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PARTE I Reprodução AnatômicaFuncional CAPÍTULO 1 Anatomia da ReproduçãoMasculina E. S. E. HAFEZ As gônadasmasculinas'(testículos)situam-sefora do abdome,no escroto,umaestruturasemelhanteaumabolsa, derivadadapeleedafásciadaparedeabdominal.O testícu- lo localiza-sedentro do processovaginal, uma extensão separadadoperitôneo,o qualatravessaaparedeabdominal pelocanalinguinal.Os anéisinguinaisprofundose superfi- ciaissãoasaberturasprofundasesuperficiaisdocanalingui- nal.Os vasose osnervosalcançamostestículosno funícu- 10espermático,queseposicionadentrodoprocessovaginal; o duetodeferenteacompanhaosvasos,masseseparadelesno orifíciodo processovaginalparaseunir à uretra.Além de permitira passagemdoprocessovaginale deseuconteúdo, o canalinguinaltambémdápassagemavasose nervospara o suprimentodagenitáliaexterna. Os espermatozóidesdeixamo testículopelosdúctulos eferentese vãoemdireçãoao ductoespiraladodo epidídi- mo,quecontinuacomoductodeferente.As glândulasaces- sóriaseliminamseusconteúdosno ducto deferenteou na porçãopélvicadauretra. A uretrase origina no colo da bexiga.Em toda sua extensão,elaé rodeadapelotecidovascularcavernoso.Sua porçãopélvica,queé envolvidapelomúsculoestriadoure- trai e recebesecreçõesde váriasglândulas,leva à porção secundáriado pênisna saídapélvica.Nesselocal unem-se maisdoiscorposcavernososparaformaro corpodo pênis, quese localizaabaixoda peleda paredecorpórea.Alguns músculosagrupadosao redorda saídapélvicacontribuem paraa constituiçãodaraizdo pênis.O ápiceou partelivre do pênis é coberto por pele modificada- o tegumento peniano-, o restanteestáinclusono prepúcio.As caracte- rísticastopográficasdosórgãosde importantesespéciesde animaisdomésticosestãodemonstradasna Figura1-1. O testículoeo epidídimosãosupridospelaartériatesti- cular, que se origina da aorta dorsal, próxima ao sítio embrionáriodotestículo.A artériapudendainternasuprea genitáliapélvicae seusramospartemdo arcoisquiáticoda pelveparanutriro pênis.A artériapudendaexternadeixaa cavidadeabdominalvia canalinguinalparasupriro pênis,o escrotoe o prepúcio.A linfa do testículoe do epidídimoé drenadaparaos linfonodosaórtico lombares.A linfa das glândulasacessórias,da uretrae do pênisé drenadaparaos nodossacrale ilíaco medial.A linfado escroto,doprepúcio e dostecidosaoredordopênisédrenadaparaoslinfonodos inguinaissuperficiais. Nervosaferentese eferentes(simpáticos)acompanham a artériatesticularparaos testículos.O plexopélvicosupre as fibrasautônomas(simpáticase parassimpáticas)paraa genitáliapélvicae paraosmúsculoslisosdo pênis. Os ner- vossacraissupremasfibrasmotorasparaosmúsculosestria- dosdo pênise asfibrassensoriaisparaa partelivre dopênis. Fibrasaferentesdo escrotoe doprepúcioatravessamprinci- palmenteo nervogenitofemoral. DESENVOLVIMENTO DesenvolvimentoPré-natal O testículosedesenvolveno abdome,medialmenteao rim embrionário(mesonéfro).O plexodosductostesticula- res se desenvolveconectadoaos túbulosmesonéfricose, então, ao ducto mesonéfricopara formaro epidídimo,o ductodeferentee a glândulavesicular.A próstatae a glân- dula bulbouretralse formam a partir do seio urogenital embrionárioe o pênisforma-seda tubulaçãoe do alonga- mentodotubérculoquesedesenvolveapartirdoorifíciodo seiourogenital. Dois agentesproduzidosno testículofetalsãoresponsá- veispor suadiferenciaçãoe desenvolvimento(1). O andró- genofetaldeterminao desenvolvimentodotratoreprodutor masculino.A "substânciainibidoraMülleriana",umaglico- proteína,éresponsávelpelasupressãodoductoparamesoné- frico (Mülleriano), a partirdo qualsedesenvolvemo útero e avagina(2). Anormalidadesna diferenciaçãoe no desen- volvimento dasgônadase dos ductospodemresultarem diferentesgrausde intersexualidade(3). 3 4 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL TOURO gv gv rp fs caboe e caud.e bu e cp GARANHÃO FIGURA 1-1. Diagramado tratoreprodutarmasculinovisroemdissecaçãolateralesquerda.a, ampola;bu,glândulabulbouretral;caboe, cabeçado epidídimo;caud.e, caudado epidídimo;cp, crus esquerdado pênis,separadado ísquio esquerdo;dd, ducto deferente;dp, divertículodorsaldo prepúcio;ppp,prepúciopré-peniano;pl, partelivre do pênis;pp,pregaprepucial;p, próstata;r, reto;rp, músculo retratardo pênis;e,escroto;[s, flexurasigmóide;t, testículo;pu,processouretral;gv,glândulavesicular.(AdaptadodePopesko,Atlas der topographischenanatomiederHaustiere.Vol. 3, Jena:Fischer,1968.) DescidadosTestículos Durantea descidadostestículos(4), agônadamigracau- dalmenredentrodo abdomeparao anel inguinalprofundo. Então atravessaa paredeabdominalparaemergirno anel inguinalsuperficial,oqualé,defato,amaiordilataçãodofora- medonervogenitofemoral(L3,L4).O testículocompletaessa migraçãoincluindo-secompletamenteno escroto.A descidaé precedidapelaformaçãodo processovaginal,no qualo saco peritonealestende-seatéa paredeabdominale abrigao liga- mentoinguinaldo testículo.O ligamentoinguinaldagônada éfreqüenrementechamadodegubemáculotestiseterminana regiãodos rudimentosescrotais.A descidaseguea linha do gubemáculotestis.O tempodadescidavaria(Tab.1-1).No cavalo,geralmente,o epidídimoentranocanalinguinalantes dostestículosepartedo ligamentoinguinalqueconectao tes- tículoe o epidídimo(ligamentoprópriodo testículo)perma- neceestendidaatéo nascimento. CAPÍTULO 1: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO MASCULINA 5 ,TOURO Espermatócitosprimários nostúbulosseminíferos 24 Espermatozóidesnos túbulos seminíferos 32 Espermatozóidesna cauda po epidídimo 40 Espermatozóidesno ejaculado Conclusãodaseparaçãoentre pênise partepré-peniana do prepúcio Idadeemquecadaanimal podeserconsiderado sexualmente"maduro" 42 32 150 A descidados testículosdirige-seaoescrotona metadeda vida fetal (touro,carneiro),no último quartodavida fetal (cachaça)ou apenaspouco antes/apóso nascimento(garanhão). Algumasvezes,os testículosnão entramno escroto. Nessacondição(criptorquidismo),os testículose o epidídi- monãoencontrama temperaturanecessária,emboraa fun- çãoendócrinado testículonão estejaprejudicada.Machos criptorquídicosbilaterais,portanto,mostramdesejosexual discretomassãoestéreis.Ocasionalmente,algumasvísceras abdominaispassampelo orifício do processovaginal e entramno escroto;a hérnia escrotalé particularmente comumemporcos. DesenvolvimentoPós-natal Cadacomponentedo tratoreprodutorde todososani- maisdomésticosdesenvolve-seem tamanho relativo ao tamanhodo corpoe passapor diferenciaçãohistológica.A competênciafuncional não é concluída simultaneamente emtodososcomponentesdo sistemareprodutor.Assim,no touro,a capacidadede ereçãodo pênisprecedeo apareci- mentodoespermatozóideno ejaculadoemváriosmeses.Em carneiros,o segmentoterminaldo epidídimotorna-semor- fologicamente"adulto"em6 semanas,o quenão acontece como segmentoinicial atéa l8~semana(5). Na puberdade, todosos componentesdo sistemareprodutormasculino alcançamsuficienteestágioavançadode desenvolvimento paraqueo sistemacomoumtodosejafuncional.O período de rápido desenvolvimentoque precedea puberdadeé conhecidocomo períodopré-puberdade,emboraalgumas vezestambémsejareferidocomo "puberdade".Duranteo períodopós-puberdade,o desenvolvimentocontinua e o tratoreprodutoralcançamaturidadesexualtotalapósmeses ou atémesmoanosda idadeem queocorreua puberdade. Emcavalos,umaumentosignificativono pesotesticular,na produçãodiáriadeespermatozóidesena reservadeesperma epididimalocorreaté15anosde idade.Algumasimportan- tesmudançasanatômicasqueocorremduranteo desenvol- vimentopós-natalestãoresumidasnaTabela1-1. TESTÍCULOS E ESCROTO Os testículosestãoprotegidosna parededo processo vaginalao longoda linha de fixaçãoepididimal.A posição no esC:rotoe aorientaçãodoeixomaiordo testículodiferem de acordocom as espécies(Fig. 1-1). A organizaçãodos túbulose dosductosdentrodo testículodo touroé mostra- danaFigura1-2.As característicashistológicasecitológicas dos