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AULA 2: INDIVIDUALIZAÇÃO DAS PESSOAS NATURAIS E JURÍDICAS 1. HISTÓRICO Desde a mais remota época na história da humanidade, estudos revelam a existência da idéia de publicidade/autenticidade, para conhecimento erga omnes de negócios, atos jurídicos que, devido à sua importância, exijam essa exterioridade, ou seja, a possibilidade de serem conhecidos por todos numa sociedade. Daí reconhecermos que a idéia de autenticidade e publicidade daqueles atos, diante de descobertas e estudos mais recentes, leva-nos a encontrá-los já nas civilizações egípcias - onde havia sistema similar, em certos aspectos, à organização atual - por meio de um papiro, denominado petição de Dionísio, pelo qual se toma conhecimento que nas cidades existia um ofício, um arquivo da propriedade, dirigido por funcionários especiais, aos quais eram confiados livros imobiliários. Também chegou a nós um testamento ou doação, datada de cerca de 1850-1800 a.C., celebrado no ano XXXIX (Faraó AMENEMHAT III), pelo qual, naquele ato, um chefe de sacerdotes dava ao filho “o que existe na casa”, todos os bens, e revogava ato idêntico anteriormente em benefício da esposa. Entre os assírios, toma-se como referência um texto que remete ao período 1390- 1190 a.C., em que se descrevem as formalidades necessárias para a venda dos bens preciosos (udin), casas, campos, animais. Entre os hebreus, em textos bíblicos, encontramos passagens desta visão antiga do registro como publicidade voltada para o interesse fiscal, a conservação de uma prova, a fixação legal de uma data. Contemporaneamente, o registro público tem natureza de publicidade essencial. É entendido como requisito para a validade e a eficácia de atos/negócios jurídicos que exijam tal formalidade para o reconhecimento legal. Assim, como dizíamos, entre os hebreus, como no Egito, na Assíria, encontram-se preliminares de registros, como, por exemplo, quando Abraão adquire publicamente de Efron o campo onde foi construir o túmulo de sua mulher, Sara; ou quando Jeremias, ao resgatar o terreno adquirido de Hanameel, faz redigir um escrito em duplicata firmado pelas partes e por testemunhas, cercado de formalidades. Na Grécia, o documento de garantia sobre as leis da cidade (cerca de 480- 460 a.C.) declarava que, “se o pai, em vida, quer dar alguma coisa à sua filha, quando do seu casamento, que lhe dê, conforme o que foi escrito, mas não mais”. Já em Roma, o sistema de publicidade não mereceu a importância que, como vimos, se verificou em outras civilizações. Isso se deve ao desconhecimento da transmissibilidade do direito, salvo o da propriedade, que se fazia com a ficção legal do abandono da coisa pelo proprietário anterior, em benefício do novo proprietário. No regime feudal, a finalidade do registro firmou-se em finalidades, como transformação da notoriedade, até então característica dos registros. A partir do século XIII, passaram a se constituir registros especiais, em que eram anotados os atos de investidura em que a propriedade não se transmitia por via contratual, e sim por formalidades complementares. Tais formalidades prosperaram na França e na Bélgica, sob a denominação nantissement , e na Bretanha, sob a denominação appropriance. Após a Revolução Francesa, por força do Decreto de 20 de setembro de 1790, instituem-se a transcrição de imóveis e anotações dos atos de direitos civis. NOTÁRIO - do latim notarius = que escreve por abreviatura NOTA - do latim nota (que, por sua vez, vem do verbo gnoscere = conhecer) = sinal, indicação, apontamento, comentário, tudo que se faça para que certas coisas não sejam esquecidas. Portanto: - Notário (ou tabelião): Oficial