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3. DIREITO CONSTITUCIONAL
3.1. Conceito de Direito Constitucional – é um ramo do direito público, cujas normas jurídicas são fundamentais à organização, ao funcionamento e à configuração política do Estado, estabelecendo a estrutura do Estado, a organização de suas instituições e seus órgãos, o modo de aquisição e exercício do poder, bem como a limitação desse poder, por meio, especialmente da previsão dos direitos e garantias fundamentais e da divisão de poderes do Estado.
3.2. Conceito de Constituição - É a ordenação sistemática e racional da comunidade política por meio de um documento escrito no qual se declaram as liberdades e os direitos e se fixam os limites do poder político. (Canotilho).
3.3. Poder Constituinte - Noção de Poder constituinte: é o poder de elaborar e modificar uma constituição. É a expressão da vontade suprema do povo social e juridicamente organizado. É o poder de construir e reconstruir o Estado.
Espécies do Poder Constituinte: originário e derivado
3.3.1.1. Poder Constituinte Originário: é o poder de elaborar uma constituição. Não encontra limites no direito positivo anterior. Não deve obediência a nenhuma regra jurídica preexistente.
CARACTERÍSTICAS: é poder: político (que faz nascer a ordem jurídica) inicial (inicia um novo Estado, rompe com a ordem anterior), supremo e incondicionado (não tem limites nem procedimentos pré-estabelecidos pelo direito).
3.3.1.2. Poder Constituinte Derivado: é o poder de direito resultante do texto constitucional. Também chamado de poder de revisão ou de reforma, ou poder de editar emendas constitucionais. É estabelecido pelo poder originário.
CARACTERÍSTICAS: derivado, subordinado e condicionado (aos limites pré-estabelecidos pela Constituição originária). Não têm poderes sobre as cláusulas pétreas (art. 60 § 4º CF);
Obs: Derivado também é o poder de elaborar as Constituições Estaduais.
3.4. Interpretação da Constituição 
A interpretação da Constituição envolve a mesma noção aplicada à interpretação das normas jurídicas, ou seja, é um trabalho de compreensão das normas diante de um contexto social relacionado a um caso concreto. Entretanto, por tratar-se de normas de hierarquia superior é necessário considerar alguns princípios especiais direcionados ao intérprete da Constituição:[1: Paulo. Vicente, Marcelo Alexandrino. op. Cit. Pg. 70-74.]
A doutrina e jurisprudência extraem dos princípios o entendimento de que:
não há hierarquia entre as próprias normas constitucionais;
os bens jurídicos protegidos na Constituição devem coexistir harmoniosamente sem supremacia de um sobre o outro (igualdade dos bens constitucionais);
a Constituição tem força normativa. Não se deve negar eficácia às normas constitucionais sobre todo o ordenamento e sempre deverá estar influenciando na aplicação do Direito;
O sentido extraído da interpretação das normas infraconstitucionais não deverá ferir preceitos constitucionais sob pena de inconstitucionalidade.
3.5. Princípios Fundamentais na CF 
Os princípios fundamentais da Constituição de 1988 são responsáveis por estabelecer as bases da organização social e política brasileira, estabelecendo os contornos do Estado e a forma como deve ser gerido.
Preâmbulo:
 “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir em Estado Democrático, destinado a assegurar exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil”.
O Estado Brasileiro foi idealizado como Estado Democrático de Direito, onde a democracia é pressuposto para se garantir o Estado de Direito.
O princípio Federativo (O art. 1.º da CF): 
“A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento:
I – a soberania – (É poder político supremo (não limitado a nenhum outro) e independente (por não acatar na ordem internacional regras que não sejam voluntariamente aceitas).
II – a cidadania – (Consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e outros temas de interesse público).
III – a dignidade da pessoa humana - (Valor supremo constitucional que irá informar a criação, a interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional, sobretudo, o sistema de direitos fundamentais - art. 5.º).
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; (Impede a concessão de privilégios econômicos condenáveis, por ser o trabalho imprescindível à promoção da dignidade da pessoa humana. Aquele que contribui para a sociedade a qual pertence se sente útil e respeitado. A liberdade de iniciativa (envolve a liberdade de empresa e a liberdade de contrato). 
V – o pluralismo político” (Decorre do princípio democrático - Impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas). 
Extrai-se que o Brasil é uma República Federativa, formada pelos Estados, Municípios e Distrito Federal. Eles estão reunidos de forma indissolúvel e não podem ser separados do Estado brasileiro.
Federação, no Direito Público, é entendida como uma união indissolúvel formada por Estados independentes para a formação de uma só entidade soberana.
O princípio do regime representativo (Parágrafo único do art. 1.º da CF)
“todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente, nos termos da Constituição”.
O regime representativo é o democrático, uma forma de governo na qual o poder é exercido pelo povo e para o povo, através de seus representantes legitimamente eleitos.
	
