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Engenharia Civil Centro Universitário Luterano de Palmas CEULP / ULBRA Departamento de Engenharia Civil - DEC GEOLOGIA APLICADA A OBRAS CIVIS Prof. Msc. Roberta Mara AULA 4 MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO GEOLÓGICA • 1. CONCEITO DE UNIDADE GEOLÓGICA • 2. A INVESTIGAÇÃO GEOLÓGICA • 3. MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO • 1.1 CONCEITO • Unidade geológica: é um corpo geológico espacialmente delimitado, com características específicas e comportamento similar face à determinada solicitação. • Corpo geológico: Camada, zona ou trecho capaz de ser delimitado em superfície e/ou em subsuperfície, com características e propriedades singulares. • Comportamento similar: Comportamento semelhante face à mesma solicitação. • Solicitação: Ação sobre o ambiente geológico imposta, induzida ou resultante da interação com a ocupação antrópica. 1.2 RELAÇÃO COM O PROCESSO GEÓLOGICO • Toda unidade geológica está associada a um processo geológico específico, de tal sorte que o conhecimento dos processos que atuaram num local determinado é essencial para o conhecimento das unidades presentes. • Exemplo: Aluvião é um material resultante de processos de transporte e deposição flúvio- lacustres, constituindo um corpo geológico capaz de ser separado e caracterizado pelas suas propriedades decorrentes do processo de origem. • Uma unidade geológica pode ser constituída por um conjunto de camadas ou por camadas individualizadas, em conformidade com a solicitação. • Exemplo: No caso de uma rodovia, uma camada de argila orgânica de um corpo aluvionar será considerada como uma unidade geológica, devido à possibilidade de induzir recalques do pavimento. Por outro lado, para fins de escavação, um conjunto de várias camadas de um aluvião, pode ser considerado como uma única unidade geológica. • 2.1 OBJETIVO • O objetivo da investigação geológica é delimitar espacialmente as unidades geológicas e determinar suas características e propriedades geomecânicas através de um plano de investigações. • Plano de investigações: conjunto de métodos de investigação aplicado num local para o conhecimento das unidades geológicas. • 2.2 MÉTODOLOGIA DE TRABALHO • Atividades que fazem parte de um plano de investigação: – Caracterizar as solicitações – Avaliar as unidades geológicas presentes em função dos dados existentes, de reconhecimento geológico e outros métodos. – Selecionar os métodos de investigação aplicáveis em função das solicitações, unidades geológicas, fase dos estudos, logística, resolução, prazo, custo e outras variáveis e distribuir as investigações na área através de critérios geométrico e geológico – Acompanhar os resultados e ajustar o plano de investigação – Interpretar os resultados e elaborar os modelos geológico e geomecânico; – Acompanhar a escolha da solução e o desenvolvimento do projeto • 2.3 PRINCIPAIS LIMITAÇÕES • Resolução: capacidade do método de fornecer a informação desejada; a resolução de cada método pode variar conforme a solicitação ou ambiente • Prazo: o prazo disponível para as investigações pode limitar ou até impedir a aplicação de determinados métodos em função do tempo de execução • Custo: o custo das investigações varia entre um e três por cento do custo do empreendimento ou obra, exceto em casos especiais • Custo x benefício: há uma relação ótima entre o volume de investigação, que se reflete no custo das investigações e as informações obtidas, ou seja, o benefício alcançado • 3.1 MÉTODOS INDIRETOS • São métodos que não permitem o acesso ao material investigado, seja “in situ” ou em amostras, utilizando-se de meios indiretos para a delimitação e caraterização da unidade geológica. • 3.1.1 INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS •Sensoriamento remoto: imagens obtidas por satélites e por radar •Fotografias aéreas, em diversas escalas •Essenciais em estudos regionais e na determinação de estruturas geológicas. Objetivo: projetos de obras como estradas, ferrovias, barragens, depósitos de empréstimo de material, loteamentos, depósitos de água, delimitação de bacias hidrográficas e planícies de inundação. • Delimita as ocorrências de tipos de solo, rochas e estruturas baseados na vegetação, hidrografia e relevo • Estudo de estruturas como falhas e dobras • É indispensável realizar estudos geológicos de campo com o objetivo de coletar amostras e delimitar os tipos de solos e rochas mapeados nas fotografias aéreas. • Formas do relevo • Espessura e inclinação de camadas • Estruturas tectônicas • Sistema de drenagens • Sistemas e formas de canais de erosão • Vegetação • Tonalidades de cores na foto • Solos permeáveis e porosos possuem infiltrações de água e, como conseqüência pouca água de enxurrada. Taludes mais inclinados. • Solos impermeáveis ocorre pequena infiltração e a água desce o morro sob forma de enxurrada. Provocam erosões e taludes suaves. • A mudança de relevo, hidrografia e vegetação indica a mudança do tipo de litologia ou solo. Toda a mudança da forma do relevo indica que o tipo de rocha mudou, permitindo delimitar as formações rochosas distintas que afloram, ou seja, mapear os tipos de rochas que afloram numa região. Sabe-se que mudou o tipo de rocha, podendo-se até deduzir algumas características, mas não se sabe realmente qual é o tipo de rocha. •Canais de erosão, arroios e rios; • Existe uma relação forte entre o tipo de rocha (solo) e o sistema de drenagem. Sistemas mais comuns: O sistema de drenagem de uma região é constituído de: Os canais de erosão são sulcos na superfície do terreno, quase sempre em solos, por onde circulam as água somente quando chove. Os cursos d’água tendem a se desenvolver por onde as rochas forem de mais fácil erosão. Devido a isso, há uma relação muito boa entre as características das rochas e a forma do sistema de drenagem. Toda a vez que há uma mudança do tipo ou da estrutura rochosa, muda a forma do sistema de drenagem O sistema de drenagem arborescente ou dendrítico desenvolve-se em rochas homogêneas, onde não existem caminhos preferenciais para as águas correntes, como nas pedras graníticas de estrutura maciça. O sistema de drenagem em grade ocorre quando os tributários principais se deslocam sobre os planos de fraqueza das rochas de mais fácil erosão e paralelos entre si, formando depressões também paralelas . Já os tributários secundários descem os taludes das depressões, normalmente aos tributários principais. Esse sistema é comum em rochas com sistemas de falhas paralelas. •Sistemas dendríticos ocorrem em solos homogêneos. • Sistemas paralelos ocorrem devido aos planos de fraqueza das rochas (solos), falhas; • Mudança de litologia e determinação de lineamentos; • Cursos de água alinhados ou mudanças bruscas na direção da drenagem indicam a presença da falha. A mudança do sistema de drenagem permite delimitar as formações rochosas distintas que ocorrem na região em estudo, mas não se sabe qual a rocha que a constitui. Os sistemas de drenagem permitem, ainda, localizar as falhas tectônicas de compressão, por serem estas os caminhos preferenciais das águas correntes. As águas correntes, quando encontram uma zona de falha fraturada e/ou decomposta, tendem a se desenvolverem por elas, por serem de fácil erosão, só abandonando-as quando a declividade transversal for mais acentuada Segmentos retos dos cursos d’agua retos e alinhados, em um sistema de drenagem, indicam a direção de uma falha tectônica SOLO MAIS PERMEÁVEL SOLO MAIS IMPERMEÁVEL OU POUCO PROFUNDO • Desenvolvem dois tipos de erosão: • erosões longitudinais; • erosões transversais; • Solos arenosos seção em forma de V; • Solos argilosos seção em forma de U; Em solos arenosos, como há grandes infiltrações, a erosão transversal é pequena e a seção transversal dos canais é em V. Em solos argilosos as infiltrações são pequenas e as águas correntes transversais são significativas, executando um trabalho erosivo acentuado e originando canais em seção transversal em U Toda a vez que muda o tipo de solo, muda a forma de canais de erosão. Nos solos arenosos há grandes infiltrações das águas das chuvas, resultando em enxurradas de pequeno volume, que fabricam, por erosão, canais espaçados Nos solos argilosos, as pequenas infiltrações proporcionam grandes enxurradas, que erodem canais muito próximos. A mudança de um sistema denso de ravinas para um esparço possibilita determinar a passagem de um solo argiloso para um arenoso. • Vegetação densa indica solos argilosos e/ou lençol freático Superficial • Vegetação rala indica solos arenosos e/ou lençol freático profundo • indicam solos arenosos e lençol freático profundo • Indicam níveis de enchentes devido a cor escura das argilas depositadas nas planícies de inundação • Tonalidades Escuras indicam solos argilosos e lençol raso A aerofotogeologia possibilita, através dos elementos de análise, delimitar as ocorrências dos tipos de rochas, de estruturas e de solos na região de uma obra, sem determinar quais são. Ela permite apenas mapeá-los. É indispensável ir nos pontos P, característicos de cada área delimitada, que são escolhidos nas próprias fotos aéreas, para