componentescelularesdos túbulos seminíferosestão resumidasna Tabela 1-2.A redetesticularé revestidapor epitéliocuboidalnão-secretório. O tamanhotesticularvariaao longodo anoemanimais de estaçãoreprodutivasazonal(carneiro,garanhão,came- 10).A remoçãode um testículo resultaem considerável aumentodagônadaremanescente(maisde80%deaumen- to no peso).No criptorquídicounilateral,aremoçãodo tes- tículo quedesceupodeserseguidapeladescidado testículo abdominalà medidaqueelecresce. As célulasintersticiais(Leydig),quesesituamentreos túbulos seminíferos,secretamhormônios masculinosnas veiastesticularese nos vasoslinfáticos.As célulasesper- matogênicasdo túbulo dividem-see diferenciam-separa formar espermatozóides.Pouco antes da puberdade,as células de sustentação(Sertoli) do túbulo formam uma barreira(6) que isola ascélulasgerminativasem diferen- ciação da circulação geral. Essascélulas de sustentação contribuemparaaproduçãodofluido tubularepodempro- duziro fator inibidor Mülleriano encontradono fluido da redeemmachosadultos(2). As célulasdesustentaçãonão aumentamemnúmeroapósa chegadada puberdade.Este podesero limite daespermiogênese.A produçãodeesper- ma aumentacoma idadeno períodopós-puberdadee está sujeitaàsmudançassazonaisemváriasespécies.A castra- ção de machospré-púberessuprimeo desenvolvimento sexual. Mudanças regressivasno comportamentoe na CARNEIRO CACHAÇO GARANHÃO 12 10 Variávelnaspartesdostúbulos seminíferosdecadatestículo 16 20 56 16 20 60 18 22 64-96 >10 20 4 >24 30 90-150(variável) 6 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL corp.e rI dd-m'- caud.e FIGURA 1-2. Representaçãoesquemáticado sistematubulardos testículose do epidídimo no touro (para simplificar,o sistema ductaldaretetestisfoiomitido).caboe,cabeçadoepidídimo;caud. e, caudado epidídimo;corpoe, corpo do epidídimo;dd, dueto deferente;de,duetodo epidídimo;dei,dúctuloeferente;lb, lóbulo com túbulosseminíferos;rt, retetestis;tr, túbulo reto; t, testículo. (Simplificado de Blom e Christensen. Nord Vet Med 1968; 12:453.) estruturaocorremapósa castraçãode machosadultos.A castraçãoé um procedimento-padrãona criação animal paramodificaro comportamentoagressivodomachoe eli- minarqualidadesdecarcaçaindesejáveis,porexemplo,em cachaços. Desordensnaespermatogênesesãocausadaspormudan- çasnosparâmetrosdosespermatozóidesno ejaculadooupor infertilidade.TurneretaI. (7) conduziramextensosestudos paraidentificarasproteínasquepodemdesempenharpapéis mais importantesnaespermatogênesee são subseqüente- mentetransportadasparaa correntesangüínea. A inervaçãoautônomado testículodesempenhapapel muitoimportantenasfunçõesderegulaçãodo tratogenitu- rinário masculino.Mecanismosadrenérgicos,colinérgicos, não-adrenérgicose não-colinérgicos(NANC) operamde maneiraorquestradaparaassegurarconfiávelarmazenagem e liberaçãode urina da vesículaurinária, para regularo transportee o armazenamentodeespermatozóidesno trato reprodutore paracoordenara emissão/ejaculaçãodasglân- dulassexuaisacessórias(8). SEGMENTO Túnica albugínea T úbulosseminíferos Espermatogônia Espermatócitos primários Espermatócitos secundários Espermátides CélulasdeSertoli CARACTERÍSTICAS HISTOLÓGICAS Cápsulabranca,espessa,detecido conjuntivo queenvolveos testículos;formadaprincipalmente desériesentrelaçadasdefibras colágenas. Aparecemcomograndesestruturas isoladas,comperfil arredondado ou oblongo;aparênciavaria devidoaocomplexoenovelado dostúbulosemmuitosângulose níveisdiferentes.Entreostúbulos localizam-semassasdecélulas intersticiais(Leydig)que produzemo hormôniosexual masculino. Situa-sena regiãomaisexternado túbulo;núcleosarredondados aparecemcomoumacamada irregulardentrodo tecido conjuntivo circundante.Os núcleossãopequenose de coloraçãoescuradevidoà presençadeumgrandenúmero degrânulosdecromatina. Localizadosexatamenteno interior deumacamadairregularde espermatogôniase célulasde Sertoli;osnúcleossãomaiorese maisclarosdo queosdas espermatogônias. Divisõesde maturaçãoe espermatócitossecundários normalmentenão sãovisualizados no túbulodevidoà curtaduração dessesestágios. Localizadasinternamenteemrelação aosespermatócitosprimários.A camadadeespermátidespode conterváriascélulasemespessura. Os espermatozóidessituam-seao longodamargemdo lúmen.As cabeçasdosespermatozóidesestão alojadasemprofundaspregasna superfíciedascélulasdeSertoli. Grandese relativamenteclaras, excetopelonucléolo proeminentee negro.O citoplasmaé difusoe seuslimites sãoindefinidos. A inervaçãoadrenérgicapodedesempenharum papel namodulaçãodafunçãoepididimária.A inervaçãosimpáti- .cadentrodoepidídimoénecessáriaparaeventosneuromus- cularesrequeridosparao transportedo sêmen.A absorção neuronalpodedesempenharumimportantepapelnamanu- tençãodafunçãoepididimária(8). TermorregulaçãodosTestículos Para um funcionamentoeficiente, os testículosdos mamíferosdevemsermantidosem uma temperaturamais baixaquea do corpo.Característicasanatômicasdos testí- culosedoescrotopermitemaregulaçãodatemperaturates- ticular.Receptoresdetemperaturalocalizadosnapeleescro- tal podemprovocarrespostasparadiminuir a temperatura do corpotodoe provocarpalpitaçãoe transpiração(9). A peleescrotalé ricamentedotadadegrandesglândulassudo- ríparasadrenérgicas,e seucomponentemuscular(danos) permitealterara espessurae a áreadasuperfíciedo escroto evariaraproximidadedecontatodo testículocomaparede docorpo.No cavalo,estaaçãopodesersuportadapelomús- culolisono interiordo funículoespermáticoe túnicaalbu- gínea,aqualpodeabaixarouelevarostestículos.Emcondi- çõesde frio, essesmúsculoslisosse contraem,elevandoo testículoeenrugandoeengrossandoaparededoescroto.Em condiçõesdecalor,osmúsculosrelaxam,abaixandoo testí- culoparao interiordoescrotopendulosodeparedefina.As vantagensoferecidasporessemecanismosãorealçadaspela relaçãoespecialdasartériase veias. Em todosos animaisdomésticos,a artériatesticularé umaestruturaconvolutanaformadecone,cujabasedispõe- seno pólocranialou dorsaldo testículo.Essasconvoluções arteriaisestãointimamenterelacionadasao chamadoplexo pampiniformedasveiastesticulares(10).Nestemecanismo contracorrente,o sanguearterialqueestáentrandono testí- culoéresfriadopelosanguevenosoqueestápartindodotes- tículo.No carneiro,o sanguedasartériastesticularesdimi- nui4 °C no seucursodesdeo anelinguinalsuperficialatéa superfíciedostestículos;o sanguenasveiasé aquecidoa um grausemelhanteentreos testículose o anel superficial.A posiçãodasartériase veiaspróximaà superfíciedostestícu- lostendea aumentara perdadiretade calordostestículos. No cachaço,o escrotoémenospendular(Fig. 1-1)eatrans- piraçãoé menoseficiente.Issopodeexplicara menordife- rençaentreastemperaturasescrotale retal(3,2°C) (11). EPIDÍDIMO E DUCTOS DEFERENTES Trêscomponentesanatômicosdo epidídimosãoreco- nhecidos(Fig. 1-2).A cabeçado epidídimo,na qualhá um númerovariávelde dúctuloseferentes(13 a 20) (12), une- seaoductodo epidídimo.Issoformaumaestruturaachata- daaplicadaa um dospólosdostestículos.O estreitocorpo doepidídimoterminano póloopostoà caudaexpandidado epidídimo.A regiãocentralde cadaductoeferentemostra grandeatividadesecretória(13).O enoveladoductodoepi- CAPÍTULO 1: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO MASCULINA 7 dídimoémuitolongo(touro,36m;cachaço,54m).A parededo ducto do epidídimopossuiuma proeminentecamadade fibrasmuscularescirculareseumepitéliopseudo-estratifica- do decélulascolunares.Trêssegmentosdeductosdo epidí- dimopodemserdistintoshistologicamente;istonãocoinci- decoma regiãoanatômicamacroscópica(14). Há umaprogressivadiminuiçãona alturado epitélioe dosestereocíliose um aumentodo lúmenao longodostrês segmentos.Os doisprimeirossegmentosestãorelacionados coma maturaçãoespermática,enquantoo segmentotermi- nal destina-seao armazenamentodeesperma. O lúmendos túbulosdo epidídimoé revestidopor um epitéliodecamadabasalformadoporcélulaspequenasepor umacamadasuperficialdecélulasciliadascolunaresaltas. A