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DIREITO PENAL 
 
 
1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL E INTERPRETAÇÃO DA LEI 
PENAL 
 
Princípio da Legalidade: O princípio da reserva legal delimita o poder 
punitivo do Estado e dá ao Direito Penal uma função garantista, pois define o 
delito e a pena, ficando os cidadãos cientes de que só pelos fatos 
anteriormente delineados como crimes poderão ser responsabilizados 
criminalmente e apenas naquelas sanções previamente fixadas podem ser 
processados e condenados. O referido princípio se desdobra em quatro 
princípios: 
a) nullum crimen, nulla poena sine lege praevia (proibição da edição de leis 
retroativas que fundamentam ou agravem a punibilidade) 
b) nullum crimen, nulla poena sine lege scripta (proibição da 
fundamentação ou do agravamento da punibilidade pelo direito 
consuetudinário); 
c) nullum crimen, nulla poena sine lege stricta (proibição da fundamentação 
ou do agravamento da punibilidade pela analogia); 
d) nullum crimen, nulla poena sine lege certa (a proibição de leis penais 
indeterminadas). 
 
Princípio da Intervenção Mínima: A aplicação abusiva da previsão 
legislativa penal faz com que ela perca parte de seu mérito e, assim, sua força 
intimidadora. O princípio da intervenção mínima está diretamente ligado aos 
critérios do processo legislativo de elaboração de leis penais, servindo, num 
primeiro momento, como regra de determinação qualitativa abstrata para o 
processo de tipificação das condutas, e, num segundo momento, juntamente 
com o princípio da proporcionalidade dos delitos e das penas, cominar a 
sanção pertinente. Destarte, surge como tendência, a idéia de que só se deve 
criminalizar condutas de efetiva gravidade e que atinjam bens fundamentais, 
valores básicos de convívio social. 
 
Princípio da Humanidade: A Declaração dos Direitos do Homem disciplina 
em seu artigo 5º, que: "ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou 
castigo cruel, desumano e degradante". No mesmo sentido, a Convenção 
Internacional sobre Direitos Políticos e Civis, de 1966, dispõe em seu artigo 10, 
inciso I, que: "o preso deve ser tratado humanamente, e com o respeito que lhe 
corresponde por sua dignidade humana". A Constituição Federal de 1988 
trouxe diversos dispositivos onde se constata a consagração do princípio da 
humanidade. Exemplo: artigo 5, inciso XLIX, da Lei Maior, que: "é assegurado 
aos presos o respeito à integridade física e moral". O próximo inciso do mesmo 
artigo assevera que: "às presidiárias são asseguradas as condições para que 
possam permanecer com seus filhos durante o período da amamentação". 
Ainda mais enfatizante é o inciso XLVII, do citado artigo, que dispõe: "não 
haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do 
artigo 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de 
banimento; e) cruéis". 
 
Princípio da Pessoalidade: Aduz que a pena não pode passar da pessoa 
que praticou o delito. A Carta Magna em vigor disciplina no artigo 5º, inciso 
XLV que: "nenhuma pena passará da pessoa do condenado (...)". 
A pena não se pode estender a pessoas que não participaram do delito, 
ainda que haja laços de parentesco, afinidade ou amizade com o condenado. 
Não se pode olvidar, contudo, que a pena pode gerar danos e sofrimentos a 
terceiros, em especial a família. Assim, determinadas legislações vêm 
disciplinando a criação de institutos que auxiliam tanto a família do 
sentenciado, como a vítima do delito. 
 
Princípio da Individualização da Pena: A legislação constitucional pátria 
consagrou o princípio no artigo 5, inciso XLVI, dispondo que: "a lei regulará a 
individualização da pena". A individualização da pena passa por três fases 
distintas: A legislativa, a judicial e a executória ou administrativa. 
No primeiro momento, a lei delimita as penas para cada tipo de delito, 
guardando proporcionalidade com a importância do bem jurídico defendido e 
com o grau de lesividade da conduta. Nesta fase, ainda, se estabelece as 
espécies de penas que podem ser aplicadas, de forma cumulativa, alternativa 
ou exclusiva. 
Na segunda fase, ocorre a individualização realizada pelos magistrados. 
Diante das diretrizes fixadas pela legislação, o juiz vai decidir qual das penas 
deve ser aplicada e qual a sua quantidade, dentro dos limites trazidos no 
preceito penal secundário, determinando, inclusive, o meio de sua execução. 
As regras básicas da individualização da pena, em nosso Código Penal, estão 
previstas no artigo 59 e não podem deixar de ser observadas pelo juiz. 
A terceira e última etapa da individualização da pena ocorre com sua 
execução e é denominada de individualização administrativa ou 
individualização executória. A Constituição Federal traz alguns preceitos que 
devem ser respeitados na etapa executória. No artigo 5ª, inciso XLIX, diz ser 
"assegurado aos presos o respeito a integridade física e moral". Já no inciso 
XLVIII, do mesmo artigo, se impõe que o cumprimento da pena se dará em 
estabelecimentos que atendam "a natureza do delito, a idade e o sexo do 
apenado". 
Princípio da Consunção : É o princípio segundo o qual um fato mais amplo 
e mais grave consome, isto é, absorve outros fatos menos amplos e graves, 
que funcionam como fase normal de preparação ou execução ou mero 
exaurimento. 
 
 
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL 
 
A legislação penal constitui obra humana, suscetível de imperfeições, de 
obscuridades. Interpreta-se a lei penal, uma vez que, ela possui sentido e 
alcance próprios. A interpretação consiste em extrair da norma o seu 
verdadeiro significado e conteúdo, face a realidade para aplicação ao caso 
concreto. Espécies de Interpretação: 
 
a) Quanto ao sujeito a interpretação pode ser: 
 
AUTÊNTICA: Quando procede do próprio órgão elaborador da norma. 
Podendo ser: Contextual - feita pelo próprio sujeito que elaborou a norma 
ou quando está no próprio texto da lei; ou Posterior - interpretação efetuada 
depois de editada a lei, 
 
DOUTRINÁRIA: Efetuada pelos escritores de Direito em seus comentários 
às leis, sendo denominado "Communis Opinio Doctorum". Não tem força 
obrigatória pela diversidade de pensamentos. 
 
JUDICIAL OU JURISPRUDENCIAL: Efetuada pelos órgãos do Poder 
Judiciário através de juízes e tribunais, tendo força obrigatória para o caso 
concreto desde que sobrevenha à coisa julgada e esteja coberta pela 
imutabilidade. Se ultrapassado o prazo de recurso faz coisa julgada material. 
 
b) Quanto ao Meio Empregado: 
 
GRAMATICAL: Análise do texto legal verificando o que dizem as palavras da 
lei. 
 
LÓGICA OU TELEOLÓGICA: Consiste em indagar a vontade da lei, levando 
em consideração os motivos que determinaram a sua produção. As 
necessidades, os aspectos históricos, o direito comparado e elementos extra-
jurídicos: química, biologia, psiquiatria, etc. 
 
c) Quanto ao Resultado: 
 
DECLARATIVA: Quando a eventual dúvida se resolve pela letra e vontade 
da lei, sem necessidade de conferir um sentido mais amplo ou restrito. Não 
precisa restringir ou estender; porque está escrito. 
 
RESTRITIVA: Quando o texto da lei disser mais que a sua vontade, surgindo 
a necessidade de restringir o alcance de suas palavras. 
 
EXTENSIVA: Nesse caso o texto da lei disse menos do que deveria dizer. 
 
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA OU INTRA: É permitida toda vez que 
houver uma fórmula casuística seguindo uma cláusula genérica, a qual deve 
ser interpretada de acordo com os casos anteriormente elencados na 
interpretação extensiva em que a própria lei determina que se estenda o seu 
conteúdo. Exemplos de fórmulas casuísticas: traição, emboscada e 
dissimulação. Exemplo de cláusula genérica: outro recurso. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
01. (Secretário de Diligências – MPE/RS – FCC – 2008) Tendo em conta o 
Princípio da Reserva Legal, é correto afirmar
que 
a) é lícita a aplicação de pena não prevista em lei se o fato praticado pelo 
agente for definido como crime no tipo penal. 
b) o juiz pode fixar a pena a ser aplicada ao autor do delito acima do máximo 
previsto em lei, aplicando os costumes vigentes na localidade em que ocorreu. 
c) é vedado o uso da analogia para punir o autor de um fato não previsto em 
lei como crime, mesmo sendo semelhante a outro por ela definido. 
d) fica ao arbítrio do juiz determinar a abrangência do preceito primário da 
norma incriminadora se a descrição do fato delituoso na norma penal for vaga e 
indeterminada. 
e) o juiz tem o poder de impor sanção penal ao autor de um fato não descrito 
como crime na lei penal, se esse fato for imoral, anti-social ou danoso à 
sociedade. 
 
02. (Advogado – UDESC – FEPESE – 2010) Assinale a alternativa correta. 
a) O princípio da humanidade das penas está consagrado na Constituição 
Federal. 
b) O princípio da aplicação da lei mais benéfica não é utilizado pelo direito 
penal. 
c) O princípio da intervenção mínima não se confunde com o principio da 
ultima ratio. 
d) Por força do princípio da insignificância não são punidos os crimes de 
menor potencial ofensivo 
e) A existência de crimes funcionais ofende o princípio da igualdade 
 
03. (Defensoria Pública – DPE/SP – FCC – 2010) A absorção do crime-
meio pelo crime-fim configura aplicação do princípio da 
a) sucessividade 
b) alternatividade 
c) consunção 
d) especialidade 
e) subsidiariedade 
 
04. (Defensoria Pública – DPE/MA – FCC – 2009) Na consideração de que 
o crime de falso se exaure no estelionato, responsabilizando-se o agente 
apenas por este crime, o princípio aplicado para o aparente conflito de normas 
é o da 
a) subsidiariedade 
b) consunção 
c) especialidade 
d) alternatividade 
e) instrumentalidade 
 
05. (Técnico Administrativo – MPE/AP – FCC – 2009) O princípio 
constitucional que assegura ao acusado o direito de ampla defesa, em 
processo em que seja assegurada a igualdade das partes, denomina-se 
princípio 
a) juiz natural 
b) do estado de inocência 
c) da verdade real 
d) da obrigatoriedade 
e) do contraditório 
 
 
06. (Técnico do Ministério Público – MPE/SE – FCC – 2009) O art. 5º, 
LVII, da Constituição Federal dispõe que "ninguém será considerado culpado 
até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Nesse dispositivo 
constitucional está consagrado o princípio 
a) da anterioridade da lei penal. 
b) da presunção de inocência. 
c) da legalidade. 
d) do contraditório 
e) do juiz natural 
 
07. (Técnico Administrativo - MPU – FCC – 2007) Dispõe o artigo 1º do 
Código Penal: "Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem 
prévia cominação legal". Tal dispositivo legal consagra o princípio da 
a) ampla defesa. 
b) legalidade. 
c) presunção de inocência. 
d) dignidade. 
e) isonomia. 
 
GABARITO: 
 
01 C 
02 A 
03 C 
04 B 
05 E 
06 D 
07 B 
 
 
2. DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL 
 
 
 
ANTERIORIDADE DA LEI 
 
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não 
há pena sem prévia cominação legal. 
 
LEI PENAL NO TEMPO 
 
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei 
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude 
dela a execução e os efeitos penais da sentença 
condenatória. 
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo 
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda 
que decididos por sentença condenatória transitada em 
julgado. 
 
A lei que revoga um tipo incriminador extingue o direito de punir (abolitio 
criminis). A conseqüência do abolitio criminis é a extinção da punibilidade do 
agente. Por beneficiar o agente, o abolitio criminis alcança fatos anteriores e 
será aplicado pelo Juiz do processo, podendo ser aplicado antes do final do 
processo, levando ao afastamento de quaisquer efeitos da sentença, ou após a 
condenação transitada em julgado. No caso de já existir condenação transitada 
em julgado, o abolitio criminis causa os seguintes efeitos: a extinção imediata 
da pena principal e de sua execução, a libertação imediata do condenado 
preso e extinção dos efeitos penais da sentença condenatória (Exemplo: 
reincidência, inscrição no rol dos culpados, pagamento das custas etc.). 
Vale lembrar que os efeitos extrapenais, contudo, subsistem, como a perda 
de cargo público, perda de pátrio poder, perda da habilitação, confisco dos 
instrumentos do crime etc. A competência para a aplicação do abolitio criminis 
após o trânsito em julgado é do juízo da execução: 
 
Súmula nº 611 do STF: “Transitada em julgado a 
sentença condenatória, compete ao juízo das execuções 
a aplicação da lei mais benigna. 
 
O parágrafo único do artigo 2º trata do fenômeno da extratividade da lei 
penal, ou seja; a lei pode retroagir SOMENTE quando para beneficiar o agente. 
Extratividade: É o fenômeno pelo qual a lei produz efeitos fora de seu 
período de vigência. Divide-se em duas modalidades: retroatividade e 
ultratividade. 
Na retroatividade, a lei retroage aos fatos anteriores à sua entrada em vigor, 
se houver benefício para o agente; enquanto na ultratividade, a lei produz 
efeitos mesmo após o término de sua vigência. 
Não há que se falar em conflito de leis entre o artigo primeiro (legalidade) e o 
parágrafo único do artigo 2º (extratividade). Vejamos: 
a) No artigo 1º, decretando a irretroatividade da lei, o Código Penal (CP) 
procurou defender a dignidade humana e a estrutura democrática brasileiras, 
ambos fundamentos cruciais à existência da nossa República federativa (Art. 
1º, III e Parágrafo Único da CF-88), porque trata-se de uma barreira à 
discricionariedade estatal no que se refere à punição. Ele reflete o objetivo 
claro de controle dos bens jurídicos da sociedade. O que seria de uma nação 
se qualquer pessoa com poder pudesse escolher as condutas que devem ser 
punidas e assim fazê-lo do modo que lhe der mais satisfação? 
b) O artigo 2º, por sua vez, em seu parágrafo único, faz exatamente o 
mesmo do artigo 1º. A retroatividade que valida é restringida aos efeitos 
benéficos do dispositivo penal em questão, o que é relacionado com os 
objetivos da punição estatal e igualmente ao princípio da dignidade humana, 
porque evitar que as mudanças sociais se estendam àqueles que, por exemplo, 
têm o direito constitucional de ir e vir cerceado por uma conduta que não é 
mais considerada lesiva, é negar a igualdade de tratamento do Estado a toda a 
sociedade, sobretudo quanto à defesa da dignidade e quanto à justiça, ambos 
também explicitamente acobertas constitucionalmente. 
 
LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA 
 
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora 
decorrido o período de sua duração ou cessadas as 
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato 
praticado durante sua vigência. 
 
As leis acima citadas são auto-revogáveis, ou seja, são exceções à regra de 
que uma lei se revoga por outra lei. Subdividem-se em duas espécies: 
• leis temporárias: Aquelas que já trazem no seu próprio texto a data de 
cessação de sua vigência, ou seja, a data do término de vigência já se 
encontra explícito no texto da lei. 
• leis excepcionais: Aquelas feitas para um período excepcional de 
anormalidade. São leis criadas para regular um período de instabilidade. Neste 
caso, a data do término de vigência depende do término do fato para o qual ela 
foi elaborada. 
Estas duas espécies são ultrativas, ainda que prejudiquem o agente 
(Exemplo: Num surto de febre amarela é criado um crime de omissão de 
notificação de febre amarela; caso alguém cometa o crime e logo em seguida o 
surto seja controlado, cessando a vigência da lei, o agente responderá pelo 
crime). Se não fosse assim, a lei perderia sua força coercitiva, visto que o 
agente, sabendo qual seria o término da vigência
da lei, poderia retardar o 
processo para que não fosse apenado pelo crime. 
 
TEMPO DO CRIME 
 
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da 
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do 
resultado. 
 
Trata-se da fixação do tempo em que crime reputa-se praticado. Existem 
três teorias sobre o tempo do crime: 
• Teoria da atividade: O tempo do crime é o tempo da ação, ou seja, é o 
tempo que se realiza a ação ou a omissão que vão configurar o crime; 
• Teoria do resultado: O tempo do crime é o tempo que se produz o 
resultado, sendo irrelevante o tempo da ação; 
• Teoria mista ou da ubiqüidade: O tempo do crime será tanto o tempo da 
ação quanto o tempo do resultado. 
A teoria utilizada pelo Código Penal (CP) é a teoria da atividade. Na teoria 
da atividade o agente, em caso de lei nova, responderá sempre de acordo com 
a última lei vigente, seja ela mais benéfica ou não. 
 
TERRITORIALIDADE 
 
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de 
convenções, tratados e regras de direito internacional, ao 
crime cometido no território nacional. 
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como 
extensão do território nacional as embarcações e 
aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do 
governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem 
como as aeronaves e as embarcações brasileiras, 
mercantes ou de propriedade privada, que se achem, 
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em 
alto-mar. 
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes 
praticados a bordo de aeronaves ou embarcações 
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas 
em pouso no território nacional ou em vôo no espaço 
aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial 
do Brasil. 
 
LUGAR DO CRIME 
 
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que 
ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem 
como onde se produziu ou deveria produzir-se o 
resultado. 
 
Para os crimes de espaço máximo ou à distancia (crimes executados em um 
país e consumados em outro) foi adotada a teoria da ubiqüidade, ou seja, a 
competência para o julgamento do fato será de ambos os países. 
Para os chamados “delitos plurilocais” (ação se dá em um lugar e o 
resultado em outro dentro de um mesmo país), foi adotada a teoria do 
resultado (art. 70 do CPP), ou seja, o foro competente é o foro do local do 
resultado. Nas infrações de competência dos Juizados Especiais Criminais, a 
Lei 9.099/95 seguiu a teoria da atividade, ou seja, o foro competente é o da 
ação. 
 
EXTRATERRITORIALIDADE 
 
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos 
no estrangeiro: 
I - os crimes: 
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da 
República; 
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito 
Federal, de Estado, de Território, de Município, de 
empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia 
ou fundação instituída pelo Poder Público; 
c) contra a administração pública, por quem está a seu 
serviço; 
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou 
domiciliado no Brasil; 
II - os crimes: 
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a 
reprimir; 
b) praticados por brasileiro; 
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, 
mercantes ou de propriedade privada, quando em 
território estrangeiro e aí não sejam julgados. 
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a 
lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no 
estrangeiro. 
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira 
depende do concurso das seguintes condições: 
a) entrar o agente no território nacional; 
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; 
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei 
brasileira autoriza a extradição; 
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não 
ter aí cumprido a pena; 
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por 
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a 
lei mais favorável. 
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido 
por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, 
reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: 
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; 
b) houve requisição do Ministro da Justiça. 
 
EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA: O art. 7º do CP prevê a 
aplicação da lei brasileira a crimes cometidos no estrangeiro. São os casos de 
extraterritorialidade da lei penal. 
� O inciso I refere-se aos casos de extraterritorialidade incondicionada, 
uma vez que é obrigatória a aplicação da lei brasileira ao crime cometido fora 
do território brasileiro. 
� As hipóteses direito inciso I, com exceção da última (d), fundadas no 
princípio de proteção, são as consignadas nas alíneas a seguir enumeradas: 
a) Contra a vida ou a liberdade do presidente da república. 
b) Contra o patrimônio ou a fé pública da União, do distrito federal, de 
estado, de território, de município, de empresa pública, sociedade de economia 
mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público; 
c) Contra a administração pública, por quem está a seu serviço; 
d) De genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil. 
Nesta última hipótese adotou-se o princípio da justiça ou competência 
universal. Em todas essas hipóteses o agente é punido segundo a lei brasileira, 
ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro. 
 
EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA: O inciso II, do art. 7º, prevê 
três hipóteses de aplicação da lei brasileira a autores de crimes cometidos no 
estrangeiro. São os casos de extraterritorialidade condicionada, pois dependem 
dessas condições: 
a) Crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir. 
Utilizou-se o princípio da justiça ou competência universal; 
b) Crimes praticados por brasileiro. Tendo o país o dever de obrigar o seu 
nacional a cumprir as leis, permite-se a aplicação da lei brasileira ao crime por 
ele cometido no estrangeiro. Trata-se do dispositivo da aplicação do princípio 
da nacionalidade ou personalidade ativa; 
c) Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes 
ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam 
julgados. Inclui-se no CP o princípio da representação. 
A aplicação da lei brasileira, nessas três hipóteses, fica subordinada a todas 
as condições estabelecidas pelo § 2º do art. 7º. Depende, portanto, das 
condições a seguir relacionadas: 
� A Entrada do agente no território nacional; 
� Ser o fato punível também no país em que foi praticado. Na hipótese de 
o crime ter sido praticado em local onde nenhum país tem jurisdição (alto mar, 
certas regiões polares), é possível a aplicação da lei brasileira. 
� Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a 
extradição 
� Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não 
estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. 
 
O art. 7º, § 3º, prevê uma última hipótese da aplicação da lei brasileira: A do 
crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. É ainda um 
dispositivo calcado na teoria de proteção, além dos casos de 
extraterritorialidade incondicionada. Exige o dispositivo em estudo, porém, além 
das condições já mencionadas, outras duas: 
� Que não tenha sido pedida ou tenha sido negada a extradição (pode ter 
sido requerida, mas não concedida; 
� Que haja requisição do ministro da justiça. 
 
 
PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO 
 
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena 
imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou 
nela é computada, quando idênticas. 
 
Considerando que, sendo possível a aplicação da lei brasileira a crimes 
cometidos em território de outro país, ocorrerá também a incidência
da lei 
estrangeira, dispõe o código como se deve proceder para se evitar a dupla 
posição. Cumprida a pena pelo sujeito ativo do crime no estrangeiro, será ela 
descontada na execução pela lei brasileira, quando forem idênticas, 
respondendo efetivamente o sentenciado pelo saldo a cumprir se a pena 
imposta no Brasil for mais severa. Se a pena cumprida no estrangeiro for 
superior à imposta no país, é evidente que esta não será executada. 
No caso de penas diversas, aquela cumprida no estrangeiro atenuará a 
aplicada no Brasil, de acordo com a decisão do juiz no caso concreto, já que 
não há regras legais a respeito dos critérios de atenuação que devem ser 
obedecidos. 
 
EFICÁCIA DE SENTENÇA ESTRANGEIRA 
 
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei 
brasileira produz na espécie as mesmas conseqüências, 
pode ser homologada no Brasil para: 
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a 
restituições e a outros efeitos civis; 
II - sujeitá-lo a medida de segurança. 
Parágrafo único - A homologação depende: 
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte 
interessada; 
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de 
extradição com o país de cuja autoridade judiciária 
emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição 
do Ministro da Justiça. 
 
Quanto à eficácia de sentença estrangeira, o Código Penal, em seu Art. 9°, 
em consonância com o Art. 105, I, da Constituição Federal (CF), prescreve que 
a sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie 
as mesmas conseqüências, pode ser homologada no Brasil para: I – obrigar o 
condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; II – 
sujeitá-lo a medida de segurança. É importante anotar também que a contagem 
de prazo inclui o dia de começo em seu cômputo. Contam-se os dias, os 
meses e os anos pelo calendário comum (Art. 10, CPB). O fundamento da 
homologação da sentença estrangeira está no entendimento de que nenhuma 
sentença de caráter criminal que emane de autoridade jurisdicional estrangeira 
terá eficácia em determinado Estado sem o seu consentimento, pois o direito 
penal é fundamentalmente territorial. 
 
 
CONTAGEM DE PRAZO 
 
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. 
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário 
comum. 
 
A contagem do prazo penal tem relevância especial nos casos de duração 
de pena, do livramento condicional, do sursis, Da decadência, da prescrição, 
etc., institutos de direito penal. 
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. Há no caso 
imprecisão tecnológica. O calendário comum a que se refere o legislador tem o 
nome de gregoriano, em contraposição ao juliano, judeu, árabe, etc. 
 
FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DA PENA 
 
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade 
e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena 
de multa, as frações de cruzeiro. 
 
Também se tem entendido que, por analogia com o art. 11, deve ser 
desprezada a fração de dia multa, como se faz para o dia de pena privativa de 
liberdade. Extintos o cruzeiro antigo e o cruzado, o novo cruzeiro e o cruzeiro 
real, o real é a unidade monetária nacional, devendo ser desprezados os 
centavos, fração da nova moeda brasileira. 
 
 
LEGISLAÇÃO ESPECIAL 
 
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos 
fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser 
de modo diverso. 
 
EXERCÍCIOS 
 
01. (OAB/138º) Sobre norma e lei penal, assinale a alternativa CORRETA: 
a) A lei penal pode retroagir em qualquer caso. 
b) A lei penal brasileira aplica-se a todos os crimes ocorridos no Brasil. 
c) A lei penal brasileira não se aplica a nenhum crime ocorrido fora do 
território nacional. 
d) Admite-se a interpretação extensiva in bonam partem (em favor do 
acusado). 
 
02. (MPE/RS – Secretário de Diligências – FCC – 2010) Em tema de 
aplicação da lei penal, é INCORRETO afirmar: 
a) Na contagem do prazo pelo Código Penal, não se inclui no seu cômputo, 
o dia do começo, nem se desprezam na pena de multa, as frações de Real. 
b) Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou 
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria 
produzir-se o resultado. 
c) O princípio da legalidade compreende os princípios da reserva legal e da 
anterioridade. 
d) A regra da irretroatividade da lei penal somente se aplica à lei penal mais 
gravosa. 
e) As leis temporárias ou excepcionais são autorrevogáveis e ultrativas. 
 
03. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) João cometeu um 
crime para o qual a lei vigente na época do fato previa pena de reclusão. 
Posteriormente, lei nova estabeleceu somente a sanção pecuniária para o 
delito cometido por João. Nesse caso, 
a) a aplicação da lei nova depende da expressa concordância do Ministério 
Público. 
b) aplica-se a lei nova somente se a sentença condenatória ainda não tiver 
transitado em julgado. 
c) não se aplica a lei nova, em razão do princípio da irretroatividade das leis 
penais. 
d) aplica-se a lei nova, mesmo que a sentença condenatória já tiver 
transitado em julgado. 
e) a aplicação da lei nova, se tiver havido condenação, depende do 
reconhecimento do bom comportamento carcerário do condenado. 
 
04. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) José, brasileiro, 
cometeu crime de peculato, apropriando- se de valores da embaixada brasileira 
no Japão, onde trabalhava como funcionário público. Em tal situação, 
a) somente se aplica a lei brasileira se José não tiver sido absolvido no 
Japão, por sentença definitiva 
b) somente se aplica a lei brasileira se José não tiver sido processado pelo 
mesmo fato no Japão. 
c) aplica-se a lei brasileira, independentemente da existência de processo no 
Japão e de entrada do agente no território nacional. 
d) a aplicação da lei brasileira, independe da existência de processo no 
Japão, mas está condicionada à entrada do agente no território nacional. 
e) aplica-se a lei brasileira, somente se for mais favorável ao agente do que 
a lei japonesa. 
 
05. (Procurador – TCE/RO – FCC – 2010) No tocante à aplicação da lei 
penal, 
a) a lei brasileira adotou a teoria da ubiquidade quanto ao lugar do crime. 
b) a lei penal mais grave não se aplica ao crime continuado ou ao crime 
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da 
permanência, segundo entendimento sumulado do Supremo Tribunal Federal. 
c) a lei brasileira adotou a teoria do resultado quanto ao tempo do crime. 
d) o dia do fim inclui-se no cômputo do prazo, contando- se os meses e anos 
pelo calendário comum, desprezados os dias. 
e) compete ao juízo da causa a aplicação da lei mais benigna, ainda que 
transitada em julgado a sentença condenatória, segundo entendimento 
sumulado do Superior Tribunal de Justiça. 
 
06. (Analista de Promotoria – MP/SP – VUNESP – 2010) Considere que 
um indivíduo, de nacionalidade chilena, em território argentino, contamine a 
água potável que será utilizada para distribuição no Brasil e Paraguai. 
Considere, ainda, que neste último país, em razão da contaminação, ocorre a 
morte de um cidadão paraguaio, sendo que no Brasil é vitimado, apenas, um 
equatoriano. 
De acordo com a regra do art. 6.º, do nosso Código Penal ("lugar do crime"), 
considera-se o crime praticado 
a) na Argentina, apenas. 
b) no Brasil e no Paraguai, apenas. 
c) no Chile e na Argentina, apenas. 
d) na Argentina, no Brasil e no Paraguai, apenas. 
e) no Chile, na Argentina, no Paraguai, no Brasil e no Equador. 
 
07. (Magistratura – TJ/SP – VUNESP – 2009) A norma inserida no art. 7.º, 
inciso II, alínea "b", do Código Penal - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora 
cometidos no estrangeiro (...) os crimes (...) praticados
por brasileiro - encerra o 
princípio 
a) da universalidade ou da justiça mundial. 
b) da territorialidade. 
c) da nacionalidade ou da personalidade ativa. 
d) real, de defesa ou da proteção de interesses. 
 
08. (Magistratura – TJ /GO – FCC – 2009) Pela regra da consunção, 
a) a norma especial afasta a geral. 
b) é admissível a combinação de normas favoráveis ao agente. 
c) a norma incriminadora de fato que constitui meio necessário para a prática 
de outro crime fica excluída pela que tipifica a conduta final. 
d) a norma subsidiária é excluída pela principal. 
e) o concurso material prevalece ao formal, se favorável ao agente. 
 
09. (Analista Judiciário – TER /AP – FCC – 2006) Considerando os 
princípios que regulam a aplicação da lei penal no tempo, pode-se afirmar que 
a) não se aplica a lei nova, mesmo que favoreça o agente de outra forma, 
caso se esteja procedendo à execução da sentença, em razão da imutabilidade 
da coisa julgada. 
b) pela abolitio criminis se fazem desaparecer o delito e todos os seus 
reflexos penais, permanecendo apenas os civis. 
c) em regra, nas chamadas leis penais em branco com caráter excepcional 
ou temporário, revogada ou alterada a norma complementar, desaparecerá o 
crime. 
d) a lei excepcional ou temporária embora decorrido o período de sua 
duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, não se aplica ao 
fato praticado durante a sua vigência. 
e) permanecendo na lei nova a definição do crime, mas aumentadas suas 
conseqüências penais, esta norma será aplicada ao autor do fato 
 
10. (Procurador do Estado – PGE/PE – CESPE – 2009) A respeito da 
aplicação da lei penal, assinale a opção correta. 
a) Quanto ao momento em que o crime é considerado praticado, a lei penal 
brasileira adotou expressamente a teoria da ubiquidade, desprezando a teoria 
da atividade. 
b) Com relação ao lugar em que o crime é considerado praticado, a lei penal 
brasileira adotou expressamente a teoria da atividade, desprezando a teoria da 
ubiquidade. 
c) Aplica-se a lei penal brasileira a crimes praticados contra a vida ou a 
liberdade do presidente da República, mesmo que o crime tenha ocorrido em 
outro país. 
d) Os agentes diplomáticos são imunes à lei civil do Brasil, mas não à lei 
penal. 
e) Os parlamentares não podem ser processados civilmente pelas opiniões 
que emitem no exercício de seus mandatos, mas estão sujeitos à sanção penal 
no caso de incorrerem em crime contra a honra. 
 
GABARITO: 
 
01 D 
02 A 
03 D 
04 C 
05 A 
06 D 
07 C 
08 C 
09 B 
10 C 
 
 
3. DO CRIME 
 
 
Crime é a ação ou omissão, imputável a pessoa, lesiva ou perigosa a 
interesse penalmente protegido, constituída de determinados elementos e 
eventualmente integrada por certas condições ou acompanhada de 
determinadas circunstâncias previstas em lei. É a violação de um bem 
penalmente protegido. Crime também pode ser conceituado como um fato 
típico e antijurídico. A culpabilidade constitui pressuposto da pena. 
Para que haja crime, é preciso uma conduta humana positiva ou negativa. 
Nem todo comportamento do homem, porém, constitui delito, em face do 
princípio da reserva legal. Logo, somente aqueles previstos na lei penal é que 
podem configurar o delito. 
Pode-se dizer, portanto, que o primeiro requisito do crime é o fato típico 
(previsto em lei). Contudo, não basta que o fato seja típico, é preciso que seja 
contrário ao direito: antijurídico. Isto porque, embora o fato seja típico, algumas 
vezes é considerado lícito (Exemplo: Legítima defesa). Logo, excluída a 
antijuridicidade, não há crime. 
O tipo é o modelo descritivo da conduta contido na lei. O tipo legal é 
composto de elementares e circunstâncias. 
Elementar: Vem de elemento, que é todo componente essencial do tipo sem 
o qual este desaparece ou se transforma em outra figura típica. 
Justamente por serem essenciais, os elementos estão sempre no caput 
(cabeça) do tipo incriminador (texto da lei penal), por isso o caput é chamado 
de tipo fundamental. (Exemplo: art. 121 matar alguém Matar é elementar do 
tipo) 
Circunstância: É aquilo que não integra a essência, ou seja, se for retirado, 
o tipo não deixa de existir. As circunstâncias estão dispostas em parágrafos 
(exemplo: qualificadoras, privilégios etc.), não servindo para compor a essência 
do crime, mas sim para influir na pena. 
O crime será mais ou menos grave em decorrência da circunstância, 
entretanto será sempre o mesmo crime (Exemplo: furto durante o sono noturno; 
o sono é circunstância, tendo em vista que, se não houver, ainda assim existirá 
o furto). 
 
Espécies de Elemento 
1) Elementos objetivos ou descritivos: são aqueles cujo significado 
depende de mera observação. Para saber o que quer dizer um elemento 
objetivo, o sujeito não precisa fazer interpretação. Todos os verbos do tipo 
constituem elementos objetivos (exemplo: matar, falsificar etc.). São aqueles 
que independem de juízo de valor, existem concretamente no mundo (exemplo: 
mulher, coisa móvel, filho etc.). Se um tipo penal possui somente elementos 
objetivos, ele oferece segurança máxima ao cidadão, visto que, qualquer que 
seja o aplicador da lei, a interpretação será a mesma. São chamados de tipo 
normal, pois é normal o tipo penal que ofereça segurança máxima; 
2) Elementos subjetivos: compõem-se da finalidade especial do agente 
exigida pelo tipo penal. Determinados tipos não se satisfazem com a mera 
vontade de realizar o verbo. Existirá elemento de ordem subjetiva sempre que 
houver no tipo as expressões “com a finalidade de”, “para o fim de” etc. (ex.: 
rapto com fim libidinoso etc.). O elemento subjetivo será sempre essa 
finalidade especial que a lei exige. Não confundir o elemento subjetivo do tipo 
com o elemento subjetivo do injusto, que é a consciência do caráter 
inadequado do fato, a consciência da ilicitude; 
3) Elementos normativos: É exatamente o oposto do elemento objetivo. É 
aquele que depende de interpretação para se extrair o significado, ou seja, é 
necessário um juízo de valor sobre o elemento. São elementos que trazem 
possibilidade de interpretações equívocas, divergentes, oferecendo um certo 
grau de insegurança. São chamados de tipos anormais porque possuem grau 
de incerteza, insegurança. 
Existem duas espécies de elementos normativos: 
• Elemento normativo jurídico: É aquele que depende de interpretação 
jurídica (exemplo: funcionário público, documento etc. Todos esses vêm 
definidos na lei); 
• Elemento normativo extrajurídico ou moral: É aquele que depende de 
interpretação não jurídica (ex.: mulher “honesta”). 
 
 
RELAÇÃO DE CAUSALIDADE 
 
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do 
crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. 
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o 
resultado não teria ocorrido. 
 
No campo penal, a doutrina aponta três teorias a respeito da relação de 
causalidade: 
a) Da equivalência das condições ou equivalência dos antecedente ou 
conditio sine que non: Segundo a qual quaisquer das condutas que compõem 
a totalidade dos antecedentes é causa do resultado, como, por exemplo, a 
venda lícita da arma pelo comerciante que não tinha idéia do propósito 
homicida do criminoso comprador. Contudo, recebe críticas por permitir o 
regresso ao infinito já que, em última análise, até mesmo o inventor da arma 
seria causador do evento, visto que, se arma não existisse, tiros não haveria; 
b) Da causalidade adequada: Considera causa do evento apenas a ação 
ou omissão do agente apta e idônea a gerar o resultado. Segundo o que dispõe 
essa corrente, a venda lícita da arma pelo comerciante não é considerada 
causa do resultado morte que o comprador produzir, pois vender licitamente a 
arma, por si só, não é conduta suficiente a gerar a morte. 
c) Da imputação objetiva: Pela qual,
para que uma conduta seja 
considerada causa do resultado é preciso que: 1) o agente tenha, com sua 
ação ou omissão, criado, realmente, um risco não tolerado nem permitido ao 
bem jurídico; ou 2) que o resultado não fosse ocorrer de qualquer forma, ou; 3) 
que a vítima não tenha contribuído com sua atitude irresponsável ou dado seu 
consentimento para o ocorrência do resultado. 
 
A teoria adotada pelo Código Penal: "O resultado, de que depende a 
existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se 
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido." 
Ao dispor que causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria 
ocorrido, nota-se que Código adotou a teoria da equivalência das condições ou 
conditio sine qua non. 
Para se aferir se determinada conduta é causa ou não de um resultado, 
deve-se fazer o juízo hipotético de eliminação, que consiste na supressão 
mental de determinada ação ou omissão dentro de toda a cadeia de condutas 
presentes no contexto do crime. Se, eliminada, o resultado desaparecer, pode-
se afirmar que aquela conduta é causa. Caso contrário, ou seja, se a despeito 
de suprimida, o resultado ainda assim existir, não será considerada conduta. 
Atente-se para o fato de que ser causa do resultado não é bastante para 
ensejar a responsabilização penal. É preciso, ainda, verificar se a conduta do 
agente considerada causa do resultado foi praticada mediante dolo ou culpa, 
pois nosso Direito Penal não se coaduna com a responsabilidade objetiva, isto 
é, aquela que se contenta com a demonstração do nexo de causalidade, sem 
levar em conta o elemento subjetivo da conduta. 
Portanto, dizer que alguém causou o resultado não basta para ensejar a 
responsabilidade penal. É mister ainda que esteja presente o elemento 
subjetivo (dolo ou culpa) nessa conduta que foi causa do evento. 
O art. 13 caput aplica-se, exclusivamente, aos crimes materiais porque, ao 
dizer "o resultado, de que depende a existência do crime", refere-se ao 
resultado naturalístico da infração penal (aquele que é perceptível aos sentidos 
do homem e não apenas ao mundo jurídico), e a única modalidade de crime 
que depende da ocorrência do resultado naturalístico para se consumar 
(existir) é o material, como por exemplo; o homicídio (121 CP), em que a morte 
da vítima é o resultado naturalístico. 
Aos crimes formais (exemplo; concussão - 316 CP) e os de mera conduta 
(exemplo; violação de domicílio - 150 CP), o art. 13 caput não tem incidência, 
pois prescindem da ocorrência do resultado naturalístico para existirem. 
 
SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA INDEPENDENTE 
 
§ 1º - A superveniência de causa relativamente 
independente exclui a imputação quando, por si só, 
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, 
imputam-se a quem os praticou. 
 
O primeiro parágrafo do art. 13 nos diz que: "a superveniência de causa 
independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os 
fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou". Admite, o referido 
mandamento legal, a interrupção do nexo causal entre a conduta do agente e o 
resultado, sob determinadas hipótese, quais sejam: 
a) a causa que produza o resultado seja superveniente à conduta do agente, 
isto é, ocorra depois de sua ação; 
b) que a causa superveniente seja relativamente independente da conduta 
do agente, isto é, mantenha relação com a conduta inaugurada pelo autor; 
c) que a causa superveniente independente produza o resultado por si só, 
isto é, seja causa bastante para a produção do resultado. 
Exemplo: Telma ministra veneno mortal a Clarice, que, socorrida por uma 
equipe de médicos e enfermeiros, vem a morrer, poucos minutos após a 
ingestão da substância, em função de acidente sofrido pela ambulância a 
caminho do hospital. 
Encontram-se aqui todas as características elencadas acima: 
a) o acidente com a ambulância que transportava Clarice ocorreu após a 
ingestão do veneno ministrado por Telma (superveniência); 
b) o acidente não teria acontecido se Clarice não tivesse sido envenenada 
por Telma (independência relativa); 
c) as lesões causadas pelo acidente foram determinantes para a morte de 
Clarice ("por si só"). 
Dessa forma: Telma responderá pelos fatos que praticou, qual seja, tentativa 
de homicídio. 
Não obstante, caso somente aplicássemos o caput do art. 13 ao caso em 
tela, Telma seria responsável pela morte de Clarice uma vez que, eliminando-
se o envenenamento, o acidente da ambulância, que provocou a morte de 
Clarice, não teria ocorrido; logo é causa. 
Contudo, vejamos outros exemplos: 
a) Telma, mesmo sabendo ser Clarice é cardiopata, tendo certeza de que 
sua conduta não virá a provocar sua morte, aplica, em Clarice, um terrível 
susto, vindo esta a falecer vítima de um infarto fulminante; 
b) Telma, não sabendo ser Clarice cardiopata, ministra-lhe remédio para 
descongestionar-lhe as vias respiratórias, porém acelera-lhe o batimento 
cardíaco e Clarice vem a sofrer um infarto fulminante; 
c) Telma, sabendo ser Clarice cardiopata e desejando o resultado morte, a 
expõe, deliberadamente, a situação de alta tensão emocional (criada por ela 
mesma, Telma), vindo Clarice a sofrer um infarto fulminante. 
Para cada uma dessas situações, teríamos uma situação jurídico-penal 
distinta para Telma. No primeiro exemplo, a conduta de Telma poderia ser 
tipificada como homicídio culposo; no segundo caso, não haverá crime; na 
terceira hipótese, haveria homicídio doloso. 
Note-se que em todas as soluções apresentadas, o simples estabelecimento 
do nexo de causalidade entre a conduta de Telma e o resultado "morte de 
Clarice" não são suficientes para resolvermos o problema. Há de se analisar, 
como estabelece a doutrina, os demais elementos do fato típico (além do nexo 
de causalidade e do resultado morte). 
Cabe ainda analisarmos se a conduta humana é dolosa ou culposa e, 
também, a subsunção do fato à norma penal incriminadora - tipicidade. 
Voltemos aos nossos exemplos: no primeiro caso, Telma agiu com culpa 
consciente (o agente esperava levianamente que o resultado não ocorresse); 
no segundo não houve dolo nem culpa na conduta de Telam, sendo, portanto, 
o fato atípico; na terceira houve dolo, com consciência e voluntariedade no 
preparo da situação que causou o resultado morte. 
Não restam dúvidas que soluções apoiadas exclusivamente no 
estabelecimento de um nexo de causalidade objetivo entre conduta e resultado 
e na simples existência do próprio resultado, que são características 
necessárias, mas não suficientes, para se construir o fato típico, cometem 
grave erro no que diz respeito a sua formação completa. Dada a superação da 
Teoria Causal da conduta humana e da Responsabilidade Penal Objetiva, não 
poderíamos aceitar, em nenhuma das três hipóteses acima colocadas, o 
mesmo desfecho jurídico-penal para Telma. Outrossim, além do fato típico, 
também a antijuridicidade e a culpabilidade são requisitos para a existência do 
crime, estendendo-se, então, a análise para conceitos como a ilicitude do fato e 
sua reprovabilidade social. 
 
