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CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 1 AULA 0 – A ELASTICIDADE E SUAS APLICAÇÕES Bom dia, Muitos de vocês, pelo Brasil afora, que há pouco iniciaram sua preparação para concursos, certamente não conhecem Mozart Foschete. Por isso, vou lhes dar algumas informações úteis a meu respeito: Fiz mestrado em Economia na Inglaterra e, ao chegar de lá, no início dos anos 80, além de trabalhar como economista do IPEA-Brasília, fui professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília por 14 anos. Nos anos 90, larguei a UnB e passei a ministrar aulas de Economia em cursos preparatórios, em Brasília, preparando candidatos para o concurso de Analista do Banco Central e especialmente para os candidatos ao cargo de Auditor da Receita Federal, pois até o ano de 1994 o concurso era unificado e Economia era cobrada de todos os candidatos. Sem querer me gabar muito, eu era, nos anos 90, o professor de Economia mais conhecido e o mais procurado para lecionar esta matéria. Os convites para lecionar Economia partiam de todos os pontos: lecionei cursos intensivos de Economia no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no Amazonas, na Paraíba, em Goiás e outros mais. Evidentemente, e por mais que me esforçasse, eu não conseguia atender toda esta demanda. Para ajudar meus alunos e os candidatos em geral a entender esta matéria aparentemente complicada, publiquei vários livros de Economia (Manual de Economia, Macroeconomia, Relações Econômicas Internacionais, e outros). No final dos anos 90, no entanto, com a Economia sendo retirada de muitos concursos públicos de nível superior, resolvi dar uma “parada” em minhas aulas de “cursinhos”. Além de me dedicar a outros projetos profissionais e pessoais, voltei a lecionar Economia em uma Faculdade de minha terra natal, em Minas. Agora, no entanto, como me parece certo que o próximo concurso de Auditor será novamente unificado, há grande expectativa de que a Economia seja disciplina obrigatória para PDF processed with CutePDF evaluation edition www.CutePDF.comPDF processed with CutePDF evaluation edition www.CutePDF.comPDF processed with CutePDF evaluation edition www.CutePDF.comPDF processed with CutePDF evaluation edition www.CutePDF.comPDF processed with CutePDF evaluation edition www.CutePDF.comPDF processed with CutePDF evaluation edition www.CutePDF.com CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 2 todos os candidatos, e para todas as áreas, com peso significativo, tal como era antes. E se isso se confirmar, como acredito, muitos candidatos terão que dedicar bom tempo de sua preparação a essa disciplina, principalmente aqueles que nunca a estudaram, pois os programas da Esaf sempre exigem tópicos complexos da teoria econômica, acreditem, em nível de mestrado ou até mesmo de doutorado (quem já fez concurso do Banco Central sabe disso). Em meio a essa expectativa, surgiu o convite do Vicente, meu ex-aluno no ano de 1996, quando se preparava para o antigo AFTN, para a agente realizar esse projeto aqui no site. Achei ótima a idéia dele e desde então me pus a trabalhar nesse projeto. Embora não tenhamos ainda em mãos o programa que será exigido pela Esaf para o concurso do AFRF, a gente que é do ramo tem uma expectativa razoável do que pode vir a ser exigido de Economia naquele concurso, pois não há muito como fugir dos programas exigidos em outros concursos semelhantes. Assim, depois de muito pensar a respeito, decidimos oferecer dois cursos distintos: Economia I e Economia II. O Curso de ECONOMIA I será oferecido nos próximos dias, antes da publicação do edital de Auditor da Receita Federal. Nele, tratarei desde tópicos introdutórios da disciplina (para habilitar aqueles não iniciados em Economia a entender o resto do curso) até tópicos intermediários e mais avançados de macroeconomia – que é, ao que supomos, a matéria em que o programa deverá se assentar. Assim, por exemplo, além daqueles tópicos introdutórios, estudaremos os conceitos básicos da contabilidade nacional, o modelo teórico clássico e o modelo keynesiano – que, por sinal, sempre tem sido objeto de questões de provas – o sistema financeiro nacional, o balanço de pagamentos e o sistema cambial, o chamado sistema IS-LM e a atuação das políticas monetária e fiscal. Todos esses se constituem em tópicos indispensáveis para a realização de qualquer concurso que envolva a macroeconomia. Certamente o curso de ECONOMIA I não CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 3 cobrirá todo o programa de Auditor da Receita, mas, qualquer que seja o conteúdo que venha a ser cobrado pela Esaf, os pontos estudados certamente estarão contemplados nesse programa. E, ademais, ainda que supostamente o edital não cubra todos os tópicos estudados, serão eles indispensáveis para a compreensão dos tópicos mais avançados do edital. Não se estuda o efeito combinado das políticas monetária- fiscal-cambial sobre a economia de um país – um tópico dito mais avançado – sem que se tenha, por exemplo, o conhecimento do que seja elasticidade – conceito este que já é objeto de nossa primeira aula, dita demonstrativa. Também não se pode entender tópicos como “modelos de escolha intertemporal” e “restrições orçamentárias”, sem ter conhecimento de contabilidade nacional e de modelos keynesianos de determinação da renda. O Curso de ECONOMIA II será oferecido assim que tivermos conhecimento do programa do concurso ou assim que for publicado o edital da Esaf. O nosso Curso de Economia II, então, será um complemento de nosso curso de Economia I, cobrindo todos os pontos faltantes cobrados no edital de Auditor da Receita Federal. É importante salientar que o curso de ECONOMIA I é imprescindível para qualquer concurso que cobre a disciplina Economia. Já o curso de ECONOMIA II será voltado especificamente para o concurso de Auditor da Receita Federal, onde, com dissemos, complementaremos os pontos faltantes do curso de ECONOMIA I. Sejam, então, bem-vindos ao estudo da Economia! Procurarei tratar dos diferentes pontos da maneira mais didática possível, como eu sempre fiz em sala de aula, enriquecidos com exemplos do nosso dia-a-dia. Todo mundo vive a economia no seu cotidiano, seja na compra de um carro, na realização de um investimento em moeda estrangeira, ou na compra do arroz-feijão-tomate para o almoço do dia. A sua empregada doméstica pratica economia quando substitui a carne de vaca ou de porco pelo peixe, em virtude da alta CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 4 abusiva do preço da carne. Ou o morango pelo caqui, no período da entressafra. É isso que vamos estudar. Dito isso, passemos à nossa primeira aula de Economia I. Neste nosso primeiro encontro vamos tratar de um dos temas mais importantes da teoria econômica e que se aplica a qualquer assunto econômico: a elasticidade. Embora seja um conceito comumente usado no estudo das variações que ocorrem na demanda de um produto quando seu preço varia, ela aparece também no estudo os efeitos da taxa de câmbio sobre as exportações e importações de um país, no efeito da taxa de juros sobre o nível da poupança e do investimento, enfim em praticamente todos os temas econômicos. Mas, o que vem a ser elasticidade? Qual a sua aplicação e utilidade? 1. O conceito de elasticidade Na teoria econômica, o termo elasticidade significa sensibilidade. Na realidade, a elasticidade mostra quão sensíveis são os consumidores de um produto X (ou seus produtores), quando o seu preço sofre uma variação para mais ou para menos. Em outras palavras, a elasticidade serve para medir a reação – grande ou pequena – desses consumidores (ou de seus produtores) diante de uma variação do preço do produto X. Neste caso, teríamos a chamada elasticidade-preço da demanda (ou, no caso dos produtores, a elasticidade-preço da oferta) por este produto. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado em relação a uma variação na renda real dos consumidores. Neste caso, estaríamos medindo o quanto a demanda pelo bem X é sensível a uma variação na renda dos consumidores – e teríamos, então, a chamada elasticidade-renda. Mas, não vamos misturar as coisas: Vamos, primeiro, nos fixar no conceito de elasticidade-preço. Depois analisaremos a questão da elasticidade- renda. 2. A elasticidade-preço (Ep) da demanda É fácil constatar que as pessoas reagem com intensidade diferente diante de variações dos preços dos diferentes produtos. Se o sal sobe de preço, as pessoas não vão deixar de comprá-lo por causa disso e, CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 5 provavelmente, nem vão reduzir a quantidade que costumam comprar desse produto – já que o sal é essencial para elas. Também e por razões diferentes, as pessoas não devem reagir muito a um aumento no preço de uma bala e, aqui, isso se explicaria pelo fato de que o preço da bala é muito baixo e não afeta o bolso do consumidor. Sabe-se, também, que as pessoas não reagem muito a um aumento do preço da gasolina – e, neste caso, isso se deve provavelmente ao fato de que a gasolina, sendo essencial para quem tem carro, não tem um substituto e o jeito é arcar com este aumento. De outra parte, porém, se produtos como automóveis, ou passagens aéreas e outros, subirem de preço, é bastante provável que sua demanda se reduza significativamente. Com esses exemplos, podemos ver que a reação das pessoas a uma variação do preço de um produto depende muito do tipo de produto. Em alguns casos, a reação pode ser muito grande, em outros pequena e em uns poucos casos nem reação há. E note-se que é importante – para os produtores/vendedores, principalmente – saber se o consumidor do produto X reage muito ou pouco a um variação – aumento ou redução – do seu preço, pois isso vai ajudar o produtor a estabelecer um preço “ótimo” para seu produto – ou seja, um preço onde sua receita pode ser máxima. E para conhecer a elasticidade-preço da demanda pelo produto X é preciso calculá-la. E é o que vamos fazer a seguir. 3. Calculando a elasticidade-preço da demanda Suponha-se o seguinte comportamento da demanda de dois bens X e Y: Demanda de X Demanda de Y Px Qdx Py Qdy 1º instante 10 100 20 80 2º instante 12 60 24 76 Note-se que, entre o primeiro e o segundo instante, o preço de ambos os produtos subiu 20%. No entanto, é fácil verificar que a reação do consumidor – medida pelas quantidades adquiridas (Qd) - foi bastante diferente nos dois casos. Enquanto no caso do produto X, a demanda se reduziu 40% (caindo de 100 para 60), no caso do produto Y a quantidade demandada só se reduziu 5% (caindo apenas 4 unidades de um total de 80). CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 6 Diante desse exemplo, pode-se concluir que a demanda do consumidor pelo produto X é mais sensível a uma variação do preço do que a do produto Y. Esta sensibilidade – maior ou menor – pode ser medida pelo chamado coeficiente de elasticidade-preço da demanda (Ep) - que mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto em conseqüência de uma variação percentual em seu preço. Veja que se trata de variações percentuais na quantidade e no preço e não variações absolutas. Isso porque variações absolutas não nos dizem nada. Um aumento de R$ 100,00 (isto é, uma variação absoluta) no preço de um carro não significa quase nada, ao passo que uma variação de R$ 10,00 no preço do quilo de feijão poderá até derrubar o Ministro da Agricultura. Matematicamente, a elasticidade-preço da demanda é definida pela fórmula: Ep = Variação percentual na quantidade demandada Variação percentual no preço O numerador desta fração – ou seja, a variação percentual na quantidade demandada, é dada por: e o denominador – isto é, a variação percentual no preço, é dada por: Assim, temos: No exemplo numérico acima, nós teríamos no caso do bem X: Epx = %20 %40 = 2 E, no caso do bem Y: 12, QQQondeQ Q −=ΔΔ 12, PPPondeP P −=ΔΔ P P Q Q P QEp Δ Δ =Δ Δ= % % CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 7 Epy = %20 %5 = 0,251 Uma questão que se coloca é a seguinte: para o cálculo da elasticidade, deve-se tomar o preço (P) e a quantidade (Q) originais ou o novo preço e a nova quantidade? Tudo depende da convenção. Suponha um produto com uma curva de demanda como ilustrado na Figura 1. No ponto A, temos que, ao preço (P) de R$ 10,00 a unidade, a quantidade demandada (Q) é de 100 unidades; no ponto B, ao preço de R$ 6,00, a Q é de 180 unidades. Figura 1 Agora, suponha que o preço caia de R$ 10,00 (preço inicial) para R$ 6,00 (novo preço) e, em conseqüência, a Qd aumente de 100 unidades (inicial) para 180 (nova quantidade). Como calcular a elasticidade no arco AB? A solução no caso é tomarmos a quantidade média (ou, 100 180 2 + ) e o preço médio (ou, 10 6 2 + ), e teríamos: 1 Note-se que, na realidade, o valor encontrado seria um número negativo, já que as variações da demanda (40% e 5%) são negativas. Mas, para efeito de interpretação da elasticidade-preço da demanda, o que importa é o valor absoluto desta. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 8 E Q Q m d io P P m d i o p = = = × = = Δ Δ ( é ) ( é ) 80 140 4 8 80 140 8 4 640 560 114, (2) Alternativamente, ao invés de tomarmos o P e o Q médios, nós poderíamos usar o P e Q originais (mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto A), ou então, poderíamos usar o P e o Q novos (mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto B). A elasticidade-preço da demanda no ponto A será, então: 0,2 400 800 4 10 100 80 10 4 100 80 0 0 ==×==Δ Δ = P P Q Q Ep e a elasticidade-preço no ponto B será: E Q Q P P xp = = = = = Δ Δ 1 1 80 180 4 6 80 180 6 4 480 720 0 67, Por convenção, utiliza-se mais comumente a primeira fórmula, isto é, tomam-se a quantidade e o preço médios, quando se tratar do cálculo da elasticidade-preço no arco A-B (isto é, no intervalo entre os pontos A e B). 4. Classificação da elasticidade e receita total Como dissemos no início, o conceito de elasticidade tem muitas aplicações úteis. Conhecendo-se a elasticidade de um produto, podemos saber se a receita total (P x Q) irá ou não aumentar diante de uma queda ou de um aumento nos preços. Tudo vai depender da intensidade da reação dos consumidores diante de variações nos preços. Há três situações possíveis: 1ª - A variação percentual na quantidade é maior que a variação percentual no preço, ou seja, na fórmula da elasticidade, o numerador é (1) Na realidade, normalmente, o valor da elasticidade-preço da demanda é negativo porque um aumento do preço (efeito positivo) provoca uma queda na demanda (efeito negativo) e vice-versa. Mas nós esquecemos o sinal e consideramos o valor absoluto da elasticidade. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 9 maior que o denominador e, então, em termos absolutos, isto é, desprezando-se o sinal (que, no caso da demanda é sempre negativo) a Ep > 1. Nesse caso, a demanda deste produto denomina-se elástica em relação a seu preço. 2ª - A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual no preço: então, em termos absolutos, Ep = 1 e a demanda deste bem apresenta elasticidade unitária em relação ao seu preço. 3ª - A variação percentual na quantidade é menor que a variação percentual no preço: então, Ep < 1 e a demanda denomina-se inelástica a preço. Adicionalmente, há ainda dois casos, um tanto raros, é verdade, a considerar: a) quando a curva de demanda é inteiramente horizontal ao nível de um determinado preço e, nesta hipótese, temos uma demanda infinitamente elástica a preço; b) quando a curva de demanda é inteiramente vertical – o que demonstra que a quantidade demandada é insensível a variações no preço do produto e, nesta hipótese, temos uma demanda totalmente inelástica a preço. Elasticidade-preço X receita dos produtores E agora vem a pergunta: qual a importância ou utilidade de se saber se a demanda de um produto é elástica ou inelástica? A resposta é simples: é a magnitude da elasticidade-preço que vai orientar o produtor/vendedor se ele deve aumentar ou reduzir seu preço para aumentar sua receita. Se o valor numérico da elasticidade-preço é alto – isto é, maior que 1, em valor absoluto, e, portanto, a demanda é elástica -, significa que os consumidores reagem muito a variações de preços do produto – ou, em outras palavras, se o preço aumentar um pouco, os consumidores reduzirão muito sua demanda daquele produto. O inverso também é verdadeiro: se ele reduzir um pouco seu preço, suas vendas deverão aumentar muito. O mesmo raciocínio vale para o caso em que o valor numérico da elasticidade-preço seja pequeno - isto é, menor que 1 em valor absoluto, sendo, portanto, a demanda inelástica. Assim entendido, podemos tirar as seguintes conclusões relativamente aos efeitos de variações de preços sobre a receita total do vendedor: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 10 i) - Se o produto tem uma demanda elástica, um aumento de P provocará uma queda na receita total porque a redução percentual da quantidade demandada será maior que o aumento percentual de preços. Nesse caso, o produtor deve baixar o preço para aumentar a receita. Isso ocorre porque a quantidade demandada aumentará percentualmente mais que a perda percentual de preços. ii) - Se a elasticidade-preço da demanda é unitária, a receita total não se alterará com aumentos ou reduções de preços. Isso porque, se o produtor aumentar o preço em 10%, a quantidade demandada cairá 10%; se ele reduzir o preço em 10%, a quantidade aumentará 10%, e assim por diante. iii) - Se o produto for inelástico, uma queda de preços provocará uma queda de receita total porque a redução percentual de P não será compensada pelo aumento percentual da quantidade demandada. Nesse caso, o produtor deve aumentar o preço para aumentar sua receita total, já que a quantidade demandada cairá percentualmente menos que o aumento percentual nos preços. 6. Fatores que influenciam a magnitude da elasticidade-preço Mas, afinal de contas, o que leva um produto a ter uma demanda elástica ou inelástica? Ou como identificar, sem necessidade de fazer cálculos, um produto de demanda elástica ou inelástica? Embora rigorosamente só se possa afirmar que a demanda do produto X é elástica ou não em relação a variações em seu preço a partir de uma pesquisa específica, os produtos possuem certas características que nos permitem concluir a priori se eles são mais ou menos elásticos a variações em seu preço3, a saber: i) Essencialidade do produto – parece claro que quanto maior o grau de utilidade ou de essencialidade do produto para o consumidor, menos elástica (ou seja, mais inelástica) tende a ser sua demanda. De fato, se o produto é essencial para o consumidor, aumentos em seu preço reduzirão pouco ou quase nada suas compras. Da mesma forma, reduções de preço desses produtos não deverão provocar aumentos em sua compras, pois o consumidor tende a comprar um certa quantidade – digamos, fixa – dos mesmos. É o que ocorre, geralmente, com os bens de primeira necessidade, como alimentos, serviços de saúde ou de educação – que sabidamente têm demanda inelástica a preço. De outra 3 Essas características foram apontadas pioneiramente pelo famoso economista inglês Alfred Marshall (1842- 1924) em seus Principles of Economics. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 11 parte, produtos supérfluos, para o consumidor, como jóias e perfumes, tendem a ter demanda elástica a preço. ii) Quantidade de substitutos – também parece inquestionável a afirmação de que, se o produto tiver muitos substitutos próximos, um aumento de seu preço deve estimular o consumidor a mudar de produto, reduzindo, portanto, a demanda daquele cujo preço se elevou (se o preço do Palio se elevar, o consumidor tenderá a substitui-lo por Gol 1000, ou por Fiesta, etc). Ou seja, quanto mais substitutos houver para um produto X, mais elástica a preço será sua demanda. Obviamente, o contrário ocorre na hipótese de o produto não ter substitutos próximos (como é o caso do sal). Nesta hipótese, mesmo ocorrendo um aumento do preço do produto, o consumidor tenderá a continuar adquirindo a mesma quantidade de antes, por simples falta de opção – o que torna sua demanda inelástica a preço. iii) Peso no orçamento do consumidor – quanto menor for o preço do produto, menos ele pesará no bolso do consumidor, como é o caso da caixa de fósforos. Assim, aumentos no preço de um produto “barato”, tendem a não alterar a demanda daquele produto, como seria o caso se o preço da caixa de fósforos passasse de 20 centavos para 30 centavos (um aumento de 50%!). Nesta hipótese, a demanda desses produtos ditos “baratos” tende a ser inelástica a preço, ocorrendo o contrário no caso dos produtos mais caros, como carros, passagens aéreas, etc. iv) Nível de preço – este é um aspecto pouco abordado pelos livros- textos de Economia, mas a verdade – facilmente comprovável – é que se o preço do produto estiver na parte superior da curva de demanda, mais elástica tende a ser sua demanda, ocorrendo o contrário se o preço estiver na parte inferior da curva4. 7. Elasticidade da oferta O conceito da elasticidade também se aplica no caso da oferta, para medirmos a reação dos produtores às variações de preço. Em síntese, podemos assim definir a elasticidade-preço da oferta: 4 Isso é certamente verdade no caso de uma curva de demanda retilínea, negativamente inclinada, e é geralmente válido para a demanda expressa por uma curva propriamente dita. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 12 A “elasticidade-preço da oferta mede a variação percentual na quantidade ofertada de uma mercadoria em conseqüência de uma dada variação percentual em seu preço”. A exemplo da elasticidade da demanda, podemos obter diferentes valores para a elasticidade da oferta conforme utilizemos o preço e a quantidade originais ou novos. Também aqui, por convenção, é preferível utilizarmos P e Q médios, sendo a fórmula de cálculo dada por: Ep = Variação percentual na quantidade ofertada Variação percentual no preço ou, E Q P Q Q méd io P P méd i o p = =ΔΔ Δ Δ % % ( ) ( ) Tomando por exemplo a curva de oferta da Figura 2, suponha que, ao preço inicial de R$ 10,00 por quilo, os produtores estarão dispostos a vender 200kg de arroz; se o preço se elevar para R$ 15,00, a oferta crescerá para 280kg. Vamos calcular a elasticidade desta curva de oferta no arco AB. Figura 2 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 13 E Q Q m d i o P P méd i o p = = = × = = Δ Δ % ( ) % ( ) , , , é 80 240 5 12 5 80 240 12 5 5 1000 1200 0 83 Dependendo do número que se obtém, após este cálculo, a elasticidade- preço da oferta também será classificada como: i) elástica , se o coeficiente encontrado for maior que 1,0; ii) unitária, se o coeficiente encontrado for igual a 1,0; iii) inelástica, se o coeficiente encontrado for menor que 1,0, valendo lembrar que, como os preços e quantidades ofertadas variam na mesma direção, o coeficiente da elasticidade-preço da oferta terá sempre um sinal positivo. 8. Elasticidade-preço-cruzada Diferentemente da elasticidade-preço anterior, esta elasticidade-preço- cruzada mede a sensibilidade da demanda do bem X a variações nos preços do bem Y. Matematicamente, é medida pela razão entre as variações percentuais da quantidade demandada de um bem X e as variações percentuais de preço do bem Y. Ou: E Q Pxy x y = ΔΔ % % Esta razão pode assumir valores negativos e positivos ou, ainda, ser igual a zero. – Se o resultado for < 0, isto é, negativo, os dois bens são complementares. – Se o resultado for > 0, isto é, positivo, os dois bens são substitutos ou sucedâneos. – Se o resultado for = 0, os dois bens não guardam qualquer relação de consumo entre si. Exemplo: Suponha que X seja manteiga e Y seja margarina (dois produtos tipicamente substitutos). Se o preço de Y subir (+), a quantidade demandada de manteiga deve aumentar ( + ). Logo, dividindo-se um valor positivo por outro positivo, o resultado será um valor positivo e, portanto os bens são substitutos. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 14 Analise a hipótese de X = pneu e Y = carro. O que deve ocorrer, caso o preço do carro aumente (ceteris paribrus)? 9. Elasticidade-renda A elasticidade-renda (Er) mede a razão entre a variação percentual da quantidade demandada de um bem X e a variação percentual da renda real do consumidor. Ou: E Qx Rr = ΔΔ % % Dependendo do valor do coeficiente da elasticidade-renda obtido, o bem será classificado em bem inferior, ou bem normal ou bem superior. Assim, por exemplo, suponha que a renda dos consumidores tenha se elevado, num certo período de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00, em conseqüência, a quantidade demandada dos bens A, B, C e D, se alteraram de Qd0 para Qd1, conforme a tabela a seguir: Bens Qd0 Qd1 A 20 18 B 25 30 C 30 78 D 10 15 E 40 40 Utilizando a fórmula acima, podemos calcular a elasticidade-renda para os cinco bens acima, assim: i) Er (bem A) = %30 %10− = - 0,33 ii) Er (bem B) = %30 %20 = 0,66 iii) Er (bem C) = %30 %30 = 1,0 iv) Er (bem D) = %30 %50 = 1,67 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 15 v) Er (bem E) = %30 %0 = 0 Observe-se que a quantidade demandada do bem A diminuiu quando a renda aumentou. Quando se verifica esta relação inversa entre variação na renda do consumidor e a conseqüente variação no consumo de um bem, este bem é denominado de bem inferior – como é o caso do bem A. Em conseqüência, o coeficiente da elasticidade-renda dos bens inferiores é negativo, refletindo o fato de que, no caso desses bens, o seu consumo cai quando a renda cresce. No caso do bem B, verificamos que o seu consumo cresceu quando a renda cresceu, embora tenha crescido proporcionalmente menos que o crescimento da renda – o que forneceu um coeficiente da elasticidade- renda positivo, porém menor que 1, ou seja, a demanda desse bem inelástica a renda. Estes bens são denominados bens normais – que são aqueles cuja demanda tende a acompanhar a direção da variação renda. Se a renda cai, o seu consumo também cai; se a renda cresce, o seu consumo também cresce, ainda que não na mesma intensidade. No caso do bem C, o aumento do consumo se deu na mesma intensidade do aumento na renda (ambos cresceram 30%), e por isso, o coeficiente da elasticidade-renda foi positivo, igual a 1, ou seja, a elasticidade-renda é unitária. Estes bens também são classificados como bens normais. No caso do bem D, o consumo cresceu proporcionalmente mais que o crescimento na renda, dando um coeficiente de elasticidade-renda positivo maior que 1 – ou seja, a elasticidade-renda neste caso é elástica. Estes bens são denominados bens superiores. Por fim, temos o caso do bem E, cujo consumo não se alterou em decorrência do aumento da renda, fornecendo um coeficiente de elasticidade-renda igual a 0. Esses bens anelásticos a renda são também considerados bens normais, geralmente se aplicando ao caso dos bens de consumo saciado (alimentos básicos, por exemplo). Em síntese, em relação à elasticidade-renda, temos as seguintes conclusões: – Se o resultado desta razão for positivo maior que 1,0, o produto é dito “bem superior”. – Se o resultado situar-se entre 0 e 1,0 o bem é normal. – Se o resultado for menor que 0, isto é, negativo, o produto é chamado de “bem inferior”. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 16 10. Escassez, Tabelamento e Incidência Tributária 10.1 Escassez e excedente – tabelamento Muitas vezes, o governo se vê obrigado a intervir no mercado através do controle de preços ou tabelamento, com o objetivo de proteger os consumidores. Isso ocorre sempre que um país atravessa um período de aceleração inflacionária, ou quando o governo percebe a ação ou comportamento de grupos de empresas – os oligopólios – que tentam tirar proveito de seu “poder de mercado” reajustando abusivamente seus preços. Ao perceber que os preços que vigorarão no mercado serão muito elevados, o governo resolve intervir, fixando um preço máximo para a venda do produto – e que será, necessariamente, menor do que o preço que vigoraria no mercado. No Brasil, essa prática foi muito comum nos anos 80 e 90 do século passado, como mostraram as experiências do Plano Cruzado, em 1986; do Plano Bresser, em 1987; do Plano Verão (Mailson), em 1989 e do Plano Collor II (ou Zélia), em 1991. Esses foram momentos bem marcantes de “congelamentos” de preços que, no fundo, se traduzem em verdadeiros tabelamentos. Afora esses momentos, existiam, ainda, os controles permanentes de preços pela SUNAB, CIP, “Câmaras Setoriais”, etc. Não importa a forma, nem o órgão, nem o porquê do controle ou do tabelamento de preços. O que importa, do ponto de vista da análise econômica, é conhecer as conseqüências desse tabelamento. Para tanto, vamos partir da Figura 3: Figura 3 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 17 O governo resolve tabelar o preço de x ao nível de P1. Pelo mercado, o preço de equilíbrio seria Pe. Ao nível de P1 a QD é maior que Qs surgindo um excedente da demanda sobre a oferta igual a QD - QS. Esse excedente forçaria o preço a subir até Pe – o que é impedido pelo congelamento. Com isso, surge uma demanda insatisfeita (igual a QD – Qs), existindo diversas soluções para o problema, a saber: (i) Aparecem as filas: Toda vez que, num mercado, houver excesso de demanda, surgirão filas, seja nas bilheterias dos teatros, seja à porta dos açougues, seja nos balcões das lojas, sendo que somente os que chegarem primeiro serão atendidos. (ii) Surgem as vendas preferenciais: Quando a demanda para um concerto musical é maior que o número de bilhetes, muitas vendas são feitas “por debaixo do pano”. Os promotores do espetáculo reservam uma parte dos ingressos para convidados ilustres, para políticos ou para fregueses mais regulares. (iii) Surge o mercado negro: Sabendo que vai faltar ingresso, para burlar o tabelamento, reduzem a quantidade contida no próprio produto, vendendo-o, porém, ao preço tabelado. Assim, por exemplo, o rolo de papel higiênico, antes com 45 metros, passa a 40 metros, o quilo de carne passa a ter 900 gramas, o sabonete já não faz tanta espuma como anteriormente, etc. Como se vê, o controle ou congelamento de preços, ainda que seja um instrumento útil para estancar temporariamente um processo infla- cionário, provoca sempre outras distorções no mercado. 10.2 Incidência tributária Qual será o efeito da imposição, pelo governo, de um imposto sobre a venda de uma mercadoria? Quem pagará este imposto? O leitor menos atento responderá que o imposto será pago pelo consumidor. No entanto, isso pode ou não ser verdade. Tudo dependerá das elasticidades da demanda e da oferta. Mas, antes de mais nada, é preciso distinguir dois tipos de impostos: (i) o imposto específico – que é um valor fixo que incide sobre o preço de venda, digamos, R$ 10,00; e (ii) o imposto ad valorem – que é um percentual que recai sobre o valor da venda, digamos, 15%.. Analisemos os dois casos: a) Imposto específico CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 18 O primeiro efeito do lançamento de um imposto específico é o deslocamento da curva da oferta, igual, verticalmente, ao montante do imposto. Isso se explica pelo fato de que a curva de oferta representa as quantidades que serão oferecidas pelo produtor em relação aos preços praticados no mercado. Para qualquer preço P de mercado, o produtor subtrai o imposto T, ficando com a diferença. Ou seja, o produtor receberá o valor P 2 que será dado por: P 2 = P 1 - T O que ocorrerá com o preço e a quantidade de equilíbrio? A resposta está ilustrada na Figura 4. A decretação de um imposto específico desloca, como já foi dito, a curva de oferta para a esquerda. O novo ponto de equilíbrio se dá onde a nova curva de oferta (S1) corta a curva de demanda. Antes, P 0 e Q 0 eram, respectivamente, o preço e a quantidade de equilíbrio. Agora, o equilíbrio se dá em P 1 e Q 1 . Do preço P 1 o vendedor receberá apenas P 2 (= P 1 - T). Como P 2 é menor que P 0 , a oferta do produtor cai para Q 1 . Figura 4 Neste exemplo, sobre quem recai efetivamente o imposto? Pode-se dividir o montante do imposto (= P 1 - P 2 ) em duas parcelas, a saber: (i) �P 1 = P 1 – P 0 que corresponde ao aumento do preço de equilíbrio – e, por conseqüência, representa a parcela do imposto a ser paga pelo consumidor. (ii) �P 2 = P 0 – P 2 que corresponde à redução no preço recebido pelo produtor – e que, por conseqüência, representa a parcela a ser paga pelo produtor. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 19 Qual das duas parcelas é a maior? Isto irá depender da elasticidade da demanda e da oferta. Observemos a Figura 5, onde são apresentadas duas curvas de demanda. Dx e Dy, sendo Dx mais elástica (mais “deitada”) que Dy. Ambas as curvas cruzam, inicialmente, a curva de oferta S 0 no mesmo ponto, definindo o preço e quantidade de equilíbrio inicial em P 0 e Q 0 . Com a decretação de um imposto específico, T, a curva de oferta se desloca para S 1 . O novo preço de equilíbrio se dará no ponto onde as duas curvas de demanda cruzam com nova curva de oferta (S 1 ). No caso do produto de demanda Dy, o novo preço será P2 e a quantidade transacionada será Q 2 . Já para o produto de demanda Dx (mais elástica), o preço será P 1 (menor que P 2 ) e a quantidade transacional será Q 1 . Figura 5 Lembre-se que o aumento do preço pós-imposto representa a parcela do imposto repassada ao consumidor. No caso presente, o repasse maior ocorreu no produto Dy (menos elástico). Isto se explica pelo fato de que um produto de demanda inelástica implica que os consumidores não reagem muito às variações de preços. Se isto é fato, o produtor repassará o máximo do imposto ao preço, sabendo que os consumidores não reduzirão muito suas compras do produto. b) Imposto ad valorem CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 20 Trata-se de um imposto que incide sobre o valor da venda, representando, no caso, um percentual da receita do vendedor (ou produtor). Assim, por exemplo, se o imposto (t%) for 20%, o produtor receberá efetivamente apenas 80% do preço de mercado, isto é, receberá P*, que será dado por: P* = (1 – t%)P Qual será o efeito da decretação de um imposto ad valorem? Graficamente, a curva de oferta se tornará mais vertical, sendo o coeficiente angular da nova curva de oferta (S 1 ) dado pela taxa do imposto, como mostra a Figura 6. Figura 6 Figura 7 Pela Figura 7, com o deslocamento da curva de oferta, tanto o preço como a quantidade de equilíbrio se alteram de P 0 e Q 0 para P 1 e Q 1 , respectivamente. Tal como no caso do imposto específico, aqui, também, o montante do imposto será dividido em duas parcelas: ΔP P P1 1 0= − , que será paga pelo consumidor e ΔP P P2 0 2= − , que será paga pelo produtor. 10.3 Política de preços mínimos Com o objetivo de proteger os agricultores das flutuações climáticas que, necessariamente, afetam sua colheita e, daí, alteram os preços de mercado, o governo adota a chamada “política de preços mínimos” ou “garantia de preços mínimos”. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 21 Tal política se justifica pelo fato de que se houver uma boa safra, digamos, de milho, sua oferta será grande e, em conseqüência, seus preços serão baixos, podendo, inclusive, ficar abaixo dos custos de produção. Sendo a demanda por produtos agrícolas geralmente inelástica, com uma baixa de preços, a receita dos produtores se reduzirá. Com isso, os produtores não terão qualquer estímulo para plantar milho no próximo ano, quando, então, haverá escassez do produto e conseqüente aumento de preços. Para evitar essas flutuações e os prejuízos para os produtores e para os consumidores, o governo interfere no mercado fixando “preços mínimos” que garantam uma remuneração compensatória aos produtores. Este “preço mínimo de garantia” só será usado pelo produtor se, por excesso de oferta, “o preço de mercado” se situar abaixo do preço de garantia. Para entender as conseqüências da adoção de uma política de preços de garantia, consideremos a Figura 8 que, hipoteticamente, reflete o mercado de milho, onde S é a oferta, D é a curva de demanda, Pe é o preço de equilíbrio determinado pelas forças de mercado (oferta e demanda) e Pm é o preço mínimo fixado pelo governo. Figura 8 Como o Pm é maior que o preço de mercado (Pe), a receita garantida aos produtores será OPm x OQs (ou igual à área OPmCQsO). Se não houvesse o preço de garantia, a receita dos produtores seria dada pelo preço de mercado multiplicado pela quantidade vendida, ou, OPe x OQs, que, obviamente, seria menor que a anterior, já que Pe < Pm. Para garantir aos produtores a receita definida pelo preço mínimo, o governo dispõe de duas alternativas: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 22 i) fixa o preço em Pm e compra o excedente de milho, ou seja, BQs ao preço de Pm ; ou ii) deixa que o milho seja vendido ao preço de mercado, Pe, e concede a cada agricultor um subsídio, em dinheiro, igual a Pm - Pe para cada saca vendida. A questão, então, é: qual dos dois programas é mais caro para o governo? Antes de responder, vale lembrar que, em qualquer alternativa, a receita dos produtores será dada pelo retângulo OPmACO. Se o governo optar pelo primeiro programa, isto é, comprar o excedente, a despesa dos consumidores (DC) será dada por OPm x OB (= OPmABO) e, conseqüentemente, a despesa do governo (DG) será OPm x BQs (= BACQsB). Observando que quanto maior a parcela paga pelos consumidores, menor será a despesa do governo, e considerando que a demanda por milho tem alta probabilidade de ser inelástica, a despesa dos consumidores será maior no primeiro programa, compra do excedente pelo governo. Isto porque, quando a demanda é inelástica, um aumento do preço do produto de Pe para Pm eleva a receita do vendedor (isto é, aumenta a despesa dos consumidores). Se esta é aumentada, significa que a do governo diminui. (Observe-se que não se consideram, aqui, os custos de armazenamento, nem as eventuais receitas que o governo terá, mais tarde, com a venda de seu estoque). 11. Algumas conclusões-resumo desta nossa primeira aula Aprendemos, hoje, então, o que é a elasticidade nos seus diversos conceitos – elasticidade-preço da demanda e da oferta, a elasticidade- renda e a elasticidade-preço-cruzada. Aprendemos, também, como calculá-la e como interpretar os resultados encontrados. Fomos mais além, analisando casos específicos de sua aplicação, como no caso de políticas governamentais de tabelamento de preços, no caso da incidência e do ônus do imposto sobre os consumidores (e, eventualmente, sobre os produtores) e no caso das políticas de garantidas de abastecimento postas em prática pelo Governo. Nas nossas próximas aulas, veremos outras aplicações deste importante conceito econômico, principalmente quando abordarmos a questão dos CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 23 investimentos, da poupança, do mercado monetário e do comércio exterior e do balanço de pagamentos. Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso próximo encontro! ______________ Exercícios de fixação: I) Exercícios resolvidos: 1. A elasticidade-preço da demanda do produto A é –0,1. Se o preço desse produto aumentar em 2%, quanto deverá diminuir a quantidade demandada? Solução: Utilizando a fórmula de cálculo da elasticidade-preço e fazendo as devidas substituições pelos números dados pelo problema, tem-se: Ep = 1,0 %2 % % % −=− Δ=Δ Δ Qd P Qd Efetuando a conta acima, tem-se que a variação percentual da quantidade demandada (Δ%Qd) é igual a –2%. Ou seja, a quantidade demandada deverá cair 2%. 2. A elasticidade-preço da demanda de um bem é –1,8 e a quantidade demandada ao preço de mercado é de 5.000 unidades. Caso o preço do bem sofra uma redução de 5%, qual deverá ser a nova quantidade demandada? Solução: Novamente, vamos utilizar a fórmula da elasticidade-preço, com as devidas substituições: Ep = 8,1 %5 % % % −=− Δ=Δ Δ Qd P Qd Ou seja, Δ%Qd = -5% x -1,8 = 9%; assim, a quantidade demandada teria aumentado em 9%, ou em 450 unidades (9% de 5.000 unidades). Deste modo, a nova quantidade passará a ser: 5.450. 3. Sabe-se que a demanda de um bem X qualquer é elástica a preço. Assim, se o preço desse bem aumentar, tudo o mais permanecendo constante, o gasto total do consumidor deste bem deve aumentar, cair ou permanecer constante? Solução: Para que a demanda de um bem seja elástica a preço, é necessário que a Δ%Qd > Δ%P. Esta é a condição para que o resultado seja maior que 1 (em valor absoluto). Ora, se um aumento, digamos, de 10% no preço do produto provocar, digamos, uma queda na quantidade demandada de 20% (logo Δ%Qd > Δ%P), a despesa ou gasto total do consumidor deve cair. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 24 4. Suponha-se a seguinte função demanda linear: Qdx = 600 – 5Px Esta equação fornece uma curva de demanda representada por um linha reta tal como representado no seguinte gráfico abaixo. Pede-se: calcule a elasticidade-preço nas seguintes hipóteses: i) P = 90; ii) P = 60; e, P = 30. 120 90 60 30 0 150 300 450 600 Solução: O ponto médio corresponde ao preço de 60 (igual à média entre zero e 120) e à quantidade de 300 (média entre zero e 600). i) Vamos calcular a Ep correspondente ao preço de 60, utilizando como referência para o cálculo o preço de 120 (que reduz a quantidade demandada para zero). Temos: Px Qd 60 300 120 0 Ep = 1 %100 %100 % % ==Δ Δ P Qd ii) Agora, vamos calcular a Ep para o preço de 30. A este preço, a quantidade demandada é 450 (Qd= 600 - 5 . 30 = 450). Assim, vamos calcular a Ep caso o preço suba de 30 para 60: Px Qd 30 450 60 300 Ep= 33,0 13500 4500 30 150. 450 30. ===Δ Δ P Q Q P iii) Considerando, agora, uma queda do preço de 90 (onde a quantidade demandada é 150) para 60, temos: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 25 Px Qd 90 150 60 300 Ep = 3 30 150. 150 90 = Dos cálculos acima, pode-se concluir que uma curva de demanda representada por uma linha reta tem elasticidade unitária no seu ponto médio, sendo elástica aos preços acima do ponto médio e inelástica aos preços abaixo do ponto médio. 