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CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE 
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AULA 0 – A ELASTICIDADE E SUAS APLICAÇÕES 
Bom dia, 
Muitos de vocês, pelo Brasil afora, que há pouco iniciaram sua 
preparação para concursos, certamente não conhecem Mozart 
Foschete. Por isso, vou lhes dar algumas informações úteis a 
meu respeito: Fiz mestrado em Economia na Inglaterra e, ao 
chegar de lá, no início dos anos 80, além de trabalhar como 
economista do IPEA-Brasília, fui professor do Departamento 
de Economia da Universidade de Brasília por 14 anos. Nos 
anos 90, larguei a UnB e passei a ministrar aulas de Economia 
em cursos preparatórios, em Brasília, preparando candidatos 
para o concurso de Analista do Banco Central e especialmente 
para os candidatos ao cargo de Auditor da Receita Federal, 
pois até o ano de 1994 o concurso era unificado e Economia 
era cobrada de todos os candidatos. Sem querer me gabar 
muito, eu era, nos anos 90, o professor de Economia mais 
conhecido e o mais procurado para lecionar esta matéria. Os 
convites para lecionar Economia partiam de todos os pontos: 
lecionei cursos intensivos de Economia no Rio Grande do Sul, 
no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no Amazonas, na 
Paraíba, em Goiás e outros mais. Evidentemente, e por mais 
que me esforçasse, eu não conseguia atender toda esta 
demanda. Para ajudar meus alunos e os candidatos em geral 
a entender esta matéria aparentemente complicada, publiquei 
vários livros de Economia (Manual de Economia, 
Macroeconomia, Relações Econômicas Internacionais, e 
outros). 
No final dos anos 90, no entanto, com a Economia sendo 
retirada de muitos concursos públicos de nível superior, 
resolvi dar uma “parada” em minhas aulas de “cursinhos”. 
Além de me dedicar a outros projetos profissionais e pessoais, 
voltei a lecionar Economia em uma Faculdade de minha terra 
natal, em Minas. 
Agora, no entanto, como me parece certo que o próximo 
concurso de Auditor será novamente unificado, há grande 
expectativa de que a Economia seja disciplina obrigatória para 
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todos os candidatos, e para todas as áreas, com peso 
significativo, tal como era antes. E se isso se confirmar, como 
acredito, muitos candidatos terão que dedicar bom tempo de 
sua preparação a essa disciplina, principalmente aqueles que 
nunca a estudaram, pois os programas da Esaf sempre 
exigem tópicos complexos da teoria econômica, acreditem, 
em nível de mestrado ou até mesmo de doutorado (quem já 
fez concurso do Banco Central sabe disso). 
Em meio a essa expectativa, surgiu o convite do Vicente, meu 
ex-aluno no ano de 1996, quando se preparava para o antigo 
AFTN, para a agente realizar esse projeto aqui no site. 
Achei ótima a idéia dele e desde então me pus a trabalhar 
nesse projeto. Embora não tenhamos ainda em mãos o 
programa que será exigido pela Esaf para o concurso do 
AFRF, a gente que é do ramo tem uma expectativa razoável 
do que pode vir a ser exigido de Economia naquele concurso, 
pois não há muito como fugir dos programas exigidos em 
outros concursos semelhantes. Assim, depois de muito pensar 
a respeito, decidimos oferecer dois cursos distintos: Economia 
I e Economia II. 
O Curso de ECONOMIA I será oferecido nos próximos dias, 
antes da publicação do edital de Auditor da Receita Federal. 
Nele, tratarei desde tópicos introdutórios da disciplina (para 
habilitar aqueles não iniciados em Economia a entender o 
resto do curso) até tópicos intermediários e mais avançados 
de macroeconomia – que é, ao que supomos, a matéria em 
que o programa deverá se assentar. Assim, por exemplo, 
além daqueles tópicos introdutórios, estudaremos os 
conceitos básicos da contabilidade nacional, o modelo teórico 
clássico e o modelo keynesiano – que, por sinal, sempre tem 
sido objeto de questões de provas – o sistema financeiro 
nacional, o balanço de pagamentos e o sistema cambial, o 
chamado sistema IS-LM e a atuação das políticas monetária e 
fiscal. 
Todos esses se constituem em tópicos indispensáveis para a 
realização de qualquer concurso que envolva a 
macroeconomia. Certamente o curso de ECONOMIA I não 
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cobrirá todo o programa de Auditor da Receita, mas, qualquer 
que seja o conteúdo que venha a ser cobrado pela Esaf, os 
pontos estudados certamente estarão contemplados nesse 
programa. E, ademais, ainda que supostamente o edital não 
cubra todos os tópicos estudados, serão eles indispensáveis 
para a compreensão dos tópicos mais avançados do edital. 
Não se estuda o efeito combinado das políticas monetária-
fiscal-cambial sobre a economia de um país – um tópico dito 
mais avançado – sem que se tenha, por exemplo, o 
conhecimento do que seja elasticidade – conceito este que já 
é objeto de nossa primeira aula, dita demonstrativa. Também 
não se pode entender tópicos como “modelos de escolha 
intertemporal” e “restrições orçamentárias”, sem ter 
conhecimento de contabilidade nacional e de modelos 
keynesianos de determinação da renda. 
O Curso de ECONOMIA II será oferecido assim que tivermos 
conhecimento do programa do concurso ou assim que for 
publicado o edital da Esaf. O nosso Curso de Economia II, 
então, será um complemento de nosso curso de Economia I, 
cobrindo todos os pontos faltantes cobrados no edital de 
Auditor da Receita Federal. 
É importante salientar que o curso de ECONOMIA I é 
imprescindível para qualquer concurso que cobre a disciplina 
Economia. Já o curso de ECONOMIA II será voltado 
especificamente para o concurso de Auditor da Receita 
Federal, onde, com dissemos, complementaremos os pontos 
faltantes do curso de ECONOMIA I. 
Sejam, então, bem-vindos ao estudo da Economia! Procurarei 
tratar dos diferentes pontos da maneira mais didática 
possível, como eu sempre fiz em sala de aula, enriquecidos 
com exemplos do nosso dia-a-dia. Todo mundo vive a 
economia no seu cotidiano, seja na compra de um carro, na 
realização de um investimento em moeda estrangeira, ou na 
compra do arroz-feijão-tomate para o almoço do dia. A sua 
empregada doméstica pratica economia quando substitui a 
carne de vaca ou de porco pelo peixe, em virtude da alta 
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abusiva do preço da carne. Ou o morango pelo caqui, no 
período da entressafra. É isso que vamos estudar. 
 
Dito isso, passemos à nossa primeira aula de Economia I. 
Neste nosso primeiro encontro vamos tratar de um dos temas 
mais importantes da teoria econômica e que se aplica a qualquer 
assunto econômico: a elasticidade. Embora seja um conceito 
comumente usado no estudo das variações que ocorrem na demanda 
de um produto quando seu preço varia, ela aparece também no estudo 
os efeitos da taxa de câmbio sobre as exportações e importações de um 
país, no efeito da taxa de juros sobre o nível da poupança e do 
investimento, enfim em praticamente todos os temas econômicos. 
 
 Mas, o que vem a ser elasticidade? Qual a sua aplicação e 
utilidade? 
 
1. O conceito de elasticidade 
 
Na teoria econômica, o termo elasticidade significa sensibilidade. Na 
realidade, a elasticidade mostra quão sensíveis são os consumidores de 
um produto X (ou seus produtores), quando o seu preço sofre uma 
variação para mais ou para menos. Em outras palavras, a elasticidade 
serve
para medir a reação – grande ou pequena – desses consumidores 
(ou de seus produtores) diante de uma variação do preço do produto X. 
Neste caso, teríamos a chamada elasticidade-preço da demanda (ou, no 
caso dos produtores, a elasticidade-preço da oferta) por este produto. O 
mesmo raciocínio poderia ser aplicado em relação a uma variação na 
renda real dos consumidores. Neste caso, estaríamos medindo o quanto 
a demanda pelo bem X é sensível a uma variação na renda dos 
consumidores – e teríamos, então, a chamada elasticidade-renda. Mas, 
não vamos misturar as coisas: Vamos, primeiro, nos fixar no conceito de 
elasticidade-preço. Depois analisaremos a questão da elasticidade-
renda. 
 
2. A elasticidade-preço (Ep) da demanda 
 
É fácil constatar que as pessoas reagem com intensidade diferente 
diante de variações dos preços dos diferentes produtos. Se o sal sobe de 
preço, as pessoas não vão deixar de comprá-lo por causa disso e, 
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provavelmente, nem vão reduzir a quantidade que costumam comprar 
desse produto – já que o sal é essencial para elas. Também e por razões 
diferentes, as pessoas não devem reagir muito a um aumento no preço 
de uma bala e, aqui, isso se explicaria pelo fato de que o preço da bala 
é muito baixo e não afeta o bolso do consumidor. Sabe-se, também, 
que as pessoas não reagem muito a um aumento do preço da gasolina – 
e, neste caso, isso se deve provavelmente ao fato de que a gasolina, 
sendo essencial para quem tem carro, não tem um substituto e o jeito é 
arcar com este aumento. De outra parte, porém, se produtos como 
automóveis, ou passagens aéreas e outros, subirem de preço, é 
bastante provável que sua demanda se reduza significativamente. 
 
Com esses exemplos, podemos ver que a reação das pessoas a uma 
variação do preço de um produto depende muito do tipo de produto. Em 
alguns casos, a reação pode ser muito grande, em outros pequena e em 
uns poucos casos nem reação há. E note-se que é importante – para os 
produtores/vendedores, principalmente – saber se o consumidor do 
produto X reage muito ou pouco a um variação – aumento ou redução – 
do seu preço, pois isso vai ajudar o produtor a estabelecer um preço 
“ótimo” para seu produto – ou seja, um preço onde sua receita pode ser 
máxima. E para conhecer a elasticidade-preço da demanda pelo produto 
X é preciso calculá-la. E é o que vamos fazer a seguir. 
 
3. Calculando a elasticidade-preço da demanda 
 
Suponha-se o seguinte comportamento da demanda de dois bens X e Y: 
 
 Demanda de X Demanda de Y 
 Px Qdx Py Qdy 
 1º instante 10 100 20 80 
 2º instante 12 60 24 76 
 
 Note-se que, entre o primeiro e o segundo instante, o preço de 
ambos os produtos subiu 20%. No entanto, é fácil verificar que a reação 
do consumidor – medida pelas quantidades adquiridas (Qd) - foi 
bastante diferente nos dois casos. Enquanto no caso do produto X, a 
demanda se reduziu 40% (caindo de 100 para 60), no caso do produto Y 
a quantidade demandada só se reduziu 5% (caindo apenas 4 unidades 
de um total de 80). 
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 Diante desse exemplo, pode-se concluir que a demanda do 
consumidor pelo produto X é mais sensível a uma variação do preço do 
que a do produto Y. Esta sensibilidade – maior ou menor – pode ser 
medida pelo chamado 
 
coeficiente de elasticidade-preço da demanda (Ep) - que mede a 
variação percentual na quantidade demandada de um produto em 
conseqüência de uma variação percentual em seu preço. 
Veja que se trata de variações percentuais na quantidade e no preço e 
não variações absolutas. Isso porque variações absolutas não nos dizem 
nada. Um aumento de R$ 100,00 (isto é, uma variação absoluta) no 
preço de um carro não significa quase nada, ao passo que uma variação 
de R$ 10,00 no preço do quilo de feijão poderá até derrubar o Ministro 
da Agricultura. 
Matematicamente, a elasticidade-preço da demanda é definida pela 
fórmula: 
 
Ep = Variação percentual na quantidade demandada 
 Variação percentual no preço 
O numerador desta fração – ou seja, a variação percentual na 
quantidade demandada, é dada por: 
e o denominador – isto é, a variação percentual no preço, é dada por: 
Assim, temos:
 
No exemplo numérico acima, nós teríamos no caso do bem X: 
Epx = 
%20
%40
 = 2 
E, no caso do bem Y: 
12, QQQondeQ
Q −=ΔΔ
12, PPPondeP
P −=ΔΔ
P
P
Q
Q
P
QEp Δ
Δ
=Δ
Δ=
%
%
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Epy = 
%20
%5
 = 0,251 
 
Uma questão que se coloca é a seguinte: para o cálculo da elasticidade, 
deve-se tomar o preço (P) e a quantidade (Q) originais ou o novo preço 
e a nova quantidade? Tudo depende da convenção. 
Suponha um produto com uma curva de demanda como ilustrado na 
Figura 1. No ponto A, temos que, ao preço (P) de R$ 10,00 a unidade, a 
quantidade demandada (Q) é de 100 unidades; no ponto B, ao preço de 
R$ 6,00, a Q é de 180 unidades. 
 
Figura 1 
 
 
Agora, suponha que o preço caia de R$ 10,00 (preço inicial) para R$ 
6,00 (novo preço) e, em conseqüência, a Qd aumente de 100 unidades 
(inicial) para 180 (nova quantidade). 
 
Como calcular a elasticidade no arco AB? 
A solução no caso é tomarmos a quantidade média (ou, 100 180
2
+ ) e o 
preço médio (ou, 
10 6
2
+
), e teríamos: 
 
 
1 Note-se que, na realidade, o valor encontrado seria um número negativo, já que as variações da demanda 
(40% e 5%) são negativas. Mas, para efeito de interpretação da elasticidade-preço da demanda, o que importa 
é o valor absoluto desta. 
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E
Q
Q m d io
P
P m d i o
p = = = × = =
Δ
Δ
( é )
( é )
80
140
4
8
80
140
8
4
640
560
114,
(2) 
 
Alternativamente, ao invés de tomarmos o P e o Q médios, nós 
poderíamos usar o P e Q originais (mas aí estaríamos medindo a 
elasticidade no ponto A), ou então, poderíamos usar o P e o Q novos 
(mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto B). 
A elasticidade-preço da demanda no ponto A será, então: 
 
0,2
400
800
4
10
100
80
10
4
100
80
0
0 ==×==Δ
Δ
=
P
P
Q
Q
Ep 
 
e a elasticidade-preço no ponto B será: 
E
Q
Q
P
P
xp = = = = =
Δ
Δ
1
1
80
180
4
6
80
180
6
4
480
720
0 67,
 
Por convenção, utiliza-se mais comumente a primeira fórmula, isto é, 
tomam-se a quantidade e o preço médios, quando se tratar do cálculo 
da elasticidade-preço no arco A-B (isto é, no intervalo entre os pontos A 
e B). 
 
4. Classificação da elasticidade e receita total 
 
Como dissemos no início, o conceito de elasticidade tem muitas 
aplicações úteis. Conhecendo-se a elasticidade de um produto, podemos 
saber se a receita total (P x Q) irá ou não aumentar diante de uma 
queda ou de um aumento nos preços. Tudo vai depender da intensidade 
da reação dos consumidores diante de variações nos preços. 
Há três situações possíveis: 
1ª - A variação percentual na quantidade é maior que a variação 
percentual no preço, ou seja, na fórmula da elasticidade, o numerador é 
 
(1) Na realidade, normalmente, o valor da elasticidade-preço da demanda é negativo porque um aumento do preço (efeito positivo) 
provoca uma queda na demanda (efeito negativo) e vice-versa. Mas nós esquecemos o sinal e consideramos o valor absoluto da 
elasticidade. 
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maior que o denominador e, então, em termos absolutos, isto é, 
desprezando-se o sinal (que, no caso da demanda é sempre negativo) a 
Ep > 1. Nesse caso, a demanda deste produto denomina-se elástica 
em relação a seu preço. 
2ª - A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual 
no preço: então, em termos absolutos, Ep = 1 e a demanda deste bem 
apresenta elasticidade unitária em relação ao seu preço. 
3ª - A variação percentual na quantidade é menor que a variação 
percentual no preço: então, Ep < 1 e a demanda denomina-se 
inelástica a preço. 
 
Adicionalmente, há ainda dois casos, um tanto raros, é verdade, a 
considerar: 
a) quando a curva de demanda é inteiramente horizontal ao nível de um 
determinado preço e, nesta hipótese, temos uma demanda 
infinitamente elástica a preço; 
b) quando a curva de demanda é inteiramente vertical – o que 
demonstra que a quantidade demandada é insensível a variações no 
preço do produto e, nesta hipótese, temos uma demanda totalmente 
inelástica a preço. 
 
Elasticidade-preço X receita dos produtores 
 
E agora vem a pergunta: qual a importância ou utilidade de se saber se 
a demanda de um produto é elástica ou inelástica? A resposta é 
simples: é a magnitude da elasticidade-preço que vai orientar o 
produtor/vendedor se ele deve aumentar ou reduzir seu preço para 
aumentar sua receita. Se o valor numérico da elasticidade-preço é alto – 
isto é, maior que 1, em valor absoluto, e, portanto, a demanda é 
elástica -, significa que os consumidores reagem muito a variações de 
preços do produto – ou, em outras palavras, se o preço aumentar um 
pouco, os consumidores reduzirão muito sua demanda daquele produto. 
O inverso também é verdadeiro: se ele reduzir um pouco seu preço, 
suas vendas deverão aumentar muito. O mesmo raciocínio vale para o 
caso em que o valor numérico da elasticidade-preço seja pequeno - isto 
é, menor que 1 em valor absoluto, sendo, portanto, a demanda 
inelástica. 
Assim entendido, podemos tirar as seguintes conclusões relativamente 
aos efeitos de variações de preços sobre a receita total do vendedor: 
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i) - Se o produto tem uma demanda elástica, um aumento de P 
provocará uma queda na receita total porque a redução percentual da 
quantidade demandada será maior que o aumento percentual de preços. 
Nesse caso, o produtor deve baixar o preço para aumentar a receita. 
Isso ocorre porque a quantidade demandada aumentará 
percentualmente mais que a perda percentual de preços. 
ii) - Se a elasticidade-preço da demanda é unitária, a receita total não 
se alterará com aumentos ou reduções de preços. Isso porque, se o 
produtor aumentar o preço em 10%, a quantidade demandada cairá 
10%; se ele reduzir o preço em 10%, a quantidade aumentará 10%, e 
assim por diante. 
iii) - Se o produto for inelástico, uma queda de preços provocará uma 
queda de receita total porque a redução percentual de P não será 
compensada pelo aumento percentual da quantidade demandada. Nesse 
caso, o produtor deve aumentar o preço para aumentar sua receita 
total, já que a quantidade demandada cairá percentualmente menos que 
o aumento percentual nos preços. 
 
6. Fatores que influenciam a magnitude da elasticidade-preço 
 
Mas, afinal de contas, o que leva um produto a ter uma demanda 
elástica ou inelástica? Ou como identificar, sem necessidade de fazer 
cálculos, um produto de demanda elástica ou inelástica? 
Embora rigorosamente só se possa afirmar que a demanda do produto X 
é elástica ou não em relação a variações em seu preço a partir de uma 
pesquisa específica, os produtos possuem certas características que nos 
permitem concluir a priori se eles são mais ou menos elásticos a 
variações em seu preço3, a saber: 
i) Essencialidade do produto – parece claro que quanto maior o 
grau de utilidade ou de essencialidade do produto para o consumidor, 
menos elástica (ou seja, mais inelástica) tende a ser sua demanda. De 
fato, se o produto é essencial para o consumidor, aumentos em seu 
preço reduzirão pouco ou quase nada suas compras. Da mesma forma, 
reduções de preço desses produtos não deverão provocar aumentos em 
sua compras, pois o consumidor tende a comprar um certa quantidade – 
digamos, fixa – dos mesmos. É o que ocorre, geralmente, com os bens 
de primeira necessidade, como alimentos, serviços de saúde ou de 
educação – que sabidamente têm demanda inelástica a preço. De outra 
 
3 Essas características foram apontadas pioneiramente pelo famoso economista inglês Alfred Marshall (1842-
1924) em seus Principles of Economics. 
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parte, produtos supérfluos, para o consumidor, como jóias e perfumes, 
tendem a ter demanda elástica a preço. 
 
ii) Quantidade de substitutos – também parece inquestionável a 
afirmação de que, se o produto tiver muitos substitutos próximos, um 
aumento de seu preço deve estimular o consumidor a mudar de 
produto, reduzindo, portanto, a demanda daquele cujo preço se elevou 
(se o preço do Palio se elevar, o consumidor tenderá a substitui-lo por 
Gol 1000, ou por Fiesta, etc). Ou seja, quanto mais substitutos houver 
para um produto X, mais elástica a preço será sua demanda. 
Obviamente, o contrário ocorre na hipótese de o produto não ter 
substitutos próximos (como é o caso do sal). Nesta hipótese, mesmo 
ocorrendo um aumento do preço do produto, o consumidor tenderá a 
continuar adquirindo a mesma quantidade de antes, por simples falta de 
opção – o que torna sua demanda inelástica a preço. 
 
iii) Peso no orçamento do consumidor – quanto menor for o preço 
do produto, menos ele pesará no bolso do consumidor, como é o caso 
da caixa de fósforos. Assim, aumentos no preço de um produto 
“barato”, tendem a não alterar a demanda daquele produto, como seria 
o caso se o preço da caixa de fósforos passasse de 20 centavos para 30 
centavos (um aumento de 50%!). Nesta hipótese, a demanda desses 
produtos ditos “baratos” tende a ser inelástica a preço, ocorrendo o 
contrário no caso dos produtos mais caros, como carros, passagens 
aéreas, etc. 
 
 
iv) Nível de preço – este é um aspecto pouco abordado pelos livros-
textos de Economia, mas a verdade – facilmente comprovável – é que 
se o preço do produto estiver na parte superior da curva de demanda, 
mais elástica tende a ser sua demanda, ocorrendo o contrário se o preço 
estiver na parte inferior da curva4. 
 
7. Elasticidade da oferta 
 
O conceito da elasticidade também se aplica no caso da oferta, para 
medirmos a reação dos produtores às variações de preço. Em síntese, 
podemos assim definir a elasticidade-preço da oferta: 
 
4 Isso é certamente verdade no caso de uma curva de demanda retilínea, negativamente inclinada, e é 
geralmente válido para a demanda expressa por uma curva propriamente dita. 
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A “elasticidade-preço da oferta mede a variação percentual na 
quantidade ofertada de uma mercadoria em conseqüência de uma dada 
variação percentual em seu preço”. 
A exemplo da elasticidade da demanda, podemos obter diferentes 
valores para a elasticidade da oferta conforme utilizemos o preço e a 
quantidade originais ou novos. Também aqui, por convenção, é 
preferível utilizarmos P e Q médios, sendo a fórmula de cálculo dada 
por: 
 
 Ep = Variação percentual na quantidade ofertada 
 Variação percentual no preço 
 ou, E Q
P
Q
Q méd io
P
P méd i o
p = =ΔΔ
Δ
Δ
%
%
( )
( )
 
Tomando por exemplo
a curva de oferta da Figura 2, suponha que, ao 
preço inicial de R$ 10,00 por quilo, os produtores estarão dispostos a 
vender 200kg de arroz; se o preço se elevar para R$ 15,00, a oferta 
crescerá para 280kg. Vamos calcular a elasticidade desta curva de 
oferta no arco AB. 
 
 
 
Figura 2 
 
 
 
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E
Q
Q m d i o
P
P méd i o
p = = = × = =
Δ
Δ
%
( )
%
( ) ,
, ,
é
80
240
5
12 5
80
240
12 5
5
1000
1200
0 83 
Dependendo do número que se obtém, após este cálculo, a elasticidade-
preço da oferta também será classificada como: 
i) elástica , se o coeficiente encontrado for maior que 1,0; 
ii) unitária, se o coeficiente encontrado for igual a 1,0; 
iii) inelástica, se o coeficiente encontrado for menor que 1,0, 
valendo lembrar que, como os preços e quantidades ofertadas variam 
na mesma direção, o coeficiente da elasticidade-preço da oferta terá 
sempre um sinal positivo. 
 
8. Elasticidade-preço-cruzada 
 
Diferentemente da elasticidade-preço anterior, esta elasticidade-preço-
cruzada mede a sensibilidade da demanda do bem X a variações nos 
preços do bem Y. Matematicamente, é medida pela razão entre as 
variações percentuais da quantidade demandada de um bem X e as 
variações percentuais de preço do bem Y. Ou: 
 E Q
Pxy
x
y
= ΔΔ
%
%
 
Esta razão pode assumir valores negativos e positivos ou, ainda, ser 
igual a zero. 
– Se o resultado for < 0, isto é, negativo, os dois bens são 
complementares. 
– Se o resultado for > 0, isto é, positivo, os dois bens são substitutos ou 
sucedâneos. 
 – Se o resultado for = 0, os dois bens não guardam qualquer 
relação de consumo entre si. 
 
Exemplo: 
Suponha que X seja manteiga e Y seja margarina (dois produtos 
tipicamente substitutos). 
Se o preço de Y subir (+), a quantidade demandada de manteiga deve 
aumentar ( + ). Logo, dividindo-se um valor positivo por outro positivo, 
o resultado será um valor positivo e, portanto os bens são substitutos. 
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Analise a hipótese de X = pneu e Y = carro. O que deve ocorrer, caso o 
preço do carro aumente (ceteris paribrus)? 
 
9. Elasticidade-renda 
 
A elasticidade-renda (Er) mede a razão entre a variação percentual da 
quantidade demandada de um bem X e a variação percentual da renda 
real do consumidor. Ou: 
 
E Qx
Rr
= ΔΔ
%
% 
 
Dependendo do valor do coeficiente da elasticidade-renda obtido, o bem 
será classificado em bem inferior, ou bem normal ou bem superior. 
Assim, por exemplo, suponha que a renda dos consumidores tenha se 
elevado, num certo período de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00, em 
conseqüência, a quantidade demandada dos bens A, B, C e D, se 
alteraram de Qd0 para Qd1, conforme a tabela a seguir: 
 
 
Bens Qd0 Qd1 
 A 20 18 
 B 25 30 
 C 30 78 
 D 10 15 
 E 40 40 
 Utilizando a fórmula acima, podemos calcular a elasticidade-renda 
para os cinco bens acima, assim: 
i) Er (bem A) = 
%30
%10−
 = - 0,33 
ii) Er (bem B) = 
%30
%20
= 0,66 
iii) Er (bem C) = 
%30
%30
= 1,0 
iv) Er (bem D) = 
%30
%50
= 1,67 
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v) Er (bem E) = 
%30
%0
 = 0 
 Observe-se que a quantidade demandada do bem A diminuiu 
quando a renda aumentou. Quando se verifica esta relação inversa entre 
variação na renda do consumidor e a conseqüente variação no consumo 
de um bem, este bem é denominado de bem inferior – como é o caso do 
bem A. Em conseqüência, o coeficiente da elasticidade-renda dos bens 
inferiores é negativo, refletindo o fato de que, no caso desses bens, o 
seu consumo cai quando a renda cresce. 
 No caso do bem B, verificamos que o seu consumo cresceu quando 
a renda cresceu, embora tenha crescido proporcionalmente menos que o 
crescimento da renda – o que forneceu um coeficiente da elasticidade-
renda positivo, porém menor que 1, ou seja, a demanda desse bem 
inelástica a renda. Estes bens são denominados bens normais – que 
são aqueles cuja demanda tende a acompanhar a direção da variação 
renda. Se a renda cai, o seu consumo também cai; se a renda cresce, o 
seu consumo também cresce, ainda que não na mesma intensidade. 
 No caso do bem C, o aumento do consumo se deu na mesma 
intensidade do aumento na renda (ambos cresceram 30%), e por isso, o 
coeficiente da elasticidade-renda foi positivo, igual a 1, ou seja, a 
elasticidade-renda é unitária. Estes bens também são classificados 
como bens normais. 
 No caso do bem D, o consumo cresceu proporcionalmente mais 
que o crescimento na renda, dando um coeficiente de elasticidade-renda 
positivo maior que 1 – ou seja, a elasticidade-renda neste caso é 
elástica. Estes bens são denominados bens superiores. 
 Por fim, temos o caso do bem E, cujo consumo não se alterou em 
decorrência do aumento da renda, fornecendo um coeficiente de 
elasticidade-renda igual a 0. Esses bens anelásticos a renda são também 
considerados bens normais, geralmente se aplicando ao caso dos bens 
de consumo saciado (alimentos básicos, por exemplo). 
 Em síntese, em relação à elasticidade-renda, temos as seguintes 
conclusões: 
– Se o resultado desta razão for positivo maior que 1,0, o produto é 
dito “bem superior”. 
– Se o resultado situar-se entre 0 e 1,0 o bem é normal. 
– Se o resultado for menor que 0, isto é, negativo, o produto é 
chamado de “bem inferior”. 
 
 
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10. Escassez, Tabelamento e Incidência Tributária 
 
10.1 Escassez e excedente – tabelamento 
 
Muitas vezes, o governo se vê obrigado a intervir no mercado através do 
controle de preços ou tabelamento, com o objetivo de proteger os 
consumidores. Isso ocorre sempre que um país atravessa um período de 
aceleração inflacionária, ou quando o governo percebe a ação ou 
comportamento de grupos de empresas – os oligopólios – que tentam 
tirar proveito de seu “poder de mercado” reajustando abusivamente 
seus preços. 
Ao perceber que os preços que vigorarão no mercado serão muito 
elevados, o governo resolve intervir, fixando um preço máximo para a 
venda do produto – e que será, necessariamente, menor do que o preço 
que vigoraria no mercado. 
No Brasil, essa prática foi muito comum nos anos 80 e 90 do século 
passado, como mostraram as experiências do Plano Cruzado, em 1986; 
do Plano Bresser, em 1987; do Plano Verão (Mailson), em 1989 e do 
Plano Collor II (ou Zélia), em 1991. Esses foram momentos bem 
marcantes de “congelamentos” de preços que, no fundo, se traduzem 
em verdadeiros tabelamentos. Afora esses momentos, existiam, ainda, 
os controles permanentes de preços pela SUNAB, CIP, “Câmaras 
Setoriais”, etc. 
Não importa a forma, nem o órgão, nem o porquê do controle ou do 
tabelamento de preços. O que importa, do ponto de vista da análise 
econômica, é conhecer as conseqüências desse tabelamento. 
Para tanto, vamos partir da Figura 3: 
 
Figura 3 
 
 
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O governo resolve tabelar o preço de x ao nível de P1. Pelo mercado, o 
preço de equilíbrio seria Pe. Ao nível de P1 a QD é maior que Qs 
surgindo um excedente da demanda sobre a oferta igual a QD - QS. 
Esse excedente forçaria o preço a subir até Pe – o que é impedido pelo 
congelamento. Com isso, surge uma demanda insatisfeita (igual a QD – 
Qs), existindo diversas soluções para o problema, a saber: 
(i) Aparecem as filas:
Toda vez que, num mercado, houver excesso 
de demanda, surgirão filas, seja nas bilheterias dos teatros, seja à porta 
dos açougues, seja nos balcões das lojas, sendo que somente os que 
chegarem primeiro serão atendidos. 
(ii) Surgem as vendas preferenciais: Quando a demanda para um 
concerto musical é maior que o número de bilhetes, muitas vendas são 
feitas “por debaixo do pano”. Os promotores do espetáculo reservam 
uma parte dos ingressos para convidados ilustres, para políticos ou para 
fregueses mais regulares. 
(iii) Surge o mercado negro: Sabendo que vai faltar ingresso, para 
burlar o tabelamento, reduzem a quantidade contida no próprio produto, 
vendendo-o, porém, ao preço tabelado. Assim, por exemplo, o rolo de 
papel higiênico, antes com 45 metros, passa a 40 metros, o quilo de 
carne passa a ter 900 gramas, o sabonete já não faz tanta espuma 
como anteriormente, etc. 
Como se vê, o controle ou congelamento de preços, ainda que seja um 
instrumento útil para estancar temporariamente um processo infla-
cionário, provoca sempre outras distorções no mercado. 
 
10.2 Incidência tributária 
 
Qual será o efeito da imposição, pelo governo, de um imposto sobre a 
venda de uma mercadoria? Quem pagará este imposto? O leitor menos 
atento responderá que o imposto será pago pelo consumidor. No 
entanto, isso pode ou não ser verdade. Tudo dependerá das 
elasticidades da demanda e da oferta. Mas, antes de mais nada, é 
preciso distinguir dois tipos de impostos: (i) o imposto específico – que 
é um valor fixo que incide sobre o preço de venda, digamos, R$ 10,00; 
e (ii) o imposto ad valorem – que é um percentual que recai sobre o 
valor da venda, digamos, 15%.. Analisemos os dois casos: 
 
a) Imposto específico 
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O primeiro efeito do lançamento de um imposto específico é o 
deslocamento da curva da oferta, igual, verticalmente, ao montante do 
imposto. 
Isso se explica pelo fato de que a curva de oferta representa as 
quantidades que serão oferecidas pelo produtor em relação aos preços 
praticados no mercado. Para qualquer preço P de mercado, o produtor 
subtrai o imposto T, ficando com a diferença. Ou seja, o produtor 
receberá o valor P
2
 que será dado por: 
 P
2
 = P
1
 - T 
O que ocorrerá com o preço e a quantidade de equilíbrio? A resposta 
está ilustrada na Figura 4. A decretação de um imposto específico 
desloca, como já foi dito, a curva de oferta para a esquerda. O novo 
ponto de equilíbrio se dá onde a nova curva de oferta (S1) corta a curva 
de demanda. Antes, P
0
 e Q
0
 eram, respectivamente, o preço e a 
quantidade de equilíbrio. Agora, o equilíbrio se dá em P
1
 e Q
1
. Do preço 
P
1
 o vendedor receberá apenas P
2
 (= P
1
 - T). Como P
2
 é menor que P
0
, 
a oferta do produtor cai para Q
1
. 
Figura 4 
 
 
Neste exemplo, sobre quem recai efetivamente o imposto? 
Pode-se dividir o montante do imposto (= P
1
 - P
2
) em duas parcelas, a 
saber: 
(i) �P
1
 = P
1
 – P
0
 que corresponde ao aumento do preço de equilíbrio – 
e, por conseqüência, representa a parcela do imposto a ser paga pelo 
consumidor. 
(ii) �P
2
 = P
0
 – P
2
 que corresponde à redução no preço recebido pelo 
produtor – e que, por conseqüência, representa a parcela a ser paga 
pelo produtor. 
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Qual das duas parcelas é a maior? Isto irá depender da elasticidade da 
demanda e da oferta. 
Observemos a Figura 5, onde são apresentadas duas curvas de 
demanda. Dx e Dy, sendo Dx mais elástica (mais “deitada”) que Dy. 
Ambas as curvas cruzam, inicialmente, a curva de oferta S
0
 no mesmo 
ponto, definindo o preço e quantidade de equilíbrio inicial em P
0
 e Q
0
. 
Com a decretação de um imposto específico, T, a curva de oferta se 
desloca para S
1
. O novo preço de equilíbrio se dará no ponto onde as 
duas curvas de demanda cruzam com nova curva de oferta (S
1
). No 
caso do produto de demanda Dy, o novo preço será P2 e a quantidade 
transacionada será Q
2
. Já para o produto de demanda Dx (mais 
elástica), o preço será P
1
 (menor que P
2
) e a quantidade transacional 
será Q
1
. 
 
Figura 5 
 
 
 
Lembre-se que o aumento do preço pós-imposto representa a parcela 
do imposto repassada ao consumidor. No caso presente, o repasse 
maior ocorreu no produto Dy (menos elástico). Isto se explica pelo fato 
de que um produto de demanda inelástica implica que os consumidores 
não reagem muito às variações de preços. Se isto é fato, o produtor 
repassará o máximo do imposto ao preço, sabendo que os consumidores 
não reduzirão muito suas compras do produto. 
 
b) Imposto ad valorem 
 
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Trata-se de um imposto que incide sobre o valor da venda, 
representando, no caso, um percentual da receita do vendedor (ou 
produtor). Assim, por exemplo, se o imposto (t%) for 20%, o produtor 
receberá efetivamente apenas 80% do preço de mercado, isto é, 
receberá P*, que será dado por: 
 P* = (1 – t%)P 
 
Qual será o efeito da decretação de um imposto ad valorem? 
Graficamente, a curva de oferta se tornará mais vertical, sendo o 
coeficiente angular da nova curva de oferta (S
1
) dado pela taxa do 
imposto, como mostra a Figura 6. 
 
 Figura 6 Figura 7 
 
 
Pela Figura 7, com o deslocamento da curva de oferta, tanto o preço 
como a quantidade de equilíbrio se alteram de P
0
 e Q
0
 para P
1
 e Q
1
, 
respectivamente. 
Tal como no caso do imposto específico, aqui, também, o montante do 
imposto será dividido em duas parcelas: 
ΔP P P1 1 0= − , que será paga pelo consumidor e 
ΔP P P2 0 2= − , que será paga pelo produtor. 
 
10.3 Política de preços mínimos 
 
Com o objetivo de proteger os agricultores das flutuações climáticas 
que, necessariamente, afetam sua colheita e, daí, alteram os preços de 
mercado, o governo adota a chamada “política de preços mínimos” ou 
“garantia de preços mínimos”. 
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Tal política se justifica pelo fato de que se houver uma boa safra, 
digamos, de milho, sua oferta será grande e, em conseqüência, seus 
preços serão baixos, podendo, inclusive, ficar abaixo dos custos de 
produção. Sendo a demanda por produtos agrícolas geralmente 
inelástica, com uma baixa de preços, a receita dos produtores se 
reduzirá. Com isso, os produtores não terão qualquer estímulo para 
plantar milho no próximo ano, quando, então, haverá escassez do 
produto e conseqüente aumento de preços. 
Para evitar essas flutuações e os prejuízos para os produtores e para os 
consumidores, o governo interfere no mercado fixando “preços 
mínimos” que garantam uma remuneração compensatória aos 
produtores. Este “preço mínimo de garantia” só será usado pelo 
produtor se, por excesso de oferta, “o preço de mercado” se situar 
abaixo do preço de garantia. 
Para entender as conseqüências da adoção de uma política de preços de 
garantia, consideremos a Figura 8 que, hipoteticamente, reflete o 
mercado de milho, onde S é a oferta, D é a curva de demanda, Pe é o 
preço de equilíbrio determinado pelas forças de mercado (oferta e 
demanda) e Pm é o preço mínimo fixado pelo governo. 
 
Figura 8 
 
 
 
Como o Pm é maior que o preço de mercado (Pe), a receita garantida 
aos produtores será OPm x OQs (ou igual à área OPmCQsO). Se não 
houvesse o preço de garantia, a receita dos produtores seria dada pelo 
preço de mercado multiplicado pela quantidade vendida, ou, OPe x 
OQs, que, obviamente,
seria menor que a anterior, já que Pe < Pm. 
Para garantir aos produtores a receita definida pelo preço mínimo, o 
governo dispõe de duas alternativas: 
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i) fixa o preço em Pm e compra o excedente de milho, ou seja, BQs ao 
preço de Pm ; ou 
ii) deixa que o milho seja vendido ao preço de mercado, Pe, e concede a 
cada agricultor um subsídio, em dinheiro, igual a Pm - Pe para cada 
saca vendida. 
 
A questão, então, é: qual dos dois programas é mais caro para o 
governo? Antes de responder, vale lembrar que, em qualquer 
alternativa, a receita dos produtores será dada pelo retângulo 
OPmACO. 
Se o governo optar pelo primeiro programa, isto é, comprar o 
excedente, a despesa dos consumidores (DC) será dada por OPm x OB 
(= OPmABO) e, conseqüentemente, a despesa do governo (DG) será 
OPm x BQs (= BACQsB). 
Observando que quanto maior a parcela paga pelos consumidores, 
menor será a despesa do governo, e considerando que a demanda por 
milho tem alta probabilidade de ser inelástica, a despesa dos 
consumidores será maior no primeiro programa, compra do excedente 
pelo governo. Isto porque, quando a demanda é inelástica, um aumento 
do preço do produto de Pe para Pm eleva a receita do vendedor (isto é, 
aumenta a despesa dos consumidores). Se esta é aumentada, significa 
que a do governo diminui. (Observe-se que não se consideram, aqui, os 
custos de armazenamento, nem as eventuais receitas que o governo 
terá, mais tarde, com a venda de seu estoque). 
 
11. Algumas conclusões-resumo desta nossa primeira aula 
 
Aprendemos, hoje, então, o que é a elasticidade nos seus diversos 
conceitos – elasticidade-preço da demanda e da oferta, a elasticidade-
renda e a elasticidade-preço-cruzada. Aprendemos, também, como 
calculá-la e como interpretar os resultados encontrados. Fomos mais 
além, analisando casos específicos de sua aplicação, como no caso de 
políticas governamentais de tabelamento de preços, no caso da 
incidência e do ônus do imposto sobre os consumidores (e, 
eventualmente, sobre os produtores) e no caso das políticas de 
garantidas de abastecimento postas em prática pelo Governo. 
Nas nossas próximas aulas, veremos outras aplicações deste importante 
conceito econômico, principalmente quando abordarmos a questão dos 
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investimentos, da poupança, do mercado monetário e do comércio 
exterior e do balanço de pagamentos. 
Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso próximo encontro! 
______________ 
 
Exercícios de fixação: 
 
I) Exercícios resolvidos: 
1. A elasticidade-preço da demanda do produto A é –0,1. Se o preço desse 
produto aumentar em 2%, quanto deverá diminuir a quantidade demandada? 
Solução: Utilizando a fórmula de cálculo da elasticidade-preço e fazendo as 
devidas substituições pelos números dados pelo problema, tem-se: 
 Ep = 1,0
%2
%
%
% −=−
Δ=Δ
Δ Qd
P
Qd 
Efetuando a conta acima, tem-se que a variação percentual da quantidade 
demandada (Δ%Qd) é igual a –2%. Ou seja, a quantidade demandada deverá 
cair 2%. 
 
2. A elasticidade-preço da demanda de um bem é –1,8 e a quantidade 
demandada ao preço de mercado é de 5.000 unidades. Caso o preço do bem 
sofra uma redução de 5%, qual deverá ser a nova quantidade demandada? 
Solução: Novamente, vamos utilizar a fórmula da elasticidade-preço, com as 
devidas substituições: 
 Ep = 8,1
%5
%
%
% −=−
Δ=Δ
Δ Qd
P
Qd 
Ou seja, Δ%Qd = -5% x -1,8 = 9%; assim, a quantidade demandada teria 
aumentado em 9%, ou em 450 unidades (9% de 5.000 unidades). 
Deste modo, a nova quantidade passará a ser: 5.450. 
 
3. Sabe-se que a demanda de um bem X qualquer é elástica a preço. Assim, se 
o preço desse bem aumentar, tudo o mais permanecendo constante, o gasto 
total do consumidor deste bem deve aumentar, cair ou permanecer 
constante? 
Solução: Para que a demanda de um bem seja elástica a preço, é necessário que 
a Δ%Qd > Δ%P. Esta é a condição para que o resultado seja maior que 1 (em 
valor absoluto). Ora, se um aumento, digamos, de 10% no preço do produto 
provocar, digamos, uma queda na quantidade demandada de 20% (logo Δ%Qd 
> Δ%P), a despesa ou gasto total do consumidor deve cair. 
 
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4. Suponha-se a seguinte função demanda linear: 
Qdx = 600 – 5Px 
Esta equação fornece uma curva de demanda representada por um linha reta tal 
como representado no seguinte gráfico abaixo. 
Pede-se: calcule a elasticidade-preço nas seguintes hipóteses: 
i) P = 90; ii) P = 60; e, P = 30. 
 
120 
 90 
 60 
 30 
 
 0 150 300 450 600 
 
Solução: O ponto médio corresponde ao preço de 60 (igual à média entre zero e 120) e à 
quantidade de 300 (média entre zero e 600). 
i) Vamos calcular a Ep correspondente ao preço de 60, utilizando como referência para o 
cálculo o preço de 120 (que reduz a quantidade demandada para zero). Temos: 
Px Qd 
60 300 
 120 0 
 Ep = 1
%100
%100
%
% ==Δ
Δ
P
Qd 
 
ii) Agora, vamos calcular a Ep para o preço de 30. A este preço, a quantidade demandada é 
450 (Qd= 600 - 5 . 30 = 450). Assim, vamos calcular a Ep caso o preço suba de 30 para 60: 
 Px Qd 
 30 450 
 60 300 
Ep= 33,0
13500
4500
30
150.
450
30. ===Δ
Δ
P
Q
Q
P
 
 
iii) Considerando, agora, uma queda do preço de 90 (onde a quantidade demandada é 150) 
para 60, temos: 
 
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 Px Qd 
90 150 
60 300 
 Ep = 3
30
150.
150
90 = 
 
Dos cálculos acima, pode-se concluir que uma curva de demanda representada por uma 
linha reta tem elasticidade unitária no seu ponto médio, sendo elástica aos preços acima do 
ponto médio e inelástica aos preços abaixo do ponto médio. 
 
55.. NNuummaa iinnddúússttrriiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé 
ddeeffiinniiddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 11000000,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttooss,, eennqquuaannttoo aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé 
ddeeffiinniiddaa ppoorr QQdd == 44550000 –– 440000PP.. SSuuppoonnhhaa,, eennttããoo,, qquuee oo GGoovveerrnnoo llaannccee uumm iimmppoossttoo 
eessppeeccííffiiccoo TT == 11,,0000 ssoobbrree eessttee pprroodduuttoo.. 
CCaallccuullee aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo ((QQee)) ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ((PPee)) aanntteess ee 
ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo.. 
 
SSoolluuççããoo:: EEmm eeqquuiillííbbrriioo,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ((QQss)) éé iigguuaall àà qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ((QQdd)),, 
oouu QQss == QQdd 
SSuubbssttiittuuiinnddoo nneessttaa iigguuaallddaaddee,, ooss vvaalloorreess ddee QQss ee ddee QQdd,, tteemmooss:: 
 660000PP –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP 
 oouu,, 11000000PP == 55550000 
 ee,, PP == 55,,5500 
PPaarraa aacchhaarrmmooss aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo,, ssuubbssttiittuuíímmooss oo vvaalloorr eennccoonnttrraaddoo 
ppaarraa PP nnaass dduuaass eeqquuaaççõõeess ddaaddaass ppeelloo pprroobblleemmaa,, aassssiimm:: 
 
 QQss == 660000 xx 55,,5500 –– 11000000 == 22..330000 
 QQdd ==
44550000 –– 440000 xx 55,,5500 == 22..330000 
 
LLooggoo,, aanntteess ddoo iimmppoossttoo aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo éé 22..330000 ee oo pprreeççoo ddee 
eeqquuiillííbbrriioo éé 55,,5500.. 
 
VVaammooss aaggoorraa ccaallccuullaarr aa qquuaannttiiddaaddee ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo ((TT == 11)):: 
AAnntteess ddee ffaazzeerrmmooss aass ddeevviiddaass ssuubbssttiittuuiiççõõeess,, éé bboomm lleemmbbrraarr qquuee,, aaggoorraa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaa oo 
pprreeççoo ddee vveennddaa ddoo pprroodduuttoo,, ppaarraa oo pprroodduuttoorr oo pprreeççoo sseerráá uumm rreeaall aa mmeennooss,, jjáá qquuee eellee tteemm ddee 
rreeccoollhheerr ppaarraa oo ggoovveerrnnoo eessttee iimmppoossttoo.. AAssssiimm,, ssee eellee vveennddeerr oo pprroodduuttoo ppoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé 
44,,0000;; ssee eellee vveennddeerr ppoorr 77,,0000,, ppaarraa eellee éé 66,,0000.. QQuuaannttoo aaoo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa éé 
sseemmpprree oo pprreeççoo qquuee eessttiivveerr nnoo mmeerrccaaddoo.. SSee oo pprreeççoo ffoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé mmeessmmoo 55,,0000;; ssee oo 
pprreeççoo ffoorr 77,,0000,, eellee ppaaggaarráá eessttee pprreeççoo,, iinnddeeppeennddeenntteemmeennttee ddee tteerr oouu nnããoo uumm iimmppoossttoo 
eemmbbuuttiiddoo nnoo pprreeççoo.. 
AAssssiimm,, oo iimmppoossttoo ssóó vvaaii aaffeettaarr aa eeqquuaaççããoo ddaa ooffeerrttaa.. PPaarraa ssaabbeerrmmooss qquuaall aa qquuaannttiiddaaddee 
ooffeerrttaaddaa,, aappóóss oo iimmppoossttoo,, tteemmooss ddee rreettiirraarr ddoo pprreeççoo ((PP)) oo iimmppoossttoo,, ffiiccaannddoo aassssiimm aa eeqquuaaççããoo 
ddaa ooffeerrttaa:: 
 QQss == 660000((PP--11)) –– 11000000 
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AA eeqquuaaççããoo ddaa ddeemmaannddaa,, ccoommoo ffooii ddiittoo,, nnããoo éé aaffeettaaddaa,, jjáá qquuee,, ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo PP éé 
ddee ffaattoo oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa.. 
AAssssiimm,, iigguuaallaannddoo aass dduuaass eeqquuaaççõõeess,, tteerreemmooss:: 
 660000((PP--11)) –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP 
 oouu,, 660000PP –– 660000 -- 11000000 == 44550000 –– 440000PP 
 11000000PP == 66110000 
 ee,, PP == 66,,1100 
 
OOuu sseejjaa,, oo iimmppoossttoo ddee 11,,0000 eelleevvoouu oo pprreeççoo ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100.. AA eessttee nnoovvoo pprreeççoo aa 
qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa sseerráá:: 
 QQss == 660000 xx ((66,,1100 –– 11)) –– 11000000 == 22..006600 
ee aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa sseerráá:: 
 QQdd == 44550000 –– 440000 xx 66,,1100 == 22..006600.. 
 