público a quem compete ESCREVER ATOS JURÍDICOS, CONTRATOS E DEMAIS DOCUMENTOS a ele pelos interessados, em seus livros de notas, no estilo e na forma legais. Veja-se o artigo 236, caput , §1° a §3°, CF e a Lei 8.935, de 18/11/94, que regulamenta os dispositivos constitucionais e, no art. 3°, traz o conceito legal de “notário” e o de “Oficial de Registro” (ou Registrador). O citado dispositivo realça os pontos comuns entre os dois serviços públicos: Ambos são profissionais do direito. Ambos são dotados de fé pública. O Oficial de Registro tem sua denominação originada do latim officium = dever, obrigação, tudo que se deve fazer por obrigação. Assim, o notário é quem procede ao registro das manifestações de vontade das pessoas naturais e jurídicas para dar-lhes autenticidade, publicidade, enquanto o Oficial de Registro é quem registra atos jurídicos que obrigatoriamente têm de ser registrados e envolvem os direitos da personalidade (registros civis das pessoas naturais e jurídicas, suas interdições, tutelas ou extinção), dos objetos de direito (imóveis e certos bens móveis), dos títulos e documentos e os registros de distribuição (Lei 8.935/94, art. 5°, IV - VII). Existem os tabeliães de notas, de registro de contratos marítimos e de protestos de títulos (Lei 8.935/94, art. 5°, I – III). 2. NOÇÕES GERAIS - Na análise da individualização e distinção das pessoas – aqui genericamente nos referirmos às duas modalidades: naturais e jurídicas – percebe-se que as mesmas ocorrem através da concatenação de elementos identificadores das pessoas, que podem ser agrupados em conformidade a determinados critérios, como se segue: • Quanto ao elemento básico, fundamental, primário nome. • Quanto ao lugar voluntária ou legalmente fixado como centro de suas atividades sócio-jurídicas, domicílio civil. • Quanto à sua posição jurídica na sociedade familiar ou com relação a outras PJ´s, estado civil, transformação, incorporação, fusão, cisão. • Quanto à sua posição jurídica na sociedade política, cidadania e nacionalidade. • Quanto à individualização genética através do DNA, por ser uma informação extremamente nova, ainda está em discussão. 3. ELEMENTOS IDENTIFICADORES DAS PESSOAS 3.1. DA PESSOA NATURAL - Direito ao nome Elemento individualizador da pessoa, primário e fundamental, para distingui-la das demais no exercício de direitos e no cumprimento de deveres. 3.1.1. NATUREZA JURÍDICA DO NOME - Há divergência quanto à natureza jurídica do nome como se denota diante das várias teorias que, em princípio, dicotomizam-se no sentido em que para alguns juristas situa-se no campo do Direito Público, entrevendo, destarte, como princípio dominante o do interesse público enquanto outros a entendem posicionada no campo do Direito Privado face à predominância do interesse individual. Desta dualidade espraiam-se concepções que poderão, didaticamente, ser agrupadas em 5 teorias: 1ª) TEORIA DOS DIREITOS PESSOAIS ABSOLUTOS - A natureza jurídica do nome subsume-se aos denominados direitos subjetivos absolutos destacando-se como defensores desta teoria KOHLER, ROGUIN e entre nós, SPENCER VAMPRÉ. - Para os que assim entendem, o direito ao nome pertence à categoria dos DIREITOS DA PERSONALIDADE, ao revés dos Direitos Reais e Pessoais, por se entronizarem num grau hierarquicamente superior e indiscutivelmente vinculados aos princípios constitucionais e, assim, os que defendem tal noção, constituem, ao lado dos Direitos Reais e Pessoais, um tertium genus de direitos em que inserem o direito ao nome. 2ª) TEORIA DA PROPRIEDADE - Nomeadamente reconhecida por um tempo prolongado pela antiga Jurisprudência francesa - Aqui, se vislumbrava que o direito ao nome constituía um objeto de um direito de propriedade intelectual, incorpórea ou imaterial cujo titular era a própria pessoa e que hoje esta em pleno desuso. 