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SUMÁRIO 
VOLUME 2 
GEOGRAFIA I 
Aula 19 – A POLÍTICA SUBSTITUTIVA E A INDUSTRIALIZAÇÃO PÓS-1930 ............................................................ 1 
Aula 20 – A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL E A DESCENTRALIZAÇÃO ATUAL ..................................................... 7 
Aula 21 – A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA DAS SESMARIAS A LEI DE TERRAS (ATÉ 1930) ................ 13 
Aula 22 – A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA PÓS-1930 E OS MOVIMENTOS SOCIAIS ............................ 22 
Aula 23 – A AGROPECUÁRIA I A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ ........................................................................... 30 
Aula 24 – A AGROPECUÁRIA II- A SOJA, A LARANJA E O ALGODÃO ................................................................... 37 
Aula 25 – PECUARIA ................................................................................................................................................... 45 
Aula 26 – RECURSOS MINERAIS .............................................................................................................................. 52 
Aula 27 – FONTES DE ENERGIA I ............................................................................................................................. 61 
Aula 28 – FONTES DE ENERGIA II ............................................................................................................................ 73 
Aula 29 – SISTEMA DE TRANSPORTES ................................................................................................................... 83 
Aula 30 – FORMAÇÃO ÉTNICA - OS ÍNDIOS ONTEM E HOJE ................................................................................ 91 
Aula 31 – IMIGRAÇÃO BRASILEIRA ........................................................................................................................ 101 
Aula 32 – MIGRAÇÕES INTERNAS .......................................................................................................................... 112 
Aula 33 – O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO BRASILEIRO E A ESTRUTURA DEMOGRÁFICA E O TRABALHO .... 120 
Aula 34 – HIERARQUIA URBANA URBANIZAÇÃO DO BRASIL ............................................................................. 130 
Aula 35 – O MEIO AMBIENTE E AS CONFERENCIAS AMBIENTAIS ..................................................................... 141 
Aula 36 – OS PROBLEMAS ATMOSFÉRICOS E A QUESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL ...................................... 153 
GEOGRAFIA II 
Aula 21 – O PLANERA TERRA - ORIGENS E MOVIMENTOS ................................................................................ 165 
Aula 22 – ESTRUTURA INTERNA DA TERRA ......................................................................................................... 180 
Aula 23 – ROCHAS E MINERAIS .............................................................................................................................. 191 
Aula 24 – DEPÓSITOS FÓSSEIS E ENERGIA I ....................................................................................................... 201 
Aula 25 – CLIMA I ...................................................................................................................................................... 213 
Aula 26 – CLIMA II ..................................................................................................................................................... 222 
Aula 27 – CLIMA E VEGETAÇÃO - QUESTÕES AMBIENTAIS ............................................................................... 236 
Aula 28 – ECOSSISTEMAS I ..................................................................................................................................... 255 
Aula 29 – RELEVO E AGENTES I ............................................................................................................................. 271 
Aula 30 – RELEVO E AGENTES II ............................................................................................................................ 279 
Aula 31 – PEDOGÊNESE - MODELADO ANTRÓPICO ........................................................................................... 292 
Aula 32 – RELEVO BRASILEIRO I ............................................................................................................................ 305 
Aula 33 – HIDROGRAFIA I ........................................................................................................................................ 322 
Aula 34 – HIDROGRAFIA II ....................................................................................................................................... 334 
Aula 35 – HIDROGRAFIA III ...................................................................................................................................... 343 
Aula 36 – HIDROGRAFIA IV ...................................................................................................................................... 353 
Aula 37 – HIDROGRAFIA V ....................................................................................................................................... 362 
Aula 38 – HIDROGRAFIA VI ...................................................................................................................................... 371 
Respostas e Comentários Exercícios de Fixação ...................................................................................................... 379 
 
 
 
 
 
 
Geografia I 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A POLÍTICA SUBSTITUTIVA E A 
INDUSTRIALIZAÇÃO PÓS - 1930 
Num primeiro momento, a depressão econômica teve efeito 
devastador no Brasil. O país tinha sua base econômica construída 
a partir da exportação de gêneros agrícolas. Com a crise, grande 
parte do volumoso estoque de café produzido no Brasil ficou sem 
mercado consumidor. O Brasil não conseguiu conter o desastre 
econômico que abalou a classe cafeicultora, e por consequência 
abalou as próprias estruturas políticas da República Velha, abrindo 
caminho para a Revolução de 1930, que levaria Getúlio Vargas ao 
poder. Vargas toma o poder por meio de um golpe de Estado 
contra o domínio da oligarquia agrária que comandara o país na 
primeira fase da República (1889-1930). 
Até 1920, o contexto econômico do país não estimulava 
significativamente o desenvolvimento industrial, mas a crise 
introduziu mudanças nesse quadro. O violento corte nas 
importações de bens de consumo criou uma conjuntura favorável 
ao investimento, por parte do empresariado, na indústria nacional. 
As indústrias brasileiras passaram a ocupar então boa parte do 
mercado, que antes era praticamente abastecido só por produtos 
importados. Foi a partir daí (dos anos 1930-1940) que a indústria 
transformou-se num setor importante da economia, alcançando 
taxas de crescimento superiores às do setor agrário. Por essa 
razão, afirma-se que o primeiro momento da industrialização 
brasileira baseou-se na substituição de importações. Além disso, 
o Estado passou a estimular os empresários industriais, que, em 
1931, já haviam se organizado em São Paulo, com a criação da 
FIESP. Logo no primeiro ano do Governo Vargas a economia 
diversificou-se tanto no setor industrial como no setor agrário. Ao 
lado das indústrias têxtil, alimentícia e de confecção, apareceram 
outros setores, como os de cimento, aço, materiais de transportes 
e extração mineral. 
A primeira metade da década de 1940, ainda no governo Vargas, 
foi decisiva para a criação de uma infraestrutura industrial, com a 
fundação da Companhia Siderúrgica Nacional, da Companhia Vale 
do Rio Doce, da Companhia Nacional de Álcalis, da Fábrica 
Nacional de Motores e outras. No segundo governo de Vargas 
(1951-1954) foi criada a Petrobrás (1953). Todas as empresas 
tinham participação majoritária do capital estatal. 
 
Propaganda do sedanna periferia das grandes cidades 
do Sudeste do país. 
c) formada por trabalhadores desempregados do campo e da 
cidade, que por serem militantes do Partido dos Trabalhadores 
defendem uma reforma agrária nos latifúndios improdutivos na 
Região Sul do país. 
d) revolucionária, uma vez que lutam pela socialização dos meios 
de produção e por um governo baseado na ditadura do 
proletariado. 
e) composta por trabalhadores rurais, que defendem uma reforma 
agrária em todo o país nos mesmos moldes da defendida pela 
União Democrática Ruralista. 
 
Questão 03 
As opções a seguir descrevem corretamente características de 
elementos presentes na estrutura agrária brasileira, EXCETO: 
a) AGRICULTURA ITINERANTE ' feita em pequenas 
propriedades, descapitalizada, baixa fertilidade do solo, baixa 
produtividade, com uso de queimadas e ocupação de novas áreas. 
b) AGRICULTURA INTENSIVA ' modernas técnicas de preparo do 
solo, de cultivo e de colheita, elevados índices de produtividade e 
bom grau de capitalização. 
c) PLANTATIONS ' pequenas e médias propriedades policultoras, 
cuja produção alimentar é destinada ao abastecimento dos centros 
urbanos mais próximos. 
d) POSSEIROS ' invasores de terras improdutivas, que atualmente 
estão organizados no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem 
Terra (MST). 
 
Questão 04 
São situações marcantes na transformação dos espaços agrários 
brasileiros, EXCETO: 
a) a preocupação constante em garantir a sustentabilidade dos 
solos, preparando-os para as gerações futuras. 
b) a modernização na forma de máquinas e insumos, aumentando 
a produtividade dos espaços. 
c) o aparecimento, no campo, de diversas atividades econômicas 
não rurais. 
d) a expressiva liberação de mão-de-obra, apesar do aumento de 
produção agrícola. 
 
Questão 05 
Responder à questão com base nas afirmativas. 
A realidade rural brasileira apresenta acentuadas contradições, 
como, por exemplo: 
I. A expansão das fronteiras agrícolas através do capitalismo 
investidor, pelo qual grandes grupos industriais tornam-se 
proprietários rurais. 
II. Grandes áreas agrícolas reduzidas a monoculturas 
exportadoras, como no interior de São Paulo, onde os extensos 
laranjais fornecem matéria-prima para sucos destinados à 
exportação. 
III. A substituição do sistema de colonato pelo trabalho temporário 
de bóias-frias. 
IV. O aumento de subsídios governamentais para o pequeno 
produtor, objetivando o abastecimento interno e a conseqüente 
baixa dos preços ao consumidor. 
Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas as da 
alternativa 
a) I e II 
b) I, II e III 
c) I e III 
d) II e IV 
e) III e IV 
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930) 
 
 
 
 
 
19 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Questão 06 
Observe o gráfico para responder à questão. 
 
A leitura do gráfico permite afirmar que 
a) o Brasil depende cada vez menos do setor agropecuário. 
b) nesta década aumentou a participação dos estados nordestinos 
na produção agropecuária. 
c) a produção agropecuária brasileira está muito concentrada. 
d) tem aumentado o valor da produção agropecuária graças às 
crescentes exportações. 
e) as maiores produções agropecuárias situam-se em estados 
interioranos. 
 
Questão 07 
Considerando a estrutura fundiária brasileira e de acordo com a 
tabela a seguir, assinale a alternativa correta. 
 
Fonte: INCRA, 1996. Extraído de ADAS, M. e ADAS, S. "Panorama geográfico do 
Brasil". São Paulo: Moderna, 1999. p. 404. 
 
a) O percentual de estabelecimentos com área inferior a 100 
hectares indica uma fraca concentração fundiária. 
b) Os estabelecimentos superiores a 1.000 hectares representam 
um percentual elevado da área total dos estabelecimentos, 
igualando-se às propriedades de até 100 hectares. 
c) A tabela expressa o que se entende por modernização 
conservadora da agricultura brasileira, caracterizada pelos 
latifúndios e pela concentração da propriedade rural. 
d) Na média, a distribuição de terras no Brasil, tanto em número de 
estabelecimentos quanto em área ocupada está em situação de 
equilíbrio, isto é, há uma correta divisão de terra entre os 
brasileiros. 
e) O número de estabelecimentos com mais de 1.000 hectares 
representa apenas 1,4% do total, o que indica uma fraca 
concentração fundiária. 
 
Questão 08 
TEXTO I 
"No contexto maior da economia colonial, a produção para o 
mercado interno - gado e alimentos - apresentava um forte caráter 
de subordinação face à grande produção de exportação. (...) 
Enquanto os compradores compareciam a um mercado de preços 
tabelados, os produtores de alimentos são obrigados a comprar os 
gêneros de que necessitam - escravos, ferros, tachos, armas - em 
um mercado livre, quase sempre com preços estabelecidos na 
base do exclusivo colonial, sem qualquer concorrência." 
(SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. In: LINHARES, M. Yedda (org.). "História 
geral do Brasil". Rio de Janeiro: Campus, 2000.) 
 
TEXTO II 
"A luta pelos alimentos como direito e pela comida sadia é das 
menos obscurantistas que pode haver, reflete o direito à vida e à 
escolha do que comer e ser informado sobre o que está comendo. 
É uma luta dos direitos do consumidor contra a lógica voraz dos 
grandes consórcios alimentícios, dentre os quais se destaca o 
Monsanto - que ocupa vários cargos no governo Bush, tal sua 
força e voracidade." 
(SADER, Emir. In: "Época", março de 2001.) 
 
O primeiro texto procura contextualizar a produção para o 
abastecimento interno no Brasil Colônia, enquanto o segundo 
refere-se à invasão de uma propriedade do Monsanto, produtor 
internacional de alimentos, por ambientalistas e pelo MST, durante 
o Fórum Social Mundial contra a globalização, realizado em Porto 
Alegre. 
A alternativa que aproxima os dois textos por apontar uma 
semelhança entre o processo brasileiro de produção de alimentos, 
no passado e no presente, é: 
a) A produção agrícola se mantém subordinada a interesses 
externos. 
b) O Estado deixa para agricultores de subsistência a tarefa da 
produção alimentar. 
c) As políticas públicas para o setor agrário provocam preços altos 
dos produtos exportados. 
d) As ações do Estado priorizam a produção alimentícia através de 
consórcios internacionais. 
 
Questão 09 
"Aprendemos que somos 'um dom de Deus e da Natureza' porque 
nossa terra desconhece catástrofes naturais (...) e que aqui, 'em se 
plantando, tudo dá'. 
(...) Aprendemos também que nossa história foi escrita sem 
derramamento de sangue, (...) que a grandeza do território foi um 
feito de bravura heróica do Bandeirante, da nobreza de caráter 
moral do Pacificador, Caxias, e da agudeza fina do Barão do Rio 
Branco; e que, forçados pelos inimigos a entrar em guerras, jamais 
passamos por derrotas militares. (...) Não tememos a guerra, mas 
desejamos a paz. (...) somos um povo bom, pacífico e ordeiro, 
convencidos de que 'não existe pecado abaixo do Equador'. (...) 
Em suma, essa representação permite que uma sociedade que 
tolera a existência de milhões de crianças sem infância e que, 
desde seu surgimento, pratica o "apartheid" social possa ter de si 
mesma a imagem positiva de sua unidade fraterna." 
(Adaptado de CHAUÍ, Marilena. "Brasil-mito fundador e sociedade autoritária". São 
Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000.) 
 
"aqui, em se plantando, tudo dá" 
 
A construção do mito de satisfação das necessidades alimentares, 
evidenciada neste fragmento do texto, contradiz a seguinte 
afirmativa: 
a) As terras férteis resultam da ação de agrotóxicos. 
b) Os melhores solos destinam-se aos cultivos para exportação. 
c) Os avanços tecnológicos direcionam-se às propriedades 
improdutivas. 
 
 
 
 
 20 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
d) Os diversos tipos climáticos dificultam a variedade de cultivos 
agrícolas 
 
Questão 10 
 
 
(Adaptado de SANTOS, Milton e SILVEIRA, Maria Laura. "OBrasil: território e 
sociedade no início do século XXI". Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 2001.) 
 
Os mapas, de 1975 e 1995, mostram a evolução do número e da 
distribuição de empresas de aviação agrícola no Brasil, que 
utilizam equipamentos sofisticados para pulverizar com pesticidas 
as plantações. 
Isso demonstra uma dinamização do setor associada aos 
processos de: 
a) metropolização e êxodo rural 
b) expansão da fronteira agrícola e difusão da agroindústria 
c) esvaziamento das áreas interiores e concentração urbana 
d) centralização da política agrícola e descentralização de 
investimentos produtivos 
 
Questão 11 
O mais novo dos impérios e a única monarquia do Novo Mundo, 
tão ricamente contemplado com belezas naturais e riquezas 
materiais ainda enterradas em seu seio, tão esplêndido em 
posição geográfica (...) parece ser o filho predileto da Fortuna. (...) 
Agricultores de primeira categoria parecem inclinados a vir para 
um país onde uma área igual de terreno produz três vezes mais do 
que na Luisiana. (...) Começou, assim, um acentuado influxo de 
homens trabalhadores e diligentes, acostumados a utilizar 
maquinaria agrícola e formando, em cada colônia, um núcleo, em 
torno do qual podem fixar-se agricultores europeus. 
(BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. São Paulo: Itatiaia / 
EDUSP, 1976.) 
 
O naturalista e explorador inglês Richard Burton esteve no Brasil 
durante a década de 1860. Após percorrer o interior do país, 
produziu uma narrativa sobre o que observou, fazendo sugestões 
para o progresso nacional. 
Pelo que se diz no texto, no que se refere às relações entre 
natureza e população, Burton avaliava as potencialidades da 
economia como boas, desde que se criasse a seguinte condição: 
a) o trabalho agrícola fosse financiado pelas elites nacionais e 
estrangeiras 
b) a posição geográfica e a fertilidade da terra permitissem a 
fixação de imigrantes 
c) a natureza generosa fosse trabalhada por mão-de-obra 
produtiva e qualificada 
d) os recursos existentes fossem utilizados para o 
desenvolvimento do setor urbano e industrial 
Questão 12 
 Considere o gráfico apresentado abaixo. 
 
(Melhem Adas. "Panorama Geográfico do Brasil". São Paulo: 
Moderna, 1998. p. 407.) 
 
A partir dos dados apresentados e de seus conhecimentos sobre a 
estrutura agrária brasileira, pode-se concluir que 
a) os estabelecimentos com mais de 1.000ha são os mais 
produtivos, visto que os proprietários não necessitam utilizar toda a 
área disponível para a produção agrícola. 
b) as pequenas propriedades e os minifúndios no Brasil 
caracterizam-se por um maior grau de utilização da terra para a 
agricultura. 
c) as propriedades entre 10 e 1.000ha apresentam maior equilíbrio 
na utilização da terra para a agricultura, mantendo grandes áreas 
de vegetação nativa. 
d) a maior parte das propriedades com mais de 1.000ha situam-se 
em áreas de proteção ambiental, e por isso não podem ser usadas 
para a agricultura. 
e) há um grande desequilíbrio na utilização da terra pelos 
proprietários de pequenas propriedades e minifúndios, já que a 
maior área é ocupada pela lavoura temporária. 
 
Questão 13 
Observe este mapa, em que estão representadas as fronteiras 
agrícolas que se constituíram no território brasileiro, na segunda 
metade do século XX: 
 
(FONTE: BECKER, B. K. et al. (Org.). "Geografia e meio ambiente no Brasil". São 
Paulo / Rio de Janeiro: HUCITEC / Comissão Nacional do Brasil da União 
Geográfica Internacional, 1995. p. 197.) (Adaptado) 
 
Considerando-se essas fronteiras agrícolas, é INCORRETO 
afirmar que elas 
a) diferem quanto ao grau de incorporação de técnicas produtivas, 
podendo ser tanto modernas quanto tradicionais. 
b) ocupam ecossistemas diferentes, como os de floresta 
equatorial, floresta tropical e cerrado. 
c) priorizam a horticultura e a fruticultura voltadas para o 
abastecimento das metrópoles regionais. 
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930) 
 
 
 
 
 
21 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
d) resultam de movimentos migratórios espontâneos e de projetos 
de colonização oficial e privada. 
 
Questão 14 (Ufpe) 
As afirmativas a seguir referem-se à organização do espaço 
agrário brasileiro. Uma delas, no entanto, não corresponde à 
realidade. Identifique-a. 
 
a) A faixa litorânea úmida do Nordeste Oriental constitui um 
espaço singular, individualizado pelo predomínio da agricultura de 
"plantation", organizada em torno de grandes propriedades e 
culturas tropicais. 
b) A modernização e a capitalização da economia rural estão 
associadas ao desenvolvimento urbano e industrial verificado no 
país. 
c) Em São Paulo, Rio de Janeiro, sul de Minas e Paraná, verifica-
se um complexo econômico agropecuário moderno, relacionado às 
necessidades industriais, bastante dependentes de fluxos 
financeiros. 
d) Os fluxos migratórios que deixam São Paulo e os estados do 
Sul não refletem as conseqüências da modernização da economia 
rural regional; associam-se mais aos conflitos, às vezes violentos, 
entre posseiros e proprietários rurais. 
e) A concentração da propriedade da terra é um dos traços mais 
significativos da economia rural brasileira; esse fato remonta ao 
modelo de colonização adotado no país pelos portugueses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA PÓS-1930 E OS 
MOVIMENTOS SOCIAIS 
INTRODUÇÃO 
A partir do momento em que a Indústria se tornou o setor-chave da 
economia nacional, desde pelo menos os anos 1950, a cidade 
passou a dominar o campo e a agropecuária começou a 
desempenhar um triplo papel: primeiro, continuar a gerar divisas 
por meio das exportações, divisas que servirão para ajudar a pagar 
a dívida externa e a importar maquinarias indispensáveis ao 
processo de industrialização; segundo, fornecer as matérias-primas 
ou os combustíveis necessários para os bens fabricados pela 
indústria (algodão, fumo, álcool, por exemplo); por fim, alimentar os 
grandes contingentes humanos que se concentram nas cidades e 
servem de força de trabalho nas indústrias ou no setor terciário da 
economia. Este último papel é o que ela desempenha mais 
precariamente, já que os outros dois são bem mais lucrativos 
Dessa forma os cultivos da soja, da cana-de-açúcar, da laranja e 
do café passaram nos últimos anos por grande modernização: 
multiplicaram-se os tratores e as demais máquinas, usam-se cada 
vez mais fertilizantes e herbicidas. E produtos voltados para o 
mercado interno de alimentos, como feijão, arroz, mandioca, milho 
e batata, continuam a ser cultivados com métodos tradicionais, 
sem conhecerem esse processo de modernização agrícola. O 
único produto voltado para a alimentação que passou por 
modernização e crescimento da área cultivada foi o trigo. Mas isso 
só ocorreu porque houve subsídios governamentais para a sua 
produção, que aumentava muito as importações do país. Contudo, 
com a criação do Mercosul, em 1991, a produção nacional de trigo 
ficou praticamente estagnada por causa da entrada do produto 
argentino, em geral mais competitivo. 
AGRIBUSINESS 
O campo vem se modernizando bastante nas últimas décadas. 
Tanto que alguns autores falam num “novo rural” brasileiro. Um dos 
destaques deste “novo rural” são os agribusiness, os agronegócios 
ou, como preferem alguns, a agroindústria. 
O termo agribusiness designa toda uma cadeia de produção 
interligada de bens que dependem uns dos outros: desde produtos 
agrícolas (soja, uva, fumo, algodão, café, cana-de-açúcar, 
pecuária, etc...) máquinas e equipamentos agrícolas, adubos, 
fertilizantes etc..., até os produtos agrícolas industrializados (óleos, 
cigarros, tecidos, vinhos, café solúvel, etc..) 
Como se percebe, não se trata de um setor apenasrural, e muito 
menos apenas agrário, mas de um complexo que envolve 
atividades urbanas e interligadas. Uma subordinação do campo à 
cidade ou, em outros termos, uma modernização do campo. É 
evidente que a atividade básica do agribusiness é a agropecuária, 
mas uma agropecuária modernizada, com elevada produtividade 
da terra, fruto da aplicação de uma tecnologia avançada (correção 
de solos, aprimoramento em laboratórios de raças de animais ou 
de cultivos) e de forte investimento de capitais. 
O grande destaque do agribusiness brasileiro tem sido a soja, um 
produto que antes era importado e hoje representa cerca de 10% 
das nossas exportações totais. O Brasil virou o maior exportador 
mundial de soja, desbancando os Estados Unidos, e pode até se 
tornar rapidamente o maior produtor mundial (que ainda são os 
Estados Unidos em virtude de seu grande consumo interno). 
A viabilidade da soja no Brasil, especialmente na região do cerrado 
(Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, oeste da Bahia, parte 
de Minas Gerais, sul do Piauí, etc..), foi o resultado de décadas de 
pesquisas para a correção dos solos tidos como pobres, para o 
aprimoramento da planta e das técnicas de produção. E a soja está 
ligada a toda uma cadeia que vai da grande produção de 
máquinas, tratores e instrumentos agrícolas até as indústrias do 
farelo e do óleo de soja. 
Outro setor da agroindústria que se expandiu e continua a crescer 
é o da fabricação de vinhos, especialmente no Rio Grande do Sul 
(região serrana ao redor de Bento Gonçalves e região fronteiriça 
com o Uruguai) e no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e 
Bahia. Nesta última região, existe ainda uma forte produção de 
frutas que, em geral, se destinam ao mercado externo. Também 
aqui houve um exaustivo trabalho de pesquisa para se chegar às 
melhores variedades de uvas ou de outras frutas, para irrigar os 
solos, etc.. Outros setores importantes no agronegócio brasileiro 
são a produção de carnes (de boi e de aves) e derivados 
(salsichas, patês, salames, produtos de couro, de ossos ou de 
chifres, etc..) de álcool combustível, de algodão e tecidos e de café 
e derivados. 
O Brasil tem excelentes condições, que nenhum outro país tem na 
mesma proporção, de expandir o seu agribusiness. Primeiro, a 
enorme disponibilidade de terras agricultáveis ainda não 
aproveitadas ainda não aproveitadas. Segundo, a incrível 
disponibilidade de água, elemento básico na agropecuária – que é 
a atividade econômica que mais utiliza água várias vezes mais que 
os setores industrial, residencial, de serviços, etc.. – e que já 
começa a escassear em várias partes do mundo. O Brasil é o país 
que possui as maiores reservas mundiais de água potável, embora 
elas estejam desigualmente distribuídas pelo território. Terceiro, 
uma tecnologia apropriada. O país desenvolveu – e continua a 
desenvolver, apesar dos frequentes problemas de cortes de verbas 
para pesquisas – inúmeras tecnologias inovadoras nesse campo, 
desde o álcool como combustível (puro ou misturado à gasolina) 
até a correção dos solos do cerrado, passando pelo biodiesel, pela 
criação por meio da engenharia genética de novas espécies de 
plantas ou de aves (como o chester), etc. 
A QUESTÃO DA REFORMA AGRÁRIA 
A partir de 1970, começou uma expansão das “fronteiras agrícolas” 
(faixa de terras cultivadas ou aproveitadas pela pecuária) do país 
em direção à Amazônia, com a ocupação de terras devolutas, a 
derrubada da mata e o estabelecimento da lavoura ou da pecuária. 
Em boa parte, essa ocupação da terra é apenas formal, com a 
empresa (às vezes, uma multinacional) conseguindo o título de 
propriedade da área e deixando-a ociosa à espera de valorização. 
Mas essa expansão das áreas ocupadas pela agropecuária acabou 
agravando ainda mais o problema da estrutura fundiária, já que o 
tamanho médio das propriedades que ocupam a maior parte das 
novas terras é enorme, constituindo, de fato, autênticos latifúndios. 
Esse agravamento – crescimento das grandes propriedades em 
detrimento dos minifúndios – também prejudica a produção de 
alimentos, porque as grandes propriedades, em geral, se voltam 
para os gêneros agrícolas de exportação. Vários estudos 
calcularam que 60% a 70% dos gêneros alimentícios destinados ao 
abastecimento do país procedem da produção de pequenos 
lavradores, que trabalham em base familiar. Portanto, a 
concentração ainda maior da estrutura fundiária explica a queda da 
produção de alguns gêneros alimentícios básicos e o crescimento 
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais 
 
 
 
 
 
23 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
de produtos agrícolas de exportação. 
Desde os anos de 1950, discute-se no Brasil a reforma agrária, que 
consiste em uma redistribuição das propriedades do meio rural, em 
uma melhor distribuição de terras. De forma genérica, a reforma 
agrária é uma mudança na estrutura fundiária do país efetuada 
pelo Estado, que desapropia grandes fazendeiros com 
propriedades improdutivas e distribui lotes de terras a famílias 
camponesas. 
É bom ressaltar que a reforma agrária nada tem de “socialista”, tal 
como apregoam alguns. Pelo contrário, ela já foi feita em 
praticamente todos os países desenvolvidos, todos eles capitalistas 
– desde a França até o Japão -, além de ter sido realizada em 
países que antes eram considerados pobres e hoje são tidos como 
desenvolvidos (como a Coréia do Sul). 
Uma melhor distribuição social da propriedade rural – tal como 
existe nos Estados Unidos, por exemplo, onde não há latifúndios e 
predominam as propriedades familiares – é algo fundamental para 
o desenvolvimento econômico e social de uma nação. 
A atual situação fundiária do Brasil, com grandes propriedades 
improdutivas, milhares de camponeses sem-terra e grande pobreza 
no campo, além dos conflitos pela terra, comuns do país, é 
desastrosa para a maioria da população e para a imagem do Brasil 
no exterior. Além disso, é comum existirem períodos de falta de 
gêneros agrícolas para a alimentação e os preços de certos 
produtos agropecuários tornarem-se proibitivos para amplas 
parcelas da população. 
Ao mesmo tempo, existem enormes extensões de terras férteis que 
têm dono e não são utilizadas produtivamente. O desperdício e a 
subutilização convivem lada a lado com a miséria dos pequenos 
agricultores e dos trabalhadores agrícolas. 
A reforma agrária, em síntese, deve visar resolver o problema dos 
camponeses sem-terra e da pobreza em campo, assim como o 
abastecimento alimentar da maioria da população. Ela deve, então, 
promover a justiça social, pois em qualquer parte do mundo é 
intolerável uma enorme concentração de riquezas ou das terras em 
poucas mãos. Mas não podem consistir somente na 
desapropriação de certas áreas para redistribuição, pois, sem 
outras condições complementares – crédito bancário facilitado, 
preços mínimos para certos produtos agrícolas, garantia de 
transporte, incentivos à modernização das técnicas e etc... -, corre-
se o risco de fracasso total. 
Em muitos exemplos de distribuição de lotes de terras a famílias 
camponesas, especialmente na Amazônia, após alguns anos o 
pequeno proprietário vendeu sua terra para grandes empresas ou 
fazendeiros, partindo em busca de novas terras, ainda mais longe, 
ou trabalhando como assalariado. Isso porque não dispôs das 
condições citadas. Sem crédito bancário, sem sementes, sem 
compradores com preços razoáveis e até sem transporte, somando 
a isso tudo o fato de que, na Amazônia, os solos são pobres e 
podem se esgotar em poucos anos, o pequeno proprietário tem de 
vender sua terra para sustentar a família. Em suma, uma reforma 
agrária deve ter em conta todos esses aspectos, pois não se trata 
apenas de redistribuição da terra rural, mas também de uma 
reforma da política agrícola. 
Apesar de ser intensamente discutida e de terem sido criados 
órgãos governamentais que deveriam implementá-la – o último foi 
o Instituto Nacionalde Colonização e Reforma Agrária (Incra), que 
ainda existe -, a reforma agrária nunca foi amplamente executada 
no Brasil, embora tenha sido e continue sendo executada de forma 
parcial. Uma evidência da falta de uma ampla reforma agrária 
encontra-se na persistência da enorme concentração na 
propriedade fundiária. Em todo o caso, desde meados dos anos 
1990 o governo federal vem tentando, na medida do possível, 
expandir a reforma agrária no Brasil. Mas as dificuldades para isso 
são enormes. 
Uma delas é que existem fortes interesses contrários dos grandes 
proprietários rurais, que muitas vezes acabaram predominando: 
esses proprietários formam lobbies ou grupos de pressão para 
convencer os políticos – tal como ocorreu na Constituinte de 1988 
– e abortam as tentativas de mudanças na legislação que 
procuram facilitar a desapropriação das terras. 
Também existem dificuldades jurídicas: em muitos casos, os 
proprietários ganham na justiça indenizações milionárias ou até 
bilionárias, várias vezes acima do preço de mercado dos imóveis, 
como pagamento de suas terras desapropriadas, algo que ocorreu 
muito nos anos 1990 e início deste século. Isso ocorreu e, às 
vezes, ainda ocorre, por causa da corrupção ou dos interesses 
comuns entre os proprietários e determinados fiscais ou 
funcionários do Incra. Encarregados de avaliar o imóvel, que 
exageram o seu valor na medida em que, por vezes, negociam 
uma comissão para isso, e eventualmente alguns juízes, que, por 
diversos motivos – seja pela identificação ou conivência com os 
proprietários, seja por acreditarem nos laudos dos fiscais -, dão 
sentenças favoráveis a essas indenizações abusivas. 
Mas talvez o grande impedimento para uma ampla e generalizada 
reforma agrária no Brasil seja o custo de manter os assentados. 
Uma reforma agrária bem-feita não consiste apenas em 
desapropriar terras improdutivas e distribuí-las para os 
trabalhadores rurais. Se fosse apenas isso, seria bem menos 
complicado: consistiria tão somente em detectar as terras 
improdutivas (algo que não é tão fácil como parece), desapropriá-
las (o que como já vimos, também é complicado por causa das 
indenizações) e distribuí-las entre os camponeses sem-terra, 
pessoas que têm uma vocação para o trato com a terra e alguma 
experiência nessa atividade. Esta distribuição também não é algo 
fácil, pois existe um grande número de oportunistas que se 
misturam aos verdadeiros camponeses, de pessoas que não tem o 
menor interesse em trabalhar na terra (e, às vezes, nem precisam 
dela), mas apenas pretendem vende-la rapidamente para 
conseguir algum lucro. 
Algumas organizações de sem-terra até mesmo incentivam a vinda 
de pessoas sem vocação nem experiência no trabalho rurais, 
principalmente desempregados (embora não apenas), que existem 
aos milhões nas cidades, para engrossar suas fileiras. Isso porque, 
com um maior número de pessoas, elas podem promover 
manifestações mais ruidosas e conseguir, assim, uma maior 
cobertura da mídia (TV, jornais, revistas), o que garantirá a 
continuidade de verbas ou auxílios que recebem de algumas ONGs 
(Organizações Não Governamentais) dos países ricos ou, às 
vezes, até do Banco Mundial. 
Para custear os assentamentos – as pessoas assentadas que 
receberam lotes de terras da reforma agrária -, é preciso haver 
financiamento com juros baixíssimos (caso contrário, não 
conseguirão pagar) para a compra de adubos, sementes, 
eventualmente máquinas etc... Os assentamentos precisam de 
estradas e caminhões para escoar a produção, precisam de 
garantias de um preço mínimo para cada produto que cultivam, 
etc... e isso tudo é extremamente custoso. Foi por falta dessas 
condições – o apoio aos assentados – que vários projetos de 
reforma agrária fracassaram no Brasil, especialmente na 
Amazônia, onde, após alguns anos, os assentados venderam suas 
terras para grandes proprietários por não conseguirem sustentar a 
família com essa atividade. 
 
 
 
 
 24 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
A estrutura fundiária do Brasil é caracterizada por uma forte concentração de terras. A Tabela A 
permite visualizar as diferenças regionais desta concentração. A Tabela B destaca o número de 
conflitos pela terra nos estados de São Paulo e Tocantins, em 1997. 
 
 
Aponte duas razões para a menor incidência de áreas improdutivas na região Sul. 
 
Questão 02 
A população rural do Brasil tem decrescido nas últimas décadas. De acordo com dados do IBGE, na 
década de 1980, a população rural era de aproximadamente 37 milhões; no ano 2000 havia cerca de 
31 milhões de brasileiros morando no campo. O gráfico apresenta o comportamento da agricultura no 
Brasil nas duas últimas décadas em relação à produção e à área cultivada. 
 
 Adaptado de "Boletim Técnico O agrônomo", Instituto Agronômico de Campinas, volume 51. 213, 1999. 
 
Levando em consideração as mudanças ocorridas no campo nas últimas duas décadas e analisando o 
comportamento do gráfico, é correto afirmar que 
a) as áreas destinadas à lavoura têm aumentado consideravelmente, graças ao crescimento do 
mercado consumidor. 
b) a produção agrícola aumentou juntamente com a área cultivada, devido à abertura do mercado para 
exportação. 
c) a densidade demográfica nas áreas cultivadas tem crescido junto com a produção agrícola. 
d) a área destinada à agricultura não aumentou, mas a produtividade tem crescido, graças à aplicação 
de novas tecnologias. 
e) a produção agrícola do País cresceu no período considerado, enquanto a produtividade do homem 
do campo diminuiu. 
 
Questão 03 
Leia atentamente as afirmações abaixo. 
I. Nas proximidades da capital paulista temos áreas de ........................... em que se destacam as 
atividades de hortifruticultura associadas à criação de gado leiteiro. 
II. Na região Nordeste, o abastecimento do mercado de consumo do litoral é oriundo do 
......................................, área tradicional de policultura e criação leiteira. 
III. Na maior parte do Maranhão e do Piauí, a extração de ........................... aparece associada à 
criação de gado bovino. 
Anotações 
 
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais 
 
 
 
 
 
25 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das afirmações I, II e III. 
a) policultura intensiva; Meio Norte; babaçu e carnaúba. 
b) policultura intensiva; Agreste; babaçu e carnaúba. 
c) monocultura; Sertão; cacau e carnaúba. 
d) policultura extensiva; Agreste; carnaúba e seringueira. 
e) monocultura; Sertão; cacau e seringueira. 
 
Questão 04 
Dentre as tendências predominantes na agricultura brasileira, nos últimos trinta anos, destacam-se: 
a) O fornecimento de matérias-primas para as indústrias, e a agricultura moderna de alimentos 
voltadas à exportação / A intensa liberação dos trabalhadores expulsos da agropecuária. 
b) O processo de modernização que igualou os produtores rurais empresariais e familiares na 
produção para o mercado interno. / O maior fornecimento de matérias-primas para as indústrias. 
c) O desenvolvimento significativo das culturas voltadas apenas para a produção de insumos 
industriais. / A intensa liberação dos trabalhadores expulsos da agropecuária. 
d) O processo de modernização que igualou os produtores rurais empresarias e familiares na 
produção para o mercado interno. / A intensa liberação dos trabalhadores expulsos da agropecuária. 
e) A maior produção de grãos destinada ao mercado interno. / O crescimento progressivo da oferta de 
empregos relacionados ao AGRIBUSINESS. 
. 
Questão 05 
"As transformações profundas por que tem passado o campo brasileiro nas últimas décadas têm 
gerado um aumento significativo dos movimentos sociais rurais, em luta pela terra ou por melhores 
condições de trabalho." 
(AriovaldoU. de Oliveira "Agricultura Brasileira" In: Ross, 1995, p. 523). 
 
A esse respeito pode-se afirmar que: 
a) o processo de luta pela terra é recente no Brasil, tendo como marco inicial a ocupação de terras 
devolutas em Goiás, na década de 1970, conhecida como a Revolta de Trombas e Formoso. 
b) o Movimento das Ligas Camponesas expandiu-se do Nordeste para outras áreas do país nas 
décadas de 1950-60, sendo considerado a primeira forma de luta pela reforma agrária. 
c) os movimentos sociais predominam no Norte e Nordeste, mas não têm expressão na Região 
Sudeste, em razão do estágio de organização e desenvolvimento de sua economia rural. 
d) o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) originou-se na Amazônia, nos anos 90, 
em decorrência de conflitos entre posseiros e fazendeiros nas áreas de fronteira agrícola. 
e) o reconhecimento e a demarcação efetiva do conjunto das terras indígenas na Amazônia resultaram 
de pressões exercidas pelos movimentos internacionais nas esferas do Governo Federal. 
 
Questão 06 
 
 
Nas áreas assinaladas por 1 e 2 no mapa do Estado de São Paulo predominam, respectivamente, as 
seguintes atividades econômicas: 
a) Pecuária de corte modernizada, verificando-se em alguns municípios o uso de zootecnia para o 
aprimoramento das espécies. / Pecuária voltada para o abastecimento de leite. 
b) Agroindústria da laranja. / Pecuária de corte modernizada, verificando-se em alguns municípios o 
uso de zootécnica para o aprimoramento das espécies. 
c) Pecuária voltada para o abastecimento de leite. / Complexo agropecuário especializado na 
produção de leite e em atividades agro-industriais. 
d) Pecuária Tradicional do tipo extensivo, utilizada para corte e produção de leite. / Agroindústria da 
laranja e demais frutos tropicais. 
e) Agroindústria canavieira. / Complexo agropecuário especializado na produção de leite e em 
atividades agro-industriais. 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
 26 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 07 
 
 
 
As transformações no campo brasileiro, a partir da década de 1970, incluem processos como o 
ilustrado acima, acontecidos na região 
a) Norte. b) Sul. c) Centro-Oeste. d) Nordeste. e) Sudeste. 
 
Questão 08 
No Piauí, uma empresa fruticultora vem produzindo para exportação, sobretudo mangas para o 
mercado europeu. A região, sem tradição no setor, tem terras férteis e baratas, reserva hídrica, 
luminosidade e altas temperaturas no verão. Em função do clima, o ciclo de maturação dos frutos é 
rápido, o que impôs pesquisar e descobrir usos adequados de nutrientes e hormônios vegetais para 
controlar o amadurecimento. A empresa dispõe de 18 poços artesianos para irrigar 400 ha de área 
plantada. Empregando 200 trabalhadores, exportou 800 toneladas de manga para a Europa. Pretende 
atingir 4 mil toneladas por ano e expandir-se para o mercado dos EUA. 
(Fonte: Adaptado de "Pomares do futuro", Revista Globo Rural, abril de 1999, p. 61-63.) 
 