AAssssiimm,, oo eeffeeiittoo ddoo iimmppoossttoo ffooii eelleevvaarr oo pprreeççoo ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr ((ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100)) –– oo qquuee 
ffeezz aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ccaaiirr –– ee rreedduuzziirr oo pprreeççoo rreecceebbiiddoo ppeelloo pprroodduuttoorr ((66,,1100 –– 11,,0000 == 
55,,1100)) –– oo qquuee ffeezz,, ttaammbbéémm,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ccaaiirr.. 
 
 
 
IIII –– EExxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss ((vveejjaa ggaabbaarriittoo aaoo ffiinnaall)) 
 
MMúúllttppllaa eessccoollhhaa:: AAssssiinnaallee aa aalltteerrnnaattiivvaa qquuee rreessppoonnddee aa pprrooppoossiiççããoo:: 
 
11.. SSee aa rreecceeiittaa ttoottaall ssee eelleevvaa qquuaannddoo oo pprreeççoo ssee rreedduuzz,, ppooddee--ssee ddiizzeerr,, eennttããoo,, qquuee aa ddeemmaannddaa 
éé:: 
aa)) iinneelláássttiiccaa;; 
bb)) tteemm eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa;; 
cc)) vveerrttiiccaall;; 
dd)) eelláássttiiccaa;; 
ee)) hhoorriizzoonnttaall.. 
 
22.. AA ddeemmaannddaa ppoorr uumm pprroodduuttoo éé mmaaiiss eelláássttiiccaa:: 
aa)) qquuaannttoo mmaaiioorr ffoorr oo nnºº ddee bbeennss ssuubbssttiittuuttooss ddiissppoonníívveeiiss;; 
bb)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr aa pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ddoo ccoonnssuummiiddoorr ddeessppeennddiiddaa nnoo pprroodduuttoo;; 
cc)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr oo ppeerrííooddoo ddee tteemmppoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; 
dd)) qquuaannttoo mmaaiiss eesssseenncciiaall ffoorr oo pprroodduuttoo;; 
ee)) ddeeppeennddee ddee pprreeffeerrêênncciiaa ddoo mmeerrccaaddoo.. 
 
33.. AA eellaassttiicciiddaaddee--ccrruuzzaaddaa ddaa pprrooccuurraa ddee uumm bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 11,,55.. 
AA ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee oo bbeemm XX éé:: 
aa)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
bb)) ccoommpplleemmeennttaarr aaoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
cc)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
dd)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
ee)) ooss ddooiiss bbeennss nnããoo eessttããoo rreellaacciioonnaaddooss nnoo ccoonnssuummoo.. 
 
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44.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddee ccaarrnnee ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa 
ddoo iinnddiivvíídduuoo ((mmaannttiiddooss ccoonnssttaanntteess ooss pprreeççooss)).. LLooggoo,, aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddaa 
ccaarrnnee éé,, ppaarraa eellee:: 
aa)) zzeerroo;; 
bb)) nneeggaattiivvaa;; 
cc)) mmeennoorr qquuee 11;; 
dd)) mmaaiioorr qquuee 11.. 
 
55.. AA eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX éé 00,,55.. DDaaíí,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: 
aa)) uumm aauummeennttoo nnoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee pprroovvooccaarr uumm aauummeennttoo nnaa ssuuaa ddeemmaannddaa eemm 
pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; 
bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee aauummeennttaarr aa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa 
rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; 
cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX pprroovvooccaa uumm aauummeennttoo ddaa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo 
mmeennoorr qquuee aa rreedduuççããoo nnoo pprreeççoo;; 
dd)) éé iimmppoossssíívveell aaffiirrmmaarr qquuaallqquueerr ccooiissaa sseemm ccoonnhheecceerr oo mmeerrccaaddoo ddoo bbeemm.. 
 
66.. NNuumm mmeerrccaaddoo eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttoo,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm 
ddeetteerrmmiinnaaddoo pprroodduuttoo éé ddaaddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 990000 ee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé ddaaddaa ppoorr QQdd 
== 33550000 -- 220000PP.. OO ggoovveerrnnoo,, eennttããoo,, ddeecciiddee ddeeccrreettaarr uumm iimmppoossttoo eessppeeccííffiiccoo TT == 22.. NNeessttee 
ccaassoo,, ooss pprreeççooss ddee eeqquuiillííbbrriioo,, aanntteess ee aappóóss oo iimmppoossttoo,,
ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: 
aa)) 55,,5500 ee 66,,2200;; 
bb)) 66,,7755 ee 55,,5500;; 
cc)) 55,,5500 ee 77,,0000;; 
dd)) 55,,5500 ee 66,,7755;; 
ee)) 77,,0000 ee 55,,5500.. 
 
7. O governo lança um imposto específico (T) sobre determinado produto fabricado em 
regime de concorrência perfeita. Pode-se garantir que, a curto prazo, o ônus do 
imposto: 
aa)) iinncciiddiirráá ttoottaallmmeennttee ssoobbrree oo ccoonnssuummiiddoorr;; 
bb)) rreeccaaiirráá iinntteeiirraammeennttee ssoobbrree oo pprroodduuttoorr;; 
cc)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess,, ccoonnffoorrmmee oo ppooddeerr ppoollííttiiccoo ddee ccaaddaa 
ggrruuppoo;; 
dd)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree ddooiiss ggrruuppooss ((pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess)),, ddee aaccoorrddoo ccoomm aass 
eellaassttiicciiddaaddeess--pprreeççoo ddaa ooffeerrttaa ee ddaa ddeemmaannddaa;; 
ee)) nnaaddaa ppooddee sseerr aaffiirrmmaaddoo aa pprriioorrii,, sseemm ssee ccoonnhheecceerr oo pprroodduuttoo.. 
 
88.. AA ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss ccoonnssuummiiddoorreess,, ppoorr uumm iimmppoossttoo uunniittáárriioo,, aarrrreeccaaddaaddoo ddooss pprroodduuttoorreess 
sseerráá:: 
aa)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss eelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
bb)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
cc)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 
dd)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmeennoorr oo ccoonnttrroollee ddoo GGoovveerrnnoo ssoobbrree oo mmeerrccaaddoo;; 
ee)) sseemmpprree mmaaiioorr qquuee aa ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss pprroodduuttoorreess.. 
 
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99.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddoo bbeemm XX ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa 
rreeaall ddooss iinnddiivvíídduuooss.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa aaffiirrmmaattiivvaa,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: 
aa)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddeessttee bbeemm éé mmeennoorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm iinnffeerriioorr;; 
bb)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé iigguuaall aa 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; 
cc)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; 
dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé nneeggaattiivvaa ee oo bbeemm éé iinnffeerriioorr;; 
ee)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm ssuuppeerriioorr.. 
 
1100.. AA eellaassttiicciiddaaddee ccrruuzzaaddaa ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 00,,55.. AA 
ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee oo bbeemm XX éé:: 
aa)) ssuubbssttiittuuttoo bbrruuttoo ddoo iitteemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
bb)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
cc)) ssuubbssttiittuuttoo bbrruuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
dd)) ccoommpplleemmeennttaarr bbrruuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
ee)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo bbeemm YY,, ccoomm eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY.. 
 
1111.. SSee aa eellaassttiicciiddaaddee--aarrccoo ddaa pprrooccuurraa ppoorr ccaarrnnee ffoorr iigguuaall aa ––22 ee ssee oo pprreeççoo ddoo qquuiilloo ppaassssaarr 
ddee RR$$ 99,,0000 ppaarraa RR$$ 1111,,0000,, aa qquueeddaa ppeerrcceennttuuaall nnaa qquuaannttiiddaaddee pprrooccuurraaddaa sseerráá ddee:: 
aa)) 2200%%;; 
bb)) 5500%%;; 
cc)) 3300%%;; 
dd)) 2255%%;; 
ee)) 4400%%.. 
 
1122.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddoo ccoonnccuurrssoo ppaarraa AAuuddiittoorr ddoo TTeessoouurroo MMuunniicciippaall ––RReecciiffee--22000033)) 
 CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa rreepprreesseennttaaddaa ppoorr uummaa lliinnhhaa rreettaa,, éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr:: 
aa)) nnoo ppoonnttoo mmééddiioo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo;; 
bb)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11 ee ccoonnssttaannttee eemm ttooddooss 
ooss ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; 
cc)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé mmaaiioorr qquuee 11 ppaarraa ttooddooss ooss 
ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; 
dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa vvaarriiaa aaoo lloonnggoo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; 
ee)) qquuaannddoo PP == 00,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11.. 
 
1133.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddee AAnnaalliissttaa ddee PPllaanneejjaammeennttoo ee OOrrççaammeennttoo –– MMPPOOGG –– 22000033)) 
 CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppoorr uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo bbeemm,, ppooddee--ssee aaffiirrmmaarr qquuee:: 
aa)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé 
ccoonnssttaannttee aaoo lloonnggoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaamm ooss pprreeççooss ee 
qquuaannttiiddaaddeess;; 
bb)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé 11 qquuaannddoo 
QQ == zzeerroo;; 
cc)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo 
qquuaannddoo pp == zzeerroo;; 
dd)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee nnuunnccaa ppooddee tteerr oo sseeuu 
vvaalloorr aabbssoolluuttoo iinnffeerriioorr àà uunniiddaaddee;; 
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ee)) nnããoo éé ppoossssíívveell ccaallccuullaarr oo vvaalloorr ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa aaoo lloonnggoo ddee uummaa 
ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa lliinneeaarr.. 
 
1144.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa TTCCUU ––AAnnaalliissttaa ddee FFiinnaannççaass ee CCoonnttrroollee EExxtteerrnnoo –– 22000000)) SSoobbrree aa 
iinncciiddêênncciiaa ddee uumm iimmppoossttoo ssoobbrree aa vveennddaa ddee uummaa mmeerrccaaddoorriiaa eessppeeccííffiiccaa éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr 
qquuee:: 
aa)) eemm uumm mmeerrccaaddoo ccoonnccoorrrreenncciiaall aauummeennttaarráá ooss pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee aa
ooffeerrttaa eelláássttiiccaa;; 
bb)) hhaavveerráá aauummeennttoo ddee pprreeççoo ddee pprreeççoo ssee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ffoorr ttoottaallmmeennttee eelláássttiiccaa ee oo 
mmeerrccaaddoo ffoorr ccoonnccoorrrreenncciiaall;; 
cc)) iimmpplliiccaarráá uumm aauummeennttoo ddee pprreeççooss aappeennaass eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss;; 
dd)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo nnooss pprreeççooss eemm mmeerrccaaddooss ccoonnccoorrrreenncciiaaiiss,, ppooddeennddoo pprroovvooccaa--
lloo eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss,, ddeeppeennddeennddoo ddaass eellaassttiicciiddaaddeess ddaa ooffeerrttaa ee ddaa 
ddeemmaannddaa;; 
ee)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo ddee pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee oo mmeerrccaaddoo 
ccoonnccoorrrreenncciiaall.. 
________________________________________ 
 
GGaabbaarriittoo ddooss eexxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss:: 
11.. dd 22.. aa 33.. bb 44.. dd 55.. cc 
66.. cc 77.. dd 88.. bb 99.. ee 1100.. bb 
1111.. ee 1122.. dd 1133.. cc 1144.. dd 
__________________________________________ 
 
 
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1
 
AULA 1: INTRODUZINDO A ECONOMIA 
 
 
 
Nessa nossa primeira aula, nós vamos 
apresentar alguns conceitos básicos e 
específicos da Economia, que serão muito 
importantes para o nosso aprendizado dos 
tópicos que veremos mais adiante, de nível 
intermediário e até mais avançados da teoria 
econômica. Para aqueles que já estudaram 
Economia ou que já são iniciados nesta 
disciplina, este tópico será útil como revisão 
daqueles conceitos.1 
 
1.1. Mas, afinal, de que trata a Economia? 
 
 Durante toda a nossa vida somos afetados pelas 
condições econômicas da comunidade em que vivemos. As 
roupas que vestimos, os alimentos que comemos, a escola 
que freqüentamos, o salário que recebemos, os problemas do 
desemprego e da inflação, são todos fatores ligados 
diretamente às condições econômicas. Você certamente já se 
fez uma série de perguntas relacionas à condição econômica 
dos países e das pessoas e para as quais nunca encontrou 
respostas satisfatórias. São perguntas do tipo: -Por que 
existem umas poucas economias ditas desenvolvidas 
enquanto em um elevado número de países as condições de 
vida ainda são bastante precárias? Por que algumas pessoas 
são ricas, enquanto muitas ainda enfrentam o problema de 
não ter moradia nem alimentação adequada? Por que 
algumas pessoas recebem altos salários, enquanto outras 
ganham apenas o suficiente para a sua sobrevivência? Por 
que existe tanto desemprego? Por que há períodos em que os 
preços sobem persistentemente, enquanto, em outros, os 
 
1 As eventuais notas explicativas que apareceriam em notas de rodapé foram jogadas para o final do texto. 
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2
preços permanecem relativamente estáveis? Por que o Brasil 
e outros países têm uma dívida externa tão elevada e, 
aparentemente, são incapazes de pagá-la? 
O estudo da Economia objetiva a compreensão de todos 
esses problemas, fornecendo respostas a essas e a diversas 
outras questões. A ciência econômica pode nos proporcionar 
um melhor entendimento de como funciona o sistema sócio-
econômico que nos cerca, e o que pode ser feito para 
prevenir, corrigir ou pelo menos aliviar problemas como a 
pobreza, o desemprego e a inflação. 
Em geral, os estudantes, ao iniciarem seu estudo, querem 
uma definição de Economia. Existem diversas como, por 
exemplo: 
 
.
 
 
 
 
 
Agora um outro ponto importante a registrar: você já 
percebeu o quanto as pessoas são insaciáveis? De uma forma 
geral, quanto mais elas têm, mais elas querem, concorda? Se 
conseguem um primeiro emprego para ganharem R$ 500, 
ficam fora de si de contentes. Passados, porém, os primeiros 
dias ou meses, o encanto do primeiro emprego acaba e a 
pessoa passa a procurar ou a se preparar para um emprego 
melhor, que pague mais. E quando conseguem este emprego 
melhor, a coisa não pára aí. A pessoa continua cada vez 
querendo mais e melhor. O mesmo ocorre quando a gente 
compra o primeiro carro que, na maioria dos casos, não é lá 
essas coisas! Passada a euforia inicial, a gente já está 
pensando em adquirir um outro mais novo e mais vistoso. E 
assim vai. 
Tudo isso leva-nos à conclusão de que as necessidades 
humanas são ilimitadas. De um modo geral, quando as 
 “A economia é o estudo da maneira pela qual os homens utilizam 
recursos produtivos para produzir mercadorias e serviços para satisfazer 
as necessidades dos membros da sociedade.” 
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3
necessidades básicas (alimentação, moradia, vestuário) são 
atendidas, o indivíduo passa a sentir outras necessidades, 
como educação, lazer, melhoria de seu padrão de vida – 
melhor casa, melhores roupas, um automóvel mais novo, e 
assim por diante. Uma vez atendidas plenamente as 
necessidades ditas materiais, o indivíduo passa a ter outro 
tipo de necessidade: a estima dos amigos, o reconhecimento 
e aceitação de seu grupo social, necessidade de status e 
coisas do gênero. 
Para satisfazer a maior quantidade possível dessas 
necessidades, a sociedade conta com recursos como terra, 
mão-de-obra, máquinas, equipamentos, conhecimentos 
técnicos e muitos outros. Esses recursos, no entanto, são 
bastante limitados e, portanto, nem todas as necessidades 
podem ser simultaneamente satisfeitas. 
As escassez de recursos, então, torna-se o problema 
fundamental de cada sociedade. Como resultado, a sociedade, 
através do instrumental analítico fornecido pela ciência 
econômica – princípios, teorias, modelos -, procura usar os 
recursos escassos tão eficientemente quanto possível, a fim 
de produzir o máximo de bens e serviços que deseja. O 
campo de atuação da Economia seria, assim, o estudo da 
escassez e a administração eficiente dos recursos. Eficiência, 
aqui, significa reduzir o desperdício ao mínimo. Em outras 
palavras, pode-se dizer que... 
 
 
 
 
Observe-se que, se não houvesse escassez, quer dizer, se 
todos os recursos fossem abundantemente disponíveis, não 
haveria necessidade de se estudar economia. 
 
1.2 Alguns conceitos econômicos básicos 
 ...uma economia estará produzindo da forma mais eficiente possível 
quando não pode aumentar a produção de um bem sem reduzir a produção 
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4
Antes de entrarmos na teoria econômica propriamente 
dita, é interessante que sejam conceituados alguns termos 
econômicos que serão bastante usados ao longo do texto e 
cujo conhecimento é essencial para uma melhor compreensão 
do assunto. Assim, temos: 
Bens e serviços – são o resultado do processo 
produtivo. Bens são as coisas concretas, tangíveis, como 
roupas, televisores, sapatos, canetas, etc; serviços são coisas 
intangíveis, como transporte, educação, saúde, intermediação 
financeira, comunicações, etc. 
Fatores de produção - este é um termo típico do 
“economês”. Fatores de produção são todos os recursos 
utilizados na produção dos bens e serviços para a satisfação 
de necessidades ou desejos do homem. Englobam desde os 
recursos naturais não-renováveis, como terra e água, até 
máquinas, equipamentos, recursos humanos, galpões, 
conhecimento técnico, capacidade empresarial, e muitos 
outros. 
Convenientemente, todos esses recursos produtivos são 
classificados, de uma forma simplificada, em três categorias: 
a) Terra
– compreendendo todos os recursos naturais 
não-renováveis, como terra, água e ar. 
b) Trabalho – correspondendo aos recursos físicos, 
mentais e intelectuais do homem, aplicados na produção. 
c) Capital – englobando todos os recursos “produzidos” 
para serem utilizados na produção de outros bens, incluindo 
aí, principalmente, máquinas, equipamentos e prédios. 
 
 Os bens, por sua vez, podem ser classificados de 
diversas formas, dependendo de sua natureza, da quantidade 
disponível, de seu destino, de quem os consome, da fase em 
que se encontra no processo produtivo etc. Assim, temos: 
-Bens livres – são aqueles que, apesar de serem limitados 
em quantidade, existem em relativa abundância. O uso de 
parte desses bens, por alguém, não afeta ou reduz seu 
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5
consumo por outra pessoa. São exemplos de bens livres o ar, 
a água do mar, etc. Por existirem em abundância, não têm 
preço, não caracterizando um problema econômico. 
-Bens econômicos – são aqueles bens relativamente 
escassos, não sendo suficientes para atender a todos. Como 
tal, têm um valor (preço) de mercado. 
-Bens intermediários – são bens que ainda vão sofrer 
algum tipo de transformação, não estando, portanto, 
disponíveis para o consumidor. Como exemplos, podem ser 
citados o couro (que ainda vai entrar na fabricação do 
sapato), a madeira (que vai virar móvel), o tecido (que vai 
ser usado na produção de roupas), etc. 
-Bens finais – são os bens já disponíveis para o 
consumidor, seja nas lojas, seja nas padarias ou nos 
supermercados. 
Um aspecto importante a registrar é que o destino de um 
bem é que o caracteriza como bem intermediário ou bem 
final. Assim, por exemplo, a farinha de trigo tanto pode ser 
um como outro. A farinha que está na padaria para a 
fabricação de pães é um bem intermediário; já a farinha de 
trigo vendida no varejo, nas mercearias e supermercados, é 
um bem final, pois está ali disponível para o consumidor 
comprá-la. E se você adquirir um farol para seu carro numa 
loja de auto-peças, você classificaria este farol como bem 
intermediário ou como bem final?2 
-Bens de consumo – são os bens destinados à satisfação 
de necessidades pessoais, como, por exemplo, arroz, roupas, 
automóveis. 
Os bens de consumo se classificam em três tipos: os bens 
de consumo não-duráveis – que são aqueles que se esgotam 
de imediato, no ato de sua utilização pelo consumidor, como é 
o caso de alimentos e bebidas; – os bens de consumo 
duráveis – que são aqueles que têm uma vida útil, não se 
 
2 Você acertou se respondeu que o farol é, nesse caso, um bem final, pois foi adquirido por um consumidor. 
Se tivesse sido adquirido por um fabricante de carros, seria considerado um bem intermediário. 
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esgotando de imediato com o seu uso, como, por exemplo, os 
automóveis e os eletrodomésticos; – e, por fim, existem 
aqueles bens que, a rigor, não se enquadram nem no 
primeiro grupo nem no segundo, e que são, por isso mesmo, 
chamados de bens semi-duráveis – como são exemplos o 
vidro, a roupa e calçados. 
Você seria capaz de citar pelo menos mais um exemplo de 
cada um desses tipos de bens de consumo? 
Mas, continuemos com nossa classificação de bens: 
-Bens de capital – são os bens produzidos para serem 
utilizados na produção de outros bens, não se destinando ao 
consumo final dos indivíduos, como é o caso das máquinas e 
equipamentos, de prédios e galpões. 
-Bens complementares – são bens consumidos 
conjuntamente, isto é, o consumo do bem X leva ao consumo 
do bem Y, como, por exemplo, carro e pneu, pão e manteiga. 
Quais mais? 
-Bens substitutos – são bens consumidos de forma 
concorrente, isto é, o consumo do bem X exclui o consumo do 
bem Y, sendo exemplo clássico a manteiga e a margarina, ou 
dois carros de um mesmo padrão, porém de marcas 
diferentes. Esses bens são também chamados na teoria 
econômica de bens sucedâneos ou bens concorrentes. 
 
A variação na renda real e o consumo de bens 
Existe ainda uma outra classificação de bens quando nós 
associamos o seu consumo a uma variação da renda real do 
consumidor3. Assim, por exemplo, há alguns bens cujo 
 
3 Veja que estamos falando de renda “real” e não simplesmente de renda. O conceito de renda real está 
relacionado com os preços dos produtos. Assim, por exemplo, se, num período qualquer, os preços sobem 
15% e o seu salário cresce, também, 15%, você não está nem melhor, nem pior do que antes. Sua renda 
“nominal’ cresceu 15%, mas sua renda real permaneceu do mesmo jeito. Agora, se os preços subiram 15% e 
seu salário cresceu 25%, você está melhor agora, pois pode comprar mais bens agora do que antes, já que sua 
renda nominal cresceu mais que a inflação. Ou seja, sua renda real, agora, está maior que antes. Pelo mesmo 
raciocínio, se os preços subiram 15% e seu salário só foi corrigido em 8%, no período, houve, então, uma 
queda em sua renda real e você ficou mais pobre. 
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consumo cai quando a renda real do consumidor aumenta e 
vice-versa. Estes bens são chamados de bens inferiores; há 
outros bens cujo consumo aumenta quando a renda real 
aumenta e vice-versa, ainda que não seja na mesma 
proporção. Estes bens são denominados bens normais. Há, 
ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumo cresce 
proporcionalmente mais que o crescimento da renda real do 
consumidor (e vice-versa). A estes geralmente se dá o nome 
de bens superiores. 
 
E o que são bens públicos e bens privados? 
Ah, já ia me esquecendo de falar desses dois tipos de 
bens – muito importantes, principalmente para quem vai 
estudar finanças públicas. Então vamos lá: 
Bens públicos são aqueles bens cujo consumidor não é 
individualmente identificado nem a quantidade consumida é 
determinada. Mais ainda, o consumo deste bem por alguém 
não exclui a possibilidade de outrem consumi-lo na mesma 
intensidade. O exemplo típico é a segurança nacional, o 
serviço de polícia e de corpo de bombeiros. Uma vez 
oferecidos esses serviços, todos, querendo ou não, se 
beneficiam deles. Como não se sabe quem consumiu o bem 
ou serviço e nem quanto foi consumido por cada um, não há 
como cobrar do indivíduo por seu consumo. Nesse caso, o 
setor privado não tem nenhum interesse em oferecer esse 
bem ou serviço, cabendo ao Estado fornecê-lo, cobrando, 
para tanto, um imposto de todos. 
Já bens privados, ao contrário, são aqueles cujo 
consumidor e a quantidade por ele consumida são conhecidos. 
Nesse caso, o benefício e a satisfação do consumo se esgotam 
no próprio consumidor e, portanto, cabe a ele pagar pelo 
mesmo. Como, nesse caso, são conhecidos tanto o 
consumidor como a quantidade que ele adquiriu, fica fácil 
cobrar dele por este consumo. Assim sendo, o setor privado 
terá interesse em fornecer esse bem ou serviço. É o caso de 
automóveis, roupas, calçados e eletrodomésticos. 
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Há, ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumidor é 
identificado, mas o benefício decorrente do seu consumo 
extrapola o consumidor individual, terminando por atingir, 
direta ou indiretamente, toda a sociedade. É o caso da 
educação e da saúde. Por esse motivo, esses bens podem ser 
oferecidos tanto pelo setor privado, como pelo Estado, 
atuando ambos de forma complementar. A esses bens 
costuma-se dar o nome de bens semipúblicos ou meritórios. 
 
1.3. Consumo X investimento 
Dois conceitos que, também, devem ser introduzidos 
desde já são o consumo e o
investimento. Ambos são gastos, 
porém de natureza diferente. Consumo refere-se aos gastos 
ou despesas com bens e serviços que satisfazem 
necessidades pessoais, como são os gastos com alimentação, 
automóveis, saúde, vestuário e lazer. Já investimento refere-
se às despesas voltadas para a ampliação da capacidade 
produtiva da economia. Exemplos típicos de gastos de 
investimento seriam a construção de uma hidroelétrica, a 
construção ou ampliação de uma fábrica, a aquisição de novas 
máquinas e equipamentos por uma firma, etc. 
Relacionada ao investimento está a poupança – que pode 
ser definida como a parte da renda dos indivíduos ou das 
empresas que não é gasta. É importante frisar que sem 
poupança não há investimento. Alguém na economia tem de 
poupar, isto é, sacrificar consumo, para que haja recursos que 
financiem o investimento. 
De outra parte, cumpre destacar que, em termos 
econômicos, nem sempre o que se constitui ou se denomina 
de investimento para um indivíduo o será para a economia. 
Assim, por exemplo, se você adquire um lote, isso pode se 
constituir num “bom investimento” para você mas, é preciso 
considerar que esta operação em nada alterou a economia, já 
que sua capacidade produtiva continua a mesma. Assim, 
economicamente falando, esta aquisição de um lote que, para 
você, pode ter sido um bom negócio ou um “bom 
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investimento”, não se constitui em investimento para a 
economia. Da mesma forma, uma aplicação individual em 
caderneta de poupança ou em depósito bancário a prazo, com 
ganho de juros, ainda que comumente seja chamada de 
“investimento”, não passa de uma poupança que, 
posteriormente, poderá ou não dar origem a novos 
investimentos, isto é, a gastos que ampliem a capacidade 
produtiva de uma empresa ou do país. 
 
1.4. Microeconomia versus Macroeconomia 
A Economia é estudada em dois campos ou níveis 
distintos: de um lado, temos a microeconomia que estuda o 
comportamento econômico dos agentes econômicos como os 
consumidores, os proprietários dos recursos produtivos e as 
empresas produtoras; também estuda a determinação e as 
variações dos preços dos recursos produtivos – como já visto, 
chamados de fatores de produção - e dos bens e serviços 
tomados cada um de per si. À microeconomia cabe, ainda, o 
estudo da produção da firma e dos diversos tipos de 
mercados - concorrência perfeita e oligopólio, por exemplo - 
onde atuam os ofertantes e demandantes de bens e serviços. 
Assim, quando se falar na demanda e na oferta de sal, ou de 
carros, de roupas, de passagens aéreas, etc, estamos falando 
de microeconomia. 
De outra parte, temos a macroeconomia - que trata da 
atividade econômica em nível agregado. À macroeconomia 
cabe o estudo do nível da produção total de um país, da 
renda nacional, da produção industrial ou da produção 
agrícola como um todo. Ademais, a macroeconomia está 
preocupada com a determinação do nível de emprego e do 
nível geral de preços. 
Assim, o estudo da produção de uma firma – por maior 
que ela seja - situa-se no campo da microeconomia, enquanto 
o estudo do setor industrial é um tópico da macroeconomia. 
Da mesma forma, se você estuda a atividade econômica de 
uma fazenda, você está dentro da microeconomia; já o 
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estudo da agricultura como um todo pertence à 
macroeconomia. 
A rigor, o interesse pelo estudo e desenvolvimento da 
moderna Macroeconomia ocorreu a partir da Grande 
Depressão do início dos anos trinta, tendo recebido impulso 
especial com a publicação da Teoria Geral do Emprego, do 
Juro e da Moeda, de John Maynard Keynes, em 1936. Desde 
então, os estudos macroeconômicos estão voltados para a 
compreensão das causas das grandes flutuações no nível do 
produto global e do emprego e na proposição de políticas de 
prevenção contra aquelas flutuações de forma que a atividade 
econômica opere sempre próxima do pleno emprego. 
Importante considerar que o estudo da macroeconomia 
pode ser enfocado no curto e no longo prazos. No curto prazo, 
a análise está voltada para a determinação do nível de 
produção efetiva, em um dado período, e na definição de 
medidas de política econômica que podem ser adotadas para 
elevar esta produção caso esteja abaixo do nível do produto 
potencial da economia - definido este pelo pleno emprego dos 
fatores de produção. 
No longo prazo, o enfoque macroeconômico está centrado 
na Teoria do Crescimento, onde são analisados os fatores que 
determinam o nível e a taxa de crescimento da economia. 
Trata-se, na verdade, de um tópico mais avançado da 
macroeconomia e que, como tal, só será abordado por nós no 
curso de Economia II. 
 
1.5. O sistema econômico: agentes e fluxos 
Uma descrição do sistema econômico como um todo deve 
considerar, de um lado, os tipos de agentes econômicos que 
nele atuam e, de outro, os fluxos por ele gerados. Se 
considerarmos, por simplificação, uma economia fechada, isto 
é, sem relações econômicas com outros países (sem 
exportações e importações, por exemplo), podemos identificar 
os seguintes agentes que atuam no sistema econômico: 
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 . As unidades familiares 
 . As empresas. 
 . O governo. 
No sistema econômico, às unidades familiares cabe o 
papel de fornecer os recursos produtivos às empresas 
(recursos naturais, mão-de-obra, capital, capacidade 
empresarial, etc.), recebendo, em troca, uma remuneração – 
isto é, uma renda - que, num momento seguinte, será voltada 
para adquirir das empresas bens e serviços de que 
necessitam. 
As empresas, por seu turno, demandam das unidades 
familiares os recursos produtivos de que precisam, 
remunerando-as com uma renda (salários, aluguéis, juros e 
lucros), enquanto ofertam para as mesmas os bens e serviços 
que produzem. 
Ao governo cabe o papel principal de regulador da 
atividade econômica e de provedor dos chamados “bens 
públicos”- dos quais são exemplos, como já vimos, a 
segurança nacional, o serviço de polícia, a administração da 
justiça - além de garantir o fornecimento dos chamados “bens 
meritórios”, como educação e saúde. Para o desempenho 
dessas atividades, o governo arrecada impostos dos agentes 
econômicos como, por exemplo, o imposto de renda (IR) e o 
imposto sobre produtos industrializados (IPI). 
Num modelo mais completo, teríamos de incluir um 
quarto agente econômico, denominado comumente de resto 
do mundo, que responde pelas importações e exportações de 
bens e serviços do país. 
O funcionamento rotineiro do sistema econômico é melhor 
retratado através do fluxo circular da atividade econômica, 
conforme ilustrado na Figura 1.1. A rigor, é possível 
identificar naquela figura quatro fluxos do sistema econômico, 
bastante distintos. Um primeiro fluxo pode ser visto na parte 
inferior da Figura 1.1., constituído dos fatores de produção - 
que fluem das famílias para as empresas; um segundo, se 
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constitui do fluxo de renda - correspondendo aos pagamentos 
pelas empresas aos proprietários dos fatores de produção 
utilizados, e que são traduzidos nos salários, aluguéis, juros e 
lucros. Na parte superior da Figura 1.1., temos mais dois 
fluxos: um seria o dos bens e serviços ofertados pelas 
empresas às unidades familiares, denominado de fluxo de 
produtos; o outro é caracterizado pelos pagamentos das 
famílias às empresas pela compra daqueles bens e serviços. 
Pela sua natureza, esses quatro fluxos costumam ser 
unificados em dois fluxos distintos: 
i) fluxos reais – assim considerados o fluxo de fatores de 
produção
e o fluxo de produtos; e, 
ii) fluxos monetários – correspondendo ao fluxo de 
renda e ao fluxo de pagamentos, pelas famílias, dos bens e 
serviços fornecidos pelas empresas. 
 
Figura 1.1 
 
Pagamentos pelos bens e serviços de consumo
Bens e serviços de consumo
Fatores produtivos - trabalho, terra e capital
Salários, ordenados, aluguéis, juros e lucros
Famílias Empresas
 
 
É importante ressaltar que, se excluirmos o governo, o 
preço dos produtos ofertados no mercado pelas empresas 
corresponde exatamente ao custo de produção (lembrando 
que, do ponto de vista econômico, os lucros, como qualquer 
outro tipo de renda, fazem parte dos custos). Em outras 
palavras, não havendo governo, o valor global dos produtos 
ofertados é igual, por definição, à soma de todos os salários, 
juros, aluguéis e lucros pagos ao longo de todo o processo 
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produtivo, em todas as suas etapas4. Havendo governo, o 
valor dos produtos no mercado será acrescido dos impostos 
indiretos (basicamente, o imposto sobre produtos 
industrializados – IPI -, o imposto sobre a circulação de 
mercadorias e serviços – ICMS - e o imposto sobre serviços –
ISS), deduzindo-se os subsídios governamentais. 
Note-se que, para que o sistema funcione em equilíbrio5, 
é necessário que todos os bens e serviços produzidos sejam 
vendidos. Como o valor da renda gerada no processo 
produtivo é igual ao valor dos produtos ofertados, isso 
significa que, para que a economia funcione de forma 
equilibrada, é necessário que todos gastem a renda que 
receberam das empresas, ou se nem todos gastarem, é 
necessário que alguém gaste no lugar deles. 
 
1.6. Vazamentos e injeções 
Ocorre, no entanto, que existem diversos obstáculos que, 
a princípio, impedem que toda a renda auferida pelos 
indivíduos retorne às empresas sob a forma de compra de 
bens e serviços. Esses obstáculos – chamados de 
vazamentos – são a poupança (S), os impostos (T) e as 
importações (M). Esses três obstáculos reduzem seus gastos, 
concorrendo para “sobrar” produtos nas prateleiras das lojas. 
E por que isso acontece? É fácil explicar: suponha que você 
recebe um salário de R$2000,00. Para que a economia 
funcione bem, isto é, equilibradamente, você deveria gastar 
todo este seu salário (já que o valor da renda total é igual, 
por definição, ao valor total dos produtos). Mas, aí vem o 
governo e lhe tira, na fonte, R$200,00 a título de imposto de 
renda (sem falar na contribuição previdenciária – que também 
 
4 Deve ser lembrado que as matérias –primas se constituem em custos para uma firma isolada. Porém, quando 
analisada a economia, no agregado, o valor das matérias-primas compradas por uma firma corresponde aos 
salários, juros, aluguéis e lucros pagos na etapa anterior e que, portanto, já foram computados como custos da 
firma que as produziu. Assim, no agregado, as matérias-primas desaparecem. Este ponto ficará claro mais 
adiante, no Capítulo de “contabilidade nacional”. 
5 “Equilíbrio”, em economia, significa igualdade entre a oferta e a demanda, seja a nível global, de toda a 
economia, seja a nível de um produto específico, como calçados, café, automóveis, etc. 
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não deixa de ser um imposto!). Assim, mesmo que você 
queira gastar todo o seu salário comprando produtos, você só 
poderá comprar R$1800,00 – que é o que lhe sobrou depois 
de retirado o IR. Mas, além disso, você ainda resolve fazer 
uma poupançazinha mensal de, digamos, R$150,00 para, 
mais à frente - quem sabe? – comprar um carrinho usado. Ao 
tomar esta decisão, você estará deixando de gastar mais 
R$150,00 na compra de produtos. Nessas alturas, você já 
reduziu suas compras em R$350,00. E depois de tudo isso, 
você (ou outra pessoa) ainda decide importar um 
microcomputador dos Estados Unidos. Mas, com que dinheiro 
você vai pagar esta importação? Certamente, com parte de 
seu salário. Digamos que você gaste R$100,00 por mês com 
esta importação. Ora, o dinheiro que você gasta comprando 
bens do exterior faz reduzir o seu dinheiro disponível para 
gastar aqui dentro. No final, somando estas três parcelas, 
você deixou de gastar, isto é, de comprar bens e serviços 
dentro do País, R$450,00! A esse seus “não-gastos” se dá o 
nome de vazamentos. Assim, dos R$2000,00 de seu salário, 
você só terá comprado R$1550,00 em mercadorias e serviços. 
Se nada for feito para compensar aqueles vazamentos, 
muitas empresas não terão como vender todos os bens e 
serviços que produziram e, em conseqüência, certamente 
tenderão a reduzir sua produção no próximo período – o que 
poderá se traduzir em crise econômica com desemprego. 
Para evitar que tal aconteça, é necessário criar 
mecanismos ou gastos compensatórios para cada vazamento. 
Esses gastos - chamados de injeções – são constituídos dos 
investimentos (I) – que compensam a poupança -, dos gastos 
do governo (G) – que devem equivaler ao montante 
arrecadado sob a forma de impostos -, e as exportações (X) – 
que devem, na medida do possível, ser iguais ao valor das 
importações, para que o setor externo fique equilibrado. 
Ocorre, no entanto, que os agentes econômicos que 
poupam – isto é, as pessoas – não guardam qualquer relação 
com os agentes econômicos que fazem investimentos – isto é, 
as empresas. Ademais, a motivação para poupar é diferente 
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da motivação para investir. Assim, é perfeitamente plausível 
que, em determinado ano ou período, o valor das poupanças 
seja diferente do valor dos investimentos, podendo um ser 
maior que o outro. Da mesma forma, o governo tanto pode 
manter seu orçamento equilibrado, como pode gastar mais do 
que arrecada sob a forma de impostos (ou até gastar 
menos!!!). Também é bastante possível que o valor das 
exportações ora seja maior, ora seja menor que o valor das 
importações. 
Resumindo: o valor total das injeções tanto pode ser 
maior, como pode ser menor, como pode até ser igual ao 
valor das injeções. Obviamente, cada uma dessas situações 
traz conseqüências diferentes para a economia do país, como 
veremos a seguir. 
 
1.7. Situações de equilíbrio e de desequilíbrio 
macroeconômico 
Antes de analisarmos essas três hipóteses, é importante 
introduzir o conceito de “equilíbrio” em Economia. Equilíbrio 
refere-se a uma situação de mercado que, uma vez atingido, 
tende a persistir. O equilíbrio de mercado ocorre quando a 
quantidade demandada de um produto é igual à quantidade 
ofertada desse produto. O equilíbrio pode se dar tanto a nível 
de um produto ou serviço tomado isoladamente, como a nível 
da economia como um todo. Assim, tanto se pode dizer que o 
mercado de automóveis está em equilíbrio, como se pode 
dizer que a economia brasileira está em equilíbrio. Da mesma 
forma, pode-se também dizer que o mercado tal e tal está em 
desequilíbrio – o que ocorre quando a demanda é maior ou 
menor que a oferta naquele mercado. 
Com esse conceito de equilíbrio em mente, vejamos as 
três situações que uma economia pode enfrentar quando se 
compara o valor das injeções com o valor dos vazamentos: 
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Suponha, em primeiro lugar, que as injeções sejam 
menores que os vazamentos. Isso quer dizer que ou os 
empresários não estão confiantes no desempenho da 
economia nos próximos anos e, como tal, não estão dispostos 
a fazer muitos investimentos (ampliarem suas fábricas, ou 
criar novas indústrias) e, portanto, está sobrando poupança 
nos bancos, ou o país está exportando menos do que 
importando ou, apenas
para raciocinar, o governo está 
gastando menos do que está arrecadando (será isso 
possível?!!!). Não importa qual seja a razão, mas se os 
vazamentos são maiores que as injeções, isso significa que 
está havendo menos compras do que deveria haver. Em 
termos econômicos, isto quer dizer que a demanda agregada 
está fraca, menor do que a oferta agregada de bens e 
serviços. 
Se assim é, qual deve ser a conseqüência disso para a 
economia como um todo? Você certamente já deduziu o que 
deverá acontecer a partir daí: os empresários, percebendo 
que seus produtos não estão sendo todos vendidos, e que 
está havendo uma formação indesejada de estoques nas 
empresas, começam a reduzir a produção. E reduzir produção 
significa reduzir o nível de emprego e, numa cadeia de 
conseqüências, a redução do emprego implicará queda da 
renda das pessoas, que implicará um menor consumo, etc. A 
economia entra, assim, num círculo vicioso de recessão, com 
baixo nível de emprego-renda-consumo. Esta é a 
conseqüência mais direta de uma situação onde as injeções – 
isto é, os gastos agregados – são menores que os 
vazamentos (que são os não-gastos), a nível 
macroeconômico. 
Vejamos, agora, a situação em que as injeções são 
maiores do que os vazamentos. Isso quer dizer que está 
havendo um volume de compras muito grande na economia. 
Os empresários estão otimistas com o futuro da economia e 
estão fazendo muitos gastos de investimentos; o governo 
deve, também, estar gastando mais do que arrecada em 
impostos e, também, pode ser que as exportações estão 
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acima das importações. Nesta situação, os lojistas, vendo que 
seus estoques estão acabando, fazem mais e mais pedidos às 
fábricas, obrigando estas a aumentarem a produção. O 
resultado disso é certamente mais crescimento econômico 
com mais geração de emprego. Dependendo da resposta mais 
ou menos rápida do setor produtivo, a pressão das compras 
em excesso pode (e deve) pressionar os preços para cima, 
dando início a um processo inflacionário. Num primeiro 
momento, haverá crescimento econômico com inflação. Mas, 
com o passar do tempo, os agentes econômicos começam a 
perceber que a inflação está lhes causando perdas e mais 
perdas reais e, em conseqüência, passam a exigir correções 
compensatórias de salários, surgem mecanismos automáticos 
de correções de aluguéis e dos valores de contratos de 
fornecedores, as taxas de juros se elevam para cobrir as 
taxas de inflação. Entra-se, então, no chamado círculo vicioso 
da inflação assim descrito: a inflação gera correções de 
salários e de outras rendas que geram mais inflação e que 
gera mais correções, e assim por diante. O final deste 
processo é a conhecida espiral inflacionária de difícil controle 
e que acaba por paralisar a atividade produtiva, entrando o 
país, novamente, na estagnação econômica. Ou, como se diz 
no jargão econômico, na estagflação, caracterizada pelo pior 
dos dois mundos: estagnação com inflação! 
Temos, por fim, a terceira situação, que é aquela em que 
o valor total das injeções se iguala com o valor total dos 
vazamentos, ou, em termos econômicos, trata-se de uma 
situação em que a chamada oferta agregada de bens e 
serviços é igual à chamada demanda agregada por esses 
produtos. Nesta situação, tudo o que se deixou de comprar 
por causa da poupança, dos impostos arrecadados pelo 
governo e das importações foi exatamente compensado pelos 
gastos de investimentos, do governo e de exportações. Não 
sobra nem falta produto. Nesta hipótese, pode-se, então, 
afirmar que o sistema econômico estará em uma situação de 
equilíbrio estável – uma situação em que a economia cresce a 
taxas moderadas – digamos, entre 3% e 5%, - sem pressões 
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inflacionárias. Seria esta a situação “ideal” da economia – que 
é o que geralmente acontece com as economias 
desenvolvidas, como a Alemanha, a França, os Estados 
Unidos, o Canadá e outros. 
 
1.8. Outros conceitos econômicos relevantes 
 Existem, ainda, alguns outros conceitos econômicos 
bastante relevantes e que certamente ajudarão você a 
entender melhor os tópicos macroeconômicos que estaremos 
desenvolvendo em aulas mais à frente. Senão, vejamos: 
i) Variáveis fluxo e variáveis-estoque 
 Existem dois tipos de variáveis econômicas: as variáveis-
fluxo e as variáveis-estoque. 
 As variáveis-fluxos são aquelas que são medidas em um 
determinado período, tais como ano, trimestre, mês, semana, 
etc., podendo ser citados os seguintes exemplos: 
 .salários pagos num determinado mês; 
 .exportações e importações no trimestre; 
 .lucro das empresas no quadrimestre; 
 .consumo de bens e serviços no ano; 
 .o número de nascimentos e óbitos na semana; 
 .a variação dos preços no semestre. 
 Já as variáveis-estoque são aquelas medidas em uma 
determinada data, sendo exemplos: 
 .O estoque de mercadorias numa loja; 
 .o capital investido numa fábrica; 
 .a dívida externa do país; 
 .o estoque de capital do país; 
 .a dívida interna do governo; 
 .a população de um país; 
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 .a quantidade de moeda em circulação no país; 
 
 Deve ficar claro que existe uma inter-relação entre as 
variáveis-fluxo e as variáveis estoque, como pode ser visto no 
exemplo de uma torneira que esteja despejando água 
(variável-fluxo) num reservatório. O volume de água que 
existe em determinado momento no reservatório é uma 
variável-estoque, mas este volume é afetado a cada momento 
pela vazão de água da torneira. Em outros termos, a variável-
estoque (nível da água no reservatório) é influenciada pelo 
valor da variável-fluxo (que é a vazão da água da torneira). 
 A mesma coisa se passa em Economia. A dívida externa 
de um determinado país – que, em qualquer momento, é uma 
variável-estoque – é influenciado entre um momento e outro 
pelos fluxos de empréstimos e de amortizações feitas no 
período. Da mesma forma, existe, hoje ou agora, um estoque 
de automóveis no país ou numa cidade, mas com contínua 
produção de carros (fluxo), aquele estoque vai se alterando 
com o passar dos dias, dos meses ou do ano. 
ii) Mercados 
 Todos temos na cabeça um quase perfeito conhecimento 
do que seja mercado. Mas, se você pergunta a um seu colega 
o que ele entende por “mercado”, é quase certo que ele vai 
gaguejar, dissimular, tentar explicar, mas no fundo não vai 
saber definir o que seja esta palavra. Então, vamos lá, tentar 
clarear a cabeça de seu amigo: 
 Mercado é lugar no qual compradores e vendedores se 
encontram para comprar ou vender bens, serviços e recursos. 
Existe um mercado para cada bem ou serviço, como também 
existe o mercado para um país como um todo. Você tanto 
houve falar no mercado de automóveis ou no mercado de 
feijão, como no mercado brasileiro de café, de trabalho, etc. 
E, dependendo do número de agentes que atuam em 
determinado mercado – quantos compradores e ofertadores 
existem do produto – este mercado receberá uma 
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denominação diferente (como monopólio, oligopólio, etc), 
mas isso será visto com mais detalhes na próxima aula. 
iii) Função 
 Por fim, um outro termo que aparece muito nos textos 
de economia é “função”. Uma função nada mais é que uma 
relação matemática entre os valores de duas ou mais 
variáveis. A função mostra como o valor de uma determinada 
variável – chamada “variável dependente” – depende do ou 
varia com o valor de uma ou mais variáveis - chamadas 
“independentes”. Assim, por exemplo, a função-demanda de 
um produto no mercado mostra a relação entre
a quantidade 
demandada de um produto num período e o preço deste 
produto (mantendo o valor das demais variáveis constante!). 
À medida que variamos os preços de determinado produto, 
vão variando também as quantidades demandadas desse 
produto. 
 Você seria capaz de lembrar de alguma outra função, em 
Economia? Se não se lembra, dê uma olhada nos exemplos 
que aparecem na “nota de rodapé” abaixo6. 
 
