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�PAGE � �PAGE �4� Direito Individual do Trabalho. Prof. João Alves de Almeida Neto Ponto 11: Terceirização no Direito do Trabalho. Terceirização lícita e ilícita. Trabalho temporário. Entes estatais e terceirização. Responsabilidade na terceirização. TERCEIRIZAÇÃO Conceito: Etimologicamente: é o ato de repassar a um terceiro uma atividade que caberia a própria pessoa executar. Direito do Trabalho: “Procedimento adotado pela empresa que transfere a outrem a execução de uma parcela de sua atividade permanente ou esporádica, dentro ou além dos limites de seu estabelecimento, com a intenção de melhorar a sua competitividade, produtividade e capacidade lucrativa”. Contexto: Avanço industrial e tecnológico Novas técnicas de administração e produção Mudança→ tradicionalmente a empresa desenvolvia todas as fases de produtivas em seu estabelecimento. Transpasse de parte de sua atividade produtiva para uma empresa especializada (objeto social → fornecimento de mão-de-obra) Redução dos custos e aumentos dos lucros Direito do Trabalho Início→ não intervenção, pois o empregado estava protegido relação empregatícia que tinha com a empresa terceirizada. Posteriormente → insolvência das empresas terceirizadas → sem patrimônio → criação doutrinária e jurisprudencial de mecanismos de responsabilização do tomador dos serviços pelas dividas trabalhistas contraídas pelas empresas prestadoras de serviços. Fundamentos da responsabilidade: Diversos fundamentos. Os mais importantes: Princípio da despersonalização do empregador / personificação da empresa Empregado da empresa e não da sociedade. Atividade da empresa prestadora do serviço faz parte do conjunto das atividades do cliente. A atividade da prestadora e do cliente faz parte do mesmo processo produtivo, ou seja, da mesma empresa. Responsabilidade indireta Classificação: Responsabilidade por fato próprio Responsabilidade por fato de terceiro Art. 932 do NCC → culpa in vigilando e culpa in eligendo Art. 923 do NCC → empregadores responsáveis pelos atos dos empregados, serviçais e prepostos → empresa terceirizada pode ser considerada “preposto”. Proteção legal e jurisprudencial Inexiste uma lei tratando expressamente sobre a terceirização Decreto-Lei n. 200/67 e Lei n. 5.645/70→ descentralização Administrativa (União) → (art. 3°, § único) atividade relacionadas com transporte, conservação, custódia, operação de elevadores, limpeza e outras assemelhadas [...] = atividades de apoio, instrumentais, atividade-meio. Lei 6.019/74→ Trabalho temporário em empresas urbanas (necessidades transitórias de substituição de pessoal regular e permanente / necessidade resultante de acréscimo extraordinário se serviços)→ intermediação de mão-de-obra → (art. 16) solidariedade entre as empresa cliente e a empresa de trabalho temporário quanto as obrigações trabalhistas e previdenciárias Lei 7.102/83→ regulamentou a constituição e funcionamento de empresas de serviços de vigilância e de transporte valores Jurisprudência Primeiro Momento → admitir a terceirização apenas nas hipóteses legais: trabalho temporário e serviços de vigilância → demais hipóteses seria terceirização ilícita Segundo Momento → flexibilização do TST → acrescentou a hipótese de serviços de conservação e de limpeza /// e /// terceirização da atividade meio da empresa cliente /// permitiu a terceirização no serviço público, mas vedou o reconhecimento do vínculo direto com a ADM Pública. Terceiro momento → trazendo expressamente a responsabilidade subsidiária da empresa cliente, desde que participe do processo e conste no título executivo judicial. Espécies Terceirização lícita Permitida pelo ordenamento jurídico: Lei 6.019/74→ Trabalho temporário em empresas urbanas Lei 7.102/83→ regulamentou a constituição e funcionamento de empresas de serviços de vigilância e de transporte valores. (ausência de pessoalidade e subordinação direta) Jurisprudência → Súmula 331 do TST As duas hipóteses anteriores + serviços de conservação e limpeza (ausência de pessoalidade e subordinação direta) + Atividade meio (ausência de pessoalidade e subordinação direta) + Adm Pública. Nestas hipóteses, o ordenamento jurídico permite a terceirização trabalhista, no entanto, atribui responsabilidade subsidiária a empresa cliente pelas obrigações trabalhistas Culpa in vigilando e culpa in eligendo Terceirização ilícita Regra é que a terceirização é ilícita, salvo as hipóteses autorizadas pelo ordenamento jurídico trabalhista (Lei 6.019/74; Lei 7.102/83; serviços de conservação e limpeza + Atividade meio + Adm Pública) O que é atividade-fim e atividade-meio de uma empresa? Atividade-fim é aquela que se encontra