Assinale a alternativa que NÃO corresponde ao contexto da situação descrita: 
a) As inovações técnicas e organizacionais na agropecuária brasileira, no período atual, concorrem 
para um novo uso da terra e do tempo no calendário agrícola, e para reforçar a redivisão territorial do 
trabalho no campo. 
b) O território brasileiro tem incorporado características da revolução agrícola, especialmente nas 
culturas de exportação, que vêm invadindo algumas áreas antes destinadas à agricultura alimentar 
básica (como milho, feijão e arroz). 
c) A modernização capitalista no campo, à base de investimentos em ciência e tecnologia, elevou a 
produtividade e o volume da produção no país. Com isso, diminuem as limitações impostas pelas 
condições naturais. 
d) Com a modernização da produção agropecuária no Brasil, marcada pela forte participação do 
Estado, as empresas agroindustriais absorveram o excedente da mão-de-obra agrícola e aqueles que 
não tiveram acesso à terra. 
e) A modernização do campo concentrou-se basicamente no Centro-Sul do país, expandindo-se a 
seguir em manchas descontínuas e especializadas (frutas, soja, legumes para industrialização etc.), 
como é o caso de algumas áreas do Nordeste. 
 
 
Anotações 
 
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais 
 
 
 
 
 
27 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Além de possíveis problemas relacionados à saúde pública e à 
ecologia, a introdução de produtos agrícolas geneticamente 
modificados, os chamados transgênicos, no Brasil, pode ter uma 
implicação econômica, devido: 
a) à proibição da entrada destes produtos nos Estados Unidos. 
b) à concorrência com a produção de transgênicos na Europa. 
c) ao atraso tecnológico do Brasil frente aos demais produtores da 
América Latina. 
d) à resistência dos países da União Européia em consumirem 
estes produtos. 
e) à falta de preparo do trabalhador rural no manejo destes 
produtos. 
 
Questão 02 
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence 
disse que a proposta de limitação do tamanho das propriedades 
rurais deveria "ter como base o módulo rural, que permita a 
adequação do limite à evolução da tecnologia da terra". 
("O Estado de São Paulo" - 22/08/2000) 
 
O Estatuto da Terra de 1964 define módulo rural como uma área 
suficiente para garantir ao trabalhador e à sua família (média de 
quatro pessoas) o rendimento mínimo necessário para sua 
sobrevivência. Sobre esse assunto assinale a alternativa 
INCORRETA: 
a) a extensão do módulo rural varia dependendo do tipo de 
atividade desenvolvida. 
b) a extensão do módulo rural é fixada pelo INCRA e é válida para 
todo o território nacional. 
c) nas áreas dos cinturões verdes o módulo rural pode ter uma 
pequena extensão. 
d) as condições climáticas e de solo interferem na definição da 
extensão do módulo rural. 
e) nas áreas de cultivo e nas áreas de pecuária o módulo rural tem 
extensões diferenciadas. 
 
Questão 03 
Qual das alternativas seguintes NÃO faz uma afirmativa correta 
sobre a situação da agricultura brasileira? 
a) Nas últimas décadas, com o avanço do capitalismo no campo, a 
agricultura passou por um processo de modernização; mas isso 
não garantiu a melhoria do padrão de vida de grande parte dos 
trabalhadores rurais. 
b) Nos últimos anos, a manutenção de latifúndios vem sendo 
duplamente ameaçada: pela ocupação de terras e pela queda do 
preço da terra. 
c) Nos anos 90, o Movimento dos Sem Terra (MST) tem sido o 
mais forte movimento social em prol da distribuição da terra no país 
e vem contando com o apoio de grandes proprietários de terra e de 
grandes empresários rurais. 
d) Na última década, as indústrias de alimentos inovam e 
diversificam os produtos alimentícios agregando maior valor à 
matéria-prima fornecida pelos produtores rurais e transferindo 
renda do campo para as grandes indústrias e cadeias de 
supermercados. 
e) A partir da década de 1960, a modernização da produção 
agrícola teve como condição básica os créditos agrícolas 
garantidos pelo Estado, e os grandes beneficiários foram os grupos 
sociais com maior poder político e econômico. 
Questão 04 
 
 
A origem do problema agrícola mostrado na foto é, principalmente, 
a) pedológico, pois a existência de vastas manchas de latossolos 
de baixa produtividade tem excluído muitos camponeses sem 
recursos para a compra de insumos agrícolas. 
b) político, pois a concentrada estrutura fundiária impede que 
milhares de pessoas tenham acesso à terra e produzam alimentos 
ou outros gêneros agrícolas. 
c) geográfico, pois com a expansão da fronteira agrícola houve um 
aumento de migrantes no campo, muitos dos quais não adaptados 
às novas condições climáticas das áreas ocupadas. 
d) técnica, pois a introdução de novos produtos agrícolas 
inviabilizou o processo de modernização da produção devido à 
carência de especialistas na atividade agrária.e) comercial, pois o elevado número de trabalhadores no campo 
tem alto custo e baixa produtividade, fatores que diminuem a 
competitividade agrícola. 
 
Questão 05 
Considere o seguinte depoimento: 
Meu nome é Benedito. Sou do interior. Moro na capital. No interior, 
o trabalho era pouco, as cercas eram muitas, a seca era grande. 
Às vezes, trabalhava na cana, às vezes, trabalhava de servente, às 
vezes, fazia bico brocando mato. Eu não tinha terra. Vim para a 
capital. Aqui trabalho na construção civil. Levanto edifícios, levanto 
casas, levanto pontes e cavo galerias. A minha mão faz a cidade 
maior. Sonho construir uma boa casa. A casa da minha família. 
(Revista "Travessia", maio/agosto de 2001, p. 38) 
 
A leitura do texto e seus conhecimentos sobre a dinâmica 
populacional brasileira permitem afirmar que 
a) nos anos de 1990, as migrações cíclicas no campo perderam 
força, principalmente, devido às oportunidades de trabalho nas 
cidades. 
b) desde o início dos anos de 1980, que praticamente não há mais 
migração do campo para a cidade, sendo este depoimento bem 
antigo. 
c) nos anos de 1990, a nova abertura das fronteiras agrícolas, no 
Norte, redirecionou as migrações para o campo e não mais para as 
cidades. 
d) no final do século XX, a estrutura fundiária concentradora, ainda, 
é responsável pelo êxodo de milhares de trabalhadores rurais. 
e) nos anos de 1990, o movimento do campo em direção às 
pequenas e médias cidades declinou, aumentando aquele que se 
dirige para as grandes cidades. 
 
 
 
 
 28 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 06 
Responda a esta questão com base nos mapas seguintes: 
 
Um título adequado integrando os dois mapas poderia ser: 
a) substituição da pecuária pela lavoura 
b) substituição da vegetação natural por áreas de atuação 
antrópica 
c) implantação de parques e reservas nas áreas de cerrado 
d) expansão da desertificação nas áreas de cerrado 
e) lavouras irrigadas no domínio do cerrado 
 
Questão 07 
As maiores alterações do espaço agrário brasileiro são irradiadas 
da Região Sudeste, sendo essa a região que mais contribui para o 
produto interno do setor agropecuário brasileiro. Nesse sentido, 
são corretas as seguintes afirmativas, EXCETO: 
a) A concentração de capital permite maiores investimentos para a 
melhoria das técnicas agrícolas que, por sua vez, são tomadas 
como exemplos pelos produtores rurais de outras áreas do país. 
b) As empresas se expandem para continuar a crescer, fazem 
investimentos fora de sua sede territorial, mas mantêm com ela 
fortes laços de dependência. 
c) A concentração industrial exige grande quantidade de produtos 
agrícolas como matéria prima. 
d) Cada vez mais a economia agroindustrial no Brasil está apoiada 
na produção de matéria prima bruta para as indústrias sediadas no 
complexo urbano-industrial de São Paulo. 
 
Questão 08 
Leia com atenção o texto abaixo: 
"A ocupação do Paraná intensificou-se na década de 40, com a 
chegada das culturas de café e de algodão no norte do Estado, nas 
áreas pioneiras polarizadas por Londrina. Nelas, multiplicaram-se 
as pequenas e médias propriedades e a oferta de emprego rural. 
Milhares de migrantes chegavam atualmente à região: entre 1950 e 
1960, a população paranaense cresceu mais de 100%, um recorde 
entre os estados brasileiros. 
A partir de 1970, a introdução do cultivo de soja alterou 
substancialmente a estrutura agrária de vastas porções do Estado. 
(...) Entre 1970 e 1980 o Paraná voltou a quebrar um recorde, só 
que desta vez negativo: sua população cresceu apenas 11%, o 
menor índice entre os estados brasileiros." 
(MAGNOLI, D. e ARAÚJO, R. "A Nova Geografia", Ed. Moderna) 
 
Assinale a alternativa que indica as causas dessa grande mudança 
no crescimento populacional do Paraná: 
a) O crescimento do tamanho médio das propriedades e a 
mecanização agrícola. 
b) A fragmentação das grandes unidades rurais em novas 
pequenas propriedades de terra, acompanhada pela melhoria da 
infra-estrutura para o escoamento da produção do pequeno 
agricultor. 
c) A ampliação de oportunidades econômicas na região rural do 
Estado e o deslocamento de parte da população urbana das 
médias e pequenas cidades do interior para as áreas rurais para 
trabalhar no cultivo de soja. 
d) A estabilidade da política agrária, sobretudo no que concerne 
aos incentivos e subsídios ao pequeno trabalhador rural e o 
conseqüente crescimento de sua renda familiar. 
e) A instalação de assentamentos rurais destinados a retomar a 
cultura do café e o aumento da necessidade de mão-de-obra no 
campo. 
 
Questão 09 
O avanço das relações capitalistas na década de 1970 provocou 
expressivas mudanças no espaço agrário gaúcho, ao mesmo 
tempo que o país se preocupava com a inserção da sua economia 
no mercado internacional. A característica que melhor define a 
situação do Rio Grande do Sul nessa década é 
a) o predomínio da produção de alimentos em pequenas 
propriedades em função do abastecimento de uma sociedade 
urbano-industrial local. 
b) a produção de policulturas destinadas ao mercado interno 
gaúcho, realizada por antigos colonos com o auxílio de subsídios 
governamentais. 
c) o intenso processo de reformas agrárias, que contribuíram 
definitivamente para o atual quadro fundiário gaúcho. 
d) o retorno do migrante das grandes e médias cidades gaúchas, 
que busca novamente possibilidades no campo, amenizando os 
problemas sociais urbanos. 
e) a produção voltada principalmente para a cultura da soja, com a 
finalidade de exportação, contribuindo para a diminuição da área 
destinada a outros cultivos. 
 
Questão 10 
 
 
Fonte: Conflitos no Campo Brasil 1997. Comissão Pastoral da Terra. 
(SANTOS, M. e SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século 
XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.) 
 
O mapa acima mostra a distribuição espacial de conflitos em torno 
da propriedade da terra no Brasil. 
Observando a diferenciação por estados e regiões e traçando um 
paralelo com as características da agricultura brasileira, é possível 
afirmar que os conflitos ocorrem principalmente em: 
a) áreas em processo de modernização agrícola e expansão da 
agroindústria 
b) estados administrados pela oposição ao governo federal e em 
crise econômica 
c) regiões de maior densidade demográfica e crescimento 
populacional acelerado 
d) periferias das grandes metrópoles e áreas urbanas em processo 
de rápida expansão 
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais 
 
 
 
 
 
29 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Questão 11 
A distribuição geográfica dos assentamentos rurais no Ceará 
segue a lógica do processo de ocupação histórica do Estado. Face 
a essa constatação, analise as afirmativas abaixo. 
I. A região dos sertões, na qual predominam os latifúndios, 
concentra o maior número de assentamentos rurais. 
II. A região do litoral possui o maior número de assentamentos 
rurais na Região Metropolitana de Fortaleza. 
III. A região do Cariri, incluindo a Chapada do Araripe, possui o 
menor número de assentamentos rurais. 
Das assertivas acima, pode-se afirmar corretamente que: 
a) apenas I e II são verdadeiras. 
b) apenas I é verdadeira. 
c) apenas II e III são verdadeiras. 
d) apenas I e III são verdadeiras. 
e) I, II e III são verdadeiras. 
 
Questão 12 
 Assinale a alternativa que indica a principal característica do 
processo de modernização da agricultura brasileira. 
a) Redução da produtividade por falta de insumos 
b) Atendimento à demanda interna por produtos agrícolas 
c) Aplicação de técnicas tradicionais no uso agrícola da terra 
d) Atendimento à demanda externa por produtos agrícolas 
e) Fundamentação em cultivos de subsistência e minifúndios 
 
Questão 13 
Apesar da permanência dos latifúndios e da pobreza de imensas 
parcelas da população rural, o espaço agrário brasileiro vem 
experimentando transformaçõesimportantes. Isto pode ser 
constatado ao se observar: 
a) a presença de grandes empresas industriais que atuam tanto na 
produção de bens agrícolas, como no processamento e 
financiamento de insumos para a agricultura; 
b) a homogeneização dos processos produtivos, graças aos 
incentivos fiscais concedidos pelo Estado ao conjunto das 
propriedades rurais; 
c) a extensão prioritária da difusão de técnicas modernas e créditos 
bancários às médias e pequenas propriedades dedicadas à cultura 
de produtos destinados à exportação; 
d) a substituição do modelo agroexportador pelo modelo de 
sustentabilidade do mercado interno, em função da política agrícola 
do governo federal; 
e) o desenvolvimento da agroecologia em áreas degradadas pelo 
uso de monoculturas de exportação e pela prática da pecuária 
intensiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A AGROPECUÁRIA I: A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ 
INTRODUÇÃO 
É comum dividir os produtos agrícolas brasileiros em duas 
categorias: as “culturas de pobre”, nas quais se incluem o feijão, o 
milho, a mandioca e boa parte da produção do arroz; e as “culturas 
de rico”, como são conhecidas as plantações de cana-de-açucar, 
café, soja, algodão, trigo, etc... 
As primeiras – destinadas principalmente à produção de alimentos 
para a população -, desde a época colonial, são relegadas a 
segundo plano, cultivadas nas piores terras e em pequenas 
propriedades. As “culturas de rico”, ao contrário, destinam-se 
principalmente à exportação ou à transformação industrial, como 
ocorre com parte da produção da cana, do fumo, do algodão, etc.. 
Desde o período colonial, ocupam os melhores solos e são 
cultivadas principalmente nas médias ou grandes propriedades 
rurais. 
Essas diferenças são relativas, pois muitos produtos destinados ao 
consumo interno podem eventualmente ser exportados se 
apresentarem forte valorização, como ocorreu nas últimas décadas 
com a laranja. Da mesma forma, os produtos destinados à 
exportação também são consumidos dentro do país, mas 
geralmente se exporta o melhor e deixa-se o pior para o consumo 
interno. Assim, em Nova York ou em Londres, toma-se um 
cafezinho melhor do que em São Paulo ou no Rio de Janeiro. 
As grandes propriedades cultivam, eventualmente, os gêneros 
alimentícios para a população em geral, mas, por via de regra, 
essa tarefa cabe às pequenas propriedades. Muitos minifúndios 
também cultivam algodão, café e outras “culturas de rico”, embora 
a maior parte desses produtos, principalmente a cana-de-açúcar e 
a soja, se concentre nas médias e grandes propriedades. 
Os produtos extremos são a mandioca e o feijão, de um lado, e a 
cana, de outro. Os imóveis rurais com dimensão de até cem 
hectares, que abrangem pouco menos de 20% da área total das 
propriedades agrárias, produzem mais de 80% da mandioca e 75% 
do feijão nacional; mas, na produção da cana-de-açúcar, eles 
contribuem com apenas cerca de 16% do total. Já os imóveis com 
área a mil hectares, que abrangem cerca de 45% da superfície 
total dos imóveis rurais, produzem cerca de 50% da cana-de-
açúcar e apenas 3% da mandioca e 5% do feijão. 
Vamos estudar agora os principais produtos cultivados pela 
agricultura brasileira. 
CANA-DE-AÇÚCAR 
A cana-de-açúcar, a princípio originária da espécie Saccharum 
officinarum, provém do território asiático, e era aí semeada desde 
tempos ancestrais. Com o tempo, vários outros espécimes foram 
produzidos com a ajuda de inovações tecnológicas, pois a planta 
original provocava diversas enfermidades. 
No Brasil esta planta desembarcou pelas mãos dos portugueses, 
no início do século XVI. Ela prosperou principalmente no Nordeste 
deste país, sendo responsável por esta nação se converter na 
melhor criadora e exportadora de açúcar neste período, que se 
estendeu até o século XVII. 
O Ciclo do Açúcar foi um período da história do Brasil Colonial 
compreendido entre meados do século XVI e meados do XVIII. 
Neste período, a produção de açúcar, voltada para a exportação, 
nos engenhos do Nordeste brasileiro foi a principal atividade 
econômica. 
As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram em território 
brasileiro pelas mãos de Martim Afonso de Souza. Sua expedição 
tinha a função de dar início à colonização do território brasileiro, 
ação desejada pela coroa portuguesa como forma de proteger o 
litoral do Brasil das invasões estrangeiras. 
Neste contexto, Martim Afonso de Souza deu início a produção de 
açúcar no Brasil em 1533, através da instalação do primeiro 
engenho da colônia, na cidade de São Vicente (localizada no 
atual litoral do estado de São Paulo). 
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO 
- A economia do açúcar foi responsável pela consolidação da 
colonização, através da ocupação de parte da costa brasileira. 
- O engenho foi a principal unidade de produção de açúcar no 
Brasil Colonial. 
-Uso de mão-de-obra escrava, de origem africana, no plantio e 
colheita da cana-de-açúcar, assim como nas várias etapas 
de produção do açúcar. Os escravos, principalmente 
mulheres, também foram usadas na execução de atividades 
domésticas. 
- Prevalência das grandes propriedades rurais (latifúndios) no 
Nordeste brasileiro, com forte concentração de terra. 
- Sociedade patriarcal, com poderes político, econômico e social 
concentrados nas mãos dos senhores de engenho. 
- Sociedade estática e estratificada dividida em: Aristocracia rural 
(senhores de engenho); homens livres (comerciantes, artesãos, 
funcionários públicos, feitores, etc.) e escravos (maioria da 
população do período). 
- Tráfico negreiro como outra importante atividade lucrativa, 
principalmente para os comerciantes e coroa portuguesa. 
Hoje, porém, é na região interiorana de São Paulo que se localiza a 
maior parte dos canaviais. E o açúcar não é mais seu principal 
produto, pois atualmente o álcool, especialmente o etanol, extraído 
deste vegetal, é o que mais destaca economicamente, pois, 
enquanto combustível alternativo, contribui igualmente para o 
desenvolvimento sustentável. 
A cana tem também outras finalidades. Ela é utilizada no estado 
natural como pasto consumido pelo gado, ou na forma de 
ingrediente em alimentos como a rapadura, o melado, a 
aguardente, entre outros produtos. Este arbusto apresenta o caule 
delgado, agradável ao tato e extenso, o qual é recoberto de folhas 
igualmente compridas e esverdeadas. Na haste há um elevado teor 
de açúcar. 
Ela se desenvolve melhor em climas que se caracterizam por 
apresentar duas estações bem diferenciadas, uma de altas 
temperaturas e a outra úmida, que possibilitam a evolução 
germinativa, a rebentação e o progresso do vegetal. A estação fria 
e seca é necessária para incentivar o estágio maduro e, como 
resultado deste processo, a concentração de sacarose nos caules 
de nós salientes. As regiões tropicais são as que oferecem 
melhores recursos para o desenvolvimento da cana, pois ela 
necessita da luz solar para seu crescimento. 
As terras apropriadas para o cultivo desta planta são as mais 
fundas, densas, dotadas de maior estrutura e fecundas. Por ser 
grosseira, a cana-de-açúcar evolui de forma satisfatória em 
territórios repletos de areia e menos abundantes de recursos, como 
o cerrado. Até hoje este vegetal é submetido a constantes 
melhorias, que resultam em espécimes híbridos. 
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café 
 
 
 
 
 
31 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
O cultivo da cana-de-açúcar é um dos mais significativos nas 
regiões declima tropical, pois, além dos produtos que gera, 
economicamente importantes, ele também oferece diretamente 
milhares de empregos, apesar de gerar uma alta convergência de 
renda. A área que mais produz esta planta, no Brasil, é a de 
Ribeirão Preto. A indústria canavieira se caracteriza especialmente 
pelo modelo latifundiário,pois muitas terras são depositadas nas 
mãos de poucos senhores de terra. Este mecanismo resulta no 
temível êxodo do campo. 
O CAFÉ 
A fruta vermelha que nasce da flor branca e perfumada do pé de 
café tem sua origem geográfica nas terras quentes a nordeste da 
África, em tempos muito remotos. Ali nascia o verdadeiro café 
selvagem, em meio à mata, no centro da também lendária região 
de Kafa, no interior da Etiópia, país de clima árido-tropical, onde 
hoje se localiza a cidade de Bonga. Até o presente, o arbusto do 
café é parte daquela vegetação natural. 
Os etíopes iniciaram seu consumo na forma de fruto. 
Alimentavamse de sua polpa doce, por vezes macerada, ou a 
misturavam em banha, para refeição. E produziam um suco, que 
fermentado se transformava em bebida alcoólica. Suas folhas 
também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá. 
A África foi o território de origem, mas coube aos árabes o domínio 
inicial da técnica de plantio e preparação do produto, quando o 
café da Etiópia, atravessando o Mar Vermelho, foi levado para a 
vizinha Península Arábica. 
Ali, de acordo com os mesmos manuscritos do ano de 575, a 
primeira região a receber as sementes do fruto foi o Iêmen 
(sudoeste da Ásia). Só por volta do ano 1000 seria conhecida sua 
infusão, com as cerejas fervidas em água, servida para fins 
medicinais. Naquela altura, monges e dervixes começaram a usar 
o café como bebida excitante que os auxiliava nas rezas e vigílias 
noturnas, postura que indiretamente se constituiu em aval para que 
seu consumo se propagasse. O processo de torrefação, porém, só 
foi desenvolvido no século XIV, quando a bebida adquiriu forma e 
gosto como a conhecemos hoje. As plantas foram denominadas 
kaweh e sua bebida recebeu o nome de kahwah ou cahue, que 
significa “força”, em árabe. 
Em 1760, a situação econômica do Império português era delicada. 
O ouro, sua maior fonte de riqueza, começava a dar sinais de 
declínio com o esgotamento das jazidas. O açúcar, sobretudo em 
função da concorrência de novos produtores, encontrava 
dificuldades de colocação no mercado. Outras culturas precisavam 
ser tentadas para reanimar o combalido Reino português, 
submetido à exploração britânica. A tradicional ingerência da 
Inglaterra em Portugal levava aquele país a desvalorizar o pouco 
café do Brasil que entrava no porto de Lisboa, barateando o gênero 
e desmerecendo-o em sua inicial concorrência com o café do 
Levante. Mais que isso, desencorajava francamente o investimento 
no produto que lhe poderia ameaçar o consumo do chá. 
Razão pela qual as remessas então enviadas à metrópole eram 
inexpressivas, longe de se tornarem competitivas no mercado. 
Os apelos de fora eram muitos. Na Europa e nos Estados Unidos 
elevava-se o consumo da bebida, sendo necessário suprir aqueles 
mercados. Concomitantemente, a navegação marítima atravessava 
fase de grande expansão, propiciando facilidades no transporte do 
produto. Acima disso, a Revolução nas Antilhas, em 1789, que 
elevou os preços do café, deixava o mercado a descoberto, 
beneficiando os concorrentes. 
O pioneirismo das plantações cariocas alcançou toda a região do 
Vale do Paraíba, sendo o principal espaço de produção até a 
década de 1870. Reproduzindo a mesma dinâmica produtiva do 
período colonial, essas plantações foram sustentadas por meio de 
latifúndios monocultores dominados pela mão-de-obra escrava. As 
propriedades contavam com uma pequena roça de gêneros 
alimentícios destinados ao consumo interno, sendo as demais 
terras inteiramente voltadas para a produção do café. 
A produção fluminense, dependente de uma exploração 
sistemática das terras, logo começaria a sentir seus primeiros 
sinais de crise. Ao mesmo tempo, a proibição do tráfico de 
escravos, em 1850, inviabilizou os moldes produtivos que 
inauguraram a produção cafeeira do Brasil. No entanto, nesse meio 
tempo, a região do Oeste Paulista ofereceu condições para que a 
produção do café continuasse a crescer significativamente. 
Os cafeicultores paulistas deram uma outra dinâmica à produção 
do café incorporando diferentes parcelas da economia capitalista. 
A mentalidade fortemente empresarial desses fazendeiros 
introduziu novas tecnologias e formas de plantio favoráveis a uma 
nova expansão cafeeira. Muitos deles investiam no mercado de 
ações, dedicavam-se a atividades comerciais urbanas e na 
indústria. Para suprir a falta de escravos atraíram mão-de-obra de 
imigrantes europeus e recorriam a empréstimos bancários para 
financiar as futuras plantações. 
O curto espaço de tempo em que a produção cafeeira se 
estabeleceu foi suficiente para encerrar as constantes crises 
econômicas observadas desde o Primeiro Reinado. Depois de se 
fixar nos mercados da Europa, o café brasileiro também conquistou 
o paladar dos norte-americanos, fazendo com que os Estados 
Unidos se tornassem nosso principal mercado consumidor. Ao 
longo dessa trajetória de ascensão, o café, nos finais do século 
XIX, representou mais da metade dos ganhos com exportação. 
A adoção da mão-de-obra assalariada, na principal atividade 
econômica do período, trouxe uma nova dinâmica à nossa 
economia interna. Ao mesmo tempo, o grande acúmulo de capitais 
obtido com a venda do café possibilitou o investimento em infra-
estrutura (estradas, ferrovias...) e o nascimento de novos setores 
de investimento econômico no comércio e nas indústrias. Nesse 
sentido, o café contribuiu para o processo de urbanização do 
Brasil. 
Durante muitas décadas o café foi o principal produto das 
exportações nacionais e, apesar da perda de sua importância 
relativa na pauta das exportações brasileiras nas últimas três 
décadas, este produto ainda é muito importante para o país. 
Simultaneamente, a cafeicultura brasileira tem passado por 
importantes mudanças geográficas e estruturais. 
As transformações que ocorreram na cafeicultura brasileira a partir 
da década de 1970, com abertura de novas fronteiras agrícolas, 
decorrentes de fatores climáticos favoráveis e incentivos públicos 
subsidiados, resultaram em mudanças importantes na geografia da 
produção cafeeira, hoje, presente em grande parte do território 
nacional, porém concentrada em seis estados: Minas Gerais, 
Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Bahia e Rondônia. Em cada um 
deles, há regiões produtoras distintas, que refletem as diversidades 
edafoclimáticas, produzem diferentes tipos de café e utilizam, 
predominantemente, sistemas de cultivo intensivos em mão de 
obra, especialmente na etapa da colheita. O Estado de Minas 
Gerais é o maior produtor rasileiro em volume e valor da produção, 
concentrada no cultivo da espécie Coffea arábica, destinada à 
indústria de torrefação e moagem. 
 
 
 
 
 
 
 32 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
Nos mapas estão representadas as principais áreas de plantio de três produtos agrícolas importantes 
na economia brasileira. 
 
São, respectivamente, da esquerda para a direita: 
a) trigo, soja e arroz. 
b) soja, café e cana-de-açúcar. 
c) soja, cana-de-açúcar e café. 
d) arroz, cana-de-açúcar e café. 
e) trigo, café e arroz. 
 
Questão 02 
Brasil 1994 
 
Fonte: Graça Maria Lemos Ferreira. "Atlas Geográfico" S. P., Moderna, 1998, p.23. 
 
Na figura acima, I e II representam a espacialização: 
a) do consumo nacional de soja e laranja. 
b) da produção nacional de trigo e café. 
c) das áreas exportadoras de soja e café. 
d) do consumo nacional de trigo e laranja. 
e) da produção nacional de uva e algodão. 
 
Questão 03 
Os mapas I e II destacam, respectivamente, a predominância dos seguintes usos da terra: 
 
a) Pecuária melhorada / Pecuária primitiva. 
b) Grande agricultura comercial / Extrativismo vegetal. 
c) Pecuária melhorada / Pequena agricultura comercial e de subsistência. 
d) Pecuária primitiva / Extrativismo vegetal. 
e) Pequena agricultura comercial e de subsistência / Grande agriculturacomercial. 
Anotações 
 
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café 
 
 
 
 
 
33 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Questão 04 
Examine as cifras correspondentes ao volume de produção de três importantes produtos agrícolas, na 
tabela a seguir: 
 
Associando os dados acima aos conhecimentos referentes à agricultura brasileira, I, II e III 
correspondem, respectivamente, aos seguintes produtos: 
a) café / cana-de-açúcar / soja. 
b) milho / trigo / arroz. 
c) laranja / soja / cana-de-açúcar. 
d) café / milho / soja. 
e) laranja / cana-de-açúcar / trigo. 
. 
Questão 05 
A propósito da agricultura brasileira, pode-se afirmar que 
a) a escravidão por dívida consiste numa situação de servidão do trabalhador, característica da 
parceria. 
b) o Estatuto do Trabalhador Rural dos anos sessenta substituiu a antiga Legislação dos 
Trabalhadores Rurais. 
c) a empresa agropecuária capitalista caracteriza-se pela presença do trabalhador agregado. 
d) a denominação "bóia-fria" é dada ao trabalhador temporário que vive nos latifúndios. 
e) a unidade familiar de subsistência tanto pode contratar força de trabalho quanto vender trabalho 
familiar. 
 
Questão 06 
No Brasil, a atuação de empresas transnacionais no setor agroindustrial apresenta 
I. investimentos no plantio e na aquisição de terras. 
II. participação na produção vinícola que integra a base alimentar da população brasileira. 
III. investimentos no beneficiamento de produtos agrícolas. 
IV. associação e fusão com empresas de capital nacional do setor. 
 
Está correto o que se afirma em 
a) apenas I. 
b) I e II. 
c) I, III e IV. 
d) II, III e IV. 
e) apenas IV. 
 
Questão 07 
Apesar do recente crescimento do setor industrial e de serviços, a cidade de Londrina ainda guarda 
importante ligação com as origens da ocupação do Norte do Paraná, pois 
a) é importante centro madeireiro, concentrando indústrias de móveis que têm nas reservas do 
pinheiro de araucária sua principal matéria-prima. 
b) mantém uma importante produção de cana-de-açúcar, cujo cultivo nesta região remonta ao período 
colonial e à expansão portuguesa. 
c) possui a maior colônia italiana da região Sul, que aí se concentraram na virada do século, através 
de projetos de colonização dirigida. 
d) é o principal centro produtor de trigo do país, produção que orientou a ocupação e valorizou as 
áreas da região na década de 1960. 
e) é importante centro de comercialização de café do país, sedia escritórios de exportadoras e mantém 
Bolsa de Cereais e Mercadorias. 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
 34 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 08 
 
 
A região sombreada no mapa está encontrando na fruticultura uma saída para seu crescimento 
econômico. A alternativa que contém o nome da região em destaque e as características da natureza 
que vêm possibilitando essa expansão, é: 
a) Serrana - patamares escalonados e fortes chuvas de relevo 
b) Noroeste Fluminense - morros cristalinos e pequena insolação 
c) Baixadas Litorâneas - encostas pronunciadas e intensa precipitação 
d) Norte Fluminense - áreas planas e desenvolvimento de cana, devido a abundância de água. 
 
Anotações 
 
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café 
 
 
 
 
 
35 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Em 1975, o Governo Militar brasileiro, para enfrentar a alta geral 
dos preços internacionais do petróleo, baixou um Decreto criando o 
Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL). Dentre as principais 
conseqüências sociais e ambientais desse importante programa, 
estão: 
( ) a aceleração do processo de proletarização do trabalhador 
rural. 
( ) a diminuição da poluição dos cursos de água, 
especialmente na Zona da Mata nordestina. 
( ) a intensa utilização dos agrotóxicos nas novas áreas 
cultivadas com cana-de-açúcar. 
( ) a diminuição da mão-de-obra empregada na lavoura 
canavieira, com a elevada mecanização das atividades agrícolas. 
( ) a intensificação da concentração fundiária. 
 
Questão 02 
As afirmativas a seguir abordam certos aspectos do tema 
Agricultura Brasileira. Analise-as. 
( ) A expansão cafeeira, iniciada no Rio de Janeiro e atingindo 
seu apogeu no deslocamento pelas terras do oeste paulista, 
propiciou as transformações econômicas, sociais e políticas 
fundamentais ao País, durante e após o Império. 
( ) Apesar de ter no Sudeste e no Sul do Brasil uma agricultura 
que utiliza sistemas agrícolas mais adiantados, de uma maneira 
geral, a agricultura brasileira ainda apresenta amplos espaços com 
um baixo nível tecnológico. 
( ) O País possui condições geográficas bastante favoráveis ao 
desenvolvimento das atividades agrícolas, uma vez que dispõe de 
amplas terras agricultáveis e climas que vão do equatorial ao frio. 
( ) A acumulação de capitais oriundos da expansão cafeeira 
determinou a aceleração do processo de industrialização e 
urbanização em São Paulo e em outras áreas do Brasil. 
( ) Para o colonizador português, a escolha da Zona da Mata 
do Nordeste, como área produtora da agroindústria açucareira, foi 
devida apenas às condições edáficas ali encontradas, como por 
exemplo o solo massapé. 
 
Questão 03 
Analisando as relações cidade e campo no Nordeste Brasileiro é 
correto afirmar que: 
a) a liberação de mão-de-obra no campo em função da 
mecanização agrícola é uma das características do espaço rural. 
b) o espaço rural vem se tornando cada vez mais independente do 
espaço urbano. 
c) as elevadas taxas de produtividade agrícola, através da 
modernização do setor, explicam o aumento do êxodo rural. 
d) a pecuária na região do sertão é hoje praticada de forma 
intensiva com elevados índices de produtividade, liberando mão-
de-obra do campo para as cidades. 
e) a migração campo-cidade provoca intensa urbanização 
produzindo periferias urbanas deficientes em infra-estrutura e 
serviços urbanos. 
 
Questão 04 
Sobre a estrutura fundiária e as relações de trabalho no campo 
brasileiro, assinale a alternativa correta. 
a) A estrutura fundiária apresenta acentuada concentração da 
propriedade decorrente das formas de apropriação das terras, 
desde o período colonial. 
b) A partir de 1850, com a Lei de Terras, todos os trabalhadores 
rurais passaram a ter acesso à terra. 
c) A modernização do campo proporcionou a extinção dos 
contratos de parceria em todas as regiões brasileiras. 
d) Nas áreas de fronteiras agrícolas, todos os trabalhadores rurais 
possuem títulos de propriedade da terra. 
e) Os bóias-frias são assalariados que trabalham nas propriedades 
de forma permanente e com vínculo empregatício. 
 
Questão 05 
Os cultivos modificados geneticamente vêm sendo fortemente 
criticados e repudiados em sua comercialização como alimento por 
alguns setores da Comunidade Européia. Assinale a alternativa 
correta que indica a denominação desses alimentos. 
a) Poligênicos. d) Mutagênicos. 
b) Clonados. e) Transgênicos. 
c) Enxertados. 
 
Questão 06 
"Em 1964, o Estatuto da Terra estabeleceu o conceito de 'módulo 
rural' para orientar a política de reforma agrária, o qual consiste 
numa propriedade com extensão de terra suficiente para oferecer 
condições de vida adequadas para uma família de quatro membros 
adultos. Isso significa que o tamanho de um módulo rural varia de 
região para região, dependendo da fertilidade do solo, da 
localização da propriedade em relação aos mercados 
consumidores e do tipo de produto cultivado na região. Desse 
modo, foi possível classificar os vários tipos de propriedades rurais 
conforme suas dimensões em relação ao módulo rural definido 
para a região onde cada propriedade se localiza." 
(Adaptado de: SENE, E.; MOREIRA, J. C. "Geografia geral e do Brasil: espaço 
geográfico e globalização". São Paulo: Scipione, 1998. p. 280.) 
 
O texto acima mostra que, na políticade reforma agrária, o 
importante não é o tamanho da propriedade em si, mas o uso que 
se faz dela. Sobre o assunto, e seguindo os critérios usados para 
fins de reforma agrária, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 
( ) O "minifúndio" é um tipo de propriedade com extensão 
inferior ao módulo rural da região, sendo portanto impróprio para 
gerar renda suficiente ao sustento digno de uma família de 
tamanho médio. 
( ) O "latifúndio" por dimensão é um tipo de propriedade com 
tamanho superior a 600 vezes o módulo rural da região e produção 
agroindustrial em larga escala. 
( ) O "latifúndio por exploração" tem como principal 
característica a improdutividade, já que a área desse tipo de 
latifúndio é destinada sobretudo à especulação imobiliária. 
( ) A "empresa rural" é um tipo de propriedade explorada de 
forma inadequada; utiliza intensamente agrotóxicos e técnicas 
agrícolas que degradam a fertilidade dos solos, sendo por isso 
objeto de desapropriação para fins de reforma agrária. 
 
Questão 07 
A terra cedida a terceiros em troca de parte da produção 
caracteriza o sistema de meia ou de terça. 
Esse modo de exploração da terra se dá sob forma de 
a) arrendamento. c) ocupação. 
b) parceria. d) grilagem 
 
 
 
 
 
 36 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 08 
Quanto à utilização, o espaço agrário brasileiro encontra-se ainda, 
em boa parte, condicionado pelo mercado externo. Compreende 
lavouras que, além de atender às necessidades do mercado 
interno, destinam grande parte de sua produção à exportação. 
Sobre esse tema, analise o mapa a seguir. 
BRASIL: EXEMPLOS DE LOCALIZAÇÃO DE CULTIVOS 
COMERCIAIS 
 
Fonte: Adaptado de Adas, 1998. 
 
Assinale a alternativa que completa corretamente, de cima para 
baixo, as linhas da legenda do mapa acima. 
a) cana-de-açúcar - algodão - arroz - cacau 
b) café - cana-de-açúcar - soja - cacau 
c) café - algodão - arroz - cana-de-açúcar 
d) arroz - algodão - soja - laranja 
e) café - cana-de-açúcar - arroz - cacau 
 
Questão 09 
Sobre a agricultura brasileira são feitas as seguintes afirmações. 
I - A mecanização da agricultura é uma das manifestações da 
modernização agrícola, e trouxe consigo o êxodo rural. 
II - A estrutura fundiária brasileira mantém-se excludente, na 
medida em que privilegia o grande capital e as culturas de 
exportação, em detrimento da agricultura familiar. 
III - A reforma agrária é atualmente uma das grandes questões 
sociais e políticas do Brasil, congregando vários setores da 
sociedade e partidos políticos. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. d) Apenas I e II. 
b) Apenas II. e) I, II e III. 
c) Apenas III. 
 
Questão 10 
Leia o texto a seguir. 
"O processo de industrialização da agricultura tem eliminado 
gradativamente a separação entre a cidade e o campo, entre o 
rural e o urbano, unificando-os dialeticamente." 
 (OLIVEIRA, A. V. Agricultura Brasileira: Transformações recentes. In: 
Ross, I. (ORG) "Geografia do Brasil". São Paulo: Edusp/FDE, 1995. p. 475.) 
 
Considerando esse assunto, assinale a(s) alternativa(s) que 
constitui(em) exemplo(s) da relação rural/urbana a que se refere o 
texto. 
I. fixação na cidade do trabalhador assalariado do campo 
II. comercialização e transformação da produção agrícola na 
cidade 
III. expansão, no meio rural, da agricultura familiar 
IV. manifestações, nas cidades, dos movimentos sociais rurais 
Está(ão) correta(s) 
a) apenas I. d) apenas III e IV. 
b) apenas II e III. e) I, II, III e IV. 
c) apenas I, II e IV. 
Questão 11 
"Tem muita gente sem terra 
tem muita terra sem gente" 
(Cartaz do MST, inspirado nos versos de lavradores de Goiás.) 
 
A luta pela terra no Brasil, existe há décadas e já fez várias vítimas 
entre trabalhadores do campo, religiosos e outros. Entre as 
principais razões dos conflitos de terra no Brasil, pode-se citar: 
a) a disputa pelas poucas áreas férteis em nosso território, típico 
de terras montanhosas. 
b) a concentração da propriedade da terra nas mãos de poucos e a 
ausência de uma reforma agrária efetiva. 
c) a divisão excessiva da terra em pequenas propriedades, 
dificultando o aumento da produção. 
d) a perda do valor da terra agrícola pelo crescimento da 
industrialização no nosso país. 
e) a utilização intensiva de mão-de-obra permanente, onerando o 
grande produtor rural. 
 
Questão 12 
O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi criado em 1975, 
como uma forma encontrada pelo governo brasileiro para enfrentar 
as crises do petróleo, iniciadas em 1973. Sobre o Proálcool, 
assinale a alternativa INCORRETA: 
a) Baseou-se em uma forte política de subsídios e financiamento a 
juros baixos aos grandes usineiros, agravando ainda mais o 
problema fundiário no país. 
b) Contribuiu para atenuar a crise do setor açucareiro brasileiro na 
década de 70, devido aos baixos preços internacionais do açúcar. 
c) Possibilitou a abertura de novas fronteiras agrícolas, evitando 
investimentos em plantações e usinas já existentes. 
d) Representou uma fonte de desenvolvimento de tecnologias 
"limpas" por aproveitar a cana-de-açúcar como fonte de energia 
renovável. 
e) Ocasionou uma série de problemas ambientais pela dificuldade 
de aproveitamento e armazenamento dos resíduos da produção de 
álcool. 
 
