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1 Sistemas de comunicaSistemas de comunicaçção ão e novas tecnologiase novas tecnologias MMóódulo 3: Capitalismo informacionaldulo 3: Capitalismo informacional 3.3. Internet3.3. Internet Prof. Dr. Marcos DantasProf. Dr. Marcos DantasProf. Dr. Marcos DantasProf. Dr. Marcos DantasProf. Dr. Marcos DantasProf. Dr. Marcos DantasProf. Dr. Marcos DantasProf. Dr. Marcos Dantas Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. 1.1. A internetA internet 2 Va mos ao ci ne ma? Va mos ao ci ne ma? Va m os ao ci ne m a? Va m os ao ci ne m a? Va m os ao ci ne m a? Va mo s ao ci ne ma? ci ao ma? neVa mos mosVa ci a o m a? Na comutaNa comutaçção por circuitos, a mensagem ão por circuitos, a mensagem ““viajaviaja”” na ordem em que foi emitida. na ordem em que foi emitida. ÉÉ o o que acontece na telefoniaque acontece na telefonia Na comutaNa comutaçção por pacote, a mensagem ão por pacote, a mensagem éé fracionada em fracionada em ““pacotespacotes”” de bits e enviada por diferentes caminhos, de bits e enviada por diferentes caminhos, sendo reunida e ordenada ao final. Esta tsendo reunida e ordenada ao final. Esta téécnica cnica viabilizou a viabilizou a internetinternet. . ComutaComutaçção por pacotesão por pacotes 1 A idA idééia da redeia da rede ht tp :// w w w . co m pu te rh is to ry .o rg /in te rn e t_ hi st o ry / 2 ht tp :// u pl o ad .w ik im ed ia . o rg /w ik ip ed ia /e n /th u m b/ 2/ 27 /P au l_ Ba ra n .jp g/ 15 0p x- Pa u l_ Ba ra n .jp g, ac es so em 7/ 06 /2 01 1 P. Baran (1926-2011) A concepA concepçção da comutaão da comutaçção por pacote ão por pacote éé original da tese de original da tese de doutoramento de Leonard doutoramento de Leonard KleinrockKleinrock, no MIT, em 1961. Em 1964, , no MIT, em 1961. Em 1964, Paul Baran, da Paul Baran, da RandRand CorporationCorporation, publica , publica ““Sobre as redes Sobre as redes distribudistribuíídasdas””, no qual expõe o resultado de suas experiências em , no qual expõe o resultado de suas experiências em laboratlaboratóório com redes de computadores baseadas na comutario com redes de computadores baseadas na comutaçção ão por pacotes. Sendo um centro de pesquisa intimamente por pacotes. Sendo um centro de pesquisa intimamente relacionado ao Pentrelacionado ao Pentáágono, a gono, a RandRand buscava responder buscava responder àà demanda demanda militar por uma rede de comunicamilitar por uma rede de comunicaçção capaz de sobreviver a um ão capaz de sobreviver a um holocausto nuclear. Naturalmente, as experiências de Baran holocausto nuclear. Naturalmente, as experiências de Baran serviram para o desenvolvimento da serviram para o desenvolvimento da ArpanetArpanet, origem da internet. , origem da internet. 3 19601960 19451945 19901990 19701970 Nascimento da internetNascimento da internet 20/04/1951 20/04/1951 –– Primeiras experiências com a rede SAGE, projeto do MIT e Força Aérea dos EUA. 19581958-- Com computadores IBM de 60 mil válvulas, começa a operar a rede SAGE. Fev. 1958 Fev. 1958 –– Criação da DARPA. 1962 1962 -- Joseph Carl Robnett Licklider assume a direção da DARPA e inicia um projeto de rede de computadores 1964 1964 –– Paul Baran, da Rand Corp., propõe o modelo de rede distribuída com “comutação por pacotes” 29/11/1969 29/11/1969 –– Primeira conexão UCLA-Stanford. Nasce a Arpanet, com quatro nós 1972 1972 –– Ray Tomlinson, da BBN Techs (contratada do Pentágono) propõe o endereçamento user@host 1974 1974 –– Equipe liderada por Vincent Cerf desenvolve o protocolo TCP/IP. A Arpanet já reúne 61 nós e é conectada à NASA. Primeiras comunidades lúdicas. 1979 1979 -- Tom Truscott e Jim Ellis, estudantes da Univ. de Utah, criam um programa de troca de mensagens em Unix, originando a rede Usenet. 19791979 -- No Reino Unido, os Correios (Post Office) lançam o “Prestel”, serviço de acesso a informações e de intercâmbio de mensagens. 