 
RELEVÂNCIA DA OMISSÃO 
 
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o 
omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O 
dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou 
vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir 
o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da 
ocorrência do resultado. 
 
Da mesma forma que ação, em Direito Penal, não significa “fazer algo”, mas 
fazer o que o ordenamento jurídico proíbe, a omissão não é um “não fazer”, 
mas não fazer o que o ordenamento jurídico obriga. 
Omissão relevante para o Direito Penal é o não cumprimento de um dever 
jurídico de agir em circunstâncias tais que o omitente tinha a possibilidade
física ou material de realizar a atividade devida. 
Conseqüentemente, a omissão passa a ter existência jurídica desde que 
preencha os seguintes pressupostos: 
� Dever jurídico que impõe uma obrigação de agir ou uma obrigação de 
evitar um resultado proibido; 
� Possibilidade física, ou material, de agir. 
O primeiro pressuposto (dever jurídico de agir ou de evitar um resultado 
lesivo) exige o conhecimento dos meios pelos quais o ordenamento jurídico 
pode impor às pessoas a obrigação de não se omitir, em determinadas 
circunstâncias. 
Em segundo lugar, o dever jurídico pode ser imposto ao garantidor, ou seja, 
a pessoas que, pela sua peculiar posição diante do bem jurídico, recebem ou 
assumem a obrigação de assegurar sua conservação. A posição de garantidor 
requer essencialmente que o sujeito esteja encarregado da proteção ou 
custódia do bem jurídico que aparece lesionado ou ameaçado de agressão. 
O essencial para compreender a posição de garantidor é o reconhecimento 
de que determinadas pessoas estabelecem um vínculo, uma relação especial 
com o bem jurídico, criando no ordenamento a expectativa de que o protegerá 
de eventuais danos. O Direito, então, espera a sua ação de garantia. Se não 
cumprir esse dever, será imputado por omissão imprópria. 
No Código Penal, esta regra está no artigo 13,§ 2º: a posição de garantidor 
pode emanar de: 
a) dever legal; Imposto pela lei. 
b) aceitação voluntária, Ou seja, quando o sujeito livremente a assume, tal 
como acontece, por exemplo, nos casos de contrato; 
c) ingerência, Quando o sujeito, por sua conduta precedente, cria a situação 
de perigo para o bem jurídico. 
 
 
Art. 14 - Diz-se o crime: 
CRIME CONSUMADO 
 
I - consumado, quando nele se reúnem todos os 
elementos de sua definição legal; 
 
TENTATIVA 
 
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma 
por circunstâncias alheias à vontade do agente. 
 
PENA DE TENTATIVA 
 
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se 
a tentativa com a pena correspondente ao crime 
consumado, diminuída de um a dois terços. 
 
 
Tentativa é a execução iniciada de um crime, que não se consuma por 
circunstâncias alheias à vontade do agente; seus elementos são o início da 
execução e a não-consumação por circunstâncias alheias à vontade. 
Quando o processo executório é interrompido por circunstâncias alheias à 
vontade do agente, fala-se em tentativa imperfeita ou tentativa propriamente 
dita; quando a fase de execução é integralmente realizada pelo agente, mas o 
resultado não se verifica por circunstâncias alheias à sua vontade, diz-se que 
há tentativa perfeita ou crime falho. 
São infrações que não admitem tentativa: 
a) os crimes culposos; 
b) os preterdolosos; 
c) as contravenções; 
d) os omissivos próprios; 
e) os unissubsistentes; 
f) os crimes habituais; 
g) os crime que a lei pune somente quando ocorre o resultado, como a 
participação em suicídio; 
h) os permanentes de forma exclusivamente omissiva; 
i) os crimes de atentado. 
 
Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, 
diminuída de um a dois terços; a diminuição de uma a dois terços não decorre 
da culpabilidade do agente, mas da própria gravidade do fato constitutivo da 
tentativa; quanto mais o sujeito se aproxima da consumação, menor deve ser a 
diminuição da pena (1/3); quando menos ele se aproxima da consumação, 
maior deve ser a atenuação (2/3). 
 
 
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO 
EFICAZ 
 
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de 
prosseguir na execução ou impede que o resultado se 
produza, só responde pelos atos já praticados. 
 
ARREPENDIMENTO POSTERIOR 
 
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave 
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, 
até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato 
voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois 
terços. 
 
CRIME IMPOSSÍVEL 
 
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia 
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do 
objeto, é impossível consumar-se o crime. 
 
A desistência voluntária consiste numa abstenção de atividade: o sujeito 
cessa o seu comportamento delituoso; assim, só ocorre antes de o agente 
esgotar o processo executivo. 
Arrependimento eficaz tem lugar quando o agente, tendo já ultimado o 
processo de execução do crime, desenvolve nova atividade impedindo a 
produção do resultado. 
Quanto ao arrependimento posterior, nos termos do artigo 16 do Código 
Penal, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, 
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da 
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. 
Crime impossível é também chamado de quase-crime; tem disciplina jurídica 
contida no artigo 17 do Código Penal, segundo o qual “não se pune a tentativa 
quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do 
objeto, é impossível consumar-se o crime”; há dois casos de crime impossível: 
a) por ineficácia absoluta do meio; 
b) por impropriedade absoluta do objeto. 
Dá-se o primeiro quando o meio empregado pelo agente, pela sua própria 
natureza, é absolutamente incapaz de produzir o evento; exemplo: o agente, 
pretendendo matar a vítima mediante propinação de veneno, ministra açúcar 
em sua alimentação, supondo-o arsênico; dá-se o segundo caso quando 
inexiste o objeto material sobre o qual deveria recair a conduta, ou quando, 
pela situação ou condição, torna impossível a produção do resultado visado 
pelo agente; nos dois casos não há tentativa por ausência de tipicidade; para 
que ocorra o crime impossível, é preciso que a ineficácia do meio e a 
impropriedade do objeto sejam absolutas; se forem relativas, haverá tentativa. 
 
 
Art. 18 - Diz-se o crime: 
CRIME DOLOSO 
 
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o 
risco de produzi-lo; 
 
CRIME CULPOSO 
 
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por 
imprudência, negligência ou imperícia. 
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, 
ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, 
senão quando o pratica dolosamente. 
 
Dolo é a vontade livre e consciente de praticar a conduta descrita no tipo (lei 
penal incriminadora). Para o Código Penal, o crime é doloso quando o agente 
quis o resultado ou quando assumiu o risco de produzí-lo. Quando quis o 
resultado, estamos falando de dolo direto. Quando assumiu o risco, é o dolo 
indireto, que pode ser eventual ou alternativo. 
O dolo direto é simples de entender: o agente quer o resultado, tem a 
vontade, a intenção de produzir o resultado. 
Já o dolo indireto se divide em dolo eventual, que ocorre quando o agente 
assume o risco de produzir o resultado; e em dolo alternativo, quando o agente 
visa a um ou outro resultado (matar ou ferir por exemplo). 
Então o crime doloso é aquele em que o agente quer produzir um resultado 
e age de forma a produzir tal resultado (ex. quer matar uma pessoa, então 
pega uma arma, aponta para referida pessoa e aperta o gatilho, efetuando 
disparos buscando a morte da vítima). 
No caso do dolo eventual, seria o caso de alguém que coloque fogo em 
outro, por “brincadeira”, jogando combustível em todo o corpo da vítima. Caso 
a pessoa venha a morrer queimada, o agente responderá por crime doloso, 
pois ao colocar fogo em todo o corpo de uma pessoa, assumiu o risco de matá-
la. 
Na culpa, a finalidade da conduta quase sempre é lícita, mas há uma não 
observância do dever de cuidado por parte do agente, causando o resultado. 
Neste caso, o agente não quer produzir o resultado, mas por um descuidado, o 
produz. 
São três as modalidades de culpa: a imprudência (prática de um ato 
perigoso, ex. correr com o carro em via pública cheia de pessoas), a 
negligência (falta
de cuidados, falta de precaução, ex. deixar o agente sua 
arma municiada em cima da mesa em local com crianças) e a imperícia 
(ausência de aptidão técnica, teórica ou prática). 
 
AGRAVAÇÃO PELO RESULTADO 
 
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, 
só responde o agente que o houver causado ao menos 
culposamente. 
 
É um delito qualificado pelo resultado que se caracteriza por uma especial 
combinação de dolo e negligência. O delito fundamental doloso é por si só 
susceptível de punição, no entanto a pena é substancialmente elevada com 
base numa especial censurabilidade do agente, uma vez que o perigo 
específico que envolve esse comportamento se concretiza num resultado 
agravante negligente. 
As condutas previstas por este tipo legal são as que correspondem ao 
preenchimento dos tipos legais de lesões à integridade física simples e de 
lesões à integridade física graves. O comportamento lesivo da integridade 
física tanto se pode traduzir numa ação, como numa omissão; ponto é, que 
nesta última hipótese, recaía sobre o agente um dever jurídico de garante. 
 A lesão da integridade física tem que ter sido praticada a título doloso (o 
dolo eventual é suficiente). Em relação ao resultado morte deve o agente ter 
atuado pelo menos com negligência. A questão que se coloca é a de saber se 
o evento agravante pode ter sido dolosamente produzido. Embora 
genericamente esta combinação crime fundamental doloso-evento agravante 
doloso possa ser uma possibilidade de acordo com a regra geral do art. 18 CP, 
a solução mais acertada neste caso consiste em proceder à punição do agente 
de acordo com as normas do concurso legal ou aparente de crimes, vale dizer, 
por homicídio doloso consumado. 
 
 
ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO 
 
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal 
de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime 
culposo, se previsto em lei. 
 
DESCRIMINANTES PUTATIVAS 
 
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente 
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato 
que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção 
de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível 
como crime culposo. 
 
ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO 
 
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o 
erro. 
 
ERRO SOBRE A PESSOA 
 
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é 
praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste 
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da 
pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. 
 
Erro de Tipo é o que incide sobre as elementares ou circunstâncias da figura 
típica, sobre os pressupostos de fato de uma causa de justificação ou dados 
secundários da norma penal incriminadora; é o que faz o sujeito supor a 
ausência de elemento ou circunstância da figura típica incriminadora ou a 
presença de requisitos da norma permissiva; ex: sujeito dispara um tiro de 
revólver no que supõe seja uma animal bravio, vindo a matar um homem; o 
erro de tipo pode ser essencial e acidental. 
O erro de tipo exclui sempre o dolo, seja evitável ou inevitável; como o dolo 
é elemento do tipo, a sua presença exclui a tipicidade do fato doloso, podendo 
o sujeito responder por crime culposo, desde que seja típica a modalidade 
culposa. 
O erro de tipo essencial ocorre quando a falsa percepção impede o sujeito 
de compreender a natureza criminosa do fato; recai sobre os elementos ou 
circunstâncias do tipo penal ou sobre os pressupostos de fato de uma 
excludente da ilicitude; apresenta-se sob 2 formas: 
a) erro invencível ou escusável (quando não pode ser evitado pela norma 
diligência); 
b) erro vencível ou inescusável (quando pode ser evitado pela diligência 
ordinária, resultando de imprudência ou negligência. 
As descriminantes putativas ocorrem quando o sujeito, levado a erro pelas 
circunstâncias do caso concreto, supõe agir em face de uma causa excludente 
de ilicitude; é possível que o sujeito, por erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias, suponha encontrar-se em face de estado de necessidade, de 
legítima defesa, de estrito cumprimento do dever legal ou do exercício regular 
de direito; quando isso ocorre, aplica-se o disposto no artigo 20, § 1º, 1ª parte, 
do Código Penal, segundo o qual é isento de pena quem, por erro plenamente 
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, 
tornaria a ação legítima; surgem as denominadas eximentes putativas ou 
causas putativas de exclusão da antijuricidade. 
No caso de erro provocado por terceiro, responde pelo crime o terceiro que 
determina o erro (artigo 20, § 2º); o erro pode ser espontâneo e provocado; há 
a forma espontânea quando o sujeito incide em erro sem a participação 
provocadora de terceiro; existe o erro provocado quando o sujeito a ele é 
induzido por conduta de terceiro; a provocação poder ser dolosa ou culposa; há 
provocação dolosa quando o erro é preordenado pelo terceiro, isto é, o terceiro 
conscientemente induz o sujeito a incidir em erro; o provocador responde pelo 
crime a título de dolo; existe determinação culposa quando o terceiro age com 
imprudência, negligência ou imperícia. 
Erro acidental é o que não versa sobre os elementos ou circunstâncias do 
crime, incidindo sobre dados acidentais do delito ou sobre a conduta de sua 
execução; não impede o sujeito de compreender o caráter ilícito de seu 
comportamento; o erro acidental não exclui o dolo; são casos de erro acidental: 
o erro sobre o objeto; sobre pessoa; na execução; resultado diverso do 
pretendido (aberratio criminis). 
Erro sobre objeto (error in objecto) ocorre quando o sujeito supõe que sua 
conduta recai sobre determinada coisa, sendo que na realidade incide sobre 
outra; é o caso do sujeito subtrair açúcar supondo tratar-se de farinha. 
Erro sobre pessoa (error in persona) ocorre quando há erro de 
representação, em face do qual o sujeito atinge uma pessoa supondo tratar-se 
da que pretendia ofender; ele pretende atingir certa pessoa, vindo a ofender 
outra inocente pensando tratar-se da primeira. 
Erro na execução (aberratio ictus) ocorre quando o sujeito, pretendendo 
atingir uma pessoa, vem a ofender outra; há disparidade entre a relação de 
causalidade pretendida pelo agente e o nexo causal realmente produzido; ele 
pretende que em conseqüência de seu comportamento se produza um 
resultado contra Antônio; realiza a conduta e causa evento contra Pedro. 
Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) significa desvio do 
crime; há erro na execução do tipo; o agente quer atingir um bem jurídico e 
ofende outro (de espécie diversa). 
 
 
ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO 
 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro 
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se 
evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente 
atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, 
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir 
essa consciência. 
 
Dispõe o artigo 21, em sua primeira parte: “O desconhecimento da lei é 
inescusável.” O legislador refere-se apenas ao “desconhecimento da lei” e não 
sobre a errada compreensão da lei, como no art. 16. Ignorância é o completo 
desconhecimento a respeito da realidade. O erro é o conhecimento falso, 
equivocado, a respeito dessa realidade. Embora a palavra desconhecer possa 
ser interpretada também como um falso conhecimento, é visível o intuito do 
legislador em distinguir a mera ausência de conhecimento da lei, inescusável, 
do erro de proibição, que pode ser escusável. O agente supõe ser lícito seu 
comportamento, porque desconhece a existência da lei penal que o proíba. 
Trata-se do princípio ignorantia legis neminem excusat: promulgada e 
publicada uma lei, torna-se ela obrigatória em relação
à todos, não sendo 
pensável que, dentro do mesmo estado, as leis possam ter validade em relação 
a uns e não em relação a outros que eventualmente a ignorem. Não pode 
escusar-se o agente com a simples alegação formal de que não sabia haver 
uma lei estabelecendo punição para o fato praticado. A segunda parte do artigo 
21 refere-se ao erro de proibição, que exclui a culpabilidade do agente pela 
ausência e impossibilidade de conhecimento da antijuridicidade do fato. Não 
foram incluídos na disposição o desconhecimento da lei, tido como não 
relevante, e o erro sobre os pressupostos fáticos das descriminantes 
(descriminantes putativas), objeto de dispositivo diverso. 
A culpabilidade não é elemento do crime, não integra o conceito de crime. A 
culpabilidade, também chamada de juízo de reprovação, é a possibilidade de 
se declarar culpado o autor de um fato típico e ilícito, ou seja, é a 
responsabilização de alguém pela prática de uma infração penal. 
O pressuposto para se analisar a culpabilidade é que já exista o crime, no 
entanto, o agente da infração penal não responderá pelo crime que cometeu. 
Atualmente, os requisitos para a culpabilidade são: a imputabilidade, a 
consciência da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa. 
Excluem a culpabilidade; 
a) erro de proibição (21, caput); 
b) coação moral irresistível (22, 1ª parte); 
c) obediência hierárquica (22, 2ª parte); 
d) inimputabilidade por doença mental ou desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado (26, caput); 
e) inimputabilidade por menoridade penal (27); 
 
COAÇÃO IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA 
HIERÁRQUICA 
 
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou 
em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, 
de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou 
da ordem. 
 
1) Coação física irresistível: Coação física é o emprego de força física para 
que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa. 
Ex: O sujeito mediante força bruta, impede que o guarda ferroviário combine 
os binários e impeça uma colisão de trens. 
Quando o sujeito pratica o fato sob coação física irresistível, significa que 
não está agindo com liberdade psíquica. Não há a vontade integrante da 
conduta, que é o primeiro elemento do fato típico. Então não há crime por 
ausência de conduta. A coação que exclui a culpabilidade é a moral. Tratando-
se de coação física, o problema não é de culpabilidade, mas sim de fato típico, 
que não existe em relação ao coato por ausência de conduta voluntária. 
 
 2) Coação moral irresistível: Coação moral é o emprego de grave ameaça 
para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa. Moral não é física. Atua 
na cabeça, na vontade do sujeito. 
Ex: O sujeito constrange a vítima sob ameaça de morte, a assinar um 
documento falso. 
Quando o sujeito comete o fato típico e antijurídico sob coação moral 
irresistível não há culpabilidade em face da inexigibilidade de conduta diversa. 
A culpabilidade desloca-se da figura do coato para a do coator. 
A coação moral deve ser irresistível. Tratando-se de coação moral resistível 
não há exclusão da culpabilidade, incidindo uma circunstância atenuante. 
São necessários os seguintes elementos: 
� Existência de um coator – responderá pelo crime 
� Irresistível : Não tem como resistir. 
� Proporcionalidade : Proporção entre os bens jurídicos. 
 
3) Obediência hierárquica: Relação de direito público. Subordinação 
pública. Ordem de superior hierárquico é a manifestação de vontade de um 
titular de função pública a um funcionário que lhe é subordinado, no sentido de 
que realize uma conduta positiva ou negativa. 
Se a ordem é legal, nenhum crime comete o subordinado (e nem o superior), 
uma vez que se encontram no estrito cumprimento de dever legal. Quando a 
ordem é ilegal, respondem pelo crime o superior e o subordinado. 
EX: O soldado receber uma ordem do delegado para torturar o preso. Não é 
aceitável, pois é ilegal. 
 São necessários os seguintes elementos: 
� Obediência às formalidades legais. 
� Não manifestamente ilegal (Ex. Tortura, matar) 
� Obediência estrita. 
 
EXCLUSÃO DE ILICITUDE 
 
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício 
regular de direito. 
 
Estrito Cumprimento do Dever Legal: É o dever emanado da lei ou de 
respectivo regulamento. O agente atua em cumprimento de um dever emanado 
de um poder genérico, abstrato e impessoal. Se houver abuso, não há a 
excludente, ou seja, o cumprimento deve ser estrito. Exemplo, soldado mata 
assaltante que faz jovem de refém, por ordem de seu superior hierárquico. 
 
Exercício Regular do Direito 
O exercício de um direito não configura fato ilícito. Exceto se a pretexto de 
exercer um direito, houver intuito de prejudicar terceiro. Exemplos: 
a) Lesões esportivas: Pela doutrina tradicional, a violência desportiva é 
exercício regular do direito, desde que a violência seja praticada nos limites do 
esporte. 
b) Intervenções cirúrgicas: Amputações, extração de órgão etc. 
constituem exercício regular da profissão do médico. 
c) Consentimento do ofendido: Exemplo; não há invasão de domicílio 
se a “vítima” autorizou a entrada em sua casa. Requisitos: 
• ser o bem jurídico disponível; 
• que a vítima tenha 18 anos completos ou mais; 
• ser o consentimento dado antes ou durante o fato; 
• a consciência do agente de que houve consentimento. 
 
 
EXCESSO PUNÍVEL 
 
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses 
deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo. 
 
ESTADO DE NECESSIDADE 
 
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem 
pratica o fato para salvar de perigo atual, que não 
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo 
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas 
circunstâncias, não era razoável exigir-se. 
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha 
o dever legal de enfrentar o perigo. 
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito 
ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois 
terços. 
 
O estado de necessidade é uma causa de exclusão de ilicitude, encontra-
se tipificado no art. 24 do CP. Consiste em uma conduta lesiva praticada para 
afastar uma situação de perigo. Não é qualquer situação de perigo que admite 
a conduta lesiva e não é qualquer conduta lesiva que pode ser praticada na 
situação de perigo. Existindo uma situação de perigo que ameace dois bens 
jurídicos, um deles terá que ser lesado para salvar o outro de maior valor. 
Requisitos para a existência do estado de necessidade: 
• Perigo deve ser atual ou iminente, ou seja, deve estar acontecendo 
naquele momento ou prestes a acontecer. Quando, portanto, o perigo for 
remoto ou futuro, não há o estado de necessidade. 
• Perigo deve ameaçar um direito próprio ou um direito alheio. 
• Perigo não pode ter sido criado voluntariamente. Quem dá causa a uma 
situação de perigo não pode invocar o estado de necessidade para afastá-la. 
Aquele que provocou o perigo com dolo não age com estado de necessidade 
porque tem o dever jurídico de impedir o resultado. 
• Quem possui o dever legal de enfrentar o perigo não pode invocar o 
estado de necessidade. A pessoa que possui o dever legal de enfrentar o 
perigo deve afastar a situação de perigo sem lesar qualquer outro bem jurídico. 
• Inevitabilidade do comportamento lesivo, ou seja, somente deverá ser 
sacrificado outro bem se não houver outra maneira de afastar a situação de 
perigo. 
• É necessário existir proporcionalidade entre a gravidade do perigo que 
ameaça o bem jurídico do agente ou alheio e a gravidade da lesão causada 
pelo fato necessitado 
 
LEGÍTIMA DEFESA 
 
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando 
moderadamente dos meios
necessários, repele injusta 
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
 
Requisitos da Legítima Defesa 
• Agressão: é todo ataque praticado por pessoa humana. Se o ataque é 
comandado por animais irracionais, não é legítima defesa e sim estado de 
necessidade. 
• Atual ou iminente: atual é a agressão que está acontecendo e iminente é 
a que está prestes a acontecer. Não cabe legítima defesa contra agressão 
passada ou futura e também quando há promessa de agressão. 
• A direito próprio ou de terceiro: é legítima defesa própria quando o 
sujeito está se defendendo e legítima defesa alheia quando o sujeito defende 
terceiro. Pode-se alegar legítima defesa alheia mesmo agredindo o próprio 
terceiro (ex.: em caso de suicídio, pode-se agredir o terceiro para salvá-lo). 
• Meio necessário: é o meio menos lesivo colocado à disposição do 
agente no momento da agressão. 
• Moderação: é o emprego do meio necessário dentro dos limites para 
conter a agressão. 
 
Antijuricidade é a contradição do fato, eventualmente adequado ao modelo 
legal, com a ordem jurídica, constituindo lesão de um interesse protegido. 
A antijuricidade pode ser afastada por determinadas causas, as 
determinadas causas de exclusão de antijuricidade; quando isso ocorre, o fato 
permanece típico, mas não há crime, excluindo-se a ilicitude, e sendo ela 
requisito do crime, fica excluído o próprio delito; em conseqüência, o sujeito 
deve ser absolvido; são causas de exclusão de antijuricidade, previstas no 
artigo 23 do Código Penal: estado de necessidade; legítima defesa; estrito 
cumprimento de dever legal; exercício regular de direito. 
Estado de necessidade é uma situação de perigo atual de interesses 
protegidos pelo direito, em que o agente, para salvar um bem próprio ou de 
terceiro, não tem outro meio senão o de lesar o interesse de outrem; perigo 
atual é o presente, que está acontecendo; iminente é o prestes a desencadear-
se. 
Legítima defesa, nos termos do artigo 25 do Código Penal, entende-se em 
legítima defesa quem, usando moderadamente os meios necessários, repele 
injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
Quanto ao estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito, 
determina o artigo 23, III, do Código Penal, que não há crime quando o sujeito 
pratica o fato em estrito cumprimento do dever legal; é causa de exclusão da 
antijuricidade; a excludente só ocorre quando há um dever imposto pelo direito 
objetivo; o artigo 23, III, parte final, determina que não há crime quando o 
agente pratica o fato no exercício regular de direito; desde que a conduta se 
enquadre no exercício de um direito, embora típica, não apresenta o caráter de 
antijurídica. 
 
 
EXERCÍCIOS: 
 
 
01. (Procurador – TCE /AP – FCC – 2010) São crimes que se consumam 
no momento em que o resultado é produzido: 
a) omissivos impróprios e materiais. 
b) materiais e omissivos próprios. 
c) culposos e formais 
d) de mera conduta e omissivos impróprios. 
e) permanentes e formais. 
 
02. (Procurador – TCE /AP – FCC- 2010) Nos crimes preterdolosos, 
a) o agente prevê o resultado, mas espera que este não aconteça 
b) o dolo do agente é subsequente ao resultado culposo. 
c) há maior intensidade de dolo por parte do agente. 
d) o agente é punido a título de dolo e também de culpa. 
e) o agente aceita, conscientemente, o risco de produzir o resultado. 
 
03. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2009) O art. 14, § único, do 
Código Penal dispõe que "salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa 
com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois 
terços". O percentual de diminuição de pena a ser considerado levará em conta 
a) a intensidade do dolo 
b) o iter criminis percorrido pelo agente 
c) a periculosidade do agente 
d) a reincidência 
e) os antecedentes do agente 
 
04. (Procuradoria do Estado – PGE/CE – CESPE – 2008) Há crime 
quando o sujeito ativo pratica fato típico em função de 
a) estado de necessidade. 
b) coação moral irresistível. 
c) legítima defesa. 
d) estrito cumprimento do dever legal. 
e) exercício regular do direito. 
 
05. (Analista do Ministério Público – MP/SE – FCC – 2009) Adotada a 
teoria finalista da ação, 
a) o dolo e a culpa integram a culpabilidade 
b) a culpa integra a tipicidade e dolo a culpabilidade 
c) o dolo integra a punibilidade e a culpa a culpabilidade 
d) a culpa e o dolo integram a tipicidade 
e) o dolo integra a tipicidade e a culpa a culpabilidade. 
 
06. (Técnico do Ministério Público – MP – SE – FCC – 2009) Denomina-
se crime complexo o que 
a) exige que os agentes atuem uns contra os outros. 
b) se enquadra num único tipo legal. 
c) é formado pela fusão de dois ou mais tipos legais de crime. 
d) exige a atuação de dois ou mais agentes 
e) atinge mais de um bem jurídico. 
 
07. (Auditor Fiscal de Tributos Estaduais – SEFAZ/ PB – FCC – 2006) A 
coação irresistível e a obediência hierárquica são causas de exclusão 
a) culpabilidade 
b) ilicitude 
c) tipicidade 
d) punibilidade 
e) antijuridicidade 
 
08. (Delegado de Polícia – PC – DF – NCE – UFRJ – 2005) Não ocorre 
nexo de causalidade nos crimes: 
a) mera conduta. 
b) materiais. 
c) omissivos impróprios. 
d) comissivos por omissão. 
e) de dano. 
 
09. (Analista Judiciário – TJ – SE – FCC – 2009) Quanto ao elemento 
moral, os crimes podem ser: 
a) comissivos e omissivos. 
b) simples e complexos. 
c) individuais e coletivos. 
d) dolosos e culposos. 
e) políticos e mistos. 
 
10. (Ministério Público – MP /CE – FCC - 2008) Ainda que não encontre 
tipificação em excludente prevista em lei, a doutrina tem aceito a inexigibilidade 
de conduta diversa como causa supralegal de exclusão da 
a) antijuridicidade 
b) culpabilidade 
c) tipicidade 
d) ilicitude 
e) punibilidade 
11. Assinale a alternativa CORRETA a respeito de tentativa e consumação 
do crime: 
a) Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao consumado, diminuída 
de um a dois terços, portanto a pena do crime tentado é sempre menor que a 
do crime consumado. 
b) Os crimes culposos não admitem tentativa, inclusive na omissão 
imprópria, assim como nos crimes unissubsistentes, que são aqueles que se 
realizam em um único ato. 
c) Pode haver tentativa no crime preterdoloso ou preterintencional, porque 
nesta espécie de crime há dolo no antecedente e culpa no conseqüente. 
d) A adequação típica de um crime tentado é de subordinação mediata, 
ampliada ou por extensão, já que a conduta humana nessa espécie de crime 
não se enquadra prontamente na lei penal incriminadora. 
 
12. No que diz respeito aos crimes tentados não é correto afirmar: 
a) não se admite a tentativa nos crimes culposos; 
b) não se admite a tentativa nos crimes omissivos impróprios; 
c) não se admite a tentativa nos crimes unissubsistentes; 
d) não se admite a tentativa nas contravenções penais; 
 
13. Se “A”, Delegado de Polícia, acatou ordem de “B”, seu superior 
hierárquico, para não instaurar inquérito contra determinado funcionário, amigo 
de “A”, acusado de falsidade documental, 
a) “A” praticou o crime de prevaricação e “B” é inocente, já que não tinha 
atribuição para apurar o crime de falsidade. 
b) só “B” praticou o crime de prevaricação, porque “A” obedeceu à ordem de 
seu superior hierárquico. 
c) nenhum dos dois praticou o delito, porque a instauração de inquérito não 
é ato de ofício. 
d) “A” e “B” praticaram o crime de prevaricação. 
 
14. São elementos do crime, EXCETO a: 
a) ação; 
b) tipicidade; 
c) ilicitude; 
d) punibilidade. 
15. (FUNDEP – TJ/MG - TÉCNICO JUDICIÁRIO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - 
2009) Quando o resultado do crime surge ao mesmo tempo em que se 
desenrola a conduta como no crime de injúria verbal, é CORRETO defini-lo 
como 
A) crime de mera conduta. 
B) crime impróprio.
C) crime formal. 
D) crime material. 
 
16. (Agente penitenciário/BA – FCC – 2010) Se o agente, para a prática de 
estelionato, utiliza-se de documento falsificado de forma grosseira, inidôneo 
para iludir a vítima, caracteriza-se 
a) crime impossível. 
b) crime provocado. 
c) erro sobre elementos do tipo. 
d) crime putativo. 
e) tentativa de crime. 
 
17. (Procurador – BACEN – FCC – 2006). O resultado é prescindível para a 
consumação nos crimes 
a) materiais e de mera conduta. 
b) formais e materiais. 
c) formais e materiais. 
d) omissivos próprios e materiais 
e) de mera conduta e formais 
 
18. (Analista Judiciário – TER/PI – FCC – 2009) João, dirigindo uma 
motocicleta sem capacete, foi interceptado por um policial em serviço de 
trânsito, o qual lhe deu ordem para parar o veículo. João, no entanto, 
desobedecendo a ordem recebida, fugiu em alta velocidade. Cerca de uma 
hora depois, arrependeu-se de sua conduta e voltou ao local, submetendo-se à 
fiscalização. Nesse caso, em relação ao crime de desobediência, ocorreu 
a) tentativa 
b) consumação 
c) arrependimento eficaz 
d) desistência voluntária 
e) crime impossível. 
 
19. (Defensoria Pública – DPE/MS – VUNESP – 2008) Admite a figura 
culposa o crime de 
a) dano 
b) corrupção ou poluição de água potável 
c) infração de medida sanitária preventiva 
d) excesso de exação 
 
20. (Técnico Administrativo – MPE/AP – FCC – 2009). No tocante à culpa, 
considere: 
I. Conduta arriscada, caracterizada pela intempestividade, precipitação, 
insensatez ou imoderação. 
II. Falta de capacidade, despreparo ou insuficiência de conhecimentos 
técnicos para o exercício de arte, profissão ou ofício. 
III. Displicência, falta de precaução, indiferença do agente, que, podendo 
adotar as cautelas necessárias, não o faz. 
As situações descritas caracterizam, respectivamente, a 
a) negligência, imprudência e imperícia. 
b) imperícia, negligência e imprudência 
c) imprudência, imperícia e negligência 
d) imperícia, imprudência e negligência 
e) negligência, imperícia e imprudência. 
 
21. (Ministério Público – MPE/PE – FCC – 2002). Na culpa consciente, o 
agente 
a) prevê o resultado, assumindo o risco de que venha a ocorrer. 
b) não prevê o resultado, que era previsível 
c) prevê o resultado, mas espera sinceramente que não venha a ocorrer. 
d) não prevê o resultado, que é imprevisível 
e) prevê e deseja que o resultado ocorra. 
 
22. (Magistratura – PR – FAE – 2008) A culpa que decorre de erro culposo 
sobre a legitimidade da ação realizada denomina-se: 
a) Culpa própria 
b) Culpa imprópria 
c) Culpa inconsciente 
d) Culpa consciente 
 
GABARITO: 
 
01 A 
02 D 
03 B 
04 B 
05 D 
06 C 
07 A 
08 A 
09 D 
10 B 
11 D 
12 B 
13 D 
14 D 
15 C 
16 A 
17 E 
18 B 
19 B 
20 C 
21 C 
22 B 
 
 
 
4. DA IMPUTABILIDADE PENAL 
 
Imputabilidade penal é o conjunto de condições pessoas que dão ao agente 
capacidade para lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível. O 
conceito de sujeito imputável é encontrado no artigo 26, caput, do Código 
Penal, que trata dos inimputáveis. Imputável é o sujeito mentalmente são e 
desenvolvido, capaz de entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de 
acordo com esse entendimento. 
A inimputabilidade pode ser absoluta ou relativa. 
Se for absoluta, isso significa que não importam as circunstâncias, o 
indivíduo definido como "inimputável" não poderá ser penalmente 
responsabilizado por seus atos. 
Se a inimputabilidade for relativa, isso indica que o indivíduo pertencente a 
certas categorias definidas em lei poderá ou não ser penalmente 
responsabilizado por seus atos, dependendo da análise individual de cada caso 
na Justiça, segundo a avaliação da capacidade do acusado, as circunstâncias 
atenuantes ou agravantes, as peculiaridades do caso e as provas existentes. 
 
 
TÍTULO III 
DA IMPUTABILIDADE PENAL 
 
 Inimputáveis 
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença 
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, 
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato 
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
 
Redução de pena 
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois 
terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde 
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado não era inteiramente capaz de entender o 
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com 
esse entendimento. 
 
Menores de dezoito anos 
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são 
penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas 
estabelecidas na legislação especial. 
 
Emoção e paixão 
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: 
I - a emoção ou a paixão; 
 
A emoção é um estado emotivo agudo, de breve duração, ao passo que a 
paixão é um estado emotivo de caráter crônico, de duração prolongada. 
Emoção: A ira momentânea, o medo a vergonha 
Paixão: O amor, a ambição e o ódio. 
A emoção e a paixão não excluem a imputabilidade penal. 
A emoção é momentânea, instantânea. 
Paixão: É algo duradouro. Ódio é a mesma coisa que paixão, pois é também 
duradouro. Ex: O marido chega em casa e encontra a esposa com outro, 
comete um homicídio. Foi movido por forte emoção. 
 
Embriaguez 
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou 
substância de efeitos análogos. 
 § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez 
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, 
ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de 
acordo com esse entendimento. 
 § 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o 
agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou 
força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da 
omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito 
do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento. 
 
Embriaguez é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou 
substancia de efeitos análogos, cujas conseqüências variam desde uma ligeira 
excitação até o estado de paralisia e coma. 
Voluntária: Dolo, com vontade. 
Culposa: Não está acostumado, começa a beber e fica bêbado: Será 
considerado imputável, pois no momento da decisão de beber, optou pela 
bebida. Poderia ter evitado. Exceção: O bêbado que bebe há muito tempo 
(alcoolismo) doença mental. 
 
A embriaguez divide-se em : 
 
 a) Embriaguez não acidental: A embriaguez não acidental pode ser 
voluntária ou culposa. 
Voluntária: Ocorre quando o individuo ingere substância tóxica, com o intuito 
de embriagar-se. 
Culposa: Ocorre quando o individuo, que não queria se embriagar, ingere, 
por imprudência, álcool ou outra substancia de efeitos análogos em excesso, 
ficando embriagado. 
A embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade, ainda que 
no momento do crime o embriagado esteja privado inteiramente de sua 
capacidade de entender ou de querer. 
 
b) Embriaguez acidental: A embriaguez acidental somente exclui a 
culpabilidade se for completa e decorrente de caso fortuito ou força maior. 
Exemplo de Força maior. Alguém obrigar outra pessoa a beber fisicamente. 
Exemplo de caso fortuito: Tomar remédio e não ter sido avisado pelo médico 
que misturado com álcool seria potencializado pela mistura. Embriaguez 
involuntária. 
 
c) Embriaguez patológica: Embriaguez patológica é a decorrente de 
enfermidade congênita existente, por exemplo, nos filhos de alcoólatras que se 
ingerirem quantidade irrisória de álcool ficam em estado de fúria incontrolável. 
 
d) Embriaguez preordenada: Embriaguez preordenada ocorre quando o 
individuo, voluntariamente, se embriaga para criar coragem para cometer um 
crime. Não há exclusão
de imputabilidade. O agente responde pelo crime, 
incidindo sobre a pena uma circunstancia agravante prevista no artigo 61, 
inciso II, alínea “a” CP. 
 
 
5. DO CONCURSO DE PESSOAS 
 
 
O concurso de pessoas, também denominado de concurso de agentes, 
concurso de delinqüentes (concursus delinquentium) ou co-delinqüência, 
implica na concorrência de duas ou mais pessoas para o cometimento de um 
ilícito penal. 
Não há que se confundir o concursus delinquentium (concurso de pessoas) 
com o concursus delictorum (concurso de crimes) nem tampouco com o 
concursus normarum (concurso de normas penais). São três institutos penais 
totalmente distintos, muito embora possam vir a se relacionar. 
O Código Penal Brasileiro não traz exatamente uma definição de concurso 
de pessoas, afirmando apenas no caput do art. 29 que "quem, de qualquer 
modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de 
sua culpabilidade". Dispõe, ainda, que "se a participação for de menor 
importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço" (art. 29, § 1º), 
bem como que "se algum dos concorrentes quis participar de crime menos 
graves, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até 
metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave" (art. 29, § 
2º). 
Em nível doutrinário, tem-se definido o concurso de agentes como a reunião 
de duas ou mais pessoas, de forma consciente e voluntária, concorrendo ou 
colaborando para o cometimento de certa infração penal. Vejamos os 
elementos básicos do conceito de concurso de pessoas, caso inexista qualquer 
desses requisitos não há que se falar em concurso de pessoas: 
 
A) PLURALIDADE DE AGENTES E DE CONDUTAS: A própria idéia de 
concurso é de pluralidade, portanto impossível falar em concurso de pessoas 
sem que exista coletividade (dois ou mais) de agentes e, conseqüentemente, 
de condutas. 
 
B) RELEVÂNCIA CAUSAL DE CADA CONDUTA: Não basta a 
multiplicidade de agentes e condutas para que se tenha configurado o 
concurso de pessoas; necessário se faz que em meio a todas essas condutas 
seja possível vislumbrar nexo de causalidade entre elas e o resultado ocorrido. 
Diz-se, nesse sentido, que a conduta de cada autor ou partícipe deve concorrer 
objetivamente (ou seja, sob o ponto de vista causal) para a produção do 
resultado. Ou, ainda, que cada ação ou omissão humana (conduta) deve gozar 
de importância (relevância), à luz do encadeamento causal de eventos, para a 
verificação daquele crime, contribuindo objetivamente para tanto. Desse modo, 
condutas irrelevantes ou insignificantes para a existência do crime são 
desprezadas, não constituindo sequer participação criminosa; deve-se concluir, 
nesses casos, pela não concorrência do sujeito para a prática delitiva. Isso, 
porque, a participação exige mínimo de eficácia causal à realização da conduta 
típica criminosa. 
 
C) LIAME SUBJETIVO OU NORMATIVO ENTRE AS PESSOAS: 
Necessário, também, que exista vínculo psicológico ou normativo entre os 
diversos "atores criminosos", de maneira a fornecer uma idéia de todo, isto é, 
de unidade na empreitada delitiva. Exige-se, por conseguinte, que o sujeito 
manifeste, com a sua conduta, consciência e vontade de atuar em obra delitiva 
comum. 
 