mucosado ductodeferentedispõe-seempregaslon- gitudinais.Próximo à terminaçãodo epidídimo,o epitélio assemelha-seao epidídimo: as células não-ciliadas têm pequenaatividadesecretória.O lúmené revestidoporepi- télio pseudo-estratificado.A ampolado ducto deferenteé recoberta por ramificaçõesdas glândulas tubulares,as qua,is,no garanhão,sãoaltamentedesenvolvidase contri- buemcomergotioneínano ejaculado.O ductoejaculatório entra na uretra.A absorçãodo fluido e a espermiofagia ocorremno epitéliodo ducto ejaculatório(15). A micros- copiaeletrônicadevarreduratemsidousadaparaavaliara ultra-estruturafuncional dos órgãos reprodutivos com ênfaseà espermatogênese(Fig. 1-3). Grandesvolumesde fluido (maisde 60 ml no carneiro) partemdos testículos diariamente,e a maiorparteé absorvidana cabeçado epi- dídimo pelo segmentoinicial do ducto do epidídimo.O transportedeespermatozóidesaolongodoepidídimoocorre por volta de 9 a 13dias.A maturaçãodosespermatozóides ocorredurantea passagempeloepidídimoe a suamotilida- de aumentaquandoeles entramno corpodo epidídimo.O meioambientedacaudadoepidídimoforneceaosesperma- tozóidesfatoresque acentuama habilidadeda fertilização. Os espermatozóidesdessaregiãopossuemmaiorfertilidade queosencontradosno corpodo epidídimo(14). O armazenamentode espermatozóidesno epidídimo conservaa capacidadede fertilizaçãoduranteváriassema- nas;a caudado epidídimoé o principalórgãodearmazena- mentoe contémcercade 75%do totaldosespermatozóides epididimários.A habilidadeespecialdacaudado epidídimo em armazenarespermatozóidesdependeda manutençãoda temperaturaescrotalbaixae da açãodo hormôniosexual masculino(16). O depósitode espermatozóidesna ampola constituisomenteumapequenaparteda reservade esper- matozóidesextragonadais.Pequenonúmerode espermato- zóidessemmotilidadeaparececonstantementeno ejaculado coletadosemanasou mesesapósa castração. GLÂNDULAS ACESSÓRIAS A próstatae asglândulasbulbouretraiseliminamsuas secreçõesna uretra,onde, por ocasiãoda ejaculação,essas secreçõessãomisturadascomasuspensãofluidadosesperma- tozóidese com secreçõesampularesdo ducto deferente. 8 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL FIGURA 1-3. Micrografiaseletrônicasde varredura(MEV) (A). Superfícieluminal do ductoeferentecom célulasciliadase não-ciliadase um espermatozóide.(B) Microvilos pequenosna superfícieluminal e células não-ciliadasnosductoseferentes.A gotacitoplasmáticado espermatozóide(CD), o acrossomo(A) e a peça intermediária(MP) sãovisíveis(6.500X). (C) Secçãotransversaldo túbuloseminífero(ST). Note osvários "estágios"daespermatogêneserevestindoo tecidomuscular.(A eB extraídosdeConnell CJ. Spermatogenesis. In: HafezESE, ed. Scanning Ele~tronMicroscopyof Human Reproduction.Ann Arbor, MI: Ann Arbor SciencePubs,1978.C, cortesiado Dr. LarryJohnson, deJohnson L, etaI. Am J Vet Res 1978.) Webereta!. (17)demonstrarammudançasvolumétricasnas glândulasacessóriasdo garanhão,resultadode estimulação sexual(volumeaumentado)e ejaculação(volumereduzido). Anatomia Comparativa VESÍCULASSEMINAIS.Elas se posicionamlateralmente àsporçõesterminaisdecadaduetodeferente.Em ruminan- tes, são glândulaslobuladascompactas.No cachaço,são grandese menoscompactas.No garanhão,sãograndessacos glandularespiriformes.O duetodasvesículasseminaise o duetodeferentepodemcompartilharumduetoejaculatório comumqueseabrena uretra. GLÂNDULAPROSTÂTICA.Uma distinta parte externa lobuladadocorpoposiciona-seforadodelgadomúsculoure- traI,eumasecundáriaparteinternaoudisseminadaenvolve a uretrapélvica.A próstatadisseminadaestende-secaudal- mentetantoquantoosduetosdasglândulasbulbouretrais.O corpodapróstataé pequenono touroe grandeno cachaço. No garanhão,a glândulaprostáticaé totalmenteexterna. GLÂNDULASBULBOURETRAIS.Elassãodorsaisà uretrae localizam-sepróximasà terminaçãodessaporçãopélvica. No touro,elasestãoquaseocultaspelomúsculobulboespon- joso. Elas são grandesno cachaçoe contribuemcom um componentesemelhantea gel no sêmendesseanimal.Em ruminantese cachaços,os duetosdasglândulasbulboure- traisabrem-seno recessouretral(18). GLÂNDULASURETRAIS.O tourocarecedeglândulasure- traiscomparativamenteao homem(19). Essasglândulas,no cavalo,têmsidoconsideradascomparáveiscomapróstatadis- seminadaderuminantes. Função Além.de fornecerveículo líquido parao transportede espermatozóides,a funçãodasglândulasacessóriasé pouco conhecida,emboramuitosesaibasobreosagentesquímicos específicoscom os quaiselascontribuemparao ejaculado (20,21).Frutoseeácidocítricosãoimportantescomponen- tesdassecreçõesdavesículaseminaldosruminantesdomes- ticados.Ácido cítrico isolado é encontradona vesícula seminaldegaranhões;a vesículaseminaldecachaçoscon- ~ dd ic Touro inteiro Cachaço castrado CAPÍTULO 1: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO MASCULINA 9 témpoucafrutose eé caracterizadaporcontergrandequan- tidadedeergotioneínae inositol. Os espermatozóidesdacaudadoepidídimosãocapazesde fertilizaçãoquandoinseminadossemaadiçãodesecreçõesdas glândulasacessórias.A fraçãosemelhanteao gel formaum tampãonavaginadasfêmeasacasaladas.Na práticadainsemi- naçãoartificial,tal fraçãoéremovidadosêmenporfiltração. Em animaisgrandes,épossívelpalparporvia retalalgu- masglândulasacessórias.As posiçõesdessasglândulasem relação ao corpo do pênis estão demonstradasna Figura 1-4. vu dd vu a a gv gv bu rp be-- Carneiro dd vu .a gv be Garanhão FIGURA 1-4. A genitália pélvica, entre os ossospélvicos, em vista darsal.a, ampola;be, músculo bulboesponjoso;bu,glândulabulbouretral;dd,duetodeferente;ic, músculoisquiocavernoso;cp,corpoda glândulaprostática;u. pel,uretrapélvica;rp, músculoretratardo pênis;vu,vesículaurinária;gv,glândula vesicular.(Diagramasdo touro, cachaçoe garanhãoredesenhadospar Nickel R. Tierarztl Umschau 1954;9:386.) 10 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL No porco,o tamanhodasglândulasbulbouretraispode serusadoparadiferenciaro animalcriptorquídicodocastra- do.Após a castraçãopré-puberdade,asglândulasbulboure- trais sãopequenas.Em cachaçoscom testículoretido, as glândulassão de tamanhonormal (22). Essasdiferenças podemserfacilmentepercebidas,ventralmenteaoreto,com o dedoinseridono ânus. PÊNIS E PREPÚCIO Estrutura No pênis dos mamíferos,três corposcavernosossão agregadosao redorda uretrapeniana.O corpoesponjosodo Pênis- queenvolveauretra- éamplo.Essebulboérecober- to pormúsculobulboesponjosoestriado.O corpocavernoso dopênissurgecomoumapartedacrusdo arcoisquiático,o qualé recobertopor músculoisquiocavernoso.Uma cober- turaespessa(túnicaalbugínea)inclui oscorposcavernosos. Emruminantesesuínos,o músculoretratordopêniscontro- la o comprimentoefetivodopênisesuaaçãonaflexurasig- móide. No garanhão,os corpos cavernososcontêm espaços cavernososgrandes;durante a ereção, o considerável aumentode tamanhoresultado acúmulode sanguenesses espaços.No touro,carneiroe cachaço,osespaçoscaverno- sosdo corpocavernosodo pênissãopequenos,excetona cruse nacurvadistaldaflexurasigmóide. Emruminantesesuínos,o orifíciodoprepúcioécontro- ladopelomúsculocranialdo prepúcio;um músculocaudal tambémpode estarpresente.No cachaço,há um grande divertículodorsal no qualaurinae debrisepiteliaisseacu- mulam. Ereçãoe Protrusão A estimulaçãosexualproduzadilataçãodasartériasque supremos corposcavernososdo pênis (especialmentea crus).O pênisendurecidoe retodosruminantesé determi- nado pelo músculoisquiocavernoso,'que bombeiasangue dosespaçoscavernososda crusparadentrodo restantedo corpocavernosodopênis. Falhasdeereção(impotência)sãoprovocadaspordefeitos estruturaisbemcomoporcausaspsicológicas(23).O aumen- todapressãonocorpocavernosodopênisproduzconsiderável alongamentocompequenadilataçãono pênisdosruminantes esuínos (24).Quandoo pênisdotouroé protruído,o prepú- cio é invertidoeestendidoacimadoórgãoprotruído. Em serviçonormal, issoocorreapósa introdução.Se issoocorrerantes,o pênisentrano vestíbuloe a introdução