Questão 13 
A área em destaque no mapa abaixo é uma região do Estado de 
São Paulo que tem como principais atividades econômicas a 
pecuária de corte, as culturas de soja e cana-de-açúcar, além de 
uma agricultura de produtos alimentares pouco desenvolvida. Esta 
região ganhou projeção nacional no ano de 1990, quando o 
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou 
uma ocupação em terras devolutas existentes na área. Mesmo 
passados quase dez anos da ação do MST, esta região é 
altamente conflitante, assim como outras do Brasil (Nonoai-RS, 
Eldorado do Carajás-PA e áreas do sertão da Bahia). 
 
A área em destaque no mapa é conhecida por 
a) Alto Paraná. d) Conceição do Araguaia. 
b) Bico do Papagaio. e) Pontal do Paranapanema. 
c) Baixo Pantanal. 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A AGROPECUÁRIA II: A SOJA, A LARANJA E O 
ALGODÃO 
A SOJA 
A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma das mais 
importantes culturas na economia mundial. Seus grãos são 
muito usados pela agroindústria (produção de óleo vegetal e 
rações para alimentação animal), indústria química e de alimentos. 
Recentemente, vem crescendo também o uso como fonte 
alternativa de biocombustível (COSTA NETO & ROSSI, 2000). 
A soja apresenta como centro de origem e domesticação o 
nordeste da Ásia (China e regiões adjacentes) e a sua 
disseminação do Oriente para o Ocidente ocorreu através de 
navegações. 
No Brasil, o primeiro relato sobre o surgimento da soja através de 
seu cultivo é de 1882, no estado da Bahia (BLACK, 2000). 
Em seguida, foi levada por imigrantes japoneses para São 
Paulo, e somente, em 1914, a soja foi introduzida no estado do 
Rio Grande do Sul, sendo este por fim, o lugar onde as 
variedades trazidas dos Estados Unidos, melhor se adaptaram às 
condições edafoclimáticas, principalmente em relação ao 
fotoperíodo. 
Durante a década de 1970 e início da década de 1980, a expansão 
da soja se baseou na abertura e consolidação de novas áreas para 
agricultura nas regiões Sul e Centro-Oeste. Essa forma de 
expansão deveu-se, em grande parte, a três fatores: (1) mercado 
favorável; (2) políticas agrícolas de incentivo ao complexo 
agroindustrial nacional; (3) desenvolvimento e estabelecimento de 
uma ampla cadeia produtiva, que permitiu a oferta crescente de 
modernas tecnologias de produção, associadas com diversos 
aspectos, como melhoramento vegetal, produção de sementes, 
manejo e fertilidade do solo e controle deHudson, 1941, revista O Cruzeiro. 
A grande e decisiva arrancada industrial ocorreu a partir da década 
de 1950 com o chamado Plano de Metas no governo Juscelino 
Kubitschek (1956-1961). A eleição de JK representou o início do 
rompimento com a política nacionalista de Vargas. O novo modelo 
nacionalista defendido por JK, concentrava-se no estímulo da 
produção local, não levando em conta a origem dos capitais 
investidos, esse fato marca o início da internacionalização do 
parque industrial brasileiro. 
 
O Plano de Metas que tinha com objetivo "crescer cinquenta anos 
em cinco”. Desenvolver a indústria de base, investir na construção 
de estradas e de hidrelétricas e fazer crescer a extração de 
petróleo, tudo com o objetivo de arrancar o Brasil de seu 
subdesenvolvimento e transformá-lo num país industrializado. Os 
industriais brasileiros continuavam investindo nos setores 
tradicionais (tecido, móveis, alimentos, roupas e construção civil), e 
as multinacionais entravam no Brasil pela primeira vez, para a 
produção de bens de consumo. 
O plano teve tanto consequências positivas quanto negativas para 
o país. Por um lado, deu-se a modernização da indústria; por outro, 
o forte endividamento internacional por causa dos empréstimos, 
que fizeram possível a realização do plano e a dependência 
tecnológica. Isto sem falar no grande êxodo rural, porque, à medida 
em que os centros urbanos se desenvolviam, as características da 
vida rural não progrediam e reformas não eram implementadas. 
O Plano de Metas dividiu-se em 31 metas que privilegiavam 4 
setores da economia brasileira: energia, transporte, indústrias de 
base e alimentação. 
A DITADURA E O MILAGRE ECONÔMICO 
Durante a Ditadura Militar, a indústria doméstica continuava 
protegida da concorrência internacional pelas elevadas tarifas de 
importação. Entretanto, a estrutura produtiva passou a ser 
dominada por três agentes: o capital estatal (que predominava nos 
setores de infraestrutura e de bens de produção), o capital privado 
nacional (dominava o setor de produção de bens de consumo não 
duráveis, tais como têxteis, alimentos, calçados, etc) e o capital 
transnacional (que destacava-se principalmente no setor de bens 
de consumo duráveis, que se tornou o mais dinâmico da economia 
brasileira). 
A partir da segunda metade do século XX o setor automobilístico 
torna-se o setor industrial de maior destaque no cenário nacional, 
acompanhado de perto pelos eletrodomésticos. 
O “sucesso” deste modelo econômico teve como suporte: a visão 
autoritária do regime militar, a abertura do Estado às elites 
capitalistas, a exploração da mão-de-obra, a grande concentração 
de renda e o elevado endividamento externo. Já no fim da década 
de 1960, o país amplia seu parque industrial e vem à tona o 
chamado milagre econômico brasileiro (1968-1974), período no 
qual a economia brasileira crescia a taxas anuais de 9%, um 
 
 
 
 
 2 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
crescimento comparado somente ao japonês e ao alemão do 
período 1950 e 1960. 
 
A construção da ponte Rio-Niterói (RJ), 1974, foi uma das obras 
que mais marcaram o período do milagre econômico. 
MILAGRE ECONÔMICO? 
Entre 1968 e 1974, a economia brasileira sofreria uma notável 
expansão, refletida no crescimento acelerado do PIB. O 
período, que ficou conhecido como ‘milagre brasileiro’ em 
alusão aos ‘milagres’ alemão e japonês, seria marcado por 
taxas de crescimento excepcionalmente elevadas, que foram 
mantidas, enquanto a inflação, ‘controlada e 
institucionalizada’, declinava, estabilizando-se em torno de 20 
a 25% ano ano [...] Em setembro de 1970, a Bolsa de Valores 
do Rio de Janeiro bateu o recorde de volume de transações 
em toda a sua história, negociando 24 milhões de cruzeiros 
num só dia, fato que se repetiria no ano seguinte. 
Emílio Garrastazu Médici. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. FGV/CPDOC. 
A partir de 1967, retomou-se o processo de desenvolvimento, 
graças à conjuntura favorável no plano internacional, que contava 
com um excesso de liquidez, ou seja, dólares à procura de 
aplicação. Aproveitando a situação, o ministro Delfim Netto lançou 
o plano de combate à inflação, assentado em duas bases: o 
endividamento externo para a obtenção da tecnologia estrangeira e 
a concentração da renda para criar um mercado consumidor. Esse 
plano garantiu um crescimento econômico, mas condenou o 
mercado a se desenvolver de uma forma distorcida, aumentando 
as desigualdades sociais. Outro lado negativo foi a perda da 
soberania nacional, em razão da dominação da nossa economia 
pelas multinacionais. 
 
Delfim Neto e o General Médici, 1971. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 19 – A Política Substitutiva e a Industrialização Pós-1930 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
O período que vai de 1956 a 1967 é considerado como a primeira fase da industrialização pesada no 
Brasil. 
Barjas Negri. Concentração e desconcentração industrial em São Paulo – 1880-1990. Campinas: Unicamp, 1996. 
 
Sobre as características da industrialização brasileira no período de 1956 a 1967, é correto afirmar 
que: 
a) houve uma associação entre investimentos no setor estatal e a entrada de capital estrangeiro, que 
propiciaram a instalação de plantas produtoras de bens de capital. 
b) a instituição do Plano de Metas, que teve como principal finalidade incrementar a incipiente 
industrialização do Rio de Janeiro e de São Paulo, marcou politicamente esse momento do processo. 
c) partiu do Estado Brasileiro, de caráter fortemente centralizador e nacionalista, a criação das 
condições para a nascente indústria têxtil que se instalava no país, por meio de diversos incentivos e 
isenções fiscais. 
d) ocorreu a implantação de multinacionais do setor automobilístico, que se concentraram em São 
Paulo, principalmente ao longo do eixo da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em direção a Ribeirão 
Preto. 
e) se trata de uma fase marcada pela política de “substituição de importações”, uma vez que se deu 
um incremento da indústria nacional, pela abundância de mão de obra. 
 
Questão 02 
Observe a tabela abaixo. 
 
Com base na tabela e nos conhecimentos de Geografia Industrial, assinale a alternativa correta. 
a) Na década de 70, a política de substituição de importações de petróleo levou à modernização 
tecnológica do setor petrolífero e ao consequente salto de produtividade expresso nos dados da 
tabela. 
b) Na década de 80, o retrocesso da indústria foi resultado da opção do governo de privilegiar as 
exportações de produtos agrícolas com o fim de obter divisas para o pagamento da dívida externa. 
c) Na década de 90, a produtividade cresceu mais rapidamente em função dos estímulos criados pelo 
controle da inflação, pela abertura da economia e também pela atração de investimento direto 
estrangeiro. 
d) A desconcentração espacial da indústria tem como contrapartida a redução do ritmo de inovação 
tecnológica, razão pela qual a produtividade só cresceu com força nas décadas de 70 e 90, quando 
aumentou o nível de concentração industrial em São Paulo. 
e) Na primeira década do séc. XXI, o fraco crescimento da produtividade resultou da privatização de 
empresas do setor produtivo estatal, medida que implicou a desativação dos centros de pesquisa 
científica dessas empresas. 
 
Questão 03 
Na(s) questões adiante escreva, no espaço apropriado, a soma dos itens corretos. 
A industrialização, no Brasil, provocou profundas transformações na organização do espaço. 
Baseando-se nessa afirmativa, pode-se dizer: 
(01) No período do governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil atingiu um estágio de desenvolvimento e 
independência econômicaplantas daninhas, pragas 
e doenças, dentre outros. 
A partir de meados dos anos 1980, com a consolidação da cadeia 
produtiva da soja brasileira como segmento dinâmico e moderno, o 
processo de expansão da área cultivada começou a migrar da 
abertura de novas áreas, para a substituição de atividades 
produtivas, como a bovinocultura de corte e o cultivo de arroz. 
Nesse sentido, destaca-se, por exemplo, que gradativamente a 
oleaginosa passou a ocupar importantes áreas já consolidadas de 
pastagens degradadas, haja vista as baixas eficiências técnica e 
econômica de grande parte dos sistemas de pecuária de corte 
tradicionais, em relação aos níveis de eficiência observados na 
exploração sojícola. 
Como alternativa para melhorar a estabilidade de produção e de 
renda dos produtores, nos últimos anos, os sistemas de integração 
lavoura-pecuária têm sido ampliados em áreas de pastagens. 
A exploração da oleaginosa iniciou-se no sul do país e hoje já é 
encontrada nos mais diferentes ambientes, retratado pelo avanço 
do cultivo em áreas de Cerrado. Nos anos 80, a soja liderou a 
implantação de uma nova civilização no Brasil Central 
(principalmente nos estados de Goiás e Mato Grosso), 
levando o progresso e o desenvolvimento para regiões 
despovoadas e desvalorizadas A expansão continua em novos 
territórios do bioma Cerrado, estabelecendo uma nova fronteira 
agrícola chamada de Mapitoba – Maranhão, Piauí, Tocantins e 
Bahia, no Norte e Nordeste do país. Apesar das condições 
edafoclimáticas ideais para o cultivo da soja, o crescimento 
contínuo da área cultivada na região enfrenta desafios como 
avanço em logística para o transporte do grão e além 
disso, impasses na questão ambiental, na qual o código 
florestal tenta reduzir o desmatamento na região. 
Segundo o levantamento da safra brasileira de grãos 2009/10, 
divulgado em setembro pela Companhia Nacional de 
Abastecimento (Conab), as colheitas alcançaram a produção 
recorde de 68,68 milhões de toneladas em 23,6 milhões de 
hectares cultivados. Na safra 2010/11 a soja pode vir a bater um 
novo recorde de produção no Brasil, atingindo mais de 70 
milhões de toneladas em uma área de aproximadamente 24 
milhões de hectares (CONAB, 2010). 
O crescimento da cultura da soja no país esteve sempre 
associado aos avanços científicos e a disponibilização de 
tecnologias ao setor produtivo. A mecanização e a criação de 
cultivares altamente produtivas adaptadas às diversas regiões, o 
desenvolvimento de pacotes tecnológicos relacionados ao 
manejo de solos, ao manejo de adubação e calagem, manejo de 
pragas e doenças, além da identificação e solução para os 
principais fatores responsáveis por perdas no processo de 
colheita, são fatores promotores desse avanço. 
O cenário otimista de um país que tem para onde e 
como crescer a sua produção, projeta um salto produtivo na 
cultura de mais de 40% até 2020, enquanto que nos Estados 
Unidos, atualmente o maior produtor mundial, o crescimento no 
mesmo período deverá ser no máximo de 15%. Com essa 
projeção, o Brasil atingirá a produção de mais de 105 
milhões de toneladas, quando será isoladamente o maior 
produtor mundial dessa commodity (VENCATO et al., 2010). 
O MILHO 
O milho é um conhecido cereal cultivado em grande parte do 
mundo sendo utilizado como alimento humano ou ração animal, 
devido às suas qualidades nutricionais. Dentro da realidade desse 
cereal, o Brasil seria o terceiro maior produtor mundial de milho. A 
primeira ideia é o cultivo do grão para atender ao consumo na 
mesa dos brasileiros, mas essa é a parte menor da produção. O 
principal destino da safra são as indústrias de rações para animais 
como citado no início. 
 
Fonte: FIESP 
Juntamente com a soja, o milho é cultivado principalmente nas 
regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O Brasil está entre os 
países que terão aumento significativo das exportações de milho, 
ao lado da Argentina. O crescimento será obtido por meio de 
ganhos de produtividade. Enquanto a produção de milho está 
projetada para crescer 2,67% ao ano nos próximos anos, a área 
plantada deverá aumentar 0,73%. 
 A produção de milho no Brasil, juntamente com a soja, contribui 
com cerca de 80% da produção de grãos no Brasil, mas a soja 
 
 
 
 
 38 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
possui maior valor por ser produto de exportação, enquanto que o 
milho atende ao mercado interno. A importância do milho não está 
apenas na produção de uma cultura anual, mas em todo o 
relacionamento que essa cultura tem na produção agropecuária 
brasileira, tanto no que diz respeito a fatores econômicos quanto a 
fatores sociais. Pela sua versatilidade de uso, pelos 
desdobramentos de produção animal e pelo aspecto social, o milho 
é um dos mais importantes produtos do setor agrícola no Brasil. 
Os principais estados produtores de milho no Brasil são a Bahia, 
Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do 
Sul, Mato Grosso e Goiás. A produção nacional tem como 
expectativa alcançar 70,12 milhões de toneladas nos próximos dez 
anos. 
CITRICULTURA 
A citricultura engloba uma gama variada de espécies de laranjas, 
limas, tangerinas, limões, etc., dos quais a de maior importância 
agrícola é a laranja. A citricultura que tem como principal produto a 
laranja é uma das mais destacadas agroindústrias do Brasil e torna 
o nosso país responsável por 60% da produção mundial de suco 
de laranja, sendo também o campeão de exportações do produto. 
São colhidas, anualmente no País, mais de 18 milhões de 
toneladas de laranja ou cerca de 30% da safra mundial da fruta. 
Para ser mais exato, somente o Estado de São Paulo responde por 
mais de 28,8% do total produzido no globo, (dados do 
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e IBGE). Em 
segundo lugar, viriam os Estados Unidos com cerca de 15% do 
total. 
Mas afinal, quais razões justificam uma tão concentrada produção 
em um único estado? É possível responder a essa pergunta com 
algumas características encontradas no estado: 
• Clima favorável que permite colheita de safras durante o ano 
todo. 
• Baixo custo de produção. 
• Proximidade do setor produtivo. 
• Indústrias de grande escala, com navios próprios para 
distribuição de suco e armazéns de portos particulares. 
Ainda que o suco brasileiro seja considerado de ótima qualidade, 
quando se trata de exportar para os Estados Unidos, as cargas são 
submetidas a uma rigorosa inspeção pelo USDA sendo 
classificados através de uma escala que atribui pontos às vendas 
como cor, sabor e defeitos. Vale ainda ressaltar que os Estados 
Unidos já foram acusados por diversas vezes de aplicarem 
sobretaxas e outras medidas protecionistas. 
A RIZICULTURA 
Juntamente com o feijão, o arroz compõe a alimentação diária dos 
brasileiros e está entre os cereais mais consumidos do mundo. O 
Brasil durante muitos anos foi exportador de arroz, mas a partir da 
década de 80 passou a importar pequenas quantidades. 
Atualmente, somente 5% da produção nacional é destinada à 
exportação e com a elevação do consumo, espera-se um aumento 
nas importações na casa de 652,85 mil toneladas para a safra 
2019/2020, onde os grandes exportadores para o Brasil são o 
Uruguai e a Argentina que corresponde a 85 a 90% do arroz 
importado. 
Atualmente o estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor do 
país e juntamente com o estado de Santa Catarina contribui, em 
média, com 54% da produção nacional. 
 
O ALGODÃO 
Além de ser destinado, em grande parte, para o mercado externo, 
o algodão era utilizado nas vestimentas dos escravos. As fibras de 
algodão já eram utilizadas pelos índios na produção de redes. 
Com a decadência da mineração no país,os colonizadores 
começaram a enfrentar problemas com a crise. E, para que ela não 
afetasse a economia europeia, começaram a cultivar diversos 
produtos no país: algodão, tabaco, açúcar, arroz, cacau, café, 
dentre outros. Todos eles eram cultivados essencialmente para 
suprir as necessidades do mercado externo. 
O algodão (também chamado de ouro branco), obteve atenção 
especial não somente com a Revolução Industrial, mas sobretudo 
pela Independência da Treze Colônias, as quais auxiliavam no 
envio do produto para a Inglaterra. 
O Ciclo do Algodão no Brasil ocorreu entre a segunda metade do 
século XVIII e começo do século XIX. Neste período, a produção 
de algodão era quase toda voltada para o mercado externo, 
principalmente para a Inglaterra, que passava pelo auge da 
Revolução Industrial Inglesa. Portanto, o algodão brasileiro foi 
muito usado como matéria-prima para a indústria têxtil britânica. 
Vale ressaltar que, nesta época, o algodão não era o único produto 
da economia brasileira. A economia era diversificada, embora 
centrada na produção de gêneros agrícolas. 
Neste período, a principal região produtora de algodão do mundo 
era o sul dos Estados Unidos, cuja quase totalidade da produção 
também era destinada à indústria têxtil inglesa. 
O algodoeiro é uma das principais plantas domesticadas pelo 
homem e uma das mais antigas, tendo registros de seu uso a mais 
de 4.000 anos, sendo cultivado comercialmente em mais de 65 
países, em uma área anual superior a 30 milhões de hectares. 
Essa cultura representa mundialmente mais de 40% da vestidura 
da humanidade. 
Durante anos o Brasil importou algodão, mas com um mercado 
interno crescente e o avanço da tecnologia, passou a ocorrer um 
nítido aumento da produtividade que elevou o Brasil ao patamar de 
terceiro maior exportador de algodão. A cotonicultura nacional tem 
sua produção voltada prioritariamente para atender às 
necessidades da indústria têxtil, ainda que também ocorra 
exportação do produto. 
Atualmente o Brasil possui um índice de produtividade 
consideravelmente superior ao dos Estados Unidos (cerca de 
60%), e são os estados do Mato Grosso e Bahia os principais 
responsáveis pela maior parte da produção nacional (cerca de 
82%). Nossos maiores compradores são a Indonésia, a Coréia do 
Sul, a China, os Estados Unidos e a União Europeia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 24 – A Agropecuária II – A Soja, a Laranja e o Algodão 
 
 
 
 
 
39 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
A lógica do desenvolvimento capitalista na agricultura se faz no interior do processo de 
internacionalização da economia brasileira. Esse processo se dá no âmago do capitalismo mundial e 
está relacionado, portanto, com o mecanismo da dívida externa. 
 (Adaptado de Ariovaldo Umbelino de Oliveira, "Agricultura Brasileira: Transformações Recentes" in: Jurandyr L. S. Ross 
(org.), Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995, p. 468-469.) 
 
A soja é um dos principais produtos exportados pelo Brasil. Explique a expansão, a partir de 1970, da 
cultura da soja em nosso país. 
 
Questão 02 
Apesar do conhecimento acumulado em anos de práticas agrícolas, a tendência à homogeneização 
dos tipos de produção vem preocupando cientistas e ativistas ecológicos do mundo inteiro. 
Baseadas em um mercado mundial de "commodities" e estruturas agroindustriais a elas relacionadas, 
apenas quatro principais culturas de cereais destacam-se na produção mundial: 
a) batata, beterraba, trigo e cevada. 
b) cevada, trigo, aveia e mandioca. 
c) mandioca, feijão, arroz e milho. 
d) soja, feijão, aveia e batata. 
e) trigo, milho, arroz e soja. 
 
Questão 03 
Considere o gráfico apresentado a seguir. 
 
Atualmente, na produção agrícola brasileira, ocorreu aumento de produção de vários produtos do 
mercado interno, o que se explica principalmente pela prática da associação de culturas em grandes 
propriedades. No gráfico anterior temos representada essa situação. 
Os produtos C e D são: 
a) trigo e milho. d) arroz e café. 
b) milho e café. e) arroz e feijão. 
c) feijão e trigo. 
 
Questão 04 
 
 
No período de 30 anos indicado no gráfico, 
a) nenhuma região permaneceu na mesma posição na distribuição do gado bovino. 
b) a região III, o Norte, deixou de ter o maior gado bovino. 
c) houve um pequeno aumento do rebanho bovino em todas as regiões. 
d) a região V, o Sul, passou a ter o maior rebanho bovino. 
e) a região V, o Centro-Oeste, passou a ter o maior rebanho bovino. 
Anotações 
 
 
 
 
 
 40 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 05 
Observe os mapas apresentados a seguir, para responder à questão. 
 
A observação dos mapas e seus conhecimentos sobre a agricultura brasileira permitem afirmar que as 
áreas assinaladas correspondem ao avanço 
a) do café, que deixou de ser um produto essencialmente sulino para ocupar áreas antes destinadas a 
pastagens naturais. 
b) do milho, que se aproveitando das freqüentes altas no mercado internacional, expandiu-se por 
áreas de terras economicamente mais valorizadas. 
c) da soja, que deve o aumento da produção e da produtividade à incorporação de modernas 
tecnologias e à ocupação de novas áreas. 
d) do algodão, que, com as desvalorizações cambiais, tornou-se um produto caro para ser importado e 
passou a ser cultivado em associação aos cultivos de subsistência. 
e) da cana-de-açúcar, que tem incorporado novas áreas de cultivo, graças aos incentivos, oferecidos 
pelo Estado aos pequenos e médios proprietários. 
 
Questão 06 
"Foi ocupada com pecuária extensiva em pastos naturais; suas terras não são muito férteis; existência 
de seis meses de seca de abril a setembro; grande parte de seu bioma já perdeu a cobertura vegetal 
original; atualmente vem sendo ocupada por extensas plantações de soja." 
Essas características referem-se: 
a) ao Planalto Meridional. 
b) ao Sertão Nordestino. 
c) à Região Amazônica. 
d) à Região do Cerrado. 
e) à Região do Pantanal. 
 
Questão 07 
"Produtores ganham com plantio de soja tradicional, mas querem a transgênica." 
"Preferência européia por grão convencional fez crescer demanda." 
("Folha de S. Paulo", 4. ago. 2000). 
A questão da biotecnologia está registrada na imprensa. 
Sobre a biotecnologia na agricultura, podemos considerar: 
I- A revolução da biotecnologia na agropecuária vai desde a inserção do hormônio do crescimento 
bovino no gado, para aumentar a produção de leite, até as transferências de embriões, as alterações 
genéticas das células reprodutoras dos peixes, aves, coelhos e porcos, criação de plantas resistentes 
a vírus e insetos, até a criação de lavouras insensíveis a determinados pesticidas, etc. 
II- A biotecnologia também põe em risco as possibilidades que o mundo em desenvolvimento tem de 
melhorar a sua posição econômica relativa. A pesquisa relacionada com o DNA - a engenharia 
genética - oferece as melhores perspectivas de aumentar a produção geral de alimentos, mas é muito 
cara e está quase que exclusivamente nas mãos de companhias agroquímicas e biotécnicas do 
mundo desenvolvido. 
III- Mesmo que os agricultores dos países em desenvolvimento fossem capazes de custear os 
métodos mais novos de agricultura biotécnica, eles se tornariam dependentes - como muitos de seus 
colegas no mundo desenvolvido - das empresas ocidentais para os hormônios, sementes, fertilizantes 
e herbicidas necessários. 
Assinale a alternativa correta: 
a) Somente I. d) Somente I e II. 
b) Somente II. e) Todas. 
c) Somente III. 
Anotações 
 
Aula 24 – A Agropecuária II – A Soja, a Laranja e o Algodão 
 
 
 
 
 
41 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Questão 08 
Considere a frase apresentada a seguir sobre o nordeste brasileiro. 
"O sertão vai virar... (po)mar!" 
 (José Arbex Jr. e Nelson Bacic Olic. "O Brasil emregiões - Nordeste". São Paulo: Moderna, 1999. p. 38.) 
 
A frase faz referência, principalmente, às mudanças recentes no uso do solo nordestino, a saber: 
a) o cultivo de cana-de-açúcar na região do Cariri-CE, nos chamados "brejos de encosta". 
b) a recuperação de grandes áreas de produção de cacau, anteriormente devastadas por pragas como 
a "vassoura de bruxa". 
c) a ampliação das áreas de cultivo de coqueiros em direção ao interior nordestino. 
d) a introdução da fruticultura irrigada no médio vale do Rio São Francisco. 
e) a exploração da Mata dos Cocais no Maranhão, através de métodos extrativistas sustentáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
 42 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
"A quantidade de postos de trabalho não-agrícolas gerados no 
campo brasileiro cresceu 35% nos anos 90, saltando de 3,4 
milhões para 4,6 milhões. Já os postos de trabalho ligados 
diretamente à lavoura diminuíram 9% na mesma década, passando 
de 11 milhões para 10 milhões." 
(Adaptado de "Veja", 20/09/00.) 
 
Com base no texto e no conhecimento sobre a modernização da 
agricultura brasileira, considere as seguintes afirmativas: 
I - A atividade não-agrícola vem ganhando importância como fator 
de fixação do homem no campo, na medida em que aumenta o 
número de estabelecimentos rurais onde se desenvolvem 
atividades econômicas diversificadas. 
II - A industrialização da agricultura implicou mudanças no modo de 
produzir e nas relações sociais de trabalho. 
III - Parte dos trabalhadores agrícolas dispensados pela 
mecanização das lavouras já não migra para as cidades, devido às 
novas oportunidades de emprego geradas no próprio meio rural. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. 
b) Apenas a afirmativa III é verdadeira. 
c) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. 
d) Nenhuma das afirmativas é verdadeira. 
e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 
 
Questão 02 
Considere o gráfico e as afirmações a seguir. 
 
I. A maior parte dos rendimentos de produtos agrícolas no Brasil se 
equivalem aos norte-americanos. 
II. No cultivo de exportação representado no gráfico, os 
rendimentos agrícolas brasileiros estão próximos aos norte-
americanos. 
III. Nas chamadas culturas de subsistência, o nível técnico é mais 
baixo, e as diferenças entre os rendimentos brasileiro e norte-
americano são mais acentuados. 
IV. A agricultura brasileira tem apresentado, no geral, elevação nos 
níveis de rendimento, sobretudo em função do aumento da área 
plantada. 
Com base nos seus conhecimentos da agricultura brasileira pode-
se afirmar que estão corretas SOMENTE 
a) I e II d) I, II e III 
b) I e IV e) II, III e IV 
c) III e IV 
 
Questão 03 
Analise as afirmações sobre o processo da formação do território 
brasileiro no qual pode-se distinguir diferentes eixos de ocupação 
ligados às atividades econômicas. 
( ) A pecuária, praticada em caráter extensivo, foi de 
importância fundamental na ocupação da região Norte, em especial 
no vale do Rio Amazonas. 
( ) A mineração deu o impulso fundamental para a ocupação 
de áreas no interior do país, durante o período colonial. 
( ) Na região Nordeste, a cultura da cana-de-açúcar foi 
responsável pela ocupação inicial do litoral, a Zona da Mata, 
avançando posteriormente para o Agreste. 
( ) O café deu grande impulso à economia do Sudeste, 
promovendo uma maior ocupação do interior do Estado de São 
Paulo. 
( ) Além da pecuária e da cana-de-açúcar, o cacau, o tabaco e 
o algodão também foram importantes na constituição do espaço 
econômico nordestino. 
 
Questão 04 
A partir de 1970, surgiram novas culturas no espaço agrário 
brasileiro, como, por exemplo, a soja. Sobre esse produto, assinale 
a alternativa correta. 
a) Cultura produzida por grandes empresas rurais e destinada, 
principalmente, ao mercado externo. 
b) Cultura produzida em pequenas propriedades e, principalmente, 
para o mercado interno. 
c) Cultura de subsistência, produzida, principalmente, na região 
Centro-Oeste do país. 
d) Cultura produzida em escala comercial e dominante na Zona da 
Mata nordestina. 
e) Cultura produzida em escala familiar utilizando muita mão-de-
obra. 
 
Questão 05 
Observe as áreas hachuradas no mapa a seguir. 
 
Nas duas últimas décadas, essas áreas hachuradas têm-se 
notabilizado, no cenário nacional, devido 
a) aos grandes projetos agroindustriais. 
b) à intensa produção agrícola. 
c) aos conflitos pela posse da terra. 
d) à expansão da fronteira agrícola. 
 
Questão 06 
O gráfico abaixo representa a área ocupada pelas culturas de 
arroz, milho, soja e trigo no município de São Francisco de 
Assis/RS entre 1920 e 1990. 
 
Fonte: IBGE, Censos Agrícolas. 
Aula 24 – A Agropecuária II – A Soja, a Laranja e o Algodão 
 
 
 
 
 
43 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Observando esse gráfico pode-se afirmar que 
a) a produção agrícola do município caracteriza-se, desde a 
década de 20, como voltada às culturas do binômio trigo-soja. 
b) apesar da introdução da cultura da soja, a cultura do milho 
continua crescendo. 
c) diferentemente do norte do Estado, o impulso nas culturas do 
trigo e da soja surge no município a partir da década de 70. 
d) com a ampliação da área cultivada do trigo e da soja, as culturas 
do milho e arroz sofreram drástica redução de área de plantio. 
e) a política agrícola relativa ao binômio trigo-soja favoreceu, no 
município, a expansão da área cultivada desde a década de 50 até 
1990. 
 
Questão 07 
O mapa a seguir mostra um dos aspectos do espaço agrário 
brasileiro. 
 
ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL, 1995. p.143, IBGE. (adaptado) 
 
Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(s). 
01. A grande produção de trigo, laranja, cana-de-açúcar e café do 
país coincide com a área em branco do mapa. 
02. As áreas pontilhadas assinalam que o uso da terra está 
destinado apenas à pecuária leiteira. 
04. As áreas em branco representa, grosso modo, espaços onde a 
agropecuária é pouco modernizada. 
08. A produção agrícola com mais tratores, fertilizantes e 
herbicidas corresponde à área pontilhada do Centro-Sul. 
16. As setas indicam as tendências da expansão das áreas mais 
modernizadas da agropecuária. 
Soma ( ) 
 
Questão 08 
A utilização do espaço agrário brasileiro apresenta muitas 
variações, devido à influência dos fatores naturais, histórico-sociais 
e técnicos. 
Marque a alternativa que NÃO corresponde às características do 
espaço agrário brasileiro. 
a) A concentração populacional e o elevado nível de urbanização 
fazem do Sudeste o grande mercado consumidor do país, para o 
qual se volta boa parte das atividades agrárias organizadas com 
fins comerciais. 
b) A região Sul apresenta uma grande independência em relação 
ao Sudeste, pela grande expansão da fronteira agrícola, nos 
últimos anos, nos três estados que a compõem. 
c) Em 1960, a área irrigada do Brasil estava em torno de 460 mil 
hectares. Atualmente, este número ultrapassa os 3 milhões de 
hectares, crescimento que foi fruto da atuação do Estado. 
d) No Centro-Sul, que engloba as regiões Sudeste, Sul e a porção 
meridional do Centro-Oeste, o aproveitamento do espaço agrário é 
mais intensivo. 
e) Um dos problemas do campo no Brasil é a distorção da estrutura 
fundiária, acentuada com o processo de modernização da 
agricultura. 
 
Questão 09 
O grande volume de produção de frutas tropicais do nordeste 
brasileiro, cujo grande consumidor é o mercado europeu, deve-se 
a) ao clima quente e úmido, sem mudanças bruscas e ao 
aproveitamento das águas das nascentes do Rio São Francisco. 
b) à tecnologia de irrigação por gotejamento e ao aproveitamento 
das águas do Rio Capibaribe. 
c) ao clima semi-árido e ao aproveitamento das águas do Rio São 
Franciscopara irrigação. 
d) ao clima tropical super úmido e ao aproveitamento das fortes 
chuvas concentradas no verão. 
e) ao clima desértico e à utilização de tecnologia israelense, 
aproveitando o orvalho, frequente na região. 
 
Questão 10 
A importância do agronegócio na economia paulista e brasileira é 
uma realidade, pois, "... ainda que tenha se industrializado, o Brasil 
tem sua presença comercial internacional associada à 
multiplicação de produtos com origem no rural, que respondem por 
41,2% das vendas externas. E há ainda uma imensa possibilidade 
de agregação de valor ao produto. A ruptura histórica da presença 
brasileira no mercado mundial não está em deixar de ser 
exportador de café para ser um exportador industrial. O desafio é 
transformar-se de primário exportador de café em grão em 
agroexportador de café processado, agregando valor ao vender 
bens finais." 
(Apta 2000-2003, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, SP.) 
 
A melhor definição para agronegócio é: 
a) combinação de cadeias produtivas de um produto rural, desde a 
germinação até a colheita. 
b) agregação de valor ao produto rural, por sua industrialização. 
c) denominação moderna para o termo agropecuária. 
d) agregação de valor ao produto rural, pela modernização dos 
meios de produção. 
e) exportação do produto rural, com negociação por meio de bolsas 
de mercadorias. 
 
Questão 11 
O Brasil, de importador de algodão na década de noventa do 
século XX, passou a ter exportações significativas na atualidade. 
No mapa, estão destacados os estados produtores de algodão 
para exportação. 
 
 
 
Utilizando seus conhecimentos geográficos, assinale a alternativa 
que indica corretamente a vegetação nativa da área, o sistema de 
 
 
 
 
 44 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
cultivo e as técnicas principais empregadas. 
a) Campos de altitude, rotação de terras, baixa mecanização. 
b) Coníferas, rotação de cultura algodão/cana-de-açúcar, baixa 
mecanização. 
c) Gramíneas, rotação de terras, tração animal. 
d) Floresta caducifólica, rotação de culturas com pastagens 
artificiais, alta mecanização. 
e) Cerrado, rotação de cultura algodão/soja, alta mecanização. 
 
Questão 12 
Está correto afirmar que a agricultura brasileira 
 
a) recebeu capital internacional nos últimos anos, resultando em 
um aumento da exportação de grãos. 
b) desenvolveu-se em pequenas e médias propriedades, 
resultando em um modelo de produção competitivo com os países 
europeus. 
c) não recebe subsídios fiscais, resultando no aumento do custo de 
produção e na perda de mercado internacional. 
d) está baseada no extrativismo, resultando na formação de 
cooperativas de pequenos proprietários. 
e) não sofre influência da estrutura agrária do país, resultando na 
produção de alimentos nas áreas agricultáveis de todo o país. 
 
Questão 13 
A utilização agrícola dos solos depende não só de seu potencial 
natural, mas também de condições inerentes à estrutura sócio-
econômica específica de cada região. O Estado do Rio de Janeiro 
também não foge à regra. No que diz respeito à utilização dos 
solos fluminenses afirma-se: 
I - O plantio comercial limita-se a algumas áreas como as planícies 
litorâneas e o delta do Rio Paraíba, importantes redutos 
canavieiros; de maneira geral, predominam as pastagens naturais, 
indicando um sub-aproveitamento dos solos. 
II - A fertilidade dos solos e o alto grau de modernização das 
atividades agropecuárias em todo o Estado fazem do setor 
primário, depois do setor secundário, o maior colaborador na 
formação do PIB estadual. 
III - O uso de técnicas rudimentares durante a sua ocupação tem 
provocado o esgotamento de solos, requisitando grandes 
investimentos na sua recuperação, contribuindo para aumentar o 
custo de produção e desestimular o desenvolvimento das 
atividades agrícolas. 
 
Assinale a opção que apresenta a(s) afirmativa(s) correta(s): 
a) I e II 
b) II e III 
c) I e III 
d) Apenas a III 
e) Todas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
PECUÁRIA 
INTRODUÇÃO 
A pecuária (do latim pecus, em português “gado”) pode ser definida 
como sendo a atividade de criação de determinados rebanhos, 
com fins exploratórios. 
Acredita-se que a criação de gado tenha se iniciado no período 
Neolítico, há aproximadamente 15 mil anos, sendo, portanto, uma 
das mais antigas atividades humanas. Através dos tempos, o 
homem foi domesticando inúmeras espécies de animais, a fim de 
poder controlar sua criação e obter produtividade delas. 
Objetivos da pecuária 
Os principais objetivos da criação de gado são: a produção de 
alimentos, de energia e de matérias-primas e a utilização como 
meio de transporte. 
A produção de alimentos foi certamente a primeira finalidade da 
criação de gado e é, até hoje, provavelmente, a mais importante. 
Os principais alimentos de origem animal são: carne, leite, ovos, 
banha e mel. 
O homem sempre se utilizou de animais como elementos de tração 
e de transporte. O uso de animais como fontes produtoras de 
matériasprimas data do começo da história do homem. No início, 
os ossos e os chifres eram utilizados como armas de caça. Hoje, 
são matérias-primas nas fábricas de botões, pentes, material de 
revestimento etc. As peles e couros ainda são usados na 
confecção de vestuário e calçados, além de serem aproveitados 
em indústrias diversas, como de equipamentos hidráulicos e de 
intrumentos musicais. 
Existem, ainda, outras aplicações da pecuária menos conhecidas. 
Por exemplo, a produção de combustível, como o gás metano, a 
partir de fezes dos animais, além do uso de cascos e chifres 
moídos, farinha de ossos e fezes, como elementos fertilizantes. 
FORMAS DE CRIAÇÃO 
Entre os sistemas pecuaristas dominantes na superfície da Terra, 
destacam-se: o extensivo e o intensivo. 
PECUÁRIA EXTENSIVA 
A pecuária extensiva caracteriza-se por abranger rebanhos 
numerosos, criados à solta, geralmente em solos pobres ou 
esgotados, normalmente sem tratos especiais, o que requer pouca 
mão-de-obra. Os animais, dispersos em grandes áreas com 
pastagens naturais, procuram seu próprio alimento. 
PECUÁRIA INTENSIVA 
As características básicas desse sistema se opõem às do sistema 
extensivo. Geralmente, abrange pequenos rebanhos, criados em 
pequenas áreas, submetidas a muitos cuidados com higiene e 
saúde, o que exige maior quantidade de mão-de-obra para o seu 
desenvolvimento. 
Embora o custo da criação seja elevado, a pecuária intensiva 
apresenta alta produtividade, tornando-se muito mais lucrativa. 
Faz-se o uso de métodos zootécnicos, visando a criação do melhor 
animal no menor tempo e pelo menor custo. 
PECUÁRIA BOVINA 
• Extensiva: gado solto nas pastagens onde são criados novilhos e 
engordados o “gado de corte”, bois que servem para a produção de 
carnes para mercado. 
• INTENSIVA: gado criado em estábulos, normalmente vacas, para 
a produção de leite. Na criação intensiva, a utilização de rações 
adequadas e os cuidados veterinários possibilitam a inseminação 
artificial e a seleção de touros e de raças. Os maiores rebanhos 
bovinos do mundo estão localizados na Índia, nos Estados Unidos, 
na Rússia, no Brasil, na Austrália e na Argentina. 
Um tipo de gado bovino muito produzido hoje é o búfalo, 
principalmente na Índia, na China, no Paquistão e nos Estados 
Unidos. 
O rebanho brasileiro de bovinos é da ordem de 147 milhões de 
cabeças, tratando-se de um dos maiores rebanhos mundiais, o que 
corresponde a cerca de 12% de todo o efetivo do planeta. 
A criação de gado bovino no Brasil começou com a entrada de 
animais vindos de Portugal, em 1534, na capitania de São Vicente. 
Durante os séculos XVI e XVII, a pecuária desenvolveu- se mais na 
região Nordeste, em função de fatores naturais e econômicos 
favoráveis: relevo de topografia plana, presença de sal-gema na 
superfície,disponibilidade de terras e mercado consumidor de 
carne e couro bastante amplo, representado pela concentração 
humana em torno dos engenhos açucareiros. 
A área total voltada para as atividades agropecuárias no Brasil, 
atualmente, é de cerca de 376 milhões de hectares, dos quais a 
pecuária abrange aproximadamente 48%. Dessa área, dois terços 
correspondem a pastos naturais que apresentam baixa 
produtividade por hectare, enquanto apenas um terço é composto 
por pastos artificiais. Boa parte de nosso rebanho encontra- se em 
estado de subnutrição, favorecendo a disseminação das doenças e 
diminuindo sensivelmente o nível de produtividade da pecuária 
nacional. 
Considerando o efetivo existente, a produção do rebanho bovino 
nacional é bastante baixa, o que se deve à pequena aplicação de 
recursos zootécnicos, e também ao baixo poder aquisitivo do 
mercado interno, além da disseminação de doenças, como a febre 
aftosa, que dificultam a exportação. 
 