1980 1980 –– Um computador da Universidade Berkeley (Arpanet) é conectado à Usenet. 1982 1982 –– A DGT francesa lança o Minitel, serviço de acesso a informações e intercâmbio de mensagens. 1983 1983 –– Pentágono cria a MILNET. Bill von Master funda a Control Video Corp (CVC), para jogos em rede com Atari. 1984 1984 –– Richard Stallman cria a Free Software Foundation e propõe o “copyleft” contra o “copyright”. 1985 1985 –– Steve Casey e Jim Kinsey transformam a CVC em America On-Line (AOL) que investe em agressiva campanha em busca de assinantes para o seu serviço privativo de rede. 1988 1988 –– Fundação Nacional de Ciência (FNC) associa-se aos troncos da Arpanet. A Usenet já reúne 11 mil sítios 1989 1989 –– A internet reúne 160 mil sítios, incluindo universidades do Reino Unido, Japão, Itália, Alemanha, Israel, México. 33 Os problemas, inéditos, eram resolvidos pragmática e consensualmente, através de soluções que parecessem “lógicas”, sem “dilemas políticos”, conforme regras de crítica próprias ao ambiente acadêmico O lanO lanççamento do amento do ““SputnikSputnik”” pela URSS (4/10/1957) pela URSS (4/10/1957) éé percebido, nos EUA, com terrpercebido, nos EUA, com terríível ameavel ameaçça a àà seguransegurançça nacional e humilha as a nacional e humilha as C&TC&T do pado paíís. Para s. Para recuperar o atraso, o Pres. recuperar o atraso, o Pres. EisenhowerEisenhower cria a cria a Agência para Projetos AvanAgência para Projetos Avanççados de Pesquisa ados de Pesquisa (DARPA) ligada ao Pent(DARPA) ligada ao Pentáágono. A DARPA fomentargono. A DARPA fomentaráá as pesquisas que resultaram, entre outras, na as pesquisas que resultaram, entre outras, na inveninvençção do circuito integrado (ão do circuito integrado (““chipchip””) e no ) e no desenvolvimento da internet.desenvolvimento da internet. Sob orientação militar, a rede foi desenvolvida inicialmente por grupos de pesquisadores e estudantes, com sua própria ética e valores acadêmicos, no contexto estadunidense da Guerra Fria (democracia liberal e individualismo vs. socialismo e coletivismo). 4 19901990 19451945 20002000 19951995 A partir dos anos 1990, grandes empresas e milhões de indivíduos não especialistas se interessam pela internet, profissional ou socialmente. A rede se estende muito além dos campi, perde sua homogeneidade cultural inicial e seus criadores começam a perder o controle da criação. Mas o governo dos EUA segue mantendo o controle indireto, através do ICANN. Internet atrai dinheiroInternet atrai dinheiro Oferecendo novas possibilidades de entretenimento e espetáculo, expandem-se corporações mediáticas, criando novos “modelos de negócios” adaptados à rede Inspirado na liberdade individualista original e nas possibilidades da tecnologia, cresce o ciberativismo dos netzens, contrários a qualquer intervenção estatal ou empresarial na rede. 41990 1990 –– Arpanet é retirada do ar. A FNC assume a internet por delegação do governo dos EUA. Agosto de 1991Agosto de 1991-- O CERN (Suiça) libera na rede a linguagem de programação HTML e o protocolo HTTP que permitem a navegação em hiper-textos, autoria de Tim Barners-Lee. Jan. 1993 Jan. 1993 –– Adotando o padrão de navegação HTML-HTTP, os estudantes Marc Andressen e Chris Wilson anunciam o Mosaic, com ícones de navegação. 1994 1994 –– Jim Clark, com M. Andressen, funda a Netscape Communication, no Vale do Silício (CAL). 1995 1995 –– A Microsoft começa a comercializar o Internet Explorer. A Sun Microsystem lança a linguagem Java para gerenciar transações comerciais na rede. 1995 1995 –– Rob Glaser funda a Real Networks e lança o Real Player para streaming de áudio (música). Agosto de 1996 Agosto de 1996 –– Microsoft lança o Internet Explorer 3.0, e começa a tomar mercado do Netscape. Set. 1997 Set. 1997 –– Microsoft lança Internet Explorer 4.0 integrado ao Windows. No final do anoNo final do ano, a Sun abre processo judicial contra a Microsoft por modificar “ilegalmente” o Java. 1998 1998 –– O Departamento de Comércio estatui a ICANN. Clark perde a briga com Gates: abre o código do Netscape, dando origem ao Mozilla Firefox, e vende a sua empresa para a AOL. O Real Player é integrado ao Windows 98. 