso de agentes como a reunião
de duas ou mais pessoas, de forma consciente e voluntária, concorrendo ou
colaborando para o cometimento de certa infração penal. Vejamos os
elementos básicos do conceito de concurso de pessoas, caso inexista qualquer
desses requisitos não há que se falar em concurso de pessoas:
A) PLURALIDADE DE AGENTES E DE CONDUTAS: A própria idéia de
concurso é de pluralidade, portanto impossível falar em concurso de pessoas
sem que exista coletividade (dois ou mais) de agentes e, conseqüentemente,
de condutas.
B) RELEVÂNCIA CAUSAL DE CADA CONDUTA: Não basta a
multiplicidade de agentes e condutas para que se tenha configurado o
concurso de pessoas; necessário se faz que em meio a todas essas condutas
seja possível vislumbrar nexo de causalidade entre elas e o resultado ocorrido.
Diz-se, nesse sentido, que a conduta de cada autor ou partícipe deve concorrer
objetivamente (ou seja, sob o ponto de vista causal) para a produção do
resultado. Ou, ainda, que cada ação ou omissão humana (conduta) deve gozar
de importância (relevância), à luz do encadeamento causal de eventos, para a
verificação daquele crime, contribuindo objetivamente para tanto. Desse modo,
condutas irrelevantes ou insignificantes para a existência do crime são
desprezadas, não constituindo sequer participação criminosa; deve-se concluir,
nesses casos, pela não concorrência do sujeito para a prática delitiva. Isso,
porque, a participação exige mínimo de eficácia causal à realização da conduta
típica criminosa.
C) LIAME SUBJETIVO OU NORMATIVO ENTRE AS PESSOAS:
Necessário, também, que exista vínculo psicológico ou normativo entre os
diversos "atores criminosos", de maneira a fornecer uma idéia de todo, isto é,
de unidade na empreitada delitiva. Exige-se, por conseguinte, que o sujeito
manifeste, com a sua conduta, consciência e vontade de atuar em obra delitiva
comum.
D) IDENTIDADE DE INFRAÇÃO PENAL: Trata-se de identidade de infração
para todos os participantes, não propriamente de um requisito, mas sim de
verdadeira conseqüência jurídica diante das outras condições.
TÍTULO IV
DO CONCURSO DE PESSOAS
Regras comuns às penas privativas de liberdade
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime
incide nas penas a este cominadas, na medida de sua
culpabilidade.
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena
pode ser diminuída de um sexto a um terço.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime
menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena
será aumentada até metade, na hipótese de ter sido
previsível o resultado mais grave.
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as
condições de caráter pessoal, salvo quando elementares
do crime.
Circunstancias incomunicáveis: Circunstancias são dados, fatos,
elementos ou peculiaridades que apenas circundam o fato sem integrar a figura
típica, contribuindo, entretanto, para aumentar ou diminuir a sua gravidade.
Podem ser objetivas e subjetivas. Objetivas são as que dizem respeito ao fato,
a qualidade e condições da vitima ao tempo, lugar, modo e meio de execução
do crime. Subjetivas as que se referem aos agentes, as suas qualidades,
estado, parentesco, motivo do crime etc.
Elementares são dados, fatos, elementos e condições que integram
determinadas figuras típicas, cuja supressão faz desaparecer ou modificar o
crime, transformando-o em outra figura típica.
Tais circunstâncias e condições, quando não constituem elementares do
crime, pertencem exclusivamente ao agente que as tem como atribuo logo, não
se comunicam. Cada um responde pelo crime de acordo com sua
circunstancias e condições pessoais.
Nos casos de constituírem circunstâncias elementares do crime principal, as
condições e circunstancias de caráter pessoal, comunicam-se dos autores aos
partícipes mas não dos partícipes aos autores por ser a participação acessória
da autoria.
Exemplo: A qualificação doutrinária o entende como um homicídio
privilegiado, pois a mãe tem o “privilégio”, por estar passando por condições
especiais, que a levam a matar o próprio filho. Se assim fosse, isto é, se o fato
de matar o nascituro, sob influência do estado puerperal, fosse considerado
homicídio privilegiado pela legislação, responderia a mãe por infanticídio e
terceiro que participasse da conduta por homicídio simples.
Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o
auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são
puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser
tentado.
6. DAS PENAS
Toda norma jurídica se compõe de preceito e sanção, um interligado ao
outro. Particularmente no Direito Penal, o preceito visa a um comando geral e
abstrato, enquanto a sanção penal, igualmente imposta a todos os indivíduos
(erga omnes), traz como base a supremacia estatal sobre todos, a fim de
garantir a harmonia e a convivência social.
Enfim, busca-se harmonia, tranqüilidade e pacificação social por meio do
sancionamento penal daquele que transgrediu a norma, praticando condutas
tipificadas previamente em lei.
A pena é a característica principal do Direito Penal, tratando-se de sanção
personalíssima, aplicada em conformidade com a lei e proporcional ao delito,
imposta pelo Estado a quem praticou o ilícito penal, deixando antever um fim
retributivo e preventivo.
6.1 DAS ESPÉCIES DE PENA
Art. 32 - As penas são:
I - privativas de liberdade;
II - restritivas de direitos;
III - de multa.
I DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE
O CP, com as Leis nº 7209/84 e 9714/98, seguindo uma política criminal
liberal, contempla a pena privativa de liberdade e também alternativas a ela,
como as restritivas de direito e a de multa, além do sursis – neste sentido,
apenas quando não for possível a aplicação dos demais institutos é que deverá
prevalecer a prisão, como última resposta
RECLUSÃO E DETENÇÃO: A Reforma Penal de 1984 manteve a distinção,
cada vez mais tênue, entre reclusão e detenção. No caso, as penas privativas
de liberdade foram tratadas como gênero, sendo espécies a reclusão e
detenção como espécies. Apesar de ter havido significativa redução de
distinções formais entre pena de reclusão e detenção, a doutrina aponta
algumas diferenças entre elas:
� Regime inicial de cumprimento: Apenas os crimes punidos com reclusão
(crimes mais graves, em tese), poderão ter
o início de cumprimento de pena
em regime fechado, o que não se dá com a detenção. No caso, o regime inicial
de cumprimento, na reclusão, pode ser fechado, semi- aberto ou aberto. Na
detenção, o regime inicial é o semi-aberto ou o aberto. A detenção só poderá
ser cumprida em regime fechado se houver a regressão;
� Limitação na concessão de fiança. A autoridade policial poderá conceder
fiança apenas nas infrações punidas com detenção ou prisão simples (art. 322,
CPP), pois se punidas com reclusão, ficará a cargo do juiz apenas;
� Espécies de medidas de segurança: Se o delito for apenado com
reclusão, a medida de segurança será a detentiva; se apenado com detenção,
a medida poderá ser convertida em tratamento ambulatorial (art. 97, CP);
� Incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela !
tratando-se de crime punido com reclusão, cometido por pai, tutor ou curado
contra os respectivos filhos, tutelados ou curatelados, haverá mencionada
incapacidade; tratando-se de crime apenado com detenção, não haverá tal
conseqüência, o que não impede de ser buscada em ação própria no juízo
cível;
� Prioridade na ordem de execução: A pena de reclusão executa-se
primeiro; depois, a detenção ou prisão simples (arts. 69, caput, e 76, ambos do
CP);
� Influência nos pressupostos da prisão preventiva (art. 313, I, CPP).
REGIMES PRISIONAIS: Com a Lei n. 7029/84, são os regimes
determinados pela espécie e quantidade de pena aplicada e pela reincidência,
juntamente com o mérito do condenado, obedecendo a um sistema progressivo
(retirou-se a periculosidade como um dos fatores para escolha do regime).
ESPÉCIES DE REGIMES: No regime fechado, o condenado cumpre a pena
em estabelecimento de segurança máxima ou média (penitenciária) – art. 33,
§1o, a, CP – ficando sujeito a isolamento no período noturno e trabalho no
período diurno (art. 34, §1º), sendo que este trabalho será em comum dentro
do estabelecimento, de acordo com as suas aptidões, desde que compatíveis
com a execução de pena (art. 34, §2º); não pode freqüentar cursos de
instrução ou profissionalizantes, admitindo-se o trabalho externo apenas em
serviços ou obras públicas (art. 34, §3º), devendo-se, porém, tomar todas as
precauções para se evitar a fuga.
Por sua vez, no regime semi-aberto, o condenado cumpre a pena em colônia
agrícola, industrial ou estabelecimento similar (art. 33, 1º, b, CP), ficando
sujeito ao trabalho em comum durante o período diurno (art. 35, §1º, CP),
podendo ainda realizar trabalho externo, inclusive na iniciativa privada,
admitindo- se também a freqüência a cursos de instrução ou profissionalizantes
(art. 35, §2º, CP).
De acordo com o art. 36, caput, CP, o regime aberto baseia-se na
autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado – isto porque ele
somente ficará recolhido (em casa de albergado ou estabelecimento adequado)
durante o período noturno e os dias de folga, devendo trabalhar, freqüentar
curso ou praticar outra atividade autorizada fora do estabelecimento e sem
vigilância (art. 36, §1º, CP); se, porém, frustar os fins da execução penal ou
praticar fato definido como crime doloso, haverá regressão do regime (art. 36,
§2º, CP).
A prisão domiciliar constitui uma das espécies do regime aberto, juntamente
com a prisão-albergue e a prisão em estabelecimento adequado (arts. 33, §2º,
c, do CP e 117 da Lei de Execuções Penais (LEP). Por ser uma exceção,
somente é cabível nas hipóteses taxativas do referido art. 117 (condenado
maior de setenta anos ou acometido de grave doença, condenada com filho
menor ou deficiente físico ou mental ou condenada gestante), já tendo o STF
se posicionado neste sentido, não bastando, por conseguinte, a simples
inexistência de casa de albergado para a sua concessão, devendo-se, neste
caso, assegurar ao preso o trabalho fora da prisão, com recolhimento noturno e
nos dias de folga.
Preceitua o art. 37, CP, ao tratar do regime especial, que as mulheres
deverão cumprir a pena em estabelecimento próprio, considerando-se os
deveres e direitos inerentes à sua condição pessoal e as demais regras vistas,
no que couber.
REGIME INICIAL: A fixação do regime inicial de cumprimento da pena é de
competência do juiz da condenação; caberá, todavia, ao juiz da execução a
progressão/regressão do regime, devendo decidir de forma motivada.
Para se determinar qual o regime inicial, deverá o juiz levar em consideração
a natureza e quantidade da pena e a reincidência, bem como os elementos do
art. 59, CP, da seguinte forma: quando os primeiros três fatores não impuserem
um regime de forma obrigatória, deverá o juiz se valer do art. 59 para decidir
qual o regime mais adequado entre os possíveis. O §2º do art. 33 do CP dispõe
que:
a) O condenado a pena superior a oito anos deverá começar a cumpri-la em
regime fechado: Lógico que somente se refere à pena de reclusão, pois esta
pode ser cumprida em regime fechado, semi-aberto e aberto, enquanto que a
detenção somente pode ser nos dois últimos regimes, salvo necessidade de
regressão; O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro)
anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime
semi-aberto: Aplica-se apenas à reclusão, uma vez que a pena de detenção
superior a quatro anos, tratando-se de condenado reincidente ou não, somente
poderá iniciar-se no regime semi-aberto (não há uma faculdade), enquanto que
a pena de reclusão maior que quatro anos poderá iniciar-se no regime fechado
ou semi-aberto, a depender de o condenado não ser reincidente e do que os
elementos do art. 59 indicarem;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro)
anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto: Aplica-se às penas
de reclusão e de detenção: se ele for reincidente e a pena for de reclusão, o
regime será o fechado ou semi-aberto; se reincidente mas a pena for de
detenção, obrigatoriamente inicia-se no regime semi-aberto (inclusive qualquer
que seja a quantidade da pena); se não for reincidente, tratando-se de pena de
reclusão, qualquer dos três regimes cabíveis poderá ser o inicial e, se
detenção, também qualquer dos dois regimes cabíveis poderá ser o inicial –
dependerá dos elementos do art. 59.
Resumindo as regras do regime inicial de cumprimento de pena, têm-se:
� Detenção: somente pode iniciar em regime semi-aberto ou aberto, nunca
no fechado; pena superior a 4 anos, reincidente ou não, regime inicial terá de
ser o semi-aberto; reincidente, qualquer quantidade de pena, regime inicial
semi-aberto; pena até 4 anos, não reincidente, regime semi-aberto ou aberto, a
depender do art. 59.
� Reclusão: pena superior a 8 anos, sempre no regime fechado; pena
superior a 4 anos, reincidente, sempre no regime fechado; pena superior a 4
anos até 8, não reincidente, regime fechado ou semi- aberto, a depender do
art. 59; pena até 4 anos, reincidente, regime fechado ou semi-aberto, a
depender do art. 59; pena até 4 anos, não reincidente, regime fechado, semi-
aberto ou aberto, também a depender do art. 59.
PROGRESSÃO E REGRESSÃO: Pelo sistema progressivo, permite-se ao
condenado a conquista gradual da liberdade, durante o cumprimento da pena,
tendo em vista o seu comportamento, de forma que a pena aplicada pelo juiz
não será necessariamente executada em sua integralidade. Na progressão,
passa-se de um regime mais rigoroso para um menos rigoroso; na regressão,
ocorre o inverso, sendo que, neste caso, pode-se passar diretamente do
regime aberto para o fechado, o que não acontece com a progressão (do
fechado tem que ir para o semi-aberto, nunca diretamente para o aberto).
DETRAÇÃO, TRABALHO PRISIONAL E REMIÇÃO: Pela detração penal,
desconta-se no tempo da pena ou medida de segurança aplicada o período de
prisão ou de
internação cumprida antes da condenação. O art. 8º do CP
preceitua que a pena privativa de liberdade cumprida no estrangeiro é
computada na pena privativa de liberdade a ser cumprida no país. Dispõe o art.
42, CP, que pode ser computado o tempo da prisão provisória, no Brasil ou no
estrangeiro (prisão em flagrante, temporária, preventiva, decorrente de
pronúncia e de sentença condenatória recorrível).
O trabalho do preso é um direito-dever que visa a diminuir os efeitos
criminógenos da prisão, com finalidade educativa e produtiva; a ele não se
sujeita o preso provisório ou por crime político, os quais, contudo, se quiserem
trabalhar, terão os mesmos direitos dos demais. A jornada diária não pode ser
inferior a seis horas ou superior a oito, com folga aos domingos e feriados; a
remuneração deverá ser, no mínimo, de três quartos do salário mínimo,
assegurando-se todos os benefícios da Previdência Social (art. 39, CP),
inclusive a aposentadoria. De acordo com a LEP, a remuneração servirá para:
indenização civil determinada judicialmente; assistência à família;
ressarcimento ao Estado pelas despesas com a manutenção do apenado,
proporcionalmente; o saldo restante deverá ser depositado em caderneta de
poupança.
A remição permite o abatimento de parte da pena a ser cumprida pelo
trabalho realizado dentro da prisão. Ela ocorre na forma de três dias de
trabalho por um dia de pena, e é considerada tanto para fins de livramento
condicional quanto para indulto; entretanto, se o apenado for punido por falta
grave, perderá o tempo remido.
Reclusão e detenção
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime
fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em
regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de
transferência a regime fechado.
§ 1º - Considera-se:
a) regime fechado a execução da pena em
estabelecimento de segurança máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia
agrícola, industrial ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de
albergado ou estabelecimento adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser
executadas em forma progressiva, segundo o mérito do
condenado, observados os seguintes critérios e
ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais
rigoroso:
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá
começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a
4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o
princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou
inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-
la em regime aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento
da pena far-se-á com observância dos critérios previstos
no art. 59 deste Código.
§ 4o O condenado por crime contra a administração
pública terá a progressão de regime do cumprimento da
pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à
devolução do produto do ilícito praticado, com os
acréscimos legais.
Regras do regime fechado
Art. 34 - O condenado será submetido, no início do
cumprimento da pena, a exame criminológico de
classificação para individualização da execução.
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período
diurno e a isolamento durante o repouso noturno.
§ 2º - O trabalho será em comum dentro do
estabelecimento, na conformidade das aptidões ou
ocupações anteriores do condenado, desde que
compatíveis com a execução da pena.
§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado,
em serviços ou obras públicas.
Regras do regime semi-aberto
Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput,
ao condenado que inicie o cumprimento da pena em
regime semi-aberto.
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum
durante o período diurno, em colônia agrícola, industrial
ou estabelecimento similar.
§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a
freqüência a cursos supletivos profissionalizantes, de
instrução de segundo grau ou superior.
Regras do regime aberto
Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e
senso de responsabilidade do condenado.
§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e
sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer
outra atividade autorizada, permanecendo recolhido
durante o período noturno e nos dias de folga.
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se
praticar fato definido como crime doloso, se frustrar os fins
da execução ou se, podendo, não pagar a multa
cumulativamente aplicada.
Regime especial
Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento
próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes à
sua condição pessoal, bem como, no que couber, o
disposto neste Capítulo.
Direitos do preso
Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos
pela perda da liberdade, impondo-se a todas as
autoridades o respeito à sua integridade física e moral.
Trabalho do preso
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado,
sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social.
Legislação especial
Art. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista
nos arts. 38 e 39 deste Código, bem como especificará os
deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e
transferência dos regimes e estabelecerá as infrações
disciplinares e correspondentes sanções.
Superveniência de doença mental
Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental
deve ser recolhido a hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado.
Detração
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e
na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no
Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de
internação em qualquer dos estabelecimentos referidos
no artigo anterior.
II DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS:
Ao prolatar uma sentença condenatória, deve o juiz verificar se não é o caso
de substituir a pena privativa de liberdade por uma outra espécie de pena (art.
59, IV) ou pelo sursis.
As penas restritivas de direitos são autônomas (e não acessórias) e
substitutivas (não podem ser cumuladas com penas privativas de liberdade);
também não podem ser suspensas nem substituídas por multa. As penas
restritivas de direito foram paulatinamente introduzidas como uma alternativa à
prisão.
As penas restritivas de direito não podem substituir a pena privativa de
liberdade em toda e qualquer ocasião. Para ser aplicada, é preciso que sejam
observados os requisitos previstos no art. 44 do Código Penal. Estes requisitos
são de duas ordens:
a) objetivos:
� pena privativa de liberdade não superior a 4 anos, desde que o crime
não seja cometido com violência ou grave ameaça à pessoa. art. 44, I, 1ª parte;
� qualquer crime culposo – art. 44, I, in fine; A exigêcia que o crime seja
culposo, ou, sendo doloso, o crime, com pena até 4 anos, cometido sem
violência, revela o desvalor da ação, além do desvalor do resultado. Quanto
aos crimes de menor potencial ofensivo (pena máxima até 01 ano – art. 61 da
lei 9.099/95), ressalte-se que, mesmo cometidos com violência ou grave
ameaça (ex: lesões leves – art. 129, caput, ameaça, art. 147, etc.), eles têm
regras próprias na Lei nº 9099/95;
b) subjetivos:
� não reincidência em crime doloso – art. 44, II; a reincidência era uma
vedação absoluta antes da lei 9.714/98. Todavia, com a nova redação do art.
44, § 3º, do Código Penal, apenas a reincidência em crime doloso impede a
concessão do benefício, e este impedimentos sequer representa uma vedação
absoluta, pois, na forma do art. 44, § 3º, pois o juiz, mesmo em caso de
reincidência em crime doloso, pode utilizar a substituição,
desde que a medida
seja socialmente recomendável e a reincidência não seja específica.
� prognose favorável; no sentido de que a substituição será suficiente,
tendo em vista a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem assim os motivos e as circunstâncias do
crime – art. 44, III.
Ressalte-se que trata-se de pena substitutiva, isto é, o juiz primeiro fará o
cálculo da pena privativa de liberdade, e depois examinará se presentes os
requisitos subjetivos e objetivos para a substituição por pena restritiva de
direitos. Se a pena for igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita
por uma pena restritiva de direito ou por multa; se igual ou superior a um ano, a
pena privativa de liberdade poderá ser substituída por pena restritiva de direitos
+ multa ou 2 penas restritivas de direitos. Pode, contudo, haver aplicação
cumulativa de restritiva de direito com multa mesmo quando a condenação seja
inferior a um ano: ocorre quando a cominação legal for de pena privativa de
liberdade + multa (o que não se permite é a substituição cumulativa para as
duas penas referidas quando se tratar de crimes cuja condenação seja igual ou
inferior a 1 ano).
A aplicação de pena restritiva de direitos não é um direito subjetivo do Réu,
depende de avaliação do juiz no caso concreto. No entanto, entende-se que o
juiz, se presentes os requisitos objetivos, não havendo reincidência em crime
doloso, o juiz necessita fundamentar a decisão que não concede a liberdade.
ESPÉCIES:
1. Prestação pecuniária (art. 45, §1º): Tem caráter indenizatório, e consiste
no pagamento de dinheiro à vítima, seus dependentes ou entidade pública ou
privada com destinação social (só se não houver dano ou se não houver vítima
imediata/parentes é que o pagamento irá para entidade pública ou privada com
destinação social).
2. Prestação de outra natureza – inominada (art. 45, §2º): O art. 45, § 2º
preceitua que, aceitando o beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir
em prestação de outra natureza (cestas básicas, medicamentos, etc.). Não
pode ter natureza pecuniária (não pode ser multa, perda de bens ou valores
nem prestação pecuniária); acontece que pena inominada é igual a pena
indeterminada, o que feriria o princípio da reserva legal. A substituição tem de
ter caráter consensual, pois precisa da concordância prévia do beneficiário – se
já estiver em grau recursal, o processo deve baixar para ser examinado o
cabimento e eventual oitiva do beneficiário (o Tribunal não pode aplicar essa
pena).
3. Perda de bens e valores (art. 45, §3º): A perda de bens e valores visa
impedir que o Réu obtenha qualquer benefício em razão da prática do crime.
Deve-se distinguir o confisco-efeito da condenação do confisco-pena: o
primeiro se refere a instrumentos e produtos do crime (art. 91, II, a e b),
enquanto o segundo relaciona-se com o patrimônio do condenado, indo para o
Fundo Penitenciário Nacional, motivo pelo que se questiona sua
constitucionalidade. A perda de bens incidirá sobre o maior dos valores:
・o montante do prejuízo causado
・o provento obtido pelo agente ou por terceiro pela prática do crime.
4. Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas (art.
46): A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição de tarefas
gratuitas ao condenado, de acordo com as suas aptidões, que deverá ser
cumprida em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros
estabelecimentos afins, em programas comunitários ou estatais.
Pode ser aplicada para as condenações superiores a 6 meses de privação
de liberdade. Penas inferiores a 6 meses estão sujeitas a outras penas
alternativas, não de prestação de serviços à comunidade.
A prestação de serviços à comunidade deve ser cumprida à razão de 1 hora
de trabalho para cada dia da condenação. Em outras palavras, para cada hora
de trabalho, o condenado diminuirá um dia de condenação. Mas como a
prestação de serviços deve, em regra, ter a mesma duração (CP., art. 55) da
pena privativa de liberdade cominada (ex: pena de 9 meses de detenção = 9
meses de prestação de serviços à comunidade), a regra é que o condenado
trabalhe uma hora por dia. Contudo, se a pena substituída for superior a 1 ano,
poderá o condenado cumprir a pena de prestação em menos tempo, nunca
inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. Isto é, quando a pena
substituída for superior a 1 ano, o agente pode trabalhar mais de 1 hora por
dia, para cumprir a pena em menos tempo, nunca inferior à metade do tempo
da pena fixada. (art. 46, § 4º)
5. Interdição temporária de direitos (art. 47): Consiste em:
� Proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como
de mandato eletivo. A suspensão é temporária, não precisa ser crime contra a
Administração Pública, basta ter havido violação dos deveres inerentes ao
cargo, função ou atividade. Não se confunde com a perda do cargo (efeito da
condenação, CP, art. 92, I).
� Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam
de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; decorre do
crime cometido com prática de violação dos deveres de profissão, atividade ou
ofício. Abrange, por conseguinte, apenas a profissão em que ocorreu o abuso,
não envolvendo outras profissões que o agente possa exercer.
� Suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo;
somente para crimes culposos de trânsito quando, à época do crime, o
condenado era habilitado ou autorizado a dirigir, não se aplicando à permissão
para dirigir veículos (art. 148, §2o, CTB) porque não prevista em lei;
� Proibição de freqüentar determinados lugares; na verdade, é restritiva de
liberdade, e não de direito; deve haver uma relação criminógena entre o lugar
em que o crime foi praticado e a personalidade (conduta do apenado), não
sendo para qualquer tipo de crime, lugar ou infrator.
6. Limitação de fim de semana (art. 48): Consiste na obrigação de
permanecer, aos fins-de-semana, por 05 (cinco) horas diárias, em casa de
albergado ou outro estabelecimento adequado, no qual serão ministrados
cursos e tarefas educativas.
Penas restritivas de direitos
Art. 43. As penas restritivas de direitos são:
I - prestação pecuniária;
II - perda de bens e valores;
III - (VETADO)
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades
públicas;
V - interdição temporária de direitos;
VI - limitação de fim de semana.
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e
substituem as privativas de liberdade, quando:
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a
quatro anos e o crime não for cometido com violência ou
grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena
aplicada, se o crime for culposo;
II - o réu não for reincidente em crime doloso;
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que essa substituição seja
suficiente.
§ 1o (VETADO)
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a
substituição pode ser feita por multa ou por uma pena
restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena
privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena
restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de
direitos.
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar
a substituição, desde que, em face de condenação
anterior, a medida seja socialmente recomendável e a
reincidência não se tenha operado em virtude da prática
do mesmo crime.
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa
de liberdade quando ocorrer o descumprimento
injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena
privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo
cumprido da pena restritiva
de direitos, respeitado o saldo
mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de
liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal
decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la
se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva
anterior.
Conversão das penas restritivas de direitos
Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo
anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47 e
48.
§ 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em
dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade
pública ou privada com destinação social, de importância
fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem
superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O
valor pago será deduzido do montante de eventual
condenação em ação de reparação civil, se coincidentes
os beneficiários.
§ 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação
do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em
prestação de outra natureza.
§ 3o A perda de bens e valores pertencentes aos
condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial,
em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor
terá como teto - o que for maior - o montante do prejuízo
causado ou do provento obtido pelo agente ou por
terceiro, em conseqüência da prática do crime.
§ 4o (VETADO)
Prestação de serviços à comunidade ou a entidades
públicas
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a
entidades públicas é aplicável às condenações superiores
a seis meses de privação da liberdade.
§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a
entidades públicas consiste na atribuição de tarefas
gratuitas ao condenado.
§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em
entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e
outros estabelecimentos congêneres, em programas
comunitários ou estatais.
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas
conforme as aptidões do condenado, devendo ser
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de
condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada
normal de trabalho.
§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é
facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em
menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena
privativa de liberdade fixada.
Interdição temporária de direitos
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos
são:
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade
pública, bem como de mandato eletivo;
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício
que dependam de habilitação especial, de licença ou
autorização do poder público;
III - suspensão de autorização ou de habilitação para
dirigir veículo.
IV - proibição de freqüentar determinados lugares.
Limitação de fim de semana
Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na
obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por 5
(cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro
estabelecimento adequado.
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser
ministrados ao condenado cursos e palestras ou
atribuídas atividades educativas.
III DA PENA DE MULTA:
A multa é uma das modalidades das penas adotadas pelo Código Penal e se
revela no pagamento pelo condenado ao fundo penitenciário, com o cálculo
inovador do direito brasileiro, aplicado em dias-multa.
A técnica utilizada pelo nosso Código Penal para cominação foi a utilização
do termo puro e simples de "e/ou multa". Assim, inseriu-se um capítulo
específico e retirou a expressão “multa de...". Em decorrência, os tipos penais
não trazem mais, em seu bojo, os limites mínimo e máximo da pena cominada,
dentro dos quais o julgador deveria aplicar a sanção necessária e suficiente à
reprovação e prevenção do crime.
A referência atual é o artigo 44, §2º do Código Penal, onde reza ser a
condenação igual ou inferior a 1 (um) ano substituível por multa ou uma pena
restritiva de direitos; se superior a 1 (um) ano, a pena privativa de liberdade
pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas
restritivas de direitos.
A pena de multa poderá ser aplicada isoladamente, sendo a pena única;
cumulativamente com a pena privativa de liberdade; alternativamente à pena
privativa de liberdade; em substituição à pena privativa de liberdade, mas
cumulada com restritiva de direitos.
Também em substituição à reclusão e detenção, para ser aplicada como
pena única, em caso de condenação à pena privativa de liberdade não superior
a um ano, desde que igualmente presentes as condições de favorabilidade das
circunstâncias judiciais do artigo 59 do CP, a teor dos artigos 44, §2º, e 46,
todos combinados com o artigo 60, §2º, do CP, que, em razão do advento da
Lei 9.714/98, deve agora ser reinterpretado, visando à harmonia de tais
dispositivos legais.