estreitamente ligada ao objeto social da empresa Atividade-fim: funções e tarefas empresariais e laborais que se ajustam ao núcleo da dinâmica empresarial do tomador dos serviços, compondo a essência dessa dinâmica e contribuindo inclusive para a definição de seu posicionamento e classificação no contexto empresarial e econômico. Portanto, atividades nucleares e definitórias da essência da dinâmica empresarial do tomador dos serviços. Atividade-meio: funções e tarefas empresariais e laborais que não se ajustam ao núcleo da dinâmica empresarial do tomador, nem compõem a essência de seu posicionamento no contexto empresarial e econômico mais amplo. Portanto, atividades periféricas à essência da dinâmica empresarial do tomador dos serviços. Primazia da realidade → importa mais a atividade desenvolvida pela empresa do que está estabelecido no estatuto como objeto social. Critério da indispensabilidade → atividade que é condição indispensável para o funcionamento da empresa (atividade-fim) / atividade que na sua ausência temporária, a empresa continua funcionando, mesmo com dificuldade.(atividade-meio) Responsabilidade solidária por ato ilícito. Terceirização de atividades relacionadas com construção civil OJ 191 da SDI-I Quando a empresa cliente contrata outra prestadora de serviços para a execução de obras de construção civil → não está ligado a sua atividade-fim → ausência de responsabilidade (solidária e subsidiária). Crítica por tratamento diferenciado das demais terceirizações→ deveria responder subsidiariamente. Quando a empresa cliente for construtora civil ou incorporadora→ ligado a sua atividade-fim → responsabilidade (solidária ou subsidiária?) Subsidiária: Ausência de disposição legal ou contratual da responsabilidade solidária Solidária: atividade-fim→ terceirização ilícita → solidariedade por ato ilícito Subempreitada → art. 455 da CLT→ responsabilidade do empreiteiro principal / AMB → subsidiária / outros entendem que é solidária. Terceirização no serviço público Súmula 331 do TST È possível a terceirização Não é possível o reconhecimento do vínculo empregatício com a Administração Pública, haja vista que só é possível mediante concurso público (art. 37, II da CF/88). Responsabilidade objetiva ou responsabilidade subjetiva (culpa in vigilando) Reconhece a responsabilidade subsidiária da Adm. Pública. Art. 71, § 1 da Lei 8.666/93 (Lei de licitações) veda a responsabilidade ou a responsabilidade solidária da Adm. Pública ? ADC-16 – Constitucionalidade do Art. 71, § 1 da Lei 8.666/93. STF entende o referido artigo é constitucional, mas não nega que a Adm. Pública pode ser responsabilidade, desde que demonstre no caso concreto a responsabilidade subjetiva, com fundamento em outros dispositivos legais, pelo inadimplemento dos créditos trabalhistas. Conclui-se, o art. 71, § 1 da Lei 8.666/93 veda a responsabilidade objetiva, o que não impede que a Adm. Pública seja responsabilizada subjetivamente e de forma subsidiária (Súmula 331, IV do TST). Terceirização no serviço de telecomunicação. Atividade inerente – Cautelar no STF – entende que é sinônimo de atividade-fim, logo poderia haver uma espécie de terceirização licita na atividade fim por prazo determinado, já que se entende que o trabalho temporário é uma espécie de terceirização licita por prazo determinado (3 meses, renováveis por mais 3 meses com a autorização do MTb). Efeitos da terceirização Na terceirização ilícita → vinculo empregatício com a tomadora do serviço → responsabilidade solidária → possível a equiparação salarial Na terceirização lícita → responsabilidade subsidiária → chamar ao processo ambas as empresas → impossibilidade de equiparação salarial (?). Trabalho temporário → salário eqüitativo (art. 12, “a”) As demais hipóteses de terceirização lícita → parte da doutrina entende que não cabe o salário eqüitativo / outra parte defende a sua aplicação com base nos preceitos constitucionais da vedação de distinção entre as formas de trabalho (art. 7, XXXII), no princípio da isonomia (art. 5 caput e I), aplicação analógica da lei do trabalho temporário, dentre outros fundamentos. Leitura: Art. 445 da CLT. Súmula 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE - Inciso IV alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000 I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). OJ 191 da SDI-1 do TST DONO DA OBRA. RESPONSABILIDADE. Inserida em 08.11.00 Diante da inexistência de previsão legal, o contrato de empreitada entre o dono da obra e o empreiteiro não enseja responsabilidade solidária ou subsidiária nas obrigações trabalhistas contraídas pelo empreiteiro, salvo sendo o dono da obra uma empresa construtora ou incorporadora.