D) IDENTIDADE DE INFRAÇÃO PENAL: Trata-se de identidade de infração 
para todos os participantes, não propriamente de um requisito, mas sim de 
verdadeira conseqüência jurídica diante das outras condições. 
 
TÍTULO IV 
DO CONCURSO DE PESSOAS 
 
Regras comuns às penas privativas de liberdade 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime 
incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena 
pode ser diminuída de um sexto a um terço. 
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime 
menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena 
será aumentada até metade, na hipótese de ter sido 
previsível o resultado mais grave. 
 
Circunstâncias incomunicáveis 
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as 
condições de caráter pessoal, salvo quando elementares 
do crime. 
 
Circunstancias incomunicáveis: Circunstancias são dados, fatos, 
elementos ou peculiaridades que apenas circundam o fato sem integrar a figura 
típica, contribuindo, entretanto, para aumentar ou diminuir a sua gravidade. 
Podem ser objetivas e subjetivas. Objetivas são as que dizem respeito ao fato, 
a qualidade e condições da vitima ao tempo, lugar, modo e meio de execução 
do crime. Subjetivas as que se referem aos agentes, as suas qualidades, 
estado, parentesco, motivo do crime etc. 
Elementares são dados, fatos, elementos e condições que integram 
determinadas figuras típicas, cuja supressão faz desaparecer ou modificar o 
crime, transformando-o em outra figura típica. 
Tais circunstâncias e condições, quando não constituem elementares do 
crime, pertencem exclusivamente ao agente que as tem como atribuo logo, não 
se comunicam. Cada um responde pelo crime de acordo com sua 
circunstancias e condições pessoais. 
Nos casos de constituírem circunstâncias elementares do crime principal, as 
condições e circunstancias de caráter pessoal, comunicam-se dos autores aos 
partícipes mas não dos partícipes aos autores por ser a participação acessória 
da autoria. 
Exemplo: A qualificação doutrinária o entende como um homicídio 
privilegiado, pois a mãe tem o “privilégio”, por estar passando por condições 
especiais, que a levam a matar o próprio filho. Se assim fosse, isto é, se o fato 
de matar o nascituro, sob influência do estado puerperal, fosse considerado 
homicídio privilegiado pela legislação, responderia a mãe por infanticídio e 
terceiro que participasse da conduta por homicídio simples. 
 
Casos de impunibilidade 
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o 
auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são 
puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser 
tentado. 
 
 
 
6. DAS PENAS 
 
Toda norma jurídica se compõe de preceito e sanção, um interligado ao 
outro. Particularmente no Direito Penal, o preceito visa a um comando geral e 
abstrato, enquanto a sanção penal, igualmente imposta a todos os indivíduos 
(erga omnes), traz como base a supremacia estatal sobre todos, a fim de 
garantir a harmonia e a convivência social. 
Enfim, busca-se harmonia, tranqüilidade e pacificação social por meio do 
sancionamento penal daquele que transgrediu a norma, praticando condutas 
tipificadas previamente em lei. 
A pena é a característica principal do Direito Penal, tratando-se de sanção 
personalíssima, aplicada em conformidade com a lei e proporcional ao delito, 
imposta pelo Estado a quem praticou o ilícito penal, deixando antever um fim 
retributivo e preventivo. 
 
6.1 DAS ESPÉCIES DE PENA 
 
Art. 32 - As penas são: 
I - privativas de liberdade; 
II - restritivas de direitos; 
III - de multa. 
 
I DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE 
 
O CP, com as Leis nº 7209/84 e 9714/98, seguindo uma política criminal 
liberal, contempla a pena privativa de liberdade e também alternativas a ela, 
como as restritivas de direito e a de multa, além do sursis – neste sentido, 
apenas quando não for possível a aplicação dos demais institutos é que deverá 
prevalecer a prisão, como última resposta 
 
RECLUSÃO E DETENÇÃO: A Reforma Penal de 1984 manteve a distinção, 
cada vez mais tênue, entre reclusão e detenção. No caso, as penas privativas 
de liberdade foram tratadas como gênero, sendo espécies a reclusão e 
detenção como espécies. Apesar de ter havido significativa redução de 
distinções formais entre pena de reclusão e detenção, a doutrina aponta 
algumas diferenças entre elas: 
� Regime inicial de cumprimento: Apenas os crimes punidos com reclusão 
(crimes mais graves, em tese), poderão ter
o início de cumprimento de pena 
em regime fechado, o que não se dá com a detenção. No caso, o regime inicial 
de cumprimento, na reclusão, pode ser fechado, semi- aberto ou aberto. Na 
detenção, o regime inicial é o semi-aberto ou o aberto. A detenção só poderá 
ser cumprida em regime fechado se houver a regressão; 
� Limitação na concessão de fiança. A autoridade policial poderá conceder 
fiança apenas nas infrações punidas com detenção ou prisão simples (art. 322, 
CPP), pois se punidas com reclusão, ficará a cargo do juiz apenas; 
� Espécies de medidas de segurança: Se o delito for apenado com 
reclusão, a medida de segurança será a detentiva; se apenado com detenção, 
a medida poderá ser convertida em tratamento ambulatorial (art. 97, CP); 
� Incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela ! 
tratando-se de crime punido com reclusão, cometido por pai, tutor ou curado 
contra os respectivos filhos, tutelados ou curatelados, haverá mencionada 
incapacidade; tratando-se de crime apenado com detenção, não haverá tal 
conseqüência, o que não impede de ser buscada em ação própria no juízo 
cível; 
� Prioridade na ordem de execução: A pena de reclusão executa-se 
primeiro; depois, a detenção ou prisão simples (arts. 69, caput, e 76, ambos do 
CP); 
� Influência nos pressupostos da prisão preventiva (art. 313, I, CPP). 
 
REGIMES PRISIONAIS: Com a Lei n. 7029/84, são os regimes 
determinados pela espécie e quantidade de pena aplicada e pela reincidência, 
juntamente com o mérito do condenado, obedecendo a um sistema progressivo 
(retirou-se a periculosidade como um dos fatores para escolha do regime). 
 
ESPÉCIES DE REGIMES: No regime fechado, o condenado cumpre a pena 
em estabelecimento de segurança máxima ou média (penitenciária) – art. 33, 
§1o, a, CP – ficando sujeito a isolamento no período noturno e trabalho no 
período diurno (art. 34, §1º), sendo que este trabalho será em comum dentro 
do estabelecimento, de acordo com as suas aptidões, desde que compatíveis 
com a execução de pena (art. 34, §2º); não pode freqüentar cursos de 
instrução ou profissionalizantes, admitindo-se o trabalho externo apenas em 
serviços ou obras públicas (art. 34, §3º), devendo-se, porém, tomar todas as 
precauções para se evitar a fuga. 
Por sua vez, no regime semi-aberto, o condenado cumpre a pena em colônia 
agrícola, industrial ou estabelecimento similar (art. 33, 1º, b, CP), ficando 
sujeito ao trabalho em comum durante o período diurno (art. 35, §1º, CP), 
podendo ainda realizar trabalho externo, inclusive na iniciativa privada, 
admitindo- se também a freqüência a cursos de instrução ou profissionalizantes 
(art. 35, §2º, CP). 
De acordo com o art. 36, caput, CP, o regime aberto baseia-se na 
autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado – isto porque ele 
somente ficará recolhido (em casa de albergado ou estabelecimento adequado) 
durante o período noturno e os dias de folga, devendo trabalhar, freqüentar 
curso ou praticar outra atividade autorizada fora do estabelecimento e sem 
vigilância (art. 36, §1º, CP); se, porém, frustar os fins da execução penal ou 
praticar fato definido como crime doloso, haverá regressão do regime (art. 36, 
§2º, CP). 
A prisão domiciliar constitui uma das espécies do regime aberto, juntamente 
com a prisão-albergue e a prisão em estabelecimento adequado (arts. 33, §2º, 
c, do CP e 117 da Lei de Execuções Penais (LEP). Por ser uma exceção, 
somente é cabível nas hipóteses taxativas do referido art. 117 (condenado 
maior de setenta anos ou acometido de grave doença, condenada com filho 
menor ou deficiente físico ou mental ou condenada gestante), já tendo o STF 
se posicionado neste sentido, não bastando, por conseguinte, a simples 
inexistência de casa de albergado para a sua concessão, devendo-se, neste 
caso, assegurar ao preso o trabalho fora da prisão, com recolhimento noturno e 
nos dias de folga. 
Preceitua o art. 37, CP, ao tratar do regime especial, que as mulheres 
deverão cumprir a pena em estabelecimento próprio, considerando-se os 
deveres e direitos inerentes à sua condição pessoal e as demais regras vistas, 
no que couber. 
 
REGIME INICIAL: A fixação do regime inicial de cumprimento da pena é de 
competência do juiz da condenação; caberá, todavia, ao juiz da execução a 
progressão/regressão do regime, devendo decidir de forma motivada. 
Para se determinar qual o regime inicial, deverá o juiz levar em consideração 
a natureza e quantidade da pena e a reincidência, bem como os elementos do 
art. 59, CP, da seguinte forma: quando os primeiros três fatores não impuserem 
um regime de forma obrigatória, deverá o juiz se valer do art. 59 para decidir 
qual o regime mais adequado entre os possíveis. O §2º do art. 33 do CP dispõe 
que: 
a) O condenado a pena superior a oito anos deverá começar a cumpri-la em 
regime fechado: Lógico que somente se refere à pena de reclusão, pois esta 
pode ser cumprida em regime fechado, semi-aberto e aberto, enquanto que a 
detenção somente pode ser nos dois últimos regimes, salvo necessidade de 
regressão; O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) 
anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime 
semi-aberto: Aplica-se apenas à reclusão, uma vez que a pena de detenção 
superior a quatro anos, tratando-se de condenado reincidente ou não, somente 
poderá iniciar-se no regime semi-aberto (não há uma faculdade), enquanto que 
a pena de reclusão maior que quatro anos poderá iniciar-se no regime fechado 
ou semi-aberto, a depender de o condenado não ser reincidente e do que os 
elementos do art. 59 indicarem; 
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) 
anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto: Aplica-se às penas 
de reclusão e de detenção: se ele for reincidente e a pena for de reclusão, o 
regime será o fechado ou semi-aberto; se reincidente mas a pena for de 
detenção, obrigatoriamente inicia-se no regime semi-aberto (inclusive qualquer 
que seja a quantidade da pena); se não for reincidente, tratando-se de pena de 
reclusão, qualquer dos três regimes cabíveis poderá ser o inicial e, se 
detenção, também qualquer dos dois regimes cabíveis poderá ser o inicial – 
dependerá dos elementos do art. 59. 
 
Resumindo as regras do regime inicial de cumprimento de pena, têm-se: 
� Detenção: somente pode iniciar em regime semi-aberto ou aberto, nunca 
no fechado; pena superior a 4 anos, reincidente ou não, regime inicial terá de 
ser o semi-aberto; reincidente, qualquer quantidade de pena, regime inicial 
semi-aberto; pena até 4 anos, não reincidente, regime semi-aberto ou aberto, a 
depender do art. 59. 
� Reclusão: pena superior a 8 anos, sempre no regime fechado; pena 
superior a 4 anos, reincidente, sempre no regime fechado; pena superior a 4 
anos até 8, não reincidente, regime fechado ou semi- aberto, a depender do 
art. 59; pena até 4 anos, reincidente, regime fechado ou semi-aberto, a 
depender do art. 59; pena até 4 anos, não reincidente, regime fechado, semi-
aberto ou aberto, também a depender do art. 59. 
 
PROGRESSÃO E REGRESSÃO: Pelo sistema progressivo, permite-se ao 
condenado a conquista gradual da liberdade, durante o cumprimento da pena, 
tendo em vista o seu comportamento, de forma que a pena aplicada pelo juiz 
não será necessariamente executada em sua integralidade. Na progressão, 
passa-se de um regime mais rigoroso para um menos rigoroso; na regressão, 
ocorre o inverso, sendo que, neste caso, pode-se passar diretamente do 
regime aberto para o fechado, o que não acontece com a progressão (do 
fechado tem que ir para o semi-aberto, nunca diretamente para o aberto). 
 
DETRAÇÃO, TRABALHO PRISIONAL E REMIÇÃO: Pela detração penal, 
desconta-se no tempo da pena ou medida de segurança aplicada o período de 
prisão ou de
internação cumprida antes da condenação. O art. 8º do CP 
preceitua que a pena privativa de liberdade cumprida no estrangeiro é 
computada na pena privativa de liberdade a ser cumprida no país. Dispõe o art. 
42, CP, que pode ser computado o tempo da prisão provisória, no Brasil ou no 
estrangeiro (prisão em flagrante, temporária, preventiva, decorrente de 
pronúncia e de sentença condenatória recorrível). 
O trabalho do preso é um direito-dever que visa a diminuir os efeitos 
criminógenos da prisão, com finalidade educativa e produtiva; a ele não se 
sujeita o preso provisório ou por crime político, os quais, contudo, se quiserem 
trabalhar, terão os mesmos direitos dos demais. A jornada diária não pode ser 
inferior a seis horas ou superior a oito, com folga aos domingos e feriados; a 
remuneração deverá ser, no mínimo, de três quartos do salário mínimo, 
assegurando-se todos os benefícios da Previdência Social (art. 39, CP), 
inclusive a aposentadoria. De acordo com a LEP, a remuneração servirá para: 
indenização civil determinada judicialmente; assistência à família; 
ressarcimento ao Estado pelas despesas com a manutenção do apenado, 
proporcionalmente; o saldo restante deverá ser depositado em caderneta de 
poupança. 
A remição permite o abatimento de parte da pena a ser cumprida pelo 
trabalho realizado dentro da prisão. Ela ocorre na forma de três dias de 
trabalho por um dia de pena, e é considerada tanto para fins de livramento 
condicional quanto para indulto; entretanto, se o apenado for punido por falta 
grave, perderá o tempo remido. 
 
 
Reclusão e detenção 
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime 
fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em 
regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de 
transferência a regime fechado. 
§ 1º - Considera-se: 
a) regime fechado a execução da pena em 
estabelecimento de segurança máxima ou média; 
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia 
agrícola, industrial ou estabelecimento similar; 
c) regime aberto a execução da pena em casa de 
albergado ou estabelecimento adequado. 
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser 
executadas em forma progressiva, segundo o mérito do 
condenado, observados os seguintes critérios e 
ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais 
rigoroso: 
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá 
começar a cumpri-la em regime fechado; 
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 
4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o 
princípio, cumpri-la em regime semi-aberto; 
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou 
inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-
la em regime aberto. 
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento 
da pena far-se-á com observância dos critérios previstos 
no art. 59 deste Código. 
§ 4o O condenado por crime contra a administração 
pública terá a progressão de regime do cumprimento da 
pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à 
devolução do produto do ilícito praticado, com os 
acréscimos legais. 
 
Regras do regime fechado 
Art. 34 - O condenado será submetido, no início do 
cumprimento da pena, a exame criminológico de 
classificação para individualização da execução. 
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período 
diurno e a isolamento durante o repouso noturno. 
§ 2º - O trabalho será em comum dentro do 
estabelecimento, na conformidade das aptidões ou 
ocupações anteriores do condenado, desde que 
compatíveis com a execução da pena. 
§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado, 
em serviços ou obras públicas. 
 
Regras do regime semi-aberto 
Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput, 
ao condenado que inicie o cumprimento da pena em 
regime semi-aberto. 
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum 
durante o período diurno, em colônia agrícola, industrial 
ou estabelecimento similar. 
§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a 
freqüência a cursos supletivos profissionalizantes, de 
instrução de segundo grau ou superior. 
 
Regras do regime aberto 
Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e 
senso de responsabilidade do condenado. 
§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e 
sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer 
outra atividade autorizada, permanecendo recolhido 
durante o período noturno e nos dias de folga. 
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se 
praticar fato definido como crime doloso, se frustrar os fins 
da execução ou se, podendo, não pagar a multa 
cumulativamente aplicada. 
 
Regime especial 
Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento 
próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes à 
sua condição pessoal, bem como, no que couber, o 
disposto neste Capítulo. 
 
Direitos do preso 
Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos 
pela perda da liberdade, impondo-se a todas as 
autoridades o respeito à sua integridade física e moral. 
 
Trabalho do preso 
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado, 
sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social. 
 
Legislação especial 
Art. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista 
nos arts. 38 e 39 deste Código, bem como especificará os 
deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e 
transferência dos regimes e estabelecerá as infrações 
disciplinares e correspondentes sanções. 
 
Superveniência de doença mental 
Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental 
deve ser recolhido a hospital de custódia e tratamento 
psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado. 
 
Detração 
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e 
na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no 
Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de 
internação em qualquer dos estabelecimentos referidos 
no artigo anterior. 
 
 
II DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS: 
 
Ao prolatar uma sentença condenatória, deve o juiz verificar se não é o caso 
de substituir a pena privativa de liberdade por uma outra espécie de pena (art. 
59, IV) ou pelo sursis. 
As penas restritivas de direitos são autônomas (e não acessórias) e 
substitutivas (não podem ser cumuladas com penas privativas de liberdade); 
também não podem ser suspensas nem substituídas por multa. As penas 
restritivas de direito foram paulatinamente introduzidas como uma alternativa à 
prisão. 
 As penas restritivas de direito não podem substituir a pena privativa de 
liberdade em toda e qualquer ocasião. Para ser aplicada, é preciso que sejam 
observados os requisitos previstos no art. 44 do Código Penal. Estes requisitos 
são de duas ordens: 
 
a) objetivos: 
� pena privativa de liberdade não superior a 4 anos, desde que o crime 
não seja cometido com violência ou grave ameaça à pessoa. art. 44, I, 1ª parte; 
� qualquer crime culposo – art. 44, I, in fine; A exigêcia que o crime seja 
culposo, ou, sendo doloso, o crime, com pena até 4 anos, cometido sem 
violência, revela o desvalor da ação, além do desvalor do resultado. Quanto 
aos crimes de menor potencial ofensivo (pena máxima até 01 ano – art. 61 da 
lei 9.099/95), ressalte-se que, mesmo cometidos com violência ou grave 
ameaça (ex: lesões leves – art. 129, caput, ameaça, art. 147, etc.), eles têm 
regras próprias na Lei nº 9099/95; 
 
b) subjetivos: 
� não reincidência em crime doloso – art. 44, II; a reincidência era uma 
vedação absoluta antes da lei 9.714/98. Todavia, com a nova redação do art. 
44, § 3º, do Código Penal, apenas a reincidência em crime doloso impede a 
concessão do benefício, e este impedimentos sequer representa uma vedação 
absoluta, pois, na forma do art. 44, § 3º, pois o juiz, mesmo em caso de 
reincidência em crime doloso, pode utilizar a substituição,
desde que a medida 
seja socialmente recomendável e a reincidência não seja específica. 
� prognose favorável; no sentido de que a substituição será suficiente, 
tendo em vista a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a 
personalidade do condenado, bem assim os motivos e as circunstâncias do 
crime – art. 44, III. 
Ressalte-se que trata-se de pena substitutiva, isto é, o juiz primeiro fará o 
cálculo da pena privativa de liberdade, e depois examinará se presentes os 
requisitos subjetivos e objetivos para a substituição por pena restritiva de 
direitos. Se a pena for igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita 
por uma pena restritiva de direito ou por multa; se igual ou superior a um ano, a 
pena privativa de liberdade poderá ser substituída por pena restritiva de direitos 
+ multa ou 2 penas restritivas de direitos. Pode, contudo, haver aplicação 
cumulativa de restritiva de direito com multa mesmo quando a condenação seja 
inferior a um ano: ocorre quando a cominação legal for de pena privativa de 
liberdade + multa (o que não se permite é a substituição cumulativa para as 
duas penas referidas quando se tratar de crimes cuja condenação seja igual ou 
inferior a 1 ano). 
A aplicação de pena restritiva de direitos não é um direito subjetivo do Réu, 
depende de avaliação do juiz no caso concreto. No entanto, entende-se que o 
juiz, se presentes os requisitos objetivos, não havendo reincidência em crime 
doloso, o juiz necessita fundamentar a decisão que não concede a liberdade. 
 
ESPÉCIES: 
 
1. Prestação pecuniária (art. 45, §1º): Tem caráter indenizatório, e consiste 
no pagamento de dinheiro à vítima, seus dependentes ou entidade pública ou 
privada com destinação social (só se não houver dano ou se não houver vítima 
imediata/parentes é que o pagamento irá para entidade pública ou privada com 
destinação social). 
 
2. Prestação de outra natureza – inominada (art. 45, §2º): O art. 45, § 2º 
preceitua que, aceitando o beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir 
em prestação de outra natureza (cestas básicas, medicamentos, etc.). Não 
pode ter natureza pecuniária (não pode ser multa, perda de bens ou valores 
nem prestação pecuniária); acontece que pena inominada é igual a pena 
indeterminada, o que feriria o princípio da reserva legal. A substituição tem de 
ter caráter consensual, pois precisa da concordância prévia do beneficiário – se 
já estiver em grau recursal, o processo deve baixar para ser examinado o 
cabimento e eventual oitiva do beneficiário (o Tribunal não pode aplicar essa 
pena). 
 
3. Perda de bens e valores (art. 45, §3º): A perda de bens e valores visa 
impedir que o Réu obtenha qualquer benefício em razão da prática do crime. 
Deve-se distinguir o confisco-efeito da condenação do confisco-pena: o 
primeiro se refere a instrumentos e produtos do crime (art. 91, II, a e b), 
enquanto o segundo relaciona-se com o patrimônio do condenado, indo para o 
Fundo Penitenciário Nacional, motivo pelo que se questiona sua 
constitucionalidade. A perda de bens incidirá sobre o maior dos valores: 
・o montante do prejuízo causado 
・o provento obtido pelo agente ou por terceiro pela prática do crime. 
 
4. Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas (art. 
46): A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição de tarefas 
gratuitas ao condenado, de acordo com as suas aptidões, que deverá ser 
cumprida em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros 
estabelecimentos afins, em programas comunitários ou estatais. 
Pode ser aplicada para as condenações superiores a 6 meses de privação 
de liberdade. Penas inferiores a 6 meses estão sujeitas a outras penas 
alternativas, não de prestação de serviços à comunidade. 
A prestação de serviços à comunidade deve ser cumprida à razão de 1 hora 
de trabalho para cada dia da condenação. Em outras palavras, para cada hora 
de trabalho, o condenado diminuirá um dia de condenação. Mas como a 
prestação de serviços deve, em regra, ter a mesma duração (CP., art. 55) da 
pena privativa de liberdade cominada (ex: pena de 9 meses de detenção = 9 
meses de prestação de serviços à comunidade), a regra é que o condenado 
trabalhe uma hora por dia. Contudo, se a pena substituída for superior a 1 ano, 
poderá o condenado cumprir a pena de prestação em menos tempo, nunca 
inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. Isto é, quando a pena 
substituída for superior a 1 ano, o agente pode trabalhar mais de 1 hora por 
dia, para cumprir a pena em menos tempo, nunca inferior à metade do tempo 
da pena fixada. (art. 46, § 4º) 
 
5. Interdição temporária de direitos (art. 47): Consiste em: 
� Proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como 
de mandato eletivo. A suspensão é temporária, não precisa ser crime contra a 
Administração Pública, basta ter havido violação dos deveres inerentes ao 
cargo, função ou atividade. Não se confunde com a perda do cargo (efeito da 
condenação, CP, art. 92, I). 
� Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam 
de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; decorre do 
crime cometido com prática de violação dos deveres de profissão, atividade ou 
ofício. Abrange, por conseguinte, apenas a profissão em que ocorreu o abuso, 
não envolvendo outras profissões que o agente possa exercer. 
� Suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo; 
somente para crimes culposos de trânsito quando, à época do crime, o 
condenado era habilitado ou autorizado a dirigir, não se aplicando à permissão 
para dirigir veículos (art. 148, §2o, CTB) porque não prevista em lei; 
� Proibição de freqüentar determinados lugares; na verdade, é restritiva de 
liberdade, e não de direito; deve haver uma relação criminógena entre o lugar 
em que o crime foi praticado e a personalidade (conduta do apenado), não 
sendo para qualquer tipo de crime, lugar ou infrator. 
 
6. Limitação de fim de semana (art. 48): Consiste na obrigação de 
permanecer, aos fins-de-semana, por 05 (cinco) horas diárias, em casa de 
albergado ou outro estabelecimento adequado, no qual serão ministrados 
cursos e tarefas educativas. 
 
 
Penas restritivas de direitos 
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: 
I - prestação pecuniária; 
II - perda de bens e valores; 
III - (VETADO) 
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades 
públicas; 
V - interdição temporária de direitos; 
VI - limitação de fim de semana. 
 
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e 
substituem as privativas de liberdade, quando: 
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a 
quatro anos e o crime não for cometido com violência ou 
grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena 
aplicada, se o crime for culposo; 
II - o réu não for reincidente em crime doloso; 
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a 
personalidade do condenado, bem como os motivos e as 
circunstâncias indicarem que essa substituição seja 
suficiente. 
§ 1o (VETADO) 
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a 
substituição pode ser feita por multa ou por uma pena 
restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena 
privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena 
restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de 
direitos. 
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar 
a substituição, desde que, em face de condenação 
anterior, a medida seja socialmente recomendável e a 
reincidência não se tenha operado em virtude da prática 
do mesmo crime. 
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa 
de liberdade quando ocorrer o descumprimento 
injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena 
privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo 
cumprido da pena restritiva
de direitos, respeitado o saldo 
mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. 
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de 
liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal 
decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la 
se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva 
anterior. 
 
Conversão das penas restritivas de direitos 
Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo 
anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47 e 
48. 
§ 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em 
dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade 
pública ou privada com destinação social, de importância 
fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem 
superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O 
valor pago será deduzido do montante de eventual 
condenação em ação de reparação civil, se coincidentes 
os beneficiários. 
§ 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação 
do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em 
prestação de outra natureza. 
§ 3o A perda de bens e valores pertencentes aos 
condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial, 
em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor 
terá como teto - o que for maior - o montante do prejuízo 
causado ou do provento obtido pelo agente ou por 
terceiro, em conseqüência da prática do crime. 
§ 4o (VETADO) 
 
Prestação de serviços à comunidade ou a entidades 
públicas 
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a 
entidades públicas é aplicável às condenações superiores 
a seis meses de privação da liberdade. 
§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a 
entidades públicas consiste na atribuição de tarefas 
gratuitas ao condenado. 
§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em 
entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e 
outros estabelecimentos congêneres, em programas 
comunitários ou estatais. 
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas 
conforme as aptidões do condenado, devendo ser 
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de 
condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada 
normal de trabalho. 
§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é 
facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em 
menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena 
privativa de liberdade fixada. 
 
Interdição temporária de direitos 
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos 
são: 
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade 
pública, bem como de mandato eletivo; 
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício 
que dependam de habilitação especial, de licença ou 
autorização do poder público; 
III - suspensão de autorização ou de habilitação para 
dirigir veículo. 
IV - proibição de freqüentar determinados lugares. 
 
Limitação de fim de semana 
Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na 
obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 
(cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro 
estabelecimento adequado. 
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser 
ministrados ao condenado cursos e palestras ou 
atribuídas atividades educativas. 
 
 
III DA PENA DE MULTA: 
 
A multa é uma das modalidades das penas adotadas pelo Código Penal e se 
revela no pagamento pelo condenado ao fundo penitenciário, com o cálculo 
inovador do direito brasileiro, aplicado em dias-multa. 
A técnica utilizada pelo nosso Código Penal para cominação foi a utilização 
do termo puro e simples de "e/ou multa". Assim, inseriu-se um capítulo 
específico e retirou a expressão “multa de...". Em decorrência, os tipos penais 
não trazem mais, em seu bojo, os limites mínimo e máximo da pena cominada, 
dentro dos quais o julgador deveria aplicar a sanção necessária e suficiente à 
reprovação e prevenção do crime. 
A referência atual é o artigo 44, §2º do Código Penal, onde reza ser a 
condenação igual ou inferior a 1 (um) ano substituível por multa ou uma pena 
restritiva de direitos; se superior a 1 (um) ano, a pena privativa de liberdade 
pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas 
restritivas de direitos. 
A pena de multa poderá ser aplicada isoladamente, sendo a pena única; 
cumulativamente com a pena privativa de liberdade; alternativamente à pena 
privativa de liberdade; em substituição à pena privativa de liberdade, mas 
cumulada com restritiva de direitos. 
Também em substituição à reclusão e detenção, para ser aplicada como 
pena única, em caso de condenação à pena privativa de liberdade não superior 
a um ano, desde que igualmente presentes as condições de favorabilidade das 
circunstâncias judiciais do artigo 59 do CP, a teor dos artigos 44, §2º, e 46, 
todos combinados com o artigo 60, §2º, do CP, que, em razão do advento da 
Lei 9.714/98, deve agora ser reinterpretado, visando à harmonia de tais 
dispositivos legais. 
O Código Penal previu duas hipóteses em que, preenchidos os demais 
requisitos, a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela multa 
quando a primeira não for superior a seis meses, independentemente de tratar-
se de crime doloso ou culposo; e nos crimes culposos cuja pena seja igual ou 
superior a um ano de detenção, poderá ser substituída por multa e uma pena 
restritiva de direitos. Afirma ainda que embora a lei indicar a possibilidade, o 
juiz é obrigado a aplicá-la quando o condenado preencher os requisitos. 
A pena de multa possui vantagens e desvantagens. Primeiro, porque o 
condenado à pena pequena não é levado à prisão, não o retirando do convívio 
com a família e do convício social. Ainda, o Estado não gasta com 
encarceramento e aufere renda extra. De outro lado, afeta mais duramente o 
pobre do que o rico, a maioria não tem como pagar a multa e não intimida 
como a pena privativa de liberdade. 
A individualização da pena pecuniária deve obedecer a um particular critério 
bifásico: a) firma-se o número de dias-multa (mínimo de 10 e máximo de 360), 
valendo-se do sistema trifásico previsto para as penas privativas de liberdade; 
b) estabelece-se o valor do dia-multa (piso de 1/30 do salário mínimo e teto de 
5 vezes esse salário), conforme a situação econômica do réu. 
Nesse diapasão, a jurisprudência se divide em duas correntes. A primeira 
aplica a pena de multa considerando, apenas, a condição financeira do 
condenado, sem considerar as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código 
Penal. A segunda corrente afirma que a pena de multa há de ser aplicada 
considerando, além da situação econômica, as circunstâncias judiciais, como 
se faz no sistema trifásico de aplicação da pena privativa de liberdade. 
Muito importante lembrar que as decisões devem ser motivadas, respeitando 
o artigo 93, IX, bem como individualizadas, artigo 5º, XLVI, ambos da 
Constituição Federal. 
O pagamento da multa deve ser dentro de dez dias depois de transitada em 
julgado a sentença. A requerimento do condenado, e conforme as 
circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas 
mensais – artigo 50 do Código Penal. 
Previu ainda o supracitado artigo, em seu parágrafo primeiro, que a 
cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou 
salário do condenado quando: 
1) aplicada isoladamente; 
2) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos e 
3) concedida a suspensão condicional da pena. 
O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento 
do condenado e de sua família - §2º, artigo 50 do CP. Já o artigo 168 da Lei de 
Execução Penal, impõe o limite de descontos: máximo – quarta parte da 
remuneração; mínimo: um décimo da remuneração. 
 
Multa 
Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo 
penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada 
em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no 
máximo, de 360
(trezentos e sessenta) dias-multa. 
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não 
podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário 
mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 
5 (cinco) vezes esse salário. 
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da 
execução, pelos índices de correção monetária. 
 
Pagamento da multa 
Art. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias 
depois de transitada em julgado a sentença. A 
requerimento do condenado e conforme as 
circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se 
realize em parcelas mensais. 
§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante 
desconto no vencimento ou salário do condenado quando: 
a) aplicada isoladamente; 
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de 
direitos; 
c) concedida a suspensão condicional da pena. 
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos 
indispensáveis ao sustento do condenado e de sua 
família. 
Conversão da Multa e revogação 
 
Modo de conversão 
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, 
a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-
lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da 
Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas 
interruptivas e suspensivas da prescrição. 
 
Suspensão da execução da multa 
Art. 52 - É suspensa a execução da pena de multa, se 
sobrevém ao condenado doença mental. 
 
 
 
6.2 DA COMINAÇÃO DAS PENAS 
 
 
 
Penas privativas de liberdade 
Art. 53 - As penas privativas de liberdade têm seus limites 
estabelecidos na sanção correspondente a cada tipo legal 
de crime. 
 
Penas restritivas de direitos 
Art. 54 - As penas restritivas de direitos são aplicáveis, 
independentemente de cominação na parte especial, em 
substituição à pena privativa de liberdade, fixada em 
quantidade inferior a 1 (um) ano, ou nos crimes culposos. 
 
Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos 
incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma duração da 
pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o 
disposto no § 4o do art. 46. 
 
Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e 
II do art. 47 deste Código, aplicam-se para todo o crime 
cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, 
cargo ou função, sempre que houver violação dos 
deveres que lhes são inerentes. 
 
Art. 57 - A pena de interdição, prevista no inciso III do art. 
47 deste Código, aplica-se aos crimes culposos de 
trânsito. 
 
Pena de multa 
Art. 58 - A multa, prevista em cada tipo legal de crime, 
tem os limites fixados no art. 49 e seus parágrafos deste 
Código. 
Parágrafo único - A multa prevista no parágrafo único do 
art. 44 e no § 2º do art. 60 deste Código aplica-se 
independentemente de cominação na parte especial. 
 
6.3 DA APLICAÇÃO DA PENA 
 
A individualização da pena é um dos direitos fundamentais previstos no art. 
5º, inc. XLVI da Carta Magna. Esta individualização passa desde a 
determinação da espécie de pena que vai ser cominada e aplicada ao caso 
concreto, bem como ao quantum de pena necessário e suficiente à prevenção 
e reprovação do crime (art. 59, CP). 
A determinação da pena pode realizar-se de acordo com três sistemas 
básicos: 
a) Sistema da absoluta determinação: Sistema mais antigo, utilizado nos 
Código Criminal de 1830, caracteriza-se pela absoluta determinação , na qual a 
própria lei determina, de forma taxativa, qual é a quantidade de pena aplicável 
a cada delito, de modo fixo. No Código de 1830, a pena era fixada nos graus 
mínimo, médio e máximo, sendo previamente fixadas as penas de cada um dos 
graus. 
b) Sistema de absoluta indeterminação: É o sistema que consagra o livre-
arbítrio judicial, pelo qual se confere ao magistrado amplos poderes para 
decidir, dentre as penas existentes, aquela que considerar mais adequada, na 
quantidade que entender mais conveniente. 
c) Sistema de relativa determinação: Sistema adotado no Código de 1940, 
repetido na Parte geral de 1984. Por este sistema, a pena de cada crime já 
vem determinada, as espécies e seu quantitativo vêm fixados num limite 
mínimo e máximo, cabendo ao juiz, observando os limites, fixá-la de modo 
discricionário. 
 Em face da garantia constitucional de individualização da pena, o juiz, para 
aplicar ao condenado a pena mais adequada ao caso concreto, deve levar em 
conta todas as circunstâncias do crime, isto é, todas as condições que se 
encontram ao redor do crime, alterando a resposta penal, com base na maior 
ou menor gravidade da conduta, desvalor da ação ou desvalor do resultado, 
sem afetar o tipo fundamental. 
Diferem das elementares porque estas são requisitos essenciais do tipo, 
enquanto que aquelas são requisitos acidentais. 
De acordo com a sua natureza, podem ser classificadas em pessoais ou 
subjetivas (Exemplo: menoridade, reincidência, antecedentes, motivos, sexo, 
profissão, etc.) e objetivas (Exemplo: modo de execução), objeto material, 
características da vítima, etc. As circunstâncias de caráter pessoal não se 
comunicam no concurso de pessoas, salvo quando elementares do crime, 
enquanto as objetivas comunicam- se a todos os concorrentes, desde que 
entrem na esfera de seu conhecimento. 
Quanto à função modificativa, as circunstâncias podem ser classificadas 
também em: 
a) circunstâncias que aumentam o mínimo e o máximo da pena em abstrato; 
são as qualificadoras (tipos qualificados), consideradas na 1ª fase (Exemplo: 
art. 121, §2º); 
b) circunstâncias que agravam ou atenuam a pena sem determinação de 
quantidade (o juiz, ao considerá-las, deve observar os limites da pena em 
abstrato). Subdividem-se em judiciais (art. 59) e legais (agravantes e 
atenuantes – artigos 61 a 66); 
c) causas de aumento e de diminuição: Autorizam a alteração da pena com 
base em valores fixos ou variáveis; são as majorantes e minorantes. Vêm sob a 
forma de fração, distinguindo-se das qualificadoras porque não modificam os 
limites da pena em abstrato, mas permitem que o juiz fixe a pena concreta 
aquém ou além de tais limites, podendo vir na Parte Geral (Exemplo: artigos 
14, II, e 16) e na Especial do CP (Exemplo: art. 121, §4º, 127), sendo que os 
tipos que contêm causas de aumento são chamados de tipos agravados, e os 
que contêm causas de diminuição, de tipos privilegiados. 
 
DOSIMETRIA: É feita pelo sistema trifásico: 
 
1ª FASE: Para o cálculo da pena-base, levam-se em conta as circunstâncias 
judiciais do art. 59, sendo que, se alguma delas for agravante, atenuante, 
causa de aumento ou de diminuição, deve ser considerada nas operações 
seguintes para que não haja o bis in idem; e se o juiz verifica a existência de 
mais de uma qualificadora, deve se utilizar de apenas uma delas e considerar 
a(s) outra(s) nas fases seguintes, se previstas. A pena-base não pode ser nem 
superior ao máximo nem inferior ao mínimo (art. 59, II); na jurisprudência, 
entende-se que, como na 2º fase, a elevação é de 1/6 para cada circunstância 
legal agravante, as circunstâncias judiciais só autorizariam um aumento de até 
1/6 do mínimo da pena abstrata. 
 
Fixação da pena 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos 
antecedentes, à conduta social, à personalidade do 
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências 
do crime, bem como ao comportamento da vítima, 
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
 II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites 
previstos; 
 III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de 
liberdade; 
 IV - a substituição da pena privativa da liberdade 
aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. 
 
 
São circunstâncias judiciais: 
� Culpabilidade: Verificada não como fundamento da pena, mas como seu 
limite, o grau de reprovação
da conduta. É a viga mestra das circunstâncias 
judiciais; 
� Antecedentes: Constituem os fatos abonadores e desabonadores da sua 
vida pregressa – inquéritos instaurados, processos em curso, etc. A 
reincidência não pode ser considerada como antecedente, porque é 
circunstância agravante. No entanto, a condenação por crime anterior após o 
prazo depurador de 5 anos da reincidência pode ser considerada como 
agravante; 
� Conduta social: Como o sujeito age em seu meio familiar, profissional; 
� Personalidade: Perfil psicológico e moral do sujeito; 
� Motivos do crime: Fatores que levaram o sujeito a cometer o crime, isto 
é, o “porquê” do crime (religião, amor, ódio, etc.); 
� Circunstâncias do crime: Relaciona-se com o modo de execução 
(instrumentos do crime, tempo, local, objeto material, etc.); 
� Conseqüências do crime: Intensidade da lesão produzida no bem 
jurídico tutelado; 
� Comportamento da vítima: Relaciona-se com a vitimologia, como a 
conduta da vítima pode influenciar ou não a prática do crime, se o 
comportamento da vítima provocou ou facilitou o crime. 
 
2ª FASE: Para o cálculo da pena provisória, levam-se em conta as 
circunstâncias agravantes e atenuantes genéricas, sendo que o juiz não poderá 
ir além ou aquém dos limites estabelecidos pelo legislador ao cominar a pena 
(para alguns, não haveria impedimento legal a que a incidência de uma 
atenuante levasse a pena-base para aquém do mínimo cominado ao tipo. 
Ainda, no concurso entre agravantes e atenuantes, dispõe o art. 67 que a 
pena deve se aproximar do limite indicado pelas circunstâncias 
preponderantes, como tais entendendo-se as que resultam dos motivos 
determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincidência. 
 
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes 
Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena 
deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias 
preponderantes, entendendo-se como tais as que 
resultam dos motivos determinantes do crime, da 
personalidade do agente e da reincidência. 
 