1.9. Resumindo esta nossa primeira aula 
 
 Em resumo, esta nossa primeira aula serviu para 
introduzir aqueles não iniciados em Economia ao mundo 
maravilhoso desta Ciência. Para aqueles que já têm uma certa 
base na disciplina, esta aula deve ter sido útil para relembrar 
conceitos básicos que nos serão bastante úteis quando 
começarmos a estudar a Macroeconomia, já a partir da 
terceira aula. 
Hoje, nós vimos os diversos conceitos de bens, o 
conceito e a diferença de consumo e investimento, revisamos 
 
6 São inúmeros os exemplos de “função” na teoria econômica, como a função consumo (C = bYd), a função 
poupança (S = sYd), a função oferta (Qs = fP); a função investimento (I = i r), e tantos outros. 
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o funcionamento do sistema econômico – seus fluxos e 
agentes – e, por fim, analisamos o conceito de “equilíbrio” 
econômico, enfocando as situações de equilíbrio e 
desequilíbrio macroeconômico e suas conseqüências para o 
nível de emprego, de renda e de produto. 
Na nossa próxima aula – a 2ª de uma série de 12 aulas - 
nós continuaremos introduzindo alguns conceitos econômicos 
básicos, quando vamos estudar os tipos de mercado 
existentes e a lei da oferta e da procura. Até nossa próxima 
aula, mas, antes, dê uma olhada nos exercícios de revisão do 
que foi visto até aqui. 
Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso 
próximo encontro! 
 _________________________ 
 
 
 
 
Exercícios de revisão: 
 
11.. CCoommpplleettee:: 
 
II -- SSóó aa lliimmiittaaççããoo ffííssiiccaa nnããoo pprroodduuzz eessccaasssseezz;; oo aarr ee aa áágguuaa ddoo mmaarr ssããoo lliimmiittaaddooss eemm 
qquuaannttiiddaaddee,, mmaass nnããoo ccaarraacctteerriizzaamm uumm pprroobblleemmaa eeccoonnôômmiiccoo,, ppoorrqquuee,, eemm 
cciirrccuunnssttâânncciiaass nnoorrmmaaiiss,, nnããoo ssããoo __________________________________,, ppoorrqquuee______________________________________ 
IIII -- EEccoonnoommiiaa ee eessccaasssseezz eessttããoo ttããoo iinntteerrlliiggaaddooss qquuee uumm bbeemm eessccaassssoo éé cchhaammaaddoo ddee 
______________________________________________________,, ee uumm bbeemm qquuee nnããoo éé eessccaassssoo éé ddeennoommiinnaaddoo ddee 
__________________________________________.. 
IIIIII --OOss rreeccuurrssooss qquuee eennttrraamm nnoo pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo ssããoo cchhaammaaddooss ddee 
________________________________________.. JJáá oo rreessuullttaaddoo ddoo pprroocceessssoo ddee pprroodduuççããoo éé cchhaammaaddoo ddee 
____________________________________________________.. 
IIVV -- CCllaassssiiffiiqquuee ooss iitteennss aabbaaiixxoo ((tteerrrraa,, ttrraabbaallhhoo oouu ccaappiittaall)):: 
 11.. TTeerrrraa uussaaddaa ppaarraa uummaa bbaarrrraaggeemm ________________________________________ 
 22.. TTeerrrraa uussaaddaa nnuummaa hhoorrttaa __________________________________________ 
 33.. UUmm ttrriittuurraaddoorr ddee mmiillhhoo __________________________________________________ 
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 44.. UUmmaa bbaatteeddeeiirraa ddee bboolloo ______________________________________________ 
 55.. OOss sseerrvviiççooss ddee uummaa eemmpprreeggaaddaa ddoommééssttiiccaa __________________________ 
 66.. AA áágguuaa uussaaddaa ppoorr eennggaarrrraaffaaddoorr ddee cceerrvveejjaa ____________________________ 
VV -- NNaa tteerrmmiinnoollooggiiaa eeccoonnôômmiiccaa,, ooss mmeeiiooss ((oouu ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo)) pprroodduuzziiddooss ssããoo 
cchhaammaaddooss ddee __________________________________________________.. 
VVII -- RReeccoorrddaannddoo,, ffaaççaa aa ddiissttiinnççããoo eennttrree:: 
 -- BBeennss ee sseerrvviiççooss;; 
 -- BBeennss ddee ccoonnssuummoo ee bbeennss ddee ccaappiittaall;; 
 -- PPoouuppaannççaa ee iinnvveessttiimmeennttoo.. 
22.. CCoomm rreellaaççããoo aaoo fflluuxxoo cciirrccuullaarr ddaa aattiivviiddaaddee eeccoonnôômmiiccaa,, ppaarraa qquuee oo ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo 
ffuunncciioonnee eemm eeqquuiillííbbrriioo,, éé nneecceessssáárriioo ee ssuuffiicciieennttee qquuee:: 
aa)) SS == II;; 
bb)) GG == TT ee SS == II;; 
cc)) SS == II ee XX == MM;; 
dd)) GG == SS,, TT == MM ee XX == II;; 
ee)) SS == II,, TT == GG ee XX == MM.. 
 
33.. CCoomm rreellaaççããoo,, aaiinnddaa,, aaoo cciicclloo ddaa aattiivviiddaaddee eeccoonnôômmiiccaa,, mmaarrqquuee CC ((cceerrttoo)) oouu EE ((eerrrraaddoo)) 
sseenntteennççaass aabbaaiixxoo.. 
aa)) (( )) AA ooffeerrttaa ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss éé ttiippiiccaammeennttee uumm fflluuxxoo rreeaall.. 
bb)) (( )) OO ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo ccoonnttaa ccoomm ddooiiss mmeerrccaaddooss ddiissttiinnttooss:: uumm ddee ffaattoorreess ddee 
pprroodduuççããoo ee oouuttrroo ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss.. 
cc)) (( )) OO ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo ssee,, ee ssoommeennttee ssee,, oo ttoottaall ddee ppoouuppaannççaa 
ffoorr iigguuaall aaoo ttoottaall ddee iinnvveessttiimmeennttooss.. 
dd)) (( )) AAss eemmpprreessaass,, aass uunniiddaaddeess ffaammiilliiaarreess ee oo ggoovveerrnnoo ssããoo ooss aaggeenntteess eeccoonnôômmiiccooss ddoo 
ssiisstteemmaa.. 
ee)) (( )) OO ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo ssóó eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo ssee ttooddaass aass rreennddaass ggeerraaddaass nnoo 
pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo ffoorreemm ggaassttaass.. 
ff)) (( )) AA ppoouuppaannççaa ssee ccoonnssttiittuuii nnuummaa ““iinnjjeeççããoo”” ddoo fflluuxxoo mmoonneettáárriioo.. 
gg)) (( )) AAss uunniiddaaddeess ffaammiilliiaarreess ssããoo ooss aaggeenntteess ddeemmaannddaanntteess ttaannttoo ddooss ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo 
ccoommoo ddooss bbeennss ee sseerrvviiççooss.. 
hh)) (( )) SSee oo ttoottaall ddee iinnjjeeççõõeess ffoorr iigguuaall aaoo ttoottaall ddee vvaazzaammeennttooss,, oo ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo 
eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo,, mmaass sseemm qquuaallqquueerr eessttíímmuulloo àà eexxppaannssããoo.. 
ii)) (( )) SSee oo ttoottaall ddaass iinnjjeeççõõeess ffoorr mmeennoorr qquuee oo ttoottaall ddee vvaazzaammeennttooss,, hhaavveerráá rreecceessssããoo ccoomm 
iinnffllaaççããoo.. 
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jj)) (( )) AAss iimmppoorrttaaççõõeess ssããoo ccoonnssiiddeerraaddaass vvaazzaammeennttooss nnoo fflluuxxoo ddee rreennddaa.. 
kk)) (( )) OO pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo ddáá oorriiggeemm aa ddooiiss fflluuxxooss ddiissttiinnttooss:: oo ddaa rreennddaa ((ppaaggaammeennttoo 
aaooss ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo)) ee oo fflluuxxoo rreeaall ((ooffeerrttaa ee pprrooccuurraa ddooss bbeennss ee sseerrvviiççooss)).. 
ll)) (( )) OO pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo
mmoossttrraa qquuee aa eeccoonnoommiiaa sseemmpprree ee oobbrriiggaattoorriiaammeennttee eessttaarráá 
eemm eeqquuiillííbbrriioo,, jjáá qquuee oo vvaalloorr ddaa rreennddaa ggeerraaddaa éé,, ppoorr ddeeffiinniiççããoo,, iigguuaall aaoo vvaalloorr ddooss 
bbeennss ee sseerrvviiççooss pprroodduuzziiddooss.. 
mm)) (( )) OOss ggaassttooss ddoo ggoovveerrnnoo ssããoo ccoonnssiiddeerraaddooss ““iinnjjeeççõõeess””,, ddeessddee qquuee sseejjaamm iigguuaaiiss aaoo 
mmoonnttaannttee ddooss iimmppoossttooss aarrrreeccaaddaaddooss.. 
 nn)) (( )) OOss sseerrvviiççooss ddooss ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo fflluueemm ddaass ffaammíílliiaass ppaarraa aass eemmpprreessaass,, 
eennqquuaannttoo oo fflluuxxoo ccoonnttrráárriioo,, ddaa rreennddaa,, ddeessttiinnaa--ssee aaoo ppaaggaammeennttoo ddee ssaalláárriiooss,, 
aalluugguuééiiss,, jjuurrooss ee lluuccrrooss.. 
.............. 
 
Gabarito com alguns comentários: 
11.. II -- eessccaassssooss;; eexxiisstteemm eemm rreellaattiivvaa aabbuunnddâânncciiaa;; 
 IIII -- bbeemm eeccoonnôômmiiccoo;; bbeemm lliivvrree;; 
 IIIIII -- ffaattoorreess ddee pprroodduuççããoo;; bbeennss ee sseerrvviiççooss;; 
 IIVV -- 11.. tteerrrraa;; 22.. tteerrrraa;; 33.. ccaappiittaall;; 44.. ccaappiittaall;; 55.. ttrraabbaallhhoo;; 66.. tteerrrraa.. 
 VV -- bbeennss ddee ccaappiittaall;; 
 VVII-- aammbbooss ssããoo oo rreessuullttaaddoo ddoo pprroocceessssoo pprroodduuttiivvoo;; bbeennss:: ssããoo ccooiissaass ccoonnccrreettaass,, ttaannggíívveeiiss;; 
sseerrvviiççooss:: ssããoo ccooiissaass iinnttaannggíívveeiiss;; bbeennss ddee ccoonnssuummoo:: ssããoo bbeennss ddeessttiinnaaddooss aa ssaattiissffaazzeerr 
nneecceessssiiddaaddeess ppeessssooaaiiss;; bbeennss ddee ccaappiittaall:: ssããoo bbeennss pprroodduuzziiddooss ppaarraa pprroodduuzziirr oouuttrrooss 
bbeennss ((eexx.. mmááqquuiinnaass));; ppoouuppaannççaa:: éé aa ppaarrttee ddaa rreennddaa qquuee nnããoo éé ggaassttaa oouu ccoonnssuummiiddaa;; 
iinnvveessttiimmeennttooss:: ssããoo ggaassttooss vvoollttaaddooss ppaarraa aauummeennttaarr aa ccaappaacciiddaaddee pprroodduuttiivvaa ddaa ffiirrmmaa 
oouu ddoo ppaaííss.. 
 22.. EE 
 33.. aa)) CC;; bb)) CC;; 
 cc)) EE -- CCoommeennttáárriioo:: RReeccoorrddee--ssee qquuee,, ppaarraa qquuee oo ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo ffuunncciioonnee eemm 
eeqquuiillííbbrriioo,, éé nneecceessssáárriioo qquuee ttooddaass aass rreennddaass sseejjaamm ggaassttaass.. SSee oo pprroopprriieettáárriioo ddaa rreennddaa,, ppoorr 
aallgguumm mmoottiivvoo nnããoo ggaassttáá--llaa iinntteeiirraammeennttee ((ppoorrqquuee qquuiiss ppoouuppaarr uummaa ppaarrttee,, oouu ppoorrqquuee oo 
ggoovveerrnnoo llhhee ttoommoouu uummaa ppaarrttee vviiaa iimmppoossttooss)),, aallgguuéémm tteemm ddee ggaassttáá--llaa eemm sseeuu lluuggaarr.. AAssssiimm,, 
nnããoo bbaassttaa qquuee aa ppoouuppaannççaa sseejjaa iigguuaall aaooss iinnvveessttiimmeennttooss ppaarraa aa eeccoonnoommiiaa eessttaarr eemm eeqquuiillííbbrriioo;; 
éé nneecceessssáárriioo qquuee ttooddaass aass ddeemmaaiiss iinnjjeeççõõeess sseejjaamm iigguuaaiiss aaooss rreessppeeccttiivvooss vvaazzaammeennttooss.. DDoo 
ccoonnttrráárriioo,, oouu ssoobbrraa oouu ffaallttaa pprroodduuttoo nnaa eeccoonnoommiiaa,, pprroovvooccaannddoo,, aassssiimm,, uummaa ssiittuuaaççããoo ddee 
ddeesseeqquuiillííbbrriioo.. 
 dd)) CC –– CCoommeennttáárriioo:: EEssttaa aaffiirrmmaattiivvaa eessttáá ccoorrrreettaa ddeessddee qquuee aa aannáálliissee eesstteejjaa 
ccoonnssiiddeerraannddoo uummaa eeccoonnoommiiaa ““ffeecchhaaddaa””,, iissttoo éé,, sseemm rreellaaççõõeess ccoommeerrcciiaaiiss ee ffiinnaanncceeiirraass ccoomm oo 
eexxtteerriioorr.. SSee ““aabbrriirrmmooss”” aa eeccoonnoommiiaa,, oouu sseejjaa,, ccoonnssiiddeerraannddoo--ssee uummaa eeccoonnoommiiaa ““aabbeerrttaa””,, 
tteemmooss ddee aaccrreesscceennttaarr eennttrree ooss aaggeenntteess eeccoonnôômmiiccooss oo ““sseettoorr eexxtteerrnnoo”” oouu oo ““rreessttoo ddoo mmuunnddoo””.. 
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 ee)) CC –– CCoommeennttáárriioo:: vveejjaa ccoommeennttáárriioo ddoo iitteemm ((cc)),, aacciimmaa.. 
 ff)) EE;; 
 gg)) EE –– CCoommeennttáárriioo:: AAss uunniiddaaddeess ffaammiilliiaarreess ooffeerrttaamm rreeccuurrssooss oouu ffaattoorreess 
pprroodduuttiivvooss ee ddeemmaannddaamm bbeennss ee sseerrvviiççooss ddaass eemmpprreessaass.. JJáá eessttaass úúllttiimmaass ddeemmaannddaamm ffaattoorreess 
pprroodduuttiivvooss ee ooffeerrttaamm bbeennss ee sseerrvviiççooss ppaarraa aass ffaammíílliiaass.. 
 hh)) EE –– CCoommeennttáárriioo:: SSiimm,, oo ssiisstteemmaa eeccoonnôômmiiccoo eessttaarráá eemm eeqquuiillííbbrriioo,, mmaass hhaavveerráá 
eessttíímmuulloo,, ssiimm,, aaoo ccrreesscciimmeennttoo.. AAoo vveerreemm qquuee ttooddooss ooss sseeuuss pprroodduuttooss ffoorraamm vveennddiiddooss,, aass 
eemmpprreessaass eessttaarrããoo iinntteerreessssaaddaass eemm pprroodduuzziirr mmaaiiss nnoo pprróóxxiimmoo aannoo.. NNeessttee ccaassoo,, aa eeccoonnoommiiaa 
ccrreesscceerráá aa ttaaxxaass mmooddeerraaddaass,, aallggoo eennttrree 33%% ee 55%% aaoo aannoo.. 
 ii)) EE;; jj))CC;; kk)) CC;; 
 ll))EE –– CCoommeennttáárriioo:: RReeaallmmeennttee,, ppoorr ddeeffiinniiççããoo mmaatteemmááttiiccaa,, oo vvaalloorr ttoottaall ddaass rreennddaass 
éé iigguuaall aaoo vvaalloorr ttoottaall ddooss bbeennss ee sseerrvviiççooss.. MMaass,, ppaarraa aa aannáálliissee ddoo eeqquuiillííbbrriioo iimmppoorrttaa mmeessmmoo 
éé vveerriiffiiccaarr ssee ttooddaass aass rreennddaass ffoorraamm ggaassttaass,, aaddqquuiirriinnddoo ttooddooss ooss pprroodduuttooss ooffeerreecciiddooss.. 
 mm)) EE –– CCoommeennttáárriioo:: OOss ggaassttooss ddoo ggoovveerrnnoo ssããoo ccoonnssiiddeerraaddooss iinnjjeeççõõeess,, 
iinnddeeppeennddeenntteemmeennttee ddee sseerreemm iigguuaaiiss,, mmaaiioorreess oouu mmeennoorreess ddoo qquuee ooss iimmppoossttooss aarrrreeccaaddaaddooss.. 
EEmm eeccoonnoommiiaa,, ggaassttooss ssããoo sseemmpprree iinnjjeeççõõeess ((iinncclluussiivvee oo ccoonnssuummoo ddaass ffaammíílliiaass)).. 
 nn)) CC.. 
AAttéé nnoossssaa pprróóxxiimmaa aauullaa!! 
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.--.-.-.-.-.-.-.-.
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AULA 2: ESTUDO DO MERCADO: DEMANDA 
E OFERTA 
 
 
Nesta nossa 2ª aula, nós continuaremos 
discutindo tópicos de microeconomia 
que serão fundamentais para o nosso 
entendimento da Macroeconomia – que 
é, como você sabe, o objetivo maior de 
nosso curso de Economia I. Nós vamos 
aqui desenvolver uma teoria simples do 
funcionamento do mercado, sua 
estrutura, a atuação da lei da oferta e 
da demanda e como são definidos os 
preços numa economia capitalista, onde 
o governo não interfere na economia. 
 
 
 
2.1. Introdução 
 
Costuma-se dizer que, numa economia capitalista, os 
problemas econômicos relativos à decisão sobre que tipos de 
produtos devem ser produzidos e a que preços serão
vendidos 
esses produtos são resolvidos normalmente pelo livre jogo 
das forças de mercado – isto é, pelo livre funcionamento da 
oferta e da demanda. Nesta hipótese, as decisões e escolhas 
econômicas são individualizadas e feitas pelos consumidores – 
que são os demandantes dos bens e serviços – e pelos 
produtores – que são os ofertantes. Agindo de acordo com 
seus próprios interesses, os indivíduos, afetando e sendo 
afetados pelo sistema de preços, tomam as decisões que 
maximizarão a satisfação coletiva. 
Nosso propósito nesta nossa segunda aula não é 
desenvolver uma teoria completa da demanda e da oferta e 
de determinação de todos os preços numa economia. Nosso 
objetivo aqui é, antes, o de introduzir uma visão simplificada 
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de como atua um sistema de preços e sua influência na 
alocação de recursos escassos. 
Ocorre, porém, que a determinação do preço e da 
quantidade produzida de um bem ou serviço depende 
essencialmente do número de agentes econômicos – 
demandantes e ofertantes – existentes nesse mercado. Por 
isso, é interessante caracterizar, antes, os diversos tipos de 
mercado existentes. 
O mercado, como você sabe, é o local onde se encontram 
os vendedores e compradores de determinados bens e 
serviços. Antigamente, a palavra mercado tinha uma 
conotação estritamente geográfica, mas isso já está deixando 
de ser assim. Hoje, com os avanços tecnológicos nas 
comunicações, as transações econômicas podem se realizar 
sem contato pessoal direto entre comprador e vendedor, tal 
como ocorre nas compras e vendas pela internet. 
 Dito isso, vamos, então, conhecer os diversos tipos ou 
estruturas de mercado existentes. 
 
2.2. Estruturas de mercado 
 
Um mercado é constituído de compradores e vendedores. 
A palavra mercado pode tanto se referir a uma economia 
como um todo – o mercado brasileiro ou mercado de São 
Paulo, por exemplo – ou a um produto ou um setor específico 
qualquer – o mercado de trabalho, o mercado agrícola, o 
mercado de automóveis, de calçados ou de livros. 
Observa-se, de outra parte, que as relações entre 
compradores e vendedores seguem padrões diferentes, 
dependendo do tamanho desse mercado, do número de 
agentes econômicos (vendedores e compradores) que nele 
atuam e até mesmo do tipo de produto comercializado. Como 
resultado, a forma como os preços são determinados varia de 
acordo com as características de cada mercado. Essas 
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características permitem diferenciar quatro estruturas básicas 
de mercado: 
 i) Concorrência perfeita 
 ii) Monopólio 
 iii) Oligopólio 
 iv) Concorrência monopolística. 
 
Geralmente, na literatura econômica, o monopólio, o 
oligopólio e a concorrência monopolística são chamados de 
mercados imperfeitos. 
Vejamos, então, as características distintivas de cada um 
desses mercados. 
. A concorrência perfeita 
Falemos, primeiro, da concorrência perfeita: para que 
um mercado seja caracterizado como de concorrência perfeita 
é necessário que preencha as seguintes condições básicas: 
a) existência de um número elevado de vendedores 
e compradores independentes, cada qual muito pequeno 
em relação a esse mercado como um todo, sendo, em 
conseqüência, incapaz de afetar os níveis de oferta e 
procura do produto e o seu preço. A essa característica 
costuma-se denominar de “atomização”. 
b) todas as firmas desse mercado vendem produtos 
homogêneos (idênticos ou substitutos próximos), de tal 
modo que os compradores possam comparar os preços; 
c) conhecimento ou informação perfeita das condições 
do mercado, tanto pelos vendedores como pelos 
compradores, para que todos possam competir em pé de 
igualdade; 
d) livre entrada e saída de empresas no mercado, ou 
seja, não há restrições para que uma empresa nova entre 
no mercado ou dele queira sair; e inexistência de 
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associações de produtores visando impedir ou inibir a 
entrada de novas empresas. 
d) perfeita mobilidade de fatores de produção, 
significando que a mão-de-obra e outros fatores 
produtivos de uma empresa para outra ou de uma região 
para outra. 
Na concorrência perfeita, é o mercado que estabelece o 
preço do produto, eliminando toda e qualquer possível 
exploração do consumidor, fazendo com que os preços sejam 
“justos”, no sentido de que sejam iguais aos custos (incluindo 
nesses o chamado “lucro normal”). O produtor, por ser um 
“átomo” nesse mercado, recebe o preço como dado, não 
tendo qualquer poder de alterá-lo. 
Examinando as características distintivas do mercado de 
concorrência perfeita, você já deve ter percebido que este 
mercado não é facilmente encontrado na prática. O exemplo 
mais próximo de um mercado de concorrência perfeita seria a 
bolsa de valores: o produto ali transacionado é homogêneo – 
digamos, uma ação ordinária do Banco do Brasil; existem 
diariamente milhares de compradores e de vendedores desta 
ação; todos os agentes econômicos que ali atuam têm 
perfeito conhecimento dos preços praticados para esta ação; 
e, por fim, há livre entrada de compradores e vendedores 
nesse mercado. 
Um outro mercado também citado como próximo da 
concorrência perfeita é o de produtos agrícolas, como parece 
ocorrer, por exemplo, com o mercado de arroz – um produto 
padronizado, existindo milhares de vendedores e de 
compradores desse produto no mercado. 
. Monopólio 
O monopólio é um tipo de mercado diametralmente 
oposto à concorrência perfeita. É o caso limite onde só existe 
um produtor ou fornecedor de um bem ou serviço. Nessa 
situação, o monopolista tem controle absoluto sobre o preço 
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de seu produto. Mas, isso não significa que o monopolista 
fixará o preço no nível mais alto que ele puder. Na verdade, 
considerando que a demanda pelo seu produto pode reagir ao 
aumento de preço, o monopolista irá fixá-lo no nível em que 
seus lucros totais sejam maximizados – o que pode ocorrer a 
um preço relativamente baixo. 
Exemplos de monopólio são as empresas fornecedoras de 
energia elétrica, algumas de telefonia e a própria Petrobrás. 
Uma figura de comportamento similar ao monopólio e que 
é pouco divulgada e conhecida é o monopsônio – 
caracterizado pelo mercado onde existe um só comprador do 
produto considerado. Seu poder de estabelecer o preço é o 
mesmo do monopólio. Um exemplo comum desse tipo de 
mercado ocorre com os pequenos e inúmeros produtores de 
leite da zona oeste de Minas Gerais que, sem alternativa, se 
vêem obrigados a vender o produto para apenas uma grande 
empresa pasteurizadora sem concorrentes na região. Nesta 
situação, a empresa compradora (única da região) tem 
perfeitas condições de impor os preços para a compra do 
leite. 
. Oligopólio 
O oligopólio é um tipo de mercado que se diferencia da 
concorrência perfeita pelas seguintes características 
principais: 
a) o mercado é dominado por um número pequeno de 
grandes empresas; 
b) na maioria dos casos, muito embora possa haver 
diferenciação entre os produtos das diversas firmas, eles 
são perfeitos substitutos entre si, como é o caso do setor 
de eletrodomésticos, sabão em pó, automóveis, cimento, 
etc. 
c) como, na maioria dos casos, 80% a 90% do mercado 
é dominado por um pequeno número de grandes 
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empresas, existe um relativo controle de preços por estas 
firmas, através de acordos ou conluios; 
d) as empresas do setor tentam ganhar mercado através 
de uma massiva publicidade, e nunca através
de redução 
de preços; 
e) a ação de uma firma afeta as demais, tornando-as 
interdependentes, apresentando, geralmente, um firma 
maior que se comporta como líder das demais. 
São inúmeros os exemplos de mercados oligopolísticos. 
Aliás, a característica dominante da economia brasileira é o 
alto grau de oligopolização de suas indústrias, como são 
exemplos a indústria automobilística, a indústria de aparelhos 
de tv, de geladeiras, de aparelhos de som, de cimento, de 
sabonetes, de pasta de dente, e inúmeros outros. 
 
 . Concorrência monopolística 
Concorrência monopolística é um mercado onde existem 
várias pequenas empresas disputando o mesmo tipo de 
cliente, caracterizando uma situação mais ou menos 
eqüidistante da concorrência perfeita e do monopólio. 
Geralmente é encontrada no mercado de varejo. Suas 
características principais são: 
a) geralmente cada empresa tem seu próprio produto 
que, embora possa ser substituto próximo dos demais, 
apresenta característica diferenciadora de firma para 
firma; 
b) são todas firmas de porte e poder de concorrência 
relativamente semelhantes, o que limita bastante seu 
controle sobre seu preço; 
 Exemplos de concorrência monopolística são as butiques 
de um shopping, os restaurantes, as escolas privadas, as 
padarias, as pequenas mercearias, etc. 
 
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São essas as principais estruturas de mercado existentes. 
Feita esta abordagem, temos, agora, condições de analisar 
como funcionam as forças de mercado – isto é, a oferta e a 
demanda - num sistema econômico capitalista, e como são 
determinados os preços dos bens e serviços em geral, sem 
que o governo interfira nesse processo. 
 
2.3. Um exemplo simples de como funciona o 
mercado 
Para iniciar, vamos supor que numa determinada cidade 
exista uma feira livre onde são vendidas semanalmente, entre 
outros produtos, uma certa quantidade X de laranjas e uma 
quantidade Y de maçãs. Suponhamos mais que, por uma 
razão qualquer, verifica-se uma mudança na preferência dos 
consumidores e, em conseqüência, a demanda por laranjas 
tenha aumentado (talvez porque alguém tenha espalhado o 
boato de que a laranja é melhor para a saúde do que a 
maçã). Dado que a renda ou o poder aquisitivo dos 
consumidores não se alterou, esta preferência por mais 
laranjas só será satisfeita se ocorrer uma queda na demanda 
por maçã. 
Como a produção de maçãs e de laranjas permanece 
inicialmente a mesma de antes, o que acontecerá com os 
preços desses dois produtos? Ora, o aumento na procura de 
laranjas provocará uma falta deste produto, enquanto a 
queda na demanda por maçã provocará um excesso de oferta 
deste produto. Em conseqüência, o preço da laranja se 
elevará, enquanto os vendedores tratarão de reduzir o preço 
da maçã para acabar com o estoque. Como, agora, os lucros 
da venda de laranjas são maiores, os produtores irão 
transferir recursos (ou fatores) da produção de maçãs para a 
de laranjas, aumentando a oferta destas e reduzindo a oferta 
daquelas. 
Obviamente, com o aumento da quantidade de laranjas, 
seus preços deverão cair um pouco, enquanto os preços das 
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maçãs (agora, reduzidos) se elevarão ligeiramente. Enquanto 
o preço das laranjas for compensador (mais lucrativo), os 
produtores continuarão transferindo recursos para sua 
produção – isto é, até que o conseqüente declínio de seus 
preços não mais compense essa transferência. No final desse 
processo, os níveis de produção e de preços de ambos os 
produtos se estabilizarão – com o preço da laranja mais alto e 
o da maçã mais baixo que inicialmente – enquanto se 
registrou uma alteração na utilização dos recursos produtivos 
entre os dois produtos. 
E lembre-se que todas essas mudanças ocorreram em 
função de uma simples mudança no gosto dos consumidores 
e da conseqüente atuação do mecanismo de preços de 
mercado. 
Se entendemos bem esse mecanismo, podemos agora 
analisar mais concretamente o comportamento dos 
consumidores e dos produtores, isto é, da demanda e da 
oferta. Comecemos pela demanda. 
 
2.4. A lei da demanda 
 
Suponha que você vá a um restaurante para almoçar com 
seus parentes e o garçom lhe entregue o cardápio. O que 
influencia a sua escolha? Ainda que lhe pareça embaraçoso 
admitir, é forçoso reconhecer que a primeira coisa que você 
olha é o preço dos diversos pratos. O preço, sem dúvida, é o 
principal fator que influencia a compra de qualquer produto 
pelo consumidor. Mas, você há de convir que a escolha de 
uma determinado prato - digamos, peixe - irá depender não 
só de seu preço mas, também, do preço de outras carnes, do 
preço das massas etc., que servem como substitutos. 
Obviamente, quanto mais alto o preço do peixe em relação 
aos demais pratos, mais propenso você estará a pedir carne 
de vaca, frango ou mesmo massas. Mas, se os preços forem 
mais ou menos iguais ou se, para você, a diferença de preços 
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não pesar muito, você escolherá de acordo com seu gosto. De 
qualquer modo, você escolherá pratos e outros complementos 
tendo em vista o que você pode ou está disposto a gastar, 
isto é, de acordo com sua renda. Se considerarmos que o 
restaurante onde você está é freqüentado por outras pessoas 
de sua cidade, podemos também concluir que a quantidade 
de filé, de frango ou de massa vendida por esse restaurante, 
no período do almoço, dependerá, também, do número de 
habitantes da cidade. Deve-se esperar que, numa cidade 
pequena, os freqüentadores de restaurantes são em menor 
número que numa cidade grande. E assim por diante. 
Vemos com esse exemplo simples que sua escolha – e, 
generalizando, a das demais pessoas - foi influenciada por 
diversos fatores ou variáveis que, de modo geral, serão as 
mesmas que o influenciarão em outras ocasiões ou em outras 
escolhas. 
Dessa forma, podemos listar pelo menos cinco fatores 
principais que influenciam a quantidade de um bem qualquer 
demandada pelos consumidores de um determinado mercado, 
a saber: 
 · Preço do bem (Px) 
 · Preços de outros bens substitutos ou concorrentes (Pc) 
 · Gosto ou preferência do consumidor (G) 
 · Nível de renda do consumidor (Y) 
 . Tamanho do Mercado (M) 
ou, em linguagem matemática, podemos dizer que a 
quantidade demandada (Qd) de um bem X é expressa por: 
 QdX = f(Px, Pc, G, Y, M) 
Como é difícil dimensionar a influência ou o peso exato de 
cada um desses fatores na demanda por um bem, os 
economistas costumam fazer variar um desses fatores (por 
exemplo, preço subindo, preço caindo) e ver seu efeito sobre 
a demanda por um bem, enquanto os demais fatores 
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permanecem constantes. A questão, então, seria: O que 
acontece com a demanda por um produto X se seu preço 
variar, enquanto a renda, o gosto e o preço de outros 
produtos não variam? Simplificadamente, então, 
 QdX = f(P) 
com tudo o mais permanecendo constante (esta é a 
conhecida condição ceteris paribus). 
Normalmente, teremos uma relação inversa entre o preço 
do bem e a quantidade demandada. Quando o preço do bem 
cai, o bem fica mais barato em relação ao preço de seus 
concorrentes e, em conseqüência, os consumidores estarão 
dispostos a adquirir maiores quantidades desse bem. Se o 
preço se elevar, a reação dos consumidores será oposta. Daí, 
podemos derivar a seguinte definição da lei da demanda: 
A escala de demanda de mercado de um 
produto qualquer mostra as diferentes quantidades 
que os consumidores estão dispostos e aptos a 
adquirir em um dado período de tempo, quando o
seu 
preço varia. 
 A escala de demanda de mercado é o resultado 
da soma das escalas de demanda de todos os 
indivíduos no mercado. 
Vamos supor que uma pesquisa de mercado junto aos 
potenciais compradores de um produto qualquer (digamos, 
sandálias Melissa) apontou os resultados constantes da 
Tabela 2.1, onde estão relacionados diferentes preços e 
diferentes quantidades demandadas daquele produto. 
Tabela 2.1 
ESCALA DE DEMANDA DE MERCADO DA MELISSA 
Preço (R$ por par) 
Quantidade 
demandada (por mês) 
200 1.000 
160 1.500 
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120 2.500 
80 4.000 
40 6.000 
 
A Tabela 2.1 mostra que, ao alto preço de R$ 200,00, 
apenas 1.000 pares seriam comprados por mês. Se o preço 
caísse para, digamos, R$ 120,00, os consumidores 
adquiririam 2.500 pares, e assim por diante. Ou seja, à 
medida que o preço se reduz, maiores serão as quantidades 
demandadas e vice-versa. 
Essas informações podem ser colocadas num gráfico 
cartesiano, gerando a curva de demanda de mercado, tendo 
no eixo vertical os diferentes preços e no eixo horizontal as 
respectivas quantidades demandadas, conforme mostra a 
Figura 2.1. 
 Figura 2.1 
 
 
 
 
 
 
 1000 1500 2500 4000 6000 
 
Como se constata, a curva de demanda é negativamente 
inclinada (da esquerda para a direita) indicando que os 
consumidores estarão dispostos e aptos a comprar mais de 
uma mercadoria a preços mais baixos. Isso é conhecido como 
a lei da demanda e ocorre por duas razões principais: 
primeiro, porque à medida que o preço de uma mercadoria 
baixa, os indivíduos substituem outras mercadorias por esta 
 
 P 
 
200 
 160 
 120 
 80 
 40 
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em seu consumo; segundo, porque quando o preço baixa os 
consumidores se tornam “mais ricos” em termos reais. 
Mas uma questão importante é: qual será o preço deste 
produto (no caso, Melissa), já que temos vários preços e 
várias quantidades? Infelizmente, ainda não temos condições 
de saber. Precisamos, antes, analisar o outro lado do mercado 
– o lado dos produtores ou ofertantes. 
 
2.5. A lei da oferta 
 
A exemplo da demanda, as quantidades ofertadas de um 
bem qualquer dependem de vários fatores, valendo 
mencionar os seguintes: 
i) o preço do produto considerado (Px) – obviamente, 
quanto maior for o preço de um bem (ceteris paribus), maior 
será a quantidade que os produtores gostariam de oferecer no 
mercado; 
ii) preços de outros bens (Pi)– se os preços de outros 
bens (de tecnologia de produção semelhante) subirem e o 
preço do bem X não se alterar, os produtores procurarão 
reduzir a produção de X e tentarão produzir esses bens cujos 
preços estão subindo; 
iii) preços dos fatores de produção (Pf)– o preço dos 
fatores determina o custo de produção. Se o preço dos fatores 
se elevar, os custos se elevarão, o que pode provocar uma 
queda na produção e conseqüente redução da oferta de um 
bem; e, ainda, 
iv) o nível da tecnologia empregada (T) – quanto mais 
moderna a tecnologia adotada no processo produtivo, maior é 
a quantidade produzida por fator empregado, reduzindo o 
custo de produção e, portanto, aumentando a oferta do 
produto para qualquer nível de preço. 
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Assim, as quantidades ofertadas de um produto X 
qualquer, podem, matematicamente, ser representadas da 
seguinte forma: 
 QsX = f(Px, Pi, Pf, T) 
onde, Qsx representa a quantidade ofertada do bem X (o 
s – símbolo de oferta – vem do inglês supply). 
Também, a exemplo do que foi dito no caso da demanda, 
os economistas costumam considerar fatores os Pi, Pf e T 
invariáveis e, então, analisam preliminarmente os efeitos de 
variações no preço do produto (Px) sobre as quantidades 
ofertadas. Com esta hipótese de ceteris paribus, a quantidade 
ofertada de um produto qualquer, X, passa a ser definida por: 
 QsX = f(P) 
Ou seja, 
 A oferta é definida como “as diferentes quantidades de 
um bem ou serviço que os produtores estão dispostos e aptos 
a vender, durante um certo tempo, a diferentes preços, 
ceteris paribus”. 
 
E, intuitivamente, podemos afirmar, com a hipótese 
ceteris paribus, de que quanto maior o preço de um bem, 
mais interessante se torna produzi-lo e, portanto, a oferta 
será maior e vice-versa. 
A Tabela 2.2 mostra dados hipotéticos de vários níveis de 
preços e as diferentes quantidades que os produtores estarão 
dispostos e aptos a oferecer no mercado (no caso, também de 
sandálias Melissa). 
 
Tabela 2.2 
ESCALA DE OFERTA DE MERCADO DA MELISSA 
 
Preço (R$ por Quantidade ofertada 
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par) (por mês) 
200 5.000 
160 4.000 
120 2.500 
80 1.000 
40 500 
 
 A Tabela 2.2 mostra que, ao alto preço de R$ 200,00 por 
par, os produtores estarão dispostos a oferecer 5.000 pares 
no mercado, enquanto que ao baixo preço de R$ 80,00, por 
exemplo, eles oferecerão apenas 1.000 pares, e assim por 
diante. Ou seja, ao contrário dos consumidores, à medida que 
o preço se reduz, menores serão as quantidades que os 
produtores estarão dispostos a vender no mercado. 
 A representação gráfica da escala de oferta nos fornece a 
curva de oferta, conforme mostra a Figura 2.2. 
Figura 2.2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conforme você pode verificar, a curva de oferta é, em 
geral, positivamente inclinada (da esquerda para a direita), 
indicando o fato de que quanto mais altos forem os preços, 
maiores quantidades de um produto serão ofertadas no 
 Px 
 200 
 
160 
 
120 
 
 80 
 
 40 
500 1000 2500 4000 6000 Qsx
S
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mercado. Trata-se de uma relação direta entre preços e 
quantidades ofertadas. 
Conhecido, agora, o comportamento de ambos os lados – 
isto é, dos consumidores e dos produtores – diante de 
variações nos preços, já temos condições de verificar a que 
preço o produto será vendido no mercado. 
 
2.6. Preço de Equilíbrio 
 
O preço de equilíbrio é aquele em que a quantidade de 
uma mercadoria que os consumidores estão dispostos e aptos 
a adquirir, durante um determinado tempo, é exatamente 
igual à quantidade que os produtores estão dispostos e aptos 
a oferecer no mercado. 
Para descobrir que preço é esse, podemos analisar a 
Figura 2.3, onde estão desenhadas as curvas de demanda e 
de oferta tal qual as desenhamos anteriormente. 
 Figura 2.3 
 
 P S 
 200 
 160 
 120 
 80 
 40 D 
 
 1000 2000 3000 4000 5000 Q 
 
Suponhamos que o preço seja, inicialmente, fixado em R$ 
200,00 o par. A esse preço, a demanda por Melissa será de 
apenas 1.000 pares por mês, enquanto a oferta será de 5.000 
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pares. Assim, há um excesso de oferta e, conseqüentemente, 
os preços começam a cair. Mas, é bom observar que os 
preços não vão despencar de repente. Os preços vão caindo 
aos poucos, enquanto houver produto sobrando. E, de outra 
parte, vale notar que, à medida que P vai caindo, a oferta vai 
se reduzindo e a demanda vai se elevando. 
Agora, suponhamos que os preços sejam fixados em R$ 
80,00 o par. A esse preço, os consumidores estarão dispostos 
a comprar 4.000 pares, mas os produtores só ofertarão 2.000 
pares. Há, então, um excesso de demanda em relação à 
oferta e, conseqüentemente,
os preços começam a se elevar. 
Mas, observe-se que, à medida que os preços vão se 
elevando, a demanda vai-se reduzindo e a oferta vai-se 
expandindo. Os preços continuam subindo enquanto a 
demanda for maior que a oferta. 
Ao final desse processo de ajustamento vemos que, ao 
preço de R$ 120,00 o par, a quantidade demandada de 
Melissa será de 3.000 pares, igualando exatamente a 
quantidade ofertada. Como a esse preço a demanda e a 
oferta são iguais, não haverá pressão para que o preço caia 
ou se eleve. Este, então, é o preço de equilíbrio. 
Resumindo tudo isso, temos: 
 D < S P se reduz 
 D > S P se eleva 
 D = S P não se altera 
 
2.7. Variações na Demanda e na Oferta 
Como você viu, na definição da curva de demanda por um 
bem, fizemos a hipótese de que todos os demais fatores que 
a afetam (renda, gosto, etc.) permaneceram inalteradas. 
Agora, vamos imaginar uma situação em que esses 
fatores que, por hipótese, estavam constantes, variem 
(sempre cada um isoladamente). O que nós vamos observar é 
que, se qualquer desses fatores se alterar, a curva de 
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demanda também se modificará. Assim, por exemplo, se a 
renda (real) dos consumidores se elevar, se suas preferências 
pela mercadoria aumentarem, ou se os preços dos bens 
substitutos se tornarem mais altos, haverá um aumento na 
demanda do bem considerado para qualquer preço anterior. 
Assim, no caso da sandália Melissa, por exemplo, 
ocorrendo alguns dos fatos acima, uma maior quantidade de 
Melissa será demandada aos níveis de preços de R$ 140,00 
ou de R$ 120,00, etc., o que deslocará a curva de demanda 
para cima e para a direita, como mostra a Figura 2.4. Como 
haverá um excesso de demanda, o novo preço de equilíbrio 
será, agora, mais alto. 
 
Figura 3.4. Figura 3.5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O mesmo pode ser dito em relação à curva de oferta de 
uma mercadoria. Também aqui, se o preço dos fatores se 
reduzir, ou se a tecnologia melhorar ou, ainda, se o número 
ou tamanho dos produtores aumentar, haverá um aumento 
na oferta do produto para qualquer preço anterior. Assim, 
ocorrendo um dos fatores acima, a oferta de Melissa será 
maior aos preços de R$ 160,00, R$ 140,00, etc., provocando 
um deslocamento da curva de oferta para baixo e para a 
direita, como mostra a Figura 3.5. Como haverá um excesso 
P 
140 
 
120 
3000 3500 Q 
D1
D2
S
S1 
S2 
D
P 
160
 
140
3000 3500 Q
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de oferta sobre a demanda, a tendência será uma redução do 
preço de equilíbrio. 
Observe, no entanto, que a alteração da demanda ou da 
oferta pode ocorrer em virtude de variações no preço do 
produto considerado e não, necessariamente, por variações 
daqueles fatores que estavam, por hipótese, constantes 
(gasto dos consumidores, nível de renda dos consumidores, 
custo de produção, preço de produtos substitutos, etc). 
Dessa diferença surgem dois conceitos distintos: 
i) Variação da quantidade demandada (ou ofertada) 
– ocorre quando o preço do bem considerado varia, 
implicando um deslocamento ao longo da curva de demanda 
(ou de oferta). 
ii) Variação da demanda (oferta) – ocorre quando 
outros fatores, exceto o preço, variam, implicando 
deslocamento da curva de demanda para a direita ou 
esquerda (caso seja um dos fatores que influem na demanda) 
ou da curva de oferta (caso se trate de um fator que afete a 
oferta). 
 
2.8. Resumo desta 2ª aula 
 Bem, nesta 2ª aula, nós vimos os diversos tipos de 
mercado existentes, suas características distintivas e, a 
seguir, vimos como funciona o mercado de um produto 
qualquer, analisando a famosa lei da oferta e da procura – 
uma lei que, apesar de várias tentativas de presidentes e 
dirigentes políticos para revogá-la, permanece imutável e 
eterna. O perfeito entendimento do funcionamento desta lei 
será fundamental para a compreensão dos tópicos de 
macroeconomia que veremos mais adiante. 
 Antes de encerrar esta nossa aula, porém, gostaria de 
mostrar a você, no Apêndice a seguir, uma outra forma um 
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pouco mais analítica, com um tratamento matemático, das 
funções demanda e oferta, tal como costuma aparecer nos 
exercícios e provas de concursos sobre esse tema. 
................................................ 
 
APÊNDICE: UMA ILUSTRAÇÃO MATEMÁTICA DAS 
FUNÇÕES DEMANDA E OFERTA 
 
 
1. A função demanda 
 
Vamos supor que a demanda pelo bem X seja expressa 
matematicamente da seguinte forma: 
QdX = f(Px, Y, Pc) 
Onde, Y é o nível de renda e Pc o preço do produto 
concorrente. 
Se, por hipótese, a função demanda fosse linear, e 
colocando números na expressão acima, poderíamos ter, por 
exemplo: 
Qdx = -3Px – 1,5Pc + 0,1Y 
Supondo, agora, que as variáveis assumam os seguintes 
valores: 
Px = 8 
Pc = 10 
Y = 800 
e, substituindo esses valores na função acima, teremos: 
Qdx = (-3 x8) – (1,5 x 10) + (0,1 x 800) 
Qdx = - 24 – 15 + 80 
Qdx = 41 
Ou seja, com os valores acima para Px, Pc Y, a quantidade 
demandada do bem X será de 41 unidades por unidade de 
tempo. 
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Agora, vamos supor que a condição ceteris paribus 
prevaleça para os valores de Pc e de Y (isto é, que seus 
valores permaneçam constantes em 10 e 800, 
respectivamente. Com esta hipótese, a curva de demanda do 
bem X será dada por: 
Qdx = -3Px – 1,5 x 10 + 0,1 x 800 
Qdx = -3Px – 15 + 80 
Qdx = 65 – 3Px 
 E a representação gráfica dessa última expressão será: 
 Px 
 
 21,7 
 
 Dx 
65 Qx 
O gráfico acima mostra que, se o preço de x cair a zero, 
a quantidade máxima do bem X que os seus consumidores 
iriam adquirir seria 65 unidades. Da mesma forma, R$21,70 
seria o preço que anularia a demanda de X, ou seja, este 
seria um preço que nenhum consumidor estaria disposto a 
pagar por este bem. 
Agora, vamos supor que a renda do consumidor subisse 
para 1000, e fazendo as devidas substituições na equação 
original acima, teremos um novo valor (mais alto) para a 
quantidade demandada, ou seja: 
Qdx = -3Px – 1,5 x 10 + 0,1 x 1000 
Qdx = 85 – 3Px (que é nova curva de demanda) 
Esta nova quantidade demandada de X maior que a 
anterior é representada graficamente por um deslocamento 
para cima e para a direita da curva de demanda, como no 
gráfico abaixo: 
 Px 
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 28,3 
 
 21,7 
 
 
 Dx D’x 
 65 85 Qx 
Como o aumento da renda do consumidor provocou um 
aumento na quantidade demandada do bem X, este bem é, 
então, um bem normal (conforme nós já vimos na nossa Aula 
1). 
Vamos supor, agora, que ao invés do nível de renda, o 
preço do bem C é que tivesse variado de, digamos, 10 para 
14. Neste caso, fazendo as devidas substituições, teríamos: 
Qdx = -3Px – 1,5 x 14 + 0,1 x 800 
Qdx = 59 – 3Px (que fornece a nova curva da demanda) 
e a curva de demanda teria se deslocado para a esquerda. 
Como o aumento do preço do bem C reduziu a demanda 
do bem X, estes dois bens são complementares1. 
Observe que nós poderíamos ter chegado a essas mesmas 
conclusões apenas analisando os sinais dos coeficientes das 
variáveis na função demanda. Assim: 
i) Pela equação de demanda original, podemos ver que o 
coeficiente da variável renda é positivo (+0,1): isto 
significa que se a renda aumentar, o valor
da Qd, 
aumentará também. Daí, podemos concluir que o bem 
X é um bem normal. 
ii) Caso o sinal do coeficiente da renda fosse negativo, 
um aumento da renda diminuiria a Qd e, portanto, o 
bem X seria inferior. 
 
1 O conceito de bens complementares, substitutos, inferior, normal, superior, etc., foi desenvolvido em nossa 
Aula 1. Se você já esqueceu esses conceitos, dê uma revisitada naquela aula. 
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iii) O sinal do coeficiente do preço do outro bem (C) é 
negativo (-1,5). Isso significa que se o preço do bem 
aumentar, a Qdx diminuirá e, logo, X e C são 
complementares (se o preço do carro aumentar, 
ceteris paribus. Já se o sinal do coeficiente do bem C 
fosse positivo, um aumento de Pc aumentaria 
também a Qdx e, conseqüentemente, X e C seriam 
substitutos ou concorrentes. 
 
2. A função oferta 
Se, por hipótese, a função oferta fosse linear, nós 
poderíamos representar esta função, por exemplo, por: 
Qsx = 5Px – 4Pi 
onde Qsx = quantidade ofertada do bem X; 
Pi = preços das matérias-primas para a fabricação de X. 
 Assim, supondo Pi = 5 constante, a função oferta passa 
a ser: 
 Qsx = 5px – 20 
Esta função fornece a curva de oferta apresentada no gráfico 
abaixo. 
 Px 
 Qsx = 5px -20 
 
 4 
 
 Qsx 
 
E por que a curva de oferta intercepta o eixo dos preços na 
altura do preço de 4 reais? Isso ocorre porque, pela equação 
da oferta acima, pode-se deduzir que os produtores só 
estarão dispostos a oferecer o bem X no mercado se os 
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preços se situarem acima de 4 reais. Para preços abaixo de 4 
reais, o custo das matérias-primas torna impraticável a 
produção deste bem. Se, por exemplo, Px = 3, e substituindo 
este preço na equação acima, teríamos uma produção 
negativa igual a 5 unidades (mas, claro, não existe produção 
negativa!). Já se Px = 4 reais, a produção seria zero. Para 
qualquer outro preço acima de 4, a produção se torna positiva 
e só a partir daí a análise da curva de oferta deste bem se 
torna relevante. 
 Agora, imagine que o preço das matérias-primas (Pi) se 
eleve para 7,50. Nesta hipótese, teríamos: 
Qsx = 5Px – 4 x 7,50 
Qsx = 5Px – 30 
 Agora, a oferta se torna compensadora a preços maiores 
que 6 reais, o que desloca a curva de oferta para cima, 
conforme se pode ver no gráfico abaixo: 
 Px 
 Qsx = 5Px -30 
 Qsx = 5Px - 20 
 
 6 
 4 
 
 Qsx 
 
_________________ 
 
Exercícios de revisão (com gabarito comentado ao final) 
Observação: Primeiro, tente fazer os exercícios e só depois vá 
até o gabarito para verificar seu desempenho. 
 