3ª) TEORIA NEGATIVISTA - Negava ser o direito ao nome uma espécie do direito de propriedade do ser humano sobre uma concepção abstrata para apenas admiti-lo sobre seres – objetos ou coisas visíveis e concretas portanto corpóreas ou materiais. Nesta concepção adotavam seus defensores que tal direito representa, melhor, um complexo de direitos,e não, apenas, um direito exclusivo e distinto. - Veja-se, entre nós CLÓVIS BEVILACQUA: “O nome civil não constitui um bem jurídicoporque não é coisa suscetível de apropriação em nossa sociedade”. “O nome deve ser compreendido como a designação da personalidade. Mas a personalidade, forma pela qual o indivíduo aparece na ordem jurídica, é um complexo de direitos, não é um direito (grifo original). Da mesma forma, o nome pode ser um (grifo original) direito, por isso mesmo que designa o núcleo de onde irradiam os direitos”. 4ª) TEORIA DA POLÍCIA CIVIL - Aqui, defende-se que o direito ao nome seria para a pessoa que o tem uma obrigação e não um direito; seria, assim, “uma instituição de polícia civil; é a forma obrigatória da designação das pessoas; não é alienável; a lei não o coloca à disposição do seu titular, ele é estabelecido menos no seu interesse do que no interesse geral”. 5ª) TEORIA DO DIREITO PRIVADO - Pretende ver no direito ao nome uma noção mista de direito e obrigação como direito representa um dos atributos da própria personalidade razão pela qual merece a proteção voltada em duas faces: 1) Ao próprio titular reconhecendo-lhe a (1) garantia de exclusividade e (2) legitimidade para obter reparação/indenização contra quem indevidamente se utilize do seu nome para qualquer finalidade – patrimonial ou não – sem o consentimento do titular e, ao mesmo tempo, 2) Não admitindo – sob sanção – que possa o titular do nome mudá-lo a seu talante já aqui como um dever que visa proteger os demais convenientes. Há desta forma, uma simbiose de elemento individual com coletivo, misto de direito individual e social a mesclar-se no mesmo instituto. Como nos preleciona o insigne SERPA LOPES: “Como um direito representa um dos atributos da própria personalidade, razão pela qual não pode ser superado pelo interesse social, pelo elemento passivo da idéia de obrigação. Mas, por outro lado, não se desconhece que, com o ser um elemento identificador dos indivíduos da sociedade, há um interesse social na sua existência e nos seus elementos integrantes, insuscetíveis de alterações arbitrárias ou de composições fora da realidade das bases que o devem compor”. (LOPES, Miguel Maria de Serpa, Op. Cit., pág. 329) >> Queremos crer que esta última teoria é a que de forma mais correta, lógica e concisa sintetiza a natureza jurídica do direito ao nome daí porque a elegemos a que mais consentaneamente resolve a problemática ora analisada. >> Doutrina - Natureza jurídica: Natureza de direito da personalidade, porque inerente à própria pessoa. Como verdadeiro sinal verbal de identificação, cria sua individualidade e a identifica no meio social enquanto viva ou após a morte. É capaz, portanto, de distinguir todo sujeito na sociedade civil. Tem caráter de exclusividade e envolve diretamente as virtudes e a reputação da pessoa. (José Roberto Neves Amorim) 3.1.2. CARACTERÍSTICAS DO NOME CIVIL Um direito — absoluto (oponível erga omnes), impenhorável, imprescritível, inalienável, indisponível, inexpropriável, personalíssimo, público, e relativamente transmissível (CC, arts. 17 e 18) — que espelha a qualidade de ser pessoa. É precisamente um direito dúplice, de composição híbrida, porque