O Código Penal previu duas hipóteses em que, preenchidos os demais
requisitos, a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela multa
quando a primeira não for superior a seis meses, independentemente de tratar-
se de crime doloso ou culposo; e nos crimes culposos cuja pena seja igual ou
superior a um ano de detenção, poderá ser substituída por multa e uma pena
restritiva de direitos. Afirma ainda que embora a lei indicar a possibilidade, o
juiz é obrigado a aplicá-la quando o condenado preencher os requisitos.
A pena de multa possui vantagens e desvantagens. Primeiro, porque o
condenado à pena pequena não é levado à prisão, não o retirando do convívio
com a família e do convício social. Ainda, o Estado não gasta com
encarceramento e aufere renda extra. De outro lado, afeta mais duramente o
pobre do que o rico, a maioria não tem como pagar a multa e não intimida
como a pena privativa de liberdade.
A individualização da pena pecuniária deve obedecer a um particular critério
bifásico: a) firma-se o número de dias-multa (mínimo de 10 e máximo de 360),
valendo-se do sistema trifásico previsto para as penas privativas de liberdade;
b) estabelece-se o valor do dia-multa (piso de 1/30 do salário mínimo e teto de
5 vezes esse salário), conforme a situação econômica do réu.
Nesse diapasão, a jurisprudência se divide em duas correntes. A primeira
aplica a pena de multa considerando, apenas, a condição financeira do
condenado, sem considerar as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código
Penal. A segunda corrente afirma que a pena de multa há de ser aplicada
considerando, além da situação econômica, as circunstâncias judiciais, como
se faz no sistema trifásico de aplicação da pena privativa de liberdade.
Muito importante lembrar que as decisões devem ser motivadas, respeitando
o artigo 93, IX, bem como individualizadas, artigo 5º, XLVI, ambos da
Constituição Federal.
O pagamento da multa deve ser dentro de dez dias depois de transitada em
julgado a sentença. A requerimento do condenado, e conforme as
circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas
mensais – artigo 50 do Código Penal.
Previu ainda o supracitado artigo, em seu parágrafo primeiro, que a
cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou
salário do condenado quando:
1) aplicada isoladamente;
2) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos e
3) concedida a suspensão condicional da pena.
O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento
do condenado e de sua família - §2º, artigo 50 do CP. Já o artigo 168 da Lei de
Execução Penal, impõe o limite de descontos: máximo – quarta parte da
remuneração; mínimo: um décimo da remuneração.
Multa
Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo
penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada
em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no
máximo, de 360
(trezentos e sessenta) dias-multa.
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não
podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário
mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a
5 (cinco) vezes esse salário.
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da
execução, pelos índices de correção monetária.
Pagamento da multa
Art. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias
depois de transitada em julgado a sentença. A
requerimento do condenado e conforme as
circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se
realize em parcelas mensais.
§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante
desconto no vencimento ou salário do condenado quando:
a) aplicada isoladamente;
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de
direitos;
c) concedida a suspensão condicional da pena.
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos
indispensáveis ao sustento do condenado e de sua
família.
Conversão da Multa e revogação
Modo de conversão
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória,
a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-
lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da
Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas
interruptivas e suspensivas da prescrição.
Suspensão da execução da multa
Art. 52 - É suspensa a execução da pena de multa, se
sobrevém ao condenado doença mental.
6.2 DA COMINAÇÃO DAS PENAS
Penas privativas de liberdade
Art. 53 - As penas privativas de liberdade têm seus limites
estabelecidos na sanção correspondente a cada tipo legal
de crime.
Penas restritivas de direitos
Art. 54 - As penas restritivas de direitos são aplicáveis,
independentemente de cominação na parte especial, em
substituição à pena privativa de liberdade, fixada em
quantidade inferior a 1 (um) ano, ou nos crimes culposos.
Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos
incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma duração da
pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o
disposto no § 4o do art. 46.
Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e
II do art. 47 deste Código, aplicam-se para todo o crime
cometido no exercício de profissão, atividade, ofício,
cargo ou função, sempre que houver violação dos
deveres que lhes são inerentes.
Art. 57 - A pena de interdição, prevista no inciso III do art.
47 deste Código, aplica-se aos crimes culposos de
trânsito.
Pena de multa
Art. 58 - A multa, prevista em cada tipo legal de crime,
tem os limites fixados no art. 49 e seus parágrafos deste
Código.
Parágrafo único - A multa prevista no parágrafo único do
art. 44 e no § 2º do art. 60 deste Código aplica-se
independentemente de cominação na parte especial.
6.3 DA APLICAÇÃO DA PENA
A individualização da pena é um dos direitos fundamentais previstos no art.
5º, inc. XLVI da Carta Magna. Esta individualização passa desde a
determinação da espécie de pena que vai ser cominada e aplicada ao caso
concreto, bem como ao quantum de pena necessário e suficiente à prevenção
e reprovação do crime (art. 59, CP).
A determinação da pena pode realizar-se de acordo com três sistemas
básicos:
a) Sistema da absoluta determinação: Sistema mais antigo, utilizado nos
Código Criminal de 1830, caracteriza-se pela absoluta determinação , na qual a
própria lei determina, de forma taxativa, qual é a quantidade de pena aplicável
a cada delito, de modo fixo. No Código de 1830, a pena era fixada nos graus
mínimo, médio e máximo, sendo previamente fixadas as penas de cada um dos
graus.
b) Sistema de absoluta indeterminação: É o sistema que consagra o livre-
arbítrio judicial, pelo qual se confere ao magistrado amplos poderes para
decidir, dentre as penas existentes, aquela que considerar mais adequada, na
quantidade que entender mais conveniente.
c) Sistema de relativa determinação: Sistema adotado no Código de 1940,
repetido na Parte geral de 1984. Por este sistema, a pena de cada crime já
vem determinada, as espécies e seu quantitativo vêm fixados num limite
mínimo e máximo, cabendo ao juiz, observando os limites, fixá-la de modo
discricionário.
Em face da garantia constitucional de individualização da pena, o juiz, para
aplicar ao condenado a pena mais adequada ao caso concreto, deve levar em
conta todas as circunstâncias do crime, isto é, todas as condições que se
encontram ao redor do crime, alterando a resposta penal, com base na maior
ou menor gravidade da conduta, desvalor da ação ou desvalor do resultado,
sem afetar o tipo fundamental.
Diferem das elementares porque estas são requisitos essenciais do tipo,
enquanto que aquelas são requisitos acidentais.
De acordo com a sua natureza, podem ser classificadas em pessoais ou
subjetivas (Exemplo: menoridade, reincidência, antecedentes, motivos, sexo,
profissão, etc.) e objetivas (Exemplo: modo de execução), objeto material,
características da vítima, etc. As circunstâncias de caráter pessoal não se
comunicam no concurso de pessoas, salvo quando elementares do crime,
enquanto as objetivas comunicam- se a todos os concorrentes, desde que
entrem na esfera de seu conhecimento.
Quanto à função modificativa, as circunstâncias podem ser classificadas
também em:
a) circunstâncias que aumentam o mínimo e o máximo da pena em abstrato;
são as qualificadoras (tipos qualificados), consideradas na 1ª fase (Exemplo:
art. 121, §2º);
b) circunstâncias que agravam ou atenuam a pena sem determinação de
quantidade (o juiz, ao considerá-las, deve observar os limites da pena em
abstrato). Subdividem-se em judiciais (art. 59) e legais (agravantes e
atenuantes – artigos 61 a 66);
c) causas de aumento e de diminuição: Autorizam a alteração da pena com
base em valores fixos ou variáveis; são as majorantes e minorantes. Vêm sob a
forma de fração, distinguindo-se das qualificadoras porque não modificam os
limites da pena em abstrato, mas permitem que o juiz fixe a pena concreta
aquém ou além de tais limites, podendo vir na Parte Geral (Exemplo: artigos
14, II, e 16) e na Especial do CP (Exemplo: art. 121, §4º, 127), sendo que os
tipos que contêm causas de aumento são chamados de tipos agravados, e os
que contêm causas de diminuição, de tipos privilegiados.
DOSIMETRIA: É feita pelo sistema trifásico:
1ª FASE: Para o cálculo da pena-base, levam-se em conta as circunstâncias
judiciais do art. 59, sendo que, se alguma delas for agravante, atenuante,
causa de aumento ou de diminuição, deve ser considerada nas operações
seguintes para que não haja o bis in idem; e se o juiz verifica a existência de
mais de uma qualificadora, deve se utilizar de apenas uma delas e considerar
a(s) outra(s) nas fases seguintes, se previstas. A pena-base não pode ser nem
superior ao máximo nem inferior ao mínimo (art. 59, II); na jurisprudência,
entende-se que, como na 2º fase, a elevação é de 1/6 para cada circunstância
legal agravante, as circunstâncias judiciais só autorizariam um aumento de até
1/6 do mínimo da pena abstrata.
Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos
antecedentes, à conduta social, à personalidade do
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências
do crime, bem como ao comportamento da vítima,
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites
previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de
liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade
aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.
São circunstâncias judiciais:
� Culpabilidade: Verificada não como fundamento da pena, mas como seu
limite, o grau de reprovação
da conduta. É a viga mestra das circunstâncias
judiciais;
� Antecedentes: Constituem os fatos abonadores e desabonadores da sua
vida pregressa – inquéritos instaurados, processos em curso, etc. A
reincidência não pode ser considerada como antecedente, porque é
circunstância agravante. No entanto, a condenação por crime anterior após o
prazo depurador de 5 anos da reincidência pode ser considerada como
agravante;
� Conduta social: Como o sujeito age em seu meio familiar, profissional;
� Personalidade: Perfil psicológico e moral do sujeito;
� Motivos do crime: Fatores que levaram o sujeito a cometer o crime, isto
é, o “porquê” do crime (religião, amor, ódio, etc.);
� Circunstâncias do crime: Relaciona-se com o modo de execução
(instrumentos do crime, tempo, local, objeto material, etc.);
� Conseqüências do crime: Intensidade da lesão produzida no bem
jurídico tutelado;
� Comportamento da vítima: Relaciona-se com a vitimologia, como a
conduta da vítima pode influenciar ou não a prática do crime, se o
comportamento da vítima provocou ou facilitou o crime.
2ª FASE: Para o cálculo da pena provisória, levam-se em conta as
circunstâncias agravantes e atenuantes genéricas, sendo que o juiz não poderá
ir além ou aquém dos limites estabelecidos pelo legislador ao cominar a pena
(para alguns, não haveria impedimento legal a que a incidência de uma
atenuante levasse a pena-base para aquém do mínimo cominado ao tipo.
Ainda, no concurso entre agravantes e atenuantes, dispõe o art. 67 que a
pena deve se aproximar do limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, como tais entendendo-se as que resultam dos motivos
determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincidência.
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes
Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena
deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, entendendo-se como tais as que
resultam dos motivos determinantes do crime, da
personalidade do agente e da reincidência.
As agravantes estão no art. 61, e sempre incidem, salvo quando constituam
ou qualifiquem o crime, quando coincidam com uma causa de aumento ou
quando isentem de pena:
a) Reincidência: Diz o art. 63 que o agente é considerado reincidente se,
após ser condenado por um crime por sentença transitada em julgado, no país
ou no exterior, comete novo crime; seus efeitos não perdurarão após o prazo
de 5 anos a partir da data de cumprimento ou extinção da pena, computando-
se o período de prova do sursis e do livramento condicional, se não tiver
ocorrido revogação (art. 64, I) e não sendo considerados os crimes políticos e
os militares próprios (art. 64, II). De se salientar que o art. 7º da LCP
complementa o conceito de reincidência ao estabelecer que ela também se dá
se o agente comete nova contravenção após o trânsito em julgado da sentença
condenatória no estrangeiro por qualquer crime ou no Brasil por crime ou
contravenção; é provada pela certidão judicial do trânsito em julgado da
sentença condenatória;
b) Ter o agente cometido o crime:
� Por motivo fútil ou torpe (fútil é o motivo insignificante, que guarde
desproporção com o crime praticado; torpe é o motivo vil, abjeto, que
demonstra grau extremo de insensibilidade moral do agente);
� Para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou
vantagem de outro crime: Tem-se aí uma conexão, que pode ser de dois tipos:
teleológica (para facilitar ou assegurar a execução de outro crime) ou
conseqüencial (o crime é praticado para garantir a ocultação, impunidade ou
vantagem de outro);
� À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso
que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido: Relativo à forma de
realização do crime. Na traição ocorre uma deslealdade; a emboscada se dá
quando o agente se esconde para atacar a vítima de surpresa (tocaia); a
dissimulação é a utilização de artifícios para se aproximar da vítima,
encobrindo seus desígnios reais; por fim, o legislador usou uma fórmula
genérica (outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do
ofendido), permitindo a interpretação analógica ou extensiva;
� Com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum: Relativo ao meio. O
legislador escolheu alguns meios como paradigma, utilizando, em seguida, a
expressão que possibilita a interpretação extensiva. Meio insidioso é aquele
dissimulado em sua eficiência maléfica; meio cruel é o que aumenta inutilmente
o sofrimento da vítima ou revele uma brutalidade anormal; perigo comum é o
provocado por uma conduta que expõe a risco a vida ou o patrimônio de um
número indefinido de pessoas;
� Contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge: Revela uma maior
insensibilidade do agente; aplica-se a qualquer forma de parentesco (legítimo
ou ilegítimo, consangüíneo ou civil); não incide quando a relação de parentesco
for elementar do crime, como no caso do infanticídio e não se estende ao
concubino pela proibição da analogia in malam partem.
� Com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade: Funda-se na quebra de confiança que a
vítima tinha no agente; o abuso de autoridade se dá quando o agente excede
ou faz uso ilegítimo do poder de fiscalização, assistência, instrução, educação
ou custódia derivado de relações familiares, de tutela, de curatela ou mesmo
de hierarquia eclesiástica, referindo-se somente às relações privadas, pois,
quanto às públicas, existe lei especial; relações domésticas são as que se
estabelecem entre pessoas de uma mesma família, freqüentadores habituais
da casa, amigos, empregados, etc.; relação de coabitação é a que se dá
quando duas ou mais pessoas vivem sob o mesmo teto; por fim, a relação de
hospitalidade ocorre quando a vítima recebe o agente para permanência em
sua casa por certo período (visita, pernoite, convite para uma refeição, etc.);
� Com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício,
ministério ou profissão: nos primeiros casos, ao praticar o crime, o funcionário
que exerce o cargo ou ofício infringe os deveres inerentes a eles; ministério
relaciona-se com atividades religiosas; profissão é a atividade especializada,
remunerada, intelectual ou técnica;
� Contra criança, velho, enfermo ou mulher grávida: Funda-se na maior
vulnerabilidade destas pessoas; criança, segundo o ECA, é a pessoa com até
12 anos incompletos; velho é a pessoa com mais de 70 anos ou que esteja
com sua situação física prejudicada pela sua condição específica; enferma é a
pessoa doente sem condições de se defender;
� Quando o ofendido estava sob a imediata proteção de autoridade:
Baseia-se no desrespeito à autoridade, sendo exemplos desse tipo de vítima o
preso ou o doente mental recolhido a estabelecimento oficial;
� Em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade
pública, ou de desgraça particular do ofendido: Aqui o agente deve se
aproveitar de modo consciente e voluntário da situação calamitosa para
dificultar a defesa da vítima ou par facilitar a sua impunidade;
� Em estado de embriaguez preordenada: Aqui o agente se embriaga
propositadamente para cometer crimes, sendo este realmente o campo de
atuação da teoria da actio libera in causa.
Há discussão sobre se as agravantes do inciso II do art. 61 do CP seriam
aplicadas somente aos crimes dolosos ou a todos os crimes, já que a lei não
faz distinção. O art. 62, CP relaciona as agravantes no concurso de pessoas,
quando o agente:
a) Promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos
demais agentes: Atinge aquele que promove a união do grupo, ou é o seu líder,
ou ainda atua como mentor intelectual do crime;
b)
Coage ou induz outrem à execução material do crime: A 1ª parte trata da
coação, que pode ser moral ou física, resistível ou irresistível, sendo que o
coator responderá pelo crime praticado pelo executor direto (com a pena
agravada) e mais o constrangimento ilegal, ou se for o caso, o crime do art.
1º,I, b, da Lei n. 9455/97; a 2º parte fala daquele que insinua, inspira outrem a
praticar o crime;
c) Instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade
ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal: Instigar é reforçar
uma idéia delituosa já existente; determinar é mandar, ordenar; o executor
deve estar sujeito à autoridade do agente ou não ser punível por alguma
qualidade pessoal (menoridade, doença mental, etc.);
d) Executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de
recompensa: A paga é anterior ao crime; a recompensa é posterior a ele.
Os artigos 65 e 66 do CP, tratam das circunstâncias atenuantes; o artigo 65
estabelece um rol, saber:
a) Ser o agente menor de vinte e um anos, na data do fato, ou setenta anos,
na data da sentença: Refere-se à sentença de 1º grau; a menoridade para
efeitos penais prevalece ainda que já tenha havido emancipação;
b) O desconhecimento da lei apesar de inescusável e não isentar de pena
(art. 21), a ignorância serve para atenuá-la;
c) ter o agente cometido o crime: Por motivo de relevante valor moral ou
social: Valor moral relaciona-se com um interesse individual que encontra certo
respaldo na sociedade (Exemplo: matar o estuprador da filha); já o valor social
refere-se a um interesse coletivo (Exemplo: invadir o domicílio de um traidor da
Pátria); Procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o
crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento,
reparado o dano: Na 1ª parte, trata-se de um arrependimento em que o agente,
após a consumação, consegue evitar ou minorar as conseqüências, o que não
se confunde com o arrependimento eficaz (art. 15), o qual exige que o agente
impeça a produção do resultado, nem com o arrependimento posterior (art. 16),
que incide antes do recebimento da inicial acusatória em crimes cometidos sem
violência ou grave ameaça a pessoa; na 2ª parte, o agente deverá ter reparado
o dano até a sentença de 1º grau;
d) Cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de
ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima: A coação, moral ou física, tem que ser
resistível, pois, se irresistível, excluirá a própria conduta quando física, ou a
culpabilidade quando moral (art. 22, 1ª parte); a ordem de autoridade superior a
ser cumprida deve ser manifestamente ilegal, porque, não o sendo, excluirá a
culpabilidade (art. 22, 2ª parte); apesar de a emoção e a paixão não excluírem
a imputabilidade (art. 28, I), reduz-se a pena em caso de influência de violenta
emoção provocada por ato injusto da vítima, sendo que, se for uma agressão
injusta, poderá haver legítima defesa, e, ainda, deve-se diferenciar esta
atenuante da hipótese de homicídio privilegiado que se configura quando o
sujeito atua sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta provocação
da vítima;
e) Confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime:
A confissão aqui deve ter sido espontânea, a demonstrar um arrependimento,
por exemplo; não incidindo ainda se o agente confessa o crime durante o
inquérito e, depois, se retrata em juízo;
f) Cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o
provocou: O agente deve ter cometido o crime sob a influência de multidão em
tumulto e não pode ter provocado este último – exemplo: brigas com grande
número de pessoas. Quanto ao art. 66, traz uma atenuante inominada, que
deve ser levada em consideração sempre que o juiz entenda haver uma
circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, ainda que não prevista
em lei.
3ª FASE: Para o cálculo da pena definitiva, são consideradas as causas de
aumento e de diminuição previstas na Parte Geral e na Parte Especial do CP,
tais como tentativa (art. 14, II), arrependimento posterior (art. 16), homicídio
privilegiado (art. 121, §1º), furto noturno (art. 155, §1º), etc. Conforme já visto,
prevêem um quantum de exasperação ou de redução de pena, diferenciando-
se das agravantes e atenuantes, podendo a pena definitiva ficar além ou
aquém da pena cominada ao tipo. Alguns princípios devem ser observados:
� No concurso de majorantes ou de minorantes previstas na Parte
Especial, poderá o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição,
prevalecendo, porém, a causa que mais aumente ou diminua (art. 68, parágrafo
único);
� As majorantes devem incidir em primeiro lugar e separadamente,
enquanto as minorantes incidem cumulativa e posteriormente;
� As regras do concurso material, formal e crime continuado são as
últimas operações a serem feitas.
Estabelecida a pena definitiva, terá o juiz que determinar o regime inicial de
cumprimento da pena privativa de liberdade; por fim, deverá analisar se é caso
de substituição da pena (art. 59, IV) ou de suspensão de sua execução (art.
157 da LEP), devendo motivar em qualquer hipótese.
Não confundir causa de aumento e de diminuição com qualificadora. Nesta,
há uma nova cominação no mínimo e no máximo em relação ao crime simples,
e os novos limites mínimo e máximo fixados pela qualificadora servirão como
parâmetro desde as circunstâncias judiciais. As causas de aumento são
previstas em fração (um terço, um sexto, metade), e são aplicadas na terceira
fase de aplicação da pena.
Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos
antecedentes, à conduta social, à personalidade do
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências
do crime, bem como ao comportamento da vítima,
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites
previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de
liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade
aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.
Critérios especiais da pena de multa
Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender,
principalmente, à situação econômica do réu.
§ 1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz
considerar que, em virtude da situação econômica do réu,
é ineficaz, embora aplicada no máximo.
Multa substitutiva
§ 2º - A pena privativa de liberdade aplicada, não superior
a 6 (seis) meses, pode ser substituída pela de multa,
observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste
Código.
Circunstâncias agravantes
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena,
quando não constituem ou qualificam o crime:
I - a reincidência;
II - ter o agente cometido o crime:
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou
outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa
do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou
outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar
perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de
relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade,
ou com violência contra a mulher na forma da lei
específica;
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a
cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo
ou mulher grávida;
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da
autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou
qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do
ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
Agravantes no caso de concurso de pessoas
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao
agente que:
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige
a atividade dos demais agentes;
II - coage ou induz outrem à execução material do crime;
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito
à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição
ou qualidade pessoal;
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou
promessa de recompensa.
Reincidência
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente
comete novo crime, depois de transitar em julgado a
sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha
condenado por crime anterior.
Art. 64 - Para efeito de reincidência:
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data
do cumprimento ou extinção da pena e a infração
posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5
(cinco) anos, computado o período de prova da
suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer
revogação;
II - não se consideram os crimes militares próprios e
políticos.
Circunstâncias atenuantes
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato,
ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença;
II - o desconhecimento da lei;
III - ter o agente:
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social
ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com
eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as
conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o
dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou
em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob
a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto
da vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a
autoria do crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão em
tumulto, se não o provocou.
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de
circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime,
embora não prevista expressamente em lei.
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes
Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena
deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, entendendo-se como tais as que
resultam dos motivos determinantes do crime, da
personalidade do agente e da reincidência.
Cálculo da pena
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério
do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas
as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as
causas de diminuição e de aumento.
Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou
de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz
limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição,
prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou
diminua.
Concurso material
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação
ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplicam-se cumulativamente as penas privativas de
liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação
cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-
se primeiro aquela.
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver
sido aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa,
por um dos crimes, para os demais será incabível a
substituição de que trata o art. 44 deste Código.
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de
direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que
forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais.
Concurso formal
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer
caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se,
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é
dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios
autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria
cabível pela regra do art. 69 deste Código.
Crime continuado
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação
ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma
espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de
execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes
ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a
pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave,
se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a
dois terços.
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas
diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à
pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os
antecedentes, a conduta social e a personalidade do
agente, bem como os motivos e as circunstâncias,
aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a
mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras
do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código.
Multas no concurso de crimes
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são
aplicadas distinta e integralmente.
Erro na execução
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios
de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como
se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se
ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de
ser também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Resultado diverso do pretendido
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém
resultado diverso do pretendido, o agente responde por
culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre
também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art.
70 deste Código.
Limite das penas
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de
liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos.
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas
de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) anos,
devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo
deste artigo.
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início
do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação,
desprezando-se, para esse fim, o período de pena já
cumprido.
Concurso de infrações
Art. 76 - No concurso de infrações, executar-se-á
primeiramente a pena mais grave.
6.4 DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA
A suspensão condicional da pena (sursis) e a suspensão condicional do
processo são institutos que apresentam diversas semelhanças. A primeira
delas deriva dos próprios fundamentos, de política criminal, que motivaram a
sua introdução dentro do ordenamento jurídico brasileiro. Afinal, trata-se de
institutos de livramento, que surgiram a partir da constatação do fracasso das
penas privativas de liberdade, mormente no que toca às penas de curta
duração. Assim, como um meio de evitar que delinqüentes primários, que
cometeram infrações de menor gravidade, fossem enviados para as prisões,
verdadeiras “escolas do crime”, foram desenvolvidas alternativas às penas
privativas de liberdade, dentre as quais se destacam tanto a suspensão
condicional do processo quanto a suspensão condicional da pena.
Contudo, a extinção da punibilidade (suspensão condicional do processo), e
a extinção da pena privativa de liberdade (suspensão condicional da pena),
somente será declarada se as condições impostas pelo poder público forem
devidamente cumpridas pelo infrator.
O sursis está previsto no art. 77 do Código Penal Brasileiro, tendo sido
introduzido
no ordenamento jurídico nacional a partir da Reforma de 1984. A
suspensão condicional do processo, por sua vez, se encontra no art. 89 da Lei
n° 9.099/95, que trata dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.
Na suspensão condicional do processo, o réu aceita o benefício logo após o
oferecimento da denúncia. Logo, a instrução processual não chega a se
desenrolar. Não é proferida uma sentença condenatória. A suspensão é o
resultado entre um acordo de vontades entre as partes, homologado pelo juiz.
Não há que se falar, portanto, em condenação.
O contrário ocorre com o sursis. Nesse último caso, o processo se
desenvolve normalmente, e culmina com a prolação de uma sentença penal
condenatória. Ou seja, o réu é condenado por sentença com trânsito em
julgado. Apenas a execução da pena permanece suspensa.
O beneficiário da suspensão condicional do processo, que cumpre as
condições do acordo, por não ter sido condenado pelo juízo criminal, continua a
ser considerado réu primário, bem como possuidor de bons antecedentes. Por
outro lado, o réu que aceita a suspensão condicional da pena não tem seus
dados criminais apagados após o período de prova. Apenas a execução da
pena é quem fica suspensa. Os efeitos secundários da mesma permanecem.
Dessa forma, a condenação em questão é hábil para determinar a reincidência
ou os maus antecedentes.
Requisitos da suspensão da pena
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não
superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2
(dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e
personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias autorizem a concessão do benefício;
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista
no art. 44 deste Código.
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede
a concessão do benefício.
§ 2o A execução da pena privativa de liberdade, não
superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a
seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta
anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a
suspensão.
Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado
ficará sujeito à observação e ao cumprimento das
condições estabelecidas pelo juiz.
§ 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado
prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à
limitação de fim de semana (art. 48).
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo
impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art.
59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz
poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas
seguintes condições, aplicadas cumulativamente:
a) proibição de freqüentar determinados lugares;
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem
autorização do juiz;
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo,
mensalmente, para informar e justificar suas atividades.
Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a
que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas
ao fato e à situação pessoal do condenado.
Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas
de direitos nem à multa.
Revogação obrigatória
Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do
prazo, o beneficiário:
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime
doloso;
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de
multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação
do dano;
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste
Código.
Revogação facultativa
§ 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado
descumpre qualquer outra condição imposta ou é
irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por
contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva
de direitos.
Prorrogação do período de prova
§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro
crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo
da suspensão até o julgamento definitivo.
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao
invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o
máximo, se este não foi o fixado.
Cumprimento das condições
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido
revogação, considera-se extinta a pena privativa de
liberdade.
6.5 DO LIVRAMENTO CONDICIONAL
O livramento condicional consiste na antecipação da liberdade ao
condenado que cumpre pena privativa de liberdade, desde que cumpridas
determinadas condições durante certo tempo. Serve como estímulo à
reintegração na sociedade daquele que aparenta ter experimentado uma
suficiente regeneração.
Traduz-se na última etapa do cumprimento da pena privativa de liberdade no
sistema progressivo, representando uma transição entre o cárcere e a vida
livre.
Os requisitos necessários para o livramento condicional podem ser de duas
ordens: objetivos e subjetivos.
São requisitos objetivos necessários à concessão do livramento
condicional:
a) pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos;
b) cumprimento parcial da pena;
� deve cumprir mais de um terço (1/3 ) da pena se o condenado não for
reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes;
� deve cumprir mais da metade (1/2) da pena se ele for reincidente em
crime doloso;
� deve cumprir mais de dois terços (2/3) da pena se, condenado por crime
hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e
terrorismo, desde que não reincidente específico em crimes desta natureza;
O reincidente específico em crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito
de entorpecentes, drogas afins, e terrorismo não tem direito a livramento
condicional. Ressalte-se que essa reincidência específica é em qualquer dos
crimes desta natureza, não necessitando que a reincidência seja pelo mesmo
delito.
c) reparação do dano, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo.