1999 1999 –– Shawn Fenning lança o Napster, primeira rede P2P 10/01/2000 10/01/2000 –– Fusão AOL-Time Warner: 30 milhões de internautas, 13 milhões de assinantes de TV a cabo, mais as marcas HBO, CNN, Warner Bros., Fox... 2001 2001 –– Processado pela RIAA, o Napster é fechado. Microsoft lança o Windows XP com Windows Media Player. Real Networks responde com o RealOne que permite baixar, mediante pagamento, conteúdos da ABCNews, CBS, EMI, Fox, MGM. 4 Em 1998, o Departamento de ComEm 1998, o Departamento de Coméércio dos EUA propõe a rcio dos EUA propõe a criacriaçção de uma organizaão de uma organizaçção nãoão não--governamental para governamental para ““coordenarcoordenar”” a Internet. Esta entidade viria a ser a a Internet. Esta entidade viria a ser a Internet Internet CorporationCorporation for for AssignedAssigned NumbersNumbers andand NamesNames (ICANN). Sua (ICANN). Sua principal tarefa seria organizar e administrar a atribuiprincipal tarefa seria organizar e administrar a atribuiçção de ão de domdomíínios e enderenios e endereçços IP, nos Estados Unidos e em todo o os IP, nos Estados Unidos e em todo o mundo.mundo. A ICANN A ICANN éé uma entidade privada nãouma entidade privada não--lucrativa, organizada lucrativa, organizada conforme a legislaconforme a legislaçção estadunidense e dirigida por ão estadunidense e dirigida por entidades e indiventidades e indivííduos a ele associados. duos a ele associados. A ICANN A ICANN ““mantmantéém regular interam regular interaçção com o governo norteão com o governo norte-- americanoamericano””, conforme contrato assinado com o , conforme contrato assinado com o Departamento de ComDepartamento de Coméércio (ver rcio (ver ICCANN, ICCANN, legitimacylegitimacy andand thethe PublicPublic Voice: Voice: makingmaking global global participationparticipation andand representationrepresentation workwork, agosto de 2001, pag. 87 , agosto de 2001, pag. 87 passimpassim). ). ÉÉ, de fato, uma , de fato, uma instituiinstituiçção privada que executa polão privada que executa polííticas pticas púúblicas, conforme blicas, conforme os interesses e orientaos interesses e orientaçções do Governo dos EUA.ões do Governo dos EUA. Gestão da internetGestão da internet 5 ICANN ARIN América do Norte APNIC Asia do Pacífico IANA RIPE NCC Europa e Oriente Médio LANIC América Latina Registro BR A ICANN delega A ICANN delega àà IANA (Autoridade IANA (Autoridade de Atribuide Atribuiçção dos ão dos NNúúmeros Internet) o meros Internet) o repasse de blocos repasse de blocos de nde núúmeros para os meros para os registros regionais registros regionais que os distribuem que os distribuem entre os registros entre os registros nacionais (se os hnacionais (se os háá)) Os registros nacionais atribuem os Os registros nacionais atribuem os endereendereçços aos Provedores de os aos Provedores de ServiServiçços de Internet (os de Internet (PSIsPSIs) ) No atual protocolo (IPv4), a ICANN dispõe de 4 bilhões de números. O protocolo IPv6, em implantação, disporá de 430.000.000.000.000.000.000 de números. NinguNinguéém controla a Internet?m controla a Internet? Servidores-raizes Inglaterra Suiça JapãoICANN As Cúpulas Mundiais da Sociedade da Informação realizadas em Genebra (2003) e Túnis (2005) questionaram fortemente o controle da Internet pelo ICANN e pressionam por um novo modelo de “governança” menos dependente do governo dos EUA 6 O O DomainDomain NameName System System (DNS) permite (DNS) permite localizar qualquer enderelocalizar qualquer endereçço na internet que o na internet que se encontram em 13 servidoresse encontram em 13 servidores--raraíízes.zes. HHáá um um úúnico nico servidorservidor--raraíízz Mestre, gerenciado Mestre, gerenciado