Assinale a alternativa correta: 
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11.. AA qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé iinnfflluueenncciiaaddaa 
ppeellooss ffaattoorreess aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: 
aa)) ccuussttoo oouu tteeccnnoollooggiiaa ddee pprroodduuççããoo;; 
bb)) ggoossttoo oouu pprreeffeerrêênncciiaa ddoo ccoonnssuummiiddoorr;; 
cc)) nníívveell ddee rreennddaa ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; 
dd)) pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; 
 ee))pprreeççoo ddee pprroodduuttooss ssuubbssttiittuuttooss.. 
 
22.. AA qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé aaffeettaaddaa ppeellooss 
ffaattoorreess aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: 
aa)) pprreeççoo ddooss pprroodduuttooss ccoomm ttééccnniiccaa ddee pprroodduuççããoo sseemmeellhhaannttee;; 
bb)) rreennddaa ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; 
cc)) pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; 
dd)) ccuussttoo oouu tteeccnnoollooggiiaa ddee pprroodduuççããoo.. 
 
33.. OOss ffaattoorreess aabbaaiixxoo ccaauussaamm vvaarriiaaççããoo ddaa ddeemmaannddaa ((ddeessllooccaammeennttoo ddaa 
ccuurrvvaa)),, eexxcceettoo:: 
aa)) uumm aauummeennttoo ddaa rreennddaa rreeaall ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; 
bb)) mmuuddaannççaa nnaa pprreeffeerrêênncciiaa ddooss ccoonnssuummiiddoorreess;; 
cc)) mmuuddaannççaa nnoo pprreeççoo ddooss pprroodduuttooss ssuubbssttiittuuttooss;; 
dd)) mmuuddaannççaa nnoo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; 
ee)) ccrreesscciimmeennttoo ddaa ppooppuullaaççããoo ddoo mmeerrccaaddoo ccoonnssiiddeerraaddoo.. 
 
44.. OOss ffaattoorreess aabbaaiixxoo ccaauussaamm uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa,, 
eexxcceettoo:: 
aa)) rreedduuççããoo ddooss ccuussttooss ddee pprroodduuççããoo;; 
bb)) ssaaííddaa ddoo mmeerrccaaddoo ddee ddiivveerrssooss pprroodduuttoorreess;; 
cc)) mmuuddaannççaa ddoo ggoossttoo oouu pprreeffeerrêênncciiaa ddoo mmeerrccaaddoo ccoonnssuummiiddoorr;; 
dd)) vvaarriiaaççããoo ddoo pprreeççoo ddooss pprroodduuttooss ddee tteeccnnoollooggiiaa ssiimmiillaarr;; 
ee)) ttooddaass aass aalltteerrnnaattiivvaass aanntteerriioorreess.. 
 
55.. SSuuppoonnhhaa qquuee uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo ttiippoo ddee ssaannddáálliiaa ffeemmiinniinnaa eennttrroouu nnaa 
mmooddaa.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo,, ppooddee--ssee eessppeerraarr:: 
aa)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, ee 
ccoonnsseeqqüüeennttee rreedduuççããoo ddee sseeuu pprreeççoo;; 
bb)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, ee 
ccoonnsseeqqüüeennttee qquueeddaa nnoo pprreeççoo ddaa ssaannddáálliiaa;; 
cc)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ttaannttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ccoommoo ddaa ccuurrvvaa ddee 
ooffeerrttaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa;; 
dd)) uumm ddeessllooccaammeennttoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa ee 
ccoonnsseeqqüüeennttee aauummeennttoo ddoo nnoovvoo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo;; 
ee)) uumm ddeessllooccaammeennttoo aaoo lloonnggoo ddaass ccuurrvvaass ddee ooffeerrttaa ee ddee ddeemmaannddaa.. 
 
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66.. CCoomm rreellaaççããoo ààss ccuurrvvaass ddee ooffeerrttaa ee ddeemmaannddaa,, eessttããoo ccoorrrreettaass aass 
aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: 
aa)) ssee oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ccoonnssiiddeerraaddoo ssee aalltteerraarr,, aass dduuaass ccuurrvvaass ssee 
ddeessllooccaamm;; 
bb)) ssee oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo ssuubbssttiittuuttoo ssee eelleevvaarr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa 
ssee ddeessllooccaa ppaarraa aa ddiirreeiittaa;; 
cc)) ssee oo ccuussttoo ddee pprroodduuççããoo ssee rreedduuzziirr,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ssee ddeessllooccaa 
ppaarraa aa ddiirreeiittaa ee ppaarraa bbaaiixxoo;; 
dd)) aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa nnããoo éé aaffeettaaddaa ppeellaa tteeccnnoollooggiiaa ddee pprroodduuççããoo;; 
ee)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo éé aaqquueellee qquuee iigguuaallaa aass qquuaannttiiddaaddeess 
ooffeerrttaaddaass ee ddeemmaannddaaddaass.. 
 
77.. NNuummaa eeccoonnoommiiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aass ccuurrvvaass ddee ooffeerrttaa ee 
pprrooccuurraa ddee ddeetteerrmmiinnaaddoo bbeemm ssããoo QQss == 44PP ++ 44 ee QQdd == 1166 –– 22PP,, oonnddee 
QQss,, QQdd ee pp
ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee,, qquuaannttiiddaaddeess ooffeerrttaaddaass ee 
ddeemmaannddaaddaass ee PP oo pprreeççoo.. 
NNeessttee ccaassoo,, oo pprreeççoo ee aa qquuaannttiiddaaddee ddee eeqquuiillííbbrriioo ssããoo,, 
rreessppeeccttiivvaammeennttee:: 
aa)) 112200 ee 2200,,0000;; 
bb)) iinnddeetteerrmmiinnaaddooss;; 
cc)) 1122 ee 22,,0000;; 
dd)) 1100 ee 1155,,0000;; 
ee)) 22,,0000 ee 1122.. 
 
88.. CCoonnssiiddeerraannddoo ooss ddaaddooss ddaa qquueessttããoo 1155,, aanntteerriioorr,, ee ssuuppoonnddoo qquuee oo 
ggoovveerrnnoo ttaabbeelloouu oo pprreeççoo ddee vveennddaa ddeessssee pprroodduuttoo eemm 11,,0000,, hhaavveerráá 
uumm eexxcceessssoo ddee ddeemmaannddaa iigguuaall aa:: 
aa)) 44 uunniiddaaddeess;; 
bb)) 1144 uunniiddaaddeess;; 
cc)) 1100 uunniiddaaddeess;; 
dd)) 66 uunniiddaaddeess;; 
ee)) iimmppoossssíívveell ddee ddeeffiinniirr.. 
 
99.. SSee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppeerrmmaanneecceerr iinnaalltteerraaddaa,, ddeessllooccaannddoo--ssee ppaarraa 
mmeennooss aa ccuurrvvaa ddaa ooffeerrttaa:: 
aa)) aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass ddiimmiinnuueemm,, mmaass oo pprreeççoo ddee 
eeqquuiillííbbrriioo nnããoo ssee aalltteerraa;; 
bb)) aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass ssee rreedduuzzeemm,, ee oo pprreeççoo ddee 
eeqquuiillííbbrriioo ddeevvee ssee eelleevvaarr;; 
cc)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ssee aalltteerraa ppaarraa mmaaiiss ee ssoommeennttee aa ooffeerrttaa 
ccrreesscceerráá;; 
dd)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ee aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass 
mmoovviimmeennttaamm--ssee nnaa mmeessmmaa ddiirreeççããoo,, aammbbooss ssee eelleevvaamm;; 
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ee)) oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ee aass qquuaannttiiddaaddeess ttrraannssaacciioonnaaddaass ssee 
mmoovviimmeennttaamm nnaa mmeessmmaa ddiirreeççããoo,, aammbbooss ssee rreedduuzzeemm.. 
 
1100.. NNuummaa iinnddúússttrriiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa éé ddeeffii--
nniiddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 11000000,, eennqquuaannttoo aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé 
ddeeffiinniiddaa ppoorr QQdd == 44550000 –– 440000PP.. NNeessttee ccaassoo,, aa qquuaannttiiddaaddee 
ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo ((QQee)) ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ((PPee)) sseerrããoo,, 
rreessppeeccttiivvaammeennttee:: 
aa)) 22,,0000 aa 55,,5500;; 
bb)) 22330000 ee 55,,5500;; 
cc)) 55,,0000 ee 44550000;; 
dd)) 2200,,0000 ee 55550000;; 
ee)) 55,,5500 ee 55550000.. 
 
1111.. SSaabbee--ssee qquuee oo bbeemm XX éé ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY ee qquuee oo mmeerrccaaddoo ddee XX 
eennccoonnttrraa--ssee eemm eeqquuiillííbbrriioo.. SSee ooccoorrrreerr uummaa rreedduuççããoo nnoo pprreeççoo ddee YY,, 
ccoomm ttuuddoo oo mmaaiiss ppeerrmmaanneecceennddoo ccoonnssttaannttee,, hhaavveerráá rreeppeerrccuussssõõeess nnoo 
mmeerrccaaddoo ddee XX.. NNããoo hhaavveennddoo tteemmppoo ppaarraa qquuee eessttee mmeerrccaaddoo ssee 
rreeeeqquuiilliibbrree,, oobbsseerrvvaarr--ssee--áá aa ccoonnssttiittuuiiççããoo ddee uumm eexxcceessssoo ddaa:: 
aa)) ddeemmaannddaa ssoobbrree aa ooffeerrttaa nnoo mmeerrccaaddoo,, ccoomm tteennddêênncciiaa àà eelleevvaaççããoo 
ddoo pprreeççoo ddee XX;; 
bb)) ooffeerrttaa ssoobbrree aa ddeemmaannddaa nnoo mmeerrccaaddoo,, ccoomm tteennddêênncciiaa àà rreedduuççããoo 
ddoo pprreeççoo ddee XX;; 
cc)) ddeemmaannddaa ssoobbrree aa ooffeerrttaa nnoo mmeerrccaaddoo,, ccoomm tteennddêênncciiaa àà rreedduuççããoo 
ddoo pprreeççoo ddee XX;; 
dd)) ooffeerrttaa ssoobbrree aa ddeemmaannddaa nnoo mmeerrccaaddoo,, ccoomm tteennddêênncciiaa àà eelleevvaaççããoo 
ddoo pprreeççoo ddee XX;; 
ee)) ooffeerrttaa ssoobbrree aa ddeemmaannddaa nnoo mmeerrccaaddoo,, ccoomm tteennddêênncciiaa àà eelleevvaaççããoo 
ddoo pprreeççoo ddee YY.. 
 
1122.. SSaabbee--ssee qquuee XX éé ccoommpplleemmeennttaarr ddee YY.. SSee ooccoorrrreerr uummaa qquueeddaa ddoo 
pprreeççoo ddee YY,, cceetteerriiss ppaarriibbuuss,, hhaavveerráá rreeppeerrccuussssõõeess nnoo mmeerrccaaddoo ddee XX,, 
lleevvaannddoo--oo,, nnuumm pprriimmeeiirroo mmoommeennttoo,, aa uummaa ssiittuuaaççããoo ddee ddeesseeqquuiillííbbrriioo.. 
CCaassoo hhaajjaa tteemmppoo ppaarraa qquuee oo mmeerrccaaddoo ddee XX ssee rreeeeqquuiilliibbrree,, ddeevvee--ssee 
eessppeerraarr:: 
aa)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa 
ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
bb)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo 
ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa.. 
cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo 
ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 
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dd)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa 
ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 
ee)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa 
ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 
 
 
1133.. SSaabbee--ssee qquuee XX éé uumm bbeemm iinnffeerriioorr.. SSee ooccoorrrreerr uumm aauummeennttoo nnaa rreennddaa 
ddooss ccoonnssuummiiddoorreess ddoo bbeemm,, ccoomm ttuuddoo oo mmaaiiss ppeerrmmaanneecceennddoo 
ccoonnssttaannttee,, hhaavveerráá rreeppeerrccuussssõõeess nnoo mmeerrccaaddoo ddee XX,, lleevvaannddoo--oo,, nnuumm 
pprriimmeeiirroo iimmppaaccttoo,, aa uummaa ssiittuuaaççããoo ddee ddeesseeqquuiillííbbrriioo.. CCaassoo hhaajjaa tteemmppoo 
ppaarraa qquuee oo mmeerrccaaddoo ssee rreeeeqquuiilliibbrree,, ddeevvee--ssee eessppeerraarr:: 
aa)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo 
ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo 
ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo 
ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;;
dd)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa 
ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa.. 
 
 
1144.. SSuuppoonnhhaa qquuee oo mmeerrccaaddoo ddee XX eessttáá eeqquuiilliibbrraaddoo aaoo nníívveell ddee PPoo ee QQoo ee 
qquuee XX éé ssuubbssttiittuuttoo ddee oouuttrroo bbeemm YY.. SSee ooccoorrrreerr uumm aauummeennttoo nnoo pprreeççoo 
ddee YY,, cceetteerriiss ppaarriibbuuss,, ddeevvee--ssee eessppeerraarr:: 
aa)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa 
ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 
bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo 
ddaa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 
cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa ddiirreeiittaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo ddaa 
ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
dd)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX,, ppoorrqquuee aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddeessssee 
bbeemm ssee ddeessllooccaarráá ppaarraa aa eessqquueerrddaa,, mmaanntteennddoo--ssee ffiixxaa aa ppoossiiççããoo 
ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa.. 
 
 
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ESTRUTURAS DE MERCADO 
 
1155.. SSããoo ccaarraacctteerrííssttiiccaass ddaa ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, eexxcceettoo:: 
aa)) aattoommiizzaaççããoo ddee vveennddeeddoorreess ee ccoommpprraaddoorreess;; 
bb)) lliivvrree eennttrraaddaa ee ssaaííddaa ddee ccoommpprraaddoorreess ee vveennddeeddoorreess;; 
cc)) ppeerrffeeiittoo ccoonnhheecciimmeennttoo ddaass ccoonnddiiççõõeess ddoo mmeerrccaaddoo ((pprreeççoo ee 
qquuaannttiiddaaddee)) ppeellooss aaggeenntteess eeccoonnôômmiiccooss;; 
dd)) ppeeqquueennoo nnúúmmeerroo ddee ggrraannddeess eemmpprreessaass vveennddeennddoo uummaa ggrraannddee 
vvaarriieeddaaddee ddee pprroodduuttoo;; 
ee)) pprroodduuttooss hhoommooggêênneeooss.. 
 
1166.. SSããoo ccaarraacctteerrííssttiiccaass ddoo oolliiggooppóólliioo,, eexxcceettoo:: 
aa)) aallttoo ggrraauu ddee ccoonnttrroollee ssoobbrree ooss pprreeççooss ppeellaass eemmpprreessaass 
ppaarrttiicciippaanntteess;; 
bb)) ggrraannddee nnºº ddee ppeeqquueennaass eemmpprreessaass vveennddeennddoo pprroodduuttooss bbaassttaannttee 
ddiiffeerreenncciiaaddooss;; 
cc)) aass eemmpprreessaass nnããoo ffaazzeemm gguueerrrraa ddee pprreeççooss;; 
dd)) aass eemmpprreessaass ffaazzeemm gguueerrrraa ddee ppuubblliicciiddaaddee;; 
ee)) eexxiissttee uummaa ““iinntteerrddeeppeennddêênncciiaa”” eennttrree aass eemmpprreessaass.. 
 
1177.. CCoomm rreellaaççããoo aaoo mmoonnooppóólliioo,, eessttããoo ccoorrrreettaass aass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, 
eexxcceettoo:: 
aa)) ssóó eexxiissttee uumm pprroodduuttoorr ddoo pprroodduuttoo;; 
bb)) oo mmoonnooppoolliissttaa ffiixxaa oo pprreeççoo nnoo nníívveell qquuee bbeemm eenntteennddeerr,, iissttoo éé,, 
ffiixxaa--oo sseemmpprree nnoo nníívveell mmaaiiss aallttoo;; 
cc)) eemm pprriinnccííppiioo,, oo mmoonnooppóólliioo éé pprrooiibbiiddoo ppoorr lleeii;; 
dd)) oo pprroodduuttoo nnããoo tteemm ssuubbssttiittuuttoo pprróóxxiimmoo.. 
 
1188.. CCoomm rreellaaççããoo àà ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa,, eessttããoo ccoorrrreettaass aass 
aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: 
aa)) mmuuiittaass eemmpprreessaass vveennddeennddoo pprroodduuttooss ddiiffeerreenncciiaaddooss,, mmaass 
pprróóxxiimmooss ssuubbssttiittuuttooss;; 
bb)) aa ddiiffeerreenncciiaaççããoo ddee pprroodduuttoo ppooddee sseerr rreeaall oouu iimmaaggiinnáárriiaa ((ccrriiaaddaa 
ppeellaa pprrooppaaggaannddaa));; 
cc)) éé uummaa ffoorrmmaa ddee oorrggaanniizzaaççããoo ttííppiiccaa ddoo mmeerrccaaddoo ddee vvaarreejjoo;; 
dd)) hháá ccoonnccoorrrrêênncciiaa eexxttrraapprreeççoo,, ccoommoo pprrooppaaggaannddaa ee eemmbbaallaaggeennss ddoo 
pprroodduuttoo;; 
ee)) aass eemmpprreessaass ttêêmm ttoottaall ccoonnttrroollee ssoobbrree sseeuuss pprreeççooss.. 
 
1199.. MMuuiittooss vveennddeeddoorreess ee uumm ssóó ccoommpprraaddoorr ddeeffiinneemm oo mmeerrccaaddoo ccoommoo:: 
aa)) oolliiggooppóólliioo;; 
bb)) ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa;; 
cc)) ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa;; 
dd)) mmoonnooppóólliioo;; 
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ee)) mmoonnooppssôônniioo.. 
 
2200.. AA ffoorrmmaa ddee ccoonnccoorrrrêênncciiaa iimmppeerrffeeiittaa,, oonnddee aa ooffeerrttaa ddee uumm bbeemm 
qquuaallqquueerr eessttáá ccoonncceennttrraaddaa eemm uumm lliimmiittaaddoo nnúúmmeerroo ddee eemmpprreessaass 
ccaappaazzeess ddee aaffeettaarreemm ooss pprreeççooss ddee mmeerrccaaddoo,, ddeennoommiinnaa--ssee:: 
aa)) mmoonnooppóólliioo;; 
bb)) mmoonnooppssôônniioo;; 
cc)) oolliiggooppóólliioo;; 
dd)) oolliiggooppssôônniioo;; 
ee)) ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa.. 
 
2211.. DDaass aattiivviiddaaddeess eeccoonnôômmiiccaass aabbaaiixxoo aa qquuee mmaaiiss ssee aapprrooxxiimmaa ddee uumm 
mmoonnooppóólliioo éé:: 
aa)) aa ddooss pprroodduuttoorreess ddee aarrrroozz ddoo EEssttaaddoo ddee GGooiiááss;; 
bb)) aa ddooss ffaabbrriiccaanntteess ddee ssaabbããoo eemm ppóó;; 
cc)) aa ddooss pprroopprriieettáárriiooss ddee ppoossttooss ddee ggaassoolliinnaa ee ddee ppaaddaarriiaass;; 
dd)) aa ccoommpprraa ee vveennddaa ddee aaççõõeess nnaass BBoollssaass ddee VVaalloorreess;; 
ee)) aa ddee ffoorrnneecciimmeennttoo ddee eenneerrggiiaa eellééttrriiccaa ppeellaa CCEEBB.. 
 
2222.. AA ccoonnccoorrrrêênncciiaa eexxttrraapprreeççoo nnããoo éé ppoossssíívveell nneemm eeffiiccaazz:: 
aa)) nnoo oolliiggooppóólliioo ddee pprroodduuttoo ddiiffeerreenncciiaaddoo;; 
bb)) nnaa ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa.. 
cc)) nnoo oolliiggooppóólliioo ddee pprroodduuttoo ppaaddrroonniizzaaddoo;; 
dd)) nnoo mmoonnooppóólliioo;; 
ee)) nnaa ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa;; 
 
2233.. CCoomm rreellaaççããoo aaooss ddiivveerrssooss ttiippooss ddee mmeerrccaaddoo,, mmaarrqquuee VV ((vveerrddaaddeeiirroo)) 
oouu FF ((ffaallssoo)) nnaass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo.. 
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ttêêmm ccoonnttrroollee ssoobbrree oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo.. 
bb)) (( )) NNuumm mmeerrccaaddoo oolliiggooppoollííssttiiccoo,, aass eemmpprreessaass ttêêmm ggrraannddee 
ccoonnttrroollee ssoobbrree oo pprreeççoo ddoo pprroodduuttoo.. 
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pprroodduuttoorr ddee ddeetteerrmmiinnaaddoo pprroodduuttoo.. 
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ccoommpprraaddoorreess ttêêmm ppeerrffeeiittoo ccoonnhheecciimmeennttoo ((iinnffoorrmmaaççõõeess)) ssoobbrree ooss 
pprreeççooss ee qquuaannttiiddaaddeess nneeggoocciiaaddaass.. 
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hh)) (( )) NNuumm mmeerrccaaddoo ddee oolliiggooppóólliioo,, hháá lliivvrree eennttrraaddaa ee ssaaííddaa ddee 
vveennddeeddoorreess ee ddee ccoommpprraaddoorreess.. 
ii)) (( )) NNoo mmeerrccaaddoo eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa mmoonnooppoollííssttiiccaa,, aass 
eemmpprreessaass ssããoo ppeeqquueennaass ee vveennddeemm pprroodduuttooss ddiiffeerreenntteess mmaass 
bbaassttaannttee pprróóxxiimmooss ssuubbssttiittuuttooss.. 
jj)) (( )) PPaarraa aa eemmpprreessaa qquuee ffuunncciioonnaa eemm mmeerrccaaddoo 
ppeerrffeeiittaammeennttee ccoommppeettiittiivvoo,, nnããoo hháá rriissccoo ddee ““ssoobbrraarr”” pprroodduuttoo aaoo 
pprreeççoo ddee mmeerrccaaddoo.. 
kk)) (( )) PPoorr nnããoo tteerr ccoonnccoorrrreennttee,, uummaa ffiirrmmaa mmoonnooppoollííssttiiccaa tteennddeerráá aa 
ffiixxaarr oo pprreeççoo nnoo nníívveell mmaaiiss aallttoo ppaarraa aauummeennttaarr sseeuuss lluuccrrooss.. 
_____________ 
G A B A R I T O 
1. a > o custo ou tecnologia de produção é um fator que afeta 
a oferta e não a demanda; 
2. b > a renda afeta a demanda e não a oferta; 
3. d > a mudança no preço do produto considerado causa 
deslocamento na curva (ou seja, variação na quantidade 
demandada; 
4. c > mudança de gosto ou de preferência do consumidor é 
um fator de demanda; 
5. d > veja item 2.7. do texto; 
6. a > a variação de preço provoca um deslocamento ao longo 
das duas curvas (de oferta e de demanda), e não das duas 
curvas; 
7. e > Solução: Em equilíbrio, a Qs = Qd; assim, fazendo as 
devidas substituições, teremos: 
4P +4 = 16 – 2P 
6P = 12 
P = 2 
 Substituindo o valor de P encontrado, nas equações originais, 
encontramos os valores de Qs e Qd, ou seja: Q = 12. 
 A resposta então é P = 2 e Q = 12. 
8. d > é só você substituir P = 1 nas duas equações, achando 
os valores de Qs e de Qd; a diferença entre as duas 
responde a questão. 
9. b > é só desenhar um gráfico com as duas curvas de oferta 
e de demanda, e deslocar a curva de oferta para a 
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esquerda, e verificar o novo P e a nova Q e depois 
compará-los com a posição original. 
10. b > veja exercício 7; 
11. b > A curva do bem X se deslocará a esquerda e sobrará 
produto no mercado e, assim, seu preço deve cair; 
12. e > A curva de demanda se desloca para a direita e faltará 
produto; 
13. c > como se trata de um bem inferior, um aumento na 
renda do consumidor provoca uma redução na sua demanda. 
14. a > deixamos pra você a dedução; 
15. d (se você tiver dúvida quanto às questões de 15 a 23, dê 
uma revisada no item 2.2. do texto); 
16. b 17. b 18. e 19. e 20. c 21. e 22. b; 
23. aV; bV; cF; dF; eV; fV; gV; hF; 
 iV; jV; kF. 
....................... 
 
Até nossa próxima aula! Aliás, nossa 3ª aula é sobre 
ELASTICIDADE-PREÇO – que serviu como “aula demonstrativa” – 
lembra-se? 
Assim, nossa próxima aula (que será a 4ª) já será de 
macroeconomia! Até lá, então! 
 
 
 
 
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AULA 3 – A ELASTICIDADE E SUAS APLICAÇÕES 
 
Neste encontro vamos tratar de um dos temas mais importantes 
da teoria econômica e que se aplica a qualquer assunto econômico: a 
elasticidade. Embora seja um conceito comumente usado no estudo 
das variações que ocorrem na demanda de um produto quando seu 
preço varia, ela aparece também no estudo os efeitos da taxa de câmbio 
sobre as exportações e importações de um país, no efeito da taxa de 
juros sobre o nível da poupança e do investimento, enfim em 
praticamente todos os temas econômicos. 
 
 Mas, o que vem a ser elasticidade? Qual a sua aplicação e 
utilidade? 
 
1. O conceito de elasticidade 
 
Na teoria econômica, o termo elasticidade significa sensibilidade. Na 
realidade, a elasticidade mostra quão sensíveis são os consumidores de 
um produto X (ou seus produtores), quando o seu preço sofre uma 
variação para mais ou para menos. Em outras palavras, a elasticidade 
serve para medir a reação – grande ou pequena – desses consumidores 
(ou de seus produtores) diante de uma variação do preço do produto X. 
Neste caso, teríamos a chamada elasticidade-preço da demanda (ou, no 
caso dos produtores, a elasticidade-preço da oferta) por este produto. O 
mesmo raciocínio poderia ser aplicado em relação a uma variação na 
renda real dos consumidores. Neste caso, estaríamos medindo o quanto 
a demanda pelo bem X é sensível a uma variação na renda dos 
consumidores – e teríamos, então, a chamada elasticidade-renda. Mas, 
não vamos misturar as coisas: Vamos, primeiro, nos fixar no conceito de 
elasticidade-preço. Depois analisaremos a questão da elasticidade-
renda. 
 
2. A elasticidade-preço (Ep) da demanda 
 
É fácil constatar que as pessoas reagem com intensidade diferente 
diante de variações dos preços dos diferentes produtos. Se o sal sobe de 
preço, as pessoas não vão deixar de comprá-lo por causa disso e, 
provavelmente, nem vão reduzir a quantidade que costumam comprar 
desse produto – já que o sal é essencial para elas. Também e por razões 
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diferentes, as pessoas não devem reagir muito a um aumento no preço 
de uma bala e, aqui, isso se explicaria pelo fato de que o preço da bala 
é muito baixo e não afeta o bolso do consumidor. Sabe-se, também, 
que as pessoas não reagem muito a um aumento do preço da gasolina – 
e, neste caso, isso se deve provavelmente ao fato de que a gasolina, 
sendo essencial para quem tem carro, não tem um substituto e o jeito é 
arcar com este aumento. De outra parte, porém, se produtos como 
automóveis, ou passagens aéreas e outros, subirem de preço, é 
bastante provável que sua demanda se reduza significativamente. 
 
Com esses exemplos, podemos ver que a reação das pessoas a uma 
variação do preço de um produto depende muito do tipo de produto. Em 
alguns casos, a reação pode ser muito grande, em outros pequena e em 
uns poucos casos nem reação há. E note-se que é importante – para os 
produtores/vendedores, principalmente – saber se o consumidor do 
produto X reage muito ou pouco a um variação – aumento ou redução – 
do seu preço, pois isso vai ajudar o produtor a estabelecer um preço 
“ótimo” para seu produto – ou seja, um preço onde sua receita pode ser 
máxima. E para conhecer a elasticidade-preço da demanda pelo produto 
X é preciso calculá-la. E é o que vamos fazer a seguir. 
 
3. Calculando a elasticidade-preço da demanda 
 
Suponha-se o seguinte comportamento da demanda de dois bens X e Y: 
 
 Demanda de X
Demanda de Y 
 Px Qdx Py Qdy 
 1º instante 10 100 20 80 
 2º instante 12 60 24 76 
 
 Note-se que, entre o primeiro e o segundo instante, o preço de 
ambos os produtos subiu 20%. No entanto, é fácil verificar que a reação 
do consumidor – medida pelas quantidades adquiridas (Qd) - foi 
bastante diferente nos dois casos. Enquanto no caso do produto X, a 
demanda se reduziu 40% (caindo de 100 para 60), no caso do produto Y 
a quantidade demandada só se reduziu 5% (caindo apenas 4 unidades 
de um total de 80). 
 Diante desse exemplo, pode-se concluir que a demanda do 
consumidor pelo produto X é mais sensível a uma variação do preço do 
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que a do produto Y. Esta sensibilidade – maior ou menor – pode ser 
medida pelo chamado 
 
coeficiente de elasticidade-preço da demanda (Ep) - que mede a 
variação percentual na quantidade demandada de um produto em 
conseqüência de uma variação percentual em seu preço. 
Veja que se trata de variações percentuais na quantidade e no preço e 
não variações absolutas. Isso porque variações absolutas não nos dizem 
nada. Um aumento de R$ 100,00 (isto é, uma variação absoluta) no 
preço de um carro não significa quase nada, ao passo que uma variação 
de R$ 10,00 no preço do quilo de feijão poderá até derrubar o Ministro 
da Agricultura. 
Matematicamente, a elasticidade-preço da demanda é definida pela 
fórmula: 
 
Ep = Variação percentual na quantidade demandada 
 Variação percentual no preço 
O numerador desta fração – ou seja, a variação percentual na 
quantidade demandada, é dada por: 
e o denominador – isto é, a variação percentual no preço, é dada por: 
Assim, temos:
 
No exemplo numérico acima, nós teríamos no caso do bem X: 
Epx = 
%20
%40
 = 2 
E, no caso do bem Y: 
12, QQQondeQ
Q −=∆∆
12, PPPondeP
P −=∆∆
P
P
Q
Q
P
QEp ∆
∆
=∆
∆=
%
%
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Epy = 
%20
%5
 = 0,251 
 
Uma questão que se coloca é a seguinte: para o cálculo da elasticidade, 
deve-se tomar o preço (P) e a quantidade (Q) originais ou o novo preço 
e a nova quantidade? Tudo depende da convenção. 
Suponha um produto com uma curva de demanda como ilustrado na 
Figura 1. No ponto A, temos que, ao preço (P) de R$ 10,00 a unidade, a 
quantidade demandada (Q) é de 100 unidades; no ponto B, ao preço de 
R$ 6,00, a Q é de 180 unidades. 
 
Figura 1 
 
 
Agora, suponha que o preço caia de R$ 10,00 (preço inicial) para R$ 
6,00 (novo preço) e, em conseqüência, a Qd aumente de 100 unidades 
(inicial) para 180 (nova quantidade). 
 
Como calcular a elasticidade no arco AB? 
A solução no caso é tomarmos a quantidade média (ou, 100 180
2
+ ) e o 
preço médio (ou, 
10 6
2
+
), e teríamos: 
 
 
1 Note-se que, na realidade, o valor encontrado seria um número negativo, já que as variações da demanda 
(40% e 5%) são negativas. Mas, para efeito de interpretação da elasticidade-preço da demanda, o que importa 
é o valor absoluto desta. 
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E
Q
Q m d io
P
P m d i o
p = = = × = =
∆
∆
( é )
( é )
80
140
4
8
80
140
8
4
640
560
114,
(2) 
 
Alternativamente, ao invés de tomarmos o P e o Q médios, nós 
poderíamos usar o P e Q originais (mas aí estaríamos medindo a 
elasticidade no ponto A), ou então, poderíamos usar o P e o Q novos 
(mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto B). 
A elasticidade-preço da demanda no ponto A será, então: 
 
0,2
400
800
4
10
100
80
10
4
100
80
0
0 ==×==∆
∆
=
P
P
Q
Q
Ep 
 
e a elasticidade-preço no ponto B será: 
E
Q
Q
P
P
xp = = = = =
∆
∆
1
1
80
180
4
6
80
180
6
4
480
720
0 67,
 
Por convenção, utiliza-se mais comumente a primeira fórmula, isto é, 
tomam-se a quantidade e o preço médios, quando se tratar do cálculo 
da elasticidade-preço no arco A-B (isto é, no intervalo entre os pontos A 
e B). 
 
4. Classificação da elasticidade e receita total 
 
Como dissemos no início, o conceito de elasticidade tem muitas 
aplicações úteis. Conhecendo-se a elasticidade de um produto, podemos 
saber se a receita total (P x Q) irá ou não aumentar diante de uma 
queda ou de um aumento nos preços. Tudo vai depender da intensidade 
da reação dos consumidores diante de variações nos preços. 
Há três situações possíveis: 
1ª - A variação percentual na quantidade é maior que a variação 
percentual no preço, ou seja, na fórmula da elasticidade, o numerador é 
 
(1) Na realidade, normalmente, o valor da elasticidade-preço da demanda é negativo porque um aumento do preço (efeito positivo) 
provoca uma queda na demanda (efeito negativo) e vice-versa. Mas nós esquecemos o sinal e consideramos o valor absoluto da 
elasticidade. 
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maior que o denominador e, então, em termos absolutos, isto é, 
desprezando-se o sinal (que, no caso da demanda é sempre negativo) a 
Ep > 1. Nesse caso, a demanda deste produto denomina-se elástica 
em relação a seu preço. 
2ª - A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual 
no preço: então, em termos absolutos, Ep = 1 e a demanda deste bem 
apresenta elasticidade unitária em relação ao seu preço. 
3ª - A variação percentual na quantidade é menor que a variação 
percentual no preço: então, Ep < 1 e a demanda denomina-se 
inelástica a preço. 
 
Adicionalmente, há ainda dois casos, um tanto raros, é verdade, a 
considerar: 
a) quando a curva de demanda é inteiramente horizontal ao nível de um 
determinado preço e, nesta hipótese, temos uma demanda 
infinitamente elástica a preço; 
b) quando a curva de demanda é inteiramente vertical – o que 
demonstra que a quantidade demandada é insensível a variações no 
preço do produto e, nesta hipótese, temos uma demanda totalmente 
inelástica a preço. 
 
Elasticidade-preço X receita dos produtores 
 
E agora vem a pergunta: qual a importância ou utilidade de se saber se 
a demanda de um produto é elástica ou inelástica? A resposta é 
simples: é a magnitude da elasticidade-preço que vai orientar o 
produtor/vendedor se ele deve aumentar ou reduzir seu preço para 
aumentar sua receita. Se o valor numérico da elasticidade-preço é alto – 
isto é, maior que 1, em valor absoluto, e, portanto, a demanda é 
elástica -, significa que os consumidores reagem muito a variações de 
preços do produto – ou, em outras palavras, se o preço aumentar um 
pouco, os consumidores reduzirão muito sua demanda daquele produto. 
O inverso também é verdadeiro: se ele reduzir um pouco seu preço, 
suas vendas deverão aumentar muito. O mesmo raciocínio vale para o 
caso em que o valor numérico da elasticidade-preço seja pequeno - isto 
é, menor que 1 em valor absoluto, sendo, portanto, a demanda 
inelástica. 
Assim entendido, podemos tirar as seguintes conclusões relativamente 
aos efeitos de variações de preços sobre a receita total do vendedor: 
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i) - Se o produto tem uma demanda elástica, um aumento de P 
provocará uma queda na receita total porque a redução percentual da 
quantidade demandada será maior que o aumento percentual de preços. 
Nesse caso, o produtor deve baixar o preço para aumentar a receita. 
Isso ocorre porque a quantidade demandada aumentará 
percentualmente mais que a perda percentual de preços. 
ii) - Se a elasticidade-preço
da demanda é unitária, a receita total não 
se alterará com aumentos ou reduções de preços. Isso porque, se o 
produtor aumentar o preço em 10%, a quantidade demandada cairá 
10%; se ele reduzir o preço em 10%, a quantidade aumentará 10%, e 
assim por diante. 
iii) - Se o produto for inelástico, uma queda de preços provocará uma 
queda de receita total porque a redução percentual de P não será 
compensada pelo aumento percentual da quantidade demandada. Nesse 
caso, o produtor deve aumentar o preço para aumentar sua receita 
total, já que a quantidade demandada cairá percentualmente menos que 
o aumento percentual nos preços. 
 
6. Fatores que influenciam a magnitude da elasticidade-preço 
 
Mas, afinal de contas, o que leva um produto a ter uma demanda 
elástica ou inelástica? Ou como identificar, sem necessidade de fazer 
cálculos, um produto de demanda elástica ou inelástica? 
Embora rigorosamente só se possa afirmar que a demanda do produto X 
é elástica ou não em relação a variações em seu preço a partir de uma 
pesquisa específica, os produtos possuem certas características que nos 
permitem concluir a priori se eles são mais ou menos elásticos a 
variações em seu preço3, a saber: 
i) Essencialidade do produto – parece claro que quanto maior o 
grau de utilidade ou de essencialidade do produto para o consumidor, 
menos elástica (ou seja, mais inelástica) tende a ser sua demanda. De 
fato, se o produto é essencial para o consumidor, aumentos em seu 
preço reduzirão pouco ou quase nada suas compras. Da mesma forma, 
reduções de preço desses produtos não deverão provocar aumentos em 
sua compras, pois o consumidor tende a comprar um certa quantidade – 
digamos, fixa – dos mesmos. É o que ocorre, geralmente, com os bens 
de primeira necessidade, como alimentos, serviços de saúde ou de 
educação – que sabidamente têm demanda inelástica a preço. De outra 
 
3 Essas características foram apontadas pioneiramente pelo famoso economista inglês Alfred Marshall (1842-
1924) em seus Principles of Economics. 
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parte, produtos supérfluos, para o consumidor, como jóias e perfumes, 
tendem a ter demanda elástica a preço. 
 
ii) Quantidade de substitutos – também parece inquestionável a 
afirmação de que, se o produto tiver muitos substitutos próximos, um 
aumento de seu preço deve estimular o consumidor a mudar de 
produto, reduzindo, portanto, a demanda daquele cujo preço se elevou 
(se o preço do Palio se elevar, o consumidor tenderá a substitui-lo por 
Gol 1000, ou por Fiesta, etc). Ou seja, quanto mais substitutos houver 
para um produto X, mais elástica a preço será sua demanda. 
Obviamente, o contrário ocorre na hipótese de o produto não ter 
substitutos próximos (como é o caso do sal). Nesta hipótese, mesmo 
ocorrendo um aumento do preço do produto, o consumidor tenderá a 
continuar adquirindo a mesma quantidade de antes, por simples falta de 
opção – o que torna sua demanda inelástica a preço. 
 
iii) Peso no orçamento do consumidor – quanto menor for o preço 
do produto, menos ele pesará no bolso do consumidor, como é o caso 
da caixa de fósforos. Assim, aumentos no preço de um produto 
“barato”, tendem a não alterar a demanda daquele produto, como seria 
o caso se o preço da caixa de fósforos passasse de 20 centavos para 30 
centavos (um aumento de 50%!). Nesta hipótese, a demanda desses 
produtos ditos “baratos” tende a ser inelástica a preço, ocorrendo o 
contrário no caso dos produtos mais caros, como carros, passagens 
aéreas, etc. 
 
 
iv) Nível de preço – este é um aspecto pouco abordado pelos livros-
textos de Economia, mas a verdade – facilmente comprovável – é que 
se o preço do produto estiver na parte superior da curva de demanda, 
mais elástica tende a ser sua demanda, ocorrendo o contrário se o preço 
estiver na parte inferior da curva4. 
 
7. Elasticidade da oferta 
 
O conceito da elasticidade também se aplica no caso da oferta, para 
medirmos a reação dos produtores às variações de preço. Em síntese, 
podemos assim definir a elasticidade-preço da oferta: 
 
4 Isso é certamente verdade no caso de uma curva de demanda retilínea, negativamente inclinada, e é 
geralmente válido para a demanda expressa por uma curva propriamente dita. 
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A “elasticidade-preço da oferta mede a variação percentual na 
quantidade ofertada de uma mercadoria em conseqüência de uma dada 
variação percentual em seu preço”. 
A exemplo da elasticidade da demanda, podemos obter diferentes 
valores para a elasticidade da oferta conforme utilizemos o preço e a 
quantidade originais ou novos. Também aqui, por convenção, é 
preferível utilizarmos P e Q médios, sendo a fórmula de cálculo dada 
por: 
 
 Ep = Variação percentual na quantidade ofertada 
 Variação percentual no preço 
 ou, E Q
P
Q
Q méd io
P
P méd i o
p = =∆∆
∆
∆
%
%
( )
( )
 
Tomando por exemplo a curva de oferta da Figura 2, suponha que, ao 
preço inicial de R$ 10,00 por quilo, os produtores estarão dispostos a 
vender 200kg de arroz; se o preço se elevar para R$ 15,00, a oferta 
crescerá para 280kg. Vamos calcular a elasticidade desta curva de 
oferta no arco AB. 
 
 
 
Figura 2 
 
 
 
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E
Q
Q m d i o
P
P méd i o
p = = = × = =
∆
∆
%
( )
%
( ) ,
, ,
é
80
240
5
12 5
80
240
12 5
5
1000
1200
0 83 
Dependendo do número que se obtém, após este cálculo, a elasticidade-
preço da oferta também será classificada como: 
i) elástica , se o coeficiente encontrado for maior que 1,0; 
ii) unitária, se o coeficiente encontrado for igual a 1,0; 
iii) inelástica, se o coeficiente encontrado for menor que 1,0, 
valendo lembrar que, como os preços e quantidades ofertadas variam 
na mesma direção, o coeficiente da elasticidade-preço da oferta terá 
sempre um sinal positivo. 
 
8. Elasticidade-preço-cruzada 
 
Diferentemente da elasticidade-preço anterior, esta elasticidade-preço-
cruzada mede a sensibilidade da demanda do bem X a variações nos 
preços do bem Y. Matematicamente, é medida pela razão entre as 
variações percentuais da quantidade demandada de um bem X e as 
variações percentuais de preço do bem Y. Ou: 
 E Q
Pxy
x
y
= ∆∆
%
%
 
Esta razão pode assumir valores negativos e positivos ou, ainda, ser 
igual a zero. 
– Se o resultado for < 0, isto é, negativo, os dois bens são 
complementares. 
– Se o resultado for > 0, isto é, positivo, os dois bens são substitutos ou 
sucedâneos. 
 – Se o resultado for = 0, os dois bens não guardam qualquer 
relação de consumo entre si. 
 
Exemplo: 
Suponha que X seja manteiga e Y seja margarina (dois produtos 
tipicamente substitutos). 
Se o preço de Y subir (+), a quantidade demandada de manteiga deve 
aumentar ( + ). Logo, dividindo-se um valor positivo por outro positivo, 
o resultado será um valor positivo e, portanto os bens são substitutos. 
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Analise a hipótese de X = pneu e Y = carro. O que deve ocorrer, caso o 
preço do carro aumente (ceteris paribrus)? 
 
9. Elasticidade-renda 
 
A elasticidade-renda (Er) mede a razão entre a variação percentual da 
quantidade demandada de um bem X e a variação percentual da renda 
real do consumidor. Ou: 
 
E Qx
Rr
= ∆∆
%
% 
 
Dependendo do valor
do coeficiente da elasticidade-renda obtido, o bem 
será classificado em bem inferior, ou bem normal ou bem superior. 
Assim, por exemplo, suponha que a renda dos consumidores tenha se 
elevado, num certo período de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00, em 
conseqüência, a quantidade demandada dos bens A, B, C e D, se 
alteraram de Qd0 para Qd1, conforme a tabela a seguir: 
 
 
Bens Qd0 Qd1 
 A 20 18 
 B 25 30 
 C 30 78 
 D 10 15 
 E 40 40 
 Utilizando a fórmula acima, podemos calcular a elasticidade-renda 
para os cinco bens acima, assim: 
i) Er (bem A) = 
%30
%10−
 = - 0,33 
ii) Er (bem B) = 
%30
%20
= 0,66 
iii) Er (bem C) = 
%30
%30
= 1,0 
iv) Er (bem D) = 
%30
%50
= 1,67 
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v) Er (bem E) = 
%30
%0
 = 0 
 Observe-se que a quantidade demandada do bem A diminuiu 
quando a renda aumentou. Quando se verifica esta relação inversa entre 
variação na renda do consumidor e a conseqüente variação no consumo 
de um bem, este bem é denominado de bem inferior – como é o caso do 
bem A. Em conseqüência, o coeficiente da elasticidade-renda dos bens 
inferiores é negativo, refletindo o fato de que, no caso desses bens, o 
seu consumo cai quando a renda cresce. 
 No caso do bem B, verificamos que o seu consumo cresceu quando 
a renda cresceu, embora tenha crescido proporcionalmente menos que o 
crescimento da renda – o que forneceu um coeficiente da elasticidade-
renda positivo, porém menor que 1, ou seja, a demanda desse bem 
inelástica a renda. Estes bens são denominados bens normais – que 
são aqueles cuja demanda tende a acompanhar a direção da variação 
renda. Se a renda cai, o seu consumo também cai; se a renda cresce, o 
seu consumo também cresce, ainda que não na mesma intensidade. 
 No caso do bem C, o aumento do consumo se deu na mesma 
intensidade do aumento na renda (ambos cresceram 30%), e por isso, o 
coeficiente da elasticidade-renda foi positivo, igual a 1, ou seja, a 
elasticidade-renda é unitária. Estes bens também são classificados 
como bens normais. 
 No caso do bem D, o consumo cresceu proporcionalmente mais 
que o crescimento na renda, dando um coeficiente de elasticidade-renda 
positivo maior que 1 – ou seja, a elasticidade-renda neste caso é 
elástica. Estes bens são denominados bens superiores. 
 Por fim, temos o caso do bem E, cujo consumo não se alterou em 
decorrência do aumento da renda, fornecendo um coeficiente de 
elasticidade-renda igual a 0. Esses bens anelásticos a renda são também 
considerados bens normais, geralmente se aplicando ao caso dos bens 
de consumo saciado (alimentos básicos, por exemplo). 
 Em síntese, em relação à elasticidade-renda, temos as seguintes 
conclusões: 
– Se o resultado desta razão for positivo maior que 1,0, o produto é 
dito “bem superior”. 
– Se o resultado situar-se entre 0 e 1,0 o bem é normal. 
– Se o resultado for menor que 0, isto é, negativo, o produto é 
chamado de “bem inferior”. 
 
 
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10. Escassez, Tabelamento e Incidência Tributária 
 
10.1 Escassez e excedente – tabelamento 
 
Muitas vezes, o governo se vê obrigado a intervir no mercado através do 
controle de preços ou tabelamento, com o objetivo de proteger os 
consumidores. Isso ocorre sempre que um país atravessa um período de 
aceleração inflacionária, ou quando o governo percebe a ação ou 
comportamento de grupos de empresas – os oligopólios – que tentam 
tirar proveito de seu “poder de mercado” reajustando abusivamente 
seus preços. 
Ao perceber que os preços que vigorarão no mercado serão muito 
elevados, o governo resolve intervir, fixando um preço máximo para a 
venda do produto – e que será, necessariamente, menor do que o preço 
que vigoraria no mercado. 
No Brasil, essa prática foi muito comum nos anos 80 e 90 do século 
passado, como mostraram as experiências do Plano Cruzado, em 1986; 
do Plano Bresser, em 1987; do Plano Verão (Mailson), em 1989 e do 
Plano Collor II (ou Zélia), em 1991. Esses foram momentos bem 
marcantes de “congelamentos” de preços que, no fundo, se traduzem 
em verdadeiros tabelamentos. Afora esses momentos, existiam, ainda, 
os controles permanentes de preços pela SUNAB, CIP, “Câmaras 
Setoriais”, etc. 
Não importa a forma, nem o órgão, nem o porquê do controle ou do 
tabelamento de preços. O que importa, do ponto de vista da análise 
econômica, é conhecer as conseqüências desse tabelamento. 
Para tanto, vamos partir da Figura 3: 
 
Figura 3 
 
 
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O governo resolve tabelar o preço de x ao nível de P1. Pelo mercado, o 
preço de equilíbrio seria Pe. Ao nível de P1 a QD é maior que Qs 
surgindo um excedente da demanda sobre a oferta igual a QD - QS. 
Esse excedente forçaria o preço a subir até Pe – o que é impedido pelo 
congelamento. Com isso, surge uma demanda insatisfeita (igual a QD – 
Qs), existindo diversas soluções para o problema, a saber: 
(i) Aparecem as filas: Toda vez que, num mercado, houver excesso 
de demanda, surgirão filas, seja nas bilheterias dos teatros, seja à porta 
dos açougues, seja nos balcões das lojas, sendo que somente os que 
chegarem primeiro serão atendidos. 
(ii) Surgem as vendas preferenciais: Quando a demanda para um 
concerto musical é maior que o número de bilhetes, muitas vendas são 
feitas “por debaixo do pano”. Os promotores do espetáculo reservam 
uma parte dos ingressos para convidados ilustres, para políticos ou para 
fregueses mais regulares. 
(iii) Surge o mercado negro: Sabendo que vai faltar ingresso, para 
burlar o tabelamento, reduzem a quantidade contida no próprio produto, 
vendendo-o, porém, ao preço tabelado. Assim, por exemplo, o rolo de 
papel higiênico, antes com 45 metros, passa a 40 metros, o quilo de 
carne passa a ter 900 gramas, o sabonete já não faz tanta espuma 
como anteriormente, etc. 
Como se vê, o controle ou congelamento de preços, ainda que seja um 
instrumento útil para estancar temporariamente um processo infla-
cionário, provoca sempre outras distorções no mercado. 
 