nãopodeserconcluída. A penetraçãodopênisdotouroduracercade2 segundos e seuenrijecimentoapóso desembainhamentoatravésdo prepúcio,comfreqüenciaocorreabruptamenteassimqueo ligamentoapicaldorsalassegurasuaaçãodeconservaro órgão ereto.O recolhimentodopênisparadentrodoprepúciosedá apóscessara pressãonos espaçoscavernosos.A arquitetura fibrosado corpocavernosodo pênisna regiãodaflexurasig- móidetendeaformarnovamenteaflexão,queéauxiliadapelo encurtamentodomúsculoretratordopênis.A porçãotermi- nal demaisoumenos5 cmdo pênisdo cachaçoé espiralada (Fig. 1-5),e durantea ereçãoo comprimentototalvisívelda extremidadelivredopênismostra-seespiralado(24).A intro- duçãodopênisduraaté7 minutos,tempoemqueéejaculado umgrandevolumedesêmen.O desvioemespiralnãoocorre no carneiroou bode,e a introduçãoé de curtaduração.No cavalo,elaperduraporváriosminutos. Emissãoe Ejaculação A emissãoconsistede movimentaçãodo fluido esper- máticoao longo do ductodeferenteparaa uretrapélvica, ondeeleémisturadocomsecreçõesdasglândulasacessórias. A ejaculaçãoé a passagemdo sêmenresultanteao longoda uretrapeniana.A emissãoocorreporaçãodosmúsculoslisos sobo controledosistemanervosoautônomo.A estimulação elétricada ejaculaçãonos animaisdomésticosnão passade umaimitaçãodosmecanismosnaturaiscomplexos.Durante o serviçonatural,asterminaçõesnervosassensoriaisdotegu- mentopenianoe dostecidospenianosprofundossãoessen- ciaisno processodeejaculação. A passagemdo sêmenatravésdosductosdeferentesé contínua durantea inatividadesexual.Prinz e Zaneveld (25) sugeremque durantea inatividadesexualocorreum complexoprocessocíclicooucasualderemoçãodeesperma- tozóidesdacaudado epidídimo,o quepodeajudarna regu- laçãodasreservasde espermatozóides.A excitaçãosexuale ~ Touro ~ ~ouro B~\~ Carneiro C] ~ Cachaça D Garanhão FIGURA 1-5. Diagramasmostrandoa formadaextremidadelivre do pênis.(AI) A formado pênispoucoantesda introdução.(Az) A formaapósa introdução,quandoo desvioemespiraljá ocorreu. (B) A formadopênisdurantea montanatural.(C) Não demonstra o grau total de espiralaçãoque ocorre durante a monta. (D) Esquemaapós a injeção, demonstrandoa dilataçãodos corpos eréteis.(AI, Az e B obtidasde fotografias.C e D, de espécimes fixados.Não esquematizadosemescala.) a ejaculaçãosãoacompanhadasporcontraçõesdacaudado epidídimoe do duetodeferente,asquaisaumentama taxa de fluxo.O númerototal de espermatozóidesquepassano duetodeferentenãosofreaumentocoma atividadesexual. A contraçãomusculardaparededoduetoécontroladapor nervosautônomossimpáticosdo plexopélvicoderivadodos nervoshipogástricos.Emgaranhõesnormais,a estimulaçãode receptoresa eo bloqueiodereceptores13 aumentamaconcen- traçãodeespermatozóidesnoejaculado(26). Durantea ejaculação,o músculobulboesponjosocom- primeo bulbopenianoe,então,bombeiao sanguedelepara dentrodo restantedo corpoesponjosodo pênis.Diferente do corpo cavernosodo pênis,estecorpocavernosoé nor- malmentedrenadopelasveiasdistais;a pressãomáxima duranteaejaculaçãoémuitoinferioràqueladocorpocaver- CAPÍTULO 1: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO MASCULINA 11 nosodo pênis(27).As ondasdepressãoquepassamabaixo da uretrapenianapodemajudara transportaro ejaculado. As mudançasdepressãoqueocorremno corpoesponjosodo pênis durantea ejaculaçãosão transmitidasparao corpo esponjosodaglande;aglandepenianaaumentadetamanho no carneiro,no bodee no garanhão,masnãono touro. ANIMAIS DE LABORATÓRIO Diferençasdosórgãosreprodutoresmasculinosentreespé- ciessãomostradasna Figura1-1.Essesórgãospodemsemover deumaposiçãototalmenteescrotalparaumatotalmenteabdo- minal.As diferençasemrelaçãoaotamanhodasglândulasaces- sóriassãorefletidasnascaracterísticasdosêmen(Tab.1-3). De HamnerCE. The semen.In: HafezESE, ed.Reproductionand BreedingTechniquesfor LaboratoryAnimaIs. Philadelphia:Lea & Febiger,1970. REFERÊNCIAS 1. GondosB. Developmentanddifferentiationofthetestisand malereproductivetract.In:SteinbergerA, SteinbergerE,eds.- TesticularDevelopment:StructureandFunction.New York: RavenPress,1980. 2. VigierB,TranD, duMesuilduBrussonF, HeymanY, Josso N. Useofmonoclonalantibodytechniquestostudytheontog- eny of bovine anti-Müllerian hormone. J Reprod Fertil 1983;69:207. 3. Hare WCD, Singh E. Cytogeneticsin animal reproduction. Farnham: Royal Commonwealth Agricultural Bureau, 1979. 4. WensingCJG. Testiculardescentin theratandacomparison of this processin the rat with that in the pig. Anat Rec 1986;214:154. 5. NilnophakoonN. Histologicalstudiesontheregionalpostna- taldifferentiationof theepididymisin theram.AnatHistol EmbryoI1978;7:253. 6. VazamaF, NishidaT, KurohmaraM, HayashiY. The fine structureof theblood-testisbarrierin the boar.Jap J Vet Sci 1988;50:1259. 7. 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INÍCIO DA VIDA REPRODUTIVA Idade Peso ESPÉCIES (meses) Corporal Variação Gato 9 3,5kg 0,Q1-0,3 Cão 10-12 varia 2-25 Cobaia(Caviaporcellus) 3-5 450g 0,4-0,8 Coelho 4-12 varia 0,4-6 CONCENTRAÇÃO VOLUMEDE ESPERMÁTICA EJACULADO 108PORML Média Variação Média 0,04 1,5-28 14 9,0 0,6-5,4 1,3 0,6 0,05-0,2 0,1 1,0 0,5-3,5 1,5 12 PARTEl: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL 14. Amann RP. Funetionof the epididymisin bulls and rams.J ReprodFertilSuppl1987;34:115. 15. Abou-ElmagdA, Wrobel KH. The epithelial lining of the bovineejaeulatory,duetoActa Anat 1990;139:60. 16. FoldeseyRG, BedfordJM. Biologyof thescrorum(1):T emper- atureand androgenas determinantsof the spermstorage capacityof the rat caudaepididymidis.Biol Reprod 1982; 26:673. 17. WeberJA, GearyRT, Woods GL. Changesin accessorysex glandsof stallionsaftersexualpreparationandejaculation.J Am Vet Med Assoc 1990;196:1084. 18. Garrett PD. Urethral recessin malegoats,sheep,cattle and swine.J AmVetMedAssoc1987;191:689. 19. 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Involvement of the sympathericnervoussystemin the urinary bladder internalsphincterand in penileereetionin theanaesthetized catoInvest Urol 1978;15:404. Goyal HO, Williams CS. The retetestisof thegoat,a morpholog- ieal study.Aeta Anat 1987;130:151. Hafez ESE. Scanning electronmieroscopieatlas of mammalian reproduction.New York: Springer, 1975. Hochereau-de-ReviersMT, Monet-KunzC, Courot M. Spermato- genesisand Sertoli cell numbersand funetion in ramsand bulls. J Reprod Fertil 1987;34(Suppl):101. Hoffer AP, Hinton BT. MorphologicaI evidence for a blood- epididymisbarrierandthe effectsof gossypolon its integrity. BioI Reprod 1984;30:991. Johnson L, Tatum ME. Temporalappearanceof seasonalchanges in numbersof Sertoli eells, Leydig cells and germcells in stallions. Biol Reprod 1989;40:994. McKenzie FF, Miller JC, BaugessLe. The reproductiveorgans and semenof the boar.Res Buli Mo Agric Exp Sta 1938; 279. Nickel R, SehummerA, SeiferleE. The visceraof the domestic mammals. Sack WO, trans. and ed. Berlin: Parey, 1973. Seidel GE Jr, Foore RH. Motion pictureanalysisof ejaculation in the bulI.J Reprod Fertil 1969;20:313. CAPÍTULO 2 Anatomiada ReproduçãoFeminina B. HAFEZ E E. S. E. HAFEZ Os órgãosfemininosda reproduçãosãocompostosde ovários,ovidutos,útero,cérvix uterina,vaginae genitália externa.Os órgãosgenitaisinternos(o primeirode quatro componentes)são sustentadospelo ligamentolargo. Este consistedo mesovário,que suportao ovário;do mesossal- pinge,quesuportaosovidutose do mesométrio,quesupor- tao útero.Embovinose ovinos,auniãodo ligamentolargo édorsolateralna regiãodo ílio, localondeo úterodispõe-se comooscornosdeumcarneiro,comaconvexidadedorsale osovárioslocalizadospróximosàpelve. EMBRIOLOGIA O sistemareprodutivofetal consistede duasgônadas nãodiferenciadassexualmente;doisparesdeduetos;umseio urogenital;umtubérculogenital,e pregasvestibulares(Fig. 2-1).Estesistemaorigina-seprimariamentede duascristas germinativas,na parededorsalda cavidadeabdominal,e diferencia-seemsistemamasculinooufeminino. O sexodofetodependedosgenesherdados,dagonado- gênesee daformaçãoe