realizar estudos geológicos complementares de campo, com o objetivo de determinar os tipos de rochas e coletar amostras de estruturas e de solos que foram mapeados. a) Determinação da extensão, profundidade e espessura das camadas do subsolo até uma determinada profundidade.Descrição do solo de cada camada, compacidade ou consistência, cor e outras características perceptíveis; b) Determinação da profundidade do nível do lençol freático, lençóis artesianos ou suspensos; c) Informações sobre a profundidade da superfície rochosa e sua classificação, estado de alteração e variações; d) Dados sobre propriedades mecânicas e hidráulicas dos solos ou rochas compressibilidade, resistência ao cisalhamento e permeabilidade. Na maioria dos casos os problemas de engenharia são resolvidos com base nas informações a) e b) SONDAGENS DE SIMPLES RECONHECIMENTO (NBR 6484/80) • Finalidade e proporções da obra; • Características do terreno; • Experiências e práticas locais; • Custo compatível com o valor da informação obtida empiricamente 0,5 a 1% do custo da obra Informações insuficientes ou inadequadas podem acarretar superdimensionamento no projeto e orçamentos majorados • São métodos que permitem o acesso ao material investigado, seja “in situ” ou através de amostras. • – Mapeamento das unidades geológicas – Utiliza os mesmos procedimentos dos mapas geológicos – Essencial para a programação das demais investigações – Mapas geológicos especiais (paredes de túneis, superfícies de fundação) • Poços: escavação manual, com enxadão, pá e sarilho, com seções de 1,0m2 de lado, atravessando as camadas de solo. • Profundidade limitada pela presença de água, material instável e rocha; para prosseguir a escavação nessas condições são necessários procedimentos especiais. • Visualização de grande extensão do material e a retirada de grandes volumes de amostra e de amostras indeformadas • ápido até 10m. Profundidade máxima em condições ideais: 20m • Trincheiras são escavações em forma de valeta; podem ser feitas mecanicamente. • Cuidados: instabilização das paredes; quedas de pessoas e animais (necessário cerca e cobertura) • Escavados manualmente com o auxílio de uma broca chamada trado, acoplada a hastes de aço de ¾ de polegadas e a um tê para imprimir o movimento giratório • Somente atravessa a camada de solo, sendo interrompidos pela ocorrência de quaisquer materiais mais duros (rocha alterada mole, linha de seixos, etc) e pela presença de água subterrânea • Permite a obtenção de grande volume de amostras deformadas • Método rápido e portátil; profundidade máxima em condições ideais: 25 a 30m PROCESSO: Destina à prospecção de solos e objetiva caracterizar as camadas constituintes do subsolo. Permite amostrar pequenas quantidades de solos deformadas pelo amostrador. Inicia com a colocação de um revestimento (tubo) com diâmetro entre 12 e 15cm. O revestimento possui um tê para facilitar a circulação d’água. O procedimento consiste de operações alternadas de perfuração e amostragem. A perfuração é realizada com um trépano, destruindo-se a estrutura do solo, e a limpeza é feita com a circulação da água. Esta operação avança 55cm. A amostragem consiste na cravação de um amostrador SPT através de golpes de um peso ou batente. O curso desta operação é de 45cm. O avanço total das operações é de 1m. Sondagens de percursão com circulação d’água ou SPT 2.2.2. OPERAÇÃO DE PERFURAÇÃO É realizada com a percussão manual e a rotação do trépano, empregando-se uma braçadeira. Os movimentos geram a desagregação do solo, facilitando a sua remoção pela circulação da água. À água é injetada com pressão moderada através de uma bomba, circulando por dentro da haste de perfuração (onde é acoplado o cachimbo ou tornel) e saindo por orifícios na extremidade do trépano. A água retorna pelo espaço entre a haste e a parede do furo, arrastando as partículas do solo em suspensão, saindo pela abertura lateral do tê que é acoplado no revestimento. Sondagens de percursão com circulação d’água ou SPT 2.2.3. OPERAÇÃO DE AMOSTRAGEM Inicialmente é suspensa a atividade de circulação de água. Toda a composição de perfuração é retirada do furo (hastes e trépano). O trépano é então substituído pelo amostrador padrão e o tornel (cachimbo) é substituído pelo cabeçote de cravação. A nova composição é introduzida no furo. Com o auxílio do tripé montado sobre o furo, deixa-se cair um peso de 65kg a uma altura de 75cm. Cada impacto constitui um golpe ou percussão. O avanço do amostrador é registrado, contando-se o número de golpes para penetrar 15cm. São realizadas três contagens para