55.. NNuummaa iinnddúússttrriiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé ddeeffiinniiddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 11000000,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttooss,, eennqquuaannttoo aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé ddeeffiinniiddaa ppoorr QQdd == 44550000 –– 440000PP.. SSuuppoonnhhaa,, eennttããoo,, qquuee oo GGoovveerrnnoo llaannccee uumm iimmppoossttoo eessppeeccííffiiccoo TT == 11,,0000 ssoobbrree eessttee pprroodduuttoo.. CCaallccuullee aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo ((QQee)) ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ((PPee)) aanntteess ee ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo.. SSoolluuççããoo:: EEmm eeqquuiillííbbrriioo,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ((QQss)) éé iigguuaall àà qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ((QQdd)),, oouu QQss == QQdd SSuubbssttiittuuiinnddoo nneessttaa iigguuaallddaaddee,, ooss vvaalloorreess ddee QQss ee ddee QQdd,, tteemmooss:: 660000PP –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP oouu,, 11000000PP == 55550000 ee,, PP == 55,,5500 PPaarraa aacchhaarrmmooss aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo,, ssuubbssttiittuuíímmooss oo vvaalloorr eennccoonnttrraaddoo ppaarraa PP nnaass dduuaass eeqquuaaççõõeess ddaaddaass ppeelloo pprroobblleemmaa,, aassssiimm:: QQss == 660000 xx 55,,5500 –– 11000000 == 22..330000 QQdd == 44550000 –– 440000 xx 55,,5500 == 22..330000 LLooggoo,, aanntteess ddoo iimmppoossttoo aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo éé 22..330000 ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo éé 55,,5500.. VVaammooss aaggoorraa ccaallccuullaarr aa qquuaannttiiddaaddee ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo ((TT == 11)):: AAnntteess ddee ffaazzeerrmmooss aass ddeevviiddaass ssuubbssttiittuuiiççõõeess,, éé bboomm lleemmbbrraarr qquuee,, aaggoorraa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaa oo pprreeççoo ddee vveennddaa ddoo pprroodduuttoo,, ppaarraa oo pprroodduuttoorr oo pprreeççoo sseerráá uumm rreeaall aa mmeennooss,, jjáá qquuee eellee tteemm ddee rreeccoollhheerr ppaarraa oo ggoovveerrnnoo eessttee iimmppoossttoo.. AAssssiimm,, ssee eellee vveennddeerr oo pprroodduuttoo ppoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé 44,,0000;; ssee eellee vveennddeerr ppoorr 77,,0000,, ppaarraa eellee éé 66,,0000.. QQuuaannttoo aaoo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa éé sseemmpprree oo pprreeççoo qquuee eessttiivveerr nnoo mmeerrccaaddoo.. SSee oo pprreeççoo ffoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé mmeessmmoo 55,,0000;; ssee oo pprreeççoo ffoorr 77,,0000,, eellee ppaaggaarráá eessttee pprreeççoo,, iinnddeeppeennddeenntteemmeennttee ddee tteerr oouu nnããoo uumm iimmppoossttoo eemmbbuuttiiddoo nnoo pprreeççoo.. AAssssiimm,, oo iimmppoossttoo ssóó vvaaii aaffeettaarr aa eeqquuaaççããoo ddaa ooffeerrttaa.. PPaarraa ssaabbeerrmmooss qquuaall aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa,, aappóóss oo iimmppoossttoo,, tteemmooss ddee rreettiirraarr ddoo pprreeççoo ((PP)) oo iimmppoossttoo,, ffiiccaannddoo aassssiimm aa eeqquuaaççããoo ddaa ooffeerrttaa:: QQss == 660000((PP--11)) –– 11000000 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 26 AA eeqquuaaççããoo ddaa ddeemmaannddaa,, ccoommoo ffooii ddiittoo,, nnããoo éé aaffeettaaddaa,, jjáá qquuee,, ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo PP éé ddee ffaattoo oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa.. AAssssiimm,, iigguuaallaannddoo aass dduuaass eeqquuaaççõõeess,, tteerreemmooss:: 660000((PP--11)) –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP oouu,, 660000PP –– 660000 -- 11000000 == 44550000 –– 440000PP 11000000PP == 66110000 ee,, PP == 66,,1100 OOuu sseejjaa,, oo iimmppoossttoo ddee 11,,0000 eelleevvoouu oo pprreeççoo ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100.. AA eessttee nnoovvoo pprreeççoo aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa sseerráá:: QQss == 660000 xx ((66,,1100 –– 11)) –– 11000000 == 22..006600 ee aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa sseerráá:: QQdd == 44550000 –– 440000 xx 66,,1100 == 22..006600.. AAssssiimm,, oo eeffeeiittoo ddoo iimmppoossttoo ffooii eelleevvaarr oo pprreeççoo ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr ((ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100)) –– oo qquuee ffeezz aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ccaaiirr –– ee rreedduuzziirr oo pprreeççoo rreecceebbiiddoo ppeelloo pprroodduuttoorr ((66,,1100 –– 11,,0000 == 55,,1100)) –– oo qquuee ffeezz,, ttaammbbéémm,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ccaaiirr.. IIII –– EExxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss ((vveejjaa ggaabbaarriittoo aaoo ffiinnaall)) MMúúllttppllaa eessccoollhhaa:: AAssssiinnaallee aa aalltteerrnnaattiivvaa qquuee rreessppoonnddee aa pprrooppoossiiççããoo:: 11.. SSee aa rreecceeiittaa ttoottaall ssee eelleevvaa qquuaannddoo oo pprreeççoo ssee rreedduuzz,, ppooddee--ssee ddiizzeerr,, eennttããoo,, qquuee aa ddeemmaannddaa éé:: aa)) iinneelláássttiiccaa;; bb)) tteemm eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa;; cc)) vveerrttiiccaall;; dd)) eelláássttiiccaa;; ee)) hhoorriizzoonnttaall.. 22.. AA ddeemmaannddaa ppoorr uumm pprroodduuttoo éé mmaaiiss eelláássttiiccaa:: aa)) qquuaannttoo mmaaiioorr ffoorr oo nnºº ddee bbeennss ssuubbssttiittuuttooss ddiissppoonníívveeiiss;; bb)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr aa pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ddoo ccoonnssuummiiddoorr ddeessppeennddiiddaa nnoo pprroodduuttoo;; cc)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr oo ppeerrííooddoo ddee tteemmppoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; dd)) qquuaannttoo mmaaiiss eesssseenncciiaall ffoorr oo pprroodduuttoo;; ee)) ddeeppeennddee ddee pprreeffeerrêênncciiaa ddoo mmeerrccaaddoo.. 33.. AA eellaassttiicciiddaaddee--ccrruuzzaaddaa ddaa pprrooccuurraa ddee uumm bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 11,,55.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee oo bbeemm XX éé:: aa)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; bb)) ccoommpplleemmeennttaarr aaoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; cc)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; dd)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; ee)) ooss ddooiiss bbeennss nnããoo eessttããoo rreellaacciioonnaaddooss nnoo ccoonnssuummoo.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 27 44.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddee ccaarrnnee ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa ddoo iinnddiivvíídduuoo ((mmaannttiiddooss ccoonnssttaanntteess ooss pprreeççooss)).. LLooggoo,, aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddaa ccaarrnnee éé,, ppaarraa eellee:: aa)) zzeerroo;; bb)) nneeggaattiivvaa;; cc)) mmeennoorr qquuee 11;; dd)) mmaaiioorr qquuee 11.. 55.. AA eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX éé 00,,55.. DDaaíí,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: aa)) uumm aauummeennttoo nnoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee pprroovvooccaarr uumm aauummeennttoo nnaa ssuuaa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee aauummeennttaarr aa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX pprroovvooccaa uumm aauummeennttoo ddaa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmeennoorr qquuee aa rreedduuççããoo nnoo pprreeççoo;; dd)) éé iimmppoossssíívveell aaffiirrmmaarr qquuaallqquueerr ccooiissaa sseemm ccoonnhheecceerr oo mmeerrccaaddoo ddoo bbeemm.. 66.. NNuumm mmeerrccaaddoo eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttoo,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo pprroodduuttoo éé ddaaddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 990000 ee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé ddaaddaa ppoorr QQdd == 33550000 -- 220000PP.. OO ggoovveerrnnoo,, eennttããoo,, ddeecciiddee ddeeccrreettaarr uumm iimmppoossttoo eessppeeccííffiiccoo TT == 22.. NNeessttee ccaassoo,, ooss pprreeççooss ddee eeqquuiillííbbrriioo,, aanntteess ee aappóóss oo iimmppoossttoo,, ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: aa)) 55,,5500 ee 66,,2200;; bb)) 66,,7755 ee 55,,5500;; cc)) 55,,5500 ee 77,,0000;; dd)) 55,,5500 ee 66,,7755;; ee)) 77,,0000 ee 55,,5500.. 7. O governo lança um imposto específico (T) sobre determinado produto fabricado em regime de concorrência perfeita. Pode-se garantir que, a curto prazo, o ônus do imposto: aa)) iinncciiddiirráá ttoottaallmmeennttee ssoobbrree oo ccoonnssuummiiddoorr;; bb)) rreeccaaiirráá iinntteeiirraammeennttee ssoobbrree oo pprroodduuttoorr;; cc)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess,, ccoonnffoorrmmee oo ppooddeerr ppoollííttiiccoo ddee ccaaddaa ggrruuppoo;; dd)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree ddooiiss ggrruuppooss ((pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess)),, ddee aaccoorrddoo ccoomm aass eellaassttiicciiddaaddeess--pprreeççoo ddaa ooffeerrttaa ee ddaa ddeemmaannddaa;; ee)) nnaaddaa ppooddee sseerr aaffiirrmmaaddoo aa pprriioorrii,, sseemm ssee ccoonnhheecceerr oo pprroodduuttoo.. 88.. AA ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss ccoonnssuummiiddoorreess,, ppoorr uumm iimmppoossttoo uunniittáárriioo,, aarrrreeccaaddaaddoo ddooss pprroodduuttoorreess sseerráá:: aa)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss eelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; bb)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; cc)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; dd)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmeennoorr oo ccoonnttrroollee ddoo GGoovveerrnnoo ssoobbrree oo mmeerrccaaddoo;; ee)) sseemmpprree mmaaiioorr qquuee aa ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss pprroodduuttoorreess.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 28 99.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddoo bbeemm XX ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa rreeaall ddooss iinnddiivvíídduuooss.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa aaffiirrmmaattiivvaa,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: aa)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddeessttee bbeemm éé mmeennoorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm iinnffeerriioorr;; bb)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé iigguuaall aa 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; cc)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé nneeggaattiivvaa ee oo bbeemm éé iinnffeerriioorr;; ee)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm ssuuppeerriioorr.. 1100.. AA eellaassttiicciiddaaddee ccrruuzzaaddaa ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 00,,55.. 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SSee aa eellaassttiicciiddaaddee--aarrccoo ddaa pprrooccuurraa ppoorr ccaarrnnee ffoorr iigguuaall aa ––22 ee ssee oo pprreeççoo ddoo qquuiilloo ppaassssaarr ddee RR$$ 99,,0000 ppaarraa RR$$ 1111,,0000,, aa qquueeddaa ppeerrcceennttuuaall nnaa qquuaannttiiddaaddee pprrooccuurraaddaa sseerráá ddee:: aa)) 2200%%;; bb)) 5500%%;; cc)) 3300%%;; dd)) 2255%%;; ee)) 4400%%.. 1122.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddoo ccoonnccuurrssoo ppaarraa AAuuddiittoorr ddoo TTeessoouurroo MMuunniicciippaall ––RReecciiffee--22000033)) CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa rreepprreesseennttaaddaa ppoorr uummaa lliinnhhaa rreettaa,, éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr:: aa)) nnoo ppoonnttoo mmééddiioo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo;; bb)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11 ee ccoonnssttaannttee eemm ttooddooss ooss ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; cc)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé mmaaiioorr qquuee 11 ppaarraa ttooddooss ooss ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa vvaarriiaa aaoo lloonnggoo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; ee)) qquuaannddoo PP == 00,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11.. 1133.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddee AAnnaalliissttaa ddee PPllaanneejjaammeennttoo ee OOrrççaammeennttoo –– MMPPOOGG –– 22000033)) CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppoorr uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo bbeemm,, ppooddee--ssee aaffiirrmmaarr qquuee:: aa)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé ccoonnssttaannttee aaoo lloonnggoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaamm ooss pprreeççooss ee qquuaannttiiddaaddeess;; bb)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé 11 qquuaannddoo QQ == zzeerroo;; cc)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo qquuaannddoo pp == zzeerroo;; dd)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee nnuunnccaa ppooddee tteerr oo sseeuu vvaalloorr aabbssoolluuttoo iinnffeerriioorr àà uunniiddaaddee;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 29 ee)) nnããoo éé ppoossssíívveell ccaallccuullaarr oo vvaalloorr ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa aaoo lloonnggoo ddee uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa lliinneeaarr.. 1144.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa TTCCUU ––AAnnaalliissttaa ddee FFiinnaannççaass ee CCoonnttrroollee EExxtteerrnnoo –– 22000000)) SSoobbrree aa iinncciiddêênncciiaa ddee uumm iimmppoossttoo ssoobbrree aa vveennddaa ddee uummaa mmeerrccaaddoorriiaa eessppeeccííffiiccaa éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr qquuee:: aa)) eemm uumm mmeerrccaaddoo ccoonnccoorrrreenncciiaall aauummeennttaarráá ooss pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee aa ooffeerrttaa eelláássttiiccaa;; bb)) hhaavveerráá aauummeennttoo ddee pprreeççoo ddee pprreeççoo ssee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ffoorr ttoottaallmmeennttee eelláássttiiccaa ee oo mmeerrccaaddoo ffoorr ccoonnccoorrrreenncciiaall;; cc)) iimmpplliiccaarráá uumm aauummeennttoo ddee pprreeççooss aappeennaass eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss;; dd)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo nnooss pprreeççooss eemm mmeerrccaaddooss ccoonnccoorrrreenncciiaaiiss,, ppooddeennddoo pprroovvooccaa-- lloo eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss,, ddeeppeennddeennddoo ddaass eellaassttiicciiddaaddeess ddaa ooffeerrttaa ee ddaa ddeemmaannddaa;; ee)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo ddee pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee oo mmeerrccaaddoo ccoonnccoorrrreenncciiaall.. ________________________________________ GGaabbaarriittoo ddooss eexxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss:: 11.. dd 22.. aa 33.. bb 44.. dd 55.. cc 66.. cc 77.. dd 88.. bb 99.. ee 1100.. bb 1111.. ee 1122.. dd 1133.. cc 1144.. dd __________________________________________ CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 1 AULA 1: INTRODUZINDO A ECONOMIA Nessa nossa primeira aula, nós vamos apresentar alguns conceitos básicos e específicos da Economia, que serão muito importantes para o nosso aprendizado dos tópicos que veremos mais adiante, de nível intermediário e até mais avançados da teoria econômica. Para aqueles que já estudaram Economia ou que já são iniciados nesta disciplina, este tópico será útil como revisão daqueles conceitos.1 1.1. Mas, afinal, de que trata a Economia? Durante toda a nossa vida somos afetados pelas condições econômicas da comunidade em que vivemos. As roupas que vestimos, os alimentos que comemos, a escola que freqüentamos, o salário que recebemos, os problemas do desemprego e da inflação, são todos fatores ligados diretamente às condições econômicas. Você certamente já se fez uma série de perguntas relacionas à condição econômica dos países e das pessoas e para as quais nunca encontrou respostas satisfatórias. São perguntas do tipo: -Por que existem umas poucas economias ditas desenvolvidas enquanto em um elevado número de países as condições de vida ainda são bastante precárias? Por que algumas pessoas são ricas, enquanto muitas ainda enfrentam o problema de não ter moradia nem alimentação adequada? Por que algumas pessoas recebem altos salários, enquanto outras ganham apenas o suficiente para a sua sobrevivência? Por que existe tanto desemprego? Por que há períodos em que os preços sobem persistentemente, enquanto, em outros, os 1 As eventuais notas explicativas que apareceriam em notas de rodapé foram jogadas para o final do texto. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 2 preços permanecem relativamente estáveis? Por que o Brasil e outros países têm uma dívida externa tão elevada e, aparentemente, são incapazes de pagá-la? O estudo da Economia objetiva a compreensão de todos esses problemas, fornecendo respostas a essas e a diversas outras questões. A ciência econômica pode nos proporcionar um melhor entendimento de como funciona o sistema sócio- econômico que nos cerca, e o que pode ser feito para prevenir, corrigir ou pelo menos aliviar problemas como a pobreza, o desemprego e a inflação. Em geral, os estudantes, ao iniciarem seu estudo, querem uma definição de Economia. Existem diversas como, por exemplo: . Agora um outro ponto importante a registrar: você já percebeu o quanto as pessoas são insaciáveis? De uma forma geral, quanto mais elas têm, mais elas querem, concorda? Se conseguem um primeiro emprego para ganharem R$ 500, ficam fora de si de contentes. Passados, porém, os primeiros dias ou meses, o encanto do primeiro emprego acaba e a pessoa passa a procurar ou a se preparar para um emprego melhor, que pague mais. E quando conseguem este emprego melhor, a coisa não pára aí. A pessoa continua cada vez querendo mais e melhor. O mesmo ocorre quando a gente compra o primeiro carro que, na maioria dos casos, não é lá essas coisas! Passada a euforia inicial, a gente já está pensando em adquirir um outro mais novo e mais vistoso. E assim vai. Tudo isso leva-nos à conclusão de que as necessidades humanas são ilimitadas. De um modo geral, quando as “A economia é o estudo da maneira pela qual os homens utilizam recursos produtivos para produzir mercadorias e serviços para satisfazer as necessidades dos membros da sociedade.” CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 3 necessidades básicas (alimentação, moradia, vestuário) são atendidas, o indivíduo passa a sentir outras necessidades, como educação, lazer, melhoria de seu padrão de vida – melhor casa, melhores roupas, um automóvel mais novo, e assim por diante. Uma vez atendidas plenamente as necessidades ditas materiais, o indivíduo passa a ter outro tipo de necessidade: a estima dos amigos, o reconhecimento e aceitação de seu grupo social, necessidade de status e coisas do gênero. Para satisfazer a maior quantidade possível dessas necessidades, a sociedade conta com recursos como terra, mão-de-obra, máquinas, equipamentos, conhecimentos técnicos e muitos outros. Esses recursos, no entanto, são bastante limitados e, portanto, nem todas as necessidades podem ser simultaneamente satisfeitas. As escassez de recursos, então, torna-se o problema fundamental de cada sociedade. Como resultado, a sociedade, através do instrumental analítico fornecido pela ciência econômica – princípios, teorias, modelos -, procura usar os recursos escassos tão eficientemente quanto possível, a fim de produzir o máximo de bens e serviços que deseja. O campo de atuação da Economia seria, assim, o estudo da escassez e a administração eficiente dos recursos. Eficiência, aqui, significa reduzir o desperdício ao mínimo. Em outras palavras, pode-se dizer que... Observe-se que, se não houvesse escassez, quer dizer, se todos os recursos fossem abundantemente disponíveis, não haveria necessidade de se estudar economia. 1.2 Alguns conceitos econômicos básicos ...uma economia estará produzindo da forma mais eficiente possível quando não pode aumentar a produção de um bem sem reduzir a produção CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 4 Antes de entrarmos na teoria econômica propriamente dita, é interessante que sejam conceituados alguns termos econômicos que serão bastante usados ao longo do texto e cujo conhecimento é essencial para uma melhor compreensão do assunto. Assim, temos: Bens e serviços – são o resultado do processo produtivo. Bens são as coisas concretas, tangíveis, como roupas, televisores, sapatos, canetas, etc; serviços são coisas intangíveis, como transporte, educação, saúde, intermediação financeira, comunicações, etc. Fatores de produção - este é um termo típico do “economês”. Fatores de produção são todos os recursos utilizados na produção dos bens e serviços para a satisfação de necessidades ou desejos do homem. Englobam desde os recursos naturais não-renováveis, como terra e água, até máquinas, equipamentos, recursos humanos, galpões, conhecimento técnico, capacidade empresarial, e muitos outros. Convenientemente, todos esses recursos produtivos são classificados, de uma forma simplificada, em três categorias: a) Terra – compreendendo todos os recursos naturais não-renováveis, como terra, água e ar. b) Trabalho – correspondendo aos recursos físicos, mentais e intelectuais do homem, aplicados na produção. c) Capital – englobando todos os recursos “produzidos” para serem utilizados na produção de outros bens, incluindo aí, principalmente, máquinas, equipamentos e prédios. Os bens, por sua vez, podem ser classificados de diversas formas, dependendo de sua natureza, da quantidade disponível, de seu destino, de quem os consome, da fase em que se encontra no processo produtivo etc. Assim, temos: -Bens livres – são aqueles que, apesar de serem limitados em quantidade, existem em relativa abundância. O uso de parte desses bens, por alguém, não afeta ou reduz seu CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 5 consumo por outra pessoa. São exemplos de bens livres o ar, a água do mar, etc. Por existirem em abundância, não têm preço, não caracterizando um problema econômico. -Bens econômicos – são aqueles bens relativamente escassos, não sendo suficientes para atender a todos. Como tal, têm um valor (preço) de mercado. -Bens intermediários – são bens que ainda vão sofrer algum tipo de transformação, não estando, portanto, disponíveis para o consumidor. Como exemplos, podem ser citados o couro (que ainda vai entrar na fabricação do sapato), a madeira (que vai virar móvel), o tecido (que vai ser usado na produção de roupas), etc. -Bens finais – são os bens já disponíveis para o consumidor, seja nas lojas, seja nas padarias ou nos supermercados. Um aspecto importante a registrar é que o destino de um bem é que o caracteriza como bem intermediário ou bem final. Assim, por exemplo, a farinha de trigo tanto pode ser um como outro. A farinha que está na padaria para a fabricação de pães é um bem intermediário; já a farinha de trigo vendida no varejo, nas mercearias e supermercados, é um bem final, pois está ali disponível para o consumidor comprá-la. E se você adquirir um farol para seu carro numa loja de auto-peças, você classificaria este farol como bem intermediário ou como bem final?2 -Bens de consumo – são os bens destinados à satisfação de necessidades pessoais, como, por exemplo, arroz, roupas, automóveis. Os bens de consumo se classificam em três tipos: os bens de consumo não-duráveis – que são aqueles que se esgotam de imediato, no ato de sua utilização pelo consumidor, como é o caso de alimentos e bebidas; – os bens de consumo duráveis – que são aqueles que têm uma vida útil, não se 2 Você acertou se respondeu que o farol é, nesse caso, um bem final, pois foi adquirido por um consumidor. Se tivesse sido adquirido por um fabricante de carros, seria considerado um bem intermediário. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 6 esgotando de imediato com o seu uso, como, por exemplo, os automóveis e os eletrodomésticos; – e, por fim, existem aqueles bens que, a rigor, não se enquadram nem no primeiro grupo nem no segundo, e que são, por isso mesmo, chamados de bens semi-duráveis – como são exemplos o vidro, a roupa e calçados. Você seria capaz de citar pelo menos mais um exemplo de cada um desses tipos de bens de consumo? Mas, continuemos com nossa classificação de bens: -Bens de capital – são os bens produzidos para serem utilizados na produção de outros bens, não se destinando ao consumo final dos indivíduos, como é o caso das máquinas e equipamentos, de prédios e galpões. -Bens complementares – são bens consumidos conjuntamente, isto é, o consumo do bem X leva ao consumo do bem Y, como, por exemplo, carro e pneu, pão e manteiga. Quais mais? -Bens substitutos – são bens consumidos de forma concorrente, isto é, o consumo do bem X exclui o consumo do bem Y, sendo exemplo clássico a manteiga e a margarina, ou dois carros de um mesmo padrão, porém de marcas diferentes. Esses bens são também chamados na teoria econômica de bens sucedâneos ou bens concorrentes. A variação na renda real e o consumo de bens Existe ainda uma outra classificação de bens quando nós associamos o seu consumo a uma variação da renda real do consumidor3. Assim, por exemplo, há alguns bens cujo 3 Veja que estamos falando de renda “real” e não simplesmente de renda. O conceito de renda real está relacionado com os preços dos produtos. Assim, por exemplo, se, num período qualquer, os preços sobem 15% e o seu salário cresce, também, 15%, você não está nem melhor, nem pior do que antes. Sua renda “nominal’ cresceu 15%, mas sua renda real permaneceu do mesmo jeito. Agora, se os preços subiram 15% e seu salário cresceu 25%, você está melhor agora, pois pode comprar mais bens agora do que antes, já que sua renda nominal cresceu mais que a inflação. Ou seja, sua renda real, agora, está maior que antes. Pelo mesmo raciocínio, se os preços subiram 15% e seu salário só foi corrigido em 8%, no período, houve, então, uma queda em sua renda real e você ficou mais pobre. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 7 consumo cai quando a renda real do consumidor aumenta e vice-versa. Estes bens são chamados de bens inferiores; há outros bens cujo consumo aumenta quando a renda real aumenta e vice-versa, ainda que não seja na mesma proporção. Estes bens são denominados bens normais. Há, ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumo cresce proporcionalmente mais que o crescimento da renda real do consumidor (e vice-versa). A estes geralmente se dá o nome de bens superiores. E o que são bens públicos e bens privados? Ah, já ia me esquecendo de falar desses dois tipos de bens – muito importantes, principalmente para quem vai estudar finanças públicas. Então vamos lá: Bens públicos são aqueles bens cujo consumidor não é individualmente identificado nem a quantidade consumida é determinada. Mais ainda, o consumo deste bem por alguém não exclui a possibilidade de outrem consumi-lo na mesma intensidade. O exemplo típico é a segurança nacional, o serviço de polícia e de corpo de bombeiros. Uma vez oferecidos esses serviços, todos, querendo ou não, se beneficiam deles. Como não se sabe quem consumiu o bem ou serviço e nem quanto foi consumido por cada um, não há como cobrar do indivíduo por seu consumo. Nesse caso, o setor privado não tem nenhum interesse em oferecer esse bem ou serviço, cabendo ao Estado fornecê-lo, cobrando, para tanto, um imposto de todos. Já bens privados, ao contrário, são aqueles cujo consumidor e a quantidade por ele consumida são conhecidos. Nesse caso, o benefício e a satisfação do consumo se esgotam no próprio consumidor e, portanto, cabe a ele pagar pelo mesmo. Como, nesse caso, são conhecidos tanto o consumidor como a quantidade que ele adquiriu, fica fácil cobrar dele por este consumo. Assim sendo, o setor privado terá interesse em fornecer esse bem ou serviço. É o caso de automóveis, roupas, calçados e eletrodomésticos. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 8 Há, ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumidor é identificado, mas o benefício decorrente do seu consumo extrapola o consumidor individual, terminando por atingir, direta ou indiretamente, toda a sociedade. É o caso da educação e da saúde. Por esse motivo, esses bens podem ser oferecidos tanto pelo setor privado, como pelo Estado, atuando ambos de forma complementar. A esses bens costuma-se dar o nome de bens semipúblicos ou meritórios. 1.3. Consumo X investimento Dois conceitos que, também, devem ser introduzidos desde já são o consumo e o investimento. Ambos são gastos, porém de natureza diferente. Consumo refere-se aos gastos ou despesas com bens e serviços que satisfazem necessidades pessoais, como são os gastos com alimentação, automóveis, saúde, vestuário e lazer. Já investimento refere- se às despesas voltadas para a ampliação da capacidade produtiva da economia. Exemplos típicos de gastos de investimento seriam a construção de uma hidroelétrica, a construção ou ampliação de uma fábrica, a aquisição de novas máquinas e equipamentos por uma firma, etc. Relacionada ao investimento está a poupança – que pode ser definida como a parte da renda dos indivíduos ou das empresas que não é gasta. É importante frisar que sem poupança não há investimento. Alguém na economia tem de poupar, isto é, sacrificar consumo, para que haja recursos que financiem o investimento. De outra parte, cumpre destacar que, em termos econômicos, nem sempre o que se constitui ou se denomina de investimento para um indivíduo o será para a economia. Assim, por exemplo, se você adquire um lote, isso pode se constituir num “bom investimento” para você mas, é preciso considerar que esta operação em nada alterou a economia, já que sua capacidade produtiva continua a mesma. Assim, economicamente falando, esta aquisição de um lote que, para você, pode ter sido um bom negócio ou um “bom CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 9 investimento”, não se constitui em investimento para a economia. Da mesma forma, uma aplicação individual em caderneta de poupança ou em depósito bancário a prazo, com ganho de juros, ainda que comumente seja chamada de “investimento”, não passa de uma poupança que, posteriormente, poderá ou não dar origem a novos investimentos, isto é, a gastos que ampliem a capacidade produtiva de uma empresa ou do país. 1.4. Microeconomia versus Macroeconomia A Economia é estudada em dois campos ou níveis distintos: de um lado, temos a microeconomia que estuda o comportamento econômico dos agentes econômicos como os consumidores, os proprietários dos recursos produtivos e as empresas produtoras; também estuda a determinação e as variações dos preços dos recursos produtivos – como já visto, chamados de fatores de produção - e dos bens e serviços tomados cada um de per si. À microeconomia cabe, ainda, o estudo da produção da firma e dos diversos tipos de mercados - concorrência perfeita e oligopólio, por exemplo - onde atuam os ofertantes e demandantes de bens e serviços. Assim, quando se falar na demanda e na oferta de sal, ou de carros, de roupas, de passagens aéreas, etc, estamos falando de microeconomia. De outra parte, temos a macroeconomia - que trata da atividade econômica em nível agregado. À macroeconomia cabe o estudo do nível da produção total de um país, da renda nacional, da produção industrial ou da produção agrícola como um todo. Ademais, a macroeconomia está preocupada com a determinação do nível de emprego e do nível geral de preços. Assim, o estudo da produção de uma firma – por maior que ela seja - situa-se no campo da microeconomia, enquanto o estudo do setor industrial é um tópico da macroeconomia. Da mesma forma, se você estuda a atividade econômica de uma fazenda, você está dentro da microeconomia; já o CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 10 estudo da agricultura como um todo pertence à macroeconomia. A rigor, o interesse pelo estudo e desenvolvimento da moderna Macroeconomia ocorreu a partir da Grande Depressão do início dos anos trinta, tendo recebido impulso especial com a publicação da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de John Maynard Keynes, em 1936. Desde então, os estudos macroeconômicos estão voltados para a compreensão das causas das grandes flutuações no nível do produto global e do emprego e na proposição de políticas de prevenção contra aquelas flutuações de forma que a atividade econômica opere sempre próxima do pleno emprego. Importante considerar que o estudo da macroeconomia pode ser enfocado no curto e no longo prazos. No curto prazo, a análise está voltada para a determinação do nível de produção efetiva, em um dado período, e na definição de medidas de política econômica que podem ser adotadas para elevar esta produção caso esteja abaixo do nível do produto potencial da economia - definido este pelo pleno emprego dos fatores de produção. No longo prazo, o enfoque macroeconômico está centrado na Teoria do Crescimento, onde são analisados os fatores que determinam o nível e a taxa de crescimento da economia. Trata-se, na verdade, de um tópico mais avançado da macroeconomia e que, como tal, só será abordado por nós no curso de Economia II. 1.5. O sistema econômico: agentes e fluxos Uma descrição do sistema econômico como um todo deve considerar, de um lado, os tipos de agentes econômicos que nele atuam e, de outro, os fluxos por ele gerados. Se considerarmos, por simplificação, uma economia fechada, isto é, sem relações econômicas com outros países (sem exportações e importações, por exemplo), podemos identificar os seguintes agentes que atuam no sistema econômico: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 11 . As unidades familiares . As empresas. . O governo. No sistema econômico, às unidades familiares cabe o papel de fornecer os recursos produtivos às empresas (recursos naturais, mão-de-obra, capital, capacidade empresarial, etc.), recebendo, em troca, uma remuneração – isto é, uma renda - que, num momento seguinte, será voltada para adquirir das empresas bens e serviços de que necessitam. As empresas, por seu turno, demandam das unidades familiares os recursos produtivos de que precisam, remunerando-as com uma renda (salários, aluguéis, juros e lucros), enquanto ofertam para as mesmas os bens e serviços que produzem. Ao governo cabe o papel principal de regulador da atividade econômica e de provedor dos chamados “bens públicos”- dos quais são exemplos, como já vimos, a segurança nacional, o serviço de polícia, a administração da justiça - além de garantir o fornecimento dos chamados “bens meritórios”, como educação e saúde. Para o desempenho dessas atividades, o governo arrecada impostos dos agentes econômicos como, por exemplo, o imposto de renda (IR) e o imposto sobre produtos industrializados (IPI). Num modelo mais completo, teríamos de incluir um quarto agente econômico, denominado comumente de resto do mundo, que responde pelas importações e exportações de bens e serviços do país. O funcionamento rotineiro do sistema econômico é melhor retratado através do fluxo circular da atividade econômica, conforme ilustrado na Figura 1.1. A rigor, é possível identificar naquela figura quatro fluxos do sistema econômico, bastante distintos. Um primeiro fluxo pode ser visto na parte inferior da Figura 1.1., constituído dos fatores de produção - que fluem das famílias para as empresas; um segundo, se CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 12 constitui do fluxo de renda - correspondendo aos pagamentos pelas empresas aos proprietários dos fatores de produção utilizados, e que são traduzidos nos salários, aluguéis, juros e lucros. Na parte superior da Figura 1.1., temos mais dois fluxos: um seria o dos bens e serviços ofertados pelas empresas às unidades familiares, denominado de fluxo de produtos; o outro é caracterizado pelos pagamentos das famílias às empresas pela compra daqueles bens e serviços. Pela sua natureza, esses quatro fluxos costumam ser unificados em dois fluxos distintos: i) fluxos reais – assim considerados o fluxo de fatores de produção e o fluxo de produtos; e, ii) fluxos monetários – correspondendo ao fluxo de renda e ao fluxo de pagamentos, pelas famílias, dos bens e serviços fornecidos pelas empresas. Figura 1.1 Pagamentos pelos bens e serviços de consumo Bens e serviços de consumo Fatores produtivos - trabalho, terra e capital Salários, ordenados, aluguéis, juros e lucros Famílias Empresas É importante ressaltar que, se excluirmos o governo, o preço dos produtos ofertados no mercado pelas empresas corresponde exatamente ao custo de produção (lembrando que, do ponto de vista econômico, os lucros, como qualquer outro tipo de renda, fazem parte dos custos). Em outras palavras, não havendo governo, o valor global dos produtos ofertados é igual, por definição, à soma de todos os salários, juros, aluguéis e lucros pagos ao longo de todo o processo CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 13 produtivo, em todas as suas etapas4. Havendo governo, o valor dos produtos no mercado será acrescido dos impostos indiretos (basicamente, o imposto sobre produtos industrializados – IPI -, o imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços – ICMS - e o imposto sobre serviços – ISS), deduzindo-se os subsídios governamentais. Note-se que, para que o sistema funcione em equilíbrio5, é necessário que todos os bens e serviços produzidos sejam vendidos. Como o valor da renda gerada no processo produtivo é igual ao valor dos produtos ofertados, isso significa que, para que a economia funcione de forma equilibrada, é necessário que todos gastem a renda que receberam das empresas, ou se nem todos gastarem, é necessário que alguém gaste no lugar deles. 1.6. Vazamentos e injeções Ocorre, no entanto, que existem diversos obstáculos que, a princípio, impedem que toda a renda auferida pelos indivíduos retorne às empresas sob a forma de compra de bens e serviços. Esses obstáculos – chamados de vazamentos – são a poupança (S), os impostos (T) e as importações (M). Esses três obstáculos reduzem seus gastos, concorrendo para “sobrar” produtos nas prateleiras das lojas. E por que isso acontece? É fácil explicar: suponha que você recebe um salário de R$2000,00. Para que a economia funcione bem, isto é, equilibradamente, você deveria gastar todo este seu salário (já que o valor da renda total é igual, por definição, ao valor total dos produtos). Mas, aí vem o governo e lhe tira, na fonte, R$200,00 a título de imposto de renda (sem falar na contribuição previdenciária – que também 4 Deve ser lembrado que as matérias –primas se constituem em custos para uma firma isolada. Porém, quando analisada a economia, no agregado, o valor das matérias-primas compradas por uma firma corresponde aos salários, juros, aluguéis e lucros pagos na etapa anterior e que, portanto, já foram computados como custos da firma que as produziu. Assim, no agregado, as matérias-primas desaparecem. Este ponto ficará claro mais adiante, no Capítulo de “contabilidade nacional”. 5 “Equilíbrio”, em economia, significa igualdade entre a oferta e a demanda, seja a nível global, de toda a economia, seja a nível de um produto específico, como calçados, café, automóveis, etc. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 14 não deixa de ser um imposto!). Assim, mesmo que você queira gastar todo o seu salário comprando produtos, você só poderá comprar R$1800,00 – que é o que lhe sobrou depois de retirado o IR. Mas, além disso, você ainda resolve fazer uma poupançazinha mensal de, digamos, R$150,00 para, mais à frente - quem sabe? – comprar um carrinho usado. Ao tomar esta decisão, você estará deixando de gastar mais R$150,00 na compra de produtos. Nessas alturas, você já reduziu suas compras em R$350,00. E depois de tudo isso, você (ou outra pessoa) ainda decide importar um microcomputador dos Estados Unidos. Mas, com que dinheiro você vai pagar esta importação? Certamente, com parte de seu salário. Digamos que você gaste R$100,00 por mês com esta importação. Ora, o dinheiro que você gasta comprando bens do exterior faz reduzir o seu dinheiro disponível para gastar aqui dentro. No final, somando estas três parcelas, você deixou de gastar, isto é, de comprar bens e serviços dentro do País, R$450,00! A esse seus “não-gastos” se dá o nome de vazamentos. Assim, dos R$2000,00 de seu salário, você só terá comprado R$1550,00 em mercadorias e serviços. Se nada for feito para compensar aqueles vazamentos, muitas empresas não terão como vender todos os bens e serviços que produziram e, em conseqüência, certamente tenderão a reduzir sua produção no próximo período – o que poderá se traduzir em crise econômica com desemprego. Para evitar que tal aconteça, é necessário criar mecanismos ou gastos compensatórios para cada vazamento. Esses gastos - chamados de injeções – são constituídos dos investimentos (I) – que compensam a poupança -, dos gastos do governo (G) – que devem equivaler ao montante arrecadado sob a forma de impostos -, e as exportações (X) – que devem, na medida do possível, ser iguais ao valor das importações, para que o setor externo fique equilibrado. Ocorre, no entanto, que os agentes econômicos que poupam – isto é, as pessoas – não guardam qualquer relação com os agentes econômicos que fazem investimentos – isto é, as empresas. Ademais, a motivação para poupar é diferente CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 15 da motivação para investir. Assim, é perfeitamente plausível que, em determinado ano ou período, o valor das poupanças seja diferente do valor dos investimentos, podendo um ser maior que o outro. Da mesma forma, o governo tanto pode manter seu orçamento equilibrado, como pode gastar mais do que arrecada sob a forma de impostos (ou até gastar menos!!!). Também é bastante possível que o valor das exportações ora seja maior, ora seja menor que o valor das importações. Resumindo: o valor total das injeções tanto pode ser maior, como pode ser menor, como pode até ser igual ao valor das injeções. Obviamente, cada uma dessas situações traz conseqüências diferentes para a economia do país, como veremos a seguir. 1.7. Situações de equilíbrio e de desequilíbrio macroeconômico Antes de analisarmos essas três hipóteses, é importante introduzir o conceito de “equilíbrio” em Economia. Equilíbrio refere-se a uma situação de mercado que, uma vez atingido, tende a persistir. O equilíbrio de mercado ocorre quando a quantidade demandada de um produto é igual à quantidade ofertada desse produto. O equilíbrio pode se dar tanto a nível de um produto ou serviço tomado isoladamente, como a nível da economia como um todo. Assim, tanto se pode dizer que o mercado de automóveis está em equilíbrio, como se pode dizer que a economia brasileira está em equilíbrio. Da mesma forma, pode-se também dizer que o mercado tal e tal está em desequilíbrio – o que ocorre quando a demanda é maior ou menor que a oferta naquele mercado. Com esse conceito de equilíbrio em mente, vejamos as três situações que uma economia pode enfrentar quando se compara o valor das injeções com o valor dos vazamentos: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 16 Suponha, em primeiro lugar, que as injeções sejam menores que os vazamentos. Isso quer dizer que ou os empresários não estão confiantes no desempenho da economia nos próximos anos e, como tal, não estão dispostos a fazer muitos investimentos (ampliarem suas fábricas, ou criar novas indústrias) e, portanto, está sobrando poupança nos bancos, ou o país está exportando menos do que importando ou, apenas para raciocinar, o governo está gastando menos do que está arrecadando (será isso possível?!!!). Não importa qual seja a razão, mas se os vazamentos são maiores que as injeções, isso significa que está havendo menos compras do que deveria haver. Em termos econômicos, isto quer dizer que a demanda agregada está fraca, menor do que a oferta agregada de bens e serviços. Se assim é, qual deve ser a conseqüência disso para a economia como um todo? Você certamente já deduziu o que deverá acontecer a partir daí: os empresários, percebendo que seus produtos não estão sendo todos vendidos, e que está havendo uma formação indesejada de estoques nas empresas, começam a reduzir a produção. E reduzir produção significa reduzir o nível de emprego e, numa cadeia de conseqüências, a redução do emprego implicará queda da renda das pessoas, que implicará um menor consumo, etc. A economia entra, assim, num círculo vicioso de recessão, com baixo nível de emprego-renda-consumo. Esta é a conseqüência mais direta de uma situação onde as injeções – isto é, os gastos agregados – são menores que os vazamentos (que são os não-gastos), a nível macroeconômico. Vejamos, agora, a situação em que as injeções são maiores do que os vazamentos. Isso quer dizer que está havendo um volume de compras muito grande na economia. Os empresários estão otimistas com o futuro da economia e estão fazendo muitos gastos de investimentos; o governo deve, também, estar gastando mais do que arrecada em impostos e, também, pode ser que as exportações estão CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 17 acima das importações. Nesta situação, os lojistas, vendo que seus estoques estão acabando, fazem mais e mais pedidos às fábricas, obrigando estas a aumentarem a produção. O resultado disso é certamente mais crescimento econômico com mais geração de emprego. Dependendo da resposta mais ou menos rápida do setor produtivo, a pressão das compras em excesso pode (e deve) pressionar os preços para cima, dando início a um processo inflacionário. Num primeiro momento, haverá crescimento econômico com inflação. Mas, com o passar do tempo, os agentes econômicos começam a perceber que a inflação está lhes causando perdas e mais perdas reais e, em conseqüência, passam a exigir correções compensatórias de salários, surgem mecanismos automáticos de correções de aluguéis e dos valores de contratos de fornecedores, as taxas de juros se elevam para cobrir as taxas de inflação. Entra-se, então, no chamado círculo vicioso da inflação assim descrito: a inflação gera correções de salários e de outras rendas que geram mais inflação e que gera mais correções, e assim por diante. O final deste processo é a conhecida espiral inflacionária de difícil controle e que acaba por paralisar a atividade produtiva, entrando o país, novamente, na estagnação econômica. Ou, como se diz no jargão econômico, na estagflação, caracterizada pelo pior dos dois mundos: estagnação com inflação! Temos, por fim, a terceira situação, que é aquela em que o valor total das injeções se iguala com o valor total dos vazamentos, ou, em termos econômicos, trata-se de uma situação em que a chamada oferta agregada de bens e serviços é igual à chamada demanda agregada por esses produtos. Nesta situação, tudo o que se deixou de comprar por causa da poupança, dos impostos arrecadados pelo governo e das importações foi exatamente compensado pelos gastos de investimentos, do governo e de exportações. Não sobra nem falta produto. Nesta hipótese, pode-se, então, afirmar que o sistema econômico estará em uma situação de equilíbrio estável – uma situação em que a economia cresce a taxas moderadas – digamos, entre 3% e 5%, - sem pressões CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 18 inflacionárias. Seria esta a situação “ideal” da economia – que é o que geralmente acontece com as economias desenvolvidas, como a Alemanha, a França, os Estados Unidos, o Canadá e outros. 