10.2 Incidência tributária 
 
Qual será o efeito da imposição, pelo governo, de um imposto sobre a 
venda de uma mercadoria? Quem pagará este imposto? O leitor menos 
atento responderá que o imposto será pago pelo consumidor. No 
entanto, isso pode ou não ser verdade. Tudo dependerá das 
elasticidades da demanda e da oferta. Mas, antes de mais nada, é 
preciso distinguir dois tipos de impostos: (i) o imposto específico – que 
é um valor fixo que incide sobre o preço de venda, digamos, R$ 10,00; 
e (ii) o imposto ad valorem – que é um percentual que recai sobre o 
valor da venda, digamos, 15%.. Analisemos os dois casos: 
 
a) Imposto específico 
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O primeiro efeito do lançamento de um imposto específico é o 
deslocamento da curva da oferta, igual, verticalmente, ao montante do 
imposto. 
Isso se explica pelo fato de que a curva de oferta representa as 
quantidades que serão oferecidas pelo produtor em relação aos preços 
praticados no mercado. Para qualquer preço P de mercado, o produtor 
subtrai o imposto T, ficando com a diferença. Ou seja, o produtor 
receberá o valor P
2
 que será dado por: 
 P
2
 = P
1
 - T 
O que ocorrerá com o preço e a quantidade de equilíbrio? A resposta 
está ilustrada na Figura 4. A decretação de um imposto específico 
desloca, como já foi dito, a curva de oferta para a esquerda. O novo 
ponto de equilíbrio se dá onde a nova curva de oferta (S1) corta a curva 
de demanda. Antes,
P
0
 e Q
0
 eram, respectivamente, o preço e a 
quantidade de equilíbrio. Agora, o equilíbrio se dá em P
1
 e Q
1
. Do preço 
P
1
 o vendedor receberá apenas P
2
 (= P
1
 - T). Como P
2
 é menor que P
0
, 
a oferta do produtor cai para Q
1
. 
Figura 4 
 
 
Neste exemplo, sobre quem recai efetivamente o imposto? 
Pode-se dividir o montante do imposto (= P
1
 - P
2
) em duas parcelas, a 
saber: 
(i) �P
1
 = P
1
 – P
0
 que corresponde ao aumento do preço de equilíbrio – 
e, por conseqüência, representa a parcela do imposto a ser paga pelo 
consumidor. 
(ii) �P
2
 = P
0
 – P
2
 que corresponde à redução no preço recebido pelo 
produtor – e que, por conseqüência, representa a parcela a ser paga 
pelo produtor. 
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Qual das duas parcelas é a maior? Isto irá depender da elasticidade da 
demanda e da oferta. 
Observemos a Figura 5, onde são apresentadas duas curvas de 
demanda. Dx e Dy, sendo Dx mais elástica (mais “deitada”) que Dy. 
Ambas as curvas cruzam, inicialmente, a curva de oferta S
0
 no mesmo 
ponto, definindo o preço e quantidade de equilíbrio inicial em P
0
 e Q
0
. 
Com a decretação de um imposto específico, T, a curva de oferta se 
desloca para S
1
. O novo preço de equilíbrio se dará no ponto onde as 
duas curvas de demanda cruzam com nova curva de oferta (S
1
). No 
caso do produto de demanda Dy, o novo preço será P2 e a quantidade 
transacionada será Q
2
. Já para o produto de demanda Dx (mais 
elástica), o preço será P
1
 (menor que P
2
) e a quantidade transacional 
será Q
1
. 
 
Figura 5 
 
 
 
Lembre-se que o aumento do preço pós-imposto representa a parcela 
do imposto repassada ao consumidor. No caso presente, o repasse 
maior ocorreu no produto Dy (menos elástico). Isto se explica pelo fato 
de que um produto de demanda inelástica implica que os consumidores 
não reagem muito às variações de preços. Se isto é fato, o produtor 
repassará o máximo do imposto ao preço, sabendo que os consumidores 
não reduzirão muito suas compras do produto. 
 
b) Imposto ad valorem 
 
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Trata-se de um imposto que incide sobre o valor da venda, 
representando, no caso, um percentual da receita do vendedor (ou 
produtor). Assim, por exemplo, se o imposto (t%) for 20%, o produtor 
receberá efetivamente apenas 80% do preço de mercado, isto é, 
receberá P*, que será dado por: 
 P* = (1 – t%)P 
 
Qual será o efeito da decretação de um imposto ad valorem? 
Graficamente, a curva de oferta se tornará mais vertical, sendo o 
coeficiente angular da nova curva de oferta (S
1
) dado pela taxa do 
imposto, como mostra a Figura 6. 
 
 Figura 6 Figura 7 
 
 
Pela Figura 7, com o deslocamento da curva de oferta, tanto o preço 
como a quantidade de equilíbrio se alteram de P
0
 e Q
0
 para P
1
 e Q
1
, 
respectivamente. 
Tal como no caso do imposto específico, aqui, também, o montante do 
imposto será dividido em duas parcelas: 
∆P P P1 1 0= − , que será paga pelo consumidor e 
∆P P P2 0 2= − , que será paga pelo produtor. 
 
10.3 Política de preços mínimos 
 
Com o objetivo de proteger os agricultores das flutuações climáticas 
que, necessariamente, afetam sua colheita e, daí, alteram os preços de 
mercado, o governo adota a chamada “política de preços mínimos” ou 
“garantia de preços mínimos”. 
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Tal política se justifica pelo fato de que se houver uma boa safra, 
digamos, de milho, sua oferta será grande e, em conseqüência, seus 
preços serão baixos, podendo, inclusive, ficar abaixo dos custos de 
produção. Sendo a demanda por produtos agrícolas geralmente 
inelástica, com uma baixa de preços, a receita dos produtores se 
reduzirá. Com isso, os produtores não terão qualquer estímulo para 
plantar milho no próximo ano, quando, então, haverá escassez do 
produto e conseqüente aumento de preços. 
Para evitar essas flutuações e os prejuízos para os produtores e para os 
consumidores, o governo interfere no mercado fixando “preços 
mínimos” que garantam uma remuneração compensatória aos 
produtores. Este “preço mínimo de garantia” só será usado pelo 
produtor se, por excesso de oferta, “o preço de mercado” se situar 
abaixo do preço de garantia. 
Para entender as conseqüências da adoção de uma política de preços de 
garantia, consideremos a Figura 8 que, hipoteticamente, reflete o 
mercado de milho, onde S é a oferta, D é a curva de demanda, Pe é o 
preço de equilíbrio determinado pelas forças de mercado (oferta e 
demanda) e Pm é o preço mínimo fixado pelo governo. 
 
Figura 8 
 
 
 
Como o Pm é maior que o preço de mercado (Pe), a receita garantida 
aos produtores será OPm x OQs (ou igual à área OPmCQsO). Se não 
houvesse o preço de garantia, a receita dos produtores seria dada pelo 
preço de mercado multiplicado pela quantidade vendida, ou, OPe x 
OQs, que, obviamente, seria menor que a anterior, já que Pe < Pm. 
Para garantir aos produtores a receita definida pelo preço mínimo, o 
governo dispõe de duas alternativas: 
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i) fixa o preço em Pm e compra o excedente de milho, ou seja, BQs ao 
preço de Pm ; ou 
ii) deixa que o milho seja vendido ao preço de mercado, Pe, e concede a 
cada agricultor um subsídio, em dinheiro, igual a Pm - Pe para cada 
saca vendida. 
 
A questão, então, é: qual dos dois programas é mais caro para o 
governo? Antes de responder, vale lembrar que, em qualquer 
alternativa, a receita dos produtores será dada pelo retângulo 
OPmACO. 
Se o governo optar pelo primeiro programa, isto é, comprar o 
excedente, a despesa dos consumidores (DC) será dada por OPm x OB 
(= OPmABO) e, conseqüentemente, a despesa do governo (DG) será 
OPm x BQs (= BACQsB). 
Observando que quanto maior a parcela paga pelos consumidores, 
menor será a despesa do governo, e considerando que a demanda por 
milho tem alta probabilidade de ser inelástica, a despesa dos 
consumidores será maior no primeiro programa, compra do excedente 
pelo governo. Isto porque, quando a demanda é inelástica, um aumento 
do preço do produto de Pe para Pm eleva a receita do vendedor (isto é, 
aumenta a despesa dos consumidores). Se esta é aumentada, significa 
que a do governo diminui. (Observe-se que não se consideram, aqui, os 
custos de armazenamento, nem as eventuais receitas que o governo 
terá, mais tarde, com a venda de seu estoque). 
 
11. Algumas conclusões-resumo desta nossa primeira aula 
 
Aprendemos, hoje, então, o que é a elasticidade nos seus diversos 
conceitos – elasticidade-preço da demanda e da oferta, a elasticidade-
renda e a elasticidade-preço-cruzada. Aprendemos, também, como 
calculá-la e como interpretar os resultados encontrados. Fomos mais 
além, analisando casos específicos de sua aplicação, como no caso de 
políticas governamentais de tabelamento de preços, no caso da 
incidência e do ônus do imposto sobre os consumidores (e, 
eventualmente, sobre os produtores) e no caso das políticas de 
garantidas de abastecimento postas em prática pelo Governo. 
Nas nossas próximas aulas, veremos outras aplicações deste importante 
conceito econômico, principalmente quando abordarmos a questão dos 
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investimentos, da poupança, do mercado monetário e do comércio 
exterior e do balanço de pagamentos. 
Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso próximo encontro!
______________ 
 
Exercícios de fixação: 
 
I) Exercícios resolvidos: 
1. A elasticidade-preço da demanda do produto A é –0,1. Se o preço desse 
produto aumentar em 2%, quanto deverá diminuir a quantidade demandada? 
Solução: Utilizando a fórmula de cálculo da elasticidade-preço e fazendo as 
devidas substituições pelos números dados pelo problema, tem-se: 
 Ep = 1,0
%2
%
%
% −=−
∆=∆
∆ Qd
P
Qd 
Efetuando a conta acima, tem-se que a variação percentual da quantidade 
demandada (∆%Qd) é igual a –2%. Ou seja, a quantidade demandada deverá 
cair 2%. 
 
2. A elasticidade-preço da demanda de um bem é –1,8 e a quantidade 
demandada ao preço de mercado é de 5.000 unidades. Caso o preço do bem 
sofra uma redução de 5%, qual deverá ser a nova quantidade demandada? 
Solução: Novamente, vamos utilizar a fórmula da elasticidade-preço, com as 
devidas substituições: 
 Ep = 8,1
%5
%
%
% −=−
∆=∆
∆ Qd
P
Qd 
Ou seja, ∆%Qd = -5% x -1,8 = 9%; assim, a quantidade demandada teria 
aumentado em 9%, ou em 450 unidades (9% de 5.000 unidades). 
Deste modo, a nova quantidade passará a ser: 5.450. 
 
3. Sabe-se que a demanda de um bem X qualquer é elástica a preço. Assim, se 
o preço desse bem aumentar, tudo o mais permanecendo constante, o gasto 
total do consumidor deste bem deve aumentar, cair ou permanecer 
constante? 
Solução: Para que a demanda de um bem seja elástica a preço, é necessário que 
a ∆%Qd > ∆%P. Esta é a condição para que o resultado seja maior que 1 (em 
valor absoluto). Ora, se um aumento, digamos, de 10% no preço do produto 
provocar, digamos, uma queda na quantidade demandada de 20% (logo ∆%Qd 
> ∆%P), a despesa ou gasto total do consumidor deve cair. 
 
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4. Suponha-se a seguinte função demanda linear: 
Qdx = 600 – 5Px 
Esta equação fornece uma curva de demanda representada por um linha reta tal 
como representado no seguinte gráfico abaixo. 
Pede-se: calcule a elasticidade-preço nas seguintes hipóteses: 
i) P = 90; ii) P = 60; e, P = 30. 
 
120 
 90 
 60 
 30 
 
 0 150 300 450 600 
 
Solução: O ponto médio corresponde ao preço de 60 (igual à média entre zero e 120) e à 
quantidade de 300 (média entre zero e 600). 
i) Vamos calcular a Ep correspondente ao preço de 60, utilizando como referência para o 
cálculo o preço de 120 (que reduz a quantidade demandada para zero). Temos: 
Px Qd 
60 300 
 120 0 
 Ep = 1
%100
%100
%
% ==∆
∆
P
Qd 
 
ii) Agora, vamos calcular a Ep para o preço de 30. A este preço, a quantidade demandada é 
450 (Qd= 600 - 5 . 30 = 450). Assim, vamos calcular a Ep caso o preço suba de 30 para 60: 
 Px Qd 
 30 450 
 60 300 
Ep= 33,0
13500
4500
30
150.
450
30. ===∆
∆
P
Q
Q
P
 
 
iii) Considerando, agora, uma queda do preço de 90 (onde a quantidade demandada é 150) 
para 60, temos: 
 
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 Px Qd 
90 150 
60 300 
 Ep = 3
30
150.
150
90 = 
 
Dos cálculos acima, pode-se concluir que uma curva de demanda representada por uma 
linha reta tem elasticidade unitária no seu ponto médio, sendo elástica aos preços acima do 
ponto médio e inelástica aos preços abaixo do ponto médio. 
 
55.. NNuummaa iinnddúússttrriiaa eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm pprroodduuttoo qquuaallqquueerr éé 
ddeeffiinniiddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 11000000,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttooss,, eennqquuaannttoo aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé 
ddeeffiinniiddaa ppoorr QQdd == 44550000 –– 440000PP.. SSuuppoonnhhaa,, eennttããoo,, qquuee oo GGoovveerrnnoo llaannccee uumm iimmppoossttoo 
eessppeeccííffiiccoo TT == 11,,0000 ssoobbrree eessttee pprroodduuttoo.. 
CCaallccuullee aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo ((QQee)) ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ((PPee)) aanntteess ee 
ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo.. 
 
SSoolluuççããoo:: EEmm eeqquuiillííbbrriioo,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ((QQss)) éé iigguuaall àà qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ((QQdd)),, 
oouu QQss == QQdd 
SSuubbssttiittuuiinnddoo nneessttaa iigguuaallddaaddee,, ooss vvaalloorreess ddee QQss ee ddee QQdd,, tteemmooss:: 
 660000PP –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP 
 oouu,, 11000000PP == 55550000 
 ee,, PP == 55,,5500 
PPaarraa aacchhaarrmmooss aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo,, ssuubbssttiittuuíímmooss oo vvaalloorr eennccoonnttrraaddoo 
ppaarraa PP nnaass dduuaass eeqquuaaççõõeess ddaaddaass ppeelloo pprroobblleemmaa,, aassssiimm:: 
 
 QQss == 660000 xx 55,,5500 –– 11000000 == 22..330000 
 QQdd == 44550000 –– 440000 xx 55,,5500 == 22..330000 
 
LLooggoo,, aanntteess ddoo iimmppoossttoo aa qquuaannttiiddaaddee ttrraannssaacciioonnaaddaa ddee eeqquuiillííbbrriioo éé 22..330000 ee oo pprreeççoo ddee 
eeqquuiillííbbrriioo éé 55,,5500.. 
 
VVaammooss aaggoorraa ccaallccuullaarr aa qquuaannttiiddaaddee ee oo pprreeççoo ddee eeqquuiillííbbrriioo ddeeppooiiss ddoo iimmppoossttoo ((TT == 11)):: 
AAnntteess ddee ffaazzeerrmmooss aass ddeevviiddaass ssuubbssttiittuuiiççõõeess,, éé bboomm lleemmbbrraarr qquuee,, aaggoorraa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaa oo 
pprreeççoo ddee vveennddaa ddoo pprroodduuttoo,, ppaarraa oo pprroodduuttoorr oo pprreeççoo sseerráá uumm rreeaall aa mmeennooss,, jjáá qquuee eellee tteemm ddee 
rreeccoollhheerr ppaarraa oo ggoovveerrnnoo eessttee iimmppoossttoo.. AAssssiimm,, ssee eellee vveennddeerr oo pprroodduuttoo ppoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé 
44,,0000;; ssee eellee vveennddeerr ppoorr 77,,0000,, ppaarraa eellee éé 66,,0000.. QQuuaannttoo aaoo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa éé 
sseemmpprree oo pprreeççoo qquuee eessttiivveerr nnoo mmeerrccaaddoo.. SSee oo pprreeççoo ffoorr 55,,0000,, ppaarraa eellee éé mmeessmmoo 55,,0000;; ssee oo 
pprreeççoo ffoorr 77,,0000,, eellee ppaaggaarráá eessttee pprreeççoo,, iinnddeeppeennddeenntteemmeennttee ddee tteerr oouu nnããoo uumm iimmppoossttoo 
eemmbbuuttiiddoo nnoo pprreeççoo.. 
AAssssiimm,, oo iimmppoossttoo ssóó vvaaii aaffeettaarr aa eeqquuaaççããoo ddaa ooffeerrttaa.. PPaarraa ssaabbeerrmmooss qquuaall aa qquuaannttiiddaaddee 
ooffeerrttaaddaa,, aappóóss oo iimmppoossttoo,, tteemmooss ddee rreettiirraarr ddoo pprreeççoo ((PP)) oo iimmppoossttoo,, ffiiccaannddoo aassssiimm aa eeqquuaaççããoo 
ddaa ooffeerrttaa:: 
 QQss == 660000((PP--11)) –– 11000000 
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AA eeqquuaaççããoo ddaa ddeemmaannddaa,, ccoommoo ffooii ddiittoo,, nnããoo éé aaffeettaaddaa,, jjáá qquuee,, ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr,, oo pprreeççoo PP éé 
ddee ffaattoo oo pprreeççoo qquuee eellee ppaaggaa.. 
AAssssiimm,, iigguuaallaannddoo aass dduuaass eeqquuaaççõõeess,, tteerreemmooss:: 
 660000((PP--11)) –– 11000000 == 44550000 –– 440000PP 
 oouu,, 660000PP –– 660000 -- 11000000 == 44550000 –– 440000PP 
 11000000PP == 66110000 
 ee,, PP == 66,,1100 
 
OOuu sseejjaa,, oo iimmppoossttoo ddee 11,,0000 eelleevvoouu
oo pprreeççoo ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100.. AA eessttee nnoovvoo pprreeççoo aa 
qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa sseerráá:: 
 QQss == 660000 xx ((66,,1100 –– 11)) –– 11000000 == 22..006600 
ee aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa sseerráá:: 
 QQdd == 44550000 –– 440000 xx 66,,1100 == 22..006600.. 
 
AAssssiimm,, oo eeffeeiittoo ddoo iimmppoossttoo ffooii eelleevvaarr oo pprreeççoo ppaarraa oo ccoonnssuummiiddoorr ((ddee 55,,5500 ppaarraa 66,,1100)) –– oo qquuee 
ffeezz aa qquuaannttiiddaaddee ddeemmaannddaaddaa ccaaiirr –– ee rreedduuzziirr oo pprreeççoo rreecceebbiiddoo ppeelloo pprroodduuttoorr ((66,,1100 –– 11,,0000 == 
55,,1100)) –– oo qquuee ffeezz,, ttaammbbéémm,, aa qquuaannttiiddaaddee ooffeerrttaaddaa ccaaiirr.. 
 
 
 
IIII –– EExxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss ((vveejjaa ggaabbaarriittoo aaoo ffiinnaall)) 
 
MMúúllttppllaa eessccoollhhaa:: AAssssiinnaallee aa aalltteerrnnaattiivvaa qquuee rreessppoonnddee aa pprrooppoossiiççããoo:: 
 
11.. SSee aa rreecceeiittaa ttoottaall ssee eelleevvaa qquuaannddoo oo pprreeççoo ssee rreedduuzz,, ppooddee--ssee ddiizzeerr,, eennttããoo,, qquuee aa ddeemmaannddaa 
éé:: 
aa)) iinneelláássttiiccaa;; 
bb)) tteemm eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa;; 
cc)) vveerrttiiccaall;; 
dd)) eelláássttiiccaa;; 
ee)) hhoorriizzoonnttaall.. 
 
22.. AA ddeemmaannddaa ppoorr uumm pprroodduuttoo éé mmaaiiss eelláássttiiccaa:: 
aa)) qquuaannttoo mmaaiioorr ffoorr oo nnºº ddee bbeennss ssuubbssttiittuuttooss ddiissppoonníívveeiiss;; 
bb)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr aa pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ddoo ccoonnssuummiiddoorr ddeessppeennddiiddaa nnoo pprroodduuttoo;; 
cc)) qquuaannttoo mmeennoorr ffoorr oo ppeerrííooddoo ddee tteemmppoo ccoonnssiiddeerraaddoo;; 
dd)) qquuaannttoo mmaaiiss eesssseenncciiaall ffoorr oo pprroodduuttoo;; 
ee)) ddeeppeennddee ddee pprreeffeerrêênncciiaa ddoo mmeerrccaaddoo.. 
 
33.. AA eellaassttiicciiddaaddee--ccrruuzzaaddaa ddaa pprrooccuurraa ddee uumm bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 11,,55.. 
AA ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee oo bbeemm XX éé:: 
aa)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
bb)) ccoommpplleemmeennttaarr aaoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
cc)) ssuubbssttiittuuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
dd)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
ee)) ooss ddooiiss bbeennss nnããoo eessttããoo rreellaacciioonnaaddooss nnoo ccoonnssuummoo.. 
 
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44.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddee ccaarrnnee ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa 
ddoo iinnddiivvíídduuoo ((mmaannttiiddooss ccoonnssttaanntteess ooss pprreeççooss)).. LLooggoo,, aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddaa 
ccaarrnnee éé,, ppaarraa eellee:: 
aa)) zzeerroo;; 
bb)) nneeggaattiivvaa;; 
cc)) mmeennoorr qquuee 11;; 
dd)) mmaaiioorr qquuee 11.. 
 
55.. AA eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX éé 00,,55.. DDaaíí,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: 
aa)) uumm aauummeennttoo nnoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee pprroovvooccaarr uumm aauummeennttoo nnaa ssuuaa ddeemmaannddaa eemm 
pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; 
bb)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX ddeevvee aauummeennttaarr aa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo mmaaiioorr qquuee aa 
rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo;; 
cc)) uummaa rreedduuççããoo ddoo pprreeççoo ddee XX pprroovvooccaa uumm aauummeennttoo ddaa ddeemmaannddaa eemm pprrooppoorrççããoo 
mmeennoorr qquuee aa rreedduuççããoo nnoo pprreeççoo;; 
dd)) éé iimmppoossssíívveell aaffiirrmmaarr qquuaallqquueerr ccooiissaa sseemm ccoonnhheecceerr oo mmeerrccaaddoo ddoo bbeemm.. 
 
66.. NNuumm mmeerrccaaddoo eemm ccoonnccoorrrrêênncciiaa ppeerrffeeiittaa,, nnaa aauussêênncciiaa ddee iimmppoossttoo,, aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa ddee uumm 
ddeetteerrmmiinnaaddoo pprroodduuttoo éé ddaaddaa ppoorr QQss == 660000PP –– 990000 ee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa éé ddaaddaa ppoorr QQdd 
== 33550000 -- 220000PP.. OO ggoovveerrnnoo,, eennttããoo,, ddeecciiddee ddeeccrreettaarr uumm iimmppoossttoo eessppeeccííffiiccoo TT == 22.. NNeessttee 
ccaassoo,, ooss pprreeççooss ddee eeqquuiillííbbrriioo,, aanntteess ee aappóóss oo iimmppoossttoo,, ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: 
aa)) 55,,5500 ee 66,,2200;; 
bb)) 66,,7755 ee 55,,5500;; 
cc)) 55,,5500 ee 77,,0000;; 
dd)) 55,,5500 ee 66,,7755;; 
ee)) 77,,0000 ee 55,,5500.. 
 
7. O governo lança um imposto específico (T) sobre determinado produto fabricado em 
regime de concorrência perfeita. Pode-se garantir que, a curto prazo, o ônus do 
imposto: 
aa)) iinncciiddiirráá ttoottaallmmeennttee ssoobbrree oo ccoonnssuummiiddoorr;; 
bb)) rreeccaaiirráá iinntteeiirraammeennttee ssoobbrree oo pprroodduuttoorr;; 
cc)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess,, ccoonnffoorrmmee oo ppooddeerr ppoollííttiiccoo ddee ccaaddaa 
ggrruuppoo;; 
dd)) sseerráá ddiivviiddiiddoo eennttrree ddooiiss ggrruuppooss ((pprroodduuttoorreess ee ccoonnssuummiiddoorreess)),, ddee aaccoorrddoo ccoomm aass 
eellaassttiicciiddaaddeess--pprreeççoo ddaa ooffeerrttaa ee ddaa ddeemmaannddaa;; 
ee)) nnaaddaa ppooddee sseerr aaffiirrmmaaddoo aa pprriioorrii,, sseemm ssee ccoonnhheecceerr oo pprroodduuttoo.. 
 
88.. AA ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss ccoonnssuummiiddoorreess,, ppoorr uumm iimmppoossttoo uunniittáárriioo,, aarrrreeccaaddaaddoo ddooss pprroodduuttoorreess 
sseerráá:: 
aa)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss eelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
bb)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa;; 
cc)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmaaiiss iinneelláássttiiccaa ffoorr aa ccuurrvvaa ddee ooffeerrttaa;; 
dd)) mmaaiioorr qquuaannttoo mmeennoorr oo ccoonnttrroollee ddoo GGoovveerrnnoo ssoobbrree oo mmeerrccaaddoo;; 
ee)) sseemmpprree mmaaiioorr qquuee aa ccaarrggaa ppaaggaa ppeellooss pprroodduuttoorreess.. 
 
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99.. AA pprrooppoorrççããoo ddaa rreennddaa ggaassttaa nnaa aaqquuiissiiççããoo ddoo bbeemm XX ccrreessccee àà mmeeddiiddaa qquuee aauummeennttaa aa rreennddaa 
rreeaall ddooss iinnddiivvíídduuooss.. AA ppaarrttiirr ddeessttaa aaffiirrmmaattiivvaa,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee:: 
aa)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa ddeessttee bbeemm éé mmeennoorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm iinnffeerriioorr;; 
bb)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé iigguuaall aa 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; 
cc)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa
ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee oo bbeemm éé nnoorrmmaall;; 
dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé nneeggaattiivvaa ee oo bbeemm éé iinnffeerriioorr;; 
ee)) aa eellaassttiicciiddaaddee--rreennddaa ddaa pprrooccuurraa éé mmaaiioorr qquuee 11 ee XX éé uumm bbeemm ssuuppeerriioorr.. 
 
1100.. AA eellaassttiicciiddaaddee ccrruuzzaaddaa ddaa ddeemmaannddaa ddoo bbeemm XX eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddoo bbeemm YY éé –– 00,,55.. AA 
ppaarrttiirr ddeessttaa iinnffoorrmmaaççããoo,, ppooddee--ssee ccoonncclluuiirr qquuee oo bbeemm XX éé:: 
aa)) ssuubbssttiittuuttoo bbrruuttoo ddoo iitteemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
bb)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
cc)) ssuubbssttiittuuttoo bbrruuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa iinneelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
dd)) ccoommpplleemmeennttaarr bbrruuttoo ddoo bbeemm YY,, ccoomm ddeemmaannddaa eelláássttiiccaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY;; 
ee)) ccoommpplleemmeennttaarr ddoo bbeemm YY,, ccoomm eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa eemm rreellaaççããoo aaoo pprreeççoo ddee YY.. 
 
1111.. SSee aa eellaassttiicciiddaaddee--aarrccoo ddaa pprrooccuurraa ppoorr ccaarrnnee ffoorr iigguuaall aa ––22 ee ssee oo pprreeççoo ddoo qquuiilloo ppaassssaarr 
ddee RR$$ 99,,0000 ppaarraa RR$$ 1111,,0000,, aa qquueeddaa ppeerrcceennttuuaall nnaa qquuaannttiiddaaddee pprrooccuurraaddaa sseerráá ddee:: 
aa)) 2200%%;; 
bb)) 5500%%;; 
cc)) 3300%%;; 
dd)) 2255%%;; 
ee)) 4400%%.. 
 
1122.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddoo ccoonnccuurrssoo ppaarraa AAuuddiittoorr ddoo TTeessoouurroo MMuunniicciippaall ––RReecciiffee--22000033)) 
 CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa rreepprreesseennttaaddaa ppoorr uummaa lliinnhhaa rreettaa,, éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr:: 
aa)) nnoo ppoonnttoo mmééddiioo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo;; 
bb)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11 ee ccoonnssttaannttee eemm ttooddooss 
ooss ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; 
cc)) oo vvaalloorr aabbssoolluuttoo ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé mmaaiioorr qquuee 11 ppaarraa ttooddooss ooss 
ppoonnttooss ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; 
dd)) aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa vvaarriiaa aaoo lloonnggoo ddaa ““ccuurrvvaa”” ddee ddeemmaannddaa;; 
ee)) qquuaannddoo PP == 00,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé iigguuaall aa 11.. 
 
1133.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa ddee AAnnaalliissttaa ddee PPllaanneejjaammeennttoo ee OOrrççaammeennttoo –– MMPPOOGG –– 22000033)) 
 CCoonnssiiddeerraannddoo uummaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ppoorr uumm ddeetteerrmmiinnaaddoo bbeemm,, ppooddee--ssee aaffiirrmmaarr qquuee:: 
aa)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé 
ccoonnssttaannttee aaoo lloonnggoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, qquuaallqquueerr qquuee sseejjaamm ooss pprreeççooss ee 
qquuaannttiiddaaddeess;; 
bb)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé 11 qquuaannddoo 
QQ == zzeerroo;; 
cc)) nnaa vveerrssããoo lliinneeaarr ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa éé zzeerroo 
qquuaannddoo pp == zzeerroo;; 
dd)) iinnddeeppeennddeennttee ddoo ffoorrmmaattoo ddaa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa,, aa eellaassttiicciiddaaddee nnuunnccaa ppooddee tteerr oo sseeuu 
vvaalloorr aabbssoolluuttoo iinnffeerriioorr àà uunniiddaaddee;; 
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ee)) nnããoo éé ppoossssíívveell ccaallccuullaarr oo vvaalloorr ddaa eellaassttiicciiddaaddee--pprreeççoo ddaa ddeemmaannddaa aaoo lloonnggoo ddee uummaa 
ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa lliinneeaarr.. 
 
1144.. ((QQuueessttããoo ddaa pprroovvaa TTCCUU ––AAnnaalliissttaa ddee FFiinnaannççaass ee CCoonnttrroollee EExxtteerrnnoo –– 22000000)) SSoobbrree aa 
iinncciiddêênncciiaa ddee uumm iimmppoossttoo ssoobbrree aa vveennddaa ddee uummaa mmeerrccaaddoorriiaa eessppeeccííffiiccaa éé ccoorrrreettoo aaffiirrmmaarr 
qquuee:: 
aa)) eemm uumm mmeerrccaaddoo ccoonnccoorrrreenncciiaall aauummeennttaarráá ooss pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee aa 
ooffeerrttaa eelláássttiiccaa;; 
bb)) hhaavveerráá aauummeennttoo ddee pprreeççoo ddee pprreeççoo ssee aa ccuurrvvaa ddee ddeemmaannddaa ffoorr ttoottaallmmeennttee eelláássttiiccaa ee oo 
mmeerrccaaddoo ffoorr ccoonnccoorrrreenncciiaall;; 
cc)) iimmpplliiccaarráá uumm aauummeennttoo ddee pprreeççooss aappeennaass eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss;; 
dd)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo nnooss pprreeççooss eemm mmeerrccaaddooss ccoonnccoorrrreenncciiaaiiss,, ppooddeennddoo pprroovvooccaa--
lloo eemm mmeerrccaaddooss oolliiggooppoolliizzaaddooss,, ddeeppeennddeennddoo ddaass eellaassttiicciiddaaddeess ddaa ooffeerrttaa ee ddaa 
ddeemmaannddaa;; 
ee)) nnããoo pprroovvooccaarráá aauummeennttoo ddee pprreeççooss ssee aa ddeemmaannddaa ffoorr iinneelláássttiiccaa ee oo mmeerrccaaddoo 
ccoonnccoorrrreenncciiaall.. 
________________________________________ 
 
GGaabbaarriittoo ddooss eexxeerrccíícciiooss pprrooppoossttooss:: 
11.. dd 22.. aa 33.. bb 44.. dd 55.. cc 
66.. cc 77.. dd 88.. bb 99.. ee 1100.. bb 
1111.. ee 1122.. dd 1133.. cc 1144.. dd 
__________________________________________ 
 
 
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AULA 4: INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 
 
 
 Nas nossas três primeiras aulas, nós fizemos uma 
introdução-revisão de alguns conceitos da Microeconomia 
que certamente vão nos ajudar muito no entendimento da 
Macroeconomia – que é, a partir desta Aula 4, o objeto 
central de nosso curso. Nós, agora, vamos dar um salto, e 
passar a estudar a economia do país como um todo, 
analisando as variáveis que determinam o volume da 
produção total de bens e serviços, o nível do emprego e o 
nível geral de preços do sistema econômico. 
 Nesta nossa Aula de n° 4, nós vamos abordar os 
grandes agregados da economia, como são chamados o 
produto interno bruto, o investimento bruto, a renda 
nacional, e outros conceitos relevantes. 
 Bem-vindo, então, ao maravilhoso mundo da 
Macroeconomia! 
 
 
4.1. O sistema econômico: agentes e fluxos 
 
A teoria macroeconomia é a parte da teoria econômica que 
estuda o funcionamento da economia como um todo. Cabe à 
macroeconomia identificar e medir as variáveis que determinam o 
volume da produção total de bens e serviços, o nível do emprego e 
o nível geral de preços do sistema econômico, bem como os 
agentes econômicos que atuam nesse sistema, realizando 
transações de todos os tipos e naturezas. 
Como foi dito em nossa Aula 1, uma
descrição do sistema 
econômico como um todo deve considerar, de um lado, os tipos de 
agentes econômicos que nele atuam e, de outro, os fluxos por ele 
gerados. Se considerarmos, por simplificação, uma economia 
fechada, isto é, sem relações econômicas com outros países (sem 
exportações e importações, por exemplo), podemos identificar os 
seguintes agentes que atuam no sistema econômico: 
 2
 . As unidades familiares 
 . As empresas 
 . O governo 
No sistema econômico, às unidades familiares cabe o papel 
de fornecer os recursos produtivos às empresas (recursos 
naturais, mão-de-obra, capital, capacidade empresarial, etc.), 
recebendo, em troca, uma remuneração ou renda – (que pode ser: 
salários, aluguéis, juros e lucros) - que, num momento seguinte, 
será voltada para adquirir das empresas bens e serviços de que 
necessitam. 
As empresas, por seu turno, demandam das unidades 
familiares os recursos produtivos de que precisam, remunerando-
as com uma renda (salários, aluguéis, juros e lucros), enquanto 
ofertam para as mesmas os bens e serviços que produzem. 
Ao governo cabe o papel principal de regulador da atividade 
econômica e de provedor dos chamados “bens públicos”- dos quais 
são exemplos, como já vimos, a segurança nacional, o serviço de 
polícia, a administração da justiça - além de garantir o 
fornecimento dos denominados “bens meritórios”, como educação 
e saúde. Para o desempenho dessas atividades, o governo 
arrecada impostos dos agentes econômicos como, por exemplo, o 
imposto de renda (IR) e o imposto sobre produtos industrializados 
(IPI). 
Na contabilidade nacional, o governo é constituído pelos 
órgãos da chamada Administração Direta – basicamente, os 
Ministérios e as Secretarias - considerados os três níveis de 
governo: federal, estadual e municipal. Como o governo, em 
regra, não tem o objetivo de auferir lucro, as empresas públicas e 
sociedades de economia mista, das quais o governo seja acionista, 
são incluídas no item empresas (no setor privado). 
Num modelo mais completo, teríamos de incluir um quarto 
agente econômico, denominado comumente de resto do mundo 
e que responde pelas importações e exportações de bens e 
serviços do país. 
 
4.2. Conceitos Básicos: a Mensuração do Produto e 
da Renda e da Despesa 
 3
 
A contabilidade nacional proporciona medidas agregadas do 
valor de mercado dos bens e serviços finais produzidos na 
Economia durante um certo período, geralmente um ano. 
Dependendo dos itens computados nesta medição, obtêm-se 
diferentes medidas deste produto. 
Assim, por exemplo, temos o conceito Produto Interno Bruto 
que pode ser definido assim: 
Produto interno bruto (PIB) corresponde à 
soma dos valores de todos os bens e serviços 
finais produzidos em uma economia, durante um 
certo período.3 
Há três aspectos que devemos observar nessa definição: 
primeiro, que estamos falando de bens e serviços finais – o que 
quer dizer que, para evitar a dupla contagem, não podemos somar 
o valor da produção do aço e/ou o valor da produção da borracha, 
etc. – que são matérias-primas – com o valor do carro, pois no 
valor deste – que é um bem final – já estão incluídos os valores 
das matérias-primas utilizadas em sua produção. 
Um outro aspecto a observar é que, na contabilidade nacional, a 
produção é entendida como qualquer atividade que aumente a 
quantidade e/ou valor do bem ou serviço. Assim, considera-se 
produção não somente a transformação de uma matéria-prima 
num produto novo, mas também as atividades de transporte, de 
intermediação financeira, de comercialização, e de prestação de 
serviços em geral. 
Um terceiro ponto a ser observado é que não entram no cálculo 
do valor do Produto as transações que envolvam troca de ativos 
que não foram produzidos no ano ou período considerado, como, 
por exemplo, a compra e venda de imóveis e de carros usados. 
E de onde vem o valor do produto de um país? 
O valor do PIB é o resultado do produto dos três setores 
produtivos, a saber: 
I - Setor Primário – constituído pela produção agropecuária, 
tendo como principais componentes a produção agrícola 
propriamente dita (arroz, milho, soja, etc.), a produção da 
 4
pecuária (abate de gado, suínos, etc.) e a produção extrativa 
vegetal (borracha, carvão vegetal, etc.); 
II - Setor Secundário – constituído pela produção do setor 
industrial e tendo como principais subsetores: indústria 
extrativa mineral (petróleo, ouro, minério de ferro, etc.), 
indústria da construção civil (prédios, estradas, barragens, 
etc.), indústria de transformação (mecânica, eletrônica, 
têxtil, etc.) e serviços industriais de utilidade pública (energia 
elétrica, saneamento, etc.); 
III - Setor Terciário – constituído pelo setor de serviços, tendo 
como principais subsetores: transportes e comunicações, 
intermediação financeira, setor governo (exceto empresas 
estatais), comércio, saúde e educação (privadas), turismo e 
lazer, etc. 
 
 
4.3. Os diversos conceitos de produto – uma análise 
mais detalhada 
 
O produto interno bruto (PIB) de um país é dado pelo valor de 
todos os bens e serviços que foram produzidos durante um certo 
período de tempo, geralmente um ano. Seu valor é medido pelo 
lado dos custos de produção, traduzidos estes nas despesas 
realizadas pelas empresas com a remuneração dos fatores 
utilizados na produção (salários, aluguéis, juros e lucros). A 
contrapartida do valor do produto global ou do valor agregado 
dessas despesas é dada pela renda interna que corresponde à 
soma daquelas rendas recebidas pelos proprietários dos fatores de 
produção. Se o produto for avaliado aos preços de mercado, deve-
se acrescentar a essas rendas a receita auferida pelo governo, ou 
seja, os impostos indiretos, deduzidos os subsídios. Constata-se, 
então, que o valor do produto e da renda são duas medidas 
distintas do mesmo fluxo de bens e serviços gerados na atividade 
econômica. 
Muitas vezes o estudante se vê confuso diante de conceitos 
como “produto interno”, “produto líquido”, “renda nacional”, 
“renda pessoal”, e tantos outros. Mas, afinal, todos esses termos 
se referem à mesma coisa ou são conceitos e medidas diferentes? 
 5
Na realidade, todos estes conceitos referem-se a coisas 
semelhantes, mas não iguais. O que distingue um conceito do 
outro são alguns itens que entram no cálculo de um mas não 
entram no outro. Por exemplo, a diferença entre qualquer produto 
“líquido” e seu correspondente “bruto” consiste na “depreciação” 
que entra no cálculo somente deste último. 
O Quadro I, a seguir, mostra de que forma são calculados os 
diversos conceitos de produto e de renda, possibilitando uma 
comparação entre ambos. 
 
QUADRO I 
Ótica do produto Ótica da renda 
 (+)Salários pagos: 1.300 (+)Salários pagos: 1.300 
 (+)Aluguéis: 900 (+)Aluguéis: 900 
 (+)Juros: 700 (+)Juros: 700 
 (+)Lucros 1.100 (+)Lucros: 1.100 
 = Produto Interno Líquido 
 a custo de fatores(cf): 4.000 = Renda Interna Líquida: 4.000 
 (+) Depreciação: 300 (+) Depreciação: 300 
 =Prod. Interno Bruto(cf):4.300 =Renda Interna Bruta: 4.300 
 (-) Renda líquida enviada (-) Renda líquida enviada 
 ao exterior: -200 ao exterior: -200 
=Prod. Nacional Bruto (cf):4.100 =Renda Nacional Bruta: 4.100 
 (+) Impostos indiretos(*): 600 (-) Depreciação: -300 
 (-) Subsídios: -100 =Renda Nacional líquida: 3.800 
=Prod.Nacional Bruto(pm):4.600 (-) Lucros retidos: -500 
 (-) Contr.Previdendenciárias:-700
(+) Transferências Govern.: 600 
 (+) Transf. Empresariais: 100 
 = Renda Pessoal: 3.300 
 (-) Impostos diretos(**): 400 
 = Renda Pessoa Disponível: 2.900 
(*) IPI/ICMS/ISS (**) IR/IPVA/IPTU 
 
 
 
 
Pelo Quadro I, acima, pode-se concluir que: 
 6
a) A diferença entre o produto a custo de fatores e o 
produto a preços de mercado reside na inclusão, neste 
último, dos impostos indiretos e na retirada dos subsídios. 
b) A diferença entre o produto interno e o produto nacional 
e entre a renda interna e a renda nacional reside na renda 
líquida enviada ao exterior. 
c) A diferença entre o produto líquido e o produto bruto 
reside na depreciação; 
 
De uma forma geral, nos Estados Unidos e outros países 
desenvolvidos, utiliza-se mais comumente, para efeito de análise 
da atividade econômica, o conceito de Produto Nacional Bruto 
(PNB). Isso se explica porque o PNB desses países costuma ser 
maior que o seu PIB – porque eles recebem mais renda do exterior 
do que enviam para o exterior. 
Já nos países subdesenvolvidos, o Brasil entre eles, usa-se 
geralmente o conceito de Produto Interno Bruto (PIB) - que, no 
caso desses países, costuma ser maior que o PNB, uma vez que a 
renda que esses países recebem do exterior tende a ser menor 
que a renda por eles enviada ao exterior. 
 
A Ótica das Despesas 
 
Como foi dito anteriormente, o valor do produto é igual ao valor 
da renda gerada e, por sua vez, é igual à despesa agregada, isto 
é, ao valor do fluxo de bens e serviços transacionados na 
economia. 
As despesas agregadas se compõem das seguintes categorias 
de gastos: 
a) Despesas pessoais de consumo (C) – incluindo aí os 
gastos das famílias com bens de consumo (alimentos, 
automóveis, etc.) e serviços (saúde, lazer, etc.). 
b) Investimento privado bruto (I) – incluindo edificações, 
fábricas, equipamentos, máquinas e variações de estoques. 
Vale lembrar que só são computados os bens e serviços 
“novos”, isto é, produzidos e vendidos (ou comprados) no ano 
considerado. Assim, a compra de um edifício com 5 anos de 
construção, ou de um carro usado não é computada no valor 
 7
do PIB deste ano. Isto porque o valor deste edifício e deste 
carro já foi apurado no PIB do ano em que foram produzidos. 
c) Gastos do governo (G) – incluem os dispêndios do governo 
com os seguintes itens: 
 i) despesas correntes - aí incluídas as compras de bens e 
serviços para o funcionamento normal das agências 
governamentais e o pagamento de funcionários civis e 
militares. 
 ii) despesas de capital - compra de bens e serviços voltados 
para investimentos (construção de escolas, hospitais, 
estradas, etc.). Não entram nestes gastos do governo: as 
transferências governamentais, nem os dispêndios das 
empresas públicas (tipo Petrobrás, Vale do Rio Doce, 
Eletrobrás, etc.). Estes últimos são contabilizados no setor 
secundário, como setor privado. 
d) Exportações líquidas (X - M) – aqui entendidas como o 
valor total das exportações de bens e serviços menos o valor 
das importações de bens e serviços. 
 Ou seja, pela ótica ou abordagem da despesa, o valor do 
produto interno bruto, a preços de mercado, é dado pela equação 
abaixo: 
 PIBpm= C + I + G + X - M 
 
4.4. O Valor Adicionado 
 
 Para calcular o valor do PIB, todos os bens e serviços devem 
ser contados só uma e única vez. Para tanto, deve-se computar 
somente os valores dos bens finais já que estes incluem todos os 
custos intermediários (matérias-primas) das diversas etapas do 
processo produtivo. 
 Assim, por exemplo, as estatísticas oficiais contam o valor do 
pão vendido ao consumidor, mas não somam a este valor o preço 
da farinha de trigo, já que este está incluído no preço final do pão. 
Da mesma forma, se se computa o preço do automóvel vendido ao 
consumidor, não se deve adicionar a este o preço do aço e outros 
 8
componentes do carro. Do contrário, haveria o problema da “dupla 
contagem”. 
Aparentemente, a maneira mais fácil de se medir o valor do PIB 
é considerar os valores dos bens finais. Mas, alternativamente, 
pode-se chegar ao mesmo resultado somando o “valor adicionado” 
pela empresa em cada estágio do processo produtivo. 
Valor adicionado é igual ao valor do produto vendido pela 
empresa menos o custo dos produtos intermediários comprados 
pela empresa e seus fornecedores. 
 
Um exemplo de cálculo do valor adicionado: 
 
Tabela 1 
 
(PRODUÇÃO HIPOTÉTICA DE CIGARROS) 
 
 
 
Pela Tabela 1, verifica-se que o valor do PIB é igual ao valor do 
bem final (=100), vendido pela loja ou bar ao consumidor. 
Alternativamente, se somarmos os valores adicionados ou 
acrescidos por cada empresa em cada etapa ou estágio, 
encontraremos o mesmo valor para o produto (24 + 27 + 18 + 12 
+ 19 = 100). 
 
 
 
 9
4.5. Produto nominal X produto real 
 
 O valor do produto varia de um ano para outro. Geralmente, 
o valor do produto no ano t é nominalmente maior do que o valor 
do produto registrado no ano t–1, isto é, no ano anterior. Esta 
diferença de valor pode ser explicada por duas variáveis: por 
variação dos preços (P) e/ou por variações nas quantidades 
produzidas (Q). 
 A partir desta constatação, é possível distinguir dois 
conceitos muito importantes da contabilidade nacional: o produto 
nominal e o produto real. 
 O produto nominal – também chamado de produto a preços 
correntes - corresponde ao valor do produto medido aos preços 
vigentes no ano de referência. Matematicamente, é obtido pelo 
somatório do valor da produção de todos os bens e serviços finais 
de uma economia. Ou formalmente: 
 Produto nominal = ∑ Pi x Qi 
onde i varia de 1 a n produtos. 
 Pela fórmula acima, verifica-se que o produto nominal pode 
aumentar ou diminuir em função tanto dos preços quanto das 
quantidades produzidas dos bens e serviços finais. 
 Já o produto real – também chamado de produto a preços 
constantes - corresponde à quantidade física de bens e serviços 
produzidos pela economia. Ou seja, o produto real somente varia 
se houver uma variação na quantidade física efetivamente 
produzida. E parece óbvio que quanto maiores as quantidades 
produzidas de todos os bens ou serviços, maiores e melhores são 
as condições médias de vida dos cidadãos, já que aumentos na 
produção implicam aumentos no nível de renda e, por 
conseqüência, do nível de consumo da população. 
 Assim, o que interessa saber não é se o produto nominal está 
crescendo de um ano para o outro – já que este aumento pode ser 
causado simplesmente por um aumento dos preços – e sim saber 
se o produto real está também crescendo ou não. 
 10
 Como o valor do produto nominal de um determinado ano 
embute variações no nível médio de preços e também eventuais 
variações no quantum físico produzido, para que possamos saber o 
valor do produto real daquele ano e podermos verificar se este 
valor é ou não maior do que o do ano anterior, é necessário que 
sejam anuladas ou isoladas as variações no produto provocadas 
por variações nos preços. Se fizermos isso, qualquer variação para 
mais ou para menos no valor do produto será explicada por 
variações nas quantidade produzidas. Este processo não é muito 
complicado. Ao contrário, é até muito simples, conforme 
mostraremos a seguir. 
 Considere, primeiramente, os dados constantes da Tabela 2, 
abaixo: 
Tabela 2 
 
(1) 
Anos 
(2) 
Produto 
nominal 
 (R$ mil) 
(3) 
Deflator 
implícito do 
Produto 
(4) 
Produto real 
(base: 2001) 
(5) 
Taxa de 
crescimento 
real (%) 
1999 
2000 
2001 
2002 
2003 
275.000 
343.750 
395.312 
420.080 
454.430 
132,0 
158,4 
177,4 
191,6
202,5 
369.583 
384.982 
395.312 
388.946 
398.103 
-- 
4,2 
? 
? 
? 
 