O rebanho bovino brasileiro deriva fundamentalmente do boi 
europeu e do zebu indiano, sendo que essas duas variedades se 
cruzam normalmente, gerando híbridos férteis. 
As raças de origem européia concentram-se na porção meridional 
do país, especialmente na Campanha Gaúcha, no Rio Grande do 
Sul, por causa da semelhança climática, o que torna sua 
aclimatação mais fácil. Destacam-se as seguintes variedades: 
• raças produtoras de leite: Holandesa e Jersey, raça inglesa cuja 
produção destina-se à fabricação de manteiga; 
• raças produtoras de carne: Hereford e Polled-Angus, raças 
inglesas, e Charolês, raça francesa; 
 
 
 
 
 46 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
• raças produtoras de carne e de leite: Devon (inglesa) e caracu 
(brasileira) desenvolvida pela zootecnia paulista, produzindo um 
animal forte, baixo e bom produtor de leite. 
Quanto ao zebu indiano, encontramos no Brasil as seguintes raças: 
• Gir: raça predominantemente voltada para corte, embora tenha 
se desenvolvido aqui uma linhagem especial, o “Gir leiteiro”, 
característico do Vale do Paraíba paulista; 
•. Nelore: é a raça indiana mais voltada à produção de carne, 
espalhou-se por todo o país, em grandes rebanhos. Sua maior 
concentração ocorre no Triângulo Mineiro e no noroeste do Estado 
de São Paulo. 
Nas principais bacias leiteiras do país – Vale do Paraíba e sul de 
Minas Gerais –, tem-se desenvolvido uma nova raça, fruto do 
cruzamento de animais Gir (indianos) com animais da raça 
holandesa (européia), originando o Girolanda. Este cruzamento 
tenta obter um grande produtor de leite que se adapte melhor ao 
clima tropical. 
O rebanho bovino brasileiro está bastante disperso pelo território, 
porém algumas áreas apresentam maior concentração. 
• Minas Gerais: possui 15% do rebanho nacional, 
aproximadamente 20 milhões de cabeças, localizadas 
principalmente no Triângulo Mineiro e norte de Minas, com 
pecuária extensiva de corte; Zona da Mata mineira e sul de Minas, 
com pecuária semiextensiva ou intensiva e produção leiteira. 
• Goiás: abriga também 15% do rebanho nacional, principalmente 
nas porções norte e ocidental do Estado, com predominância 
absoluta da pecuária extensiva de corte. 
• Rio Grande do Sul: responde por aproximadamente 10% do 
rebanho nacional, destacando-se, principalmente, o sul do estado – 
a Campanha Gaúcha –, onde se cria, de forma extensiva, gado de 
origem européia para corte. 
• São Paulo: abriga cerca de 9% do rebanho nacional, entre a 
porção noroeste do estado – que apresenta desenvolvida pecuária 
extensiva de corte – e o Vale do Paraíba, onde se pratica pecuária 
intensiva ou semi-extensiva, para a produção de leite. 
• Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: responsáveis por 18% do 
rebanho nacional, têm como principais regiões o Pantanal Mato-
Grossense e o interior do Mato Grosso, na região do cerrado, onde 
se pratica pecuária extensiva de corte com gado nacional. 
 
OVINOS 
 
• INTENSIVA: criação de ovelhas para a produção de lã, 
principalmente 
na Austrália, na Nova Zelândia e na Rússia. 
• EXTENSIVA: ovelhas de corte para a produção de carne. 
Originários da Ásia, alcançaram a Europa, de onde foram trazidos 
para o Brasil pelos colonizadores portugueses. O rebanho nacional 
é da ordem de 20 milhões de ovinos, 56% dos quais concentrados 
na região Sul, especialmente na Campanha Gaúcha. Segue-se o 
Nordeste, com 38% do total, estando o restante disperso pelas 
demais regiões brasileiras. 
A produção de lã é variável, podendo ser de 0,5 a 10kg por ano, 
dependendo do tipo de animal, do clima, do sistema de criação etc. 
No Brasil, o Rio Grande do Sul é o maior estado produtor de lã, 
com 98% do total nacional. 
SUINOCULTURA 
 
• EXTENSIVA: criação de porcos para a produção de banha e de 
carnes para consumo do próprio produtor. Nesse tipo de criação, 
poucos são os cuidados técnicos e com a higiene. 
• INTENSIVA: porcos estabulados com cuidados científicos e muita 
higiene; destinados à produção de couro e carnes para indústrias e 
frigoríficos. 
Os maiores rebanhos de suínos no planeta estão na China, 
Estados Unidos, Rússia e Brasil. 
CARPINOCULTURA 
 
 
Aula 25 – Pecuaria 
 
 
 
 
47 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
EXTENSIVA: criação de cabras para a produção de carne, mais 
comum em regiões de relevo acidentados e de climas semiáridos 
ou áridos. 
• INTENSIVA: produção estabulada de cabritos para o 
aproveitamento da pele e da carne e de cabras fornecedoras de 
leite. 
A China, a Índia e a Itália são os grandes produtores. 
O rebanho brasileiro tem aproximadamente 12 milhões de caprinos 
concentrados quase totalmente no Nordeste, onde são criados de 
forma extensiva e apresentam qualidade muito baixa. O Sul, como 
pouco menos de 500 mil cabeças, faz grandes investimentos na 
criação, apresentando os melhores animais com elevada taxa de 
rentabilidade. 
EQUINOS 
 
• EXTENSIVA: criação de éguas e cavalos para tração, montaria 
ou corte. 
• INTENSIVA: estabulada e com o propósito de selecionar e 
preparar éguas e cavalos para atividades esportivas (“corrida de 
cavalo” e “partidas de pólo”). 
 
No Brasil, os principais objetivos da criação eqüina são: 
• SELA E MONTARIA: destacam-se as raças estrangeiras Árabe, 
Persa e Quarto de Milha (norte-americana) e as raças nacionais 
Manga-larga, Campolina e Crioula; 
• TRAÇÃO PESADA: destaca-se a raça Shire (inglesa), que é a 
mais pesada – os machos atingem de 850 a 900kg e as éguas de 
750 a 800kg; 
• TRAÇÃO LIGEIRA: destacam-se aí as raças Francesa e a 
Morgan (norte-americana). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 48 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
No campo, a prática da agropecuária pode ser classificada de diversas formas, tudo a depender do 
critério utilizado para avaliação. No caso da divisão das atividades rurais em extensivas e intensivas, a 
classificação é realizada com base em: 
a) tamanho de propriedades d) impactos ambientais gerados 
b) legalidade de posses e) gestão da mão de obra 
c) intensidade de produção 
 
Questão 02 
“(…) Na pecuária intensiva, não basta ter pasto bom. Todo piquete tem um cocho grande, o 
suplemento é servido sempre no começo da manhã. Cada boi recebe dois quilos por dia de proteína e 
energia. O propósito é turbinar o ganho de peso. Com suplemento, o boi engorda 400 gramas a mais 
por dia em relação ao sistema convencional. Não fica barato suplementar, mas a relação 
custo/benefício compensa (…)”. 
Globo Rural, maio de 2012. Disponível em: http://g1.globo.com (com adaptações). 
 
Uma das vantagens da aplicação da pecuária intensiva em detrimento da extensiva é: 
a) menores gastos com investimentos 
b) acessibilidade das técnicas e das tecnologiasc) baixa necessidade de equipamentos avançados 
d) redução da área de ação de impactos ambientais 
e) maior recrutamento de mão de obra 
 
Questão 03 
Embora muitos especialistas recomendem o uso da agropecuária intensiva, em razão de seus 
benefícios, a utilização do modelo extensivo ainda é muito comum em todo o país e também em várias 
partes do mundo, principalmente em áreas com menor oferta tecnológica. Uma das vantagens que 
justifica o emprego da agropecuária extensiva é: 
a) o menor uso de fertilizantes e agrotóxicos 
b) a possibilidade de produção de transgênicos 
c) a redução do preço dos produtos agrícolas 
d) o diminuto índice de desflorestamento 
e) a maximização da relação custo/benefício 
 
Questão 04 
Leia o fragmento de texto a seguir: 
A produção avícola é hoje ainda mais semelhante a uma operação fabril. [...] Algumas das grandes 
empresas de alimentos, como a Ralston Purina, a Cargill e a Allied Mills, são responsáveis por 
gigantescas instalações aviárias que processam dezenas de milhares de galinhas por dia. Como na 
organização fabril, as chaves dessa produção são a procriação especial, alimentação intensiva 
enriquecida, estímulos químicos (hormônios) e o controle de doenças. [...] O alimento passa na frente 
das galinhas imóveis, numa correia transportadora, enquanto ovos e excrementos são removidos em 
outras correias. A iluminação artificial supera o ciclo diário natural e mantém as galinhas em postura 
constante. 
IANNI, Otavio. A era do globalismo. São Paulo: Civilização brasileira, 1996. p.47-8. 
 
O exemplo apresentado por Ianni refere-se ao desenvolvimento de uma agropecuária de forma 
intensiva. 
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE os itens responsáveis por essa classificação. 
a) Capitalização e produtividade da área. 
b) Mercado consumidor e produção total. 
c) Predominância do fator trabalho e terra. 
d) Regime de propriedade vigente e trabalho. 
e) Utilização abundante de terras e energia. 
 
Questão 05 
No Brasil colônia, a pecuária teve um papel decisivo na 
a) ocupação das áreas litorâneas 
Anotações 
 
http://g1.globo.com/
Aula 25 – Pecuaria 
 
 
 
 
49 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
b) expulsão do assalariado do campo 
c) formação e exploração dos minifúndios 
d) fixação do escravo na agricultura 
e) expansão para o interior 
 
Questão 06 
Na questão a seguir, escreva no espaço apropriado a soma dos itens corretos. 
Sobre a pecuária na vida brasileira durante o Período Colonial, é correto afirmar que: 
01. No século XVIII, a pecuária no Sul do Brasil não teve qualquer relação com o surto minerador das 
Minas Gerais. 
02. A atividade pecuária foi muito importante para a expansão do território brasileiro. 
04. Era realizada desde o século XVI na costa nordestina, coexistindo lado a lado com a produção 
açucareira. 
08. Graças à pecuária, a existência de carne e leite no Sertão nordestino amenizava a dura vida dos 
sertanejos, e o couro lhes era matéria-prima fundamental. 
16. Cidades como feira de Santana, na Bahia, e Sorocaba, em São Paulo, eram importantes centros 
de comercialização de gado. 
32. No Rio Grande do Sul, o charque tornou-se grande fonte de renda. 
 
Questão 07 
Todas as alternativas apresentam afirmações corretas sobre a atividade pecuária no processo de 
colonização no Brasil, exceto: 
a) constituiu-se numa atividade subsidiária de grande lavoura. 
b) criou núcleos urbanos destinados ao comércio do couro. 
c) destinou grande parte da produção de charque para o mercado externo. 
d) foi um dos elementos importantes na interiorização da colonização. 
e) produziu a figura do vaqueiro, um trabalhador livre geralmente pago em espécie. 
 
Questão 08 
"Os que trazem [o gado] são brancos, mulatos e pretos, e também índios, que com este trabalho 
procuram ter algum lucro. Guiam-se indo uns adiante cantando, para serem seguidos pelo gado, e 
outros vêm atrás das reses, tangendo-as, tendo o cuidado para que não saiam do caminho ou se 
amontoem". 
(ANTONIL, Cultura e opulência do Brasil, 1711.) 
 
O texto expressa uma atividade econômica característica 
a) do sertão nordestino, dando origem a trabalhadores diferenciados do resto da colônia. 
b) das regiões canavieiras onde se utilizava mão de obra disponível da entressafra do açúcar. 
c) de todo o território da América portuguesa, onde era fácil obter mão de obra indígena e negra. 
d) das regiões do nordeste, produtoras de charque, que empregavam mão de obra assalariada. 
e) do sul da colônia, visando abastecer de carne a região açucareira do Nordeste. 
 
 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
 50 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 (MACKENZIE) 
O Pantanal mato-grossense possui características singulares que o 
individualizam e tornam uma unidade fisiográfica e morfoestrutural 
única no território brasileiro, com uma economia caracterizada 
pela: 
a) criação extensiva de gado bovino. 
b) criação intensiva de gado bovino. 
c) extração mineral. 
d) elevada densidade de produção agrícola. 
e) policultura comercial. 
 
Questão 02 (CESGRANRIO) 
Que atividade econômica foi desenvolvida no Vale do Paraíba do 
Sul, como fase intermediária entre a cultura cafeeira e a indústria? 
a) plantação de milho 
b) cultivo de videira 
c) plantação de algodão 
d) pecuária leiteira 
e) rizicultura 
 
Questão 03 
O rebanho ovino do Brasil, em razão das condições climáticas mais 
favoráveis, concentra-se principalmente no Estado de: 
a) São Paulo 
b) Mato Grosso 
c) Rio Grande do Sul 
d) Rio de Janeiro 
e) Pará 
 
Questão 04 
O Vale do Itajaí (SC) destaca-se por apresentar expressivo 
rebanho: 
a) caprino d) equino 
b) bubalino e) bovino de leite 
c) ovino 
 
Questão 05 (SANTA CECÍLIA – Santos) 
A maior parte do rebanho bovino brasileiro está concentrada na 
região: 
a) Sudeste d) Nordeste 
b) Sul e) Norte 
c) Centro-Oeste 
 
Questão 06 
“O homem está destruindo, em poucas décadas, o que a natureza 
levou milhões de anos para construir. A enorme capa de basalto, 
encobrindo o arenito, já está totalmente desaparecida, em virtude 
da erosão. A prática da queima e o pisoteio dos campos pelo gado 
bovino e principalmente ovino, não permitem uma margem de 
tempo para que a terra recupere suas qualidades naturais.” 
O texto acima aplica-se melhor às áreas agropecuárias do: 
a) sul de Goiás 
b) oeste de Mato Grosso 
c) oeste de Mato Grosso do Sul 
d) norte do Paraná 
e) oeste do Rio Grande do Sul 
 
Questão 07 
“O homem está destruindo, em poucas décadas, o que a natureza 
levou milhões de anos para construir. A enorme capa de basalto, 
encobrindo o arenito, já está totalmente desaparecida, em virtude 
da erosão. A prática da queima e o pisoteio dos campos pelo gado 
bovino e principalmente ovino, não permitem uma margem de 
tempo para que a terra recupere suas qualidades naturais.” 
Qual das seguintes alternativas apresenta o tema mais abrangente 
do texto? 
a) Degradação dos recursos naturais. 
b) Empobrecimento de áreas agrícolas. 
c) Erosão em solos de campos. 
d) Conseqüências de atividades pecuárias. 
e) Conseqüências do desmatamento. 
 
Questão 08 (UNISA) 
Na região Sudeste, dois Estados se destacam na criação de gado: 
a) Espírito Santo e Rio de Janeiro; 
b) Minas Gerais e Espírito Santo; 
c) São Paulo e Rio de Janeiro; 
d) Minas Gerais e São Paulo; 
e) Rio de Janeiro e Minas Gerais. 
 
Questão 09 
“Até hoje, a produção leiteira é das mais importantes do vale que 
se tornou uma das mais fortes áreas da zona de laticínios da 
Região.” O vale e a Região a que se refere o texto são, 
respectivamente: 
a) Vale do Paraíba e Região Sudeste; 
b) Vale do Ribeira e Região Sudeste; 
c) Vale do Rio Doce e Região Sudeste; 
d) Vale do São Francisco e Região Nordeste; 
e) Vale do Itajaí e Região Sul. 
 
Questão 10 
A pecuária, apesar de ter desempenhado importante papel na 
ocupação de determinadas áreas doterritório brasileiro, conservou 
seu caráter complementar na economia colonial especializada para 
a exportação, disso decorrendo 
a) seu equilíbrio em relação às atividades agrícolas e extrativas na 
ocupação efetiva do território. 
b) sua subordinação ao capital comercial europeu. 
c) a exportação da produção de abastecimento, o que gerou 
superávit no comércio colonial. 
d) a direção estatal da metrópole sobre a pecuária, por força do 
monopólio régio sobre o sal e a carne. 
e) constantes crises de abastecimento dos alimentos, cuja 
produção era preterida pelas culturas de exportação. 
 
Questão 11 
"(...) ela foi responsável pelo povoamento do Sertão nordestino, da 
Bahia ao Maranhão. Foi um excelente instrumento de expansão e 
colonização do Brasil. 
Com ela surgiram muitas feiras que deram origem a importantes 
centros urbanos, como por exemplo a Feira de Santana, na Bahia". 
Ao instrumento de expansão a que o texto se refere, pode ser 
associado a 
a) pecuária. d) economia mineira. 
b) mineração. e) produção açucareira. 
c) economia extrativa. 
Aula 25 – Pecuaria 
 
 
 
 
51 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Questão 12 
A produção agropecuária na atualidade requer a adoção de 
sistemas de produção (intensivos e extensivos) rural, que 
dependem principalmente 
a) do tamanho da propriedade e da presença de recursos hídricos 
abundantes para a implantação de pivôs centrais. 
b) da existência de fatores naturais como clima úmido, solos 
férteis, relevo plano e proximidade das vias de transportes. 
c) das condições físico-geográficas de uma região, da cultura e do 
nível de desenvolvimento econômico de uma dada sociedade. 
d) do uso de agrotóxicos e sementes transgênicas, da utilização de 
mão de obra barata e de técnicas tradicionais de produção. 
 
Questão 13 
A geografia rural tem sido essencialmente uma geografia agrária, 
aliás, ela tornou-se, sobretudo, uma geografia agrícola ao invés de 
tornar-se plenamente uma geografia rural, levando em conta o 
conjunto das populações e das atividades do espaço rural e não 
mais somente o que tange à agricultura. 
In: La Géographie Agraire et la Géographie Rurale, Robert Chapuis, 2005, p.147 
 
Considerando-se a concepção de geografia rural defendida pelo 
autor, marque a única opção que indica um tema de estudo do 
espaço rural que se afasta das temáticas mais frequentes da 
geografia agrária. 
a) Modernização dos Complexos Agroindustriais 
b) Urbanização do campo e infraestrutura 
c) Biodiversidade na agricultura comercial 
d) Geração de energia por biomassa 
e) Saúde de populações tradicionais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
RECURSOS MINERAIS 
INTRODUÇÃO 
Sem os recursos minerais e energéticos a humanidade não teria 
como subsidiar o seu crescente desenvolvimento tecnológico. A 
aplicação de técnicas modernas permitiu descobrir, obter e 
transformar bens minerais e energéticos em bens manufaturados 
que tornaram a vida mais confortável. As substâncias minerais, 
metálicas ou não, os combustíveis fósseis e as pedras preciosas 
passaram a fazer parte inalienável de nossas vidas. 
Os minérios são associações de minerais ou um único mineral que 
pode ser explorado do ponto de vista comercial pelas sociedades 
de diferentes maneiras. 
Volumes gigantescos de minérios estão sendo explorados 
rapidamente pelas sociedades, o que pode levar à escassez ou 
mesmo a exaustão desses recursos. 
A conservação do recurso mineral é uma atitude necessária para 
garantirmos o suprimento de insumos minerais praticamente 
imprescindíveis à manutenção de um desenvolvimento sustentável. 
Essa atitude permitirá que preservemos por maior tempo os 
recursos minerais, diminuindo assim o impacto ao meio ambiente. 
IMPORTÂNCIA DOS MINERAIS 
A grande diversidade de minerais encontrados na crosta são, sob o 
aspecto econômico, muito importante para a humanidade, devido 
suas diversas utilidades. Alguns exemplos de usos de minerais: 
• Alumínio - metalurgia e indústrias químicas. 
• Argila - cerâmica, indústria de papel e cimenteira. 
• Calcário - construção civil, siderurgia, indústria cimenteira e 
química. 
• Gnaisse - construção civil (pavimentação). 
• Manganês - siderurgia, metalurgia, indústria elétrica e cerâmica. 
• Ouro - lastro monetário, indústria química e joalheria. 
• Diamante - joalheria, abrasivos e materiais de corte. 
• Cobre - metalurgia, indústria elétrica e química. 
 
Diamantes. Fonte: www.rc.unesp.br 
CONSERVACIONISMO X PRESERVACIONISMO 
Conservar um recurso natural não significa guardá-lo, mesmo 
porque a humanidade não poderia sobreviver sem o seu uso. 
Conservação dos recursos naturais significa sua utilização de 
forma racional, ou seja, procurando obter o máximo de 
aproveitamento para satisfazer o maior número possível de 
pessoas. Para atingir um estágio de conservação dos recursos 
naturais são necessários alguns requisitos básicos, tais como: 
educação do homem, técnicas adequadas, proteção, reprodução e 
recuperação. 
Preservar consiste em resguardar ou proteger os recursos naturais 
evitando a sua utilização. Na verdade o preservacionismo é 
direcionado para os ambientes ou espécies que estejam 
ameaçados de extinção. De uma forma geral a preservação está 
ligada à ideia de patrimônio cultural e/ou ecológico de um espaço 
geográfico. Trata-se de paisagens naturais ou obras de artes que 
possuem valores ideológicos inestimáveis. 
CONSUMO ANUAL MÉDIO DE ALGUNS MINERAIS POR 
NORTE-AMERICANOS DOS ESTADOS UNIDOS 
 
 
Fonte: Craig, Voughan & Skinner, 1996. 
A produção e o uso inadequado do bem mineral podem direta ou 
indiretamente levar a diferentes formas de degradação ambiental, 
outrora de efeitos locais ou regionais, agora amplos (aquecimento 
global, chuva ácida, deterioração da camada de ozônio, poluição 
dos reservatórios de água, etc.). Não só a provável futura escassez 
dos minerais nos preocupa como as consequências danosas para 
as sociedades humanas. 
Os minerais podem ser classificados em: Minerais metálicos: 
ferro, manganês, alumínio, magnésio, cobre, mercúrio, chumbo, 
estanho, ouro, prata e urânio. Minerais não-metálicos: quartzo, 
feldspato, enxofre, titânio, diamante, mica, amianto, etc. 
. 
Extração de ouro em Nova Aripuanã 
EXPECTATIVA DE DURAÇÃO DAS RESERVAS DE ALGUNS 
MINERAIS 
MINERAL DURAÇÃO 
Sal e Magnésio Quase infinita. 
Cal e Silício Mais de milhares de anos. 
Minério de Manganês e Cobalto. Mais de 200 anos. 
Aula 26 – Recursos Minerais 
 
 
 
 
 
53 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Minério de Ferro e Feldspato. 100 a 200 anos. 
Bauxita, Fosfato e Níquel. 50 a 100 anos. 
Fonte: CAMERON, Eugene N.At the crossroads. In.: Manual Global de Ecologia. 
São Paulo: Augustus,1993.p.,180. 
Para solucionar o problema da extinção de alguns recursos 
minerais, as sociedades terão de se preocupar em recuperar áreas 
degradadas e explorar mais racionalmente as áreas mineradoras, 
além de procurar substitutos para minerais escassos. 
OS EFEITOS AMBIENTAIS DA MINERAÇÃO 
A mineração e o garimpo são atividades que também exercem 
forte interferência no ambiente natural e contribuem para sua 
deterioração. Trata-se da extração de recursos naturais do 
solo e do subsolo, dos mais variados tipos e usos. Os 
recursos minerais, como o carvão e o petróleo, tanto são 
usados como fontes energéticas quanto como matérias-
primas (...). É praticamente impossível para a sociedade 
industrial privar-se do uso dos recursos minerais. Foram os 
múltiplos usos desses recursos que possibilitaram o grande 
desenvolvimento industrial. Minerais de grande valor 
comercial como ouro, diamante e até cassiterita são muito 
explorados no Brasil através do garimpo. 
 
Equipamento usado na mineração. 
Esse trabalho de mineração é feito nos leitos fluviais e nos 
depósitos de sedimentos dosterraços e das planícies fluviais, 
principalmente dos rios da bacia hidrográfica amazônica e no 
alto rio Paraguai-Cuiabá. (...) A operação de garimpo 
mecanizado movimenta um volume enorme de detritos ao 
destruir as margens dos leitos fluviais e na dragagem dos 
depósitos de fundos dos leitos fluviais. Alteram a qualidade 
das águas dos rios com sedimentos em suspensão e com o 
uso do mercúrio para aumentar o aproveitamento das 
partículas finas de ouro. A garimpagem, tal como tem sido 
praticada no Brasil, gera grande desperdício por extrair cerca 
de 50% dos minerais disponíveis nos sedimentos. Além disso, 
altera totalmente a paisagem e afeta a qualidade das águas 
dos rios e com isso interfere na vida da fauna [da flora] e na 
saúde do homem. 
Fonte: ROSS, J. L. S. (org.) Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2003. 
A prospecção mineral é uma atividade importante e essencial ao 
homem moderno. Por ser uma atividade econômica extrativista, 
produz grandes transformações e impactos no espaço geográfico. 
Observa-se, no momento atual, um crescimento tanto no que se 
refere a investimentos em novas tecnologias de exploração mineral 
quanto na busca por novos depósitos minerais, já que o mercado 
mundial tem demandado mais recursos minerais como forma de 
atender à sociedade cada vez mais consumista. Em alguns países, 
a atividade extrativa mineral responde por mais de 20% do PIB, 
como no Chile. Já no Brasil, essa atividade responde por cerca de 
5% do PIB, com boas perspectivas de crescimento para os 
próximos anos. 
Apesar da importância do extrativismo mineral para o mundo 
moderno, essa atividade tem sido vista como uma das 
responsáveis pela degradação ambiental. Como forma de tentar 
amenizar ou mesmo reverter esse problema, programas de 
desenvolvimento sustentável aliados a leis ambientais mais rígidas 
têm contribuído para o desenvolvimento de tecnologias que visam 
a minimizar os impactos no meio ambiente. 
A EXPLORAÇÃO MINERAL NO BRASIL 
O Brasil está entre os cinco países com maior potencial de 
descobertas minerais, ao lado da Austrália, do Canadá, dos EUA e 
da Rússia; porém é apenas o oitavo país em investimentos em 
exploração mineral. Desde os tempos coloniais, a atividade 
extrativa mineral é importante em nosso país. 
A preocupação com os recursos minerais no Brasil evidencia-se a 
partir da evolução nacionalista de 1930, culminando com a 
aprovação do Código de Minas que distinguia a propriedade do 
solo e do subsolo (pertencente à União). Em 1934, a Constituição 
permitiu que “empresas constituídas no Brasil explorassem jazidas 
minerais”, dando espaço às empresas estrangeiras para se 
organizarem no território brasileiro. Em 1937, a nova Constituição 
corrigiu essa falha na lei, e o direito exclusivo de exploração 
mineral voltou a ser de brasileiros. Em 1965, durante o período 
militar, ocorreu a aprovação do Plano Decenal de Avaliação dos 
Recursos Minerais, que deu início a um grande impulso na 
exploração dos recursos minerais brasileiros. A Carta de 1988 
estabeleceu o monopólio da União para pesquisa, lavra e comércio 
do petróleo, do gás natural e dos minerais de uso nuclear. Apenas 
em 1995, o monopólio estatal foi quebrado, permitindo a 
penetração do capital estrangeiro nessas atividades. Na década de 
1990, o Brasil aderiu ao Neoliberalismo e deu início às 
privatizações nos setores petroquímico e de extrativismo mineral, 
entre outros. 
A exploração mineral exige altos investimentos (pesquisa – em 
áreas de alto risco, já que nem todas geram resultados – 
infraestrutura de minas, transportes, energia) e também envolve 
grandes riscos de capital, já que os produtos oriundos do 
extrativismo mineral sofrem grandes variações de preços. No 
Brasil, a presença de grandes empresas de capital nacional 
privado e capital estrangeiro é uma realidade. Sete grandes 
empresas respondem por 94% da produção nacional de ferro: Cia. 
Vale do Rio Doce; Minerações Brasileiras Reunidas S.A.; 
Mineração da Trindade; Ferteco Mineração S.A.; Samarco 
Mineração S.A.; Cia. Siderúrgica Nacional; e Itaminas Comércio de 
Minérios S.A., Cia. Siderúrgica Nacional; e Itaminas Comércio de 
Minérios S.A., segundo o Departamento Nacional de Produção 
Mineral (DNPM). 
A antiguidade de nossa estrutura geológica associada aos 
diferentes tipos de rochas que a compõem conferem ao Brasil uma 
riqueza mineral diversificada, o que não significa que somos 
autossuficientes em todos os minerais essenciais ao 
desenvolvimento industrial. 
Segundo levantamentos mineralógicos do Brasil, nosso país 
apresenta o seguinte quadro: 
• Reservas abundantes: ferro, manganês, cassiterita, níquel, 
bauxita, cristal de rocha, zircônio, berilo, magnesita, calcário, sal-
gema e tório. 
• Reservas suficientes: ouro, cobre, zinco, potássio, fluorita e xisto. 
• Reservas deficientes: chumbo, prata, platina, antimônio, cromo, 
tungstênio, enxofre, petróleo, carvão e gás natural. 
 
 
 
 
 54 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
PRINCIPAIS PROJETOS MINERAIS 
 
Corresponde à principal região de exploração de minério de ferro 
do país, porém são também identificadas na região outras jazidas, 
como as de manganês, de cobre, de níquel, de bauxita e de 
cassiterita. A produção dessa área é escoada por meio de dois 
corredores (a Estrada de Ferro Vitória-Minas, que liga a região do 
Quadrilátero aos portos de Vitória e Tubarão – ambos no ES –, e a 
Estrada de Ferro Central do Brasil, que liga o Quadrilátero ao Porto 
de Sepetiba no Rio de Janeiro). A produção mineral do 
Quadrilátero atende aos mercados interno e externo. 
PROJETO GRANDE CARAJÁS 
O Projeto faz parte do programa desenvolvimentista do Governo 
Federal visando à integração da Amazônia Oriental e à exploração 
do minério de ferro, por meio da implantação de projetos voltados 
para a mineração, metalurgia, agricultura, reflorestamento e 
pecuária. Essa exploração foi fruto da implantação de projetos de 
colonização e política de incentivo aos empreendimentos 
agrominerais na Amazônia, desde os anos 1960. 
O Programa Grande Carajás foi lançado em 1979 com o objetivo 
de tornar viável a exploração mineral na região da Serra de 
Carajás, uma grande província mineralógica que contém a maior 
reserva mundial de minério de ferro de alto teor, além de 
importantes reservas de manganês, cobre, ouro, entre outros. A 
prospecção de minério na Serra dos Carajás, no leste do Pará, 
começou em 1966 com a participação de empresas transnacionais. 
 
 
Em 1970, os minérios já tinham sido localizados e, então, 
constituiu-se a Amazônia Mineração S.A., que se associou a 
empresas estrangeiras e à Companhia Vale do Rio Doce. No final 
dos anos 1970, a CVRD assumiu o controle total do 
empreendimento e lançou o Programa Grande Carajás. Na década 
de 1990, a Companhia Vale do Rio Doce foi privatizada, 
transformando-se na maior exportadora de minério de ferro do 
mundo, possuindo todos os direitos de exploração dos minérios da 
Serra de Carajás. A exploração de minérios, sobretudo o ferro, 
exigiu o desenvolvimento de uma infraestrutura da qual fazem 
parte a Estrada de Ferro Carajás – que se estende até o Porto 
Ponta da Madeira, no Maranhão – e a Usina Hidrelétrica de 
Tucuruí, no Rio Tocantins. O Projeto Carajás atraiu grandes 
contingentes populacionais para o sul do Pará e o impacto 
ecológico de suas atividades foi inevitável. Segundo os 
pesquisadores, a Província Mineral de Carajás, pela diversidade de 
seus recursos minerais e grandeza das jazidas, é única no planeta. 
PROJETO TROMBETAS (PA) 
O Projeto Carajás está articulado ao Projeto Trombetas, com a 
extração de bauxita na Serra de Oriximiná, junto ao Vale do Rio 
Trombetas, no noroeste do Pará. A empresa controladora desse 
segundo projeto chama-se Mineração Rio do Norte, constituída a 
partir da associação da Companhia Vale do Rio Doce com um 
grupo de empresas nacionais e estrangeiras. A bauxitade 
Oriximiná é destinada ao abastecimento do complexo industrial 
ALBRÁS / ALUNORTE, onde a bauxita é transformada em alumínio 
e alumina, sendo depois exportada para o mercado japonês. 
SERRA DO NAVIO (AP) 
O projeto na Serra do Navio, implantado no final da década de 
1950, no estado do Amapá, foi até a década de 1990 a principal 
mina de manganês do Brasil, com uma produção acumulada de 
mais de 30 milhões de toneladas. Em 1968, havia a preocupação 
com o crescimento da pauta de exportação, mas também com a 
ocupação do espaço. Buscava-se sair da economia baseada na 
indústria extrativa vegetal e em modestas atividades 
agropecuárias, para novas formas agropastoris e para a 
industrialização dos produtos naturais. A exaustão dessa mina foi 
compensada com a definição de novas reservas no sul do Pará, 
em especial a jazida do Igarapé do Azul. 
MACIÇO DO URUCUM (MS) 
Localizado próximo à cidade de Corumbá, corresponde a uma área 
produtora de minério de ferro e manganês. A produção oriunda 
dessa área abastece principalmente países como Paraguai, 
Argentina e Bolívia. O escoamento é realizado próximo à cidade de 
Corumbá. 
PRINCIPAIS JAZIMENTOS MINERAIS 
• Minério de ferro – Mineral abundante no mundo, porém com 
jazidas em poucos países, sendo que apenas cinco detêm 77% 
das ocorrências totais. O Brasil possui 8,3% das reservas totais, a 
quinta maior do mundo, equivalente a 19 bilhões de toneladas. As 
reservas do Brasil e da Austrália apresentam o maior teor de ferro, 
da ordem de 60%. Ocupamos o segundo lugar na produção 
mundial, perdendo apenas para a China, no entanto, se for 
considerado o volume de minério de ferro já beneficiado, estamos 
à frente desse país. No mundo, os maiores produtores de minério 
de ferro são os Estados Unidos, o Brasil, a China e a Austrália. 
• Manganês – Esse mineral é importante para a industrialização 
de um país, devido à empregabilidade na indústria (química, 
Aula 26 – Recursos Minerais 
 
 
 
 
 
55 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
cerâmica, baterias elétricas, fertilizantes). Na siderurgia é 
empregado para retirar o oxigênio e o enxofre prejudiciais ao ferro. 
O manganês é encontrado em terrenos antigos do Proterozoico, 
geralmente associado ao minério de ferro. O Brasil é o terceiro 
produtor mundial, sendo que o primeiro é a África do Sul. A 
produção brasileira vem aumentando, principalmente com a 
atuação da CVRD em Carajás, e as exportações também têm 
apresentado substancial crescimento. Internamente, o manganês é 
utilizado nas siderúrgicas compondo ligas com o ferro na produção 
de aço. A produção brasileira está concentrada no estado do Pará 
(Serra dos Carajás), Minas Gerais (Quadrilátero Ferrífero) e no 
Amapá (Serra do Navio). No mundo, as mais importantes reservas 
de manganês estão na Rússia, África do Sul, Gabão, Austrália, 
Índia, México, Gana, Hungria e Marrocos. 
• Alumínio – Mineral abundante na crosta terrestre, no entanto, o 
alumínio não é encontrado de forma isolada na natureza e o 
processo de industrialização desse metal exige alto consumo de 
energia elétrica. O minério de bauxita é a principal fonte para a 
obtenção do alumínio e a sua extração é realizada no Vale do Rio 
Trombetas, no Pará (Mineração Rio do Norte – 76,6%), com 
industrialização pela ALUNORTE / ALBRÁS e no estado de Minas 
Gerais. No mundo, os principais produtores de alumínio sã China, 
Rússia, Canadá, Estados Unidos e Austrália. 
• Estanho – O Brasil possui 6,8% das reservas mundiais, uma 
produção de 6,7% e um consumo de 3,2% do total mundial. O 
estanho é obtido da cassiterita, sendo utilizado na composição de 
ligas metálicas como a folha de flandres, com o aço. As principais 
áreas de produção estão nos estados do Amazonas, Rondônia, 
Minas Gerais, Pará, Goiás e Mato Grosso. As exportações desse 
mineral têm enfrentado forte concorrência do estanho chinês 
(44,2% das reservas mundiais). No mundo, os principais 
produtores de estanho são China, Malásia, Tailândia, Indonésia, 
Austrália, Bolívia e Peru. 
• Cobre – O Brasil possui modesta participação no mundo em 
relação ao cobre, em um mercado dominado pelo Chile e pelos 
EUA, tanto no que diz respeito às reservas quanto à produção. A 
prospecção desse minério no Brasil está concentrada nos estados 
da Bahia, do Pará (Carajás) e de Goiás, sendo insuficiente para 
atender ao consumo interno. O Brasil importa cobre principalmente 
do Chile e do Peru. No mundo, os principais produtores de cobre 
são Estados Unidos, Peru, China, Austrália, Indonésia e Rússia. 
• Ouro – A principal característica desse mineral é a sua 
resistência a quase todos os tipos de corrosão, sendo utilizado em 
diversas ligas metálicas, joias, tratamentos dentários, etc. A 
produção brasileira atende ao mercado interno e externo. Os 
maiores produtores são África do Sul, Estados Unidos, Austrália, 
Canadá, Rússia e Brasil, sendo Minas Gerais o principal produtor 
nacional seguido do Pará. 
• Nióbio – Minério utilizado na composição de ligas metálicas que 
requerem resistência e leveza. É considerado estratégico para as 
indústrias, como aeronáutica, naval e espacial, além da 
automobilística. O Brasil detém grande parte das reservas e da 
produção mundial, e, internamente, a produção se concentra em 
Minas Gerais (96,3%), Amazonas (2,7%) e Goiás (1,0%). No 
mundo, o Brasil é o maior produtor, seguido pela Rússia que detém 
apenas 2% da produção mundial. 
• Quartzo – Minério estratégico para a indústria de informática e 
eletroeletrônica. O Brasil detém quase a totalidade do quartzo 
mundial em estado natural e exporta esse produto especialmente 
para o Japão, Hong Kong e Reino Unido. Em termos de produção 
de quartzo em cristal, merecem destaque os estados da Bahia, 
Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa 
Catarina. No mundo, os principais produtores são Brasil, Suíça, 
Japão e África do Sul. O quatzo também pode ser obtido 
industrialmente através de crescimento hidrotérmico. O Japão é o 
maior produtor mundial de quatzo sintético, já o Brasil não possui 
tecnologia nesse setor. 
• Sal marinho – É utilizado na fabricação de baterias, óxidos, 
soldas e munições. A grande extensão do litoral brasileiro e as 
condições físicas favoráveis (ventos alísios, elevada insolação e 
evaporação, elevada salinidade em alguns pontos do litoral) 
permitem ao Brasil uma grande produção que atende tanto o 
mercado interno quanto o externo. O Rio Grande do Norte é o 
maior produtor nacional, Rio de Janeiro, Ceará e Piauí, são outros 
produtores. 
• Chumbo – A participação do Brasil nas reservas e produção de 
chumbo no mundo é muito reduzida. A produção brasileira é 
encontrada em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. 
O Brasil importa semimanufaturados de chumbo do Peru, China, 
Reino Unido e Argentina. Conforme dados de 2007, as maiores 
reservas mundiais de chumbo, em milhões de toneladas (mt), 
estavam na Austrália (59 mt), China (36 mt), EUA (19 mt), Canadá 
(5 mt), Peru (4 mt) e México (2 mt). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
Questão 01 
"No final da década de 1970, a Vale do Rio Doce apresentou ao governo um projeto bastante 
ambicioso, denominado 'Amazônia Oriental - um projeto nacional de exportação', envolvendo não só a 
exploração dos recursos minerais mas também o potencial agrícola-pecuário e madeireiro." 
(Melhem Adas. "Panorama Geográfico do Brasil." São Paulo: Moderna, 1998. p. 271.) 
 