1.8. Outros conceitos econômicos relevantes Existem, ainda, alguns outros conceitos econômicos bastante relevantes e que certamente ajudarão você a entender melhor os tópicos macroeconômicos que estaremos desenvolvendo em aulas mais à frente. Senão, vejamos: i) Variáveis fluxo e variáveis-estoque Existem dois tipos de variáveis econômicas: as variáveis- fluxo e as variáveis-estoque. As variáveis-fluxos são aquelas que são medidas em um determinado período, tais como ano, trimestre, mês, semana, etc., podendo ser citados os seguintes exemplos: .salários pagos num determinado mês; .exportações e importações no trimestre; .lucro das empresas no quadrimestre; .consumo de bens e serviços no ano; .o número de nascimentos e óbitos na semana; .a variação dos preços no semestre. Já as variáveis-estoque são aquelas medidas em uma determinada data, sendo exemplos: .O estoque de mercadorias numa loja; .o capital investido numa fábrica; .a dívida externa do país; .o estoque de capital do país; .a dívida interna do governo; .a população de um país; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 19 .a quantidade de moeda em circulação no país; Deve ficar claro que existe uma inter-relação entre as variáveis-fluxo e as variáveis estoque, como pode ser visto no exemplo de uma torneira que esteja despejando água (variável-fluxo) num reservatório. O volume de água que existe em determinado momento no reservatório é uma variável-estoque, mas este volume é afetado a cada momento pela vazão de água da torneira. Em outros termos, a variável- estoque (nível da água no reservatório) é influenciada pelo valor da variável-fluxo (que é a vazão da água da torneira). A mesma coisa se passa em Economia. A dívida externa de um determinado país – que, em qualquer momento, é uma variável-estoque – é influenciado entre um momento e outro pelos fluxos de empréstimos e de amortizações feitas no período. Da mesma forma, existe, hoje ou agora, um estoque de automóveis no país ou numa cidade, mas com contínua produção de carros (fluxo), aquele estoque vai se alterando com o passar dos dias, dos meses ou do ano. ii) Mercados Todos temos na cabeça um quase perfeito conhecimento do que seja mercado. Mas, se você pergunta a um seu colega o que ele entende por “mercado”, é quase certo que ele vai gaguejar, dissimular, tentar explicar, mas no fundo não vai saber definir o que seja esta palavra. Então, vamos lá, tentar clarear a cabeça de seu amigo: Mercado é lugar no qual compradores e vendedores se encontram para comprar ou vender bens, serviços e recursos. Existe um mercado para cada bem ou serviço, como também existe o mercado para um país como um todo. Você tanto houve falar no mercado de automóveis ou no mercado de feijão, como no mercado brasileiro de café, de trabalho, etc. E, dependendo do número de agentes que atuam em determinado mercado – quantos compradores e ofertadores existem do produto – este mercado receberá uma CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 20 denominação diferente (como monopólio, oligopólio, etc), mas isso será visto com mais detalhes na próxima aula. iii) Função Por fim, um outro termo que aparece muito nos textos de economia é “função”. Uma função nada mais é que uma relação matemática entre os valores de duas ou mais variáveis. A função mostra como o valor de uma determinada variável – chamada “variável dependente” – depende do ou varia com o valor de uma ou mais variáveis - chamadas “independentes”. Assim, por exemplo, a função-demanda de um produto no mercado mostra a relação entre a quantidade demandada de um produto num período e o preço deste produto (mantendo o valor das demais variáveis constante!). À medida que variamos os preços de determinado produto, vão variando também as quantidades demandadas desse produto. Você seria capaz de lembrar de alguma outra função, em Economia? Se não se lembra, dê uma olhada nos exemplos que aparecem na “nota de rodapé” abaixo6. 1.9. Resumindo esta nossa primeira aula Em resumo, esta nossa primeira aula serviu para introduzir aqueles não iniciados em Economia ao mundo maravilhoso desta Ciência. Para aqueles que já têm uma certa base na disciplina, esta aula deve ter sido útil para relembrar conceitos básicos que nos serão bastante úteis quando começarmos a estudar a Macroeconomia, já a partir da terceira aula. Hoje, nós vimos os diversos conceitos de bens, o conceito e a diferença de consumo e investimento, revisamos 6 São inúmeros os exemplos de “função” na teoria econômica, como a função consumo (C = bYd), a função poupança (S = sYd), a função oferta (Qs = fP); a função investimento (I = i r), e tantos outros. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 21 o funcionamento do sistema econômico – seus fluxos e agentes – e, por fim, analisamos o conceito de “equilíbrio” econômico, enfocando as situações de equilíbrio e desequilíbrio macroeconômico e suas conseqüências para o nível de emprego, de renda e de produto. Na nossa próxima aula – a 2ª de uma série de 12 aulas - nós continuaremos introduzindo alguns conceitos econômicos básicos, quando vamos estudar os tipos de mercado existentes e a lei da oferta e da procura. Até nossa próxima aula, mas, antes, dê uma olhada nos exercícios de revisão do que foi visto até aqui. Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso próximo encontro! _________________________ Exercícios de revisão: 11.. CCoommpplleettee:: II -- SSóó aa lliimmiittaaççããoo ffííssiiccaa nnããoo pprroodduuzz eessccaasssseezz;; oo aarr ee aa áágguuaa ddoo mmaarr ssããoo lliimmiittaaddooss eemm qquuaannttiiddaaddee,, mmaass nnããoo ccaarraacctteerriizzaamm uumm pprroobblleemmaa eeccoonnôômmiiccoo,, ppoorrqquuee,, eemm cciirrccuunnssttâânncciiaass nnoorrmmaaiiss,, nnããoo ssããoo __________________________________,, ppoorrqquuee______________________________________ IIII -- EEccoonnoommiiaa ee eessccaasssseezz eessttããoo ttããoo iinntteerrlliiggaaddooss qquuee uumm bbeemm eessccaassssoo éé cchhaammaaddoo ddee ______________________________________________________,, ee uumm bbeemm qquuee nnããoo éé eessccaassssoo éé ddeennoommiinnaaddoo ddee __________________________________________.. IIIIII --OOss rreeccuurrssooss qquuee eennttrraamm nnoo pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo ssããoo cchhaammaaddooss ddee ________________________________________.. JJáá oo rreessuullttaaddoo ddoo pprroocceessssoo ddee pprroodduuççããoo éé cchhaammaaddoo ddee ____________________________________________________.. IIVV -- CCllaassssiiffiiqquuee ooss iitteennss aabbaaiixxoo ((tteerrrraa,, ttrraabbaallhhoo oouu ccaappiittaall)):: 11.. TTeerrrraa uussaaddaa ppaarraa uummaa bbaarrrraaggeemm ________________________________________ 22.. TTeerrrraa uussaaddaa nnuummaa hhoorrttaa __________________________________________ 33.. UUmm ttrriittuurraaddoorr ddee mmiillhhoo __________________________________________________ CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 22 44.. UUmmaa bbaatteeddeeiirraa ddee bboolloo ______________________________________________ 55.. OOss sseerrvviiççooss ddee uummaa eemmpprreeggaaddaa ddoommééssttiiccaa __________________________ 66.. AA áágguuaa uussaaddaa ppoorr eennggaarrrraaffaaddoorr ddee cceerrvveejjaa ____________________________ VV -- NNaa tteerrmmiinnoollooggiiaa eeccoonnôômmiiccaa,, ooss mmeeiiooss ((oouu ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo)) pprroodduuzziiddooss ssããoo cchhaammaaddooss ddee __________________________________________________.. VVII -- RReeccoorrddaannddoo,, ffaaççaa aa ddiissttiinnççããoo eennttrree:: -- BBeennss ee sseerrvviiççooss;; -- BBeennss ddee ccoonnssuummoo ee bbeennss ddee ccaappiittaall;; -- PPoouuppaannççaa ee iinnvveessttiimmeennttoo.. 22.. CCoomm rreellaaççããoo aaoo fflluuxxoo cciirrccuullaarr ddaa aattiivviiddaaddee eeccoonnôômmiiccaa,, ppaarraa qquuee oo ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo ffuunncciioonnee eemm eeqquuiillííbbrriioo,, éé nneecceessssáárriioo ee ssuuffiicciieennttee qquuee:: aa)) SS == II;; bb)) GG == TT ee SS == II;; cc)) SS == II ee XX == MM;; dd)) GG == SS,, TT == MM ee XX == II;; ee)) SS == II,, TT == GG ee XX == MM.. 33.. CCoomm rreellaaççããoo,, aaiinnddaa,, aaoo cciicclloo ddaa aattiivviiddaaddee eeccoonnôômmiiccaa,, mmaarrqquuee CC ((cceerrttoo)) oouu EE ((eerrrraaddoo)) sseenntteennççaass aabbaaiixxoo.. aa)) (( )) AA ooffeerrttaa ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss éé ttiippiiccaammeennttee uumm fflluuxxoo rreeaall.. bb)) (( )) OO ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo ccoonnttaa ccoomm ddooiiss mmeerrccaaddooss ddiissttiinnttooss:: uumm ddee ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo ee oouuttrroo ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss.. cc)) (( )) OO ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo ssee,, ee ssoommeennttee ssee,, oo ttoottaall ddee ppoouuppaannççaa ffoorr iigguuaall aaoo ttoottaall ddee iinnvveessttiimmeennttooss.. dd)) (( )) AAss eemmpprreessaass,, aass uunniiddaaddeess ffaammiilliiaarreess ee oo ggoovveerrnnoo ssããoo ooss aaggeenntteess eeccoonnôômmiiccooss ddoo ssiisstteemmaa.. ee)) (( )) OO ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo ssóó eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo ssee ttooddaass aass rreennddaass ggeerraaddaass nnoo pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo ffoorreemm ggaassttaass.. ff)) (( )) AA ppoouuppaannççaa ssee ccoonnssttiittuuii nnuummaa ““iinnjjeeççããoo”” ddoo fflluuxxoo mmoonneettáárriioo.. gg)) (( )) AAss uunniiddaaddeess ffaammiilliiaarreess ssããoo ooss aaggeenntteess ddeemmaannddaanntteess ttaannttoo ddooss ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo ccoommoo ddooss bbeennss ee sseerrvviiççooss.. hh)) (( )) SSee oo ttoottaall ddee iinnjjeeççõõeess ffoorr iigguuaall aaoo ttoottaall ddee vvaazzaammeennttooss,, oo ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo,, mmaass sseemm qquuaallqquueerr eessttíímmuulloo àà eexxppaannssããoo.. ii)) (( )) SSee oo ttoottaall ddaass iinnjjeeççõõeess ffoorr mmeennoorr qquuee oo ttoottaall ddee vvaazzaammeennttooss,, hhaavveerráá rreecceessssããoo ccoomm iinnffllaaççããoo.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 23 jj)) (( )) AAss iimmppoorrttaaççõõeess ssããoo ccoonnssiiddeerraaddaass vvaazzaammeennttooss nnoo fflluuxxoo ddee rreennddaa.. kk)) (( )) OO pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo ddáá oorriiggeemm aa ddooiiss fflluuxxooss ddiissttiinnttooss:: oo ddaa rreennddaa ((ppaaggaammeennttoo aaooss ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo)) ee oo fflluuxxoo rreeaall ((ooffeerrttaa ee pprrooccuurraa ddooss bbeennss ee sseerrvviiççooss)).. ll)) (( )) OO pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo mmoossttrraa qquuee aa eeccoonnoommiiaa sseemmpprree ee oobbrriiggaattoorriiaammeennttee eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo,, jjáá qquuee oo vvaalloorr ddaa rreennddaa ggeerraaddaa éé,, ppoorr ddeeffiinniiççããoo,, iigguuaall aaoo vvaalloorr ddooss bbeennss ee sseerrvviiççooss pprroodduuzziiddooss.. mm)) (( )) OOss ggaassttooss ddoo ggoovveerrnnoo ssããoo ccoonnssiiddeerraaddooss ““iinnjjeeççõõeess””,, ddeessddee qquuee sseejjaamm iigguuaaiiss aaoo mmoonnttaannttee ddooss iimmppoossttooss aarrrreeccaaddaaddooss.. nn)) (( )) OOss sseerrvviiççooss ddooss ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo fflluueemm ddaass ffaammíílliiaass ppaarraa aass eemmpprreessaass,, eennqquuaannttoo oo fflluuxxoo ccoonnttrráárriioo,, ddaa rreennddaa,, ddeessttiinnaa--ssee aaoo ppaaggaammeennttoo ddee ssaalláárriiooss,, aalluugguuééiiss,, jjuurrooss ee lluuccrrooss.. .............. Gabarito com alguns comentários: 11.. II -- eessccaassssooss;; eexxiisstteemm eemm rreellaattiivvaa aabbuunnddâânncciiaa;; IIII -- bbeemm eeccoonnôômmiiccoo;; bbeemm lliivvrree;; IIIIII -- ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo;; bbeennss ee sseerrvviiççooss;; IIVV -- 11.. tteerrrraa;; 22.. tteerrrraa;; 33.. ccaappiittaall;; 44.. ccaappiittaall;; 55.. ttrraabbaallhhoo;; 66.. tteerrrraa.. VV -- bbeennss ddee ccaappiittaall;; VVII-- aammbbooss ssããoo oo rreessuullttaaddoo ddoo pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo;; bbeennss:: ssããoo ccooiissaass ccoonnccrreettaass,, ttaannggíívveeiiss;; sseerrvviiççooss:: ssããoo ccooiissaass iinnttaannggíívveeiiss;; bbeennss ddee ccoonnssuummoo:: ssããoo bbeennss ddeessttiinnaaddooss aa ssaattiissffaazzeerr nneecceessssiiddaaddeess ppeessssooaaiiss;; bbeennss ddee ccaappiittaall:: ssããoo bbeennss pprroodduuzziiddooss ppaarraa pprroodduuzziirr oouuttrrooss bbeennss ((eexx.. mmááqquuiinnaass));; ppoouuppaannççaa:: éé aa ppaarrttee ddaa rreennddaa qquuee nnããoo éé ggaassttaa oouu ccoonnssuummiiddaa;; iinnvveessttiimmeennttooss:: ssããoo ggaassttooss vvoollttaaddooss ppaarraa aauummeennttaarr aa ccaappaacciiddaaddee pprroodduuttiivvaa ddaa ffiirrmmaa oouu ddoo ppaaííss.. 22.. 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DDoo ccoonnttrráárriioo,, oouu ssoobbrraa oouu ffaallttaa pprroodduuttoo nnaa eeccoonnoommiiaa,, pprroovvooccaannddoo,, aassssiimm,, uummaa ssiittuuaaççããoo ddee ddeesseeqquuiillííbbrriioo.. dd)) CC –– CCoommeennttáárriioo:: EEssttaa aaffiirrmmaattiivvaa eessttáá ccoorrrreettaa ddeessddee qquuee aa aannáálliissee eesstteejjaa ccoonnssiiddeerraannddoo uummaa eeccoonnoommiiaa ““ffeecchhaaddaa””,, iissttoo éé,, sseemm rreellaaççõõeess ccoommeerrcciiaaiiss ee ffiinnaanncceeiirraass ccoomm oo eexxtteerriioorr.. SSee ““aabbrriirrmmooss”” aa eeccoonnoommiiaa,, oouu sseejjaa,, ccoonnssiiddeerraannddoo--ssee uummaa eeccoonnoommiiaa ““aabbeerrttaa””,, tteemmooss ddee aaccrreesscceennttaarr eennttrree ooss aaggeenntteess eeccoonnôômmiiccooss oo ““sseettoorr eexxtteerrnnoo”” oouu oo ““rreessttoo ddoo mmuunnddoo””.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 24 ee)) CC –– CCoommeennttáárriioo:: vveejjaa ccoommeennttáárriioo ddoo iitteemm ((cc)),, aacciimmaa.. ff)) EE;; gg)) EE –– CCoommeennttáárriioo:: AAss uunniiddaaddeess ffaammiilliiaarreess ooffeerrttaamm rreeccuurrssooss oouu ffaattoorreess pprroodduuttiivvooss ee ddeemmaannddaamm bbeennss ee sseerrvviiççooss ddaass eemmpprreessaass.. JJáá eessttaass úúllttiimmaass ddeemmaannddaamm ffaattoorreess pprroodduuttiivvooss ee ooffeerrttaamm bbeennss ee sseerrvviiççooss ppaarraa aass ffaammíílliiaass.. hh)) EE –– CCoommeennttáárriioo:: SSiimm,, oo ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo,, mmaass hhaavveerráá eessttíímmuulloo,, ssiimm,, aaoo ccrreesscciimmeennttoo.. AAoo vveerreemm qquuee ttooddooss ooss sseeuuss pprroodduuttooss ffoorraamm vveennddiiddooss,, aass eemmpprreessaass eessttaarrããoo iinntteerreessssaaddaass eemm pprroodduuzziirr mmaaiiss nnoo pprróóxxiimmoo aannoo.. NNeessttee ccaassoo,, aa eeccoonnoommiiaa ccrreesscceerráá aa ttaaxxaass mmooddeerraaddaass,, aallggoo eennttrree 33%% ee 55%% aaoo aannoo.. ii)) EE;; jj))CC;; kk)) CC;; ll))EE –– CCoommeennttáárriioo:: RReeaallmmeennttee,, ppoorr ddeeffiinniiççããoo mmaatteemmááttiiccaa,, oo vvaalloorr ttoottaall ddaass rreennddaass éé iigguuaall aaoo vvaalloorr ttoottaall ddooss bbeennss ee sseerrvviiççooss.. MMaass,, ppaarraa aa aannáálliissee ddoo eeqquuiillííbbrriioo iimmppoorrttaa mmeessmmoo éé vveerriiffiiccaarr ssee ttooddaass aass rreennddaass ffoorraamm ggaassttaass,, aaddqquuiirriinnddoo ttooddooss ooss pprroodduuttooss ooffeerreecciiddooss.. mm)) EE –– CCoommeennttáárriioo:: OOss ggaassttooss ddoo ggoovveerrnnoo ssããoo ccoonnssiiddeerraaddooss iinnjjeeççõõeess,, iinnddeeppeennddeenntteemmeennttee ddee sseerreemm iigguuaaiiss,, mmaaiioorreess oouu mmeennoorreess ddoo qquuee ooss iimmppoossttooss aarrrreeccaaddaaddooss.. EEmm eeccoonnoommiiaa,, ggaassttooss ssããoo sseemmpprree iinnjjeeççõõeess ((iinncclluussiivvee oo ccoonnssuummoo ddaass ffaammíílliiaass)).. nn)) CC.. AAttéé nnoossssaa pprróóxxiimmaa aauullaa!! .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.--.-.-.-.-.-.-.-. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 25 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 1 AULA 2: ESTUDO DO MERCADO: DEMANDA E OFERTA Nesta nossa 2ª aula, nós continuaremos discutindo tópicos de microeconomia que serão fundamentais para o nosso entendimento da Macroeconomia – que é, como você sabe, o objetivo maior de nosso curso de Economia I. Nós vamos aqui desenvolver uma teoria simples do funcionamento do mercado, sua estrutura, a atuação da lei da oferta e da demanda e como são definidos os preços numa economia capitalista, onde o governo não interfere na economia. 2.1. Introdução Costuma-se dizer que, numa economia capitalista, os problemas econômicos relativos à decisão sobre que tipos de produtos devem ser produzidos e a que preços serão vendidos esses produtos são resolvidos normalmente pelo livre jogo das forças de mercado – isto é, pelo livre funcionamento da oferta e da demanda. Nesta hipótese, as decisões e escolhas econômicas são individualizadas e feitas pelos consumidores – que são os demandantes dos bens e serviços – e pelos produtores – que são os ofertantes. Agindo de acordo com seus próprios interesses, os indivíduos, afetando e sendo afetados pelo sistema de preços, tomam as decisões que maximizarão a satisfação coletiva. Nosso propósito nesta nossa segunda aula não é desenvolver uma teoria completa da demanda e da oferta e de determinação de todos os preços numa economia. Nosso objetivo aqui é, antes, o de introduzir uma visão simplificada CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 2 de como atua um sistema de preços e sua influência na alocação de recursos escassos. Ocorre, porém, que a determinação do preço e da quantidade produzida de um bem ou serviço depende essencialmente do número de agentes econômicos – demandantes e ofertantes – existentes nesse mercado. Por isso, é interessante caracterizar, antes, os diversos tipos de mercado existentes. O mercado, como você sabe, é o local onde se encontram os vendedores e compradores de determinados bens e serviços. Antigamente, a palavra mercado tinha uma conotação estritamente geográfica, mas isso já está deixando de ser assim. Hoje, com os avanços tecnológicos nas comunicações, as transações econômicas podem se realizar sem contato pessoal direto entre comprador e vendedor, tal como ocorre nas compras e vendas pela internet. Dito isso, vamos, então, conhecer os diversos tipos ou estruturas de mercado existentes. 2.2. Estruturas de mercado Um mercado é constituído de compradores e vendedores. A palavra mercado pode tanto se referir a uma economia como um todo – o mercado brasileiro ou mercado de São Paulo, por exemplo – ou a um produto ou um setor específico qualquer – o mercado de trabalho, o mercado agrícola, o mercado de automóveis, de calçados ou de livros. Observa-se, de outra parte, que as relações entre compradores e vendedores seguem padrões diferentes, dependendo do tamanho desse mercado, do número de agentes econômicos (vendedores e compradores) que nele atuam e até mesmo do tipo de produto comercializado. Como resultado, a forma como os preços são determinados varia de acordo com as características de cada mercado. Essas CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 3 características permitem diferenciar quatro estruturas básicas de mercado: i) Concorrência perfeita ii) Monopólio iii) Oligopólio iv) Concorrência monopolística. Geralmente, na literatura econômica, o monopólio, o oligopólio e a concorrência monopolística são chamados de mercados imperfeitos. Vejamos, então, as características distintivas de cada um desses mercados. . A concorrência perfeita Falemos, primeiro, da concorrência perfeita: para que um mercado seja caracterizado como de concorrência perfeita é necessário que preencha as seguintes condições básicas: a) existência de um número elevado de vendedores e compradores independentes, cada qual muito pequeno em relação a esse mercado como um todo, sendo, em conseqüência, incapaz de afetar os níveis de oferta e procura do produto e o seu preço. A essa característica costuma-se denominar de “atomização”. b) todas as firmas desse mercado vendem produtos homogêneos (idênticos ou substitutos próximos), de tal modo que os compradores possam comparar os preços; c) conhecimento ou informação perfeita das condições do mercado, tanto pelos vendedores como pelos compradores, para que todos possam competir em pé de igualdade; d) livre entrada e saída de empresas no mercado, ou seja, não há restrições para que uma empresa nova entre no mercado ou dele queira sair; e inexistência de CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 4 associações de produtores visando impedir ou inibir a entrada de novas empresas. d) perfeita mobilidade de fatores de produção, significando que a mão-de-obra e outros fatores produtivos de uma empresa para outra ou de uma região para outra. Na concorrência perfeita, é o mercado que estabelece o preço do produto, eliminando toda e qualquer possível exploração do consumidor, fazendo com que os preços sejam “justos”, no sentido de que sejam iguais aos custos (incluindo nesses o chamado “lucro normal”). O produtor, por ser um “átomo” nesse mercado, recebe o preço como dado, não tendo qualquer poder de alterá-lo. Examinando as características distintivas do mercado de concorrência perfeita, você já deve ter percebido que este mercado não é facilmente encontrado na prática. O exemplo mais próximo de um mercado de concorrência perfeita seria a bolsa de valores: o produto ali transacionado é homogêneo – digamos, uma ação ordinária do Banco do Brasil; existem diariamente milhares de compradores e de vendedores desta ação; todos os agentes econômicos que ali atuam têm perfeito conhecimento dos preços praticados para esta ação; e, por fim, há livre entrada de compradores e vendedores nesse mercado. Um outro mercado também citado como próximo da concorrência perfeita é o de produtos agrícolas, como parece ocorrer, por exemplo, com o mercado de arroz – um produto padronizado, existindo milhares de vendedores e de compradores desse produto no mercado. . Monopólio O monopólio é um tipo de mercado diametralmente oposto à concorrência perfeita. É o caso limite onde só existe um produtor ou fornecedor de um bem ou serviço. Nessa situação, o monopolista tem controle absoluto sobre o preço CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 5 de seu produto. Mas, isso não significa que o monopolista fixará o preço no nível mais alto que ele puder. Na verdade, considerando que a demanda pelo seu produto pode reagir ao aumento de preço, o monopolista irá fixá-lo no nível em que seus lucros totais sejam maximizados – o que pode ocorrer a um preço relativamente baixo. Exemplos de monopólio são as empresas fornecedoras de energia elétrica, algumas de telefonia e a própria Petrobrás. Uma figura de comportamento similar ao monopólio e que é pouco divulgada e conhecida é o monopsônio – caracterizado pelo mercado onde existe um só comprador do produto considerado. Seu poder de estabelecer o preço é o mesmo do monopólio. Um exemplo comum desse tipo de mercado ocorre com os pequenos e inúmeros produtores de leite da zona oeste de Minas Gerais que, sem alternativa, se vêem obrigados a vender o produto para apenas uma grande empresa pasteurizadora sem concorrentes na região. Nesta situação, a empresa compradora (única da região) tem perfeitas condições de impor os preços para a compra do leite. . Oligopólio O oligopólio é um tipo de mercado que se diferencia da concorrência perfeita pelas seguintes características principais: a) o mercado é dominado por um número pequeno de grandes empresas; b) na maioria dos casos, muito embora possa haver diferenciação entre os produtos das diversas firmas, eles são perfeitos substitutos entre si, como é o caso do setor de eletrodomésticos, sabão em pó, automóveis, cimento, etc. c) como, na maioria dos casos, 80% a 90% do mercado é dominado por um pequeno número de grandes CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 6 empresas, existe um relativo controle de preços por estas firmas, através de acordos ou conluios; d) as empresas do setor tentam ganhar mercado através de uma massiva publicidade, e nunca através de redução de preços; e) a ação de uma firma afeta as demais, tornando-as interdependentes, apresentando, geralmente, um firma maior que se comporta como líder das demais. São inúmeros os exemplos de mercados oligopolísticos. Aliás, a característica dominante da economia brasileira é o alto grau de oligopolização de suas indústrias, como são exemplos a indústria automobilística, a indústria de aparelhos de tv, de geladeiras, de aparelhos de som, de cimento, de sabonetes, de pasta de dente, e inúmeros outros. . Concorrência monopolística Concorrência monopolística é um mercado onde existem várias pequenas empresas disputando o mesmo tipo de cliente, caracterizando uma situação mais ou menos eqüidistante da concorrência perfeita e do monopólio. Geralmente é encontrada no mercado de varejo. Suas características principais são: a) geralmente cada empresa tem seu próprio produto que, embora possa ser substituto próximo dos demais, apresenta característica diferenciadora de firma para firma; b) são todas firmas de porte e poder de concorrência relativamente semelhantes, o que limita bastante seu controle sobre seu preço; Exemplos de concorrência monopolística são as butiques de um shopping, os restaurantes, as escolas privadas, as padarias, as pequenas mercearias, etc. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 7 São essas as principais estruturas de mercado existentes. Feita esta abordagem, temos, agora, condições de analisar como funcionam as forças de mercado – isto é, a oferta e a demanda - num sistema econômico capitalista, e como são determinados os preços dos bens e serviços em geral, sem que o governo interfira nesse processo. 2.3. Um exemplo simples de como funciona o mercado Para iniciar, vamos supor que numa determinada cidade exista uma feira livre onde são vendidas semanalmente, entre outros produtos, uma certa quantidade X de laranjas e uma quantidade Y de maçãs. Suponhamos mais que, por uma razão qualquer, verifica-se uma mudança na preferência dos consumidores e, em conseqüência, a demanda por laranjas tenha aumentado (talvez porque alguém tenha espalhado o boato de que a laranja é melhor para a saúde do que a maçã). Dado que a renda ou o poder aquisitivo dos consumidores não se alterou, esta preferência por mais laranjas só será satisfeita se ocorrer uma queda na demanda por maçã. Como a produção de maçãs e de laranjas permanece inicialmente a mesma de antes, o que acontecerá com os preços desses dois produtos? Ora, o aumento na procura de laranjas provocará uma falta deste produto, enquanto a queda na demanda por maçã provocará um excesso de oferta deste produto. Em conseqüência, o preço da laranja se elevará, enquanto os vendedores tratarão de reduzir o preço da maçã para acabar com o estoque. Como, agora, os lucros da venda de laranjas são maiores, os produtores irão transferir recursos (ou fatores) da produção de maçãs para a de laranjas, aumentando a oferta destas e reduzindo a oferta daquelas. Obviamente, com o aumento da quantidade de laranjas, seus preços deverão cair um pouco, enquanto os preços das CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 8 maçãs (agora, reduzidos) se elevarão ligeiramente. Enquanto o preço das laranjas for compensador (mais lucrativo), os produtores continuarão transferindo recursos para sua produção – isto é, até que o conseqüente declínio de seus preços não mais compense essa transferência. No final desse processo, os níveis de produção e de preços de ambos os produtos se estabilizarão – com o preço da laranja mais alto e o da maçã mais baixo que inicialmente – enquanto se registrou uma alteração na utilização dos recursos produtivos entre os dois produtos. E lembre-se que todas essas mudanças ocorreram em função de uma simples mudança no gosto dos consumidores e da conseqüente atuação do mecanismo de preços de mercado. Se entendemos bem esse mecanismo, podemos agora analisar mais concretamente o comportamento dos consumidores e dos produtores, isto é, da demanda e da oferta. Comecemos pela demanda. 2.4. A lei da demanda Suponha que você vá a um restaurante para almoçar com seus parentes e o garçom lhe entregue o cardápio. O que influencia a sua escolha? Ainda que lhe pareça embaraçoso admitir, é forçoso reconhecer que a primeira coisa que você olha é o preço dos diversos pratos. O preço, sem dúvida, é o principal fator que influencia a compra de qualquer produto pelo consumidor. Mas, você há de convir que a escolha de uma determinado prato - digamos, peixe - irá depender não só de seu preço mas, também, do preço de outras carnes, do preço das massas etc., que servem como substitutos. Obviamente, quanto mais alto o preço do peixe em relação aos demais pratos, mais propenso você estará a pedir carne de vaca, frango ou mesmo massas. Mas, se os preços forem mais ou menos iguais ou se, para você, a diferença de preços CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 9 não pesar muito, você escolherá de acordo com seu gosto. De qualquer modo, você escolherá pratos e outros complementos tendo em vista o que você pode ou está disposto a gastar, isto é, de acordo com sua renda. Se considerarmos que o restaurante onde você está é freqüentado por outras pessoas de sua cidade, podemos também concluir que a quantidade de filé, de frango ou de massa vendida por esse restaurante, no período do almoço, dependerá, também, do número de habitantes da cidade. Deve-se esperar que, numa cidade pequena, os freqüentadores de restaurantes são em menor número que numa cidade grande. E assim por diante. Vemos com esse exemplo simples que sua escolha – e, generalizando, a das demais pessoas - foi influenciada por diversos fatores ou variáveis que, de modo geral, serão as mesmas que o influenciarão em outras ocasiões ou em outras escolhas. Dessa forma, podemos listar pelo menos cinco fatores principais que influenciam a quantidade de um bem qualquer demandada pelos consumidores de um determinado mercado, a saber: · Preço do bem (Px) · Preços de outros bens substitutos ou concorrentes (Pc) · Gosto ou preferência do consumidor (G) · Nível de renda do consumidor (Y) . Tamanho do Mercado (M) ou, em linguagem matemática, podemos dizer que a quantidade demandada (Qd) de um bem X é expressa por: QdX = f(Px, Pc, G, Y, M) Como é difícil dimensionar a influência ou o peso exato de cada um desses fatores na demanda por um bem, os economistas costumam fazer variar um desses fatores (por exemplo, preço subindo, preço caindo) e ver seu efeito sobre a demanda por um bem, enquanto os demais fatores CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 10 permanecem constantes. A questão, então, seria: O que acontece com a demanda por um produto X se seu preço variar, enquanto a renda, o gosto e o preço de outros produtos não variam? Simplificadamente, então, QdX = f(P) com tudo o mais permanecendo constante (esta é a conhecida condição ceteris paribus). Normalmente, teremos uma relação inversa entre o preço do bem e a quantidade demandada. Quando o preço do bem cai, o bem fica mais barato em relação ao preço de seus concorrentes e, em conseqüência, os consumidores estarão dispostos a adquirir maiores quantidades desse bem. Se o preço se elevar, a reação dos consumidores será oposta. Daí, podemos derivar a seguinte definição da lei da demanda: A escala de demanda de mercado de um produto qualquer mostra as diferentes quantidades que os consumidores estão dispostos e aptos a adquirir em um dado período de tempo, quando o seu preço varia. A escala de demanda de mercado é o resultado da soma das escalas de demanda de todos os indivíduos no mercado. Vamos supor que uma pesquisa de mercado junto aos potenciais compradores de um produto qualquer (digamos, sandálias Melissa) apontou os resultados constantes da Tabela 2.1, onde estão relacionados diferentes preços e diferentes quantidades demandadas daquele produto. Tabela 2.1 ESCALA DE DEMANDA DE MERCADO DA MELISSA Preço (R$ por par) Quantidade demandada (por mês) 200 1.000 160 1.500 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 11 120 2.500 80 4.000 40 6.000 A Tabela 2.1 mostra que, ao alto preço de R$ 200,00, apenas 1.000 pares seriam comprados por mês. Se o preço caísse para, digamos, R$ 120,00, os consumidores adquiririam 2.500 pares, e assim por diante. Ou seja, à medida que o preço se reduz, maiores serão as quantidades demandadas e vice-versa. Essas informações podem ser colocadas num gráfico cartesiano, gerando a curva de demanda de mercado, tendo no eixo vertical os diferentes preços e no eixo horizontal as respectivas quantidades demandadas, conforme mostra a Figura 2.1. Figura 2.1 1000 1500 2500 4000 6000 Como se constata, a curva de demanda é negativamente inclinada (da esquerda para a direita) indicando que os consumidores estarão dispostos e aptos a comprar mais de uma mercadoria a preços mais baixos. Isso é conhecido como a lei da demanda e ocorre por duas razões principais: primeiro, porque à medida que o preço de uma mercadoria baixa, os indivíduos substituem outras mercadorias por esta P 200 160 120 80 40 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 12 em seu consumo; segundo, porque quando o preço baixa os consumidores se tornam “mais ricos” em termos reais. Mas uma questão importante é: qual será o preço deste produto (no caso, Melissa), já que temos vários preços e várias quantidades? Infelizmente, ainda não temos condições de saber. Precisamos, antes, analisar o outro lado do mercado – o lado dos produtores ou ofertantes. 2.5. A lei da oferta A exemplo da demanda, as quantidades ofertadas de um bem qualquer dependem de vários fatores, valendo mencionar os seguintes: i) o preço do produto considerado (Px) – obviamente, quanto maior for o preço de um bem (ceteris paribus), maior será a quantidade que os produtores gostariam de oferecer no mercado; ii) preços de outros bens (Pi)– se os preços de outros bens (de tecnologia de produção semelhante) subirem e o preço do bem X não se alterar, os produtores procurarão reduzir a produção de X e tentarão produzir esses bens cujos preços estão subindo; iii) preços dos fatores de produção (Pf)– o preço dos fatores determina o custo de produção. Se o preço dos fatores se elevar, os custos se elevarão, o que pode provocar uma queda na produção e conseqüente redução da oferta de um bem; e, ainda, iv) o nível da tecnologia empregada (T) – quanto mais moderna a tecnologia adotada no processo produtivo, maior é a quantidade produzida por fator empregado, reduzindo o custo de produção e, portanto, aumentando a oferta do produto para qualquer nível de preço. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 13 Assim, as quantidades ofertadas de um produto X qualquer, podem, matematicamente, ser representadas da seguinte forma: QsX = f(Px, Pi, Pf, T) onde, Qsx representa a quantidade ofertada do bem X (o s – símbolo de oferta – vem do inglês supply). Também, a exemplo do que foi dito no caso da demanda, os economistas costumam considerar fatores os Pi, Pf e T invariáveis e, então, analisam preliminarmente os efeitos de variações no preço do produto (Px) sobre as quantidades ofertadas. Com esta hipótese de ceteris paribus, a quantidade ofertada de um produto qualquer, X, passa a ser definida por: QsX = f(P) Ou seja, A oferta é definida como “as diferentes quantidades de um bem ou serviço que os produtores estão dispostos e aptos a vender, durante um certo tempo, a diferentes preços, ceteris paribus”. E, intuitivamente, podemos afirmar, com a hipótese ceteris paribus, de que quanto maior o preço de um bem, mais interessante se torna produzi-lo e, portanto, a oferta será maior e vice-versa. A Tabela 2.2 mostra dados hipotéticos de vários níveis de preços e as diferentes quantidades que os produtores estarão dispostos e aptos a oferecer no mercado (no caso, também de sandálias Melissa). Tabela 2.2 ESCALA DE OFERTA DE MERCADO DA MELISSA Preço (R$ por Quantidade ofertada CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 14 par) (por mês) 200 5.000 160 4.000 120 2.500 80 1.000 40 500 A Tabela 2.2 mostra que, ao alto preço de R$ 200,00 por par, os produtores estarão dispostos a oferecer 5.000 pares no mercado, enquanto que ao baixo preço de R$ 80,00, por exemplo, eles oferecerão apenas 1.000 pares, e assim por diante. Ou seja, ao contrário dos consumidores, à medida que o preço se reduz, menores serão as quantidades que os produtores estarão dispostos a vender no mercado. A representação gráfica da escala de oferta nos fornece a curva de oferta, conforme mostra a Figura 2.2. Figura 2.2 Conforme você pode verificar, a curva de oferta é, em geral, positivamente inclinada (da esquerda para a direita), indicando o fato de que quanto mais altos forem os preços, maiores quantidades de um produto serão ofertadas no Px 200 160 120 80 40 500 1000 2500 4000 6000 Qsx S CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 15 mercado. Trata-se de uma relação direta entre preços e quantidades ofertadas. Conhecido, agora, o comportamento de ambos os lados – isto é, dos consumidores e dos produtores – diante de variações nos preços, já temos condições de verificar a que preço o produto será vendido no mercado. 2.6. Preço de Equilíbrio O preço de equilíbrio é aquele em que a quantidade de uma mercadoria que os consumidores estão dispostos e aptos a adquirir, durante um determinado tempo, é exatamente igual à quantidade que os produtores estão dispostos e aptos a oferecer no mercado. Para descobrir que preço é esse, podemos analisar a Figura 2.3, onde estão desenhadas as curvas de demanda e de oferta tal qual as desenhamos anteriormente. Figura 2.3 P S 200 160 120 80 40 D 1000 2000 3000 4000 5000 Q Suponhamos que o preço seja, inicialmente, fixado em R$ 200,00 o par. A esse preço, a demanda por Melissa será de apenas 1.000 pares por mês, enquanto a oferta será de 5.000 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 16 pares. Assim, há um excesso de oferta e, conseqüentemente, os preços começam a cair. Mas, é bom observar que os preços não vão despencar de repente. Os preços vão caindo aos poucos, enquanto houver produto sobrando. E, de outra parte, vale notar que, à medida que P vai caindo, a oferta vai se reduzindo e a demanda vai se elevando. Agora, suponhamos que os preços sejam fixados em R$ 80,00 o par. A esse preço, os consumidores estarão dispostos a comprar 4.000 pares, mas os produtores só ofertarão 2.000 pares. Há, então, um excesso de demanda em relação à oferta e, conseqüentemente, os preços começam a se elevar. Mas, observe-se que, à medida que os preços vão se elevando, a demanda vai-se reduzindo e a oferta vai-se expandindo. Os preços continuam subindo enquanto a demanda for maior que a oferta. Ao final desse processo de ajustamento vemos que, ao preço de R$ 120,00 o par, a quantidade demandada de Melissa será de 3.000 pares, igualando exatamente a quantidade ofertada. Como a esse preço a demanda e a oferta são iguais, não haverá pressão para que o preço caia ou se eleve. Este, então, é o preço de equilíbrio. Resumindo tudo isso, temos: D < S P se reduz D > S P se eleva D = S P não se altera 2.7. Variações na Demanda e na Oferta Como você viu, na definição da curva de demanda por um bem, fizemos a hipótese de que todos os demais fatores que a afetam (renda, gosto, etc.) permaneceram inalteradas. Agora, vamos imaginar uma situação em que esses fatores que, por hipótese, estavam constantes, variem (sempre cada um isoladamente). O que nós vamos observar é que, se qualquer desses fatores se alterar, a curva de CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 17 demanda também se modificará. Assim, por exemplo, se a renda (real) dos consumidores se elevar, se suas preferências pela mercadoria aumentarem, ou se os preços dos bens substitutos se tornarem mais altos, haverá um aumento na demanda do bem considerado para qualquer preço anterior. Assim, no caso da sandália Melissa, por exemplo, ocorrendo alguns dos fatos acima, uma maior quantidade de Melissa será demandada aos níveis de preços de R$ 140,00 ou de R$ 120,00, etc., o que deslocará a curva de demanda para cima e para a direita, como mostra a Figura 2.4. Como haverá um excesso de demanda, o novo preço de equilíbrio será, agora, mais alto. Figura 3.4. Figura 3.5 O mesmo pode ser dito em relação à curva de oferta de uma mercadoria. Também aqui, se o preço dos fatores se reduzir, ou se a tecnologia melhorar ou, ainda, se o número ou tamanho dos produtores aumentar, haverá um aumento na oferta do produto para qualquer preço anterior. Assim, ocorrendo um dos fatores acima, a oferta de Melissa será maior aos preços de R$ 160,00, R$ 140,00, etc., provocando um deslocamento da curva de oferta para baixo e para a direita, como mostra a Figura 3.5. Como haverá um excesso P 140 120 3000 3500 Q D1 D2 S S1 S2 D P 160 140 3000 3500 Q CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 18 de oferta sobre a demanda, a tendência será uma redução do preço de equilíbrio. Observe, no entanto, que a alteração da demanda ou da oferta pode ocorrer em virtude de variações no preço do produto considerado e não, necessariamente, por variações daqueles fatores que estavam, por hipótese, constantes (gasto dos consumidores, nível de renda dos consumidores, custo de produção, preço de produtos substitutos, etc). Dessa diferença surgem dois conceitos distintos: i) Variação da quantidade demandada (ou ofertada) – ocorre quando o preço do bem considerado varia, implicando um deslocamento ao longo da curva de demanda (ou de oferta). ii) Variação da demanda (oferta) – ocorre quando outros fatores, exceto o preço, variam, implicando deslocamento da curva de demanda para a direita ou esquerda (caso seja um dos fatores que influem na demanda) ou da curva de oferta (caso se trate de um fator que afete a oferta). 2.8. Resumo desta 2ª aula Bem, nesta 2ª aula, nós vimos os diversos tipos de mercado existentes, suas características distintivas e, a seguir, vimos como funciona o mercado de um produto qualquer, analisando a famosa lei da oferta e da procura – uma lei que, apesar de várias tentativas de presidentes e dirigentes políticos para revogá-la, permanece imutável e eterna. O perfeito entendimento do funcionamento desta lei será fundamental para a compreensão dos tópicos de macroeconomia que veremos mais adiante. Antes de encerrar esta nossa aula, porém, gostaria de mostrar a você, no Apêndice a seguir, uma outra forma um CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 19 pouco mais analítica, com um tratamento matemático, das funções demanda e oferta, tal como costuma aparecer nos exercícios e provas de concursos sobre esse tema. ................................................ APÊNDICE: UMA ILUSTRAÇÃO MATEMÁTICA DAS FUNÇÕES DEMANDA E OFERTA 1. A função demanda Vamos supor que a demanda pelo bem X seja expressa matematicamente da seguinte forma: QdX = f(Px, Y, Pc) Onde, Y é o nível de renda e Pc o preço do produto concorrente. Se, por hipótese, a função demanda fosse linear, e colocando números na expressão acima, poderíamos ter, por exemplo: Qdx = -3Px – 1,5Pc + 0,1Y Supondo, agora, que as variáveis assumam os seguintes valores: Px = 8 Pc = 10 Y = 800 e, substituindo esses valores na função acima, teremos: Qdx = (-3 x8) – (1,5 x 10) + (0,1 x 800) Qdx = - 24 – 15 + 80 Qdx = 41 Ou seja, com os valores acima para Px, Pc Y, a quantidade demandada do bem X será de 41 unidades por unidade de tempo. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 20 Agora, vamos supor que a condição ceteris paribus prevaleça para os valores de Pc e de Y (isto é, que seus valores permaneçam constantes em 10 e 800, respectivamente. Com esta hipótese, a curva de demanda do bem X será dada por: Qdx = -3Px – 1,5 x 10 + 0,1 x 800 Qdx = -3Px – 15 + 80 Qdx = 65 – 3Px E a representação gráfica dessa última expressão será: Px 21,7 Dx 65 Qx O gráfico acima mostra que, se o preço de x cair a zero, a quantidade máxima do bem X que os seus consumidores iriam adquirir seria 65 unidades. Da mesma forma, R$21,70 seria o preço que anularia a demanda de X, ou seja, este seria um preço que nenhum consumidor estaria disposto a pagar por este bem. Agora, vamos supor que a renda do consumidor subisse para 1000, e fazendo as devidas substituições na equação original acima, teremos um novo valor (mais alto) para a quantidade demandada, ou seja: Qdx = -3Px – 1,5 x 10 + 0,1 x 1000 Qdx = 85 – 3Px (que é nova curva de demanda) Esta nova quantidade demandada de X maior que a anterior é representada graficamente por um deslocamento para cima e para a direita da curva de demanda, como no gráfico abaixo: Px CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 21 28,3 21,7 Dx D’x 65 85 Qx Como o aumento da renda do consumidor provocou um aumento na quantidade demandada do bem X, este bem é, então, um bem normal (conforme nós já vimos na nossa Aula 1). Vamos supor, agora, que ao invés do nível de renda, o preço do bem C é que tivesse variado de, digamos, 10 para 14. Neste caso, fazendo as devidas substituições, teríamos: Qdx = -3Px – 1,5 x 14 + 0,1 x 800 Qdx = 59 – 3Px (que fornece a nova curva da demanda) e a curva de demanda teria se deslocado para a esquerda. Como o aumento do preço do bem C reduziu a demanda do bem X, estes dois bens são complementares1. Observe que nós poderíamos ter chegado a essas mesmas conclusões apenas analisando os sinais dos coeficientes das variáveis na função demanda. Assim: i) Pela equação de demanda original, podemos ver que o coeficiente da variável renda é positivo (+0,1): isto significa que se a renda aumentar, o valor da Qd, aumentará também. Daí, podemos concluir que o bem X é um bem normal. ii) Caso o sinal do coeficiente da renda fosse negativo, um aumento da renda diminuiria a Qd e, portanto, o bem X seria inferior. 1 O conceito de bens complementares, substitutos, inferior, normal, superior, etc., foi desenvolvido em nossa Aula 1. Se você já esqueceu esses conceitos, dê uma revisitada naquela aula. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 22 iii) O sinal do coeficiente do preço do outro bem (C) é negativo (-1,5). Isso significa que se o preço do bem aumentar, a Qdx diminuirá e, logo, X e C são complementares (se o preço do carro aumentar, ceteris paribus. Já se o sinal do coeficiente do bem C fosse positivo, um aumento de Pc aumentaria também a Qdx e, conseqüentemente, X e C seriam substitutos ou concorrentes. 2. A função oferta Se, por hipótese, a função oferta fosse linear, nós poderíamos representar esta função, por exemplo, por: Qsx = 5Px – 4Pi onde Qsx = quantidade ofertada do bem X; Pi = preços das matérias-primas para a fabricação de X. Assim, supondo Pi = 5 constante, a função oferta passa a ser: Qsx = 5px – 20 Esta função fornece a curva de oferta apresentada no gráfico abaixo. Px Qsx = 5px -20 4 Qsx E por que a curva de oferta intercepta o eixo dos preços na altura do preço de 4 reais? Isso ocorre porque, pela equação da oferta acima, pode-se deduzir que os produtores só estarão dispostos a oferecer o bem X no mercado se os CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 23 preços se situarem acima de 4 reais. Para preços abaixo de 4 reais, o custo das matérias-primas torna impraticável a produção deste bem. Se, por exemplo, Px = 3, e substituindo este preço na equação acima, teríamos uma produção negativa igual a 5 unidades (mas, claro, não existe produção negativa!). Já se Px = 4 reais, a produção seria zero. Para qualquer outro preço acima de 4, a produção se torna positiva e só a partir daí a análise da curva de oferta deste bem se torna relevante. Agora, imagine que o preço das matérias-primas (Pi) se eleve para 7,50. Nesta hipótese, teríamos: Qsx = 5Px – 4 x 7,50 Qsx = 5Px – 30 Agora, a oferta se torna compensadora a preços maiores que 6 reais, o que desloca a curva de oferta para cima, conforme se pode ver no gráfico abaixo: Px Qsx = 5Px -30 Qsx = 5Px - 20 6 4 Qsx _________________ Exercícios de revisão (com gabarito comentado ao final) Observação: Primeiro, tente fazer os exercícios e só depois vá até o gabarito para verificar seu desempenho. Assinale a alternativa correta: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 24 11.. AA qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé iinnfflluueenncciiaaddaa ppeellooss ffaattoorreess aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: aa)) ccuussttoo oouu tteeccnnoollooggiiaa ddee pprroodduuççããoo;; bb)) ggoossttoo oouu pprreeffeerrêênncciiaa ddoo ccoonnssuummiiddoorr;; cc)) nníívveell ddee rreennddaa ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; dd)) pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; ee))pprreeççoo ddee pprroodduuttooss ssuubbssttiittuuttooss.. 22.. AA qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé aaffeettaaddaa ppeellooss ffaattoorreess aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: aa)) pprreeççoo ddooss pprroodduuttooss ccoomm ttééccnniiccaa ddee pprroodduuççããoo sseemmeellhhaannttee;; bb)) rreennddaa ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; cc)) pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; dd)) ccuussttoo oouu tteeccnnoollooggiiaa ddee pprroodduuççããoo.. 33.. OOss ffaattoorreess aabbaaiixxoo ccaauussaamm vvaarriiaaççããoo ddaa ddeemmaannddaa ((ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa)),, eexxcceettoo:: aa)) uumm aauummeennttoo ddaa rreennddaa rreeaall ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; bb)) mmuuddaannççaa nnaa pprreeffeerrêênncciiaa ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; cc)) mmuuddaannççaa nnoo pprreeççoo ddooss pprroodduuttooss ssuubbssttiittuuttooss;; dd)) mmuuddaannççaa nnoo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; ee)) ccrreesscciimmeennttoo ddaa ppooppuullaaççããoo ddoo mmeerrccaaddoo ccoonnssiiddeerraaddoo.. 44.. OOss ffaattoorreess aabbaaiixxoo ccaauussaamm uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa,, eexxcceettoo:: aa)) rreedduuççããoo ddooss ccuussttooss ddee pprroodduuççããoo;; bb)) ssaaííddaa ddoo mmeerrccaaddoo ddee ddiivveerrssooss pprroodduuttoorreess;; cc)) mmuuddaannççaa ddoo ggoossttoo oouu pprreeffeerrêênncciiaa ddoo mmeerrccaaddoo ccoonnssuummiiddoorr;; dd)) vvaarriiaaççããoo ddoo pprreeççoo ddooss pprroodduuttooss ddee tteeccnnoollooggiiaa ssiimmiillaarr;; ee)) ttooddaass aass aalltteerrnnaattiivvaass aanntteerriioorreess.. 55.. SSuuppoonnhhaa qquuee uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo ttiippoo ddee ssaannddáálliiaa ffeemmiinniinnaa eennttrroouu nnaa mmooddaa.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo,, ppooddee--ssee eessppeerraarr:: aa)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, ee ccoonnsseeqqüüeennttee rreedduuççããoo ddee sseeuu pprreeççoo;; bb)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, ee ccoonnsseeqqüüeennttee qquueeddaa nnoo pprreeççoo ddaa ssaannddáálliiaa;; cc)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ttaannttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ccoommoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa;; dd)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa ee ccoonnsseeqqüüeennttee aauummeennttoo ddoo nnoovvoo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo;; ee)) uumm ddeessllooccaammeennttoo aaoo lloonnggoo ddaass ccuurrvvaass ddee ooffeerrttaa ee ddee ddeemmaannddaa.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 25 66.. CCoomm rreellaaççããoo ààss ccuurrvvaass ddee ooffeerrttaa ee ddeemmaannddaa,, eessttããoo ccoorrrreettaass aass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: aa)) ssee oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo ssee aalltteerraarr,, aass dduuaass ccuurrvvaass ssee ddeessllooccaamm;; bb)) ssee oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ssuubbssttiittuuttoo ssee eelleevvaarr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ssee ddeessllooccaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa;; cc)) ssee oo ccuussttoo ddee pprroodduuççããoo ssee rreedduuzziirr,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ssee ddeessllooccaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa ee ppaarraa bbaaiixxoo;; dd)) aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa nnããoo éé aaffeettaaddaa ppeellaa tteeccnnoollooggiiaa ddee pprroodduuççããoo;; ee)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo éé aaqquueellee qquuee iigguuaallaa aass qquuaannttiiddaaddeess ooffeerrttaaddaass ee ddeemmaannddaaddaass.. 77.. NNuummaa eeccoonnoommiiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aass ccuurrvvaass ddee ooffeerrttaa ee pprrooccuurraa ddee ddeetteerrmmiinnaaddoo bbeemm ssããoo QQss == 44PP ++ 44 ee QQdd == 1166 –– 22PP,, oonnddee QQss,, QQdd ee pp ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee,, qquuaannttiiddaaddeess ooffeerrttaaddaass ee ddeemmaannddaaddaass ee PP oo pprreeççoo.. NNeessttee ccaassoo,, oo pprreeççoo ee aa qquuaannttiiddaaddee ddee eeqquuiillííbbrriioo ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: aa)) 112200 ee 2200,,0000;; bb)) iinnddeetteerrmmiinnaaddooss;; cc)) 1122 ee 22,,0000;; dd)) 1100 ee 1155,,0000;; ee)) 22,,0000 ee 1122.. 88.. 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SSee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppeerrmmaanneecceerr iinnaalltteerraaddaa,, ddeessllooccaannddoo--ssee ppaarraa mmeennooss aa ccuurrvvaa ddaa ooffeerrttaa:: aa)) aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass ddiimmiinnuueemm,, mmaass oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo nnããoo ssee aalltteerraa;; bb)) aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass ssee rreedduuzzeemm,, ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ddeevvee ssee eelleevvaarr;; cc)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ssee aalltteerraa ppaarraa mmaaiiss ee ssoommeennttee aa ooffeerrttaa ccrreesscceerráá;; dd)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ee aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass mmoovviimmeennttaamm--ssee nnaa mmeessmmaa ddiirreeççããoo,, aammbbooss ssee eelleevvaamm;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 26 ee)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ee aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass ssee mmoovviimmeennttaamm nnaa mmeessmmaa ddiirreeççããoo,, aammbbooss ssee rreedduuzzeemm.. 1100.. NNuummaa iinnddúússttrriiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa éé ddeeffii-- nniiddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 11000000,, eennqquuaannttoo aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé ddeeffiinniiddaa ppoorr QQdd == 44550000 –– 440000PP.. NNeessttee ccaassoo,, aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo ((QQee)) ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ((PPee)) sseerrããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: aa)) 22,,0000 aa 55,,5500;; bb)) 22330000 ee 55,,5500;; cc)) 55,,0000 ee 44550000;; dd)) 2200,,0000 ee 55550000;; ee)) 55,,5500 ee 55550000.. 1111.. SSaabbee--ssee qquuee oo bbeemm XX éé ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY ee qquuee oo mmeerrccaaddoo ddee XX eennccoonnttrraa--ssee eemm eeqquuiillííbbrriioo.. SSee ooccoorrrreerr uummaa rreedduuççããoo nnoo pprreeççoo ddee YY,, ccoomm ttuuddoo oo mmaaiiss ppeerrmmaanneecceennddoo ccoonnssttaannttee,, hhaavveerráá rreeppeerrccuussssõõeess nnoo mmeerrccaaddoo ddee XX.. 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SSee ooccoorrrreerr uummaa qquueeddaa ddoo pprreeççoo ddee YY,, cceetteerriiss ppaarriibbuuss,, hhaavveerráá rreeppeerrccuussssõõeess nnoo mmeerrccaaddoo ddee XX,, lleevvaannddoo--oo,, nnuumm pprriimmeeiirroo mmoommeennttoo,, aa uummaa ssiittuuaaççããoo ddee ddeesseeqquuiillííbbrriioo.. CCaassoo hhaajjaa tteemmppoo ppaarraa qquuee oo mmeerrccaaddoo ddee XX ssee rreeeeqquuiilliibbrree,, ddeevvee--ssee eessppeerraarr:: aa)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; bb)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa.. cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 27 dd)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; ee)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 1133.. SSaabbee--ssee qquuee XX éé uumm bbeemm iinnffeerriioorr.. SSee ooccoorrrreerr uumm aauummeennttoo nnaa rreennddaa ddooss ccoonnssuummiiddoorreess ddoo bbeemm,, ccoomm ttuuddoo oo mmaaiiss ppeerrmmaanneecceennddoo ccoonnssttaannttee,, hhaavveerráá rreeppeerrccuussssõõeess nnoo mmeerrccaaddoo ddee XX,, lleevvaannddoo--oo,, nnuumm pprriimmeeiirroo iimmppaaccttoo,, aa uummaa ssiittuuaaççããoo ddee ddeesseeqquuiillííbbrriioo.. CCaassoo hhaajjaa tteemmppoo ppaarraa qquuee oo mmeerrccaaddoo ssee rreeeeqquuiilliibbrree,, ddeevvee--ssee eessppeerraarr:: aa)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; dd)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa.. 1144.. SSuuppoonnhhaa qquuee oo mmeerrccaaddoo ddee XX eessttáá eeqquuiilliibbrraaddoo aaoo nníívveell ddee PPoo ee QQoo ee qquuee XX éé ssuubbssttiittuuttoo ddee oouuttrroo bbeemm YY.. SSee ooccoorrrreerr uumm aauummeennttoo nnoo pprreeççoo ddee YY,, cceetteerriiss ppaarriibbuuss,, ddeevvee--ssee eessppeerraarr:: aa)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; dd)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 28 ESTRUTURAS DE MERCADO 1155.. SSããoo ccaarraacctteerrííssttiiccaass ddaa ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, eexxcceettoo:: aa)) aattoommiizzaaççããoo ddee vveennddeeddoorreess ee ccoommpprraaddoorreess;; bb)) lliivvrree eennttrraaddaa ee ssaaííddaa ddee ccoommpprraaddoorreess ee vveennddeeddoorreess;; cc)) ppeerrffeeiittoo ccoonnhheecciimmeennttoo ddaass ccoonnddiiççõõeess ddoo mmeerrccaaddoo ((pprreeççoo ee qquuaannttiiddaaddee)) ppeellooss aaggeenntteess eeccoonnôômmiiccooss;; dd)) ppeeqquueennoo nnúúmmeerroo ddee ggrraannddeess eemmpprreessaass vveennddeennddoo uummaa ggrraannddee vvaarriieeddaaddee ddee pprroodduuttoo;; ee)) pprroodduuttooss hhoommooggêênneeooss.. 1166.. SSããoo ccaarraacctteerrííssttiiccaass ddoo oolliiggooppóólliioo,, eexxcceettoo:: aa)) aallttoo ggrraauu ddee ccoonnttrroollee ssoobbrree ooss pprreeççooss ppeellaass eemmpprreessaass ppaarrttiicciippaanntteess;; bb)) ggrraannddee nnºº ddee ppeeqquueennaass eemmpprreessaass vveennddeennddoo pprroodduuttooss bbaassttaannttee ddiiffeerreenncciiaaddooss;; cc)) aass eemmpprreessaass nnããoo ffaazzeemm gguueerrrraa ddee pprreeççooss;; dd)) aass eemmpprreessaass ffaazzeemm gguueerrrraa ddee ppuubblliicciiddaaddee;; ee)) eexxiissttee uummaa ““iinntteerrddeeppeennddêênncciiaa”” eennttrree aass eemmpprreessaass.. 1177.. CCoomm rreellaaççããoo aaoo mmoonnooppóólliioo,, eessttããoo ccoorrrreettaass aass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: aa)) ssóó eexxiissttee uumm pprroodduuttoorr ddoo pprroodduuttoo;; bb)) oo mmoonnooppoolliissttaa ffiixxaa oo pprreeççoo nnoo nníívveell qquuee bbeemm eenntteennddeerr,, iissttoo éé,, ffiixxaa--oo sseemmpprree nnoo nníívveell mmaaiiss aallttoo;; cc)) eemm pprriinnccííppiioo,, oo mmoonnooppóólliioo éé pprrooiibbiiddoo ppoorr lleeii;; dd)) oo pprroodduuttoo nnããoo tteemm ssuubbssttiittuuttoo pprróóxxiimmoo.. 1188.. CCoomm rreellaaççããoo àà ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa,, eessttããoo ccoorrrreettaass aass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: aa)) mmuuiittaass eemmpprreessaass vveennddeennddoo pprroodduuttooss ddiiffeerreenncciiaaddooss,, mmaass pprróóxxiimmooss ssuubbssttiittuuttooss;; bb)) aa ddiiffeerreenncciiaaççããoo ddee pprroodduuttoo ppooddee sseerr rreeaall oouu iimmaaggiinnáárriiaa ((ccrriiaaddaa ppeellaa pprrooppaaggaannddaa));; cc)) éé uummaa ffoorrmmaa ddee oorrggaanniizzaaççããoo ttííppiiccaa ddoo mmeerrccaaddoo ddee vvaarreejjoo;; dd)) hháá ccoonnccoorrrrêênncciiaa eexxttrraapprreeççoo,, ccoommoo pprrooppaaggaannddaa ee eemmbbaallaaggeennss ddoo pprroodduuttoo;; ee)) aass eemmpprreessaass ttêêmm ttoottaall ccoonnttrroollee ssoobbrree sseeuuss pprreeççooss.. 1199.. MMuuiittooss vveennddeeddoorreess ee uumm ssóó ccoommpprraaddoorr ddeeffiinneemm oo mmeerrccaaddoo ccoommoo:: aa)) oolliiggooppóólliioo;; bb)) ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa;; cc)) ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa;; dd)) mmoonnooppóólliioo;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 29 ee)) mmoonnooppssôônniioo.. 2200.. AA ffoorrmmaa ddee ccoonnccoorrrrêênncciiaa iimmppeerrffeeiittaa,, oonnddee aa ooffeerrttaa ddee uumm bbeemm qquuaallqquueerr eessttáá ccoonncceennttrraaddaa eemm uumm lliimmiittaaddoo nnúúmmeerroo ddee eemmpprreessaass ccaappaazzeess ddee aaffeettaarreemm ooss pprreeççooss ddee mmeerrccaaddoo,, ddeennoommiinnaa--ssee:: aa)) mmoonnooppóólliioo;; bb)) mmoonnooppssôônniioo;; cc)) oolliiggooppóólliioo;; dd)) oolliiggooppssôônniioo;; ee)) ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa.. 2211.. DDaass aattiivviiddaaddeess eeccoonnôômmiiccaass aabbaaiixxoo aa qquuee mmaaiiss ssee aapprrooxxiimmaa ddee uumm mmoonnooppóólliioo éé:: aa)) aa ddooss pprroodduuttoorreess ddee aarrrroozz ddoo EEssttaaddoo ddee GGooiiááss;; bb)) aa ddooss ffaabbrriiccaanntteess ddee ssaabbããoo eemm ppóó;; cc)) aa ddooss pprroopprriieettáárriiooss ddee ppoossttooss ddee ggaassoolliinnaa ee ddee ppaaddaarriiaass;; dd)) aa ccoommpprraa ee vveennddaa ddee aaççõõeess nnaass BBoollssaass ddee VVaalloorreess;; ee)) aa ddee ffoorrnneecciimmeennttoo ddee eenneerrggiiaa eellééttrriiccaa ppeellaa CCEEBB.. 2222.. AA ccoonnccoorrrrêênncciiaa eexxttrraapprreeççoo nnããoo éé ppoossssíívveell nneemm eeffiiccaazz:: aa)) nnoo oolliiggooppóólliioo ddee pprroodduuttoo ddiiffeerreenncciiaaddoo;; bb)) nnaa ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa.. cc)) nnoo oolliiggooppóólliioo ddee pprroodduuttoo ppaaddrroonniizzaaddoo;; dd)) nnoo mmoonnooppóólliioo;; ee)) nnaa ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa;; 2233.. CCoomm rreellaaççããoo aaooss ddiivveerrssooss ttiippooss ddee mmeerrccaaddoo,, mmaarrqquuee VV ((vveerrddaaddeeiirroo)) oouu FF ((ffaallssoo)) nnaass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo.. aa)) (( )) NNuumm mmeerrccaaddoo ddee ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aass ffiirrmmaass nnããoo ttêêmm ccoonnttrroollee ssoobbrree oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo.. bb)) (( )) NNuumm mmeerrccaaddoo oolliiggooppoollííssttiiccoo,, aass eemmpprreessaass ttêêmm ggrraannddee ccoonnttrroollee ssoobbrree oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo.. cc)) (( )) MMoonnooppssôônniioo éé oo mmeerrccaaddoo oonnddee ssóó hháá uumm vveennddeeddoorr oouu pprroodduuttoorr ddee ddeetteerrmmiinnaaddoo pprroodduuttoo.. dd)) (( )) AA ““aattoommiizzaaççããoo”” ddee pprroodduuttoorreess ee vveennddeeddoorreess éé uummaa ccaarraacctteerrííssttiiccaa ddoo mmeerrccaaddoo ddee ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa.. ee)) (( )) NNuumm mmeerrccaaddoo ddee ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, oo pprroodduuttoo ddaass iinnúúmmeerraass ffiirrmmaass ppaarrttiicciippaanntteess éé ppaaddrroonniizzaaddoo.. ff)) (( )) UUmmaa ddaass ccaarraacctteerrííssttiiccaass ddoo oolliiggooppóólliioo éé qquuee aass ffiirrmmaass nnããoo ffaazzeemm gguueerrrraa ddee pprreeççoo,, mmaass ffaazzeemm gguueerrrraa ddee ppuubblliicciiddaaddee.. gg)) (( )) NNaa ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa,, ttaannttoo ooss vveennddeeddoorreess ccoommoo ooss ccoommpprraaddoorreess ttêêmm ppeerrffeeiittoo ccoonnhheecciimmeennttoo ((iinnffoorrmmaaççõõeess)) ssoobbrree ooss pprreeççooss ee qquuaannttiiddaaddeess nneeggoocciiaaddaass.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 30 hh)) (( )) NNuumm mmeerrccaaddoo ddee oolliiggooppóólliioo,, hháá lliivvrree eennttrraaddaa ee ssaaííddaa ddee vveennddeeddoorreess ee ddee ccoommpprraaddoorreess.. ii)) (( )) NNoo mmeerrccaaddoo eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa,, aass eemmpprreessaass ssããoo ppeeqquueennaass ee vveennddeemm pprroodduuttooss ddiiffeerreenntteess mmaass bbaassttaannttee pprróóxxiimmooss ssuubbssttiittuuttooss.. jj)) (( )) PPaarraa aa eemmpprreessaa qquuee ffuunncciioonnaa eemm mmeerrccaaddoo ppeerrffeeiittaammeennttee ccoommppeettiittiivvoo,, nnããoo hháá rriissccoo ddee ““ssoobbrraarr”” pprroodduuttoo aaoo pprreeççoo ddee mmeerrccaaddoo.. kk)) (( )) PPoorr nnããoo tteerr ccoonnccoorrrreennttee,, uummaa ffiirrmmaa mmoonnooppoollííssttiiccaa tteennddeerráá aa ffiixxaarr oo pprreeççoo nnoo nníívveell mmaaiiss aallttoo ppaarraa aauummeennttaarr sseeuuss lluuccrrooss.. _____________ G A B A R I T O 1. a > o custo ou tecnologia de produção é um fator que afeta a oferta e não a demanda; 2. b > a renda afeta a demanda e não a oferta; 3. d > a mudança no preço do produto considerado causa deslocamento na curva (ou seja, variação na quantidade demandada; 4. c > mudança de gosto ou de preferência do consumidor é um fator de demanda; 5. d > veja item 2.7. do texto; 6. a > a variação de preço provoca um deslocamento ao longo das duas curvas (de oferta e de demanda), e não das duas curvas; 7. e > Solução: Em equilíbrio, a Qs = Qd; assim, fazendo as devidas substituições, teremos: 4P +4 = 16 – 2P 6P = 12 P = 2 Substituindo o valor de P encontrado, nas equações originais, encontramos os valores de Qs e Qd, ou seja: Q = 12. A resposta então é P = 2 e Q = 12. 8. d > é só você substituir P = 1 nas duas equações, achando os valores de Qs e de Qd; a diferença entre as duas responde a questão. 9. b > é só desenhar um gráfico com as duas curvas de oferta e de demanda, e deslocar a curva de oferta para a CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 31 esquerda, e verificar o novo P e a nova Q e depois compará-los com a posição original. 10. b > veja exercício 7; 11. b > A curva do bem X se deslocará a esquerda e sobrará produto no mercado e, assim, seu preço deve cair; 12. e > A curva de demanda se desloca para a direita e faltará produto; 13. c > como se trata de um bem inferior, um aumento na renda do consumidor provoca uma redução na sua demanda. 14. a > deixamos pra você a dedução; 15. d (se você tiver dúvida quanto às questões de 15 a 23, dê uma revisada no item 2.2. do texto); 16. b 17. b 18. e 19. e 20. c 21. e 22. b; 23. aV; bV; cF; dF; eV; fV; gV; hF; iV; jV; kF. ....................... Até nossa próxima aula! Aliás, nossa 3ª aula é sobre ELASTICIDADE-PREÇO – que serviu como “aula demonstrativa” – lembra-se? Assim, nossa próxima aula (que será a 4ª) já será de macroeconomia! Até lá, então! CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 1 AULA 3 – A ELASTICIDADE E SUAS APLICAÇÕES Neste encontro vamos tratar de um dos temas mais importantes da teoria econômica e que se aplica a qualquer assunto econômico: a elasticidade. Embora seja um conceito comumente usado no estudo das variações que ocorrem na demanda de um produto quando seu preço varia, ela aparece também no estudo os efeitos da taxa de câmbio sobre as exportações e importações de um país, no efeito da taxa de juros sobre o nível da poupança e do investimento, enfim em praticamente todos os temas econômicos. Mas, o que vem a ser elasticidade? Qual a sua aplicação e utilidade? 1. O conceito de elasticidade Na teoria econômica, o termo elasticidade significa sensibilidade. Na realidade, a elasticidade mostra quão sensíveis são os consumidores de um produto X (ou seus produtores), quando o seu preço sofre uma variação para mais ou para menos. Em outras palavras, a elasticidade serve para medir a reação – grande ou pequena – desses consumidores (ou de seus produtores) diante de uma variação do preço do produto X. Neste caso, teríamos a chamada elasticidade-preço da demanda (ou, no caso dos produtores, a elasticidade-preço da oferta) por este produto. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado em relação a uma variação na renda real dos consumidores. Neste caso, estaríamos medindo o quanto a demanda pelo bem X é sensível a uma variação na renda dos consumidores – e teríamos, então, a chamada elasticidade-renda. Mas, não vamos misturar as coisas: Vamos, primeiro, nos fixar no conceito de elasticidade-preço. Depois analisaremos a questão da elasticidade- renda. 2. A elasticidade-preço (Ep) da demanda É fácil constatar que as pessoas reagem com intensidade diferente diante de variações dos preços dos diferentes produtos. Se o sal sobe de preço, as pessoas não vão deixar de comprá-lo por causa disso e, provavelmente, nem vão reduzir a quantidade que costumam comprar desse produto – já que o sal é essencial para elas. Também e por razões CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 2 diferentes, as pessoas não devem reagir muito a um aumento no preço de uma bala e, aqui, isso se explicaria pelo fato de que o preço da bala é muito baixo e não afeta o bolso do consumidor. Sabe-se, também, que as pessoas não reagem muito a um aumento do preço da gasolina – e, neste caso, isso se deve provavelmente ao fato de que a gasolina, sendo essencial para quem tem carro, não tem um substituto e o jeito é arcar com este aumento. De outra parte, porém, se produtos como automóveis, ou passagens aéreas e outros, subirem de preço, é bastante provável que sua demanda se reduza significativamente. Com esses exemplos, podemos ver que a reação das pessoas a uma variação do preço de um produto depende muito do tipo de produto. Em alguns casos, a reação pode ser muito grande, em outros pequena e em uns poucos casos nem reação há. E note-se que é importante – para os produtores/vendedores, principalmente – saber se o consumidor do produto X reage muito ou pouco a um variação – aumento ou redução – do seu preço, pois isso vai ajudar o produtor a estabelecer um preço “ótimo” para seu produto – ou seja, um preço onde sua receita pode ser máxima. E para conhecer a elasticidade-preço da demanda pelo produto X é preciso calculá-la. E é o que vamos fazer a seguir. 3. Calculando a elasticidade-preço da demanda Suponha-se o seguinte comportamento da demanda de dois bens X e Y: Demanda de X Demanda de Y Px Qdx Py Qdy 1º instante 10 100 20 80 2º instante 12 60 24 76 Note-se que, entre o primeiro e o segundo instante, o preço de ambos os produtos subiu 20%. No entanto, é fácil verificar que a reação do consumidor – medida pelas quantidades adquiridas (Qd) - foi bastante diferente nos dois casos. Enquanto no caso do produto X, a demanda se reduziu 40% (caindo de 100 para 60), no caso do produto Y a quantidade demandada só se reduziu 5% (caindo apenas 4 unidades de um total de 80). Diante desse exemplo, pode-se concluir que a demanda do consumidor pelo produto X é mais sensível a uma variação do preço do CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 3 que a do produto Y. Esta sensibilidade – maior ou menor – pode ser medida pelo chamado coeficiente de elasticidade-preço da demanda (Ep) - que mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto em conseqüência de uma variação percentual em seu preço. Veja que se trata de variações percentuais na quantidade e no preço e não variações absolutas. Isso porque variações absolutas não nos dizem nada. Um aumento de R$ 100,00 (isto é, uma variação absoluta) no preço de um carro não significa quase nada, ao passo que uma variação de R$ 10,00 no preço do quilo de feijão poderá até derrubar o Ministro da Agricultura. Matematicamente, a elasticidade-preço da demanda é definida pela fórmula: Ep = Variação percentual na quantidade demandada Variação percentual no preço O numerador desta fração – ou seja, a variação percentual na quantidade demandada, é dada por: e o denominador – isto é, a variação percentual no preço, é dada por: Assim, temos: No exemplo numérico acima, nós teríamos no caso do bem X: Epx = %20 %40 = 2 E, no caso do bem Y: 12, QQQondeQ Q −=∆∆ 12, PPPondeP P −=∆∆ P P Q Q P QEp ∆ ∆ =∆ ∆= % % CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 4 Epy = %20 %5 = 0,251 Uma questão que se coloca é a seguinte: para o cálculo da elasticidade, deve-se tomar o preço (P) e a quantidade (Q) originais ou o novo preço e a nova quantidade? Tudo depende da convenção. Suponha um produto com uma curva de demanda como ilustrado na Figura 1. No ponto A, temos que, ao preço (P) de R$ 10,00 a unidade, a quantidade demandada (Q) é de 100 unidades; no ponto B, ao preço de R$ 6,00, a Q é de 180 unidades. Figura 1 Agora, suponha que o preço caia de R$ 10,00 (preço inicial) para R$ 6,00 (novo preço) e, em conseqüência, a Qd aumente de 100 unidades (inicial) para 180 (nova quantidade). Como calcular a elasticidade no arco AB? A solução no caso é tomarmos a quantidade média (ou, 100 180 2 + ) e o preço médio (ou, 10 6 2 + ), e teríamos: 1 Note-se que, na realidade, o valor encontrado seria um número negativo, já que as variações da demanda (40% e 5%) são negativas. Mas, para efeito de interpretação da elasticidade-preço da demanda, o que importa é o valor absoluto desta. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 5 E Q Q m d io P P m d i o p = = = × = = ∆ ∆ ( é ) ( é ) 80 140 4 8 80 140 8 4 640 560 114, (2) Alternativamente, ao invés de tomarmos o P e o Q médios, nós poderíamos usar o P e Q originais (mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto A), ou então, poderíamos usar o P e o Q novos (mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto B). A elasticidade-preço da demanda no ponto A será, então: 0,2 400 800 4 10 100 80 10 4 100 80 0 0 ==×==∆ ∆ = P P Q Q Ep e a elasticidade-preço no ponto B será: E Q Q P P xp = = = = = ∆ ∆ 1 1 80 180 4 6 80 180 6 4 480 720 0 67, Por convenção, utiliza-se mais comumente a primeira fórmula, isto é, tomam-se a quantidade e o preço médios, quando se tratar do cálculo da elasticidade-preço no arco A-B (isto é, no intervalo entre os pontos A e B). 4. Classificação da elasticidade e receita total Como dissemos no início, o conceito de elasticidade tem muitas aplicações úteis. Conhecendo-se a elasticidade de um produto, podemos saber se a receita total (P x Q) irá ou não aumentar diante de uma queda ou de um aumento nos preços. Tudo vai depender da intensidade da reação dos consumidores diante de variações nos preços. Há três situações possíveis: 1ª - A variação percentual na quantidade é maior que a variação percentual no preço, ou seja, na fórmula da elasticidade, o numerador é (1) Na realidade, normalmente, o valor da elasticidade-preço da demanda é negativo porque um aumento do preço (efeito positivo) provoca uma queda na demanda (efeito negativo) e vice-versa. Mas nós esquecemos o sinal e consideramos o valor absoluto da elasticidade. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 6 maior que o denominador e, então, em termos absolutos, isto é, desprezando-se o sinal (que, no caso da demanda é sempre negativo) a Ep > 1. Nesse caso, a demanda deste produto denomina-se elástica em relação a seu preço. 2ª - A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual no preço: então, em termos absolutos, Ep = 1 e a demanda deste bem apresenta elasticidade unitária em relação ao seu preço. 3ª - A variação percentual na quantidade é menor que a variação percentual no preço: então, Ep < 1 e a demanda denomina-se inelástica a preço. Adicionalmente, há ainda dois casos, um tanto raros, é verdade, a considerar: a) quando a curva de demanda é inteiramente horizontal ao nível de um determinado preço e, nesta hipótese, temos uma demanda infinitamente elástica a preço; b) quando a curva de demanda é inteiramente vertical – o que demonstra que a quantidade demandada é insensível a variações no preço do produto e, nesta hipótese, temos uma demanda totalmente inelástica a preço. Elasticidade-preço X receita dos produtores E agora vem a pergunta: qual a importância ou utilidade de se saber se a demanda de um produto é elástica ou inelástica? A resposta é simples: é a magnitude da elasticidade-preço que vai orientar o produtor/vendedor se ele deve aumentar ou reduzir seu preço para aumentar sua receita. Se o valor numérico da elasticidade-preço é alto – isto é, maior que 1, em valor absoluto, e, portanto, a demanda é elástica -, significa que os consumidores reagem muito a variações de preços do produto – ou, em outras palavras, se o preço aumentar um pouco, os consumidores reduzirão muito sua demanda daquele produto. O inverso também é verdadeiro: se ele reduzir um pouco seu preço, suas vendas deverão aumentar muito. O mesmo raciocínio vale para o caso em que o valor numérico da elasticidade-preço seja pequeno - isto é, menor que 1 em valor absoluto, sendo, portanto, a demanda inelástica. Assim entendido, podemos tirar as seguintes conclusões relativamente aos efeitos de variações de preços sobre a receita total do vendedor: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 7 i) - Se o produto tem uma demanda elástica, um aumento de P provocará uma queda na receita total porque a redução percentual da quantidade demandada será maior que o aumento percentual de preços. Nesse caso, o produtor deve baixar o preço para aumentar a receita. Isso ocorre porque a quantidade demandada aumentará percentualmente mais que a perda percentual de preços. ii) - Se a elasticidade-preço da demanda é unitária, a receita total não se alterará com aumentos ou reduções de preços. Isso porque, se o produtor aumentar o preço em 10%, a quantidade demandada cairá 10%; se ele reduzir o preço em 10%, a quantidade aumentará 10%, e assim por diante. iii) - Se o produto for inelástico, uma queda de preços provocará uma queda de receita total porque a redução percentual de P não será compensada pelo aumento percentual da quantidade demandada. Nesse caso, o produtor deve aumentar o preço para aumentar sua receita total, já que a quantidade demandada cairá percentualmente menos que o aumento percentual nos preços. 6. Fatores que influenciam a magnitude da elasticidade-preço Mas, afinal de contas, o que leva um produto a ter uma demanda elástica ou inelástica? Ou como identificar, sem necessidade de fazer cálculos, um produto de demanda elástica ou inelástica? Embora rigorosamente só se possa afirmar que a demanda do produto X é elástica ou não em relação a variações em seu preço a partir de uma pesquisa específica, os produtos possuem certas características que nos permitem concluir a priori se eles são mais ou menos elásticos a variações em seu preço3, a saber: i) Essencialidade do produto – parece claro que quanto maior o grau de utilidade ou de essencialidade do produto para o consumidor, menos elástica (ou seja, mais inelástica) tende a ser sua demanda. De fato, se o produto é essencial para o consumidor, aumentos em seu preço reduzirão pouco ou quase nada suas compras. Da mesma forma, reduções de preço desses produtos não deverão provocar aumentos em sua compras, pois o consumidor tende a comprar um certa quantidade – digamos, fixa – dos mesmos. É o que ocorre, geralmente, com os bens de primeira necessidade, como alimentos, serviços de saúde ou de educação – que sabidamente têm demanda inelástica a preço. De outra 3 Essas características foram apontadas pioneiramente pelo famoso economista inglês Alfred Marshall (1842- 1924) em seus Principles of Economics. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 8 parte, produtos supérfluos, para o consumidor, como jóias e perfumes, tendem a ter demanda elástica a preço. ii) Quantidade de substitutos – também parece inquestionável a afirmação de que, se o produto tiver muitos substitutos próximos, um aumento de seu preço deve estimular o consumidor a mudar de produto, reduzindo, portanto, a demanda daquele cujo preço se elevou (se o preço do Palio se elevar, o consumidor tenderá a substitui-lo por Gol 1000, ou por Fiesta, etc). Ou seja, quanto mais substitutos houver para um produto X, mais elástica a preço será sua demanda. Obviamente, o contrário ocorre na hipótese de o produto não ter substitutos próximos (como é o caso do sal). Nesta hipótese, mesmo ocorrendo um aumento do preço do produto, o consumidor tenderá a continuar adquirindo a mesma quantidade de antes, por simples falta de opção – o que torna sua demanda inelástica a preço. iii) Peso no orçamento do consumidor – quanto menor for o preço do produto, menos ele pesará no bolso do consumidor, como é o caso da caixa de fósforos. Assim, aumentos no preço de um produto “barato”, tendem a não alterar a demanda daquele produto, como seria o caso se o preço da caixa de fósforos passasse de 20 centavos para 30 centavos (um aumento de 50%!). Nesta hipótese, a demanda desses produtos ditos “baratos” tende a ser inelástica a preço, ocorrendo o contrário no caso dos produtos mais caros, como carros, passagens aéreas, etc. iv) Nível de preço – este é um aspecto pouco abordado pelos livros- textos de Economia, mas a verdade – facilmente comprovável – é que se o preço do produto estiver na parte superior da curva de demanda, mais elástica tende a ser sua demanda, ocorrendo o contrário se o preço estiver na parte inferior da curva4. 7. Elasticidade da oferta O conceito da elasticidade também se aplica no caso da oferta, para medirmos a reação dos produtores às variações de preço. Em síntese, podemos assim definir a elasticidade-preço da oferta: 4 Isso é certamente verdade no caso de uma curva de demanda retilínea, negativamente inclinada, e é geralmente válido para a demanda expressa por uma curva propriamente dita. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 9 A “elasticidade-preço da oferta mede a variação percentual na quantidade ofertada de uma mercadoria em conseqüência de uma dada variação percentual em seu preço”. A exemplo da elasticidade da demanda, podemos obter diferentes valores para a elasticidade da oferta conforme utilizemos o preço e a quantidade originais ou novos. Também aqui, por convenção, é preferível utilizarmos P e Q médios, sendo a fórmula de cálculo dada por: Ep = Variação percentual na quantidade ofertada Variação percentual no preço ou, E Q P Q Q méd io P P méd i o p = =∆∆ ∆ ∆ % % ( ) ( ) Tomando por exemplo a curva de oferta da Figura 2, suponha que, ao preço inicial de R$ 10,00 por quilo, os produtores estarão dispostos a vender 200kg de arroz; se o preço se elevar para R$ 15,00, a oferta crescerá para 280kg. Vamos calcular a elasticidade desta curva de oferta no arco AB. Figura 2 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 10 E Q Q m d i o P P méd i o p = = = × = = ∆ ∆ % ( ) % ( ) , , , é 80 240 5 12 5 80 240 12 5 5 1000 1200 0 83 Dependendo do número que se obtém, após este cálculo, a elasticidade- preço da oferta também será classificada como: i) elástica , se o coeficiente encontrado for maior que 1,0; ii) unitária, se o coeficiente encontrado for igual a 1,0; iii) inelástica, se o coeficiente encontrado for menor que 1,0, valendo lembrar que, como os preços e quantidades ofertadas variam na mesma direção, o coeficiente da elasticidade-preço da oferta terá sempre um sinal positivo. 8. Elasticidade-preço-cruzada Diferentemente da elasticidade-preço anterior, esta elasticidade-preço- cruzada mede a sensibilidade da demanda do bem X a variações nos preços do bem Y. Matematicamente, é medida pela razão entre as variações percentuais da quantidade demandada de um bem X e as variações percentuais de preço do bem Y. Ou: E Q Pxy x y = ∆∆ % % Esta razão pode assumir valores negativos e positivos ou, ainda, ser igual a zero. – Se o resultado for < 0, isto é, negativo, os dois bens são complementares. – Se o resultado for > 0, isto é, positivo, os dois bens são substitutos ou sucedâneos. – Se o resultado for = 0, os dois bens não guardam qualquer relação de consumo entre si. Exemplo: Suponha que X seja manteiga e Y seja margarina (dois produtos tipicamente substitutos). Se o preço de Y subir (+), a quantidade demandada de manteiga deve aumentar ( + ). Logo, dividindo-se um valor positivo por outro positivo, o resultado será um valor positivo e, portanto os bens são substitutos. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 11 Analise a hipótese de X = pneu e Y = carro. O que deve ocorrer, caso o preço do carro aumente (ceteris paribrus)? 9. Elasticidade-renda A elasticidade-renda (Er) mede a razão entre a variação percentual da quantidade demandada de um bem X e a variação percentual da renda real do consumidor. Ou: E Qx Rr = ∆∆ % % Dependendo do valor do coeficiente da elasticidade-renda obtido, o bem será classificado em bem inferior, ou bem normal ou bem superior. Assim, por exemplo, suponha que a renda dos consumidores tenha se elevado, num certo período de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00, em conseqüência, a quantidade demandada dos bens A, B, C e D, se alteraram de Qd0 para Qd1, conforme a tabela a seguir: Bens Qd0 Qd1 A 20 18 B 25 30 C 30 78 D 10 15 E 40 40 Utilizando a fórmula acima, podemos calcular a elasticidade-renda para os cinco bens acima, assim: i) Er (bem A) = %30 %10− = - 0,33 ii) Er (bem B) = %30 %20 = 0,66 iii) Er (bem C) = %30 %30 = 1,0 iv) Er (bem D) = %30 %50 = 1,67 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 12 v) Er (bem E) = %30 %0 = 0 Observe-se que a quantidade demandada do bem A diminuiu quando a renda aumentou. Quando se verifica esta relação inversa entre variação na renda do consumidor e a conseqüente variação no consumo de um bem, este bem é denominado de bem inferior – como é o caso do bem A. Em conseqüência, o coeficiente da elasticidade-renda dos bens inferiores é negativo, refletindo o fato de que, no caso desses bens, o seu consumo cai quando a renda cresce. No caso do bem B, verificamos que o seu consumo cresceu quando a renda cresceu, embora tenha crescido proporcionalmente menos que o crescimento da renda – o que forneceu um coeficiente da elasticidade- renda positivo, porém menor que 1, ou seja, a demanda desse bem inelástica a renda. Estes bens são denominados bens normais – que são aqueles cuja demanda tende a acompanhar a direção da variação renda. Se a renda cai, o seu consumo também cai; se a renda cresce, o seu consumo também cresce, ainda que não na mesma intensidade. No caso do bem C, o aumento do consumo se deu na mesma intensidade do aumento na renda (ambos cresceram 30%), e por isso, o coeficiente da elasticidade-renda foi positivo, igual a 1, ou seja, a elasticidade-renda é unitária. Estes bens também são classificados como bens normais. No caso do bem D, o consumo cresceu proporcionalmente mais que o crescimento na renda, dando um coeficiente de elasticidade-renda positivo maior que 1 – ou seja, a elasticidade-renda neste caso é elástica. Estes bens são denominados bens superiores. Por fim, temos o caso do bem E, cujo consumo não se alterou em decorrência do aumento da renda, fornecendo um coeficiente de elasticidade-renda igual a 0. Esses bens anelásticos a renda são também considerados bens normais, geralmente se aplicando ao caso dos bens de consumo saciado (alimentos básicos, por exemplo). Em síntese, em relação à elasticidade-renda, temos as seguintes conclusões: – Se o resultado desta razão for positivo maior que 1,0, o produto é dito “bem superior”. – Se o resultado situar-se entre 0 e 1,0 o bem é normal. – Se o resultado for menor que 0, isto é, negativo, o produto é chamado de “bem inferior”. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 13 10. Escassez, Tabelamento e Incidência Tributária 10.1 Escassez e excedente – tabelamento Muitas vezes, o governo se vê obrigado a intervir no mercado através do controle de preços ou tabelamento, com o objetivo de proteger os consumidores. Isso ocorre sempre que um país atravessa um período de aceleração inflacionária, ou quando o governo percebe a ação ou comportamento de grupos de empresas – os oligopólios – que tentam tirar proveito de seu “poder de mercado” reajustando abusivamente seus preços. Ao perceber que os preços que vigorarão no mercado serão muito elevados, o governo resolve intervir, fixando um preço máximo para a venda do produto – e que será, necessariamente, menor do que o preço que vigoraria no mercado. No Brasil, essa prática foi muito comum nos anos 80 e 90 do século passado, como mostraram as experiências do Plano Cruzado, em 1986; do Plano Bresser, em 1987; do Plano Verão (Mailson), em 1989 e do Plano Collor II (ou Zélia), em 1991. Esses foram momentos bem marcantes de “congelamentos” de preços que, no fundo, se traduzem em verdadeiros tabelamentos. Afora esses momentos, existiam, ainda, os controles permanentes de preços pela SUNAB, CIP, “Câmaras Setoriais”, etc. Não importa a forma, nem o órgão, nem o porquê do controle ou do tabelamento de preços. O que importa, do ponto de vista da análise econômica, é conhecer as conseqüências desse tabelamento. Para tanto, vamos partir da Figura 3: Figura 3 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 14 O governo resolve tabelar o preço de x ao nível de P1. Pelo mercado, o preço de equilíbrio seria Pe. Ao nível de P1 a QD é maior que Qs surgindo um excedente da demanda sobre a oferta igual a QD - QS. Esse excedente forçaria o preço a subir até Pe – o que é impedido pelo congelamento. Com isso, surge uma demanda insatisfeita (igual a QD – Qs), existindo diversas soluções para o problema, a saber: (i) Aparecem as filas: Toda vez que, num mercado, houver excesso de demanda, surgirão filas, seja nas bilheterias dos teatros, seja à porta dos açougues, seja nos balcões das lojas, sendo que somente os que chegarem primeiro serão atendidos. (ii) Surgem as vendas preferenciais: Quando a demanda para um concerto musical é maior que o número de bilhetes, muitas vendas são feitas “por debaixo do pano”. Os promotores do espetáculo reservam uma parte dos ingressos para convidados ilustres, para políticos ou para fregueses mais regulares. (iii) Surge o mercado negro: Sabendo que vai faltar ingresso, para burlar o tabelamento, reduzem a quantidade contida no próprio produto, vendendo-o, porém, ao preço tabelado. Assim, por exemplo, o rolo de papel higiênico, antes com 45 metros, passa a 40 metros, o quilo de carne passa a ter 900 gramas, o sabonete já não faz tanta espuma como anteriormente, etc. Como se vê, o controle ou congelamento de preços, ainda que seja um instrumento útil para estancar temporariamente um processo infla- cionário, provoca sempre outras distorções no mercado. 10.2 Incidência tributária Qual será o efeito da imposição, pelo governo, de um imposto sobre a venda de uma mercadoria? Quem pagará este imposto? O leitor menos atento responderá que o imposto será pago pelo consumidor. No entanto, isso pode ou não ser verdade. Tudo dependerá das elasticidades da demanda e da oferta. Mas, antes de mais nada, é preciso distinguir dois tipos de impostos: (i) o imposto específico – que é um valor fixo que incide sobre o preço de venda, digamos, R$ 10,00; e (ii) o imposto ad valorem – que é um percentual que recai sobre o valor da venda, digamos, 15%.. Analisemos os dois casos: a) Imposto específico CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 15 O primeiro efeito do lançamento de um imposto específico é o deslocamento da curva da oferta, igual, verticalmente, ao montante do imposto. Isso se explica pelo fato de que a curva de oferta representa as quantidades que serão oferecidas pelo produtor em relação aos preços praticados no mercado. Para qualquer preço P de mercado, o produtor subtrai o imposto T, ficando com a diferença. Ou seja, o produtor receberá o valor P 2 que será dado por: P 2 = P 1 - T O que ocorrerá com o preço e a quantidade de equilíbrio? A resposta está ilustrada na Figura 4. A decretação de um imposto específico desloca, como já foi dito, a curva de oferta para a esquerda. O novo ponto de equilíbrio se dá onde a nova curva de oferta (S1) corta a curva de demanda. Antes, P 0 e Q 0 eram, respectivamente, o preço e a quantidade de equilíbrio. Agora, o equilíbrio se dá em P 1 e Q 1 . Do preço P 1 o vendedor receberá apenas P 2 (= P 1 - T). Como P 2 é menor que P 0 , a oferta do produtor cai para Q 1 . Figura 4 Neste exemplo, sobre quem recai efetivamente o imposto? Pode-se dividir o montante do imposto (= P 1 - P 2 ) em duas parcelas, a saber: (i) �P 1 = P 1 – P 0 que corresponde ao aumento do preço de equilíbrio – e, por conseqüência, representa a parcela do imposto a ser paga pelo consumidor. (ii) �P 2 = P 0 – P 2 que corresponde à redução no preço recebido pelo produtor – e que, por conseqüência, representa a parcela a ser paga pelo produtor. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 16 Qual das duas parcelas é a maior? Isto irá depender da elasticidade da demanda e da oferta. Observemos a Figura 5, onde são apresentadas duas curvas de demanda. Dx e Dy, sendo Dx mais elástica (mais “deitada”) que Dy. Ambas as curvas cruzam, inicialmente, a curva de oferta S 0 no mesmo ponto, definindo o preço e quantidade de equilíbrio inicial em P 0 e Q 0 . Com a decretação de um imposto específico, T, a curva de oferta se desloca para S 1 . O novo preço de equilíbrio se dará no ponto onde as duas curvas de demanda cruzam com nova curva de oferta (S 1 ). No caso do produto de demanda Dy, o novo preço será P2 e a quantidade transacionada será Q 2 . Já para o produto de demanda Dx (mais elástica), o preço será P 1 (menor que P 2 ) e a quantidade transacional será Q 1 . Figura 5 Lembre-se que o aumento do preço pós-imposto representa a parcela do imposto repassada ao consumidor. No caso presente, o repasse maior ocorreu no produto Dy (menos elástico). Isto se explica pelo fato de que um produto de demanda inelástica implica que os consumidores não reagem muito às variações de preços. Se isto é fato, o produtor repassará o máximo do imposto ao preço, sabendo que os consumidores não reduzirão muito suas compras do produto. b) Imposto ad valorem CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 17 Trata-se de um imposto que incide sobre o valor da venda, representando, no caso, um percentual da receita do vendedor (ou produtor). Assim, por exemplo, se o imposto (t%) for 20%, o produtor receberá efetivamente apenas 80% do preço de mercado, isto é, receberá P*, que será dado por: P* = (1 – t%)P Qual será o efeito da decretação de um imposto ad valorem? Graficamente, a curva de oferta se tornará mais vertical, sendo o coeficiente angular da nova curva de oferta (S 1 ) dado pela taxa do imposto, como mostra a Figura 6. Figura 6 Figura 7 Pela Figura 7, com o deslocamento da curva de oferta, tanto o preço como a quantidade de equilíbrio se alteram de P 0 e Q 0 para P 1 e Q 1 , respectivamente. Tal como no caso do imposto específico, aqui, também, o montante do imposto será dividido em duas parcelas: ∆P P P1 1 0= − , que será paga pelo consumidor e ∆P P P2 0 2= − , que será paga pelo produtor. 10.3 Política de preços mínimos Com o objetivo de proteger os agricultores das flutuações climáticas que, necessariamente, afetam sua colheita e, daí, alteram os preços de mercado, o governo adota a chamada “política de preços mínimos” ou “garantia de preços mínimos”. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 18 Tal política se justifica pelo fato de que se houver uma boa safra, digamos, de milho, sua oferta será grande e, em conseqüência, seus preços serão baixos, podendo, inclusive, ficar abaixo dos custos de produção. Sendo a demanda por produtos agrícolas geralmente inelástica, com uma baixa de preços, a receita dos produtores se reduzirá. Com isso, os produtores não terão qualquer estímulo para plantar milho no próximo ano, quando, então, haverá escassez do produto e conseqüente aumento de preços. Para evitar essas flutuações e os prejuízos para os produtores e para os consumidores, o governo interfere no mercado fixando “preços mínimos” que garantam uma remuneração compensatória aos produtores. Este “preço mínimo de garantia” só será usado pelo produtor se, por excesso de oferta, “o preço de mercado” se situar abaixo do preço de garantia. Para entender as conseqüências da adoção de uma política de preços de garantia, consideremos a Figura 8 que, hipoteticamente, reflete o mercado de milho, onde S é a oferta, D é a curva de demanda, Pe é o preço de equilíbrio determinado pelas forças de mercado (oferta e demanda) e Pm é o preço mínimo fixado pelo governo. Figura 8 Como o Pm é maior que o preço de mercado (Pe), a receita garantida aos produtores será OPm x OQs (ou igual à área OPmCQsO). Se não houvesse o preço de garantia, a receita dos produtores seria dada pelo preço de mercado multiplicado pela quantidade vendida, ou, OPe x OQs, que, obviamente, seria menor que a anterior, já que Pe < Pm. Para garantir aos produtores a receita definida pelo preço mínimo, o governo dispõe de duas alternativas: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 19 i) fixa o preço em Pm e compra o excedente de milho, ou seja, BQs ao preço de Pm ; ou ii) deixa que o milho seja vendido ao preço de mercado, Pe, e concede a cada agricultor um subsídio, em dinheiro, igual a Pm - Pe para cada saca vendida. A questão, então, é: qual dos dois programas é mais caro para o governo? Antes de responder, vale lembrar que, em qualquer alternativa, a receita dos produtores será dada pelo retângulo OPmACO. Se o governo optar pelo primeiro programa, isto é, comprar o excedente, a despesa dos consumidores (DC) será dada por OPm x OB (= OPmABO) e, conseqüentemente, a despesa do governo (DG) será OPm x BQs (= BACQsB). Observando que quanto maior a parcela paga pelos consumidores, menor será a despesa do governo, e considerando que a demanda por milho tem alta probabilidade de ser inelástica, a despesa dos consumidores será maior no primeiro programa, compra do excedente pelo governo. Isto porque, quando a demanda é inelástica, um aumento do preço do produto de Pe para Pm eleva a receita do vendedor (isto é, aumenta a despesa dos consumidores). Se esta é aumentada, significa que a do governo diminui. (Observe-se que não se consideram, aqui, os custos de armazenamento, nem as eventuais receitas que o governo terá, mais tarde, com a venda de seu estoque). 11. Algumas conclusões-resumo desta nossa primeira aula Aprendemos, hoje, então, o que é a elasticidade nos seus diversos conceitos – elasticidade-preço da demanda e da oferta, a elasticidade- renda e a elasticidade-preço-cruzada. Aprendemos, também, como calculá-la e como interpretar os resultados encontrados. Fomos mais além, analisando casos específicos de sua aplicação, como no caso de políticas governamentais de tabelamento de preços, no caso da incidência e do ônus do imposto sobre os consumidores (e, eventualmente, sobre os produtores) e no caso das políticas de garantidas de abastecimento postas em prática pelo Governo. Nas nossas próximas aulas, veremos outras aplicações deste importante conceito econômico, principalmente quando abordarmos a questão dos CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 20 investimentos, da poupança, do mercado monetário e do comércio exterior e do balanço de pagamentos. Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso próximo encontro! ______________ Exercícios de fixação: I) Exercícios resolvidos: 1. A elasticidade-preço da demanda do produto A é –0,1. Se o preço desse produto aumentar em 2%, quanto deverá diminuir a quantidade demandada? Solução: Utilizando a fórmula de cálculo da elasticidade-preço e fazendo as devidas substituições pelos números dados pelo problema, tem-se: Ep = 1,0 %2 % % % −=− ∆=∆ ∆ Qd P Qd Efetuando a conta acima, tem-se que a variação percentual da quantidade demandada (∆%Qd) é igual a –2%. Ou seja, a quantidade demandada deverá cair 2%. 2. A elasticidade-preço da demanda de um bem é –1,8 e a quantidade demandada ao preço de mercado é de 5.000 unidades. Caso o preço do bem sofra uma redução de 5%, qual deverá ser a nova quantidade demandada? Solução: Novamente, vamos utilizar a fórmula da elasticidade-preço, com as devidas substituições: Ep = 8,1 %5 % % % −=− ∆=∆ ∆ Qd P Qd Ou seja, ∆%Qd = -5% x -1,8 = 9%; assim, a quantidade demandada teria aumentado em 9%, ou em 450 unidades (9% de 5.000 unidades). Deste modo, a nova quantidade passará a ser: 5.450. 3. Sabe-se que a demanda de um bem X qualquer é elástica a preço. Assim, se o preço desse bem aumentar, tudo o mais permanecendo constante, o gasto total do consumidor deste bem deve aumentar, cair ou permanecer constante? Solução: Para que a demanda de um bem seja elástica a preço, é necessário que a ∆%Qd > ∆%P. Esta é a condição para que o resultado seja maior que 1 (em valor absoluto). Ora, se um aumento, digamos, de 10% no preço do produto provocar, digamos, uma queda na quantidade demandada de 20% (logo ∆%Qd > ∆%P), a despesa ou gasto total do consumidor deve cair. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 21 4. Suponha-se a seguinte função demanda linear: Qdx = 600 – 5Px Esta equação fornece uma curva de demanda representada por um linha reta tal como representado no seguinte gráfico abaixo. Pede-se: calcule a elasticidade-preço nas seguintes hipóteses: i) P = 90; ii) P = 60; e, P = 30. 120 90 60 30 0 150 300 450 600 Solução: O ponto médio corresponde ao preço de 60 (igual à média entre zero e 120) e à quantidade de 300 (média entre zero e 600). i) Vamos calcular a Ep correspondente ao preço de 60, utilizando como referência para o cálculo o preço de 120 (que reduz a quantidade demandada para zero). Temos: Px Qd 60 300 120 0 Ep = 1 %100 %100 % % ==∆ ∆ P Qd ii) Agora, vamos calcular a Ep para o preço de 30. A este preço, a quantidade demandada é 450 (Qd= 600 - 5 . 30 = 450). Assim, vamos calcular a Ep caso o preço suba de 30 para 60: Px Qd 30 450 60 300 Ep= 33,0 13500 4500 30 150. 450 30. ===∆ ∆ P Q Q P iii) Considerando, agora, uma queda do preço de 90 (onde a quantidade demandada é 150) para 60, temos: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 22 Px Qd 90 150 60 300 Ep = 3 30 150. 150 90 = Dos cálculos acima, pode-se concluir que uma curva de demanda representada por uma linha reta tem elasticidade unitária no seu ponto médio, sendo elástica aos preços acima do ponto médio e inelástica aos preços abaixo do ponto médio. 55.. NNuummaa iinnddúússttrriiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé ddeeffiinniiddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 11000000,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttooss,, eennqquuaannttoo aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé ddeeffiinniiddaa ppoorr QQdd == 44550000 –– 440000PP.. SSuuppoonnhhaa,, eennttããoo,, qquuee oo GGoovveerrnnoo llaannccee uumm iimmppoossttoo eessppeeccííffiiccoo TT == 11,,0000 ssoobbrree eessttee pprroodduuttoo.. CCaallccuullee aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo ((QQee)) ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ((PPee)) aanntteess ee ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo.. SSoolluuççããoo:: EEmm eeqquuiillííbbrriioo,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ((QQss)) éé iigguuaall àà qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ((QQdd)),, oouu QQss == QQdd SSuubbssttiittuuiinnddoo nneessttaa iigguuaallddaaddee,, ooss vvaalloorreess ddee QQss ee ddee QQdd,, tteemmooss:: 660000PP –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP oouu,, 11000000PP == 55550000 ee,, PP == 55,,5500 PPaarraa aacchhaarrmmooss aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo,, ssuubbssttiittuuíímmooss oo vvaalloorr eennccoonnttrraaddoo ppaarraa PP nnaass dduuaass eeqquuaaççõõeess ddaaddaass ppeelloo pprroobblleemmaa,, aassssiimm:: QQss == 660000 xx 55,,5500 –– 11000000 == 22..330000 QQdd == 44550000 –– 440000 xx 55,,5500 == 22..330000 LLooggoo,, aanntteess ddoo iimmppoossttoo aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo éé 22..330000 ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo éé 55,,5500.. VVaammooss aaggoorraa ccaallccuullaarr aa qquuaannttiiddaaddee ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo ((TT == 11)):: AAnntteess ddee ffaazzeerrmmooss aass ddeevviiddaass ssuubbssttiittuuiiççõõeess,, éé bboomm lleemmbbrraarr qquuee,, aaggoorraa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaa oo pprreeççoo ddee vveennddaa ddoo pprroodduuttoo,, ppaarraa oo pprroodduuttoorr oo pprreeççoo sseerráá uumm rreeaall aa mmeennooss,, jjáá qquuee eellee tteemm ddee rreeccoollhheerr ppaarraa oo ggoovveerrnnoo eessttee iimmppoossttoo.. AAssssiimm,, ssee eellee vveennddeerr oo pprroodduuttoo ppoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé 44,,0000;; ssee eellee vveennddeerr ppoorr 77,,0000,, ppaarraa eellee éé 66,,0000.. QQuuaannttoo aaoo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa éé sseemmpprree oo pprreeççoo qquuee eessttiivveerr nnoo mmeerrccaaddoo.. SSee oo pprreeççoo ffoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé mmeessmmoo 55,,0000;; ssee oo pprreeççoo ffoorr 77,,0000,, eellee ppaaggaarráá eessttee pprreeççoo,, iinnddeeppeennddeenntteemmeennttee ddee tteerr oouu nnããoo uumm iimmppoossttoo eemmbbuuttiiddoo nnoo pprreeççoo.. AAssssiimm,, oo iimmppoossttoo ssóó vvaaii aaffeettaarr aa eeqquuaaççããoo ddaa ooffeerrttaa.. PPaarraa ssaabbeerrmmooss qquuaall aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa,, aappóóss oo iimmppoossttoo,, tteemmooss ddee rreettiirraarr ddoo pprreeççoo ((PP)) oo iimmppoossttoo,, ffiiccaannddoo aassssiimm aa eeqquuaaççããoo ddaa ooffeerrttaa:: QQss == 660000((PP--11)) –– 11000000 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 23 AA eeqquuaaççããoo ddaa ddeemmaannddaa,, ccoommoo ffooii ddiittoo,, nnããoo éé aaffeettaaddaa,, jjáá qquuee,, ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo PP éé ddee ffaattoo oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa.. AAssssiimm,, iigguuaallaannddoo aass dduuaass eeqquuaaççõõeess,, tteerreemmooss:: 660000((PP--11)) –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP oouu,, 660000PP –– 660000 -- 11000000 == 44550000 –– 440000PP 11000000PP == 66110000 ee,, PP == 66,,1100 OOuu sseejjaa,, oo iimmppoossttoo ddee 11,,0000 eelleevvoouu oo pprreeççoo ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100.. AA eessttee nnoovvoo pprreeççoo aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa sseerráá:: QQss == 660000 xx ((66,,1100 –– 11)) –– 11000000 == 22..006600 ee aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa sseerráá:: QQdd == 44550000 –– 440000 xx 66,,1100 == 22..006600.. AAssssiimm,, oo eeffeeiittoo ddoo iimmppoossttoo ffooii eelleevvaarr oo pprreeççoo ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr ((ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100)) –– oo qquuee ffeezz aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ccaaiirr –– ee rreedduuzziirr oo pprreeççoo rreecceebbiiddoo ppeelloo pprroodduuttoorr ((66,,1100 –– 11,,0000 == 55,,1100)) –– oo qquuee ffeezz,, ttaammbbéémm,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ccaaiirr.. IIII –– EExxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss ((vveejjaa ggaabbaarriittoo aaoo ffiinnaall)) MMúúllttppllaa eessccoollhhaa:: AAssssiinnaallee aa aalltteerrnnaattiivvaa qquuee rreessppoonnddee aa pprrooppoossiiççããoo:: 11.. SSee aa rreecceeiittaa ttoottaall ssee eelleevvaa qquuaannddoo oo pprreeççoo ssee rreedduuzz,, ppooddee--ssee ddiizzeerr,, eennttããoo,, qquuee aa ddeemmaannddaa éé:: aa)) iinneelláássttiiccaa;; bb)) tteemm eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa;; cc)) vveerrttiiccaall;; dd)) eelláássttiiccaa;; ee)) hhoorriizzoonnttaall.. 22.. AA ddeemmaannddaa ppoorr uumm pprroodduuttoo éé mmaaiiss eelláássttiiccaa:: aa)) qquuaannttoo mmaaiioorr ffoorr oo nnºº ddee bbeennss ssuubbssttiittuuttooss ddiissppoonníívveeiiss;; bb)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr aa pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ddoo ccoonnssuummiiddoorr ddeessppeennddiiddaa nnoo pprroodduuttoo;; cc)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr oo ppeerrííooddoo ddee tteemmppoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; dd)) qquuaannttoo mmaaiiss eesssseenncciiaall ffoorr oo pprroodduuttoo;; ee)) ddeeppeennddee ddee pprreeffeerrêênncciiaa ddoo mmeerrccaaddoo.. 33.. AA eellaassttiicciiddaaddee--ccrruuzzaaddaa ddaa pprrooccuurraa ddee uumm bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 11,,55.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee oo bbeemm XX éé:: aa)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; bb)) ccoommpplleemmeennttaarr aaoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; cc)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; dd)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; ee)) ooss ddooiiss bbeennss nnããoo eessttããoo rreellaacciioonnaaddooss nnoo ccoonnssuummoo.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 24 44.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddee ccaarrnnee ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa ddoo iinnddiivvíídduuoo ((mmaannttiiddooss ccoonnssttaanntteess ooss pprreeççooss)).. LLooggoo,, aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddaa ccaarrnnee éé,, ppaarraa eellee:: aa)) zzeerroo;; bb)) nneeggaattiivvaa;; cc)) mmeennoorr qquuee 11;; dd)) mmaaiioorr qquuee 11.. 55.. AA eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX éé 00,,55.. DDaaíí,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: aa)) uumm aauummeennttoo nnoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee pprroovvooccaarr uumm aauummeennttoo nnaa ssuuaa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee aauummeennttaarr aa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX pprroovvooccaa uumm aauummeennttoo ddaa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmeennoorr qquuee aa rreedduuççããoo nnoo pprreeççoo;; dd)) éé iimmppoossssíívveell aaffiirrmmaarr qquuaallqquueerr ccooiissaa sseemm ccoonnhheecceerr oo mmeerrccaaddoo ddoo bbeemm.. 66.. NNuumm mmeerrccaaddoo eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttoo,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo pprroodduuttoo éé ddaaddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 990000 ee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé ddaaddaa ppoorr QQdd == 33550000 -- 220000PP.. OO ggoovveerrnnoo,, eennttããoo,, ddeecciiddee ddeeccrreettaarr uumm iimmppoossttoo eessppeeccííffiiccoo TT == 22.. NNeessttee ccaassoo,, ooss pprreeççooss ddee eeqquuiillííbbrriioo,, aanntteess ee aappóóss oo iimmppoossttoo,, ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: aa)) 55,,5500 ee 66,,2200;; bb)) 66,,7755 ee 55,,5500;; cc)) 55,,5500 ee 77,,0000;; dd)) 55,,5500 ee 66,,7755;; ee)) 77,,0000 ee 55,,5500.. 7. O governo lança um imposto específico (T) sobre determinado produto fabricado em regime de concorrência perfeita. Pode-se garantir que, a curto prazo, o ônus do imposto: aa)) iinncciiddiirráá ttoottaallmmeennttee ssoobbrree oo ccoonnssuummiiddoorr;; bb)) rreeccaaiirráá iinntteeiirraammeennttee ssoobbrree oo pprroodduuttoorr;; cc)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess,, ccoonnffoorrmmee oo ppooddeerr ppoollííttiiccoo ddee ccaaddaa ggrruuppoo;; dd)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree ddooiiss ggrruuppooss ((pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess)),, ddee aaccoorrddoo ccoomm aass eellaassttiicciiddaaddeess--pprreeççoo ddaa ooffeerrttaa ee ddaa ddeemmaannddaa;; ee)) nnaaddaa ppooddee sseerr aaffiirrmmaaddoo aa pprriioorrii,, sseemm ssee ccoonnhheecceerr oo pprroodduuttoo.. 88.. AA ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss ccoonnssuummiiddoorreess,, ppoorr uumm iimmppoossttoo uunniittáárriioo,, aarrrreeccaaddaaddoo ddooss pprroodduuttoorreess sseerráá:: aa)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss eelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; bb)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; cc)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; dd)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmeennoorr oo ccoonnttrroollee ddoo GGoovveerrnnoo ssoobbrree oo mmeerrccaaddoo;; ee)) sseemmpprree mmaaiioorr qquuee aa ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss pprroodduuttoorreess.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 25 99.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddoo bbeemm XX ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa rreeaall ddooss iinnddiivvíídduuooss.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa aaffiirrmmaattiivvaa,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: aa)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddeessttee bbeemm éé mmeennoorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm iinnffeerriioorr;; bb)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé iigguuaall aa 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; cc)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé nneeggaattiivvaa ee oo bbeemm éé iinnffeerriioorr;; ee)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm ssuuppeerriioorr.. 1100.. AA eellaassttiicciiddaaddee ccrruuzzaaddaa ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 00,,55.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee oo bbeemm XX éé:: aa)) ssuubbssttiittuuttoo bbrruuttoo ddoo iitteemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; bb)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; cc)) ssuubbssttiittuuttoo bbrruuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; dd)) ccoommpplleemmeennttaarr bbrruuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; ee)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo bbeemm YY,, ccoomm eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY.. 1111.. SSee aa eellaassttiicciiddaaddee--aarrccoo ddaa pprrooccuurraa ppoorr ccaarrnnee ffoorr iigguuaall aa ––22 ee ssee oo pprreeççoo ddoo qquuiilloo ppaassssaarr ddee RR$$ 99,,0000 ppaarraa RR$$ 1111,,0000,, aa qquueeddaa ppeerrcceennttuuaall nnaa qquuaannttiiddaaddee pprrooccuurraaddaa sseerráá ddee:: aa)) 2200%%;; bb)) 5500%%;; cc)) 3300%%;; dd)) 2255%%;; ee)) 4400%%.. 1122.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddoo ccoonnccuurrssoo ppaarraa AAuuddiittoorr ddoo TTeessoouurroo MMuunniicciippaall ––RReecciiffee--22000033)) CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa rreepprreesseennttaaddaa ppoorr uummaa lliinnhhaa rreettaa,, éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr:: aa)) nnoo ppoonnttoo mmééddiioo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo;; bb)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11 ee ccoonnssttaannttee eemm ttooddooss ooss ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; cc)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé mmaaiioorr qquuee 11 ppaarraa ttooddooss ooss ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa vvaarriiaa aaoo lloonnggoo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; ee)) qquuaannddoo PP == 00,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11.. 1133.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddee AAnnaalliissttaa ddee PPllaanneejjaammeennttoo ee OOrrççaammeennttoo –– MMPPOOGG –– 22000033)) CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppoorr uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo bbeemm,, ppooddee--ssee aaffiirrmmaarr qquuee:: aa)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé ccoonnssttaannttee aaoo lloonnggoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaamm ooss pprreeççooss ee qquuaannttiiddaaddeess;; bb)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé 11 qquuaannddoo QQ == zzeerroo;; cc)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo qquuaannddoo pp == zzeerroo;; dd)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee nnuunnccaa ppooddee tteerr oo sseeuu vvaalloorr aabbssoolluuttoo iinnffeerriioorr àà uunniiddaaddee;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 26 ee)) nnããoo éé ppoossssíívveell ccaallccuullaarr oo vvaalloorr ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa aaoo lloonnggoo ddee uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa lliinneeaarr.. 1144.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa TTCCUU ––AAnnaalliissttaa ddee FFiinnaannççaass ee CCoonnttrroollee EExxtteerrnnoo –– 22000000)) SSoobbrree aa iinncciiddêênncciiaa ddee uumm iimmppoossttoo ssoobbrree aa vveennddaa ddee uummaa mmeerrccaaddoorriiaa eessppeeccííffiiccaa éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr qquuee:: aa)) eemm uumm mmeerrccaaddoo ccoonnccoorrrreenncciiaall aauummeennttaarráá ooss pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee aa ooffeerrttaa eelláássttiiccaa;; bb)) hhaavveerráá aauummeennttoo ddee pprreeççoo ddee pprreeççoo ssee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ffoorr ttoottaallmmeennttee eelláássttiiccaa ee oo mmeerrccaaddoo ffoorr ccoonnccoorrrreenncciiaall;; cc)) iimmpplliiccaarráá uumm aauummeennttoo ddee pprreeççooss aappeennaass eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss;; dd)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo nnooss pprreeççooss eemm mmeerrccaaddooss ccoonnccoorrrreenncciiaaiiss,, ppooddeennddoo pprroovvooccaa-- lloo eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss,, ddeeppeennddeennddoo ddaass eellaassttiicciiddaaddeess ddaa ooffeerrttaa ee ddaa ddeemmaannddaa;; ee)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo ddee pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee oo mmeerrccaaddoo ccoonnccoorrrreenncciiaall.. ________________________________________ GGaabbaarriittoo ddooss eexxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss:: 11.. dd 22.. aa 33.. bb 44.. dd 55.. cc 66.. cc 77.. dd 88.. bb 99.. ee 1100.. bb 1111.. ee 1122.. dd 1133.. cc 1144.. dd __________________________________________ CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br AULA 4: INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Nas nossas três primeiras aulas, nós fizemos uma introdução-revisão de alguns conceitos da Microeconomia que certamente vão nos ajudar muito no entendimento da Macroeconomia – que é, a partir desta Aula 4, o objeto central de nosso curso. Nós, agora, vamos dar um salto, e passar a estudar a economia do país como um todo, analisando as variáveis que determinam o volume da produção total de bens e serviços, o nível do emprego e o nível geral de preços do sistema econômico. Nesta nossa Aula de n° 4, nós vamos abordar os grandes agregados da economia, como são chamados o produto interno bruto, o investimento bruto, a renda nacional, e outros conceitos relevantes. Bem-vindo, então, ao maravilhoso mundo da Macroeconomia! 4.1. O sistema econômico: agentes e fluxos A teoria macroeconomia é a parte da teoria econômica que estuda o funcionamento da economia como um todo. Cabe à macroeconomia identificar e medir as variáveis que determinam o volume da produção total de bens e serviços, o nível do emprego e o nível geral de preços do sistema econômico, bem como os agentes econômicos que atuam nesse sistema, realizando transações de todos os tipos e naturezas. Como foi dito em nossa Aula 1, uma descrição do sistema econômico como um todo deve considerar, de um lado, os tipos de agentes econômicos que nele atuam e, de outro, os fluxos por ele gerados. Se considerarmos, por simplificação, uma economia fechada, isto é, sem relações econômicas com outros países (sem exportações e importações, por exemplo), podemos identificar os seguintes agentes que atuam no sistema econômico: 2 . As unidades familiares . As empresas . O governo No sistema econômico, às unidades familiares cabe o papel de fornecer os recursos produtivos às empresas (recursos naturais, mão-de-obra, capital, capacidade empresarial, etc.), recebendo, em troca, uma remuneração ou renda – (que pode ser: salários, aluguéis, juros e lucros) - que, num momento seguinte, será voltada para adquirir das empresas bens e serviços de que necessitam. As empresas, por seu turno, demandam das unidades familiares os recursos produtivos de que precisam, remunerando- as com uma renda (salários, aluguéis, juros e lucros), enquanto ofertam para as mesmas os bens e serviços que produzem. Ao governo cabe o papel principal de regulador da atividade econômica e de provedor dos chamados “bens públicos”- dos quais são exemplos, como já vimos, a segurança nacional, o serviço de polícia, a administração da justiça - além de garantir o fornecimento dos denominados “bens meritórios”, como educação e saúde. Para o desempenho dessas atividades, o governo arrecada impostos dos agentes econômicos como, por exemplo, o imposto de renda (IR) e o imposto sobre produtos industrializados (IPI). Na contabilidade nacional, o governo é constituído pelos órgãos da chamada Administração Direta – basicamente, os Ministérios e as Secretarias - considerados os três níveis de governo: federal, estadual e municipal. Como o governo, em regra, não tem o objetivo de auferir lucro, as empresas públicas e sociedades de economia mista, das quais o governo seja acionista, são incluídas no item empresas (no setor privado). Num modelo mais completo, teríamos de incluir um quarto agente econômico, denominado comumente de resto do mundo e que responde pelas importações e exportações de bens e serviços do país. 4.2. Conceitos Básicos: a Mensuração do Produto e da Renda e da Despesa 3 A contabilidade nacional proporciona medidas agregadas do valor de mercado dos bens e serviços finais produzidos na Economia durante um certo período, geralmente um ano. Dependendo dos itens computados nesta medição, obtêm-se diferentes medidas deste produto. Assim, por exemplo, temos o conceito Produto Interno Bruto que pode ser definido assim: Produto interno bruto (PIB) corresponde à soma dos valores de todos os bens e serviços finais produzidos em uma economia, durante um certo período.3 Há três aspectos que devemos observar nessa definição: primeiro, que estamos falando de bens e serviços finais – o que quer dizer que, para evitar a dupla contagem, não podemos somar o valor da produção do aço e/ou o valor da produção da borracha, etc. – que são matérias-primas – com o valor do carro, pois no valor deste – que é um bem final – já estão incluídos os valores das matérias-primas utilizadas em sua produção. Um outro aspecto a observar é que, na contabilidade nacional, a produção é entendida como qualquer atividade que aumente a quantidade e/ou valor do bem ou serviço. Assim, considera-se produção não somente a transformação de uma matéria-prima num produto novo, mas também as atividades de transporte, de intermediação financeira, de comercialização, e de prestação de serviços em geral. Um terceiro ponto a ser observado é que não entram no cálculo do valor do Produto as transações que envolvam troca de ativos que não foram produzidos no ano ou período considerado, como, por exemplo, a compra e venda de imóveis e de carros usados. E de onde vem o valor do produto de um país? O valor do PIB é o resultado do produto dos três setores produtivos, a saber: I - Setor Primário – constituído pela produção agropecuária, tendo como principais componentes a produção agrícola propriamente dita (arroz, milho, soja, etc.), a produção da 4 pecuária (abate de gado, suínos, etc.) e a produção extrativa vegetal (borracha, carvão vegetal, etc.); II - Setor Secundário – constituído pela produção do setor industrial e tendo como principais subsetores: indústria extrativa mineral (petróleo, ouro, minério de ferro, etc.), indústria da construção civil (prédios, estradas, barragens, etc.), indústria de transformação (mecânica, eletrônica, têxtil, etc.) e serviços industriais de utilidade pública (energia elétrica, saneamento, etc.); III - Setor Terciário – constituído pelo setor de serviços, tendo como principais subsetores: transportes e comunicações, intermediação financeira, setor governo (exceto empresas estatais), comércio, saúde e educação (privadas), turismo e lazer, etc. 4.3. Os diversos conceitos de produto – uma análise mais detalhada O produto interno bruto (PIB) de um país é dado pelo valor de todos os bens e serviços que foram produzidos durante um certo período de tempo, geralmente um ano. Seu valor é medido pelo lado dos custos de produção, traduzidos estes nas despesas realizadas pelas empresas com a remuneração dos fatores utilizados na produção (salários, aluguéis, juros e lucros). A contrapartida do valor do produto global ou do valor agregado dessas despesas é dada pela renda interna que corresponde à soma daquelas rendas recebidas pelos proprietários dos fatores de produção. Se o produto for avaliado aos preços de mercado, deve- se acrescentar a essas rendas a receita auferida pelo governo, ou seja, os impostos indiretos, deduzidos os subsídios. Constata-se, então, que o valor do produto e da renda são duas medidas distintas do mesmo fluxo de bens e serviços gerados na atividade econômica. Muitas vezes o estudante se vê confuso diante de conceitos como “produto interno”, “produto líquido”, “renda nacional”, “renda pessoal”, e tantos outros. Mas, afinal, todos esses termos se referem à mesma coisa ou são conceitos e medidas diferentes? 5 Na realidade, todos estes conceitos referem-se a coisas semelhantes, mas não iguais. O que distingue um conceito do outro são alguns itens que entram no cálculo de um mas não entram no outro. Por exemplo, a diferença entre qualquer produto “líquido” e seu correspondente “bruto” consiste na “depreciação” que entra no cálculo somente deste último. O Quadro I, a seguir, mostra de que forma são calculados os diversos conceitos de produto e de renda, possibilitando uma comparação entre ambos. QUADRO I Ótica do produto Ótica da renda (+)Salários pagos: 1.300 (+)Salários pagos: 1.300 (+)Aluguéis: 900 (+)Aluguéis: 900 (+)Juros: 700 (+)Juros: 700 (+)Lucros 1.100 (+)Lucros: 1.100 = Produto Interno Líquido a custo de fatores(cf): 4.000 = Renda Interna Líquida: 4.000 (+) Depreciação: 300 (+) Depreciação: 300 =Prod. Interno Bruto(cf):4.300 =Renda Interna Bruta: 4.300 (-) Renda líquida enviada (-) Renda líquida enviada ao exterior: -200 ao exterior: -200 =Prod. Nacional Bruto (cf):4.100 =Renda Nacional Bruta: 4.100 (+) Impostos indiretos(*): 600 (-) Depreciação: -300 (-) Subsídios: -100 =Renda Nacional líquida: 3.800 =Prod.Nacional Bruto(pm):4.600 (-) Lucros retidos: -500 (-) Contr.Previdendenciárias:-700 (+) Transferências Govern.: 600 (+) Transf. Empresariais: 100 = Renda Pessoal: 3.300 (-) Impostos diretos(**): 400 = Renda Pessoa Disponível: 2.900 (*) IPI/ICMS/ISS (**) IR/IPVA/IPTU Pelo Quadro I, acima, pode-se concluir que: 6 a) A diferença entre o produto a custo de fatores e o produto a preços de mercado reside na inclusão, neste último, dos impostos indiretos e na retirada dos subsídios. b) A diferença entre o produto interno e o produto nacional e entre a renda interna e a renda nacional reside na renda líquida enviada ao exterior. c) A diferença entre o produto líquido e o produto bruto reside na depreciação; De uma forma geral, nos Estados Unidos e outros países desenvolvidos, utiliza-se mais comumente, para efeito de análise da atividade econômica, o conceito de Produto Nacional Bruto (PNB). Isso se explica porque o PNB desses países costuma ser maior que o seu PIB – porque eles recebem mais renda do exterior do que enviam para o exterior. Já nos países subdesenvolvidos, o Brasil entre eles, usa-se geralmente o conceito de Produto Interno Bruto (PIB) - que, no caso desses países, costuma ser maior que o PNB, uma vez que a renda que esses países recebem do exterior tende a ser menor que a renda por eles enviada ao exterior. A Ótica das Despesas Como foi dito anteriormente, o valor do produto é igual ao valor da renda gerada e, por sua vez, é igual à despesa agregada, isto é, ao valor do fluxo de bens e serviços transacionados na economia. As despesas agregadas se compõem das seguintes categorias de gastos: a) Despesas pessoais de consumo (C) – incluindo aí os gastos das famílias com bens de consumo (alimentos, automóveis, etc.) e serviços (saúde, lazer, etc.). b) Investimento privado bruto (I) – incluindo edificações, fábricas, equipamentos, máquinas e variações de estoques. Vale lembrar que só são computados os bens e serviços “novos”, isto é, produzidos e vendidos (ou comprados) no ano considerado. Assim, a compra de um edifício com 5 anos de construção, ou de um carro usado não é computada no valor 7 do PIB deste ano. Isto porque o valor deste edifício e deste carro já foi apurado no PIB do ano em que foram produzidos. c) Gastos do governo (G) – incluem os dispêndios do governo com os seguintes itens: i) despesas correntes - aí incluídas as compras de bens e serviços para o funcionamento normal das agências governamentais e o pagamento de funcionários civis e militares. ii) despesas de capital - compra de bens e serviços voltados para investimentos (construção de escolas, hospitais, estradas, etc.). Não entram nestes gastos do governo: as transferências governamentais, nem os dispêndios das empresas públicas (tipo Petrobrás, Vale do Rio Doce, Eletrobrás, etc.). Estes últimos são contabilizados no setor secundário, como setor privado. d) Exportações líquidas (X - M) – aqui entendidas como o valor total das exportações de bens e serviços menos o valor das importações de bens e serviços. Ou seja, pela ótica ou abordagem da despesa, o valor do produto interno bruto, a preços de mercado, é dado pela equação abaixo: PIBpm= C + I + G + X - M 4.4. O Valor Adicionado Para calcular o valor do PIB, todos os bens e serviços devem ser contados só uma e única vez. Para tanto, deve-se computar somente os valores dos bens finais já que estes incluem todos os custos intermediários (matérias-primas) das diversas etapas do processo produtivo. Assim, por exemplo, as estatísticas oficiais contam o valor do pão vendido ao consumidor, mas não somam a este valor o preço da farinha de trigo, já que este está incluído no preço final do pão. Da mesma forma, se se computa o preço do automóvel vendido ao consumidor, não se deve adicionar a este o preço do aço e outros 8 componentes do carro. Do contrário, haveria o problema da “dupla contagem”. Aparentemente, a maneira mais fácil de se medir o valor do PIB é considerar os valores dos bens finais. Mas, alternativamente, pode-se chegar ao mesmo resultado somando o “valor adicionado” pela empresa em cada estágio do processo produtivo. Valor adicionado é igual ao valor do produto vendido pela empresa menos o custo dos produtos intermediários comprados pela empresa e seus fornecedores. Um exemplo de cálculo do valor adicionado: Tabela 1 (PRODUÇÃO HIPOTÉTICA DE CIGARROS) Pela Tabela 1, verifica-se que o valor do PIB é igual ao valor do bem final (=100), vendido pela loja ou bar ao consumidor. Alternativamente, se somarmos os valores adicionados ou acrescidos por cada empresa em cada etapa ou estágio, encontraremos o mesmo valor para o produto (24 + 27 + 18 + 12 + 19 = 100). 