pela pela VeriSignVeriSign, contratada pelo Departamento de , contratada pelo Departamento de ComComéércio dos EUA, no qual se encontram todos rcio dos EUA, no qual se encontram todos os endereos endereçços internet do mundo. A ICANN os internet do mundo. A ICANN encaminha os endereencaminha os endereçços para a os para a VeriSignVeriSign que os que os insere no Servidor Mestre, depois de aprovados insere no Servidor Mestre, depois de aprovados pelo Departamento de Compelo Departamento de Coméércio. rcio. A partir do Mestre, os A partir do Mestre, os endereendereçços são os são replicados pelos replicados pelos demais 12 servidoresdemais 12 servidores-- raraíízes. Do total de 13 zes. Do total de 13 servidoresservidores--raraíízes, 10 zes, 10 estão nos Estados estão nos Estados Unidos.Unidos. 5 MapaMapa--mundimundi da internetda internet Todo o trTodo o trááfego mundial da internet depende de um pequeno nfego mundial da internet depende de um pequeno núúmero de grandes mero de grandes corporacorporaçções de telecomunicaões de telecomunicaçções: AT&T, AOLões: AT&T, AOL--Time Warner, Time Warner, BritishBritish Telecom, Telecom, VerizonVerizon Business, Deutsche Business, Deutsche TelekomTelekom, NTT Communications, , NTT Communications, QwestQwest, , CogentCogent, , SprintLinkSprintLink, TIWS , TIWS e e LevelLevel 3/Global 3/Global CrossingCrossing.. 7 MapaMapa--mundimundi da internetda internet Todo o trTodo o trááfego mundial da internet depende de um pequeno nfego mundial da internet depende de um pequeno núúmero de grandes mero de grandes corporacorporaçções de telecomunicaões de telecomunicaçções: AT&T, AOLões: AT&T, AOL--Time Warner, Time Warner, BritishBritish Telecom, Telecom, VerizonVerizon Business, Deutsche Business, Deutsche TelekomTelekom, NTT Communications, , NTT Communications, QwestQwest, , CogentCogent, , SprintLinkSprintLink, TIWS , TIWS e e LevelLevel 3/Global 3/Global CrossingCrossing.. http://www.ethernut.net/wp-content/uploads/2011/04/level3_gc_map_lg.jpg Rede mundial da Level 3/Global Crossing A A LevelLevel 3, ap3, apóós adquirir a Global s adquirir a Global CrossingCrossing, em , em 2011, controla 70% do tr2011, controla 70% do trááfego mundial da redefego mundial da rede 7 6 Agenda do presente e futuroAgenda do presente e futuro Internet continua evoluindo Na primeira década do século XXI, surgiram novos negócios na internet: a busca e as redes sociais. O Google e o Facebook tornaram-se, em pouquíssimos anos, novas ricas e poderosas corporações mundiais. O cerne do negócio Os “cliques” permitem um conhecimento quase individualizado sobre as preferências do “consumidor”. As bases de dados podem analisar gostos, preferências, tendências, inclusive individualizar demandas. A publicidade do Google se baseia no processamento em tempo real dessas preferências, com base em palavras-chaves pagas pelos anunciantes. Entretenimento ou militânciaEntretenimento ou militância A rede (internet, SMS etc.) permite conexões em A rede (internet, SMS etc.) permite conexões em ““tempo realtempo real””, facilitando , facilitando os encontros, as mobilizaos encontros, as mobilizaçções, a divulgaões, a divulgaçção de idão de idééias. Os ias. Os ciberativistasciberativistas costumam comemorar eventos que teriam sido mobilizados pela redecostumam comemorar eventos que teriam sido mobilizados pela rede. . Mas, provavelmente, a maior parte dos usos cotidianos não passamMas, provavelmente, a maior parte dos usos cotidianos não passam de de extensões de antigas prextensões de antigas prááticas ligadas ao entretenimento e ticas ligadas ao entretenimento e àà indindúústria stria cultural, sendo por esta forte e entusiasmadamente alimentada.cultural, sendo por esta forte e entusiasmadamente alimentada. A internet reduziu o ciclo da acumulação do capital ao limite de zero. Mas sua história está apenas começando. 