Conhecido como Projeto Grande Carajás, este empreendimento implicou na construção de grandes 
equipamentos de infra-estrutura na região Norte, dentre os quais destacam-se: 
a) a usina hidrelétrica de Tucuruí, o porto de Itaqui no Maranhão e a Estrada de Ferro Carajás. 
b) a Zona Franca de Manaus, a rodovia Transamazônica e a usina hidrelétricade Tucuruí. 
c) o projeto SIVAM, a Zona Franca de Manaus e a Companhia Siderúrgica Nacional no Pará. 
d) a usina hidrelétrica de Balbina, a rodovia Belém-Brasília e o porto de Itaqui no Maranhão. 
e) o porto de Tubarão no Pará, a Zona Franca de Manaus e a Estrada de Ferro Carajás. 
 
Questão 02 
Como estratégia de desenvolvimento nacional e regional, pode-se afirmar que o Projeto Grande 
Carajás 
a) obteve pleno êxito em seus objetivos, propiciando uma redução significativa na dívida externa 
brasileira, através dos recursos obtidos com a exportação de minério de ferro. 
b) contribuiu para o desenvolvimento industrial da região Norte, através dos incentivos que permitiram 
a instalação de indústrias siderúrgicas nos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. 
c) beneficiou apenas a região Norte do país, ao concentrar o desenvolvimento industrial nos Estados 
do Pará e Amazonas, através da criação de "zonas francas" voltadas para a exportação de minérios. 
d) ficou comprometido em seus objetivos devido, principalmente, ao grande endividamento 
governamental para sua implantação e os baixos preços do minério de ferro no mercado internacional. 
e) não alcançou seus objetivos devido à pressão de grupos indígenas e ambientalistas, os quais 
forçaram o governo brasileiro a diminuir a extração e a exportação de minério de ferro na região. 
 
Questão 03 
Nas formações proterozóicas, que ocupam cerca de 4% do território nacional, encontramos a maior 
parte dos minerais metálicos do Brasil. 
No mapa a seguir, a área assinalada pela letra A exemplifica a importância econômica desses terrenos 
com a produção mineral de: 
 
a) ferro, no Quadrilátero Central, sob o controle da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) associadas a 
outras empresas. 
b) ouro, no Vale do Jequitinhonha, sob o comando da Indústria e Comércio de Minérios S.A. (ICOMI). 
c) manganês, na Serra do Navio, sob o controle do Grupo Antunes com capitais nacionais e 
estrangeiros. 
d) ferro e manganês, no Maciço de Urucum, controlada pela Indústria e Comércio de Minérios (ICOMI). 
e) bauxita, no Distrito de Paragominas, comandada pela Mineração Rio do Norte, associação da 
CVRD com outras empresas. 
 
Questão 04 
A existência de grandes jazidas minerais, como as de ferro e manganês no Quadrilátero Ferrífero (MG) 
e na Serra dos Carajás (PA), pode ser explicada por processos geológicos ligados à: 
a) predominância de bacias sedimentares que facilitam os depósitos de minerais mais pesados. 
b) existência de escudos cristalinos, de formação recente, os quais contêm ouro e bauxita, além de 
ferro e manganês. 
Anotações 
 
Aula 26 – Recursos Minerais 
 
 
 
 
 
57 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
c) concentração de dobramentos modernos, formados na Era Cenozóica, tanto no Pará como em 
Minas Gerais. 
d) ocorrência de terrenos muito antigos, do Arqueozóico e Proterozóico, favorecendo a concentração 
desses minérios. 
e) formação de amplas áreas sedimentares muito antigas, onde se concentram, predominantemente, 
jazidas de ferro. 
 
Questão 05 
 
 
Analisando o mapa acima, pode-se inferir que 
a) a área 1 corresponde ao Planalto Meridional, com áreas vulcânicas e solo fértil, enquanto a área 2 
corresponde à Planície Costeira, de origem sedimentar. 
b) a área 1 corresponde ao Planalto Central, com a vegetação do cerrado, enquanto a área 2 
corresponde à área do Planalto Atlântico, formado por rochas cristalinas. 
c) a área 1 é o Planalto Guiano, rico em recursos minerais e a área 2 é a do Planalto Atlântico, com 
enorme riqueza em minerais ferríferos. 
d) as áreas 1 e 2 correspondem a trechos do Planalto Brasileiro, com derramamentos vulcânicos e 
ocorrência de minerais ferríferos, respectivamente. 
e) as áreas 1 e 2 correspondem a trechos do Planalto Brasileiro, ambas de origem sedimentar e com 
ricos depósitos de carvão e petróleo. 
 
Questão 06 
Considere os mapas apresentados abaixo, para responder à questão. 
 
Relacione, a estrutura geológica brasileira e a exploração econômica dos principais recursos minerais, 
nos mapas. 
a) Mapa I - Rochas cristalinas (ferro, manganês e cassiterita); 
Mapa II - Rochas sedimentares (petróleo e carvão);. 
b) Rochas cristalinas (petróleo e carvão); 
Rochas sedimentares (ferro, manganês e cassiteria); 
c) Rochas sedimentares (bauxita, ferro e manganês); 
Rochas cristalinas (petróleo, carvão e ouro); 
d) Rochas cristalinas (ferro, manganês e cassiterita); 
Rochas sedimentares (bauxita, ouro e cassiterita); 
e) Rochas sedimentares (ferro, ouro e bauxita); 
Rochas cristalinas (petróleo, carvão e ouro). 
Anotações 
 
 
 
 
 
 58 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 07 
Dê o nome do estado brasileiro representado no mapa a seguir e indique duas atividades extrativas 
importantes, uma tradicional e outra moderna, praticadas nas áreas identificadas pelos nomes das 
cidades assinaladas. Explique os fatores naturais responsáveis por uma delas. 
 
 
Questão 08 
A área destacada pelo traço forte no mapa a seguir refere-se: 
 
a) ao projeto Jari para a produção de celulose em várias fábricas para, através do Porto de São Luís, 
alcançar os mercados externos. 
b) ao projeto hidrelétrico de Tucuruí-Balbina como apoio para a criação de um pólo industrial em 
Marabá. 
c) ao programa grande Carajás (exploração de minérios, agropecuária e madeiras) com corredor de 
exportação para o porto de São Luís. 
d) ao programa agropecuário do Bico do Papagaio, que visa à colonização regional em pequenas 
propriedades. 
e) ao programa Araguaia-Tocantins para as áreas indígenas na Amazônia. 
 
 
 
Anotações 
 
Aula 26 – Recursos Minerais 
 
 
 
 
 
59 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
No mapa a seguir, as reservas de bauxita e manganês estão 
representadas respectivamente pelos números: 
 
a) 1 e 3. b) 2 e 5. c) 7 e 4. d) 3 e 6. e) 4 e 2. 
 
Questão 02 
"Oitenta anos de intensa exploração praticamente esterilizaram a 
região. Três mil e seiscentos quilômetros quadrados da malha 
hidrográfica foram invadidos pela poluição por níquel, enxofre, 
ferro, manganês, decorrentes da lavagem.......... . O centro da 
destruição é Criciúma, a 202km de Florianópolis, situada no exato 
divisor de águas das bacias dos rios Araranguá e Urussanga." 
Assinale a alternativa que preenche o claro pontilhado. 
a) do carvão. d) do cobre. 
b) da cassiterita. e) da bauxita. 
c) do chumbo. 
 
Questão 03 
"(...) Dez anos depois da descoberta de ouro em Serra Pelada (...) 
a saga que atraiu jornalistas do mundo inteiro vai agonizando 
lentamente (...). Em lugar dos sonhos dourados, agora só há fome 
e desesperança (...)." 
("Jornal do Brasil", 06/01/91) 
 
O rápido crescimento e a lenta agonia de Serra Pelada se 
expressam na grande mobilidade da população. Explique essa 
mobilidade e suas conseqüências tanto para a população envolvida 
como para a região citada no texto. 
 
Questão 04 
A produção garimpeira declina desde 1988, quando chegou a 
quase 90 toneladas de ouro. Em 1992 não chegou a 40. Em 1993 
será menor que a produção mecanizada desse valor. 
Apesar disso, ainda há mais de 300 mil garimpeiros espalhados em 
2 mil garimpos de ouro. 
Sobre a mineração do ouro, são feitas as afirmativas a seguir. 
I - O garimpo foi, até os nossos dias, a mais difundida maneira de 
obter ouro, desde os tempos coloniais. 
II - O fim dos garimpos não causa problemas sociais, já que os 
garimpeiros, seminômades, facilmente se reciclam em outras 
atividades. 
III - Um dos problemas dos garimpos é o prejuízo causado aos rios, 
seja pelo seu desvio ou represamento, seja pela poluição através 
do uso do mercúrio. 
IV - O garimpo tem determinado o progresso duradouro de 
inúmeras áreas e cidades, de zonas longínquas do país. 
V - Serra Pelada (PA), que já foi nosso maior garimpo, está 
praticamenteque possibilitou a consolidação do seu parque industrial. 
(02) O período do "milagre econômico" caracterizou-se pela concentração industrial, pela produção de 
bens de consumo duráveis e pelo aprofundamento dos desníveis regionais. 
(04) O crescimento econômico brasileiro, nas décadas de 70/80 deste século, está associado ao 
crescimento da sua dívida externa. 
(08) Ao se industrializar, o Brasil conseguiu crescer economicamente e promover o seu desenvolvimento. 
(16) A indústria automobilística brasileira consolidou a formação do complexo industrial de São Paulo. 
Soma ( ) 
Anotações 
 
 
 
 
 
 4 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 04 
O texto a seguir descreve alguns aspectos da implantação da indústria automobilística no Brasil. 
"(...) as montadoras estrangeiras, a começar pelas européias, aceitaram o convite e instalaram suas 
fábricas no Brasil, ao lado das empresas já em operação no país: a Fábrica Nacional de Motores 
(FNM), produzindo inicialmente alguns caminhões e a Vemag (automóveis e utilitários) (...), ambas de 
capital nacional. A Vemag foi comprada pela Volkswagen (...), a FNM foi comprada pela Alfa Romeo e 
posteriormente incorporada à Fiat." 
(adaptado de RETRATOS DO BRASIL, São Paulo, p.262) 
 
a) A partir de quando as grandes montadoras estrangeiras vieram para o Brasil e onde se instalaram? 
b) Quais as características da industrialização brasileira, a partir desse momento? 
 
Questão 05 
A política industrial do atual governo brasileiro visa a: 
a) proteger as indústrias tradicionais de baixa tecnologia, para garantir o atual nível de emprego 
industrial. 
b) proteger a indústria nacional contra a competição desleal de empresas estrangeiras mais eficientes. 
c) uma melhor distribuição geográfica do parque industrial que atualmente se concentra no Sudeste. 
d) amparar os setores industriais de alta tecnologia, garantindo-lhes reserva de mercado e apoio 
tecnológico. 
e) desenvolver maior eficiência produtiva e competitividade das empresas, desestimulando cartéis e 
monopólios. 
 
Questão 06 (Unesp) 
O período de 1969-1973 caracterizou-se pelo crescimento acelerado da economia brasileira, ou seja, 
as taxas de crescimento do produto interno bruto (PIB) alcançaram cifras superiores a 10% ao ano. 
Este processo foi gerado por medidas político-econômicas implementadas pelos governos militares 
pós-64. Nesse período ocorreu o que se denominou de: 
a) "milagre brasileiro“. c) "Brasil ano 2000". e) "Diretas-já". 
b) "crescer 50 anos em 5". d) "Plano de Metas". 
 
Questão 07 
"Entre 1955 e 1960 houve um salto no processo de industrialização brasileira através da fase 
conhecida como PLANO DE METAS, onde o crescimento econômico esteve apoiado em um conjunto 
de investimentos e profundas modificações na estrutura industrial do País." 
O conjunto de investimentos e modificações a que se refere o texto consistiam, entre outros, 
a) na grande ampliação das centrais de energia termelétricas; na instalação e modernização de 
terminais marítimos e no crescimento de indústrias de bens de consumo duráveis, como a alimentícia 
e a eletroeletrônica. 
b) na recuperação de áreas urbanas junto às metrópoles; na criação de corredores de exportação e no 
sensível crescimento dos setores de indústria de base, como a do aço, cimento e química pesada. 
c) na crescente diversificação da pauta de exportações de produtos primários e na nacionalização de 
indústrias inicialmente ligadas ao capital internacional, como a química leve e a farmacêutica. 
d) na ampliação significativa da capacidade instalada de energia elétrica; no aumento do número e na 
modernização das rodovias e no crescimento do setor de bens de produção e da indústria 
automobilística. 
e) na criação e instalação de portos fluviais, na expansão da agroindústria, na descentralização da 
atividade industrial e no fortalecimento dos mecanismos de distribuição equilibrada da renda. 
 
Questão 08 
Em sua fase inicial, associada à substituição das importações, a industrialização brasileira ressentiu-se 
principalmente 
a) da falta de iniciativa estatal, uma vez que o Estado tinha interesse em manter a agroexportação do 
café. 
b) das dificuldades provocadas pela Grande Guerra que impossibilitavam a produção de bens, antes 
importados. 
c) da conjuntura internacional desfavorável, pois as grandes potências econômicas procuravam manter 
o monopólio industrial. 
d) da ausência de uma integração em nível de América Latina. 
e) da falta de integração do território, reflexo de uma organização espacial ligada à exportação de 
bens primários. 
 
Anotações 
 
Aula 19 – A Política Substitutiva e a Industrialização Pós-1930 
 
 
 
 
 
5 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Levando-se em consideração que, historicamente, a implantação 
de indústrias siderúrgicas constituiu-se em fator fundamental no 
processo de industrialização: 
a) justifique a importância das indústrias siderúrgicas; 
b) explique como se deu a sua implantação no Brasil. 
 
Questão 02 
I- Até a década de 1930, não se desenvolveu uma política de 
industrialização. As atenções voltavam-se para o setor agrário-
exportador. 
II- Um período importante para o desenvolvimento industrial 
ocorreu após 1929 com a crise da cafeicultura. 
III- Após 1950, o desenvolvimento foi realizado com grande 
participação de capitais estrangeiros, iniciando-se a 
internacionalização da economia do país. 
IV- Os governos militares, após 1964, interromperam o processo de 
internacionalização, diminuindo a dependência de capitais externos. 
Sobre as fases do processo de industrialização do Brasil, são 
corretas as afirmações: 
a) I, II, III e IV. d) I, II e IV. 
b) I, III e IV. e) I, II e III. 
c) II, III e IV. 
 
Questão 03 
Sobre a industrialização e urbanização no Brasil, julgue as 
afirmativas adiante: 
I. É pertinente afirmar que a urbanização brasileira não é 
decorrente da industrialização, uma vez que isso não gera 
emprego em número suficiente para o grande volume do êxodo 
rural que ela provoca. 
II. Pelo fato de a indústria brasileira ser do tipo tardia, ela se 
caracteriza por importar tecnologia e máquinas dos países centrais 
e por ser poupadora de mão-de-obra. 
III. A tecnologia importada pelo Brasil tem agravado o problema do 
desemprego, uma vez que o declínio das taxas de natalidade é 
menos acentuado do que nos países onde ela foi elaborada. 
Assinale: 
a) se for correta apenas a afirmativa I. 
b) se forem corretas apenas as afirmativas I e II. 
c) se forem corretas apenas as afirmativas I e III. 
d) se forem corretas apenas as afirmativas II e III. 
e) se forem corretas as afirmativas I, II e III. 
 
Questão 04 
"O desenvolvimento da rede de transporte é um fator fundamental 
para o crescimento industrial". 
Analisando a organização do espaço brasileiro, tendo em vista seu 
processo de industrialização, é correto afirmar, EXCETO: 
a) Em 1930 não existia integração econômica entre as diversas 
regiões. 
b) A industrialização procedeu-se, gerando uma maior 
concentração espacial. 
c) O Sudeste foi favorecido pela construção de vias de transporte 
e, conseqüentemente, pelo crescimento industrial. 
d) A construção da rede rodoviária favoreceu a reprodução interna 
do modelo de dominação e exploração. 
e) A Amazônia permanece numa posição periférica, contando 
apenas com a presença de indústrias nacionais tradicionais. 
Questão 05 
Considerando a estrutura industrial brasileira no que se refere à 
origem do capital, é correto afirmar que: 
a) desde a origem da industrialização brasileira, a indústria de 
capital privado nacional sempre foi, numericamente, superior às 
demais 
b) na atualidade, as indústrias de capital privado nacional são um 
setor forte e predominante no sistema econômico 
c) somente após 1964, as empresas estatais passaram a uma fase 
de enfraquecimentodesativada. O ouro que lá existe só pode ser 
extraído, agora, por processos mecânicos. 
As afirmativas corretas são: 
a) somente I, III e V. d) somente I, II, III e IV. 
b) somente II, III e V. e) somente I, III, IV e V. 
c) somente II, IV e V. 
 
Questão 05 
Considere os textos que seguem. 
I. "As reservas brasileiras estão entre as maiores do mundo com, 
aproximadamente, 4 bilhões de 
toneladas. Este minério tem larga utilização industrial desde a 
fabricação de utensílios domésticos até a indústria aeronáutica." 
II. "Trata-se de um minério vital para a indústria siderúrgica, pois 
funciona como agente desoxidante e como liga, aumentando o 
limite de elasticidade do aço. As reservas brasileiras giram em 
torno de 160 milhões de toneladas." 
Os textos referem-se, respectivamente, aos minérios de 
a) alumínio e chumbo. d) chumbo e estanho. 
b) cobre e alumínio. e) alumínio e manganês. 
c) manganês e estanho. 
 
Questão 06 
Considere os mapas a seguir para responder à esta questão. 
 
As áreas assinaladas nos mapas A, B e C correspondem, 
respectivamente, à produção dominante dos seguintes minerais: 
a) Projeto Grande Carajás - ferro e alumínio; Maciço de Urucum - 
ferro e manganês; Quadrilátero Central - ferro. 
b) Serra do Navio - manganês; Quadrilátero Central - ferro e 
bauxita; Quadrilátero Mineiro - bauxita e carvão. 
c) Projeto Jari - carvão e alumínio; Maciço de Urucum - ouro e 
ferro; Quadrilátero Mineiro - ferro e bauxita. 
d) Projeto Grande Carajás - manganês e cobre; Serra do Navio - 
ferro; Quadrilátero Ferrífero - ferro e manganês. 
e) Serra do Navio - manganês e ferro; Projeto Jari - bauxita e ferro; 
Quadrilátero Central - ferro. 
 
Questão 07 
Observe o mapa: 
 
 
 
 
 
 60 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Legenda: 
1- Jazidas e Minas 
2- Sedimentos Quaternários 
3- Derrames Basálticos 
4- Sedimentos Paleo-mesozóicos 
5- Embasamento Cristalino 
 
O recurso mineral encontrado nas jazidas e minas localizadas no 
mapa é 
a) a bauxita. 
b) a turfa. 
c) o carvão mineral. 
d) o estanho. 
 
Questão 08 
A localização espacial das usinas siderúrgicas de grande porte no 
Brasil subordinou-se: 
a) ao planejamento governamental de suas instalações. 
b) à localização das matérias primas, mercado consumidor e rede 
de transportes. 
c) à localização das fontes de energia. 
d) à localização dos depósitos de carvão e minério de ferro. 
e) ao processo de urbanização e desenvolvimento da rede 
ferroviária. 
 
Questão 09 
Os três últimos governos federais brasileiros investiram enormes 
recursos em projetos econômicos de grande vulto. Um desses 
projetos destaca-se por ser de grande extensão e complexidade 
territorial, abrangendo setores como o de energia, transportes, 
mineração e industrialização. 
Trata-se do projeto: 
a) Jari. d) Carajás. 
b) Angra II. e) Itaipu. 
c) Transamazônico. 
 
Questão 10 (Fuvest) 
As cidades de Sabará, Itabira, Monlevade, Coronel Fabriciano e 
Ipatinga localizam-se em Minas Gerais, na área geográfica 
conhecida como: 
a) zona metalúrgica. d) zona dos gerais. 
b) triângulo mineiro. e) sul de Minas. 
c) zona da mata. 
 
Questão 11 (Fuvest) 
No esquema a seguir, X e Y são, respectivamente, 
 
a) manganês e bauxita. 
b) manganês e cobre. 
c) cobre e cassiterita. 
d) ferro e cassiterita. 
e) ferro e bauxita. 
 
Questão 12 
Sobre o dinamismo econômico do Quadrilátero Central de MG, 
com a criação de um "Complexo" transformador, pode-se afirmar 
que: 
a) ocorreu um grande crescimento demográfico, tendo a região, 
hoje, mais de 5 milhões de habitantes, nucleados por uma das 
maiores RMs do país. 
b) a área, que tinha uma indústria especializada no setor sídero-
metalúrgico, é atualmente polindustrial, com a petroquímica e a 
mecânica. 
c) a recente conclusão da ferrovia do aço permite melhor 
escoamento do ferro do vale do rio Paraopeba. 
d) a privatização de siderúrgicas, como a Usiminas e a Acesita 
garantirão a chegada de maiores investimentos na região. 
e) a utilização da lenha nas guserias regionais adiciona à renda 
local o valor da extração vegetal. 
 
Questão 13 
No mapa, aparece delimitada uma área marcada pela: 
 
a) concentração de colônias de imigrantes. 
b) criação extensiva de bovinos. 
c) presença de carvão mineral. 
d) agricultura monocultora de soja. 
e) ocorrência de jazidas de petróleo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
FONTES DE ENERGIA I 
ENERGIA E SOCIEDADES 
Entre as condições gerais que ampliam a capacidade social de 
gerar riquezas, uma das que mais se destacam é a energia. A 
história da humanidade pode ser narrada através do consumo de 
energia. Dos tempos pré-históricos até as sociedades tecnológicas 
atuais, o consumo médio aumentou em cerca de 90 vezes. 
A PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 
Por volta de 1720, o emprego de bombas a vapor para extração de 
água foi o início do processo de alteração do ciclo energético 
mundial, mas foi com as inovações produzidas por James Watt, 
que o uso desse princípio permitiu a movimentação de máquinas 
na indústria e nos meios de transportes. 
A partir desse momento, o homem passou a utilizar as chamadas 
fontes de energia modernas (carvão mineral, petróleo, 
hidreletricidade, energia atômica, etc). 
 
Máquina a vapor 
 
CONTEXTO HISTÓRICO 
O que signifca a frase “a revolução industrial explodiu”? 
Significa que a certa altura da década de 1780, e pela primeira 
vez na história da humanidade, foram retirados os grilhões do 
poder produtivo das sociedades humanas, que daí em diante 
se tornaram capazes de multiplicação rápida, constante, e até 
o presente ilimitada, de homens, mercadorias e serviços. Esse 
fato é hoje tecnicamente conhecido pelos economistas como 
a “partida para o crescimento autossustentável”. Nenhuma 
sociedade anterior tinha sido capaz de transpor o teto que 
uma estrutura social pré-industrial, uma tecnologia e uma 
ciência deficientes, e consequentemente o colapso, a fome e a 
morte periódicas, impunham à produção. A “partida” não foi 
logicamente um desses fenômenos que, como os terremotos e 
os cometas, assaltam o mundo não-técnico de surpresa. 
HOBSBAWN, Eric J. A Era das Revoluções. Ed.Paz e Terra. 
As fontes de energia primárias podem ser classificadas em 
renováveis e não-renováveis: 
• Renováveis: São as fontes que têm a possibilidade de se 
renovar, como a energia solar, a hidráulica, a eólica, a das marés, 
a da biomassa, etc. Inúmeras destas renovam-se naturalmente e 
se administradas com o devido cuidado podem durar 
indefinidamente. 
• Não-Renováveis: São fontes que se esgotam com o uso. Para 
que acontecesse sua formação foram necessários milhões de anos 
e condições geológicas específicas. Compreende os combustíveis 
fósseis e os minerais energéticos e radioativos (urânio e tório). 
O CONCEITO DE ENERGIA E DESENVOLVIMENTO 
ECONÔMICO 
Energia 1significa a capacidade de se realizar trabalho. O 
desenvolvimento industrial, em particular, e o econômico, em geral, 
estão intimamente ligados ao desenvolvimento das fontes de 
energia. Pode-se dizer que há uma interdependência: os 
progressos industrial e econômico resultam da ativação de novas 
fontes de energia, que, por sua vez, ocorrem em consequência das 
necessidades econômicas e sociais. Os países mais ricos são os 
grandes consumidores de energias devido a dinamismo da sua 
economia e ao elevado padrão de consumo de sua população e 
indústria. Os EUA são os maiores produtores de energia do 
mundo, entretanto, como o consumo de energia é elevado o país 
tem que importar energia, e junto com o Japão são os maiores 
importadores de energia do mundo. 
CONSUMO FINAL DE ENERGIA NO MUNDO EM 2012 
 
Fonte: Comitê Internacional de Bologne. 
 
PETRÓLEO 
O petróleo é conhecido desde tempos remotos. A Bíblia já traz 
referências sobre a existência de lagos deasfalto. 
Nabucodonosor pavimentava estradas com esse produto na 
Babilônia, enquanto os egípcios o utilizavam como 
impermeabilizante. Por vários séculos o petróleo foi utilizado 
para iluminação. Apesar da técnica de perfuração de poços 
profundos ser dominada desde 200 anos a.C., o objetivo 
exploratório era sempre agua potável. Entretanto durante o 
século XVIII já eram cavados poços a profundidades de 50 
metros que buscavam petróleo. A vantagem desse 
procedimento era que o petróleo assim produzido era mais 
“leve” do que o aflorante naturalmente, ou seja, com os seus 
constituintes mais voláteis presentes. No entanto, a 
construção desses poços era uma tarefa extremamente 
arriscada devido à presença de gases altamente inflamáveis. 
No início do século XIX, as primeiras destilarias foram 
construídas, visando a separação dos constituintes do 
 
1 Conceito conforme o Comitê Nacional Brasileiro da Conferência 
Mundial de Energia – 2004. 
 
 
 
 
 62 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
petróleo. Paralelamente era desenvolvido o lampião a 
querosene, que produzia uma chama muito mais brilhante e 
com menos fumaça do que os que utilizavam petróleo bruto ou 
mesmo óleo de baleia. 
TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, M. Cristina Motta de; FAIRCHILD, Thomas Rich; 
TAIOLI, Fábio. Decifrando a Terra. Companhia Editora Nacional. São Paulo: 2008. 
O petróleo é um hidrocarboneto que se apresenta sob a forma 
fluida, formado por restos vegetais e animais em ambiente 
marinho. Os restos dos animais e vegetais microscópicos 
(plâncton) que vivem na superfície são depositados junto com a 
lama e areia no fundo do mar. Para que tenha início o processo de 
formação do petróleo, é necessário que haja pouca circulação e 
oxigenação no fundo das águas, de forma a impedir a ação 
destruidora das bactérias aeróbias. Mares interiores, baías 
fechadas e golfos são os ambientes mais propícios à formação do 
petróleo. Normalmente apresenta densidade menor que a da água, 
e sua cor varia desde o incolor até o preto. 
A mais importante rocha-fonte de óleo é formada por sedimentos 
finos, ricos em matéria-orgânica, soterrados a uma profundidade 
mínima de 500 m onde a rocha se comprime, diminuindo sua 
porosidade e, com a alta temperatura, induz os hidrocarbonetos a 
migrarem para cima, para um ambiente de menor pressão e maior 
porosidade. Esse movimento é chamado de migração primária. 
Para que se forme, é necessário haver pouca circulação e 
oxigenação no fundo das águas, de modo a impedir a proliferação 
das bactérias aeróbicas. Apesar de sua origem marinha, o petróleo 
também, é encontrado no interior dos continentes, tal como ocorre 
na Rússia. Isso acontece porque o óleo migra através de fissuras a 
interstícios das rochas permeáveis, até encontrar uma barreira 
relativamente impermeável. 
 
PRINCIPAIS RESERVAS DE PETRÓLEO DO MUNDO 
As principais reservas mundiais de petróleo estão concentradas em 
algumas poucas regiões: o Oriente Médio (cerca de 65%), Golfo do 
México, sul dos Estados Unidos, lago de Maracaibo (Venezuela), 
Sibéria (Rússia) e Golfo de Bohai (China). A Arábia Saudita, maior 
produtora, responde por 12,9% do total mundial. Os Estados 
Unidos figuram como principal importador, apesar de produzirem 
cerca de 8% do total mundial. 
RESERVAS MUNDIAS DE PETRÓLEO (BILHÕES DE BARRIS 
DE PETRÓLEO) 
 
 
Fonte: Petrobras. 
PRINCIPAIS DERIVADORS DO PETRÓLEO (MÉDIA) 
 
 
Em algumas regiões, como no Oriente Médio, a maior parte do 
petróleo encontra-se perto da superfície. Mas a maior parte das 
reservas mundiais está alojada do fundo dos oceanos. Desde a 
década de 1950, a tecnologia de extração de petróleo no subsolo 
oceânico (offshore) vem evoluindo continuamente. Hoje, as 
plataformas marinhas representam pouco mais de 25% da 
produção no mundo e 68% a produção do Brasil. 
Arábia Saudita e Rússia figuram entre os maiores produtores 
mundiais de petróleo, seguidas pelos Estados Unidos, Irã e China. 
 
BRASIL DOMINA TECNOLOGIA DE EXPLORAÇÃO DE 
PETRÓLEO EM ÁGUAS PROFUNDAS 
A Petrobras é referência internacional na exploração de petróleo 
em águas profundas, para a qual desenvolveu tecnologia própria, 
pioneira no mundo, sendo a líder mundial deste setor. Tornou-se 
uma referência tecnológica para o mundo do petróleo e 
confirmando a liderança da Petrobras em águas profundas. A 
Petrobras bateu sucessivos recordes de profundidade por lâmina 
de água em extração de petróleo: 
Aula 27 – Fontes de Energia I 
 
 
 
 
 
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PROFUNDIDADE ANO 
492 METROS 1988 
781 METROS 1992 
1709 METROS 1997 
1877 METROS 2000 
1886 METROS 2003 
 
Em 2007 a Petrobras mantém o recorde mundial de profundidade 
em perfuração no mar, com um poço em lâmina d'água de 2.777 
metros. A Petrobras exporta tecnologia de exploração em águas 
profundas para vários países - a maioria dos métodos de 
colocação de tubos a grandes profundidades, como a instalação de 
risers flexíveis sem mergulhadores e os métodos de colocação 
vertical de sistemas de conexão em forma de "J" previamente 
amarrados à ANM, na realidade, foram desenvolvidos em estreita 
colaboração com a Petrobras, e foram patenteados pela empresa 
francesa Coflexip. 
GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO 
A importância estratégica alcançada pelo petróleo ao longo do 
século XX provocou inúmeras crises de proporções mundiais. 
Eclodiram muitos litígios envolvendo empresas e países, nos quais 
sempre estiveram em jogo a posse, o refino e a comercialização do 
petróleo. A exploração de petróleo no Golfo Pérsico começou em 
1908, quando foram descobertos importantes lençóis desse 
hidrocarboneto no Irã. Nessa época, foram negociadas concessões 
a grandes companhias estrangerias, sobretudo por chefes tribais 
árabes. 
Até 1960, sete grandes empresas petrolíferas (cinco norte-
americanas, Standart Oil of New Jersey, hoje conhecido como 
Exxon; Standart Oil of Califórnia, hoje Chevron; Gulf que hoje é 
parte da Chevron; Mobil, que é parte da Exxon e Texaco, também 
incorporada pela Chevron; uma anglo-holandesa, Royal 
Dutch/Shell; e uma britânica, British Petrolium, hoje Beyong 
Petrolium) controlavam grande parte da exploração e 
comercialização do petróleo, determinando aumento ou redução de 
preços de acordo com suas conveniências. Eram chamadas de 
“sete irmãs”, em virtude dos acordos que faziam para a divisão do 
mercado mundial e das estratégias conjuntas que adotavam. 
 
 
No início do século XX, o petróleo já era considerado riqueza fundamental, base do 
sistema de transporte automotivo e geradora de inúmeras atividades indiretas. 
Os principais países exportadores, que pouco se beneficiavam com 
a exploração do produto, resolveram mudar esse quadro e, em 
1960, por meio do Acordo de Bagdá, criaram a O.P.E.P 
(Organização dos Países Exportadores de Petróleo), formada 
atualmente por 12 países: Arábia Saudita, Irã, Venezuela, 
Emirados Árabes, Nigéria, Iraque, Indonésia, Líbia, Kuwait, Argélia, 
Qatar, Gabão e o Equador, que na década de 90 deixou a 
organização mas, retornou em 2007. A O.P.E.P é na realidade um 
cartel de países exportadores de petróleo. Essa organização 
determina cotas de produção para cada país e elimina a 
concorrência estabelecendo um preço comum. A Guerra de Yom 
Kippur, em outubro de 1973, entre árabes e israelenses, na qual os 
EUA e as potências capitalistas apoiaram Israel, foi um bom 
pretexto para esse aumento desse preço. A O.P.E.P, usando o 
petróleo como uma arma política, reduziu o fornecimento e 
aumentou o preço de 2,9 para 11,65 dólares o barril, um aumento 
de 301% em menos de três meses. 
Esse episódio ficou conhecido como o primeiro choque do 
petróleo. Em 1979 quando iniciou-se a revolução islâmica no Irã, e 
em 1980, quando eclodiu a guerra entre Irã e Iraque, ocorreu um 
novo choquedo petróleo, onde o barril sai de 13 para 34 dólares, 
ou seja, um incremento de 161% em relação ao preço de 1973. 
A Guerra do Golfo (1990) fez com que o preço ultrapassasse os 40 
dólares, porém com o fim do conflito o preço voltou a estabilizar-se 
e fechou o momento em 20 dólares. 
Em 2000, quando George W. Bush e sua corja chegaram ao poder 
nos Estados Unidos, boa parte deles ligados a indústria petrolífera, 
os interesses do governo norte-americanos em relação ao petróleo 
se intensificaram, como foi possível observar no caso da ocupação 
do Iraque no ano de 2003. 
O desenvolvimento das economias emergentes, particularmente 
China e índia, pressionou a demanda mundial e colocou o preço do 
petróleo no patamar de US$147 o barril em 2008. A crise 
econômica, iniciada em 2007/2008, acarretou uma queda no preço 
do produto. No início de 2010, o preço do barril era de 
aproximadamente US$ 80 e fechou o ano de 2012 em uma 
cotação de US$ 110. 
A OPEP E A PRODUÇÃO MUNDIAL DE PETRÓLEO (2008) 
 
Fonte: ANP, Gás Natural e Biocombustíveis. Anuário estatístico 
2009. * Segundo a OPEP, a Indonésia deixou de fazer parte da 
organização em janeiro 2009. 
 
PETRÓLEO NO BRASIL 
(UM LOBATO INCOMODA MUITA GENTE) 
Dono de um ufanismo febril em tudo aquilo em que se 
envolvia, o escritor Monteiro Lobato era um dínamo a procurar 
continuamente novas causas, novas frentes de batalha além 
da literatura – que, paradoxalmente, era a fonte financiadora 
das investidas no mundo dos negócios, e não o contrário. E o 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
sonho de encontrar petróleo ocuparia uma década de 
esforços, tempo e recursos financeiros do escritor. (...) Em 
1932 criaria a Cia. de Petróleo do Brasil e, nos anos seguintes, 
duas outras empresas. Em 1936 seu livro O Escândalo do 
Petróleo provocaria intensa polêmica em torno das teses ali 
defendidas – de que havia um conluio entre autoridades 
governamentais e empresas multinacionais de petróleo no 
sentido de impedir a exploração do subsolo brasileiro pelo 
capital nacional. Mas a escolha do governo Vargas se daria 
pela estatização da exploração de petróleo, em vez do formato 
de livre-iniciativa defendido pelo escritor. 
Cartacapital na escola, maio/junho de 2006. 
Em 2007, o petróleo representava a maior oferta interna de energia 
no Brasil (37,4%). Entre as atividades econômicas que mais 
consomem petróleo estão os transportes (67%), a indústria (17%) e 
a produção de energia (7%). O ano marcou a descoberta da 
Camada Pré-Sal. A camada pré-sal é uma faixa que se estende ao 
longo de 800 quilômetros entre os Estados do Espírito Santo e 
Santa Catarina, abaixo do leito do mar, e engloba três bacias 
sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O recurso natural 
encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil 
metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo 
geólogos, conservam a qualidade desse recurso. Vários campos já 
foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, o principal. Há 
também os nomeados: Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara, 
entre outros. 
ENTENDA O PRÉ-SAL 
 
Fonte: CALDINI, Vera ÍSOLA, Leda. Atlas Geográfico Saraiva. 2009. 
Nas décadas de 1950 a 1970, com a intensa industrialização e 
urbanização, o consumo do petróleo manteve-se superior à 
produção interna. No primeiro choque do petróleo, em 1973, o 
Brasil ainda importava quase 80% do que consumia desse produto. 
Após o segundo choque do petróleo, em 1979, procurou-se o 
aumento da produção interna e a exploração de fontrds 
alternativas. 
Na década de 1970, foram feitos novos investimentos e esforços 
para descobrir petróleo concentrado na plataforma continental, 
terreno submerso que começa na linha da costa litorânea e 
apresenta um declive suave até uma profunidade de cerca de 200 
metros. Essas pesquisas levaram à descoberta de importantes 
jazidas petrolíferas no litoral, ao longo da costa de diversos 
estados. A Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, tornou-
se a ais importante região produtora. A partir de meados da 
década de 1980, diversos campos foram descobertos na Bacia de 
Campos (Albacarota, Marlim, Barracuda-Caratinga), culminando 
com a descoberta do campo gigante de Roncador, em 1996. 
 
PRODUÇÃO DE ÓLEO E GÁS (1000 bpd) 
 
O refino vem acompanhando de perto as transformações que a 
Petrobras vivencia nos últimos anos, adequando-se ao novo 
modelo de mercado do setor no Brasil. O desafio de processar a 
crescente produção de óleo pesado brasileiro, permitindo 
investimentos e grandes avanços tecnológicos. A Petrobras tem 
batido sucessivos recordes em suas refinarias, desenvolvendo 
tecnologia própria e possibilitando que o petróleo nacional, de 
característica mais pesada, possa render uma percentagem maior 
de produtos nobres e aumentar a rentabilidade do negócio. 
Aula 27 – Fontes de Energia I 
 
 
 
 
 
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PRODUÇÃO E RESERVA NACIONAL DE PETRÓLEO 2008 (Milhões de barris) 
 
 
Em 2008, o petróleo representava a maior oferta interna de energia no Brasil (36,6%). Entre as atividades econômicas que mais consomem 
petróleo, estão os transportes (51,1%), a indústria (13%) e a agropecuária (6%). A partir da década de 1940, houve um aumento no uso 
desse recurso, o que está bastante associado à política de expansão rodoviária implementada pelo Estado brasileiro nessa época. Em 
1950, o transporte, rodoviário já transportava 65,6% das pessoas e 53,1% das mercadorias do país. O desenvolvimento da indústria 
automobilística, implantada na década de 1950, levou a um constante aumento no consumo de derivados de petróleo, atendendo aos 
interesses das grandes companhias mundiais de petróleo. Em 1953, foi instituído o monopólio estatal do petróleo, e em 1954, foi criada a 
Petrobras, empresa que, além de executar as atividades do setor petrolífero (exploração, produção e distribuição), dedica-se à pesquisa e 
ao desenvolvimento de tecnologias para o petróleo e derivados. 
 