9 4.5. Produto nominal X produto real O valor do produto varia de um ano para outro. Geralmente, o valor do produto no ano t é nominalmente maior do que o valor do produto registrado no ano t–1, isto é, no ano anterior. Esta diferença de valor pode ser explicada por duas variáveis: por variação dos preços (P) e/ou por variações nas quantidades produzidas (Q). A partir desta constatação, é possível distinguir dois conceitos muito importantes da contabilidade nacional: o produto nominal e o produto real. O produto nominal – também chamado de produto a preços correntes - corresponde ao valor do produto medido aos preços vigentes no ano de referência. Matematicamente, é obtido pelo somatório do valor da produção de todos os bens e serviços finais de uma economia. Ou formalmente: Produto nominal = ∑ Pi x Qi onde i varia de 1 a n produtos. Pela fórmula acima, verifica-se que o produto nominal pode aumentar ou diminuir em função tanto dos preços quanto das quantidades produzidas dos bens e serviços finais. Já o produto real – também chamado de produto a preços constantes - corresponde à quantidade física de bens e serviços produzidos pela economia. Ou seja, o produto real somente varia se houver uma variação na quantidade física efetivamente produzida. E parece óbvio que quanto maiores as quantidades produzidas de todos os bens ou serviços, maiores e melhores são as condições médias de vida dos cidadãos, já que aumentos na produção implicam aumentos no nível de renda e, por conseqüência, do nível de consumo da população. Assim, o que interessa saber não é se o produto nominal está crescendo de um ano para o outro – já que este aumento pode ser causado simplesmente por um aumento dos preços – e sim saber se o produto real está também crescendo ou não. 10 Como o valor do produto nominal de um determinado ano embute variações no nível médio de preços e também eventuais variações no quantum físico produzido, para que possamos saber o valor do produto real daquele ano e podermos verificar se este valor é ou não maior do que o do ano anterior, é necessário que sejam anuladas ou isoladas as variações no produto provocadas por variações nos preços. Se fizermos isso, qualquer variação para mais ou para menos no valor do produto será explicada por variações nas quantidade produzidas. Este processo não é muito complicado. Ao contrário, é até muito simples, conforme mostraremos a seguir. Considere, primeiramente, os dados constantes da Tabela 2, abaixo: Tabela 2 (1) Anos (2) Produto nominal (R$ mil) (3) Deflator implícito do Produto (4) Produto real (base: 2001) (5) Taxa de crescimento real (%) 1999 2000 2001 2002 2003 275.000 343.750 395.312 420.080 454.430 132,0 158,4 177,4 191,6 202,5 369.583 384.982 395.312 388.946 398.103 -- 4,2 ? ? ? A título de exercício, suponha que, para os anos compreendidos entre 1999 e 2003, o produto nominal registrou os valores que aparecem na Coluna 2. Como se pode ver, os valores nominais do produto cresceram muito de um ano para o outro – o que certamente pode ser explicado por aumentos de preços e também por aumentos na quantidade física de bens e serviços produzidos. Temos, então, de isolar ou eliminar as variações do produto nominal causadas por aumentos de preços – o chamado “efeito-preço”. Depois que fizermos isso, as eventuais diferenças entre os valores do produto de um ano para o outro serão 11 creditadas exclusivamente a variações no quantum físico produzido – isto é, no produto real. Para eliminarmos o efeito-preço, é preciso que adotemos um índice de preços qualquer. No caso do produto interno ou nacional, geralmente é utilizado o chamado deflator implícito do produto (DIP) – que é calculado tomando por base as variações de preços dos produtos agrícolas, dos produtos industriais e dos serviços (setores que formam o PIB), ponderados pelo tamanho de cada setor. Por hipótese, imaginamos que o índice médio anual do DIP que, num determinado ano-base, digamos 1995, era 100,0, com o aumento dos preços registrou, de 1999 a 2003, os valores constantes da Coluna 3, da Tabela 2. A diferença percentual do índice de um ano para o outro seria, grosso modo, a taxa de inflação do ano, medida por este DIP. Vamos, então, calcular agora o valor do produto real para cada ano daquela série. Para tanto, já temos duas variáveis importantes: os valores do produto nominal e o índice de preços. Para encontrarmos o valor do produto real usamos a seguinte técnica: 1° - escolhemos um determinado ano da série para servir como referência ou, como se diz em economia, como ano-base. Esta escolha é aleatória, podendo ser qualquer ano. No exemplo acima, tomamos como ano-base o ano de 2001; 2° - uma vez escolhido o ano-base, o próximo passo é multiplicar o valor do produto nominal de cada ano pelo índice de preço do ano-base (no caso presente, por 117,4) e dividir o resultado encontrado pelo índice de preço do respectivo ano. Para um melhor entendimento, vamos achar o valor do produto real do ano 2000: 1° passo: multiplicamos o valor do produto nominal deste ano – 343.750 – por 177,4, encontrando 60.981.250; 2º passo: dividimos o valor encontrado acima pelo índice de preço do ano 2000, ou: 12 60.981.250 : 158,4 = 384.982 >> que é o valor do produto real do ano 2000, quando medido aos preços vigentes no ano 2001. Procedendo assim para todos os demais anos da série, encontramos os valores constantes da Coluna 4. Pelo que se pode verificar, agora os valores dos produtos são mais próximos um do outro, já não havendo as discrepâncias observadas nos valores do produto nominal da Coluna 2 – discrepâncias estas decorrentes das variações de preço de um ano para outro. Como, agora, todos os produtos estão medidos aos preços vigentes em 2001 (ano escolhido para ser o ano-base), qualquer diferença entre eles é real. Para calcularmos a taxa de crescimento real de um ano para o outro, basta dividir o valor do produto real do ano t+1 pelo valor produto real do ano t; em seguida, subtraímos uma unidade do quociente encontrado e multiplicamos o resultado por 100. Vamos calcular, por exemplo, a taxa de crescimento real em 2000: 384.982 : 369.583 = 1,0417 1,0417 – 1,0 = 0,0417 0,0417 x 100 = 4,17% ou 4,2%. Deixamos para você o cálculo da taxa de crescimento real para os demais anos1. 4.6. As Contas Nacionais do Brasil As Contas Nacionais do Brasil sempre foram calculadas pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), mas a partir de 1986, esta tarefa passou a ser da responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Sistema de Contas Nacionais no Brasil adotado pelo IBGE, segue grosso modo o sistema criado por Richard Stone que é, também, o sistema adotado e recomendado pelas Nações Unidas 1 Você acertou se encontrou os seguintes resultados: 2,7% para 2001; -1,6% para 2002 e 2,4% para 2003. 13 para seus países-membros – sistema este que se baseia em quatro contas, a saber: i. Conta 1 – Produto Interno Bruto (ou Conta da Produção); ii. Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta (ou Conta da Apropriação); iii. Conta 3 – Conta de Capital; iv. Conta 4 – Conta Transações Correntes com o Resto do Mundo. Existe, ainda, uma Conta 5 – que corresponde à Conta do Governo – mas que é apresentada à parte, denominada Conta Corrente das Administrações Públicas – e cujos lançamentos não têm contrapartida com as demais contas do Sistema de Contas Nacionais. Os lançamentos dos valores dessas contas seguem os preceitos contábeis das partidas dobradas que obedecem a dois princípios: i) em cada conta, o total de débitos deve ser igual ao total de créditos; ii) a todo crédito lançado em um conta corresponde um débito lançado em outra conta e vice-versa. Com essas considerações, apresentamos, a seguir, um modelo das Contas Nacionais utilizado no Brasil, tendo como referência as quatro Contas mencionadas acima, além da Conta do Governo, seguido de um comentário sucinto sobre cada Conta. (Observação: Estas contas são mostradas aqui mais para você ter uma visão de como são apresentadas as Contas Nacionais do Brasil, do que por qualquer outra razão. Você não deve se preocupar muito em entender essas contas, exceto, talvez, no tocante à Conta de Capital (formação bruta de capital fixo X poupança) que, recorrentemente tem sido objeto de questões nas provas de concursos públicos de Macroceconomia). 14 Conta 1 – Conta Produto Interno Bruto Débito Crédito 1.1.Produto Interno Bruto, a custo de fatores (2.4) 1.1.1.Remuneração dos empregados (2.4.1) 1.1.1. Excedente operacional bruto (2.4.2) 1.2. Tributos Indiretos (2.7) 1.3. (-) Subsídios (2.8) 1.4. Consumo Final das Famílias (2.1) 1.5. Consumo Final das Administrações Públicas (2.2) 1.6.Formação Bruta de Capital Fixo (3.1) 1.7. Variação de estoques (3.2) 1.8. Exportações de Bens e Serviços não-fatores (4.1) 1.9. (-) Importações de Bens e Serviços não-fatores (4.5) Produto Interno Bruto (PIB) Dispêndio Correspondente ao PIB Comentários: Como se pode ver, a Conta do Produto Interno Bruto apresenta, do lado do débito, o pagamento das empresas aos fatores de produção, valendo observar que o excedente operacional bruto corresponde a todas as rendas pagas na economia, excluídos os salários e ordenados pagos aos empregados. Ainda do lado do débito são somados os impostos indiretos (IPI/ICMS/ISS) e retirados os subsídios. O resultado final corresponde, assim, ao produto interno bruto a preços de mercado. Do lado do crédito, o que as empresas receberam dos agentes que adquiriram os bens e serviços finais que elas produziram, perfazendo o chamado “dispêndio correspondente ao PIB” – que, em termos econômicos, equivale à despesa interna bruta, a preços de mercado. Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta Débito Crédito 2.1. Consumo final das famílias (1.4) 2.2. Consumo final das adm.públicas (1.5) 2.3. Poupança bruta (3.3) 2.4. Produto Interno Bruto a custo de fa- tores (1.1) 2.4.1.Remuneração dos empregados (1.1.1) 2.4.2. Excedente operacional bruto (1.1.2) 2.5. Remuneração de empregados, líquida, recebida do Resto do Mundo(4.2-4.6) 2.6.Outros rendimentos, líquidos, recebi- dos Resto do Mundo (4.3-4.7) 2.7. Tributos indiretos (1.2) 2.8. (-) Subsídios (1.3) 2.9. Transferências unilaterais, líquidas, recebidas do Resto do Mundo(4.4-4.8) Utilização da Renda Nacional Disponível Bruta Apropriação da Renda Nacional Disponível Bruta 15 Comentários: A conta acima descreve, do lado do débito, como as famílias e o governo utilizam a renda recebida – destinando parte ao consumo e parte à poupança; já do lado do crédito, aparecem as rendas recebidas pelas famílias e pelo governo (impostos líquidos dos subsídios) mais o resultado líquido dos recebimentos e transferências do e para o exterior. Conta 3 – Conta de Capital Débito Crédito 3.1. Formação bruta de capital fixo (1.6) 3.1.1 Construção 3.1.1.1 Administrações públicas 3.1.1.2 Empresas e famílias 3.1.2 Máquinas e equipamentos 3.1.2.1 Administrações Públicas 3.1.2.2 Empresas e famílias 3.1.3 Outros 3.2. Variação dos estoques (1.7) 3.3. Poupança bruta (2.3) 3.4. Menos: Saldo em transações corren- tes com o Resto do Mundo (4.9) Acumulação Bruta Interna Financiamento da Acumulação Bruta Interna Comentários: Na Conta de Capital, são lançados do lado do débito as aplicações da economia na formação bruta de capital fixo (investimentos brutos) e nas variações de estoques (contabilmente considerados como investimentos para as empresas); já do lado do crédito, são lançadas as fontes de financiamento daquelas aplicações, constituídas da poupança bruta da economia (valendo notar que esta é composta pela poupança bruta do setor privado - que é igual à poupança líquida do setor privado mais a depreciação - mais a poupança do Governo em conta corrente), mais a poupança externa – representada esta última pelo saldo em conta corrente do balanço de pagamentos. 16 Conta 4 – Transações Correntes com o Resto do Mundo Débito Crédito 4.1. Exportações de bens e serviços (1.8) 4.2. Remuneração dos Empregados rece- bida do Resto do Mundo (2.5 + 4.6) 4.3. Outros rendimentos recebidos do Resto do Mundo (2.6 + 4.7) 4.4. Transferências unilaterais recebidas do Resto do Mundo (2.9 + 4.8) 4.5. Importações de bens e serviços (1.9) 4.6. Remuneração dos empregados paga ao Resto do Mundo (4.2 – 2.5) 4.7. Outros rendimentos pagos ao Resto do Mundo (4.3 – 2.6) 4.8. Transferências Unilaterais pagas ao Resto do Mundo (4.4 – 2.9) 4.9. Saldo das transações correntes com o Resto do Mundo (3.4) Recebimentos Correntes Utilização dos recebimentos correntes Comentários: Nessa conta, são registrados, do lado do débito, os gastos dos não-residentes (estrangeiros) com a aquisição dos bens e serviços produzidos internamente (exportações de bens e serviços), além dos rendimentos e transferências (rendas e donativos) recebidos do Resto do Mundo. Do lado do crédito, são lançados os pagamentos pelos bens e serviços importados pelo país, mais as rendas e transferências (doações) enviadas para o Resto do Mundo, aparecendo, ainda, deste lado, o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente. A conta corrente das Administrações Públicas Comentário: A Conta Corrente das Administrações Públicas é apresentada em separado, complementando as quatro contas anteriores, e nela são mostradas as transações correntes do governo. Do lado do débito, são lançados os itens de despesa do governo – traduzidas no consumo final (que é composto dos gastos correntes com pessoal e na compra de bens e serviços), além do subsídios concedidos pelo governo ao setor produtivo e aos consumidores, mais as transferências (sendo essas constituídas das pensões e aposentadorias pagas pelo INSS) e o pagamento de juros da dívida interna pública que, tecnicamente são também considerados como transferências do governo ao setor privado. Note-se que nesta conta não aparecem as despesas de capital do governo que, na realidade são incluídas no item “formação bruta de capital fixo”, na Conta Produto Interno Bruto. Do lado do crédito, aparecem as receitas correntes do governo, aí incluídos os impostos indiretos e diretos e outras receitas correntes – valendo lembrar que as contribuições previdenciárias estão incluídas nessas últimas. 17 Conta Corrente das Administrações Públicas Débito Crédito Consumo final das Administrações Públicas .Salários e encargos .outras compras de bens e serviços Subsídios Transferência de Assistência e Previdência Juros da Dívida Pública Interna Poupança em Conta Corrente Tributos indiretos Tributos diretos Outras receitas correntes líquidas Total da utilização da receita corrente Total da receita corrente 4.7. O investimento bruto total e a poupança da economia Um tópico que, recorrentemente, tem aparecido nas provas de Macroeconomia é a questão do investimento bruto2 versus a formação da poupança necessária para ao seu financiamento. O investimento total bruto da economia – que corresponde aos gastos totais da economia com bens de capital (máquinas, equipamentos, edificações, construções de infraestrutura) assim se decompõe: i) Investimento bruto – que é constituído pelos investimentos do governo e do setor privado; e, ii) Variação de estoques. Investimento bruto X investimento líquido O termo investimento bruto corresponde, em Economia, às compras de bens de capital novos pelas empresas e pelo governo, com o objetivo de ampliar ou melhorar a sua capacidade produtiva. 2 Na Contabilidade nacional, o investimento bruto é chamado de “formação bruta de capital fixo”. Para efeitos didáticos, continuaremos usando neste texto o termo “investimento bruto” – que é o mais comumente usado nos textos de macroeconomia. 18 Ocorre, no entanto, que uma parte dos bens de capital em uso na economia sofre desgaste físico no processo produtivo – o que representa uma perda ou decréscimo no valor do estoque de capital. A esse fenômeno se dá o nome de depreciação. Se retirarmos do investimento bruto o valor da depreciação, encontraremos o chamado investimento líquido – que representa o acréscimo líquido ocorrido no estoque de capital da economia no período considerado. Ou seja, Investimento bruto menos depreciação = investimento líquido Um exemplo: Suponha que a economia disponha de 20 máquinas no início do ano, sendo este, portanto, o seu estoque de capital naquele momento. Se, ao longo do ano, são produzidas e compradas cinco máquinas novas, mas duas das máquinas existentes no início do ano, de tanto serem usadas, se tornam imprestáveis para a produção e têm de ser substituídas por duas das máquinas novas, teremos a seguinte situação: O investimento bruto da economia foi de 5 máquinas novas, mas o investimento líquido foi de apenas 3 novas máquinas – que corresponde ao acréscimo de fato ocorrido no estoque de capital. A variação de estoques X o investimento Quando a produção não é totalmente vendida no ano, ocorrem as chamadas variações positivas de estoques na economia. Esses bens que não foram vendidos, estarão certamente disponíveis para vendas no futuro mais ou menos breve. Mas, até que isso aconteça, essas variações de estoques constituem um aumento no patrimônio das empresas e, como tal, são consideradas como investimento da economia. Somando-se esta variação de estoques aos investimentos brutos, tem-se o chamado investimento total. 19 A poupança da economia E de onde vêem os recursos para financiar o investimento da economia? A resposta é muito simples: da poupança. Numa economia aberta e com governo, a poupança da economia vem de quatro fontes principais: i) poupança líquida do setor privado – que se compõe da poupança das famílias – que corresponde à parte da sua renda que elas não gastam e que geralmente é aplicada no mercado financeiro – e da poupança das empresas – que resulta dos lucros não-distribuídos; ii) depreciação3; iii) poupança do governo em conta corrente (Sg); iv) poupança externa (Se) – que corresponde à diferença entre os recebimentos e os pagamentos efetuados pelo Resto do Mundo relativos às transações correntes4 A soma da poupança líquida do setor privado com a depreciação é denominada de poupança bruta do setor privado (Sp). Por outro lado, a soma da poupança bruta do setor privado com a poupança do governo em conta corrente é denominada de poupança interna bruta ou simplesmente poupança interna. A identidade entre a poupança e o investimento As definições contidas no item anterior podem, contabilmente, ser resumidas no seguinte quadro – que poderíamos chamar de Conta Consolidada de Capital: 3 Lembre-se que as empresas registram a depreciação, em sua contabilidade, como uma despesa, mas na verdade isso não representa nenhum desembolso monetário para a empresa – resultando, assim, em última análise, como mais um recurso à disposição da empresa para o financiamento de seus investimentos. 4 Observe-se que uma “poupança externa positiva” equivale, na verdade, a um déficit no Balanço de Pagamentos em Conta Corrente do país. Ou seja, o país estará, nesta hipótese, recebendo poupança exaterna para financiar seus gastos a maiores. 20 Gastos de investimento Poupança Investimento bruto / setor privado(Ip) Investimento do governo (Ig) Variação de estoques (∆est) Poupança bruta do setor privado (Sp)1 Poupança do governo em c.corr. (Sg) Poupança externa (Se) Investimento total bruto Poupança total 1 Lembre-se que a poupança bruta do setor privado é igual à soma da poupança líquida + a depreciação. Logo, Ip + Ig + ∆est. = Sp + Sg + Se (1) Para simplificar, podemos incluir a variação de estoques no item “investimento privado” (Ip), assim: Ip + Ig = Sp + Sg + Se (2) Déficit público Uma observação importante que deve ser feita é que a poupança do governo em conta corrente, registrada nas contas nacionais, é o resultado apenas da receita corrente do governo menos os seus gastos correntes (gastos de custeio, subsídios, transferências e pagamento de juros), não se computando os gastos com bens de capital, isto é, os gastos de investimento do governo. Para se apurar o déficit do governo – ou melhor, o déficit público (DP) - é necessário acrescentar as despesas de investimento do governo àqueles gastos correntes, deduzindo o total encontrado da receita corrente do governo. Ou, dito de outra forma: DP = Ig – Sg (3) E substituindo a equação (3) na equação (2) e mudando as variáveis de lado, pode-se ter: Ig – Sg = Sp + Se – Ip Ou, DP = (Sp – Ip) + Se (4). 21 Pela equação (4), pode-se perceber que, pela ótica da Contabilidade Nacional, o déficit público é financiado pelo excesso da poupança bruta sobre o investimento privado e pela poupança externa, isto é, pela poupança do Resto do Mundo – que, como já foi dito, corresponde ao déficit do país no balanço de transações correntes. 4.8. Carga Tributária Um tema que tem sido objeto de discussões permanentes na sociedade é a questão do alto nível de impostos cobrados pelo governo, isto é, a carga tributária. Alguns afirmam que a carga tributária no Brasil é por demais elevada; outros afirmam exatamente o contrário. Obviamente, quando se diz que a carga tributária é elevada ou é baixa, deve-se ter em mente algum padrão de comparação. No caso, a comparação é com outros países. Mas, para que esta comparação seja feita, é necessário que todos os países usem o mesmo critério de cálculo, do contrário estaremos comparando laranjas com abacaxis. Assim, o que se tem feito é seguir os modelos aceitos pelas Nações Unidas no tocante aos critérios de medição das contas nacionais. Com relação à carga tributária, há dois conceitos: o de carga tributária bruta (CTB) e o de carga tributária líquida (CTL). Para o cálculo desses dois conceitos, usam-se as seguintes fórmulas: CTB = Total de impostos PIBpm CTL = Total de impostos – transferências – subsídios PIBpm Vale lembrar que no total dos impostos devem ser incluídos os impostos diretos e indiretos bem como as contribuições previdenciárias. No Brasil, de acordo com as estatísticas oficiais, a carga tributária (bruta e líquida) cresceu sistematicamente nas últimas 22 três décadas, acentuando-se este crescimento mais ainda a partir do governo Fernando Henrique. As estatísticas indicam que, ao final de 2004, a carga tributária bruta atingiu algo como 38% do PIB – a mais alta entre todos os países em desenvolvimento e uma das maiores do mundo, equiparando-se à de países altamente desenvolvidos, como a Suécia e Noruega – países onde o retorno que a sociedade recebe do setor público – sob a forma de educação, saúde, lazer, transporte coletivo – é reconhecidamente elevado, nada comparado com o que ocorre em países como o Brasil onde serviço prestado pelo Governo à população está longe de ser satisfatório. ______________________ EXERCÍCIOS DE REVISÃO: I) Exercícios resolvidos: -- CCoomm bbaassee nnooss sseegguuiinntteess ddaaddooss hhiippoottééttiiccooss ddaass ccoonnttaass nnaacciioonnaaiiss,, rreessppoonnddaa ààss qquueessttõõeess ddee 11 aa 1100:: ssaalláárriiooss ppaaggooss ppeellaass eemmpprreessaass pprriivvaaddaass:: 330000 ssaalláárriiooss ppaaggooss ppeelloo ggoovveerrnnoo:: 111100 ddeepprreecciiaaççããoo ddooss eeqquuiippaammeennttooss 4400 jjuurrooss:: 110000 lluuccrrooss ttoottaaiiss:: 440000 aalluugguuééiiss:: 115500 rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr:: 5500 iimmppoossttooss ddiirreettooss:: 9900 iimmppoossttooss iinnddiirreettooss:: 220000 ssuubbssííddiiooss:: 5500 ccoonnttrriibbuuiiççõõeess pprreevviiddeenncciiáárriiaass:: 7700 lluuccrrooss rreettiiddooss:: 115500 ccoommpprraass ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss ppeelloo ggoovveerrnnoo:: 9900 ffoorrmmaaççããoo bbrruuttaa ddee ccaappiittaall ffiixxoo ((FFBBKKFF)):: 112200 eexxppoorrttaaççõõeess:: 118800 iimmppoorrttaaççõõeess:: 113300 ggaassttooss ddee ccoonnssuummoo pprriivvaaddoo:: 880000 ttrraannssffeerrêênncciiaass ggoovveerrnnaammeennttaaiiss:: 111100 ttrraannssffeerrêênncciiaass eemmpprreessaarriiaaiiss:: 3300 23 11.. OOss ggaassttooss ddee ccoonnssuummoo ddoo ggoovveerrnnoo ee ssuuaa ppoouuppaannççaa ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: aa)) 9900 ee 1100;; bb)) 111100 ee 9900;; cc)) 220000 ee 1100;; dd)) 220000 ee 00;; ee)) 1100 ee 55.. 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AA rreessppoossttaa,, ppoorrttaannttoo,, éé aa lleettrraa dd.. 22.. OO pprroodduuttoo nnaacciioonnaall bbrruuttoo aa pprreeççooss ddee mmeerrccaaddoo éé iigguuaall aa:: aa)) 11..220000;; bb)) 11..330000;; cc)) 11..110000;; dd)) 11..440000;; ee)) 11..550000.. SSoolluuççããoo:: NNoo ccáállccuulloo ddoo PPNNBBppmm eennttrraamm ooss iimmppoossttooss iinnddiirreettooss mmeennooss ooss ssuubbssííddiiooss ((ppoorrqquuee éé aa pprreeççooss ddee mmeerrccaaddoo)),, ++ ddeepprreecciiaaççããoo ((ppoorrqquuee éé pprroodduuttoo bbrruuttoo)) ee mmeennooss aa rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr ((ppoorrqquuee éé nnaacciioonnaall)).. LLooggoo:: PPNNBBppmm == PPIILLccff ++ ddeepprreecciiaaççããoo ++ iimmppoossttooss iinnddiirreettooss –– ssuubbssííddiiooss ++ rreennddaa rreecceebbiiddaa ddoo eexxtteerriioorr –– rreennddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr.. OO PPIILLccff == SS ++ AA ++ JJ ++ LL == 441100 ++ 115500 ++ 440000 ++ 110000 == 11..006600 PPNNBBppmm == 11006600 ++ 4400 ++ 220000 –– 5500 –– 5500 == 11..220000.. AA rreessppoossttaa,, ppoorrttaannttoo,, éé aa lleettrraa aa.. 33.. AA rreennddaa nnaacciioonnaall llííqquuiiddaa:: aa)) 11..000000;; bb)) 11..001100;; cc)) 11..002200;; dd)) 11..003300;; ee)) 11..004400.. SSoolluuççããoo:: AA rreessppoossttaa ccoorrrreettaa éé aa lleettrraa bb.. DDeeiixxaammooss ppaarraa vvooccêê aa ssoolluuççããoo ddeessttaa qquueessttããoo.. PPaarraa ttaannttoo,, ccoonnssuullttee oo QQuuaaddrroo II,, ddoo tteexxttoo.. 44.. AA rreennddaa ppeessssooaall ddiissppoonníívveell ((RRPPDD)) éé:: aa)) 881100;; bb)) 885500;; cc)) 991100;; dd)) 995500;; ee)) 884400.. SSoolluuççããoo:: PPeelloo QQuuaaddrroo II,, aa RRPPDD éé aassssiimm eennccoonnttrraaddaa:: PPaarrttiinnddoo ddaa rreennddaa nnaacciioonnaall llííqquuiiddaa ((eennccoonnttrraaddaa nnaa qquueessttããoo 33,, aanntteerriioorr)),, ddeevveemm sseerr ddeedduuzziiddooss:: -- ooss lluuccrrooss rreettiiddooss ((LLRR));; -- ccoonnttrriibbuuiiççõõeess pprreevviiddeenncciiáárriiaass ((CCPP));; -- ooss iimmppoossttooss iinnddiirreettooss((iimmpp..iinndd..));; ee ssoommaaddaass:: aass ttrraannssffeerrêênncciiaass ggoovveerrnnaammeennttaaiiss ((TTGG)) ee aass ttrraannssffeerrêênncciiaass eemmpprreessaarriiaaiiss ((TTEE)),, ssee hhoouuvveerr.. AAssssiimm:: RRPPDD == RRNNLL –– LLRR –– CCPP –– IImmpp.. DDiirr.. ++ TTGG ++ TTEE 24 RRPPDD == 11..001100 –– 115500 -- 7700 –– 9900 ++ 111100 ++ 3300 RRPPDD == 884400 ee,, ppoorrttaannttoo,, aa rreessppoossttaa ccoorrrreettaa éé aa lleettrraa ee.. 55.. AA ddeessppeessaa nnaacciioonnaall,, eexxcclluussiivvee vvaarriiaaççããoo ddee eessttooqquueess,, éé:: aa)) 994400;; bb)) 886600;; cc)) 11..110000;; dd)) 11..004400;; ee)) 11..225500.. SSoolluuççããoo:: AA rreessppoossttaa ccoorrrreettaa éé aa lleettrraa cc.. DDeeiixxaammooss ppaarraa vvooccêê aa ssoolluuççããoo ddeessttaa qquueessttããoo,, lleemmbbrraannddoo qquuee ssee ttrraattaa ddee ddeessppeessaa nnaacciioonnaall,, ee,, ppoorrttaannttoo,, vvooccêê ddeevvee iinncclluuiirr nnoo ccáállccuulloo aa rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr.. OObbsseerrvvaaççããoo:: aass rreessppoossttaass ddaass qquueessttõõeess ddee 66 aa 1111 eennccoonnttrraamm--ssee aaoo ffiinnaall ddeessttaa sséérriiee.. AAnntteess ddee rreessoollvveerr eessttaass qquueessttõõeess,, rreelleeiiaa aa ppaarrttee ddoo tteexxttoo ssoobbrree PPrroodduuttoo NNoommiinnaall ee PPrroodduuttoo RReeaall.. 66.. OO ccoonncceeiittoo ddee PPIIBB rreeaall ppeerr ccaappiittaa ccoonnssiissttee:: aa)) nnoo vvoolluummee ttoottaall ddee mmeerrccaaddoorriiaass ee sseerrvviiççooss ffiinnaaiiss ppoorr hhaabbiittaannttee,, aavvaalliiaaddoo aa ppaarrttiirr ddoo pprroodduuttoo aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess;; bb)) nnaa mmeeddiiddaa ddoo ddeesseennvvoollvviimmeennttoo eeccoonnôômmiiccoo ee ssoocciiaall ddee uummaa ssoocciieeddaaddee;; cc)) nnoo iinnddiiccaaddoorr ddaa eevvoolluuççããoo ddee pprreeççooss ddaa eeccoonnoommiiaa;; dd)) ooss iitteennss bb ee cc eessttããoo ccoorrrreettooss;; ee)) nneennhhuummaa ddaass aalltteerrnnaattiivvaass aanntteerriioorreess.. 77.. AAssssiinnaallee aa úúnniiccaa aaffiirrmmaattiivvaa iinnccoorrrreettaa.. aa)) OOss pprreeççooss ssee aalltteerraamm ee,, ppoorr iissssoo,, aass aalltteerraaççõõeess nnoo vvaalloorr ddoo PPIIBB nnããoo iinnddiiccaamm ddee mmooddoo pprreecciissoo aass mmooddiiffiiccaaççõõeess ddaa pprroodduuççããoo ffííssiiccaa oouu ddoo pprroodduuttoo rreeaall.. bb)) PPrroodduuttoo rreeaall éé oo pprroodduuttoo mmeeddiiddoo ccoomm ooss pprreeççooss mmaannttiiddooss ccoonnssttaanntteess,, ccoommoo ssee eesstteess nnããoo ttiivveesssseemm ssee aalltteerraaddoo ddee uumm aannoo ppaarraa oouuttrroo.. cc)) AAss aalltteerraaççõõeess ddoo pprroodduuttoo rreeaall ddããoo uummaa bbooaa iinnddiiccaaççããoo ddaa vvaarriiaaççããoo ddaa pprroodduuççããoo ffííssiiccaa eennttrree ddooiiss ppeerrííooddooss.. dd)) AAss vvaarriiaaççõõeess ddoo pprroodduuttoo rreeaall ssããoo oo rreessuullttaaddoo ddaa vvaarriiaaççããoo ffííssiiccaa ee ddooss pprreeççooss ddoo pprroodduuttoo.. ee)) OO pprroodduuttoo nnoommiinnaall iinnccoorrppoorraa aass vvaarriiaaççõõeess ffííssiiccaass ee ddee pprreeççooss ddoo pprroodduuttoo.. 88.. NNoo aannoo--bbaassee qquuee ttiippoo ddee rreellaacciioonnaammeennttoo eexxiissttee eennttrree oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess ee oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess:: aa)) oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess >> oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess;; bb)) oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess == oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess;; cc)) oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess << oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess;; dd)) ooss ddooiiss PPIIBBss nnããoo ssããoo rreellaacciioonnaaddooss;; ee)) ooss ddooiiss PPIIBBss sseemmpprree tteerrããoo vvaalloorreess ddiissttiinnttooss.. 99.. AA ddiiffeerreennççaa eennttrree oo PPIIBB ee oo PPNNBB éé eexxpprreessssaa:: aa)) ppeellaa ddiiffeerreennççaa eennttrree aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass;; bb)) ppeellaa rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa ((oouu rreecceebbiiddaa)) ddoo eexxtteerriioorr;; cc)) ppeellaa ddiiffeerreennççaa eennttrree aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass ee sseerrvviiççooss;; dd)) ppeelloo vvaalloorr ddaa ddeepprreecciiaaççããoo;; 25 ee)) ppeellaa ddiiffeerreennççaa eennttrree iimmppoossttooss iinnddiirreettooss ee ssuubbssííddiiooss.. 1100.. AAssssiinnaallee aa ooppççããoo ccoorrrreettaa.. aa)) AAss ttrraannssffeerrêênncciiaass llííqquuiiddaass ddee rreennddaa aaoo eexxtteerriioorr eeqquuiivvaalleemm àà ddiiffeerreennççaa eennttrree rreennddaass ddee ffaattoorreess pprroodduuttiivvooss ppaaggooss aaoo eexxtteerriioorr ee rreennddaass ddee ffaattoorreess rreecceebbiiddaass ddoo eexxtteerriioorr.. bb)) EEmm uummaa eeccoonnoommiiaa aabbeerrttaa,, aass eexxppoorrttaaççõõeess rreepprreesseennttaamm uummaa pprrooppoorrççããoo ccoonnssttaannttee ddoo PPIIBB.. cc)) EEmm ggeerraall,, nnaass eeccoonnoommiiaass ddeesseennvvoollvviiddaass,, oo PPNNBB éé mmeennoorr qquuee oo PPIIBB.. dd)) AA rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa oouu rreecceebbiiddaa ddoo eexxtteerriioorr ccoorrrreessppoonnddee,, eemm vvaalloorr,, àà ddiiffeerreennççaa eennttrree oo ttoottaall ddaass eexxppoorrttaaççõõeess ee oo ttoottaall ddaass iimmppoorrttaaççõõeess.. ee)) TTooddaass aass aaffiirrmmaattiivvaass eessttããoo eerrrraaddaass.. 1111.. SSee uummaa eemmpprreessaa ccoommpprraa uummaa mmeerrccaaddoorriiaa ppoorr CCRR$$ 22..000000,,0000 ee aappeennaass aa rreevveennddee,, sseemm qquuaallqquueerr ttrraannssffoorrmmaaççããoo ffííssiiccaa,, ppoorr CCRR$$ 22..550000,,0000,, eennttããoo oo vvaalloorr aaggrreeggaaddoo oouu aaddiicciioonnaaddoo ppeellaa eemmpprreessaa éé iigguuaall aa:: aa)) zzeerroo;; bb)) 22..550000;; cc)) 550000;; dd)) 44..550000;; ee)) 22..000000.. GGaabbaarriittoo ddaass qquueessttõõeess ddee 66 aa 1111:: 66.. aa;; 77.. dd;; 88.. bb;; 99.. bb;; 1100.. bb;; 1111.. aa Até a semana que vem, com a nossa 5ª aula – que versará sobre o Balanço de Pagamentos e Taxa de Câmbio. Um abraço para você, e até lá! 26 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 1 Aula 5: O Balanço de Pagamentos e a taxa de câmbio Vamos, nesta nossa 5ª Aula, falar um pouco sobre comércio exterior. Em comércio exterior, apenas dois tópicos têm sido objeto de questões de provas de concursos públicos: o balanço de pagamentos e sua estrutura e a taxa de câmbio e sua influência sobre o balanço de pagamentos de um país. A gente começa, primeiramente, pelo Balanço de Pagamentos, sua estrutura e composição e, depois, tratamos da taxa de câmbio. Então vamos lá. II – Balanço de Pagamentos 5.1 Conceitos Básicos O que é e para que serve o Balanço de Pagamentos? A resposta é muito simples: O Balanço de Pagamentos (BP) de um país nada mais é que um registro sistematizado de todas as transações comerciais e financeiras de um país com o resto do mundo. Ou, de acordo com a definição mais técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), e adotada pelo Banco Central do Brasil, o Balanço de Pagamentos consiste no registro sistemático de todas as transações econômicas realizadas, durante um certo período, entre CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 2 residentes do país e residentes de outros países ditos estrangeiros.” O propósito principal desse registro é informar às autoridades monetárias sobre a situação das contas externas do país, de modo a auxiliá-las na formulação das políticas monetária, fiscal, cambial e comercial. Objetivamente, o BP contém o registro contábil de todas as transações de bens e serviços, as transferências de propriedades, as variações de ouro monetário, as transferências unilaterais de divisas e as variações de Direitos Especiais de Saque (DES) de uma economia com o resto do mundo. Os componentes do Balanço de Pagamentos são comumente apresentados em coluna, sendo os valores lançados em diferentes grupos de contas. Como conseqüência da adoção do critério das “partidas dobradas”, a soma do saldo de todas as contas, em seu conjunto, deve necessariamente ser igual a zero. Note-se que, a despeito dos esforços do FMI, a estrutura e o registro do BP ainda diferem de um país para outro. Neste texto, seguiremos a estrutura e nomenclatura adotada pelo Banco Central do Brasil. 5.2. A contabilidade do Balanço de Pagamentos No BP, utilizando o sistema de registro contábil, todas as transações são registradas com duas entradas - ou seja, o sistema de "partidas dobradas": uma a débito e outra a crédito. Em conseqüência, contabilmente, o BP está sempre em equilíbrio, o que não significa que tenha havido equilíbrio de fato entre pagamentos e recebimentos do exterior. Normalmente, qualquer transação de um residente no país com um residente no exterior gera um "haver" (direito) ou uma "obrigação", no exterior. Assim, por exemplo, uma venda de café ao exterior (exportação) dá lugar a um "haver" e é registrada a crédito, com sinal positivo, na balança comercial. Simultaneamente, haverá um registro, com sinal negativo, na conta "haveres em moeda no exterior", significando uma saída dessas divisas para aplicação nas reservas do país no exterior. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 3 Isso se explica pelo simples fato de que as divisas (digamos, dólares) não entram, de fato, no país: elas são depositadas numa conta do banco brasileiro (que intermediou a operação) em um banco conveniado no exterior (Citybank, Bankboston, Credit Lyonais, Mitsubishi Bank, etc). Assim, contabilmente, o Banco Central registra a “entrada” (sinal positivo) das divisas no item “exportações” da balança comercial e, simultaneamente, registra sua saída no item “haveres em moeda no exterior”, com sinal negativo. O sinal desta saída é negativo, mas na verdade, significa que as reservas do Brasil, no exterior, se elevaram naquele instante. Inversamente, a compra de uma máquina do exterior por um residente no país (uma importação) gera uma "obrigação" e é lançada a débito no item "importações", da balança comercial, com sinal negativo, e a crédito, isto é, com sinal positivo, na conta "haveres em moeda no exterior". Contabilmente, significa que foram sacadas divisas de nossas reservas no exterior, que foram internalizadas no País (por isso o sinal positivo) para pagamento da importação da máquina. O sinal positivo neste item “haveres em moeda no exterior” significa que houve uma diminuição das reservas internacionais aplicadas no exterior. Observe-se, então, que a contrapartida (partidas dobradas) destas duas transações corresponderá, no caso, a um movimento de capitais, já que os pagamentos não são realizados em moedas e sim através de movimentação de contas bancárias. 5.3. A estrutura do balanço de pagamentos O BP é constituído de diversas contas e subcontas, sendo duas as contas principais: a Conta (ou balança) de Transações Correntes e a Conta de Capital, como se vê na Tabela 5.1. De acordo com os critérios de escrituração ou de contabilização adotados pelo Banco Central, algumas observações se fazem necessárias, relativamente às principais contas do Balanço de Pagamentos que aparecem naquela Tabela, a saber: A- Conta de transações correntes CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 4 Trata-se, sem dúvida, da mais importante conta do BP, e engloba todas as transações de mercadorias e serviços e as transferências unilaterais. Um superávit na conta de transações correntes significa que o país "vendeu" mais mercadorias e serviços do que "comprou" do exterior, possibilitando ao país quitar obrigações contraídas anteriormente, ou adquirir ativos no exterior ou, ainda, aumentar suas reservas internacionais. Se for registrado um déficit em conta corrente, as implicações serão opostas às acima mencionadas. Conforme você pode observar na Tabela 5.1. a conta de transações correntes – ou, simplesmente, conta corrente do BP - se compõem de: 1. Balança comercial A balança comercial registra todas as transações referentes somente às exportações e importações de mercadorias. Como foi descrito acima, se uma determinada importação foi paga à vista, a operação é registrada a débito (sinal negativo) em “importações” e a crédito (sinal positivo) no item “haveres em moeda no exterior”. Caso essa importação seja financiada - isto é, não envolve pagamentos à vista e, portanto, não afeta a posição das reservas internacionais do país (haveres em moeda no exterior) - faz-se o lançamento a débito em "importações" e a crédito em "financiamentos", na conta de capital. 2. Balança de serviços Com relação ao registro dos diversos itens da conta de serviços, vale mencionar o seguinte: i) Transportes: inclui todas as receitas e despesas com frete e o valor das passagens de viajantes, desde que se trate de uma operação entre um residente e um não-residente. Ou seja, a compra de uma passagem aérea da VARIG, para a França, por brasileiro residente no Brasil, não será registrada no BP. Mas, se ele comprar esta passagem da Air France, ainda que seja no Brasil e em reais (R$), tal operação será devidamente registrada na conta de “transportes”. TABELA 5.1 __________________________________________________ CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 5 ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTOS A) Balança de transações correntes (=1+2+3) 1. Balança Comercial (=a+b) a) Exportações b) Importações 2. Balança de Serviços (=a+b+c+d+e+f+g) a) transportes (fretes/passagens) b) seguros c) viagens internacionais (turismo) d)despesas governamentais (embaixadas,consulados, etc) e) pagamento de juros da dívida externa f) remessa de lucros e dividendos g)outros serviços(royalties,patentes,bolsas de estudos,etc) 3. Transferências unilaterais (donativos) B) Conta de capitais (autônomos) a) empréstimos de médio e longo prazos b) financiamentos c) investimentos e reinvestimentos diretos d) amortização da dívida externa e) outros capitais (de curto prazo). C) Erros e omissões D) Resultado do Balanço de Pagamentos (=A+B+C) E) Demonstrativo do Resultado do Balanço de Pagamentos (capitais compensatórios) a) Operações de regularização (FMI, BIRD, BID) b)Haveres em moeda no exterior:aumento(-)ou redução(+) c) Ouro monetário: aumento (-) ou redução (+) d) Direitos especiais de Saque (DES) ii) Viagens internacionais: registra as despesas e receitas com viajantes, não incluídas no item anterior, isto é, em “transportes”. Exemplos: a compra de US$ 4.000,00 para viagem CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 6 de um brasileiro ao exterior ou a troca de dólares por reais feita por turistas estrangeiros numa agência bancária no Brasil. iii) Lucros e dividendos: refere-se à parte dos lucros que as empresas multinacionais, com investimentos no Brasil, remetem ao exterior (despesa) ou que empresas brasileiras, com investimento no exterior, remetem para o Brasil (receita). Note-se que os "lucros reinvestidos"- isto é, a parte dos lucros que não foi efetivamente remetida ao exterior - é registrada, também, como remessa de lucros (sinal negativo), sendo, em contrapartida, registrada como uma entrada (sinal positivo) no item "investimentos e reinvestimentos diretos", da conta de capital. Tal procedimento se explica pela necessidade de se manter um controle mais objetivo dos investimentos estrangeiros no país. iv) Juros: refere-se ao pagamento dos juros da dívida externa (despesa) e dos juros de financiamentos de importações adquiridas a prazo. Se o país receber juros de fora, o registro, claro, é feito com sinal positivo. v) Despesas governamentais: referem-se aos gastos com manutenção de embaixadas, consulados, etc., no exterior (despesas) e aos recebimentos de outros países para suas representações diplomáticas no Brasil (receitas). 3. Transferências unilaterais Trata-se de donativos ou doações, sem a contrapartida de pagamentos por parte de quem recebe. Se forem feitas em moeda, o registro é normal, ou seja, a crédito - se for um recebimento, - e a débito - se for uma saída, lançando-se o mesmo valor, com sinal trocado em "haveres em moeda no exterior". Se a doação for em espécie, isto é, em mercadorias, são feitos dois lançamentos: se se tratar de uma entrada ou recebimento de doações, faz um registro a débito em importações, e outro a crédito (sinal positivo) em "doações", não alterando, assim, o resultado do BP. B. Conta de Capitais (autônomos) CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 7 Esta conta registra apenas o movimento dos chamados capitais autônomos- isto é, os capitais que entram ou saem como resultado da livre operação das forças de mercado (oferta e demanda). Neste sentido, distinguem-se dos chamados capitais compensatórios - que são os capitais movimentados exclusivamente pelo Banco Central e que aparecem no "Demonstrativo do Resultado do BP". Fazem parte da Conta de Capitais autônomos os seguintes movimentos financeiros: a) Empréstimos: registra os empréstimos de curto, médio e longo prazos, obtidos junto aos bancos privados, no exterior. b) Financiamentos: referem-se aos financiamentos de importações adquiridas para pagamento a prazo. Neste caso, como já foi dito, há, também, dois registros: um a débito, em "importações", e outro, a crédito, em "financiamentos". c) Investimentos e reinvestimentos diretos: referem-se aos chamados "capitais de risco" que as empresas estrangeiras aplicam no Brasil (entrada), ou que empresas nacionais aplicam no exterior (saída). Note-se que essas aplicações tanto podem ser no setor produtivo, como podem ocorrer no mercado de capitais (bolsas de valores) ou em títulos do mercado financeiro. d) Amortizações: referem-se ao pagamento (ou recebimento) de parte do principal da dívida externa ou de financiamentos concedidos anteriormente. C - Erros e Omissões Como os registros do BP são feitos com base em estimativas – ainda que bastante seguras - há sempre a possibilidade de "desvios" nos lançamentos. Assim, é provável que os dados sobre uma ou outra ou outra operação não seja oportuna e devidamente registrada, existindo, inclusive, a hipótese de operações ainda em “trânsito” que não foram ainda registradas em todos os computadores dos diversos órgãos envolvidos com o comércio exterior. Este item procura minimizar os efeitos de tais falhas. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 8 D - Resultado do Balanço de Pagamentos A soma do saldo em Transações Correntes mais o saldo da Conta de Capitais, mais Erros e Omissões, fornece o resultado do BP. Sendo positivo, o Balanço de Pagamentos terá um superávit; se for negativo, haverá um déficit; e se for nulo (isto é, um saldo zero), haverá um equilíbrio. E- Demonstrativo do Resultado do BP Se houver um equilíbrio no BP, as contas do Demonstrativo do Resultado não serão alteradas. Se, no entanto, houver um déficit, o Demonstrativo mostrará como foi financiado este déficit; e se houver um superávit, o Demonstrativo indicará para onde foi enviado o saldo positivo obtido. Para tanto, existem as seguintes sub-contas: a) Contas de regularização: referem-se às operações com organismos internacionais (FMI, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Eximbanks, etc), tendo como objetivo financiar possíveis déficits do BP. Note-se que tais operações podem ocorrer mesmo se, ao final, o BP registrar um superávit, dado que tais financiamentos são contratados preventivamente, antes de se fechar o BP. b) Haveres em moeda no exterior: as Autoridades Monetárias dispõem de um estoque de moedas estrangeiras e de títulos externos de curto prazo aplicados no exterior, como resultado de superávits do BP de anos anteriores. Assim, se o BP apresentar um superávit, haverá um aumento desses haveres e o valor aparecerá com sinal negativo (indicando uma saída de haveres para o exterior). Se houver um déficit, o contrário ocorrerá. c) Ouro monetário: registra as aquisições de ouro não- monetário e as vendas de ouro pelas autoridades monetárias. No primeiro caso, o registro é feito com sinal negativo no item “variações” (saída de divisas) e, com sinal positivo no item “monetização do ouro”; no segundo caso, com sinal positivo no item “variações” (entrada de divisas) e, com sinal negativo, em “desmonetização do ouro”. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 9 d) Direitos Especiais de Saque (DES) - trata-se de um tipo de moeda escritural criada pelo Fundo Monetário Internacional. O país dispõe de um fundo de recursos em DES, no FMI, e pode movimentá-lo se necessário. 5.4.Um exemplo numérico Para facilitar a compreensão da estrutura do balanço de pagamentos e seus respectivos lançamentos contábeis, vamos dar um exemplo numérico hipotético. Assim, suponhamos que as operações entre residentes e não-residentes de um certo país foram, em determinado ano, as seguintes (valores em dólares): i) o país importa mercadorias no valor de 300 milhões, sendo 250 milhões com pagamento à vista e 50 milhões financiados a longo prazo; ii) o país recebeu 30 milhões em investimento direto, sendo 10 milhões sem cobertura cambial, isto é, sob a forma de equipamentos. iii) as exportações do país atingiram, no período, 350 milhões, pagas à vista; iv) o país pagou, à vista, 30 milhões de fretes; v) o país remeteu ao exterior 60 milhões, sendo 30 milhões referentes a juros da dívida externa; 20 milhões de remessas de lucros e 10 milhões de amortizações. vi) o país recebeu 15 milhões como donativos, sendo que 5 milhões foram em espécie, isto é, em mercadorias. vii) o FMI emprestou ao país 25 milhões para a regularização do déficit do BP. viii) os gastos de turistas estrangeiros no país atingiram a soma de 5 milhões, enquanto os turistas nacionais gastaram no exterior 10 milhões. ix) o país fez empréstimos no exterior no montante de 15 milhões. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 10 A tabela a seguir mostra a contabilização das operações acima: Contabilização do Balanço de Pagamentos _____________________________________________________ _____Operações________________ i ! ii ! iii ! iv ! v ! vi ! vii ! viii ! ix -------------------------------------------------------------------------- Exportações +350 Importações -300 -10 -5 Fretes -30 Juros -30 Lucros -20 Amortizações -10 Transferências Unilat. +15 Turismo de brasileiros -10 Turismo de estrangeiros +5 Empréstimos do exterior +15 Empréstimos do FMI +25 Financiamentos +50 Investimentos diretos +30 Haveres no exterior+250 -20 –350 +30 +60 -10 -25 -5 -15 _____________________________________________________ A montagem do balanço de pagamentos fica, então, assim: A - Balança de Transações Correntes (= 1+2+3)..: -35 1. Balança comercial: +35 a) Exportações: +350 b) Importações: -315 2. Balança der serviços: -85 a) Fretes: -30 b) Juros: -30 c) Lucros: -20 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 11 d) Turismo: -5 3. Transferências unilaterais: +15 B - Conta de Capitais (autônomos)..: +85 a) Empréstimos do exterior: +15 b) Financiamentos: +50 c) Investimentos diretos: 30 d) Amortizações: -10 C - Resultado do balanço de pagamentos (= A+B)..:+50 D- Demonstrativo do Resultado:-50 a) Empréstimos do FMI: +25 b) Haveres no exterior: -75 5.5. Transações Sobre a Linha e Sob a Linha As transações internacionais de um país podem ser classificadas em duas categorias: a) Transações sobre (ou acima) da linha - também chamadas operações autônomas, são aquelas transações que se realizam entre residentes e não-residentes, motivadas apenas pelas forças de mercado, espontaneamente, sem interferência das Autoridades Monetárias. São exemplos das transações sobre a linha: as exportações, as importações, a captação de empréstimos por empresas nacionais, os investimentos diretos, os financiamentos, o pagamento de transportes, os seguros, as viagens internacionais1, etc.. b) Transações sob ou abaixo da linha - também chamadas de movimentos compensatórios ou induzidos de capitais, são aquelas operações destinadas a cobrir eventuais déficits do balanço de pagamentos (ou a aplicar eventuais superávits). Estas operações são decorrentes do saldo (positivo ou negativo) das transações autônomas. São exemplos de tais transações os empréstimos obtidos pelas Autoridades Monetárias junto ao FMI 1 Embora, tecnicamente, o termo “operações autônomas” se aplique a todas essas operações de mercado, geralmente o termo é aplicado mais aos movimentos de capitais privados. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 12 com a finalidade de financiar déficits do BP, ou ainda, as variações, para mais ou para menos, ocorridas nas reservas internacionais do país (inclusive ouro monetário). Note-se que esses "movimentos compensatórios ou induzidos" são sempre um resultado da ação das Autoridades Monetárias para equilibrar o BP ou mesmo para a formação de reservas internacionais. 5.6. Conceito de equilíbrio do balanço de pagamentos Quando o BP está em equilíbrio? Em princípio, considera-se o BP em equilíbrio quando a soma do saldo da Conta de Transações Correntes com o saldo da Conta de Capitais (mais erros e omissões) se anulam. Um segundo conceito seria aquele que considera o BP sempre em equilíbrio, após o movimento de capitais compensatórios - isto é, após a Conta do Demonstrativo do Resultado. Alega-se, para tanto, que, por definição, o BP sempre é encerrado em equilíbrio, já que eventuais déficits decorrentes da soma das transações correntes e da conta de capitais terão que ser cobertos ou por empréstimos ou por variações dos havers no exterior. A despeito de todos esses conceitos, o que parece importar mesmo é o conceito de equilíbrio da Conta de Transações Correntes - já que é esta conta que mostra, realmente, se o país comprou mais mercadorias e serviços do que vendeu ao exterior - isto é, se o país "gastou" mais divisas do que recebeu. Isto porque, se houver um déficit de transações correntes, este déficit implicará, necessariamente, ou mais endividamento do país no exterior ou em mais investimentos externos no país (significando aumento de ativos nacionais de propriedade de estrangeiros). Assim considerado, é importante que o país mantenha um relativo equilíbrio de suas contas correntes, o que, em última análise, significa realizar um esforço maior para aumentar suas exportações de mercadorias e obter um superávit na balança comercial para compensar o crônico e inevitável déficit da balança de serviços. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 13 O ajustamento do balanço de pagamentos e as principais políticas que se poderia adotar para se corrigir desequilíbrios externos da economia são descritos a seguir. 5.7. O saldo em conta corrente: uma interpretação econômica2 A balança de serviços compreende duas categorias distintas: i) os serviços não-fatores – que não representam remuneração aos fatores de produção e que são constituídos pelos transportes, seguros, turismo e despesas governamentais; ii) os serviços fatores – que representam o pagamento aos fatores de produção, sendo constituídos pelos juros da dívida externa, as remessas de lucros, os pagamentos de salários, os aluguéis de equipamentos, os pagamentos de assistência técnica e royalties. A balança de transações correntes, como foi visto, se constitui, basicamente, de vendas e de compras de bens e serviços ao exterior. A diferença entre os pagamentos e recebimentos do exterior, nessa conta, dá origem a dois conceitos que, embora na prática às vezes são usados como sinônimos, são bastante distintos do ponto de vista econômico: a transferência líquida de recursos e a renda líquida recebida ou enviada ao exterior. Tecnicamente, a transferência líquida de recursos ao exterior corresponde à diferença entre as exportações de bens e serviços não-fatores e as importações de bens e serviços não- fatores. Ou seja, corresponde ao saldo da balança comercial mais o saldo da balança de serviços não-fatores. A essa diferença, com sinal trocado, se dá o nome de hiato de recursos – que indica o quanto o país consome a mais sobre aquilo que produz. De outra parte, a renda recebida (+) ou enviada (-) ao exterior corresponde ao saldo de serviços fatores mais as transferências unilaterais. Assim, em síntese, tem-se: 2 Vide M. H. Simonsen e R.P.Cysne – Macroeconomia – Ed. Atlas/FGV Editora, R.J., 1995, Cap. 2. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 14 Saldo do BP em conta corrente = transferência líquida de recursos para o exterior + renda líquida recebida (ou - renda enviada) ao exterior. Tomando o exemplo do exercício numérico da seção 4.6., constata-se que o saldo da balança comercial era de +35; o da balança de serviços era igual a –85, decomposto em -35 de serviços não-fatores e –50 de serviços fatores (juros e lucros), enquanto as transferências unilaterais apresentaram um saldo de +15. Temos, assim: (a) Transferência líquida de recursos ao exterior: 0 (b) Renda líquida enviada ao exterior: -35 (c) Saldo do BP em conta corrente (= a + b): -35. Deste modo, pode-se afirmar que, no período considerado, este país não apresentou “hiato de recursos”, mas transferiu 35 de renda líquida para o exterior – que, nesse exemplo, corresponde ao saldo em conta corrente. Poupança externa Um aspecto importante a salientar é que, caso o país registre saldo negativo na conta corrente do BP, tal fato exigirá, necessariamente, uma entrada de capitais autônomos e/ou compensatórios para financiá-lo. Por essa razão, se diz que, economicamente, um saldo negativo em transações correntes significa que o país está poupança externa de igual valor, poupança esta que se destina ao financiamento de parte do investimento doméstico. Pela mesma razão, caso aquele saldo seja positivo, significa que o país está exportando poupança interna para financiar investimentos no exterior. Nesse raciocínio, se o país receber um volume de capitais autônomos maior que seu saldo negativo em conta corrente – apresentando, portanto, um saldo positivo no BP total – esse excesso de entrada de capitais externos não será absorvido pela economia, domesticamente, ficando depositado no exterior como reservas adicionais que poderão ser usadas no futuro. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 15 II - Taxa de Câmbio 5.8. Mercado cambial e taxa de câmbio: conceito Um dos aspectos que distingue o comércio internacional do comércio interno é o fato de que aquele envolve moedas diferentes de diferentes países. Quando algum brasileiro compra um aparelho de televisão dos Estados Unidos, ele tem de pagá-la em dinheiro americano, isto é, em dólar. Da mesma forma, se uma empresa americana desejar adquirir café brasileiro, terá que pagar sua transação em reais ao produtor brasileiro. É esta necessidade de fazer pagamentos no exterior em moedas diferentes da usada no próprio país que faz surgir a taxa de câmbio e o mercado cambial. O mercado de câmbio consiste de um grande número de bancos, corretores e exportadores e importadores, além do Tesouro Nacional e bancos centrais, interessados na compra e venda de divisas estrangeiras. Como todo mercado, o mercado de câmbio conta com uma oferta e com uma demanda de divisas ou moedas estrangeiras. Do lado dos vendedores, ou ofertadores, temos os exportadores, os tomadores de empréstimos no exterior, vendedores de serviços, turistas estrangeiros, investidores de capital de risco, etc.; do lado dos compradores, ou demandantes das divisas estrangeiras, temos os importadores, compradores de serviços do exterior, turistas nacionais, devedores no exterior, etc. Como qualquer mercadoria, a divisa estrangeira tem um preço (ou cotação) dado pela taxa de câmbio que pode assim ser definida: Taxa de câmbio é o preço, em termos da moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira. De uma forma geral, a taxa de câmbio entre duas moedas quaisquer deve refletir a relação entre os preços domésticos e os preços praticados nos demais países, dos bens, serviços e fatores de produção. Neste sentido, deve-se observar que as quantidades de uma moeda em relação a outra, digamos, o dólar, não tem CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 16 qualquer significado ou implicação mais importante, pois tudo depende do padrão monetário interno de cada país. Assim, por exemplo, se a taxa de câmbio entre o iene japonês e o dólar americano é, hoje, de 110 ienes por dólar, isto não significa, em absoluto, que o iene é uma moeda “mais fraca” que a moeda americana. O que é, de fato, importante, é verificar se esta taxa ou paridade está variando e em que direção. Note-se que há alguns anos atrás um dólar equivalia a 220 ienes. Hoje, o iene se fortaleceu e o preço do dólar, na moeda japonesa, caiu a metade! Também é importante observar se as variações ocorridas na taxa de câmbio são explicadas por flutuações de mercado (movimentos de oferta e demanda) ou por diferenciais de inflação entre dois países, e se tais variações acarretam perdas ou ganhos reais do poder de compra da moeda nacional nas operações externas. Adicionalmente, não se pode classificar, a priori, tais variações como um mal em si, pois, às vezes, trata-se de correções de distorções anteriores. 5.9. Sistemas cambiais A questão que, de imediato, se coloca é: como é determinado o valor da taxa de câmbio entre duas moedas de dois países diferentes? Isto depende de cada país. De uma forma geral, a taxa de câmbio ou é determinada pelo livre funcionamento das forças de mercado ou é fixada e administrada pela autoridade monetária, isto é, pelo Banco Central. No primeiro caso, temos as chamadas taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes; no segundo, temos as taxas de câmbio fixas. Vejamos a operação de cada um desses sistemas. 5.9.1. Taxas de câmbio fixas no padrão-ouro Para você entender melhor como são fixadas as taxas de câmbio, vamos relembrar um pouco como funcionava o sistema cambial há algumas décadas atrás. No século XIX, o sistema CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 17 cambial predominante era baseado no chamado “padrão-ouro”. Sob este sistema, as autoridades monetárias de cada nação fixavam o preço do ouro em termos da moeda nacional e se comprometiam a comprar e a vender qualquer quantidade de ouro a tal preço. Evidentemente, este preço era condicionado à quantidade de moeda circulando e à quantidade de ouro estocado no Banco Central do país. Dada uma certa quantidade de ouro ali existente, seu preço em moeda nacional seria tanto maior quanto maior fosse a quantidade de moeda nacional em circulação. Ou seja, a paridade entre a moeda nacional e o ouro dependia da quantidade existente de moeda e de ouro. A partir desta relação de preços entre o ouro e a moeda nacional, tornava-se fácil estabelecer a taxa de câmbio entre duas moedas de dois países diferentes – a chamada paridade de cunhagem. Uma vez assim fixada, a taxa de câmbio só podia variar acima ou abaixo desta paridade no montante do custo de embarcar ouro entre duas nações – os chamados “pontos do ouro”. Para entender melhor este sistema, suponha que a paridade cambial ou par metálico (no padrão-ouro) entre o dólar americano e o franco francês fosse a seguinte: US$ 1 = FF 5 (este valor era derivado do fato de que, nos Estados Unidos, um grama de ouro deveria custar um dólar, enquanto, na França, um grama custava 5 francos). Caso, por qualquer razão, a demanda por dólares na França aumentasse, o preço da moeda americana subiria, digamos, para US$ 1 = FF 6, bem acima, portanto, da paridade metálica com o ouro. Vamos supor que o custo (despesas de frete, seguros, etc.) de se remeter ouro da França para os Estados Unidos fosse de FF 0,50 por quantidade de ouro equivalente a um dólar. Se assim era, pode-se concluir que o francês preferirá comprar ouro em seu país e remetê-lo para pagar suas contas nos Estados Unidos, ao invés de trocar seis francos por um dólar. Em outras palavras, o limite superior de variação da taxa de câmbio de paridade era dado por FF 5,50 por dólar (isto é, a taxa de câmbio mais a taxa de transporte do ouro). Acima deste valor, era preferível trocar franco por ouro e remetê-lo para os Estados Unidos. O mesmo raciocínio se aplicaria na hipótese de haver um aumento da demanda americana por franco francês, fazendo com CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 18 que a taxa de câmbio se reduzisse para, digamos, FF 4,00 por dólar. Neste caso, com o custo de enviar ouro dos Estados Unidos para a França situado nos mesmos FF 0,50 mencionados anteriormente, era preferível ao americano comprar ouro no seu país e remetê-lo para a França, trocando neste país um grama por 5 francos. Como ele gastou FF 0,50 na remessa, receberia, liquidamente, FF 4,50 por um dólar (mais do que os FF 4,00 por dólar mencionado antes). $US FF S (gold point) 5,50 (saída) 5,00 (gold point) 4,50 (entrada) D US$ Figura 5.1. Assim, no padrão-ouro, a taxa de câmbio entre duas moedas era relativamente fixa, podendo variar dentro de intervalos mínimos, definidos pelo custo de transporte do ouro de um país para outro. Estes limites superior e inferior para variação da taxa de câmbio de paridade metálica eram chamados de “pontos de ouro” (gold-points). No exemplo acima, e conforme mostrado na Figura 5.1., o limite superior seria FF 5,50 e o inferior seria FF 4,50. Note-se que este sistema foi usado de forma generalizada na chamada “era dourada”, de 1870 a 1914. Já na década de 20 e início de 30 do século passado, seu uso foi esporádico, entrando em verdadeiro colapso durante a Grande Depressão. Depois da 2ª Grande Guerra, o Tratado de Bretton Woods (1944) criou um CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 19 sistema de câmbio fixo para os países-membros do Fundo Monetário Internacional (FMI), composto pela maioria das economias de mercado. Pelo novo acordo, cada nação deveria definir o valor da respectiva moeda em relação ao dólar que, por sua vez, era conversível em ouro à taxa fixa de US$ 35,00 por onça3. Depois de muitas idas e vindas, o Tratado de Bretton Woods caiu em 1971, quando o Presidente Nixon suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro (ou seja, os Estados Unidos não mais converteriam dólares em ouro, seja para os governos estrangeiros, seja para as instituições financeiras estrangeiras ou não). Simultaneamente a esta medida, os Estados Unidos alteraram unilateralmente a paridade, isto é, a taxa de câmbio – do dólar em relação às demais moedas européias e japonesa. Desde 1973, as principais moedas do mundo industrializado trabalham sob um esquema de câmbio flutuante, mas sob certo controle da autoridade monetária do país (a chamada “flutuação suja”), onde as principais moedas – dólar, marco alemão, franco francês, iene japonês – flutuam entre si, de uma forma quase livre, como se verá mais adiante, quando falarmos das taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes. Antes, porém, convém falar um pouco sob um outro tipo de taxa de câmbio fixa ou administrada, usado nas economias em desenvolvimento. 5.9.2. Taxa de câmbio fixa, pós-padrão-ouro A maioria dos países em desenvolvimento, o Brasil, inclusive, por não terem moeda conversível – isto é, uma moeda que seja aceita nas trocas internacionais – não pode se dar ao luxo de adotar um mercado cambial livre, sob o risco de se verem sem reservas em divisas estrangeiras na quantidade necessária para atender seus pagamentos no exterior. 3 Vale observar que a conversibilidade do dólar em ouro era parcial, pois somente as instituições financeiras e governos estrangeiros poderiam fazê-lo. Os habitantes dos Estados Unidos não podiam possuir ouro monetário e a Reserva Federal não era obrigada a converter dólares em ouro para a população.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 20 Neste caso, esses países costumam adotar um regime cambial fixo, no sentido de que o valor da taxa de câmbio é determinado pela autoridade monetária nacional que, a princípio, deveria vender e comprar a moeda estrangeira, em qualquer quantidade, ao preço por ela fixado. Assim, por exemplo, se o Banco do México resolver fixar a taxa de câmbio peso mexicano/dólar a P$ 3 = 1 US$, garantindo a conversibilidade a esta taxa, isto significa que o banco mexicano se compromete a vender 3 pesos por um dólar, ou a pagar um dólar por três pesos mexicanos. Na vida real, no entanto, em vários países em desenvolvimento, principalmente quando enfrentam déficits no balanço de pagamentos, não se consegue vender ou comprar a moeda estrangeira pelo valor fixado oficialmente, pelo menos na quantidade desejada, dado que, além de fixar o valor do câmbio, muitas vezes a autoridade monetária limita a quantidade a ser transacionada no mercado oficial, dando margem, geralmente, ao surgimento de um mercado paralelo de divisas – o chamado “mercado negro”. Uma observação importante é que, no caso deste regime de câmbio fixo, o arranjo mais comum é um país definir a taxa de câmbio entre a moeda nacional e uma determinada moeda estrangeira (podendo ser o dólar ou o iene ou o franco francês, dependendo da área de influência econômica a que pertence o país), estabelecendo, após isso, as taxas de câmbio com outras moedas a partir da relação entre estas e a moeda estrangeira escolhida como “âncora”. Observe-se, também, que o fato de ser “fixada” pelo Banco Central do país não significa que a taxa de câmbio permanece constante para sempre. Ao contrário, seu valor pode ser alterado – sempre pela autoridade monetária – seja porque está havendo inflação doméstica, seja por questões de balanço de pagamentos. No caso brasileiro, por exemplo, até 1993, devido às altas taxas de inflação, o câmbio era alterado diariamente – o chamado sistema de minidesvalorizações cambiais – de forma a manter a paridade real do poder de compra da taxa de câmbio. Por fim, vale dizer ainda que, num regime de taxas de câmbio fixas, quando o Banco Central compra moeda estrangeira, ocorre, nesse momento, um aumento da chamada base monetária. Caso o Banco Central venda a moeda estrangeira – para importadores, CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 21 turistas, etc. – a base monetária se reduz. Em outras palavras, a oferta interna de moeda nacional aumenta ou diminui quando as reservas internacionais do país aumentam ou se reduzem. 5.9.3. Taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes Num regime ou sistema cambial de taxas flexíveis ou flutuantes, o preço da divisa estrangeira, ou taxa de câmbio, é determinado pelo livre jogo da oferta e da demanda de moeda estrangeira. Imaginemos como seria determinada a taxa de câmbio entre o franco francês (FF) e o dólar americano (US$) no mercado de Paris: por trás da demanda da França por dólares está o desejo dos franceses de importar bens e serviços dos Estados Unidos e realizar outras transferências de pagamentos para este país. A demanda francesa por dólares tem inclinação negativa, como mostra a Figura 5.2, porque taxas de câmbio mais baixas significam que os franceses despenderão menos francos para adquirir produtos e serviços no mercado americano. Ou seja, os Estados Unidos se tornam, para os franceses, um lugar mais barato para se comprar e se investir. Figura 5.2. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 22 De outro lado, por trás da oferta de dólares pelos Estados Unidos está o desejo dos americanos de importar bens e serviços franceses, ou de investir na França ou emprestar a empresas neste país. Quanto mais francos forem trocados por um dólar, mais atrativo se torna o mercado francês para os americanos – que, assim, ofertarão mais e mais dólares naquele mercado Isto nos fornece uma curva de oferta de dólares positivamente inclinado, como mostra na Figura 1. Como em qualquer mercado, a taxa de câmbio de equilíbrio é determinada pela intersecção das curvas de oferta e de demanda. No caso da Figura 8.2, a taxa de câmbio de equilíbrio será FF 5,50 = 1 US$. Qualquer valor acima desta taxa implicará um excesso de oferta de dólares no mercado francês, enquanto qualquer valor abaixo implicará excesso de demanda pela moeda americana. Suponha, agora, que, mantida constante a demanda inicial (curva Do), ocorra, por qualquer razão, um aumento da oferta americana de dólares no mercado francês, como seria o caso de um aumento do fluxo turístico de americanos nos meses de verão europeu. Em conseqüência, a curva de oferta se deslocaria para S1 – o que provocará uma queda da taxa de câmbio para FF 4,00 = 1 US$. Da mesma forma, se, por uma razão qualquer, houver um aumento da procura francesa por dólares, a curva de demanda se deslocará para a direita, para D1 – o que causará um aumento da taxa de câmbio para FF 6,00 = 1 US$. Observe-se que, num mercado cambial livre, as alterações na oferta e na demanda de divisas estrangeiras podem resultar tanto de uma variação nas transações normais realizadas com o exterior (aumento ou queda das exportações ou das importações, uma maior entrada de empréstimos ou de investimento de risco, etc.), como também podem ser o resultado de movimentos especulativos de aplicadores interessados em tirar proveito de diferenciais de taxas de câmbio. De todo modo, ainda que as flutuações cambiais não sejam incomuns, a tendência normal das taxas de câmbio, nos mercados livres, é a de permanecer estáveis a médio e longo prazos. Um ponto importante a observar é que, no mundo de hoje, praticamente inexiste um mercado onde a taxa de câmbio seja determinada de forma totalmente livre pelos movimentos da oferta e da demanda. Mesmo nos países desenvolvidos – França, Estados CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 23 Unidos, Inglaterra, Japão, Alemanha, Itália, etc. – o mercado funciona razoavelmente livre, porém sob um certo controle das autoridades monetárias. É a chamada “flutuação suja” dirty floating. O objetivo disso é o de evitar que movimentos especulativos provoquem distúrbios ou perturbações no mercado cambial internacional. 5.10. Flutuações da taxa de câmbio Diversos fatores podem provocar variações rotineiras no valor da taxa de câmbio. Geralmente, são fatores que alteram ou influenciam a demanda e a oferta de divisas estrangeiras. Assim, por exemplo, além da taxa de câmbio, a demanda por divisas é afetada pelas seguintes variáveis: i) a expansão do produto interno (Y) do país: se o produto interno estiver crescendo, deve ocorrer um aumento das importações – o que induzirá um aumento da demanda por moeda estrangeira; este aumento da demanda provocará uma variação para mais do valor da taxa de câmbio; ii) variações do nível de preços internos (Pi) ou dos preços externos (Pe); caso Pi se eleve, as importações ficarão relativamente mais baratas – o que provocará um aumento das importações e, conseqüentemente, da demanda por divisas; caso Pe se eleve, ocorrerá o contrário: as importações ficarão mais caras, provocando, em conseqüência, uma queda nas importações e, daí, na demanda por divisas; iii) taxa de juros interna (ri) e externa (re): um aumento em ri certamente estimulará a entrada de mais capitais no país para aplicações no mercado financeiro – aumentando a oferta de divisas estrangeiras no mercado interno; caso a re se eleve, haverá um estímulo à saída de capitais para o exterior – o que provocará um aumento da demanda por divisas para esta remessa para fora. Podemos resumir essas colocações afirmando que a demanda por divisas (Dd) pode ser representada pela seguinte equação: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 24 Dd = f(e, Y, Pi, Pe, ri, re) - + + - - + onde, e = taxa de câmbio (e vem da palavra inglesa exchange, que significa câmbio); os sinais – e + querem dizer que a demanda por divisa é, respectivamente, crescente ou decrescente em relação à variável considerada. Essas mesmas variáveis afetam positiva ou negativamente a oferta de divisas, exceto que, no caso do produto, o que interessa não é o comportamento do produto interno (Y) e, sim, o comportamento do produto ou renda do resto do mundo (YRM). Ou seja, a oferta de divisas (Sd) pode ser assim representada: Sd = f(e, YRM, Pi, Pe, ri, re) + + - + + - Representação gráfica O efeito de eventuais mudanças nessas variáveis sobre a demanda e a oferta de divisas pode ser visualizado graficamente do seguinte modo: Vamos imaginar que o mercado cambial esteja em equilíbrio à taxa de câmbio eo, tal como mostrado na Figura 5.3 – que nada mais é que uma repetição da Figura 5.2. e Sd eo Dd Qo Q Figura 5.3 CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 25 Agora, vamos supor que ocorra um aumento dos preços internos (Pi)– ou seja, houve inflação interna. Nesta hipótese, como já vimos anteriormente, a demanda por divisas deverá aumentar – o que, graficamente, é representado por um deslocamento da curva de demanda (Dd) para a direita – enquanto a oferta de divisas deverá diminuir – implicando um deslocamento da curva de oferta (Sd) para a esquerda 4. Conforme se pode observar pela Figura 5.4., o resultado desses deslocamentos foi um aumento da taxa de câmbio de eo para e1. e Dd1 Sd1 Ddo Sdo e1 eo Q Figura 5.4. Deixamos para você a análise e conclusões, caso ocorresse o inverso, isto é, se, ao invés de um aumento dos preços internos, ocorresse uma elevação dos preços dos preços externos (Pe). 5.11. Apreciação e depreciação da moeda nacional e seus efeitos sobre o balanço de pagamentos. Conclusões. No caso de um sistema de taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes, caso haja um aumento no valor da taxa de câmbio, diz- se que houve uma depreciação ou desvalorização da moeda nacional; ou seja, serão necessários, agora, mais unidades da moeda nacional para se adquirir uma unidade da moeda do outro país. 4 Se você não entendeu o por quê desses deslocamentos dessas curvas, volte lá em nossa Aula n° 2 e releia este tópico. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 26 Na hipótese inversa, isto é, se houve uma redução no valor da taxa de câmbio, diz-se que houve uma apreciação ou valorização da moeda nacional. De outra parte, se o sistema cambial adotado pelo país for o de taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes, o total de divisas ofertadas no mercado é, automaticamente, igualado pelo total de demanda por estas divisas. Isso se explica pela seguinte razão: se, ao preço vigente da taxa de câmbio, e por um motivo qualquer, houver um aumento na demanda por divisas, seu preço se elevará – o que deverá causar, de um lado, um aumento na oferta de divisas e, de outro, reduzirá, num segundo momento, uma redução do novo valor da taxa de câmbio, até que o mercado se reequilibre. Raciocínio inverso se aplica caso ocorra, por uma razão qualquer, um aumento da oferta de divisas. Nesta hipótese, o preço da taxa de câmbio cairá, estimulando a demanda por divisas e, num segundo momento, reduzindo a nova oferta de divisas (por que seu valor caiu) e, novamente, ao fim e ao cabo, o mercado achará uma nova taxa de câmbio de equilíbrio. De tudo isso se conclui que, num sistema de taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes, o saldo do Balanço de Pagamentos (BP) estará automaticamente em equilíbrio, sem necessidade de o Banco Central interferir ou alterar o volume das reservas internacionais do país, já que o total de divisas ofertadas sempre se igualará ao total de divisas demandadas. Uma última questão antes de encerrarmos esta nossa 5ª Aula de Economia: Qual o sistema cambial adotado atualmente pelo Brasil? Até 1994 – quando da implantação do Plano Real – o Brasil adotava o sistema de taxas de câmbio fixas ou administradas. A partir do Plano Real, através de um processo de ajuste sucessivo, o Banco Central do Brasil foi introduzindo o sistema de taxas de câmbio flexíveis que nunca foi, na prática, inteiramente adotado. Na realidade, o Brasil, hoje, utiliza um sistema que poderia ser chamado de “misto”, mais conhecido como flutuação suja (dirty floating5). Por este sistema, o Banco Central deixa que as taxas de 5 O sistema de taxas de câmbio totalmente flexíveis, onde não há qualquer interferência do Banco Central – ou seja, o sistema “puro” é denominado clean floating (flutuação limpa). CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 27 câmbio flutuem ao sabor da oferta e da demanda por divisas – porém, dentro de um certo intervalo, com limite máximo e mínimo – o chamado sistema de bandas. Nesse processo, se a taxa de câmbio ameaça romper o limite mínimo – porque há um excesso de oferta de divisas – o Banco Central entra no mercado comprando divisas, provocando, em conseqüência, uma elevação no valor da taxa de câmbio e evitando, assim, que o limite mínimo seja rompido. Da mesma forma, se houver uma ameaça de rompimento do limite máximo, o Banco Central entra no mercado oferecendo divisas estrangeiras, derrubando, assim, o valor da taxa de câmbio. Com essas colocações, encerramos esta nossa 5ª Aula. A seguir, são apresentados alguns exercícios de revisão e fixação sobre balanço de pagamentos e taxa de câmbio. Até nossa próxima aula. ___________________ EXERCÍCIOS DE REVISÃO E FIXAÇÃO: (gabarito ao final) 11.. CCoomm rreellaaççããoo aaooss rreeggiissttrrooss ccoonnttáábbeeiiss nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss,, eessttããoo ccoorrrreettaass aass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: aa)) ttooddaass aass ttrraannssaaççõõeess ssããoo rreeggiissttrraaddaass ccoomm dduuaass eennttrraaddaass,, uummaa aa ccrrééddiittoo ee oouuttrraa aa ddéébbiittoo;; bb)) qquuaallqquueerr ttrraannssaaççããoo ddee uumm rreessiiddeennttee nnoo ppaaííss ccoomm uumm rreessiiddeennttee nnoo eexxtteerriioorr ggeerraa uumm ““hhaavveerr”” ((ddiirreeiittoo)) nnoo eexxtteerriioorr;; cc)) ssee uumm rreessiiddeennttee nnoo ppaaííss ccoommpprraarr uummaa mmááqquuiinnaa ddee uumm rreessiiddeennttee nnoo eexxtteerriioorr,, eessttaa ooppeerraaççããoo ggeerraarráá uummaa ““oobbrriiggaaççããoo”” nnoo eexxtteerriioorr;; dd)) uummaa eexxppoorrttaaççããoo éé llaannççaaddaa aa ccrrééddiittoo,, nnoo BBaallaannççoo ddoo PPaaggaammeennttoo.. 22.. AA bbaallaannççaa ccoommeerrcciiaall ccoommpprreeeennddee:: aa)) aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss;; bb)) ssoommeennttee aass eexxppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass ee sseerrvviiççooss;; cc)) ssoommeennttee aass iimmppoorrttaaççõõeess ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss;; dd)) ssoommeennttee aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee sseerrvviiççooss;; ee)) ssoommeennttee aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass.. 33.. AA ccoonnttaa ddee ttrraannssaaççõõeess ccoorrrreenntteess ccoommpprreeeennddee:: aa)) aass bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall ee ddee ttrraannssffeerrêênncciiaass uunniillaatteerraaiiss;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 28 bb)) aass bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall ee ddee sseerrvviiççooss;; cc)) aass bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall,, ddee sseerrvviiççooss ee ooss mmoovviimmeennttooss ddee ccaappiittaall;; dd)) ssoommeennttee ooss mmoovviimmeennttooss ddee ccaappiittaall;; ee)) bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall,, ddee sseerrvviiççooss ee ttrraannssffeerrêênncciiaass uunniillaatteerraaiiss.. 44.. NNããoo ffaazz ppaarrttee ddaa ccoonnttaa ddee ttrraannssaaççõõeess ccoorrrreenntteess:: aa)) rreemmeessssaa ddee lluuccrrooss ee ddiivviiddeennddooss;; bb)) ppaaggaammeennttooss ddee jjuurrooss ddaa ddíívviiddaa;; cc)) eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass;; dd)) iinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss;; ee)) vviiaaggeennss iinntteerrnnaacciioonnaaiiss.. 55.. CCoonnssiiddeerraamm--ssee rreennddaass ddee ccaappiittaaiiss:: aa)) aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss ee aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa;; bb)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee lluuccrrooss;; cc)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss;; dd)) aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss ee ddee lluuccrrooss;; ee)) nneennhhuummaa ddaass aalltteerrnnaattiivvaass aanntteerriioorreess.. 66.. NNããoo ffaazz ppaarrttee ddaa ccoonnttaa ddee sseerrvviiççooss:: aa)) aass rreemmeessssaass ppaarraa aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa;; bb)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee lluuccrrooss;; cc)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss;; dd)) aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss ee ddee lluuccrrooss;; 77.. NNããoo ffaazz ppaarrttee ddaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss:: aa)) aass aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa;; bb)) ooss iinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss ((ccaappiittaall ddee rriissccoo));; cc)) ooss eemmpprrééssttiimmooss ee ffiinnaanncciiaammeennttooss ddee ccuurrttoo pprraazzoo;; dd)) aass rreemmeessssaass ddee lluuccrrooss ee ddee jjuurrooss;; ee)) ooss eemmpprrééssttiimmooss ddee lloonnggoo pprraazzoo.. 88.. SSee hhoouuvveerr uumm ddééffiicciitt eemm ttrraannssaaççõõeess ccoorrrreenntteess,, oo eeqquuiillííbbrriioo ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss:: aa)) eexxiiggiirráá,, oobbrriiggaattoorriiaammeennttee,, oo iinnggrreessssoo ddee ccaappiittaaiiss ddee rriissccoo;; bb)) ttaannttoo ppooddee sseerr oobbttiiddoo aattrraavvééss ddoo iinnggrreessssoo ddee ccaappiittaaiiss aauuttôônnoommooss,, ccoommoo ppoorr mmoovviimmeennttooss iinndduuzziiddooss ddee ccaappiittaall ((eemmpprrééssttiimmooss ooffiicciiaaiiss));; cc)) lleevvaarráá,, oobbrriiggaattoorriiaammeennttee,, aa uummaa rreedduuççããoo ddaass rreesseerrvvaass iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ddoo ppaaííss;; dd)) nnããoo ppooddeerráá sseerr oobbttiiddoo aa ccuurrttoo pprraazzoo;; ee)) ffoorrççaarráá uummaa rreedduuççããoo ddaa rreemmeessssaa ddee jjuurrooss ppaarraa oo eexxtteerriioorr.. 99.. AAss vveennddaass ddee oouurroo ppeelloo BBaannccoo CCeennttrraall àà iinnddúússttrriiaa nnaacciioonnaall ssããoo rreeggiissttrraaddaass:: aa)) nnaa ccoonnttaa ddee sseerrvviiççooss;; bb)) nnaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss;; cc)) nnaa ccoonnttaa ““ddeessmmoonneettiizzaaççããoo”” ddee oouurroo;; dd)) nnaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss,, ccoommoo ssaaííddaa ddee ddiivviissaass;; ee)) nnããoo ssããoo rreeggiissttrraaddaass nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss.. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 29 1100.. AAss ttrraannssaaççõõeess aabbaaiixxoo ssããoo rreeggiissttrraaddaass nnaa ccoonnttaa ddee sseerrvviiççooss,, ccoommoo ““ttrraannssppoorrtteess””,, eexxcceettoo:: aa)) aass ddeessppeessaass ccoomm ffrreetteess ddaass mmeerrccaaddoorriiaass iimmppoorrttaaddaass;; bb)) aass rreecceeiittaass ccoomm ffrreetteess ddaass mmeerrccaaddoorriiaass eexxppoorrttaaddaass;; cc)) oo vvaalloorr ddaass ppaassssaaggeennss aaddqquuiirriiddaass ppoorr rreessiiddeenntteess ààss ccoommppaannhhiiaass aaéérreeaass PPaann-- AAmméérriiccaa;; dd)) oo vvaalloorr ddaass ppaassssaaggeennss aaddqquuiirriiddaass ppoorr nnããoo--rreessiiddeenntteess àà VVAARRIIGG;; ee)) oo vvaalloorr ddaass ppaassssaaggeennss aaddqquuiirriiddaass ppoorr rreessiiddeenntteess àà VVAARRIIGG.. 1111.. SSee uummaa eemmpprreessaa mmuullttiinnaacciioonnaall oobbtteevvee uumm lluuccrroo ddee CCrr$$ 33 bbiillhhõõeess,, eemm ssuuaass ooppeerraaççõõeess nnoo BBrraassiill,, ee ddeecciiddee eennvviiaarr ppaarraa ssuuaa mmaattrriizz,, nnoo eexxtteerriioorr,, aappeennaass CCrr$$ 11 bbiillhhããoo,, rreeiinnvveessttiinnddoo nnoo BBrraassiill ooss rreessttaanntteess CCrr$$ 22 bbiillhhõõeess,, oo rreeggiissttrroo nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss:: aa)) sseerráá ffeeiittoo nnoo iitteemm ““RReemmeessssaa ddee LLuuccrrooss””,, rreeggiissttrraannddoo--ssee aappeennaass oo mmoonnttaannttee eeffeettiivvaammeennttee rreemmeettiiddoo;; bb)) sseerráá ffeeiittoo nnoo iitteemm ““RReemmeessssaa ddee LLuuccrrooss””,, rreeggiissttrraannddoo--ssee oo ttoottaall ddooss lluuccrrooss oobbttiiddooss,, rreeggiissttrraannddoo--ssee ccoommoo ““eennttrraaddaa””,, nnoo iitteemm ““iinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss”” oo mmoonnttaannttee ddoo rreeiinnvveessttiimmeennttoo;; cc)) nnããoo sseerráá ffeeiittoo qquuaallqquueerr rreeggiissttrroo nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss,, ppooiiss oo ccaappiittaall iinnvveessttiiddoo jjáá ffoorraa rreeggiissttrraaddoo nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss ddee aannooss aanntteerriioorreess;; dd)) ssóó ccoorrrreessppoonnddeerráá aa ppaarrttee ddoo lluuccrroo qquuee eeffeettiivvaammeennttee ffooii rreeiinnvveessttiiddaa nnoo ppaaííss;; ee)) nneennhhuummaa ddaass aalltteerrnnaattiivvaass.. 1122.. NNuummaa eeccoonnoommiiaa aabbeerrttaa,, uumm ddééffiicciitt nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eemm ccoonnttaa ccoorrrreennttee ccoorrrreessppoonnddee aa:: aa)) uummaa eexxppoorrttaaççããoo ddee ppoouuppaannççaa ddoommééssttiiccaa qquuee ssee ccaannaalliizzaa ppaarraa iinnvveessttiimmeennttooss nnoo eexxtteerriioorr;; bb)) uummaa ssaaííddaa ddee ccaappiittaaiiss ppaarraa oo eexxtteerriioorr;; cc)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo nníívveell ddee rreesseerrvvaass iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ddoo ppaaííss;; dd)) uummaa iimmppoorrttaaççããoo ddee ppoouuppaannççaa eexxtteerrnnaa,, qquuee ssee ccaannaalliizzaa ppaarraa iinnvveessttiimmeennttooss ddoommééssttiiccooss.. 1133.. NNaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss nnããoo ssããoo rreeggiissttrraaddooss:: aa)) oo mmoovviimmeennttoo ddee ccaappiittaaiiss aauuttôônnoommooss;; bb)) ooss ffiinnaanncciiaammeennttooss ddee iimmppoorrttaaççõõeess aaddqquuiirriiddaass ppaarraa ppaaggaammeennttoo aa pprraazzoo;; cc)) ooss iinnvveessttiimmeennttooss ee rreeiinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss;; dd)) aass aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa eexxtteerrnnaa;; ee)) oo mmoovviimmeennttoo ddee ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss,, iissttoo éé,, iinndduuzziiddooss ppaarraa aa rreegguullaarriizzaaççããoo ddooss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss.. 1144.. AAss ““ccoonnttaass ddee rreegguullaarriizzaaççããoo”” rreeffeerreemm--ssee:: aa)) ààss ooppeerraaççõõeess ccoomm oorrggaanniissmmooss iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ((FFMMII,, BBIIRRDD,, eettcc..)),, ccoomm oo oobbjjeettiivvoo ddee ffiinnaanncciiaarr ppoossssíívveeiiss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; bb)) ààss ooppeerraaççõõeess ddee aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa eexxtteerrnnaa;; cc)) ààss vvaarriiaaççõõeess ppaarraa mmaaiiss oouu ppaarraa mmeennooss ddooss hhaavveerreess ddaass aauuttoorriiddaaddeess mmoonneettáárriiaass nnoo eexxtteerriioorr;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 30 dd)) aaooss mmoovviimmeennttooss ddee ““oouurroo mmoonneettáárriioo””.. 