O povo, através dos eleitores, escolhe o Presidente da República, os senadores e os deputados e estes exercem o poder por representação, governando o país em nome do povo e para o povo. 
Democracia é a forma de governo na qual o poder é exercido pelo povo, através de seus representantes legitimamente escolhidos.
Obs: Democracia tem sua origem em duas palavras gregas, demos, que significa povo e cratos, que significa poder ou governo. 
O princípio da separação dos Poderes (O art. 2.º da CF )
“São poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. 
Obs: A separação dos poderes (ou divisão de poderes) tem o objetivo de descentralização dentro de um Estado; a independência e autonomia entre os poderes favorecem o controle e o equilíbrio entre os mesmos e dificulta a concentração nas mãos de um só governante. Os Estados modernos, na sua maioria, adotam o regime representativo-democrático, impedindo a forma ditatorial. 
São três, portanto, os poderes no plano federal: 
Legislativo, exercido pelo Congresso Nacional com a principal missão de elaborar as leis jurídicas; 
Executivo, exercido pelo Presidente da República que tem a incumbência de governar e administrar o Estado; 
Judiciário, exercido pelos Juízes e Tribunais que interpretam as leis jurídicas, aplicando-as para dirimir os litígios sociais.
O princípio da divisão dos poderes determina que cada um deles atue dentro de sua esfera de atribuições, sem se interpenetrarem, harmonizando as suas atividades para atingirem um objetivo comum que é o bem público. Enfim, esse princípio visa evitar a interferência de um Poder, na esfera de atribuição do outro.
3.6. Objetivos Fundamentais da República (art. 3.º da CF )
 	“Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
3.7. Princípios para as relações internacionais (art. 4.º da CF )
Nas relações internacionais, o Brasil é regido pelos seguintes princípios:
I – independência nacional;
II – prevalência dos direitos humanos;
III – autodeterminação dos povos;
IV – não-intervenção;
V – igualdade entre os Estados;
VI – defesa da paz;
VII – solução pacífica dos conflitos;
VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X – concessão de asilo político.
Obs: Merece destaque o § 2.º da CF, o qual estabelece que os direitos e garantias das pessoas expressos na Constituição não excluem outros decorrentes dos tratados internacionais em que o Brasil seja parte. Portanto, é possível a existência de outros direitos e garantias fundamentais não constantes do Título II, Capítulo I“ Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, da Constituição, e estão previstos nos Tratados Internacionais e internalizados na forma de decretos legislativos.
Parágrafo único do art. 4.º da CF:
“A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações” 
3.8. Garantias - Remédios constitucionais
 
São garantias constitucionais utilizadas para tornar efetivo o exercício dos direitos constitucionais. Temos seis institutos.
 