88 Internet continua evoluindoInternet continua evoluindo Na primeira dNa primeira déécada do scada do sééculo XXI, surgiram novos negculo XXI, surgiram novos negóócios na internet: a cios na internet: a buscabusca e as e as redes sociaisredes sociais. O Google e o . O Google e o FacebookFacebook tornaramtornaram--se, em se, em pouqupouquííssimos anos, novas ricas e poderosas corporassimos anos, novas ricas e poderosas corporaçções mundiais. ões mundiais. O cerne do negO cerne do negóóciocio Os Os ““cliquescliques”” permitem um conhecimento quase individualizado sobre as permitem um conhecimento quase individualizado sobre as preferências do preferências do ““consumidorconsumidor””. As bases de dados podem analisar gostos, . As bases de dados podem analisar gostos, preferências, tendências, inclusive individualizar demandas. A ppreferências, tendências, inclusive individualizar demandas. A publicidade ublicidade do Google se baseia no processamento em tempo real dessas do Google se baseia no processamento em tempo real dessas preferências, com base em palavraspreferências, com base em palavras--chaves pagas pelos anunciantes.chaves pagas pelos anunciantes. 2 2 InformaInformaçção e apropriaão e apropriaççãoão 7 Duas abordagens para a informaDuas abordagens para a informaççãoão Daí, comunicação é definida como transferência de informação de um emissor para um receptor, através de um canal. Essa transferência deve-se dar sem ruídos. Nasce com Claude Shannon, Norbert Wiener e outros. Informação é definida como a medida de incerteza de um evento, dado um conjunto de eventos com possibilidade de ocorrer. Essa medida é o bit. Há duas abordagens possíveis para o conceito de “informação” 2 Essa abordagem permitiu o desenvolvimento dos computadores e das modernas telecomunicações. Informação é definida como objeto, como “dado”. Metodologicamente, a teoria matemática é dualista, atomista, lógico- formal (o “ruído” é o terceiro excluído aristotélico). No entanto, é o ponto de partida para todo estudo científico da informação. Abordagem positivista Abordagem dialética ht tp :// w w w . ad ep tis . ru /v in ci/ cla u de _ sh an n on 6. jpg C. Shannon (1916-2001) 2 Abordagem positivista Abordagem dialética Nasce com com Heinz von Foerster, sendo desenvolvida por Gregory Bateson, Henri Atlan, Robert Escarpit, Umberto Maturama, Anthony Wilden e outros. Nela, a informação é definida como a relação entre o sujeito e o objeto, como ação orientada a um fim. Daí, comunicação é definida como produção de significados (trabalho semiótico, em Umberto Eco) através do tratamento dos “ruídos” incorporados ao processo Essa abordagem é menos conhecida, mas possibilitou importantes avanços na biologia e será importante ferramenta de crítica social (o “ruído” como evento de mudança) Informação não é objeto, nem dado. Informação encontra-se na relação de trabalho, na dimensão quantitativa (valor de troca) e na dimensão qualitativa (valor de uso). Metodologicamente é dialética, sistêmica, monista. ht tp :// t2 .g sta tic . co m /im ag es ?q =t bn :A N d9 G cR V PU U 0W C U G Bx n K v 5m ZE Y 60 B9 Qp RV Lk FX v jv_ 2- o B v w v 7C u zM m hc w , ac es so em 23 /0 5/ 20 11 G. Bateson (1904-1980) Duas abordagens para a informaDuas abordagens para a informaççãoão Há duas abordagens possíveis para o conceito de “informação” 8 http://www.pangaro.com/HvF/HvF-pics/hvf-aspen62v2.gif, acesso em 7/11/2011 http://4.bp.blogspot.com/_4AJ-LsbldLo/TJCw_Cq9t4I/AAAAAAAAAMo/2GGzpaBqAtU/s320/biblioteca+2.jpg, acesso em 7/11/2011 InformaInformaçção (conceito construtivista)ão (conceito construtivista) “O que atravessa o cabo não é informação, mas sinais. No entanto, quando pensamos no que seja informação, acreditamos que podemos comprimi-la, processá-la, retalhá-la. Acreditamos que informação possa ser estocada e, daí, recuperada. Veja-se uma biblioteca, normalmente encarada como um sistema de estocagem e recuperação de informação. Trata-se de um erro. A biblioteca pode