 A título de exercício, suponha que, para os anos 
compreendidos entre 1999 e 2003, o produto nominal registrou os 
valores que aparecem na Coluna 2. Como se pode ver, os valores 
nominais do produto cresceram muito de um ano para o outro – o 
que certamente pode ser explicado por aumentos de preços e 
também por aumentos na quantidade física de bens e serviços 
produzidos. Temos, então, de isolar ou eliminar as variações do 
produto nominal causadas por aumentos de preços – o chamado 
“efeito-preço”. Depois que fizermos isso, as eventuais diferenças 
entre os valores do produto de um ano para o outro serão 
 11
creditadas exclusivamente a variações no quantum físico 
produzido – isto é, no produto real. 
 Para eliminarmos o efeito-preço, é preciso que adotemos um 
índice de preços qualquer. No caso do produto interno ou nacional, 
geralmente é utilizado o chamado deflator implícito do produto 
(DIP) – que é calculado tomando por base as variações de preços 
dos produtos agrícolas, dos produtos industriais e dos serviços 
(setores que formam o PIB), ponderados pelo tamanho de cada 
setor. 
 Por hipótese, imaginamos que o índice médio anual do DIP 
que, num determinado ano-base, digamos 1995, era 100,0, com o 
aumento dos preços registrou, de 1999 a 2003, os valores 
constantes da Coluna 3, da Tabela 2. A diferença percentual do 
índice de um ano para o outro seria, grosso modo, a taxa de 
inflação do ano, medida por este DIP. 
 Vamos, então, calcular agora o valor do produto real para 
cada ano daquela série. Para tanto, já temos duas variáveis 
importantes: os valores do produto nominal e o índice de preços. 
Para encontrarmos o valor do produto real usamos a seguinte 
técnica: 
 1° - escolhemos um determinado ano da série para servir 
como referência ou, como se diz em economia, como ano-base. 
Esta escolha é aleatória, podendo ser qualquer ano. No exemplo 
acima, tomamos como ano-base o ano de 2001; 
 2° - uma vez escolhido o ano-base, o próximo passo é 
multiplicar o valor do produto nominal de cada ano pelo índice de 
preço do ano-base (no caso presente, por 117,4) e dividir o 
resultado encontrado pelo índice de preço do respectivo ano. Para 
um melhor entendimento, vamos achar o valor do produto real do 
ano 2000: 
 1° passo: multiplicamos o valor do produto nominal deste 
ano – 343.750 – por 177,4, encontrando 60.981.250; 
 2º passo: dividimos o valor encontrado acima pelo índice de 
preço do ano 2000, ou: 
 12
 60.981.250 : 158,4 = 384.982 >> que é o valor do produto 
real do ano 2000, quando medido aos preços vigentes no ano 
2001. 
 Procedendo assim para todos os demais anos da série, 
encontramos os valores constantes da Coluna 4. Pelo que se pode 
verificar, agora os valores dos produtos são mais próximos um do 
outro, já não havendo as discrepâncias observadas nos valores do 
produto nominal da Coluna 2 – discrepâncias estas decorrentes 
das variações de preço de um ano para outro. 
 Como, agora, todos os produtos estão medidos aos preços 
vigentes em 2001 (ano escolhido para ser o ano-base), qualquer 
diferença entre eles é real. Para calcularmos a taxa de crescimento 
real de um ano para o outro, basta dividir o valor do produto real 
do ano t+1 pelo valor produto real do ano t; em seguida, 
subtraímos uma unidade do quociente encontrado e multiplicamos 
o resultado por 100. 
 Vamos calcular, por exemplo, a taxa de crescimento real em 
2000: 
 384.982 : 369.583 = 1,0417 
 1,0417 – 1,0 = 0,0417 
 0,0417 x 100 = 4,17% ou 4,2%. 
 Deixamos para você o cálculo da taxa de crescimento real 
para os demais anos1. 
 
4.6. As Contas Nacionais do Brasil 
 
 As Contas Nacionais do Brasil sempre foram calculadas pela 
Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), mas a partir 
de 1986, esta tarefa passou a ser da responsabilidade do Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
 O Sistema de Contas Nacionais no Brasil adotado pelo IBGE, 
segue grosso modo o sistema criado por Richard Stone que é, 
também, o sistema adotado e recomendado pelas Nações Unidas 
 
1 Você acertou se encontrou os seguintes resultados: 2,7% para 2001; -1,6% para 2002 e 2,4% para 2003. 
 13
para seus países-membros – sistema este que se baseia em 
quatro contas, a saber: 
i. Conta 1 – Produto Interno Bruto (ou Conta da 
Produção); 
ii. Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta (ou Conta 
da Apropriação); 
iii. Conta 3 – Conta de Capital; 
iv. Conta 4 – Conta Transações Correntes com o Resto do 
Mundo. 
 Existe, ainda, uma Conta 5 – que corresponde à Conta do 
Governo – mas que é apresentada à parte, denominada Conta 
Corrente das Administrações Públicas – e cujos lançamentos 
não têm contrapartida com as demais contas do Sistema de 
Contas Nacionais. 
 Os lançamentos dos valores dessas contas seguem os 
preceitos contábeis das partidas dobradas que obedecem a dois 
princípios: 
i) em cada conta, o total de débitos deve ser igual ao total 
de créditos; 
ii) a todo crédito lançado em um conta corresponde um 
débito lançado em outra conta e vice-versa. 
 Com essas considerações, apresentamos, a seguir, um 
modelo das Contas Nacionais utilizado no Brasil, tendo como 
referência as quatro Contas mencionadas acima, além da Conta do 
Governo, seguido de um comentário sucinto sobre cada Conta. 
 (Observação: Estas contas são mostradas aqui mais para você ter uma visão de 
como são apresentadas as Contas Nacionais do Brasil, do que por qualquer outra razão. 
Você não deve se preocupar muito em entender essas contas, exceto, talvez, no tocante à 
Conta de Capital (formação bruta de capital fixo X poupança) que, recorrentemente tem 
sido objeto de questões nas provas de concursos públicos de Macroceconomia). 
 
 
 14
Conta 1 – Conta Produto Interno Bruto 
Débito Crédito 
1.1.Produto Interno Bruto, a custo de 
fatores (2.4) 
 1.1.1.Remuneração dos empregados 
 (2.4.1) 
1.1.1. Excedente operacional bruto 
 (2.4.2) 
1.2. Tributos Indiretos (2.7) 
1.3. (-) Subsídios (2.8) 
 
1.4. Consumo Final das Famílias (2.1) 
1.5. Consumo Final das Administrações 
Públicas (2.2) 
 1.6.Formação Bruta de Capital Fixo (3.1) 
1.7. Variação de estoques (3.2) 
1.8. Exportações de Bens e Serviços 
não-fatores (4.1) 
1.9. (-) Importações de Bens e Serviços 
não-fatores (4.5) 
Produto Interno Bruto (PIB) Dispêndio Correspondente ao PIB 
 Comentários: Como se pode ver, a Conta do Produto Interno 
Bruto apresenta, do lado do débito, o pagamento das empresas aos 
fatores de produção, valendo observar que o excedente operacional 
bruto corresponde a todas as rendas pagas na economia, excluídos os 
salários e ordenados pagos aos empregados. Ainda do lado do débito 
são somados os impostos indiretos (IPI/ICMS/ISS) e retirados os 
subsídios. O resultado final corresponde, assim, ao produto interno 
bruto a preços de mercado. 
 Do lado do crédito, o que as empresas receberam dos agentes que 
adquiriram os bens e serviços finais que elas produziram, perfazendo o 
chamado “dispêndio correspondente ao PIB” – que, em termos 
econômicos, equivale à despesa interna bruta, a preços de mercado. 
 Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta 
Débito Crédito 
2.1. Consumo final das famílias (1.4) 
2.2. Consumo final das adm.públicas (1.5) 
2.3. Poupança bruta (3.3) 
2.4. Produto Interno Bruto a custo de fa- 
 tores (1.1) 
 2.4.1.Remuneração dos empregados 
 (1.1.1) 
 2.4.2. Excedente operacional bruto 
 (1.1.2) 
2.5. Remuneração de empregados, líquida, 
 recebida do Resto do Mundo(4.2-4.6) 
2.6.Outros rendimentos, líquidos,
recebi- 
 dos Resto do Mundo (4.3-4.7) 
2.7. Tributos indiretos (1.2) 
2.8. (-) Subsídios (1.3) 
2.9. Transferências unilaterais, líquidas, 
 recebidas do Resto do Mundo(4.4-4.8) 
Utilização da Renda Nacional 
Disponível Bruta 
Apropriação da Renda Nacional 
Disponível Bruta 
 15
 
Comentários: A conta acima descreve, do lado do débito, como as 
famílias e o governo utilizam a renda recebida – destinando parte ao 
consumo e parte à poupança; já do lado do crédito, aparecem as rendas 
recebidas pelas famílias e pelo governo (impostos líquidos dos subsídios) 
mais o resultado líquido dos recebimentos e transferências do e para o 
exterior. 
 
Conta 3 – Conta de Capital 
Débito Crédito 
3.1. Formação bruta de capital fixo (1.6) 
3.1.1 Construção 
3.1.1.1 Administrações públicas 
3.1.1.2 Empresas e famílias 
3.1.2 Máquinas e equipamentos 
3.1.2.1 Administrações Públicas 
3.1.2.2 Empresas e famílias 
3.1.3 Outros 
3.2. Variação dos estoques (1.7) 
3.3. Poupança bruta (2.3) 
3.4. Menos: Saldo em transações corren- 
 tes com o Resto do Mundo (4.9) 
Acumulação Bruta Interna Financiamento da Acumulação 
Bruta Interna 
Comentários: Na Conta de Capital, são lançados do lado do débito as 
aplicações da economia na formação bruta de capital fixo (investimentos 
brutos) e nas variações de estoques (contabilmente considerados como 
investimentos para as empresas); já do lado do crédito, são lançadas as 
fontes de financiamento daquelas aplicações, constituídas da poupança 
bruta da economia (valendo notar que esta é composta pela poupança 
bruta do setor privado - que é igual à poupança líquida do setor privado 
mais a depreciação - mais a poupança do Governo em conta corrente), 
mais a poupança externa – representada esta última pelo saldo em 
conta corrente do balanço de pagamentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 16
Conta 4 – Transações Correntes com o Resto do Mundo 
Débito Crédito 
4.1. Exportações de bens e serviços (1.8) 
4.2. Remuneração dos Empregados rece- 
 bida do Resto do Mundo (2.5 + 4.6) 
4.3. Outros rendimentos recebidos do 
 Resto do Mundo (2.6 + 4.7) 
4.4. Transferências unilaterais recebidas 
 do Resto do Mundo (2.9 + 4.8) 
 
4.5. Importações de bens e serviços (1.9) 
4.6. Remuneração dos empregados paga 
 ao Resto do Mundo (4.2 – 2.5) 
4.7. Outros rendimentos pagos ao Resto 
 do Mundo (4.3 – 2.6) 
4.8. Transferências Unilaterais pagas ao 
 Resto do Mundo (4.4 – 2.9) 
4.9. Saldo das transações correntes com o 
 Resto do Mundo (3.4) 
Recebimentos Correntes Utilização dos recebimentos 
correntes 
Comentários: Nessa conta, são registrados, do lado do débito, os 
gastos dos não-residentes (estrangeiros) com a aquisição dos bens e 
serviços produzidos internamente (exportações de bens e serviços), 
além dos rendimentos e transferências (rendas e donativos) recebidos 
do Resto do Mundo. Do lado do crédito, são lançados os pagamentos 
pelos bens e serviços importados pelo país, mais as rendas e 
transferências (doações) enviadas para o Resto do Mundo, aparecendo, 
ainda, deste lado, o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente. 
 
 
A conta corrente das Administrações Públicas 
 
Comentário: A Conta Corrente das Administrações Públicas é 
apresentada em separado, complementando as quatro contas 
anteriores, e nela são mostradas as transações correntes do governo. 
Do lado do débito, são lançados os itens de despesa do governo – 
traduzidas no consumo final (que é composto dos gastos correntes com 
pessoal e na compra de bens e serviços), além do subsídios concedidos 
pelo governo ao setor produtivo e aos consumidores, mais as 
transferências (sendo essas constituídas das pensões e aposentadorias 
pagas pelo INSS) e o pagamento de juros da dívida interna pública que, 
tecnicamente são também considerados como transferências do governo 
ao setor privado. Note-se que nesta conta não aparecem as despesas de 
capital do governo que, na realidade são incluídas no item “formação 
bruta de capital fixo”, na Conta Produto Interno Bruto. 
Do lado do crédito, aparecem as receitas correntes do governo, aí 
incluídos os impostos indiretos e diretos e outras receitas correntes – 
valendo lembrar que as contribuições previdenciárias estão incluídas 
nessas últimas. 
 
 17
 
Conta Corrente das Administrações Públicas 
Débito Crédito 
Consumo final das Administrações Públicas 
 .Salários e encargos 
 .outras compras de bens e serviços 
Subsídios 
Transferência de Assistência e Previdência 
Juros da Dívida Pública Interna 
Poupança em Conta Corrente 
Tributos indiretos 
Tributos diretos 
Outras receitas correntes líquidas 
Total da utilização da receita corrente Total da receita corrente 
 
 
4.7. O investimento bruto total e a poupança da 
economia 
 
 Um tópico que, recorrentemente, tem aparecido nas provas 
de Macroeconomia é a questão do investimento bruto2 versus a 
formação da poupança necessária para ao seu financiamento. 
 O investimento total bruto da economia – que 
corresponde aos gastos totais da economia com bens de capital 
(máquinas, equipamentos, edificações, construções de 
infraestrutura) assim se decompõe: 
i) Investimento bruto – que é constituído pelos 
investimentos do governo e do setor privado; e, 
ii) Variação de estoques. 
 
Investimento bruto X investimento líquido 
 O termo investimento bruto corresponde, em Economia, às 
compras de bens de capital novos pelas empresas e pelo governo, 
com o objetivo de ampliar ou melhorar a sua capacidade 
produtiva. 
 
2 Na Contabilidade nacional, o investimento bruto é chamado de “formação bruta de capital fixo”. Para 
efeitos didáticos, continuaremos usando neste texto o termo “investimento bruto” – que é o mais comumente 
usado nos textos de macroeconomia. 
 18
 Ocorre, no entanto, que uma parte dos bens de capital em 
uso na economia sofre desgaste físico no processo produtivo – o 
que representa uma perda ou decréscimo no valor do estoque de 
capital. A esse fenômeno se dá o nome de depreciação. 
 Se retirarmos do investimento bruto o valor da depreciação, 
encontraremos o chamado investimento líquido – que representa o 
acréscimo líquido ocorrido no estoque de capital da economia no 
período considerado. 
Ou seja, 
 Investimento bruto menos depreciação = investimento líquido 
 Um exemplo: Suponha que a economia disponha de 20 
máquinas no início do ano, sendo este, portanto, o seu estoque de 
capital naquele momento. Se, ao longo do ano, são produzidas e 
compradas cinco máquinas novas, mas duas das máquinas 
existentes no início do ano, de tanto serem usadas, se tornam 
imprestáveis para a produção e têm de ser substituídas por duas 
das máquinas novas, teremos a seguinte situação: 
 O investimento bruto da economia foi de 5 máquinas novas, 
mas o investimento líquido foi de apenas 3 novas máquinas – que 
corresponde ao acréscimo de fato ocorrido no estoque de capital. 
 
A variação de estoques X o investimento 
 Quando a produção não é totalmente vendida no ano, 
ocorrem as chamadas variações positivas de estoques na 
economia. Esses bens que não foram vendidos, estarão 
certamente disponíveis para vendas no futuro mais ou menos 
breve. Mas, até que isso aconteça, essas variações de estoques 
constituem um aumento no patrimônio das empresas e, como tal, 
são consideradas como investimento da economia. 
 Somando-se esta variação de estoques aos investimentos 
brutos, tem-se o chamado investimento total. 
 
 
 
 
 
 19
A poupança da economia 
 
 E de onde vêem os recursos para financiar o investimento da 
economia? A resposta é muito simples: da poupança. 
 Numa economia aberta e com governo, a poupança da 
economia vem de
quatro fontes principais: 
i) poupança líquida do setor privado – que se compõe 
da poupança das famílias – que corresponde à parte da 
sua renda que elas não gastam e que geralmente é 
aplicada no mercado financeiro – e da poupança das 
empresas – que resulta dos lucros não-distribuídos; 
ii) depreciação3; 
iii) poupança do governo em conta corrente (Sg); 
iv) poupança externa (Se) – que corresponde à 
diferença entre os recebimentos e os pagamentos 
efetuados pelo Resto do Mundo relativos às transações 
correntes4 
 
 A soma da poupança líquida do setor privado com a 
depreciação é denominada de poupança bruta do setor privado 
(Sp). 
 Por outro lado, a soma da poupança bruta do setor privado 
com a poupança do governo em conta corrente é denominada de 
poupança interna bruta ou simplesmente poupança interna. 
 
 
A identidade entre a poupança e o investimento 
 
 As definições contidas no item anterior podem, 
contabilmente, ser resumidas no seguinte quadro – que 
poderíamos chamar de Conta Consolidada de Capital: 
 
 
3 Lembre-se que as empresas registram a depreciação, em sua contabilidade, como uma despesa, mas na 
verdade isso não representa nenhum desembolso monetário para a empresa – resultando, assim, em última 
análise, como mais um recurso à disposição da empresa para o financiamento de seus investimentos. 
4 Observe-se que uma “poupança externa positiva” equivale, na verdade, a um déficit no Balanço de 
Pagamentos em Conta Corrente do país. Ou seja, o país estará, nesta hipótese, recebendo poupança exaterna 
para financiar seus gastos a maiores. 
 20
Gastos de investimento Poupança 
Investimento bruto / setor privado(Ip) 
Investimento do governo (Ig) 
Variação de estoques (∆est) 
 
Poupança bruta do setor privado (Sp)1 
Poupança do governo em c.corr. (Sg) 
Poupança externa (Se) 
 
Investimento total bruto Poupança total 
1 Lembre-se que a poupança bruta do setor privado é igual à soma da poupança 
líquida + a depreciação. 
 
Logo, 
 Ip + Ig + ∆est. = Sp + Sg + Se (1) 
 
Para simplificar, podemos incluir a variação de estoques no item 
“investimento privado” (Ip), assim: 
 Ip + Ig = Sp + Sg + Se (2) 
 
 Déficit público 
 Uma observação importante que deve ser feita é que a 
poupança do governo em conta corrente, registrada nas contas 
nacionais, é o resultado apenas da receita corrente do governo 
menos os seus gastos correntes (gastos de custeio, subsídios, 
transferências e pagamento de juros), não se computando os 
gastos com bens de capital, isto é, os gastos de investimento do 
governo. 
 Para se apurar o déficit do governo – ou melhor, o déficit 
público (DP) - é necessário acrescentar as despesas de 
investimento do governo àqueles gastos correntes, deduzindo o 
total encontrado da receita corrente do governo. Ou, dito de outra 
forma: 
 DP = Ig – Sg (3) 
 E substituindo a equação (3) na equação (2) e mudando as 
variáveis de lado, pode-se ter: 
 Ig – Sg = Sp + Se – Ip 
Ou, 
 DP = (Sp – Ip) + Se (4). 
 
 21
 Pela equação (4), pode-se perceber que, pela ótica da 
Contabilidade Nacional, o déficit público é financiado pelo excesso 
da poupança bruta sobre o investimento privado e pela poupança 
externa, isto é, pela poupança do Resto do Mundo – que, como já 
foi dito, corresponde ao déficit do país no balanço de transações 
correntes. 
 
4.8. Carga Tributária 
 
Um tema que tem sido objeto de discussões permanentes na 
sociedade é a questão do alto nível de impostos cobrados pelo 
governo, isto é, a carga tributária. Alguns afirmam que a carga 
tributária no Brasil é por demais elevada; outros afirmam 
exatamente o contrário. 
Obviamente, quando se diz que a carga tributária é elevada ou 
é baixa, deve-se ter em mente algum padrão de comparação. No 
caso, a comparação é com outros países. Mas, para que esta 
comparação seja feita, é necessário que todos os países usem o 
mesmo critério de cálculo, do contrário estaremos comparando 
laranjas com abacaxis. Assim, o que se tem feito é seguir os 
modelos aceitos pelas Nações Unidas no tocante aos critérios de 
medição das contas nacionais. 
Com relação à carga tributária, há dois conceitos: o de carga 
tributária bruta (CTB) e o de carga tributária líquida (CTL). Para o 
cálculo desses dois conceitos, usam-se as seguintes fórmulas: 
 
 CTB = Total de impostos 
 
PIBpm 
 
CTL = Total de impostos – transferências – subsídios 
 PIBpm 
 
Vale lembrar que no total dos impostos devem ser incluídos os 
impostos diretos e indiretos bem como as contribuições 
previdenciárias. 
No Brasil, de acordo com as estatísticas oficiais, a carga 
tributária (bruta e líquida) cresceu sistematicamente nas últimas 
 22
três décadas, acentuando-se este crescimento mais ainda a partir 
do governo Fernando Henrique. As estatísticas indicam que, ao 
final de 2004, a carga tributária bruta atingiu algo como 38% do 
PIB – a mais alta entre todos os países em desenvolvimento e uma 
das maiores do mundo, equiparando-se à de países altamente 
desenvolvidos, como a Suécia e Noruega – países onde o retorno 
que a sociedade recebe do setor público – sob a forma de 
educação, saúde, lazer, transporte coletivo – é reconhecidamente 
elevado, nada comparado com o que ocorre em países como o 
Brasil onde serviço prestado pelo Governo à população está longe 
de ser satisfatório. 
 
______________________ 
 
EXERCÍCIOS DE REVISÃO: 
 
I) Exercícios resolvidos: 
 
-- CCoomm bbaassee nnooss sseegguuiinntteess ddaaddooss hhiippoottééttiiccooss ddaass ccoonnttaass nnaacciioonnaaiiss,, rreessppoonnddaa ààss qquueessttõõeess ddee 11 
aa 1100:: 
 
ssaalláárriiooss ppaaggooss ppeellaass eemmpprreessaass pprriivvaaddaass:: 330000 
ssaalláárriiooss ppaaggooss ppeelloo ggoovveerrnnoo:: 111100 
ddeepprreecciiaaççããoo ddooss eeqquuiippaammeennttooss 4400 
jjuurrooss:: 110000 
lluuccrrooss ttoottaaiiss:: 440000 
aalluugguuééiiss:: 115500 
rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr:: 5500 
iimmppoossttooss ddiirreettooss:: 9900 
iimmppoossttooss iinnddiirreettooss:: 220000 
ssuubbssííddiiooss:: 5500 
ccoonnttrriibbuuiiççõõeess pprreevviiddeenncciiáárriiaass:: 7700 
lluuccrrooss rreettiiddooss:: 115500 
ccoommpprraass ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss ppeelloo ggoovveerrnnoo:: 9900 
ffoorrmmaaççããoo bbrruuttaa ddee ccaappiittaall ffiixxoo ((FFBBKKFF)):: 112200 
eexxppoorrttaaççõõeess:: 118800 
iimmppoorrttaaççõõeess:: 113300 
ggaassttooss ddee ccoonnssuummoo pprriivvaaddoo:: 880000 
ttrraannssffeerrêênncciiaass ggoovveerrnnaammeennttaaiiss:: 111100 
ttrraannssffeerrêênncciiaass eemmpprreessaarriiaaiiss:: 3300 
 
 
 23
11.. OOss ggaassttooss ddee ccoonnssuummoo ddoo ggoovveerrnnoo ee ssuuaa ppoouuppaannççaa ssããoo,, rreessppeeccttiivvaammeennttee:: 
aa)) 9900 ee 1100;; bb)) 111100 ee 9900;; cc)) 220000 ee 1100;; dd)) 220000 ee 00;; ee)) 1100 ee 55.. 
SSoolluuççããoo:: ((AA ssoolluuççããoo ddooss eexxeerrccíícciiooss ddee 11 aa 55 ppooddee sseerr eennccoonnttrraaddaa nnoo QQuuaaddrroo II,, ddoo tteexxttoo)):: 
--OOss ggaassttooss ddee ccoonnssuummoo ddoo ggoovveerrnnoo ssããoo ccoonnssttiittuuííddooss ddaass ddeessppeessaass ccoomm ppeessssooaall mmaaiiss aass 
ccoommpprraass ddee bbeennss oouu sseerrvviiççooss,, oouu sseejjaa:: 
 111100 ++ 9900 == 220000 
--JJáá aa ppoouuppaannççaa ddoo ggoovveerrnnoo éé oobbttiiddaa,, ddeedduuzziinnddoo--ssee ddaa aarrrreeccaaddaaççããoo ttoottaall
((qquuee éé iigguuaall àà 
ssoommaa ddooss iimmppoossttooss ddiirreettooss ++ iinnddiirreettooss ++ ccoonnttrriibbuuiiççõõeess pprreevviiddeenncciiáárriiaass ++ oouuttrraass 
rreecceeiittaass ccoorrrreenntteess,, ssee hhoouuvveerr)) mmeennooss aass ddeessppeessaass ccoorrrreenntteess (( == ggaassttooss ddee ccoonnssuummoo ++ 
ttrraannssffeerrêênncciiaass ++ ssuubbssííddiiooss)),, oouu sseejjaa:: 
TToottaall ddee iimmppoossttooss:: 9900 ++ 220000 ++ 7700 == 336600 
DDeessppeessaass ccoorrrreenntteess:: 220000 ++ 111100 ++ 5500 == 336600 
LLooggoo,, 336600 –– 336600 == 00 >>>> oouu sseejjaa,, aa ppoouuppaannççaa éé zzeerroo.. 
AA rreessppoossttaa,, ppoorrttaannttoo,, éé aa lleettrraa dd.. 
 
 
22.. OO pprroodduuttoo nnaacciioonnaall bbrruuttoo aa pprreeççooss ddee mmeerrccaaddoo éé iigguuaall aa:: 
aa)) 11..220000;; bb)) 11..330000;; cc)) 11..110000;; dd)) 11..440000;; ee)) 11..550000.. 
 
SSoolluuççããoo:: NNoo ccáállccuulloo ddoo PPNNBBppmm eennttrraamm ooss iimmppoossttooss iinnddiirreettooss mmeennooss ooss ssuubbssííddiiooss 
((ppoorrqquuee éé aa pprreeççooss ddee mmeerrccaaddoo)),, ++ ddeepprreecciiaaççããoo ((ppoorrqquuee éé pprroodduuttoo bbrruuttoo)) ee mmeennooss aa 
rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr ((ppoorrqquuee éé nnaacciioonnaall)).. LLooggoo:: 
 PPNNBBppmm == PPIILLccff ++ ddeepprreecciiaaççããoo ++ iimmppoossttooss iinnddiirreettooss –– ssuubbssííddiiooss ++ rreennddaa rreecceebbiiddaa ddoo 
eexxtteerriioorr –– rreennddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr.. 
 OO PPIILLccff == SS ++ AA ++ JJ ++ LL == 441100 ++ 115500 ++ 440000 ++ 110000 == 11..006600 
 PPNNBBppmm == 11006600 ++ 4400 ++ 220000 –– 5500 –– 5500 == 11..220000.. 
 AA rreessppoossttaa,, ppoorrttaannttoo,, éé aa lleettrraa aa.. 
 
 
33.. AA rreennddaa nnaacciioonnaall llííqquuiiddaa:: 
aa)) 11..000000;; bb)) 11..001100;; cc)) 11..002200;; dd)) 11..003300;; ee)) 11..004400.. 
 
SSoolluuççããoo:: AA rreessppoossttaa ccoorrrreettaa éé aa lleettrraa bb.. DDeeiixxaammooss ppaarraa vvooccêê aa ssoolluuççããoo ddeessttaa qquueessttããoo.. 
PPaarraa ttaannttoo,, ccoonnssuullttee oo QQuuaaddrroo II,, ddoo tteexxttoo.. 
 
 
44.. AA rreennddaa ppeessssooaall ddiissppoonníívveell ((RRPPDD)) éé:: 
aa)) 881100;; bb)) 885500;; cc)) 991100;; dd)) 995500;; ee)) 884400.. 
 
SSoolluuççããoo:: PPeelloo QQuuaaddrroo II,, aa RRPPDD éé aassssiimm eennccoonnttrraaddaa:: 
PPaarrttiinnddoo ddaa rreennddaa nnaacciioonnaall llííqquuiiddaa ((eennccoonnttrraaddaa nnaa qquueessttããoo 33,, aanntteerriioorr)),, ddeevveemm sseerr 
ddeedduuzziiddooss:: -- ooss lluuccrrooss rreettiiddooss ((LLRR));; 
-- ccoonnttrriibbuuiiççõõeess pprreevviiddeenncciiáárriiaass ((CCPP));; 
-- ooss iimmppoossttooss iinnddiirreettooss((iimmpp..iinndd..));; 
 ee ssoommaaddaass:: aass ttrraannssffeerrêênncciiaass ggoovveerrnnaammeennttaaiiss ((TTGG)) ee aass ttrraannssffeerrêênncciiaass eemmpprreessaarriiaaiiss 
((TTEE)),, ssee hhoouuvveerr.. AAssssiimm:: 
 RRPPDD == RRNNLL –– LLRR –– CCPP –– IImmpp.. DDiirr.. ++ TTGG ++ TTEE 
 24
 RRPPDD == 11..001100 –– 115500 -- 7700 –– 9900 ++ 111100 ++ 3300 
 RRPPDD == 884400 ee,, ppoorrttaannttoo,, aa rreessppoossttaa ccoorrrreettaa éé aa lleettrraa ee.. 
 
 
55.. AA ddeessppeessaa nnaacciioonnaall,, eexxcclluussiivvee vvaarriiaaççããoo ddee eessttooqquueess,, éé:: 
aa)) 994400;; bb)) 886600;; cc)) 11..110000;; dd)) 11..004400;; ee)) 11..225500.. 
 
SSoolluuççããoo:: AA rreessppoossttaa ccoorrrreettaa éé aa lleettrraa cc.. DDeeiixxaammooss ppaarraa vvooccêê aa ssoolluuççããoo ddeessttaa qquueessttããoo,, 
lleemmbbrraannddoo qquuee ssee ttrraattaa ddee ddeessppeessaa nnaacciioonnaall,, ee,, ppoorrttaannttoo,, vvooccêê ddeevvee iinncclluuiirr nnoo ccáállccuulloo aa 
rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa aaoo eexxtteerriioorr.. 
 
 
OObbsseerrvvaaççããoo:: aass rreessppoossttaass ddaass qquueessttõõeess ddee 66 aa 1111 eennccoonnttrraamm--ssee aaoo ffiinnaall ddeessttaa sséérriiee.. AAnntteess 
ddee rreessoollvveerr eessttaass qquueessttõõeess,, rreelleeiiaa aa ppaarrttee ddoo tteexxttoo ssoobbrree PPrroodduuttoo NNoommiinnaall ee PPrroodduuttoo RReeaall.. 
 
66.. OO ccoonncceeiittoo ddee PPIIBB rreeaall ppeerr ccaappiittaa ccoonnssiissttee:: 
aa)) nnoo vvoolluummee ttoottaall ddee mmeerrccaaddoorriiaass ee sseerrvviiççooss ffiinnaaiiss ppoorr hhaabbiittaannttee,, aavvaalliiaaddoo aa ppaarrttiirr ddoo 
pprroodduuttoo aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess;; 
bb)) nnaa mmeeddiiddaa ddoo ddeesseennvvoollvviimmeennttoo eeccoonnôômmiiccoo ee ssoocciiaall ddee uummaa ssoocciieeddaaddee;; 
cc)) nnoo iinnddiiccaaddoorr ddaa eevvoolluuççããoo ddee pprreeççooss ddaa eeccoonnoommiiaa;; 
dd)) ooss iitteennss bb ee cc eessttããoo ccoorrrreettooss;; 
ee)) nneennhhuummaa ddaass aalltteerrnnaattiivvaass aanntteerriioorreess.. 
 
77.. AAssssiinnaallee aa úúnniiccaa aaffiirrmmaattiivvaa iinnccoorrrreettaa.. 
aa)) OOss pprreeççooss ssee aalltteerraamm ee,, ppoorr iissssoo,, aass aalltteerraaççõõeess nnoo vvaalloorr ddoo PPIIBB nnããoo iinnddiiccaamm ddee mmooddoo 
pprreecciissoo aass mmooddiiffiiccaaççõõeess ddaa pprroodduuççããoo ffííssiiccaa oouu ddoo pprroodduuttoo rreeaall.. 
bb)) PPrroodduuttoo rreeaall éé oo pprroodduuttoo mmeeddiiddoo ccoomm ooss pprreeççooss mmaannttiiddooss ccoonnssttaanntteess,, ccoommoo ssee eesstteess 
nnããoo ttiivveesssseemm ssee aalltteerraaddoo ddee uumm aannoo ppaarraa oouuttrroo.. 
cc)) AAss aalltteerraaççõõeess ddoo pprroodduuttoo rreeaall ddããoo uummaa bbooaa iinnddiiccaaççããoo ddaa vvaarriiaaççããoo ddaa pprroodduuççããoo ffííssiiccaa 
eennttrree ddooiiss ppeerrííooddooss.. 
dd)) AAss vvaarriiaaççõõeess ddoo pprroodduuttoo rreeaall ssããoo oo rreessuullttaaddoo ddaa vvaarriiaaççããoo ffííssiiccaa ee ddooss pprreeççooss ddoo 
pprroodduuttoo.. 
ee)) OO pprroodduuttoo nnoommiinnaall iinnccoorrppoorraa aass vvaarriiaaççõõeess ffííssiiccaass ee ddee pprreeççooss ddoo pprroodduuttoo.. 
 
88.. NNoo aannoo--bbaassee qquuee ttiippoo ddee rreellaacciioonnaammeennttoo eexxiissttee eennttrree oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess ee oo PPIIBB aa 
pprreeççooss ccoonnssttaanntteess:: 
aa)) oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess >> oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess;; 
bb)) oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess == oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess;; 
cc)) oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoonnssttaanntteess << oo PPIIBB aa pprreeççooss ccoorrrreenntteess;; 
dd)) ooss ddooiiss PPIIBBss nnããoo ssããoo rreellaacciioonnaaddooss;; 
ee)) ooss ddooiiss PPIIBBss sseemmpprree tteerrããoo vvaalloorreess ddiissttiinnttooss.. 
 
99.. AA ddiiffeerreennççaa eennttrree oo PPIIBB ee oo PPNNBB éé eexxpprreessssaa:: 
aa)) ppeellaa ddiiffeerreennççaa eennttrree aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass;; 
bb)) ppeellaa rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa ((oouu rreecceebbiiddaa)) ddoo eexxtteerriioorr;; 
cc)) ppeellaa ddiiffeerreennççaa eennttrree aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess
ddee mmeerrccaaddoorriiaass ee sseerrvviiççooss;; 
dd)) ppeelloo vvaalloorr ddaa ddeepprreecciiaaççããoo;; 
 25
ee)) ppeellaa ddiiffeerreennççaa eennttrree iimmppoossttooss iinnddiirreettooss ee ssuubbssííddiiooss.. 
 
1100.. AAssssiinnaallee aa ooppççããoo ccoorrrreettaa.. 
aa)) AAss ttrraannssffeerrêênncciiaass llííqquuiiddaass ddee rreennddaa aaoo eexxtteerriioorr eeqquuiivvaalleemm àà ddiiffeerreennççaa eennttrree rreennddaass 
ddee ffaattoorreess pprroodduuttiivvooss ppaaggooss aaoo eexxtteerriioorr ee rreennddaass ddee ffaattoorreess rreecceebbiiddaass ddoo eexxtteerriioorr.. 
bb)) EEmm uummaa eeccoonnoommiiaa aabbeerrttaa,, aass eexxppoorrttaaççõõeess rreepprreesseennttaamm uummaa pprrooppoorrççããoo ccoonnssttaannttee ddoo 
PPIIBB.. 
cc)) EEmm ggeerraall,, nnaass eeccoonnoommiiaass ddeesseennvvoollvviiddaass,, oo PPNNBB éé mmeennoorr qquuee oo PPIIBB.. 
dd)) AA rreennddaa llííqquuiiddaa eennvviiaaddaa oouu rreecceebbiiddaa ddoo eexxtteerriioorr ccoorrrreessppoonnddee,, eemm vvaalloorr,, àà ddiiffeerreennççaa 
eennttrree oo ttoottaall ddaass eexxppoorrttaaççõõeess ee oo ttoottaall ddaass iimmppoorrttaaççõõeess.. 
ee)) TTooddaass aass aaffiirrmmaattiivvaass eessttããoo eerrrraaddaass.. 
 
1111.. SSee uummaa eemmpprreessaa ccoommpprraa uummaa mmeerrccaaddoorriiaa ppoorr CCRR$$ 22..000000,,0000 ee aappeennaass aa rreevveennddee,, sseemm 
qquuaallqquueerr ttrraannssffoorrmmaaççããoo ffííssiiccaa,, ppoorr CCRR$$ 22..550000,,0000,, eennttããoo oo vvaalloorr aaggrreeggaaddoo oouu aaddiicciioonnaaddoo 
ppeellaa eemmpprreessaa éé iigguuaall aa:: 
aa)) zzeerroo;; bb)) 22..550000;; cc)) 550000;; dd)) 44..550000;; ee)) 22..000000.. 
 
 
GGaabbaarriittoo ddaass qquueessttõõeess ddee 66 aa 1111:: 
66.. aa;; 77.. dd;; 88.. bb;; 99.. bb;; 1100.. bb;; 1111.. aa 
 
Até a semana que vem, com a nossa 5ª aula – que 
versará sobre o Balanço de Pagamentos e Taxa de 
Câmbio. Um abraço para você, e até lá!
 26
 
 
CURSOS ON-LINE – ECONOMIA – PROF. MOZART FOSCHETE 
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Aula 5: O Balanço de 
Pagamentos e a taxa de 
câmbio 
 
 
Vamos, nesta nossa 5ª Aula, falar um 
pouco sobre comércio exterior. Em comércio 
exterior, apenas dois tópicos têm sido objeto 
de questões de provas de concursos públicos: 
o balanço de pagamentos e sua estrutura e a 
taxa de câmbio e sua influência sobre o 
balanço de pagamentos de um país. 
A gente começa, primeiramente, pelo 
Balanço de Pagamentos, sua estrutura e 
composição e, depois, tratamos da taxa de 
câmbio. Então vamos lá. 
 
 
II – Balanço de Pagamentos 
 
 
 
5.1 Conceitos Básicos 
 
O que é e para que serve o Balanço de Pagamentos? A resposta 
é muito simples: 
O Balanço de Pagamentos (BP) de um país nada mais é que 
um registro sistematizado de todas as transações comerciais e 
financeiras de um país com o resto do mundo. Ou, de acordo com 
a definição mais técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), e 
adotada pelo Banco Central do Brasil, o 
Balanço de Pagamentos consiste no registro 
sistemático de todas as transações econômicas 
realizadas, durante um certo período, entre 
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residentes do país e residentes de outros países ditos 
estrangeiros.” 
O propósito principal desse registro é informar às autoridades 
monetárias sobre a situação das contas externas do país, de modo 
a auxiliá-las na formulação das políticas monetária, fiscal, cambial 
e comercial. 
Objetivamente, o BP contém o registro contábil de todas as 
transações de bens e serviços, as transferências de propriedades, 
as variações de ouro monetário, as transferências unilaterais de 
divisas e as variações de Direitos Especiais de Saque (DES) de 
uma economia com o resto do mundo. 
Os componentes do Balanço de Pagamentos são comumente 
apresentados em coluna, sendo os valores lançados em diferentes 
grupos de contas. Como conseqüência da adoção do critério das 
“partidas dobradas”, a soma do saldo de todas as contas, em seu 
conjunto, deve necessariamente ser igual a zero. 
Note-se que, a despeito dos esforços do FMI, a estrutura e o 
registro do BP ainda diferem de um país para outro. Neste texto, 
seguiremos a estrutura e nomenclatura adotada pelo Banco 
Central do Brasil. 
 
5.2. A contabilidade do Balanço de Pagamentos 
 
No BP, utilizando o sistema de registro contábil, todas as 
transações são registradas com duas entradas - ou seja, o sistema 
de "partidas dobradas": uma a débito e outra a crédito. Em 
conseqüência, contabilmente, o BP está sempre em equilíbrio, o 
que não significa que tenha havido equilíbrio de fato entre 
pagamentos e recebimentos do exterior. 
Normalmente, qualquer transação de um residente no país 
com um residente no exterior gera um "haver" (direito) ou uma 
"obrigação", no exterior. Assim, por exemplo, uma venda de café 
ao exterior (exportação) dá lugar a um "haver" e é registrada a 
crédito, com sinal positivo, na balança comercial. 
Simultaneamente, haverá um registro, com sinal negativo, na 
conta "haveres em moeda no exterior", significando uma saída 
dessas divisas para aplicação nas reservas do país no exterior. 
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Isso se explica pelo simples fato de que as divisas (digamos, 
dólares) não entram, de fato, no país: elas são depositadas numa 
conta do banco brasileiro (que intermediou a operação) em um 
banco conveniado no exterior (Citybank, Bankboston, Credit 
Lyonais, Mitsubishi Bank, etc). Assim, contabilmente, o Banco 
Central registra a “entrada” (sinal positivo) das divisas no item 
“exportações” da balança comercial e, simultaneamente, registra 
sua saída no item “haveres em moeda no exterior”, com sinal 
negativo. O sinal desta saída é negativo, mas na verdade, significa 
que as reservas do Brasil, no exterior, se elevaram naquele 
instante. 
Inversamente, a compra de uma máquina do exterior por um 
residente no país (uma importação) gera uma "obrigação" e é 
lançada a débito no item "importações", da balança comercial, 
com sinal negativo, e a crédito, isto é, com sinal positivo, na 
conta "haveres em moeda no exterior". Contabilmente, significa 
que foram sacadas divisas de nossas reservas no exterior, que 
foram internalizadas no País (por isso o sinal positivo) para 
pagamento da importação da máquina. O sinal positivo neste item 
“haveres em moeda no exterior” significa que houve uma 
diminuição das reservas internacionais aplicadas no exterior. 
Observe-se, então, que a contrapartida (partidas dobradas) destas 
duas transações corresponderá, no caso, a um movimento de 
capitais, já que os pagamentos não são realizados em moedas e 
sim através de movimentação de contas bancárias. 
 
 
5.3. A estrutura do balanço de pagamentos 
 
O BP é constituído de diversas contas e subcontas, sendo duas 
as contas principais: a Conta (ou balança) de Transações 
Correntes e a Conta de Capital, como se vê na Tabela 5.1. 
De acordo com os critérios de escrituração ou de 
contabilização adotados pelo Banco Central, algumas observações 
se fazem necessárias, relativamente às principais contas do 
Balanço de Pagamentos que aparecem naquela Tabela, a saber: 
 A- Conta de transações correntes 
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 Trata-se, sem dúvida, da mais importante conta do BP, e 
engloba todas as transações de mercadorias e serviços e as 
transferências unilaterais. Um superávit na conta de transações 
correntes significa
que o país "vendeu" mais mercadorias e 
serviços do que "comprou" do exterior, possibilitando ao país 
quitar obrigações contraídas anteriormente, ou adquirir ativos no 
exterior ou, ainda, aumentar suas reservas internacionais. Se for 
registrado um déficit em conta corrente, as implicações serão 
opostas às acima mencionadas. Conforme você pode observar na 
Tabela 5.1. a conta de transações correntes – ou, simplesmente, 
conta corrente do BP - se compõem de: 
 1. Balança comercial 
 A balança comercial registra todas as transações referentes 
somente às exportações e importações de mercadorias. Como foi 
descrito acima, se uma determinada importação foi paga à vista, a 
operação é registrada a débito (sinal negativo) em “importações” e 
a crédito (sinal positivo) no item “haveres em moeda no exterior”. 
Caso essa importação seja financiada - isto é, não envolve 
pagamentos à vista e, portanto, não afeta a posição das reservas 
internacionais do país (haveres em moeda no exterior) - faz-se o 
lançamento a débito em "importações" e a crédito em 
"financiamentos", na conta de capital. 
2. Balança de serviços 
 Com relação ao registro dos diversos itens da conta de 
serviços, vale mencionar o seguinte: 
 i) Transportes: inclui todas as receitas e despesas com frete 
e o valor das passagens de viajantes, desde que se trate de uma 
operação entre um residente e um não-residente. Ou seja, a 
compra de uma passagem aérea da VARIG, para a França, por 
brasileiro residente no Brasil, não será registrada no BP. Mas, se 
ele comprar esta passagem da Air France, ainda que seja no Brasil 
e em reais (R$), tal operação será devidamente registrada na 
conta de “transportes”. 
 
 TABELA 5.1 
__________________________________________________ 
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 ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTOS 
 
A) Balança de transações correntes (=1+2+3) 
 1. Balança Comercial (=a+b) 
 a) Exportações 
 b) Importações 
 2. Balança de Serviços (=a+b+c+d+e+f+g) 
 a) transportes (fretes/passagens) 
 b) seguros 
 c) viagens internacionais (turismo) 
 d)despesas governamentais (embaixadas,consulados, etc) 
 e) pagamento de juros da dívida externa 
 f) remessa de lucros e dividendos 
 g)outros serviços(royalties,patentes,bolsas de estudos,etc) 
 3. Transferências unilaterais (donativos) 
 
 B) Conta de capitais (autônomos) 
 a) empréstimos de médio e longo prazos 
 b) financiamentos 
 c) investimentos e reinvestimentos diretos 
 d) amortização da dívida externa 
 e) outros capitais (de curto prazo). 
 
 C) Erros e omissões 
 D) Resultado do Balanço de Pagamentos (=A+B+C) 
 E) Demonstrativo do Resultado do Balanço de Pagamentos 
 (capitais compensatórios) 
 a) Operações de regularização (FMI, BIRD, BID) 
 b)Haveres em moeda no exterior:aumento(-)ou redução(+) 
 c) Ouro monetário: aumento (-) ou redução (+) 
 d) Direitos especiais de Saque (DES) 
 
 
 
 
 ii) Viagens internacionais: registra as despesas e receitas 
com viajantes, não incluídas no item anterior, isto é, em 
“transportes”. Exemplos: a compra de US$ 4.000,00 para viagem 
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de um brasileiro ao exterior ou a troca de dólares por reais feita 
por turistas estrangeiros numa agência bancária no Brasil. 
 iii) Lucros e dividendos: refere-se à parte dos lucros que as 
empresas multinacionais, com investimentos no Brasil, remetem 
ao exterior (despesa) ou que empresas brasileiras, com 
investimento no exterior, remetem para o Brasil (receita). Note-se 
que os "lucros reinvestidos"- isto é, a parte dos lucros que não foi 
efetivamente remetida ao exterior - é registrada, também, como 
remessa de lucros (sinal negativo), sendo, em contrapartida, 
registrada como uma entrada (sinal positivo) no item 
"investimentos e reinvestimentos diretos", da conta de capital. Tal 
procedimento se explica pela necessidade de se manter um 
controle mais objetivo dos investimentos estrangeiros no país. 
 iv) Juros: refere-se ao pagamento dos juros da dívida 
externa (despesa) e dos juros de financiamentos de importações 
adquiridas a prazo. Se o país receber juros de fora, o registro, 
claro, é feito com sinal positivo. 
 v) Despesas governamentais: referem-se aos gastos com 
manutenção de embaixadas, consulados, etc., no exterior 
(despesas) e aos recebimentos de outros países para suas 
representações diplomáticas no Brasil (receitas). 
 3. Transferências unilaterais 
 Trata-se de donativos ou doações, sem a contrapartida de 
pagamentos por parte de quem recebe. Se forem feitas em 
moeda, o registro é normal, ou seja, a crédito - se for um 
recebimento, - e a débito - se for uma saída, lançando-se o 
mesmo valor, com sinal trocado em "haveres em moeda no 
exterior". Se a doação for em espécie, isto é, em mercadorias, são 
feitos dois lançamentos: se se tratar de uma entrada ou 
recebimento de doações, faz um registro a débito em importações, 
e outro a crédito (sinal positivo) em "doações", não alterando, 
assim, o resultado do BP. 
 