seus elementos integram ao mesmo tempo o Direito Público e o Privado: PÚBLICO: porque o Estado encontra no nome fator de estabilidade e segurança para identificar as pessoas A vida social impõe a necessidade de indicar a qualquer momento, e de modo permanente e seguro, quais são as pessoas que interagem nas relações jurídicas, nas relações morais, religiosas, políticas, econômicas, ou de qualquer outra natureza, porque o Estado precisa saber quem são os seus indivíduos. Importância para o Direito Registral: AUTENTICIDADE, SEGURANÇA E EFICÁCIA DOS ATOS E FATOS JURÍDICOS REGISTRADOS PRIVADO: porque é um direito personalíssimo que identifica e diferencia civilmente uma pessoa. Portanto, é um direito acobertado por garantias constitucionais de proteção e zelo, e que confere ao indivíduo a faculdade de invocar a tutela estatal para sua defesa. 3.1.3. FUNÇÕES BÁSICAS a) INDIVIDUALIZADORA: Função que surge da necessidade de distinguir os indivíduos que compõem a sociedade b) IDENTIFICADORA: Resulta de um critério investigativo, porque as relações sociais se desenvolvem e seus titulares precisam ser identificados para os fins de direitos e obrigações. 3.1.4. COMPETÊNCIA PARA A RETIFICAÇÃO DE ASSENTO DE REGISTRO CIVIL (EM RAZÃO DA MATÉRIA) - Em se tratando de retificação de registro civil que pode alterar, ou não, a questão de estado da pessoa, a competência para a retificação de assento de registro civil -- ratione materiae, i. e., em razão da matéria -- é do juízo da Família, ou da Vara Cível ou Vara de Registros Públicos, conforme o caso. a) Se a retificação de assento de registro civil NÃO implicar em alteração de estado civil, nos foros regionais a competência jurisdicional é das Varas Regionais Cíveis, e nos foros da Comarca da Capital (do Estado-membro onde a pessoa é domiciliada), é das Varas de Registros Públicos. b) A competência para a retificação de assento de registro civil que altera questão de estado é, em razão da matéria, das Varas de Família, centrais ou regionais. 3.1.5. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO NOME >> Regra: IMUTABILIDADE DO NOME Vige o princípio da inalterabilidade do nome, por questão de ordem pública, e cuja disciplina legal é a Lei n.º 6.015, de 31 de dezembro de 1973 (Lei de Registros Públicos; cf. art. 56 e ss.). >> Exceções: 1. ERRO GRÁFICO EVIDENTE (art. 58 § único) - Trata-se de caso de RETIFICAÇÃO de prenome e não de alteração. - Art. 58, § único, Lei de Registros Públicos: “O prenome será imutável. Quando, entretanto, for evidente o erro gráfico do prenome, admite-se a retificação, bem como a sua mudança mediante sentença do juiz, a requerimento do interessado, no caso do § único do art. 55, se o oficial não o houver impugnado”. A mudança nesse caso, poderá ser feita A QUALQUER TEMPO, devendo o erro ser exclusivamente na letra ou haver letras repetidas. - Correção de erros de grafia processada no próprio Cartório, onde se encontrar o assentamento, mediante rito sumaríssimo, com manifestação do MP e sentença do juiz, de acordo com o artigo 110 da Lei dos Registros Públicos. - Alteração pelo (1) titular do nome ou (2) seu representante, no caso de incapaz. 