estocar livros, microfichas, documentos, filmes, fotografias, catálogos, mas não estoca informação. Podemos caminhar por dentro da biblioteca e nenhuma informação nos será fornecida. O único modo de se obter uma informação em uma biblioteca é olhando para os seus livros, microfichas, documentos etc. Poderíamos também dizer que uma garagem estoca e recupera um sistema de transporte. Nos dois casos, os veículos potenciais (para o transporte ou para a informação) estariam sendo confundidos com as coisas que podem fazer somente quando alguém os faz fazê-las. Alguém tem de fazê-lo. Eles não fazem nada” (Von Foerster, 1980: 19, grifos no original). http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR6vf14wyLMWGbBqJySn9GgOZl_hsJ1 4yxQXw_kuQXSF7cCEcANog, acesso 31/05/2011 LIVRO (Objeto)LIVRO (Objeto) Produto material contendo Produto material contendo formas nele impressas que formas nele impressas que refletem luz em freqrefletem luz em freqüüências ências perceptperceptííveis pela vista veis pela vista humana. Como qualquer humana. Como qualquer outro produto material, o outro produto material, o livro livro éé perecperecíível ao longo do vel ao longo do tempo. tempo. LEITURA (ALEITURA (Açção)ão) A leitura associa os sinais A leitura associa os sinais luminosos com as luminosos com as imagens mentais, imagens mentais, rearrumandorearrumando as conexões as conexões neurais, logo produzindo neurais, logo produzindo novas imagens mentais. A novas imagens mentais. A leitura sleitura sóó éé posspossíível se jvel se jáá existe um estado mentalexiste um estado mental prpréévio indicando as vio indicando as possibilidades de possibilidades de associaassociaçção, estado esse ão, estado esse adquirido pela adquirido pela aprendizagemaprendizagem InformaInformaçção: uma abordagemão: uma abordagem A informaA informaçção não estão não estáá no livro, nem na mente. Ela no livro, nem na mente. Ela éé produzida se as produzida se as formas impressas no livro são postas em formas impressas no livro são postas em relarelaççãoão com as formas com as formas contidas no ccontidas no céérebro. Informarebro. Informaçção requer conhecimento e produz ão requer conhecimento e produz conhecimento. Informaconhecimento. Informaçção motiva e orienta alguma ão motiva e orienta alguma aaççãoão e somente e somente éé produzida no curso da aproduzida no curso da açção mesma. ão mesma. MENTE (Sujeito)MENTE (Sujeito) O sistema nervoso e O sistema nervoso e neurolneurolóógico humano forma e gico humano forma e retretéém imagens que, quando m imagens que, quando estimuladas, associamestimuladas, associam--se se ààs s imagens do mundo que lhe imagens do mundo que lhe chegam por meios dos chegam por meios dos sentidos. sentidos. A essas A essas associaassociaçções, a mente atribui ões, a mente atribui significadossignificados quase sempre quase sempre relacionados a algum relacionados a algum nomenome.. .. 9 9 ADITIVIDADEADITIVIDADE O conhecimento obtido da O conhecimento obtido da informainformaçção pode ser ão pode ser transferido pra outros transferido pra outros (alienado) sem que o (alienado) sem que o detentor original desse detentor original desse conhecimento seja conhecimento seja subtrasubtraíído dele (se, por do dele (se, por exemplo, um pedaexemplo, um pedaçço de bife o de bife for alienado, o detentor for alienado, o detentor original desse pedaoriginal desse pedaçço fica o fica sem ele). sem ele). O intercâmbio de O intercâmbio de informainformaçção ão não não éé uma troca, uma troca, mas uma comunicamas uma comunicaçção ão ((““tornar comumtornar comum””)) IMPERECIBILIDADEIMPERECIBILIDADE Embora os suportes materiais Embora os suportes materiais sejam perecsejam perecííveis, veis, éé sempre posssempre possíível vel reproduzir a relareproduzir a relaçção informacional ão informacional em outros suportes, ou seja, por em outros suportes, ou seja, por exemplo, reeditar uma obra. Atexemplo, reeditar