São requisitos subjetivos do livramento condicional:
a) bons antecedentes;
b) comportamento satisfatório durante a execução;
c) bom desempenho no trabalho;
d) aptidão para prover a própria subsistência com trabalho honesto;
e) prognose favorável.
Segundo o art. 86, CP, são causas de revogação obrigatória do benefício:
a) se o liberado vem a ser condenado irrecorrivelmente a pena privativa de
liberdade por crime cometido durante a vigência do livramento
b) se o liberado vem a ser condenado irrecorrivelmente a pena privativa de
liberdade por crime por crime anterior, neste caso observando-se o disposto no
art. 84.
Pelo art. 87, CP, as causas de revogação facultativa são:
a) o descumprimento de qualquer das condições obrigatórias ou facultativas
impostas;
b) a condenação irrecorrível por crime ou contravenção a pena que não seja
privativa de liberdade
Os efeitos da revogação vão variar a depender da sua causa:
a) em caso de condenação irrecorrível por crime praticado antes do
livramento, terá direito à obtenção de novo livramento, inclusive no que se
refere à pena que estava sendo cumprida, as duas penas poderão ser
somadas a fim de se obter novamente o benefício e o período de prova é
computado como de pena efetivamente cumprida;
b) em caso de condenação irrecorrível por crime praticado durante a
vigência do livramento, não haverá possibilidade de novo benefício em relação
à mesma pena, que terá de ser cumprida integralmente, não se computando o
prazo em que esteve solto; quanto à nova pena, poderá obter o benefício se
observados os requisitos;
c) havendo descumprimento das condições impostas, o apenado terá de
cumprir a pena integralmente, não se computando o período de prova, e não
será possível obter-se novamente o mesmo benefício;
d) em caso de condenação por contravenção, os efeitos serão
os mesmos
de descumprimento das condições impostas.
Requisitos do livramento condicional
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao
condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior
a 2 (dois) anos, desde que:
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado
não for reincidente em crime doloso e tiver bons
antecedentes;
II - cumprida mais da metade se o condenado for
reincidente em crime doloso;
III - comprovado comportamento satisfatório durante a
execução da pena, bom desempenho no trabalho que lhe
foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência
mediante trabalho honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-
lo, o dano causado pela infração;
V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de
condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o
apenado não for reincidente específico em crimes dessa
natureza.
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso,
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a
concessão do livramento ficará também subordinada à
constatação de condições pessoais que façam presumir
que o liberado não voltará a delinqüir.
Soma de penas
Art. 84 - As penas que correspondem a infrações diversas
devem somar-se para efeito do livramento.
Especificações das condições
Art. 85 - A sentença especificará as condições a que fica
subordinado o livramento.
Revogação do livramento
Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser
condenado a pena privativa de liberdade, em sentença
irrecorrível:
I - por crime cometido durante a vigência do benefício;
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84
deste Código.
Revogação facultativa
Art. 87 - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se
o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações
constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente
condenado, por crime ou contravenção, a pena que não
seja privativa de liberdade.
Efeitos da revogação
Art. 88 - Revogado o livramento, não poderá ser
novamente concedido, e, salvo quando a revogação
resulta de condenação por outro crime anterior àquele
benefício, não se desconta na pena o tempo em que
esteve solto o condenado.
Extinção
Art. 89 - O juiz não poderá declarar extinta a pena,
enquanto não passar em julgado a sentença em processo
a que responde o liberado, por crime cometido na
vigência do livramento.
Art. 90 - Se até o seu término o livramento não é
revogado, considera-se extinta a pena privativa de
liberdade.
6.6 DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO
A sentença penal condenatória produz, como efeito principal, a imposição da
sanção penal ao condenado, ou, se inimputável, a aplicação da medida de
segurança. Produz, todavia, efeitos secundários, de natureza penal e
extrapenal.
Os efeitos penais secundários encontram-se espalhados por diversos
dispositivos no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei de
Execuções Penais, tais como a revogação do sursis e do livramento
condicional, a caracterização da reincidência no caso de cometimento de novo
crime, a impossibilidade de benefícios em diversos crimes (art.155, § 2º, 171, §
1º), inscrição no rol dos culpados, etc.
Os efeitos extrapenais secundários estão dispostos nos artigos 91 (efeitos
genéricos) e 92 (efeitos específicos), ambos do CP. Os efeitos genéricos
decorrem da própria natureza da sentença condenatória, abrangem todos os
crimes e não dependem de pronunciamento judicial (são automáticos); já os
efeitos específicos limitam-se a alguns crimes, dependendo de pronunciamento
judicial a respeito, e não se confundem com as penas de interdição temporária
de direitos, visto que estas são sanções penais, substituindo a pena privativa
de liberdade pelo tempo de sua duração, enquanto aqueles são conseqüências
reflexas do crime, permanentes e de natureza extrapenal.
Efeitos genéricos e específicos
Art. 91 - São efeitos da condenação:
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado
pelo crime;
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do
lesado ou de terceiro de boa-fé:
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em
coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção
constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que
constitua proveito auferido pelo agente com a prática do
fato criminoso.
Art. 92 - São também efeitos da condenação:
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo
igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com
abuso de poder ou violação de dever para com a
Administração Pública;
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por
tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela
ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de
reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado;
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado
como meio para a prática de crime doloso.
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não
são automáticos, devendo ser motivadamente declarados
na sentença.
6.7 DA REABILITAÇÃO
A reabilitação criminal tem por objetivo conceder ao condenado a
possibilidade de ver seu nome reabilitado, sem que constem em certidões
expedidas pelo poder púbico quaisquer menções à condenação anteriormente
sofrida. Tal instituto promove a suspensão condicional de alguns efeitos penais
da condenação, podendo, em caso de eventual reincidência, haver revogação.
Não se pode olvidar, outrossim, que a reincidência só se configura se o
delito posterior ocorre dentro do período de cinco anos a partir da data do
cumprimento ou extinção da pena, computado o período de prova do “sursis”
ou livramento condicional.
Reabilitação
Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas
em sentença definitiva, assegurando ao condenado o
sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação.
Parágrafo único - A reabilitação poderá, também, atingir
os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste
Código, vedada reintegração na situação anterior, nos
casos dos incisos I e II do mesmo artigo.
Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2
(dois) anos do dia em que for extinta, de qualquer modo, a
pena ou terminar sua execução, computando-se o período
de prova da suspensão e o do livramento condicional, se
não sobrevier revogação, desde que o condenado:
I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido;
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva
e constante de bom comportamento público e privado;
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou
demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia
do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia
da vítima ou novação da dívida.
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser
requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido seja
instruído com novos elementos comprobatórios dos
requisitos necessários.
Art. 95 - A reabilitação será revogada, de ofício ou a
requerimento do Ministério Público, se o reabilitado for
condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a
pena que não seja de multa.
EXERCÍCIOS
01. (FCC- TRF DA 4ª Região - 2010) Considere as seguintes assertivas
sobre a substituição da pena privativa de liberdade pelas penas restritivas de
direitos:
I. Na condenação igual ou inferior a dois anos, a substituição pode ser feita
por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a dois anos, a
pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de
direitos
e multa ou por duas restritivas de direitos.
II. As penas privativas de liberdade não superiores a 4 anos podem ser
substituídas por penas restritivas de direitos se o crime não for cometido com
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se
o crime for culposo.
III. A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta e, no cálculo da
pena privativa de liberdade a executar, será deduzido o tempo cumprido da
pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção
ou reclusão.
IV. Se o condenado for reincidente específico em razão a prática do mesmo
crime, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face da condenação
anterior, a medida seja socialmente recomendável.
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS em
(A) I e IV.
(B) I, II e III.
(C) II, III e IV.
(D) II e III.
(E) I, II e IV.
02. (Analista Judiciário – TRE – RS – FCC – 2010). Sobre a pena de
MULTA prevista no Código Penal, é INCORRETO afirmar que
a) deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois do trânsito em julgado da
sentença.
b) se converte em pena de detenção, quando o condenado solvente deixa
de pagá-la ou frustra a sua execução.
c) sua cobrança pode ser efetuada mediante desconto no salário do
condenado, quando aplicada isoladamente.
d) sua execução será suspensa se sobrevém ao condenado doença mental.
e) se cobrada mediante desconto no salário, não deve incidir sobre os
recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família.
03. (Defensoria Pública – DPE – MT – FCC – 2009) Não se inclui dentre as
penas restritivas de direito a
a) limitação de fim de semana
b) multa
c) perda de bens e valores
d) prestação de serviços à comunidade
e) interdição temporária de direitos
04. (Analista Judiciário – TRF 4ª Região – FCC – 2010) - Considere as
seguintes assertivas sobre a substituição da pena privativa de liberdade pelas
penas restritivas de direitos:
I. Na condenação igual ou inferior a dois anos, a substituição pode ser feita
por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a dois anos, a
pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de
direitos e multa ou por duas restritivas de direitos.
II. As penas privativas de liberdade não superiores a 4 anos podem ser
substituídas por penas restritivas de direitos se o crime não for cometido com
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se
o crime for culposo.
III. A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta e, no cálculo da
pena privativa de liberdade a executar, será deduzido o tempo cumprido da
pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção
ou reclusão.
IV. Se o condenado for reincidente específico em razão a prática do mesmo
crime, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face da condenação
anterior, a medida seja socialmente recomendável.
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS em
a) I, II e IV
b) I e IV.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) II e III.
05. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002) Para a aplicação
de sanções disciplinares é imprescindível
a) procedimento administrativo com garantia de defesa ao condenado
b) a concordância do Promotor de Justiça.
c) a decisão do Juiz da execução penal.
d) a decisão do Conselho Disciplinar.
e) a prática, pelo preso, de crime doloso.
06. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002). A remição pelo
trabalho prisional é concedida
a) à razão de um dia trabalhado por três dias de pena.
b) ao preso que nunca praticou falta disciplinar de natureza grave.
c) ao preso que nunca praticou faltas disciplinares médias ou graves.
d) à razão de três dias trabalhados por dia de pena
e) ao preso que nunca praticou qualquer espécie de falta disciplinar
07. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002) São espécies de
regimes prisionais:
a) fechado, semi-aberto e aberto
b) reclusão, detenção e liberdade assistida
c) liberdade assistida, liberdade vigiada e semiliberdade
d) privação de liberdade e restrição de direitos
e) reclusão, detenção e prisão simples.
08. (Ministério Público – MPE – MG – 2010). Sobre as penas restritivas de
direitos, de conformidade com a disciplina do Código Penal, assinale a
alternativa CORRETA.
a) São cabíveis em se tratando de crimes culposos, desde que a pena
aplicada não exceda a dois anos.
b) A prestação de serviços à comunidade somente é aplicável às
condenações inferiores a dois anos de privação de liberdade.
c) Podem ser aplicadas nas contravenções penais e nos crimes punidos com
detenção, vedada sua admissão se o crime for punido com reclusão.
d) Deverão ser cumpridas no prazo de quatro anos, a contar da data da
extração da Carta de Guia deflagatória da execução penal.
e) Se a condenação for a reprimenda superior a um ano, a sanção privativa
de liberdade poderá ser substituída por duas penas restritivas de direitos.
09. (Magistratura – TJ – PA – FGV – 2009) Com relação à aplicação da
pena, analise as afirmativas a seguir:
I. São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem
ou qualificam o crime, dentre outras, as seguintes: a gravidade do crime
praticado, ter o agente cometido o crime por motivo fútil ou torpe e ter o agente
cometido o crime contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou
mulher grávida.
II. São circunstâncias que sempre atenuam a pena, dentre outras, as
seguintes: ser o agente menor de 21 (vinte e um) anos na data do fato, ter o
agente cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral e ter o
agente cometido o crime em estado de embriaguez preordenada.
III. A pena será ainda agravada em relação ao agente que promove ou
organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes, ao
passo que a pena será ainda atenuada em relação ao agente que induz outrem
à execução material do crime.
Assinale:
a) se nenhuma afirmativa estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
10. (Analista Judiciário – TRF 2º Região – FCC – 2007). Sobre as penas
restritivas de direitos, é absolutamente correto afirmar que são dessa espécie:
a) perda de bens e valores; multa e prestação de serviços à comunidade.
b) internação em Casa de Custódia; recolhimento domiciliar e prestação
pecuniária.
c) prestação pecuniária; perda de bens e valores e limitação de fim de
semana
d) limitação de fim de semana; permissão para saída temporária e
internação em escola agrícola.
e) cesta básica; prestação pecuniária e multa.
11. (Analista Judiciário – TRF – 4ª Região – FCC – 2007) Na aplicação da
pena-base, o juiz deve considerar
a) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do
agente, os motivos, as circunstâncias e as conseqüências do crime, bem como
o comportamento da vítima.
b) a culpabilidade, os antecedentes, a repercussão do crime para o agente,
a idade do réu, os motivos, as circunstâncias, a gravidade e as conseqüências
do crime.
c) os antecedentes da vítima, a conduta social e a personalidade do agente,
a natureza, a gravidade e as conseqüências do crime, bem como a idade da
vítima.
d) o comportamento do agente, a idade e os antecedentes da vítima, a
conduta social do agente, a gravidade e as conseqüências do crime, bem como
as circunstâncias atenuantes.
e) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do
agente, a idade do agente, a gravidade e a natureza do crime, bem como as
circunstâncias agravantes.
12. (Analista Judiciário – TRF 4ª Região – FCC – 2007) São causas
extintivas de punibilidade, previstas no Código Penal, além de outras:
a) renúncia do direito de queixa, nos crimes de ação privada; e casamento
do agente com a vítima, nos crimes contra os costumes.
b) anistia; perdão judicial, nos casos previstos em lei; morte da vítima; e
decurso do prazo.
c) retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
prescrição, decadência ou perempção; e casamento do agente com a vítima,
nos crimes contra os costumes.
d) morte do agente; anistia, graça ou indulto; retroatividade de lei que não
mais considera o fato como criminoso; e prescrição, decadência ou perempção.
e) prescrição, decadência, menoridade do agente; morte da vítima; e agente
maior de setenta anos na data do crime.
13. (OAB - PR-2006-1) Sobre a aplicação da pena e medida de segurança,
assinale a alternativa CORRETA:
a) O sistema vicariante foi adotado pela reforma da Parte Geral do Código
Penal brasileiro em 1984.
b) O sistema vigente no Brasil é o do duplo binário.
c) Acaso o magistrado, por ocasião da sentença condenatória, reconheça a
imputabilidade do agente, em virtude de doença mental, poderá aplicar a pena
privativa de liberdade, cumulada com medida de segurança.
d) Acaso o magistrado, vislumbrando a gravidade do crime cometido,
entenda ser o acusado perigoso, poderá impor, desde logo, a medida de
segurança, sem a necessidade de proferir a sentença de mérito.
14. (OAB- RS-2006-2) No que diz respeito à aplicação da pena, assinale a
assertiva incorreta:
a) A pena-base será fixada atendendo ao critério do art. 59 do Código Penal;
em seguida serão consideradas as causas de aumento e de diminuição de
pena; ao final serão valoradas as circunstâncias agravantes e atenuantes.
b) São circunstâncias preponderantes no concurso de agravantes e
atenuantes as que resultam dos motivos determinantes do crime, da
personalidade do agente e da reincidência.
c) Há bis in idem quando o Juiz afasta-se da pena mínima em vista dos
antecedentes e, pelo mesmo fato, agrava a pena pela reincidência.
d) No caso de concurso formal, inexistindo desígnios autônomos, o Juiz não
poderá aplicar pena superior ao que seria cabível pela regra do concurso
material.
15. (PR-2006-3) Sobre as sanções penais, assinale a alternativa CORRETA:
a) O sistema atualmente em vigor no Brasil permite a cumulação de penas
com medidas de segurança, para os criminosos de alta periculosidade.
b) As penas privativas de liberdade devem obrigatoriamente ter seu
cumprimento iniciado em regime fechado, com posterior progressão.
c) As medidas de segurança podem ser aplicadas, também, aos
adolescentes infratores que se mostrem inadaptados socialmente.
d) As penas de multa e restritivas de direito são penas alternativas às
privativas (ou restritivas) de liberdade.
16. (OAB-PR-2006-2) Sobre as penas privativas de liberdade, assinale
alternativa INCORRETA:
a) A pena de detenção deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto
ou aberto, fixado pelo juiz no momento da prolação da sentença.
b) A execução da pena em regime semi-aberto será feita em colônia
agrícola, industrial ou estabelecimento similar.
c) O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão
de regime do cumprimento de pena condicionada à reparação do dano que
causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado.
d) O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras
públicas.
GABARITO:
01 D
02 B
03 B
04 E
05 A
06 D
07 A
08 E
09 A
10 C
11 A
12 D
13 A
14 A
15 D
16 A
7. MEDIDAS DE SEGURANÇA
As medidas de segurança aplicam-se aos inimputáveis e semi-imputáveis, o
fundamento é a periculosidade do agente, e tem a finalidade essencial de
prevenir a repetição do ato delituoso e assistir o agente do ato para que se
trate e não venha a reincidir, tendo, por tanto, o caráter preventivo assistencial.
Essa prevenção busca a cessação da periculosidade após o tratamento que se
faça necessário, para que assim traga a tranqüilidade a sociedade.
O principal fundamento das medidas de segurança é a periculosidade do
agente do ato delituoso.
O critério usado pelo código penal de 1940, antes da reforma de 1984, para
aferir a responsabilidade penal era a capacidade de entender o caráter ilícito do
fato e de se posicionar perante esse fato ou entendimento.
De tal forma só está submetido às medidas de segurança os inimputáveis e
os semi-imputáveis. Os primeiros são aqueles que são inteiramente
incapazes de entender o caráter delituoso do fato e de orientar seu atuar de
acordo com aquela compreensão. E os segundos, os semi-imputáveis, são os
que não são inteiramente capazes de entender o caráter ilícito do fato.
Essa é a pequena diferença existente entre os inimputáveis e semi-
imputáveis. Esta diferença existe para que se possam aplicar corretamente as
sanções penais, de forma que, aos semi-imputáveis, as penas e medidas de
segurança são aplicadas cumulativamente, enquanto que aos inimputáveis são
aplicadas apenas as medidas de segurança.
Nesta redação, anterior a reforma de 1984, o imputáveis também eram
suscetíveis às medidas de segurança, porém, é importante ressaltar que isto
ocorria porquê nesta redação, também eram incluídas como medidas de
segurança a liberdade vigiada, proibição de freqüentar determinados lugares e
exílio local, nas quais eram consideradas medidas de segurança não-
detentivas, como também a internação em colônia agrícola, instituto de
trabalho, de reeducação ou de ensino profissional, além da internação em
manicômio Judiciário para os inimputáveis, que eram classificadas como
medidas de segurança detentivas.
As medidas de segurança eram divididas em pessoais e patrimoniais nas
quais aquelas eram as detentivas e não detentivas, e estas eram, a interdição
de estabelecimento ou de sede de sociedade ou associação e o confisco.
A partir da reforma de 1984, esta divisão das medidas de segurança entre
pessoais e patrimoniais foi abolida, e também foram diminuídas
substancialmente os tipos de medidas de segurança, nas quais restaram
somente a internação em hospital de custódia e o tratamento ambulatorial,
ficando, portanto, a divisão entre detentivas e não-detentivas respectivamente.
De tal forma também foi abolida a imposição de medida de segurança aos
imputáveis, uma vez que as medidas de segurança a que se submetiam os
imputáveis, a partir da reforma de 1894, passaram a ser condições do
livramento condicional impostas pelo juiz e assistência ao preso, como dever
do Estado, constante no capítulo II da Lei 7.210 de 1984 (Lei das Execuções
Penais).
A Medida de Segurança é um modo de defesa da sociedade. Deve ser
imposta aos inimputáveis e se faculta a possibilidade de ser imposta ao semi-
imputável, podendo ser também privativa de liberdade, porém diminuída,
conforme o § único do artigo 26 do Código Penal.
Para que sejam aplicadas as Medidas e Seguranças faz-se necessário a
observância da periculosidade criminal do agente, que se exterioriza a partir do
delito praticado. A periculosidade é, neste sentido, o simples perigo para os
outros ou para a própria pessoa, e não o conceito de periculosidade penal,
limitado a probabilidade da prática de crimes.
A natureza das “medidas de segurança”, ou simplesmente “medidas”, não é
propriamente penal, por não possuírem um conteúdo punitivo, mas o são
formalmente penais, e em razão disso, são elas impostas e controladas pelos
juízes penais.
Existem uma série
de diferenças entre a pena e a medida de segurança. Na
pena, ela dividida entre privativa de liberdade e restritiva de direitos, elas tem o
fito principal de punir o agente da infração penal, e por conseqüência, prevenir
que o agente cometa novamente o ato ilícito. Porém deve-se observar que
essa prevenção é um tanto quanto subjetiva, de maneira que, o que irá impedir
o agente de repetir o ato ilícito, é a sua própria consciência, a sua moral e o
medo de ser punido novamente (retributiva - preventiva). O que ocorre de
maneira inversa com as medidas de segurança, uma vez que estas têm o fito
principal de prevenir que o agente repita a infração penal, sem nenhum caráter
punitivo. Neste caso, a prevenção é objetiva, de maneira que o agente será
submetido à internação, tratamento psicológico ou tratamento ambulatorial,
com medicamentos específicos para cada caso, fazendo, de tal forma, com que
cesse a temibilidade e a periculosidade do agente (essencialmente preventiva).
Não se pode considerar “penal” um tratamento médico e nem mesmo a
custódia psiquiátrica. Sua natureza nada tem a ver com a pena, que desta
diferencia por seus objetos e meios. Mas as leis penais impõem um controle
formalmente penal, e limitam as possibilidades de liberdade da pessoa,
impondo o seu cumprimento, nas condições previamente fixadas que elas
estabelecem, e cuja execução deve ser submetida aos juízes penais.
Requisitos de aplicação das medidas de segurança: Primeiramente, faz-
se necessário que ocorra a prática de fato punível. De tal forma, temos esse
requisito como um limite, uma vez que impede a aplicação de medidas pré-
delitivas por razões de segurança jurídica.
Outro requisito, um dos principais, é a periculosidade do agente. A
periculosidade não pode ser presumida, e sim comprovada. Sua aferição
implica cálculo de probabilidade, que se desdobra em dois momentos distintos:
o primeiro consiste na comprovação da qualidade sintomática de perigo
(diagnóstico da periculosidade); e o segundo na comprovação da relação entre
a qualidade e o futuro criminal do agente (prognose criminal).
Por fim, a ausência de imputabilidade plena, em que é vedado a aplicação
de medida de segurança aos imputáveis, como ocorria na redação pretérita, só
sendo passível a medidas de segurança o inimputáveis e os semi- imputáveis,
porém, somente quando for averiguado a necessidade de tratamento curativo.
Espécies: Existem duas espécies de medidas de segurança, a internação
em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico; e o tratamento ambulatorial.
As primeiras, internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico
constituem a modalidade detentiva. Estes se destinam obrigatoriamente aos
inimputáveis que tenham cometido crime punível com reclusão e
facultativamente aos que tenham praticado delito cuja natureza da pena
abstratamente cominada é de detenção.
A segunda, tratamento ambulatorial, é medida de segurança restritiva,
introduzindo como inovação na reforma de 1984. Nessa modalidade, são
dispensados cuidados médicos à pessoa submetida a tratamento que não
implica internação. Quando sujeito a esse tratamento o delinqüente deve
comparecer ao hospital nos dias em que o médico determinar, para que, de tal
forma, seja aplicada a terapia prescrita. Estão sujeitos a esse tratamento os
inimputáveis cuja pena privativa de liberdade seja de detenção e aos semi-
imputáveis, na mesma situação.
Duração das medidas de segurança: A medida de segurança só pode ser
executada após o transito em julgado da sentença. Deve-se atentar que o
prazo mínimo de duração da medida de segurança é de um a três anos,
invariável qualquer que seja o delito praticado. Para que seja aplicado o
mínimo, é usado como critério a maior periculosidade do agente.
Exame de verificação da cessação de periculosidade: A perícia médica
para cerificação da cessação da periculosidade será realizada ao fim do prazo
mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se
assim determinar o juiz da execução.
Depois de feito o exame, deve ser remetido ao juiz pela autoridade
administrativa competente, em forma de minucioso relatório instruído com
laudo psiquiátrico, em virtude de ser o diagnóstico da periculosidade tarefa
difícil e imprecisa. Depois de comprovada pela perícia a cessação da
periculosidade, o juiz da execução determinará a revogação da medida de
segurança.
TÍTULO VI
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
Espécies de medidas de segurança
Art. 96. As medidas de segurança são:
I - Internação em hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento
adequado;
II - sujeição a tratamento ambulatorial.
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe
medida de segurança nem subsiste a que tenha sido
imposta.
Imposição da medida de segurança para inimputável
Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará
sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato previsto como
crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo
a tratamento ambulatorial.
Prazo
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por
tempo indeterminado, perdurando enquanto não for
averiguada, mediante perícia médica, a cessação de
periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3
(três) anos.
Perícia médica
§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo
mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a
qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução.
Desinternação ou liberação condicional
§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre
condicional devendo ser restabelecida a situação anterior
se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato
indicativo de persistência de sua periculosidade.
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial,
poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa
providência for necessária para fins curativos.
Substituição da pena por medida de segurança para o
semi-imputável
Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste
Código e necessitando o condenado de especial
tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode
ser substituída pela internação, ou tratamento
ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos,
nos termos do artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º.
Direitos do internado
Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento
dotado de características hospitalares e será submetido a
tratamento.
8. DA AÇÃO PENAL
O juiz não pode acusar, dando início ao processo, pois deve-se manter
inerte para preservar sua imparcialidade. O poder de iniciar o processo penal
foi dado a um órgão estatal criado com essa finalidade (o Ministério Público) e,
eventualmente, ao ofendido ou seu representante legal. Essa prerrogativa de
requerer ao Estado-juiz que exerça a jurisdição, ou seja, aplique o Direito Penal
ao caso concreto é denominada ação penal.
A ação deve ser considerada como um poder, no sentido de prerrogativa.
Além disso, ação se refere à movimentação do processo, que pode ser feita
tanto pelo autor quanto pelo réu. O que o autor tem de forma exclusiva é
apenas a demanda.
Atualmente, a ação é considerada um poder:
a) autônomo: Distinto do direito material (direito de punir);
b) abstrato: Independe da existência do direito material e, portanto, da
sentença favorável;
c) público: Exercido perante o Estado para a invocação da tutela
jurisdicional;
d) subjetivo: Dado potencialmente a qualquer pessoa;
e) instrumentalmente conexa a uma situação concreta: A ação, quando
exercida, contém necessariamente uma pretensão (pedido para que o réu seja
punido por determinado crime).
Dada a importância do instituto, a ação se encontra fundamentada no art.
5°,
XXXV da Constituição: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário
lesão ou ameaça a direito". Assim, o Judiciário tem a atribuição de examinar
todas as demandas que lhe forem propostas, mesmo que, posteriormente, as
considere improcedentes. Além disso, só o Judiciário pode realizar a jurisdição,
sendo vedado ao particular exercer justiça com as próprias mãos e ao próprio
Estado executar diretamente o Direito Penal.
Em virtude de ser um direito subjetivo perante o Estado-Juiz, a princípio toda
ação penal é pública, sendo contudo feita a distinção entre ação penal pública
e ação penal privada, em razão da legitimidade para interpô-la, se do Ministério
Público ou da vítima, respectivamente.
O art.100 do Código penal consagra esta divisão ao predizer que “a ação
penal é pública, salvo quando a lei, expressamente, a declara privativa do
ofendido”. O parágrafo 1º do mesmo artigo diz que “a ação pública é promovida
pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de representação do
ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça”.
Ação penal pública incondicionada: O art.129, I da Constituição Federal
dispõe que é função institucional do Ministério Público, privativamente,
promover ação penal pública, na forma da lei. Já o art.24 do Código Processual
Penal, preceitua que, nos crimes de ação pública, esta será promovida por
denúncia do Ministério Público, dependendo, quando exigido por lei, de
requisição do ministro da Justiça ou de representação do ofendido ou de quem
tiver qualidade para representá-lo. Daí a distinção a ser feita entre ação penal
pública Incondicionada e Condicionada: quando promovida pelo Ministério
Público sem que haja necessidade de manifestação de vontade da vítima ou de
outra pessoa, a ação penal; é Incondicionada; quando, entretanto, por lei o
Órgão Ministerial depende da representação da vítima ou da requisição o
Ministro da Justiça para a interposição da ação, esta é classificada como Ação
Penal Pública Condicionada.
Caracteriza-se assim a ação penal pública incondicionada por ser a
promovida pelo Ministério Público sem que esta iniciativa dependa ou se
subordine a nenhuma condição, tais como as que a lei prevê para os casos de
ação penal pública condicionada, tais como representação do ofendido e
requisição do ministro da Justiça.