maturaçãodosórgãosreprodutivos acessórios. TantoosduetosdeWolff quantoosdeMüller estãopre- sentesnoembriãosexualmenteindiferenciado.Na fêmea,os duetosde Müller desenvolvem-seem um sistemaducto- gonadaleosduetosdeWolff atrofiam-se,ocorrendoo opos- to nosmachos.Os duetosde Müller femininosfundem-se caudalmenteparadarorigemao útero,à cérvixe à porção cranialdavagina. No fetomasculino,o andrógenotesticularagenapersis- tênciae desenvolvimentodosduetosde Wolff e na atrofia dosduetosdeMüller. OVÁRIO O ovário,diferentementedostestículos,permanecena cavidadeabdominal.Ele desempenhafunções exócrinas (liberaçãode óvulos) e endócrinas(esteroidogênese).O tecidopredominantedoovárioéo córtex.As célulasgermi- nativasprimordiaistêmorigemextragonadale migramdo sacovitelinomesentéricoparaascristasgenitais.Duranteo desenvolvimentofetal,asoogôniassãoproduzidaspormul- tiplicação mitótica. Esta é seguidapela primeiradivisão meiótica,formandováriosmilhõesde oócitos,umprocesso interrompidona prófase.Uma atresiasubseqüentereduzo númerodeoócitosporocasiãodonascimento,umaredução pode ocorrer na puberdadee somentealgumascentenas estarãopresentesduranteasenescênciareprodutiva. No nascimento,umacamadade célulasfolicularescir- cundaosoócitosprimáriosno ovárioparaformaros folícu- losprimordiais.O formatoeo tamanhodoováriovariamde acordocom a espécieanimale com a fasedo ciclo estral (Fig. 2-2). Em bovinose ovinos, o ovário temformatode amêndoa;enquantonoseqüinos,ele temformatodefeijão devidoàpresençadeumafossadeovulaçãodefinidaeauma incisuranabordaunidado ovário.O ováriodossuínosasse- melha-sea um cachode uvas,emdecorrênciadosfolículos salientese doscorposlúteosqueobscurecemo tecidoova- riano subjacente. A porçãolivre do ovário,quenão seencontrapresaao mesovário,ficaexpostae salientena cavidadeabdominal.O ovário,compostodemedulae córtex,é envoltopeloepitélio superficial,conhecidocomumentecomoepitéliogerminati- vo. A medulaovarianaé constituídapor tecidoconjuntivo fibroelásticoirregularmentedistribuídoepornervosextensos esistemasvasculares,queatingemo ováriomedianteseuhilo. As artériassãodistribuídasdeformaespiralada.O córtexova- rianocontémfolículosovarianose/oucorposlúteosemvários estágiosdedesenvolvimentoeregressão(Tab.2-1). A vascularizaçãodoováriomodifica-sedeacordocomas diferentessituaçõeshormonais.As variaçõesna arquitetura dosvasospermitemadaptaçõesdosuprimentosangüíneocon- formeasnecessidadesdoórgão.A distribuiçãointra-ovariana desangueé alteradaduranteo períodopré-ovulatório. O fluxo sangüíneoarterialparao ováriovariaempro- porçãoà atividadeluteínica.As modificaçõeshemodinâmi- casparecemserimportantesno controledafunçãoeduração do corpolúteo (CL). Assim, modificaçõesno fluxo sangüí- neo precedemo declínio na secreçãode progesterona, enquantoa regressãodo fluxo sangüíneoovarianocausa regressãodo CL prematuro.Na épocada luteóliseemove- lhas,há umareduçãono fluxo sangüíneoovariano(1). 13 14 PARTE 1:REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL T.S. R.r. A.T.' A.E: V.E. Ep. T.A. T. c1 V.D. Poro O.G. A Epo.D. Epo. M I. FIGURA 2-1. Esquemasimplificadodadiferenciaçãoembrionáriaemsistemasgenitaismasculinoe feminino. (Centro) O sistemaindife- renciadocomlongosmesonéfrons,duetosmesonéfricos,duetosdeMül1ere gônadasindiferenciadas.Note queosduetosdeMül1ere meso- néfricoscruzamantesdeentrarnoscordõesgenitais.(Direita) O sistemafeminino,emqueo ovárioe osduetosde Mül1ersediferenciam enquantoosremanescentesdosmesonéfronsedosduetosmesonéfricosseatrofiamno epoóforo,paraóforoe duetodeGartner.(Esquerda) Sistemamasculino,no qualostestículose osduetosmesonéfricos(Wolff) sediferenciame osúnicosremanescentesdosduetosdeMül1er sãoo apêndicetesticulare o utrículoprostático(vaginamasculina).A, ampola;B, bexiga;C, cérvix;Co, córtexovariano;Ep, epidídimo; D. Mül., duetosdeMül1er;O, ovário;T. S., túbulosseminíferos;T, testículo;U, útero;S. U-G., seiourogenital;V. D., vasodeferente. o fluxo sangüíneodo ováriobovino é alto durantea faseluteínica,decrescecoma regressãoluteínicae aumenta pouc'oantes da ovulação. O fluxo sangüíneoovariano aumentacom o desenvolvimentode um novo CL. Um declínio abrupto no fluxo sangüíneoocorre ao mesmo tempoemquehá regressãodoCL (2). CorpoLúteo O CL desenvolve-seapósumcolapsono folículoovula- tório. A paredeinternado folículo desdobra-seem pregas macroe microscópicas,quepenetramna cavidadecentral. Essaspregasconsistemdeumaporçãocentralde estromae FIGURA 2-2. Anatomia útero-ovarianaemanimaisdomésticos.(A) Mudançasno ciclo estraldo ováriobovino. 1, folículo maduro;3, superfíciedo folículocolapsado,pregase paredestingidasde sangue;9, corpusalbicans(Arthur, 1964).(B) Organizaçãocelulardo CL da ovelhano cio:a,corpohemorrágico;b,CL do segundodiaapóso cio;c,CL do 4"diaapóso cio. (C) Folículo deGraaf:Co, cumulusoopho- rus;Eg,epitéliogerminativo;Lf, líquidofolicular;Mg, membranagranulosa.(D) Estruturasda parededo folículo de Graafdemonstrando comoascélulasdagranulosanãotêmsuprimentosangüíneodamembranabasal(Baird,1972).(E) Formatodazonapelúcida(ZP) rodean- do umoócitono folículo deGraaf.Formam-semicrovilosidadesdo oócito interdigitadocomprocessosdascélulasda granulosa(G). Esse processopenetrano citoplasmadooócito(C), provisãodenutrientes/proteínamaterna,N, núcleooócito(Baker,1972).(F) Anatomiavas- eulardoováriodebovinos(]. H. Wise etaI., 1982).(G) Anatomiado ovárioe do ovidutodeovinos.A, ampola;F, fímbria;1n,infundíbu- 10;1,istmo;M. o., mesovário;O, ovário;A. o., artériaovariana;B. o., bolsaovárica;U, útero.Note a alçasuspensaà qualseunea bolsa ovárica.O ovidutodaovelhaé pigmentado.(H)Principaissegmentosdo oviduto.(I) Seçõestransversale longitudinaldosdiferentesseg- mentosdooviduto;1 representao istmo;8 representao infundíbulo.Note a variabilidadeno graudecomplexidadedaspregasdamucosa. Cio I~ ~ .,.,3~Pouco depoisda ovulação 2 dias após a ovulação C i' .Q.. Q ~ . c;/:> ~ A Diestro ~6 Rede capilar G Infundíbulo Ampola ~ H CAPÍTULO 2: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO FEMININA 15 Superfície Eg B' Co Lf a b c Fluido folicular E Membrana basal F Artéria útero-ovariana L J I em. Istmo AIJ 16 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL UNIDADE ANATÔMICA FUNCIONAL Epitélio superficial Túnica albugínea Córtex ovariano Medulaovariana Estromaovariano Musculaturalisa FOLÍCULOS OVARIANOS Folículoprimário Folículo emcrescimento Folículo secundário Folículo terciário (vesicular) FolículodeGraaf Folículo pré-ovulatório CARACTERÍSTICAS HISTOLÔGICAS Camadasuperficialde epitéliofrouxo(conhecidoincorretamentecomoepitéliogerminativo). Densa,tecidoconjuntivofibrosocobrindotodoo ovário logoabaixodo epitéliosuperficial. Contémváriosfolículosprimários(comoócitosemestágioquiescente)e poucosfolículosgrandes. Durantecadaciclo estral,um númerovariáveldefolículospassapor rápidocrescimentoe desenvolvimento,culminandono processodaovulação. Tecidoconjuntivo frouxocontendonervos,vasoslinfáticose sangüíneostortuososdeparedefina, fibrascolágenase elásticase fibroblastos. Pobrementediferenciado,célulasparecidascomasembrionáriasmesenquimatosas,capazesde sofreralteraçõesmorfológicascomplexasdurantea vidareprodutiva;ascélulasdo estroma podemoriginarascélulasda tecainterna. As célulasmusculareslisasestãopresentesemtodoo ovário,especialmenteno estromacortical. As célulasmióidesovarianassãosimilaresàscélulasmusculareslisasdeoutrostecidos.Grande númerodemicrofilamentosestãodispostosemfeixescaracterísticos. Célulasmusculareslisase elementosnervosospodemestardiretamenteenvolvidosna ovulação.A presençadecélulasmusculareslisas,especialmentenasregiõesperifoliculares,podeestar envolvidana "compressãodo folículo" durantea ovulação. Oócito envolvidoporumaúnica camadadecélulasfolicularesplanasou cubóides. Oócito comdiâmetroaumentadoe maiornúmerodecamadasde célulasfoliculares;a zona pelúcidaestápresenteao redordo oócito. Célulasdagranulosaplanasdo