uma obra. Atéé hoje, lemos Homero ou Virghoje, lemos Homero ou Virgíílio, seja lio, seja em pergaminho, papel ou... em pergaminho, papel ou... tablettablet. . O valor de uso da informaO valor de uso da informaçção ão éé o o prpróóprio trabalho que ela motiva e prio trabalho que ela motiva e orientaorienta.. O valor de uso do trabalho O valor de uso do trabalho éé a a informainformaçção que ele pode processar, ão que ele pode processar, registrar, comunicar.registrar, comunicar. Propriedades da informaPropriedades da informaççãoão ht tp :// t1 . gs ta tic . co m /im ag es ?q = tb n: AN d9 G cQ QX ZK 5d rb nf sO n py W dH - aJ j9r a3 KK Ni FB F_ L4 Ui z_ 8Y M xY LP _ 0 A riqueza gerada pela informação pode ser apropriada e distribuída coletiva e socialmente. A natureza da informação é contrária à propriedade. INDIVISIBILIDADEINDIVISIBILIDADE Um Um úúnico e mesmo suporte nico e mesmo suporte material pode ser usufrumaterial pode ser usufruíído por do por mais de uma pessoa (um mais de uma pessoa (um úúnico nico bife, por exemplo, teria que ser bife, por exemplo, teria que ser divididodividido para ser usufrupara ser usufruíído por do por mais de uma pessoa). Não mais de uma pessoa). Não sendo divissendo divisíível, a informavel, a informaçção ão pode ser compartilhada, isto pode ser compartilhada, isto éé, , mais de uma pessoa podem mais de uma pessoa podem participar ou interagir em uma participar ou interagir em uma mesma relamesma relaçção ou experiência ão ou experiência informacional.informacional. A informaA informaçção nega o princão nega o princíípio bpio báásico de toda teoria sico de toda teoria econômica: a escassez. A escassez impõe a disputa pelos econômica: a escassez. A escassez impõe a disputa pelos recursos, darecursos, daíí as diferentes pras diferentes prááticas sticas sóóciocio--polpolííticas, violentas ticas, violentas ou não, de apropriaou não, de apropriaçção e distribuião e distribuiçção. ão. 10 http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ2UkmTM_PdHFgJmi8XtklrXO0o vbhlnRXG88H7KswEFhKdJwPbQg, acesso em 31/05/2011 ht tp :// t0 .g sta tic . co m /im ag es ?q =t bn :A N d9 G cS V RK 75 U Y sg Y o o U Qh A 03 vd O m qX O 00 V O Pi hA eO - G LQ hw o M x hB 7l R- g, ac es so em 31 /0 5/ 20 11 DIREITO AUTORALDIREITO AUTORAL Para tornar a informaPara tornar a informaçção ão ““escassaescassa””, , ““apropriapropriáávelvel”” e e ““alienalienáávelvel””, o capital , o capital introduziu o princintroduziu o princíípio do pio do ““direito autoraldireito autoral””: o : o conhecimento registrado em conhecimento registrado em algum suporte passa a ser algum suporte passa a ser de propriedade de alguma de propriedade de alguma empresaempresa MONOPÓLIOS Os “direitos autorais” dão a uma empresa, um monopólio de conhecimento que pode durar de 17 anos (patentes) a 70 anos (“copyright”). ... mas como a sociedade ... mas como a sociedade éé capitalistacapitalista ht tp :// t1 . gs ta tic . co m /im ag es ?q = tb n: AN d9 G cQ QX ZK 5d rb nf sO n py W dH - aJ j9r a3 KK Ni FB F_ L4 Ui z_ 8Y M xY LP _ 0 Com os “direitos autorais”, os negócios passam a se basear em rendas de monopólio. O capitalismo torna-se essencialmente rentista. LIMITES LIMITES Os Os ““direitos autoraisdireitos autorais”” funcionaram razoavelmente funcionaram razoavelmente bem, enquanto a economia bem, enquanto a economia pôde se basear em produtos pôde se basear em produtos que exigiam algum tempo que exigiam algum tempo para serem produzidos, para serem produzidos, transportados e consumidos transportados e consumidos (bens materiais fabris).