Na ação penal incondicionada, desde que provado um crime, tornando
verossímil a acusação, o órgão do Ministério Público deverá promover a ação
penal, sendo irrelevante a oposição por parte da vítima ou de qualquer outra
pessoa. É a regra geral na moderna sistemática processual penal.
É o Ministério Público dono da ação penal pública, sendo quem exerce a
pretensão punitiva, promovendo a ação penal pública desde a peça inicial, que
é a denúncia, até o final. Como é um órgão do Estado, uno e indivisível,
representado por Promotores e Procuradores de Justiça, os membros do
Ministério Público podem ser substituídos a qualquer tempo no decorrer do
processo, permanecendo inalterada a titularidade da ação, pois que ela é do
Órgão Ministerial, do qual os citados Promotores e Procuradores de Justiça são
os representantes.
Ação penal pública condicionada: Embora continue sendo do Ministério
Público a iniciativa para interposição da ação penal pública, neste caso, esta
fica condicionada à representação do ofendido ou requisição do ministro da
Justiça. No caso da ação penal pública condicionada, o ofendido autoriza o
Estado a promover processualmente a apuração infracionária. A esta
autorização dá-se o nome de representação, com a qual o órgão competente,
ou seja, o Ministério Público, assume o comando, sendo irrelevante, a partir
daí, que venha o ofendido a mudar de idéia. Quando a ação penal for
condicionada, a lei o dirá expressamente, trazendo, em geral ao fim do artigo, o
preceito de que somente proceder-se-á mediante representação.
Representação do Ofendido é uma espécie de pedido-autorização por meio
do qual o ofendido ou seu representante legal expressam o desejo de
instauração da ação, autorizando a persecução penal. É necessária até mesmo
para abertura de inquérito policial.
Com o advento da Lei nº 9.099/95, Lei dos Juizados Especiais, os crimes de
lesões corporais leves e lesões culposas também passaram ser de ação
pública condicionada. A representação é irretratável. É um direito da vítima e
pode ser exercido por ela ou por seu representante legal, ou, ainda, por
procurador (da vítima ou do seu representante legal) com poderes especiais,
mediante declaração escrita ou oral. Esta representação não há de
necessariamente ser feita por intermédio de profissional dotado de capacidade
postulatória, por tratar-se de figura processual.
Outra condição de procedibilidade, a requisição do Ministro da Justiça é um
ato administrativo, discricionário e irrevogável, que deve conter a manifestação
de vontade para instauração da ação penal, com menção do fato criminoso,
nome e qualidade da vítima, nome e qualificação do autor do crime etc.,
embora não exija forma especial.
Atende a razões de ordem política, que levam à dependência de uma ordem
ministerial determinados casos elencados no Código Penal, a seguir
enumerados: nos crimes contra a honra praticados contra o Presidente da
República ou chefe de governo estrangeiro, nos delitos praticados por
estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, e, ainda, em determinados crimes
praticados através da imprensa.
Assim como a representação, a requisição não implica a obrigatoriedade da
propositura da ação pelo Ministério Público. A requisição pode ser feita a
qualquer tempo, até que seja extinta a punibilidade do agente infrator.
O prazo para se exercer o direito de representação é de seis meses,
contados a partir do dia em que a vítima ou o seu representante legal tomar
conhecimento da autoria do crime. Prazo decadencial, matéria de direito penal,
em virtude de constituir-se causa extintiva da punibilidade.
Em se tratando de vítima menor de idade, o prazo contará para seu
representante legal a partir do dia em que tomar conhecimento do fato, desde
que tal não se venha a dar após o representado atingir a maioridade. Neste
caso, em que o representante legal, ignora o fato acontecido, o prazo passará
a ser contado a partir do momento em que a vítima atingir a maioridade.
Em se tratando de doente mental, isto, obviamente, não se aplica, pois a
representação legal não cessa até que cesse a incapacidade; logo, o prazo não
poderá fluir para a vítima, pois se ela não pode exercer o direito, como iria este
prescrever.
TÍTULO VII
DA AÇÃO PENAL
Ação pública e de iniciativa privada
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei
expressamente a declara privativa do ofendido.
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público,
dependendo, quando a lei o exige, de representação do
ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante
queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para
representá-lo.
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos
crimes de ação pública, se o Ministério Público não
oferece denúncia no prazo legal.
§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido
declarado ausente por decisão judicial, o direito de
oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
A ação penal no crime complexo
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou
circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos,
constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele,
desde que, em relação a qualquer destes, se deva
proceder por iniciativa do Ministério Público.
Irretratabilidade da representação
Art. 102 - A representação será irretratável depois de
oferecida
a denúncia.
Decadência do direito de queixa ou de representação
Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o
ofendido decai do direito de queixa ou de representação
se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses,
contado do dia em que veio a saber quem é o autor do
crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do
dia em que se esgota o prazo para oferecimento da
denúncia.
Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido
quando renunciado expressa ou tacitamente
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de
queixa a prática de ato incompatível com a vontade de
exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o
ofendido a indenização do dano causado pelo crime.
Perdão do ofendido
Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que
somente se procede mediante queixa, obsta ao
prosseguimento da ação.
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso
ou tácito:
I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos
aproveita;
II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o
direito dos outros;
III - se o querelado o recusa, não produz efeito.
§ 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato
incompatível com a vontade de prosseguir na ação.
§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em
julgado a sentença condenatória.
EXERCÍCIOS
1. (Auditor Fiscal da Receita Estadual – SEFAZ/SC – FEPESE – 2010).
De acordo com o Código Penal, pode-se afirmar:
a) A representação será irretratável depois de recebida a denúncia.
b) O direito de queixa pode ser exercido mesmo depois de renunciado
tacitamente.
c) O ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o
exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do data em que se praticou
a conduta delituosa, ainda que outro seja o momento do resultado.
d) Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal
fatos que, por si mesmos, constituem crimes, cabe ação pública em relação
àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder por
iniciativa do Ministério Público.
e) Para produzir efeitos, o perdão independe de aceitação pelo querelado.
2. (Magistratura – TJ/MS – FGV – 2008) O prazo para o ajuizamento da
queixa-crime é:
a) de seis meses, iniciando a fluência desse prazo no dia seguinte ao dia em
que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime.
b) de dois meses, iniciando a fluência desse prazo no dia seguinte ao dia em
que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime.
c) de seis meses, iniciando a fluência desse prazo no dia em que o ofendido
vem a saber quem é o autor do crime.
d) de dois meses, iniciando a fluência desse prazo no dia em que o ofendido
vem a saber quem é o autor do crime.
e) enquanto não estiver prescrito o crime praticado.
3. (OAB - PR-2006-2) Sobre a ação penal, assinale a alternativa
INCORRETA:
a) A ação de iniciativa privada é promovida mediante representação do
ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo.
b) A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara
privativa do ofendido.
c) No caso de morte do ofendido, o direito de oferecer queixa passa ao
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
d) A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública,
se o Ministério Público não oferece denúncia no prazo legal.
GABARITO:
01 D
02 C
03 A
9. DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Causas extintivas da punibilidade são causas que fazem desaparecer o
direito punitivo do Estado, impedindo-o de iniciar ou prosseguir com a
persecução penal. O rol a seguir exposto não é taxativo, pois existem outras
causas extintivas de punibilidade previstas na parte especial do Código Penal e
em leis especiais. Extingue-se a punibilidade:
� Pela morte do agente;
� Pela anistia, graça ou indulto;
� Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
� Pela prescrição, decadência ou perempção;
� Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de
ação privada;
� Pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
� Pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
1) Morte do Agente: O juiz de posse da certidão de óbito do agente, após
ouvir o Ministério Público, decretará a extinção punibilidade. Esta certidão deve
ser expedida pelo Cartório de Registro Civil.
2) Anistia, graça ou indulto: Nesses institutos o Estado, por razões de
política criminal, abdica de seu direito de punir, em nome da pacificação social.
Os crimes hediondos e assemelhados não estão sujeitos à anistia, graça ou
indulto. Assim se define os três institutos:
a) anistia – exclui o crime e apaga seus efeitos. Trata-se de uma clemência
soberana concedida por lei para atingir todos que tenham praticado
determinado delito. A anistia divide-se em própria ou imprópria, irrestrita ou
parcial, incondicionada e condicionada;
b) indulto – é concedido a determinado grupo de condenado de forma
coletiva. Sua concessão compete ao Presidente da República, que pode
delegá-la;
c) graça – é concedida em caráter individual para benefício de determinado
agente.
3) Abolitio criminis: Quando a lei pela sua retroatividade não mais
considera determinado fato criminoso como delito. A lei penal discriminaliza
determinada conduta. Pode ocorrer antes ou depois da condenação e apaga
todos os efeitos penais.
4) Decadência: Quando o ofendido ou seu representante legal perde o
direito de oferecer a queixa, nos crimes de ação penal privada. Em regra, o
prazo é de 6 meses.
5) Prescrição: Quando o Estado não exerce a pretensão punitiva ou a
pretensão executória após o decurso de determinado período de tempo. A
tabela com os prazos prescricionais consta no artigo 109 do CP.
6) Perempção: É uma sanção aplicada ao querelante, em virtude da perda
do direito de prosseguir na ação penal privada, por inércia ou negligência
processual. Esse instituto é aplicado exclusivamente nas ações penais
privadas. A perempção só pode ocorrer depois de recebida a queixa e até o
trânsito em julgado do processo penal.
7) Renúncia: Ato unilateral em que o ofendido abdica do seu direito de
oferecer a queixa. Instituto exclusivo da ação penal privada. A renúncia só
pode ocorrer antes do recebimento da queixa. Não necessita da concordância
do ofendido.
8) Perdão do ofendido: O ofendido (querelante) desiste do prosseguimento
da ação penal privada, desculpando o autor da ofensa (querelado) pela
infração penal praticada. É concedido no decorrer da ação penal privada. Ele
pode ser processual ou extraprocessual. O perdão oferecido a um dos
querelados aproveitará os demais. Quando houver mais de um querelante, o
perdão por parte de um deles, não prejudicará o direito do outro continuar a
ação.
9) Retratação do agente: Ocorre quando o agente admite que praticou o
fato criminoso erroneamente. É admitida nos crimes de calúnia, difamação,
falso testemunho e falsa perícia. A retratação deve ocorrer antes da sentença
condenatória de primeira instância.
10) Perdão judicial: Causa extintiva de punibilidade por meio da qual o juiz,
diante de certos requisitos previstos em lei, renuncia o direito de punir,
geralmente fundado na desnecessidade da pena. O Juiz reconhece a prática
do fato delituoso, mas deixa de aplicar a pena.
A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo
ou circunstância agravante de outro não se estende a este. Nos crimes
conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos
outros, a agravação da pena resultante da conexão.
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença
Art.
109. A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste
Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de
liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação
dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a
oito anos e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a
quatro anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois
anos e não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um
ano ou, sendo superior, não excede a dois;
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1
(um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
Prescrição das penas restritivas de direito
Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de
direito os mesmos prazos previstos para as privativas de
liberdade.
Prescrição depois de transitar em julgado sentença
final condenatória
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a
sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e
verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais
se aumentam de um terço, se o condenado é reincidente.
§ 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com
trânsito em julgado para a acusação ou depois de
improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não
podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data
anterior à da denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei
nº 12.234, de 2010).
§ 2o (Revogado pela Lei nº 12.234, de 2010).
Termo inicial da prescrição antes de transitar em
julgado a sentença final
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, começa a correr:
I - do dia em que o crime se consumou;
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a
atividade criminosa;
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a
permanência;
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de
assentamento do registro civil, da data em que o fato se
tornou conhecido
Termo inicial da prescrição após a sentença
condenatória irrecorrível
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição
começa a correr:
I - do dia em que transita em julgado a sentença
condenatória, para a acusação, ou a que revoga a
suspensão condicional da pena ou o livramento
condicional;
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo
quando o tempo da interrupção deva computar-se na
pena.
Prescrição no caso de evasão do condenado ou de
revogação do livramento condicional
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de
revogar-se o livramento condicional, a prescrição é
regulada pelo tempo que resta da pena.
Prescrição da multa
Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá:
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada
ou aplicada;
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena
privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou
cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada.
Redução dos prazos de prescrição
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de
prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime,
menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença,
maior de 70 (setenta) anos.
Causas impeditivas da prescrição
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a
prescrição não corre:
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de
que dependa o reconhecimento da existência do crime;
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a
sentença condenatória, a prescrição não corre durante o
tempo em que o condenado está preso por outro motivo.
Causas interruptivas da prescrição
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
II - pela pronúncia;
III - pela decisão confirmatória da pronúncia;
IV - pela publicação da sentença ou acórdão
condenatórios recorríveis;
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI - pela reincidência.
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste
artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos
relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes
conexos, que sejam objeto do mesmo processo, estende-
se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles.
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do
inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr,
novamente, do dia da interrupção.
Art. 118 - As penas mais leves prescrevem com as mais
graves.
Reabilitação
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da
punibilidade incidirá sobre a pena de cada um,
isoladamente.
Perdão judicial
Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não
será considerada para efeitos de reincidência.
10. DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
10.1 DOS CRIMES CONTRA A VIDA
Primeiramente vamos observar alguns conceitos importantes para o estudo
da parte especial do Código Penal:
Objetividade jurídica: Trata-se da finalidade da norma, ou seja, qual objeto
jurídico a norma pretende tutelar? O objeto jurídico tutelado nos crimes contra a
vida é a vida humana. É um crime simples, pois tem apenas um bem jurídico
tutelado. Crimes complexos são aqueles em que a lei protege mais de um bem
jurídico.
Sujeito Ativo: Quem pode praticar o crime? Afinal, há crimes que são
próprios, tais como o infanticídio, onde somente a mãe, em estado puerperal
mata o próprio filho e é punida pelo crime de infanticídio.
Sujeito passivo: Trata-se da vítima, quem sofre com o cometimento do
crime em tela.
Elementos objetivos do tipo: Tipo é o texto da lei. Seus elementos
objetivos nada mais são do que os verbos nele inseridos. Quem pratica o verbo
do tipo, está praticando o crime nele descrito.
Consumação: A consumação é o ato pelo qual o crime se torna perfeito e
acabado, passível de ser processado.
Tentativa: Há crimes que são punidos pela mera tentativa, ou seja, não há
consumação. Nem todos os crimes são punidos em caso de tentativa, somente
os expressamente previstos.
Elemento subjetivo do tipo: Verifica-se se o crime é punido a título de dolo
ou culpa. Os crimes são, via de regra, punidos a título de dolo. Somente serão
punidos a título de culpa se assim expressamente estiver descrito. No dolo o
sujeito possui a intenção de praticar o crime, ou seja, o agente quis o resultado
ou assumiu o risco de produzi-lo. Na culpa, o sujeito não tem a intenção de
praticar o crime, mas acaba por praticá-lo na modalidade de imperícia,
negligência, ou imprudência.
Podemos classificar o homicídio em três espécies:
� HOMICÍDIO SIMPLES: Será simples todo homicídio que não for
qualificado ou privilegiado, ou seja, que é cometido buscando o resultado
morte, sem qualquer agravante no crime. Um homicídio cometido pelas costas
da vitima ou com ela dormindo, por exemplo, deixa de ser simples, por não ter
sido dado a ela chance de defesa.
� HOMICÍDIO PRIVILEGIADO: Por outro lado, se a prática da infração é
motivada por relevante valor social ou moral, ou se esta é cometida logo após
injusta provocação da vítima, a pena pode ser minorada de 1/6 até 1/3 da
pena. Embora a Lei diga que é apenas uma possibilidade, tem prevalecido a
tese da obrigatoriedade da redução da pena, em virtude da aplicação dos
princípios gerais de Direito Penal, que compelem ao intérprete da Lei a fazê-lo
da forma mais favorável ao réu. É importante destacar que quando as
circunstâncias de privilégio são de caráter subjetivo, estas não se comunicam
ao co-autor do crime.
Também ocorre homicídio privilegiado quando as circunstâncias fáticas
diminuíram a capacidade de autocontrole e reflexão do agente.
Nos termos da
Lei, deve o homicídio ocorrer logo em seguida a uma injusta provocação da
vítima que deixe o agente sob o domínio de violenta emoção.
Não será privilegiado, portanto, o homicídio decorrente de ódio antigo, ou
que venha a ser cometido tempos depois da agressão da vítima, pois isto retira
a suposição de que o agente estava com suas faculdades mentais diminuídas
em decorrência de violenta emoção.
Nada impede que um homicídio privilegiado seja também qualificado. Por
exemplo, é o caso do agente que utiliza meio cruel para realizar o homicídio
sob violenta emoção logo em seguida de injusta provocação da vítima.
� HOMICÍDIO QUALIFICADO: Dependendo da motivação do agente, ou
mesmo do meio empregado por ele, pode o delito se tornar qualificado,
fazendo com que sua pena seja consideravelmente mais alta, face à maior
reprovabilidade da conduta. Quando é praticado em sua forma qualificada, ou
quando típico da ação de grupos de extermínio, é considerado como hediondo,
inserindo-se no mesmo rol em que se encontram o estupro, o latrocínio, a
extorsão mediante sequestro, etc. São estes os elementos que qualificam o
homicídio:
a) cometer o crime mediante paga ou promessa de recompensa. A
recompensa não precisa ser real ou financeira (corrente minoritária). Para a
corrente majoritária, essa promessa de recompensa deve ter caráter
econômico e, mesmo que não seja efetivada, o homicídio permanece
qualificado, pois o que importa é a motivação do crime;
b) cometer o crime por motivo torpe; Cometer o crime por motivo fútil, que
caracteriza-se pelo homicídio como resposta a uma situação
desproporcionalmente pequena, como por exemplo, matar alguém porque a
vitima estava falando alto;
c) empregar veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso
ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum. Ressalte-se que existe a
tortura com morte preterdolosa, que não é um tipo de homicídio qualificado;
d) cometer homicídio à traição, de emboscada ou mediante dissimulação ou
outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
e) cometer o crime para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade
ou vantagem de outro crime, o chamado homicídio por conexão.
SUJEITO ATIVO: Nos crimes desse tópico “crimes contra a vida”, podemos
considerar como sujeito ativo qualquer pessoa, é o que chamamos de crime
comum. Diferente do que ocorre nos crimes próprios, em que só podem ser
praticados por determinadas pessoas, por exemplo; “crimes praticados por
funcionários públicos”, nesses tipos, somente o funcionário público, em regra,
poderá ser considerado sujeito ativo dos crimes ali considerados.
O homicídio admite co-autoria e participação.
� Co-autoria: Ocorre quando duas ou mais pessoas praticam a conduta
descrita no tipo.
� Participação: Ocorre quando o sujeito não comete qualquer conduta
descrita no tipo, mas de alguma forma contribui para o crime. Exemplo: Aquele
que empresta a arma ou incentiva a prática do crime. Para que exista co-
autoria e participação, é necessário o chamado liame subjetivo, ou seja, a
ciência por parte dos envolvidos de que estão colaborando para um fim
comum.
Autoria colateral ocorre quando duas ou mais pessoas querem cometer o
mesmo crime e agem ao mesmo tempo, sem que uma saiba da intenção da
outra, e o resultado morte decorre da conduta de um só agente, que é
identificado no caso concreto. O que for identificado responderá por homicídio
consumado e o outro por tentativa.
SUJEITO PASSIVO: Qualquer ser humano após seu nascimento e desde
que esteja vivo, pode ser considerado sujeito passivo do crime de homicídio.
Crime impossível: Tem a finalidade de afastar a tentativa por absoluta
impropriedade do meio ou do objeto. Há crime impossível por absoluta
impropriedade do objeto na conduta de quem tenta tirar a vida de pessoa já
morta e, neste caso, não há tentativa de homicídio, ainda que o agente não
soubesse que a vítima estava morta. Haverá também crime impossível, mas
por absoluta ineficácia do meio, quando o agente usa, por exemplo, arma de
brinquedo ou bala de festim.
Consumação: Dá-se no momento da morte (crime material). A morte ocorre
quando cessa a atividade encefálica (Lei da Doação de Órgãos). A prova da
materialidade se faz por meio do laudo de exame necroscópico assinado por
dois legistas, que devem atestar a ocorrência da morte e se possível as suas
causas.
Elemento subjetivo
• Dolo direto: Ocorre quando a pessoa quer o resultado.
• Dolo eventual: Ocorre quando a pessoa não quer, mas assume o risco
de produzir o resultado.
PARTE ESPECIAL
TÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A VIDA
Homicídio simples
Art 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de
relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação
da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço.
Causa de diminuição de pena (redução de 1/6 a 1/3, em todas as hipóteses).
Apesar de o parágrafo trazer a expressão “pode”, trata-se de uma
obrigatoriedade, para não ferir a soberania dos veredictos. O privilégio é votado
pelos jurados e, se reconhecido o privilégio, a redução da pena é obrigatória,
pois do contrário estaria sendo ferido o princípio da soberania dos veredictos.
Trata-se, portanto, de um direito subjetivo do réu.
Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por
outro motivo torpe;
II - por motivo futil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia,
tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa
resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação
ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa
do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade
ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Na paga ou promessa de recompensa, há a figura do mandante e do
executor. Ambos respondem pela forma qualificada. Também chamado de
homicídio mercenário.
A paga é prévia em relação à execução. Na promessa de recompensa, o
pagamento é posterior à execução. Mesmo se o mandante não a cumprir,
existirá a qualificadora para os dois.
Motivo torpe: Demonstra a maldade do sujeito em relação ao motivo do
delito. É o motivo vil, repugnante. Ex: matar o pai para ficar com herança; matar
a esposa porque ela não quer manter relação sexual. O ciúme não é
considerado motivo torpe. A vingança será considerada, ou não, motivo torpe
ou fútil dependendo do que a tenha originado.
Motivo fútil: Matar por motivo de pequena importância, insignificante.
Exemplo: matar por causa de uma fechada no trânsito. A ausência de prova,
referente aos motivos do crime, não permite o reconhecimento dessa
qualificadora. Ciúme não caracteriza motivo fútil. A existência de uma
discussão “forte”, precedente ao crime, afasta o motivo fútil, ainda que a
discussão tenha se iniciado por motivo de pequena importância, pois entende-
se que a causa do homicídio foi a discussão e não o motivo anterior que a
havia originado.
Traição: Aproveitar-se da prévia confiança que a vítima deposita no agente
para alvejá-la (Ex: amizade, relação amorosa etc).
Emboscada ou tocaia: Aguardar escondido a passagem da vítima por um
determinado local para matá-la.
Dissimulação: Uso de artifício para se aproximar da vítima.
Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é culposo:
Pena - detenção, de um a três anos.
Entre as modalidades de crimes culposos, nos quais estariam situados os
atos denominados erros médicos, há aqueles em que o agente deu
causa ao
resultado por imprudência (prática de ato perigoso), negligência (falta de
precaução), ou imperícia (falta de aptidão técnica teórica ou prática).
A imprudência se caracteriza por uma conduta comissiva, é a ausência do
devido cuidado consubstanciada numa ação é, pois, a realização de um ato (no
caso dos médicos, um ato médico) sem a devida previdência.
A negligência é, por seu turno, a ausência de cuidado razoável exigido.
Trata-se, em verdade, da omissão da conduta esperada e recomendável. O
médico que não realiza o necessário e preventivo cuidado para proceder a uma
cirurgia, vindo, por conseguinte, em razão desta omissão do dever de cautela,
a causar um mal ao paciente, age negligentemente.
A imperícia é, a falta da competente análise e da observação das normas
existentes para o desempenho da atividade. É o despreparo profissional, o
desconhecimento técnico da profissão.
• Imprudência: Consiste numa ação, conduta perigosa.
• Negligência: É uma omissão quando se deveria ter tomado um certo
cuidado.
• Imperícia: Ocorre quando uma pessoa não possui aptidão técnica para a
realização de uma certa conduta e mesmo assim a realiza, dando causa a
morte.
Culpa concorrente: Ocorre quando duas pessoas agem de forma culposa,
provocando a morte de um terceiro. Ambos respondem pelo crime. O fato da
vítima também ter agido com culpa não exclui a responsabilidade do agente.
Não há compensação de culpas em Direito Penal.
Aumento de pena
§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3
(um terço), se o crime resulta de inobservância de regra
técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa
de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir
as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão
em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é
aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado
contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60
(sessenta) anos.
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá
deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração
atingirem o próprio agente de forma tão grave que a
sanção penal se torne desnecessária.
No caso do §4º, o aumento de pena só se aplica a quem agiu com culpa e
não socorreu. Não se aplica o aumento:
• Se a vítima está evidentemente morta;
• Se a vítima foi socorrida de imediato por terceiro;
• Quando o socorro não era possível por questões materiais, ameaça de
agressão, etc.
Na imperícia o agente não possui aptidão técnica para a conduta, enquanto
na causa de aumento o agente conhece a técnica, mas por descaso, desleixo,
não a observa, provocando assim a morte.
O Juiz poderá conceder o perdão judicial, deixando de aplicar a pena,
quando as conseqüências do crime atingirem o próprio agente de forma tão
grave que a imposição da mesma se torne desnecessária. Só na sentença é
que poderá ser concedido o perdão judicial.
Tem natureza declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo seus
efeitos.
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou
prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se
consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa
de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
Parágrafo único - A pena é duplicada:
Aumento de pena
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer
causa, a capacidade de resistência.
Suicídio é a supressão voluntária e consciente da própria vida. Havendo
violência ou grave ameaça, o crime será de homicídio. A violência ou grave
ameaça exclui a voluntariedade e, por conseqüência, o suicídio. O autor da
coação responderá por homicídio. A fraude exclui a consciência quanto ao
suicídio, portanto ocorrerá homicídio, respondendo o autor da fraude por esse
delito.
• Induzir: Dar a idéia a alguém que ainda não tinha pensado em suicídio,
ou seja, criar a idéia de suicídio na cabeça da vítima.
• Instigar: Reforçar a idéia suicida preexistente.
• Auxiliar: Participação material, já que o agente colabora com a própria
prática do suicídio. Ex: emprestar corda, arma, veneno etc. O auxílio deve ser
acessório, ou seja, não poderá ser a causa direta da morte, pois, se for, o crime
será de homicídio.
• O induzimento e a instigação são formas de participação moral,
enquanto o auxílio é forma de participação material.
• Induzir, instigar e prestar auxílio à mesma vítima: O crime será único
quando o agente realizar mais de uma conduta, pois trata-se de crime de ação
múltipla ou de conteúdo variado, ou ainda, tipo misto alternativo.
Motivo Egoístico: Se o auxílio ao suicídio foi feito por motivo egoístico
(proveito para o agente) – a pena é aumentada (duplica). Ex: Zezinho dá arma
à Maria para que ela se suicide, pois com sua morte, Zezinho receberá a
herança.
Vítima Menor (vítima maior de 14 e menor de 18 anos): pena aumentada.
Se a vítima tinha alguma capacidade de resistir à idéia de suicídio, é crime de
auxílio ao suicídio, caso contrário pode ser considerado homicídio.
Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o
próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Objeto jurídico: A vida do neonato.
Sujeito ativo: A mãe.
Sujeito passivo: O neonato
Elementares do Crime: Matar: aplicam-se as regras do homicídio quanto a
esse verbo (consumação, tentativa etc.).
� Estado puerperal: Alteração psíquica que acontece em grande número
de mulheres em razão de alterações orgânicas decorrentes do fenômeno do
parto. Tem de ser provado por perícia médica, mas, se os médicos ficarem em
dúvida sobre sua existência e o laudo for inconclusivo, será presumido o
estado puerperal, aplicando-se o in dubio pro reo.
� Próprio filho: É o sujeito passivo, nascente ou recém nascido.
Durante ou logo após o parto: Este é o elemento temporal, ou seja, o crime
só poderá ser praticado em um determinado momento. Considera-se início do
parto a dilatação do colo do útero, e fim do parto, o nascimento. A expressão
“logo após” variará conforme o caso concreto, pois a duração do estado
puerperal difere de uma mulher para outra. Alguns doutrinadores acreditam que
o estado puerperal são de 7 dias, outros; 8 dias, alguns acreditam em até 40
dias, porém a corrente mais aceita é a que defende a duração do estado
puerperal se dá até que os efeitos deste estado estejam se produzindo.
(devendo ser realizada perícia médica na mãe).
Algumas hipóteses especiais:
1) Se, em decorrência do estado puerperal a mulher vem a ser portadora de
doença mental, causando a morte do próprio filho, aplica-se o art. 26 “caput”
CP: exclusão de culpabilidade pela imputabilidade causada pela doença
mental.
2) Se, em conseqüência da influência do estado puerperal, a mulher vem a
sofrer simplesmente perturbação da saúde mental, que não lhe retire a inteira
capacidade de entendimento e de autodeterminação, aplica-se o disposto no
art. 26, parágrafo único do Código Penal. Neste caso, desde que se prove
tenha sido portadora de uma perturbação psicológica patológica, como delírio
ou psicose, responde por infanticídio com pena atenuada.