As agravantes estão no art. 61, e sempre incidem, salvo quando constituam 
ou qualifiquem o crime, quando coincidam com uma causa de aumento ou 
quando isentem de pena: 
a) Reincidência: Diz o art. 63 que o agente é considerado reincidente se, 
após ser condenado por um crime por sentença transitada em julgado, no país 
ou no exterior, comete novo crime; seus efeitos não perdurarão após o prazo 
de 5 anos a partir da data de cumprimento ou extinção da pena, computando-
se o período de prova do sursis e do livramento condicional, se não tiver 
ocorrido revogação (art. 64, I) e não sendo considerados os crimes políticos e 
os militares próprios (art. 64, II). De se salientar que o art. 7º da LCP 
complementa o conceito de reincidência ao estabelecer que ela também se dá 
se o agente comete nova contravenção após o trânsito em julgado da sentença 
condenatória no estrangeiro por qualquer crime ou no Brasil por crime ou 
contravenção; é provada pela certidão judicial do trânsito em julgado da 
sentença condenatória; 
b) Ter o agente cometido o crime: 
� Por motivo fútil ou torpe (fútil é o motivo insignificante, que guarde 
desproporção com o crime praticado; torpe é o motivo vil, abjeto, que 
demonstra grau extremo de insensibilidade moral do agente); 
� Para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou 
vantagem de outro crime: Tem-se aí uma conexão, que pode ser de dois tipos: 
teleológica (para facilitar ou assegurar a execução de outro crime) ou 
conseqüencial (o crime é praticado para garantir a ocultação, impunidade ou 
vantagem de outro); 
� À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso 
que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido: Relativo à forma de 
realização do crime. Na traição ocorre uma deslealdade; a emboscada se dá 
quando o agente se esconde para atacar a vítima de surpresa (tocaia); a 
dissimulação é a utilização de artifícios para se aproximar da vítima, 
encobrindo seus desígnios reais; por fim, o legislador usou uma fórmula 
genérica (outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do 
ofendido), permitindo a interpretação analógica ou extensiva; 
� Com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio 
insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum: Relativo ao meio. O 
legislador escolheu alguns meios como paradigma, utilizando, em seguida, a 
expressão que possibilita a interpretação extensiva. Meio insidioso é aquele 
dissimulado em sua eficiência maléfica; meio cruel é o que aumenta inutilmente 
o sofrimento da vítima ou revele uma brutalidade anormal; perigo comum é o 
provocado por uma conduta que expõe a risco a vida ou o patrimônio de um 
número indefinido de pessoas; 
� Contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge: Revela uma maior 
insensibilidade do agente; aplica-se a qualquer forma de parentesco (legítimo 
ou ilegítimo, consangüíneo ou civil); não incide quando a relação de parentesco 
for elementar do crime, como no caso do infanticídio e não se estende ao 
concubino pela proibição da analogia in malam partem. 
� Com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, 
de coabitação ou de hospitalidade: Funda-se na quebra de confiança que a 
vítima tinha no agente; o abuso de autoridade se dá quando o agente excede 
ou faz uso ilegítimo do poder de fiscalização, assistência, instrução, educação 
ou custódia derivado de relações familiares, de tutela, de curatela ou mesmo 
de hierarquia eclesiástica, referindo-se somente às relações privadas, pois, 
quanto às públicas, existe lei especial; relações domésticas são as que se 
estabelecem entre pessoas de uma mesma família, freqüentadores habituais 
da casa, amigos, empregados, etc.; relação de coabitação é a que se dá 
quando duas ou mais pessoas vivem sob o mesmo teto; por fim, a relação de 
hospitalidade ocorre quando a vítima recebe o agente para permanência em 
sua casa por certo período (visita, pernoite, convite para uma refeição, etc.); 
� Com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, 
ministério ou profissão: nos primeiros casos, ao praticar o crime, o funcionário 
que exerce o cargo ou ofício infringe os deveres inerentes a eles; ministério 
relaciona-se com atividades religiosas; profissão é a atividade especializada, 
remunerada, intelectual ou técnica; 
� Contra criança, velho, enfermo ou mulher grávida: Funda-se na maior 
vulnerabilidade destas pessoas; criança, segundo o ECA, é a pessoa com até 
12 anos incompletos; velho é a pessoa com mais de 70 anos ou que esteja 
com sua situação física prejudicada pela sua condição específica; enferma é a 
pessoa doente sem condições de se defender; 
� Quando o ofendido estava sob a imediata proteção de autoridade: 
Baseia-se no desrespeito à autoridade, sendo exemplos desse tipo de vítima o 
preso ou o doente mental recolhido a estabelecimento oficial; 
� Em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade 
pública, ou de desgraça particular do ofendido: Aqui o agente deve se 
aproveitar de modo consciente e voluntário da situação calamitosa para 
dificultar a defesa da vítima ou par facilitar a sua impunidade; 
� Em estado de embriaguez preordenada: Aqui o agente se embriaga 
propositadamente para cometer crimes, sendo este realmente o campo de 
atuação da teoria da actio libera in causa. 
 
Há discussão sobre se as agravantes do inciso II do art. 61 do CP seriam 
aplicadas somente aos crimes dolosos ou a todos os crimes, já que a lei não 
faz distinção. O art. 62, CP relaciona as agravantes no concurso de pessoas, 
quando o agente: 
a) Promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos 
demais agentes: Atinge aquele que promove a união do grupo, ou é o seu líder, 
ou ainda atua como mentor intelectual do crime; 
b)
Coage ou induz outrem à execução material do crime: A 1ª parte trata da 
coação, que pode ser moral ou física, resistível ou irresistível, sendo que o 
coator responderá pelo crime praticado pelo executor direto (com a pena 
agravada) e mais o constrangimento ilegal, ou se for o caso, o crime do art. 
1º,I, b, da Lei n. 9455/97; a 2º parte fala daquele que insinua, inspira outrem a 
praticar o crime; 
c) Instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade 
ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal: Instigar é reforçar 
uma idéia delituosa já existente; determinar é mandar, ordenar; o executor 
deve estar sujeito à autoridade do agente ou não ser punível por alguma 
qualidade pessoal (menoridade, doença mental, etc.); 
d) Executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de 
recompensa: A paga é anterior ao crime; a recompensa é posterior a ele. 
 
Os artigos 65 e 66 do CP, tratam das circunstâncias atenuantes; o artigo 65 
estabelece um rol, saber: 
a) Ser o agente menor de vinte e um anos, na data do fato, ou setenta anos, 
na data da sentença: Refere-se à sentença de 1º grau; a menoridade para 
efeitos penais prevalece ainda que já tenha havido emancipação; 
b) O desconhecimento da lei apesar de inescusável e não isentar de pena 
(art. 21), a ignorância serve para atenuá-la; 
c) ter o agente cometido o crime: Por motivo de relevante valor moral ou 
social: Valor moral relaciona-se com um interesse individual que encontra certo 
respaldo na sociedade (Exemplo: matar o estuprador da filha); já o valor social 
refere-se a um interesse coletivo (Exemplo: invadir o domicílio de um traidor da 
Pátria); Procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o 
crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, 
reparado o dano: Na 1ª parte, trata-se de um arrependimento em que o agente, 
após a consumação, consegue evitar ou minorar as conseqüências, o que não 
se confunde com o arrependimento eficaz (art. 15), o qual exige que o agente 
impeça a produção do resultado, nem com o arrependimento posterior (art. 16), 
que incide antes do recebimento da inicial acusatória em crimes cometidos sem 
violência ou grave ameaça a pessoa; na 2ª parte, o agente deverá ter reparado 
o dano até a sentença de 1º grau; 
d) Cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de 
ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, 
provocada por ato injusto da vítima: A coação, moral ou física, tem que ser 
resistível, pois, se irresistível, excluirá a própria conduta quando física, ou a 
culpabilidade quando moral (art. 22, 1ª parte); a ordem de autoridade superior a 
ser cumprida deve ser manifestamente ilegal, porque, não o sendo, excluirá a 
culpabilidade (art. 22, 2ª parte); apesar de a emoção e a paixão não excluírem 
a imputabilidade (art. 28, I), reduz-se a pena em caso de influência de violenta 
emoção provocada por ato injusto da vítima, sendo que, se for uma agressão 
injusta, poderá haver legítima defesa, e, ainda, deve-se diferenciar esta 
atenuante da hipótese de homicídio privilegiado que se configura quando o 
sujeito atua sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta provocação 
da vítima; 
e) Confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime: 
A confissão aqui deve ter sido espontânea, a demonstrar um arrependimento, 
por exemplo; não incidindo ainda se o agente confessa o crime durante o 
inquérito e, depois, se retrata em juízo; 
f) Cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o 
provocou: O agente deve ter cometido o crime sob a influência de multidão em 
tumulto e não pode ter provocado este último – exemplo: brigas com grande 
número de pessoas. Quanto ao art. 66, traz uma atenuante inominada, que 
deve ser levada em consideração sempre que o juiz entenda haver uma 
circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, ainda que não prevista 
em lei. 
 
3ª FASE: Para o cálculo da pena definitiva, são consideradas as causas de 
aumento e de diminuição previstas na Parte Geral e na Parte Especial do CP, 
tais como tentativa (art. 14, II), arrependimento posterior (art. 16), homicídio 
privilegiado (art. 121, §1º), furto noturno (art. 155, §1º), etc. Conforme já visto, 
prevêem um quantum de exasperação ou de redução de pena, diferenciando-
se das agravantes e atenuantes, podendo a pena definitiva ficar além ou 
aquém da pena cominada ao tipo. Alguns princípios devem ser observados: 
� No concurso de majorantes ou de minorantes previstas na Parte 
Especial, poderá o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, 
prevalecendo, porém, a causa que mais aumente ou diminua (art. 68, parágrafo 
único); 
� As majorantes devem incidir em primeiro lugar e separadamente, 
enquanto as minorantes incidem cumulativa e posteriormente; 
� As regras do concurso material, formal e crime continuado são as 
últimas operações a serem feitas. 
 
Estabelecida a pena definitiva, terá o juiz que determinar o regime inicial de 
cumprimento da pena privativa de liberdade; por fim, deverá analisar se é caso 
de substituição da pena (art. 59, IV) ou de suspensão de sua execução (art. 
157 da LEP), devendo motivar em qualquer hipótese. 
Não confundir causa de aumento e de diminuição com qualificadora. Nesta, 
há uma nova cominação no mínimo e no máximo em relação ao crime simples, 
e os novos limites mínimo e máximo fixados pela qualificadora servirão como 
parâmetro desde as circunstâncias judiciais. As causas de aumento são 
previstas em fração (um terço, um sexto, metade), e são aplicadas na terceira 
fase de aplicação da pena. 
 
 
Fixação da pena 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos 
antecedentes, à conduta social, à personalidade do 
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências 
do crime, bem como ao comportamento da vítima, 
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites 
previstos; 
 III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de 
liberdade; 
 IV - a substituição da pena privativa da liberdade 
aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. 
 
Critérios especiais da pena de multa 
Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender, 
principalmente, à situação econômica do réu. 
§ 1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz 
considerar que, em virtude da situação econômica do réu, 
é ineficaz, embora aplicada no máximo. 
 
Multa substitutiva 
§ 2º - A pena privativa de liberdade aplicada, não superior 
a 6 (seis) meses, pode ser substituída pela de multa, 
observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste 
Código. 
 
 Circunstâncias agravantes 
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, 
quando não constituem ou qualificam o crime: 
I - a reincidência; 
II - ter o agente cometido o crime: 
a) por motivo fútil ou torpe; 
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a 
impunidade ou vantagem de outro crime; 
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou 
outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa 
do ofendido; 
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou 
outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar 
perigo comum; 
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; 
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de 
relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, 
ou com violência contra a mulher na forma da lei 
específica; 
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a 
cargo, ofício, ministério ou profissão; 
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo 
ou mulher grávida; 
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da 
autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou 
qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do 
ofendido; 
l) em estado de embriaguez preordenada. 
 
Agravantes no caso de concurso de pessoas 
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao 
agente que: 
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige 
a atividade dos demais agentes; 
II - coage ou induz outrem à execução material do crime; 
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito 
à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição 
ou qualidade pessoal; 
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou 
promessa de recompensa. 
 
 Reincidência 
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente 
comete novo crime, depois de transitar em julgado a 
sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha 
condenado por crime anterior. 
 
Art. 64 - Para efeito de reincidência: 
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data 
do cumprimento ou extinção da pena e a infração 
posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 
(cinco) anos, computado o período de prova da 
suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer 
revogação; 
II - não se consideram os crimes militares próprios e 
políticos. 
 
Circunstâncias atenuantes 
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: 
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, 
ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença; 
II - o desconhecimento da lei; 
III - ter o agente: 
 a) cometido o crime por motivo de relevante valor social 
ou moral; 
b) procurado, por sua espontânea vontade e com 
eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as 
conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o 
dano; 
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou 
em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob 
a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto 
da vítima; 
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a 
autoria do crime; 
e) cometido o crime sob a influência de multidão em 
tumulto, se não o provocou. 
 
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de 
circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, 
embora não prevista expressamente em lei. 
 
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes 
Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena 
deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias 
preponderantes, entendendo-se como tais as que 
resultam dos motivos determinantes do crime, da 
personalidade do agente e da reincidência. 
 
Cálculo da pena 
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério 
do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas 
as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as 
causas de diminuição e de aumento. 
Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou 
de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz 
limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, 
prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou 
diminua. 
 
Concurso material 
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação 
ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, 
aplicam-se cumulativamente as penas privativas de 
liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação 
cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-
se primeiro aquela. 
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver 
sido aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa, 
por um dos crimes, para os demais será incabível a 
substituição de que trata o art. 44 deste Código. 
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de 
direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que 
forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. 
 
Concurso formal 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, 
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se 
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer 
caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é 
dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios 
autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. 
 Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria 
cabível pela regra do art. 69 deste Código. 
 
Crime continuado 
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação 
ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma 
espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de 
execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes 
ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a 
pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, 
se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a 
dois terços. 
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas 
diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à 
pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os 
antecedentes, a conduta social e a personalidade do 
agente, bem como os motivos e as circunstâncias, 
aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a 
mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras 
do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código. 
 
 Multas no concurso de crimes 
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são 
aplicadas distinta e integralmente. 
 
Erro na execução 
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios 
de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que 
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como 
se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se 
ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de 
ser também atingida a pessoa que o agente pretendia 
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. 
 
Resultado diverso do pretendido 
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por 
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém 
resultado diverso do pretendido, o agente responde por 
culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre 
também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 
70 deste Código. 
 
Limite das penas 
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de 
liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos. 
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas 
de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) anos, 
devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo 
deste artigo. 
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início 
do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, 
desprezando-se, para esse fim, o período de pena já 
cumprido. 
 
 Concurso de infrações 
Art. 76 - No concurso de infrações, executar-se-á 
primeiramente a pena mais grave. 
 
 
6.4 DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA 
 
 
A suspensão condicional da pena (sursis) e a suspensão condicional do 
processo são institutos que apresentam diversas semelhanças. A primeira 
delas deriva dos próprios fundamentos, de política criminal, que motivaram a 
sua introdução dentro do ordenamento jurídico brasileiro. Afinal, trata-se de 
institutos de livramento, que surgiram a partir da constatação do fracasso das 
penas privativas de liberdade, mormente no que toca às penas de curta 
duração. Assim, como um meio de evitar que delinqüentes primários, que 
cometeram infrações de menor gravidade, fossem enviados para as prisões, 
verdadeiras “escolas do crime”, foram desenvolvidas alternativas às penas 
privativas de liberdade, dentre as quais se destacam tanto a suspensão 
condicional do processo quanto a suspensão condicional da pena. 
Contudo, a extinção da punibilidade (suspensão condicional do processo), e 
a extinção da pena privativa de liberdade (suspensão condicional da pena), 
somente será declarada se as condições impostas pelo poder público forem 
devidamente cumpridas pelo infrator. 
O sursis está previsto no art. 77 do Código Penal Brasileiro, tendo sido 
introduzido
no ordenamento jurídico nacional a partir da Reforma de 1984. A 
suspensão condicional do processo, por sua vez, se encontra no art. 89 da Lei 
n° 9.099/95, que trata dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. 
 Na suspensão condicional do processo, o réu aceita o benefício logo após o 
oferecimento da denúncia. Logo, a instrução processual não chega a se 
desenrolar. Não é proferida uma sentença condenatória. A suspensão é o 
resultado entre um acordo de vontades entre as partes, homologado pelo juiz. 
Não há que se falar, portanto, em condenação. 
O contrário ocorre com o sursis. Nesse último caso, o processo se 
desenvolve normalmente, e culmina com a prolação de uma sentença penal 
condenatória. Ou seja, o réu é condenado por sentença com trânsito em 
julgado. Apenas a execução da pena permanece suspensa. 
O beneficiário da suspensão condicional do processo, que cumpre as 
condições do acordo, por não ter sido condenado pelo juízo criminal, continua a 
ser considerado réu primário, bem como possuidor de bons antecedentes. Por 
outro lado, o réu que aceita a suspensão condicional da pena não tem seus 
dados criminais apagados após o período de prova. Apenas a execução da 
pena é quem fica suspensa. Os efeitos secundários da mesma permanecem. 
Dessa forma, a condenação em questão é hábil para determinar a reincidência 
ou os maus antecedentes. 
 
Requisitos da suspensão da pena 
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não 
superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 
(dois) a 4 (quatro) anos, desde que: 
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; 
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e 
personalidade do agente, bem como os motivos e as 
circunstâncias autorizem a concessão do benefício; 
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista 
no art. 44 deste Código. 
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede 
a concessão do benefício. 
§ 2o A execução da pena privativa de liberdade, não 
superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a 
seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta 
anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a 
suspensão. 
 
Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado 
ficará sujeito à observação e ao cumprimento das 
condições estabelecidas pelo juiz. 
 § 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado 
prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à 
limitação de fim de semana (art. 48). 
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo 
impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 
59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz 
poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas 
seguintes condições, aplicadas cumulativamente: 
a) proibição de freqüentar determinados lugares; 
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem 
autorização do juiz; 
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, 
mensalmente, para informar e justificar suas atividades. 
 
Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a 
que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas 
ao fato e à situação pessoal do condenado. 
 
Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas 
de direitos nem à multa. 
 
Revogação obrigatória 
Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do 
prazo, o beneficiário: 
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime 
doloso; 
 II - frustra, embora solvente, a execução de pena de 
multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação 
do dano; 
 III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste 
Código. 
 
Revogação facultativa 
§ 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado 
descumpre qualquer outra condição imposta ou é 
irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por 
contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva 
de direitos. 
 
Prorrogação do período de prova 
§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro 
crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo 
da suspensão até o julgamento definitivo. 
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao 
invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o 
máximo, se este não foi o fixado. 
 
 Cumprimento das condições 
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido 
revogação, considera-se extinta a pena privativa de 
liberdade. 
 
 
6.5 DO LIVRAMENTO CONDICIONAL 
 
 
O livramento condicional consiste na antecipação da liberdade ao 
condenado que cumpre pena privativa de liberdade, desde que cumpridas 
determinadas condições durante certo tempo. Serve como estímulo à 
reintegração na sociedade daquele que aparenta ter experimentado uma 
suficiente regeneração. 
Traduz-se na última etapa do cumprimento da pena privativa de liberdade no 
sistema progressivo, representando uma transição entre o cárcere e a vida 
livre. 
Os requisitos necessários para o livramento condicional podem ser de duas 
ordens: objetivos e subjetivos. 
São requisitos objetivos necessários à concessão do livramento 
condicional: 
a) pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos; 
b) cumprimento parcial da pena; 
� deve cumprir mais de um terço (1/3 ) da pena se o condenado não for 
reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes; 
� deve cumprir mais da metade (1/2) da pena se ele for reincidente em 
crime doloso; 
� deve cumprir mais de dois terços (2/3) da pena se, condenado por crime 
hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e 
terrorismo, desde que não reincidente específico em crimes desta natureza; 
O reincidente específico em crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito 
de entorpecentes, drogas afins, e terrorismo não tem direito a livramento 
condicional. Ressalte-se que essa reincidência específica é em qualquer dos 
crimes desta natureza, não necessitando que a reincidência seja pelo mesmo 
delito. 
c) reparação do dano, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo. 
 
São requisitos subjetivos do livramento condicional: 
a) bons antecedentes; 
b) comportamento satisfatório durante a execução; 
c) bom desempenho no trabalho; 
d) aptidão para prover a própria subsistência com trabalho honesto; 
e) prognose favorável. 
 
Segundo o art. 86, CP, são causas de revogação obrigatória do benefício: 
a) se o liberado vem a ser condenado irrecorrivelmente a pena privativa de 
liberdade por crime cometido durante a vigência do livramento 
b) se o liberado vem a ser condenado irrecorrivelmente a pena privativa de 
liberdade por crime por crime anterior, neste caso observando-se o disposto no 
art. 84. 
 
Pelo art. 87, CP, as causas de revogação facultativa são: 
a) o descumprimento de qualquer das condições obrigatórias ou facultativas 
impostas; 
b) a condenação irrecorrível por crime ou contravenção a pena que não seja 
privativa de liberdade 
 
Os efeitos da revogação vão variar a depender da sua causa: 
a) em caso de condenação irrecorrível por crime praticado antes do 
livramento, terá direito à obtenção de novo livramento, inclusive no que se 
refere à pena que estava sendo cumprida, as duas penas poderão ser 
somadas a fim de se obter novamente o benefício e o período de prova é 
computado como de pena efetivamente cumprida; 
b) em caso de condenação irrecorrível por crime praticado durante a 
vigência do livramento, não haverá possibilidade de novo benefício em relação 
à mesma pena, que terá de ser cumprida integralmente, não se computando o 
prazo em que esteve solto; quanto à nova pena, poderá obter o benefício se 
observados os requisitos; 
c) havendo descumprimento das condições impostas, o apenado terá de 
cumprir a pena integralmente, não se computando o período de prova, e não 
será possível obter-se novamente o mesmo benefício; 
d) em caso de condenação por contravenção, os efeitos serão
os mesmos 
de descumprimento das condições impostas. 
 
 
Requisitos do livramento condicional 
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao 
condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior 
a 2 (dois) anos, desde que: 
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado 
não for reincidente em crime doloso e tiver bons 
antecedentes; 
II - cumprida mais da metade se o condenado for 
reincidente em crime doloso; 
III - comprovado comportamento satisfatório durante a 
execução da pena, bom desempenho no trabalho que lhe 
foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência 
mediante trabalho honesto; 
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-
lo, o dano causado pela infração; 
V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de 
condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o 
apenado não for reincidente específico em crimes dessa 
natureza. 
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, 
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a 
concessão do livramento ficará também subordinada à 
constatação de condições pessoais que façam presumir 
que o liberado não voltará a delinqüir. 
 
Soma de penas 
Art. 84 - As penas que correspondem a infrações diversas 
devem somar-se para efeito do livramento. 
 
Especificações das condições 
Art. 85 - A sentença especificará as condições a que fica 
subordinado o livramento. 
 
Revogação do livramento 
Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser 
condenado a pena privativa de liberdade, em sentença 
irrecorrível: 
I - por crime cometido durante a vigência do benefício; 
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 
deste Código. 
 
Revogação facultativa 
Art. 87 - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se 
o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações 
constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente 
condenado, por crime ou contravenção, a pena que não 
seja privativa de liberdade. 
 
 Efeitos da revogação 
Art. 88 - Revogado o livramento, não poderá ser 
novamente concedido, e, salvo quando a revogação 
resulta de condenação por outro crime anterior àquele 
benefício, não se desconta na pena o tempo em que 
esteve solto o condenado. 
 
Extinção 
Art. 89 - O juiz não poderá declarar extinta a pena, 
enquanto não passar em julgado a sentença em processo 
a que responde o liberado, por crime cometido na 
vigência do livramento. 
 
Art. 90 - Se até o seu término o livramento não é 
revogado, considera-se extinta a pena privativa de 
liberdade. 
 
 
6.6 DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
 
A sentença penal condenatória produz, como efeito principal, a imposição da 
sanção penal ao condenado, ou, se inimputável, a aplicação da medida de 
segurança. Produz, todavia, efeitos secundários, de natureza penal e 
extrapenal. 
Os efeitos penais secundários encontram-se espalhados por diversos 
dispositivos no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei de 
Execuções Penais, tais como a revogação do sursis e do livramento 
condicional, a caracterização da reincidência no caso de cometimento de novo 
crime, a impossibilidade de benefícios em diversos crimes (art.155, § 2º, 171, § 
1º), inscrição no rol dos culpados, etc. 
Os efeitos extrapenais secundários estão dispostos nos artigos 91 (efeitos 
genéricos) e 92 (efeitos específicos), ambos do CP. Os efeitos genéricos 
decorrem da própria natureza da sentença condenatória, abrangem todos os 
crimes e não dependem de pronunciamento judicial (são automáticos); já os 
efeitos específicos limitam-se a alguns crimes, dependendo de pronunciamento 
judicial a respeito, e não se confundem com as penas de interdição temporária 
de direitos, visto que estas são sanções penais, substituindo a pena privativa 
de liberdade pelo tempo de sua duração, enquanto aqueles são conseqüências 
reflexas do crime, permanentes e de natureza extrapenal. 
 
 
 
 
Efeitos genéricos e específicos 
Art. 91 - São efeitos da condenação: 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado 
pelo crime; 
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do 
lesado ou de terceiro de boa-fé: 
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em 
coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção 
constitua fato ilícito; 
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que 
constitua proveito auferido pelo agente com a prática do 
fato criminoso. 
 
Art. 92 - São também efeitos da condenação: 
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo 
igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com 
abuso de poder ou violação de dever para com a 
Administração Pública; 
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por 
tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos. 
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela 
ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de 
reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; 
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado 
como meio para a prática de crime doloso. 
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não 
são automáticos, devendo ser motivadamente declarados 
na sentença. 
 
 
6.7 DA REABILITAÇÃO 
 
A reabilitação criminal tem por objetivo conceder ao condenado a 
possibilidade de ver seu nome reabilitado, sem que constem em certidões 
expedidas pelo poder púbico quaisquer menções à condenação anteriormente 
sofrida. Tal instituto promove a suspensão condicional de alguns efeitos penais 
da condenação, podendo, em caso de eventual reincidência, haver revogação. 
Não se pode olvidar, outrossim, que a reincidência só se configura se o 
delito posterior ocorre dentro do período de cinco anos a partir da data do 
cumprimento ou extinção da pena, computado o período de prova do “sursis” 
ou livramento condicional. 
 
Reabilitação 
Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas 
em sentença definitiva, assegurando ao condenado o 
sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação. 
Parágrafo único - A reabilitação poderá, também, atingir 
os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste 
Código, vedada reintegração na situação anterior, nos 
casos dos incisos I e II do mesmo artigo. 
 
Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 
(dois) anos do dia em que for extinta, de qualquer modo, a 
pena ou terminar sua execução, computando-se o período 
de prova da suspensão e o do livramento condicional, se 
não sobrevier revogação, desde que o condenado: 
I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; 
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva 
e constante de bom comportamento público e privado; 
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou 
demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia 
do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia 
da vítima ou novação da dívida. 
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser 
requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido seja 
instruído com novos elementos comprobatórios dos 
requisitos necessários. 
 
Art. 95 - A reabilitação será revogada, de ofício ou a 
requerimento do Ministério Público, se o reabilitado for 
condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a 
pena que não seja de multa. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
 
01. (FCC- TRF DA 4ª Região - 2010) Considere as seguintes assertivas 
sobre a substituição da pena privativa de liberdade pelas penas restritivas de 
direitos: 
I. Na condenação igual ou inferior a dois anos, a substituição pode ser feita 
por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a dois anos, a 
pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de 
direitos
e multa ou por duas restritivas de direitos. 
II. As penas privativas de liberdade não superiores a 4 anos podem ser 
substituídas por penas restritivas de direitos se o crime não for cometido com 
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se 
o crime for culposo. 
III. A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando 
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta e, no cálculo da 
pena privativa de liberdade a executar, será deduzido o tempo cumprido da 
pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção 
ou reclusão. 
IV. Se o condenado for reincidente específico em razão a prática do mesmo 
crime, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face da condenação 
anterior, a medida seja socialmente recomendável. 
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS em 
(A) I e IV. 
(B) I, II e III. 
(C) II, III e IV. 
(D) II e III. 
(E) I, II e IV. 
 
02. (Analista Judiciário – TRE – RS – FCC – 2010). Sobre a pena de 
MULTA prevista no Código Penal, é INCORRETO afirmar que 
a) deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois do trânsito em julgado da 
sentença. 
b) se converte em pena de detenção, quando o condenado solvente deixa 
de pagá-la ou frustra a sua execução. 
c) sua cobrança pode ser efetuada mediante desconto no salário do 
condenado, quando aplicada isoladamente. 
d) sua execução será suspensa se sobrevém ao condenado doença mental. 
e) se cobrada mediante desconto no salário, não deve incidir sobre os 
recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família. 
 
03. (Defensoria Pública – DPE – MT – FCC – 2009) Não se inclui dentre as 
penas restritivas de direito a 
a) limitação de fim de semana 
b) multa 
c) perda de bens e valores 
d) prestação de serviços à comunidade 
e) interdição temporária de direitos 
 
04. (Analista Judiciário – TRF 4ª Região – FCC – 2010) - Considere as 
seguintes assertivas sobre a substituição da pena privativa de liberdade pelas 
penas restritivas de direitos: 
I. Na condenação igual ou inferior a dois anos, a substituição pode ser feita 
por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a dois anos, a 
pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de 
direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. 
II. As penas privativas de liberdade não superiores a 4 anos podem ser 
substituídas por penas restritivas de direitos se o crime não for cometido com 
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se 
o crime for culposo. 
III. A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando 
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta e, no cálculo da 
pena privativa de liberdade a executar, será deduzido o tempo cumprido da 
pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção 
ou reclusão. 
IV. Se o condenado for reincidente específico em razão a prática do mesmo 
crime, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face da condenação 
anterior, a medida seja socialmente recomendável. 
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS em 
a) I, II e IV 
b) I e IV. 
c) I, II e III. 
d) II, III e IV. 
e) II e III. 
 
05. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002) Para a aplicação 
de sanções disciplinares é imprescindível 
a) procedimento administrativo com garantia de defesa ao condenado 
b) a concordância do Promotor de Justiça. 
c) a decisão do Juiz da execução penal. 
d) a decisão do Conselho Disciplinar. 
e) a prática, pelo preso, de crime doloso. 
 
06. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002). A remição pelo 
trabalho prisional é concedida 
a) à razão de um dia trabalhado por três dias de pena. 
b) ao preso que nunca praticou falta disciplinar de natureza grave. 
c) ao preso que nunca praticou faltas disciplinares médias ou graves. 
d) à razão de três dias trabalhados por dia de pena 
e) ao preso que nunca praticou qualquer espécie de falta disciplinar 
 
07. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002) São espécies de 
regimes prisionais: 
a) fechado, semi-aberto e aberto 
b) reclusão, detenção e liberdade assistida 
c) liberdade assistida, liberdade vigiada e semiliberdade 
d) privação de liberdade e restrição de direitos 
e) reclusão, detenção e prisão simples. 
 
08. (Ministério Público – MPE – MG – 2010). Sobre as penas restritivas de 
direitos, de conformidade com a disciplina do Código Penal, assinale a 
alternativa CORRETA. 
a) São cabíveis em se tratando de crimes culposos, desde que a pena 
aplicada não exceda a dois anos. 
b) A prestação de serviços à comunidade somente é aplicável às 
condenações inferiores a dois anos de privação de liberdade. 
c) Podem ser aplicadas nas contravenções penais e nos crimes punidos com 
detenção, vedada sua admissão se o crime for punido com reclusão. 
d) Deverão ser cumpridas no prazo de quatro anos, a contar da data da 
extração da Carta de Guia deflagatória da execução penal. 
e) Se a condenação for a reprimenda superior a um ano, a sanção privativa 
de liberdade poderá ser substituída por duas penas restritivas de direitos. 
 
09. (Magistratura – TJ – PA – FGV – 2009) Com relação à aplicação da 
pena, analise as afirmativas a seguir: 
I. São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem 
ou qualificam o crime, dentre outras, as seguintes: a gravidade do crime 
praticado, ter o agente cometido o crime por motivo fútil ou torpe e ter o agente 
cometido o crime contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou 
mulher grávida. 
II. São circunstâncias que sempre atenuam a pena, dentre outras, as 
seguintes: ser o agente menor de 21 (vinte e um) anos na data do fato, ter o 
agente cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral e ter o 
agente cometido o crime em estado de embriaguez preordenada. 
III. A pena será ainda agravada em relação ao agente que promove ou 
organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes, ao 
passo que a pena será ainda atenuada em relação ao agente que induz outrem 
à execução material do crime. 
Assinale: 
a) se nenhuma afirmativa estiver correta. 
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas 
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. 
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 
e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 
 
10. (Analista Judiciário – TRF 2º Região – FCC – 2007). Sobre as penas 
restritivas de direitos, é absolutamente correto afirmar que são dessa espécie: 
a) perda de bens e valores; multa e prestação de serviços à comunidade. 
b) internação em Casa de Custódia; recolhimento domiciliar e prestação 
pecuniária. 
c) prestação pecuniária; perda de bens e valores e limitação de fim de 
semana 
d) limitação de fim de semana; permissão para saída temporária e 
internação em escola agrícola. 
e) cesta básica; prestação pecuniária e multa. 
 
11. (Analista Judiciário – TRF – 4ª Região – FCC – 2007) Na aplicação da 
pena-base, o juiz deve considerar 
a) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do 
agente, os motivos, as circunstâncias e as conseqüências do crime, bem como 
o comportamento da vítima. 
b) a culpabilidade, os antecedentes, a repercussão do crime para o agente, 
a idade do réu, os motivos, as circunstâncias, a gravidade e as conseqüências 
do crime. 
c) os antecedentes da vítima, a conduta social e a personalidade do agente, 
a natureza, a gravidade e as conseqüências do crime, bem como a idade da 
vítima. 
d) o comportamento do agente, a idade e os antecedentes da vítima, a 
conduta social do agente, a gravidade e as conseqüências do crime, bem como 
as circunstâncias atenuantes.
e) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do 
agente, a idade do agente, a gravidade e a natureza do crime, bem como as 
circunstâncias agravantes. 
 
12. (Analista Judiciário – TRF 4ª Região – FCC – 2007) São causas 
extintivas de punibilidade, previstas no Código Penal, além de outras: 
a) renúncia do direito de queixa, nos crimes de ação privada; e casamento 
do agente com a vítima, nos crimes contra os costumes. 
b) anistia; perdão judicial, nos casos previstos em lei; morte da vítima; e 
decurso do prazo. 
c) retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; 
prescrição, decadência ou perempção; e casamento do agente com a vítima, 
nos crimes contra os costumes. 
d) morte do agente; anistia, graça ou indulto; retroatividade de lei que não 
mais considera o fato como criminoso; e prescrição, decadência ou perempção. 
e) prescrição, decadência, menoridade do agente; morte da vítima; e agente 
maior de setenta anos na data do crime. 
13. (OAB - PR-2006-1) Sobre a aplicação da pena e medida de segurança, 
assinale a alternativa CORRETA: 
a) O sistema vicariante foi adotado pela reforma da Parte Geral do Código 
Penal brasileiro em 1984. 
b) O sistema vigente no Brasil é o do duplo binário. 
c) Acaso o magistrado, por ocasião da sentença condenatória, reconheça a 
imputabilidade do agente, em virtude de doença mental, poderá aplicar a pena 
privativa de liberdade, cumulada com medida de segurança. 
d) Acaso o magistrado, vislumbrando a gravidade do crime cometido, 
entenda ser o acusado perigoso, poderá impor, desde logo, a medida de 
segurança, sem a necessidade de proferir a sentença de mérito. 
 
14. (OAB- RS-2006-2) No que diz respeito à aplicação da pena, assinale a 
assertiva incorreta: 
a) A pena-base será fixada atendendo ao critério do art. 59 do Código Penal; 
em seguida serão consideradas as causas de aumento e de diminuição de 
pena; ao final serão valoradas as circunstâncias agravantes e atenuantes. 
b) São circunstâncias preponderantes no concurso de agravantes e 
atenuantes as que resultam dos motivos determinantes do crime, da 
personalidade do agente e da reincidência. 
c) Há bis in idem quando o Juiz afasta-se da pena mínima em vista dos 
antecedentes e, pelo mesmo fato, agrava a pena pela reincidência. 
d) No caso de concurso formal, inexistindo desígnios autônomos, o Juiz não 
poderá aplicar pena superior ao que seria cabível pela regra do concurso 
material. 
 
15. (PR-2006-3) Sobre as sanções penais, assinale a alternativa CORRETA: 
a) O sistema atualmente em vigor no Brasil permite a cumulação de penas 
com medidas de segurança, para os criminosos de alta periculosidade. 
b) As penas privativas de liberdade devem obrigatoriamente ter seu 
cumprimento iniciado em regime fechado, com posterior progressão. 
c) As medidas de segurança podem ser aplicadas, também, aos 
adolescentes infratores que se mostrem inadaptados socialmente. 
d) As penas de multa e restritivas de direito são penas alternativas às 
privativas (ou restritivas) de liberdade. 
 
16. (OAB-PR-2006-2) Sobre as penas privativas de liberdade, assinale 
alternativa INCORRETA: 
a) A pena de detenção deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto 
ou aberto, fixado pelo juiz no momento da prolação da sentença. 
b) A execução da pena em regime semi-aberto será feita em colônia 
agrícola, industrial ou estabelecimento similar. 
c) O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão 
de regime do cumprimento de pena condicionada à reparação do dano que 
causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado. 
d) O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras 
públicas. 
 
GABARITO: 
 
01 D 
02 B 
03 B 
04 E 
05 A 
06 D 
07 A 
08 E 
09 A 
10 C 
11 A 
12 D 
13 A 
14 A 
15 D 
16 A 
 
 
7. MEDIDAS DE SEGURANÇA 
 
 
As medidas de segurança aplicam-se aos inimputáveis e semi-imputáveis, o 
fundamento é a periculosidade do agente, e tem a finalidade essencial de 
prevenir a repetição do ato delituoso e assistir o agente do ato para que se 
trate e não venha a reincidir, tendo, por tanto, o caráter preventivo assistencial. 
Essa prevenção busca a cessação da periculosidade após o tratamento que se 
faça necessário, para que assim traga a tranqüilidade a sociedade. 
 O principal fundamento das medidas de segurança é a periculosidade do 
agente do ato delituoso. 
O critério usado pelo código penal de 1940, antes da reforma de 1984, para 
aferir a responsabilidade penal era a capacidade de entender o caráter ilícito do 
fato e de se posicionar perante esse fato ou entendimento. 
 De tal forma só está submetido às medidas de segurança os inimputáveis e 
os semi-imputáveis. Os primeiros são aqueles que são inteiramente 
incapazes de entender o caráter delituoso do fato e de orientar seu atuar de 
acordo com aquela compreensão. E os segundos, os semi-imputáveis, são os 
que não são inteiramente capazes de entender o caráter ilícito do fato. 
 Essa é a pequena diferença existente entre os inimputáveis e semi-
imputáveis. Esta diferença existe para que se possam aplicar corretamente as 
sanções penais, de forma que, aos semi-imputáveis, as penas e medidas de 
segurança são aplicadas cumulativamente, enquanto que aos inimputáveis são 
aplicadas apenas as medidas de segurança. 
 Nesta redação, anterior a reforma de 1984, o imputáveis também eram 
suscetíveis às medidas de segurança, porém, é importante ressaltar que isto 
ocorria porquê nesta redação, também eram incluídas como medidas de 
segurança a liberdade vigiada, proibição de freqüentar determinados lugares e 
exílio local, nas quais eram consideradas medidas de segurança não-
detentivas, como também a internação em colônia agrícola, instituto de 
trabalho, de reeducação ou de ensino profissional, além da internação em 
manicômio Judiciário para os inimputáveis, que eram classificadas como 
medidas de segurança detentivas. 
 As medidas de segurança eram divididas em pessoais e patrimoniais nas 
quais aquelas eram as detentivas e não detentivas, e estas eram, a interdição 
de estabelecimento ou de sede de sociedade ou associação e o confisco. 
 A partir da reforma de 1984, esta divisão das medidas de segurança entre 
pessoais e patrimoniais foi abolida, e também foram diminuídas 
substancialmente os tipos de medidas de segurança, nas quais restaram 
somente a internação em hospital de custódia e o tratamento ambulatorial, 
ficando, portanto, a divisão entre detentivas e não-detentivas respectivamente. 
 De tal forma também foi abolida a imposição de medida de segurança aos 
imputáveis, uma vez que as medidas de segurança a que se submetiam os 
imputáveis, a partir da reforma de 1894, passaram a ser condições do 
livramento condicional impostas pelo juiz e assistência ao preso, como dever 
do Estado, constante no capítulo II da Lei 7.210 de 1984 (Lei das Execuções 
Penais). 
A Medida de Segurança é um modo de defesa da sociedade. Deve ser 
imposta aos inimputáveis e se faculta a possibilidade de ser imposta ao semi-
imputável, podendo ser também privativa de liberdade, porém diminuída, 
conforme o § único do artigo 26 do Código Penal. 
Para que sejam aplicadas as Medidas e Seguranças faz-se necessário a 
observância da periculosidade criminal do agente, que se exterioriza a partir do 
delito praticado. A periculosidade é, neste sentido, o simples perigo para os 
outros ou para a própria pessoa, e não o conceito de periculosidade penal, 
limitado a probabilidade da prática de crimes. 
A natureza das “medidas de segurança”, ou simplesmente “medidas”, não é 
propriamente penal, por não possuírem um conteúdo punitivo, mas o são 
formalmente penais, e em razão disso, são elas impostas e controladas pelos 
juízes penais. 
 Existem uma série
de diferenças entre a pena e a medida de segurança. Na 
pena, ela dividida entre privativa de liberdade e restritiva de direitos, elas tem o 
fito principal de punir o agente da infração penal, e por conseqüência, prevenir 
que o agente cometa novamente o ato ilícito. Porém deve-se observar que 
essa prevenção é um tanto quanto subjetiva, de maneira que, o que irá impedir 
o agente de repetir o ato ilícito, é a sua própria consciência, a sua moral e o 
medo de ser punido novamente (retributiva - preventiva). O que ocorre de 
maneira inversa com as medidas de segurança, uma vez que estas têm o fito 
principal de prevenir que o agente repita a infração penal, sem nenhum caráter 
punitivo. Neste caso, a prevenção é objetiva, de maneira que o agente será 
submetido à internação, tratamento psicológico ou tratamento ambulatorial, 
com medicamentos específicos para cada caso, fazendo, de tal forma, com que 
cesse a temibilidade e a periculosidade do agente (essencialmente preventiva). 
 