folículo primordialou unilaminarproliferam. Sob a influênciadasgonadotrofinashipofisárias,ascélulasda granulosadosfolículoscomcamadas múltiplassecretamum fluido,o liquor folicular,queseacumulanosespaçosintercelulares. A secreçãocontínuae o acúmulodeliquor folicular resultamna dissociaçãodascélulasda granulosa,quecausaa formaçãodeumagrandecavidadecheiadefluido - o antro. A zonapelúcidaé circundadapor umamassasólidadecélulasfolicularesradiais,formandoa coroa radiata. As célulasfolicularesaumentamde tamanho;o antrofica cheiodefluido folicular (liquor folicular).O oócitoé pressionadoparaum lado,circundadopelo acúmulodecélulasfoliculares (cumulusoophorus);emqualqueroutrapartedacavidadefolicular forma-seumepitéliode espessuraregularmenteuniforme,chamadomembranagranulosa. Uma estruturasemelhantea umavesículaprojeta-sedasuperfícieovarianadevidoao rápido acúmulodefluido foliculare aoadelgaçamentodacamadagranulosa.O viscosolíquidofolicular é formadodesecreçõesdascélulasdagranulosae proteínasplasmáticastransportadaspara dentrodo folículo por transudação. Grandesmodificaçõesocorremno nível subcelular,particularmenteno complexode Golgi, que estáenvolvidona formaçãoda zonapelúcida. O oócito,na prófaseda meiose,prossegueváriashorasantesda ovulação. A primeiradivisãomeiótica(maturacional)estáassociadaà expulsãodo primeirocorpúsculopolar. de grandesvasosvenososque se distendem.As células desenvolvem-sepoucosdiasantesda ovulaçãoe regridem rapidamente.Após 24 horasda ovulação,todasascélulas remanescentesdatecaencontram-seemestadoavançadode degeneração.Inicia-seumprocessohipertróficoedeluteini- zaçãodascélulasdagranulosaapósaovulação. A progesteronaé secretadapelascélulasluteínicasna formade grânulos.Em ovelhas,pareceque esseprocesso atingeseugraumáximono décimodiadociclo, começando a diminuir notavelmenteno 12".A atividadesecretora declinagradualmenteatéo 14"dia. Em animaisde idadeavançada,asfunçõesdo CL decli- nam resultandona inabilidadedascélulasfoliculares(teca internae granulosa)emresponderaosestímulos,modifica- çõesquantitativase/ouqualitativasdasecreçãohormonale na reduçãodeestímulosparaasecreçãohormonal. DESENVOLVIMENTO.O aumentodepesodo CL é rápido no início. Geralmente,o períododecrescimentoultrapassa a metadedo ciclo estral.Na vaca,o pesoe o conteúdode progesteronado CL aumentamrapidamenteentreo tercei- ro e o 12"dia do ciclo, e permanecemrelativamentecons- tantesatéo 16"dia,quandoseinicia aregressão.Na porcae naovelha,oscorposlúteosaumentamrapidamentedepeso e conteúdodeprogesteronado segundoao oitavodia,per- manecendorelativamenteconstantesatéo 15Qdia, quando começaa regressão(3). O diâmetrodo CL maduroé maior queo dofolículodeGraafmaduro,excetona égua. REGRESSÃO.Casonão ocorraa fertilização,o CL regri- de,permitindoamaturaçãodeoutrosgrandesfolículosova- rianos.À medidaqueessascélulasdegeneram,todoo órgão diminuidetamanho,tornando-sebrancoou castanhoclaro e passandoa se chamarcorpo albicans (corpusalbicam). Depoisdedoisou trêsciclos,permaneceapenasumavisível cicatrizdotecidoconjuntivo.Remanescentesdocorpusalbi- cansbovinopersistemduranteváriosciclossucessivos.O CL bovinocomeçaa regredirde 14a 15diasapóso cio, e seu tamanhodiminuipelametadeem36 horas. LUTEÓLISE.A luteóliseinduzidaporestrógenosdurante o ciclo estralda ovelha,provavelmentemediadapelapros- taglandinauterina,é responsávelpelaregressãonormaldo CL. Um embriãodeveestarpresenteno úterode 12 a 13 diasapóso acasalamento,paraqueo CL sejamantido.Esse períodorepresentao estadoemqueo úteroinicia asprimei- rasprovidênciasquelevarãoà luteólise. A veiauterinaeaartériaovarianasãoosprincipaiscom- ponentes,proximale distal,deummecanismolocal artério- venoso,envolvidonosefeitosluteolíticoseantiluteolíticos.A histerectomiaeliminao efeitoluteolíticoemantémo CL. Em suínos,a luteóliseestáassociadaaoaumentodeprostaglandi- naplasmáticanaveiaútero-ovariana(4). As modificaçõesno fluxosangüíneoparao ováriolutei- nizadopodemser atribuídasàs alteraçõesno fluxo parao CL, querecebea maiorpartedo suprimentosangüíneo.A irrigaçãosangüíneadoCL exerceumpapelreguladornessas glândulase atuano controle da atividadedoshormõnios gonadotróficosno nível celularluteínico. CORPOLÚTEOEGESTAÇÃO.As substânciascomativida- desprogestacionaissãonecessáriaspara a manutençãoda gestação.Algumasservemcomoprecursorasimediataspara outrosesteróides,tambémnecessáriosdurantea gestação. Com exceçãoda égua,nasdemaisespéciesdomésticashá a necessidadeobrigatóriade atividadessecretorascontínuas doCL durantetodaagestação,porqueaplacentanãosecre- ta progesterona.A ovariectomiaem marrãs,durantequal- querfasedagestação,resultaemabortamentodentrode2 a 3 dias.Após aremoçãodeumováriooudoscorposlúteosde cadaováriono 40Qdiadagestação,énecessárioo mínimode cincocorposlúteosparamantê-Ia. RECONHECIMENTO MATERNO DA GESTAÇÃO. Blastocistos devemestarpresentesaos12diasapósaovulaçãoemovelhas, eaos13diasemmarrãs,paraestendera vidaútil doCL. Nos bovinos,o reconhecimentomatemodagestaçãoocorreentre o 15Qe o 17"diasdegestação.Concentraçõesplasmáticasde progesteronasãomaisaltasnasvacasprenhesdoquenasnão- prenhesdentrode8 diasapóso acasalamento. CAPÍTULO 2: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO FEMININA 17 O CL da gestaçãoé conhecido como corpusluteum verum(corpolúteoverdadeiro)e podesermaiorqueo cor- pusluteumspurium(falsocorpoamarelo)docicloestral.Nos bovinos,eleaumentadetamanhodurante2 ou 3 mesesda gestação,e regridepor 4 ou 6 meses.Após esseperíodo,o tamanhodo CL permanecerelativamenteconstanteatéo parto,degenerando-seumasemanadepois. OVIDUTO Há uma íntima relaçãoanatõmicaentreo ovárioe o oviduto. Em mamíferosdomésticos,o ovário situa-seem umabolsaováricaaberta,ao contráriodealgumasespécies (exemplos:rata,camundongo),emqueeleseinstaladentro deumabolsafechada.Nos animaisdomésticos,essabolsaé umainvaginação,queconsistedeumafinapregaperitoneal do mesossalpinge,ligadaem uma alça suspensana porção superiordo oviduto.Na vacae na ovelha,a bolsaováricaé largae aberta.Na porca,ela é bemdesenvolvidae aberta, porémenvolveo ovárioemsuagrandeparte.Nos eqüinos, elaé estreita,semelhantea umafendae envolvesomentea fossadaovulação. Anatomia O comprimentoe o graudecircunvoluçõesdo oviduto variamnosmamíferosdomésticos.O ovidutopodeserdivi- dido emquatrosegmentosfuncionais:asfímbrias,comfor- matode franjas;a aberturaabdominalpróximaao ovário, comformatodefunil, o infundíbulo;aampoladilatadamais distalmente,e uma estreitaporção proximal do oviduto, ligando-seaolúmenuterino,o istmo(Fig.2-3).As fímbrias sãolivres,excetonumpontono pólosuperiordoovário,que assegurasuaaproximaçãoda superfícieovariana.As técni- casusadasin vivoe invitrono estudodasfunçõesdo oviduto estãodescritasna Tabela2-2. A ampola,quecorrespondea cercadametadedo com- primento do oviduto, funde-secom a porção constrita conhecidacomoistmo.O istmoestáconectadodiretamen- te ao útero,penetrandono corno uterinodaéguana forma deumapequenapapila.Na porca,essajunçãoé guamecida por longasdigitaçõesmucosas.Na vacae na ovelhaexiste umaflexuranajunçãouterotubárica,principalmenteduran- te o cio. O espessamentodamusculaturaaumentadaextre- midadeovarianaparaa extremidadedistaldo oviduto. Mucosa do Oviduto A mucosa do ovidutoé formadapor pregasprimárias, secundáriase terciárias.A mucosa da ampolapossuipregas queseprojetamparacima,emdireçãoaoistmo,eparabaixo, no sentidoda junçãouterotubárica.A complexadisposição daspregasdamucosanaampolapreenchequasetotalmenteo lúmen,deformaqueexisteapenasum único espaçopoten- cial. O fluido é mínimo e constitui-secomoumamassado cumulusemcontatocomamucosaciliada(Fig.2-4).A muco- saconsistedeumacamadadecélulasepiteliaiscolunarese o epitélioéconstituídodecélulasciliadase não-ciliadas. 18 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL A B c A 8 D E Q b c FIGURA2-3. Fisiologia,histologiae citologiadooviduto.