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Schwartz e a questão da produção média de açúcar por engenho e rendimento do capital
Schwartz ressalta que quando se consideram dados quantitativos frente à produção açucareira, mesmo em uma área ou período restrita, deve-se levar em conta a inexistência de um padrão no registro dos dados econômicos, ou seja, as regras contábeis em que se baseavam tais escriturações dificilmente são precisas e certamente diferem em muito do que atualmente é realizado, o que dificulta a atividade do pesquisador que se dedica a escrutinar tais dados.
Afirma ainda que diversos historiadores argumentaram que os retornos elevadíssimos sobre o capital proporcionaram uma enorme concentração de renda, à qual se pode responsabilizar pela posterior ausência de desenvolvimento econômico. Os dados históricos, por mais mascarados que estejam, indicam, porém, realidades muito distintas das estimativas de 30% ou 50% de retornos anuais sobre o capital. Por outro lado, afirma também que não se deve incorrer no extremo oposto, uma vez que retornos muito pequenos não seriam capazes de explicar o elevado aumento na quantidade de unidades produtivas. 
Assim, tomando como referência a produção antilhana, tem-se que retornos de 5% eram considerados satisfatórios, enquanto que aqueles que chegassem a 10% ou 15% eram considerados excelentes, embora tais níveis raramente tenham sido alcançados. De forma sucinta: “indústria açucareira provavelmente não foi nem tão rica nos bons tempos, nem tão pobre nas épocas difíceis [...]”.O açúcar, além disso, foi o produto colonial cujo valor não foi igualado nem mesmo pelas exportações de ouro a Portugal.
Schwartz crítica também os valores apresentados por Celso Furtado. A taxa de retorno estimada por ele em cerca de 80% não é, em absoluto, factível. Além disso, a concentração de 90% da renda nas mãos dos senhores de engenho é uma proposição igualmente dúbia e a idéia dos senhores como uma classe extremamente abastada parece mais apenas uma figura que uma realidade. 
Furtado defende a idéia de altos retornos sobre o capital empregado na economia açucareira, segundo os dados do Simonsen, capaz de auto-financiar a duplicação da sua capacidade produtiva a cada 2 anos. Cita a concentração de renda nas mãos dos senhores de engenho, retendo mais de 90% da renda gerada. A atividade açucareia era o único pólo dinâmico já que não havia dispêndio internamente. Atividades secundárias sempre gravitavam em torno de uma atividade principal, se não houvesse a possibilidade de desenvolver a mesma. Autoduplicação não se efetiva em função da transferência de renda para não residentes, comerciantes, etc)
Schawrs é muito mais conservador nas estimativas de retorno de capital em confronto com Furtado. Retorno anual líquido em torno de 4%. Plantadores, que tinham uma estrutura menor e mais ineficiente (não tinham escala e pagavam juros de empréstimos). Schwarz levanta o problema de estimativa de custos e receitas referente a falta de moeda, diferentes formas de acertos financeiros, problemas de marcação, interesses em depreciação de resultados para fins jurídicos bem como incompetência dos controllers. Despesas com MDO mais significativas na composição de custo dos engenhos. Concorda com Furtado no que tange resiliência da economia açucareira em períodos de crise, muito em função de sua estrutura de custos. Discorda de Furtado no que tange concentração de renda na mão dos senhores de engenho. Não se conferem retornos de 30/50% sobre o capital, mas algo em torno de 5%. Grandes retornos iniciais decorrentes das concessões de terras pela coroa, que eram parcelas significantes do investimento em capital. Concessão de Sesmarias como motor para a expansão da indústria. Retração associada à dificuldade de acesso à terra associada à crise no mercado externo do açúcar, competição antilhada e tudo mais.
Crítica À furtado em relação as estimativas hiperinfladas de retorno sobre o capital e em relação ao nível de riqueza dos senhores de engenho, distante da realidade.
Schwarz defende a importância do mercado interno para distribuição de subprodutos do açúcar, fato não considerado por Furtado, o que representava algo em torno de 2% do retorno sobre o Capital, o que diminui em parte a extreme importância do mercado externo extrapolada por Furtado. Tem se ainda desenvolvimento de economias secundarias que gravitavam em torno da economia açucareira, como a pecuária e produção de alimentos de engenhos e áreas urbanas em desenvolvimento. Alem do confronto com Furtado em relação a importância do mercado interno, existe um confronto maior com Prado Junior, já que esse considerava essa massa, que seria responsável por atenuar efeitos de crises externas, não atrelada ao sentido da colonização como inorgânica.