 
 B. Conta de Capitais (autônomos) 
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 Esta conta registra apenas o movimento dos chamados 
capitais autônomos- isto é, os capitais que entram ou saem como 
resultado da livre operação das forças de mercado (oferta e 
demanda). Neste sentido, distinguem-se dos chamados capitais 
compensatórios - que são os capitais movimentados 
exclusivamente pelo Banco Central e que aparecem no 
"Demonstrativo do Resultado do BP". 
Fazem parte da Conta de Capitais autônomos os seguintes 
movimentos financeiros: 
 a) Empréstimos: registra os empréstimos de curto, médio e 
longo prazos, obtidos junto aos bancos privados, no exterior. 
 b) Financiamentos: referem-se aos financiamentos de 
importações adquiridas para pagamento a prazo. Neste caso, como 
já foi dito, há, também, dois registros: um a débito, em 
"importações", e outro, a crédito, em "financiamentos". 
 c) Investimentos e reinvestimentos diretos: referem-se 
aos chamados "capitais de risco" que as empresas estrangeiras 
aplicam no Brasil (entrada), ou que empresas nacionais aplicam no 
exterior (saída). Note-se que essas aplicações tanto podem ser no 
setor produtivo, como podem ocorrer no mercado de capitais 
(bolsas de valores) ou em títulos do mercado financeiro. 
 d) Amortizações: referem-se ao pagamento (ou 
recebimento) de parte do principal da dívida externa ou de 
financiamentos concedidos anteriormente. 
 
 C - Erros e Omissões 
 
 Como os registros do BP são feitos com base em estimativas 
– ainda que bastante seguras - há sempre a possibilidade de 
"desvios" nos lançamentos. Assim, é provável que os dados sobre 
uma ou outra ou outra operação não seja oportuna e devidamente 
registrada, existindo, inclusive, a hipótese de operações ainda em 
“trânsito” que não foram ainda registradas em todos os 
computadores dos diversos órgãos envolvidos com o comércio 
exterior. Este item procura minimizar os efeitos de tais falhas. 
 
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 D - Resultado do Balanço de Pagamentos 
 A soma do saldo em Transações Correntes mais o saldo da 
Conta de Capitais, mais Erros e Omissões, fornece o resultado do 
BP. Sendo positivo, o Balanço de Pagamentos terá um superávit; 
se for negativo, haverá um déficit; e se for nulo (isto é, um saldo 
zero), haverá um equilíbrio. 
 
 E- Demonstrativo do Resultado do BP 
 Se houver um equilíbrio no BP, as contas do Demonstrativo 
do Resultado não serão
alteradas. Se, no entanto, houver um 
déficit, o Demonstrativo mostrará como foi financiado este déficit; 
e se houver um superávit, o Demonstrativo indicará para onde foi 
enviado o saldo positivo obtido. Para tanto, existem as seguintes 
sub-contas: 
 a) Contas de regularização: referem-se às operações com 
organismos internacionais (FMI, Banco Mundial, Banco 
Interamericano de Desenvolvimento, Eximbanks, etc), tendo como 
objetivo financiar possíveis déficits do BP. Note-se que tais 
operações podem ocorrer mesmo se, ao final, o BP registrar um 
superávit, dado que tais financiamentos são contratados 
preventivamente, antes de se fechar o BP. 
 b) Haveres em moeda no exterior: as Autoridades 
Monetárias dispõem de um estoque de moedas estrangeiras e de 
títulos externos de curto prazo aplicados no exterior, como 
resultado de superávits do BP de anos anteriores. Assim, se o BP 
apresentar um superávit, haverá um aumento desses haveres e o 
valor aparecerá com sinal negativo (indicando uma saída de 
haveres para o exterior). Se houver um déficit, o contrário 
ocorrerá. 
 c) Ouro monetário: registra as aquisições de ouro não-
monetário e as vendas de ouro pelas autoridades monetárias. No 
primeiro caso, o registro é feito com sinal negativo no item 
“variações” (saída de divisas) e, com sinal positivo no item 
“monetização do ouro”; no segundo caso, com sinal positivo no 
item “variações” (entrada de divisas) e, com sinal negativo, em 
“desmonetização do ouro”. 
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 d) Direitos Especiais de Saque (DES) - trata-se de um 
tipo de moeda escritural criada pelo Fundo Monetário 
Internacional. O país dispõe de um fundo de recursos em DES, no 
FMI, e pode movimentá-lo se necessário. 
 
5.4.Um exemplo numérico 
 
Para facilitar a compreensão da estrutura do balanço de 
pagamentos e seus respectivos lançamentos contábeis, vamos dar 
um exemplo numérico hipotético. Assim, suponhamos que as 
operações entre residentes e não-residentes de um certo país 
foram, em determinado ano, as seguintes (valores em dólares): 
 i) o país importa mercadorias no valor de 300 milhões, 
sendo 250 milhões com pagamento à vista e 50 milhões 
financiados a longo prazo; 
ii) o país recebeu 30 milhões em investimento direto, sendo 
10 milhões sem cobertura cambial, isto é, sob a forma de 
equipamentos. 
iii) as exportações do país atingiram, no período, 350 
milhões, pagas à vista; 
iv) o país pagou, à vista, 30 milhões de fretes; 
v) o país remeteu ao exterior 60 milhões, sendo 30 milhões 
referentes a juros da dívida externa; 20 milhões de 
remessas de lucros e 10 milhões de amortizações. 
vi) o país recebeu 15 milhões como donativos, sendo que 5 
milhões foram em espécie, isto é, em mercadorias. 
vii) o FMI emprestou ao país 25 milhões para a regularização 
do déficit do BP. 
viii) os gastos de turistas estrangeiros no país atingiram a 
soma de 5 milhões, enquanto os turistas nacionais 
gastaram no exterior 10 milhões. 
ix) o país fez empréstimos no exterior no montante de 15 
milhões. 
 
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A tabela a seguir mostra a contabilização das operações 
acima: 
Contabilização do Balanço de Pagamentos 
_____________________________________________________ 
 _____Operações________________ 
 i ! ii ! iii ! iv ! v ! vi ! vii ! viii ! ix 
--------------------------------------------------------------------------
Exportações +350 
Importações -300 -10 -5 
Fretes -30 
Juros -30 
Lucros -20 
Amortizações -10 
Transferências Unilat. +15 
Turismo de brasileiros -10 
Turismo de estrangeiros +5 
Empréstimos do exterior +15 
Empréstimos do FMI +25 
Financiamentos +50 
Investimentos diretos +30 
Haveres no exterior+250 -20 –350 +30 +60 -10 -25 -5 -15 
_____________________________________________________ 
 
 A montagem do balanço de pagamentos fica, então, assim: 
 A - Balança de Transações Correntes (= 1+2+3)..: -35 
 1. Balança comercial: +35 
 a) Exportações: +350 
 b) Importações: -315 
 2. Balança der serviços: -85 
 a) Fretes: -30 
 b) Juros: -30 
 c) Lucros: -20 
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 d) Turismo: -5 
 3. Transferências unilaterais: +15 
 B - Conta de Capitais (autônomos)..: +85 
 a) Empréstimos do exterior: +15 
 b) Financiamentos: +50 
 c) Investimentos diretos: 30 
 d) Amortizações: -10 
 C - Resultado do balanço de pagamentos (= A+B)..:+50 
 D- Demonstrativo do Resultado:-50 
 a) Empréstimos do FMI: +25 
 b) Haveres no exterior: -75 
 
5.5. Transações Sobre a Linha e Sob a Linha 
 
As transações internacionais de um país podem ser 
classificadas em duas categorias: 
a) Transações sobre (ou acima) da linha - também 
chamadas operações autônomas, são aquelas transações que se 
realizam entre residentes e não-residentes, motivadas apenas 
pelas forças de mercado, espontaneamente, sem interferência das 
Autoridades Monetárias. São exemplos das transações sobre a 
linha: as exportações, as importações, a captação de empréstimos 
por empresas nacionais, os investimentos diretos, os 
financiamentos, o pagamento de transportes, os seguros, as 
viagens internacionais1, etc.. 
b) Transações sob ou abaixo da linha - também chamadas 
de movimentos compensatórios ou induzidos de capitais, são 
aquelas operações destinadas a cobrir eventuais déficits do 
balanço de pagamentos (ou a aplicar eventuais superávits). Estas 
operações são decorrentes do saldo (positivo ou negativo) das 
transações autônomas. São exemplos de tais transações os 
empréstimos obtidos pelas Autoridades Monetárias junto ao FMI 
 
1 Embora, tecnicamente, o termo “operações autônomas” se aplique a todas essas operações de mercado, 
geralmente o termo é aplicado mais aos movimentos de capitais privados. 
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com a finalidade de financiar déficits do BP, ou ainda, as variações, 
para mais ou para menos, ocorridas nas reservas internacionais do 
país (inclusive ouro monetário). 
Note-se que esses "movimentos compensatórios ou induzidos" 
são sempre um resultado da ação das Autoridades Monetárias para 
equilibrar o BP ou mesmo para a formação de reservas 
internacionais. 
 
5.6. Conceito de equilíbrio do balanço de pagamentos 
 
Quando o BP está em equilíbrio? 
Em princípio, considera-se o BP em equilíbrio quando a soma 
do saldo da Conta de Transações Correntes com o saldo da Conta 
de Capitais (mais erros e omissões) se anulam. 
Um segundo conceito seria aquele que considera o BP sempre 
em equilíbrio, após o movimento de capitais compensatórios - isto 
é, após a Conta do Demonstrativo do Resultado. Alega-se, para 
tanto, que, por definição, o BP sempre é encerrado em equilíbrio, 
já que eventuais déficits decorrentes da soma das transações 
correntes e da conta de capitais terão que ser cobertos ou por 
empréstimos ou por variações dos havers no exterior. 
A despeito de todos esses conceitos, o que parece importar 
mesmo é o conceito de equilíbrio da Conta de Transações 
Correntes - já que é esta conta que mostra, realmente, se o país
comprou mais mercadorias e serviços do que vendeu ao exterior - 
isto é, se o país "gastou" mais divisas do que recebeu. Isto 
porque, se houver um déficit de transações correntes, este déficit 
implicará, necessariamente, ou mais endividamento do país no 
exterior ou em mais investimentos externos no país (significando 
aumento de ativos nacionais de propriedade de estrangeiros). 
Assim considerado, é importante que o país mantenha um 
relativo equilíbrio de suas contas correntes, o que, em última 
análise, significa realizar um esforço maior para aumentar suas 
exportações de mercadorias e obter um superávit na balança 
comercial para compensar o crônico e inevitável déficit da balança 
de serviços. 
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O ajustamento do balanço de pagamentos e as principais 
políticas que se poderia adotar para se corrigir desequilíbrios 
externos da economia são descritos a seguir. 
 
5.7. O saldo em conta corrente: uma interpretação 
econômica2 
 
A balança de serviços compreende duas categorias distintas: 
i) os serviços não-fatores – que não representam 
remuneração aos fatores de produção e que são constituídos pelos 
transportes, seguros, turismo e despesas governamentais; 
ii) os serviços fatores – que representam o pagamento aos 
fatores de produção, sendo constituídos pelos juros da dívida 
externa, as remessas de lucros, os pagamentos de salários, os 
aluguéis de equipamentos, os pagamentos de assistência técnica e 
royalties. 
A balança de transações correntes, como foi visto, se 
constitui, basicamente, de vendas e de compras de bens e 
serviços ao exterior. A diferença entre os pagamentos e 
recebimentos do exterior, nessa conta, dá origem a dois conceitos 
que, embora na prática às vezes são usados como sinônimos, são 
bastante distintos do ponto de vista econômico: a transferência 
líquida de recursos e a renda líquida recebida ou enviada ao 
exterior. 
 Tecnicamente, a transferência líquida de recursos ao 
exterior corresponde à diferença entre as exportações de bens e 
serviços não-fatores e as importações de bens e serviços não-
fatores. Ou seja, corresponde ao saldo da balança comercial mais 
o saldo da balança de serviços não-fatores. A essa diferença, com 
sinal trocado, se dá o nome de hiato de recursos – que indica o 
quanto o país consome a mais sobre aquilo que produz. 
De outra parte, a renda recebida (+) ou enviada (-) ao 
exterior corresponde ao saldo de serviços fatores mais as 
transferências unilaterais. 
Assim, em síntese, tem-se: 
 
2 Vide M. H. Simonsen e R.P.Cysne – Macroeconomia – Ed. Atlas/FGV Editora, R.J., 1995, Cap. 2. 
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Saldo do BP em conta corrente = transferência líquida de 
recursos para o exterior + renda líquida recebida (ou - renda 
enviada) ao exterior. 
Tomando o exemplo do exercício numérico da seção 4.6., 
constata-se que o saldo da balança comercial era de +35; o da 
balança de serviços era igual a –85, decomposto em -35 de 
serviços não-fatores e –50 de serviços fatores (juros e lucros), 
enquanto as transferências unilaterais apresentaram um saldo de 
+15. Temos, assim: 
(a) Transferência líquida de recursos ao exterior: 0 
(b) Renda líquida enviada ao exterior: -35 
(c) Saldo do BP em conta corrente (= a + b): -35. 
 
Deste modo, pode-se afirmar que, no período considerado, 
este país não apresentou “hiato de recursos”, mas transferiu 35 de 
renda líquida para o exterior – que, nesse exemplo, corresponde 
ao saldo em conta corrente. 
 
Poupança externa 
Um aspecto importante a salientar é que, caso o país registre 
saldo negativo na conta corrente do BP, tal fato exigirá, 
necessariamente, uma entrada de capitais autônomos e/ou 
compensatórios para financiá-lo. Por essa razão, se diz que, 
economicamente, um saldo negativo em transações correntes 
significa que o país está poupança externa de igual valor, 
poupança esta que se destina ao financiamento de parte do 
investimento doméstico. Pela mesma razão, caso aquele saldo 
seja positivo, significa que o país está exportando poupança 
interna para financiar investimentos no exterior. 
Nesse raciocínio, se o país receber um volume de capitais 
autônomos maior que seu saldo negativo em conta corrente – 
apresentando, portanto, um saldo positivo no BP total – esse 
excesso de entrada de capitais externos não será absorvido pela 
economia, domesticamente, ficando depositado no exterior como 
reservas adicionais que poderão ser usadas no futuro. 
 
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II - Taxa de Câmbio 
 
5.8. Mercado cambial e taxa de câmbio: conceito 
 
Um dos aspectos que distingue o comércio internacional do 
comércio interno é o fato de que aquele envolve moedas diferentes 
de diferentes países. Quando algum brasileiro compra um aparelho 
de televisão dos Estados Unidos, ele tem de pagá-la em dinheiro 
americano, isto é, em dólar. Da mesma forma, se uma empresa 
americana desejar adquirir café brasileiro, terá que pagar sua 
transação em reais ao produtor brasileiro. É esta necessidade de 
fazer pagamentos no exterior em moedas diferentes da usada no 
próprio país que faz surgir a taxa de câmbio e o mercado cambial. 
O mercado de câmbio consiste de um grande número de 
bancos, corretores e exportadores e importadores, além do 
Tesouro Nacional e bancos centrais, interessados na compra e 
venda de divisas estrangeiras. Como todo mercado, o mercado de 
câmbio conta com uma oferta e com uma demanda de divisas ou 
moedas estrangeiras. 
Do lado dos vendedores, ou ofertadores, temos os 
exportadores, os tomadores de empréstimos no exterior, 
vendedores de serviços, turistas estrangeiros, investidores de 
capital de risco, etc.; do lado dos compradores, ou demandantes 
das divisas estrangeiras, temos os importadores, compradores de 
serviços do exterior, turistas nacionais, devedores no exterior, etc. 
Como qualquer mercadoria, a divisa estrangeira tem um preço 
(ou cotação) dado pela taxa de câmbio que pode assim ser 
definida: 
Taxa de câmbio é o preço, em termos da moeda 
nacional, de uma unidade de moeda estrangeira. 
De uma forma geral, a taxa de câmbio entre duas moedas 
quaisquer deve refletir a relação entre os preços domésticos e os 
preços praticados nos demais países, dos bens, serviços e fatores 
de produção. Neste sentido, deve-se observar que as quantidades 
de uma moeda em relação a outra, digamos, o dólar, não tem 
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qualquer significado ou implicação mais importante, pois tudo 
depende do padrão monetário interno de cada país. 
Assim, por exemplo, se a taxa de câmbio entre o iene japonês e 
o dólar americano é, hoje, de 110 ienes por dólar, isto não 
significa, em absoluto, que o iene é uma moeda “mais fraca” que a 
moeda americana. O que é, de fato, importante, é verificar se esta 
taxa ou paridade está variando e em que direção. Note-se que há 
alguns anos atrás um dólar equivalia a 220 ienes. Hoje, o iene se 
fortaleceu e o preço do dólar, na moeda japonesa, caiu a metade! 
Também é importante observar se as variações ocorridas na 
taxa de câmbio são explicadas por flutuações de mercado 
(movimentos de oferta e demanda) ou por diferenciais de inflação 
entre dois países, e se tais variações acarretam perdas ou ganhos 
reais do poder de compra da moeda nacional nas operações 
externas. Adicionalmente, não se pode classificar, a priori, tais 
variações como um mal em si, pois, às vezes, trata-se de 
correções de distorções anteriores. 
 
5.9. Sistemas cambiais 
 
A questão que, de imediato,
se coloca é: como é determinado o 
valor da taxa de câmbio entre duas moedas de dois países 
diferentes? 
Isto depende de cada país. De uma forma geral, a taxa de 
câmbio ou é determinada pelo livre funcionamento das forças de 
mercado ou é fixada e administrada pela autoridade monetária, 
isto é, pelo Banco Central. No primeiro caso, temos as chamadas 
taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes; no segundo, temos as 
taxas de câmbio fixas. Vejamos a operação de cada um desses 
sistemas. 
 
5.9.1. Taxas de câmbio fixas no padrão-ouro 
 
Para você entender melhor como são fixadas as taxas de 
câmbio, vamos relembrar um pouco como funcionava o sistema 
cambial há algumas décadas atrás. No século XIX, o sistema 
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cambial predominante era baseado no chamado “padrão-ouro”. 
Sob este sistema, as autoridades monetárias de cada nação 
fixavam o preço do ouro em termos da moeda nacional e se 
comprometiam a comprar e a vender qualquer quantidade de ouro 
a tal preço. Evidentemente, este preço era condicionado à 
quantidade de moeda circulando e à quantidade de ouro estocado 
no Banco Central do país. Dada uma certa quantidade de ouro ali 
existente, seu preço em moeda nacional seria tanto maior quanto 
maior fosse a quantidade de moeda nacional em circulação. Ou 
seja, a paridade entre a moeda nacional e o ouro dependia da 
quantidade existente de moeda e de ouro. 
A partir desta relação de preços entre o ouro e a moeda 
nacional, tornava-se fácil estabelecer a taxa de câmbio entre duas 
moedas de dois países diferentes – a chamada paridade de 
cunhagem. Uma vez assim fixada, a taxa de câmbio só podia 
variar acima ou abaixo desta paridade no montante do custo de 
embarcar ouro entre duas nações – os chamados “pontos do 
ouro”. 
Para entender melhor este sistema, suponha que a paridade 
cambial ou par metálico (no padrão-ouro) entre o dólar americano 
e o franco francês fosse a seguinte: US$ 1 = FF 5 (este valor era 
derivado do fato de que, nos Estados Unidos, um grama de ouro 
deveria custar um dólar, enquanto, na França, um grama custava 
5 francos). Caso, por qualquer razão, a demanda por dólares na 
França aumentasse, o preço da moeda americana subiria, 
digamos, para US$ 1 = FF 6, bem acima, portanto, da paridade 
metálica com o ouro. 
Vamos supor que o custo (despesas de frete, seguros, etc.) de 
se remeter ouro da França para os Estados Unidos fosse de FF 
0,50 por quantidade de ouro equivalente a um dólar. Se assim era, 
pode-se concluir que o francês preferirá comprar ouro em seu país 
e remetê-lo para pagar suas contas nos Estados Unidos, ao invés 
de trocar seis francos por um dólar. Em outras palavras, o limite 
superior de variação da taxa de câmbio de paridade era dado por 
FF 5,50 por dólar (isto é, a taxa de câmbio mais a taxa de 
transporte do ouro). Acima deste valor, era preferível trocar franco 
por ouro e remetê-lo para os Estados Unidos. 
 O mesmo raciocínio se aplicaria na hipótese de haver um 
aumento da demanda americana por franco francês, fazendo com 
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que a taxa de câmbio se reduzisse para, digamos, FF 4,00 por 
dólar. Neste caso, com o custo de enviar ouro dos Estados Unidos 
para a França situado nos mesmos FF 0,50 mencionados 
anteriormente, era preferível ao americano comprar ouro no seu 
país e remetê-lo para a França, trocando neste país um grama por 
5 francos. Como ele gastou FF 0,50 na remessa, receberia, 
liquidamente, FF 4,50 por um dólar (mais do que os FF 4,00 por 
dólar mencionado antes). 
 
 
$US
FF 
 S 
 (gold point) 5,50 
 (saída) 
 
 5,00 
 
 (gold point) 4,50 
 (entrada) D 
 
 US$ 
 Figura 5.1. 
 
Assim, no padrão-ouro, a taxa de câmbio entre duas moedas 
era relativamente fixa, podendo variar dentro de intervalos 
mínimos, definidos pelo custo de transporte do ouro de um país 
para outro. Estes limites superior e inferior para variação da taxa 
de câmbio de paridade metálica eram chamados de “pontos de 
ouro” (gold-points). No exemplo acima, e conforme mostrado na 
Figura 5.1., o limite superior seria FF 5,50 e o inferior seria FF 
4,50. 
Note-se que este sistema foi usado de forma generalizada na 
chamada “era dourada”, de 1870 a 1914. Já na década de 20 e 
início de 30 do século passado, seu uso foi esporádico, entrando 
em verdadeiro colapso durante a Grande Depressão. Depois da 2ª 
Grande Guerra, o Tratado de Bretton Woods (1944) criou um 
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sistema de câmbio fixo para os países-membros do Fundo 
Monetário Internacional (FMI), composto pela maioria das 
economias de mercado. Pelo novo acordo, cada nação deveria 
definir o valor da respectiva moeda em relação ao dólar que, por 
sua vez, era conversível em ouro à taxa fixa de US$ 35,00 por 
onça3. Depois de muitas idas e vindas, o Tratado de Bretton 
Woods caiu em 1971, quando o Presidente Nixon suspendeu a 
conversibilidade do dólar em ouro (ou seja, os Estados Unidos não 
mais converteriam dólares em ouro, seja para os governos 
estrangeiros, seja para as instituições financeiras estrangeiras ou 
não). Simultaneamente a esta medida, os Estados Unidos 
alteraram unilateralmente a paridade, isto é, a taxa de câmbio – 
do dólar em relação às demais moedas européias e japonesa. 
 
 Desde 1973, as principais moedas do mundo industrializado 
trabalham sob um esquema de câmbio flutuante, mas sob certo 
controle da autoridade monetária do país (a chamada “flutuação 
suja”), onde as principais moedas – dólar, marco alemão, franco 
francês, iene japonês – flutuam entre si, de uma forma quase 
livre, como se verá mais adiante, quando falarmos das taxas de 
câmbio flexíveis ou flutuantes. Antes, porém, convém falar um 
pouco sob um outro tipo de taxa de câmbio fixa ou administrada, 
usado nas economias em desenvolvimento. 
 
 
5.9.2. Taxa de câmbio fixa, pós-padrão-ouro 
 
A maioria dos países em desenvolvimento, o Brasil, inclusive, 
por não terem moeda conversível – isto é, uma moeda que seja 
aceita nas trocas internacionais – não pode se dar ao luxo de 
adotar um mercado cambial livre, sob o risco de se verem sem 
reservas em divisas estrangeiras na quantidade necessária para 
atender seus pagamentos no exterior. 
 
3 Vale observar que a conversibilidade do dólar em ouro era parcial, pois somente as instituições financeiras e 
governos estrangeiros poderiam fazê-lo. Os habitantes dos Estados Unidos não podiam possuir ouro 
monetário e a Reserva Federal não era obrigada a converter dólares em ouro para a população.. 
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Neste caso, esses países costumam adotar um regime cambial 
fixo, no sentido de que o valor da taxa de câmbio é determinado 
pela autoridade monetária nacional que, a princípio, deveria 
vender e comprar a moeda estrangeira, em qualquer quantidade, 
ao preço por ela fixado. Assim, por exemplo, se o Banco do México 
resolver fixar a taxa de câmbio peso mexicano/dólar a P$ 3 = 1 
US$, garantindo a conversibilidade a esta taxa, isto significa que o 
banco mexicano se compromete a vender 3 pesos por um dólar, 
ou a pagar um dólar por três pesos mexicanos. 
Na vida real, no entanto, em vários países em
desenvolvimento, 
principalmente quando enfrentam déficits no balanço de 
pagamentos, não se consegue vender ou comprar a moeda 
estrangeira pelo valor fixado oficialmente, pelo menos na 
quantidade desejada, dado que, além de fixar o valor do câmbio, 
muitas vezes a autoridade monetária limita a quantidade a ser 
transacionada no mercado oficial, dando margem, geralmente, ao 
surgimento de um mercado paralelo de divisas – o chamado 
“mercado negro”. 
Uma observação importante é que, no caso deste regime de 
câmbio fixo, o arranjo mais comum é um país definir a taxa de 
câmbio entre a moeda nacional e uma determinada moeda 
estrangeira (podendo ser o dólar ou o iene ou o franco francês, 
dependendo da área de influência econômica a que pertence o 
país), estabelecendo, após isso, as taxas de câmbio com outras 
moedas a partir da relação entre estas e a moeda estrangeira 
escolhida como “âncora”. 
Observe-se, também, que o fato de ser “fixada” pelo Banco 
Central do país não significa que a taxa de câmbio permanece 
constante para sempre. Ao contrário, seu valor pode ser alterado – 
sempre pela autoridade monetária – seja porque está havendo 
inflação doméstica, seja por questões de balanço de pagamentos. 
No caso brasileiro, por exemplo, até 1993, devido às altas taxas de 
inflação, o câmbio era alterado diariamente – o chamado sistema 
de minidesvalorizações cambiais – de forma a manter a paridade 
real do poder de compra da taxa de câmbio. 
Por fim, vale dizer ainda que, num regime de taxas de câmbio 
fixas, quando o Banco Central compra moeda estrangeira, ocorre, 
nesse momento, um aumento da chamada base monetária. Caso o 
Banco Central venda a moeda estrangeira – para importadores, 
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turistas, etc. – a base monetária se reduz. Em outras palavras, a 
oferta interna de moeda nacional aumenta ou diminui quando as 
reservas internacionais do país aumentam ou se reduzem. 
 
5.9.3. Taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes 
 
Num regime ou sistema cambial de taxas flexíveis ou 
flutuantes, o preço da divisa estrangeira, ou taxa de câmbio, é 
determinado pelo livre jogo da oferta e da demanda de moeda 
estrangeira. Imaginemos como seria determinada a taxa de 
câmbio entre o franco francês (FF) e o dólar americano (US$) no 
mercado de Paris: por trás da demanda da França por dólares está 
o desejo dos franceses de importar bens e serviços dos Estados 
Unidos e realizar outras transferências de pagamentos para este 
país. A demanda francesa por dólares tem inclinação negativa, 
como mostra a Figura 5.2, porque taxas de câmbio mais baixas 
significam que os franceses despenderão menos francos para 
adquirir produtos e serviços no mercado americano. Ou seja, os 
Estados Unidos se tornam, para os franceses, um lugar mais 
barato para se comprar e se investir. 
 
 
Figura 5.2. 
 
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De outro lado, por trás da oferta de dólares pelos Estados 
Unidos está o desejo dos americanos de importar bens e serviços 
franceses, ou de investir na França ou emprestar a empresas 
neste país. Quanto mais francos forem trocados por um dólar, 
mais atrativo se torna o mercado francês para os americanos – 
que, assim, ofertarão mais e mais dólares naquele mercado Isto 
nos fornece uma curva de oferta de dólares positivamente 
inclinado, como mostra na Figura 1. 
Como em qualquer mercado, a taxa de câmbio de equilíbrio é 
determinada pela intersecção das curvas de oferta e de demanda. 
No caso da Figura 8.2, a taxa de câmbio de equilíbrio será FF 5,50 
= 1 US$. Qualquer valor acima desta taxa implicará um excesso 
de oferta de dólares no mercado francês, enquanto qualquer valor 
abaixo implicará excesso de demanda pela moeda americana. 
Suponha, agora, que, mantida constante a demanda inicial 
(curva Do), ocorra, por qualquer razão, um aumento da oferta 
americana de dólares no mercado francês, como seria o caso de 
um aumento do fluxo turístico de americanos nos meses de verão 
europeu. Em conseqüência, a curva de oferta se deslocaria para 
S1 – o que provocará uma queda da taxa de câmbio para FF 4,00 
= 1 US$. Da mesma forma, se, por uma razão qualquer, houver 
um aumento da procura francesa por dólares, a curva de demanda 
se deslocará para a direita, para D1 – o que causará um aumento 
da taxa de câmbio para FF 6,00 = 1 US$. 
Observe-se que, num mercado cambial livre, as alterações na 
oferta e na demanda de divisas estrangeiras podem resultar tanto 
de uma variação nas transações normais realizadas com o exterior 
(aumento ou queda das exportações ou das importações, uma 
maior entrada de empréstimos ou de investimento de risco, etc.), 
como também podem ser o resultado de movimentos 
especulativos de aplicadores interessados em tirar proveito de 
diferenciais de taxas de câmbio. De todo modo, ainda que as 
flutuações cambiais não sejam incomuns, a tendência normal das 
taxas de câmbio, nos mercados livres, é a de permanecer estáveis 
a médio e longo prazos. 
Um ponto importante a observar é que, no mundo de hoje, 
praticamente inexiste um mercado onde a taxa de câmbio seja 
determinada de forma totalmente livre pelos movimentos da oferta 
e da demanda. Mesmo nos países desenvolvidos – França, Estados 
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Unidos, Inglaterra, Japão, Alemanha, Itália, etc. – o mercado 
funciona razoavelmente livre, porém sob um certo controle das 
autoridades monetárias. É a chamada “flutuação suja” dirty 
floating. O objetivo disso é o de evitar que movimentos 
especulativos provoquem distúrbios ou perturbações no mercado 
cambial internacional. 
 
5.10. Flutuações da taxa de câmbio 
 
Diversos fatores podem provocar variações rotineiras no valor 
da taxa de câmbio. Geralmente, são fatores que alteram ou 
influenciam a demanda e a oferta de divisas estrangeiras. Assim, 
por exemplo, além da taxa de câmbio, a demanda por divisas é 
afetada pelas seguintes variáveis: 
i) a expansão do produto interno (Y) do país: se o produto 
interno estiver crescendo, deve ocorrer um aumento das 
importações – o que induzirá um aumento da demanda 
por moeda estrangeira; este aumento da demanda 
provocará uma variação para mais do valor da taxa de 
câmbio; 
ii) variações do nível de preços internos (Pi) ou dos preços 
externos (Pe); caso Pi se eleve, as importações ficarão 
relativamente mais baratas – o que provocará um 
aumento das importações e, conseqüentemente, da 
demanda por divisas; caso Pe se eleve, ocorrerá o 
contrário: as importações ficarão mais caras, provocando, 
em conseqüência, uma queda nas importações e, daí, na 
demanda por divisas; 
iii) taxa de juros interna (ri) e externa (re): um aumento em ri 
certamente estimulará a entrada de mais capitais no país 
para aplicações no mercado financeiro – aumentando a 
oferta de divisas estrangeiras no mercado interno; caso a 
re se eleve, haverá um estímulo à saída de capitais para 
o exterior – o que provocará um aumento da demanda 
por divisas para esta remessa para fora. 
 Podemos resumir essas colocações afirmando que a demanda 
por divisas (Dd) pode ser representada pela seguinte equação: 
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 Dd = f(e, Y, Pi, Pe, ri, re) 
 - + + - - + 
onde, 
e = taxa de câmbio (e vem da palavra inglesa exchange, que 
significa câmbio); 
os sinais – e + querem dizer que a demanda por divisa é, 
respectivamente, crescente ou decrescente em relação à variável 
considerada. 
Essas mesmas variáveis afetam positiva ou negativamente a 
oferta de divisas, exceto que, no caso do produto, o que interessa 
não é o comportamento do produto
interno (Y) e, sim, o 
comportamento do produto ou renda do resto do mundo (YRM). 
Ou seja, a oferta de divisas (Sd) pode ser assim representada: 
 Sd = f(e, YRM, Pi, Pe, ri, re) 
 + + - + + - 
 
Representação gráfica 
 
 O efeito de eventuais mudanças nessas variáveis sobre a 
demanda e a oferta de divisas pode ser visualizado graficamente 
do seguinte modo: 
 Vamos imaginar que o mercado cambial esteja em equilíbrio 
à taxa de câmbio eo, tal como mostrado na Figura 5.3 – que nada 
mais é que uma repetição da Figura 5.2. 
 e 
 Sd 
 
 eo 
 
 Dd 
 
 Qo Q 
 Figura 5.3 
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Agora, vamos supor que ocorra um aumento dos preços internos 
(Pi)– ou seja, houve inflação interna. Nesta hipótese, como já 
vimos anteriormente, a demanda por divisas deverá aumentar – o 
que, graficamente, é representado por um deslocamento da curva 
de demanda (Dd) para a direita – enquanto a oferta de divisas 
deverá diminuir – implicando um deslocamento da curva de oferta 
(Sd) para a esquerda
4. 
 Conforme se pode observar pela Figura 5.4., o resultado 
desses deslocamentos foi um aumento da taxa de câmbio de eo 
para e1. 
 e 
 Dd1 Sd1 
 Ddo Sdo 
 e1 
 eo 
 
 
 
 Q 
 Figura 5.4. 
 Deixamos para você a análise e conclusões, caso ocorresse o 
inverso, isto é, se, ao invés de um aumento dos preços internos, 
ocorresse uma elevação dos preços dos preços externos (Pe). 
 
5.11. Apreciação e depreciação da moeda nacional e 
seus efeitos sobre o balanço de pagamentos. 
Conclusões. 
 
 No caso de um sistema de taxas de câmbio flexíveis ou 
flutuantes, caso haja um aumento no valor da taxa de câmbio, diz-
se que houve uma depreciação ou desvalorização da moeda 
nacional; ou seja, serão necessários, agora, mais unidades da 
moeda nacional para se adquirir uma unidade da moeda do outro 
país. 
 
4 Se você não entendeu o por quê desses deslocamentos dessas curvas, volte lá em nossa Aula n° 2 e releia 
este tópico. 
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 Na hipótese inversa, isto é, se houve uma redução no valor 
da taxa de câmbio, diz-se que houve uma apreciação ou 
valorização da moeda nacional. 
 De outra parte, se o sistema cambial adotado pelo país for o 
de taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes, o total de divisas 
ofertadas no mercado é, automaticamente, igualado pelo total de 
demanda por estas divisas. Isso se explica pela seguinte razão: se, 
ao preço vigente da taxa de câmbio, e por um motivo qualquer, 
houver um aumento na demanda por divisas, seu preço se elevará 
– o que deverá causar, de um lado, um aumento na oferta de 
divisas e, de outro, reduzirá, num segundo momento, uma 
redução do novo valor da taxa de câmbio, até que o mercado se 
reequilibre. 
Raciocínio inverso se aplica caso ocorra, por uma razão 
qualquer, um aumento da oferta de divisas. Nesta hipótese, o 
preço da taxa de câmbio cairá, estimulando a demanda por divisas 
e, num segundo momento, reduzindo a nova oferta de divisas (por 
que seu valor caiu) e, novamente, ao fim e ao cabo, o mercado 
achará uma nova taxa de câmbio de equilíbrio. 
 De tudo isso se conclui que, num sistema de taxas de câmbio 
flexíveis ou flutuantes, o saldo do Balanço de Pagamentos (BP) 
estará automaticamente em equilíbrio, sem necessidade de o 
Banco Central interferir ou alterar o volume das reservas 
internacionais do país, já que o total de divisas ofertadas sempre 
se igualará ao total de divisas demandadas. 
 Uma última questão antes de encerrarmos esta nossa 5ª Aula 
de Economia: Qual o sistema cambial adotado atualmente pelo 
Brasil? 
 Até 1994 – quando da implantação do Plano Real – o Brasil 
adotava o sistema de taxas de câmbio fixas ou administradas. A 
partir do Plano Real, através de um processo de ajuste sucessivo, 
o Banco Central do Brasil foi introduzindo o sistema de taxas de 
câmbio flexíveis que nunca foi, na prática, inteiramente adotado. 
Na realidade, o Brasil, hoje, utiliza um sistema que poderia ser 
chamado de “misto”, mais conhecido como flutuação suja (dirty 
floating5). Por este sistema, o Banco Central deixa que as taxas de 
 
5 O sistema de taxas de câmbio totalmente flexíveis, onde não há qualquer interferência do Banco Central – 
ou seja, o sistema “puro” é denominado clean floating (flutuação limpa). 
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câmbio flutuem ao sabor da oferta e da demanda por divisas – 
porém, dentro de um certo intervalo, com limite máximo e mínimo 
– o chamado sistema de bandas. 
 Nesse processo, se a taxa de câmbio ameaça romper o limite 
mínimo – porque há um excesso de oferta de divisas – o Banco 
Central entra no mercado comprando divisas, provocando, em 
conseqüência, uma elevação no valor da taxa de câmbio e 
evitando, assim, que o limite mínimo seja rompido. Da mesma 
forma, se houver uma ameaça de rompimento do limite máximo, o 
Banco Central entra no mercado oferecendo divisas estrangeiras, 
derrubando, assim, o valor da taxa de câmbio. 
 
Com essas colocações, encerramos esta nossa 5ª Aula. A 
seguir, são apresentados alguns exercícios de revisão e fixação 
sobre balanço de pagamentos e taxa de câmbio. Até nossa 
próxima aula. 
 
___________________ 
 
EXERCÍCIOS DE REVISÃO E FIXAÇÃO: (gabarito ao final) 
 
 
11.. CCoomm rreellaaççããoo aaooss rreeggiissttrrooss ccoonnttáábbeeiiss nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss,, eessttããoo 
ccoorrrreettaass aass aaffiirrmmaattiivvaass aabbaaiixxoo,, eexxcceettoo:: 
aa)) ttooddaass aass ttrraannssaaççõõeess ssããoo rreeggiissttrraaddaass ccoomm dduuaass eennttrraaddaass,, uummaa aa ccrrééddiittoo ee 
oouuttrraa aa ddéébbiittoo;; 
bb)) qquuaallqquueerr ttrraannssaaççããoo ddee uumm rreessiiddeennttee nnoo ppaaííss ccoomm uumm rreessiiddeennttee nnoo eexxtteerriioorr 
ggeerraa uumm ““hhaavveerr”” ((ddiirreeiittoo)) nnoo eexxtteerriioorr;; 
cc)) ssee uumm rreessiiddeennttee nnoo ppaaííss ccoommpprraarr uummaa mmááqquuiinnaa ddee uumm rreessiiddeennttee nnoo 
eexxtteerriioorr,, eessttaa ooppeerraaççããoo ggeerraarráá uummaa ““oobbrriiggaaççããoo”” nnoo eexxtteerriioorr;; 
dd)) uummaa eexxppoorrttaaççããoo éé llaannççaaddaa aa ccrrééddiittoo,, nnoo BBaallaannççoo ddoo PPaaggaammeennttoo.. 
 
22.. AA bbaallaannççaa ccoommeerrcciiaall ccoommpprreeeennddee:: 
aa)) aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss;; 
bb)) ssoommeennttee aass eexxppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass ee sseerrvviiççooss;; 
cc)) ssoommeennttee aass iimmppoorrttaaççõõeess ddee bbeennss ee sseerrvviiççooss;; 
dd)) ssoommeennttee aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee sseerrvviiççooss;; 
ee)) ssoommeennttee aass eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass.. 
 
33.. AA ccoonnttaa ddee ttrraannssaaççõõeess ccoorrrreenntteess ccoommpprreeeennddee:: 
aa)) aass bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall ee ddee ttrraannssffeerrêênncciiaass uunniillaatteerraaiiss;; 
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bb)) aass bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall
ee ddee sseerrvviiççooss;; 
cc)) aass bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall,, ddee sseerrvviiççooss ee ooss mmoovviimmeennttooss ddee ccaappiittaall;; 
dd)) ssoommeennttee ooss mmoovviimmeennttooss ddee ccaappiittaall;; 
ee)) bbaallaannççaass ccoommeerrcciiaall,, ddee sseerrvviiççooss ee ttrraannssffeerrêênncciiaass uunniillaatteerraaiiss.. 
 
44.. NNããoo ffaazz ppaarrttee ddaa ccoonnttaa ddee ttrraannssaaççõõeess ccoorrrreenntteess:: 
aa)) rreemmeessssaa ddee lluuccrrooss ee ddiivviiddeennddooss;; 
bb)) ppaaggaammeennttooss ddee jjuurrooss ddaa ddíívviiddaa;; 
cc)) eexxppoorrttaaççõõeess ee iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass;; 
dd)) iinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss;; 
ee)) vviiaaggeennss iinntteerrnnaacciioonnaaiiss.. 
 
55.. CCoonnssiiddeerraamm--ssee rreennddaass ddee ccaappiittaaiiss:: 
aa)) aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss ee aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa;; 
bb)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee lluuccrrooss;; 
cc)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss;; 
dd)) aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss ee ddee lluuccrrooss;; 
ee)) nneennhhuummaa ddaass aalltteerrnnaattiivvaass aanntteerriioorreess.. 
 
66.. NNããoo ffaazz ppaarrttee ddaa ccoonnttaa ddee sseerrvviiççooss:: 
aa)) aass rreemmeessssaass ppaarraa aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa;; 
bb)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee lluuccrrooss;; 
cc)) aappeennaass aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss;; 
dd)) aass rreemmeessssaass ddee jjuurrooss ee ddee lluuccrrooss;; 
 
77.. NNããoo ffaazz ppaarrttee ddaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss:: 
aa)) aass aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa;; 
bb)) ooss iinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss ((ccaappiittaall ddee rriissccoo));; 
cc)) ooss eemmpprrééssttiimmooss ee ffiinnaanncciiaammeennttooss ddee ccuurrttoo pprraazzoo;; 
dd)) aass rreemmeessssaass ddee lluuccrrooss ee ddee jjuurrooss;; 
ee)) ooss eemmpprrééssttiimmooss ddee lloonnggoo pprraazzoo.. 
 
88.. SSee hhoouuvveerr uumm ddééffiicciitt eemm ttrraannssaaççõõeess ccoorrrreenntteess,, oo eeqquuiillííbbrriioo ddoo BBaallaannççoo ddee 
PPaaggaammeennttooss:: 
aa)) eexxiiggiirráá,, oobbrriiggaattoorriiaammeennttee,, oo iinnggrreessssoo ddee ccaappiittaaiiss ddee rriissccoo;; 
bb)) ttaannttoo ppooddee sseerr oobbttiiddoo aattrraavvééss ddoo iinnggrreessssoo ddee ccaappiittaaiiss aauuttôônnoommooss,, ccoommoo 
ppoorr mmoovviimmeennttooss iinndduuzziiddooss ddee ccaappiittaall ((eemmpprrééssttiimmooss ooffiicciiaaiiss));; 
cc)) lleevvaarráá,, oobbrriiggaattoorriiaammeennttee,, aa uummaa rreedduuççããoo ddaass rreesseerrvvaass iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ddoo 
ppaaííss;; 
dd)) nnããoo ppooddeerráá sseerr oobbttiiddoo aa ccuurrttoo pprraazzoo;; 
ee)) ffoorrççaarráá uummaa rreedduuççããoo ddaa rreemmeessssaa ddee jjuurrooss ppaarraa oo eexxtteerriioorr.. 
 
99.. AAss vveennddaass ddee oouurroo ppeelloo BBaannccoo CCeennttrraall àà iinnddúússttrriiaa nnaacciioonnaall ssããoo rreeggiissttrraaddaass:: 
aa)) nnaa ccoonnttaa ddee sseerrvviiççooss;; 
bb)) nnaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss;; 
cc)) nnaa ccoonnttaa ““ddeessmmoonneettiizzaaççããoo”” ddee oouurroo;; 
dd)) nnaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss,, ccoommoo ssaaííddaa ddee ddiivviissaass;; 
ee)) nnããoo ssããoo rreeggiissttrraaddaass nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss.. 
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1100.. AAss ttrraannssaaççõõeess aabbaaiixxoo ssããoo rreeggiissttrraaddaass nnaa ccoonnttaa ddee sseerrvviiççooss,, ccoommoo 
““ttrraannssppoorrtteess””,, eexxcceettoo:: 
aa)) aass ddeessppeessaass ccoomm ffrreetteess ddaass mmeerrccaaddoorriiaass iimmppoorrttaaddaass;; 
bb)) aass rreecceeiittaass ccoomm ffrreetteess ddaass mmeerrccaaddoorriiaass eexxppoorrttaaddaass;; 
cc)) oo vvaalloorr ddaass ppaassssaaggeennss aaddqquuiirriiddaass ppoorr rreessiiddeenntteess ààss ccoommppaannhhiiaass aaéérreeaass PPaann--
AAmméérriiccaa;; 
dd)) oo vvaalloorr ddaass ppaassssaaggeennss aaddqquuiirriiddaass ppoorr nnããoo--rreessiiddeenntteess àà VVAARRIIGG;; 
ee)) oo vvaalloorr ddaass ppaassssaaggeennss aaddqquuiirriiddaass ppoorr rreessiiddeenntteess àà VVAARRIIGG.. 
 
1111.. SSee uummaa eemmpprreessaa mmuullttiinnaacciioonnaall oobbtteevvee uumm lluuccrroo ddee CCrr$$ 33 bbiillhhõõeess,, eemm ssuuaass 
ooppeerraaççõõeess nnoo BBrraassiill,, ee ddeecciiddee eennvviiaarr ppaarraa ssuuaa mmaattrriizz,, nnoo eexxtteerriioorr,, aappeennaass 
CCrr$$ 11 bbiillhhããoo,, rreeiinnvveessttiinnddoo nnoo BBrraassiill ooss rreessttaanntteess CCrr$$ 22 bbiillhhõõeess,, oo rreeggiissttrroo 
nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss:: 
aa)) sseerráá ffeeiittoo nnoo iitteemm ““RReemmeessssaa ddee LLuuccrrooss””,, rreeggiissttrraannddoo--ssee aappeennaass oo 
mmoonnttaannttee eeffeettiivvaammeennttee rreemmeettiiddoo;; 
bb)) sseerráá ffeeiittoo nnoo iitteemm ““RReemmeessssaa ddee LLuuccrrooss””,, rreeggiissttrraannddoo--ssee oo ttoottaall ddooss lluuccrrooss 
oobbttiiddooss,, rreeggiissttrraannddoo--ssee ccoommoo ““eennttrraaddaa””,, nnoo iitteemm ““iinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss”” oo 
mmoonnttaannttee ddoo rreeiinnvveessttiimmeennttoo;; 
cc)) nnããoo sseerráá ffeeiittoo qquuaallqquueerr rreeggiissttrroo nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss,, ppooiiss oo ccaappiittaall 
iinnvveessttiiddoo jjáá ffoorraa rreeggiissttrraaddoo nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss ddee aannooss aanntteerriioorreess;; 
dd)) ssóó ccoorrrreessppoonnddeerráá aa ppaarrttee ddoo lluuccrroo qquuee eeffeettiivvaammeennttee ffooii rreeiinnvveessttiiddaa nnoo 
ppaaííss;; 
ee)) nneennhhuummaa ddaass aalltteerrnnaattiivvaass.. 
 
1122.. NNuummaa eeccoonnoommiiaa aabbeerrttaa,, uumm ddééffiicciitt nnoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eemm ccoonnttaa 
ccoorrrreennttee ccoorrrreessppoonnddee aa:: 
aa)) uummaa eexxppoorrttaaççããoo ddee ppoouuppaannççaa ddoommééssttiiccaa qquuee ssee ccaannaalliizzaa ppaarraa iinnvveessttiimmeennttooss 
nnoo eexxtteerriioorr;; 
bb)) uummaa ssaaííddaa ddee ccaappiittaaiiss ppaarraa oo eexxtteerriioorr;; 
cc)) uummaa eelleevvaaççããoo ddoo nníívveell ddee rreesseerrvvaass iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ddoo ppaaííss;; 
dd)) uummaa iimmppoorrttaaççããoo ddee ppoouuppaannççaa eexxtteerrnnaa,, qquuee ssee ccaannaalliizzaa ppaarraa iinnvveessttiimmeennttooss 
ddoommééssttiiccooss.. 
 