(A) Epitélio tubário.A, célulassecretorasevidenciandoo materialciliado/secre- tor celularcomcinecílios(fotodoprofessorS. Reinius). (B) Contraçãodasfímbriasemrelaçãoà superfícieovariana,ummecanismopelo qualosovossãocaptadospelo infundíbulo.(C) A muscularurado ovidutoemungulados.A, ampola:a musculaturaconsisteemfibrasespi- raisarranjadasquasecircularmente;B, istmo:notediferençasna morfologiadasfibrasmusculares;C, junçãouterotubária:note a muscu- laturalongitudinaldeorigemuterinabemcomoasfibrasperitoneais(Schilling. ZentralblVeterinaermed1962;9:805).(D) Célulascilia- dasdo oviduto (direita)e útero(esquerda).Note a presençademicrovilosna superfícieapicaldascélulas.(E) Célulassecretorasmostran- do biossíntese,empacotamento,estocagem,liberaçãoe distribuiçãodo materialsecretório,queé o maiorcomponentedo fluido luminal no ovidutoe no útero.A açãodoscinecíliosfacilitaa liberaçãodasecreçãogranulardasuperfíciedascélulas. CÉLULASCrUADAS.As célulasciliadasda mucosa do ovidutopossuemmotilidadeciliar reduzida(cinecílios),que seestendeparao lúmen.O ritmo de pulsaçãodoscílios é afetadopelosníveisdehormôniosovarianos,comatividade máximana ovulaçãoou logoapós,quandoa pulsaçãodos cíliosna porçãodoovidutoprovidadeFímbriasestáintima- mentesincronizadae direcionadaparao óstio.A açãode pulsaçãodo epitélio ciliado parecefacilitar que o óvulo, rodeadopelascélulasdocumulus,sejadesnudadodasuperfí- ciedosfolículosemcolapsoemdireçãoaoóstiodooviduto. CAPÍTULO 2: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO FEMININA 19 Microscopiaeletrônicadevarredurae transmissão Cultura defragmentosda mucosa tubária Observaçõeshistoquímicasdeseçõescongeladas Técnicasdehistoquímicafluorescente Fisiofarmacologiadacontratilidadetubária(ex.:respostaa drogas) Observaçõesvisuaisdo ovidutoatravésdejanelaou paredeabdominal Meios extraou intra-abdominaisparacoletarfluidos Imunofluorescência Farmacologia/neurofarmacologia Efeitosdaprostaglandinadehormôniosesteróides Lavagemsegmentardo oviduto Uso deovossubstitutos Recuperaçãodeovosno úteroin vivo Lavagemsegmentardo ovidutoemintervalosapósa inseminaçãoartificial Lavagemdo ovidutoa partirdasfímbrias,por laparoscopia,emintervalosapós coberturaou inseminaçãoartificial Cinematografiaultra-rápida FUNÇÃO SOBESTUDO TÉCNICAS Estruturae ultra-estruturado epitélio,daati- vidadesecretorae doscílios Identificaçãode receptorescolinérgicosou adrenérgicos Contratilidadedamusculaturatubária Composiçãobioquímicado fluido tubário Detecçãodacaptaçãodeproteínasno epité- lio tubário Transportedo ovo no oviduto Transporteespermáticono oviduto Cinéticadosbatimentosciliares A porcentagemdecélulasciliadasdiminuigradualmentena ampolaemdireçãoao istmoe alcançao máximona fímbria eno infundíbulo.As célulasciliadassãonotadasemgrande númeronos ápicesdaspregasda mucosa.As variaçõesna porcentagemde célulasciliadase secretorasao longo de todaa extensãodo ovidutopossuemalgumafunçãosignifi- cativa.As célulasciliadassão maisabundantesna região onde o óvulo é captado,acima da superfícieovariana, enquantoascélulassecretorassãoabundantesondeos flui- dosluminaissãonecessários,numainteraçãoentreo óvulo eo espermatozóide. A pulsaçãodoscílios ocorreem direçãoao útero.Essa atividade,auxiliadapelascontraçõesdo oviduto,mantémo óvuloem constanterotaçãono oviduto,o que é essencial parajuntaro óvuloeo espermatozóide(fertilização),preve- nindo, assim,uma implantaçãono próprio oviduto. No macacorhesus,o movimentociliar do ovidutoé controlado porhormônios:os cílios desaparecemquasequecompleta- menteapósa hipofisectomiae desenvolvem-seemresposta àadministraçãodeestrógenosexógenos.O ovidutoatrofia- see perdeos cílios duranteo anestro,hipertrofia-see cria novoscíliosduranteo proestroe cio, e atrofia-see perdeos cíliosdurantea gestação. Infecçõesno tratoreprodutivodasfêmeasestãoassocia- dasaalteraçõesgravesnamorfologiadascélulas,comumen- teaperdasdecélulasciliadas.Uma diminuiçãono número decíliospodecausaro acúmulodefluidostubáriosedeexu- datasinflamatóriosno oviduto,o que contribui parauma aglutinaçãonas plicas tubáriase subseqüentedesenvolvi- mentodeumasalpingite. CÉLULASNÃO-CILIADAS.As célulassecretorasdamuco- sado ovidutonãosãociliadasepossuemcaracterísticosgrâ- nulos secretores,sendoque o tamanhoe o númerodeles variamentreasespéciesduranteasdiferentesfasesdo ciclo estra!.A superfícieapicaldascélulasnão-ciliadasé coberta por inúmerosmicrovilos.Os grânulossecretoressãoacumu- ladosnascélulasepiteliaisdurantea fasefoliculardo ciclo, e, apósa ovulação,essesgrânulossãoliberadosdentrodo lúmen,causandoumareduçãona alturado epitélio. O fluido tubáriopossuiváriasfunções,incluindoacapa- citaçãoe ahiperativaçãodoespermatozóide,afertilizaçãoeo desenvolvimentoprecocedapré-implantação.Ele é compos- to porumtransudatoseletivodesoroe porprodutosdosgrâ- nulosdascélulassecretorasdo epitéliotubário(5). As secre- çõestubáriassãoreguladaspeloshormôniosesteróides. O fluidoeo sorodo ovidutosãocompostospordiversos componentesprotéicos.Entretanto,algunsdestescompo- nentesestãopresentesnos dois fluidosorgânicos,em dife- rentesproporções.Por exemplo,a quantidadedeumatrans- ferrinae depré-albuminano fluido tubárioé relativamente maiorquea quantidadede albuminae proteínaspresentes no soro.Muitas proteínasséricasnão fazempartedo fluido tubárioe, contrariamente,muitassãoexclusivasdo fluido tubário. Musculatura do Oviduto e LigamentosRelacionados As contraçõesdo oviduto facilitama misturade seus conteúdos,ajudama desnudarosóvulos,promovemaferti- lização(facilitandoo contatoentreo óvuloe o espermato- 20 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL FIGURA 2-4. Microscopia eletrônica devarreduradooviduto.(A) O epitélio tubário apresenta células secretoras (seta)altamenterevestidaspormicrovi- los e célulasciliadas.Note quemuitas células são inteiramente ciliadas, enquantooutraspossuemcílios somen- tenaperiferia.(B) Estrururasemroseta nas célulasciliadas,um processoque ocorreao acaso,culminandona com- pletaciliação,comomostradoaqui.(C) Células inteiramenreciliadasnas fím- brias,queauxiliamna captaçãodo ovo apósa expulsãono folículo de Graaf. (D) E, epitéliotubário.Pregasmucosas projetadaspara o lúmen da ampola (37TM).(E) Pregasda mucosaprojeta- dasparao lúmendo istmo(40TM). duto. Contraçõesem direçãoopostaao ovário são mais comunsdoqueasdirigidasparaele.De modogeral,a ampola é menosativaqueo istmo.Fatoresadicionaisdecomplexida- desãoasatividadescontráteisdomesossalpinge,domiométrio edosligamentossuspensores,alémdosmovimentosciliares. As contraçõesmuscularesdo oviduto sãoestimuladas pelacontraçãodeduasmembranasmaiores,demusculatura lisa e unidasàsfímbrias,à ampolae ao ovário:o mesossal- pingee o mesotubáriosuperior.A freqüênciae a amplitude dascontraçõesespontâneasvariamdeacordocoma fasedo zóide) e regulam parcialmente o transporte do ovo. Diferentementedo peristaltismointestinal,o peristaltismo do oviduto tende a atrasarligeiramentea progressãodo óvuloao invésdetransportá-lo. PADRÕESDASCONTRAÇÕESDOOVIDUTO.A musculatura do ovidutopassapor váriostiposde contraçõescomplexas: contraçõeslocalizadassemelhantesao peristaltismo,que se originamemsegmentosisoladosoualçascomcurtotrajeto,e contraçõessegmentarese torçõesvermicularesdetodoo ovi- ciclo estra!.Antes da ovulação,as contraçõessão suaves, comvariaçõesindividuaisnaproporçãoeno padrãodecon- tratilidade.Durantea ovulação,as contraçõestornam-se maisvigorosase asdobrasemformade franjasecontraem ritmicamentee "massageiam"a superfícieovariana. O padrãoe a amplitudedas contraçõesvariam nos diferentessegmentosdo oviduto.No istmo,ascontrações peristálticase antiperistálticassãosegmentais,vigorosase quasecontínuas. Na ampola, fortes ondas peristálticas movem-sede maneirasegmentadaem direção à porção médiado oviduto. LiGAMENTO ÚTERO-OVARIANO E LIGAMENTOS RELACIO- NADOS.O ligamentoútero-ovarianoé formadopor células musculareslisas,dispostasemfeixeslongitudinais,queaden- tramo