três intervalos de 15cm. O numero de golpes padrão corresponde à soma dos golpes utilizados para penetrar os dois últimos intervalos de 15cm, ou seja, os trinta centímetros finais do amostrador. Sondagens de percursão com circulação d’água ou SPT 2.2.4. CORRELAÇÃO ENTRE O NÚMERO DE GOLPES E A RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO DOS SOLOS (USADAS PARA DIMENSIONAMENTO DE SAPATAS) Sondagens de percursão com circulação d’água ou SPT Para este procedimento, retira-se a composição do furo e tampa- se a extremidade do revestimento. Após 24 horas, com uma trena de tecido com um peso na extremidade, mede-se a distância entre a borda do revestimento e o nível d’água. Desconta-se a altura entre o topo do revestimento e o terreno. O amostrador é constituído de um corpo cilíndrico bipartido (duas meias cavas), que é conectado por rosca a uma sapata cortante cilíndrica-tubular numa extremidade e a uma luva de conexão na outra extremidade. A luva conecta também por rosca o amostrador ao tubo de sondagem (ou haste de perfuração). Equipamento • Tripé com sarrilho, roldana e cabo; • Tubos de revestimento: ⎞int = 2 ½”, 3”, 4” ou 6”; • Hastes de aço roscável: ⎞int= 25mm, ⎞ext= 33,7mm (3,23 kg/m) • Martelo cilíndrico ou prismático com coxim de madeira para cravação das hastes e tubos de revestimento (peso = 65kg); • Amostrador padrão bipartido, dotado de dois orifícios laterais para saída de água e ar: ⎞int = 34,9mm e ⎞ext = 50,8mm; • Conjunto motor-bomba para circulação de água na perfuração; • Trépano (peça de aço biselada para o avanço por lavagem) • Trados (para perfuração inicial) 2.2.6. NÚMERO, LOCAÇÃO E PROFUNDIDADE DOS FUROS DE SONDAGEM NBR 8036/83 - Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios Locação dos furos - devem cobrir toda a área carregada. A distância entre furos não deve ser superior a 30 metros. Profundidade dos furos → deve considerar a profundidade provável das fundações e do bulbo de tensões gerados pela fundação prevista e as condições geológicas locais. 2.2.7. • VANTAGENS DA SONDAGEM SPT • Custo relativamente baixo; • Facilidade de execução e possibilidade de trabalho em locais de • difícil acesso; • Permite descrever o subsolo em profundidade e a coleta de • amostras; • Fornece um índice de resistência a penetração correlacionável • com a compacidade ou a consistência dos solos; • Possibilita a determinação do nível freático (com ressalvas). • 3.2.5 SONDAGENS ROTATIVAS (SR) • Recuperação: relação entre o comprimento perfurado e o comprimento de testemunhos recuperados; não pode ser inferior a 90%. • A recuperação depende de: – tipo litológico – grau de fraturamento e grau de alteração da rocha – tipo de equipamento e acessórios • A recuperação pode ser melhorada através de: – perfuração cuidadosa (manobras curtas, pouca água) – uso de coroas e barriletes apropriados (duplo, triplo) – amostragem integral • Ensaios: – perda d’água sob pressão, destinado a avaliar a permeabilidade do maciço PROCESSO DE EXECUÇÃO E EQUIPAMENTO O movimento de rotação do motor é transmitido ao tubo de avanço através de uma caixa de transferência. Entre a caixa de transferência e o motor há uma embreagem, que permite parar a rotação do tubo de avanço e do tubo de sondagem sem desligar o motor, para acrescentar segmentos de tubo de sondagem, retirar o porta-testemunho ou trocar a broca. Apertando os parafusos do mandril, o tubo de sondagem ( tubo de lavagem ou haste de perfuração) é fixado ao tubo de avanço. Assim a rotação do motor transferida ao tubo de avanço é também transferida ao tubo de sondagem. Para evitar desmoronamento, antes de iniciar a sondagem em rocha, um tubo de revestimento de 15 a 20 cm de diâmetro é cravado atravessando toda a camada de solo superior. Na extremidade inferior do tubo de sondagem, que possui em geral cinco centímetros de diâmetro, é conectado um tubo cilíndrico metálico, denominado porta testemunho, em cuja extremidade inferior é conectado uma broca. As brocas são tubos cilíndricos curtos e de dois tipos: • broca de diamante para perfurar rochas duras • broca de vídea para perfurar rochas brandas A medida que a rocha vai sendo desgastada, um cilindro maciço de rocha, denominado testemunho, vai penetrando dentro da broca e após dentro do porta testemunho. Toda vez que forem interceptadas fendas (ou diaclases), não se terá um testemunho único, mas fragmentos de testemunho individualizados pelas fendas. Na extremidade inferior do porta testemunho há, internamente, um mola tronco-cônica que deixa o testemunho entrar, mas não deixa sair quando se suspende a sondagem