 
 
 
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A atuação do downstream (abastecimento) é fundamental para 
consolidar os objetivos estratégicos da Petrobras, que caminha 
para se transformar numa corporação de alto desempenho na área 
de energia. 
A intenção é firmar sua liderança no mercado brasileiro, além de 
expandir suas atividades no exterior, sobretudo na América Latina, 
onde atua em refinarias na Bolívia e na Argentina. 
A Petrobras possui 16 refina rias e uma fábrica de lubrificantes, 
assim localizadas: 
• Refinaria Landulto Alves (Rlam) – Mataripe, Bahia. 
• Refinaria Presidente Bernar des (RPBC) – Cubatão, São Paulo. 
• Refinaria Duque de Caxias (Reduc) – Campos Elíseos, Rio de 
Janeiro. 
• Refinaria Gabriel Passos (Regap) – Betim, Minas Gerais. 
• Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) – Canoas, Rio Grande do 
Sul. 
• Refinaria de Paulínia (Replan) – Paulínia, São Paulo. 
• Refinaria de Manaus (Reman) – Manaus, Amazonas. 
• Refinaria de Capuava (Recap) – Mauá, São Paulo. 
• Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) – Araucária, Paraná. 
• Refinaria Henrique Lage (Revap) – São José dos Campos, São 
Paulo. 
• Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor) – 
Fortaleza, Ceará. 
UNIDADES DE PROCESSAMENTO DA PETROBRAS 
 
Além das refinarias localizadas no Brasil, a Petrobras também 
opera duas refinarias na Bolívia, desde 1999 (Refinarias Guilhermo 
Elder Bell e Gualberto Villarroel) e na Argentina. As unidades 
industriais da Petro bras completam-se com duas fábricas de 
fertilizantes nitrogenados (Fafen), localizadas em Laranjeiras, 
Sergipe, e em Camaçari, Bahia. Operam ainda no Brasil as 
refinarias Ipiranga, no Rio Grande do Sul e Manguinhos, no Rio de 
Janeiro, ambas pertencentes a grupos privados.BRASIL – IMPORTAÇÃO DE PETRÓLEO 
 
 
No Brasil, o óleo bruto é transportado internamente por oleodutos 
(30 318 km) ou externamente por navios da Fronape, que conta 
120 petroleiros, dos quais 46 de propriedade da Petrobras 
(Transpetro). O petróleo é levado a terminais e daí transportado até 
refinarias ou depósitos. 
GÁS NATURAL 
Por se formar do mesmo modo e por se acumular no mesmo tipo 
de rocha, o gás natural, uma composição de hidrocarbonetos em 
estado gasoso, é frequentemente encontrado junto ao petróleo. O 
gás natural, em relação ao petróleo, oferece algumas vantagens: é 
menos poluente, as reservas conhecidas podem durar cerca de 60 
anos e estão distribuídas em diversos continentes. Entretanto, os 
custos de exploração e de transporte (construção de gasodutos) 
são maiores do que os despendidos com o petróleo. 
O custo de geração de energia elétrica, a partir do gás natural, é 
bem menor em relação às outras fontes (carvão, urânio — energia 
atômica; água dos rios — energia hidrelétrica), recomendando-se 
bastante sua utilização. Somente nos EUA, há 550 mil quilômetros 
de gasodutos, o que pode ser um indicativo do largo uso desse 
recurso naquele país. Por ser menos denso, o gás ocupa em geral, 
a parte superior dos depósitos petrolíferos. A Arábia Saudita, maior 
produtora, responde por 12,9% da produção mundial. 
Na Bacia do Mar Cáspio existem inúmeros campos de gás, a maior 
parte no deserto do Turcomenistão. 
PROJETOS DE DUTOS NA BACIA DO MAR CÁSPIO 
 
 
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações Internacionais: teoria e 
história. São Paulo: Saraiva, 2004.p.29.3 
 
CARVÃO MINERAL 
O carvão mineral é utilizado há mais de 2000 anos, desde a 
época da ocupação romana da Inglaterra, quando era usado para 
aquecer as residências dos romanos. 
O carvão é formado pelos restos soterrados de plantas que 
sofreram um lento processo de solidificação em um ambiente 
anaeróbico. 
Levando em consideração o poder calorífico, diretamente 
relacionado à quantidade de carbono, o carvão apresenta-se sob 
quatro formas: 
• Antrácito: possui de 90 % a 96% de carbono, apresentando, 
portanto, maior poder calorífero. É o melhor e também o mais 
raro, pois corresponde a apenas 5% do consumo mundial. 
Aula 27 – Fontes de Energia I 
 
 
 
 
 
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• Hulha: tipo mais abundante e mais consumido (80% do total), 
apresenta teor de carbono de 75% a 90% Bastante usado para a 
produção de coque (carvão siderúrgico). 
• Linhito: possui teor de carbono e 65% a 75% (baixo poder 
calorífero). É o segundo estágio de desenvolvimento do carvão. 
• Turfa: possui o menor teor de carbono (cerca de 55%) e, 
portanto, o menor poder calorífero. É o primeiro estágio de 
desenvolvimento do carvão. 
 
 
LOCALIZAÇÃO DAS PRINCIÁIS JAZIDAS DE CARVÃO DO MUNDO 
 
Fonte: Mérenne-Schoumaker, Géographie de l’énergie, p.211 
 
A exploração do carvão mineral pode ocorrer 
• a céu aberto: para isso, é necessário que as camadas que 
contêm o mineral encontrem-se próximas da superfície terrestre, 
o que facilita a extração e o emprego de máquinas bastante 
modernas, barateando o custo da produção. 
• em minas subterrâneas: as rochas que contêm o mineral são 
encontradas em maiores profundidades, o que ocorre na maioria 
das minas de carvão espalhadas pelo mundo. Essa forma de 
exploração, ao contrário da primeira, requer maior quantidade de 
instalações na superfície e no fundo das minas, sendo, 
consequentemente, mais dispendiosa. 
No decorrer do século XX, com a expansão da utilização do 
petróleo, chegou-se a afirmar, especialmente na década de 1960, 
que o carvão era uma fonte de energia ultrapassada. Entretanto, 
em virtude do encarecimento do petróleo na década de 1970, a 
produção e o consumo do carvão aumentaram sensivelmente. 
China, EUA, Índia, África do Sul, Austrália, Rússia e Polônia 
detinham, em 2008, mais de 85% da produção mundial do carvão, 
que é o mais abundante dos combustíveis fósseis. 
MAIORES PRODUTORES MUNDIAIS DE CARVÃO 
 
Fonte: ANEEL 
Com o aumento da produção e do consumo, a utilização do carvão 
ainda apresenta dois problemas a serem solucionados: o alto custo 
do transporte e o elevado índice de poluição verificado tanto na sua 
extração como no seu consumo. Quanto ao transporte, a construção 
de ferrovias pode contribuir para o barateamento final do produto, 
tornando-o ainda mais competitivo. Já a poluição pode ser reduzida 
com a instalação de filtros e outros equipamentos antipoluidores nas 
usinas termelétricas, grandes responsáveis pela emissão de gases 
poluentes. EUA, Alemanha, França e Grã-Bretanha, por exemplo, já 
dominam a tecnologia para a utilização limpa do carvão. A redução 
da emissão de poluentes decorrentes do uso desse recurso justifica-
se ainda pelo fato de ele também ser utilizado nas indústrias 
siderúrgicas para a produção de aço e nas indústrias químicas para 
fabricar benzinas, amoníaco, gás de iluminação, óleo, anilina, etc. 
Sabemos que o Hemisfério Sul é pobre em carvão mineral, se 
comparado com o Hemisfério Norte. Esta pobreza do Hemisfério 
Sul está ligada a fenômenos geológicos. Assim, o Brasil não faz 
exceção neste particular. É também pobre em jazidas carboníferas 
(pelo menos no que se refere às jazidas conhecidas até hoje). As 
nossas principais jazidas estão localizadas no sul do país, numa 
formação que data do permocarbonífero, entre o cristalino da Serra 
do Mar e a Bacia Sedimentar Paranaica. 
Praticamente todo o carvão mineral brasileiro procede da região 
Sul. O Rio Grande do Sul detém as maiores reservas, mas Santa 
Catarina é o maior produtor, graças às reservas existentes no vale 
do Rio Tubarão e arredores, abrangendo os municípios de 
Urussanga, Lauro Muller, Siderópolis e Criciúma. As reservas 
catarinenses, diferentemente do que ocorre no Rio Grande do Sul, 
aparecem em camadas pouco profundas, facilitando a extração e 
tornando-a menos onerosa. 
 
 
 
 
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REGIÃO DE OCORRÊNCIA DE CARVÃO NO BRASIL 
 
PRINCIPAIS DEPÓSITOS 
• Santa Catarina – 5 606 112 toneladas, localiza das no Vale do 
Rio Tubarão e proximidades. 
• Rio Grande do Sul – 3 364 953 toneladas, localizadas no Vale 
do Jacuí e proximidades. Foi localizada uma jazida de linhito no 
alto Amazonas, mas não foi ainda avaliada. A exploração do 
carvão mineral, no Brasil, efetivou-se a partir de 1942, em Santa 
Catarina, quando foi ini cia da a instalação da Companhia 
Siderúrgica Nacional (primeiro alto-forno a coque no Brasil), em 
Volta Redonda (RJ). A partir desta data, a nossa produção tem 
crescido de forma bastante lenta, em razão de uma série de 
problemas já citados. Em 1969, atingiu 5 127 351 toneladas, 
produção irrisória, se compararmos com a produção dos EUA. A 
produção atual (1993) gira em torno de 9 241 099 toneladas de 
carvão bruto. 
Dos depósitos brasileiros, o único que possui carvão coqueificável 
é o de Santa Catarina, cuja com posição é a seguinte: 
• carvão metalúrgico – 45%; 
• carvão vapor – 30%; 
• rejeitos – 25%. 
EVOLUÇÃO DO CONSUMO DE ENERGIA PRIMÁRIA NO 
BRASIL(%) 
 
A principal compradora deste carvão é a Companhia Siderúrgica 
Nacional. 
• Rio Grande do Sul 
Os depósitos desse Estado aparecem com 30 a 120 metros de 
profundidade. A exploração ocorre no Vale do Jacuí (São 
Jerônimo e Butiá), Bagé e Leão. O carvão é de baixa qualidade, 
não sendo coqueificá vel, em nível econômico, nas técnicas atuais. 
A produção é consumida no próprio Estado, para geração de 
termoeletricidade (CEEE) e transportes (Viação Férrea do Rio 
Grande do Sul). 
• Paraná 
É explorado no Vale do Rio do Peixe e no Vale do Rio das 
Cinzas, sendo consumido para trans por tes. 
PROBLEMAS DE EXPLORAÇÃO 
Vários são os problemas que dificultam o aumento da 
exploração: 
1) depósitos relativamente pequenos; 
2) pequena espessura dos horizontes carboníferos,dificultando a 
exploração; 
3) baixa qualidade do carvão, produzindo até 18% de cinzas; 
4) baixo nível técnico das minas e equipamentos deficientes, 
encarecendo o produto; 
5) distância dos depósitos em relação aos centros consumidores; 
6) alto custo dos transportes. 
Em relação ao carvão metalúrgico, o importado sai mais barato do 
que o nacional. Daí a tendência das empresas de consumir carvão 
importado, mais barato e de melhor qualidade (produz 4% a 5% de 
cinzas, contra 16% a 18% do carvão nacional). Para defender a 
produção brasileira, principalmente de Santa Catarina, o governo 
obrigava até 1991 o uso do car vão nacional na proporção de 
40% do consumo nas siderúrgicas. 
O consumo, quanto aos setores, sofreu importantes modificações. 
O consumo nas ferrovias sofreu redução, indicando não só a 
pequena evolução deste meio de transporte, como também a 
substituição das locomotivas a vapor para diesel ou elétrica. Já no 
setor de termoeletricidade, o aumento relativo foi considerável, 
refletindo o rápido desenvolvimento da produção de energia 
elétrica. 
Quanto ao aumento no setor siderúrgico, era de se esperar, uma 
vez que o esforço para desenvolver a nossa siderurgia é bastante 
grande, como dissemos anteriormente. Em 1991, o então 
presidente Collor acabou com os subsí dios do carvão mineral, o 
que inviabilizou a produção nacional, visto que o carvão importado 
é de melhor qualidade e de menor custo. 
Temos instalados 12 entrepostos com capacidade de armazenar 8 
milhões de toneladas de carvão mineral, sendo que o de Tubarão – 
SC é para 6 milhões de toneladas e ocupa uma área de 120 
hectares, o que nos dá ideia das dificuldades para armazenamento 
e manuseio do carvão. 
XISTO PIROBETUMINOSO 
• SP – Vale do Paraíba, Tremembé; 
• PR – Vale do Irati, São Mateus do Sul. 
 
Em junho de 1972, teve lugar, pela primeira vez em nosso país, a 
extração de óleo de xisto pirobetuminoso, com o funcionamento da 
Usina Protótipo de Irati, que obtém do xisto gás e enxofre. 
 
 
 
Aula 27 – Fontes de Energia I 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
A origem do petróleo está associada a: 
a) rochas cristalinas e detritos orgânicos depositados em mares profundos. 
b) rochas sedimentares e detritos orgânicos marinhos depositados em mares rasos. 
c) rochas metamórficas e restos vegetais alterados por temperatura e pressão elevadas. 
d) rochas sedimentares e detritos orgânicos continentais depositados em grandes pântanos. 
e) rochas cristalinas e detritos orgânicos depositados em mares profundos. 
 
Questão 02 
Examine a tabela adiante. 
 
Os dados permitem concluir que 
a) mais da metade do petróleo processado em 1989 era nacional. 
b) à medida que diminuiu a participação do petróleo nacional, aumentou a porcentagem de 
processamento do petróleo importado. 
c) mais da metade do petróleo processado em 1992 era importado. 
d) enquanto em 1989 havia perfeito equilíbrio entre o processamento de petróleo nacional e importado, 
em 1992 houve maior processamento de petróleo nacional. 
e) houve aumento no processamento de petróleo nacional e diminuição na participação de petróleo 
importado. 
 
Questão 03 
Associe as datas a seguir aos importantes marcos da história do petróleo, no Brasil. 
I. 1938 II. l 953 II. 1968 
(a) início da exploração da plataforma continental 
(b) criação do Conselho Nacional do Petróleo 
(c) criação da PETROBRÁS 
a) I - a; II - b; III – c; d) I - b; II - a; III – c; 
b) I - a; II - c; III – b; e) I - c; II - b; III – a; 
c) I - b; II - c; III – a; 
 
Questão 04 
Na última década a ampliação das reservas e da extração de petróleo no Brasil foi possibilitada pela 
descoberta de novos campos localizados principalmente nas bacias sedimentares: 
a) do Amazonas. d) do Meio-Norte. 
b) da Plataforma Continental. e) do Recôncavo Baiano. 
c) do Planalto Atlântico. 
 
Questão 05 
Sobre o petróleo no Estado do Rio de Janeiro, assinale a afirmativa INCORRETA: 
a) O Estado é, atualmente, o grande produtor de petróleo do país produzindo mais da metade da 
produção total brasileira. 
b) O RJ, a partir do aumento da produção campista, beneficiou-se também com a construção de novas 
refinarias e com a implantação dos Pólos Petroquímicos. 
c) Os poços na plataforma continental de Campos estão atingindo, cada vez mais, lâminas d'água a 
grandes profundidades com tecnologia de ponta. 
d) O escoamento da produção força a construção de um amplo sistema de apoio, com plataformas 
fixas, oleodutos e gasodutos, além dos depósitos em terra. 
e) Macaé e Campos são os municípios fluminenses que mais têm sido beneficiados com as atividades 
petrolíferas no Norte do Estado. 
Anotações 
 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 06 
Considere o mapa para responder à questão. 
 
As principais ocorrências minerais no Brasil localizam-se basicamente em áreas 
a) cristalinas. 
b) sedimentares antigas. 
c) sedimentares recentes. 
d) magmáticas extrusivas recentes. 
e) magmáticas extrusivas antigas. 
 
Questão 07 
Sobre recursos minerais do Brasil, verifique no mapa a correspondência entre as áreas numeradas 
que indicam grandes jazidas e as expressões à direita dos parênteses e assinale a seqüência correta: 
 
( ) Carvão mineral 
( ) Petróleo 
( ) Ferro e manganês 
( ) Bauxita 
( ) Ouro 
 
a) 7, 4, 6, 3, 2. b) 3, 7, 4, 5, 1. c) 1, 7, 4, 5, 3. d) 5, 6, 2, 4, 3. e) 2, 7, 5, 4, 6. 
 
Questão 08 
Com relação às grandes unidades geológicas, o Brasil está inteiramente inserido na plataforma sul-
americana, que exibe dois vastos conjuntos de escudos ou maciços cristalinos, de origem pré-
cambriana, envolvidos por extensas bacias sedimentares fanerozóicas. As riquezas minerais do 
território brasileiro são imensas, porém, pouco conhecidas. 
Quanto à localização e à exploração econômica dessas riquezas, é possível afirmar que 
( ) as jazidas de minerais metálicos, como ferro, bauxita, cassiterita e manganês, localizam-se no 
embasamento cristalino, e sua exploração exige grandes intervenções no ambiente natural. 
( ) a ocorrência de pedras preciosas está relacionada às formações sedimentares mesozóicas. Na 
exploração dessas pedras, utiliza-se de tecnologia avançada, além de pessoal altamente qualificado. 
( ) as principais reservas petrolíferas do Brasil encontram-se nas bacias sedimentares meso-
cenozóicas submersas no oceano, o que exige o desenvolvimento de uma tecnologia adequada à 
exploração em grandes profundidades. 
( ) a existência dos minerais mais nobres está associada às áreas dos dobramentos antigos - 
cinturões orogênicos pré-cambrianos -, e sua exploração é feita por garimpagem mecânica. 
 
 
Anotações 
 
Aula 27 – Fontes de Energia I 
 
 
 
 
 
71 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Bacias sedimentares são depressões dos antigos escudos que 
receberam sedimentos dos próprios escudos. Os recursos minerais 
típicos destas formações são: 
a) ferro e níquel. b) carvão mineral e petróleo. 
c) ouro e manganês. d) bauxita e cassiterita. 
e) cobre e petróleo. 
 
Questão 02 
Considere a tabela a seguir para 
 
 
a) indicar duas causas que justifiquem a opção pelo consumo de 
energia nuclear no conjunto dos países apresentados. 
b) analisar duas implicações dessa opção de consumo. 
 
Questão 03 (UEL) 
De maior significado que o consumo global de energia em um país 
é a relação entre o consumo e o número de habitantes, isto é, o 
consumo de energia per capita. 
Esse índice é significativo porque revela 
a) o consumo médio de petróleo pela população e a sua 
distribuição pelas diferentes camadas sociais. 
b) a existência de grandes problemas econômicos, mesmo quando 
esse indicador apresenta-se comelevação. 
c) a grande produção de petróleo que é consumida internamente 
em atividades industriais. 
d) a grande produção de carvão mineral, que é consumida 
sobretudo pela siderurgia. 
e) o grau de industrialização: se o índice é elevado trata-se de um 
país altamente industrializado 
 
Questão 04 (Fuvest) 
Na legenda do gráfico a seguir, os algarismos correspondentes às 
fontes de energia não renováveis são: 
 
1- Industrial 
2- Transportes 
3- Residencial 
4- Comercial 
5- Agropecuária 
a) I e II b) I e V c) III e I d) III e IV e) V e II 
 
Questão 05 (Unicamp) 
O petróleo, recurso não-renovável, é a principal fonte de energia 
consumida no mundo. 
a) Aponte duas fontes alternativas de energia para a diminuição do 
consumo do petróleo. 
b) Quais as vantagens e desvantagens do uso dessas fontes 
alternativas de energia em relação ao petróleo? 
 
Questão 06 
Os depósitos de xisto betuminoso são explorados como recurso 
mineral em várias partes do mundo. Sobre estes depósitos, é 
correto afirmar que se trata de rochas: 
a) formadas através do resfriamento do magma, sendo utilizadas 
como brita. 
b) ricas em matéria orgânica, sendo aproveitadas na obtenção de 
combustível. 
c) formadas sob forte pressão e seus depósitos são explorados 
para a fabricação do aço. 
d) de elevada dureza, sendo bastante usadas como rochas 
ornamentais. 
e) não consolidadas formando depósitos arenosos utilizados na 
construção civil. 
 
Questão 07 (Enem) 
As sociedades modernas necessitam cada vez mais de energia. 
Para entender melhor a relação entre desenvolvimento e consumo 
de energia, procurou-se relacionar o índice de Desenvolvimento 
Humano (IDH) de vários países com o consumo de energia nesses 
países. 
O IDH é um indicador social que considera a longevidade, o grau 
de escolaridade, o PIB (Produto Interno Bruto) "per capita" e o 
poder de compra da população. Sua variação é de 0 a 1. Valores 
do IDH próximos de 1 indicam melhores condições de vida. 
Tentando-se estabelecer uma relação entre o IDH e o consumo de 
energia "per capita" nos diversos países, no biênio 1991-1992, 
obteve-se o gráfico a seguir, onde cada ponto isolado representa 
um país, e a linha cheia, uma curva de aproximação. 
 
 
Fonte: GOLDEMBERG, J. "Energia, meio ambiente e desenvolvimento". 
São Paulo: Edusp, 1998. 
Com base no gráfico, é correto afirmar que: 
a) quanto maior o consumo de energia "per capita", menor é o IDH. 
b) os países onde o consumo de energia "per capita" é menor que 
1 TEP não apresentam bons índices de desenvolvimento humano. 
c) existem países com IDH entre 0,1 e 0,3 com consumo de 
energia "per capita" superior a 8 TEP. 
d) existem países com consumo de energia "per capita" de 1 TEP e 
 
 
 
 
 72 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
de 5 TEP que apresentam aproximadamente o mesmo IDH, cerca 
de 0,7. 
e) os países com altos valores de IDH apresentam um grande 
consumo de energia "per capita" (acima de 7 TEP). 
 
Questão 08 (Enem) 
Para compreender o processo de exploração e o consumo dos 
recursos petrolíferos, é fundamental conhecer a gênese e o 
processo de formação do petróleo descritos no texto abaixo. 
"O petróleo é um combustível fóssil, originado provavelmente de 
restos de vida aquática acumulados no fundo dos oceanos 
primitivos e cobertos por sedimentos. O tempo e a pressão do 
sedimento sobre o material depositado no fundo do mar 
transformaram esses restos em massas viscosas de coloração 
negra denominadas jazidas de petróleo." 
(Adaptado de TUNDISI. "Usos de energia." São Paulo: Atual Editora, 1991.) 
 
As informações do texto permitem afirmar que: 
a) o petróleo é um recurso energético renovável a curto prazo, em 
razão de sua constante formação geológica. 
b) a exploração de petróleo é realizada apenas em áreas marinhas. 
c) a extração e o aproveitamento do petróleo são atividades não 
poluentes dada sua origem natural. 
d) o petróleo é um recurso energético distribuído 
homogeneamente, em todas as regiões, independentemente da 
sua origem. 
e) o petróleo é um recurso não renovável a curto prazo, explorado 
em áreas continentais de origem marinha ou em áreas submarinas. 
 
Questão 09 (Fuvest) 
Com base no mapa, assinale a alternativa correta. 
Consumo de energia "per Capita" 
 
Adap. "Atlas de Peters", 1994. 
 
O consumo de energia é maior em países com 
a) produção de bens intermediários para exportação e transição 
demográfica inicial. 
b) elevada produção na indústria de base e transição demográfica 
concluída. 
c) produção de bens de consumo não duráveis para exportação e 
elevado crescimento vegetativo. 
d) elevada produção na indústria de base e elevado crescimento 
vegetativo. 
e) produção de bens de consumo não duráveis para exportação e 
predomínio de população jovem. 
 
Questão 10 (Ufscar) 
A descoberta de uma grande reserva de petróleo estimada em 26 
bilhões de barris, no sudoeste do Irã, coloca em destaque nos 
noticiários a maior região produtora-exportadora de petróleo 
conhecida como 
a) bacia Caspiana. 
b) Mar do Norte. 
c) Golfo Pérsico. 
d) bacia de Maracaibo e Orenoco. 
e) delta do Níger. 
 
Questão 11 
(Puc-rio) Na "nova" economia mundial, ocorre o declínio da 
importância da indústria em relação às finanças e às 
telecomunicações, muito menos intensivas em energia. No entanto, 
ao longo do ano 2000, o aumento dos preços do petróleo voltou a 
ameaçar a tranqüilidade da economia mundial. 
 
Entre as possíveis resultantes desse fato, temos: 
 
I) o aumento dos custos de transporte e dos custos de produção 
em praticamente toda a cadeia produtiva que usa derivados de 
petróleo como insumos; 
II) a redução dos estoques de petróleo nos países desenvolvidos, 
os maiores consumidores dessa fonte de energia e matéria-prima 
industrial; 
III) o aumento dos gastos com a importação do petróleo, agrava o 
desequilíbrio da balança comercial de alguns países em 
desenvolvimento. 
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): 
a) I. b) II. c) I e II. d) II e III. e) I, II e III. 
 
Questão 12 (Faap) 
Com a criação da Petrobrás, decidiu-se que a empresa teria 
monopólio nas seguintes atividades, exceto: 
 
a) distribuição dos derivados de petróleo 
b) extração de hidrocarbonetos 
c) importação de petróleo bruto 
d) refino do produto nacional e do importado 
e) transporte marítimo do petróleo para o Brasil 
 
Questão 13 (UFPE) 
Analise as afirmativas a seguir referentes ao assunto "Fontes de 
Energia". 
1) O xisto é uma "rocha energética" estratificada que se encontra 
sempre impregnada de substâncias orgânicas e inorgânicas, 
podendo gerar óleos. 
2) O carvão mineral brasileiro tem uma distribuição geográfica 
muito limitada, sendo, de certa forma, antieconômico o seu 
fornecimento às regiões mais longínquas. 
3) A maior parte dos depósitos carboníferos da América do Sul se 
situa numa estreita faixa que se estende do Sul da Bahia até Santa 
Catarina; esses depósitos aparecem em terrenos pré-cambrianos. 
4) Dos diversos tipos de carvão encontrados no Brasil, a turfa é a 
que é mais explorada, pois possui o maior poder calorífico. 
5) A indústria de extração de carvão, muitas vezes, é responsável 
por graves problemas ambientais, uma vez que a degradação 
causada por essa atividade pode atingir o solo, o ar e a água 
consumida pela população. 
Estão corretas: 
a) 1 e 2 apenas d) 1, 2 e 5 apenas 
b) 3 e 4 apenas e) 1, 2, 3, 4 e 5 
c) 4 e 5 apenas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FONTES DE ENERGIA II 
ENERGIA NUCLEAR 
A energia nuclear produzida pelas usinas atuais baseia-se na 
fissão do núcleo do Urânio (235U) por bombeamento de nêutrons, 
que libera três nêutrons de calor. 
 
Fonte: TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, M.C.M.de; FAIRCHILD, T.R & TAIOLI, F. 
Decifrando a Terra. São Paulo, Companhia Editora Nacional,2008.p.480. 
 
O Urânio é o único elemento fissionável que ocorre naturalmente, 
no entanto, para ser utilizado como fonte geradora de energia deve 
ser concentrado até atingir um conteúdo de urânio de 3%, na forma 
de UO2 gerando o que chamamos de urânio enriquecido. O 238U 
também pode ser fissionável, para isso, é necessário um 
bombardeamento de nêutrons para que se transforme em 239Pu 
(Plutônio). 
O sistema de geração de energia por fissão nuclear são chamados 
reatores, e fazem parte das usinas geradoras de eletricidade, eles 
são de dois tipos: 
• BWR (Boiling Water Reactor): Reator de água fervente. 
• PWR (Pressurized Water Reactor): Reator de água pressurizada. 
PAÍSES DEPENDENTES DE ENERGIA NUCLEAR 
País Energia gerada por usinas nucleares 
França 75% 
Lituânia 73% 
Bélgica 58% 
Bulgária 47% 
Eslováquia 47% 
Suécia 47% 
Ucrânia 44% 
Armênia 36% 
Fonte: Agência Internacional de Energia Atômica, 2000. 
 
O ACIDENTE DE CHERNOBYL 
Em 26 de Abril de 1986, o núcleo de um dos reatores da usina 
atômica de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu devido a uma falha no 
sistema de refrigeração. O mundo soube do acidente, que foi 
mantido em sigilo, quando a radiação se espalhou e foi percebida 
em outros países. 
O calor – entre 3000 e 4000ºC – incendiou o bloco de grafite, 
provocando uma explosão química e o desmoronamento parcial do 
prédio. As terras num raio de 5 mil quilômetros ao redor da usina 
tiveram de ser abandonadas e assim devem permanecer por várias 
décadas. Cerca de 30 mil pessoas morreram desde então, em 
consequência da radiação recebida. A nuvem de radiação se 
espalhou por vários países europeus (Alemanha, Polônia, Suécia, 
Finlândia e outras repúblicas da antiga União Soviética), afetando a 
saúde de milhões de pessoas (estima-se que 5 milhões de 
pessoas contraíram câncer), contaminando as plantas e os animais 
(inclusive seus subprodutos, como leite e ovos). Muitos produtos 
foram proibidos para consumo e tiveram de ser eliminados. 
COELHO, M.A & TERRA, Lígia. Geografia Geral. São Paulo, Moderna, 2008. 
 
HIDRELETRICIDADE 
Nas usinas hidrelétricas, a eletricidade é obtida por meio do 
aproveitamento das águas dos rios. A força hidráulica movimenta 
uma turbina, que aciona o gerador responsável pela transformação 
de energia hidráulica em elétrica. O potencial hidrelétrico de um 
país ou de uma região está diretamente condicionado pela 
morfologia do relevo e pelo regime de chuvas. 
A energia gerada nas usinas não depende de combustíveis fósseis. 
Porém as grandes usinas provocam impactos ambientais e sociais 
profundos, resultantes do alargamento de vastas áreas e da 
necessidade de remoção das pessoas que vivem nelas. A usina de 
Três Gargantas, na China, é um bom exemplo disso. Mais de um 
milhão de pessoas tiveram de ser removidos em razão da 
construção da barragem, cuja represa forma um lago artificial de 
632 quilômetros quadrados que inundou 160 cidades e povoados, 
além de destruir uma importante reserva arqueológica chinesa. 
Instalada em uma área montanhosa a usina tem sido apontada 
como a responsável pela intensificação dos processos erosivos e 
dos deslizamentos de terra nas colinas ao redor da represa. 
PRODUÇÃO E CONSUMO DE HIDRELETRICIDADE 
 
Fonte: Agência Internacional de Energia. Key World Energy Statistics 2007. 
 
Países que dispõem de uma densa rede fluvial em condições de 
aproveitamento energético como os Estados Unidos e o Brasil 
muitas vezes são capazes de suprir uma parcela significativa da 
demanda interna. 
ENERGIA HIDRELÉTRICA NO BRASIL 
Além de ser um recurso renovável, a água é uma das poucas 
fontes utilizadas para a produção de energia que não contribui para 
o aquecimento global – um dos problemas ambientais mais 
discutidos da atualidade. As principais vantagens da construção de 
uma usina hidrelétrica são baixo custo de megawatt; geração de 
empregos, tanto na construção como no funcionamento; e 
desenvolvimento econômico de várias regiões. 
Porém, as hidrelétricas apresentam algumas desvantagens que 
precisam ser avaliadas com cuidado, como desapropriação de 
 
 
 
 
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terras produtivas para inundação; impactos ambientais, como 
perdas de vegetação e da fauna terrestres; impactos sociais, como 
realocação de moradores e desapropriações; interferência na 
migração de peixes e outras alterações na fauna do rio; perdas de 
heranças históricas e culturais; além de mudanças em atividades 
econômicas e usos tradicionais da terra. 
A primeira hidrelétrica existente foi construída no final do século XIX 
próximo às quedas-d’água das cataratas do Niágara, localizadas na 
fronteira do Canadá com os Estados Unidos, entre os lagos Erie e 
Ontário. Na mesma época, durante o reinado de Dom Pedro II (1841-
1889), o Brasil construiu a primeira hidrelétrica, no município de 
Diamantina, utilizando as águas do ribeirão do Inferno, afluente do rio 
Jequitinhonha, com 0,5MW de potência e linha de transmissão de 
dois quilômetros. 
A primeira hidrelétrica de maior porte começou a ser construída no 
Nordeste (Paulo Afonso I), em 1949, pela Companhia Hidrelétrica do 
São Francisco. As demais hidrelétricas construídas ao longo dos 60 
anos seguintes concentram-se ao longo das regiões Sul, Sudeste e 
Nordeste. No Norte foram construídas Tucuruí, no Pará e Balbina, no 
Amazonas. Nos anos 1990, as regiões Norte e Centro-Oeste 
começaram a ser exploradas com maior intensidade, com a 
construção da usina Serra da Mesa (GO), no rio Tocantins, e outros 
projetos importantes na região Norte. 
Em virtude do predomínio do relevo de planalto e a grande 
disponibilidade de recursos hídricos, as usinas hidrelétricas são muito 
importantes para a geração de energia elétrica no país. Em todo o 
mundo, o Brasil é o país que possui maior potencial hidrelétrico. Os 
mais importantes projetos hidrelétricos, para os próximos anos, estão 
na bacia Amazônica, e vêm enfrentando protestos de ambientalistas 
e embargos da justiça. Entre os projetos, propõem-se a construção 
das usinas de Jirau e Santo Antônio no rio Madeira, a usina de Belo 
Monte, no rio Xingu e as usinas de São Luiz do Tapajós e Jatobá, no 
rio Tapajós. 
De modo geral, as bacias dos principais rios que banham os estados 
do Nordeste e do Sudeste estão com o seu potencial bastante 
aproveitado. Já as bacias do Uruguai, do Tocantins e do Amazonas 
oferecem ainda muito potencial a ser explorado. Na Amazônia, tanto 
as usinas em operação quanto as planejadas têm provocado muita 
polêmica. Embora a ELETRONORTE alegue que elas podem 
beneficiar todo o Brasil, a transmissão dessa energia para o Centro-
Sul tem um custo muito alto, em razão das enormes distâncias. 
POTENCIAL HIDRELÉTRICO POR BACIA – 2008 
 
Fonte: Atlas de energia elétrica do Brasil. Brasília: Aneel, 2008.p.57-58. 
BACIA AMAZÔNICA E DO TOCANTINS ARAGUAIA 
A potência hidráulica da Amazônia é estimada pela Eletrobrás em 
100 milhões de kW, distribuídos ao longo dos rios da bacia 
Amazônica (80%) e da Tocantins-Araguaia (20%). 
A evolução tecnológica alcançada nos setores de transmissão de 
energia vem atenuando o problema da distância entre as bacias 
regionais e os principais centros consumidores do país. Assim o 
aproveitamento da potência hidráulica da bacia Amazônica e da 
Tocantins-Araguaia torna-se uma possibilidade concreta, de que é 
exemplo a implantação no rio Tocantins da usina de Tucuruí, que 
faz parte das obras projetadas pela ditadura militar no Brasil. 
AS USINAS DO RIO MADEIRA 
A partir de 2001, Furnas Centrais Elétricas S/A, deu início a 
construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no rio 
Madeira, entre Porto Velho e Abunã, no estado de Rondônia. Estão 
previstos projetos de aproveitamento múltiplo que ampliará a 
navegação em todo o rio Madeira. Os defensores da instalação 
dessas usinas dizem que elas podem abastecer cerca de 38 
milhões de pessoas e trazerinvestimentos para a região norte do 
país. Além de gerar empregas ela garantirá a navegabilidade onde 
havia quedas d’água e cachoeiras, uma vez que serão instaladas 
eclusas. 
Aqueles que se opõem ao projeto afirmam que o impacto ambiental 
será maior do que os benefícios econômicos e sociais que as 
obras vão trazer. Alguns afirmam que muitas espécies de peixes 
desaparecerão e que a área inundada, mesmo pequena, provocará 
destruição de áreas verdes importantes e até mesmo de riquezas 
arqueológicas ainda não estudadas. Boa parte da obra já está em 
andamento e tem atraído para a região a mão de obra de milhares 
de trabalhadores. 
BACIA DO SÃO FRANCISCO 
A construção da usina de Três Marias (MG) é um exemplo típico 
dos prejuízos provocados pelo represamento de águas de um 
grande rio ao final do período de estiagem: represa-se tanta água 
que falta água para irrigação e navegação. Das usinas construídas 
no São Francisco, destaca-se, por sua grandiosidade a de 
Sobradinho, que tem um potencial de 1 milhão de kW e é 
administrada pela CHESF (Companhia Hidrelétrica do São 
Francisco). 
USINA CONCESSIONÁRIA POTENCIAL 
Itaparica CHESF 2.500 Mw 
Moxotó CHESF 440 Mw 
Paulo 
Afonso CHESF 2.460 Mw 
Três Marias CEMIG 387,6 Mw 
BACIA DO PARANÁ 
Cerca de 70% da potência instalada no Brasil encontra-se nessa 
região. O grande aproveitamento hidrelétrico deve-se a 
potencialidade natural e à localização. 
Entre as numerosas hidrelétricas nela instaladas, destacam-se as 
do rio Paraná, especialmente o Conjunto Urubupungá, da CESP 
(Companhia Energética de São Paulo) – que abarca duas grandes 
usinas: Ilha Solteira e Jupiá e a usina de Itaipu, que é a maior usina 
hidrelétrica do mundo ainda hoje. Sua construção foi realizada a 
partir de um acordo binacional entre Brasil e Paraguai, ficando a 
Eletrobrás e a Ande (Administración Nacional de Eletricidad) 
responsáveis pela comissão técnica do projeto no ano de 1973. 
Aula 28 – Fontes de Energia II 
 
 
 
 
 
75 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
HIDRELÉTRICAS EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS 
 
Fonte: Ministério de Minas e Energia, 2009. 
 
PRINCIPAIS HIDRELÉTRICAS DO BRASIL 
REGIÕES LOCALIZAÇÃO USINA 
Norte Rio Tocantins - PA Tucuruí 
Nordeste Rio S.Francisco – 
MG/BA/SE/AL 
Três Marias, Paulo Afonso, 
Sobradinho e Moxotó. 
Sudeste Rio Paraná – 
SP/MS/PR 
Jupiá, Ilha Solteira e Porto 
Primavera. 
Sul Iguaçú - PR Descalvado. 
A Eletrobras, criada como parte do esforço de modernização 
industrial do país, passou décadas vendendo energia às indústrias 
pela metade do preço praticado no mercado internacional. 
Produzindo a custos elevados, vendendo a preços subsidiados e 
arcando com elevadas taxas de juros sobre capitais internacionais 
tomados de empréstimo, a estatal chegou aos anos 1990 em 
situação financeira caótica. Em 1995, ela e suas quatro subsidiárias 
de âmbito regional – CHESF, FURNAS, ELETROSUL e 
ELETRONORTE – foram incluídas no Programa Nacional de 
Desestatização e, no ano seguinte, foi criada a ANEEL para 
fiscalizar as empresas públicas e privadas que operam no setor. 
Em 2000, 20% da geração e 80% da distribuição de energia 
elétrica já haviam sido privatizados. 
O governo Lula interrompeu o programa de privatizações, 
mantendo a Eletrobras e suas subsidiárias na condição de 
empresas estatais. Contudo, elaborou um novo modelo para o 
setor elétrico destinado a atrair investimentos privados para a 
construção de usinas hidrelétricas e termelétricas. No centro do 
novo modelo está a garantia de remuneração, a preços mais 
elevados, da energia gerada pelas novas usinas. Evitando a 
concorrência das “velhas energias”, produzida em usinas que já 
amortizaram seus custos, o modelo procura atrair capitais privados 
para a ampliação da capacidade de geração e distribuição de 
eletricidade no país. 
POLÊMICA DE BELO MONTE 
O debate nacional sobre a exploração do potencial amazônico 
transformou-se em polêmica política nacional, com a decisão de 
construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, nas proximidades 
da cidade de Altamira (PA), por onde passa a rodovia 
Transamazônica. Originalmente, a proposta de Belo Monte foi 
entregue pela Eletronorte em 1990. 
A hidrelétrica teria a capacidade de geração de mais de 11.000 MW 
e inundaria uma área de 1.225 quilômetros quadrados. 
Do ponto de vista estritamente energético, Belo Monte pode elevar 
a oferta de energia para o Sistema Interligado Nacional, o que 
beneficia praticamente todo o país, exceto as regiões remotas com 
sistemas de abastecimento isolado. É um projeto grande em 
tamanho. Como terceira maior usina hidrelétrica do mundo (atrás 
da chinesa Três Gargantas e da binacional Itaipu), Belo Monte será 
um gigante com força limitada. Apesar de o projeto prever a 
capacidade instalada de 11.233 MW, a oferta média de energia não 
passará de 4.500 MW médios. A relação entre potência instalada e 
geração firme que poderá ser extraída da usina será de 40% do 
poder das turbinas que receberão as águas do Xingu. É uma das 
piores relações potência/energia firme do sistema elétrico 
brasileiro. Sobre isso, a Eletrobras --controladora da Eletronorte, 
que será a operadora de Belo Monte-- diz que o baixo fator de 
carga (nome técnico para essa medida de eficiência do projeto) é 
compensado pelo fato de que a hidrelétrica poderá melhorar o 
aproveitamento das usinas instaladas em outras bacias 
hidrográficas. Enquanto Belo Monte puder gerar a plena carga os 
mais de 11 mil MW, outras usinas das regiões Sudeste, Centro-
Oeste, Nordeste ou Sul poderão "descansar" e recuperar o nível de 
água de seus reservatórios. 
A construção de Tucuruí impulsionou a ideia de utilização do vasto 
potencial dos afluentes do Amazonas para a produção de 
eletricidade destinada a atender aos mercados do Centro-Sul. 
Balbina serviu para mostrar os desastrosos custos ambientais 
dessa ideia. Mesmo assim, continua a avançar o projeto do 
aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, 
que rivalizaria em capacidade de geração com Itaipú. 
 