2. NO PRIMEIRO ANO APÓS A MAIORIDADE CIVIL (art. 56, LRP) - Independentemente de justificação, poderá o interessado alterar seu nome (pessoalmente ou por procurador bastante), desde que não prejudique o sobrenome (art. 56, LRP) Trata-se de modalidade de ALTERAÇÃO IMOTIVADA do nome POR VIA ADMINISTRATIVA - Apenas o NOME poderá ser alterado, deixando o sobrenome intacto. - O prazo de 1 ano é decadencial e conta-se a partir da maioridade - Limita-se a modificações sutis. Ex: Y I ; supressão de uma partículo “de” ; exclusão do 2° elemento de um prenome composto. - Este direito não existirá antes que o interessado complete 18 anos, mesmo que seja EMANCIPADO porque a emancipação não gera maioridade, mas tão-somente ANTECIPAÇÃO DA CAPACIDADE DE FATO >> Quando se fala em nome se reporta a um direito personalíssimo, ao da própria identificação pessoal. Embora, inicialmente, fique a critério dos pais a escolha do nome, quando chega a maioridade, se seu portador provar que necessita de tal alteração para viver socialmente melhor, cabe a Justiça apenas acatar tal opção, caso não haja qualquer impedimento sócio-jurídico. Por exemplo, se um indivíduo foi registrado como Gerardina da Silva Pereira e por motivos astrológicos e psicológicos, ela acreditar que seu nome atrai doenças e desastres em sua vida, ela quiser alterar para Heloísa Helena da Silva Pereira, não há qualquer impedimento legal que justifique o indeferimento do pedido, haja vista que tal modificação será publicada, tornando-se do conhecimento público. Além disso, não há qualquer modificação de seu sobrenome. 3. NOMES VERGONHOSOS E RIDÍCULOS (art. 55 § único) - Art. 55, § único, LRP: “Os oficiais do registro civil nãoregistrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do juiz competente”. Quando o Oficial do Registro não observar a regra do § único do art. 55, LRP, é viável a alteração posterior do nome, A QUALQUER TEMPO Como expõe a autor Ézio Luiz Pereira acertadamente: “ ridículo é um adjetivo que significa digno de riso, merecedor de escárnio ou zombaria, que se empresta à exploração do lado cômico, irrisório, risível; que tem pouco valor”. - As alterações do nome neste caso, poderão ser requeridas a qualquer tempo, desde que qualquer parte do nome (prenome ou sobrenome), cause ao usuário grandes constrangimentos. A petição deve ser extremamente bem fundamentada. - Em casos como este, será necessário apresentar uma petição à Vara de Registros Públicos, justificando as razões pelas quais o nome ou o sobrenome causa constrangimento. 4. USO - O uso prolongado e constante de um nome diverso do registrado na certidão de nascimento, poderá ser alterado a qualquer tempo. O interessado deverá ingressar na Vara de Registros Públicos, apresentando 3 testemunhas que confirmem que a pessoa é conhecida por outro nome. 5. INCLUSÃO DE ALCUNHA OU APELIDO - Nesse caso, igualmente ao do “uso”, o interessado deverá ingressar na Vara de Registros Públicos, apresentando 3 testemunhas que confirmem que a pessoa é conhecida por outro nome. Também pode ser requerido pelo interessado a qualquer tempo. - É possível substituir o primeiro nome pelo apelido, acrescentar o apelido antes do primeiro nome ou inseri-lo entre o nome e o sobrenome. - Ex: Luiz Inácio “Lula” da Silva, Maria da Graça “Xuxa” Meneghel 6. HOMONÍMIA - Nesse caso, o requerente poderá solicitar a mudança a qualquer tempo. Em regra, adiciona mais um prenome, ou patronímico materno, mantendo-se o paterno, ou adiciona sobrenomes dos avós. - O interessado deverá apresentar uma petição à Vara de Registros Públicos, aduzindo os laços com a pessoa cujo sobrenome quer adotar, exceto se o sobrenome for o materno, que dispensa justificativa. 