3) É possível que, em conseqüência do puerpério, a mulher venha a sofrer
uma simples influência psíquica, que não se amolde à regra do art. 26,
parágrafo único do Código Penal. Neste caso, responde pelo delito de
infanticídio, sem atenuação da pena.
Assim, se o puerpério não causa nenhuma perturbação psicológica na
mulher, matando o próprio filho, pratica crime de homicídio. Entretanto, é
possível que o estado puerperal cause na mulher uma perturbação psicológica
de natureza patológica. Nesta hipótese, é
preciso distinguir. Se essa
perturbação psíquica constitui doença mental, está isenta de pena nos termos
do art. 26 “caput”. Se a perturbação psíquica não lhe retira a inteira capacidade
de entender e de querer, responde pelo delito de infanticídio, porém com a
pena atenuada, em face do art. 26, parágrafo único, do estatuto penal.
Aborto provocado pela gestante ou com seu
consentimento
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que
outrem lho provoque:
Pena - detenção, de um a três anos.
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da
gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da
gestante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a
gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou
débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante
fraude, grave ameaça ou violência
Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores
são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do
aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a
gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe
sobrevém a morte.
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido
de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu
representante legal.
Aborto é a interrupção da gravidez com a conseqüente morte do feto. O
aborto pode ser natural, acidental ou provocado.
O aborto criminoso traz duas figuras que punem a mulher grávida. São dois
casos de crime próprio, sendo o sujeito passivo sempre o feto.
• Auto-aborto: Praticar aborto em si mesma.
• Aborto consentido: Consentir que terceiro provoque aborto. O terceiro
responderá pelo art. 126, que contém pena maior. Esta é uma exceção à regra
de que todos que colaboram para um crime respondem nos mesmos termos de
seu autor principal (exceção à teoria monista ou unitária. É uma exceção
expressa).
A pena para quem provoca aborto com o consentimento da gestante é de
um a quatro anos. Se ocorrer a morte da gestante, de dois a oito anos. O
aumento é aplicável na hipótese de morte culposa, porque, se o agente tinha
dolo em relação ao aborto e em relação à morte, haverá dois crimes
autônomos (aborto e homicídio). O crime do art. 126 do Código Penal
pressupõe que a autorização da mulher dure até a consumação do aborto.
Forma qualificada: Se a gestante sofre lesão grave, a pena é aumentada
em um terço. Se a gestante morre, a pena é aumentada em dobro. Só vale
para o aborto praticado por terceiro, consentido ou não pela gestante (artigos
125 e 126).
Aborto Legal – Art. 128 do Código Penal: Prevê duas hipóteses em que a
provocação do aborto é permitida. Natureza jurídica: Causa de exclusão de
ilicitude.
1) Aborto necessário. Não se exige risco atual, como no estado de
necessidade. Ante a simples constatação de que no futuro haverá perigo,
poderá o aborto ser realizado desde logo. Havendo perigo atual, o aborto pode
ser praticado por qualquer pessoa, aplicando-se nesse caso o estado de
necessidade. Requisitos:
• Que seja feito por médico;
• Que não haja outro meio para salvar a vida da gestante.
2) Aborto sentimental. Requisitos:
• Que seja feito por médico;
• Que a gravidez tenha resultado de estupro;
• Que haja o consentimento da gestante ou, se incapaz, de seu
representante legal.
10.2 DAS LESÕES CORPORAIS
Ofensa à integridade corporal consiste no dano anatômico prejudicial ao
corpo humano. Exemplo: Corte, queimadura, mutilações etc.
Ofensa à saúde é a provocação de perturbações de caráter psicológico e/ou
fisiológico. Exemplo: transmitir intencionalmente uma doença, paralisia
momentânea etc.
A provocação de mais de uma lesão em um mesmo contexto caracteriza
crime único.
LESÕES CORPORAIS LEVES: São as lesões corporais que não
determinam as conseqüências previstas nos §§ 1°, 2° e 3°, do art. 129 do CP;
São representadas freqüentemente por danos superficiais comprometendo a
pele, a hipoderme, os vasos arteriais e venosos capilares ou pouco calibrosos.
Ex: O desnudamento da pele ou escoriação, o hematoma, ferida contusa,
luxação, edema, torcicolo traumático
LESÕES CORPORAIS GRAVES: São os danos corporais resultantes das
conseqüências previstas pelo § 1°:
� Incapacidade para as ocupações habituais por + de 30 dias – ocorre
quando o ofendido não pode retornar a todas as suas comuns atividades
corporais antes de transcorridos 30 dias, contados da data da lesão; a
incapacidade não precisa ser absoluta, basta que a lesão caracterize perigo ou
imprudência no exercício das ocupações habituais por mais de 30 dias. Exame
complementar – é um segundo exame pericial que se faz logo que decorra o
prazo de 30 dias, contado da data do crime e não da respectiva lavratura do
corpo de delito, para avaliar o tempo de duração da incapacidade; quando
procedido antes do trintídio é suposto imprestável, pois aberra do texto legal;
se realizado muito tempo depois de expirado o prazo de 30 dias ele será
imprestável, impondo-se, por isso, a desclassificação para o dano corporal
mais leve (exceção: quando os peritos puderem verificar permanência da
incapacidade da vítima para as suas ocupações habituais - ex: detecção
radiológica de calo de fratura assestado em osso longo, posto que essa
modalidade de lesão traumática sempre demanda mais de 30 dias para
consolidar); existe outras formas de exame complementar que não a que se faz
para verificar a permanência da inabilitação por mais de 30 dias, como a
investigação levada a efeito a qualquer tempo, para corrigir ou complementar
laudo anterior, ou logo após um ano da data da lesão, objetivando pesquisar
permanência da mesma.
� Perigo de vida – é a probabilidade concreta e objetiva de morte (não
pode nunca ser suposto, nem presumido, mas real, clínica e obrigatoriamente
diagnosticado); é a situação clínica em que resultará a morte do ofendido se
não for socorrido adequadamente, em tempo hábil; ele se apresenta como um
relâmpago, num átimo, ou no curso evolutivo do dano, desde que seja antes do
trintídio - ex.: hemorragia por seção de vaso calibroso, prontamente coibida;
feridas penetrantes do abdome.
� Debilidade permanente de membro, sentido (são as funções perceptivas
que permitem ao indivíduo contatar os objetos do mundo exterior) ou função (é
o modo de ação de um órgão, aparelho ou sistema do corpo) – é a lesão
conseqüente à fraqueza, à debilitação, ao enfraquecimento duradouro, mas
não perpétuo ou impossível de tratamento ortopédico, do uso da energia de
membro, sentido ou função, sem comprometimento do bem-estar do
organismo, de origem traumática; por permanente entende-se a fixação
definitiva da incapacidade parcial, após tratamento rotineiro que não logra o
resultado almejado, resultando, portanto, verdadeira enfermidade; a ablação ou
inutilização de um órgão duplo, mantido o outro íntegro e não abolida a função,
constitui lesão grave (debilidade permanente);
� Aceleração de parto – consiste na antecipação quanto à data ou ocasião
do parto, mas necessariamente depois do tempo mínimo para a possibilidade
de vida extra-uterina e desencadeada por traumatismos físicos ou psíquicos;
na aceleração do parto, o concepto deve nascer vivo e continuar com vida,
dado o seu grau de maturação; no aborto, o concepto é expulso morto, ou sem
viabilidade, se sobreviver.
LESÕES CORPORAIS GRAVÍSSIMAS: São os danos corporais resultantes
das conseqüências previstas pelo
§ 2°:
� Incapacidade permanente para o trabalho – é caracterizada pela
inabilitação ou invalidez de duração incalculável, mas não perpétua, para todo
e qualquer trabalho.
� Enfermidade incurável – é a ausência ou o exercício imperfeito ou
irregular de determinadas funções em indivíduo que goza de aparente saúde.
� Deformidade permanente – é o dano estético irreparável pelos meios
comuns, ou por si mesmo, capaz de provocar sensação de repulsa no
observador, sem contudo atingir o aspecto de coisa horripilante, mas que
causa complexo ou interfira negativamente na vida social ou econômica do
ofendido.
� Perda ou inutilização do membro, sentido ou função.
� Aborto.
CAPÍTULO II
DAS LESÕES CORPORAIS
Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de
outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de
trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2° Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que
o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de
produzí-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Diminuição de pena
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de
relevante valor social ou moral ou sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação
da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço.
Substituição da pena
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda
substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos
mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Lesão corporal culposa
§ 6° Se a lesão é culposa:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Aumento de pena
§ 7º - Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer
qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º.
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art.
121.
Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de
2004)
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente,
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se
as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo,
aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será
aumentada de um terço se o crime for cometido contra
pessoa portadora de deficiência.
10.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
Expor alguém a perigo significa criar ou colocar a vítima em uma situação de
perigo de dano. Trata-se de crime de ação livre, que admite qualquer forma de
execução: “fechar” veículo, abalroar o veículo da vítima, desferir golpe com
instrumento contundente próximo à vítima etc.
O crime em análise pode também ser cometido por omissões como, por
exemplo, o caso de patrão que não fornece aparelhos de proteção a seus
funcionários, desde que disso resulte situação concreta de perigo, já que o não
cumprimento das normas de segurança, visto por si só, caracteriza
contravenção penal.
É necessário, ainda, que o perigo seja:
• Direto: Aquele que atinge pessoa(s) certa(s) e determinada(s). Trata-se,
pois, de crime de perigo concreto, uma vez que exige prova de que o agente
objetivava efetuar a conduta contra uma ou mais pessoas determinadas. Se o
agente visa número indeterminado de pessoas, haverá crime de perigo comum
previsto nos arts. 250 e seguintes do Código Penal.
• Iminente: Aquele que pode provocar imediatamente o dano; É o perigo
imediato.
Ao tratar da pena desse delito, o legislador estabeleceu uma hipótese de
subsidiariedade expressa, porque a lei diz que o agente somente responderá
pelo art. 132 do Código Penal “se o fato não constitui crime mais grave”.
A Lei n. 9.777/98 acrescentou um parágrafo único ao art. 132,
estabelecendo uma causa de aumento de pena, de um 1/6 a um 1/3, se a
exposição da vida ou da saúde de outrem decorrer do transporte da pessoa
para a prestação de serviços em estabelecimento de qualquer natureza, em
desacordo com as normas legais.
É inegável que a finalidade do dispositivo é apenar mais gravemente os
responsáveis pelo transporte de trabalhadores rurais (bóias-frias) que o fazem
sem os cuidados necessários para evitar acidentes com vítimas. Pelo texto da
lei, somente haverá aumento de pena se houver desrespeito às normas legais
destinadas a garantir a segurança. Essas normas estão descritas no Código de
Trânsito Brasileiro. O aumento da pena pressupõe também a ocorrência de
perigo concreto.
CAPÍTULO III
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
Perigo de contágio venéreo
Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou
qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea,
de que sabe ou deve saber que está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º - Somente se procede mediante representação.
Perigo de contágio de moléstia grave
Art. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem
moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de
produzir o contágio:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo
direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não
constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um
terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a
perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação
de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza,
em desacordo com as normas legais.
Abandono de incapaz
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado,
guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo,
incapaz de defender-se dos riscos resultantes do
abandono:
Pena - detenção, de seis meses a três anos.
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza
grave:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Aumento de pena
§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de
um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge,
irmão, tutor ou curador da vítima.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos
Exposição ou abandono de recém-nascido
Art. 134 - Expor ou abandonar recém-nascido, para
ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Omissão de socorro
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível
fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou
extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo
ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses
casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da
omissão resulta
lesão corporal de natureza grave, e
triplicada, se resulta a morte.
Maus-tratos
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob
sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-
a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer
sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer
abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é
praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos.
10.4 DA RIXA
A rixa é um crime de concurso necessário (crime plurissubjetivo), mas com a
característica especial de ser concurso necessário de condutas contrapostas,
diferente da maioria dos crimes de concurso necessário, nos quais as condutas
são convergentes (ex: art. 288, CP, bando ou quadrilha). Desnecessário dizer
que, para a sua existência, é imperioso que haja mais de 2 (dois) participantes,
do contrário teríamos apenas vias de fato ou lesões corporais recíprocas,
dependendo do dolo, pois, nessas condutas, com apenas 2 (dois) participantes,
é possível individualizar-se perfeitamente as suas condutas e apurar as
responsabilidades de cada autor. Também é possível, para se configurar o
número mínimo de participantes para o delito de rixa, a inclusão de
inimputáveis, entretanto o inimputável não será, é claro, considerado rixoso,
mas ao menos um dos rixosos deve ser imputável. Devendo-se excluir, no
entanto, as pessoas que, porventura, venham a separar ou tentar separar os
rixosos.
CAPÍTULO IV
DA RIXA
Rixa
Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os
contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de
natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na
rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
10.5 DOS CRIMES CONTRA A HONRA
O conceito de honra abrange tanto aspectos objetivos como subjetivos, de
maneira que, aqueles representariam o que terceiros pensam a respeito do
sujeito – sua reputação, enquanto estes representariam o juízo que o sujeito
faz de si mesmo – seu amor próprio.
A calúnia consiste em atribuir falsamente à alguém a responsabilidade pela
prática de um fato determinado definido como crime .
A difamação, por sua vez, consiste em atribuir à alguém fato determinado
ofensivo à sua reputação . Assim, se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado
semana passada, constitui crime de difamação.
A injúria, de outro lado, consiste em atribuir à alguém qualidade negativa,
que ofenda sua dignidade ou decoro . Assim, se “A” chama “B” de ladrão,
constitui crime de injúria.
A calúnia se aproxima da difamação por atingirem a honra objetiva de
alguém, por meio da imputação de um fato, por se consumarem quando
terceiros tomarem conhecimento de tal imputação e por permitirem a retratação
total, até a sentença de 1a Instância, do querelado (como a lei se refere apenas
a querelado, a retratação somente gera efeitos nos crimes de calúnia e
difamação que se apurem mediante queixa, assim , quando a ação for pública,
como no caso de ofensa contra funcionário público, a retração não gera efeito
algum). Porém se diferenciam pelo fato da calúnia exigir que a imputação do
fato seja falsa, e ,além disso, que este seja definido como crime, o que não
ocorre na difamação.
Assim, se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado semana passada, pouco
importa, se tal fato é verdadeiro ou não, afinal, o legislador quis deixar claro
que as pessoas não devem fazer comentários com outros acerca de fatos
desabonadores de que tenham conhecimento sobre essa ou aquela pessoa.
A difamação se distingue da injúria , pois a primeira é a imputação à alguém
de fato determinado, ofensivo à sua reputação, honra objetiva, e se consuma,
quando um terceiro toma conhecimento do fato, diferentemente da segunda em
que não se imputa fato, mas qualidade negativa, que ofende a dignidade ou o
decoro de alguém, honra subjetiva, além de se consumar com o simples
conhecimento da vítima . Assim, se “A” diz que “B” é ladrão, estando ambos
sozinhos dentro de uma sala, não há necessidade de que alguém tenha
escutado e consequentemente tomado conhecimento do fato para se constituir
crime de injúria.
CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato
definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a
imputação, a propala ou divulga.
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada,
o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas
no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o
ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
Difamação
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à
sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se
admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é
relativa ao exercício de suas funções.
Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o
decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou
diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra
injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato,
que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se
considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além
da pena correspondente à violência.
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a
condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:
Pena - reclusão de um a três anos e multa.
Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-
se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de
governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da
injúria.
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou
portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga
ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro.
Exclusão do crime
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa,
pela parte ou por seu procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou
científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar
ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário
público, em apreciação ou informação que preste no
cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela
injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.
Retratação
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata
cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de
pena.
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere
calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido
pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a
dá-las ou, a critério do juiz, não as
dá satisfatórias,
responde pela ofensa.
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se
procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art.
140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do
Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art.
141 deste Código, e mediante representação do ofendido,
no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso
do § 3o do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei
nº 12.033. de 2009)
10.6 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
Os crimes, objeto do Capítulo VI do Código Penal (CP), subdividem-se em:
crimes contra a liberdade pessoal; contra a inviolabilidade de domicílio, da
correspondência e de segredos.
A liberdade é direito assegurado expressamente pela Constituição Federal e
previsto como a possibilidade de cada ser humano se auto determinar.
O crime de constrangimento ilegal é previsto no art. 146 do CP, trata-se de
crime sui generis pois independentemente do meio obtido ou utilizado para
perpetrar a privação de liberdade, este será punido de forma unitária.
Se, no entanto, ocorre a vis corporalis com resultado lesivo à vítima, dá-se
evidentemente o concurso material de crimes. Constranger significa forçar
alguém a fazer alguma coisa ou tolher seus movimentos para que deixe de
fazer.
A pena é agravada se na execução houver a reunião de mais de três
pessoas ou tiver havido emprego de armas. Não configura tal crime, o
tratamento médico arbitrário se justificado por iminente perigo de vida, e a
coação exercida para impedir o suicídio.
Trata-se de crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa. Se
o agente criminoso é funcionário público, no exercício de suas funções, é
responsabilizado por outros delitos.
Como vítima, é necessário que o agente possua capacidade de querer
constranger, ficando excluídos os doentes mentais, os menores, o ébrio total e
contumaz, as pessoas por qualquer motivo inconscientes.
Podem tais pessoas serem objeto do crime praticado contra seus
representantes legais. A conduta típica no art. 146 do CP é a de coagir, impelir,
compelir, não é a de tolerar que se faça alguma coisa.
A coação pode constituir-se de violência direta ou imediata (vias de fato,
lesões corporais) como também a indireta ou mediata, utilizando o agente de
ameaça ou qualquer outro meio como bebida alcoólica, narcótico para o
constrangimento.
Não há ilicitude no caso de coação juridicamente justificada como é o caso
de estrito cumprimento do dever legal. É ilícito o constrangimento destinado a
obstar um ato imoral que não seja ilícito. È indispensável o nexo causal entre o
emprego da violência ou da grave ameaça ou qualquer outro meio e o
resultado, ou seja, a submissão do ofendido.
O tipo subjetivo corresponde ao dolo, ou seja, a vontade de coagir. Não
existe a forma culposa.
Diferentemente da ameaça na qual o medo é o próprio objetivo do agente
criminoso, no constrangimento ilegal o medo é meio através do qual se alcança
o fim almejado, subjugando-se a vontade da vítima e a obrigando-a a fazer
aquilo a que foi constrangida.
Considera-se o crime de constrangimento ilegal consumado quando o
ofendido faz ou deixa de fazer o que não deseja em virtude de conduta do
agente. Estará caracterizada a tentativa quando apesar da violência , ameaça
ou quaisquer outro meios empregados, a vítima não se submete a vontade do
agente criminoso.
O tipo previsto no art. 146 CP é tipicamente subsidiário, só ocorrendo
quando o ato não constitui ilícito mais grave (como roubo, extorsão, estupro,
desobediência). No caso de atuar o agente com o fim de obter o que poderia
ser conseguido por meios legais, haverá o crime de exercício arbitrário das
próprias razões que absorve a prática do crime de constrangimento ilegal.
CAPÍTULO VI
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
SEÇÃO I
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL
Constrangimento ilegal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por
qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não
fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Aumento de pena
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro,
quando, para a execução do crime, se reúnem mais de
três pessoas, ou há emprego de armas.
§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as
correspondentes à violência.
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o
consentimento do paciente ou de seu representante legal,
se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.
Na conceituação do crime de ameaça (art. 147 do CP) não é preciso que o
mal prometido constitua crime, bastando que seja injusto e grave. Não é
somente incriminada a ameaça verbal ou por escrito, mas também a ameaça
real ou a simbólica.
A ameaça é crime comum e conforme as circunstâncias pode caracterizar o
abuso de autoridade. A vítima pode ser qualquer pessoa apta a entender a
ameaça, restando sujeita à intimidação.
Ameaçar significa intimidar, anunciar ou prometer castigo ou malefício, a
denominada violência moral. Nada impede também a ameaça a distância (por
telefone, e-mail, e, etc) ou transmitida à vítima por terceiro. Relevante é que a
ameaça deva ser idônea e capaz de abalar a tranqüilidade psíquica da vítima.
O mal prometido há de ser grave, sério e apto a intimidar, a atemorizar a
vítima. Leva-se em consideração também as condições pessoais do ofendido
(sua idade, sexo, cultura, compleição física e estado psíquico) que pode ou não
determinar que seja intimidade efetivamente pelo agente criminoso.
Ameaça
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto,
ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal
injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante
representação.
O seqüestro e o cárcere privado previstos no art. 148 CP apresenta como
núcleo do tipo o significado de tolher, impedir, tirar o gozo da liberdade,
desapossar. É uma restrição ao direito de ir e vir no aspecto físico e, não no
intelectual.
Exige-se a situação de permanência, tanto assim que é doutrinariamente
classificado como delito permanente (ou seja, aquele que se consome e se
prolonga no tempo).
Se ocorre a conduta instantânea de impedir que alguém faça alguma coisa
que a lei lhe autoriza concretizar, segurando-a por alguns minutos, configura o
delito de constrangimento ilegal. O elemento subjetivo do tipo é o dolo, não
existindo a forma culposa.
O seqüestro é a conduta gênero da qual é espécie o cárcere privado. Manter
alguém em cárcere privado é o mesmo que encerrá-la em uma prisão ou cela,
ou recinto fechado, isolando-a, sem a possibilidade de livre locomoção.
A redução a condição análoga à de escravo é definido no art. 149 do CP
também chamado de delito de plágio. Plágio é a sujeição de uma pessoa ao
domínio de outra. Não se trata de o sujeito submeter a vítima a escravidão. É
situação similar a de escravo apenas. O tipo penal visa a um estado de fato e,
não a uma situação jurídica.
A norma incriminadora não faz nenhuma restrição ou exigência à qualidade
pessoal do autor ou do ofendido. Só é punível a título de dolo que consiste na
vontade de exercer domínio, sobe outra pessoa, suprimindo-lhe a liberdade
fática embora ainda possua a liberdade jurídica.
Tal delito atinge o momento consumativo quando o agente criminoso
efetivamente reduz a vítima à condição similar a de escravo. Admite-se no
entanto a tentativa.
Seqüestro e cárcere privado
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante
seqüestro
ou cárcere privado:
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou
companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos;
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima
em casa de saúde ou hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito)
anos;
V – se o crime é praticado com fins libidinosos.
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da
natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Redução a condição análoga à de escravo
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de
escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a
jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer
meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o
empregador ou preposto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da
pena correspondente à violência.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte
do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho;
I – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se
apodera de documentos ou objetos pessoais do
trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é
cometido:
I – contra criança ou adolescente;
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião
ou origem.
Sob a rubrica de “crimes contra a inviolabilidade do domicílio”, na verdade
temos apenas a descrição de um só delito previsto no art. 150 CP. Apesar de
possuir formas simples e qualificadas descritas nos parágrafos primeiro e
segundo do respectivo artigo do Código Penal Brasileiro, não constituem
crimes autônomos, mas simplesmente tipos de uma figura central, que é a
violação de domicílio.
Aliás, a norma penal vem sancionar o Direito Constitucional que através da
Carta Magna vigente prevê expressamente que “a casa é asilo inviolável do
indivíduo (...) “em seu art. 5º, XI, (...) salvo em caso de flagrante delito ou
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
Tal tipo penal não protege a posse nem a propriedade e, sim a tranqüilidade
doméstica. Tanto assim que não constitui crime a entrada ou permanência em
casa alheia desabitada.
É possível portanto a pluralidade de domicílios. O legislador penal procurou
proteger o lar, a casa, quer seja um barraco, quer seja uma luxuosa mansão.
Diferentemente porém, a esposa que na ausência do marido, permite o
ingresso do amante na residência, esta não comete o delito pois conforme os
termos do art. 226, § 5º, da CF/88 encontra-se em igualdade jurídica em
relação ao marido, podendo a esposa anuir com a entrada do amante. De sorte
que o consentimento do ofendido exclui o crime (RTJ 47/734).
Entretanto, sendo condomínio fechado existe a violação de domicílio no caso
de ocorrer a entrada não autorizada em partes que são individualizadas. Se um
condômino permite e, outro proíbe, aplica-se o princípio de que melhor é a
condição de quem proíbe.
Restará ao violador que agiu de boa fé, demonstrar que não praticou a
violação domiciliar com dolo.
Casa significa qualquer compartimento habitado, ainda no caso de habitação
coletiva, compartimento não aberto ao público, onde alguém pode exercer
profissão ou atividade laboral.
É preciso observar que o tipo penal não descreve qualquer conseqüência da
entrada ou permanência. É delito instantâneo na modalidade “entrar”, já na de
“permanecer” é crime permanente. Não se trata de crime subsidiário.
O art. 150 do CP prevê forma qualificada se cometida a violação domiciliar
durante a noite, ou em lugar ermo ou com emprego de violência ou de arma, ou
por duas ou mais pessoas, a pena é de detenção de 6 (seis) meses a 2(dois)
anos, além da correspondente à violência.
O emprego de violência também qualifica o crime, é tanto a exercida contra
a pessoa quanto a coisa. Diferentemente o art. 157 CP que prevê
expressamente a violência contra a pessoa.
É lícita a entrada ou permanência em casa alheia, a qualquer hora do dia ou
da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o
ser.
Não há violação de domicílio quando o fato é cometido em estado de
necessidade, legítima defesa e o exercício regular de direito. Presente o
consentimento do morador, o fato é atípico. A ação penal pública é
incondicionada.
O consentimento de menor é inválido se contraria a vontade do chefe da
família (RT 544/398).
O conceito de domicílio para fins penais não corresponde ao domicílio civil,
mas a casa de moradia, o local reservado à vida íntima do indivíduo ou à sua
atividade privada, seja ou não coincidente com o domicílio (RT 469/411).
SEÇÃO II
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO
DOMICÍLIO
Violação de domicílio
Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou
astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita
de quem de direito, em casa alheia ou em suas
dependências:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
§ 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar
ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou por
duas ou mais pessoas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da
pena correspondente à violência.
§ 2º - Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é
cometido por funcionário público, fora dos casos legais,
ou com inobservância das formalidades estabelecidas em
lei, ou com abuso do poder.
§ 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em
casa alheia ou em suas dependências:
I - durante o dia, com observância das formalidades
legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum
crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.
§ 4º - A expressão "casa" compreende:
I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém
exerce profissão ou atividade.
§ 5º - Não se compreendem na expressão "casa":
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação
coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do
parágrafo anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.
SEÇÃO III
DOS CRIMES CONTRA A
INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA
Violação de correspondência
Art. 151 - Devassar indevidamente o conteúdo de
correspondência fechada, dirigida a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Sonegação ou destruição de correspondência
§ 1º - Na mesma pena incorre:
I - quem se apossa indevidamente de correspondência
alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte, a
sonega ou destrói;
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou
telefônica
II - quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou
utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou
radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica
entre outras pessoas;
III - quem impede a comunicação ou a conversação
referidas no número anterior;
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho
radioelétrico, sem observância de disposição legal.
§ 2º - As penas aumentam-se de metade, se há dano
para outrem.
§ 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função
em serviço postal, telegráfico, radioelétrico ou telefônico:
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 4º - Somente se procede mediante representação, salvo
nos casos do § 1º, IV, e do § 3º.
Correspondência comercial
Art. 152 - Abusar da condição de sócio ou empregado de
estabelecimento comercial ou industrial para, no todo ou
em parte, desviar, sonegar, subtrair ou
suprimir
correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
Parágrafo único - Somente se procede mediante
representação.
SEÇÃO IV
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS
SEGREDOS
Divulgação de segredo
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de
documento particular ou de correspondência confidencial,
de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa
produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º Somente se procede mediante representação.
§ 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas
ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não
nos sistemas de informações ou banco de dados da
Administração Pública:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 2o Quando resultar prejuízo para a Administração
Pública, a ação penal será incondicionada.
Violação do segredo profissional
Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de
que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante
representação.
EXERCÍCIOS
01. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) Tendo em conta o tipo penal do crime
de homicídio (art. 121 do Código Penal: “Matar alguém”), a mãe que
intencionalmente deixa de amamentar a criança, causando-lhe a morte por
inanição, pratica um
(A) crime culposo.
(B) crime omissivo.
(C) crime sem resultado.
(D) crime comissivo por omissão.
(E) fato penalmente atípico.
02. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) No crime de homicídio,
(A) não há incompatibilidade na coexistência de circunstâncias objetivas que
qualificam o crime e as que o tornam privilegiado.
(B) há incompatibilidade na coexistência de quaisquer circunstâncias que
qualificam o crime e as que o tornam privilegiado.
(C) não há incompatibilidade na coexistência de circunstâncias subjetivas
que qualificam o crime e as que o tornam privilegiado.
(D) há incompatibilidade na coexistência de duas ou mais qualificadoras,
ainda que objetivas.
(E) não há incompatibilidade na coexistência de duas qualificadoras de
natureza subjetiva.
03. (FCC – TRF 5ª Região − 2008) José na janela da empresa em que seu
desafeto Pedro trabalhava, gritou em altos bravos que o mesmo era “traficante
de entorpecentes”. Nesse caso, José cometeu crime de
(A) calúnia.