 
 
 
 
 
 76 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
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PROÁLCOOL 
A utilização do álcool como combustível automobilístico no Brasil 
começou na segunda metade da década de 1970, quando o mundo 
amargava os efeitos da crise do petróleo. Então, o governo 
brasileiro implantou o PROÁLCOOL (Programa Nacional do 
Álcool), concedendo isenção fiscal e outras formas de subsídios 
(como empréstimos a juros abaixo das taxas de mercado) aos 
produtores de álcool (usineiros) e às indústrias automobilísticas, 
para que estas desenvolvessem tecnologia para a produção de 
motores a álcool. 
O PROÁLCOOL possibilitou a oferta de veículos e combustível 
mais baratos aos consumidores brasileiros. O governo acreditava 
numa gradativa substituição do veículo a gasolina pelo veículo a 
álcool. De fato, na segunda metade da década de 1980, as vendas 
de carros a álcool chegaram a ser responsáveis por 96% do 
mercado de veículos. No início da década de 1990 a queda no 
preço do petróleo diminuiu a diferença entre o preço do álcool e da 
gasolina. 
Nos anos 2000, mudanças geopolíticas geraram um 
reordenamento internacional. Entre os motivos destacam-se: 
• A expansão acelerada da economia de países emergentes como 
os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que elevou a demanda por 
recursos energéticos alternativos. 
• A instabilidade geopolítica no Oriente Médio a partir das 
intervenções militares norte-americanas no Afeganistão e Iraque. 
• A problemática ambiental. 
Esse novo contexto geopolítico revalorizou as commodities, entre 
as quais o petróleo, levando o governo brasileiro a revitalizar o 
Proálcool. 
Novos subsídios estatais passaram a ser concedidos a essa cadeia 
produtiva, que se estende do plantio de cana-de-açúcar às 
revendedoras de veículos flex, o que tem estimulado a expansão 
do plantio da cana pelopaís afora. 
BIODIESEL 
O biodiesel é um combustível renovável, pois é produzido a partir 
de fontes vegetais (soja, mamona, dendê, girassol, entre outros), 
misturado com etanol (proveniente da cana-de-açúcar) ou metanol 
(pode ser obtido a partir da biomassa de madeiras). Ou seja, um 
combustível parcialmente limpo, orgânico e renovável. 
O ano de 1983 marca a inauguração do laboratório de pesquisas 
em biodiesel proveniente da soja na Universidade Federal do 
Paraná, que serviu de sustentação para a criação vinte anos depois 
do Programa Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB) do 
Governo Federal, que tem os seguintes objetivos: 
• Introduzir o biodiesel na matriz energética brasileira para que se 
torne sustentável. 
• Gerar emprego e renda, especialmente no campo (inclusão 
social). 
• Reduzir emissões de poluentes e gastos com importação de 
petróleo e derivados. 
• Exigir e fiscalizar rigorosamente a qualidade. 
• Usar distintas espécies oleaginosas: mamona, palma, girassol, 
algodão, soja, amendoim, etc. 
 
Fonte: Atlas do Biodiesel. 
 
VANTAGENS E DESVANTAGENS DO BIODIESEL? 
• Gera emprego e renda no campo, diminuindo o êxodo rural. 
• Trata-se de uma fonte de energia renovável, dependendo da 
plantação de grãos oleaginosos no campo. 
• Deixa as economias dos países menos dependentes dos 
produtores de petróleo. 
• Produzido em larga escala e com uso de tecnologias, o custo de 
produção pode ser mais baixo do que os derivados de petróleo. 
• Se o consumo mundial for em larga escala, serão necessárias 
plantações em grandes áreas agrícolas. Em países que não 
fiscalizam adequadamente seus recursos florestais, poderemos ter 
um alto grau de desmatamento de florestas para dar espaço para a 
plantação de grãos. Ou seja, diminuição das reservas florestais do 
nosso planeta. 
• Com o uso de grãos para a produção do biodiesel, poderemos ter 
o aumento no preço dos produtos derivados deste tipo de matéria-
prima ou que utilizam eles em alguma fase de produção. Exemplos: 
leite de soja, óleos, carne, rações para animais, ovos entre outros. 
ENERGIAS MODERNAS DE UM MUNDO MODERNO 
• BIOLÓGICAS: São consideradas as possíveis fontes do século 
XXI, em substituição as fontes mais utilizadas nos dias atuais. 
Calcula-se que 30% do total da energia consumida no planeta será 
oriunda da biomassa1. 
• BIOGÁS: É o gás liberado pela decomposição de certas 
bactérias do esterco, da palha, do lixo, etc. O equipamento 
utilizado para produzi-lo é chamado de biodigestor. São 
apropriados para a utilização em pequenas unidades. China e Índia 
são grandes exemplos de países que adotam os biodigestores nas 
zonas rurais e urbanas. 
• SOLAR: É aquela aproveitada da incidência de raios solares na 
superfície terrestre. Pode ser utilizada de forma passiva 
simplesmente para o aquecimento de água ou mesmo de 
ambientes, sendo que, nos últimos anos, cada vez mais unidades 
coletoras de calor podem ser vistas sobre os telhados nas cidades. 
A energia fototérmica está relacionada ao aquecimento de líquidos 
ou gases pela absorção dos raios solares ocasionando seu 
 
1 Biomassa: é o conjunto de organismos que podem ser aproveitados 
como fonte de energia – plantas das quais se extrai álcool, como a 
cana-de-açúcar; lenha e carvão; alguns óleos vegetais, como a soja, a 
mamona e o dendê, etc. 
Aula 28 – Fontes de Energia II 
 
 
 
 
 
77 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
aquecimento. Geralmente empregada para o aquecimento de água 
para uso em chuveiros, ou gases para secagem de grãos ou uso 
em turbinas, esta técnica utiliza um coletor solar que irá captar a 
energia e um reservatório isolado termicamente onde o líquido ou 
gás será acondicionado. A energia solar pode também ser 
aproveitada por meio das células fotovoltaicas, que geram uma 
corrente elétrica capaz de carregar baterias. Ela apresenta pontos 
positivos e negativos, entre eles podemos destacar: Instalação 
relativamente simples e com pequena manutenção. Não há 
resíduos e nem impactos ambientais. Não há consumo de 
combustível e não há gastos suplementares, após a instalação, 
como positivos e custo inicial elevado, baixo rendimento na 
obtenção de energia elétrica, necessidade de insolação adequada, 
como negativos. 
 
• EÓLICA: É produzida pela movimentação das hélices pela ação 
dos ventos. Pode ser utilizada ainda, para bombear água ou mover 
moinhos. Sua utilização vem crescendo bastante, e acredita-se que 
em 2020, cerca de 10% da energia das áreas mais desenvolvidas 
do planeta seja oriunda da força dos ventos. A Europa responde 
por aproximadamente 60% da geração atual, com destaque para a 
Alemanha e Dinamarca. Entre os pontos positivos podemos citar o 
fato de ser uma promissora fonte de geração de energia elétrica, 
ter apresentado uma redução significativa do custo do 
equipamento, nas duas últimas décadas, não contribuir para os 
problemas ligados ao efeito estufa e não existir consumo de 
combustível. Entre os negativos destacamos os altos investimentos 
para a transmissão da energia elétrica gerada, os impactos 
sonoros (ruído dos rotores) e visuais, além da interferência nos 
sistemas de comunicação (rádio e TV). 
 
Usina eólica na Califórnia, EUA. 
• MARÉMOTRIZ: Em determinadas áreas as marés conseguem 
produzir enormes variações do nível das águas. Desde a Idade 
Média este tipo de geração de energia é utilizada, um exemplo 
disso são as instalações no Rio Tejo, em Portugal. 
• GEOTÉRMICA: Existem regiões onde a água aflora a superfície 
da Terra em temperaturas elevadas na forma de jatos (os gêiseres) 
ou na forma de lagos. A energia responsável pelo aquecimento da 
água tem origem vulcânica e é denominada energia geotérmica, 
sendo utilizada para aquecimento domiciliar e para obter energia 
elétrica. Em El Salvador, esta fonte de energia supre 30% do 
consumo do país. 
APROVEITAMENTO ENERGÉTICO DE UM SISTEMA ÍGNEO 
QUENTE 
 
Fonte: TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, M. Cristina Motta de; FAIRCHILD, Thomas 
Rich; TAIOLI, Fábio. Decifrando a Terra. Companhia Editora Nacional. São Paulo: 
2008. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 78 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
Em usinas hidrelétricas, a queda d’água move turbinas que acionam geradores. Em usinas eólicas, os 
geradores são acionados por hélices movidas pelo vento. Na conversão direta solar-elétrica são 
células fotovoltaicas que produzem tensão elétrica. Além de todos produzirem eletricidade, esses 
processos têm em comum o fato de: 
a) não provocarem impacto ambiental. 
b) independerem de condições climáticas. 
c) a energia gerada poder ser armazenada. 
d) utilizarem fontes de energia renováveis. 
e) dependerem das reservas de combustíveis fósseis. 
 
Questão 02 
“Águas de março definem se falta luz este ano”. Esse foi o título de uma reportagem em jornal de 
circulação nacional, pouco antes do início do racionamento do consumo de energia elétrica, em 2001. 
No Brasil, a relação entre a produção de eletricidade e a utilização de recursos hídricos, estabelecida 
nessa manchete, se justifica porque: 
a) a geração de eletricidade nas usinas hidrelétricas exige a manutenção de um dado fluxo de água 
nas barragens. 
b) o sistema de tratamento da água e sua distribuição consomem grande quantidade de energia 
elétrica. 
c) a geração de eletricidade nas usinas termelétricas utiliza grande volume de água para refrigeração. 
d) o consumo de água e de energia elétrica utilizadas na indústria compete com o da agricultura. 
e) é grande o uso de chuveiros elétricos, cuja operação implica abundante consumo de água. 
 
Questão 03 
Qual das seguintes fontes de produção de energia é a mais recomendável para a diminuição dos 
gases causadores do aquecimento global? 
a) Óleo diesel. b) Gasolina.c) Carvão mineral. d) Gás natural. e) Vento. 
 
Questão 04 
A economia moderna depende da disponibilidade de muita energia em diferentes formas, para 
funcionar e crescer. No Brasil, o consumo total de energia pelas indústrias cresceu mais de quatro 
vezes no periodo entre 1970 e 2005. Enquanto os investimentos em energias limpas e renováveis, 
como solar e eólica, ainda são incipientes, ao se avaliar a possibilidade de instalação de usinas 
geradoras de energia elétrica, diversos fatores devem ser levados em consideração, tais como os 
impactos causados ao ambiente e às populações locais. Ricardo. B. e Campanili, M. Almanaque Brasil 
Socioambiental. Instituto Socioambiental. São Paulo, 2007 (adaptado) Em uma situação hipotética, 
optou-se por construir uma usina hidrelétrica em região que abrange diversas quedas d’água em rios 
cercados por mata, alegando-se que causaria impacto ambiental muito menor que uma usina 
termelétrica. 
Entre os possíveis impactos da instalação de uma usina hidrelétrica nessa região, inclui-se: 
a) a poluição da água por metais da usina. 
b) a destruição do habitat de animais terrestres. 
c) o aumento expressivo na liberação de CO2 para a atmosfera. 
d) o consumo não renovável de toda água que passa pelas turbinas. 
e) o aprofundamento no leito do rio, com a menor deposição de resíduos no trecho de rio anterior à 
represa. 
 
Questão 05 
Deseja-se instalar uma estação de geração de energia elétrica em um município localizado no interior 
de um pequeno vale cercado de altas montanhas de difícil acesso. A cidade é cruzada por um rio, que 
é fonte de água para consumo, irrigação das lavouras de subsistência e pesca. Na região, que possui 
pequena extensão territorial, a incidência solar é alta o ano todo. A estação em questão irá abastecer 
apenas o município apresentado. 
Qual forma de obtenção de energia, entre as apresentadas, é a mais indicada para ser implantada 
nesse município de modo a causar o menor impacto ambiental? 
a) Termelétrica, país é possível utilizar a água do rio no sistema de refrigeração. 
b) Eólica, pois a geografia do local é própria para a captação desse tipo de energia. 
Anotações 
 
Aula 28 – Fontes de Energia II 
 
 
 
 
 
79 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
c) Nuclear, pois o modo de resfriamento de seus sistemas não afetaria a população. 
d) Fotovoltaica, pois é possível aproveitar a energia solar que chega à superfície do local. 
e) Hidrelétrica, pois o rio que corta o município é suficiente para abastecer a usina construída. 
 
Questão 06 
A usina hidrelétrica de Belo Monte será construída no rio Xingu, no município de Vitória de Xingu, no 
Pará. A usina será a terceira maior do mundo e a maior totalmente brasileira, com capacidade de 11,2 
mil megawatts. Os índios do Xingu tomam a paisagem com seus cocares, arcos e flechas. Em 
Altamira, no Pará, agricultores fecharam estradas de uma região que será inundada pelas águas da 
usina. 
Os impasses, resistências e desafios associados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte 
estão relacionados: 
a) ao potencial hidrelétrico dos rios no norte e nordeste quando comparados às bacias hidrográficas 
das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. 
b) à necessidade de equilibrar e compatibilizar o investimento no crescimento do país com os esforços 
para a conservação ambiental. 
c) à grande quantidade de recursos disponíveis para as obras e à escassez dos recursos direcionados 
para o pagamento pela desapropriação das terras. 
d) ao direito histórico dos indígenas à posse dessas terras e à ausência de reconhecimento desse 
direito por parte das empreiteiras. 
e) ao aproveitamento da mão de obra especializada dispo – nível na região Norte e o interesse das 
construtoras na vinda de profissionais do Sudeste do país. 
 
Questão 07 
Segundo dados do Balanço Energético Nacional de 2008, do Ministério das Minas e Energia, a matriz 
energética brasileira é composta por hidrelétrica (80%), termelétrica (19,9%) e eólica (0,1%). Nas 
termelétricas, esse percentual é dividido conforme o combustível usado, sendo: gás natural (6,6%), 
biomassa (5,3%), derivados de petróleo (3,3%), energia nuclear (3,1%) e carvão mineral (1,6%). Com 
a geração de eletricidade da biomassa, pode-se considerar que ocorre uma compensação do carbono 
liberado na queima do material vegetal pela absorção desse elemento no crescimento das plantas. 
Entretanto, estudos indicam que as emissões de metano (CH4) das hidrelétricas podem ser 
comparáveis às emissões de CO2 das termelétricas. 
MORET, A. S.; FERREIRA, I. A. As hidrelétricas do Rio Madeira e os impactos socioambientais da eletrificação no Brasil. 
Revista Ciência Hoje. V. 45, n.° 265, 2009 (adaptado). 
 
No Brasil, em termos do impacto das fontes de energia no crescimento do efeito estufa, quanto à 
emissão de gases, as hidrelétricas seriam consideradas como uma fonte: 
 a) limpa de energia, contribuindo para minimizar os efeitos deste fenômeno. 
b) eficaz de energia, tomando-se o percentual de oferta e os benefícios verificados. 
c) limpa de energia, não afetando ou alterando os níveis dos gases do efeito estufa. 
d) poluidora, colaborando com níveis altos de gases de efeito estufa em função de seu potencial de 
oferta. 
e) alternativa, tomando-se por referência a grande emissão de gases de efeito estufa das demais 
fontes geradoras. 
 
Questão 08 
A ampliação do uso de fontes de energia renováveis e não poluentes representa uma das principais 
esperanças para a redução dos impactos ambientais sobre o planeta. Considerando os gráficos, a 
distribuição espacial da produção instalada das energias eólica e fotovoltaica é explicada sobretudo 
pela seguinte característica dos países que mais as utilizam: 
a) matriz elétrica limpa. 
b) perfil climático favorável. 
c) densidade demográfica reduzida. 
d) desenvolvimento tecnológico avançado. 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
 80 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
A França pode reiniciar quando quiser os testes nucleares no atol 
de Mururoa, região do Pacífico Sul (...), depois de três anos de 
uma moratória acatada por todas as potências atômicas com 
exceção da China... 
 (Adaptada da Rev. "Veja". 06/09/95. p.55) 
 
Sobre a energia nuclear e o lixo atômico, julgue os itens a seguir. 
( ) A queima do urânio nos reatores nucleares dá origem ao 
plutônio, material extremamente tóxico e perigoso, utilizado na 
fabricação de armas nucleares. 
( ) A água utilizada pela usina atômica é depositada nos rios e 
nos mares, com grande quantidade de tório, que baixa a 
temperatura da água causando a mortandade dos peixes. 
( ) O lixo atômico é colocado em caixas de concreto fechadas 
que são enterradas ou jogadas no mar. Nos mares existe o 
problema da corrosão das caixas que com o tempo poderão abrir, 
provocando grande contaminação das águas. 
( ) Na França 60% do total da energia elétrica é gerada em 
usinas nucleares. 
( ) O uso da energia nuclear para o Brasil é de extrema 
importância, graças ao sucesso e pleno funcionamento das Usinas 
Angra I e Angra II, com moderna tecnologia para evitar qualquer 
tipo de acidente. 
 
Questão 02 (Enem) 
Em usinas hidrelétricas, a queda d'água move turbinas que 
acionam geradores. Em usinas eólicas, os geradores são 
acionados por hélices movidas pelo vento. Na conversão direta 
solar-elétrica são células fotovoltaicas que produzem tensão 
elétrica. Além de todos produzirem eletricidade, esses processos 
têm em comum o fato de 
a) não provocarem impacto ambiental. 
b) independerem de condições climáticas. 
c) a energia gerada poder ser armazenada. 
d) utilizarem fontes de energia renováveis. 
e) dependerem das reservas de combustíveis fósseis. 
 
Questão 03 (Ufc) 
As reservas petrolíferas estão relacionadas a um tipo de formação 
geológica. Indique, corretamente, essed) as multinacionais, com sede no exterior, começaram a penetrar 
mais intensamente no Brasil após a 2ª Guerra Mundial 
 
Questão 06 
Sobre o processo brasileiro de industrialização, fala-se que, 
embora seja bastante avançado e tenha grande significado na 
América Latina, ele é classificado como tardio e que sua origem 
substitutiva de importados deixou lacunas na sua implantação. 
Justifique o emprego do adjetivo TARDIO para o nosso processo 
de industrialização e esclareça de que lacunas trata a questão. 
 
Questão 07 
Considere o texto apresentado abaixo: 
Substituição de importados ainda patina 
"O Brasil ainda patina na tentativa de impulsionar seu processo de 
substituição de importações. Com a valorização do dólar, que 
tornou mais caros os produtos estrangeiros, era esperada uma 
forte retomada nos projetos de fornecimento local para 
multinacionais. Mas alguns setores não conseguiram oferecer 
produtos com preços competitivos e o nível de tecnologia exigido". 
(Fonte: "Folha de São Paulo", 19/03/2000, p.10-2.) 
 
Com base nessa notícia e em seus conhecimentos sobre o 
processo de industrialização no Brasil, é correto afirmar que 
a) a preponderância do setor agropecuário na economia nacional 
vem impedindo um maior desenvolvimento tecnológico do setor 
industrial e o crescimento da substituição de importações. 
b) o período atual caracteriza-se pela fase da substituição de 
importações, como resposta às políticas de proteção industrial 
adotadas pelos governos militares. 
c) o processo de substituição das importações, iniciado na década 
de 1930 pelo governo de Getúlio Vargas, só recentemente tem 
recebido maior atenção das empresas multinacionais. 
d) a internacionalização da economia, intensificada pelo governo 
Collor em 1990, não implicou uma modernização de todos os 
setores da indústria nacional. 
e) os efeitos do processo de globalização na economia brasileira 
têm permanecido restritos ao desenvolvimento tecnológico da 
indústria nacional. 
 
Questão 08 
Considere os textos a seguir, para responder a esta questão. 
I. "No período de 1930 a 1956, os grandes investimentos foram 
direcionados ao setor de base (siderurgia, petroquímica e extração 
mineral), com grande intervenção do Estado." 
II. Embora a indústria, desde o início do século, estivesse 
concentrada no eixo São Paulo - Rio de Janeiro, até 1930 a 
organização espacial se caracterizava pelas atividades econômicas 
dispersas e regionalmente quase autônomas." 
III. "O sucesso do Plano de Metas foi acompanhado por um 
significativo aumento da inflação e da dívida externa, pelo 
afastamento da capital federal do centro econômico e populacional 
do país e pela efetiva implantação do rodoviarismo." 
 
 
 
 
 6 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
IV. "A política do Plano de Metas acentuou a concentração do 
parque industrial na região sudeste, intensificando ainda mais as 
migrações internas e provocando o crescimento caótico dos 
grandes centros urbanos." 
(Adap. Sene & Moreira, 1998) 
 
Referem-se à industrialização brasileira os textos 
a) I e III somente. d) II, III e IV somente. 
b) II e III somente. e) I, II, III e IV. 
c) I, III e IV somente. 
 
Questão 09 
A partir da década de 1970, dois fatos importantes ocorreram 
simultaneamente: início da diminuição da concentração industrial 
no Sudeste e o processo de desconcentração industrial no Brasil. 
Dentre os motivos que podem explicar esses fatos citam-se 
a) o esgotamento dos recursos minerais no Sudeste e o aumento 
das necessidades de exportação geradas pela entrada do Brasil na 
ALADI. 
b) a forte atuação do Estado criando incentivos fiscais para que 
indústrias do Sudeste se instalassem em outras regiões e o 
desenvolvimento em âmbito nacional de infra-estrutura de 
transportes e comunicações. 
c) o aumento das necessidades de combustíveis fósseis como o 
carvão e o petróleo, inexistentes no Sudeste e a formação do 
Mercosul que representa maiores exportações para o País. 
d) o declínio acentuado dos fluxos migratórios em direção ao 
Sudeste e a descoberta de importantes recursos minerais em 
vários pontos do País, como o caso de Carajás. 
e) a limitação do espaço do Sudeste para a instalação de novos 
parques industriais e a elevação generalizada dos padrões de 
renda e consumo da população brasileira. 
 
Questão 10 
Sobre a industrialização brasileira, é correto afirmar que: 
a) difundiu-se de modo homogêneo no território brasileiro. 
b) caracteriza-se por ausentar-se do eixo centro-sul. 
c) é resultado de uma política nacionalista de desenvolvimento 
econômico. 
d) constitui base da política de desenvolvimento econômico 
implementada no país. 
e) gera o maior número de empregos nos principais centros 
urbanos do país. 
 
Questão 11 
Observe o mapa abaixo: 
 
Temos, acima, a representação do espaço geográfico industrial 
brasileiro. O que se pode perceber, com a leitura do mapa, é: 
a) a dinâmica homogênea da industrialização brasileira. 
b) o peso que a Zona Franca de Manaus possui graças ao fato de 
ela, sozinha, ser equivalente a toda produção industrial do centro-
sul do país. 
c) a herança histórica da concentração industrial ocorrida na região 
Sudeste do país. 
d) o elevado processo de devastação de áreas naturais para a 
construção de zonas industriais. 
e) que o Rio Grande do Sul é a Unidade Federativa mais 
industrializada do país. 
 
Questão 12 
Sobre a indústria brasileira, sua concentração e desconcentração 
espacial, a alternativa correta é: 
a) A industrialização brasileira foi tardia, ao longo do século XIX, 
concentrando-se na região Sudeste do Brasil, reproduzindo as 
desigualdades regionais sociais e econômicas. 
b) No governo de Getúlio Vargas, no período do Estado Novo, a 
preocupação estatal foi com a indústria de base, com enfoque na 
produção de energia e setor de transportes; já no governo de 
Juscelino Kubitschek, o setor automobilístico teve a atenção maior. 
c) A industrialização como substituição de importações, com capital 
estatal abundante e mão-de-obra barata, acontece no Brasil 
através da indústria de bens de consumo duráveis e com destaque 
para o setor têxtil e produção de alimentos. 
d) A partir de 1950, como parte do planejamento estatal do governo 
federal, inicia-se a desconcentração industrial, acentuada depois 
de 1990, pela crescente abertura econômica e desenvolvimento 
técnico- científico. 
e) Com a desconcentração industrial, o Sudeste brasileiro, 
principalmente São Paulo, passou por grandes mudanças 
espaciais e sociais, deixando de ser a área de maior concentração 
industrial, posto ocupado hoje pelo Nordeste brasileiro. 
 
Questão 13 
O período comumente denominado de “anos dourados” marcaram 
uma etapa da recente história brasileira associada ao 
desenvolvimentismo (abertura de rodovias, expansão da rede 
hidrelétrica, implantação da indústria automobilística, 
descentralização da capital) e à atmosfera cultural marcada pelo 
surgimento da Bossa Nova. A que governo tal período está 
associado: 
a) Juscelino Kubstchek 
b) João Goulart 
c) Getúlio Vargas 
d) Eurico Gaspar Dutra 
e) Jânio da Silva Quadros 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL E A 
DESCENTRALIZAÇÃO ATUAL 
A década de 1980 ficou conhecida como a década perdida e foi 
caracterizada pela recessão, inflação e desemprego, gerados por 
uma economia estagnada após o segundo choque do petróleo de 
1979. Nesse contexto, vários setores da sociedade apontavam o 
fim do Regime Militar, como “saída” para a crise, mas os problemas 
continuaram (como a inflação elevada) com os governos civis no 
poder, fato que comprometeu a nossa industrialização. 
A grave crise econômica iniciada em 1988 e a globalização da 
economia mundial foram os pontos de partida para o surgimento de 
um novo modelo econômico, quetipo de formação. 
a) Escudos cristalinos. 
b) Bacias sedimentares. 
c) Dobramentos cenozóicos. 
d) Placas tectônicas. 
e) Aluviões quaternários. 
 
Questão 04 (Fuvest) 
"A controvertida represa de Três Gargantas, na China, poderá levar 
até 15 anos para ficar pronta. O nível de água se elevará dezenas 
de metros no estreito vale, entre as cadeias de montanhas ao 
longo do rio, destruindo praticamente toda a beleza de Três 
Gargantas. Será a maior hidrelétrica do mundo." 
 ("O Estado de S. Paulo", 30/10/94) 
 
Considerando-se a direção geral do Yang-Tsé Kiang, temos a leste 
e a oeste da represa regiões geo-econômicas bastante distintas. 
Caracterize-as. 
 
ÁREA ALAGADA PELA REPRESA DE TRÊS GARGANTAS 
 
 
Questão 05 (Unitau) 
Após alguns acidentes com usinas nucleares nos E.U.A. e, 
principalmente Chernobyl na URSS, aumentaram as críticas sobre 
a construção dessas usinas. Além dos altos custos, discuta os 
riscos desse tipo de energia. 
 
Questão 06 (Unicamp) 
Interprete os gráficos a seguir, explicando comparativamente os 
percentuais de oferta mundial de carvão e de petróleo nos anos 
1960 a 1980. 
 
 Fonte: Adaptado de CHALIAND, Gérard e RAGEAU, Jean-Pierre. 
ATLAS ESTRATEGICO Y GEOPOLÍTICO. Madri, Ed. Alianza, 1984. p. 881. 
 
Questão 07 (Pucsp) 
Leia com atenção as caracterizações a seguir sobre fontes de 
energia: 
1. É uma fonte de energia secundária cujo processo de 
transformação dá-se no próprio local de captação da energia 
primária (a fonte natural). Logo, ela é fixa no território e dependente 
da distribuição geográfica da fonte natural. 
2. Trata-se, por um lado, de uma fonte de energia secundária cujas 
possibilidades de estocagem são limitadas, o que dificulta o 
processamento de sua produção. Por outro lado, sua produção 
pode estar associada a várias fontes naturais. 
3. É uma fonte de energia secundária cujo processo de produção 
dá-se, em geral, no próprio local de captação da matéria prima. 
Essa matéria-prima, por sua vez, é produzida pelo ser humano. 
Logo, seu local de produção também é escolhido. 
4. É uma fonte de energia natural que pode ser transportada por 
terra ou em meio aquático, até os locais em que ocorrerá a 
transformação em vários tipos de energia secundária (esses locais 
são escolhidos de modo independente da localização da fonte 
natural). 
A seguir, assinale a alternativa que as identifique correta e 
respectivamente: 
a) petróleo, álcool, hidreletricidade e eletricidade. 
Aula 28 – Fontes de Energia II 
 
 
 
 
 
81 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
b) eletricidade, álcool, hidreletricidade e petróleo. 
c) hidreletricidade, eletricidade, álcool e petróleo. 
d) eletricidade, hidreletricidade, álcool e petróleo. 
e) eletricidade, hidreletricidade, petróleo e álcool. 
 
Questão 08 
Fontes de energia 
 
 VESENTINI, J. W. "Sociedade e Espaço: Geografia Geral e do Brasil". 
São Paulo: Ática, 2000. p. 163. 
 
Observando o quadro que ilustra a evolução das fontes de energia, 
pode(m)-se afirmar: 
I. As fontes compreendidas nos números 1, 2, 3 e 4, embora 
descobertas e colocadas em uso antes de Cristo, ainda se 
constituem como recursos energéticos em muitas regiões do 
planeta. 
II. As fontes compreendidas nos números 5, 6, 7 e 8 marcaram os 
séculos desde o XI até o XX. 
III. As fontes compreendidas no número 9 levam a que se deduza 
que, provavelmente, no século XXI, coexistirão várias fontes 
energéticas renováveis e pouco poluidoras. 
Está(ão) correta(s) 
a) apenas I. 
b) apenas I e II 
c) apenas III. 
d) apenas II e III. 
e) I, II e III. 
 
Questão 09 (Mackenzie) 
No mapa, 1, 2 e 3 indicam bacias hidrográficas onde se encontram 
instaladas, respectivamente, as hidrelétricas: 
 
a) Tucuruí, Paulo Afonso e Ilha Solteira. 
b) Xavantes, Furnas e Sobradinho. 
c) Jupiá, Funil e Castelo Branco. 
d) Três Marias, Balbina e Promissão. 
e) Tucuruí, Marimbondo e Jupiá. 
Questão 10 Fuvest) 
(As barras A, B e C representam a relação entre o potencial 
hidrelétrico aproveitado (em operação) e o potencial a ser 
aproveitado (inventariado e estimado) de três bacias hidrográficas 
brasileiras. Sabendo-se que A representa a Bacia do Paraná, 
identifique, respectivamente, as bacias B e C. 
 
a) Tocantins e Amazonas. 
b) São Francisco e Uruguai. 
c) Amazonas e São Francisco. 
d) Uruguai e Amazonas. 
e) São Francisco e Tocantins. 
 
Questão 11 
Na região Nordeste do Brasil, o predomínio de bacias hidrográficas 
intermitentes impossibilita um grande aproveitamento de seus 
recursos hidroelétricos. 
Dentre as principais bacias fluviais e suas usinas hidroelétricas 
correspondentes, está correta a relação: 
a) Bacias do São Francisco e Parnaíba/Usinas de Paulo Afonso e 
Boa Esperança. 
b) Bacias do São Francisco e Tocantins/Usinas de Tucuruí e Boa 
Esperança. 
c) Bacias do Tocantins e Parnaíba/Usinas de Ilha Solteira e Três 
Marias. 
d) Bacias do Tocantins e Pardo/Usinas de Balbina e Paulo Afonso. 
e) Bacias do Parnaíba e Jequitinhonha/Usinas de Três Marias e 
Balbina. 
 
Questão 12 (Ufv) 
O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi criado em 1975, 
como uma forma encontrada pelo governo brasileiro para enfrentar 
as crises do petróleo, iniciadas em 1973. Sobre o Proálcool, 
assinale a alternativa INCORRETA: 
a) Baseou-se em uma forte política de subsídios e financiamento a 
juros baixos aos grandes usineiros, agravando ainda mais o 
problema fundiário no país. 
b) Contribuiu para atenuar a crise do setor açucareiro brasileiro na 
década de 70, devido aos baixos preços internacionais do açúcar. 
c) Possibilitou a abertura de novas fronteiras agrícolas, evitando 
investimentos em plantações e usinas já existentes. 
d) Representou uma fonte de desenvolvimento de tecnologias 
"limpas" por aproveitar a cana-de-açúcar como fonte de energia 
renovável. 
e) Ocasionou uma série de problemas ambientais pela dificuldade 
de aproveitamento e armazenamento dos resíduos da produção de 
álcool. 
 
Questão 13 (Puccamp) 
Cercada por acusações de fraude e corrupção, a usina hidrelétrica 
de .......................... é uma construção moderna em pleno sertão. 
 
 
 
 
 82 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Encravada no "canyon" do rio São Francisco, na fronteira entre 
.................... e ....................., cercada pelo mato seco e crespo da 
caatinga, 'esta nova usina vai gerar', quando totalmente concluída, 
25% da energia total do Nordeste. 
Para completar corretamente o texto, as lacunas devem ser 
preenchidas, respectivamente, por 
a) Sobradinho - Alagoas - Sergipe 
b) Paulo Afonso - Bahia - Sergipe 
c) Itaparica - Bahia - Pernambuco 
d) Três Marias - Minas Gerais - Bahia 
e) Xingó - Alagoas - Sergipe 
 
Questão 14 (Unesp) 
O mapa mostra a localização de uma grande usina hidrelétrica 
destinada a abastecer as regiões Norte e Nordeste do Brasil. 
Assinalar a alternativa que contém, na seguinte ordem: 
1 - o nome da hidrelétrica; 
2 - o nome do rio em que se localiza. 
 
a) 1 - Furnas; 2 - Grande. 
b) 1 - Carajás; 2 - Tocantins. 
c) 1 - Tocantins; 2 - Tucuruí. 
d) 1 - Tucuruí; 2 - Araguaia. 
e) 1 - Tucuruí; 2 - Tocantins. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
SISTEMA DE TRANSPORTES 
O setor de transportes desempenhou papel fundamental no 
processo de crescimento econômico e de integração do território 
brasileiro. Esta integração é um fato muito recente. Até poucas 
décadas atrás, as regiões Norte e Centro-Oeste encontravam-se 
quase totalmente isoladas do restante do país. A integração mais 
completa destas regiões só ocorreu na década de 1970. 
Até a primeira metade do século XIX, os meios de transporte 
utilizados no Brasil eram o marítimo (navegação costeira), o fluvial 
(pequenas embarcações) e o terrestre (carruagens e lombo deanimal). Os transportes modernos (ferroviário, rodoviário) foram 
implantados a partir da segunda metade do século XIX, na 
seguinte ordem: 
*1854: estabelecimento da primeira ferrovia, pelo Barão de Mauá. 
A Estrada de Ferro Mauá tinha 15KM de extensão e ligava a Praia 
da Estrela, na Baía da Guanabara, à raiz da serra de Petrópolis 
(RJ). 
*1926: construção da primeira via moderna de transporte rodoviário 
(governo Washington Luís), a Rodovia Rio-São Paulo, a única 
rodovia interestadual pavimentada até 1940. 
*1927: início da aviação comercial com a criação da Viação Aérea 
Rio-Grandense (Varig). 
*1974: início do transporte metroviário, com a inauguração da linha 
norte-sul (Santana-Jabaquara) na capital paulista. 
O TRANSPORTE FERROVIÁRIO NO BRASIL 
O desenvolvimento do transporte ferroviário no Brasil está 
diretamente ligado à expansão da cafeicultura, primeiro no Estado 
do Rio de Janeiro, ligando o Vale do Paraíba até o Porto do Rio de 
Janeiro, e a seguir no Estado de São Paulo, do interior até o Porto 
de Santos. 
As primeiras ferrovias do café foram a Estrada de Ferro D.Pedro II 
(1855, Rio de Janeiro) e a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1868, 
São Paulo). O período de maior expansão ferroviária situou-se 
entre 1870 e 1920, quando a extensão das ferrovias passou de 
745KM para 28.535KM. A partir daí, e principalmente após a crise 
da cafeicultura, o ritmo de expansão das ferrovias diminuiu. 
Enquanto no período anterior foram construídos quase 28.000 KM 
de ferrovias, entre 1920 a 1960 construíram-se menos de 
10.000KM. Durante essa época, as ferrovias concentravam-se 
mais nos estados do sudeste. 
Desde 1960, a eliminação de vários ramais antieconômicos 
diminuiu de 38.280KM para 28.056 KM (1999) a extensão das 
linhas férreas. Enquanto isso, no mesmo período, a extensão das 
rodovias passou de 476.938KM para 1.658.677KM (1997). 
A decadência do transporte ferroviário decorreu dos problemas 
inerentes ao seu próprio desempenho e, principalmente, da 
concorrência do ramo rodoviário. Isso porque: 
*Com a presença de montadoras de veículos (carros, caminhões, 
ônibus), a partir de 1950, houve uma pressão de multinacionais 
para aumentar os investimentos públicos em rodovias, 
desconsiderando que o transporte ferroviário é mais barato e ideal 
para grandes distâncias. 
*Direcionadas quase sempre no sentido interior-litoral para escoar 
a produção agrícola, as ferrovias não integraram as regiões do 
país. 
*Desde a década de 1930, quando a economia começava a 
transformar-se de agroexportadora em predominantemente 
industrial, alterando com isso os tipos de carga, as ferrovias não 
foram estruturadas para atender com rapidez e eficiência à nova 
realidade do país. 
*Não houve investimentos para eliminar problemas que as ferrovias 
apresentavam como: bitolas (espaço entre os trilhos) diferentes, o 
que não permitia a integração das ferrovia; ou a correção de 
traçados confusos ou sinuosos, resultando em grande morosidade 
no transporte de pessoas e mercadorias. 
Diante dessa situação de decadência e estagnação, em 1957 o 
governo federal criou a Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA), que 
encampou grande parte das ferrovias do país. Em 1971, com a 
criação do Fepasa (Ferrovias Paulistas S.A), foi a vez de o governo 
do Estado de São Paulo encampar a maior parte das ferrovias 
paulistas. 
No entanto, por falta de investimentos o ramo ferroviário continuou 
com graves problemas, como: elevados déficits, material rodante 
obsoleto, administração ineficiente, morosidade no transporte. 
Num modo cada vez mais internacionalizado, o aumento da 
eficiência, a velocidade e a agilização na entrega de mercadorias, 
o barateamento dos custos e a modernização operacional e 
tecnológica são medidas necessárias aos meios de transporte e às 
vias de circulação de um país. 
Nos países desenvolvidos de grande extensão territorial (como 
países da Europa, Estados Unidos e Canadá), as ferrovias tiveram 
importância histórica na integração nacional, na dinamização 
econômica e comercial. Os investimentos feitos em ferrovias (trens 
modernos e velozes, metrô) devem-se, entre outros fatores, às 
crises do petróleo e à expansão de transportes de massa. 
No Brasil, desde 1996 grande parte da malha da ferroviária, 
principalmente relacionada com o transporte de cargas, foi 
repassada por concessão à iniciativa privada, como os sete trechos 
da RFFSA (malhas Oeste, Centro-Leste, Sudeste, Teresa Cristina, 
Nordeste e Paulista). 
O TRANSPORTE RODOVIÁRIO 
O desenvolvimento do transporte rodoviário no Brasil teve início na 
década de 1920, no governo de Washington Luís. O autor do lema 
“Governar é abrir estradas”, foi Washington Luís quem determinou 
as construção da Rodovia Rio-São Paulo. A atual Via Dutra, que 
liga os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, só foi concluída em 
1950, no governo Dutra. 
A organização e a expansão do setor rodoviário iniciaram-se em 
1937, no governo Getúlio Vargas, com a criação do Departamento 
Nacional de Estradas de Rodagens (DNER). Mas foi a partir da 
década de 1950, impulsionado pela indústria, que o transporte 
rodoviário transformou-se no principal meio de locomoção do país. 
Era necessário que as matérias-primas chegassem às industrias e 
as mercadorias, aos centros consumidores. 
A opção rodoviária atendia aos interesses da indústria 
automobilística (implantada em 1956) e aos das grandes 
companhias de petróleo mundial, que visavam aumento de 
produção e de vendas. No início da década de 1950, o transporte 
rodoviário já era predominante, locomovendo 65,6% das pessoas e 
53,1% das mercadorias. Em 2000, respondia por 96% dos 
passageiros e por 62,6% das mercadorias. 
A integração por meio de extensas rodovias iniciou-se na década 
de 1960 com a construção das rodovias Rio-Bahia (em 1963) e 
 