 
3.8.1. Ação popular (art. 5º, LXXIII, da CF e Lei n.º 4.171/65)
 
	É o meio constitucional posto à disposição de qualquer cidadão para obter a invalidação de atos ou contratos administrativos ilegais e lesivos ao patrimônio federal, estadual ou municipal, ou ao patrimônio de autarquias, entidades paraestatais e pessoas jurídicas subvencionadas com dinheiro público.
	Tem como requisitos fundamentais a) só poder ser proposta por cidadão brasileiro; b) exige uma ilegalidade na formação ou no objeto do ato; c) Lesividade ao patrimônio público (Ex: ao patrimônio público, à moralidade, ao meio ambiente, etc.).
	A entidade lesada, os autores e responsáveis pelo ato ilegal e os beneficiários do mesmo é que são os sujeitos passivos na relação processual.
	Se for procedente o pedido de ação popular, o juiz deverá decretar a invalidade do ato, a condenação ao ressarcimento de perdas e danos por parte dos responsáveis, pelos atos praticados com dolo ou culpa. O autor se vencido é isento de custas.
Obs: O Ministério Público é sempre parte no processo (parte autônoma), só não pode defender o ato ilegal.
3.8.2. Mandado de Segurança (art. 5º, LXIX, da CF).
	É impetrado somente pelo próprio titular do direito violado (qualquer pessoa natural ou jurídica) quando tiver negado direito líquido e certo. 
	Direito líquido e certo é a certeza quanto à situação de fato: é o direito certo quanto a sua existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercido no momento da sua impetração. Pode ser provado documentalmente.
	O prazo para impetrar é 120 dias contados da data da ofensa jurídica.
	Os sujeitos passivos são as autoridades públicas e agentes de pessoas jurídicas privadas com atribuição de Poder Público. É proposto contra a autoridade coatora e não contra a pessoa jurídica.
	Obs: Autoridade coatora: será sempre aquela que concretiza a lesão a direito individual como decorrência de sua vontade (aquela que tem poder de desfazer o ato). 
No ato colegiado (formado por várias pessoas) deve ser impetrado contra o presidente. 
No ato complexo (se forma pela vontade da autoridade, mas dependendo de referendo de autoridade superior) é impetrado contra a autoridade inferior que elaborou o ato, já que a autoridade superior fez mera conferência. 
	Obs: Não cabe MS contra ato de particular.
	Recebida a petição inicial, notifica a autoridade para, em 10 dias, prestar informações; em seguida os autos vão ao Ministério Público para parecer, em 5 dias, seguindo-se, imediatamente, a sentença. Não há formação de prazo para provas. As informações não tem natureza de contestação e sua falta não gera revelia ou confissão.
 
 
3.8.3. Mandado de segurança coletivo (art. 5º, LXX, da CF).
 
	Tem o mesmo fundamento e procedimento que o mandado de segurança comum, entretanto, só pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional ou organismo sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. O impetrante atua como substituto processual dos associados, ou seja, age em nome próprio na defesa de interesse de terceiro (deve ser autorizada no estatuto).
	 
3.8.4. Mandado de Injunção (art. 5º, LXXI, da CF)
 
	Remédio constitucional que permite a qualquer pessoa natural ou jurídica provocar a criação de normas jurídicas cuja finalidade é viabilizar o exercício de um direito constitucionalmente previsto e que depende de regulamentação por estar previsto em uma norma constitucional de eficácia jurídica limitada.
	
	Não cabe: contra lei infraconstitucional; quando a omissão for suprida por projeto de lei ainda não aprovado pelo Congresso Nacional;
	
	Não é admitido liminar nessa ação porque têm-se que esperar a resposta do órgão julgador em dizer se existe a omissão ou não quanto à norma. Os procedimentos para a ação são os mesmos cabíveis no mandado de segurança se não houver necessidade de produção de provas, do contrário segue o rito comum.
	O sujeito passivo é o órgão ou poder incumbido de elaborar a norma
 3.8.5. Habeas Data (art. 5º, LXXII, da CF)
 
	É um remédio constitucional, que tem por finalidade proteger a esfera íntima dos indivíduos, possibilitando-lhes a obtenção e retificação de dados e informações constantes de entidades governamentais ou de caráter público. Pretende assegurar o direito de acesso e conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante e o direito à retificação desses dados.
Obs: É uma ação personalíssima, não se admite pedido de terceiros, nem sucessão no direito de pedir e não depende de prévio pedido administrativo.
	O procedimento não tem disciplina processual específica. Se não precisar de prova aplica-se o procedimento do MS, se precisar é o rito comum ordinário.
	
Obs: O art. 5º, XXXIII dispõe que o direito de receber dos órgãos públicos informações não inclui aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
 
 3.8.6. Habeas Corpus (art. 5º, LXVIII, da CF)
 
	É uma ação penal de natureza constitucional, podendo ser promovida por qualquer pessoa, cuja finalidade é prevenir ou sanar a ocorrência de violência ou coação na liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
	Obs: Quaisquer pessoas – inclusive menores e incapazes, nacionais ou estrangeiros, não exigindo sequer capacidade postulatória (não precisa ser advogado).
Sujeito passivo: contra ato de qualquer agente, no exercício de função pública. Assim, sempre que alguém atuar em nome do Estado e, nesta qualidade, constranger ilegalmente a liberdade de outrem cabe HC. A doutrina sustenta que pode ser promovida contra ato de particular. 
	Obs: O HC pode ser preventivo ou liberatório.

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