Não se pode considerar “penal” um tratamento médico e nem mesmo a 
custódia psiquiátrica. Sua natureza nada tem a ver com a pena, que desta 
diferencia por seus objetos e meios. Mas as leis penais impõem um controle 
formalmente penal, e limitam as possibilidades de liberdade da pessoa, 
impondo o seu cumprimento, nas condições previamente fixadas que elas 
estabelecem, e cuja execução deve ser submetida aos juízes penais. 
 
Requisitos de aplicação das medidas de segurança: Primeiramente, faz-
se necessário que ocorra a prática de fato punível. De tal forma, temos esse 
requisito como um limite, uma vez que impede a aplicação de medidas pré-
delitivas por razões de segurança jurídica. 
Outro requisito, um dos principais, é a periculosidade do agente. A 
periculosidade não pode ser presumida, e sim comprovada. Sua aferição 
implica cálculo de probabilidade, que se desdobra em dois momentos distintos: 
o primeiro consiste na comprovação da qualidade sintomática de perigo 
(diagnóstico da periculosidade); e o segundo na comprovação da relação entre 
a qualidade e o futuro criminal do agente (prognose criminal). 
Por fim, a ausência de imputabilidade plena, em que é vedado a aplicação 
de medida de segurança aos imputáveis, como ocorria na redação pretérita, só 
sendo passível a medidas de segurança o inimputáveis e os semi- imputáveis, 
porém, somente quando for averiguado a necessidade de tratamento curativo. 
 
Espécies: Existem duas espécies de medidas de segurança, a internação 
em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico; e o tratamento ambulatorial. 
As primeiras, internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico 
constituem a modalidade detentiva. Estes se destinam obrigatoriamente aos 
inimputáveis que tenham cometido crime punível com reclusão e 
facultativamente aos que tenham praticado delito cuja natureza da pena 
abstratamente cominada é de detenção. 
A segunda, tratamento ambulatorial, é medida de segurança restritiva, 
introduzindo como inovação na reforma de 1984. Nessa modalidade, são 
dispensados cuidados médicos à pessoa submetida a tratamento que não 
implica internação. Quando sujeito a esse tratamento o delinqüente deve 
comparecer ao hospital nos dias em que o médico determinar, para que, de tal 
forma, seja aplicada a terapia prescrita. Estão sujeitos a esse tratamento os 
inimputáveis cuja pena privativa de liberdade seja de detenção e aos semi-
imputáveis, na mesma situação. 
 
Duração das medidas de segurança: A medida de segurança só pode ser 
executada após o transito em julgado da sentença. Deve-se atentar que o 
prazo mínimo de duração da medida de segurança é de um a três anos, 
invariável qualquer que seja o delito praticado. Para que seja aplicado o 
mínimo, é usado como critério a maior periculosidade do agente. 
 
Exame de verificação da cessação de periculosidade: A perícia médica 
para cerificação da cessação da periculosidade será realizada ao fim do prazo 
mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se 
assim determinar o juiz da execução. 
Depois de feito o exame, deve ser remetido ao juiz pela autoridade 
administrativa competente, em forma de minucioso relatório instruído com 
laudo psiquiátrico, em virtude de ser o diagnóstico da periculosidade tarefa 
difícil e imprecisa. Depois de comprovada pela perícia a cessação da 
periculosidade, o juiz da execução determinará a revogação da medida de 
segurança. 
 
 
TÍTULO VI 
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA 
 
 Espécies de medidas de segurança 
Art. 96. As medidas de segurança são: 
I - Internação em hospital de custódia e tratamento 
psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento 
adequado; 
 II - sujeição a tratamento ambulatorial. 
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe 
medida de segurança nem subsiste a que tenha sido 
imposta. 
 
Imposição da medida de segurança para inimputável 
Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará 
sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato previsto como 
crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo 
a tratamento ambulatorial. 
 
Prazo 
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por 
tempo indeterminado, perdurando enquanto não for 
averiguada, mediante perícia médica, a cessação de 
periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 
(três) anos. 
 
Perícia médica 
§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo 
mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a 
qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução. 
 
Desinternação ou liberação condicional 
§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre 
condicional devendo ser restabelecida a situação anterior 
se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato 
indicativo de persistência de sua periculosidade. 
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, 
poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa 
providência for necessária para fins curativos. 
 
Substituição da pena por medida de segurança para o 
semi-imputável 
Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste 
Código e necessitando o condenado de especial 
tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode 
ser substituída pela internação, ou tratamento 
ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, 
nos termos do artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º. 
 
Direitos do internado 
Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento 
dotado de características hospitalares e será submetido a 
tratamento. 
 
 
8. DA AÇÃO PENAL 
 
O juiz não pode acusar, dando início ao processo, pois deve-se manter 
inerte para preservar sua imparcialidade. O poder de iniciar o processo penal 
foi dado a um órgão estatal criado com essa finalidade (o Ministério Público) e, 
eventualmente, ao ofendido ou seu representante legal. Essa prerrogativa de 
requerer ao Estado-juiz que exerça a jurisdição, ou seja, aplique o Direito Penal 
ao caso concreto é denominada ação penal. 
A ação deve ser considerada como um poder, no sentido de prerrogativa. 
Além disso, ação se refere à movimentação do processo, que pode ser feita 
tanto pelo autor quanto pelo réu. O que o autor tem de forma exclusiva é 
apenas a demanda. 
Atualmente, a ação é considerada um poder: 
a) autônomo: Distinto do direito material (direito de punir); 
b) abstrato: Independe da existência do direito material e, portanto, da 
sentença favorável; 
c) público: Exercido perante o Estado para a invocação da tutela 
jurisdicional; 
d) subjetivo: Dado potencialmente a qualquer pessoa; 
e) instrumentalmente conexa a uma situação concreta: A ação, quando 
exercida, contém necessariamente uma pretensão (pedido para que o réu seja 
punido por determinado crime). 
 
Dada a importância do instituto, a ação se encontra fundamentada no art.
5°, 
XXXV da Constituição: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
lesão ou ameaça a direito". Assim, o Judiciário tem a atribuição de examinar 
todas as demandas que lhe forem propostas, mesmo que, posteriormente, as 
considere improcedentes. Além disso, só o Judiciário pode realizar a jurisdição, 
sendo vedado ao particular exercer justiça com as próprias mãos e ao próprio 
Estado executar diretamente o Direito Penal. 
Em virtude de ser um direito subjetivo perante o Estado-Juiz, a princípio toda 
ação penal é pública, sendo contudo feita a distinção entre ação penal pública 
e ação penal privada, em razão da legitimidade para interpô-la, se do Ministério 
Público ou da vítima, respectivamente. 
O art.100 do Código penal consagra esta divisão ao predizer que “a ação 
penal é pública, salvo quando a lei, expressamente, a declara privativa do 
ofendido”. O parágrafo 1º do mesmo artigo diz que “a ação pública é promovida 
pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de representação do 
ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça”. 
 
Ação penal pública incondicionada: O art.129, I da Constituição Federal 
dispõe que é função institucional do Ministério Público, privativamente, 
promover ação penal pública, na forma da lei. Já o art.24 do Código Processual 
Penal, preceitua que, nos crimes de ação pública, esta será promovida por 
denúncia do Ministério Público, dependendo, quando exigido por lei, de 
requisição do ministro da Justiça ou de representação do ofendido ou de quem 
tiver qualidade para representá-lo. Daí a distinção a ser feita entre ação penal 
pública Incondicionada e Condicionada: quando promovida pelo Ministério 
Público sem que haja necessidade de manifestação de vontade da vítima ou de 
outra pessoa, a ação penal; é Incondicionada; quando, entretanto, por lei o 
Órgão Ministerial depende da representação da vítima ou da requisição o 
Ministro da Justiça para a interposição da ação, esta é classificada como Ação 
Penal Pública Condicionada. 
Caracteriza-se assim a ação penal pública incondicionada por ser a 
promovida pelo Ministério Público sem que esta iniciativa dependa ou se 
subordine a nenhuma condição, tais como as que a lei prevê para os casos de 
ação penal pública condicionada, tais como representação do ofendido e 
requisição do ministro da Justiça. 
Na ação penal incondicionada, desde que provado um crime, tornando 
verossímil a acusação, o órgão do Ministério Público deverá promover a ação 
penal, sendo irrelevante a oposição por parte da vítima ou de qualquer outra 
pessoa. É a regra geral na moderna sistemática processual penal. 
É o Ministério Público dono da ação penal pública, sendo quem exerce a 
pretensão punitiva, promovendo a ação penal pública desde a peça inicial, que 
é a denúncia, até o final. Como é um órgão do Estado, uno e indivisível, 
representado por Promotores e Procuradores de Justiça, os membros do 
Ministério Público podem ser substituídos a qualquer tempo no decorrer do 
processo, permanecendo inalterada a titularidade da ação, pois que ela é do 
Órgão Ministerial, do qual os citados Promotores e Procuradores de Justiça são 
os representantes. 
 
Ação penal pública condicionada: Embora continue sendo do Ministério 
Público a iniciativa para interposição da ação penal pública, neste caso, esta 
fica condicionada à representação do ofendido ou requisição do ministro da 
Justiça. No caso da ação penal pública condicionada, o ofendido autoriza o 
Estado a promover processualmente a apuração infracionária. A esta 
autorização dá-se o nome de representação, com a qual o órgão competente, 
ou seja, o Ministério Público, assume o comando, sendo irrelevante, a partir 
daí, que venha o ofendido a mudar de idéia. Quando a ação penal for 
condicionada, a lei o dirá expressamente, trazendo, em geral ao fim do artigo, o 
preceito de que somente proceder-se-á mediante representação. 
 
Representação do Ofendido é uma espécie de pedido-autorização por meio 
do qual o ofendido ou seu representante legal expressam o desejo de 
instauração da ação, autorizando a persecução penal. É necessária até mesmo 
para abertura de inquérito policial. 
Com o advento da Lei nº 9.099/95, Lei dos Juizados Especiais, os crimes de 
lesões corporais leves e lesões culposas também passaram ser de ação 
pública condicionada. A representação é irretratável. É um direito da vítima e 
pode ser exercido por ela ou por seu representante legal, ou, ainda, por 
procurador (da vítima ou do seu representante legal) com poderes especiais, 
mediante declaração escrita ou oral. Esta representação não há de 
necessariamente ser feita por intermédio de profissional dotado de capacidade 
postulatória, por tratar-se de figura processual. 
Outra condição de procedibilidade, a requisição do Ministro da Justiça é um 
ato administrativo, discricionário e irrevogável, que deve conter a manifestação 
de vontade para instauração da ação penal, com menção do fato criminoso, 
nome e qualidade da vítima, nome e qualificação do autor do crime etc., 
embora não exija forma especial. 
Atende a razões de ordem política, que levam à dependência de uma ordem 
ministerial determinados casos elencados no Código Penal, a seguir 
enumerados: nos crimes contra a honra praticados contra o Presidente da 
República ou chefe de governo estrangeiro, nos delitos praticados por 
estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, e, ainda, em determinados crimes 
praticados através da imprensa. 
Assim como a representação, a requisição não implica a obrigatoriedade da 
propositura da ação pelo Ministério Público. A requisição pode ser feita a 
qualquer tempo, até que seja extinta a punibilidade do agente infrator. 
O prazo para se exercer o direito de representação é de seis meses, 
contados a partir do dia em que a vítima ou o seu representante legal tomar 
conhecimento da autoria do crime. Prazo decadencial, matéria de direito penal, 
em virtude de constituir-se causa extintiva da punibilidade. 
Em se tratando de vítima menor de idade, o prazo contará para seu 
representante legal a partir do dia em que tomar conhecimento do fato, desde 
que tal não se venha a dar após o representado atingir a maioridade. Neste 
caso, em que o representante legal, ignora o fato acontecido, o prazo passará 
a ser contado a partir do momento em que a vítima atingir a maioridade. 
Em se tratando de doente mental, isto, obviamente, não se aplica, pois a 
representação legal não cessa até que cesse a incapacidade; logo, o prazo não 
poderá fluir para a vítima, pois se ela não pode exercer o direito, como iria este 
prescrever. 
 
 
TÍTULO VII 
DA AÇÃO PENAL 
 
Ação pública e de iniciativa privada 
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei 
expressamente a declara privativa do ofendido. 
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, 
dependendo, quando a lei o exige, de representação do 
ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. 
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante 
queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para 
representá-lo. 
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos 
crimes de ação pública, se o Ministério Público não 
oferece denúncia no prazo legal. 
§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido 
declarado ausente por decisão judicial, o direito de 
oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao 
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
 
A ação penal no crime complexo 
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou 
circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, 
constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele, 
desde que, em relação a qualquer destes, se deva 
proceder por iniciativa do Ministério Público. 
 
Irretratabilidade da representação 
Art. 102 - A representação será irretratável depois de 
oferecida
a denúncia. 
 
Decadência do direito de queixa ou de representação 
Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o 
ofendido decai do direito de queixa ou de representação 
se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, 
contado do dia em que veio a saber quem é o autor do 
crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do 
dia em que se esgota o prazo para oferecimento da 
denúncia. 
 
Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa 
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido 
quando renunciado expressa ou tacitamente 
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de 
queixa a prática de ato incompatível com a vontade de 
exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o 
ofendido a indenização do dano causado pelo crime. 
 
Perdão do ofendido 
Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que 
somente se procede mediante queixa, obsta ao 
prosseguimento da ação. 
 
 Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso 
ou tácito: 
I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos 
aproveita; 
II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o 
direito dos outros; 
III - se o querelado o recusa, não produz efeito. 
 § 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato 
incompatível com a vontade de prosseguir na ação. 
§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em 
julgado a sentença condenatória. 
 
EXERCÍCIOS 
 
1. (Auditor Fiscal da Receita Estadual – SEFAZ/SC – FEPESE – 2010). 
De acordo com o Código Penal, pode-se afirmar: 
a) A representação será irretratável depois de recebida a denúncia. 
b) O direito de queixa pode ser exercido mesmo depois de renunciado 
tacitamente. 
c) O ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o 
exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do data em que se praticou 
a conduta delituosa, ainda que outro seja o momento do resultado. 
d) Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal 
fatos que, por si mesmos, constituem crimes, cabe ação pública em relação 
àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder por 
iniciativa do Ministério Público. 
e) Para produzir efeitos, o perdão independe de aceitação pelo querelado. 
 
 
2. (Magistratura – TJ/MS – FGV – 2008) O prazo para o ajuizamento da 
queixa-crime é: 
a) de seis meses, iniciando a fluência desse prazo no dia seguinte ao dia em 
que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime. 
b) de dois meses, iniciando a fluência desse prazo no dia seguinte ao dia em 
que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime. 
c) de seis meses, iniciando a fluência desse prazo no dia em que o ofendido 
vem a saber quem é o autor do crime. 
d) de dois meses, iniciando a fluência desse prazo no dia em que o ofendido 
vem a saber quem é o autor do crime. 
e) enquanto não estiver prescrito o crime praticado. 
 
3. (OAB - PR-2006-2) Sobre a ação penal, assinale a alternativa 
INCORRETA: 
a) A ação de iniciativa privada é promovida mediante representação do 
ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo. 
b) A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara 
privativa do ofendido. 
c) No caso de morte do ofendido, o direito de oferecer queixa passa ao 
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
d) A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública, 
se o Ministério Público não oferece denúncia no prazo legal. 
GABARITO: 
 
01 D 
02 C 
03 A 
 
 
9. DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE 
 
Causas extintivas da punibilidade são causas que fazem desaparecer o 
direito punitivo do Estado, impedindo-o de iniciar ou prosseguir com a 
persecução penal. O rol a seguir exposto não é taxativo, pois existem outras 
causas extintivas de punibilidade previstas na parte especial do Código Penal e 
em leis especiais. Extingue-se a punibilidade: 
� Pela morte do agente; 
� Pela anistia, graça ou indulto; 
� Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; 
� Pela prescrição, decadência ou perempção; 
� Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de 
ação privada; 
� Pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; 
� Pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei. 
 
1) Morte do Agente: O juiz de posse da certidão de óbito do agente, após 
ouvir o Ministério Público, decretará a extinção punibilidade. Esta certidão deve 
ser expedida pelo Cartório de Registro Civil. 
 
2) Anistia, graça ou indulto: Nesses institutos o Estado, por razões de 
política criminal, abdica de seu direito de punir, em nome da pacificação social. 
Os crimes hediondos e assemelhados não estão sujeitos à anistia, graça ou 
indulto. Assim se define os três institutos: 
a) anistia – exclui o crime e apaga seus efeitos. Trata-se de uma clemência 
soberana concedida por lei para atingir todos que tenham praticado 
determinado delito. A anistia divide-se em própria ou imprópria, irrestrita ou 
parcial, incondicionada e condicionada; 
b) indulto – é concedido a determinado grupo de condenado de forma 
coletiva. Sua concessão compete ao Presidente da República, que pode 
delegá-la; 
c) graça – é concedida em caráter individual para benefício de determinado 
agente. 
 
3) Abolitio criminis: Quando a lei pela sua retroatividade não mais 
considera determinado fato criminoso como delito. A lei penal discriminaliza 
determinada conduta. Pode ocorrer antes ou depois da condenação e apaga 
todos os efeitos penais. 
 
4) Decadência: Quando o ofendido ou seu representante legal perde o 
direito de oferecer a queixa, nos crimes de ação penal privada. Em regra, o 
prazo é de 6 meses. 
 
5) Prescrição: Quando o Estado não exerce a pretensão punitiva ou a 
pretensão executória após o decurso de determinado período de tempo. A 
tabela com os prazos prescricionais consta no artigo 109 do CP. 
 
6) Perempção: É uma sanção aplicada ao querelante, em virtude da perda 
do direito de prosseguir na ação penal privada, por inércia ou negligência 
processual. Esse instituto é aplicado exclusivamente nas ações penais 
privadas. A perempção só pode ocorrer depois de recebida a queixa e até o 
trânsito em julgado do processo penal. 
 
7) Renúncia: Ato unilateral em que o ofendido abdica do seu direito de 
oferecer a queixa. Instituto exclusivo da ação penal privada. A renúncia só 
pode ocorrer antes do recebimento da queixa. Não necessita da concordância 
do ofendido. 
 
8) Perdão do ofendido: O ofendido (querelante) desiste do prosseguimento 
da ação penal privada, desculpando o autor da ofensa (querelado) pela 
infração penal praticada. É concedido no decorrer da ação penal privada. Ele 
pode ser processual ou extraprocessual. O perdão oferecido a um dos 
querelados aproveitará os demais. Quando houver mais de um querelante, o 
perdão por parte de um deles, não prejudicará o direito do outro continuar a 
ação. 
 
9) Retratação do agente: Ocorre quando o agente admite que praticou o 
fato criminoso erroneamente. É admitida nos crimes de calúnia, difamação, 
falso testemunho e falsa perícia. A retratação deve ocorrer antes da sentença 
condenatória de primeira instância. 
 
10) Perdão judicial: Causa extintiva de punibilidade por meio da qual o juiz, 
diante de certos requisitos previstos em lei, renuncia o direito de punir, 
geralmente fundado na desnecessidade da pena. O Juiz reconhece a prática 
do fato delituoso, mas deixa de aplicar a pena. 
A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo 
ou circunstância agravante de outro não se estende a este. Nos crimes 
conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos 
outros, a agravação da pena resultante da conexão. 
 
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença 
Art.
109. A prescrição, antes de transitar em julgado a 
sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste 
Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de 
liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação 
dada pela Lei nº 12.234, de 2010). 
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; 
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a 
oito anos e não excede a doze; 
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a 
quatro anos e não excede a oito; 
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois 
anos e não excede a quatro; 
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um 
ano ou, sendo superior, não excede a dois; 
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 
(um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). 
 
Prescrição das penas restritivas de direito 
Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de 
direito os mesmos prazos previstos para as privativas de 
liberdade. 
 
Prescrição depois de transitar em julgado sentença 
final condenatória 
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a 
sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e 
verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais 
se aumentam de um terço, se o condenado é reincidente. 
§ 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com 
trânsito em julgado para a acusação ou depois de 
improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não 
podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data 
anterior à da denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei 
nº 12.234, de 2010). 
§ 2o (Revogado pela Lei nº 12.234, de 2010). 
 
Termo inicial da prescrição antes de transitar em 
julgado a sentença final 
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a 
sentença final, começa a correr: 
I - do dia em que o crime se consumou; 
 II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a 
atividade criminosa; 
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a 
permanência; 
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de 
assentamento do registro civil, da data em que o fato se 
tornou conhecido 
 
Termo inicial da prescrição após a sentença 
condenatória irrecorrível 
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição 
começa a correr: 
 I - do dia em que transita em julgado a sentença 
condenatória, para a acusação, ou a que revoga a 
suspensão condicional da pena ou o livramento 
condicional; 
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo 
quando o tempo da interrupção deva computar-se na 
pena. 
 
Prescrição no caso de evasão do condenado ou de 
revogação do livramento condicional 
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de 
revogar-se o livramento condicional, a prescrição é 
regulada pelo tempo que resta da pena. 
 
Prescrição da multa 
Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: 
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada 
ou aplicada; 
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena 
privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou 
cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. 
 
Redução dos prazos de prescrição 
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de 
prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, 
menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, 
maior de 70 (setenta) anos. 
 
Causas impeditivas da prescrição 
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a 
prescrição não corre: 
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de 
que dependa o reconhecimento da existência do crime; 
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro. 
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a 
sentença condenatória, a prescrição não corre durante o 
tempo em que o condenado está preso por outro motivo. 
 
Causas interruptivas da prescrição 
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: 
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; 
II - pela pronúncia; 
 III - pela decisão confirmatória da pronúncia; 
IV - pela publicação da sentença ou acórdão 
condenatórios recorríveis; 
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; 
VI - pela reincidência. 
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste 
artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos 
relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes 
conexos, que sejam objeto do mesmo processo, estende-
se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles. 
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do 
inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr, 
novamente, do dia da interrupção. 
 
Art. 118 - As penas mais leves prescrevem com as mais 
graves. 
 
Reabilitação 
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da 
punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, 
isoladamente. 
 
Perdão judicial 
Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não 
será considerada para efeitos de reincidência. 
 
 
10. DOS CRIMES CONTRA A PESSOA 
 
 
10.1 DOS CRIMES CONTRA A VIDA 
 
Primeiramente vamos observar alguns conceitos importantes para o estudo 
da parte especial do Código Penal: 
Objetividade jurídica: Trata-se da finalidade da norma, ou seja, qual objeto 
jurídico a norma pretende tutelar? O objeto jurídico tutelado nos crimes contra a 
vida é a vida humana. É um crime simples, pois tem apenas um bem jurídico 
tutelado. Crimes complexos são aqueles em que a lei protege mais de um bem 
jurídico. 
Sujeito Ativo: Quem pode praticar o crime? Afinal, há crimes que são 
próprios, tais como o infanticídio, onde somente a mãe, em estado puerperal 
mata o próprio filho e é punida pelo crime de infanticídio. 
Sujeito passivo: Trata-se da vítima, quem sofre com o cometimento do 
crime em tela. 
Elementos objetivos do tipo: Tipo é o texto da lei. Seus elementos 
objetivos nada mais são do que os verbos nele inseridos. Quem pratica o verbo 
do tipo, está praticando o crime nele descrito. 
Consumação: A consumação é o ato pelo qual o crime se torna perfeito e 
acabado, passível de ser processado. 
Tentativa: Há crimes que são punidos pela mera tentativa, ou seja, não há 
consumação. Nem todos os crimes são punidos em caso de tentativa, somente 
os expressamente previstos. 
Elemento subjetivo do tipo: Verifica-se se o crime é punido a título de dolo 
ou culpa. Os crimes são, via de regra, punidos a título de dolo. Somente serão 
punidos a título de culpa se assim expressamente estiver descrito. No dolo o 
sujeito possui a intenção de praticar o crime, ou seja, o agente quis o resultado 
ou assumiu o risco de produzi-lo. Na culpa, o sujeito não tem a intenção de 
praticar o crime, mas acaba por praticá-lo na modalidade de imperícia, 
negligência, ou imprudência. 
 
Podemos classificar o homicídio em três espécies: 
� HOMICÍDIO SIMPLES: Será simples todo homicídio que não for 
qualificado ou privilegiado, ou seja, que é cometido buscando o resultado 
morte, sem qualquer agravante no crime. Um homicídio cometido pelas costas 
da vitima ou com ela dormindo, por exemplo, deixa de ser simples, por não ter 
sido dado a ela chance de defesa. 
� HOMICÍDIO PRIVILEGIADO: Por outro lado, se a prática da infração é 
motivada por relevante valor social ou moral, ou se esta é cometida logo após 
injusta provocação da vítima, a pena pode ser minorada de 1/6 até 1/3 da 
pena. Embora a Lei diga que é apenas uma possibilidade, tem prevalecido a 
tese da obrigatoriedade da redução da pena, em virtude da aplicação dos 
princípios gerais de Direito Penal, que compelem ao intérprete da Lei a fazê-lo 
da forma mais favorável ao réu. É importante destacar que quando as 
circunstâncias de privilégio são de caráter subjetivo, estas não se comunicam 
ao co-autor do crime. 
Também ocorre homicídio privilegiado quando as circunstâncias fáticas 
diminuíram a capacidade de autocontrole e reflexão do agente.
Nos termos da 
Lei, deve o homicídio ocorrer logo em seguida a uma injusta provocação da 
vítima que deixe o agente sob o domínio de violenta emoção. 
Não será privilegiado, portanto, o homicídio decorrente de ódio antigo, ou 
que venha a ser cometido tempos depois da agressão da vítima, pois isto retira 
a suposição de que o agente estava com suas faculdades mentais diminuídas 
em decorrência de violenta emoção. 
Nada impede que um homicídio privilegiado seja também qualificado. Por 
exemplo, é o caso do agente que utiliza meio cruel para realizar o homicídio 
sob violenta emoção logo em seguida de injusta provocação da vítima. 
� HOMICÍDIO QUALIFICADO: Dependendo da motivação do agente, ou 
mesmo do meio empregado por ele, pode o delito se tornar qualificado, 
fazendo com que sua pena seja consideravelmente mais alta, face à maior 
reprovabilidade da conduta. Quando é praticado em sua forma qualificada, ou 
quando típico da ação de grupos de extermínio, é considerado como hediondo, 
inserindo-se no mesmo rol em que se encontram o estupro, o latrocínio, a 
extorsão mediante sequestro, etc. São estes os elementos que qualificam o 
homicídio: 
a) cometer o crime mediante paga ou promessa de recompensa. A 
recompensa não precisa ser real ou financeira (corrente minoritária). Para a 
corrente majoritária, essa promessa de recompensa deve ter caráter 
econômico e, mesmo que não seja efetivada, o homicídio permanece 
qualificado, pois o que importa é a motivação do crime; 
b) cometer o crime por motivo torpe; Cometer o crime por motivo fútil, que 
caracteriza-se pelo homicídio como resposta a uma situação 
desproporcionalmente pequena, como por exemplo, matar alguém porque a 
vitima estava falando alto; 
c) empregar veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso 
ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum. Ressalte-se que existe a 
tortura com morte preterdolosa, que não é um tipo de homicídio qualificado; 
d) cometer homicídio à traição, de emboscada ou mediante dissimulação ou 
outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; 
e) cometer o crime para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade 
ou vantagem de outro crime, o chamado homicídio por conexão. 
 
SUJEITO ATIVO: Nos crimes desse tópico “crimes contra a vida”, podemos 
considerar como sujeito ativo qualquer pessoa, é o que chamamos de crime 
comum. Diferente do que ocorre nos crimes próprios, em que só podem ser 
praticados por determinadas pessoas, por exemplo; “crimes praticados por 
funcionários públicos”, nesses tipos, somente o funcionário público, em regra, 
poderá ser considerado sujeito ativo dos crimes ali considerados. 
O homicídio admite co-autoria e participação. 
� Co-autoria: Ocorre quando duas ou mais pessoas praticam a conduta 
descrita no tipo. 
� Participação: Ocorre quando o sujeito não comete qualquer conduta 
descrita no tipo, mas de alguma forma contribui para o crime. Exemplo: Aquele 
que empresta a arma ou incentiva a prática do crime. Para que exista co-
autoria e participação, é necessário o chamado liame subjetivo, ou seja, a 
ciência por parte dos envolvidos de que estão colaborando para um fim 
comum. 
Autoria colateral ocorre quando duas ou mais pessoas querem cometer o 
mesmo crime e agem ao mesmo tempo, sem que uma saiba da intenção da 
outra, e o resultado morte decorre da conduta de um só agente, que é 
identificado no caso concreto. O que for identificado responderá por homicídio 
consumado e o outro por tentativa. 
 
SUJEITO PASSIVO: Qualquer ser humano após seu nascimento e desde 
que esteja vivo, pode ser considerado sujeito passivo do crime de homicídio. 
 
Crime impossível: Tem a finalidade de afastar a tentativa por absoluta 
impropriedade do meio ou do objeto. Há crime impossível por absoluta 
impropriedade do objeto na conduta de quem tenta tirar a vida de pessoa já 
morta e, neste caso, não há tentativa de homicídio, ainda que o agente não 
soubesse que a vítima estava morta. Haverá também crime impossível, mas 
por absoluta ineficácia do meio, quando o agente usa, por exemplo, arma de 
brinquedo ou bala de festim. 
 
Consumação: Dá-se no momento da morte (crime material). A morte ocorre 
quando cessa a atividade encefálica (Lei da Doação de Órgãos). A prova da 
materialidade se faz por meio do laudo de exame necroscópico assinado por 
dois legistas, que devem atestar a ocorrência da morte e se possível as suas 
causas. 
 
Elemento subjetivo 
• Dolo direto: Ocorre quando a pessoa quer o resultado. 
• Dolo eventual: Ocorre quando a pessoa não quer, mas assume o risco 
de produzir o resultado. 
 
PARTE ESPECIAL 
TÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA A VIDA 
 
Homicídio simples 
Art 121. Matar alguém: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. 
 
Caso de diminuição de pena 
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de 
relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de 
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação 
da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um 
terço. 
Causa de diminuição de pena (redução de 1/6 a 1/3, em todas as hipóteses). 
Apesar de o parágrafo trazer a expressão “pode”, trata-se de uma 
obrigatoriedade, para não ferir a soberania dos veredictos. O privilégio é votado 
pelos jurados e, se reconhecido o privilégio, a redução da pena é obrigatória, 
pois do contrário estaria sendo ferido o princípio da soberania dos veredictos. 
Trata-se, portanto, de um direito subjetivo do réu. 
 
Homicídio qualificado 
§ 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por 
outro motivo torpe; 
II - por motivo futil; 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, 
tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa 
resultar perigo comum; 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação 
ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa 
do ofendido; 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade 
ou vantagem de outro crime: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
Na paga ou promessa de recompensa, há a figura do mandante e do 
executor. Ambos respondem pela forma qualificada. Também chamado de 
homicídio mercenário. 
A paga é prévia em relação à execução. Na promessa de recompensa, o 
pagamento é posterior à execução. Mesmo se o mandante não a cumprir, 
existirá a qualificadora para os dois. 
Motivo torpe: Demonstra a maldade do sujeito em relação ao motivo do 
delito. É o motivo vil, repugnante. Ex: matar o pai para ficar com herança; matar 
a esposa porque ela não quer manter relação sexual. O ciúme não é 
considerado motivo torpe. A vingança será considerada, ou não, motivo torpe 
ou fútil dependendo do que a tenha originado. 
Motivo fútil: Matar por motivo de pequena importância, insignificante. 
Exemplo: matar por causa de uma fechada no trânsito. A ausência de prova, 
referente aos motivos do crime, não permite o reconhecimento dessa 
qualificadora. Ciúme não caracteriza motivo fútil. A existência de uma 
discussão “forte”, precedente ao crime, afasta o motivo fútil, ainda que a 
discussão tenha se iniciado por motivo de pequena importância, pois entende-
se que a causa do homicídio foi a discussão e não o motivo anterior que a 
havia originado. 
Traição: Aproveitar-se da prévia confiança que a vítima deposita no agente 
para alvejá-la (Ex: amizade, relação amorosa etc). 
Emboscada ou tocaia: Aguardar escondido a passagem da vítima por um 
determinado local para matá-la. 
Dissimulação: Uso de artifício para se aproximar da vítima. 
Homicídio culposo 
§ 3º Se o homicídio é culposo: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
Entre as modalidades de crimes culposos, nos quais estariam situados os 
atos denominados erros médicos, há aqueles em que o agente deu
causa ao 
resultado por imprudência (prática de ato perigoso), negligência (falta de 
precaução), ou imperícia (falta de aptidão técnica teórica ou prática). 
A imprudência se caracteriza por uma conduta comissiva, é a ausência do 
devido cuidado consubstanciada numa ação é, pois, a realização de um ato (no 
caso dos médicos, um ato médico) sem a devida previdência. 
A negligência é, por seu turno, a ausência de cuidado razoável exigido. 
Trata-se, em verdade, da omissão da conduta esperada e recomendável. O 
médico que não realiza o necessário e preventivo cuidado para proceder a uma 
cirurgia, vindo, por conseguinte, em razão desta omissão do dever de cautela, 
a causar um mal ao paciente, age negligentemente. 
A imperícia é, a falta da competente análise e da observação das normas 
existentes para o desempenho da atividade. É o despreparo profissional, o 
desconhecimento técnico da profissão. 
• Imprudência: Consiste numa ação, conduta perigosa. 
• Negligência: É uma omissão quando se deveria ter tomado um certo 
cuidado. 
• Imperícia: Ocorre quando uma pessoa não possui aptidão técnica para a 
realização de uma certa conduta e mesmo assim a realiza, dando causa a 
morte. 
Culpa concorrente: Ocorre quando duas pessoas agem de forma culposa, 
provocando a morte de um terceiro. Ambos respondem pelo crime. O fato da 
vítima também ter agido com culpa não exclui a responsabilidade do agente. 
Não há compensação de culpas em Direito Penal. 
Aumento de pena 
§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 
(um terço), se o crime resulta de inobservância de regra 
técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa 
de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir 
as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão 
em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é 
aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado 
contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 
(sessenta) anos. 
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá 
deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração 
atingirem o próprio agente de forma tão grave que a 
sanção penal se torne desnecessária. 
 
No caso do §4º, o aumento de pena só se aplica a quem agiu com culpa e 
não socorreu. Não se aplica o aumento: 
• Se a vítima está evidentemente morta; 
• Se a vítima foi socorrida de imediato por terceiro; 
• Quando o socorro não era possível por questões materiais, ameaça de 
agressão, etc. 
Na imperícia o agente não possui aptidão técnica para a conduta, enquanto 
na causa de aumento o agente conhece a técnica, mas por descaso, desleixo, 
não a observa, provocando assim a morte. 
O Juiz poderá conceder o perdão judicial, deixando de aplicar a pena, 
quando as conseqüências do crime atingirem o próprio agente de forma tão 
grave que a imposição da mesma se torne desnecessária. Só na sentença é 
que poderá ser concedido o perdão judicial. 
Tem natureza declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo seus 
efeitos. 
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio 
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou 
prestar-lhe auxílio para que o faça: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se 
consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa 
de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. 
Parágrafo único - A pena é duplicada: 
 
Aumento de pena 
I - se o crime é praticado por motivo egoístico; 
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer 
causa, a capacidade de resistência. 
 
Suicídio é a supressão voluntária e consciente da própria vida. Havendo 
violência ou grave ameaça, o crime será de homicídio. A violência ou grave 
ameaça exclui a voluntariedade e, por conseqüência, o suicídio. O autor da 
coação responderá por homicídio. A fraude exclui a consciência quanto ao 
suicídio, portanto ocorrerá homicídio, respondendo o autor da fraude por esse 
delito. 
• Induzir: Dar a idéia a alguém que ainda não tinha pensado em suicídio, 
ou seja, criar a idéia de suicídio na cabeça da vítima. 
• Instigar: Reforçar a idéia suicida preexistente. 
• Auxiliar: Participação material, já que o agente colabora com a própria 
prática do suicídio. Ex: emprestar corda, arma, veneno etc. O auxílio deve ser 
acessório, ou seja, não poderá ser a causa direta da morte, pois, se for, o crime 
será de homicídio. 
• O induzimento e a instigação são formas de participação moral, 
enquanto o auxílio é forma de participação material. 
• Induzir, instigar e prestar auxílio à mesma vítima: O crime será único 
quando o agente realizar mais de uma conduta, pois trata-se de crime de ação 
múltipla ou de conteúdo variado, ou ainda, tipo misto alternativo. 
 
Motivo Egoístico: Se o auxílio ao suicídio foi feito por motivo egoístico 
(proveito para o agente) – a pena é aumentada (duplica). Ex: Zezinho dá arma 
à Maria para que ela se suicide, pois com sua morte, Zezinho receberá a 
herança. 
Vítima Menor (vítima maior de 14 e menor de 18 anos): pena aumentada. 
Se a vítima tinha alguma capacidade de resistir à idéia de suicídio, é crime de 
auxílio ao suicídio, caso contrário pode ser considerado homicídio. 
 
 
Infanticídio 
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o 
próprio filho, durante o parto ou logo após: 
Pena - detenção, de dois a seis anos. 
 
Objeto jurídico: A vida do neonato. 
Sujeito ativo: A mãe. 
Sujeito passivo: O neonato 
Elementares do Crime: Matar: aplicam-se as regras do homicídio quanto a 
esse verbo (consumação, tentativa etc.). 
� Estado puerperal: Alteração psíquica que acontece em grande número 
de mulheres em razão de alterações orgânicas decorrentes do fenômeno do 
parto. Tem de ser provado por perícia médica, mas, se os médicos ficarem em 
dúvida sobre sua existência e o laudo for inconclusivo, será presumido o 
estado puerperal, aplicando-se o in dubio pro reo. 
� Próprio filho: É o sujeito passivo, nascente ou recém nascido. 
Durante ou logo após o parto: Este é o elemento temporal, ou seja, o crime 
só poderá ser praticado em um determinado momento. Considera-se início do 
parto a dilatação do colo do útero, e fim do parto, o nascimento. A expressão 
“logo após” variará conforme o caso concreto, pois a duração do estado 
puerperal difere de uma mulher para outra. Alguns doutrinadores acreditam que 
o estado puerperal são de 7 dias, outros; 8 dias, alguns acreditam em até 40 
dias, porém a corrente mais aceita é a que defende a duração do estado 
puerperal se dá até que os efeitos deste estado estejam se produzindo. 
(devendo ser realizada perícia médica na mãe). 
 
Algumas hipóteses especiais: 
1) Se, em decorrência do estado puerperal a mulher vem a ser portadora de 
doença mental, causando a morte do próprio filho, aplica-se o art. 26 “caput” 
CP: exclusão de culpabilidade pela imputabilidade causada pela doença 
mental. 
2) Se, em conseqüência da influência do estado puerperal, a mulher vem a 
sofrer simplesmente perturbação da saúde mental, que não lhe retire a inteira 
capacidade de entendimento e de autodeterminação, aplica-se o disposto no 
art. 26, parágrafo único do Código Penal. Neste caso, desde que se prove 
tenha sido portadora de uma perturbação psicológica patológica, como delírio 
ou psicose, responde por infanticídio com pena atenuada. 
3) É possível que, em conseqüência do puerpério, a mulher venha a sofrer 
uma simples influência psíquica, que não se amolde à regra do art. 26, 
parágrafo único do Código Penal. Neste caso, responde pelo delito de 
infanticídio, sem atenuação da pena. 
 
Assim, se o puerpério não causa nenhuma perturbação psicológica na 
mulher, matando o próprio filho, pratica crime de homicídio. Entretanto, é 
possível que o estado puerperal cause na mulher uma perturbação psicológica 
de natureza patológica. Nesta hipótese, é
preciso distinguir. Se essa 
perturbação psíquica constitui doença mental, está isenta de pena nos termos 
do art. 26 “caput”. Se a perturbação psíquica não lhe retira a inteira capacidade 
de entender e de querer, responde pelo delito de infanticídio, porém com a 
pena atenuada, em face do art. 26, parágrafo único, do estatuto penal. 
 
 
Aborto provocado pela gestante ou com seu 
consentimento 
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que 
outrem lho provoque: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
 
Aborto provocado por terceiro 
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da 
gestante: 
Pena - reclusão, de três a dez anos. 
 
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da 
gestante: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a 
gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou 
débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante 
fraude, grave ameaça ou violência 
 
Forma qualificada 
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores 
são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do 
aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a 
gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são 
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe 
sobrevém a morte. 
 
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: 
 
Aborto necessário 
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; 
 
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro 
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido 
de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu 
representante legal. 
Aborto é a interrupção da gravidez com a conseqüente morte do feto. O 
aborto pode ser natural, acidental ou provocado. 
O aborto criminoso traz duas figuras que punem a mulher grávida. São dois 
casos de crime próprio, sendo o sujeito passivo sempre o feto. 
• Auto-aborto: Praticar aborto em si mesma. 
• Aborto consentido: Consentir que terceiro provoque aborto. O terceiro 
responderá pelo art. 126, que contém pena maior. Esta é uma exceção à regra 
de que todos que colaboram para um crime respondem nos mesmos termos de 
seu autor principal (exceção à teoria monista ou unitária. É uma exceção 
expressa). 
A pena para quem provoca aborto com o consentimento da gestante é de 
um a quatro anos. Se ocorrer a morte da gestante, de dois a oito anos. O 
aumento é aplicável na hipótese de morte culposa, porque, se o agente tinha 
dolo em relação ao aborto e em relação à morte, haverá dois crimes 
autônomos (aborto e homicídio). O crime do art. 126 do Código Penal 
pressupõe que a autorização da mulher dure até a consumação do aborto. 
 