(bens materiais fabris). Os direitos intelectuais Os direitos intelectuais tornamtornam--se quase se quase impraticimpraticááveis sempre que o veis sempre que o valor de uso valor de uso éé principalmente principalmente simbsimbóólico (marcas e lico (marcas e espetespetááculos) e os tempos de culos) e os tempos de produproduçção, transporte e ão, transporte e consumo são mconsumo são míínimos ou nimos ou quase nulos, como passa a quase nulos, como passa a acontecer graacontecer graçças as ààs TICs s TICs 11 10 ht tp :// ho m ep ag e.n ew sc ho o l.e du /~ he t/p ro fil es /d em se tz . ht m & u sg =_ _ , , ac es so em 31 /0 5/ 20 11 http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTb1yw95t-XDjc74WyqSpIuCuD3ifKJkNN1vmwmsY8EokosumcnPg, acesso em 31/05/2011 Diante da quase liquidaDiante da quase liquidaçção de modelos de negão de modelos de negóócios baseados cios baseados na produna produçção de cão de cóópias unitpias unitáárias de sons e imagens (discos, rias de sons e imagens (discos, filmes) e do conseqfilmes) e do conseqüüente avanente avançço da o da ““piratariapirataria””, o capital est, o capital estáá tentando duas solutentando duas soluçções: os ões: os ““jardins muradosjardins murados”” e a e a criminalizacriminalizaçção, sobretudo dos usuão, sobretudo dos usuáários amadores. rios amadores. Controle e repressãoControle e repressão “Jardins murados” O terminal conectado a O terminal conectado a uma uma ““loja virtualloja virtual”” exclusiva substitui os exclusiva substitui os suportes reprodutsuportes reprodutííveisveis “A apropriação é, em grande medida, uma questão de acertos legais e de imposição desses acertos por meios privados ou públicos. O grau de apropriação privada do conhecimento pode ser aumentado, elevando- se os castigos por violações de patentes e incrementando-se outros recursos destinados à vigilância de tais violações” (H. Demsetz, 1969) ht tp :// t3 . gs ta tic . co m /im ag es ?q = tb n: AN d9 G cQ KY cY 1H - T- G o1 _ _ gK 2W 4t T5 7G ak ad _ _ LR cf bt l1 1l - JV Zq 4M dF gQ , ac es so em 31 /0 5/ 20 11 Criminalização 12 CRIMINALIZACRIMINALIZAÇÇÃO ÃO SOCIALIZASOCIALIZAÇÇÃO ÃO Lei do Lei do Copyright Copyright para o Milênio (para o Milênio (MilleniumMillenium Copyright Copyright ActAct –– DMCA) DMCA) –– aprovada em 1998, esta lei estadunidense criminaliza a produaprovada em 1998, esta lei estadunidense criminaliza a produçção e ão e disseminadisseminaçção de tecnologias, componentes ou servião de tecnologias, componentes ou serviçços que visem os que visem anular medidas que buscam assegurar a gestão dos anular medidas que buscam assegurar a gestão dos ““direitos digitaisdireitos digitais”” ((digital digital rightright management management ––DRM). DRM). Diretiva da União EuropDiretiva da União Europééia sobre ia sobre CopyrightCopyright (2001) (2001) –– incorpora a incorpora a essência do DMCA essência do DMCA HatopiHatopi –– lei francesa aprovada em 2009 visa lei francesa aprovada em 2009 visa ““promover a distribuipromover a distribuiçção e proteão e proteçção das obras ão das obras criativas na internetcriativas na internet””, para isso introduzindo , para isso introduzindo mecanismo de controle das atividades dos mecanismo de controle das atividades dos usuusuáários e penalizando rios e penalizando infrigimentoinfrigimento ààs leis de s leis de copyright.copyright. Cria a Alta Autoridade para a Difusa de Cria a Alta Autoridade para a Difusa de Obras e ProteObras e Proteçção de Direitos na Internet (ão de Direitos na Internet (““HatopiHatopi”” na sigla francesa) na sigla francesa) Lei Lei SindeSinde –– espanhola, aprovada em 15/02/2011, permite fechar sespanhola, aprovada em 15/02/2011, permite fechar síítios tios na internet que sirvam para baixar arquivos na internet que sirvam para baixar arquivos ““ilegalmenteilegalmente””. . Liberdade em rede Liberdade em rede vs. vs. estado policialestado policial AC TA http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSJAhXjX1tS6QQeBwqf A0wIsdPiN2mCV46VQ1foXrSb5lilzrzFPQ, acesso 31/05/2011 ht tp :// st an . ui o. n o/ bl og /fl ex le ar n/ im ag es /w ik ip ed ia . jp g Em abril de 2009, os diretores do Em abril de 2009, os diretores do PiratePirate BayBay foram condenados foram condenados àà prisão prisão