1155.. AAss ooppeerraaççõõeess aabbaaiixxoo ssããoo eexxeemmppllooss ddee ““ttrraannssaaççõõeess ssoobbrree ((oouu aacciimmaa)) aa lliinnhhaa””,, eexxcceettoo:: aa)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess eennvvoollvveennddoo aa bbaallaannççaa ccoommeerrcciiaall;; bb)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess eennvvoollvveennddoo aa bbaallaannççaa ddee sseerrvviiççooss;; cc)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess mmoottiivvaaddaass aappeennaass ppeellaass ffoorrççaass ddee mmeerrccaaddoo;; dd)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess ddaass aauuttoorriiddaaddeess mmoonneettáárriiaass ccoomm oo oobbjjeettiivvoo ddee ccoobbrriirr eevveennttuuaaiiss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; ee)) aass ttrraannssffeerrêênncciiaass uunniillaatteerraaiiss.. 1166.. EExxiisstteemm ddiivveerrssooss ccoonncceeiittooss ddee ““eeqquuiillííbbrriioo”” ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss,, sseennddoo oo ccoonncceeiittoo mmaaiiss rreelleevvaannttee aaqquueellee qquuee:: aa)) ccoonnssiiddeerraa qquuee oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eessttáá eemm eeqquuiillííbbrriioo qquuaannddoo aa ssoommaa ddoo ssaallddoo ddaa CCoonnttaa ddee TTrraannssaaççõõeess CCoorrrreenntteess ccoomm oo ssaallddoo ddaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss ((mmaaiiss eerrrrooss ee oommiissssõõeess)) ssee aannuullaamm;; bb)) ccoonnssiiddeerraa oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss sseemmpprree eemm eeqquuiillííbbrriioo,, aappóóss oo mmoovviimmeennttoo ddooss ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss;; cc)) ccoonnssiiddeerraa oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eemm eeqquuiillííbbrriioo qquuaannddoo oo ssaallddoo ddaa ccoonnttaa ddee ttrraannssaaççõõeess éé zzeerroo;; dd)) ccoonnssiiddeerraa oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eemm eeqquuiillííbbrriioo,, qquuaannddoo oo vvaalloorr ddaass eexxppoorrttaaççõõeess éé iigguuaall aaoo vvaalloorr ddaass iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass.. 1177.. AAss ooppeerraaççõõeess aabbaaiixxoo ssããoo eexxeemmppllooss ddee ““ttrraannssaaççõõeess ssoobb ((oouu aabbaaiixxoo)) aa lliinnhhaa””,, eexxcceettoo:: aa)) ooss eemmpprrééssttiimmooss ee ffiinnaanncciiaammeennttooss oobbttiiddooss jjuunnttoo aaooss bbaannccooss pprriivvaaddooss;; bb)) ooss eemmpprrééssttiimmooss oobbttiiddooss ppeellaass aauuttoorriiddaaddeess mmoonneettáárriiaass ccoomm oo oobbjjeettiivvoo ddee ccoobbrriirr eevveennttuuaaiiss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; cc)) aass vvaarriiaaççõõeess,, ppaarraa mmaaiiss oouu ppaarraa mmeennooss,, ddaass rreesseerrvvaass iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ddoo ppaaííss;; dd)) ooss mmoovviimmeennttooss ddee ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss oouu iinndduuzziiddooss;; ee)) aass ooppeerraaççõõeess ddeeccoorrrreenntteess ddoo ssaallddoo ppoossiittiivvoo oouu nneeggaattiivvoo ddaass ttrraannssaaççõõeess aauuttôônnoommaass.. 1188.. NNoo mmeerrccaaddoo ccaammbbiiaall,, nnããoo ssããoo ooffeerrttaaddoorreess ddee mmooeeddaa eessttrraannggeeiirraa:: aa)) ooss eexxppoorrttaaddoorreess ddee mmeerrccaaddoorriiaass;; bb)) ooss qquuee pprreecciissaamm ddee ddiivviissaass eessttrraannggeeiirraass ppaarraa ppaaggaarr ddíívviiddaass ccoonnttrraaííddaass nnoo eexxtteerriioorr;; cc)) ooss ttoommaaddoorreess ddee eemmpprrééssttiimmooss nnoo eexxtteerriioorr;; dd)) ooss ttuurriissttaass eessttrraannggeeiirrooss qquuee vviissiittaamm oo ppaaííss.. 1199.. EEmm ggeerraall,, nnooss ppaaíísseess mmeennooss ddeesseennvvoollvviiddooss,, oo ggoovveerrnnoo ccoonnttrroollaa oo mmeerrccaaddoo ccaammbbiiaall ee aattéé mmeessmmoo ffiixxaa aa ttaaxxaa ddee ccââmmbbiioo.. IIssttoo ssee ddeevvee:: aa)) aaoo ffaattoo ddee qquuee eesstteess ppaaíísseess ttêêmm mmooeeddaa ““ffrraaccaa”” ee ccoonnsseeqqüüeenntteess pprroobblleemmaass ddee BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; bb)) aaoo ffaattoo ddee qquuee,, nneesstteess ppaaíísseess,, aa lleeii ddaa ooffeerrttaa ee ddaa pprrooccuurraa nnããoo rreefflleettee aa rreeaall eessccaasssseezz ddee ddiivviissaass;; cc)) aaoo ffaattoo ddee qquuee aa mmooeeddaa ddeesssseess ppaaíísseess nnããoo éé ccoonnvveerrssíívveell eemm oouurroo;; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 31 dd)) aaoo ffaattoo ddee qquuee eesstteess ppaaíísseess iimmppoorrttaamm mmaaiiss ddoo qquuee eexxppoorrttaamm mmeerrccaaddoorriiaass ee sseerrvviiççooss.. 20. Taxa de câmbio de equilíbrio é aquela que: aa)) iigguuaallaa oo vvaalloorr ddaass eexxppoorrttaaççõõeess ccoomm oo vvaalloorr ddaass iimmppoorrttaaççõõeess;; bb)) iigguuaallaa oo ssaallddoo ddaa bbaallaannççaa ccoommeerrcciiaall ccoomm oo ssaallddoo ddaa bbaallaannççaa ddee sseerrvviiççooss;; cc)) iigguuaallaa aa ooffeerrttaa ee aa ddeemmaannddaa ppoorr ddiivviissaa eessttrraannggeeiirraa nnoo mmeerrccaaddoo ccaammbbiiaall;; dd)) éé ffiixxaaddaa ppeelloo ggoovveerrnnoo.. 2211.. DDee aaccoorrddoo ccoomm aass eellaassttiicciiddaaddeess ddaa ddeemmaannddaa ppoorr eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass,, ssee oo RReeaall ffoorr ddeessvvaalloorriizzaaddoo eemm 2200%% ((rreeaaiiss)) eemm rreellaaççããoo aaoo ddóóllaarr,, iissttoo ddeevveerráá pprroovvooccaarr:: aa)) uumm aauummeennttoo nnaass vveennddaass eexxtteerrnnaass bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa ppoorr nnoossssooss pprroodduuttooss ffoorr iinneelláássttiiccaa;; bb)) uummaa qquueeddaa nnaass vveennddaass eexxtteerrnnaass bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa ttiivveerr eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa;; cc)) uumm aauummeennttoo nnaass vveennddaass eexxtteerrnnaass bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa eexxtteerrnnaa ffoorr eelláássttiiccaa;; dd)) uummaa qquueeddaa nnaass iimmppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa iinntteerrnnaa ppoorr pprroodduuttooss eessttrraannggeeiirrooss ffoorr iinneelláássttiiccaa.. 2222.. UUmmaa mmaaxxiiddeessvvaalloorriizzaaççããoo ddaa ttaaxxaa ddee ccââmmbbiioo RReeaall//ddóóllaarr ddeevveerráá pprroovvooccaarr,, eemm pprriinnccííppiioo:: aa)) uumm aauummeennttoo nnaass eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass ee uummaa qquueeddaa nnaass iimmppoorrttaaççõõeess;; bb)) uumm aauummeennttoo nnaass eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass,, mmaanntteennddoo--ssee iinnaalltteerraaddaass aass iimmppoorrttaaççõõeess;; cc)) uumm aauummeennttoo ttaannttoo ddaass eexxppoorrttaaççõõeess ccoommoo ddaass iimmppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass;; dd)) uummaa qquueeddaa nnaass eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass ee uumm aauummeennttoo nnaass iimmppoorrttaaççõõeess.. 2233.. UUmmaa mmaaxxiiddeessvvaalloorriizzaaççããoo ccaammbbiiaall nnããoo ddeevveerráá pprroovvooccaarr ooss eeffeeiittooss eessppeerraaddooss ((qquueeddaa ddaass iimmppoorrttaaççõõeess ee aauummeennttoo ddaass eexxppoorrttaaççõõeess)) ssee:: aa)) oo ppaaííss ssóó iimmppoorrttaarr pprroodduuttooss pprriimmáárriiooss ee eexxppoorrttaarr pprroodduuttooss iinndduussttrriiaalliizzaaddooss;; bb)) oo ppaaííss ssóó iimmppoorrttaarr pprroodduuttooss iinndduussttrriiaalliizzaaddooss;; cc)) oo ppaaííss iimmppoorrttaarr bbeennss eesssseenncciiaaiiss ee eexxppoorrttaarr bbeennss pprriimmáárriiooss,, qquuee ssããoo iinneelláássttiiccooss aa pprreeççooss;; dd)) oo ppaaííss eexxppoorrttaarr bbeennss iinndduussttrriiaalliizzaaddooss iinneelláássttiiccooss aa pprreeççooss;; ee)) uummaa mmaaxxiiddeessvvaalloorriizzaaççããoo ccaammbbiiaall sseemmpprree aauummeennttaarráá aass eexxppoorrttaaççõõeess ee rreedduuzziirráá aass iimmppoorrttaaççõõeess.. 24. Numa economia hipotética, durante um determinado ano, foram efetuadas as seguintes transações com o exterior6: .Exportações de mercadorias à vista: 1.500 .Amortizações pagas: 600 .Doações recebidas: 100 .Lucros remetidos para o exterior: 100 .Importações de mercadorias à vista: 1.300 .Empréstimos obtidos junto ao FMI: 150 6 Questão retirada de Viceconti, P. e Neves, S. Introdução à Economia, Editora Frase, S.Paulo, 6ª ed. 2003. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 32 .Fretes e seguros pagos 100 .Juros pagos : 200 .Investimentos externos no país: 500 .Venda de ouro monetário: 50 Com base nesses dados, os resultados da Balança Comercial (BC), da Balança de Transações Correntes (BTC), para a Balança ou Conta de Capitais Autônomos (BKA) e para o saldo do Balanço de Pagamentos (BP) são, respectivamente: a) BC = 200; BTC = -100; BKA = 100; BP = 0. b) BC = 200; BTC = -100; BKA = -100; BP = -200. c) BC = -200; BTC = 0; BKA = -200; BP = 200. d) BC = 200; BTC = -100; BKA = -100; BP = 200. e) BC = -200; BTC = -100; BKA = -100; BP = -200. 25. Suponha que o Balanço de Pagamentos do Brasil registrou, em determinado ano, os seguintes dados: . Saldo da balança comercial: 450 . Exportações de serviços (não-fatores): 250 . Importações de serviços (não-fatores) : 150 .Saldo das transações correntes (déficit): 150 . Donativos líquidos recebidos do exterior: 50 . Movimento de capitais autônomos (entrada liquida): 100 Nessas condições, a renda líquida enviada ao exterior é igual a: a) 950; b) 750; c) 650; d) 700; e) 350. _______________ GABARITO: 1. b; 2. e; 3. e; 4. d; 5. d; 6. a; 7. d; 8. b; 9. c; 10. e; 11. b; 12. d; 13. e; 14. a; 15. d; 16. c; 17. a; 18. b; 19. a; 20. c; 21. c; 22. a; 23. c; 24. b; 25. b. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 1 Aula 6: A moeda e o sistema bancário Nessa nossa sexta aula, nós vamos entrar no maravilhoso mundo do dinheiro e dos sistema bancário-comercial. Primeiro, nós vamos apresentar uns conceitos básicos sobre moeda, suas origens, sua evolução e seu papel na economia. Depois, veremos como o Banco Central controla a quantidade de dinheiro na economia e como ele controla o sistema bancário para que este não provoque uma expansão descontrolada na quantidade do dinheiro em circulação. Os conceitos monetários que desenvolve-remos aqui serão bastante úteis mais à frente, quando estudarmos o papel da política monetária no desempenho da economia como um todo. Assim, vamos ao que nos interessa aqui. 6.1. Introduzindo o conceito de moeda: Evolução, Formas, Tipos e Funções da Moeda Conceitualmente, o termo “moeda” é usado para denominar tudo aquilo que é geralmente aceito como meio de trocas de bens e serviços. Não se pode afirmar com exatidão quando surgiu e qual foi a primeira moeda. Remontando aos primórdios da civilização, imagina-se facilmente que o homem primitivo produzia tudo quanto bastava ao seu sustento. Suas necessidades limitavam-se à garantia de sua sobrevivência. As associações e o desenvolvimento natural da vida em grupo criaram, porém, outras necessidades para cuja satisfação o indivíduo, isoladamente, se viu impotente. Sua auto-suficiência se reduzia na medida do crescimento de suas necessidades. Nesta cadeia de raciocínio, o próximo passo foi a introdução paulatina da divisão e especialização do trabalho: cada indivíduo passou a produzir um ou poucos produtos, consumindo uma parte CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 2 deles e tentando passar a outro o seu excedente em troca de outros bens de que necessitava. Estabeleceu-se, então, um sistema de trocas diretas, isto é, mercadorias por mercadorias. É fácil imaginar as dificuldades para um razoável funcionamento desta economia de escambo: primeiro, esse sistema exigia uma permanente coincidência de interesses (o indivíduo A dispõe de arroz e quer trocar por carne; para se realizar esta troca, é imprescindível que ele encontre um indivíduo B que não só tenha carne mas que, também, queira arroz!); segundo, há ainda a dificuldade de se estabelecerem as relações ou preços de troca (valores entre dois bens bastante diferentes). Por tudo isso, este sistema, que vigorou na mais remota antiguidade, era claramente ineficiente. As mudanças requeridas se realizaram lentamente. O próximo passo foi o surgimento de um sistema de trocas indiretas: por esse novo esquema, uma mercadoria qualquer, que tivesse aceitação geral, passava a ser usada, por convenção e aceitação do grupo, como meio de pagamento. Tem-se aqui a introdução da moeda no sistema econômico e que, passando por um processo evolutivo natural, dá origem a todo o sistema monetário moderno. No desenvolvimento deste novo sistema de trocas indiretas, a moeda assumiu as mais diferentes formas, nos mais diferentes países e épocas. Numa ordem quase cronológica de seu aparecimento, podemos registrar, sinteticamente, as seguintes formas e tipos de moeda: a) Moeda-mercadoria: geralmente escolhia-se uma mercadoria que fosse relativamente escassa e não facilmente perecível (nem sempre possível). A história registra que, em diferentes locais e épocas, foram usados como moeda: sal, gado, fumo, peles, trigo, rum, ostra, carne-seca, ferro, cobre, etc. b) Metais preciosos: sem dúvida, de todas as mercadorias, a preferência maior recaía, geralmente, sobre os metais, não só pela sua relativa escassez mas, também, pela sua durabilidade e fácil divisibilidade. Muito embora o ferro, o cobre e o bronze tenham sido bastante utilizados, houve uma predominância do uso dos metais preciosos, notadamente a prata e o ouro. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 3 c) Moeda-papel: com o crescimento do volume e valor das transações, o manejo de grandes quantidades de metais preciosos tornou-se problemático pelas dificuldades de transporte e os riscos envolvidos. Pouco a pouco, nota-se o aparecimento de casas de custódia desses metais em diversos pontos, em diversos países. Estas casas passaram a receber em depósito os metais preciosos dos comerciantes, emitindo em troca um recibo ou certificado de valor correspondente. Este certificado recebeu a denominação de moeda-papel e era generalizadamente aceito nas transações. Sua característica principal era possuir lastro integral em ouro, isto é, a qualquer momento o possuidor do certificado poderia ir à casa de custódia emissora e reconvertê-lo em ouro ou prata. Daí sua crescente aceitabilidade como meio de pagamento em substituição aos próprios metais preciosos. d) Papel-moeda: com o tempo, e diante da crescente demanda por tais certificados – para atender os negócios em franca expansão - as casas de custódia passaram a emitir certificados cujo valor global em circulação excedia o valor total dos metais preciosos ali depositados. A experiência acumulada pelos custodiadores mostrava que nem todos os depositantes resgatavam, ao mesmo tempo, seus depósitos, Além do mais, enquanto alguns vinham para reconverter seus certificados em ouro, outros vinham para depositar mais ouro. Assim, com um encaixe metálico menor, era possível garantir a liquidez dos certificados, isto é, garantir as reconversões que, em média, na semana ou no mês, correspondia a apenas uma fração do total dos certificados em circulação. Temos, assim, um novo marco histórico na evolução das formas de moeda: a passagem da moeda-papel para os certificados emitidos sem o correspondente lastro em ouro ou prata e que vieram a ser chamados de papel-moeda. Pouco a pouco, o papel- moeda passou a ter uso generalizado como meio de pagamento nas transações pelo simples fato de que sua aceitação era geral, não se questionando sobre a possibilidade de convertê-lo ou não em ouro. Num processo evolutivo normal, e com o intuito de evitar riscos de emissões exageradas, o passo seguinte foi dado pelo governos, com a proibição de emissão de papel-moeda pelos bancos privados CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 4 (antigas casas de custódia), limitando-se o direito de sua emissão a uma instituição oficial que, pouco a pouco, se transformou nos atuais bancos centrais de cada país. E não guardando mais qualquer idéia de representatividade, nem valor intrínseco, o papel-moeda passou a ser aceito porque simplesmente se sabe que será aceito em outra operação amanhã (posteriormente, sua aceitação passou a ser imposta por lei). e) Moeda escritural bancária: é representada pelos depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais – ou seja, as contas correntes das empresas e dos indivíduos – materializados, na prática, pelo cheque. Tipos de moeda Numa classificação didática, temos hoje, as seguintes espécies ou formas de moeda: I - moeda manual – representada pelas moedas metálicas e pelo papel-moeda; II - moeda escritural ou bancária – representada pelos depósitos à vista nos bancos comerciais. Note-se que é o depósito à vista é que é moeda, e não o cheque. Este último é apenas a forma mais comum para se utilizar a moeda “depósito à vista” – que é, este sim, o meio de pagamento. O cheque sem um depósito à vista por trás dele não tem qualquer valor econômico. Vale observar que o papel-moeda e a moeda escritural ou bancária são chamados moedas fiduciárias (isto é, em que se tem fé ou em que se acredita), já que não possuem valor intrínseco, constituindo-se em moeda simplesmente porque têm aceitação generalizada nas transações econômicas. Funções da moeda De uma forma geral, os economistas reconhecem as seguintes funções desempenhadas pela moeda: i) meio de pagamento ou intermediário de trocas; ii) padrão de referência de valor ou unidade de conta; e, iii) reserva de valor. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 5 Tendo aceitação generalizada como meio de pagamento nas transações, a moeda desempenha sua função mais cristalina e fundamental – que é de servir como instrumento ou intermediária de trocas entre os indivíduos para satisfação de ambas as partes. Como padrão de referência de valor, a moeda possibilita que todos os valores dos bens, serviços e fatores de produção sejam expressos em unidades monetárias, propiciando a fácil avaliação e comparação de todos os recursos disponíveis na Economia. A moeda desempenha, também, a função de reserva de valor no sentido de que o indivíduo pode manter sua riqueza (ou parte dela) sob a forma de moeda, por um período de tempo, sabendo que, amanhã ou depois, este ativo será aceito em qualquer transação por ter liquidez absoluta. Trata-se, no entanto, de uma função que merece duas ressalvas: primeiro, se o indivíduo prefere manter sua riqueza sob a forma de moeda, ele deixa de ganhar, pois a moeda em si não gera rendimentos; segundo, e ao contrário, em períodos inflacionários o indivíduo perde com a desvalorização da moeda. 6.2 Indicadores Monetários Existem três conceitos monetários – indicadores do volume de dinheiro na economia que, a despeito de medirem coisas diferentes, são muitas vezes usados, até mesmo pela imprensa, como se fossem a mesma coisa. Mas, na realidade, são conceitos bastante distintos. Trata-se, no caso, do “papel-moeda emitido”, do “papel-moeda em circulação” e do “papel-moeda em poder do público”. Diariamente, o Banco Central do Brasil divulga uma estatística da evolução do saldo desses diversos conceitos de moeda – que podem assim ser definidos: i) papel-moeda emitido (PME) – trata-se do total de dinheiro “autorizado” (isto é, produzido ou fabricado) pelas Autoridades Monetárias; CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 6 ii) papel-moeda em circulação (PMC) – equivale ao total do papel-moeda emitido menos o dinheiro que se encontra no caixa do Banco Central; iii) papel-moeda em poder do público (PMP) – deduzindo- se do PMC o dinheiro em caixa dos bancos comerciais, tem- se o total de dinheiro em poder do público, isto é, todos os indivíduos e empresas (exclusive, claro, os bancos comerciais). 6.3. Meios de Pagamento O público – aí incluídos os indivíduos e as empresas – possui, de uma forma geral, diversos ativos ou haveres – isto é, coisas que têm valor econômico e que constituem seu patrimônio, podendo ser citados entre estes os imóveis, fazendas, carros, depósitos de poupança, aplicações financeiras em bancos, títulos do governo, depósitos à vista nos bancos comerciais, papel-moeda em espécie em seu poder, ações e outros tantos. Cada ativo deste possui um grau diferente de liquidez – medido este pela capacidade de o ativo se transformar em moeda ou em dinheiro propriamente dito. Assim, quanto mais fácil for transformar um ativo em dinheiro, maior se diria que é o seu grau de liquidez. Do ponto de vista da economia, se o indivíduo A tem uma fazenda no valor de R$ 100 mil e o indivíduo B tem um depósito de poupança também no valor de R$ 100 mil, podemos afirmar que ambos têm o mesmo nível de riqueza, porém a riqueza do indivíduo B tem muito mais liquidez. Isso porque é muito mais fácil sacar sua riqueza no banco, transformando-o quase que instantaneamente em dinheiro do que vender a fazenda e receber o dinheiro. Para vender a fazenda, pode-se levar algum tempo; para sacar o depósito do banco não se gasta mais que 30 minutos1. É esta diferença entre os diversos graus de liquidez de um ativo que o torna mais ou menos instrumento ou meio de 1 Jocosamente, diríamos que o depositante gastaria não mais que 30 minutos, sendo 15 minutos para conseguir uma vaga no estacionamento e outros 15 minutos na fila do banco! CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 7 pagamento. Poucos, pouquíssimos mesmo, são os haveres que são considerados, pelo Banco Central, meios de pagamento, valendo para estes a seguinte definição: Tecnicamente, consideram-se meios de pagamento (M 1 ) todos os haveres possuídos pelo público não-bancário e que podem ser utilizados a qualquer momento para a liquidação de qualquer dívida em moeda nacional. Ou seja, são haveres que possuem liquidez absoluta e imediata. Muito embora haja controvérsia em relação ao maior ou menor grau de liquidez de um ativo, é praticamente consensual que apenas dois haveres preencham estas condições de possuírem liquidez absoluta e de serem aceitos, de imediato, como pagamento nas transações: o papel-moeda em poder do público – PMP - (aí incluídas não só as notas mas, também, as moedas metálicas) e a moeda escritural ou bancária – representada pelos depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais públicos e privados (DVbc). Assim, no caso brasileiro, o total de meios de pagamento – geralmente denominado M 1 – é definido pela expressão: M1 = PMP + DVbc Este universo M1 corresponde, de outra parte, ao total da chamada oferta monetária. No caso brasileiro, as estatísticas mostram que o público vem mantendo, na média dos últimos anos, cerca de 14% de seus meios de pagamento sob a forma de dinheiro no bolso (=PMP) e os restantes 86% como depósitos em conta corrente nos bancos comerciais, sendo interessante observar que estas relações são relativamente estáveis, só se alterando em função de uma anomalia no mercado (como foi o caso do “confisco” dos depósitos, na época da ex-ministra Zélia, em 1991, e que acabou por alterar aquela composição. Temeroso de novos confiscos, o público reduziu a proporção de seus depósitos nos bancos!). Uma ressalva importante que se deve fazer em relação às estatísticas de meios de pagamento, neste conceito de M 1 , é que CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 8 nelas não estão incluídos nem os depósitos voluntários e compulsórios dos bancos comerciais nas Autoridades Monetárias (Banco Central) – dos quais falaremos mais adiante-, nem os depósitos da União, também, no Banco Central. É fácil entender o porquê disso: como a preocupação, no caso, é medir a liquidez do público, não há por que incluir os depósitos dos bancos comerciais (que não são parte do público); quanto à União, é importante entender que, ao contrário do público, ela não limita ou condiciona o montante de seus gastos ao volume de depósitos que, eventualmente, tenha no Banco Central, mas, sim, ao que dispõe o orçamento federal. Mas, note-se que os depósitos da União nos demais bancos que não o Banco Central, bem como os depósitos dos Estados e Municípios em qualquer banco estão computados no total do M 1 . Outros conceitos de moeda: os “quase-moeda” Além desse conceito tradicional de meios de pagamento, existe uma gama de outros ativos financeiros que são aceitos como pagamento em diversas transações ou que podem ser transformados em moeda sem grandes dificuldades e num espaço de tempo relativamente curto. A estes ativos se dá geralmente o nome de quase-moeda – que são haveres financeiros de alto grau de liquidez, porém de grau inferior ao da moeda manual e ao dos depósitos à vista. Como exemplos de quase-moeda citam-se os depósitos de poupança, depósitos a prazo, títulos públicos, etc. A partir dessas considerações, foram desenvolvidos outros conceitos e classificações de meios de pagamento mais abrangentes, de acordo com o grau de liquidez do ativo financeiro. Estas classificações divergem de autor para autor, terminando, muitas vezes, por serem convencionais e arbitrárias. No caso brasileiro, segue-se o critério adotado pelo Banco Central – critério este que tem se alterado muito nestes últimos anos, principalmente em função do surgimento de inúmeros tipos de aplicações financeiras. Assim, por exemplo, nos anos noventa, o Banco Central adotava os seguintes conjuntos de meios de pagamento: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 9 M 1 = PMP + DVbc M 2 = M 1 + FAF + títulos públicos (federais, estaduais e municipais) em poder do público M 3 = M 2 + depósitos de poupança M 4 = M 3 + títulos privados (depósito a prazo, letras hipotecárias e letras de câmbio) A importância desses conceitos é ressaltada no momento em que o Banco Central, por competência legal, procura controlar a quantidade de moeda na economia, como parte, digamos, de uma estratégia de combate à inflação. A questão que, então, se coloca é: no controle da inflação, deve o Banco Central controlar a quantidade de meios pagamento (= à oferta monetária). Para tanto, deve aquela autoridade monetária assestar suas baterias sobre qual deles? M 1 ? M 3 ? M 4 ? Na verdade, não há consenso sobre isso entre os economistas. O Banco Central, por falta, talvez de condições técnicas, limita-se a controlar apenas a evolução do M 1 . 6.4. Criação e Destruição de Moeda Este é um assunto que, recorrentemente, tem sido objeto de questões de provas de concursos onde entra a disciplina Economia. E o que vem a ser “criação” e “destruição” de moeda (ou, alternativamente, “criação” e “destruição” de meios de pagamento)? É fácil entender isso. Senão, vejamos: Diariamente, o público - isto é, os indivíduos e as empresas -, realiza operações com o setor bancário comercial2, operações estas traduzidas em depósitos, saques, pagamentos diversos (luz, telefone), tomada ou quitação de empréstimos, etc. Dependendo da natureza dessas operações, o total de ativos monetários da economia – isto é, os meios de pagamento (M 1 ) – poderá se reduzir ou aumentar. Se o resultado for um aumento 2 De uma forma simples e sintética, banco comercial é aquele que abre conta corrente e emite talões de cheque para seus clientes. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 10 dos meios de pagamento, tem-se aí uma criação de moeda; se ocorrer uma redução dos meios de pagamento, tem-se uma destruição de moeda. Então, o que se tem de verificar, após a operação bancária, é se o total de meios de pagamento se alterou para mais ou para menos. Para um melhor entendimento da explicação a seguir, é interessante que você conheça dois conceitos novos: primeiro, o conceito de haver monetário; segundo, o de haver não-monetário. Haver ou ativo monetário corresponde a um dos componentes dos meios de pagamento (M1), ou seja, ou é o papel-moeda em poder do público ou é o depósito à vista. Já haver não-monetário é todo ativo possuído pelo público que não seja meio de pagamento (M1), como, por exemplo, ações, promissórias, títulos do governo, carro, lote, imóveis, etc. Entendida, assim, a diferença entre haver não-monetário e haver monetário, fica mais fácil entende a criação e a destruição de moeda. Senão, vejamos: No processo de criação de moeda, o público entrega ao setor bancário um “haver não-monetário” (por exemplo, uma promissória) e recebe deste um “haver monetário” (por exemplo, um empréstimo traduzido num depósito à vista). No caso de destruição de moeda, o público entrega ao banco um ativo monetário (digamos, dinheiro em espécie) e recebe um ativo não- monetário (a promissória vencida). Vale repetir que a criação ou destruição de moeda só ocorre se, da operação entre o público e o banco, resultar uma alteração do total de meios de pagamento do público. Isto significa dizer que, se um indivíduo paga sua conta de luz com um cheque de sua conta corrente não haverá nem criação nem destruição de moeda, pois a queda de seus depósitos à vista é compensada pelo aumento dos depósitos da companhia de eletricidade – que também é público. Da mesma forma, se um correntista vai ao banco e saca de sua conta corrente, com um cheque seu, nada ocorre, de vez que ele trocou um ativo monetário (depósito à vista) por outro (dinheiro em espécie). Mas, claro, se ele saca de sua conta de poupança, há criação de meios de pagamento, pois os depósitos de poupança são considerados haveres não- monetários. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 11 6.5. Base Monetária e o Multiplicador Bancário Conceitualmente, a política monetária consiste no controle da oferta monetária e das taxas de juros, pelas autoridades monetárias (Banco Cetral), através do uso de instrumentos diretos e indiretos (que serão vistos mais adiante), com vistas a controlar o nível de liquidez do sistema econômico. A política monetária deve, por outro lado, se inserir no contexto da política econômica global do governo, procurando, sempre que possível, a compatibilização e o atingimento de seus objetivos macroeconômicos. Quando se fala em controle da oferta monetária, pensa-se, imediatamente, que basta o Banco Central parar de emitir moeda, e tudo se arranja. Mas, as coisas não são assim tão simples. Não se pode esquecer que os bancos comerciais têm uma grande capacidade para “criar” moeda através de empréstimos que se transformam em novos depósitos, que dão origem a novos empréstimos, e assim por diante. É através dos empréstimos que os bancos “multiplicam” o dinheiro circulante na economia. Quanto mais empréstimos fizerem, maior será a multiplicação dos meios de pagamentos. A origem desses empréstimos, como se disse, está nos depósitos captados pelo banco. Assim, um grande condicionante do volume dos empréstimos é o volume de depósitos à vista no banco. Um outro condicionante é o montante ou proporção dos depósitos à vista que o banco pode emprestar. Obviamente, os bancos gostariam de emprestar todo o volume de depósitos, mas este desejo esbarra na necessidade imperiosa de se manter em caixa, sob a forma de moeda, uma parcela dos depósitos para o pagamento de cheques dos clientes. Mas, as limitações ao volume de empréstimos que os bancos podem efetuar vão mais além, pois ainda existem restrições impostas por lei e outras medidas restritivas, de iniciativa do próprio Banco Central. Com estas considerações, podemos, então, partir para a derivação do chamado multiplicador bancário (k) dos meios de pagamentos, relativamente ao volume de dinheiro que o Banco Central coloca em circulação – dinheiro, este dito, “de alto poder CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 12 de expansão” e que, tecnicamente, é denominado de Base Monetária (B). Contabilmente, a Base Monetária é dada pela soma dos valores constantes do chamado passivo monetário do Banco Central que se compõe de: i) - o papel-moeda em poder do público (PMP); ii) - o caixa em moeda corrente dos bancos comerciais (R 1 ); iii) - os depósitos voluntários dos bancos comerciais junto ao Banco Central (R 2 ); e, iv) - os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais, também junto ao Banco Central (R 3 ) Assim temos: B = PMP + R 1 + R 2 + R 3 (1) Mas, como PMP + R1 = PMC (veja o item atrás “Indicadores Monetários”), temos que a base monetária pode ser definida ainda como: B = PMC + R 2 + R 3 (2) E, já que R = R1 + R2 + R3, então a base monetária pode também ser definida como: B = PMP + R (3) sendo R = total das reservas ou encaixes dos bancos comerciais (R= R 1 + R 2 + R 3 ). Já os meios de pagamento (M 1 ), como sabemos, são assim constituídos: M 1 = PMP + DVbc (4) E sendo o total de meios de pagamento um múltiplo da base monetária (B), resultado do processo multiplicativo dos empréstimos bancários, deduz-se que o multiplicador (k) dos CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 13 meios de pagamento é dado pela relação entre o total de M1 e a base monetária, ou k = M 1 /B (5) ou ainda, M 1 = B . k (6) Para se achar a expressão ou fórmula do valor do multiplicador, consideremos as seguintes expressões: Considere as seguintes relações comportamentais do público: i) d 1 = PMP/M 1 ou, d 1 M 1 = PMP (7) ii) d 2 = DVbc/M1 ou, d2M1 = DVbc (8) A equação (7) mostra qual a proporção do papel-moeda em poder do público em relação ao total de meios de pagamento (M1); já a equação (8) indica qual a proporção dos depósitos à vista nos meios de pagamento. Logo, M 1 = d 1 M 1 + d 2 M 1 (9) E, dividindo-se todos os termos da equação (9) por M1, tem-se: 1 = d 1 + d 2 e, d 1 = (1 - d 2 ) (10) Recorde-se, agora, que a base monetária é definida por: B = PMP + R (3) Para se saber qual é a fração ou percentual das reservas ou encaixes totais (r) em relação aos meios de pagamento, dividimos as reservas totais (R) pelos depósitos à vista (DVbc), ou: CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 14 r = R/DVbc ou R = rDVbc ou, ainda, R = rd1M1 (11) onde, r = taxa de reserva ou encaixe total. Substituindo (7) e (11) em (3), tem-se: B = d 1 M + rd 2 M 1 (12) Substituindo (10) em (12), tem-se: B = (1 - d 2 )M 1 + rd 2 M 1 (13) Operando a expressão (13), obtém-se: B M d rd 1 2 21= − +( ) B M d r 1 21 1= − −( ) M B d r1 21 1 = − −( ) M d r B1 2 1 1 1 = − −( ) . (14) Ou seja, M 1 é igual ao valor da base monetária (B) vezes o multiplicador (k), sendo k d r = − − 1 1 12 ( ) (15) onde, d 2 = fração dos meios de pagamentos que o público mantém sob a forma de depósitos à vista nos bancos comerciais; e, CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 15 r = fração dos depósitos à vista que os bancos comerciais mantêm como encaixes totais. Vejamos um exemplo numérico: Suponha que os depósitos à vista correspondam a 80% dos MP e que a taxa de reservas bancárias (r) seja 30% dos depósitos à vista. Com esses dados, vamos calcular o valor de k: Fazendo as devidas substituições na equação (15), acima, temos: 7,2 37,0 1 63,01 1 )7,0(9,01 1 )3,01(9,01 1 ==−=−=−−=k Pela expressão (15), pode-se deduzir que a expansão dos meios de pagamento, isto é, da oferta monetária, pode ocorrer em três situações: i) - por aumento das operações ativas do Banco Central via aumento da emissão (o que aumenta B); ii) - por aumento de d 2 , isto é, da proporção dos depósitos à vista do público nos bancos comerciais em relação ao total dos meios de pagamentos; e, iii) por redução da relação encaixes/depósitos à vista nos bancos comerciais. Deve-se observar que, na execução da política monetária e para controle da oferta monetária, as autoridades monetárias têm relativo controle sobre os itens (i) e (iii), mas nenhum controle sobre (ii) – que depende exclusivamente do comportamento do público. No entanto, como se admite uma relação mais ou menos estável ou pelo menos previsível entre os DVbc e M1, pode-se, em princípio, afirmar que as autoridades monetárias podem controlar relativamente a expansão da oferta monetária. Este controle é exercido diretamente sobre a base monetária e indiretamente sobre o multiplicador (k) através do uso de diversos instrumentos. 6.6 Instrumentos Clássicos de Controle Monetário CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 16 Como foi visto, o volume da oferta monetária (= meios de pagamento) depende de mudanças na base monetária e/ou de alterações no valor do multiplicador (k). A tarefa fundamental do Banco Central é o de adequar o volume de meios de pagamento às reais necessidades da economia tendo em vista o atingimento dos objetivos macroeconômicos. Ocorre, no entanto, que, mesmo que haja uma programação monetária – pela qual se prevê a evolução dos agregados monetários, mês a mês, em decorrência do esperado comportamento das contas externas do País, das operações do Banco Central com o Tesouro Nacional e de empréstimos dos bancos oficiais aos bancos privados e ao setor produtivo – nem sempre o programado se comporta como esperado. Vez por outra, observa-se uma expansão exagerada dos meios de pagamento; outras, uma contração desse agregado, com evidente escassez de dinheiro na economia, com graves prejuízos para os negócios. Para controlar a liquidez da economia, mantendo-a em níveis compatíveis com as necessidades conjunturais da economia, o Banco Central dispõe de diversos instrumentos que ora atuam sobre a base monetária, ora sobre o multiplicador bancário (k). Os instrumentos mais tradicionais geralmente usados pelo Banco Central são: a) controle da emissão; b) fixação da taxa de recolhimento compulsório; c) operações de redesconto de liquidez; e, d) operações de mercado aberto (open market). a) Controle da emissão – sobre este instrumento não há o que falar. Basta que se desligue a tomada da máquina impressora de dinheiro e a emissão monetária estará controlada. b) Fixação da taxa de recolhimento compulsório – trata-se de um percentual dos depósitos à vista que os bancos comerciais devem recolher periódica e obrigatoriamente ao Banco Central. CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 17 Claramente, quanto maior esta taxa, maior será o valor de r (taxa de encaixes totais) e vice-versa, já que os recolhimentos compulsórios são uma parte das reservas totais dos bancos. Assim, na medida em que o Conselho Monetário Nacional decide elevar o percentual dos recolhimentos compulsórios (r3), o multiplicador (k) se reduz, uma vez que a medida levará a uma disponibilidade menor de recursos para os bancos efetuarem empréstimos. A recíproca é, também, verdadeira. c) Operações de redesconto – consistem num empréstimo de última instância e de curtíssimo prazo que o Banco Central faz aos bancos comerciais sempre que estes estiverem com falta de liquidez, isto é, com falta de recursos em caixa para atender às demandas de seus clientes. Por isso mesmo são também chamados de “empréstimos de liquidez”. Ao realizar tais operações, o Banco Central funciona como banco dos bancos, descontando títulos dos bancos a taxas de juros prefixadas. Como instrumento de controle monetário, o redesconto inibe ou estimula os bancos a tomar o empréstimo através de: a) alterações das taxas de juros cobradas pelo Banco Central; b) mudança dos prazos concedidos para que os bancos quitem sua dívida; c) fixação de tetos ou limites para a tomada do empréstimo; d) exigência de garantias (títulos públicos ou o próprio compulsório); e) controle da freqüência de utilização do empréstimo. d) operações de mercado aberto (open market) – o mercado aberto, num sentido amplo, pode ser entendido como o mercado onde são transacionados os mais diversos títulos públicos federais e estaduais e bancários privados, de rentabilidade pré ou pós-fixada. No entanto, entendido como instrumento de política monetária, as operações de mercado aberto consistem na compra e/ou venda de títulos públicos federais (NTN, LBC, LFT, BTN, etc.) pelo Banco CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 18 Central, com o objetivo de influenciar o nível das reservas bancárias e, daí, o fluxo de crédito. As operações de mercado aberto, pela sua flexibilidade, se constituem no mais poderoso instrumento de que dispõe o Banco Central para regular o nível de liquidez da economia no curtíssimo prazo. Assim, por exemplo, quando as autoridades monetárias desejam enxugar o mercado monetário, emitem e vendem lotes volumosos de títulos federais, retirando dos bancos e do público a quantidade desejada de moeda. Contrariamente, se a intenção for a oposta, isto é, expandir o nível de oferta monetária, o Banco Central realiza operações maciças de resgate (isto é, de compra) desses títulos, injetando moeda no sistema. Estes são, em síntese, os instrumentos clássicos de controle monetário usados pelo Banco Central. Obviamente, sempre existirão outros que, eventual e conjunturalmente, podem ser utilizados, como, por exemplo, a limitação ou fixação de tetos para empréstimos, medida que, não raras vezes, foi usada no Brasil ao longo dos anos 80. 6.7. Teoria Quantitativa da Moeda A teoria quantitativa, na versão clássica, enfatiza a função da moeda como meio de trocas. Assim, em qualquer período, o valor global das transações é igual ao número de transações (T), multiplicado pelo seu preço médio (P). Esse valor, por seu turno, será idêntico ao fluxo monetário que é igual à quantidade de moeda ou meios de pagamento (M) multiplicado pelo número de vezes que a moeda trocou de mão (V) naquele período. Resulta, daí, a conhecida “equação das trocas” que é geralmente apresentada como: MV = PT (16) Posteriormente, por razões essencialmente práticas, o número de transações (T) foi substituído pelo nível de renda (Y) uma vez que se dispõe de estatísticas sobre a renda e não sobre a quantidade de transações. Neste caso, é feita a hipótese de que o CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 19 nível das transações totais seja proporcional ao nível da renda, passando a equação (16) a ser, então, reescrita como: MV = PY (17) onde, M = estoque de moeda (meios de pagamento) V = a velocidade de circulação deste estoque, isto é, o número de vezes que cada unidade monetária é empregada durante o período escolhido; P = o nível médio de preços (índice); e, Y = o nível da renda ou produto real. Tal como se apresenta, dada a definição de V, a equação (16) é necessariamente verdadeira em relação a quaisquer valores de M, P e Y. Trata-se, no caso, de uma equação definicional ou tautológica, isto é, verdadeira em si mesma e, como tal, nada acrescenta de novo à teoria econômica. No entanto, introduzindo-se certas hipóteses sobre algumas de suas variáveis, tal como fizeram os clássicos, a equação das trocas pode se tornar de alguma utilidade. Deste modo, são colocadas as seguintes hipóteses: I - a oferta monetária é exógena, no sentido de que as autoridades monetárias (no caso, o Banco Central) controlam a quantidade de moeda na Economia; II - supõe-se que não há desemprego no país, e que, portanto, o nível da renda ou produto é constante no curto prazo, ao nível do pleno emprego dos fatores; III - também a velocidade de circulação da moeda (V) é constante no curto prazo dado que é determinada por fatores institucionais, padrões comerciais, e hábitos de compras e pagamentos, além do estado da tecnologia utilizada no processo de transações, citando-se, entre estes, os seguintes: a) institucionalização, por determinações legais, da periodicidade de pagamentos salariais (semanal, mensal); CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF. MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 20 b) o grau de sofisticação do sistema financeiro, especialmente na compensação de cheques; e, c) os hábitos de compras da população. Todos estes fatores são, a rigor, constantes num curto período, digamos, 6 meses. Assim, com as hipóteses de