miométrio,masnão o estromaovariano.Os múscu- loslisosdo mesovárioeosváriosligamentosdomesentério, unidosao ovárioe às fímbrias,contraem-seinternamente. Essascontraçõesmuscularesrítmicase intermitentesassegu- ramaposiçãodasfímbriasemrelaçãoàsuperfíciedosovários. ÚTERO O úteroécompostodedoiscornosuterinos(cornuado), umcorpoe umacérvix (colo) (Fig.2-5). A proporçãorela- tivadecadaparte,assimcomoo formatoe a disposiçãodos cornos,variaentreasespécies.Na porca,o úteroé do tipo bicórneo,os cornossãodobradosou convolutose podem atingirde 120cma 150cmdecomprimento(Fig.2-6).Esse comprimentoé umaadaptaçãoanatômicaparasuprirsatis- fatoriamentea leitegada.Na vaca,na ovelhae na égua,um úterobipartidoé típico.Essesanimaisapresentamumsepto queseparaosdoiscornosdeumproeminentecorpouterino (o maioré o da égua).Nos ruminantes,o epitéliouterino apresentadiversoscarúnculos.Ambas asmargensuterinas são unidasà paredepélvica e abdominalpelo ligamento largo. GlândulasEndometriaise Fluido Uterino As glândulasendometriaissãoestruturastubularesrami- ficadase espiraladas,forradaspor epitéliocolunar.Elas se abremnasuperfíciedo endométrio,excetonasáreascarun- culares(emruminantes).As glândulasapresentam-serelati- vamenteretasduranteo cio, e crescem,secretame torn<im- se maisespiraladase complexasà medidaque aumentao nível de progesteronaproduzidopelo CL em desenvolvi- mento.Elas começama regredirquandosãonotadostam- bémos primeirossinaisde regressãoluteínica.As células epiteliaisdo endométrioficamrelativamentealtase passam porumperíododesecreçãoativaduranteo cio, tornando-se baixase cubóides2 diasapósesseperíodo. O volumee a composiçãobioquímicado fluidouterino mostramvariaçõessignificativasduranteo cicloestra!.Na ove- lha,ovolumedofluidouterinoexcedeaodoovidutoduranteo cio,enquantoduranteafaseluteínicaaconteceo contrário. PROTEÍNASUTERINAS.O fluido endometrialcontém proteínasséricase pequenasquantidadesde proteínasute- CAPÍTULO 2: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO FEMININA 21 roespecíficas.A proporçãoe a quantidadedessasproteínas variamdeacordocomo ciclo reprodutivo.As diferençasde concentração,assimcomoa distribuiçãodoscomponentes nosfluidosuterinos,comparadosaosorosangüíneo,eviden- ciama ocorrênciadesecreçãoe detransudação.Na coelha, uma proteínadenominadablastoquinina(uteroglobulina) podeinfluenciara formaçãodeblastocistosapartirdamóru- Ia. O fluidouterinoemcamundongoscontémumfatorque dá início à implantação.Secreçõesuterinasfornecemum ambientefavorávelpara a sobrevivênciae a capacitação espermática,bem como para a clivagem no blastocisto jovemantesda implantação. Proteínasespecíficasdo útero e/oude origemno con- ceptotêmsidocaracterizadasduranteo início da gestação naovelha.Uma dasproteínas,decorpúrpura,comglicopro- teína contendoferro,chamadauteroferrinafoi purificada (6). As secreçõesuterinasparticipamdocontroleembrioná- rio eda implantação. CONTRAÇÃOUTERINA.A contraçãodoúteroécoordena- dapormovimentosrítmicosdo ovidutoe doovário.Há uma cOl)siderávelvariaçãonaorigem,nadireção,nograudeampli- tudeenafreqüênciadascontraçõesno tratoreprodutivo. Duranteo ciclo estral,a freqüênciadascontraçõesdo miométrioatingeseugraumáximodurantee imediatamen- te apóso cio. Duranteo cio, as contraçõesuterinasorigi- nam-seda porçãocaudaldo trato reprodutivoe sãomais predominantesno oviduto.Durantea faseluteínica,a fre- qüênciadascontraçõesé reduzidae somenteumapequena porcentagemmove-seem direçãoao oviduto.O estradiol aumentaa freqüênciadascontraçõesuterinasem ovelhas ovariectomizadas,nas quaisa progesteronareduzessafre- qüência.Altos níveisdeprogesteronasãoobservadosquan- do a atividadecontrátilé relativamentequiescente. MetabolismoUterino O endométriometabolizacarboidratos,lipídioseproteí- nasparasuprirosrequerimentosnecessáriosparaa nutrição celular,paraa rápidaproliferaçãodo tecidouterinoe parao desenvolvimentodo concepto.Essasreaçõesdependemde quatrofenômenos:(a) asreaçõesenzimáticasenvolvidasno metabolismodaglicose,(b) aumentoda circulaçãoatravés de arteríolasespiraladas,(c) alteraçõesmorfológicasque ocorremnO endométrioe no miométrio,(d) açãoestimu- lantedoshormôniosovarianose outroshormônios. Os hormôniosovarianosapresentamsubstancialenvol- vimento na regulaçãodo metabolismouterino. O cresci- mentodoútero(tantosínteseprotéicaquantodivisõescelu- lares)é induzidopor estrógenos.Uma rápidamodificação ocorreno metabolismodo endométriomaisou menosna épocaemqueo ovopassapelajunçãouterotubária. Função do Útero O úteroapresentaumasériedefunções.O endométrio e seusfluidostêmgranderelevânciano processoreproduti- vo: (a) transportedosespermatozóidesdo pontodeejacula- ção atéo local da fertilizaçãono oviduto, (b) regulaçãoda funçãodo CL e (c) início da implantação,gestaçãoe parto. 22 PARTE I: REPRODUÇÃO ANATÔMICA FUNCIONAL ;/ B A c D B Rúmen FIGURA 2-5. Parâmetroscomparativosdaanatomiareprodutivadafêmea.(1) Diferenciaçõesovarianasresul- tantesdasmudançasmorfológicase funcionaisdasespécies.A, ováriodeporca(formadeamora);B, ováriode vaca (formade amêndoa)com folículo emergente;C, ovário de vacacom CL totalmentedesenvolvido;D, ováriode égua(formatode rim) com fossade ovulação(Dyce KM, Sack WO, WensingCJO. Textbookof veterinaryanatomy.Philadelphia:W.B. Saunders,1987).(2) Posiçãodo úteroemvacasdo terceiroaosexto mêsde prenhez.A, sobreposiçãodo úteroe dosovários(esquerda)(listrasverticais,útero;círculo preto,ová- rio) representandoo úterono terceiromêsdeprenhez;B, secçãotransversaldo úterono sextomêsdeprenhez, contendofetorelativamenteadjacenteàsvíscerasabdominais(rúmenà esquerdae úteroà direitado abdome) (DyceKM, WensingCJO. Essentialsofbovine anatomy.Philadelphia:Lea & Febiger,1971).(3) Suprimento sangüíneodotratoreprodutivodevaca.As artériassãomostradasàdireitae asveias,àesquerda.1,artériaova- riana; 1', ramouterino;2, artériauterina;3, artériavaginal;4, veiaovariana;5, veiauterina;6, veia vaginal (DyceKM, SackWO, WensingCJO. Textbookof veterinaryanatomy.Philadelphia:W.B. Saunders,1987). (4) Relaçãoda artériaovarianaem ruminantese seusramos.1, com aquelasda veia uterina;2, asrelações aumentadasdegrandeáreadecontato(DyceKM, SackWO, WensingCJO. Textbookof veterinaryanatomy. Philadelphia:W.B. Saunders,1987). CAPÍTULO 2: ANATOMIA DA REPRODUÇÃO FEMININA 23 ~9 RF '11\\ Hipotálamo~ HipófiseanteriorO': ~r @2) Progesterona . . FSH, LH B Contração do miométrio Secreção do endométrio Criptas cervicais: reservatório de espermatozóide, barreira aos espermatózoides, filtro de espermatozóides A Plasmaseminal: prostaglandinas, enzimasseminais o v Anexo à outra cérvix J', I,Muco FIGURA2-6. Anatomia funcionaldo úteroe da cérvix. (A) Mudançasno tamanhoe no formato do úterode ruminantesdurantea prenhez.Três úterossão mostradosno diagrama:o interno representao úteronão-prenhe;o externorepresentao úteroprenhepróximoaopartoe o central representao úteroapóso parto,emprocessode involução.(B) Anatomia comparativae fisiologia dacérvix.(C) Secçãolongitudinalda cérvixbovinamostrandoa complexidadedascriptascervi- cais,queatraemum grandenúmerode espermatozóides.E, externo;I, interno; M, secreçãoda mucosa;5, estromacervical.(D) Filamentosdemucocervicalfluemdascriptasdacérvix (C) para o epitéliodavagina(V). As característicasbiofísicasdo mucocervicale o arranjomacromolecular domucofacilitamo transporteespermáticodavaginaparao útero(U). (E) Estruturaemsaca-rolha docanalcervicalparaacomodara estruturasimilardopênis(Hunter, 1983).(F) Cérvix decoelho. Noteacomplexidadedo canalcervicalduplo.(G) Cripta cervical(acima)ecélulassecretorasantes e depoisdasecreçãode muco(abaixo). Leucócitos: fagócitos Ci0\ . 2;. I(V Capacitação Muco cervical: propriedades biofísicas, propriedades bioquímicas Micelas: macromoléculas, micromoléculas Secretora (biossíntese) \ \ \ \\ \ Secretora (esvaziada) ~ lo"~1/ \'~", '. I \~ I \ I1 i I I I , I \ ~I. I '" ! ',...J 'Ciliar