Forma qualificada: Se a gestante sofre lesão grave, a pena é aumentada 
em um terço. Se a gestante morre, a pena é aumentada em dobro. Só vale 
para o aborto praticado por terceiro, consentido ou não pela gestante (artigos 
125 e 126). 
 
Aborto Legal – Art. 128 do Código Penal: Prevê duas hipóteses em que a 
provocação do aborto é permitida. Natureza jurídica: Causa de exclusão de 
ilicitude. 
1) Aborto necessário. Não se exige risco atual, como no estado de 
necessidade. Ante a simples constatação de que no futuro haverá perigo, 
poderá o aborto ser realizado desde logo. Havendo perigo atual, o aborto pode 
ser praticado por qualquer pessoa, aplicando-se nesse caso o estado de 
necessidade. Requisitos: 
• Que seja feito por médico; 
• Que não haja outro meio para salvar a vida da gestante. 
2) Aborto sentimental. Requisitos: 
• Que seja feito por médico; 
• Que a gravidez tenha resultado de estupro; 
• Que haja o consentimento da gestante ou, se incapaz, de seu 
representante legal. 
 
10.2 DAS LESÕES CORPORAIS 
 
Ofensa à integridade corporal consiste no dano anatômico prejudicial ao 
corpo humano. Exemplo: Corte, queimadura, mutilações etc. 
Ofensa à saúde é a provocação de perturbações de caráter psicológico e/ou 
fisiológico. Exemplo: transmitir intencionalmente uma doença, paralisia 
momentânea etc. 
A provocação de mais de uma lesão em um mesmo contexto caracteriza 
crime único. 
 
LESÕES CORPORAIS LEVES: São as lesões corporais que não 
determinam as conseqüências previstas nos §§ 1°, 2° e 3°, do art. 129 do CP; 
São representadas freqüentemente por danos superficiais comprometendo a 
pele, a hipoderme, os vasos arteriais e venosos capilares ou pouco calibrosos. 
Ex: O desnudamento da pele ou escoriação, o hematoma, ferida contusa, 
luxação, edema, torcicolo traumático 
 
LESÕES CORPORAIS GRAVES: São os danos corporais resultantes das 
conseqüências previstas pelo § 1°: 
� Incapacidade para as ocupações habituais por + de 30 dias – ocorre 
quando o ofendido não pode retornar a todas as suas comuns atividades 
corporais antes de transcorridos 30 dias, contados da data da lesão; a 
incapacidade não precisa ser absoluta, basta que a lesão caracterize perigo ou 
imprudência no exercício das ocupações habituais por mais de 30 dias. Exame 
complementar – é um segundo exame pericial que se faz logo que decorra o 
prazo de 30 dias, contado da data do crime e não da respectiva lavratura do 
corpo de delito, para avaliar o tempo de duração da incapacidade; quando 
procedido antes do trintídio é suposto imprestável, pois aberra do texto legal; 
se realizado muito tempo depois de expirado o prazo de 30 dias ele será 
imprestável, impondo-se, por isso, a desclassificação para o dano corporal 
mais leve (exceção: quando os peritos puderem verificar permanência da 
incapacidade da vítima para as suas ocupações habituais - ex: detecção 
radiológica de calo de fratura assestado em osso longo, posto que essa 
modalidade de lesão traumática sempre demanda mais de 30 dias para 
consolidar); existe outras formas de exame complementar que não a que se faz 
para verificar a permanência da inabilitação por mais de 30 dias, como a 
investigação levada a efeito a qualquer tempo, para corrigir ou complementar 
laudo anterior, ou logo após um ano da data da lesão, objetivando pesquisar 
permanência da mesma. 
� Perigo de vida – é a probabilidade concreta e objetiva de morte (não 
pode nunca ser suposto, nem presumido, mas real, clínica e obrigatoriamente 
diagnosticado); é a situação clínica em que resultará a morte do ofendido se 
não for socorrido adequadamente, em tempo hábil; ele se apresenta como um 
relâmpago, num átimo, ou no curso evolutivo do dano, desde que seja antes do 
trintídio - ex.: hemorragia por seção de vaso calibroso, prontamente coibida; 
feridas penetrantes do abdome. 
� Debilidade permanente de membro, sentido (são as funções perceptivas 
que permitem ao indivíduo contatar os objetos do mundo exterior) ou função (é 
o modo de ação de um órgão, aparelho ou sistema do corpo) – é a lesão 
conseqüente à fraqueza, à debilitação, ao enfraquecimento duradouro, mas 
não perpétuo ou impossível de tratamento ortopédico, do uso da energia de 
membro, sentido ou função, sem comprometimento do bem-estar do 
organismo, de origem traumática; por permanente entende-se a fixação 
definitiva da incapacidade parcial, após tratamento rotineiro que não logra o 
resultado almejado, resultando, portanto, verdadeira enfermidade; a ablação ou 
inutilização de um órgão duplo, mantido o outro íntegro e não abolida a função, 
constitui lesão grave (debilidade permanente); 
� Aceleração de parto – consiste na antecipação quanto à data ou ocasião 
do parto, mas necessariamente depois do tempo mínimo para a possibilidade 
de vida extra-uterina e desencadeada por traumatismos físicos ou psíquicos; 
na aceleração do parto, o concepto deve nascer vivo e continuar com vida, 
dado o seu grau de maturação; no aborto, o concepto é expulso morto, ou sem 
viabilidade, se sobreviver. 
 
LESÕES CORPORAIS GRAVÍSSIMAS: São os danos corporais resultantes 
das conseqüências previstas pelo
§ 2°: 
� Incapacidade permanente para o trabalho – é caracterizada pela 
inabilitação ou invalidez de duração incalculável, mas não perpétua, para todo 
e qualquer trabalho. 
� Enfermidade incurável – é a ausência ou o exercício imperfeito ou 
irregular de determinadas funções em indivíduo que goza de aparente saúde. 
� Deformidade permanente – é o dano estético irreparável pelos meios 
comuns, ou por si mesmo, capaz de provocar sensação de repulsa no 
observador, sem contudo atingir o aspecto de coisa horripilante, mas que 
causa complexo ou interfira negativamente na vida social ou econômica do 
ofendido. 
� Perda ou inutilização do membro, sentido ou função. 
� Aborto. 
 
CAPÍTULO II 
DAS LESÕES CORPORAIS 
 
 
Lesão corporal 
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de 
outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
 
Lesão corporal de natureza grave 
§ 1º Se resulta: 
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 
trinta dias; 
II - perigo de vida; 
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
IV - aceleração de parto: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
§ 2° Se resulta: 
I - Incapacidade permanente para o trabalho; 
II - enfermidade incurável; 
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; 
IV - deformidade permanente; 
V - aborto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
Lesão corporal seguida de morte 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que 
o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de 
produzí-lo: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
 
Diminuição de pena 
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de 
relevante valor social ou moral ou sob o domínio de 
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação 
da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um 
terço. 
 
Substituição da pena 
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda 
substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos 
mil réis a dois contos de réis: 
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; 
II - se as lesões são recíprocas. 
 
Lesão corporal culposa 
§ 6° Se a lesão é culposa: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
 
Aumento de pena 
§ 7º - Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer 
qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º. 
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 
121. 
Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 
2004) 
 § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com 
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, 
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se 
as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo, 
aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). 
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será 
aumentada de um terço se o crime for cometido contra 
pessoa portadora de deficiência. 
 
10.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE 
 
Expor alguém a perigo significa criar ou colocar a vítima em uma situação de 
perigo de dano. Trata-se de crime de ação livre, que admite qualquer forma de 
execução: “fechar” veículo, abalroar o veículo da vítima, desferir golpe com 
instrumento contundente próximo à vítima etc. 
O crime em análise pode também ser cometido por omissões como, por 
exemplo, o caso de patrão que não fornece aparelhos de proteção a seus 
funcionários, desde que disso resulte situação concreta de perigo, já que o não 
cumprimento das normas de segurança, visto por si só, caracteriza 
contravenção penal. 
É necessário, ainda, que o perigo seja: 
• Direto: Aquele que atinge pessoa(s) certa(s) e determinada(s). Trata-se, 
pois, de crime de perigo concreto, uma vez que exige prova de que o agente 
objetivava efetuar a conduta contra uma ou mais pessoas determinadas. Se o 
agente visa número indeterminado de pessoas, haverá crime de perigo comum 
previsto nos arts. 250 e seguintes do Código Penal. 
• Iminente: Aquele que pode provocar imediatamente o dano; É o perigo 
imediato. 
Ao tratar da pena desse delito, o legislador estabeleceu uma hipótese de 
subsidiariedade expressa, porque a lei diz que o agente somente responderá 
pelo art. 132 do Código Penal “se o fato não constitui crime mais grave”. 
A Lei n. 9.777/98 acrescentou um parágrafo único ao art. 132, 
estabelecendo uma causa de aumento de pena, de um 1/6 a um 1/3, se a 
exposição da vida ou da saúde de outrem decorrer do transporte da pessoa 
para a prestação de serviços em estabelecimento de qualquer natureza, em 
desacordo com as normas legais. 
É inegável que a finalidade do dispositivo é apenar mais gravemente os 
responsáveis pelo transporte de trabalhadores rurais (bóias-frias) que o fazem 
sem os cuidados necessários para evitar acidentes com vítimas. Pelo texto da 
lei, somente haverá aumento de pena se houver desrespeito às normas legais 
destinadas a garantir a segurança. Essas normas estão descritas no Código de 
Trânsito Brasileiro. O aumento da pena pressupõe também a ocorrência de 
perigo concreto. 
 
 
CAPÍTULO III 
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE 
 
 
Perigo de contágio venéreo 
Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou 
qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, 
de que sabe ou deve saber que está contaminado: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
§ 2º - Somente se procede mediante representação. 
 
Perigo de contágio de moléstia grave 
Art. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem 
moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de 
produzir o contágio: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
Perigo para a vida ou saúde de outrem 
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo 
direto e iminente: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não 
constitui crime mais grave. 
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um 
terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a 
perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação 
de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, 
em desacordo com as normas legais. 
 
Abandono de incapaz 
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, 
guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, 
incapaz de defender-se dos riscos resultantes do 
abandono: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos. 
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza 
grave: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
§ 2º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
 
Aumento de pena 
§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de 
um terço: 
I - se o abandono ocorre em lugar ermo; 
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, 
irmão, tutor ou curador da vítima. 
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos 
 
Exposição ou abandono de recém-nascido 
Art. 134 - Expor ou abandonar recém-nascido, para 
ocultar desonra própria: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
§ 2º - Se resulta a morte: 
Pena - detenção, de dois a seis anos. 
 
Omissão de socorro 
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível 
fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou 
extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo 
ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses 
casos, o socorro da autoridade pública: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da 
omissão resulta
lesão corporal de natureza grave, e 
triplicada, se resulta a morte. 
 
Maus-tratos 
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob 
sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de 
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-
a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer 
sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer 
abusando de meios de correção ou disciplina: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. 
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
§ 2º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é 
praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. 
 
 
10.4 DA RIXA 
 
A rixa é um crime de concurso necessário (crime plurissubjetivo), mas com a 
característica especial de ser concurso necessário de condutas contrapostas, 
diferente da maioria dos crimes de concurso necessário, nos quais as condutas 
são convergentes (ex: art. 288, CP, bando ou quadrilha). Desnecessário dizer 
que, para a sua existência, é imperioso que haja mais de 2 (dois) participantes, 
do contrário teríamos apenas vias de fato ou lesões corporais recíprocas, 
dependendo do dolo, pois, nessas condutas, com apenas 2 (dois) participantes, 
é possível individualizar-se perfeitamente as suas condutas e apurar as 
responsabilidades de cada autor. Também é possível, para se configurar o 
número mínimo de participantes para o delito de rixa, a inclusão de 
inimputáveis, entretanto o inimputável não será, é claro, considerado rixoso, 
mas ao menos um dos rixosos deve ser imputável. Devendo-se excluir, no 
entanto, as pessoas que, porventura, venham a separar ou tentar separar os 
rixosos. 
 
CAPÍTULO IV 
DA RIXA 
 
Rixa 
Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os 
contendores: 
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa. 
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de 
natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na 
rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos. 
 
 
10.5 DOS CRIMES CONTRA A HONRA 
 
O conceito de honra abrange tanto aspectos objetivos como subjetivos, de 
maneira que, aqueles representariam o que terceiros pensam a respeito do 
sujeito – sua reputação, enquanto estes representariam o juízo que o sujeito 
faz de si mesmo – seu amor próprio. 
A calúnia consiste em atribuir falsamente à alguém a responsabilidade pela 
prática de um fato determinado definido como crime . 
A difamação, por sua vez, consiste em atribuir à alguém fato determinado 
ofensivo à sua reputação . Assim, se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado 
semana passada, constitui crime de difamação. 
A injúria, de outro lado, consiste em atribuir à alguém qualidade negativa, 
que ofenda sua dignidade ou decoro . Assim, se “A” chama “B” de ladrão, 
constitui crime de injúria. 
A calúnia se aproxima da difamação por atingirem a honra objetiva de 
alguém, por meio da imputação de um fato, por se consumarem quando 
terceiros tomarem conhecimento de tal imputação e por permitirem a retratação 
total, até a sentença de 1a Instância, do querelado (como a lei se refere apenas 
a querelado, a retratação somente gera efeitos nos crimes de calúnia e 
difamação que se apurem mediante queixa, assim , quando a ação for pública, 
como no caso de ofensa contra funcionário público, a retração não gera efeito 
algum). Porém se diferenciam pelo fato da calúnia exigir que a imputação do 
fato seja falsa, e ,além disso, que este seja definido como crime, o que não 
ocorre na difamação. 
Assim, se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado semana passada, pouco 
importa, se tal fato é verdadeiro ou não, afinal, o legislador quis deixar claro 
que as pessoas não devem fazer comentários com outros acerca de fatos 
desabonadores de que tenham conhecimento sobre essa ou aquela pessoa. 
A difamação se distingue da injúria , pois a primeira é a imputação à alguém 
de fato determinado, ofensivo à sua reputação, honra objetiva, e se consuma, 
quando um terceiro toma conhecimento do fato, diferentemente da segunda em 
que não se imputa fato, mas qualidade negativa, que ofende a dignidade ou o 
decoro de alguém, honra subjetiva, além de se consumar com o simples 
conhecimento da vítima . Assim, se “A” diz que “B” é ladrão, estando ambos 
sozinhos dentro de uma sala, não há necessidade de que alguém tenha 
escutado e consequentemente tomado conhecimento do fato para se constituir 
crime de injúria. 
 
CAPÍTULO V 
DOS CRIMES CONTRA A HONRA 
 
Calúnia 
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato 
definido como crime: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a 
imputação, a propala ou divulga. 
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos. 
 
Exceção da verdade 
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: 
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, 
o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; 
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas 
no nº I do art. 141; 
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o 
ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. 
 
Difamação 
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à 
sua reputação: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 
Exceção da verdade 
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se 
admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é 
relativa ao exercício de suas funções. 
 
Injúria 
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o 
decoro: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: 
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou 
diretamente a injúria; 
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra 
injúria. 
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, 
que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se 
considerem aviltantes: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além 
da pena correspondente à violência. 
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos 
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a 
condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: 
Pena - reclusão de um a três anos e multa. 
 
Disposições comuns 
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-
se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: 
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de 
governo estrangeiro; 
II - contra funcionário público, em razão de suas funções; 
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que 
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da 
injúria. 
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou 
portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. 
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga 
ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro. 
 
Exclusão do crime 
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível: 
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, 
pela parte ou por seu procurador; 
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou 
científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar 
ou difamar; 
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário 
público, em apreciação ou informação que preste no 
cumprimento de dever do ofício. 
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela 
injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade. 
 
 Retratação 
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata 
cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de 
pena. 
 
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere 
calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido 
pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a 
dá-las ou, a critério do juiz, não as
dá satisfatórias, 
responde pela ofensa. 
 
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se 
procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 
140, § 2º, da violência resulta lesão corporal. 
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do 
Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 
141 deste Código, e mediante representação do ofendido, 
no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso 
do § 3o do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei 
nº 12.033. de 2009) 
 
 
10.6 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL 
 
Os crimes, objeto do Capítulo VI do Código Penal (CP), subdividem-se em: 
crimes contra a liberdade pessoal; contra a inviolabilidade de domicílio, da 
correspondência e de segredos. 
A liberdade é direito assegurado expressamente pela Constituição Federal e 
previsto como a possibilidade de cada ser humano se auto determinar. 
O crime de constrangimento ilegal é previsto no art. 146 do CP, trata-se de 
crime sui generis pois independentemente do meio obtido ou utilizado para 
perpetrar a privação de liberdade, este será punido de forma unitária. 
Se, no entanto, ocorre a vis corporalis com resultado lesivo à vítima, dá-se 
evidentemente o concurso material de crimes. Constranger significa forçar 
alguém a fazer alguma coisa ou tolher seus movimentos para que deixe de 
fazer. 
A pena é agravada se na execução houver a reunião de mais de três 
pessoas ou tiver havido emprego de armas. Não configura tal crime, o 
tratamento médico arbitrário se justificado por iminente perigo de vida, e a 
coação exercida para impedir o suicídio. 
Trata-se de crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa. Se 
o agente criminoso é funcionário público, no exercício de suas funções, é 
responsabilizado por outros delitos. 
Como vítima, é necessário que o agente possua capacidade de querer 
constranger, ficando excluídos os doentes mentais, os menores, o ébrio total e 
contumaz, as pessoas por qualquer motivo inconscientes. 
Podem tais pessoas serem objeto do crime praticado contra seus 
representantes legais. A conduta típica no art. 146 do CP é a de coagir, impelir, 
compelir, não é a de tolerar que se faça alguma coisa. 
A coação pode constituir-se de violência direta ou imediata (vias de fato, 
lesões corporais) como também a indireta ou mediata, utilizando o agente de 
ameaça ou qualquer outro meio como bebida alcoólica, narcótico para o 
constrangimento. 
Não há ilicitude no caso de coação juridicamente justificada como é o caso 
de estrito cumprimento do dever legal. É ilícito o constrangimento destinado a 
obstar um ato imoral que não seja ilícito. È indispensável o nexo causal entre o 
emprego da violência ou da grave ameaça ou qualquer outro meio e o 
resultado, ou seja, a submissão do ofendido. 
O tipo subjetivo corresponde ao dolo, ou seja, a vontade de coagir. Não 
existe a forma culposa. 
Diferentemente da ameaça na qual o medo é o próprio objetivo do agente 
criminoso, no constrangimento ilegal o medo é meio através do qual se alcança 
o fim almejado, subjugando-se a vontade da vítima e a obrigando-a a fazer 
aquilo a que foi constrangida. 
Considera-se o crime de constrangimento ilegal consumado quando o 
ofendido faz ou deixa de fazer o que não deseja em virtude de conduta do 
agente. Estará caracterizada a tentativa quando apesar da violência , ameaça 
ou quaisquer outro meios empregados, a vítima não se submete a vontade do 
agente criminoso. 
O tipo previsto no art. 146 CP é tipicamente subsidiário, só ocorrendo 
quando o ato não constitui ilícito mais grave (como roubo, extorsão, estupro, 
desobediência). No caso de atuar o agente com o fim de obter o que poderia 
ser conseguido por meios legais, haverá o crime de exercício arbitrário das 
próprias razões que absorve a prática do crime de constrangimento ilegal. 
 
 
CAPÍTULO VI 
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL 
SEÇÃO I 
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL 
 
Constrangimento ilegal 
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou 
grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por 
qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não 
fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
 
Aumento de pena 
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, 
quando, para a execução do crime, se reúnem mais de 
três pessoas, ou há emprego de armas. 
§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as 
correspondentes à violência. 
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo: 
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o 
consentimento do paciente ou de seu representante legal, 
se justificada por iminente perigo de vida; 
II - a coação exercida para impedir suicídio. 
 
Na conceituação do crime de ameaça (art. 147 do CP) não é preciso que o 
mal prometido constitua crime, bastando que seja injusto e grave. Não é 
somente incriminada a ameaça verbal ou por escrito, mas também a ameaça 
real ou a simbólica. 
A ameaça é crime comum e conforme as circunstâncias pode caracterizar o 
abuso de autoridade. A vítima pode ser qualquer pessoa apta a entender a 
ameaça, restando sujeita à intimidação. 
Ameaçar significa intimidar, anunciar ou prometer castigo ou malefício, a 
denominada violência moral. Nada impede também a ameaça a distância (por 
telefone, e-mail, e, etc) ou transmitida à vítima por terceiro. Relevante é que a 
ameaça deva ser idônea e capaz de abalar a tranqüilidade psíquica da vítima. 
O mal prometido há de ser grave, sério e apto a intimidar, a atemorizar a 
vítima. Leva-se em consideração também as condições pessoais do ofendido 
(sua idade, sexo, cultura, compleição física e estado psíquico) que pode ou não 
determinar que seja intimidade efetivamente pelo agente criminoso. 
 
 
Ameaça 
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, 
ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal 
injusto e grave: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
Parágrafo único - Somente se procede mediante 
representação. 
 
O seqüestro e o cárcere privado previstos no art. 148 CP apresenta como 
núcleo do tipo o significado de tolher, impedir, tirar o gozo da liberdade, 
desapossar. É uma restrição ao direito de ir e vir no aspecto físico e, não no 
intelectual. 
Exige-se a situação de permanência, tanto assim que é doutrinariamente 
classificado como delito permanente (ou seja, aquele que se consome e se 
prolonga no tempo). 
Se ocorre a conduta instantânea de impedir que alguém faça alguma coisa 
que a lei lhe autoriza concretizar, segurando-a por alguns minutos, configura o 
delito de constrangimento ilegal. O elemento subjetivo do tipo é o dolo, não 
existindo a forma culposa. 
O seqüestro é a conduta gênero da qual é espécie o cárcere privado. Manter 
alguém em cárcere privado é o mesmo que encerrá-la em uma prisão ou cela, 
ou recinto fechado, isolando-a, sem a possibilidade de livre locomoção. 
A redução a condição análoga à de escravo é definido no art. 149 do CP 
também chamado de delito de plágio. Plágio é a sujeição de uma pessoa ao 
domínio de outra. Não se trata de o sujeito submeter a vítima a escravidão. É 
situação similar a de escravo apenas. O tipo penal visa a um estado de fato e, 
não a uma situação jurídica. 
A norma incriminadora não faz nenhuma restrição ou exigência à qualidade 
pessoal do autor ou do ofendido. Só é punível a título de dolo que consiste na 
vontade de exercer domínio, sobe outra pessoa, suprimindo-lhe a liberdade 
fática embora ainda possua a liberdade jurídica. 
Tal delito atinge o momento consumativo quando o agente criminoso 
efetivamente reduz a vítima à condição similar a de escravo. Admite-se no 
entanto a tentativa. 
 
Seqüestro e cárcere privado 
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante 
seqüestro
ou cárcere privado: 
Pena - reclusão, de um a três anos. 
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: 
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou 
companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos; 
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima 
em casa de saúde ou hospital; 
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias. 
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) 
anos; 
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. 
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da 
natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
Redução a condição análoga à de escravo 
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de 
escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a 
jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições 
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer 
meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o 
empregador ou preposto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da 
pena correspondente à violência. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: 
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte 
do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; 
I – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se 
apodera de documentos ou objetos pessoais do 
trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. 
§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é 
cometido: 
I – contra criança ou adolescente; 
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião 
ou origem. 
 
 
Sob a rubrica de “crimes contra a inviolabilidade do domicílio”, na verdade 
temos apenas a descrição de um só delito previsto no art. 150 CP. Apesar de 
possuir formas simples e qualificadas descritas nos parágrafos primeiro e 
segundo do respectivo artigo do Código Penal Brasileiro, não constituem 
crimes autônomos, mas simplesmente tipos de uma figura central, que é a 
violação de domicílio. 
Aliás, a norma penal vem sancionar o Direito Constitucional que através da 
Carta Magna vigente prevê expressamente que “a casa é asilo inviolável do 
indivíduo (...) “em seu art. 5º, XI, (...) salvo em caso de flagrante delito ou 
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. 
Tal tipo penal não protege a posse nem a propriedade e, sim a tranqüilidade 
doméstica. Tanto assim que não constitui crime a entrada ou permanência em 
casa alheia desabitada. 
É possível portanto a pluralidade de domicílios. O legislador penal procurou 
proteger o lar, a casa, quer seja um barraco, quer seja uma luxuosa mansão. 
Diferentemente porém, a esposa que na ausência do marido, permite o 
ingresso do amante na residência, esta não comete o delito pois conforme os 
termos do art. 226, § 5º, da CF/88 encontra-se em igualdade jurídica em 
relação ao marido, podendo a esposa anuir com a entrada do amante. De sorte 
que o consentimento do ofendido exclui o crime (RTJ 47/734). 
Entretanto, sendo condomínio fechado existe a violação de domicílio no caso 
de ocorrer a entrada não autorizada em partes que são individualizadas. Se um 
condômino permite e, outro proíbe, aplica-se o princípio de que melhor é a 
condição de quem proíbe. 
Restará ao violador que agiu de boa fé, demonstrar que não praticou a 
violação domiciliar com dolo. 
Casa significa qualquer compartimento habitado, ainda no caso de habitação 
coletiva, compartimento não aberto ao público, onde alguém pode exercer 
profissão ou atividade laboral. 
É preciso observar que o tipo penal não descreve qualquer conseqüência da 
entrada ou permanência. É delito instantâneo na modalidade “entrar”, já na de 
“permanecer” é crime permanente. Não se trata de crime subsidiário. 
O art. 150 do CP prevê forma qualificada se cometida a violação domiciliar 
durante a noite, ou em lugar ermo ou com emprego de violência ou de arma, ou 
por duas ou mais pessoas, a pena é de detenção de 6 (seis) meses a 2(dois) 
anos, além da correspondente à violência. 
O emprego de violência também qualifica o crime, é tanto a exercida contra 
a pessoa quanto a coisa. Diferentemente o art. 157 CP que prevê 
expressamente a violência contra a pessoa. 
É lícita a entrada ou permanência em casa alheia, a qualquer hora do dia ou 
da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o 
ser. 
Não há violação de domicílio quando o fato é cometido em estado de 
necessidade, legítima defesa e o exercício regular de direito. Presente o 
consentimento do morador, o fato é atípico. A ação penal pública é 
incondicionada. 
O consentimento de menor é inválido se contraria a vontade do chefe da 
família (RT 544/398). 
O conceito de domicílio para fins penais não corresponde ao domicílio civil, 
mas a casa de moradia, o local reservado à vida íntima do indivíduo ou à sua 
atividade privada, seja ou não coincidente com o domicílio (RT 469/411). 
 
 
SEÇÃO II 
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO 
DOMICÍLIO 
 
Violação de domicílio 
Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou 
astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita 
de quem de direito, em casa alheia ou em suas 
dependências: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
§ 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar 
ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou por 
duas ou mais pessoas: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da 
pena correspondente à violência. 
§ 2º - Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é 
cometido por funcionário público, fora dos casos legais, 
ou com inobservância das formalidades estabelecidas em 
lei, ou com abuso do poder. 
§ 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em 
casa alheia ou em suas dependências: 
I - durante o dia, com observância das formalidades 
legais, para efetuar prisão ou outra diligência; 
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum 
crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser. 
§ 4º - A expressão "casa" compreende: 
I - qualquer compartimento habitado; 
II - aposento ocupado de habitação coletiva; 
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém 
exerce profissão ou atividade. 
§ 5º - Não se compreendem na expressão "casa": 
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação 
coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do 
parágrafo anterior; 
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. 
 
SEÇÃO III 
DOS CRIMES CONTRA A 
INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA 
 
 Violação de correspondência 
Art. 151 - Devassar indevidamente o conteúdo de 
correspondência fechada, dirigida a outrem: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
 
Sonegação ou destruição de correspondência 
§ 1º - Na mesma pena incorre: 
I - quem se apossa indevidamente de correspondência 
alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte, a 
sonega ou destrói; 
 
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou 
telefônica 
II - quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou 
utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou 
radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica 
entre outras pessoas; 
III - quem impede a comunicação ou a conversação 
referidas no número anterior; 
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho 
radioelétrico, sem observância de disposição legal. 
§ 2º - As penas aumentam-se de metade, se há dano 
para outrem. 
§ 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função 
em serviço postal, telegráfico, radioelétrico ou telefônico: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
§ 4º - Somente se procede mediante representação, salvo 
nos casos do § 1º, IV, e do § 3º. 
 
Correspondência comercial 
Art. 152 - Abusar da condição de sócio ou empregado de 
estabelecimento comercial ou industrial para, no todo ou 
em parte, desviar, sonegar, subtrair ou
suprimir 
correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos. 
Parágrafo único - Somente se procede mediante 
representação. 
 
SEÇÃO IV 
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS 
SEGREDOS 
 
Divulgação de segredo 
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de 
documento particular ou de correspondência confidencial, 
de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa 
produzir dano a outrem: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
§ 1º Somente se procede mediante representação. 
§ 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas 
ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não 
nos sistemas de informações ou banco de dados da 
Administração Pública: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
§ 2o Quando resultar prejuízo para a Administração 
Pública, a ação penal será incondicionada. 
 
Violação do segredo profissional 
Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de 
que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou 
profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
Parágrafo único - Somente se procede mediante 
representação. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
01. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) Tendo em conta o tipo penal do crime 
de homicídio (art. 121 do Código Penal: “Matar alguém”), a mãe que 
intencionalmente deixa de amamentar a criança, causando-lhe a morte por 
inanição, pratica um 
(A) crime culposo. 
(B) crime omissivo. 
(C) crime sem resultado. 
(D) crime comissivo por omissão. 
(E) fato penalmente atípico. 
 
02. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) No crime de homicídio, 
(A) não há incompatibilidade na coexistência de circunstâncias objetivas que 
qualificam o crime e as que o tornam privilegiado. 
(B) há incompatibilidade na coexistência de quaisquer circunstâncias que 
qualificam o crime e as que o tornam privilegiado. 
(C) não há incompatibilidade na coexistência de circunstâncias subjetivas 
que qualificam o crime e as que o tornam privilegiado. 
(D) há incompatibilidade na coexistência de duas ou mais qualificadoras, 
ainda que objetivas. 
(E) não há incompatibilidade na coexistência de duas qualificadoras de 
natureza subjetiva. 
 
03. (FCC – TRF 5ª Região − 2008) José na janela da empresa em que seu 
desafeto Pedro trabalhava, gritou em altos bravos que o mesmo era “traficante 
de entorpecentes”. Nesse caso, José cometeu crime de 
(A) calúnia. 
(B) injúria. 
(C) difamação. 
(D) denunciação caluniosa. 
(E) falsa comunicação de crime. 
 
04. (Delegado de Polícia – PC/DF – FUNIVERSA – 2009) Acerca dos 
crimes contra a honra, assinale a alternativa correta. 
a) Nos crimes de calúnia e difamação, não se admite a retratação. 
b) A exceção da verdade, no crime de calúnia, é admitida se, constituindo o 
fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por 
sentença irrecorrível. 
c) É impunível a calúnia contra os mortos. 
d) No delito de injúria, o juiz poderá deixar de aplicar a pena se o ofendido, 
de forma reprovável, provocou diretamente a injúria. 
e) Caso um advogado, na discussão da causa durante uma audiência, acuse 
o juiz de prevaricação, o crime de calúnia estará amparado pela imunidade 
judiciária. 
 
05. (Magistratura – TRT – 9ª Região – MS CONCURSOS – 2009) Assinale 
a proposição incorreta: 
a) É punível a calúnia contra os mortos. 
b) No delito de difamação, a exceção da verdade somente se admite se o 
ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas 
funções. 
c) A ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu 
procurador, não constitui injúria ou difamação punível. 
d) A legislação penal admite a retratação nos crimes de calúnia e difamação. 
e) A injúria preconceituosa confunde-se com o crime de racismo 
 
06. (Analista Judiciário – TRF – 1ª Região – FCC 2006) A respeito dos 
crimes contra a honra, é correto afirmar que 
a) é punível a calúnia contra os mortos. 
b) constitui difamação punível a ofensa irrogada pela parte em juízo, na 
defesa da causa. 
c) é isento de pena o querelado que, antes da sentença, se retratar 
cabalmente da injúria. 
d) a injúria só pode ser cometida por gesto e palavras, nunca pela prática de 
vias de fato. 
e) admite se a exceção da verdade no crime de injúria, se a vítima for 
funcionário público. 
 
07. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2010) João matou seu desafeto 
com vinte golpes de faca. Nesse caso, 
a) responderá por crime de homicídio tentado e consumado em concurso 
material. 
b) ocorreu concurso formal de infrações. 
c) responderá por vinte crimes de homicídio em concurso material. 
d) deve ser reconhecido o crime continuado. 
e) responderá por um crime de homicídio. 
 
08. (Técnico do Ministério Público – MPE/SE – FCC – 2009) O agente 
arremessou uma granada contra cinco pessoas, ocasionado-lhes a morte. 
Nesse caso, ocorreu 
a) concurso formal de crimes. 
b) crime de perigo concreto. 
c) concurso material de crimes. 
d) crimes continuados. 
e) crime plurissubjetivo. 
 
09. (Magistratura – TJ/PA – FGV – 2009) João Carvalho, respeitado 
neurocirurgião, opera a cabeça de José Pinheiro. Terminada a operação, com 
o paciente já estabilizado e colocado na Unidade de Tratamento Intensivo para 
observação, João Carvalho deixa o hospital e vai para casa assistir ao último 
capítulo da novela. 
Ocorre que, pelas regras do hospital, João Carvalho deveria permanecer 
acompanhando José Pinheiro pelas doze horas seguintes à operação. Como é 
um fanático noveleiro, João desrespeita essa regra e pede à Margarida, médica 
da sua equipe, que acompanhe o pós-operatório. Margarida é uma médica 
muito preparada e tão respeitada e competente quanto João. 
Margarida, ao ver José Pinheiro, o reconhece como sendo o assassino de 
seu pai. Tomada por uma intensa revolta e um sentimento incontrolável de 
vingança, Margarida decide matar aquele assassino cruel que nunca fora 
punido pela Justiça, porque é afilhado de um influente político. Margarida 
determina à enfermeira Hortência que troque o frasco de soro que alimenta 
José, tomando o cuidado de misturar, sem o conhecimento de Hortência, uma 
dose excessiva de anti-coagulante no soro. José morre de hemorragia devido 
ao efeito do anti-coagulante. 
Assinale a alternativa que indique o crime praticado por cada envolvido. 
a) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio doloso - 
Hortênsia: homicídio culposo. 
b) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio doloso - 
Hortênsia: não praticou crime algum. 
c) João Carvalho: homicídio preterdoloso - Margarida: homicídio culposo - 
Hortênsia: homicídio culposo. 
d) João Carvalho: não praticou crime algum - Margarida: homicídio doloso - 
Hortênsia: não praticou crime algum. 
e) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio preterdoloso - 
Hortênsia: não praticou crime algum 
 
GABARITO: 
 
01 D 
02 A 
03 B 
04 D 
05 E 
06 A 
07 E 
08 A 
09 D 
 
 
11. DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 
 
 
11.1 DO FURTO 
 
O furto simples é o previsto no caput do artigo 155 do CP: O objeto jurídico é 
a propriedade, a posse e a detenção legítima. 
O elemento subjetivo é o dolo constante da vontade livre e consciente de 
apoderar-se de forma definitiva da coisa alheia móvel. 
Sujeitos: ativo, qualquer pessoa, salvo o proprietário; passivo: o proprietário, 
o possuidor ou o detentor legítimo. 
Objeto material, coisa móvel não abrangendo as presunções da lei civil. Os 
direitos não podem ser objeto mas, sim, os títulos que os representam, exige-
se o valor econômico porque é crime material requerendo efetiva lesão ao 
patrimônio. Elemento normativo: a coisa deve ser alheia. Coisa que nunca teve 
dono (res nullius),
abandonada (res derelicta) e a perdida (res deperdita), não 
podem ser objeto de furto, podendo a última ser objeto de apropriação indébita 
conforme artigo 169, parágrafo único, inciso II do CP. 
Consuma-se com a posse tranqüila da coisa, ou saída da esfera de cuidado 
do respectivo dono. Ação penal pública incondicionada. Admite-se a tentativa. 
Admite-se o concurso de pessoas, todavia se foi posterior e não prometida 
anteriormente ao furto, não existe a co-delinqüência, mas, eventualmente 
receptação ou favorecimento real. Se o agente for cônjuge, ascendente ou 
descendente do ofendido aí pode ser caso de isenção da pena conforme o 
artigo 181 do Código Penal. 
 
Furto noturno. A pena é aumentada de um terço se o furto ocorre durante o 
repouso noturno que é bem depois do anoitecer. Deve ocorrer em casa 
habitada e cujos moradores estejam repousando. Só aplica-se ao furto simples. 
 
Furto privilegiado. Ocorre quando o autor é primário e a coisa furtada é de 
pequeno valor. Preenchidas as condições é direito subjetivo do agente e o Juiz 
deve aplicar os benefícios. No furto privilegiado o valor é pequeno e no de 
bagatela é inexpressivo, juridicamente irrelevante, tratando-se de causa 
supralegal de exclusão da tipicidade. O juiz pode substituir a pena de reclusão 
pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a multa. 
Aplica-se a todas as figuras inclusive tentadas e às qualificadas e no furto 
continuado. 
 
 
TÍTULO II 
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 
CAPÍTULO I 
DO FURTO 
 
Furto 
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia 
móvel: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é 
praticado durante o repouso noturno. 
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a 
coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão 
pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou 
aplicar somente a pena de multa. 
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou 
qualquer outra que tenha valor econômico. 
 
FURTO QUALIFICADO: O artigo 155 §4º define um tipo qualificado. 
 
� Violência contra obstáculo: A violência deve ser empregada antes ou 
durante a tirada, mas nunca depois de consumado o furto. É necessário que a 
violência seja contra obstáculo, que foi predisposta ou aproveitada pelo homem 
para a finalidade especial de evitar a subtração. 
� Abuso de confiança: É uma circunstância subjetiva do tipo, além de ser 
necessário que o sujeito tenha consciência de que está praticando o fato com 
abuso de confiança. Revela maior periculosidade do agente, pois ele não 
apenas furta, mas viola a confiança nele depositada. 
� Fraude: Qualifica o furto, pois trata-se de um meio enganoso capaz de 
iludir a vigilância do ofendido e permitir maior liberdade na subtração do objeto 
material. 
� Escalada: É o acesso a um lugar por meio anormal de uso anormal, 
como por exemplo, subir pelo telhado, usar uma escada, etc. É uma 
circunstância objetiva do crime, pois se refere à ação física do crime. 
� Destreza: É a habilidade capaz de fazer com que a vitima não perceba a 
subtração. Ex: batedor de carteira. O que caracteriza a qualificadora é o meio 
empregado. 
� Chave falsa: É todo instrumento, com ou sem forma de chave, destinado 
a abrir fechaduras, tais como gazuas, grampos, pregos, etc. Se a chave é 
encontrada na fechadura, não há furto qualificado, mas furto simples. 
� Concurso de pessoas: Exige-se no mínimo a concorrência de 2 ou mais 
pessoas na realização do furto, sendo irrelevante que uma delas seja 
inimputável, de maneira que o partícipe também comete o crime. Para ocorrer 
a agravante basta a existência de 2 pessoas. 
 
 
Furto qualificado 
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, 
se o crime é cometido: 
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à 
subtração da coisa; 
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, 
escalada ou destreza; 
III - com emprego de chave falsa; 
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. 
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a 
subtração for de veículo automotor que venha a ser 
transportado para outro Estado ou para o exterior. 
 
Furto de coisa comum 
Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, 
para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a 
coisa comum: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
§ 1º - Somente se procede mediante representação. 
§ 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível, 
cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente. 
 
 
11.2 DO ROUBO E DA EXTORSÃO 
 
ROUBO: 
O crime de roubo se encontra inserido no rol dos crimes contra o patrimônio. 
Esse crime possui as mesmas características do furto, porém, possui fatores 
que, agregados ao elemento do tipo subtrair, geram um novo tipo penal. Há no 
roubo a subtração de coisa alheia móvel, para si ou para outrem, porém com a 
existência de grave ameaça ou com o emprego de violência contra a pessoa, 
os fatores que empregados fazem com que haja a entrega da coisa, são as 
circunstâncias especiais que relevam sua diferença para o furto. 
A tutela jurídica oferecida pelo tipo penal do roubo é a de acobertar o 
patrimônio contra terceiros. A essência do crime de roubo é a de ser um crime 
contra o patrimônio. Porém, convém lembrarmos que este é um crime 
complexo, ou seja, tutelam-se, também, a integridade corporal, a liberdade e, 
no latrocínio, a vida do sujeito passivo. A proteção normativa se desdobra em 
dois planos distintos, porém, de existência vital, pois são feridos dois bens 
jurídicos distintos. No primeiro ele visa a proteção do patrimônio contra 
eventual subtração por via da iminência da aplicação da sanção penal que, no 
tipo em estudo, se revela de alto teor. Em um segundo momento, podemos 
verificar que há a tutela à manutenção do estado do corpo-humano, zelando 
ora pela sua integridade física ora pela totalidade da existência da vida 
humana, evitando que este seja afrontado para obtenção de um bem material 
de gradação inferior a vida humana, que se encontra no ápice dos bens nos 
quais o direito tutela, conforme corolário constitucional. 
O crime de roubo é um crime comum, portanto, qualquer um pode ser o 
sujeito ativo. Porém, quanto ao sujeito passivo não há um liame necessário 
entre o ato ofensivo e a pessoa que seja seu possuidor, detentor ou 
proprietário. A violência pode ser utilizada contra um terceiro, com vistas a 
obter o bem de um outro. Mas ambos serão vítimas do crime de roubo. 
 