7. TRADUÇÃO - A tradução de prenome estrangeiro vem sendo admitida, para facilitar o aculturamento dos alienígenas - Pode-se optar pela tradução a qualquer tempo. - Lei 6.815/80: define a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, prevê no art. 43, a possibilidade de se alterar o nome administrativamente, por ato do Ministro da Justiça, nestas hipóteses: se tiver sentido pejorativo ou expuser a ridículo o se titular se for de pronunciação e compreensão difíceis e puder ser traduzido e adaptado a língua portuguesa. - Em caso de recusa do pedido caberá recurso à Justiça Federal. - Só se altera o prenome 8. VÍTIMAS E TESTEMUNHAS (art. 58 § único) - Alteração de prenome para proteção de vítimas e testemunhas de crime. Caso haja necessidade, este benefício se amplia aos seus familiares (cônjuge, companheiro, ascendente, descendente, dependente que tenham convivência habitual com a vítima ou testemunha - Lei n° 9.807/99). - Mediante requerimento ao juiz, ouvido o MP (rito sumaríssimo e segredo de justiça) - Cessada a ameaça ou coação a que deu causa a mudança de nome, o protegido poderá solicitar judicialmente o retorno à situação anterior, com manifestação do MP (art. 58, § único e 57, § 7º LRP – Lei 9.807/99, arts. 9º, § 1º a § 5º, 16 e 17). 9. MUDANÇA DE SEXO - A qualquer tempo - Alteração só permitida para o prenome - O requerente deverá apresentar uma petição a Vara da Família, aduzindo ao juiz competente, que foi submetido à operação de mudança de sexo ou mesmo que possui um sexo psíquico diferente do sexo físico. Observa-se que ação de redesignação de estado sexual, não tramita na vara de registros públicos, e sim, em Varas de família, por se tratar de AÇÃO DE ESTADO CIVIL. 10. ADOÇÃO (art. 47 §5°, ECA; art. 1627, CC) - A pedido do ADOTANTE - Tal regra visa assegurar ao ADOTADO a possibilidade de uma nova vida junto aos pais adotivos, sem vínculos com a vida anterior à adoção - Art. 1626 CC: O filho adotivo não pode conservar o sobrenome dos pais de sangue, deverá adotar o sobrenome dos pais adotivos = O adotado desliga-se de todos os vínculos com os pais de sangue, exceto quanto aos impedimento matrimoniais - É facultativa, a rogo do adotante ou do adotado, a modificação do prenome deste, se menor: - A sentença pode conferir a modificação do prenome do adotado. Isso era possível apenas quando fosse a pedido do adotante (art. 47, § 5º, do ECA). Mas com o novo CC, a sentença poderá determinar a modificação do prenome do adotado, quando for pedida pelo adotante ou pelo próprio adotado: Art. 1.627. A decisão judicial confere ao adotado o sobrenome do adotante, podendo determinar a modificação de seu prenome, se menor, a pedido do adotante ou do adotado. Observar que somente o menor de 18 anos pode alterar o prenome, sendo que o maior de 18 anos pode mudar apenas o patronímico. Art. 47, § 5º. Lei 8.069/90 (ECA): A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e, a pedido deste, poderá determinar a modificação do prenome (mesmo não sendo menor) - Art. 2º, § único, da Lei 3.133/57 (Atualiza o instituto da adoção prescrita no CC): “o adotado poderá formar seus apelidos conservando os dos pais de sangue; ou acrescentando os do adotante; ou, ainda, somente os do adotante, com exclusão dos apelidos dos pais de sangue.” 11. ALTERAÇÃO EXCEPCIONAL E MOTIVADA (art. 57, LRP) - Esgotado o prazo de 1 ano a que se refere o art. 56 e excluídas as hipóteses mencionadas, a retificação só poderá ser judicial e muito bem fundamentada Art. 57: “Qualquer alteração posterior de nome, somente por exceção e motivadamente, após audiência do MP, será permitida por sentença do juiz a que estiver sujeito o registro, arquivando-se o mandato e publicando-se a alteração pela imprensa”. 