(B) injúria.
(C) difamação.
(D) denunciação caluniosa.
(E) falsa comunicação de crime.
04. (Delegado de Polícia – PC/DF – FUNIVERSA – 2009) Acerca dos
crimes contra a honra, assinale a alternativa correta.
a) Nos crimes de calúnia e difamação, não se admite a retratação.
b) A exceção da verdade, no crime de calúnia, é admitida se, constituindo o
fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por
sentença irrecorrível.
c) É impunível a calúnia contra os mortos.
d) No delito de injúria, o juiz poderá deixar de aplicar a pena se o ofendido,
de forma reprovável, provocou diretamente a injúria.
e) Caso um advogado, na discussão da causa durante uma audiência, acuse
o juiz de prevaricação, o crime de calúnia estará amparado pela imunidade
judiciária.
05. (Magistratura – TRT – 9ª Região – MS CONCURSOS – 2009) Assinale
a proposição incorreta:
a) É punível a calúnia contra os mortos.
b) No delito de difamação, a exceção da verdade somente se admite se o
ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas
funções.
c) A ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu
procurador, não constitui injúria ou difamação punível.
d) A legislação penal admite a retratação nos crimes de calúnia e difamação.
e) A injúria preconceituosa confunde-se com o crime de racismo
06. (Analista Judiciário – TRF – 1ª Região – FCC 2006) A respeito dos
crimes contra a honra, é correto afirmar que
a) é punível a calúnia contra os mortos.
b) constitui difamação punível a ofensa irrogada pela parte em juízo, na
defesa da causa.
c) é isento de pena o querelado que, antes da sentença, se retratar
cabalmente da injúria.
d) a injúria só pode ser cometida por gesto e palavras, nunca pela prática de
vias de fato.
e) admite se a exceção da verdade no crime de injúria, se a vítima for
funcionário público.
07. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2010) João matou seu desafeto
com vinte golpes de faca. Nesse caso,
a) responderá por crime de homicídio tentado e consumado em concurso
material.
b) ocorreu concurso formal de infrações.
c) responderá por vinte crimes de homicídio em concurso material.
d) deve ser reconhecido o crime continuado.
e) responderá por um crime de homicídio.
08. (Técnico do Ministério Público – MPE/SE – FCC – 2009) O agente
arremessou uma granada contra cinco pessoas, ocasionado-lhes a morte.
Nesse caso, ocorreu
a) concurso formal de crimes.
b) crime de perigo concreto.
c) concurso material de crimes.
d) crimes continuados.
e) crime plurissubjetivo.
09. (Magistratura – TJ/PA – FGV – 2009) João Carvalho, respeitado
neurocirurgião, opera a cabeça de José Pinheiro. Terminada a operação, com
o paciente já estabilizado e colocado na Unidade de Tratamento Intensivo para
observação, João Carvalho deixa o hospital e vai para casa assistir ao último
capítulo da novela.
Ocorre que, pelas regras do hospital, João Carvalho deveria permanecer
acompanhando José Pinheiro pelas doze horas seguintes à operação. Como é
um fanático noveleiro, João desrespeita essa regra e pede à Margarida, médica
da sua equipe, que acompanhe o pós-operatório. Margarida é uma médica
muito preparada e tão respeitada e competente quanto João.
Margarida, ao ver José Pinheiro, o reconhece como sendo o assassino de
seu pai. Tomada por uma intensa revolta e um sentimento incontrolável de
vingança, Margarida decide matar aquele assassino cruel que nunca fora
punido pela Justiça, porque é afilhado de um influente político. Margarida
determina à enfermeira Hortência que troque o frasco de soro que alimenta
José, tomando o cuidado de misturar, sem o conhecimento de Hortência, uma
dose excessiva de anti-coagulante no soro. José morre de hemorragia devido
ao efeito do anti-coagulante.
Assinale a alternativa que indique o crime praticado por cada envolvido.
a) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio doloso -
Hortênsia: homicídio culposo.
b) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio doloso -
Hortênsia: não praticou crime algum.
c) João Carvalho: homicídio preterdoloso - Margarida: homicídio culposo -
Hortênsia: homicídio culposo.
d) João Carvalho: não praticou crime algum - Margarida: homicídio doloso -
Hortênsia: não praticou crime algum.
e) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio preterdoloso -
Hortênsia: não praticou crime algum
GABARITO:
01 D
02 A
03 B
04 D
05 E
06 A
07 E
08 A
09 D
11. DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
11.1 DO FURTO
O furto simples é o previsto no caput do artigo 155 do CP: O objeto jurídico é
a propriedade, a posse e a detenção legítima.
O elemento subjetivo é o dolo constante da vontade livre e consciente de
apoderar-se de forma definitiva da coisa alheia móvel.
Sujeitos: ativo, qualquer pessoa, salvo o proprietário; passivo: o proprietário,
o possuidor ou o detentor legítimo.
Objeto material, coisa móvel não abrangendo as presunções da lei civil. Os
direitos não podem ser objeto mas, sim, os títulos que os representam, exige-
se o valor econômico porque é crime material requerendo efetiva lesão ao
patrimônio. Elemento normativo: a coisa deve ser alheia. Coisa que nunca teve
dono (res nullius),
abandonada (res derelicta) e a perdida (res deperdita), não
podem ser objeto de furto, podendo a última ser objeto de apropriação indébita
conforme artigo 169, parágrafo único, inciso II do CP.
Consuma-se com a posse tranqüila da coisa, ou saída da esfera de cuidado
do respectivo dono. Ação penal pública incondicionada. Admite-se a tentativa.
Admite-se o concurso de pessoas, todavia se foi posterior e não prometida
anteriormente ao furto, não existe a co-delinqüência, mas, eventualmente
receptação ou favorecimento real. Se o agente for cônjuge, ascendente ou
descendente do ofendido aí pode ser caso de isenção da pena conforme o
artigo 181 do Código Penal.
Furto noturno. A pena é aumentada de um terço se o furto ocorre durante o
repouso noturno que é bem depois do anoitecer. Deve ocorrer em casa
habitada e cujos moradores estejam repousando. Só aplica-se ao furto simples.
Furto privilegiado. Ocorre quando o autor é primário e a coisa furtada é de
pequeno valor. Preenchidas as condições é direito subjetivo do agente e o Juiz
deve aplicar os benefícios. No furto privilegiado o valor é pequeno e no de
bagatela é inexpressivo, juridicamente irrelevante, tratando-se de causa
supralegal de exclusão da tipicidade. O juiz pode substituir a pena de reclusão
pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a multa.
Aplica-se a todas as figuras inclusive tentadas e às qualificadas e no furto
continuado.
TÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
CAPÍTULO I
DO FURTO
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia
móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é
praticado durante o repouso noturno.
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a
coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão
pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou
aplicar somente a pena de multa.
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou
qualquer outra que tenha valor econômico.
FURTO QUALIFICADO: O artigo 155 §4º define um tipo qualificado.
� Violência contra obstáculo: A violência deve ser empregada antes ou
durante a tirada, mas nunca depois de consumado o furto. É necessário que a
violência seja contra obstáculo, que foi predisposta ou aproveitada pelo homem
para a finalidade especial de evitar a subtração.
� Abuso de confiança: É uma circunstância subjetiva do tipo, além de ser
necessário que o sujeito tenha consciência de que está praticando o fato com
abuso de confiança. Revela maior periculosidade do agente, pois ele não
apenas furta, mas viola a confiança nele depositada.
� Fraude: Qualifica o furto, pois trata-se de um meio enganoso capaz de
iludir a vigilância do ofendido e permitir maior liberdade na subtração do objeto
material.
� Escalada: É o acesso a um lugar por meio anormal de uso anormal,
como por exemplo, subir pelo telhado, usar uma escada, etc. É uma
circunstância objetiva do crime, pois se refere à ação física do crime.
� Destreza: É a habilidade capaz de fazer com que a vitima não perceba a
subtração. Ex: batedor de carteira. O que caracteriza a qualificadora é o meio
empregado.
� Chave falsa: É todo instrumento, com ou sem forma de chave, destinado
a abrir fechaduras, tais como gazuas, grampos, pregos, etc. Se a chave é
encontrada na fechadura, não há furto qualificado, mas furto simples.
� Concurso de pessoas: Exige-se no mínimo a concorrência de 2 ou mais
pessoas na realização do furto, sendo irrelevante que uma delas seja
inimputável, de maneira que o partícipe também comete o crime. Para ocorrer
a agravante basta a existência de 2 pessoas.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa,
se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à
subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude,
escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a
subtração for de veículo automotor que venha a ser
transportado para outro Estado ou para o exterior.
Furto de coisa comum
Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio,
para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a
coisa comum:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
§ 1º - Somente se procede mediante representação.
§ 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível,
cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente.
11.2 DO ROUBO E DA EXTORSÃO
ROUBO:
O crime de roubo se encontra inserido no rol dos crimes contra o patrimônio.
Esse crime possui as mesmas características do furto, porém, possui fatores
que, agregados ao elemento do tipo subtrair, geram um novo tipo penal. Há no
roubo a subtração de coisa alheia móvel, para si ou para outrem, porém com a
existência de grave ameaça ou com o emprego de violência contra a pessoa,
os fatores que empregados fazem com que haja a entrega da coisa, são as
circunstâncias especiais que relevam sua diferença para o furto.
A tutela jurídica oferecida pelo tipo penal do roubo é a de acobertar o
patrimônio contra terceiros. A essência do crime de roubo é a de ser um crime
contra o patrimônio. Porém, convém lembrarmos que este é um crime
complexo, ou seja, tutelam-se, também, a integridade corporal, a liberdade e,
no latrocínio, a vida do sujeito passivo. A proteção normativa se desdobra em
dois planos distintos, porém, de existência vital, pois são feridos dois bens
jurídicos distintos. No primeiro ele visa a proteção do patrimônio contra
eventual subtração por via da iminência da aplicação da sanção penal que, no
tipo em estudo, se revela de alto teor. Em um segundo momento, podemos
verificar que há a tutela à manutenção do estado do corpo-humano, zelando
ora pela sua integridade física ora pela totalidade da existência da vida
humana, evitando que este seja afrontado para obtenção de um bem material
de gradação inferior a vida humana, que se encontra no ápice dos bens nos
quais o direito tutela, conforme corolário constitucional.
O crime de roubo é um crime comum, portanto, qualquer um pode ser o
sujeito ativo. Porém, quanto ao sujeito passivo não há um liame necessário
entre o ato ofensivo e a pessoa que seja seu possuidor, detentor ou
proprietário. A violência pode ser utilizada contra um terceiro, com vistas a
obter o bem de um outro. Mas ambos serão vítimas do crime de roubo.
EXTORSÃO:
Define-se o delito de extorsão comum no art. 158, que é constranger alguém
mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para
outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar, que se faça ou deixa de
fazer alguma coisa. Ocorre o crime, portanto quando o agente obriga o sujeito
passivo a entregar-lhe dinheiro, a não efetuar uma cobrança, a não impedir que
se lhe rasgue um titulo de credito.
Como a extorsão é um crime contra o patrimônio, é este o tutelado pelo
dispositivo, embora, indiretamente, estejam protegidas também a
inviolabilidade e a liberdade individual.
Qualquer pessoa pode praticar extorsão, mas sendo o agente funcionário
publico a simples exigência de uma vantagem indevida em razão da função
caracteriza o delito da concussão (art.316 do CP). Mas o agente da autoridade
que constrange alguém, com emprego de violência ou grave ameaça, para
obter proveito indevido, não incorre unicamente nas pena do delito de
concussão; vai mais adiante, praticando uma extorsão.
Uma ou várias pessoas podem ser sujeitos passivos do crime em estudo. É
vítima aquele que é sujeito a violência ou ameaça, o que deixa de fazer ou
tolerar que se faça alguma coisa e, ainda, o que sofre prejuízo econômico.
A conduta
prevista no dispositivo é constranger (obrigar, forçar, coagir) a
vitima mediante violência ou grave ameaça, desde que seja ele meio idôneo a
intimidar.
CAPÍTULO II
DO ROUBO E DA EXTORSÃO
Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para
outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou
depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de
subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou
grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime
ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de
arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e
o agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a
ser transportado para outro Estado ou para o exterior;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder,
restringindo sua liberdade.
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é
de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se
resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem
prejuízo da multa.
Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para
outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que
se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas,
ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um
terço até metade.
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o
disposto no § 3º do artigo anterior.
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da
liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a
obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão,
de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta
lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas
previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente.
(Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009)
Extorsão mediante seqüestro
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si
ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou
preço do resgate:
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.
§ 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro)
horas, se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior
de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por
bando ou quadrilha.
Pena - reclusão, de doze a vinte anos.
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.
§ 3º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente
que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do
seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.
Extorsão indireta
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida,
abusando da situação de alguém, documento que pode
dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou
contra terceiro:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
11.3 DA USURPAÇÃO
Usurpação é uma lesão de interesse jurídico da inviolabilidade da
propriedade imóvel.
A violência contra a pessoa, sob a forma de invasão possessória, é condição
de punibilidade, mas, se dele resulta outro crime, haverá concurso material dos
crimes, aplicando-se, somadas as respectivas penas (art.161,§2o.).
Também é caracterizada a usurpação na alteração ou supressão de marca
ou qualquer sinal indicativo de propriedade em gado ou rebanho alheio, para
dele se apropriar, no todo ou em parte.
Distingue-se a usurpação do abigeato, isto é o furto de animais, No entanto,
se esse meio fraudulento é usado para dissimular ao anterior furto dos animais,
já não mais se trata de usurpação, sendo que o crime continuará sob o nomen
iuris de furto.
CAPÍTULO III
DA USURPAÇÃO
Alteração de limites
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou
qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para
apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
Usurpação de águas
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem,
águas alheias;
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou
mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou
edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na
pena a esta cominada.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de
violência, somente se procede mediante queixa.
Supressão ou alteração de marca em animais
Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou
rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de propriedade:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.
11.4 DO DANO
O conceito de crime de dano esta estampado em nosso Código Penal
Brasileiro mais especificamente em seu artigo 163. Existe ainda uma
peculiaridade no crime de dano, ou seja, quando o agente comete o crime com
a intenção de lucro, citando como exemplo um concorrente que,
intencionalmente, venha a danificar bem alheio, incorrendo assim as penas do
artigo 163.
O que deve ser observado principalmente a vontade do agente em lesar
coisa alheia, trazendo prejuízo a outrem.
É muito importante ressaltar que a objetividade ou o bem jurídico atingido é
a propriedade, ou seja, bem móvel ou imóvel, é o patrimônio que esta sofrendo
o dano.
Vale lembrar que o crime de dano para ser caracterizar é necessário que a
coisa ou o objeto tenha valor pecuniário para a sua tipificação.
Cumpre-nos ainda ressaltar que o referido delito só admite a modalidade
dolosa, ou seja, quando o agente exerce livremente a vontade de praticar o
referido delito, ou seja, desejou causar prejuízo.
A consumação do crime de dano ocorre com a destruição, inutilização,
desmanchar, demolir, sacrificar determinado animal, derrubar muro, inutilizar
objeto, atitudes em geral que venham a causar danos, comprovados através de
provas diversas inclusive de perícia técnica, se for o caso.
Ressalta-se ainda que o crime de dano aceita a hipótese de dano
qualificado, ou seja, pratica de dano em que o agente se utiliza de violência
com objetivo de garantir êxito em sua ação.
Ainda neste sentido, o crime de dano recebe a figura qualificadora quando o
agente age em razão de egoísmo ou com prejuízo considerável a vítima.
A ação penal é de iniciativa privada, isto nas hipóteses de dano simples e do
qualificado pelo motivo egoístico ou de prejuízo considerável. Se houver
concurso de uma forma de dano de ação pública com outra de ação privada do
ofendido, deverá forma-se o litisconsórcio ativo, entre o Ministério público e a
vítima, esta oferecendo queixa-crime e aquele formulando denúncia.
Nada impede, além das ações penais que a vítima ingresse com ação na
esfera civil requerendo perdas e danos, com objetivo de ter seu bem restituído.
CAPÍTULO IV
DO DANO
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva,
se o fato não constitui crime mais grave
III - contra o patrimônio da União, Estado, Município,
empresa concessionária de serviços públicos ou
sociedade de economia mista;
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável
para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três
anos, e multa,
além da pena correspondente à violência.
Introdução ou abandono de animais em propriedade
alheia
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade
alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que
o fato resulte prejuízo:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou
histórico
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada
pela autoridade competente em virtude de valor artístico,
arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Alteração de local especialmente protegido
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente,
o aspecto de local especialmente protegido por lei:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Ação penal
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu
parágrafo e do art. 164, somente se procede mediante
queixa.
11.5 DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Ocorrerá apropriação indébita no momento em que o agente apoderar-se de
coisa alheia móvel, cuja posse ou a detenção lhe tenha sido confiada
licitamente por outrem, sem vícios. O agente passa a atuar como se da coisa
fosse dono, negando-se a restituí-la ao verdadeiro proprietário ou negociando-a
com terceira pessoa.
Posse é diferente de detenção. Na posse o sujeito exerce, em nome próprio,
direito real sobre a coisa, já a detenção caracteriza-se em uma posse precária,
de modo que o sujeito apenas preserva a coisa em nome de outra pessoa, sob
ordens dessa, portanto, vinculado.
Como é de se observar, pretende o tipo penal proteger o patrimônio.
Qualquer pessoa poderá ser sujeito ativo no crime de apropriação indébita,
desde que tenha a posse ou a detenção lícita da coisa, mas não a devolve ao
seu dono quando solicitada ou a negocie como se dono fosse.
Apesar do tipo penal afirmar que a coisa móvel deve ser alheia, é de bom
alvitre salientar que a doutrina admite como sujeitos ativos desse crime o co
herdeiro, co proprietário e o sócio.
Observa-se que no caso de funcionário público, o delito será denominado
peculato, o qual se encontra previsto no artigo 312 do Código Penal. Para sua
caracterização o agente deverá ter a posse ou a detenção da coisa em razão
de seu cargo, comportando-se como se dono da coisa fosse, notando-se,
porém, que o bem não precisa ser necessariamente público.
O sujeito passivo será o real dono ou possuidor da coisa, desde que sofra o
prejuízo.
Apropriar-se corresponde a apossar-se, tornar seu. Assim, é requisito que o
agente tenha recebido a coisa de boa fé, sem fraude, sem vício e só
posteriormente haja como se fosse seu dono, de modo que se a posse anterior
for adquirida ilicitamente, por óbvio, o crime de apropriação indébita não será
cogitado, sendo que tal delito será tipificado por artigo diverso.
A tentativa somente é possível na modalidade comissiva no momento em
que o agente for surpreendido negociando a coisa com terceiro. Irá consumar-
se tanto na ocasião da efetivação da negociação, como no instante em que se
negar a devolver a coisa.
CAPÍTULO V
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem
a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Aumento de pena
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente
recebeu a coisa:
I - em depósito necessário;
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário,
inventariante, testamenteiro ou depositário judicial;
III - em razão de ofício, emprego ou profissão.
Apropriação indébita previdenciária
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as
contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e
forma legal ou convencional:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra
importância destinada à previdência social que tenha sido
descontada de pagamento efetuado a segurados, a
terceiros ou arrecadada do público;
II – recolher contribuições devidas à previdência social
que tenham integrado despesas contábeis ou custos
relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as
respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados
à empresa pela previdência social.
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente,
espontaneamente, declara, confessa e efetua o
pagamento das contribuições, importâncias ou valores e
presta as informações devidas à previdência social, na
forma definida em lei ou regulamento, antes do início da
ação fiscal.
§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou
aplicar somente a de multa se o agente for primário e de
bons antecedentes, desde que:
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes
de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição
social previdenciária, inclusive acessórios; ou
II – o valor das contribuições devidas, inclusive
acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela
previdência social, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou
força da natureza
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao
seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de tesouro
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no
todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprietário
do prédio;
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria,
total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou
legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade
competente, dentro no prazo de quinze dias.
Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o
disposto no art. 155, § 2º.
11.6 DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES
Há estelionato quando o agente emprega meio fraudulento, induzindo ou
mantendo alguém em erro e, assim, conseguindo, para si ou para outrem,
vantagem ilícita, com dano patrimonial alheio. O crime de estelionato acha-se
tipificado no art. 171 do CP, cujo caput conceitua o delito. O bem protegido é o
patrimônio.
SUJEITO ATIVO: Caracteriza-se como sujeito ativo qualquer pessoa que
induz ou mantém a vítima em erro, empregando meio fraudulento, a fim de
obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita em prejuízo alheio. O terceiro
beneficiado pela ação delituosa, se destinatário doloso do proveito do ilícito,
será considerado co-autor.
SUJEITO PASSIVO: Sujeito passivo é a pessoa enganada e que sofre a
lesão patrimonial. Nada impede, portanto, que haja dois sujeitos passivos: um
que é enganado e outro que sofre o prejuízo.
ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO: Para que o estelionato se configure
são necessários:
� Fraude: O código fala em artifício, ardil ou qualquer outro meio
fraudulento. Artifício é o engodo empregado por intermédio de aparato material,
encenação, como. Ex: conto do bilhete premiado. Ardil é o engodo praticado
por intermédio de insídia, como a mentirosa qualificação profissional. Por fim, o
tipo recorre à interpretação analógica, compreendendo qualquer outro meio
fraudulento, no qual se enquadram a mentira e a omissão do dever de falar. É
imprescindível que o meio fraudulento empregado pelo agente seja idôneo,
apto a enganar a vítima. Do contrário, estaríamos diante de um crime
impossível.
� Erro: É a falsa percepção da realidade. O agente pode: (1) induzir a
vítima em erro; ou (2) mantê-la em erro se nele já havia incorrido
espontaneamente.
� Duplo resultado: Exige o tipo em análise
a (1) obtenção de vantagem
ilícita, para o próprio agente ou para terceiro, e (2) o prejuízo alheio. Esclareça-
se que a vantagem há de ser patrimonial, porque o estelionato protege o
patrimônio. Se o fim não for patrimonial, mas, por exemplo, libidinoso,
estaremos diante de outra figura criminal. A vantagem tem que ser também
ilícita. Se lícita, teremos o exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 CP).
Note-se que, como o próprio tipo penal faz referência à ocorrência de
resultado, estamos diante de um crime material, em que se exige a ocorrência
do resultado naturalisticamente falando.
ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO: O estelionato só é punível a título de
dolo específico, que é o intento de obter vantagem ilícita. Não se admite a
figura culposa.
CONSUMAÇÃO: É crime material, consumando-se no momento e local em
que o agente obtém a vantagem ilícita em prejuízo alheio.
TENTATIVA: Há tentativa se foram idôneos os meios empregados e,
iniciada a execução do estelionato, o crime não se consumou por
circunstâncias alheias à vontade do agente. Então, se o agente não consegue
a vantagem ilícita ou não decorre prejuízo à vítima, estaremos diante do
estelionato em sua figura tentada. O início da execução se dá com o engano da
vítima e não com o uso da fraude, que é tido como ato preparatório. Enquanto
o título fraudulentamente obtido não é descontado ou convertido, há só
tentativa (STF).
ESTELIONATO PRIVILEGIADO: O art. 170 torna aplicável ao estelionato,
caput e subtipos, o previsto no art.155, §2.º, de modo que, se for primário o
agente e de pequeno valor a coisa apreendida, o juiz terá as seguintes opções:
substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuir a pena de um a dois
terços, ou aplicar somente pena de multa.
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA: Aplica-se ao tipo fundamental do
estelionato e dos subtipos previstos no §2.º o aumento de 1/3 da pena quando
o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto
de economia popular, assistência social ou beneficência.
SUBTIPOS
1. Disposição de coisa alheia como própria: O sujeito passivo, nesse
caso, é o adquirente enganado e não o proprietário da coisa. O tipo fala em
vender, permutar, dar em pagamento, locar ou dar em garantia coisa alheia. O
rol é taxativo, de modo que não inclui a promessa de compra e venda, nem a
cessão de direitos (STF), que podem restar enquadrados no caput.
2. Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria: O sujeito ativo é
só o dono da coisa e o sujeito passivo é o que recebe a coisa desconhecendo
ser ela inalienável, gravada, litigiosa ou prometida a terceiro em prestações. O
objeto material pode ser móvel ou imóvel, mas o tipo, quando prevê a
promessa a terceiro, reduz somente aos imóveis. O dispositivo incrimina o
sujeito que vende, permuta, dá em pagamento ou dá em garantia coisa própria
inalienável, gravada, litigiosa ou, sendo imóvel, prometida a terceiro em
prestações. O rol é também taxativo, de modo que não inclui a locação
(prevista no inc. I), nem a promessa de compra e venda, nem a cessão de
direitos (STF), que podem restar enquadrados no caput.
3. Defraudação de penhor: Consiste em defraudar, mediante alienação não
consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem
a posse do objeto empenhado. O sujeito ativo é, portanto, o devedor do
contrato de penhor que tem a posse do objeto empenhado. O sujeito passivo,
por sua vez, é o credor pignoratício. O tipo trata do penhor, de modo que
somente estão compreendidos os bens móveis e os mobilizáveis. O núcleo do
tipo está no verbo defraudar, que significa privar com dolo, seja por intermédio
da alienação (venda, permuta, doação etc), seja por qualquer outro modo
(destruição, ocultação, desvio, abandono etc). A defraudação pode ser total ou
parcial. O que é importante é a falta de consentimento do credor pignoratício,
que constitui elemento normativo do tipo. O elemento subjetivo é o dolo
específico, que envolve o conhecimento de que o objeto material constitui
garantia pignoratícia e a vontade de defraudar. Há discussão se é ou não crime
material, ou seja, se precisa da vantagem ilícita ou se basta a defraudação sem
o consentimento do credor.
4. Fraude na entrega de coisa: Consiste em defraudar quantidade,
qualidade ou substância de coisa que deve entregar a alguém. O sujeito ativo é
quem tem o dever de entregar a coisa e o passivo o que deve recebê-la. Deve
haver, portanto, uma relação obrigacional entre eles (elemento normativo).
Pode ser a coisa móvel ou imóvel. Precisa estar presente o dolo específico.
Consuma-se com a entrega da coisa defraudada. Há tentativa, por exemplo,
quando o destinatário, descobrindo o engano, recusa-se a receber o objeto
defraudado.
5. Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro: É figura
típica de formulação alternativa, sendo previstas as seguintes ações:
a) destruir ou ocultar coisa própria
b) lesar o próprio corpo ou a saúde
c) agravar as conseqüências de lesão ou doença
Praticando uma, algumas ou todas essas ações, o agente pratica um único
delito. O sujeito ativo é o segurado e o passivo, o segurador. Tem-se, portanto,
crime próprio. No entanto, são possíveis a co-autoria e a participação quando
terceiro, conhecendo o intuito lesivo, colabora ou auxilia a mando do segurado.
A consumação se dá com a prática da conduta típica (destruir, ocultar, lesar).
Ao contrário dos demais subtipos de estelionato, trata-se de crime formal, não
se exigindo para a consumação a obtenção da vantagem ilícita. Basta a prática
do ato, seguida do pedido de indenização ou do valor do seguro. A tentativa é
admissível.
6. Fraude no pagamento por meio de cheque: Consiste em emitir cheque
sem suficiente provisão de fundos ou frustrar-lhe o pagamento. O sujeito ativo
é qualquer pessoa que emite o cheque ou lhe frustra o pagamento. Haverá co-
autoria no caso de conta conjunta e haverá participação, por exemplo, na
instigação.
CAPÍTULO VI
DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita,
em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em
erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o
prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto
no art. 155, § 2º.
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem:
Disposição de coisa alheia como própria
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em
garantia coisa alheia como própria;
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia
coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou
imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante
pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer
dessas circunstâncias;
Defraudação de penhor
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo
credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando
tem a posse do objeto empenhado;
Fraude na entrega de coisa
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de
coisa que deve entregar a alguém;
Fraude para recebimento de indenização ou valor de
seguro
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria,
ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as
conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de
haver indenização ou valor de seguro;
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em
poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento.
§ 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é
cometido em detrimento de entidade de direito público ou
de instituto de economia popular, assistência
social ou
beneficência.
Duplicata simulada
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que
não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou
qualidade, ou ao serviço prestado.
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que
falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de Registro
de Duplicatas.
Abuso de incapazes
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de
necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da
alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo
qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir
efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Induzimento à especulação
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da
inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental
de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à
especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou
devendo saber que a operação é ruinosa:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Fraude no comércio
Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o
adquirente ou consumidor:
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria
falsificada ou deteriorada;
II - entregando uma mercadoria por outra:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a
qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo
caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor
valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender, como
precioso, metal de ou outra qualidade:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.
Outras fraudes
Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em
hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de
recursos para efetuar o pagamento:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante
representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias,
deixar de aplicar a pena.