EXTORSÃO: 
Define-se o delito de extorsão comum no art. 158, que é constranger alguém 
mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para 
outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar, que se faça ou deixa de 
fazer alguma coisa. Ocorre o crime, portanto quando o agente obriga o sujeito 
passivo a entregar-lhe dinheiro, a não efetuar uma cobrança, a não impedir que 
se lhe rasgue um titulo de credito. 
Como a extorsão é um crime contra o patrimônio, é este o tutelado pelo 
dispositivo, embora, indiretamente, estejam protegidas também a 
inviolabilidade e a liberdade individual. 
Qualquer pessoa pode praticar extorsão, mas sendo o agente funcionário 
publico a simples exigência de uma vantagem indevida em razão da função 
caracteriza o delito da concussão (art.316 do CP). Mas o agente da autoridade 
que constrange alguém, com emprego de violência ou grave ameaça, para 
obter proveito indevido, não incorre unicamente nas pena do delito de 
concussão; vai mais adiante, praticando uma extorsão. 
Uma ou várias pessoas podem ser sujeitos passivos do crime em estudo. É 
vítima aquele que é sujeito a violência ou ameaça, o que deixa de fazer ou 
tolerar que se faça alguma coisa e, ainda, o que sofre prejuízo econômico. 
A conduta
prevista no dispositivo é constranger (obrigar, forçar, coagir) a 
vitima mediante violência ou grave ameaça, desde que seja ele meio idôneo a 
intimidar. 
 
 
CAPÍTULO II 
DO ROUBO E DA EXTORSÃO 
 
Roubo 
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para 
outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou 
depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à 
impossibilidade de resistência: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de 
subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou 
grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime 
ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. 
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade: 
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de 
arma; 
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas; 
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e 
o agente conhece tal circunstância. 
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a 
ser transportado para outro Estado ou para o exterior; 
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, 
restringindo sua liberdade. 
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é 
de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se 
resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem 
prejuízo da multa. 
 
Extorsão 
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou 
grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para 
outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que 
se faça ou deixar fazer alguma coisa: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. 
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, 
ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um 
terço até metade. 
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o 
disposto no § 3º do artigo anterior. 
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da 
liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a 
obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, 
de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta 
lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas 
previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. 
(Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009) 
 
Extorsão mediante seqüestro 
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si 
ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou 
preço do resgate: 
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. 
§ 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) 
horas, se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior 
de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por 
bando ou quadrilha. 
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. 
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. 
§ 3º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. 
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente 
que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do 
seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. 
 
Extorsão indireta 
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, 
abusando da situação de alguém, documento que pode 
dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou 
contra terceiro: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
 
 
11.3 DA USURPAÇÃO 
 
Usurpação é uma lesão de interesse jurídico da inviolabilidade da 
propriedade imóvel. 
A violência contra a pessoa, sob a forma de invasão possessória, é condição 
de punibilidade, mas, se dele resulta outro crime, haverá concurso material dos 
crimes, aplicando-se, somadas as respectivas penas (art.161,§2o.). 
Também é caracterizada a usurpação na alteração ou supressão de marca 
ou qualquer sinal indicativo de propriedade em gado ou rebanho alheio, para 
dele se apropriar, no todo ou em parte. 
Distingue-se a usurpação do abigeato, isto é o furto de animais, No entanto, 
se esse meio fraudulento é usado para dissimular ao anterior furto dos animais, 
já não mais se trata de usurpação, sendo que o crime continuará sob o nomen 
iuris de furto. 
 
CAPÍTULO III 
DA USURPAÇÃO 
 
Alteração de limites 
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou 
qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para 
apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia: 
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem: 
 
Usurpação de águas 
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, 
águas alheias; 
 
Esbulho possessório 
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou 
mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou 
edifício alheio, para o fim de esbulho possessório. 
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na 
pena a esta cominada. 
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de 
violência, somente se procede mediante queixa. 
 
Supressão ou alteração de marca em animais 
Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou 
rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de propriedade: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa. 
 
 
11.4 DO DANO 
 
O conceito de crime de dano esta estampado em nosso Código Penal 
Brasileiro mais especificamente em seu artigo 163. Existe ainda uma 
peculiaridade no crime de dano, ou seja, quando o agente comete o crime com 
a intenção de lucro, citando como exemplo um concorrente que, 
intencionalmente, venha a danificar bem alheio, incorrendo assim as penas do 
artigo 163. 
O que deve ser observado principalmente a vontade do agente em lesar 
coisa alheia, trazendo prejuízo a outrem. 
É muito importante ressaltar que a objetividade ou o bem jurídico atingido é 
a propriedade, ou seja, bem móvel ou imóvel, é o patrimônio que esta sofrendo 
o dano. 
Vale lembrar que o crime de dano para ser caracterizar é necessário que a 
coisa ou o objeto tenha valor pecuniário para a sua tipificação. 
Cumpre-nos ainda ressaltar que o referido delito só admite a modalidade 
dolosa, ou seja, quando o agente exerce livremente a vontade de praticar o 
referido delito, ou seja, desejou causar prejuízo. 
A consumação do crime de dano ocorre com a destruição, inutilização, 
desmanchar, demolir, sacrificar determinado animal, derrubar muro, inutilizar 
objeto, atitudes em geral que venham a causar danos, comprovados através de 
provas diversas inclusive de perícia técnica, se for o caso. 
Ressalta-se ainda que o crime de dano aceita a hipótese de dano 
qualificado, ou seja, pratica de dano em que o agente se utiliza de violência 
com objetivo de garantir êxito em sua ação. 
Ainda neste sentido, o crime de dano recebe a figura qualificadora quando o 
agente age em razão de egoísmo ou com prejuízo considerável a vítima. 
A ação penal é de iniciativa privada, isto nas hipóteses de dano simples e do 
qualificado pelo motivo egoístico ou de prejuízo considerável. Se houver 
concurso de uma forma de dano de ação pública com outra de ação privada do 
ofendido, deverá forma-se o litisconsórcio ativo, entre o Ministério público e a 
vítima, esta oferecendo queixa-crime e aquele formulando denúncia. 
Nada impede, além das ações penais que a vítima ingresse com ação na 
esfera civil requerendo perdas e danos, com objetivo de ter seu bem restituído. 
 
 
CAPÍTULO IV 
DO DANO 
 
Dano 
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
 
Dano qualificado 
Parágrafo único - Se o crime é cometido: 
I - com violência à pessoa ou grave ameaça; 
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, 
se o fato não constitui crime mais grave 
III - contra o patrimônio da União, Estado, Município, 
empresa concessionária de serviços públicos ou 
sociedade de economia mista; 
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável 
para a vítima: 
Pena - detenção, de seis meses a três
anos, e multa, 
além da pena correspondente à violência. 
 
Introdução ou abandono de animais em propriedade 
alheia 
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade 
alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que 
o fato resulte prejuízo: 
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa. 
 
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou 
histórico 
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada 
pela autoridade competente em virtude de valor artístico, 
arqueológico ou histórico: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 
 
Alteração de local especialmente protegido 
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, 
o aspecto de local especialmente protegido por lei: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. 
 
Ação penal 
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu 
parágrafo e do art. 164, somente se procede mediante 
queixa. 
 
 
11.5 DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA 
 
Ocorrerá apropriação indébita no momento em que o agente apoderar-se de 
coisa alheia móvel, cuja posse ou a detenção lhe tenha sido confiada 
licitamente por outrem, sem vícios. O agente passa a atuar como se da coisa 
fosse dono, negando-se a restituí-la ao verdadeiro proprietário ou negociando-a 
com terceira pessoa. 
Posse é diferente de detenção. Na posse o sujeito exerce, em nome próprio, 
direito real sobre a coisa, já a detenção caracteriza-se em uma posse precária, 
de modo que o sujeito apenas preserva a coisa em nome de outra pessoa, sob 
ordens dessa, portanto, vinculado. 
Como é de se observar, pretende o tipo penal proteger o patrimônio. 
Qualquer pessoa poderá ser sujeito ativo no crime de apropriação indébita, 
desde que tenha a posse ou a detenção lícita da coisa, mas não a devolve ao 
seu dono quando solicitada ou a negocie como se dono fosse. 
Apesar do tipo penal afirmar que a coisa móvel deve ser alheia, é de bom 
alvitre salientar que a doutrina admite como sujeitos ativos desse crime o co 
herdeiro, co proprietário e o sócio. 
Observa-se que no caso de funcionário público, o delito será denominado 
peculato, o qual se encontra previsto no artigo 312 do Código Penal. Para sua 
caracterização o agente deverá ter a posse ou a detenção da coisa em razão 
de seu cargo, comportando-se como se dono da coisa fosse, notando-se, 
porém, que o bem não precisa ser necessariamente público. 
O sujeito passivo será o real dono ou possuidor da coisa, desde que sofra o 
prejuízo. 
Apropriar-se corresponde a apossar-se, tornar seu. Assim, é requisito que o 
agente tenha recebido a coisa de boa fé, sem fraude, sem vício e só 
posteriormente haja como se fosse seu dono, de modo que se a posse anterior 
for adquirida ilicitamente, por óbvio, o crime de apropriação indébita não será 
cogitado, sendo que tal delito será tipificado por artigo diverso. 
A tentativa somente é possível na modalidade comissiva no momento em 
que o agente for surpreendido negociando a coisa com terceiro. Irá consumar-
se tanto na ocasião da efetivação da negociação, como no instante em que se 
negar a devolver a coisa. 
 
 
CAPÍTULO V 
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA 
 
Apropriação indébita 
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem 
a posse ou a detenção: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
Aumento de pena 
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente 
recebeu a coisa: 
I - em depósito necessário; 
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, 
inventariante, testamenteiro ou depositário judicial; 
III - em razão de ofício, emprego ou profissão. 
 
Apropriação indébita previdenciária 
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as 
contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e 
forma legal ou convencional: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de: 
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra 
importância destinada à previdência social que tenha sido 
descontada de pagamento efetuado a segurados, a 
terceiros ou arrecadada do público; 
II – recolher contribuições devidas à previdência social 
que tenham integrado despesas contábeis ou custos 
relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; 
III - pagar benefício devido a segurado, quando as 
respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados 
à empresa pela previdência social. 
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, 
espontaneamente, declara, confessa e efetua o 
pagamento das contribuições, importâncias ou valores e 
presta as informações devidas à previdência social, na 
forma definida em lei ou regulamento, antes do início da 
ação fiscal. 
 § 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou 
aplicar somente a de multa se o agente for primário e de 
bons antecedentes, desde que: 
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes 
de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição 
social previdenciária, inclusive acessórios; ou 
II – o valor das contribuições devidas, inclusive 
acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela 
previdência social, administrativamente, como sendo o 
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. 
 
Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou 
força da natureza 
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao 
seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. 
Parágrafo único - Na mesma pena incorre: 
 
Apropriação de tesouro 
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no 
todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprietário 
do prédio; 
 
Apropriação de coisa achada 
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, 
total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou 
legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade 
competente, dentro no prazo de quinze dias. 
Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o 
disposto no art. 155, § 2º. 
 
 
11.6 DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES 
 
Há estelionato quando o agente emprega meio fraudulento, induzindo ou 
mantendo alguém em erro e, assim, conseguindo, para si ou para outrem, 
vantagem ilícita, com dano patrimonial alheio. O crime de estelionato acha-se 
tipificado no art. 171 do CP, cujo caput conceitua o delito. O bem protegido é o 
patrimônio. 
 
SUJEITO ATIVO: Caracteriza-se como sujeito ativo qualquer pessoa que 
induz ou mantém a vítima em erro, empregando meio fraudulento, a fim de 
obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita em prejuízo alheio. O terceiro 
beneficiado pela ação delituosa, se destinatário doloso do proveito do ilícito, 
será considerado co-autor. 
 
SUJEITO PASSIVO: Sujeito passivo é a pessoa enganada e que sofre a 
lesão patrimonial. Nada impede, portanto, que haja dois sujeitos passivos: um 
que é enganado e outro que sofre o prejuízo. 
 
ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO: Para que o estelionato se configure 
são necessários: 
� Fraude: O código fala em artifício, ardil ou qualquer outro meio 
fraudulento. Artifício é o engodo empregado por intermédio de aparato material, 
encenação, como. Ex: conto do bilhete premiado. Ardil é o engodo praticado 
por intermédio de insídia, como a mentirosa qualificação profissional. Por fim, o 
tipo recorre à interpretação analógica, compreendendo qualquer outro meio 
fraudulento, no qual se enquadram a mentira e a omissão do dever de falar. É 
imprescindível que o meio fraudulento empregado pelo agente seja idôneo, 
apto a enganar a vítima. Do contrário, estaríamos diante de um crime 
impossível. 
� Erro: É a falsa percepção da realidade. O agente pode: (1) induzir a 
vítima em erro; ou (2) mantê-la em erro se nele já havia incorrido 
espontaneamente. 
� Duplo resultado: Exige o tipo em análise
a (1) obtenção de vantagem 
ilícita, para o próprio agente ou para terceiro, e (2) o prejuízo alheio. Esclareça-
se que a vantagem há de ser patrimonial, porque o estelionato protege o 
patrimônio. Se o fim não for patrimonial, mas, por exemplo, libidinoso, 
estaremos diante de outra figura criminal. A vantagem tem que ser também 
ilícita. Se lícita, teremos o exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 CP). 
Note-se que, como o próprio tipo penal faz referência à ocorrência de 
resultado, estamos diante de um crime material, em que se exige a ocorrência 
do resultado naturalisticamente falando. 
 
ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO: O estelionato só é punível a título de 
dolo específico, que é o intento de obter vantagem ilícita. Não se admite a 
figura culposa. 
 
CONSUMAÇÃO: É crime material, consumando-se no momento e local em 
que o agente obtém a vantagem ilícita em prejuízo alheio. 
 
 TENTATIVA: Há tentativa se foram idôneos os meios empregados e, 
iniciada a execução do estelionato, o crime não se consumou por 
circunstâncias alheias à vontade do agente. Então, se o agente não consegue 
a vantagem ilícita ou não decorre prejuízo à vítima, estaremos diante do 
estelionato em sua figura tentada. O início da execução se dá com o engano da 
vítima e não com o uso da fraude, que é tido como ato preparatório. Enquanto 
o título fraudulentamente obtido não é descontado ou convertido, há só 
tentativa (STF). 
 
ESTELIONATO PRIVILEGIADO: O art. 170 torna aplicável ao estelionato, 
caput e subtipos, o previsto no art.155, §2.º, de modo que, se for primário o 
agente e de pequeno valor a coisa apreendida, o juiz terá as seguintes opções: 
substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuir a pena de um a dois 
terços, ou aplicar somente pena de multa. 
 
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA: Aplica-se ao tipo fundamental do 
estelionato e dos subtipos previstos no §2.º o aumento de 1/3 da pena quando 
o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto 
de economia popular, assistência social ou beneficência. 
 
SUBTIPOS 
1. Disposição de coisa alheia como própria: O sujeito passivo, nesse 
caso, é o adquirente enganado e não o proprietário da coisa. O tipo fala em 
vender, permutar, dar em pagamento, locar ou dar em garantia coisa alheia. O 
rol é taxativo, de modo que não inclui a promessa de compra e venda, nem a 
cessão de direitos (STF), que podem restar enquadrados no caput. 
2. Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria: O sujeito ativo é 
só o dono da coisa e o sujeito passivo é o que recebe a coisa desconhecendo 
ser ela inalienável, gravada, litigiosa ou prometida a terceiro em prestações. O 
objeto material pode ser móvel ou imóvel, mas o tipo, quando prevê a 
promessa a terceiro, reduz somente aos imóveis. O dispositivo incrimina o 
sujeito que vende, permuta, dá em pagamento ou dá em garantia coisa própria 
inalienável, gravada, litigiosa ou, sendo imóvel, prometida a terceiro em 
prestações. O rol é também taxativo, de modo que não inclui a locação 
(prevista no inc. I), nem a promessa de compra e venda, nem a cessão de 
direitos (STF), que podem restar enquadrados no caput. 
3. Defraudação de penhor: Consiste em defraudar, mediante alienação não 
consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem 
a posse do objeto empenhado. O sujeito ativo é, portanto, o devedor do 
contrato de penhor que tem a posse do objeto empenhado. O sujeito passivo, 
por sua vez, é o credor pignoratício. O tipo trata do penhor, de modo que 
somente estão compreendidos os bens móveis e os mobilizáveis. O núcleo do 
tipo está no verbo defraudar, que significa privar com dolo, seja por intermédio 
da alienação (venda, permuta, doação etc), seja por qualquer outro modo 
(destruição, ocultação, desvio, abandono etc). A defraudação pode ser total ou 
parcial. O que é importante é a falta de consentimento do credor pignoratício, 
que constitui elemento normativo do tipo. O elemento subjetivo é o dolo 
específico, que envolve o conhecimento de que o objeto material constitui 
garantia pignoratícia e a vontade de defraudar. Há discussão se é ou não crime 
material, ou seja, se precisa da vantagem ilícita ou se basta a defraudação sem 
o consentimento do credor. 
4. Fraude na entrega de coisa: Consiste em defraudar quantidade, 
qualidade ou substância de coisa que deve entregar a alguém. O sujeito ativo é 
quem tem o dever de entregar a coisa e o passivo o que deve recebê-la. Deve 
haver, portanto, uma relação obrigacional entre eles (elemento normativo). 
Pode ser a coisa móvel ou imóvel. Precisa estar presente o dolo específico. 
Consuma-se com a entrega da coisa defraudada. Há tentativa, por exemplo, 
quando o destinatário, descobrindo o engano, recusa-se a receber o objeto 
defraudado. 
5. Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro: É figura 
típica de formulação alternativa, sendo previstas as seguintes ações: 
a) destruir ou ocultar coisa própria 
b) lesar o próprio corpo ou a saúde 
c) agravar as conseqüências de lesão ou doença 
Praticando uma, algumas ou todas essas ações, o agente pratica um único 
delito. O sujeito ativo é o segurado e o passivo, o segurador. Tem-se, portanto, 
crime próprio. No entanto, são possíveis a co-autoria e a participação quando 
terceiro, conhecendo o intuito lesivo, colabora ou auxilia a mando do segurado. 
A consumação se dá com a prática da conduta típica (destruir, ocultar, lesar). 
Ao contrário dos demais subtipos de estelionato, trata-se de crime formal, não 
se exigindo para a consumação a obtenção da vantagem ilícita. Basta a prática 
do ato, seguida do pedido de indenização ou do valor do seguro. A tentativa é 
admissível. 
6. Fraude no pagamento por meio de cheque: Consiste em emitir cheque 
sem suficiente provisão de fundos ou frustrar-lhe o pagamento. O sujeito ativo 
é qualquer pessoa que emite o cheque ou lhe frustra o pagamento. Haverá co-
autoria no caso de conta conjunta e haverá participação, por exemplo, na 
instigação. 
 
CAPÍTULO VI 
DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES 
 
Estelionato 
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, 
em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em 
erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio 
fraudulento: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o 
prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto 
no art. 155, § 2º. 
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem: 
 
Disposição de coisa alheia como própria 
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em 
garantia coisa alheia como própria; 
 
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria 
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia 
coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou 
imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante 
pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer 
dessas circunstâncias; 
 
Defraudação de penhor 
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo 
credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando 
tem a posse do objeto empenhado; 
 
 Fraude na entrega de coisa 
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de 
coisa que deve entregar a alguém; 
 
 Fraude para recebimento de indenização ou valor de 
seguro 
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, 
ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as 
conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de 
haver indenização ou valor de seguro; 
 
Fraude no pagamento por meio de cheque 
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em 
poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. 
§ 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é 
cometido em detrimento de entidade de direito público ou 
de instituto de economia popular, assistência
social ou 
beneficência. 
 
Duplicata simulada 
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que 
não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou 
qualidade, ou ao serviço prestado. 
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que 
falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de Registro 
de Duplicatas. 
 
Abuso de incapazes 
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de 
necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da 
alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo 
qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir 
efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. 
 
Induzimento à especulação 
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da 
inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental 
de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à 
especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou 
devendo saber que a operação é ruinosa: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
 
 Fraude no comércio 
Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o 
adquirente ou consumidor: 
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria 
falsificada ou deteriorada; 
II - entregando uma mercadoria por outra: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a 
qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo 
caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor 
valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender, como 
precioso, metal de ou outra qualidade: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º. 
 
Outras fraudes 
Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em 
hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de 
recursos para efetuar o pagamento: 
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa. 
Parágrafo único - Somente se procede mediante 
representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias, 
deixar de aplicar a pena. 
 
Fraudes e abusos na fundação ou administração de 
sociedade por ações 
Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, 
fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público ou 
à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da 
sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela 
relativo: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato 
não constitui crime contra a economia popular. 
§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui 
crime contra a economia popular: 
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, 
que, em prospecto, relatório, parecer, balanço ou 
comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação 
falsa sobre as condições econômicas da sociedade, ou 
oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas 
relativo; 
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por 
qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de outros 
títulos da sociedade; 
III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à 
sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro, dos 
bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da 
assembléia geral; 
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por 
conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo quando 
a lei o permite; 
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito 
social, aceita em penhor ou em caução ações da própria 
sociedade; 
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em 
desacordo com este, ou mediante balanço falso, distribui 
lucros ou dividendos fictícios; 
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta 
pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a 
aprovação de conta ou parecer; 
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII; 
IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, 
autorizada a funcionar no País, que pratica os atos 
mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao 
Governo. 
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois 
anos, e multa, o acionista que, a fim de obter vantagem 
para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações 
de assembléia geral. 
 
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou 
"warrant" 
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em 
desacordo com disposição legal: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
Fraude à execução 
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, 
destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa. 
 
 
11.7 DA RECEPTAÇÃO 
 
 Receptação não faz surgir um novo sujeito passivo, sendo este a mesma 
vítima do crime antecedente. 
O objeto material da receptação é o “produto de crime”. Este pode se 
originar de qualquer delito (ex: tráfico), e não necessariamente de crimes 
contra o patrimônio. O legislador expressamente se referiu a “produto de 
crime”. Portanto, não existe crime de receptação no caso de “produto de 
contravenção penal. 
A receptação será DOLOSA na hipótese em que o agente tem ciência da 
origem criminosa do bem; e CULPOSA, quando o agente não tinha consciência 
da origem ilícita, mas deveria presumir ser esta obtida por meio criminoso. 
No crime de receptação, cabe observar que o dolo é específico de obter 
alguma vantagem para si ou para outrem. Se o agente não possui essa 
intenção, somente poderá haver crime de favorecimento real. 
 
 
CAPÍTULO VII 
DA RECEPTAÇÃO 
 
Receptação 
Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou 
ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser 
produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a 
adquira, receba ou oculte: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
Receptação qualificada 
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter 
em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor 
à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio 
ou alheio, no exercício de atividade comercial ou 
industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: 
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa. 
 § 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do 
parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular 
ou clandestino, inclusive o exercício em residência. 
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou 
pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela 
condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por 
meio criminoso: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou 
ambas as penas. 
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou 
isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. 
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode 
o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de 
aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto 
no § 2º do art. 155. 
§ 6º - Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da 
União, Estado, Município, empresa concessionária de 
serviços públicos ou sociedade de economia mista, a 
pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro. 
 
 
11.8 DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
CAPÍTULO VIII 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos 
crimes previstos neste título, em prejuízo: 
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; 
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco 
legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. 
 
Art. 182 - Somente se procede mediante representação, 
se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: 
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; 
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo; 
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. 
 
Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos 
anteriores:
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, 
quando haja emprego de grave ameaça ou violência à 
pessoa; 
II - ao estranho que participa do crime. 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual 
ou superior a 60 (sessenta) anos. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
01. (FCC - TRT da 3ª REGIÃO - 2009) Quem utiliza uma tesoura para fazer 
girar e abrir, sem danificar, a fechadura da porta de um veículo que ato 
contínuo subtrai para si, comete crime de furto 
(A) qualificado pela fraude. 
(B) simples. 
(C) qualificado pela destreza. 
(D) qualificado pelo rompimento de obstáculo. 
(E) qualificado pelo emprego de chave falsa. 
 
02. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) Jeremias aproximou-se de um veículo 
parado no semáforo e, embora não portasse qualquer arma, mas fazendo 
gestos de que estaria armado, subtraiu a carteira do motorista, contendo 
dinheiro e documentos. Jeremias responderá por crime de 
(A) roubo qualificado pelo emprego de arma. 
(B) furto simples. 
(C) furto qualificado. 
(D) roubo simples. 
(E) apropriação indébita. 
 
03. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) O crime de 
receptação descrito no art. 180, caput, do Código Penal (adquirir, receber, 
transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe 
ser produto de crime, ou influir para que terceiro de boa-fé, a adquira, receba 
ou oculte), no que concerne aos elementos do fato típico, é um 
a) tipo penal normal. 
b) tipo penal anormal, face à existência de elemento subjetivo. 
c) crime omissivo. 
d) crime sem resultado 
e) exemplo de tipicidade indireta. 
 
04. (Analista Judiciário – TER – AC – FCC – 2010) Sobre o crime de 
extorsão mediante sequestro, é INCORRETO afirmar que 
a) seu objeto jurídico é o patrimônio e, indiretamente, a liberdade individual e 
a incolumidade pessoal 
b) se trata de crime permanente 
c) aquele que participou do delito, caso preste informações que facilitem a 
libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida. 
d) se trata de crime material, que se consuma quando o agente obtém a 
vantagem econômica exigida. 
e) se trata de crime formal que admite tentativa. 
 
05. (Analista de Processos Organizacionais – BAHIAGÁS – FCC – 2010) 
O ato de receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, 
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima, 
constitui crime de 
a) fraude na entrega de coisa. 
b) estelionato. 
c) fraude no comércio 
d) extorsão indireta. 
e) furto qualificado pela fraude. 
 
06. (Delegado de Polícia – FGV – 2010) Relativamente aos crimes contra o 
patrimônio, analise as afirmativas a seguir: 
I. No crime de furto, se o criminoso é primário, e a coisa furtada é de 
pequeno valor, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. 
II. Considera-se qualificado o dano praticado com violência à pessoa ou 
grave ameaça, com emprego de substância inflamável ou explosiva (se o fato 
não constitui crime mais grave), contra o patrimônio da União, Estado, 
Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de 
economia mista ou ainda por motivo egoístico ou com prejuízo considerável 
para a vítima. 
III. É isento de pena quem comete qualquer dos crimes contra o patrimônio 
em prejuízo do cônjuge, na constância da sociedade conjugal, desde que não 
haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa ou que a vítima não seja 
idosa nos termos da Lei 10.741/2003. 
Assinale: 
a) se somente a afirmativa I estiver correta. 
b) se somente a afirmativa II estiver correta. 
c) se somente a afirmativa III estiver correta. 
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 
e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 
 
07. (Magistratura – TRT 21ª Região) - Durante o movimento grevista, três 
empregados filiados ao sindicato da categoria profissional praticaram as 
seguintes condutas: o primeiro, fez uma ligação clandestina, por meio de um 
fio, entre o poste de energia da rua e o carro de som do sindicato, parado na 
calçada do portão de entrada da empresa, propiciando o funcionamento 
contínuo do equipamento e dos alto-falantes; o segundo, escalou o muro lateral 
do estabelecimento, passou por cima da cerca elétrica e, em seguida, retirou e 
se apropriou da câmera de filmagem instalada na parede interna, levando-a 
consigo na mochila; o terceiro, que estava trabalhando normalmente, dirigiu-se, 
de forma sorrateira, ao setor administrativo da empresa, abriu o arquivo das 
pastas de contratos e cheques de clientes e os rasgou. Os crimes cometidos 
pelos três empregados foram, respectivamente 
a) furto; furto qualificado e dano; 
b) apropriação indébita; roubo e estelionato; 
c) furto qualificado; roubo e estelionato; 
d) apropriação indébita; furto qualificado e dano qualificado; 
e) nenhuma das respostas é correta. 
 
08. (Advogado – Metrô/SP – FCC – 2008) Paulo havia trabalhado como 
cobrador no asilo Alpha e, por isso, conhecia a lista das pessoas que 
contribuíam através de donativos para aquela entidade beneficente. Após ter 
deixado o referido emprego, Paulo procurou uma dessas pessoas e, dizendo-
se funcionário do asilo Alpha, recebeu donativo de R$ 1.000,00 (um mil reais), 
que consumiu em proveito próprio. Nesse caso, Paulo responderá por crime de 
a) furto simples. 
b) furto qualificado pela fraude. 
c) apropriação indébita. 
d) estelionato. 
e) extorsão. 
 
09. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2009) Quanto aos crimes 
contra o patrimônio, é correto afirmar que 
a) o estelionato não admite a figura privilegiada do delito. 
b) a pena, na extorsão, pode ser aumentada até dois terços se praticada por 
duas ou mais pessoas. 
c) o chamado "furto de uso", se aceito, não constituiria crime por falta de 
tipicidade. 
d) há latrocínio tentado no caso de homicídio consumado e subtração 
tentada, segundo entendimento sumulado do Supremo Tribunal Federal. 
e) o emprego de arma de brinquedo qualifica o roubo, de acordo com 
Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 
 
10. (Auditoria da Receita do Estado – SEAD – FGV/2010) Com base no 
artigo 168-A do Código Penal - crime de apropriação indébita previdenciária, 
assinale a afirmativa incorreta. 
a) O elemento objetivo do tipo é deixar de repassar, ou seja, não transferir 
aos cofres públicos a contribuição previdenciária descontada dos contribuintes. 
b) A pena do crime de apropriação indébita previdenciária comporta o 
benefício da suspensão condicional do processo. 
c) O elemento subjetivo do crime é o dolo, não sendo possível apropriação 
indébita previdenciária culposa. 
d) Não é cabível tentativa do crime, pois este se traduz como crime 
unisubsistente. 
e) É crime de ação penal pública incondicionada cuja competência para 
processamento é da Justiça Federal. 
 
11. (Magistratura – TJ – MS – FGV – 2008) São crimes contra o patrimônio: 
a) roubo, furto, estelionato e lesão corporal. 
b) roubo, furto, estelionato e usurpação de águas. 
c) roubo, furto, estelionato e peculato. 
d) roubo, furto, estelionato e moeda falsa. 
e) roubo, furto, estelionato e injúria 
 
12. (Analista Judiciário – TRT 3ª Região – FCC – 2009) José ingressou no 
escritório da empresa Alpha, sendo que o segurança não lhe obstou o acesso 
porque estava vestido de faxineiro e portando materiais de limpeza. No interior 
do escritório, arrombou a gaveta e subtraiu R$ 3.000,00 do seu interior. 
Quando estava saindo do local, o segurança, alertado pelo barulho, tentou 
detê-lo. José, no entanto, o agrediu e o deixou desacordado e ferido no solo, 
fugindo, em seguida, do local de posse do dinheiro subtraído. Nesse caso, 
José responderá por 
a) furto qualificado pela fraude e pelo arrombamento. 
b) furto qualificado pela fraude. 
c) roubo impróprio. 
d) furto simples. 
e) estelionato. 
 
GABARITO:
01 E 
02 D 
03 B 
04 D 
05 D 
06 E 
07 A 
08 D 
09 C 
10 B 
11 B 
12 C 
 
 
12. DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
 
12.1 DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA 
A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
 
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Espécies: 
a) crimes praticados por funcionário público; 
b) crimes praticados por particular; 
c) crimes praticados contra a administração da justiça. 
 
Crimes Praticados por Funcionário Público: Os crimes praticados por 
funcionário público são chamados pela doutrina de crimes funcionais. São 
crimes que estão relacionados com a função pública. Na classificação geral 
dos delitos, tais crimes estão inseridos na categoria dos crimes próprios, pois a 
lei exige uma característica específica no sujeito ativo: ser funcionário público. 
Os crimes funcionais podem ser próprios e impróprios. 
• Crimes funcionais próprios são aqueles cuja exclusão da qualidade de 
funcionário público torna o fato atípico. Ex: prevaricação. 
• Crimes funcionais impróprios são aqueles em que, excluindo-se a 
qualidade de funcionário público, haverá desclassificação para crime de outra 
natureza. Ex: peculato, que passa a ser furto. 
 
O peculato visa proteger a probidade administrativa (patrimônio público). 
Esses crimes são chamados crimes de improbidade administrativa. O sujeito 
ativo é o funcionário público e o sujeito passivo é o Estado, visto como 
Administração Pública. Pode existir um sujeito passivo secundário (particular). 
Podemos dividir o peculato em dois grandes grupos; doloso e culposo: 
a) Peculato Doloso: 
� Peculato-apropriação: art. 312, caput, primeira parte. 
� Peculato-desvio: art. 312, caput, segunda parte. 
� Peculato-furto: art. 312, § 1.º. 
� Peculato mediante erro de outrem: art. 313. 
 
b) Peculato Culposo: 
� O peculato culposo está descrito no art. 312, § 2.º, do Código Penal. 
 
 
 
TÍTULO XI 
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
CAPÍTULO I 
DOS CRIMES PRATICADOS 
POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO 
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
 
Peculato 
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, 
valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, 
de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em 
proveito próprio ou alheio: 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, 
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o 
subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito 
próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe 
proporciona a qualidade de funcionário. 
 
Peculato culposo 
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o 
crime de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do 
dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a 
punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena 
imposta. 
 
Peculato mediante erro de outrem 
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade 
que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
PECULATO APROPRIAÇÃO: 
a) apropriar-se; 
b) funcionário público; 
c) dinheiro, valor, bem móvel, público ou privado; 
d) posse em razão do cargo; 
e) proveito próprio ou alheio. 
 
Elementos objetivos do tipo: O núcleo é apropriar-se, ou seja, fazer sua a 
coisa alheia. A pessoa tem a posse e passa a agir com se fosse dona. O 
agente muda a sua intenção em relação à coisa. O fundamento é a posse lícita 
anterior. 
No caso da posse em razão do cargo, temos que a posse está com a 
Administração. O bem tem de estar sob custódia da Administração. Exemplo: 
Um automóvel apreendido na rua vai para o pátio da Delegacia; o policial 
militar subtrai o toca-fitas - Ele praticou peculato-furto, pois não tinha a posse 
do bem. Se o funcionário fosse o responsável pelo bem, seria caso de 
peculato-apropriação. Se o carro estivesse na rua, seria furto. 
No peculato-apropriação e no peculato mediante erro de outrem há 
apropriação, ou seja, a posse é anterior; a diferença está no erro de outrem. 
 
Objeto material: Dinheiro, valor ou bem móvel. Tudo que for imóvel não é 
admitido no peculato. O crime que admite imóvel é o estelionato. 
 
Consumação: A consumação do peculato-apropriação se dá no momento 
em que ocorreu a apropriação: quando o agente inverteu o animus, quando 
passou a agir como se fosse dono. 
 
PECULATO-DESVIO: Artigo 312, Segunda Parte, do Código Penal. No 
peculato-desvio o que muda é apenas a conduta, que passa a ser desviar. 
Desviar é alterar a finalidade, o destino. Exemplo: existe um contrato que prevê 
o pagamento de certo valor por uma obra. O funcionário paga esse valor, sem 
a obra ser realizada. Nesse caso, há peculato-desvio. Liberação de dinheiro 
para obra superfaturada também é caso de peculato-desvio. 
 
Elemento subjetivo do tipo: O elemento subjetivo do tipo é a intenção do 
desvio para proveito próprio ou alheio. O funcionário tem de ter a posse lícita 
da coisa. Se alguém desviar em proveito da própria Administração, haverá 
outro crime, qual seja, uso ou emprego irregular de verbas públicas (art. 315 do 
CP). 
 
PECULATO-FURTO: Artigo 312, § 1.º, do Código Penal. Funcionário público 
que, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai ou 
concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de 
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. Nesse caso é 
aplicada a mesma pena. 
A conduta é subtrair, ou seja, tirar da esfera de proteção da vítima, de sua 
disponibilidade. Outra conduta possível é a de concorrer dolosamente. 
Não basta ser funcionário público; ele precisa se valer da facilidade que essa 
qualidade lhe proporciona (a execução do crime é mais fácil para ele). Por 
facilidade, entende-se crachá, segredo de cofre etc. Um funcionário público 
pode praticar furto ou peculato-furto, dependendo se houve, ou não, a 
facilidade. 
 
Consumação e tentativa: O crime consuma-se com a efetiva retirada da 
coisa da esfera de vigilância da vítima. A tentativa é possível. 
 
PECULATO CULPOSO: Artigo 312, § 2.º, do Código Penal. São requisitos 
do crime de peculato culposo: a conduta culposa do funcionário público e que 
terceiro pratique um crime doloso, aproveitando-se da facilidade provocada por 
aquela conduta. 
 
Consumação e tentativa: Peculato culposo é crime independente do crime 
de outrem, mas estará consumado quando se consumar o crime de outrem. 
Não há tentativa de peculato culposo, pois não existe tentativa de crime 
culposo. Se o crime de outrem é tentado, este responderá por tentativa, porém 
o fato é atípico para o funcionário público. 
 
Reparação de danos no peculato culposo – Artigo 312, § 3.º, do Código 
Penal: É a devolução do objeto ou o ressarcimento do dano. É preciso ficar 
atento para as seguintes regras: 
• Se a reparação do dano for anterior à sentença irrecorrível (antes do 
trânsito em julgado – primeira ou segunda instância), extingue a punibilidade. 
• Se a reparação do dano for posterior à sentença irrecorrível (depois do 
trânsito em julgado), ocorre a diminuição da pena, pela metade. 
Atenção: No peculato doloso não se aplicam essas regras. 
 
PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM: Não é um estelionato, pois o 
erro da vítima não é provocado pelo agente. O núcleo do tipo é apropriar-se 
(para tanto, é preciso posse lícita anterior). Na verdade, é um peculato-
apropriação. O núcleo do estelionato é obter. 
O erro de outrem tem de ser espontâneo, e o recebimento, por parte do 
funcionário de boa-fé. Não há fraude. 
Exemplo: Pessoa deve dinheiro para a Prefeitura, erra a conta e paga a 
mais. O funcionário recebe o dinheiro sem perceber o erro. Depois, ao 
perceber o erro, apropria-se do excedente – trata-se de peculato
mediante erro. 
O elemento subjetivo é o dolo de se apropriar. O crime consuma-se no 
momento da apropriação, ou seja, no momento em que o agente passa a agir 
como se fosse dono. 
 
Inserção de dados falsos em sistema de informações 
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a 
inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente 
dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de 
dados da Administração Pública com o fim de obter 
vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar 
dano: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
 
Modificação ou alteração não autorizada de sistema 
de informações 
Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de 
informações ou programa de informática sem autorização 
ou solicitação de autoridade competente: 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e 
multa. 
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço 
até a metade se da modificação ou alteração resulta dano 
para a Administração Pública ou para o administrado. 
 
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou 
documento 
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de 
que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou 
inutilizá-lo, total ou parcialmente: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não 
constitui crime mais grave. 
 
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas 
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação 
diversa da estabelecida em lei: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
 
Concussão 
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou 
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de 
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. 
 
 O crime de concussão é diferente do crime de corrupção passiva. A 
diferença está no núcleo do tipo. A concussão tem por conduta exigir; é um 
“querer imperativo”, que traz consigo uma ameaça, ainda que implícita. A 
corrupção passiva tem por conduta solicitar, receber, aceitar promessa. 
Na concussão, há vítima na outra ponta. A concussão é uma extorsão 
praticada por funcionário público em razão da função. 
Exigir significa coagir, obrigar. A ameaça pode ser implícita ou explícita e, 
ainda assim, será concussão. O agente pode exigir direta ou indiretamente – 
por meio de terceiro, ou por outro meio qualquer. 
Objetividade Jurídica: Proteger a probidade administrativa. 
Sujeito Ativo: O sujeito ativo é o funcionário público. O particular pode 
praticar o crime, em concurso com o funcionário. 
Sujeito Passivo: O sujeito passivo é o Estado (a Administração Pública). O 
particular pode ser sujeito passivo secundário. 
Elementos Objetivos do Tipo: Exigir em razão da função: Deve existir nexo 
causal entre a exigência e a função. 
Consumação: A consumação ocorre no momento em que a exigência 
chega ao conhecimento da vítima, pois o crime de concussão é formal. A 
concussão não depende da obtenção da vantagem para a sua consumação; 
basta a exigência. Se o funcionário obtiver a vantagem, será mero 
exaurimento. 
 
Excesso de exação 
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social 
que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, 
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a 
lei não autoriza: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de 
outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos 
cofres públicos: 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
 
Corrupção passiva 
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, 
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes 
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou 
aceitar promessa de tal vantagem: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em 
conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário 
retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o 
pratica infringindo dever funcional. 
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda 
ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a 
pedido ou influência de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
 
Na corrupção passiva não há ameaça, nem constrangimento. Se o 
funcionário pede e a pessoa coloca a mão dentro do bolso e entrega, não é 
caso de corrupção ativa, pois não existe tipificação para entregar, só para 
prometer, oferecer. Só há corrupção passiva nesse caso. 
Na modalidade solicitar, onde a iniciativa é do funcionário público, não há 
crime de corrupção ativa, e sim de corrupção passiva. 
Já, nas modalidades de receber e aceitar promessa, ocorre corrupção ativa 
na outra ponta, pois a iniciativa foi de terceiro. 
Vantagem indevida na corrupção passiva é para que o funcionário faça 
alguma coisa, deixe de fazer, ou então retarde. 
A consumação ocorre quando houver a solicitação, o recebimento ou a 
aceitação da vantagem. A consumação não depende da prática ou da omissão 
de ato por parte do funcionário. O recebimento da vantagem só é importante 
para a modalidade receber. 
 