12. ALTERAÇÃO DO PATRONÍMICO - O patronímico é indicado no momento do REGISTRO - Hipóteses de inclusão ou exclusão de patronímicos previstas em lei: a) CASAMENTO - Com a celebração do casamento surge para qualquer dos nubentes o direito de acrescer, se quiser o sobrenome do outro – NÃO MAIS PODENDO EXCLUIR O SEU SOBRENOME, face o princípio da estabilidade do nome (art. 1.565, § 1º CC), perdendo este direito com a anulação do matrimônio, ou por deliberação em sentença de separação judicial (art. 1571, § 2º CC e Lei 8.408/92 e Lei 6.515/77, arts. 17, 18, 25, § único e art. 50) Art. 1571, § 2º CC “Dissolvido o casamento pelo divórcio direto ou conversão o cônjuge poderá manter o nome de casado; salvo, no segundo caso, dispondo em contrário a sentença de separação judicial”. Art. 1.578. “O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do outro, desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: I – evidente prejuízo para a sua identificação; II – manifesta distinção entre seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida; III – dano grave reconhecido na decisão judicial.” b) UNIÃO ESTÁVEL - A mulher solteira ou viúva ou desquitada (separada judicialmente) poderá excepcional e justificadamente, acrescentar aos seus o sobrenome do convivente Está de acordo com o art. 226 §3°, CF + Leis 8.971/94 e 9.278/96. c) ANULAÇÃO OU DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO CASAMENTO - O cônjuge perde o direito de conservar o sobrenome do outro se o casamento for declarado nulo. Tal perda ocorrerá mesmo que se trate de casamento putativo, assim entendido o contraído de boa-fé (art. 1.561, CC), o casamento produzirá todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. Jurisprudência: entende que o cônjuge de boa-fé preserva o sobrenome do outro (RT 185/530) d) VIUVEZ, onde a viúva pode renunciar ao sobrenome do cônjuge falecido. e) SEPARAÇÃO JUDICIAL I) Consensual: A manutençãoou não do patronímico do marido será objeto de acordo a ser homologado pelo juiz II) Litigiosa: - O cônjuge declarado culpado (ex: traição, embriaguez, etc) ficará obrigado a EXCLUIR o patronímico do outro cônjuge - Exceções: O cônjuge declarado culpado NÃO perderá o direito de usar o sobrenome do outro se a alteração acarretar: 1) Evidente prejuízo para a identificação do cônjuge culpado: Se a mulher passou a ser conhecida no meio social em que vive pelo patronímico do marido (comprometeria a identificação social e profissional) 2) Manifesta distinção entre o seu patronímico e o de seus filhos havidos da união dissolvida 3) Dano grave reconhecido em decisão judicial 4) Divórcio: - Em caso de divórcio direto: o cônjuge poderá manter o nome de casado . - Na hipótese de conversão da separação judicial em divórcio: o cônjuge poderá manter o nome de casado, se a sentença de separação NÃO TIVER ESTABELECIDO a exclusão do patronímico do outro (art. 1571 §1°, CC). f) INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE - Para ter o nome do pai 3.1.6. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO PATRONÍMICO - Acerca do sobrenome, Washington de Barros Monteiro assim doutrina: O segundo elemento fundamental do nome é o sobrenome, também chamado patronímico ou apelido de família. É o sinal revelador da procedência da pessoa e serve para indicar sua filiação, sua estirpe. Como, em princípio, o prenome, o apelido de família é inalterável (lei n. 6.015, de 31-12-1973, art. 56)... (Curso de direito civil: parte geral. 39. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2003. v. 1. p. 104). EXERCÍCIO 2 Relativamente ao conceito de estado civil de uma pessoa, podemos afirmar que: R: Ele tem início com o nascimento e encerra-se com a morte. O estado civil é o conjunto das qualidades constitutivas da individualidade jurídica de uma pessoa, por constituir a soma das qualidades particulares ou fundamentais determinantes da sua capacidade, fazendo-a pertencer a certa categoria no Estado, na família ou como indivíduo. Destarte, subordinar-se-ão à lei do domicílio os conflitos interespaciais relativos ao nascimento e fim da personalidade, o nome civil e suas mutações, a capacidade civil e os direitos de família.