Fraudes e abusos na fundação ou administração de
sociedade por ações
Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações,
fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público ou
à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da
sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela
relativo:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato
não constitui crime contra a economia popular.
§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui
crime contra a economia popular:
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações,
que, em prospecto, relatório, parecer, balanço ou
comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação
falsa sobre as condições econômicas da sociedade, ou
oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas
relativo;
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por
qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de outros
títulos da sociedade;
III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à
sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro, dos
bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da
assembléia geral;
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por
conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo quando
a lei o permite;
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito
social, aceita em penhor ou em caução ações da própria
sociedade;
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em
desacordo com este, ou mediante balanço falso, distribui
lucros ou dividendos fictícios;
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta
pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a
aprovação de conta ou parecer;
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII;
IX - o representante da sociedade anônima estrangeira,
autorizada a funcionar no País, que pratica os atos
mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao
Governo.
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois
anos, e multa, o acionista que, a fim de obter vantagem
para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações
de assembléia geral.
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou
"warrant"
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em
desacordo com disposição legal:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Fraude à execução
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando,
destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa.
11.7 DA RECEPTAÇÃO
Receptação não faz surgir um novo sujeito passivo, sendo este a mesma
vítima do crime antecedente.
O objeto material da receptação é o “produto de crime”. Este pode se
originar de qualquer delito (ex: tráfico), e não necessariamente de crimes
contra o patrimônio. O legislador expressamente se referiu a “produto de
crime”. Portanto, não existe crime de receptação no caso de “produto de
contravenção penal.
A receptação será DOLOSA na hipótese em que o agente tem ciência da
origem criminosa do bem; e CULPOSA, quando o agente não tinha consciência
da origem ilícita, mas deveria presumir ser esta obtida por meio criminoso.
No crime de receptação, cabe observar que o dolo é específico de obter
alguma vantagem para si ou para outrem. Se o agente não possui essa
intenção, somente poderá haver crime de favorecimento real.
CAPÍTULO VII
DA RECEPTAÇÃO
Receptação
Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou
ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser
produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a
adquira, receba ou oculte:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Receptação qualificada
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter
em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor
à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio
ou alheio, no exercício de atividade comercial ou
industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.
§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do
parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular
ou clandestino, inclusive o exercício em residência.
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou
pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela
condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por
meio criminoso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou
ambas as penas.
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou
isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode
o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de
aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto
no § 2º do art. 155.
§ 6º - Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da
União, Estado, Município, empresa concessionária de
serviços públicos ou sociedade de economia mista, a
pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro.
11.8 DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos
crimes previstos neste título, em prejuízo:
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco
legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.
Art. 182 - Somente se procede mediante representação,
se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo:
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.
Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos
anteriores:
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral,
quando haja emprego de grave ameaça ou violência à
pessoa;
II - ao estranho que participa do crime.
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual
ou superior a 60 (sessenta) anos.
EXERCÍCIOS
01. (FCC - TRT da 3ª REGIÃO - 2009) Quem utiliza uma tesoura para fazer
girar e abrir, sem danificar, a fechadura da porta de um veículo que ato
contínuo subtrai para si, comete crime de furto
(A) qualificado pela fraude.
(B) simples.
(C) qualificado pela destreza.
(D) qualificado pelo rompimento de obstáculo.
(E) qualificado pelo emprego de chave falsa.
02. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) Jeremias aproximou-se de um veículo
parado no semáforo e, embora não portasse qualquer arma, mas fazendo
gestos de que estaria armado, subtraiu a carteira do motorista, contendo
dinheiro e documentos. Jeremias responderá por crime de
(A) roubo qualificado pelo emprego de arma.
(B) furto simples.
(C) furto qualificado.
(D) roubo simples.
(E) apropriação indébita.
03. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) O crime de
receptação descrito no art. 180, caput, do Código Penal (adquirir, receber,
transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe
ser produto de crime, ou influir para que terceiro de boa-fé, a adquira, receba
ou oculte), no que concerne aos elementos do fato típico, é um
a) tipo penal normal.
b) tipo penal anormal, face à existência de elemento subjetivo.
c) crime omissivo.
d) crime sem resultado
e) exemplo de tipicidade indireta.
04. (Analista Judiciário – TER – AC – FCC – 2010) Sobre o crime de
extorsão mediante sequestro, é INCORRETO afirmar que
a) seu objeto jurídico é o patrimônio e, indiretamente, a liberdade individual e
a incolumidade pessoal
b) se trata de crime permanente
c) aquele que participou do delito, caso preste informações que facilitem a
libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida.
d) se trata de crime material, que se consuma quando o agente obtém a
vantagem econômica exigida.
e) se trata de crime formal que admite tentativa.
05. (Analista de Processos Organizacionais – BAHIAGÁS – FCC – 2010)
O ato de receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém,
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima,
constitui crime de
a) fraude na entrega de coisa.
b) estelionato.
c) fraude no comércio
d) extorsão indireta.
e) furto qualificado pela fraude.
06. (Delegado de Polícia – FGV – 2010) Relativamente aos crimes contra o
patrimônio, analise as afirmativas a seguir:
I. No crime de furto, se o criminoso é primário, e a coisa furtada é de
pequeno valor, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção.
II. Considera-se qualificado o dano praticado com violência à pessoa ou
grave ameaça, com emprego de substância inflamável ou explosiva (se o fato
não constitui crime mais grave), contra o patrimônio da União, Estado,
Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de
economia mista ou ainda por motivo egoístico ou com prejuízo considerável
para a vítima.
III. É isento de pena quem comete qualquer dos crimes contra o patrimônio
em prejuízo do cônjuge, na constância da sociedade conjugal, desde que não
haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa ou que a vítima não seja
idosa nos termos da Lei 10.741/2003.
Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
07. (Magistratura – TRT 21ª Região) - Durante o movimento grevista, três
empregados filiados ao sindicato da categoria profissional praticaram as
seguintes condutas: o primeiro, fez uma ligação clandestina, por meio de um
fio, entre o poste de energia da rua e o carro de som do sindicato, parado na
calçada do portão de entrada da empresa, propiciando o funcionamento
contínuo do equipamento e dos alto-falantes; o segundo, escalou o muro lateral
do estabelecimento, passou por cima da cerca elétrica e, em seguida, retirou e
se apropriou da câmera de filmagem instalada na parede interna, levando-a
consigo na mochila; o terceiro, que estava trabalhando normalmente, dirigiu-se,
de forma sorrateira, ao setor administrativo da empresa, abriu o arquivo das
pastas de contratos e cheques de clientes e os rasgou. Os crimes cometidos
pelos três empregados foram, respectivamente
a) furto; furto qualificado e dano;
b) apropriação indébita; roubo e estelionato;
c) furto qualificado; roubo e estelionato;
d) apropriação indébita; furto qualificado e dano qualificado;
e) nenhuma das respostas é correta.
08. (Advogado – Metrô/SP – FCC – 2008) Paulo havia trabalhado como
cobrador no asilo Alpha e, por isso, conhecia a lista das pessoas que
contribuíam através de donativos para aquela entidade beneficente. Após ter
deixado o referido emprego, Paulo procurou uma dessas pessoas e, dizendo-
se funcionário do asilo Alpha, recebeu donativo de R$ 1.000,00 (um mil reais),
que consumiu em proveito próprio. Nesse caso, Paulo responderá por crime de
a) furto simples.
b) furto qualificado pela fraude.
c) apropriação indébita.
d) estelionato.
e) extorsão.
09. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2009) Quanto aos crimes
contra o patrimônio, é correto afirmar que
a) o estelionato não admite a figura privilegiada do delito.
b) a pena, na extorsão, pode ser aumentada até dois terços se praticada por
duas ou mais pessoas.
c) o chamado "furto de uso", se aceito, não constituiria crime por falta de
tipicidade.
d) há latrocínio tentado no caso de homicídio consumado e subtração
tentada, segundo entendimento sumulado do Supremo Tribunal Federal.
e) o emprego de arma de brinquedo qualifica o roubo, de acordo com
Súmula do Superior Tribunal de Justiça.
10. (Auditoria da Receita do Estado – SEAD – FGV/2010) Com base no
artigo 168-A do Código Penal - crime de apropriação indébita previdenciária,
assinale a afirmativa incorreta.
a) O elemento objetivo do tipo é deixar de repassar, ou seja, não transferir
aos cofres públicos a contribuição previdenciária descontada dos contribuintes.
b) A pena do crime de apropriação indébita previdenciária comporta o
benefício da suspensão condicional do processo.
c) O elemento subjetivo do crime é o dolo, não sendo possível apropriação
indébita previdenciária culposa.
d) Não é cabível tentativa do crime, pois este se traduz como crime
unisubsistente.
e) É crime de ação penal pública incondicionada cuja competência para
processamento é da Justiça Federal.
11. (Magistratura – TJ – MS – FGV – 2008) São crimes contra o patrimônio:
a) roubo, furto, estelionato e lesão corporal.
b) roubo, furto, estelionato e usurpação de águas.
c) roubo, furto, estelionato e peculato.
d) roubo, furto, estelionato e moeda falsa.
e) roubo, furto, estelionato e injúria
12. (Analista Judiciário – TRT 3ª Região – FCC – 2009) José ingressou no
escritório da empresa Alpha, sendo que o segurança não lhe obstou o acesso
porque estava vestido de faxineiro e portando materiais de limpeza. No interior
do escritório, arrombou a gaveta e subtraiu R$ 3.000,00 do seu interior.
Quando estava saindo do local, o segurança, alertado pelo barulho, tentou
detê-lo. José, no entanto, o agrediu e o deixou desacordado e ferido no solo,
fugindo, em seguida, do local de posse do dinheiro subtraído. Nesse caso,
José responderá por
a) furto qualificado pela fraude e pelo arrombamento.
b) furto qualificado pela fraude.
c) roubo impróprio.
d) furto simples.
e) estelionato.
GABARITO:
01 E
02 D
03 B
04 D
05 D
06 E
07 A
08 D
09 C
10 B
11 B
12 C
12. DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
12.1 DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA
A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Espécies:
a) crimes praticados por funcionário público;
b) crimes praticados por particular;
c) crimes praticados contra a administração da justiça.
Crimes Praticados por Funcionário Público: Os crimes praticados por
funcionário público são chamados pela doutrina de crimes funcionais. São
crimes que estão relacionados com a função pública. Na classificação geral
dos delitos, tais crimes estão inseridos na categoria dos crimes próprios, pois a
lei exige uma característica específica no sujeito ativo: ser funcionário público.
Os crimes funcionais podem ser próprios e impróprios.
• Crimes funcionais próprios são aqueles cuja exclusão da qualidade de
funcionário público torna o fato atípico. Ex: prevaricação.
• Crimes funcionais impróprios são aqueles em que, excluindo-se a
qualidade de funcionário público, haverá desclassificação para crime de outra
natureza. Ex: peculato, que passa a ser furto.
O peculato visa proteger a probidade administrativa (patrimônio público).
Esses crimes são chamados crimes de improbidade administrativa. O sujeito
ativo é o funcionário público e o sujeito passivo é o Estado, visto como
Administração Pública. Pode existir um sujeito passivo secundário (particular).
Podemos dividir o peculato em dois grandes grupos; doloso e culposo:
a) Peculato Doloso:
� Peculato-apropriação: art. 312, caput, primeira parte.
� Peculato-desvio: art. 312, caput, segunda parte.
� Peculato-furto: art. 312, § 1.º.
� Peculato mediante erro de outrem: art. 313.
b) Peculato Culposo:
� O peculato culposo está descrito no art. 312, § 2.º, do Código Penal.
TÍTULO XI
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CAPÍTULO I
DOS CRIMES PRATICADOS
POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro,
valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular,
de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em
proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público,
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o
subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito
próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe
proporciona a qualidade de funcionário.
Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o
crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do
dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a
punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena
imposta.
Peculato mediante erro de outrem
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade
que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
PECULATO APROPRIAÇÃO:
a) apropriar-se;
b) funcionário público;
c) dinheiro, valor, bem móvel, público ou privado;
d) posse em razão do cargo;
e) proveito próprio ou alheio.
Elementos objetivos do tipo: O núcleo é apropriar-se, ou seja, fazer sua a
coisa alheia. A pessoa tem a posse e passa a agir com se fosse dona. O
agente muda a sua intenção em relação à coisa. O fundamento é a posse lícita
anterior.
No caso da posse em razão do cargo, temos que a posse está com a
Administração. O bem tem de estar sob custódia da Administração. Exemplo:
Um automóvel apreendido na rua vai para o pátio da Delegacia; o policial
militar subtrai o toca-fitas - Ele praticou peculato-furto, pois não tinha a posse
do bem. Se o funcionário fosse o responsável pelo bem, seria caso de
peculato-apropriação. Se o carro estivesse na rua, seria furto.
No peculato-apropriação e no peculato mediante erro de outrem há
apropriação, ou seja, a posse é anterior; a diferença está no erro de outrem.
Objeto material: Dinheiro, valor ou bem móvel. Tudo que for imóvel não é
admitido no peculato. O crime que admite imóvel é o estelionato.
Consumação: A consumação do peculato-apropriação se dá no momento
em que ocorreu a apropriação: quando o agente inverteu o animus, quando
passou a agir como se fosse dono.
PECULATO-DESVIO: Artigo 312, Segunda Parte, do Código Penal. No
peculato-desvio o que muda é apenas a conduta, que passa a ser desviar.
Desviar é alterar a finalidade, o destino. Exemplo: existe um contrato que prevê
o pagamento de certo valor por uma obra. O funcionário paga esse valor, sem
a obra ser realizada. Nesse caso, há peculato-desvio. Liberação de dinheiro
para obra superfaturada também é caso de peculato-desvio.
Elemento subjetivo do tipo: O elemento subjetivo do tipo é a intenção do
desvio para proveito próprio ou alheio. O funcionário tem de ter a posse lícita
da coisa. Se alguém desviar em proveito da própria Administração, haverá
outro crime, qual seja, uso ou emprego irregular de verbas públicas (art. 315 do
CP).
PECULATO-FURTO: Artigo 312, § 1.º, do Código Penal. Funcionário público
que, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai ou
concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. Nesse caso é
aplicada a mesma pena.
A conduta é subtrair, ou seja, tirar da esfera de proteção da vítima, de sua
disponibilidade. Outra conduta possível é a de concorrer dolosamente.
Não basta ser funcionário público; ele precisa se valer da facilidade que essa
qualidade lhe proporciona (a execução do crime é mais fácil para ele). Por
facilidade, entende-se crachá, segredo de cofre etc. Um funcionário público
pode praticar furto ou peculato-furto, dependendo se houve, ou não, a
facilidade.
Consumação e tentativa: O crime consuma-se com a efetiva retirada da
coisa da esfera de vigilância da vítima. A tentativa é possível.
PECULATO CULPOSO: Artigo 312, § 2.º, do Código Penal. São requisitos
do crime de peculato culposo: a conduta culposa do funcionário público e que
terceiro pratique um crime doloso, aproveitando-se da facilidade provocada por
aquela conduta.
Consumação e tentativa: Peculato culposo é crime independente do crime
de outrem, mas estará consumado quando se consumar o crime de outrem.
Não há tentativa de peculato culposo, pois não existe tentativa de crime
culposo. Se o crime de outrem é tentado, este responderá por tentativa, porém
o fato é atípico para o funcionário público.
Reparação de danos no peculato culposo – Artigo 312, § 3.º, do Código
Penal: É a devolução do objeto ou o ressarcimento do dano. É preciso ficar
atento para as seguintes regras:
• Se a reparação do dano for anterior à sentença irrecorrível (antes do
trânsito em julgado – primeira ou segunda instância), extingue a punibilidade.
• Se a reparação do dano for posterior à sentença irrecorrível (depois do
trânsito em julgado), ocorre a diminuição da pena, pela metade.
Atenção: No peculato doloso não se aplicam essas regras.
PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM: Não é um estelionato, pois o
erro da vítima não é provocado pelo agente. O núcleo do tipo é apropriar-se
(para tanto, é preciso posse lícita anterior). Na verdade, é um peculato-
apropriação. O núcleo do estelionato é obter.
O erro de outrem tem de ser espontâneo, e o recebimento, por parte do
funcionário de boa-fé. Não há fraude.
Exemplo: Pessoa deve dinheiro para a Prefeitura, erra a conta e paga a
mais. O funcionário recebe o dinheiro sem perceber o erro. Depois, ao
perceber o erro, apropria-se do excedente – trata-se de peculato
mediante erro.
O elemento subjetivo é o dolo de se apropriar. O crime consuma-se no
momento da apropriação, ou seja, no momento em que o agente passa a agir
como se fosse dono.
Inserção de dados falsos em sistema de informações
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a
inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente
dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de
dados da Administração Pública com o fim de obter
vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar
dano:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Modificação ou alteração não autorizada de sistema
de informações
Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de
informações ou programa de informática sem autorização
ou solicitação de autoridade competente:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e
multa.
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço
até a metade se da modificação ou alteração resulta dano
para a Administração Pública ou para o administrado.
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou
documento
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de
que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou
inutilizá-lo, total ou parcialmente:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não
constitui crime mais grave.
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação
diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Concussão
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
O crime de concussão é diferente do crime de corrupção passiva. A
diferença está no núcleo do tipo. A concussão tem por conduta exigir; é um
“querer imperativo”, que traz consigo uma ameaça, ainda que implícita. A
corrupção passiva tem por conduta solicitar, receber, aceitar promessa.
Na concussão, há vítima na outra ponta. A concussão é uma extorsão
praticada por funcionário público em razão da função.
Exigir significa coagir, obrigar. A ameaça pode ser implícita ou explícita e,
ainda assim, será concussão. O agente pode exigir direta ou indiretamente –
por meio de terceiro, ou por outro meio qualquer.
Objetividade Jurídica: Proteger a probidade administrativa.
Sujeito Ativo: O sujeito ativo é o funcionário público. O particular pode
praticar o crime, em concurso com o funcionário.
Sujeito Passivo: O sujeito passivo é o Estado (a Administração Pública). O
particular pode ser sujeito passivo secundário.
Elementos Objetivos do Tipo: Exigir em razão da função: Deve existir nexo
causal entre a exigência e a função.
Consumação: A consumação ocorre no momento em que a exigência
chega ao conhecimento da vítima, pois o crime de concussão é formal. A
concussão não depende da obtenção da vantagem para a sua consumação;
basta a exigência. Se o funcionário obtiver a vantagem, será mero
exaurimento.
Excesso de exação
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social
que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido,
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a
lei não autoriza:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de
outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos
cofres públicos:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem,
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em
conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário
retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o
pratica infringindo dever funcional.
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda
ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a
pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Na corrupção passiva não há ameaça, nem constrangimento. Se o
funcionário pede e a pessoa coloca a mão dentro do bolso e entrega, não é
caso de corrupção ativa, pois não existe tipificação para entregar, só para
prometer, oferecer. Só há corrupção passiva nesse caso.
Na modalidade solicitar, onde a iniciativa é do funcionário público, não há
crime de corrupção ativa, e sim de corrupção passiva.
Já, nas modalidades de receber e aceitar promessa, ocorre corrupção ativa
na outra ponta, pois a iniciativa foi de terceiro.
Vantagem indevida na corrupção passiva é para que o funcionário faça
alguma coisa, deixe de fazer, ou então retarde.
A consumação ocorre quando houver a solicitação, o recebimento ou a
aceitação da vantagem. A consumação não depende da prática ou da omissão
de ato por parte do funcionário. O recebimento da vantagem só é importante
para a modalidade receber.
Elementos Objetivos do Tipo:
• Solicitar, pedir. Quem pede não constrange, não ameaça, simplesmente
pede. A atitude de solicitar é iniciativa do funcionário público.
• Receber, entrar na posse. É preciso ao menos o indício de que a pessoa
entrou na posse.
• Aceitar promessa, concordar com a proposta. Pode ser por silêncio,
gesto, palavra. A iniciativa é de terceiro que faz a proposta. Alguém propõe e o
funcionário aceita.
Corrupção Passiva Privilegiada – § 2.º: A corrupção passiva privilegiada
ocorre com pedido ou influência de outrem. Corrupção privilegiada é um crime
material – praticar, deixar de praticar.
Facilitação de contrabando ou descaminho
Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a
prática de contrabando ou descaminho (art. 334):
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
Prevaricação
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente,
ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de
lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente
público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso
a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a
comunicação com outros presos ou com o ambiente
externo:
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
A satisfação do interesse ou sentimento pessoal é o que diferencia a
prevaricação da concussão e da corrupção. Trata-se de elemento subjetivo do
tipo. Se for caso de vantagem indevida, o crime é o de concussão ou corrupção
passiva. Se for caso de sentimento pessoal, o crime é o de prevaricação.
Aqui deve se entender sentimento pessoal como sentimentos de amor, ódio,
raiva, vingança, amizade, inimizade. A mera preguiça não configura
prevaricação.
Elementos Objetivos do Tipo:
� retardar;
� deixar de praticar;
� praticar.
As condutas retardar e deixar de praticar são condutas omissivas (omissão
própria). Praticar é conduta comissiva. A diferença entre retardar e deixar de
praticar é que esse último tem um tom de definitividade. Retardar é protelar,
demorar. Ato de ofício é aquele ato que está inserido na esfera de atribuições
ou de compromissos do agente.
Condescendência criminosa
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de
responsabilizar subordinado que cometeu infração no
exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não
levar o fato ao conhecimento da autoridade competente:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
Advocacia administrativa
Art. 321 - Patrocinar, direta
ou indiretamente, interesse
privado perante a administração pública, valendo-se da
qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.
Violência arbitrária
Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a
pretexto de exercê-la:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da
pena correspondente à violência.
Abandono de função
Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos
permitidos em lei:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de
fronteira:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Exercício funcional ilegalmente antecipado ou
prolongado
Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de
satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la,
sem autorização, depois de saber oficialmente que foi
exonerado, removido, substituído ou suspenso:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
Violação de sigilo funcional
Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do
cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe
a revelação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se
o fato não constitui crime mais grave.
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e
empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso
de pessoas não autorizadas a sistemas de informações
ou banco de dados da Administração Pública;
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração
Pública ou a outrem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
Violação do sigilo de proposta de concorrência
Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência
pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-
lo:
Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa.
Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os
efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce
cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e
quem trabalha para empresa prestadora de serviço
contratada ou conveniada para a execução de atividade
típica da Administração Pública.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os
autores dos crimes previstos neste Capítulo forem
ocupantes de cargos em comissão ou de função de
direção ou assessoramento de órgão da administração
direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou
fundação instituída pelo poder público.
O parágrafo primeiro dispõe quem são os funcionários públicos, por
equiparação. São eles: quem exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal e quem trabalha para empresa, prestadora de serviço, contratada
ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.
Entidade paraestatal é entendida, majoritariamente, como a administração
indireta – autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista e
fundação pública.
• Síndico da massa falida, inventariante, curador e tutor, não são
funcionários públicos.
• Funcionário de cartório é funcionário público.
• Funcionário do Banco do Brasil é funcionário público, pois o Banco do
Brasil é uma sociedade de economia mista.
• Funcionário dos Correios é funcionário público, pois o Correio é uma
empresa pública.
Causas de Aumento de Pena – Artigo 327, § 2.º, do Código Penal:
Segundo o artigo 327, § 2.º, do Código Penal as causas de aumento da pena
decorrem quando o autor do crime exerce:
• Cargo em comissão (cargo de confiança);
• Cargo de direção ou assessoramento de órgãos da administração direta,
sociedade de economia mista, empresa pública e fundação instituída pelo
Poder Público.
Concurso de Agentes: Um particular pode responder por peculato em
concurso de agentes com um funcionário público. O particular deve ter
consciência e vontade (dolo) em relação ao agente do tipo, ou seja, deve saber
que esse possui a condição de funcionário público. Caso contrário, transforma-
se em responsabilidade objetiva, o que é proibido. Se o particular não souber
que o outro é funcionário público, responderá por outro crime. Exemplo: furto.
12.2 DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
CAPÍTULO II
DOS CRIMES PRATICADOS POR
PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM
GERAL
Usurpação de função pública
Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
O nome deste crime deriva de USURPARE, que significa apossar-se sem ter
direito, fazer-se passar por funcionário. A punição dá-se quando alguém toma
para si, indevidamente, uma função pública alheia, praticando algum ato
correspondente. A função usurpada tem que ser absolutamente estranha ao
funcionário público.
OBJETO JURÍDICO: O bom andamento da Administração Pública, em
especial os princípios da probidade e da moralidade administrativa.
FUNÇÃO PÚBLICA: É necessário que a função exista. Não se pode usurpar
uma função que não existe. Função é a atribuição ou conjunto de atribuições
atinentes à execução de serviços públicos. Todo cargo tem função, mas nem
toda função corresponde a um cargo, como ocorre, por exemplo, na função de
jurado.
Resistência
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante
violência ou ameaça a funcionário competente para
executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:
Pena - detenção, de dois meses a dois anos.
§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo
das correspondentes à violência.
Resistir tem o condão de opor-se, de não ceder, de recusar-se, tem sentido
de oposição, seja pela força ou pela violência, seja, ainda, pela omissão ou
pela inércia.
O tipo penal em comento tem como principal objetivo proteger o poder
estatal e, sendo assim, busca resguardar a autoridade da administração
pública, bem como sua liberdade na execução de suas atividades por meio de
seus funcionários.
Por tratar-se de crime comum, qualquer pessoa poderá cometê-lo, desde
que se oponha ao cumprimento de ato legal por autoridade competente para
tanto. Serão sujeitos passivos, o Estado, o funcionário que foi impedido de
cumprir tal ato e, inclusive, a pessoa que esteja, eventualmente, auxiliando o
funcionário na execução de atos legais.
É fundamental reforçar a informação de que para que o delito se caracterize,
essencial que o funcionário seja competente para executar, de ofício, o ato
legal, bem como que tal ato seja praticado no exercício das funções e que,
nesse momento, o agente se insurja à execução do ato.
O cerne do artigo é a oposição do sujeito à execução do ato legal por
funcionário competente. Observa-se, aqui, que é necessário que a oposição do
sujeito se manifeste por meio de ameaça ou violência física, em face do
funcionário ou da pessoa que o auxilia, no exato momento em que o ato esteja
sendo praticado, de modo, portanto, que se a oposição for exercida em
momento anterior ou posterior à prática do ato pelo funcionário público, não
constitui crime de resistência.
Para que o sujeito seja enquadrado no crime em tela, necessário que haja
com dolo, ou seja, com vontade livre e consciente de executar a ação, sendo
que se houver erro quanto a legalidade
do ato, haverá, também, a exclusão do
dolo.
Desobediência
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário
público:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.
O crime em tela consubstancia-se pelo fato do agente desobedecer a ordem
legal de funcionário público. Todavia, há de se observar que o ato de
desobedecer consiste em não acatar, não cumprir, não se submeter à ordem
de funcionário público, investido de autoridade para imposição de ordem.
O tipo penal objetiva manter a obediência das ordens emanadas do
funcionário público no cumprimento de suas funções.
O sujeito ativo do crime de desobediência poderá ser qualquer pessoa
inclusive o próprio funcionário público que venha a agir como particular, ou
seja, que não esteja no exercício de sua função e venha a desobedecer ordem
de funcionário público. Vale-nos consignar que, de acordo com entendimentos
jurisprudenciais, não incorrerá no referido crime o agente, funcionário público,
que vier a desobedecer ordem de outro funcionário público, quando ambos se
encontrarem no regular exercício de suas funções. O sujeito passivo é o
Estado.
O ato de desobedecer, tem o sentido de não cumprir, faltar à obediência,
não atender a ordem legal de funcionário público, ordem esta para que o
agente realize ou deixe de praticar determinada ação.
É indispensável para a caracterização do delito que o agente receba, do
funcionário público, um mandamento, uma ordem, não bastando portanto que
seja um pedido ou uma solicitação, sendo esta dirigida direta e expressamente
ao agente. Outrossim, indispensável que a ordem esteja investida de
legalidade pois caso não esteja, não há que se falar em desobediência.
A desobediência, via de regra, ocorre de forma dolosa, intencional, ou seja,
o agente imputa sua vontade livre e consciente em desobedecer a ordem
recebida do funcionário público, porém o erro ou o motivo de força maior exclui
o caráter doloso. Não há forma culposa do delito.
Desacato
Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da
função ou em razão dela:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Desacato é a conduta pela qual determinada pessoa desrespeita, não adota,
deixa de reverenciar funcionário público no exercício de sua função. Assim,
comete o crime de desacato não somente o ato de irreverência ou desrespeito,
como também a ofensa, moral ou física, lançada contra pessoa investida de
autoridade.
Conforme a redação do artigo 331, observa-se indispensável que o desacato
seja contra funcionário público, no exercício de sua função ou em razão dela,
tendo o delito como objetividade jurídica, manter o prestigio, o respeito da
administração pública exercido por seu agente público.