 
Elementos Objetivos do Tipo: 
• Solicitar, pedir. Quem pede não constrange, não ameaça, simplesmente 
pede. A atitude de solicitar é iniciativa do funcionário público. 
• Receber, entrar na posse. É preciso ao menos o indício de que a pessoa 
entrou na posse. 
• Aceitar promessa, concordar com a proposta. Pode ser por silêncio, 
gesto, palavra. A iniciativa é de terceiro que faz a proposta. Alguém propõe e o 
funcionário aceita. 
 
Corrupção Passiva Privilegiada – § 2.º: A corrupção passiva privilegiada 
ocorre com pedido ou influência de outrem. Corrupção privilegiada é um crime 
material – praticar, deixar de praticar. 
 
 
Facilitação de contrabando ou descaminho 
Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a 
prática de contrabando ou descaminho (art. 334): 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
 
 Prevaricação 
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, 
ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de 
lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente 
público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso 
a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a 
comunicação com outros presos ou com o ambiente 
externo: 
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 
 
A satisfação do interesse ou sentimento pessoal é o que diferencia a 
prevaricação da concussão e da corrupção. Trata-se de elemento subjetivo do 
tipo. Se for caso de vantagem indevida, o crime é o de concussão ou corrupção 
passiva. Se for caso de sentimento pessoal, o crime é o de prevaricação. 
Aqui deve se entender sentimento pessoal como sentimentos de amor, ódio, 
raiva, vingança, amizade, inimizade. A mera preguiça não configura 
prevaricação. 
 
Elementos Objetivos do Tipo: 
� retardar; 
� deixar de praticar; 
� praticar. 
 
As condutas retardar e deixar de praticar são condutas omissivas (omissão 
própria). Praticar é conduta comissiva. A diferença entre retardar e deixar de 
praticar é que esse último tem um tom de definitividade. Retardar é protelar, 
demorar. Ato de ofício é aquele ato que está inserido na esfera de atribuições 
ou de compromissos do agente. 
 
Condescendência criminosa 
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de 
responsabilizar subordinado que cometeu infração no 
exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não 
levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
 
Advocacia administrativa 
Art. 321 - Patrocinar, direta
ou indiretamente, interesse 
privado perante a administração pública, valendo-se da 
qualidade de funcionário: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa. 
 
Violência arbitrária 
Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a 
pretexto de exercê-la: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da 
pena correspondente à violência. 
 
Abandono de função 
Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos 
permitidos em lei: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de 
fronteira: 
Pena - detenção, de um a três anos, e multa. 
 
Exercício funcional ilegalmente antecipado ou 
prolongado 
Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de 
satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, 
sem autorização, depois de saber oficialmente que foi 
exonerado, removido, substituído ou suspenso: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
 
Violação de sigilo funcional 
Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do 
cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe 
a revelação: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se 
o fato não constitui crime mais grave. 
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: 
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e 
empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso 
de pessoas não autorizadas a sistemas de informações 
ou banco de dados da Administração Pública; 
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. 
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração 
Pública ou a outrem: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 
Violação do sigilo de proposta de concorrência 
Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência 
pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-
lo: 
Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 
Funcionário público 
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os 
efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem 
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce 
cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e 
quem trabalha para empresa prestadora de serviço 
contratada ou conveniada para a execução de atividade 
típica da Administração Pública. 
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os 
autores dos crimes previstos neste Capítulo forem 
ocupantes de cargos em comissão ou de função de 
direção ou assessoramento de órgão da administração 
direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou 
fundação instituída pelo poder público. 
 
O parágrafo primeiro dispõe quem são os funcionários públicos, por 
equiparação. São eles: quem exerce cargo, emprego ou função em entidade 
paraestatal e quem trabalha para empresa, prestadora de serviço, contratada 
ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. 
Entidade paraestatal é entendida, majoritariamente, como a administração 
indireta – autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista e 
fundação pública. 
• Síndico da massa falida, inventariante, curador e tutor, não são 
funcionários públicos. 
• Funcionário de cartório é funcionário público. 
• Funcionário do Banco do Brasil é funcionário público, pois o Banco do 
Brasil é uma sociedade de economia mista. 
• Funcionário dos Correios é funcionário público, pois o Correio é uma 
empresa pública. 
 
Causas de Aumento de Pena – Artigo 327, § 2.º, do Código Penal: 
Segundo o artigo 327, § 2.º, do Código Penal as causas de aumento da pena 
decorrem quando o autor do crime exerce: 
• Cargo em comissão (cargo de confiança); 
• Cargo de direção ou assessoramento de órgãos da administração direta, 
sociedade de economia mista, empresa pública e fundação instituída pelo 
Poder Público. 
 
Concurso de Agentes: Um particular pode responder por peculato em 
concurso de agentes com um funcionário público. O particular deve ter 
consciência e vontade (dolo) em relação ao agente do tipo, ou seja, deve saber 
que esse possui a condição de funcionário público. Caso contrário, transforma-
se em responsabilidade objetiva, o que é proibido. Se o particular não souber 
que o outro é funcionário público, responderá por outro crime. Exemplo: furto. 
 
 
12.2 DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A 
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
 
 
CAPÍTULO II 
DOS CRIMES PRATICADOS POR 
PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM 
GERAL 
 
Usurpação de função pública 
Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. 
Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. 
 
O nome deste crime deriva de USURPARE, que significa apossar-se sem ter 
direito, fazer-se passar por funcionário. A punição dá-se quando alguém toma 
para si, indevidamente, uma função pública alheia, praticando algum ato 
correspondente. A função usurpada tem que ser absolutamente estranha ao 
funcionário público. 
OBJETO JURÍDICO: O bom andamento da Administração Pública, em 
especial os princípios da probidade e da moralidade administrativa. 
FUNÇÃO PÚBLICA: É necessário que a função exista. Não se pode usurpar 
uma função que não existe. Função é a atribuição ou conjunto de atribuições 
atinentes à execução de serviços públicos. Todo cargo tem função, mas nem 
toda função corresponde a um cargo, como ocorre, por exemplo, na função de 
jurado. 
 
Resistência 
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante 
violência ou ameaça a funcionário competente para 
executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: 
Pena - detenção, de dois meses a dois anos. 
§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa: 
Pena - reclusão, de um a três anos. 
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo 
das correspondentes à violência. 
 
Resistir tem o condão de opor-se, de não ceder, de recusar-se, tem sentido 
de oposição, seja pela força ou pela violência, seja, ainda, pela omissão ou 
pela inércia. 
O tipo penal em comento tem como principal objetivo proteger o poder 
estatal e, sendo assim, busca resguardar a autoridade da administração 
pública, bem como sua liberdade na execução de suas atividades por meio de 
seus funcionários. 
Por tratar-se de crime comum, qualquer pessoa poderá cometê-lo, desde 
que se oponha ao cumprimento de ato legal por autoridade competente para 
tanto. Serão sujeitos passivos, o Estado, o funcionário que foi impedido de 
cumprir tal ato e, inclusive, a pessoa que esteja, eventualmente, auxiliando o 
funcionário na execução de atos legais. 
É fundamental reforçar a informação de que para que o delito se caracterize, 
essencial que o funcionário seja competente para executar, de ofício, o ato 
legal, bem como que tal ato seja praticado no exercício das funções e que, 
nesse momento, o agente se insurja à execução do ato. 
 O cerne do artigo é a oposição do sujeito à execução do ato legal por 
funcionário competente. Observa-se, aqui, que é necessário que a oposição do 
sujeito se manifeste por meio de ameaça ou violência física, em face do 
funcionário ou da pessoa que o auxilia, no exato momento em que o ato esteja 
sendo praticado, de modo, portanto, que se a oposição for exercida em 
momento anterior ou posterior à prática do ato pelo funcionário público, não 
constitui crime de resistência. 
 Para que o sujeito seja enquadrado no crime em tela, necessário que haja 
com dolo, ou seja, com vontade livre e consciente de executar a ação, sendo 
que se houver erro quanto a legalidade
do ato, haverá, também, a exclusão do 
dolo. 
 
 
Desobediência 
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário 
público: 
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. 
 
O crime em tela consubstancia-se pelo fato do agente desobedecer a ordem 
legal de funcionário público. Todavia, há de se observar que o ato de 
desobedecer consiste em não acatar, não cumprir, não se submeter à ordem 
de funcionário público, investido de autoridade para imposição de ordem. 
O tipo penal objetiva manter a obediência das ordens emanadas do 
funcionário público no cumprimento de suas funções. 
 O sujeito ativo do crime de desobediência poderá ser qualquer pessoa 
inclusive o próprio funcionário público que venha a agir como particular, ou 
seja, que não esteja no exercício de sua função e venha a desobedecer ordem 
de funcionário público. Vale-nos consignar que, de acordo com entendimentos 
jurisprudenciais, não incorrerá no referido crime o agente, funcionário público, 
que vier a desobedecer ordem de outro funcionário público, quando ambos se 
encontrarem no regular exercício de suas funções. O sujeito passivo é o 
Estado. 
O ato de desobedecer, tem o sentido de não cumprir, faltar à obediência, 
não atender a ordem legal de funcionário público, ordem esta para que o 
agente realize ou deixe de praticar determinada ação. 
É indispensável para a caracterização do delito que o agente receba, do 
funcionário público, um mandamento, uma ordem, não bastando portanto que 
seja um pedido ou uma solicitação, sendo esta dirigida direta e expressamente 
ao agente. Outrossim, indispensável que a ordem esteja investida de 
legalidade pois caso não esteja, não há que se falar em desobediência. 
 A desobediência, via de regra, ocorre de forma dolosa, intencional, ou seja, 
o agente imputa sua vontade livre e consciente em desobedecer a ordem 
recebida do funcionário público, porém o erro ou o motivo de força maior exclui 
o caráter doloso. Não há forma culposa do delito. 
 
Desacato 
Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da 
função ou em razão dela: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
 
Desacato é a conduta pela qual determinada pessoa desrespeita, não adota, 
deixa de reverenciar funcionário público no exercício de sua função. Assim, 
comete o crime de desacato não somente o ato de irreverência ou desrespeito, 
como também a ofensa, moral ou física, lançada contra pessoa investida de 
autoridade. 
Conforme a redação do artigo 331, observa-se indispensável que o desacato 
seja contra funcionário público, no exercício de sua função ou em razão dela, 
tendo o delito como objetividade jurídica, manter o prestigio, o respeito da 
administração pública exercido por seu agente público. 
O sujeito ativo do crime de desacato poderá ser qualquer pessoa que vier a 
desacatar funcionário público, inclusive o próprio funcionário público, pois como 
dito, a objetividade jurídica do crime é manter o respeito, o decoro, da 
administração pública. Assim o sujeito passivo do delito é o Estado, bem como 
seu funcionário. 
O crime em tela traz em seu cerne o sentido de vexar, afrontar, ofender, 
desrespeitar o funcionário público, desferindo-lhe palavras injuriosas, 
desrespeitosas, caluniosas, difamatórias bem como ameaças, gestos e 
agressão física. 
 
Tráfico de Influência 
Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para 
outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto 
de influir em ato praticado por funcionário público no 
exercício da função: 
 Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o 
agente alega ou insinua que a vantagem é também 
destinada ao funcionário. 
 
O crime em tela tem como objetividade jurídica zelar pelo prestígio da 
administração pública contra aquele que se utiliza da influência junto a 
funcionário público. 
O sujeito ativo do crime de Tráfico de Influência poderá ser qualquer pessoa 
que vier a solicitar, exigir, cobrar ou obter vantagem ou promessa dela, para si 
ou para outrem, se gabando de ter influenciado, persuadido o funcionário 
público. A figura do sujeito passivo do delito será o Estado, desprestigiado pelo 
particular em razão da pratica de umas das condutas típicas do crime. 
Para a configuração do delito torna-se indispensável a prova de que o 
agente, efetivamente, alardeou o prestígio junto a funcionário público caso 
contrário não haverá a consumação do delito. 
Importante se faz consignar que se o agente vier a tirar proveito da 
influência, utilizando-se no todo ou em parte de seu resultado, incorrerá no 
crime de corrupção ativa, logo não responderá pelo crime aqui tratado. 
O crime exerce a modalidade dolosa uma vez que o agente emprega 
vontade livre na pratica uma das condutas descritas no dispositivo, mesmo que 
não tenha consciência de desprestigiar a administração pública. 
Sua consumação se dará de imediato com o ato de solicitar, exigir, cobrar ou 
obter a vantagem pretendida. Nota-se que, como dito anteriormente, se o 
agente vier a obter a vantagem responderá pelo delito de corrupção ativa. 
 
Corrupção ativa 
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a 
funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou 
retardar ato de ofício: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, 
em razão da vantagem ou promessa, o funcionário 
retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo 
dever funcional. 
 
O objeto jurídico protegido nesse tipo penal é a probidade da administração, 
e tenta-se evitar que uma ação externa corrompa a administração pública 
através de seus funcionários. 
Diferentemente da corrupção passiva, que só pode ser praticada por 
funcionário público, na corrupção ativa o crime pode ser praticado por qualquer 
sujeito, até mesmo um funcionário público que não esteja no exercício de suas 
funções. 
Portanto o sujeito ativo da corrupção ativa pode ser qualquer pessoa. Neste 
crime quem é atingido pela sua prática é o Estado, sendo portanto este o 
sujeito passivo do delito. 
O tipo objetivo prevê que deve “oferecer ou prometer vantagem indevida” 
esse oferecimento configura-se tanto para aquele que verbalmente e 
pessoalmente o pratica ou para aquele que envia por carta ou deixa um 
dinheiro sobre a mesa. Para configurar o crime de corrupção ativa deve a 
oferta ou promessa levar o funcionário a deixar de praticar, retardar ou 
executar ato de ofício. 
 
Contrabando ou descaminho 
Art. 334 Importar ou exportar mercadoria proibida ou 
iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou 
imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo 
de mercadoria: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
§ 1º - Incorre na mesma pena quem: 
a) pratica navegação de cabotagem, fora dos casos 
permitidos em lei; 
b) pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando 
ou descaminho; 
c) vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de 
qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no 
exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria 
de procedência estrangeira que introduziu 
clandestinamente no País ou importou fraudulentamente 
ou que sabe ser produto de introdução clandestina no 
território nacional ou de importação fraudulenta por parte 
de outrem; 
d) adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou 
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, 
mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada 
de documentação legal, ou acompanhada de documentos 
que sabe serem falsos. 
§ 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os 
efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular 
ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o 
exercido em residências.
§ 3º - A pena aplica-se em dobro, se o crime de 
contrabando ou descaminho é praticado em transporte 
aéreo. 
 
Entende-se como contrabando o comércio feito contrariamente a lei, 
incluindo-se tanto o comércio de introdução de mercadoria no país 
(importação), como a remessa dessas para o exterior (exportação). Tais 
operações são atos fraudulentos que visam o transporte de mercadorias tidas 
como proibidas, assim definidas por lei. 
Já o descaminho é o desvio de mercadorias com a intenção de fraudar o 
fisco. Aqui se trata de sonegação de impostos na entrada ou na saída de 
mercadoria do país. 
Observa-se, claramente, a distinção entre contrabando e descaminho, sendo 
que este se dá com intenção de burlar o fisco, negando-lhe o pagamento dos 
impostos devidos, importando ou exportando mercadorias legais, ou seja, 
permitidas por lei, enquanto naquele, como já mencionado, as mercadorias 
transportadas são ilegais. 
Tem-se que a objetividade jurídica é a tutela do erário público, de maneira 
que o tipo penal visa proteger os interesses da administração e da Fazenda 
Pública, no sentido de que tais órgãos não sejam financeiramente lesados. 
O contrabando ou descaminho é crime comum, podendo ser praticado por 
qualquer pessoa. Se houver participação de funcionário público, com 
transgressão de dever funcional, incorrerá este no crime de facilitação de 
contrabando ou descaminho, nos termos no artigo 318 do código penal. 
O sujeito passivo do delito é o Estado, quando prejudicado em seus direitos 
e em sua arrecadação de impostos. 
 
 
Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência 
Art. 335 - Impedir, perturbar ou fraudar concorrência 
pública ou venda em hasta pública, promovida pela 
administração federal, estadual ou municipal, ou por 
entidade paraestatal; afastar ou procurar afastar 
concorrente ou licitante, por meio de violência, grave 
ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, 
além da pena correspondente à violência. 
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se 
abstém de concorrer ou licitar, em razão da vantagem 
oferecida. 
 
Inutilização de edital ou de sinal 
Art. 336 - Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou 
conspurcar edital afixado por ordem de funcionário 
público; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por 
determinação legal ou por ordem de funcionário público, 
para identificar ou cerrar qualquer objeto: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. 
 
Edital, derivado de edictus, de edictare (publicar,anunciar, intimar), vem 
justamente indicar o ato pelo qual se faz publicar pela imprensa, ou nos lugares 
públicos, certa notícia, fato ou ordenança, que deva ser divulgada ou difundida, 
para conhecimento das próprias pessoas nele mencionadas, como de quantas 
outras possam ter interesse no assunto, que nele se contém, de que são 
exemplos o edital de casamento, de citação, de praça, de concurso e de 
concorrência. 
Sinal (ou selo) pode ser qualquer material, mas deve trazer a assinatura ou 
símbolo (carimbo) de autoridade. Encontram-se elencados no rol de sinais o 
lacre, arame, chumbo, papel, pano e demais objetos rubricados ou assinados 
por autoridade, cujo objetivo é preservar, cerrar ou manter a inviolabilidade da 
coisa. 
Assim sendo, Edital e Sinal tratam-se de uma espécie de ordem ou 
determinação oficial para conhecimento de todos e afixados em locais públicos 
ou não, e sua inutilizarão ou conspurcação constitui crime, conforme dispõe o 
artigo 336 do código penal. 
 
Subtração ou inutilização de livro ou documento 
Art. 337 - Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro 
oficial, processo ou documento confiado à custódia de 
funcionário, em razão de ofício, ou de particular em 
serviço público: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não 
constitui crime mais grave. 
 
Sonegação de contribuição previdenciária 
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social 
previdenciária e qualquer acessório, mediante as 
seguintes condutas: 
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de 
documento de informações previsto pela legislação 
previdenciária segurados empregado, empresário, 
trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este 
equiparado que lhe prestem serviços; 
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da 
contabilidade da empresa as quantias descontadas dos 
segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo 
tomador de serviços; 
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros 
auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais 
fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
§ 1o É extinta a punibilidade se o agente, 
espontaneamente, declara e confessa as contribuições, 
importâncias ou valores e presta as informações devidas 
à previdência social, na forma definida em lei ou 
regulamento, antes do início da ação fiscal. 
§ 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar 
somente a de multa se o agente for primário e de bons 
antecedentes, desde que: 
I – (VETADO) 
II – o valor das contribuições devidas, inclusive 
acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela 
previdência social, administrativamente, como sendo o 
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. 
§ 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha 
de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um 
mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena 
de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. 
§ 4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será 
reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do 
reajuste dos benefícios da previdência social. 
 
A conduta de sonegação consiste em empregadores omitirem de sua folha 
de pagamento informações previstas na legislação previdenciária, deixar de 
lançar mensalmente nos títulos próprios de sua contabilidade e omitir, total ou 
parcialmente, receitas ou lucros auferidos. 
Cumpre-nos destacar que a conduta descrita no inciso I do artigo em tela, 
consiste em omitir em folha de pagamento, segurados e demais que prestam 
serviços ao empregador, ou seja, deixar de informar o empregado, empresário 
etc. 
Já o Inciso II a prática delituosa refere-se em deixar de lançar mensalmente 
nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas 
destes segurados, ou as devidas pelo empregador ou tomador de serviços. 
Nesta conduta deixam de serem lançados quantias descontas, diferente da 
conduta do inciso I onde percebe-se a ação em não lançar o empregado. 
No que se refere ao disposto no inciso III, percebe-se claramente a distinção 
entre as duas praticas citadas no inciso I e II, onde o agente omite, total ou 
parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações ou creditadas e 
demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias. 
O sujeito ativo do crime aqui tratado é o responsável legal pela empresa, 
seus sócios, diretores, gerentes e demais responsáveis pelo lançamento nas 
folhas de pagamento e documentos de informação à previdência social. 
O sujeito passivo do crime sempre será a previdência social, prejudicada 
por uma ou mais ações praticadas pelo sujeito ativo. 
A pratica do crime se dá na modalidade dolosa uma vez o agente exerce 
vontade livre e consciente em suprimir ou reduzir contribuição destinada a 
previdência. 
 Vale-nos consignar que por contribuição destinada á previdência podemos 
entender aquelas consideradas incidentes da referida verba, ou seja, salários, 
13º Salário, férias, horas extras, adicionais de insalubridade ou periculosidade, 
adicional noturno dentre outras. 
 
CAPÍTULO II-A 
DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR 
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
ESTRANGEIRA 
 
Corrupção ativa em transação comercial
internacional 
Art. 337-B. Prometer, oferecer ou dar, direta ou 
indiretamente, vantagem indevida a funcionário público 
estrangeiro, ou a terceira pessoa, para determiná-lo a 
praticar, omitir ou retardar ato de ofício relacionado à 
transação comercial internacional: 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço), 
se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário 
público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício, ou o 
pratica infringindo dever funcional. 
 
Tráfico de influência em transação comercial 
internacional 
Art. 337-C. Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou 
para outrem, direta ou indiretamente, vantagem ou 
promessa de vantagem a pretexto de influir em ato 
praticado por funcionário público estrangeiro no exercício 
de suas funções, relacionado a transação comercial 
internacional: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se o 
agente alega ou insinua que a vantagem é também 
destinada a funcionário estrangeiro. 
 
Funcionário público estrangeiro 
Art. 337-D. Considera-se funcionário público estrangeiro, 
para os efeitos penais, quem, ainda que transitoriamente 
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função 
pública em entidades estatais ou em representações 
diplomáticas de país estrangeiro. 
Parágrafo único. Equipara-se a funcionário público 
estrangeiro quem exerce cargo, emprego ou função em 
empresas controladas, diretamente ou indiretamente, pelo 
Poder Público de país estrangeiro ou em organizações 
públicas internacionais. 
 
 
12.3 DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA 
 
A administração da justiça, a distribuição da justiça, a atuação do Poder 
Judiciário, bem a si dos órgãos indispensáveis a sua atividade, como a das 
autoridades policiais do Ministério Público, da Advocacia e de todos os 
operadores do Direito, é bem jurídico importantíssimo e deve estar, também, ao 
amparo do Direito Penal contra ações que se voltem contra a sua regularidade 
e o respeito que todos a ela dedicam. Por isso, o Código Penal, dedicou o 
capítulo 3 do Título XI, aos crimes contra a administração da justiça. 
 
CAPÍTULO III 
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA 
 
Reingresso de estrangeiro expulso 
Art. 338 - Reingressar no território nacional o estrangeiro 
que dele foi expulso: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, sem prejuízo de 
nova expulsão após o cumprimento da pena. 
 
Denunciação caluniosa 
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, 
de processo judicial, instauração de investigação 
administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade 
administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que 
o sabe inocente: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. 
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se 
serve de anonimato ou de nome suposto. 
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de 
prática de contravenção. 
 
O delito de denunciação caluniosa objetiva a proteção da administração da 
justiça. 
 
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa, inclusive delegado, promotor, juiz etc. Se o 
crime for de ação penal privada ou de ação penal condicionada à 
representação, quem pode dar causa à instauração é a vítima ou seu 
representante legal. 
 
Sujeito Passivo: O Estado. O sujeito passivo secundário é aquele a quem 
se atribuiu falsamente a prática do delito. 
 
Elementos Objetivos do Tipo: Dar causa: originar, causar, provocar. Pode 
ser praticado por qualquer meio, pois é crime de forma livre. A denunciação 
caluniosa pode ser direta ou indireta. 
� Direta: quando o próprio agente dá causa (de forma verbal ou escrita). 
� Indireta: quando o agente faz com que a notícia chegue à autoridade por 
qualquer meio (telefonema anônimo, carta anônima, encenação. Por exemplo, 
colocar um objeto na bolsa de alguém). 
 
A pena aumenta em um sexto se o autor servir-se de anonimato ou nome 
falso (art. 339, § 1.º, do CP). 
• Contra alguém: o crime de denunciação caluniosa exige que a 
imputação seja feita contra alguém, ou seja, contra pessoa determinada. 
• Comunicação falsa de crime: a pessoa inventa um crime, mas não faz 
imputação a ninguém. Ex.: homem que bateu o próprio carro para receber o 
seguro e disse que foi vítima. 
 
Consumação: Consuma-se o delito quando iniciada a investigação ou o 
processo. Não basta a notícia. 
 
Diferença Entre Denunciação Caluniosa e Calúnia: Calúnia (art. 138 do 
CP) é a imputação falsa de um crime. Denunciação caluniosa é a imputação de 
um crime ou de uma contravenção, que deve dar causa à instauração de 
investigação ou processo. Na calúnia a intenção do agente é ofender a honra. 
Na denunciação caluniosa a intenção do agente é instaurar o procedimento. Os 
dois crimes não irão existir conjuntamente: ou ocorrerá calúnia ou denunciação 
caluniosa, dependendo da intenção do agente. 
 
Comunicação falsa de crime ou de contravenção 
Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-
lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe 
não se ter verificado: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
 
A diferença entre denunciação caluniosa e comunicação falsa de crime é 
que na denunciação caluniosa há imputação de crime a alguém, e na 
comunicação falsa não há imputação a alguém, apenas se comunica um fato. 
Exemplo de comunicação falsa: “fui furtado”. 
Exemplo de denunciação caluniosa: “João me furtou”. 
 
Objetividade Jurídica: Resguardar a Administração Pública, a 
administração da justiça. 
 
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa. 
 
Sujeito Passivo: O Estado, visto como Administração Pública. 
 
Elementos Objetivos do Tipo: 
• Provocar: dar causa, originar, ocasionar. 
• Ação da autoridade: investigação. Não basta a lavratura do Boletim de 
Ocorrência, devendo ser iniciada uma investigação. 
• Autoridade: delegado, juiz, promotor, policial etc. O conceito é bem 
amplo. O crime é livre, podendo ser cometido por escrito, verbalmente, por 
interposta pessoa etc. 
 
Elemento Subjetivo do Tipo: Dolo direto, pois a lei exclui o dolo eventual 
ao usar o termo “que Sabe”. 
 
Consumação: Com o início da investigação. Se apenas for lavrado o 
Boletim de Ocorrência, o crime foi tentado. 
 
Auto-acusação falsa 
Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime 
inexistente ou praticado por outrem: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa. 
 
Objetividade Jurídica: A administração da justiça. 
 
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa. 
 
Sujeito Passivo: O Estado, a coletividade. 
 
Elementos Objetivos do Tipo: O núcleo é acusar-se, ou seja, apontar a 
sim mesmo como autor do crime. A auto-acusação falsa não é um crime de 
mão-própria; tem forma livre. Não precisa de espontaneidade, basta que exista 
o dolo. O tipo refere-se à autoridade no sentido amplo, ou seja, juiz, promotor, 
delegado, policial etc. É necessário que a auto-acusação seja de crime, pois se 
for de contravenção o fato é atípico. 
 
Elemento Subjetivo do Tipo: Basta o dolo. 
 
Consumação: O crime consuma-se no momento em que a auto-acusação 
chegar ao conhecimento da autoridade. Observação: Na denunciação 
caluniosa não basta a comunicação; deve ser iniciada a investigação. 
 
Falso testemunho ou falsa perícia 
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a 
verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou 
intérprete em processo judicial, ou administrativo, 
inquérito policial, ou em juízo arbitral: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
§ 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o 
crime é praticado mediante suborno ou se cometido com 
o fim de obter prova destinada a produzir efeito em 
processo penal, ou em processo civil em que for parte 
entidade da administração pública direta
ou indireta. 
 § 2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no 
processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou 
declara a verdade. 
 
Objetividade Jurídica: A administração da justiça. 
 
Sujeito Ativo: A testemunha, o perito, o tradutor e o intérprete. Trata-se de 
crime próprio. Se a vítima mentir, não pratica o crime, assim como as partes 
também não praticam o falso testemunho. A mera contradição entre 
depoimentos não configura crime de falso testemunho. 
 
Perito: Pessoa que possui conhecimentos técnicos para, após exame, emitir 
parecer a respeito de questões relativas aos seus conhecimentos. O tradutor e 
o intérprete também são peritos. Tradutor é aquele que verte, ou seja, traduz 
para o idioma nacional texto em língua estrangeira. Intérprete é aquele 
encarregado de fazer com que se entendam, quando necessário, a autoridade 
e alguma pessoa que não conhece o idioma nacional ou que está 
impossibilitada de falar. O tradutor e o intérprete diferenciam-se do perito 
comum, porque não são fontes de prova, limitando-se a fazer compreender o 
conteúdo de elementos produzidos para instrução e decisão do processo em 
causa. 
 
Sujeito Passivo: O Estado e, secundariamente, aquele a quem o falso 
possa prejudicar. 
 
Elementos Objetivos do Tipo: Fazer afirmação falsa: dizer, afirmar o que 
não corresponde com a verdade. Negar a verdade: dizer que não sabe o que 
sabe, dizer que não viu o que viu etc. Calar a verdade: silenciar a respeito do 
que sabe. O silêncio por si só, nesse caso, é crime. 
 
Elemento Subjetivo do Tipo: Basta o dolo. Não há necessidade de 
intenção especial. 
 
Consumação: Com o encerramento do depoimento, ou seja, com a 
assinatura da testemunha. No crime de falsa perícia, a consumação se dá com 
a entrega da perícia para ser anexada aos autos (não com a juntada). 
 
Falso Testemunho Qualificado – Artigo 342, § 1.º: O falso testemunho 
qualificado ocorre quando a finalidade do delito for obter prova destinada a 
produzir efeitos no processo penal. A prova não precisa ser feita no processo 
penal, basta a finalidade. Aqui há dolo específico (elemento subjetivo do tipo). 
 
Causa de aumento de pena – Artigo 342, § 2.º: A pena é aumentada em 
1/3 se o crime é praticado mediante suborno. Tanto faz se houve pagamento 
ou promessa de pagamento. Aquele que suborna responde pelo crime do 
artigo 343. 
 
Retratação – Artigo 342, § 3.º: O fato deixa de ser punível se, antes de a 
sentença ser proferida (no processo em que o crime de falso testemunho foi 
praticado), o agente se retratar. Retratação: desdizer, retirar o que disse. Mas 
isso não basta, pois o agente tem que restaurar a verdade. É causa de 
extinção da punibilidade (art. 107, inc. VI, do CP). 
 
 Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer 
outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor 
ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a 
verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou 
interpretação: 
Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa. 
Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a 
um terço, se o crime é cometido com o fim de obter prova 
destinada a produzir efeito em processo penal ou em 
processo civil em que for parte entidade da administração 
pública direta ou indireta. 
 
Coação no curso do processo 
Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim 
de favorecer interesse próprio ou alheio, contra 
autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona 
ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou 
administrativo, ou em juízo arbitral: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da 
pena correspondente à violência. 
 
Objetividade Jurídica: A administração da justiça. 
 
Sujeito Ativo: O indivíduo contra quem foi instaurado o procedimento ou 
terceiro que vise o benefício daquele. 
 
Sujeito Passivo: O Estado e, em segundo plano, aquele que sofre a 
coação. Cabe ressaltar que, apesar do nome “coação no curso do processo”, o 
crime também estará configurado se a violência ou grave ameaça for utilizada 
no curso do inquérito policial, de procedimento administrativo ou de 
procedimento em juízo arbitral. 
 
Elemento Subjetivo do Tipo: O dolo de favorecer interesse próprio ou 
alheio. 
 
Consumação: O delito se consuma no momento do emprego da violência 
ou grave ameaça, independentemente do êxito, do fim visado pelo agente. 
Trata-se de crime formal. 
 
Tentativa: É possível. 
 
 
Exercício arbitrário das próprias razões 
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para 
satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei 
o permite: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, 
além da pena correspondente à violência. 
Parágrafo único - Se não há emprego de violência, 
somente se procede mediante queixa. 
 
Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa 
própria, que se acha em poder de terceiro por 
determinação judicial ou convenção: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 
 
O que se pune é a conduta tendente à satisfação de pretensão, no sentido 
técnico, ou seja, direito que o agente supõe ter e que pode ser levado a Juízo. 
A pretensão pode ser legítima ou não, é irrelevante. 
Fazer justiça com as próprias mãos é conduta de forma livre. Se o delito for 
praticado com violência, haverá concurso material de crimes. 
Se não houver emprego de violência, a ação será privada (mediante queixa). 
 
 
Fraude processual 
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de 
processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de 
coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o 
perito: 
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. 
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir 
efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as 
penas aplicam-se em dobro. 
 
O código penal brasileiro prevê em seu artigo 347 o crime de fraude 
processual. O referido dispositivo pressupõe que, na pendência da lide, o 
agente inove artificiosamente o estado do lugar, da coisa ou da pessoa, com o 
fito de induzir em erro o juiz ou o perito. 
O pressuposto para a tipificação do delito é a pendência de processo cível 
ou administrativo, ou seja, processo em trâmite, pois, se a inovação se fizer no 
âmbito do processo penal, não será exigível a pendência, incorrendo em crime 
o agente que inove, de forma artificiosa, o estado de lugar, de coisa ou de 
pessoa, mesmo que o processo ainda não tenha sido instaurado. 
Em se tratando de processo civil ou administrativo somente incorrerá em 
crime o agente que venha a inovar, mudar, alterar o lugar, coisa ou pessoa no 
curso de um processo, sendo que na esfera criminal o agente já estará incurso 
em crime de fraude processual quando praticar quaisquer daquelas condutas 
que possam induzir o juiz ou o perito mesmo antes de iniciada a ação penal. 
Não incorrerá no crime aqui tratado o agente que, mesmo intencionalmente, 
corta ou deixa crescer seus cabelos, extrai seu bigode, passa a usar óculos ou 
pratica qualquer ato similar com o intuito de não ser reconhecido onde, 
portanto, tais condutas não configuram o tipo penal, ou seja, a inovação 
artificiosa. 
 
Favorecimento pessoal 
Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade 
pública autor de crime a que é cominada pena de 
reclusão: 
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. 
§ 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão: 
Pena - detenção, de quinze dias a três meses, e multa. 
§ 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, 
descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento 
de pena. 
 
Favorecimento real 
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-
autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar 
seguro o proveito do crime: 
Pena - detenção,
de um a seis meses, e multa. 
 
Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou 
facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação 
móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em 
estabelecimento prisional. 
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. (Incluído 
pela Lei nº 12.012, de 2009). 
 
No artigo 349 do código penal encontra-se previsto o crime de favorecimento 
real, que consiste na ação do agente em auxiliar o criminoso, colocando fora de 
perigo o proveito daquele crime. 
Importante se faz mencionar a distinção entre o crime de receptação (art. 
180 do CP) do delito aqui tratado. No crime de receptação o agente se utiliza 
do produto do crime alheio em interesse próprio, ou seja, exerce interesse 
econômico em seu favor ou de terceiro, já no favorecimento real a conduta é 
tornar seguro, por a salvo a vantagem obtida pelo criminoso. Por co-autoria, 
entende-se a execução conjunta do crime. 
Visa, o tipo penal, conservar a regularidade da administração, no sentido de 
obstaculizar qualquer auxilio ao criminoso em relação a “res furtivae” e, da 
mesma maneira, objetiva proteger o patrimônio da vítima do crime anterior a 
esse. 
Por tratar-se de crime comum, qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do 
delito, sendo sujeitos passivos o Estado, bem como a pessoa prejudicada com 
a subtração. 
Vale-nos consignar que por “proveito do crime” devemos entender qualquer 
vantagem, material ou imaterial. A título de exemplo podemos citar como 
vantagem material a posse do objeto furtado anteriormente, e imaterial o valor 
pago pela pratica, ou seja, a coisa (dinheiro) que veio a substituir o objeto do 
material do crime. 
É importante também distinguir o crime em estudo do crime denominado 
favorecimento pessoal. É que no primeiro caso, o que se quer assegurar é o 
proveito de um crime anterior (objeto material ou imaterial) e, no segundo 
crime, o que se pretende garantir é a fuga do autor. 
 
Exercício arbitrário ou abuso de poder 
Art. 350 - Ordenar ou executar medida privativa de 
liberdade individual, sem as formalidades legais ou com 
abuso de poder: 
Pena - detenção, de um mês a um ano. 
Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcionário 
que: 
I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a 
estabelecimento destinado a execução de pena privativa 
de liberdade ou de medida de segurança; 
II - prolonga a execução de pena ou de medida de 
segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de 
executar imediatamente a ordem de liberdade; 
III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia 
a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei; 
IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência. 
 
Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de 
segurança 
Art. 351 - Promover ou facilitar a fuga de pessoa 
legalmente presa ou submetida a medida de segurança 
detentiva: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
§ 1º - Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais 
de uma pessoa, ou mediante arrombamento, a pena é de 
reclusão, de dois a seis anos. 
§ 2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-
se também a pena correspondente à violência. 
§ 3º - A pena é de reclusão, de um a quatro anos, se o 
crime é praticado por pessoa sob cuja custódia ou guarda 
está o preso ou o internado. 
§ 4º - No caso de culpa do funcionário incumbido da 
custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, de três 
meses a um ano, ou multa. 
 
Evasão mediante violência contra a pessoa 
Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o 
indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, 
usando de violência contra a pessoa: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena 
correspondente à violência. 
 
Evadir é o ato pelo qual determinada pessoa, presa ou submetida a medida 
de segurança detentiva, foge, escapa da prisão ou do lugar em que fora 
recolhido. O Código Penal brasileiro, em seu artigo 352, imputa o crime de 
evasão somente ao sujeito que, evadindo-se ou tentando evadir-se, vier a 
praticar violência física contra outrem. 
Observar-se que o tipo penal apenas imputa a conduta criminosa ao agente 
caso este, evadindo-se ou tentando evadir-se, empregue violência física contra 
pessoa, caso contrário estará o Estado impedido de puni-lo pela simples fuga 
ou sua tentativa. Não estará o preso isento de medidas disciplinares caso tente 
ou incorra em evasão, sendo que tal conduta lhe será prejudicial quando da 
pretensão de alguns benefícios da lei. 
Vale-nos explicitar que a evasão, ou sua tentativa, pode se dar de qualquer 
lugar onde o sujeito tiver sua liberdade cerceada, ou seja, presídio, internato, 
edifício, delegacia, viatura de polícia e demais locais. 
No crime de evasão mediante violência contra a pessoa objetiva-se a regular 
administração da justiça onde o Estado, em seus apropriados 
estabelecimentos, tem o dever em manter o preso ou o internado privado de 
sua liberdade. O delito tem como sujeito ativo a pessoa presa ou internada, 
figurando no pólo passivo o Estado, bem como a pessoa que for vítima de 
agressão física pelo agente. 
Fundamental que o agente aja com dolo, consciente de que pretende evadir-
se de prisão legalmente decretada, utilizando-se de violência física contra 
outrem. A ação penal é pública incondicionada. 
 
 
Arrebatamento de preso 
Art. 353 - Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder 
de quem o tenha sob custódia ou guarda: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, além da pena 
correspondente à violência. 
 
 O verbo arrebatar significa a ação pela qual se retira, arranca determinada 
coisa de seu lugar ou da posse de quem a detém, impelindo-a ou usando da 
força com o propósito de apoderação. O ato de arrebatar também se dá em 
relação à pessoa quando esta é retirada, arrancada a força da custódia de 
quem a detém. 
Em matéria de direito penal, o artigo 353 do CP contempla o crime de 
arrebatamento de preso, cujo ato consiste em retirar o apenado da custódia do 
Estado, submetendo-o a violência e maus tratos. 
O tipo penal trás, para a configuração do delito, que o arrebatamento do 
preso se dê com o objetivo de maltratá-lo onde se torna indispensável o 
emprego da violência, ou até mesmo ameaça, pois ocorrendo a simples 
subtração, mesmo que haja a intenção de maltratá-lo, não se consumará o 
delito cabendo ao arrebatador responder por sua tentativa. 
Embora o tipo penal não mencione o local onde deva estar custodiado o 
preso, vale-nos mencionar que o arrebatamento poderá se dar em uma 
delegacia, num presídio, viatura de polícia ou qualquer outro local onde esteja 
o preso, não importando também se sua prisão foi ou não investida de 
legalidade. 
Nota-se na redação do artigo aqui tratado que somente o preso arrebatado 
figurará como sujeito passivo do crime, portanto exclui-se a figura de pessoa 
submetida a medida de segurança, como, por exemplo, no caso de menores de 
idade. 
O sujeito ativo do crime será qualquer pessoa que vier a arrebatar o preso, 
desde que o maltrate, figurando no pólo passivo, além do preso, o Estado. 
O agente, ao retirar o preso da custódia e guarda do Estado, com a 
finalidade de maltratá-lo, exerce vontade livre e consciente, portanto o crime é 
doloso onde não se admite a modalidade culposa. 
 
 Motim de presos 
Art. 354 - Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou 
disciplina da prisão: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da 
pena correspondente à violência. 
 
Entende-se por Motim de Presos a revolta coletiva de encarcerados com o 
propósito de afrontar a autoridade prisional causando desordem, dano ao 
patrimônio público, violência contra policias, agentes e outros funcionários, bem 
como aos outros detentos. 
Tem o dispositivo penal o propósito de manter a ordem e a disciplina

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