1133.. NNaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss nnããoo ssããoo rreeggiissttrraaddooss:: 
aa)) oo mmoovviimmeennttoo ddee ccaappiittaaiiss aauuttôônnoommooss;; 
bb)) ooss ffiinnaanncciiaammeennttooss ddee iimmppoorrttaaççõõeess aaddqquuiirriiddaass ppaarraa ppaaggaammeennttoo aa pprraazzoo;; 
cc)) ooss iinnvveessttiimmeennttooss ee rreeiinnvveessttiimmeennttooss ddiirreettooss;; 
dd)) aass aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa eexxtteerrnnaa;; 
ee)) oo mmoovviimmeennttoo ddee ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss,, iissttoo éé,, iinndduuzziiddooss ppaarraa aa 
rreegguullaarriizzaaççããoo ddooss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss.. 
 
1144.. AAss ““ccoonnttaass ddee rreegguullaarriizzaaççããoo”” rreeffeerreemm--ssee:: 
aa)) ààss ooppeerraaççõõeess ccoomm oorrggaanniissmmooss iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ((FFMMII,, BBIIRRDD,, eettcc..)),, ccoomm oo 
oobbjjeettiivvoo
ddee ffiinnaanncciiaarr ppoossssíívveeiiss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; 
bb)) ààss ooppeerraaççõõeess ddee aammoorrttiizzaaççõõeess ddaa ddíívviiddaa eexxtteerrnnaa;; 
cc)) ààss vvaarriiaaççõõeess ppaarraa mmaaiiss oouu ppaarraa mmeennooss ddooss hhaavveerreess ddaass aauuttoorriiddaaddeess 
mmoonneettáárriiaass nnoo eexxtteerriioorr;; 
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dd)) aaooss mmoovviimmeennttooss ddee ““oouurroo mmoonneettáárriioo””.. 
 
1155.. AAss ooppeerraaççõõeess aabbaaiixxoo ssããoo eexxeemmppllooss ddee ““ttrraannssaaççõõeess ssoobbrree ((oouu aacciimmaa)) aa 
lliinnhhaa””,, eexxcceettoo:: 
aa)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess eennvvoollvveennddoo aa bbaallaannççaa ccoommeerrcciiaall;; 
bb)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess eennvvoollvveennddoo aa bbaallaannççaa ddee sseerrvviiççooss;; 
cc)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess mmoottiivvaaddaass aappeennaass ppeellaass ffoorrççaass ddee mmeerrccaaddoo;; 
dd)) ttooddaass aass ooppeerraaççõõeess ddaass aauuttoorriiddaaddeess mmoonneettáárriiaass ccoomm oo oobbjjeettiivvoo ddee ccoobbrriirr 
eevveennttuuaaiiss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; 
ee)) aass ttrraannssffeerrêênncciiaass uunniillaatteerraaiiss.. 
 
1166.. EExxiisstteemm ddiivveerrssooss ccoonncceeiittooss ddee ““eeqquuiillííbbrriioo”” ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss,, 
sseennddoo oo ccoonncceeiittoo mmaaiiss rreelleevvaannttee aaqquueellee qquuee:: 
aa)) ccoonnssiiddeerraa qquuee oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eessttáá eemm eeqquuiillííbbrriioo qquuaannddoo aa ssoommaa 
ddoo ssaallddoo ddaa CCoonnttaa ddee TTrraannssaaççõõeess CCoorrrreenntteess ccoomm oo ssaallddoo ddaa ccoonnttaa ddee ccaappiittaaiiss 
((mmaaiiss eerrrrooss ee oommiissssõõeess)) ssee aannuullaamm;; 
bb)) ccoonnssiiddeerraa oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss sseemmpprree eemm eeqquuiillííbbrriioo,, aappóóss oo 
mmoovviimmeennttoo ddooss ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss;; 
cc)) ccoonnssiiddeerraa oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eemm eeqquuiillííbbrriioo qquuaannddoo oo ssaallddoo ddaa ccoonnttaa 
ddee ttrraannssaaççõõeess éé zzeerroo;; 
dd)) ccoonnssiiddeerraa oo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss eemm eeqquuiillííbbrriioo,, qquuaannddoo oo vvaalloorr ddaass 
eexxppoorrttaaççõõeess éé iigguuaall aaoo vvaalloorr ddaass iimmppoorrttaaççõõeess ddee mmeerrccaaddoorriiaass.. 
 
1177.. AAss ooppeerraaççõõeess aabbaaiixxoo ssããoo eexxeemmppllooss ddee ““ttrraannssaaççõõeess ssoobb ((oouu aabbaaiixxoo)) aa lliinnhhaa””,, 
eexxcceettoo:: 
aa)) ooss eemmpprrééssttiimmooss ee ffiinnaanncciiaammeennttooss oobbttiiddooss jjuunnttoo aaooss bbaannccooss pprriivvaaddooss;; 
bb)) ooss eemmpprrééssttiimmooss oobbttiiddooss ppeellaass aauuttoorriiddaaddeess mmoonneettáárriiaass ccoomm oo oobbjjeettiivvoo ddee 
ccoobbrriirr eevveennttuuaaiiss ddééffiicciittss ddoo BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; 
cc)) aass vvaarriiaaççõõeess,, ppaarraa mmaaiiss oouu ppaarraa mmeennooss,, ddaass rreesseerrvvaass iinntteerrnnaacciioonnaaiiss ddoo 
ppaaííss;; 
dd)) ooss mmoovviimmeennttooss ddee ccaappiittaaiiss ccoommppeennssaattóórriiooss oouu iinndduuzziiddooss;; 
ee)) aass ooppeerraaççõõeess ddeeccoorrrreenntteess ddoo ssaallddoo ppoossiittiivvoo oouu nneeggaattiivvoo ddaass ttrraannssaaççõõeess 
aauuttôônnoommaass.. 
 
1188.. NNoo mmeerrccaaddoo ccaammbbiiaall,, nnããoo ssããoo ooffeerrttaaddoorreess ddee mmooeeddaa eessttrraannggeeiirraa:: 
aa)) ooss eexxppoorrttaaddoorreess ddee mmeerrccaaddoorriiaass;; 
bb)) ooss qquuee pprreecciissaamm ddee ddiivviissaass eessttrraannggeeiirraass ppaarraa ppaaggaarr ddíívviiddaass ccoonnttrraaííddaass nnoo 
eexxtteerriioorr;; 
cc)) ooss ttoommaaddoorreess ddee eemmpprrééssttiimmooss nnoo eexxtteerriioorr;; 
dd)) ooss ttuurriissttaass eessttrraannggeeiirrooss qquuee vviissiittaamm oo ppaaííss.. 
 
1199.. EEmm ggeerraall,, nnooss ppaaíísseess mmeennooss ddeesseennvvoollvviiddooss,, oo ggoovveerrnnoo ccoonnttrroollaa oo mmeerrccaaddoo 
ccaammbbiiaall ee aattéé mmeessmmoo ffiixxaa aa ttaaxxaa ddee ccââmmbbiioo.. IIssttoo ssee ddeevvee:: 
aa)) aaoo ffaattoo ddee qquuee eesstteess ppaaíísseess ttêêmm mmooeeddaa ““ffrraaccaa”” ee ccoonnsseeqqüüeenntteess pprroobblleemmaass 
ddee BBaallaannççoo ddee PPaaggaammeennttooss;; 
bb)) aaoo ffaattoo ddee qquuee,, nneesstteess ppaaíísseess,, aa lleeii ddaa ooffeerrttaa ee ddaa pprrooccuurraa nnããoo rreefflleettee aa 
rreeaall eessccaasssseezz ddee ddiivviissaass;; 
cc)) aaoo ffaattoo ddee qquuee aa mmooeeddaa ddeesssseess ppaaíísseess nnããoo éé ccoonnvveerrssíívveell eemm oouurroo;; 
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dd)) aaoo ffaattoo ddee qquuee eesstteess ppaaíísseess iimmppoorrttaamm mmaaiiss ddoo qquuee eexxppoorrttaamm mmeerrccaaddoorriiaass 
ee sseerrvviiççooss.. 
 
20. Taxa de câmbio de equilíbrio é aquela que: 
aa)) iigguuaallaa oo vvaalloorr ddaass eexxppoorrttaaççõõeess ccoomm oo vvaalloorr ddaass iimmppoorrttaaççõõeess;; 
bb)) iigguuaallaa oo ssaallddoo ddaa bbaallaannççaa ccoommeerrcciiaall ccoomm oo ssaallddoo ddaa bbaallaannççaa ddee sseerrvviiççooss;; 
cc)) iigguuaallaa aa ooffeerrttaa ee aa ddeemmaannddaa ppoorr ddiivviissaa eessttrraannggeeiirraa nnoo mmeerrccaaddoo ccaammbbiiaall;; 
dd)) éé ffiixxaaddaa ppeelloo ggoovveerrnnoo.. 
 
2211.. DDee aaccoorrddoo ccoomm aass eellaassttiicciiddaaddeess ddaa ddeemmaannddaa ppoorr eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass,, ssee 
oo RReeaall ffoorr ddeessvvaalloorriizzaaddoo eemm 2200%% ((rreeaaiiss)) eemm rreellaaççããoo aaoo ddóóllaarr,, iissttoo ddeevveerráá 
pprroovvooccaarr:: 
aa)) uumm aauummeennttoo nnaass vveennddaass eexxtteerrnnaass bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa ppoorr nnoossssooss 
pprroodduuttooss ffoorr iinneelláássttiiccaa;; 
bb)) uummaa qquueeddaa nnaass vveennddaass eexxtteerrnnaass bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa ttiivveerr 
eellaassttiicciiddaaddee uunniittáárriiaa;; 
cc)) uumm aauummeennttoo nnaass vveennddaass eexxtteerrnnaass bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa eexxtteerrnnaa ffoorr 
eelláássttiiccaa;; 
dd)) uummaa qquueeddaa nnaass iimmppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass,, ssee aa ddeemmaannddaa iinntteerrnnaa ppoorr 
pprroodduuttooss eessttrraannggeeiirrooss ffoorr iinneelláássttiiccaa.. 
 
2222.. UUmmaa mmaaxxiiddeessvvaalloorriizzaaççããoo ddaa ttaaxxaa ddee ccââmmbbiioo RReeaall//ddóóllaarr ddeevveerráá pprroovvooccaarr,, 
eemm pprriinnccííppiioo:: 
aa)) uumm aauummeennttoo nnaass eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass ee uummaa qquueeddaa nnaass iimmppoorrttaaççõõeess;; 
bb)) uumm aauummeennttoo nnaass eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass,, mmaanntteennddoo--ssee iinnaalltteerraaddaass aass 
iimmppoorrttaaççõõeess;; 
cc)) uumm aauummeennttoo ttaannttoo ddaass eexxppoorrttaaççõõeess ccoommoo ddaass iimmppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass;; 
dd)) uummaa qquueeddaa nnaass eexxppoorrttaaççõõeess bbrraassiilleeiirraass ee uumm aauummeennttoo nnaass iimmppoorrttaaççõõeess.. 
 
2233.. UUmmaa mmaaxxiiddeessvvaalloorriizzaaççããoo ccaammbbiiaall nnããoo ddeevveerráá pprroovvooccaarr ooss eeffeeiittooss
eessppeerraaddooss 
((qquueeddaa ddaass iimmppoorrttaaççõõeess ee aauummeennttoo ddaass eexxppoorrttaaççõõeess)) ssee:: 
aa)) oo ppaaííss ssóó iimmppoorrttaarr pprroodduuttooss pprriimmáárriiooss ee eexxppoorrttaarr pprroodduuttooss iinndduussttrriiaalliizzaaddooss;; 
bb)) oo ppaaííss ssóó iimmppoorrttaarr pprroodduuttooss iinndduussttrriiaalliizzaaddooss;; 
cc)) oo ppaaííss iimmppoorrttaarr bbeennss eesssseenncciiaaiiss ee eexxppoorrttaarr bbeennss pprriimmáárriiooss,, qquuee ssããoo 
iinneelláássttiiccooss aa pprreeççooss;; 
dd)) oo ppaaííss eexxppoorrttaarr bbeennss iinndduussttrriiaalliizzaaddooss iinneelláássttiiccooss aa pprreeççooss;; 
ee)) uummaa mmaaxxiiddeessvvaalloorriizzaaççããoo ccaammbbiiaall sseemmpprree aauummeennttaarráá aass eexxppoorrttaaççõõeess ee 
rreedduuzziirráá aass iimmppoorrttaaççõõeess.. 
24. Numa economia hipotética, durante um determinado ano, foram efetuadas 
as seguintes transações com o exterior6: 
.Exportações de mercadorias à vista: 1.500 
.Amortizações pagas: 600 
.Doações recebidas: 100 
.Lucros remetidos para o exterior: 100 
.Importações de mercadorias à vista: 1.300 
.Empréstimos obtidos junto ao FMI: 150 
 
6 Questão retirada de Viceconti, P. e Neves, S. Introdução à Economia, Editora Frase, S.Paulo, 6ª ed. 2003. 
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.Fretes e seguros pagos 100 
.Juros pagos : 200 
.Investimentos externos no país: 500 
.Venda de ouro monetário: 50 
 Com base nesses dados, os resultados da Balança Comercial (BC), da Balança 
de Transações Correntes (BTC), para a Balança ou Conta de Capitais 
Autônomos (BKA) e para o saldo do Balanço de Pagamentos (BP) são, 
respectivamente: 
a) BC = 200; BTC = -100; BKA = 100; BP = 0. 
b) BC = 200; BTC = -100; BKA = -100; BP = -200. 
c) BC = -200; BTC = 0; BKA = -200; BP = 200. 
d) BC = 200; BTC = -100; BKA = -100; BP = 200. 
e) BC = -200; BTC = -100; BKA = -100; BP = -200. 
 
25. Suponha que o Balanço de Pagamentos do Brasil registrou, em 
determinado ano, os seguintes dados: 
. Saldo da balança comercial: 450 
. Exportações de serviços (não-fatores): 250 
. Importações de serviços (não-fatores) : 150 
.Saldo das transações correntes (déficit): 150 
. Donativos líquidos recebidos do exterior: 50 
. Movimento de capitais autônomos (entrada liquida): 100 
 Nessas condições, a renda líquida enviada ao exterior é igual a: 
a) 950; b) 750; c) 650; d) 700; e) 350. 
 
_______________ 
 
GABARITO: 
1. b; 2. e; 3. e; 4. d; 5. d; 6. a; 
7. d; 8. b; 9. c; 10. e; 11. b; 12. d; 
13. e; 14. a; 15. d; 16. c; 17. a; 18. b; 
19. a; 20. c; 21. c; 22. a; 23. c; 24. b; 
25. b. 
 
 
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1
Aula 6: A moeda e o sistema bancário 
 
 
 
Nessa nossa sexta aula, nós vamos entrar no 
maravilhoso mundo do dinheiro e dos sistema 
bancário-comercial. Primeiro, nós vamos apresentar 
uns conceitos básicos sobre moeda, suas origens, sua 
evolução e seu papel na economia. Depois, veremos 
como o Banco Central controla a quantidade de 
dinheiro na economia e como ele controla o sistema 
bancário para que este não provoque uma expansão 
descontrolada na quantidade do dinheiro em 
circulação. 
Os conceitos monetários que desenvolve-remos 
aqui serão bastante úteis mais à frente, quando 
estudarmos o papel da política monetária no 
desempenho da economia como um todo. Assim, 
vamos ao que nos interessa aqui. 
 
 
6.1. Introduzindo o conceito de moeda: Evolução, 
Formas, Tipos e Funções da Moeda 
 
Conceitualmente, o termo “moeda” é usado para denominar 
tudo aquilo que é geralmente aceito como meio de trocas de bens 
e serviços. 
Não se pode afirmar com exatidão quando surgiu e qual foi a 
primeira moeda. Remontando aos primórdios da civilização, 
imagina-se facilmente que o homem primitivo produzia tudo 
quanto bastava ao seu sustento. Suas necessidades limitavam-se 
à garantia de sua sobrevivência. As associações e o 
desenvolvimento natural da vida em grupo criaram, porém, outras 
necessidades para cuja satisfação o indivíduo, isoladamente, se viu 
impotente. Sua auto-suficiência se reduzia na medida do 
crescimento de suas necessidades. 
Nesta cadeia de raciocínio, o próximo passo foi a introdução 
paulatina da divisão e especialização do trabalho: cada indivíduo 
passou a produzir um ou poucos produtos, consumindo uma parte 
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2
deles e tentando passar a outro o seu excedente em troca de 
outros bens de que necessitava. Estabeleceu-se, então, um 
sistema de trocas diretas, isto é, mercadorias por mercadorias. 
É fácil imaginar as dificuldades para um razoável funcionamento 
desta economia de escambo: primeiro, esse sistema exigia uma 
permanente coincidência de interesses (o indivíduo A dispõe de 
arroz e quer trocar por carne; para se realizar esta troca, é 
imprescindível que ele encontre um indivíduo B que não só tenha 
carne mas que, também, queira arroz!); segundo, há ainda a 
dificuldade de se estabelecerem as relações ou preços de troca 
(valores entre dois bens bastante diferentes). 
Por tudo isso, este sistema, que vigorou na mais remota 
antiguidade, era claramente ineficiente. 
As mudanças requeridas se realizaram lentamente. O próximo 
passo foi o surgimento de um sistema de trocas indiretas: por esse 
novo esquema, uma mercadoria qualquer, que tivesse aceitação 
geral, passava a ser usada, por convenção e aceitação do grupo, 
como meio de pagamento. Tem-se aqui a introdução da moeda no 
sistema econômico e que, passando por um processo evolutivo 
natural, dá origem a todo o sistema monetário moderno. 
No desenvolvimento deste novo sistema de trocas indiretas, a 
moeda assumiu as mais diferentes formas, nos mais diferentes 
países e épocas. Numa ordem quase cronológica de seu 
aparecimento, podemos registrar, sinteticamente, as seguintes 
formas e tipos de moeda: 
a) Moeda-mercadoria: geralmente escolhia-se uma 
mercadoria que fosse relativamente escassa e não facilmente 
perecível (nem sempre possível). A história registra que, em 
diferentes locais e épocas, foram usados como moeda: sal, 
gado, fumo, peles, trigo, rum, ostra, carne-seca, ferro, cobre, 
etc. 
b) Metais preciosos: sem dúvida, de todas as 
mercadorias, a preferência maior recaía, geralmente, sobre os 
metais, não só pela sua relativa escassez mas, também, pela 
sua durabilidade e fácil divisibilidade. Muito embora o ferro, o 
cobre e o bronze tenham sido bastante utilizados, houve uma 
predominância do uso dos metais preciosos, notadamente a 
prata e o ouro. 
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3
c) Moeda-papel: com o crescimento do volume e valor 
das transações, o manejo de grandes quantidades de metais 
preciosos tornou-se problemático pelas dificuldades de 
transporte e os riscos envolvidos. Pouco a pouco, nota-se o 
aparecimento de casas de custódia desses metais em diversos 
pontos, em diversos países. Estas casas passaram a receber 
em depósito os metais preciosos dos comerciantes, emitindo 
em troca um recibo ou certificado de valor correspondente. 
Este certificado recebeu a denominação de moeda-papel e 
era generalizadamente aceito nas transações. Sua 
característica principal era possuir lastro integral em ouro, 
isto é, a qualquer momento o possuidor do certificado poderia 
ir à casa de custódia emissora e reconvertê-lo em ouro ou 
prata. Daí sua crescente aceitabilidade como meio de 
pagamento
em substituição aos próprios metais preciosos. 
d) Papel-moeda: com o tempo, e diante da crescente 
demanda por tais certificados – para atender os negócios em 
franca expansão - as casas de custódia passaram a emitir 
certificados cujo valor global em circulação excedia o valor 
total dos metais preciosos ali depositados. A experiência 
acumulada pelos custodiadores mostrava que nem todos os 
depositantes resgatavam, ao mesmo tempo, seus depósitos, 
Além do mais, enquanto alguns vinham para reconverter seus 
certificados em ouro, outros vinham para depositar mais ouro. 
Assim, com um encaixe metálico menor, era possível garantir 
a liquidez dos certificados, isto é, garantir as reconversões 
que, em média, na semana ou no mês, correspondia a apenas 
uma fração do total dos certificados em circulação. 
Temos, assim, um novo marco histórico na evolução das formas 
de moeda: a passagem da moeda-papel para os certificados 
emitidos sem o correspondente lastro em ouro ou prata e que 
vieram a ser chamados de papel-moeda. Pouco a pouco, o papel-
moeda passou a ter uso generalizado como meio de pagamento 
nas transações pelo simples fato de que sua aceitação era geral, 
não se questionando sobre a possibilidade de convertê-lo ou não 
em ouro. 
Num processo evolutivo normal, e com o intuito de evitar riscos 
de emissões exageradas, o passo seguinte foi dado pelo governos, 
com a proibição de emissão de papel-moeda pelos bancos privados 
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(antigas casas de custódia), limitando-se o direito de sua emissão 
a uma instituição oficial que, pouco a pouco, se transformou nos 
atuais bancos centrais de cada país. E não guardando mais 
qualquer idéia de representatividade, nem valor intrínseco, o 
papel-moeda passou a ser aceito porque simplesmente se sabe 
que será aceito em outra operação amanhã (posteriormente, sua 
aceitação passou a ser imposta por lei). 
e) Moeda escritural bancária: é representada pelos 
depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais – ou 
seja, as contas correntes das empresas e dos indivíduos – 
materializados, na prática, pelo cheque. 
 
Tipos de moeda 
Numa classificação didática, temos hoje, as seguintes espécies 
ou formas de moeda: 
I - moeda manual – representada pelas moedas metálicas e 
pelo papel-moeda; 
II - moeda escritural ou bancária – representada pelos 
depósitos à vista nos bancos comerciais. Note-se que é o depósito 
à vista é que é moeda, e não o cheque. Este último é apenas a 
forma mais comum para se utilizar a moeda “depósito à vista” – 
que é, este sim, o meio de pagamento. O cheque sem um depósito 
à vista por trás dele não tem qualquer valor econômico. 
Vale observar que o papel-moeda e a moeda escritural ou 
bancária são chamados moedas fiduciárias (isto é, em que se tem 
fé ou em que se acredita), já que não possuem valor intrínseco, 
constituindo-se em moeda simplesmente porque têm aceitação 
generalizada nas transações econômicas. 
 
Funções da moeda 
De uma forma geral, os economistas reconhecem as seguintes 
funções desempenhadas pela moeda: 
i) meio de pagamento ou intermediário de trocas; 
ii) padrão de referência de valor ou unidade de conta; e, 
iii) reserva de valor. 
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5
 
Tendo aceitação generalizada como meio de pagamento nas 
transações, a moeda desempenha sua função mais cristalina e 
fundamental – que é de servir como instrumento ou intermediária 
de trocas entre os indivíduos para satisfação de ambas as partes. 
Como padrão de referência de valor, a moeda possibilita que 
todos os valores dos bens, serviços e fatores de produção sejam 
expressos em unidades monetárias, propiciando a fácil avaliação e 
comparação de todos os recursos disponíveis na Economia. 
A moeda desempenha, também, a função de reserva de valor 
no sentido de que o indivíduo pode manter sua riqueza (ou parte 
dela) sob a forma de moeda, por um período de tempo, sabendo 
que, amanhã ou depois, este ativo será aceito em qualquer 
transação por ter liquidez absoluta. Trata-se, no entanto, de uma 
função que merece duas ressalvas: primeiro, se o indivíduo prefere 
manter sua riqueza sob a forma de moeda, ele deixa de ganhar, 
pois a moeda em si não gera rendimentos; segundo, e ao 
contrário, em períodos inflacionários o indivíduo perde com a 
desvalorização da moeda. 
 
6.2 Indicadores Monetários 
 
Existem três conceitos monetários – indicadores do volume de 
dinheiro na economia que, a despeito de medirem coisas 
diferentes, são muitas vezes usados, até mesmo pela imprensa, 
como se fossem a mesma coisa. Mas, na realidade, são conceitos 
bastante distintos. Trata-se, no caso, do “papel-moeda emitido”, 
do “papel-moeda em circulação” e do “papel-moeda em poder do 
público”. 
Diariamente, o Banco Central do Brasil divulga uma estatística 
da evolução do saldo desses diversos conceitos de moeda – que 
podem assim ser definidos: 
i) papel-moeda emitido (PME) – trata-se do total de 
dinheiro “autorizado” (isto é, produzido ou fabricado) pelas 
Autoridades Monetárias; 
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ii) papel-moeda em circulação (PMC) – equivale ao total do 
papel-moeda emitido menos o dinheiro que se encontra no 
caixa do Banco Central; 
iii) papel-moeda em poder do público (PMP) – deduzindo-
se do PMC o dinheiro em caixa dos bancos comerciais, tem-
se o total de dinheiro em poder do público, isto é, todos os 
indivíduos e empresas (exclusive, claro, os bancos 
comerciais). 
 
6.3. Meios de Pagamento 
 
 O público – aí incluídos os indivíduos e as empresas – possui, 
de uma forma geral, diversos ativos ou haveres – isto é, coisas 
que têm valor econômico e que constituem seu patrimônio, 
podendo ser citados entre estes os imóveis, fazendas, carros, 
depósitos de poupança, aplicações financeiras em bancos, títulos 
do governo, depósitos à vista nos bancos comerciais, papel-moeda 
em espécie em seu poder, ações e outros tantos. 
 Cada ativo deste possui um grau diferente de liquidez – 
medido este pela capacidade de o ativo se transformar em moeda 
ou em dinheiro propriamente dito. Assim, quanto mais fácil for 
transformar um ativo em dinheiro, maior se diria que é o seu grau 
de liquidez. 
 Do ponto de vista da economia, se o indivíduo A tem uma 
fazenda no valor de R$ 100 mil e o indivíduo B tem um depósito 
de poupança também no valor de R$ 100 mil, podemos afirmar 
que ambos têm o mesmo nível de riqueza, porém a riqueza do 
indivíduo B tem muito mais liquidez. Isso porque é muito mais 
fácil sacar sua riqueza no banco, transformando-o quase que 
instantaneamente em dinheiro do que vender a fazenda e receber 
o dinheiro. Para vender a fazenda, pode-se levar algum tempo; 
para sacar o depósito do banco não se gasta mais que 30 
minutos1. 
 É esta diferença entre os diversos graus de liquidez de um 
ativo que o torna mais ou menos instrumento ou meio de 
 
1 Jocosamente, diríamos que o depositante gastaria não mais que 30 minutos, sendo 15 minutos para 
conseguir uma vaga no estacionamento e outros 15 minutos na fila do banco! 
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7
pagamento. Poucos, pouquíssimos mesmo, são os haveres que são 
considerados, pelo Banco Central, meios de pagamento, valendo 
para estes a seguinte definição: 
Tecnicamente, consideram-se meios de 
pagamento (M
1
) todos os haveres possuídos pelo 
público não-bancário e que podem ser utilizados a 
qualquer momento para a liquidação de qualquer dívida 
em moeda nacional. Ou seja, são haveres que possuem 
liquidez absoluta e imediata.
Muito embora haja controvérsia em relação ao maior ou menor 
grau de liquidez de um ativo, é praticamente consensual que 
apenas dois haveres preencham estas condições de possuírem 
liquidez absoluta e de serem aceitos, de imediato, como 
pagamento nas transações: o papel-moeda em poder do público – 
PMP - (aí incluídas não só as notas mas, também, as moedas 
metálicas) e a moeda escritural ou bancária – representada pelos 
depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais públicos e 
privados (DVbc). 
Assim, no caso brasileiro, o total de meios de pagamento – 
geralmente denominado M
1
 – é definido pela expressão: 
 M1 = PMP + DVbc 
Este universo M1 corresponde, de outra parte, ao total da 
chamada oferta monetária. 
No caso brasileiro, as estatísticas mostram que o público vem 
mantendo, na média dos últimos anos, cerca de 14% de seus 
meios de pagamento sob a forma de dinheiro no bolso (=PMP) e 
os restantes 86% como depósitos em conta corrente nos bancos 
comerciais, sendo interessante observar que estas relações são 
relativamente estáveis, só se alterando em função de uma 
anomalia no mercado (como foi o caso do “confisco” dos depósitos, 
na época da ex-ministra Zélia, em 1991, e que acabou por alterar 
aquela composição. Temeroso de novos confiscos, o público 
reduziu a proporção de seus depósitos nos bancos!). 
Uma ressalva importante que se deve fazer em relação às 
estatísticas de meios de pagamento, neste conceito de M
1
, é que 
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8
nelas não estão incluídos nem os depósitos voluntários e 
compulsórios dos bancos comerciais nas Autoridades Monetárias 
(Banco Central) – dos quais falaremos mais adiante-, nem os 
depósitos da União, também, no Banco Central. 
É fácil entender o porquê disso: como a preocupação, no caso, 
é medir a liquidez do público, não há por que incluir os depósitos 
dos bancos comerciais (que não são parte do público); quanto à 
União, é importante entender que, ao contrário do público, ela não 
limita ou condiciona o montante de seus gastos ao volume de 
depósitos que, eventualmente, tenha no Banco Central, mas, sim, 
ao que dispõe o orçamento federal. Mas, note-se que os depósitos 
da União nos demais bancos que não o Banco Central, bem como 
os depósitos dos Estados e Municípios em qualquer banco estão 
computados no total do M
1
. 
 
Outros conceitos de moeda: os “quase-moeda” 
 
Além desse conceito tradicional de meios de pagamento, existe 
uma gama de outros ativos financeiros que são aceitos como 
pagamento em diversas transações ou que podem ser 
transformados em moeda sem grandes dificuldades e num espaço 
de tempo relativamente curto. A estes ativos se dá geralmente o 
nome de quase-moeda – que são haveres financeiros de alto 
grau de liquidez, porém de grau inferior ao da moeda manual e ao 
dos depósitos à vista. 
Como exemplos de quase-moeda citam-se os depósitos de 
poupança, depósitos a prazo, títulos públicos, etc. 
A partir dessas considerações, foram desenvolvidos outros 
conceitos e classificações de meios de pagamento mais 
abrangentes, de acordo com o grau de liquidez do ativo financeiro. 
Estas classificações divergem de autor para autor, terminando, 
muitas vezes, por serem convencionais e arbitrárias. No caso 
brasileiro, segue-se o critério adotado pelo Banco Central – critério 
este que tem se alterado muito nestes últimos anos, 
principalmente em função do surgimento de inúmeros tipos de 
aplicações financeiras. Assim, por exemplo, nos anos noventa, o 
Banco Central adotava os seguintes conjuntos de meios de 
pagamento: 
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9
 M
1
 = PMP + DVbc 
 M
2
 = M
1
 + FAF + títulos públicos (federais, estaduais e 
municipais) em poder do público 
 M
3
 = M
2
 + depósitos de poupança 
 M
4 
= M
3
 + títulos privados (depósito a prazo, letras 
hipotecárias e letras de câmbio) 
A importância desses conceitos é ressaltada no momento em 
que o Banco Central, por competência legal, procura controlar a 
quantidade de moeda na economia, como parte, digamos, de uma 
estratégia de combate à inflação. A questão que, então, se coloca 
é: no controle da inflação, deve o Banco Central controlar a 
quantidade de meios pagamento (= à oferta monetária). Para 
tanto, deve aquela autoridade monetária assestar suas baterias 
sobre qual deles? M
1
? M
3
? M
4
? 
Na verdade, não há consenso sobre isso entre os economistas. 
O Banco Central, por falta, talvez de condições técnicas, limita-se 
a controlar apenas a evolução do M
1
. 
 
6.4. Criação e Destruição de Moeda 
 
Este é um assunto que, recorrentemente, tem sido objeto de 
questões de provas de concursos onde entra a disciplina Economia. 
E o que vem a ser “criação” e “destruição” de moeda (ou, 
alternativamente, “criação” e “destruição” de meios de 
pagamento)? É fácil entender isso. Senão, vejamos: 
Diariamente, o público - isto é, os indivíduos e as empresas -, 
realiza operações com o setor bancário comercial2, operações 
estas traduzidas em depósitos, saques, pagamentos diversos (luz, 
telefone), tomada ou quitação de empréstimos, etc. 
Dependendo da natureza dessas operações, o total de ativos 
monetários da economia – isto é, os meios de pagamento (M
1
) – 
poderá se reduzir ou aumentar. Se o resultado for um aumento 
 
2 De uma forma simples e sintética, banco comercial é aquele que abre conta corrente e emite talões de 
cheque para seus clientes. 
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dos meios de pagamento, tem-se aí uma criação de moeda; se 
ocorrer uma redução dos meios de pagamento, tem-se uma 
destruição de moeda. Então, o que se tem de verificar, após a 
operação bancária, é se o total de meios de pagamento se alterou 
para mais ou para menos. 
Para um melhor entendimento da explicação a seguir, é 
interessante que você conheça dois conceitos novos: primeiro, o 
conceito de haver monetário; segundo, o de haver não-monetário. 
Haver ou ativo monetário corresponde a um dos componentes 
dos meios de pagamento (M1), ou seja, ou é o papel-moeda em 
poder do público ou é o depósito à vista. Já haver não-monetário é 
todo ativo possuído pelo público que não seja meio de pagamento 
(M1), como, por exemplo, ações, promissórias, títulos do governo, 
carro, lote, imóveis, etc. 
Entendida, assim, a diferença entre haver não-monetário e 
haver monetário, fica mais fácil entende a criação e a destruição 
de moeda. Senão, vejamos: 
No processo de criação de moeda, o público entrega ao setor 
bancário um “haver não-monetário” (por exemplo, uma 
promissória) e recebe deste um “haver monetário” (por exemplo, 
um empréstimo traduzido num depósito à vista). No caso de 
destruição de moeda, o público entrega ao banco um ativo 
monetário (digamos, dinheiro em espécie) e recebe um ativo não-
monetário (a promissória vencida). 
Vale repetir que a criação ou destruição de moeda só ocorre se, 
da operação entre o público e o banco, resultar uma alteração do 
total de meios de pagamento do público. Isto significa dizer que, 
se um indivíduo paga sua conta de luz com um cheque de sua 
conta corrente não haverá nem criação nem destruição de moeda, 
pois a queda de seus depósitos à vista é compensada pelo 
aumento dos depósitos da companhia de eletricidade – que 
também é público. Da mesma forma, se um correntista vai ao 
banco e saca de sua conta corrente, com um cheque seu, nada 
ocorre, de vez que ele trocou um ativo monetário (depósito à 
vista) por outro (dinheiro em espécie). Mas, claro, se ele saca de 
sua conta de poupança, há criação de meios de pagamento, pois
os depósitos de poupança são considerados haveres não-
monetários. 
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11
 
6.5. Base Monetária e o Multiplicador Bancário 
 
Conceitualmente, a política monetária consiste no controle da 
oferta monetária e das taxas de juros, pelas autoridades 
monetárias (Banco Cetral), através do uso de instrumentos diretos 
e indiretos (que serão vistos mais adiante), com vistas a controlar 
o nível de liquidez do sistema econômico. 
A política monetária deve, por outro lado, se inserir no contexto 
da política econômica global do governo, procurando, sempre que 
possível, a compatibilização e o atingimento de seus objetivos 
macroeconômicos. 
Quando se fala em controle da oferta monetária, pensa-se, 
imediatamente, que basta o Banco Central parar de emitir moeda, 
e tudo se arranja. Mas, as coisas não são assim tão simples. Não 
se pode esquecer que os bancos comerciais têm uma grande 
capacidade para “criar” moeda através de empréstimos que se 
transformam em novos depósitos, que dão origem a novos 
empréstimos, e assim por diante. 
É através dos empréstimos que os bancos “multiplicam” o 
dinheiro circulante na economia. Quanto mais empréstimos 
fizerem, maior será a multiplicação dos meios de pagamentos. A 
origem desses empréstimos, como se disse, está nos depósitos 
captados pelo banco. Assim, um grande condicionante do volume 
dos empréstimos é o volume de depósitos à vista no banco. Um 
outro condicionante é o montante ou proporção dos depósitos à 
vista que o banco pode emprestar. Obviamente, os bancos 
gostariam de emprestar todo o volume de depósitos, mas este 
desejo esbarra na necessidade imperiosa de se manter em caixa, 
sob a forma de moeda, uma parcela dos depósitos para o 
pagamento de cheques dos clientes. Mas, as limitações ao volume 
de empréstimos que os bancos podem efetuar vão mais além, pois 
ainda existem restrições impostas por lei e outras medidas 
restritivas, de iniciativa do próprio Banco Central. 
Com estas considerações, podemos, então, partir para a 
derivação do chamado multiplicador bancário (k) dos meios de 
pagamentos, relativamente ao volume de dinheiro que o Banco 
Central coloca em circulação – dinheiro, este dito, “de alto poder 
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de expansão” e que, tecnicamente, é denominado de Base 
Monetária (B). 
 
Contabilmente, a Base Monetária é dada pela soma dos valores 
constantes do chamado passivo monetário do Banco Central que 
se compõe de: 
i) - o papel-moeda em poder do público (PMP); 
ii) - o caixa em moeda corrente dos bancos comerciais (R
1
); 
iii) - os depósitos voluntários dos bancos comerciais junto ao 
Banco Central (R
2
); e, 
iv) - os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais, 
também junto ao Banco Central (R
3
) 
 
Assim temos: 
 B = PMP + R
1
 + R
2
 + R
3
 (1) 
Mas, como PMP + R1 = PMC (veja o item atrás “Indicadores 
Monetários”), temos que a base monetária pode ser definida ainda 
como: 
 B = PMC + R
2
 + R
3
 (2) 
E, já que R = R1 + R2 + R3, então a base monetária pode também 
ser definida como: 
 B = PMP + R (3) 
 
sendo R = total das reservas ou encaixes dos bancos comerciais 
(R= R
1
 + R
2
 + R
3
). 
 
Já os meios de pagamento (M
1
), como sabemos, são assim 
constituídos: 
 M
1
 = PMP + DVbc (4) 
E sendo o total de meios de pagamento um múltiplo da base 
monetária (B), resultado do processo multiplicativo dos 
empréstimos bancários, deduz-se que o multiplicador (k) dos 
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13
meios de pagamento é dado pela relação entre o total de M1 e a 
base monetária, ou 
 k = M
1
/B (5) 
ou ainda, 
 M
1
 = B . k (6) 
 
Para se achar a expressão ou fórmula do valor do multiplicador, 
consideremos as seguintes expressões: 
 
Considere as seguintes relações comportamentais do público: 
 i) d
1
 = PMP/M
1
 ou, d
1
M
1
 = PMP (7) 
 ii) d
2
 = DVbc/M1 ou, d2M1 = DVbc (8) 
 
 A equação (7) mostra qual a proporção do papel-moeda em 
poder do público em relação ao total de meios de pagamento (M1); 
já a equação (8) indica qual a proporção dos depósitos à vista nos 
meios de pagamento. 
 
Logo, 
 M
1
 = d
1
M
1
 + d
2
M
1
 (9) 
E, dividindo-se todos os termos da equação (9) por M1, tem-se: 
 1 = d
1
 + d
2
 
e, 
 d
1
 = (1 - d
2
) (10) 
 
Recorde-se, agora, que a base monetária é definida por: 
 B = PMP + R (3) 
Para se saber qual é a fração ou percentual das reservas ou 
encaixes totais (r) em relação aos meios de pagamento, dividimos 
as reservas totais (R) pelos depósitos à vista (DVbc), ou: 
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14
 r = R/DVbc ou R = rDVbc ou, ainda, R = rd1M1 (11) 
onde, r = taxa de reserva ou encaixe total. 
Substituindo (7) e (11) em (3), tem-se: 
 B = d
1
M + rd
2
M
1
 (12) 
Substituindo (10) em (12), tem-se: 
 B = (1 - d
2
)M
1
 + rd
2
M
1
 (13) 
Operando a expressão (13), obtém-se: 
B
M
d rd
1
2 21= − +( )
 
B
M
d r
1
21 1= − −( )
 
M B
d r1 21 1
= − −( ) 
 
M
d r
B1
2
1
1 1
= − −( ) . (14) 
 
 
Ou seja, M
1
 é igual ao valor da base monetária (B) vezes o 
multiplicador (k), sendo 
 
k
d r
= − −
1
1 12 ( ) (15) 
onde, 
 d
2
 = fração dos meios de pagamentos que o público mantém 
sob a forma de depósitos à vista nos bancos comerciais; e, 
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15
 r = fração dos depósitos à vista que os bancos comerciais 
mantêm como encaixes totais. 
Vejamos um exemplo numérico: 
Suponha que os depósitos à vista correspondam a 80% dos MP 
e que a taxa de reservas bancárias (r) seja 30% dos depósitos à 
vista. Com esses dados, vamos calcular o valor de k: 
Fazendo as devidas substituições na equação (15), acima, 
temos: 
 7,2
37,0
1
63,01
1
)7,0(9,01
1
)3,01(9,01
1 ==−=−=−−=k 
 
Pela expressão (15), pode-se deduzir que a expansão dos meios 
de pagamento, isto é, da oferta monetária, pode ocorrer em três 
situações: 
i) - por aumento das operações ativas do Banco Central via 
aumento da emissão (o que aumenta B); 
ii) - por aumento de d
2
, isto é, da proporção dos depósitos à 
vista do público nos bancos comerciais em relação ao total 
dos meios de pagamentos; e, 
iii) por redução da relação encaixes/depósitos à vista nos 
bancos comerciais. 
 
Deve-se observar que, na execução da política monetária e para 
controle da oferta monetária, as autoridades monetárias têm 
relativo controle sobre os itens (i) e (iii), mas nenhum controle 
sobre (ii) – que depende exclusivamente do comportamento do 
público. 
No entanto, como se admite uma relação mais ou menos 
estável ou pelo menos previsível entre os DVbc e M1, pode-se, em 
princípio, afirmar que as autoridades monetárias podem controlar 
relativamente a expansão da oferta monetária. Este controle é 
exercido diretamente sobre a base monetária e indiretamente 
sobre o multiplicador (k) através do uso de diversos instrumentos. 
 
6.6 Instrumentos Clássicos de Controle Monetário 
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16
 
Como foi visto, o volume da oferta monetária (= meios de 
pagamento) depende
de mudanças na base monetária e/ou de 
alterações no valor do multiplicador (k). 
A tarefa fundamental do Banco Central é o de adequar o volume 
de meios de pagamento às reais necessidades da economia tendo 
em vista o atingimento dos objetivos macroeconômicos. Ocorre, 
no entanto, que, mesmo que haja uma programação monetária – 
pela qual se prevê a evolução dos agregados monetários, mês a 
mês, em decorrência do esperado comportamento das contas 
externas do País, das operações do Banco Central com o Tesouro 
Nacional e de empréstimos dos bancos oficiais aos bancos privados 
e ao setor produtivo – nem sempre o programado se comporta 
como esperado. Vez por outra, observa-se uma expansão 
exagerada dos meios de pagamento; outras, uma contração desse 
agregado, com evidente escassez de dinheiro na economia, com 
graves prejuízos para os negócios. 
Para controlar a liquidez da economia, mantendo-a em níveis 
compatíveis com as necessidades conjunturais da economia, o 
Banco Central dispõe de diversos instrumentos que ora atuam 
sobre a base monetária, ora sobre o multiplicador bancário (k). 
Os instrumentos mais tradicionais geralmente usados pelo 
Banco Central são: 
a) controle da emissão; 
b) fixação da taxa de recolhimento compulsório; 
c) operações de redesconto de liquidez; e, 
d) operações de mercado aberto (open market). 
 
a) Controle da emissão – sobre este instrumento não há 
o que falar. Basta que se desligue a tomada da máquina 
impressora de dinheiro e a emissão monetária estará 
controlada. 
b) Fixação da taxa de recolhimento compulsório – 
trata-se de um percentual dos depósitos à vista que os 
bancos comerciais devem recolher periódica e 
obrigatoriamente ao Banco Central. 
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17
Claramente, quanto maior esta taxa, maior será o valor de r 
(taxa de encaixes totais) e vice-versa, já que os recolhimentos 
compulsórios são uma parte das reservas totais dos bancos. 
Assim, na medida em que o Conselho Monetário Nacional decide 
elevar o percentual dos recolhimentos compulsórios (r3), o 
multiplicador (k) se reduz, uma vez que a medida levará a uma 
disponibilidade menor de recursos para os bancos efetuarem 
empréstimos. A recíproca é, também, verdadeira. 
c) Operações de redesconto – consistem num 
empréstimo de última instância e de curtíssimo prazo que o 
Banco Central faz aos bancos comerciais sempre que estes 
estiverem com falta de liquidez, isto é, com falta de recursos 
em caixa para atender às demandas de seus clientes. Por isso 
mesmo são também chamados de “empréstimos de liquidez”. 
Ao realizar tais operações, o Banco Central funciona como 
banco dos bancos, descontando títulos dos bancos a taxas de juros 
prefixadas. 
Como instrumento de controle monetário, o redesconto inibe ou 
estimula os bancos a tomar o empréstimo através de: 
a) alterações das taxas de juros cobradas pelo Banco Central; 
b) mudança dos prazos concedidos para que os bancos quitem 
sua dívida; 
c) fixação de tetos ou limites para a tomada do empréstimo; 
d) exigência de garantias (títulos públicos ou o próprio 
compulsório); 
e) controle da freqüência de utilização do empréstimo. 
 
d) operações de mercado aberto (open market) – o 
mercado aberto, num sentido amplo, pode ser entendido 
como o mercado onde são transacionados os mais diversos 
títulos públicos federais e estaduais e bancários privados, de 
rentabilidade pré ou pós-fixada. 
No entanto, entendido como instrumento de política monetária, 
as operações de mercado aberto consistem na compra e/ou venda 
de títulos públicos federais (NTN, LBC, LFT, BTN, etc.) pelo Banco 
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18
Central, com o objetivo de influenciar o nível das reservas 
bancárias e, daí, o fluxo de crédito. 
As operações de mercado aberto, pela sua flexibilidade, se 
constituem no mais poderoso instrumento de que dispõe o Banco 
Central para regular o nível de liquidez da economia no curtíssimo 
prazo. Assim, por exemplo, quando as autoridades monetárias 
desejam enxugar o mercado monetário, emitem e vendem lotes 
volumosos de títulos federais, retirando dos bancos e do público a 
quantidade desejada de moeda. Contrariamente, se a intenção for 
a oposta, isto é, expandir o nível de oferta monetária, o Banco 
Central realiza operações maciças de resgate (isto é, de compra) 
desses títulos, injetando moeda no sistema. 
Estes são, em síntese, os instrumentos clássicos de controle 
monetário usados pelo Banco Central. Obviamente, sempre 
existirão outros que, eventual e conjunturalmente, podem ser 
utilizados, como, por exemplo, a limitação ou fixação de tetos para 
empréstimos, medida que, não raras vezes, foi usada no Brasil ao 
longo dos anos 80. 
 
6.7. Teoria Quantitativa da Moeda 
 
A teoria quantitativa, na versão clássica, enfatiza a função da 
moeda como meio de trocas. Assim, em qualquer período, o valor 
global das transações é igual ao número de transações (T), 
multiplicado pelo seu preço médio (P). Esse valor, por seu turno, 
será idêntico ao fluxo monetário que é igual à quantidade de 
moeda ou meios de pagamento (M) multiplicado pelo número de 
vezes que a moeda trocou de mão (V) naquele período. Resulta, 
daí, a conhecida “equação das trocas” que é geralmente 
apresentada como: 
 
 MV = PT (16) 
 
Posteriormente, por razões essencialmente práticas, o número 
de transações (T) foi substituído pelo nível de renda (Y) uma vez 
que se dispõe de estatísticas sobre a renda e não sobre a 
quantidade de transações. Neste caso, é feita a hipótese de que o 
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nível das transações totais seja proporcional ao nível da renda, 
passando a equação (16) a ser, então, reescrita como: 
 
 MV = PY (17) 
onde, 
M = estoque de moeda (meios de pagamento) 
V = a velocidade de circulação deste estoque, isto é, o número 
de vezes que cada unidade monetária é empregada durante o 
período escolhido; 
P = o nível médio de preços (índice); e, 
Y = o nível da renda ou produto real. 
 
Tal como se apresenta, dada a definição de V, a equação (16) é 
necessariamente verdadeira em relação a quaisquer valores de M, 
P e Y. Trata-se, no caso, de uma equação definicional ou 
tautológica, isto é, verdadeira em si mesma e, como tal, nada 
acrescenta de novo à teoria econômica. 
No entanto, introduzindo-se certas hipóteses sobre algumas de 
suas variáveis, tal como fizeram os clássicos, a equação das trocas 
pode se tornar de alguma utilidade. Deste modo, são colocadas as 
seguintes hipóteses: 
I - a oferta monetária é exógena, no sentido de que as 
autoridades monetárias (no caso, o Banco Central) 
controlam a quantidade de moeda na Economia; 
II - supõe-se que não há desemprego no país, e que, 
portanto, o nível da renda ou produto é constante no curto 
prazo, ao nível do pleno emprego dos fatores; 
III - também a velocidade de circulação da moeda (V) é 
constante no curto prazo dado que é determinada por 
fatores institucionais, padrões comerciais, e hábitos de 
compras e pagamentos, além do estado da tecnologia 
utilizada no processo de transações, citando-se, entre estes, 
os seguintes: 
a) institucionalização, por determinações legais, da 
periodicidade de pagamentos salariais (semanal, mensal); 
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b) o grau de sofisticação do sistema financeiro, 
especialmente na compensação de cheques; e, 
c) os hábitos de compras da população. 
Todos estes fatores são, a rigor, constantes num curto período, 
digamos, 6 meses. Assim, com as hipóteses de

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