O sujeito ativo do crime de desacato poderá ser qualquer pessoa que vier a
desacatar funcionário público, inclusive o próprio funcionário público, pois como
dito, a objetividade jurídica do crime é manter o respeito, o decoro, da
administração pública. Assim o sujeito passivo do delito é o Estado, bem como
seu funcionário.
O crime em tela traz em seu cerne o sentido de vexar, afrontar, ofender,
desrespeitar o funcionário público, desferindo-lhe palavras injuriosas,
desrespeitosas, caluniosas, difamatórias bem como ameaças, gestos e
agressão física.
Tráfico de Influência
Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para
outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto
de influir em ato praticado por funcionário público no
exercício da função:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o
agente alega ou insinua que a vantagem é também
destinada ao funcionário.
O crime em tela tem como objetividade jurídica zelar pelo prestígio da
administração pública contra aquele que se utiliza da influência junto a
funcionário público.
O sujeito ativo do crime de Tráfico de Influência poderá ser qualquer pessoa
que vier a solicitar, exigir, cobrar ou obter vantagem ou promessa dela, para si
ou para outrem, se gabando de ter influenciado, persuadido o funcionário
público. A figura do sujeito passivo do delito será o Estado, desprestigiado pelo
particular em razão da pratica de umas das condutas típicas do crime.
Para a configuração do delito torna-se indispensável a prova de que o
agente, efetivamente, alardeou o prestígio junto a funcionário público caso
contrário não haverá a consumação do delito.
Importante se faz consignar que se o agente vier a tirar proveito da
influência, utilizando-se no todo ou em parte de seu resultado, incorrerá no
crime de corrupção ativa, logo não responderá pelo crime aqui tratado.
O crime exerce a modalidade dolosa uma vez que o agente emprega
vontade livre na pratica uma das condutas descritas no dispositivo, mesmo que
não tenha consciência de desprestigiar a administração pública.
Sua consumação se dará de imediato com o ato de solicitar, exigir, cobrar ou
obter a vantagem pretendida. Nota-se que, como dito anteriormente, se o
agente vier a obter a vantagem responderá pelo delito de corrupção ativa.
Corrupção ativa
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a
funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou
retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se,
em razão da vantagem ou promessa, o funcionário
retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo
dever funcional.
O objeto jurídico protegido nesse tipo penal é a probidade da administração,
e tenta-se evitar que uma ação externa corrompa a administração pública
através de seus funcionários.
Diferentemente da corrupção passiva, que só pode ser praticada por
funcionário público, na corrupção ativa o crime pode ser praticado por qualquer
sujeito, até mesmo um funcionário público que não esteja no exercício de suas
funções.
Portanto o sujeito ativo da corrupção ativa pode ser qualquer pessoa. Neste
crime quem é atingido pela sua prática é o Estado, sendo portanto este o
sujeito passivo do delito.
O tipo objetivo prevê que deve “oferecer ou prometer vantagem indevida”
esse oferecimento configura-se tanto para aquele que verbalmente e
pessoalmente o pratica ou para aquele que envia por carta ou deixa um
dinheiro sobre a mesa. Para configurar o crime de corrupção ativa deve a
oferta ou promessa levar o funcionário a deixar de praticar, retardar ou
executar ato de ofício.
Contrabando ou descaminho
Art. 334 Importar ou exportar mercadoria proibida ou
iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou
imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo
de mercadoria:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
§ 1º - Incorre na mesma pena quem:
a) pratica navegação de cabotagem, fora dos casos
permitidos em lei;
b) pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando
ou descaminho;
c) vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de
qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no
exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria
de procedência estrangeira que introduziu
clandestinamente no País ou importou fraudulentamente
ou que sabe ser produto de introdução clandestina no
território nacional ou de importação fraudulenta por parte
de outrem;
d) adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial,
mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada
de documentação legal, ou acompanhada de documentos
que sabe serem falsos.
§ 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os
efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular
ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o
exercido em residências.
§ 3º - A pena aplica-se em dobro, se o crime de
contrabando ou descaminho é praticado em transporte
aéreo.
Entende-se como contrabando o comércio feito contrariamente a lei,
incluindo-se tanto o comércio de introdução de mercadoria no país
(importação), como a remessa dessas para o exterior (exportação). Tais
operações são atos fraudulentos que visam o transporte de mercadorias tidas
como proibidas, assim definidas por lei.
Já o descaminho é o desvio de mercadorias com a intenção de fraudar o
fisco. Aqui se trata de sonegação de impostos na entrada ou na saída de
mercadoria do país.
Observa-se, claramente, a distinção entre contrabando e descaminho, sendo
que este se dá com intenção de burlar o fisco, negando-lhe o pagamento dos
impostos devidos, importando ou exportando mercadorias legais, ou seja,
permitidas por lei, enquanto naquele, como já mencionado, as mercadorias
transportadas são ilegais.
Tem-se que a objetividade jurídica é a tutela do erário público, de maneira
que o tipo penal visa proteger os interesses da administração e da Fazenda
Pública, no sentido de que tais órgãos não sejam financeiramente lesados.
O contrabando ou descaminho é crime comum, podendo ser praticado por
qualquer pessoa. Se houver participação de funcionário público, com
transgressão de dever funcional, incorrerá este no crime de facilitação de
contrabando ou descaminho, nos termos no artigo 318 do código penal.
O sujeito passivo do delito é o Estado, quando prejudicado em seus direitos
e em sua arrecadação de impostos.
Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência
Art. 335 - Impedir, perturbar ou fraudar concorrência
pública ou venda em hasta pública, promovida pela
administração federal, estadual ou municipal, ou por
entidade paraestatal; afastar ou procurar afastar
concorrente ou licitante, por meio de violência, grave
ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa,
além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se
abstém de concorrer ou licitar, em razão da vantagem
oferecida.
Inutilização de edital ou de sinal
Art. 336 - Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou
conspurcar edital afixado por ordem de funcionário
público; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por
determinação legal ou por ordem de funcionário público,
para identificar ou cerrar qualquer objeto:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Edital, derivado de edictus, de edictare (publicar,anunciar, intimar), vem
justamente indicar o ato pelo qual se faz publicar pela imprensa, ou nos lugares
públicos, certa notícia, fato ou ordenança, que deva ser divulgada ou difundida,
para conhecimento das próprias pessoas nele mencionadas, como de quantas
outras possam ter interesse no assunto, que nele se contém, de que são
exemplos o edital de casamento, de citação, de praça, de concurso e de
concorrência.
Sinal (ou selo) pode ser qualquer material, mas deve trazer a assinatura ou
símbolo (carimbo) de autoridade. Encontram-se elencados no rol de sinais o
lacre, arame, chumbo, papel, pano e demais objetos rubricados ou assinados
por autoridade, cujo objetivo é preservar, cerrar ou manter a inviolabilidade da
coisa.
Assim sendo, Edital e Sinal tratam-se de uma espécie de ordem ou
determinação oficial para conhecimento de todos e afixados em locais públicos
ou não, e sua inutilizarão ou conspurcação constitui crime, conforme dispõe o
artigo 336 do código penal.
Subtração ou inutilização de livro ou documento
Art. 337 - Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro
oficial, processo ou documento confiado à custódia de
funcionário, em razão de ofício, ou de particular em
serviço público:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não
constitui crime mais grave.
Sonegação de contribuição previdenciária
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social
previdenciária e qualquer acessório, mediante as
seguintes condutas:
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de
documento de informações previsto pela legislação
previdenciária segurados empregado, empresário,
trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este
equiparado que lhe prestem serviços;
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da
contabilidade da empresa as quantias descontadas dos
segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo
tomador de serviços;
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros
auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais
fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1o É extinta a punibilidade se o agente,
espontaneamente, declara e confessa as contribuições,
importâncias ou valores e presta as informações devidas
à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.
§ 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar
somente a de multa se o agente for primário e de bons
antecedentes, desde que:
I – (VETADO)
II – o valor das contribuições devidas, inclusive
acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela
previdência social, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
§ 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha
de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um
mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena
de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa.
§ 4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será
reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do
reajuste dos benefícios da previdência social.
A conduta de sonegação consiste em empregadores omitirem de sua folha
de pagamento informações previstas na legislação previdenciária, deixar de
lançar mensalmente nos títulos próprios de sua contabilidade e omitir, total ou
parcialmente, receitas ou lucros auferidos.
Cumpre-nos destacar que a conduta descrita no inciso I do artigo em tela,
consiste em omitir em folha de pagamento, segurados e demais que prestam
serviços ao empregador, ou seja, deixar de informar o empregado, empresário
etc.
Já o Inciso II a prática delituosa refere-se em deixar de lançar mensalmente
nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas
destes segurados, ou as devidas pelo empregador ou tomador de serviços.
Nesta conduta deixam de serem lançados quantias descontas, diferente da
conduta do inciso I onde percebe-se a ação em não lançar o empregado.
No que se refere ao disposto no inciso III, percebe-se claramente a distinção
entre as duas praticas citadas no inciso I e II, onde o agente omite, total ou
parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações ou creditadas e
demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias.
O sujeito ativo do crime aqui tratado é o responsável legal pela empresa,
seus sócios, diretores, gerentes e demais responsáveis pelo lançamento nas
folhas de pagamento e documentos de informação à previdência social.
O sujeito passivo do crime sempre será a previdência social, prejudicada
por uma ou mais ações praticadas pelo sujeito ativo.
A pratica do crime se dá na modalidade dolosa uma vez o agente exerce
vontade livre e consciente em suprimir ou reduzir contribuição destinada a
previdência.
Vale-nos consignar que por contribuição destinada á previdência podemos
entender aquelas consideradas incidentes da referida verba, ou seja, salários,
13º Salário, férias, horas extras, adicionais de insalubridade ou periculosidade,
adicional noturno dentre outras.
CAPÍTULO II-A
DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
ESTRANGEIRA
Corrupção ativa em transação comercial
internacional
Art. 337-B. Prometer, oferecer ou dar, direta ou
indiretamente, vantagem indevida a funcionário público
estrangeiro, ou a terceira pessoa, para determiná-lo a
praticar, omitir ou retardar ato de ofício relacionado à
transação comercial internacional:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço),
se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário
público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício, ou o
pratica infringindo dever funcional.
Tráfico de influência em transação comercial
internacional
Art. 337-C. Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou
para outrem, direta ou indiretamente, vantagem ou
promessa de vantagem a pretexto de influir em ato
praticado por funcionário público estrangeiro no exercício
de suas funções, relacionado a transação comercial
internacional:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se o
agente alega ou insinua que a vantagem é também
destinada a funcionário estrangeiro.
Funcionário público estrangeiro
Art. 337-D. Considera-se funcionário público estrangeiro,
para os efeitos penais, quem, ainda que transitoriamente
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função
pública em entidades estatais ou em representações
diplomáticas de país estrangeiro.
Parágrafo único. Equipara-se a funcionário público
estrangeiro quem exerce cargo, emprego ou função em
empresas controladas, diretamente ou indiretamente, pelo
Poder Público de país estrangeiro ou em organizações
públicas internacionais.
12.3 DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA
A administração da justiça, a distribuição da justiça, a atuação do Poder
Judiciário, bem a si dos órgãos indispensáveis a sua atividade, como a das
autoridades policiais do Ministério Público, da Advocacia e de todos os
operadores do Direito, é bem jurídico importantíssimo e deve estar, também, ao
amparo do Direito Penal contra ações que se voltem contra a sua regularidade
e o respeito que todos a ela dedicam. Por isso, o Código Penal, dedicou o
capítulo 3 do Título XI, aos crimes contra a administração da justiça.
CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA
Reingresso de estrangeiro expulso
Art. 338 - Reingressar no território nacional o estrangeiro
que dele foi expulso:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, sem prejuízo de
nova expulsão após o cumprimento da pena.
Denunciação caluniosa
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial,
de processo judicial, instauração de investigação
administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade
administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que
o sabe inocente:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se
serve de anonimato ou de nome suposto.
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de
prática de contravenção.
O delito de denunciação caluniosa objetiva a proteção da administração da
justiça.
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa, inclusive delegado, promotor, juiz etc. Se o
crime for de ação penal privada ou de ação penal condicionada à
representação, quem pode dar causa à instauração é a vítima ou seu
representante legal.
Sujeito Passivo: O Estado. O sujeito passivo secundário é aquele a quem
se atribuiu falsamente a prática do delito.
Elementos Objetivos do Tipo: Dar causa: originar, causar, provocar. Pode
ser praticado por qualquer meio, pois é crime de forma livre. A denunciação
caluniosa pode ser direta ou indireta.
� Direta: quando o próprio agente dá causa (de forma verbal ou escrita).
� Indireta: quando o agente faz com que a notícia chegue à autoridade por
qualquer meio (telefonema anônimo, carta anônima, encenação. Por exemplo,
colocar um objeto na bolsa de alguém).
A pena aumenta em um sexto se o autor servir-se de anonimato ou nome
falso (art. 339, § 1.º, do CP).
• Contra alguém: o crime de denunciação caluniosa exige que a
imputação seja feita contra alguém, ou seja, contra pessoa determinada.
• Comunicação falsa de crime: a pessoa inventa um crime, mas não faz
imputação a ninguém. Ex.: homem que bateu o próprio carro para receber o
seguro e disse que foi vítima.
Consumação: Consuma-se o delito quando iniciada a investigação ou o
processo. Não basta a notícia.
Diferença Entre Denunciação Caluniosa e Calúnia: Calúnia (art. 138 do
CP) é a imputação falsa de um crime. Denunciação caluniosa é a imputação de
um crime ou de uma contravenção, que deve dar causa à instauração de
investigação ou processo. Na calúnia a intenção do agente é ofender a honra.
Na denunciação caluniosa a intenção do agente é instaurar o procedimento. Os
dois crimes não irão existir conjuntamente: ou ocorrerá calúnia ou denunciação
caluniosa, dependendo da intenção do agente.
Comunicação falsa de crime ou de contravenção
Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-
lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe
não se ter verificado:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
A diferença entre denunciação caluniosa e comunicação falsa de crime é
que na denunciação caluniosa há imputação de crime a alguém, e na
comunicação falsa não há imputação a alguém, apenas se comunica um fato.
Exemplo de comunicação falsa: “fui furtado”.
Exemplo de denunciação caluniosa: “João me furtou”.
Objetividade Jurídica: Resguardar a Administração Pública, a
administração da justiça.
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.
Sujeito Passivo: O Estado, visto como Administração Pública.
Elementos Objetivos do Tipo:
• Provocar: dar causa, originar, ocasionar.
• Ação da autoridade: investigação. Não basta a lavratura do Boletim de
Ocorrência, devendo ser iniciada uma investigação.
• Autoridade: delegado, juiz, promotor, policial etc. O conceito é bem
amplo. O crime é livre, podendo ser cometido por escrito, verbalmente, por
interposta pessoa etc.
Elemento Subjetivo do Tipo: Dolo direto, pois a lei exclui o dolo eventual
ao usar o termo “que Sabe”.
Consumação: Com o início da investigação. Se apenas for lavrado o
Boletim de Ocorrência, o crime foi tentado.
Auto-acusação falsa
Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime
inexistente ou praticado por outrem:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
Objetividade Jurídica: A administração da justiça.
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.
Sujeito Passivo: O Estado, a coletividade.
Elementos Objetivos do Tipo: O núcleo é acusar-se, ou seja, apontar a
sim mesmo como autor do crime. A auto-acusação falsa não é um crime de
mão-própria; tem forma livre. Não precisa de espontaneidade, basta que exista
o dolo. O tipo refere-se à autoridade no sentido amplo, ou seja, juiz, promotor,
delegado, policial etc. É necessário que a auto-acusação seja de crime, pois se
for de contravenção o fato é atípico.
Elemento Subjetivo do Tipo: Basta o dolo.
Consumação: O crime consuma-se no momento em que a auto-acusação
chegar ao conhecimento da autoridade. Observação: Na denunciação
caluniosa não basta a comunicação; deve ser iniciada a investigação.
Falso testemunho ou falsa perícia
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a
verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou
intérprete em processo judicial, ou administrativo,
inquérito policial, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
§ 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o
crime é praticado mediante suborno ou se cometido com
o fim de obter prova destinada a produzir efeito em
processo penal, ou em processo civil em que for parte
entidade da administração pública direta
ou indireta.
§ 2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no
processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou
declara a verdade.
Objetividade Jurídica: A administração da justiça.
Sujeito Ativo: A testemunha, o perito, o tradutor e o intérprete. Trata-se de
crime próprio. Se a vítima mentir, não pratica o crime, assim como as partes
também não praticam o falso testemunho. A mera contradição entre
depoimentos não configura crime de falso testemunho.
Perito: Pessoa que possui conhecimentos técnicos para, após exame, emitir
parecer a respeito de questões relativas aos seus conhecimentos. O tradutor e
o intérprete também são peritos. Tradutor é aquele que verte, ou seja, traduz
para o idioma nacional texto em língua estrangeira. Intérprete é aquele
encarregado de fazer com que se entendam, quando necessário, a autoridade
e alguma pessoa que não conhece o idioma nacional ou que está
impossibilitada de falar. O tradutor e o intérprete diferenciam-se do perito
comum, porque não são fontes de prova, limitando-se a fazer compreender o
conteúdo de elementos produzidos para instrução e decisão do processo em
causa.
Sujeito Passivo: O Estado e, secundariamente, aquele a quem o falso
possa prejudicar.
Elementos Objetivos do Tipo: Fazer afirmação falsa: dizer, afirmar o que
não corresponde com a verdade. Negar a verdade: dizer que não sabe o que
sabe, dizer que não viu o que viu etc. Calar a verdade: silenciar a respeito do
que sabe. O silêncio por si só, nesse caso, é crime.
Elemento Subjetivo do Tipo: Basta o dolo. Não há necessidade de
intenção especial.
Consumação: Com o encerramento do depoimento, ou seja, com a
assinatura da testemunha. No crime de falsa perícia, a consumação se dá com
a entrega da perícia para ser anexada aos autos (não com a juntada).
Falso Testemunho Qualificado – Artigo 342, § 1.º: O falso testemunho
qualificado ocorre quando a finalidade do delito for obter prova destinada a
produzir efeitos no processo penal. A prova não precisa ser feita no processo
penal, basta a finalidade. Aqui há dolo específico (elemento subjetivo do tipo).
Causa de aumento de pena – Artigo 342, § 2.º: A pena é aumentada em
1/3 se o crime é praticado mediante suborno. Tanto faz se houve pagamento
ou promessa de pagamento. Aquele que suborna responde pelo crime do
artigo 343.
Retratação – Artigo 342, § 3.º: O fato deixa de ser punível se, antes de a
sentença ser proferida (no processo em que o crime de falso testemunho foi
praticado), o agente se retratar. Retratação: desdizer, retirar o que disse. Mas
isso não basta, pois o agente tem que restaurar a verdade. É causa de
extinção da punibilidade (art. 107, inc. VI, do CP).
Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer
outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor
ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a
verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou
interpretação:
Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a
um terço, se o crime é cometido com o fim de obter prova
destinada a produzir efeito em processo penal ou em
processo civil em que for parte entidade da administração
pública direta ou indireta.
Coação no curso do processo
Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim
de favorecer interesse próprio ou alheio, contra
autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona
ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou
administrativo, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da
pena correspondente à violência.
Objetividade Jurídica: A administração da justiça.
Sujeito Ativo: O indivíduo contra quem foi instaurado o procedimento ou
terceiro que vise o benefício daquele.
Sujeito Passivo: O Estado e, em segundo plano, aquele que sofre a
coação. Cabe ressaltar que, apesar do nome “coação no curso do processo”, o
crime também estará configurado se a violência ou grave ameaça for utilizada
no curso do inquérito policial, de procedimento administrativo ou de
procedimento em juízo arbitral.
Elemento Subjetivo do Tipo: O dolo de favorecer interesse próprio ou
alheio.
Consumação: O delito se consuma no momento do emprego da violência
ou grave ameaça, independentemente do êxito, do fim visado pelo agente.
Trata-se de crime formal.
Tentativa: É possível.
Exercício arbitrário das próprias razões
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para
satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei
o permite:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa,
além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Se não há emprego de violência,
somente se procede mediante queixa.
Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa
própria, que se acha em poder de terceiro por
determinação judicial ou convenção:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
O que se pune é a conduta tendente à satisfação de pretensão, no sentido
técnico, ou seja, direito que o agente supõe ter e que pode ser levado a Juízo.
A pretensão pode ser legítima ou não, é irrelevante.
Fazer justiça com as próprias mãos é conduta de forma livre. Se o delito for
praticado com violência, haverá concurso material de crimes.
Se não houver emprego de violência, a ação será privada (mediante queixa).
Fraude processual
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de
processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de
coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o
perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir
efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as
penas aplicam-se em dobro.
O código penal brasileiro prevê em seu artigo 347 o crime de fraude
processual. O referido dispositivo pressupõe que, na pendência da lide, o
agente inove artificiosamente o estado do lugar, da coisa ou da pessoa, com o
fito de induzir em erro o juiz ou o perito.
O pressuposto para a tipificação do delito é a pendência de processo cível
ou administrativo, ou seja, processo em trâmite, pois, se a inovação se fizer no
âmbito do processo penal, não será exigível a pendência, incorrendo em crime
o agente que inove, de forma artificiosa, o estado de lugar, de coisa ou de
pessoa, mesmo que o processo ainda não tenha sido instaurado.
Em se tratando de processo civil ou administrativo somente incorrerá em
crime o agente que venha a inovar, mudar, alterar o lugar, coisa ou pessoa no
curso de um processo, sendo que na esfera criminal o agente já estará incurso
em crime de fraude processual quando praticar quaisquer daquelas condutas
que possam induzir o juiz ou o perito mesmo antes de iniciada a ação penal.
Não incorrerá no crime aqui tratado o agente que, mesmo intencionalmente,
corta ou deixa crescer seus cabelos, extrai seu bigode, passa a usar óculos ou
pratica qualquer ato similar com o intuito de não ser reconhecido onde,
portanto, tais condutas não configuram o tipo penal, ou seja, a inovação
artificiosa.
Favorecimento pessoal
Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade
pública autor de crime a que é cominada pena de
reclusão:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
§ 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão:
Pena - detenção, de quinze dias a três meses, e multa.
§ 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente,
descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento
de pena.
Favorecimento real
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-
autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar
seguro o proveito do crime:
Pena - detenção,
de um a seis meses, e multa.
Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou
facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação
móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em
estabelecimento prisional.
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. (Incluído
pela Lei nº 12.012, de 2009).
No artigo 349 do código penal encontra-se previsto o crime de favorecimento
real, que consiste na ação do agente em auxiliar o criminoso, colocando fora de
perigo o proveito daquele crime.
Importante se faz mencionar a distinção entre o crime de receptação (art.
180 do CP) do delito aqui tratado. No crime de receptação o agente se utiliza
do produto do crime alheio em interesse próprio, ou seja, exerce interesse
econômico em seu favor ou de terceiro, já no favorecimento real a conduta é
tornar seguro, por a salvo a vantagem obtida pelo criminoso. Por co-autoria,
entende-se a execução conjunta do crime.
Visa, o tipo penal, conservar a regularidade da administração, no sentido de
obstaculizar qualquer auxilio ao criminoso em relação a “res furtivae” e, da
mesma maneira, objetiva proteger o patrimônio da vítima do crime anterior a
esse.
Por tratar-se de crime comum, qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do
delito, sendo sujeitos passivos o Estado, bem como a pessoa prejudicada com
a subtração.
Vale-nos consignar que por “proveito do crime” devemos entender qualquer
vantagem, material ou imaterial. A título de exemplo podemos citar como
vantagem material a posse do objeto furtado anteriormente, e imaterial o valor
pago pela pratica, ou seja, a coisa (dinheiro) que veio a substituir o objeto do
material do crime.
É importante também distinguir o crime em estudo do crime denominado
favorecimento pessoal. É que no primeiro caso, o que se quer assegurar é o
proveito de um crime anterior (objeto material ou imaterial) e, no segundo
crime, o que se pretende garantir é a fuga do autor.
Exercício arbitrário ou abuso de poder
Art. 350 - Ordenar ou executar medida privativa de
liberdade individual, sem as formalidades legais ou com
abuso de poder:
Pena - detenção, de um mês a um ano.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcionário
que:
I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a
estabelecimento destinado a execução de pena privativa
de liberdade ou de medida de segurança;
II - prolonga a execução de pena ou de medida de
segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de
executar imediatamente a ordem de liberdade;
III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia
a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;
IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.
Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de
segurança
Art. 351 - Promover ou facilitar a fuga de pessoa
legalmente presa ou submetida a medida de segurança
detentiva:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 1º - Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais
de uma pessoa, ou mediante arrombamento, a pena é de
reclusão, de dois a seis anos.
§ 2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-
se também a pena correspondente à violência.
§ 3º - A pena é de reclusão, de um a quatro anos, se o
crime é praticado por pessoa sob cuja custódia ou guarda
está o preso ou o internado.
§ 4º - No caso de culpa do funcionário incumbido da
custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, de três
meses a um ano, ou multa.
Evasão mediante violência contra a pessoa
Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o
indivíduo submetido a medida de segurança detentiva,
usando de violência contra a pessoa:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena
correspondente à violência.
Evadir é o ato pelo qual determinada pessoa, presa ou submetida a medida
de segurança detentiva, foge, escapa da prisão ou do lugar em que fora
recolhido. O Código Penal brasileiro, em seu artigo 352, imputa o crime de
evasão somente ao sujeito que, evadindo-se ou tentando evadir-se, vier a
praticar violência física contra outrem.
Observar-se que o tipo penal apenas imputa a conduta criminosa ao agente
caso este, evadindo-se ou tentando evadir-se, empregue violência física contra
pessoa, caso contrário estará o Estado impedido de puni-lo pela simples fuga
ou sua tentativa. Não estará o preso isento de medidas disciplinares caso tente
ou incorra em evasão, sendo que tal conduta lhe será prejudicial quando da
pretensão de alguns benefícios da lei.
Vale-nos explicitar que a evasão, ou sua tentativa, pode se dar de qualquer
lugar onde o sujeito tiver sua liberdade cerceada, ou seja, presídio, internato,
edifício, delegacia, viatura de polícia e demais locais.
No crime de evasão mediante violência contra a pessoa objetiva-se a regular
administração da justiça onde o Estado, em seus apropriados
estabelecimentos, tem o dever em manter o preso ou o internado privado de
sua liberdade. O delito tem como sujeito ativo a pessoa presa ou internada,
figurando no pólo passivo o Estado, bem como a pessoa que for vítima de
agressão física pelo agente.
Fundamental que o agente aja com dolo, consciente de que pretende evadir-
se de prisão legalmente decretada, utilizando-se de violência física contra
outrem. A ação penal é pública incondicionada.
Arrebatamento de preso
Art. 353 - Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder
de quem o tenha sob custódia ou guarda:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, além da pena
correspondente à violência.
O verbo arrebatar significa a ação pela qual se retira, arranca determinada
coisa de seu lugar ou da posse de quem a detém, impelindo-a ou usando da
força com o propósito de apoderação. O ato de arrebatar também se dá em
relação à pessoa quando esta é retirada, arrancada a força da custódia de
quem a detém.
Em matéria de direito penal, o artigo 353 do CP contempla o crime de
arrebatamento de preso, cujo ato consiste em retirar o apenado da custódia do
Estado, submetendo-o a violência e maus tratos.
O tipo penal trás, para a configuração do delito, que o arrebatamento do
preso se dê com o objetivo de maltratá-lo onde se torna indispensável o
emprego da violência, ou até mesmo ameaça, pois ocorrendo a simples
subtração, mesmo que haja a intenção de maltratá-lo, não se consumará o
delito cabendo ao arrebatador responder por sua tentativa.
Embora o tipo penal não mencione o local onde deva estar custodiado o
preso, vale-nos mencionar que o arrebatamento poderá se dar em uma
delegacia, num presídio, viatura de polícia ou qualquer outro local onde esteja
o preso, não importando também se sua prisão foi ou não investida de
legalidade.
Nota-se na redação do artigo aqui tratado que somente o preso arrebatado
figurará como sujeito passivo do crime, portanto exclui-se a figura de pessoa
submetida a medida de segurança, como, por exemplo, no caso de menores de
idade.
O sujeito ativo do crime será qualquer pessoa que vier a arrebatar o preso,
desde que o maltrate, figurando no pólo passivo, além do preso, o Estado.
O agente, ao retirar o preso da custódia e guarda do Estado, com a
finalidade de maltratá-lo, exerce vontade livre e consciente, portanto o crime é
doloso onde não se admite a modalidade culposa.
Motim de presos
Art. 354 - Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou
disciplina da prisão:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da
pena correspondente à violência.
Entende-se por Motim de Presos a revolta coletiva de encarcerados com o
propósito de afrontar a autoridade prisional causando desordem, dano ao
patrimônio público, violência contra policias, agentes e outros funcionários, bem
como aos outros detentos.
Tem o dispositivo penal o propósito de manter a ordem e a disciplina