 
 
 
 84 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Régis Bittencourt (BR-116), que ligaram as regiões Nordeste, 
Sudeste e Sul. 
Entretanto, foi a partir da construção de Brasília que o plano 
integracionista ganhou maior impulso. A necessidade de ligar a 
nova capital federal ao restante do país possibilitou a 
complementação e a construção de várias rodovias, como: Rio-
Belo Horizonte-Brasília (BR-40); São Paulo-Belo Horizonte-Brasília 
(Rodovia Fernão Dias, BR-50); Brasília-Belém (BR10); Brasília-
Cuiabá (BR-70); Brasília-Fortaleza (BR-20) e outras. 
Após 1964, durante os governos militares, surgiram outros projetos 
rodoviários, agropecuários e de extração mineral, responsáveis 
pela recente ocupação da Amazônia. À medida que avançavam, a 
floresta recuava, abrindo caminho para as estradas, para o gado, 
para a mineração. 
Mesmo com todos esses projetos, as rodovias continua, bastante 
concentradas na Região Centro-Sul e no litoral. As duas crises 
mundiais do petróleo (1973 e 1979) contribuíram para mostrar a 
ineficiência de grandes projetos rodoviários, como a 
Transamazônica e a Perimetral Norte, até hoje inacabadas. 
O brasil construiu, em pouco mais de duas décadas, a segunda 
maior malha rodoviária do mundo (1.658.677KM), inferior apenas à 
dos Estados Unidos (6.307.584KM). Em 1997, 150.836KM são de 
estradas pavimentadas (menos de 10%) e 1.507.841 de estradas 
não-pavimentadas. 
Até 1994 todas as vias de transporte eram administradas pelos 
governos estaduais e federal. A partir de 1995, realizaram-se 
privatizações de rodovias, por meio de CONCESSÕES, ou seja, 
exploram-se determinados trechos, por um período, mediante o 
pagamento ao governo e o compromisso de manutenção e de 
melhorias. A iniciativa privada já controla 10.000KM de estradas 
federais e estradas estaduais. As concessionárias cobram 
pedágios dos usuários, pela utilização das rodovias. O valor das 
tarifas tem aumentado (45% de 1997 a 2001). Se, de um lado, a 
conservação das estradas resulta em economia na manutenção de 
veículos e na redução de acidentes, de outro lado encarece as 
viagens e os custosdo transporte de carga, tendo influência direta 
no custo de vida. Há alimentos que percorrem, às vezes, grande 
distância para chegar ao consumidor. 
O sistema de transporte rodoviário apresenta sérios problemas, 
como alto índice de acidentes (em 1998, perto de 20 mil pessoas 
perderam a vida e 311 mil ficaram feridas) e elevado número de 
roubo de cargas de caminhões. 
A frota de veículos automotores tem aumentado e em 1998 
ultrapassou a marca de 44 milhões de veículos. A maior parte 
desses veículos encontra-se nas áreas urbanas, principalmente 
nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Esta 
cidade conta com cerca de 8 milhões de veículos. 
Quanto aos transporte urbanos, existe um descompasso entre a 
demanda e a oferta de coletivos urbanos, devido aos baixos 
investimentos públicos. Entre as consequências desta situação 
estão o aumento do transporte informal ou clandestino (peruas, 
ônibus), a excessiva utilização de veículos particularmente, os 
congestionamentos, o aumento da poluição sonora e atmosférica 
nas cidades. 
O TRANSPORTE HIDROVIÁRIO NO BRASIL 
Com a prioridade dada aos transportes terrestres no Brasil, e 
particularmente devido à política rodoviarista, a participação do 
transporte de mercadorias nas vias de circulação hidroviárias 
reduziu-se de 32,4% em 1950 para 12,75% em 2000. 
O transporte aquaviário ou hidroviário classifica-se em marítimo e 
fluvial. O transporte marítimo compreende duas modalidades de 
navegação: a costeira ou de cabotagem (ao longo do litoral) e a 
internacional ou de longo curso. 
NAVEGAÇÃO COSTEIRA 
A existência de inúmeros portos ao longo do litoral brasileiro (pólos 
exportadores) serviu de base para o desenvolvimento da 
navegação costeira. 
Desde os primeiros tempos da colonização até a chegada dos 
modernos meios de transporte (ferrroviário, rodoviário), a 
navegação costeira ocupou lugar de destaque no transporte de 
pessoas e mercadorias ao longo da extensa costa marítima do 
Brasil. 
A partir do início da Segunda Guerra Mundial a navegação costeira 
entrou em declínio. As razões desse declínio foram a 
impossibilidade de importar equipamentos e peças de reposição, o 
envelhecimento da frota mercante, a deterioração de cargas, que 
afastam da infra-estrutura portuária (instalações, equipamentos), a 
concorrência crescente das rodovias e os altos custos da 
movimentação de cargas, que afastam do padrão internacional os 
terminais portuários nacionais. 
A melhoria da navegação costeira depende de várias medidas, 
como a renovação da frota mercante, a maior regularidade dos 
navios para facilitar o atendimento aos usuários e a modernização 
dos principais portos. 
A partir de agosto de 1995 a navegação costeira ou de cabotagem 
deixou de ser monopólio do governo federal. O congresso Nacional 
aprovou emenda à Constituição de 1988 que permite a 
participação de empresas estrangeiras na navegação costeira e na 
do interior (rios, lagos). 
A privatização do setor de navegação vem se processando 
paulatinamente por meio do arrendamento das instalações e 
operações de serviços. Desde 1991 têm sido transferida para a 
iniciativa privada a exploração de terminais de contêineres. As 
concessões para a operação de terminais e prestação de serviços 
específicos acentuaram-se a partir de 1997. Os principais portos 
envolvidos na transferência da exploração dos terminais de 
contêineres foram Santos (SP), Sepetiba (RJ), Angra dos Reis 
(RJ), Vitória (ES), Cais de Paul, Cais de Capuaba, Salvador (BA). 
NAVEGAÇÃO INTERNACIONAL 
Devido ao tradicional controle deste setor por empresas 
estrangeiras, o Brasil pouco participou do transporte marítimo 
externo. Até 1967, sua participação era inferior a 10%. Esforços 
governamentais realizados a partir desta data resultaram em 
substancial aumento desta participação (cerca de 65% a partir de 
1985). 
Apesar disso, a navegação de longo curso continua apresentando 
vários problemas, como: frota mercante insuficiente, falta de 
investimentos e limitada capacidade de competição com as 
empresas estrangeiras. 
Mesmo com as privatizações, o sistema portuário está longe de ser 
um exemplo de eficiência em tecnologia e informatização. Os 
custos portuários continuam altos e pouco competitivos 
comparados com os padrões internacionais. 
Em 1999, existia, 44 portos de território nacional: 6 na Região 
Norte, 13 na Nordeste, 13 na Sudeste, 10 na Sul e 2 na Centro-
Oeste. Entre os portos mais importantes, estão o de Santos, Rio de 
Janeiro, Porto Alegre, de Paranaguá e de Vitória. 
Aula 29 – Sistema de Transportes 
 
 
 
 
 
85 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Apesar de subaproveitadas, duas hidrovias estão impulsionando o 
transporte fluvial (rios)no interior do Brasil e na ligação com países 
vizinhos do sul e sudeste: a hidrovia do Paraná-Paraguai e a do 
Tietê-Paraná, esta última também chamada de Hidrovia do 
Mercosul. 
CORREDORES DE EXPORTAÇÃO 
A década de 1980, marcada por forte crise econômica, 
caracterizou-se pela implantação dos corredores de exportação e 
das vias especializadas (rodovias e ferrovias) no escoamento de 
determinados produtos. 
Etapa avançada da integração dos transportes na economia, os 
corredores de exportação são áreas dotadas de uma infra-estrutura 
que envolve o transporte, a armazenagem e a comercialização de 
produtos, desde as áreas de origem até os portos de exportação. 
Visam à integração de transportes para facilitar o escoamento da 
produção até os portos marítimos. 
A modernização e eficiência dos corredores de exportação 
apresentam enormes vantagens: evita prejuízos (a demora no 
escoamento da produção; a deterioração dos produtos), reduz o 
preço final dos produtos e aumenta o poder de competitividade 
com os países concorrentes. 
O estabelecimento dos corredores de exportação decorreu da 
necessidade de o Brasil escoar sua produção com maior rapidez e 
eficiência, reduzir custos e competir melhor no mercado externo. 
O TRANSPORTE AÉREO NO BRASIL 
A aviação comercial iniciou-se no país em 1927, com a criação da 
Varig. A primeira linha aérea ligou as cidades gaúchas de Porto 
Alegre e Rio Grande. 
A grande extensão territorial, a deficiência dos outros meios de 
transporte, o pioneirismo (Santos Dumont) e interesses 
econômicos estrangeiros são os principais fatores responsáveis 
pelo desenvolvimento da aviação brasileira. Também muitas 
empresas aéreas comerciais, tanto vôos domésticos, como trajetos 
de longa distância, utilizam aeronaves projetadas e construídas no 
Brasil. 
O país está ligado por via aérea a todos os continentes, e todo o 
seu território acha-se integrado pelo transporte aéreo. Apesar 
disso, se levarmos em conta o tamanho da população brasileira, 
veremos que o transporte aéreo é pouco utilizado. 
O elevado preço e o baixo poder aquisitivo da população explicam 
o caráter elitista deste transporte. Existem dez modernos 
aeroportos internacionais em funcionamento. 
Todas as companhias aéreas do Brasil são privadas, e algumas 
permitem a participação de capital estrangeiro. Há três grandes 
empresas de atuação nacional e internacional (Varig-Cruzeiro, 
Vasp e Transbrasil) e várias de atuação regional (Tam, Rio-Sul, 
Taba, Pantanal e outras). 
Em 1999, o transporte aeroviário era responsável por 2,16% do 
movimento total de passageiros no país. Havia 10,250 aeronaves 
registradas e 1.977 aeroportos oficiais. A operação e a 
administração da maioria dos principais aeroportos estão sob a 
responsabilidade da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura 
Aeroportuária), entidade federal ligada ao Ministério da 
Aeronáutica. 
No setor aeroportuário, o governo também está facilitando a 
entrada do capital privado. O primeiro aeroporto a ser privatizado 
deve ser o de Ribeirão Preto (SP), importante centro regional, 
enquanto o maior aeroporto internacional do país, em Guarulhos, 
deve oferecer dois novos terminais para concessão.86 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
Em usinas hidrelétricas, a queda d’água move turbinas que acionam geradores. Em usinas eólicas, os 
geradores são acionados por hélices movidas pelo vento. Na conversão direta solar-elétrica são 
células fotovoltaicas que produzem tensão elétrica. Além de todos produzirem eletricidade, esses 
processos têm em comum o fato de: 
a) não provocarem impacto ambiental. 
b) independerem de condições climáticas. 
c) a energia gerada poder ser armazenada. 
d) utilizarem fontes de energia renováveis. 
e) dependerem das reservas de combustíveis fósseis. 
 
Questão 02 
“Águas de março definem se falta luz este ano”. Esse foi o título de uma reportagem em jornal de 
circulação nacional, pouco antes do início do racionamento do consumo de energia elétrica, em 2001. 
No Brasil, a relação entre a produção de eletricidade e a utilização de recursos hídricos, estabelecida 
nessa manchete, se justifica porque: 
a) a geração de eletricidade nas usinas hidrelétricas exige a manutenção de um dado fluxo de água 
nas barragens. 
b) o sistema de tratamento da água e sua distribuição consomem grande quantidade de energia 
elétrica. 
c) a geração de eletricidade nas usinas termelétricas utiliza grande volume de água para refrigeração. 
d) o consumo de água e de energia elétrica utilizadas na indústria compete com o da agricultura. 
e) é grande o uso de chuveiros elétricos, cuja operação implica abundante consumo de água. 
 
Questão 03 
Qual das seguintes fontes de produção de energia é a mais recomendável para a diminuição dos 
gases causadores do aquecimento global? 
a) Óleo diesel. b) Gasolina. c) Carvão mineral. d) Gás natural. e) Vento. 
 
Questão 04 
A economia moderna depende da disponibilidade de muita energia em diferentes formas, para 
funcionar e crescer. No Brasil, o consumo total de energia pelas indústrias cresceu mais de quatro 
vezes no periodo entre 1970 e 2005. Enquanto os investimentos em energias limpas e renováveis, 
como solar e eólica, ainda são incipientes, ao se avaliar a possibilidade de instalação de usinas 
geradoras de energia elétrica, diversos fatores devem ser levados em consideração, tais como os 
impactos causados ao ambiente e às populações locais. Ricardo. B. e Campanili, M. Almanaque Brasil 
Socioambiental. Instituto Socioambiental. São Paulo, 2007 (adaptado) Em uma situação hipotética, 
optou-se por construir uma usina hidrelétrica em região que abrange diversas quedas d’água em rios 
cercados por mata, alegando-se que causaria impacto ambiental muito menor que uma usina 
termelétrica. 
Entre os possíveis impactos da instalação de uma usina hidrelétrica nessa região, inclui-se: 
a) a poluição da água por metais da usina. 
b) a destruição do habitat de animais terrestres. 
c) o aumento expressivo na liberação de CO2 para a atmosfera. 
d) o consumo não renovável de toda água que passa pelas turbinas. 
e) o aprofundamento no leito do rio, com a menor deposição de resíduos no trecho de rio anterior à 
represa. 
 
Questão 05 
Deseja-se instalar uma estação de geração de energia elétrica em um município localizado no interior 
de um pequeno vale cercado de altas montanhas de difícil acesso. A cidade é cruzada por um rio, que 
é fonte de água para consumo, irrigação das lavouras de subsistência e pesca. Na região, que possui 
pequena extensão territorial, a incidência solar é alta o ano todo. A estação em questão irá abastecer 
apenas o município apresentado. Qual forma de obtenção de energia, entre as apresentadas, é a mais 
indicada para ser implantada nesse município de modo a causar o menor impacto ambiental? 
a) Termelétrica, país é possível utilizar a água do rio no sistema de refrigeração. 
b) Eólica, pois a geografia do local é própria para a captação desse tipo de energia. 
c) Nuclear, pois o modo de resfriamento de seus sistemas não afetaria a população. 
Anotações 
 
Aula 29 – Sistema de Transportes 
 
 
 
 
 
87 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
d) Fotovoltaica, pois é possível aproveitar a energia solar que chega à superfície do local. 
e) Hidrelétrica, pois o rio que corta o município é suficiente para abastecer a usina construída. 
 
Questão 06 
A usina hidrelétrica de Belo Monte será construída no rio Xingu, no município de Vitória de Xingu, no 
Pará. A usina será a terceira maior do mundo e a maior totalmente brasileira, com capacidade de 11,2 
mil megawatts. Os índios do Xingu tomam a paisagem com seus cocares, arcos e flechas. Em 
Altamira, no Pará, agricultores fecharam estradas de uma região que será inundada pelas águas da 
usina. 
Os impasses, resistências e desafios associados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte 
estão relacionados: 
a) ao potencial hidrelétrico dos rios no norte e nordeste quando comparados às bacias hidrográficas 
das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. 
b) à necessidade de equilibrar e compatibilizar o investimento no crescimento do país com os esforços 
para a conservação ambiental. 
c) à grande quantidade de recursos disponíveis para as obras e à escassez dos recursos direcionados 
para o pagamento pela desapropriação das terras. 
d) ao direito histórico dos indígenas à posse dessas terras e à ausência de reconhecimento desse 
direito por parte das empreiteiras. 
e) ao aproveitamento da mão de obra especializada dispo – nível na região Norte e o interesse das 
construtoras na vinda de profissionais do Sudeste do país. 
 
Questão 07 
Segundo dados do Balanço Energético Nacional de 2008, do Ministério das Minas e Energia, a matriz 
energética brasileira é composta por hidrelétrica (80%), termelétrica (19,9%) e eólica (0,1%). Nas 
termelétricas, esse percentual é dividido conforme o combustível usado, sendo: gás natural (6,6%), 
biomassa (5,3%), derivados de petróleo (3,3%), energia nuclear (3,1%) e carvão mineral (1,6%). Com 
a geração de eletricidade da biomassa, pode-se considerar que ocorre uma compensação do carbono 
liberado na queima do material vegetal pela absorção desse elemento no crescimento das plantas. 
Entretanto, estudos indicam que as emissões de metano (CH4) das hidrelétricas podem ser 
comparáveis às emissões de CO2 das termelétricas. 
MORET, A. S.; FERREIRA, I. A. As hidrelétricas do Rio Madeira e os impactos socioambientais da eletrificação no Brasil. 
Revista Ciência Hoje. V. 45, n.° 265, 2009 (adaptado). 
 
No Brasil, em termos do impacto das fontes de energia no crescimento do efeito estufa, quanto à 
emissão de gases, as hidrelétricas seriam consideradas como uma fonte: 
a) limpa de energia, contribuindo para minimizar os efeitos deste fenômeno. 
b) eficaz de energia, tomando-se o percentual de oferta e os benefícios verificados. 
c) limpa de energia, não afetando ou alterando os níveis dos gases do efeito estufa. 
d) poluidora, colaborando com níveis altos de gases de efeito estufa em função de seu potencial de 
oferta. 
e) alternativa, tomando-se por referência a grande emissão de gases de efeito estufa das demais 
fontes geradoras. 
 
Questão 08 
A ampliação do uso de fontes de energia renováveis e não poluentes representa uma das principais 
esperanças para a redução dos impactos ambientais sobre o planeta. Considerando os gráficos, a 
distribuição espacial da produção instalada das energias eólica e fotovoltaica é explicada sobretudo 
pela seguinte característica dos países que mais as utilizam: 
a) matriz elétrica limpa. 
b) perfil climático favorável. 
c) densidade demográfica reduzida. 
d) desenvolvimento tecnológico avançado. 
 
 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 (Fuvest) 
Das paisagens naturais alteradas pela construção da rodovia 
Transamazônica, as maioresmudanças em relação às condições 
anteriormente reinantes foram registradas no domínio das 
a) chapadas tropicais com cerrados. 
b) áreas mamelonares tropicais florestadas. 
c) terras baixas florestadas equatoriais. 
d) depressões semi-áridas com caatingas. 
e) coxilhas subtropicais com pradarias. 
 
Questão 02 
DESLOCAMENTO DE CARGA INTERNA, SEGUNDO O TIPO DE 
TRANSPORTE (%) 
 
Nesta tabela os países 1, 2 e 3 são, respectivamente: 
a) U.R.S.S., Japão e Brasil 
b) E.U.A., França e Austrália. 
c) Japão, Canadá e Itália. 
d) U.R.S.S., França e Argentina. 
e) Brasil, E.U.A. e Canadá. 
 
Questão 03 
A rede hidrográfica brasileira, utilizada para os transportes fluviais, 
a) é bem distribuída e apresenta um alto potencial de navegação 
no sudeste, especialmente na sua porção centro-oriental. 
b) é distribuída desigualmente pelo país, estando o maior potencial 
navegável localizado perifericamente às áreas de economia mais 
avançada. 
c) apresenta um potencial de navegação que coincide com as 
áreas de maior exploração de hidroeletricidade. 
d) apresenta suas principais bacias voltadas para o Atlântico Sul 
nas costas orientais brasileiras, facilitando os transportes com o 
interior. 
e) é rica em interligações por canais fluviais que facilitam os 
transportes entre as bacias do rio São Francisco e do Paraná. 
 
Questão 04 
As figuras a seguir representam dois esquemas de relações entre 
as cidades: o esquema clássico e o esquema atual. 
 
(Fonte: SENE, Eustáquio de & MOREIRA, João Carlos. "Geografia Geral e do 
Brasil". São Paulo: Scipione, 1999.) 
 
Por que a concepção tradicional de hierarquia urbana está sendo 
substituída pela atual? 
a) Porque muitos distritos, vilas e até mesmo bairros se 
emanciparam e foram elevados à categoria de município. 
b) Porque o êxodo rural leva ao desaparecimento de muitas vilas e 
cidades pequenas, localizadas distantes das metrópoles. 
c) Porque o avanço tecnológico dos transportes e comunicações e 
a disponibilidade de renda encurtam as distâncias. 
d) Porque a queda de regimes totalitários não permitiu maior 
mobilidade da população e favoreceu a migração interurbana. 
e) Porque as atuais diretrizes do planejamento urbano promovem a 
concentração das indústrias de base nas metrópoles. 
 
Questão 05 (Pucmg) 
"O desenvolvimento da rede de transporte é um fator fundamental 
para o crescimento industrial". 
Analisando a organização do espaço brasileiro, tendo em vista seu 
processo de industrialização, é correto afirmar, EXCETO: 
a) Em 1930 não existia integração econômica entre as diversas 
regiões. 
b) A industrialização procedeu-se, gerando uma maior 
concentração espacial. 
c) O Sudeste foi favorecido pela construção de vias de transporte 
e, conseqüentemente, pelo crescimento industrial. 
d) A construção da rede rodoviária favoreceu a reprodução interna 
do modelo de dominação e exploração. 
e) A Amazônia permanece numa posição periférica, contando 
apenas com a presença de indústrias nacionais tradicionais. 
 
Questão 06 
Observe o mapa 
 
 "Folha de São Paulo" - 25/03/97 - Supl. Agrícola 
 
Implantado recentemente, este novo corredor de exportação 
beneficiará principalmente os produtores de: 
a) café. b) soja. c) arroz. d) suco de laranja. e) açúcar. 
 
Questão 07 
Os terminais de corredores de exportação 1, 2 e 3 assinalados no 
mapa são, respectivamente: 
 
Aula 29 – Sistema de Transportes 
 
 
 
 
 
89 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
a) ltaqui, Santos e Paranaguá. 
b) Areia Branca, Paranaguá e São Sebastião. 
c) ltaqui, Rio de Janeiro e Santos. 
d) São Luís, Vitória e Santos. 
e) Fortaleza, Santos e Paranaguá. 
 
Questão 08 (Ufmg) 
Analise os mapas sobre algumas redes no Brasil. 
 
Fonte: BECKER, B. K. & EGLER C. A. G.: Uma Nova Potência Regional Na 
Economia - Mundo, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S. A., 1992, p. 197 
 
Com base no que é representado nos mapas, todas as afirmativas 
apresentam conclusões corretas, EXCETO: 
a) A configuração da rede de energia elétrica relaciona-se com a 
concentração no espaço do potencial hidroelétrico nacional. 
b) A rede de ferrovias estende-se por áreas de valorização as mais 
antigas do território nacional. 
c) A rede de rodovias expressa, de modo geral, a área de mercado 
mais integrada do território nacional. 
d) A rede de telecomunicações mostra que a circulação rápida de 
informação a longa distância ocorre em nível nacional. 
e) O adensamento das redes no centro-sul do território nacional 
constitui um indicador da importância econômica desse região. 
 
Questão 09 
Assinale a alternativa que contém duas causas que prejudicam a 
navegação fluvial no Brasil. 
a) A maior parte dos rios é de planalto e os rios de planícies 
situam-se longe das áreas mais desenvolvidas. 
b) Os rios não têm volume de água suficiente e as embarcações 
são muito deficitárias. 
c) A rede de drenagem é endorrêica e os rios de planícies 
encontram-se fora das áreas mais desenvolvidas. 
d) O custo de transporte rodoviário é baixo e a expansão da rede 
ferroviária foi rápida. 
e) A maioria dos rios é intermitente e as embarcações possuem 
pequeno calado. 
 
Questão 10 
A análise das vias de circulação no Brasil revela: 
a) a expansão da rede ferroviária, em relação às décadas 
anteriores, como medida prioritária para a redução de custos 
b) o investimento maciço em hidrovias, em função do Mercosul, 
embora o custo do transporte fluvial de cargas supere o do 
transporte ferroviário. 
c) o descaso com a modernização de seus portos marítimos, 
considerados os mais baratos do mundo para o transporte de 
carga internacional. 
d) o subaproveitamento das potencialidades naturais do país, pois 
em áreas de rios navegáveis o transporte rodoviário, mais caro, 
supera o fluvial. 
e) a opção pela rodovia como principal meio de transporte de 
carga, seguindo o padrão dominante nos EUA, Japão a Europa 
Ocidental. 
 
Questão 11 (Cesgranrio) 
O Brasil tem aproveitado escassamente as suas bacias 
hidrográficas para a navegação, apesar de imenso potencial. São 
poucas as eclusas construídas, são poucos os trechos de rios 
dragados. Existem apenas dois grandes sistemas hidroviários 
construídos. 
Qual dos conjuntos e bacias citados a seguir apresenta maior 
volume de tráfego de mercadorias? 
a) O sistema do Tietê, recém-concluído, ligando os arredores de 
São Paulo com o Centro-Oeste. 
b) A Bacia do São Francisco, no trecho Pirapora-Juazeiro, após a 
conclusão das eclusas em Paulo Afonso. 
c) A Bacia Amazônica, que apresenta quase 30.000 km de rios 
navegáveis. 
d) A Bacia Tocantins-Araguaia, responsável pelo escoamento da 
produção de soja do Centro-Oeste. 
e) O sistema Jacuí/Taquari-Lagoa dos Patos, construído com 
eclusas e retificações, escoando as safras gaúchas. 
 
Questão 12 
Considere a tabela a seguir que mostra a expansão da Rede 
Ferroviária no Brasil de 1855 a 1991. 
 
Fonte: "Anuário Estatístico do IBGE", 1992. 
 
A leitura da tabela e os seus conhecimentos sobre os meios de 
transportes no Brasil, permitem afirmar que a variação, em km, das 
ferrovias foi motivada, entre outros fatores, por: 
a) forte desenvolvimento tecnológico deste transporte que 
aumentou seu potencial mesmo sem o crescimento da Rede. 
b) contínuas crises econômicas mundiais que afetaram o setor 
agrário-exportador e limitaram os investimentos nesse transporte. 
c) predomínio crescente das rodovias que, a partir de meados 
deste século tornaram-se o meio de transporte privilegiado pelo 
processo industrial. 
d) substituição do transporte ferroviário de carga e de passageiros 
pelo hidroviário, em virtude da maior eficiência deste. 
e) crescimento urbano após a década de 60, inviabilizando a 
expansão agrícola e conseqüentemente gerando o abandono das 
ferrovias. 
 
 
 
 
 
 90 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 13 
"Houve concentração de investimentos nosetor rodoviário, o que 
gerou uma série de implicações: o encarecimento dos produtos 
transportados, (já que o frete rodoviário é sabidamente mais 
elevado que o dos outros tipos de transporte), além de um 
aumento considerável no consumo de derivados de petróleo, 
obrigando o país a arcar com o ônus da importação e uma 
conseqüente queima de divisas". 
Em relação ao Brasil, o texto é considerado 
a) incorreto, porque a prioridade recentemente dada à construção 
das rodovias é real apenas para o sudeste do País. 
b) incorreto, porque existe relativo equilíbrio entre a proporção de 
tráfego das hidrovias, ferrovias e rodovias. 
c) incorreto, porque as ferrovias, são ainda muito utilizadas no 
País, estando interligadas às rodovias. 
d) correto, porque as hidrovias que tinham um papel importante 
para a economia nacional, hoje são deficitárias. 
e) correto porque desde a década de 50 até nossos dias, a 
quilometragem de ferrovias não aumentou significativamente, 
devido à priorização do transporte rodoviário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
FORMAÇÃO ÉTNICA: OS ÍNDIOS ONTEM E HOJE 
FORMAÇÃO ÉTNICA: OS NEGROS E A IDENTIDADE 
AFROBRASILEIRA 
A composição étnica e racial da sociedade brasileira é resultado de 
uma confluência de pessoas de várias origens étnicas diferentes, 
dos povos indígenas originais, negros africanos, dos colonizadores 
portugueses, e de posteriores ondas imigratórias de europeus, 
árabes e japoneses, além de outros povos asiáticos e de países 
sul-americanos. 
Há uma diferença entre os conceitos de raça e etnia. Raça é uma 
construção social utilizada para destingir pessoas em termos de 
uma ou mais marcas físicas, dentre elas a cor, que são 
socialmente significativas. Desse modo, a raça é um termo 
sociológico e não biológico. Em termos biológicos considera-se que 
há apenas uma raça humana. Um grupo étnico, por outro lado, 
corresponde a uma categoria de pessoas cujas marcas culturais 
percebidas são consideras socialmente significativas. Os grupos 
étnicos diferem entre si em termos de língua, religião, costumes, 
valores, ancestralidade entre outras marcas culturais. 
O Brasil pode ser apontado como um exemplo de que o conceito 
de raça é uma construção social, e que o entendimento de raça 
pode variar em diferentes sociedades. 
Nos séculos XIX e XX, a cultura brasileira tem promovido uma 
integração e miscigenação racial. No entanto, as relações raciais 
no Brasil não têm sido harmônicas, especialmente em relação ao 
papel de desvantagem dos negros brasileiros e indígenas, grupos 
fortemente explorados no período colonial do país, que tendem a 
ocupar posições menos prestigiadas na sociedade brasileira 
moderna, além das questões de choque cultural e dificuldade de 
preservação étnico-racial no país. 
As análises de marcadores genéticos revelam que o brasileiro 
médio possui, de forma decrescente, ancestralidades europeias, 
africanas e ameríndias. Este é o resultado de deliberadas políticas 
de "branqueamento racial" prosseguidas pelo Imperador Dom 
Pedro II e pelos governos da República Velha, que se manifestam 
na seleção de imigrantes brancos, sob a influência das teorias 
racialistas de Gobineau. Uma pesquisa realizada com mais de 34 
milhões de brasileiros, dos quais quase vinte milhões se declaram 
brancos, perguntou a origem étnica dos participantes de cor ou 
raça branca. A maioria apontou origem brasileira (45,53%). 15,72% 
apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 
5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, 
indígena, judaica e árabe. 
CLASSIFICAÇÃO POR ETNIA, COR E RAÇA 
A classificação do IBGE segundo cor ou raça encontra-se dividido 
nas seguintes categorias: brancos, pardos, pretos, amarelos e 
indígenas. Os negros correspondem ao somatório das populações 
pardas e pretas. O IBGE verifica a composição brasileira através 
de um censo realizado a cada 10 anos. A composição por cor ou 
raça é verificada pela autodeclaração. 
BRANCOS 
 
Estados de acordo com a percentagem de brancos em 2009. 
Os brancos autodeclarados compõem cerca de 47,7% da 
população brasileira, somando cerca de 91 milhões de indivíduos. 
Estão espalhados por todo o território brasileiro, embora a maior 
concentração esteja no Sul e Sudeste do Brasil. 
Uma pesquisa realizada com mais de 32 milhões de brasileiros, 
dos quais quase vinte milhões se declaram brancos, perguntou a 
origem étnica dos participantes de cor ou raça branca. Uma 
pluralidade apontou origem brasileira (45,53%). 15,72% apontou 
origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51% 
alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena, 
judaica e árabe. 
Os números condizem fortemente com o passado imigratório no 
Brasil. Entre o final do século XIX e início do século XX, sobretudo 
após a Abolição da Escravatura, o Estado brasileiro passou a 
incentivar a vinda de imigrantes para substituir a mão-de-obra 
africana. Entre 1870 e 1951, de Portugal e da Itália chegaram 
números próximos de imigrantes, cerca de 1,5 milhão de italianos e 
1,4 milhão de portugueses. Da Espanha chegaram cerca de 650 
mil e da Alemanha em torno de 260 mil imigrados. Os números 
refletem as porcentagens das origens declaradas pelos brancos 
brasileiros. 
É notório, porém, que quase metade dos brancos pesquisados 
declararam ser de origem brasileira. É explicável pelo fato de a 
imigração portuguesa no Brasil ser bastante antiga, remontando 
mais de quinhentos anos, fato que muitos brasileiros brancos 
desconhecem tais origens por já terem suas famílias enraizadas no 
Brasil há séculos, assim como por exemplo muitos estadunidenses 
se declaram americanos, mas sendo de origem inglesa. 
Deve ser salientado que as classificações raciais no Brasil são 
fluídas e influenciadas por diversos fatores. Existe uma histórica 
tendência ao "branqueamento" na hora de ser classificado 
racialmente. Desta forma, riqueza, relações de família ou talentos 
pessoais podem fazer com que pessoas "de cor" sejam 
classificadas como brancas. 
Atualmente, a quantidade de brasileiros que se dizem brancos está 
em rápido declínio. 
MULTIRACIAL-PARDOS 
 
Estados de acordo com a percentagem de Pardos em 2009. 
Segundo a definição do IBGE, pardos são pessoas que se 
declaram mulatas, caboclas, cafuzas, mamelucas ou mestiças de 
negro com pessoa de outra raça. No censo de 2010, 43,1% da 
população nacional se autodeclarou como sendo parda. 
Ao contrário do que muitos pensam, o termo pardo não foi criado 
censitariamente como uma categoria de cunho "étnico-racial" 
distinto ou como sinônimo de miscigenado: o termo passou a ser 
utilizado no censo do ano de 1872, com o intuito único de 
contabilizar de forma separada os negros (não importando se 
puros ou miscigenados) ainda cativos, e os negros (não 
importando se puros ou miscigenados) nascidos livres ou forros. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brancos_no_Brasil.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pardos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pardos_no_Brasil_2009.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brancos_no_Brasil.png�
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pardos_no_Brasil_2009.png�
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
NEGROS 
 
Estados de acordo com a percentagem de negros em 2009. 
Os negros autodeclarados compõem 7,6% da população brasileira, 
somando cerca de 15 milhões de indivíduos. Estão espalhados por 
todo o território brasileiro, embora os maiores números estejam no 
Nordeste e no Sudeste. 
É salientável que nem todos os descendentes de africanos no 
Brasil classificam-se como "negros", vez que muitos optam por 
dizer-se "pardos" ou mesmo "brancos." 
A escravidão no Brasil durou cerca de 350 anos e trouxe para o 
país cerca de 4 milhões de africanos—37% de todos os escravos 
trazidos às Américas. 
Pesquisas genéticas já de alguns anos atrás sugeriram que agrande maioria dos brasileiros teriam mais de 10% de marcadores 
genéticos africanos, mas foram confessados que seus limites de 
confiança são amplos e foram feitos por extrapolação: "Obviamente 
estas estimativas foram feitas por extrapolação de resultados 
experimentais com amostras relativamente pequenas e, 
consequentemente, têm limites de confiança bastante amplos". 
POVOS INDÍGENAS 
 
O quadro Moema de Victor Meirelles. A imagem do índio no Brasil 
foi positivada pelo indianismo. 
Há cinco séculos, os Europeus portugueses chegaram à América, 
desembarcando em solo brasileiro, e deram início a uma paulatina 
reorganização das terras que eram ocupadas pelos povos 
indígenas. Esse processo de migração se estendeu até o início do 
século XX e marcou o processo de formação sociopolítica e 
econômica de nosso país. 
O avanço da colonização implicou na extinção muitas sociedades 
indígenas que ali viviam, em razão de conflitos bélicos, da 
disseminação das doenças trazidas pelos europeus, e da adoção 
de táticas de "assimilação" dos índios à nova sociedade 
implantada. 
O mapa da distribuição das populações indígenas no território 
brasileiro hoje identifica os reflexos do movimento histórico de 
expansão político-econômica. Os primeiros contatos se deram no 
litoral e só aos poucos houve um movimento de interiorização por 
parte dos europeus, motivo pelo qual o grande percentual da 
população indígena recenseada hoje no Brasil encontra-se na 
Amazônia Legal, embora, contudo, haja maior concentração da 
população indígena no Centro-Sul e Nordeste do país. 
De acordo com o Censo 2010 do IBGE, a população indígena no 
país atualmente soma 896,9 mil indígenas. Estão distribuídos em 
688 Terras Indígenas e algumas áreas urbanas do território 
nacional. Há também 82 referências de grupos indígenas não-
contatados, das quais 32 foram confirmadas pela Fundação 
Nacional do Índio – Funai. 
O QUE É SER ÍNDIO 
Os habitantes das Américas foram chamados de índios pelos 
europeus que aqui chegaram. Uma denominação genérica 
provocada pela primeira impressão que eles tiveram de haver 
chegado às Índias. 
Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, e sim em 
um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a 
chamá-los assim. Ignoravam-se propositalmente as diferenças 
linguperiodo colonial, ístico-culturais. Era mais fácil torná-los todos 
iguais, tratá-los de forma homogênea, já que o objetivo era um só: 
o domínio político, econômico e religioso. 
Se no período colonial era assim, ao longo dos tempos, definir 
quem era índio ou não constituía sempre uma questão legal. 
Desde a independência das metrópoles européias, vários países 
americanos estabeleceram diferentes legislações em relação aos 
índios e foram criadas Instituições oficiais para cuidar dos assuntos 
a eles relacionados. 
Nas últimas décadas, o critério da auto-identificação étnica vem 
sendo o mais amplamente aceito pelos estudiosos da temática 
indígena. Na década de 50, o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro 
baseou-se na definição elaborada pelos participantes do II 
Congresso Indigenista Interamericano, no Peru, em 1949, para 
assim definir, no texto “Culturas e línguas indígenas do Brasil”, o 
indígena como: “(…) aquela parcela da população brasileira que 
apresenta problemas de inadaptação à sociedade brasileira, 
motivados pela conservação de costumes, hábitos ou meras 
lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana. Ou, 
ainda mais amplamente: índio é todo o indivíduo reconhecido como 
membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica 
etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela 
população brasileira com quem está em contato”. 
O APARECIMENTO DOS AMERÍNDIOS 
O homem americano não surgiu dentro do próprio continente, 
como resultado da evolução de primatas, ele apareceu por aqui 
vindo de outras regiões, pelas migrações ocorridas há milhares de 
anos. É que todos os especialistas afirmam. Todavia, sua teorias 
começam a se diferenciar à respeito de como o homem chegou à 
América. Ao longo dos anos formaram-se teorias, dentre elas 
estão: a teoria do Estreito de Bering, e da teoria das Correntes do 
Pacífico. 
1ª TEORIA: O ESTREITO DE BERING 
Até pouco tempo, quase todos afirmavam que as primeiras 
comunidades humanas da América teriam vindo da Ásia, por volta 
de 12 000 a.C., saindo do atual território russo da Sibéria, 
atravessando o estreito de Bering (quem tem umas poucas 
dezenas de quilômetros de largura) e chegando à região hoje 
ocupada pelo Alasca. A partir daí, o povoamento fora se 
expandindo lentamen te, primeiro pela América do Norte e, depois, 
pela América Central, para finalmente atingir a América do Sul. Os 
caminhos eventualmente seguidos por essas comunidades 
humanas, de um extremo ao outro do continente americano, 
podem ser acompanhados no mapa 1. 
Essa teoria baseava-se em um pressuposto, em um acontecimento 
físico-geográfico e em várias descobertas arqueológicas. Esses 
elementos podem ser resumidos como a seguir. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pretos_no_Brasil_2009.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Victor_Meirelles_-_Moema.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pretos_no_Brasil_2009.png�
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Victor_Meirelles_-_Moema.jpg�
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje 
 
 
 
 
 
93 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
Pressuposto- O homem primitivo era incapaz de desenvolver 
técnicas de navegação; portanto, não poderia ter chegado à 
América cruzando o Atlântico ou o Pacífico. Assim, só lhe restava 
um caminho: o estreito de Bering, com cerca de 100 km, que 
separa a Ásia da América. 
Acontecimento físico-geográfico- A glaciação-redução da 
temperatura da Terra-, entre 35000 a.C e 12000 a.C. Com a queda 
de temperatura, a massa de gelo polar aumentou e o nível dos 
oceanos abaixou. O estreito de Bering teria então ficado seco, 
permitindo a passagem dos seres humanos, a pé, da Ásia para a 
América. 
Descobertas arqueológicas- Os vestígios humanos mais antigos 
encontrados em nosso continente datavam aproximadamente de 
12 000 a.C. e foram descobertos na América do Norte. Os mesmos 
tipos de vestígios eram, na América Central, de aproximadamente 
9000 a.C.; e na América do Sul, de 8000 a.C. na região dos Andes, 
e de 6000 a.C no atual território brasileiro. 
Tais elementos davam a essa teoria um aspecto bastante lógico e, 
inclusive, indicavam o caminho seguido pelo homem até chegar a 
América do Sul. Ultrapassando o Panamá, ele acompanhara a 
cordilheira dos Andes, em direção ao sul e finalmente descera para 
as regiões mais baixas, a maior parte delas ocupadas hoje pelo 
Brasil. 
Essa teoria era complementada por algumas outras, que 
procuravam explicar certos casos particulares, como o da América 
do Sul, por exemplo. Se os agrupamentos de humano se 
estabeleceram primeiro nos Andes (onde se desenvolveram 
brilhantes civilizações) e depois, vieram para o leste, ocupando a 
gigantesca região amazônica, como explicar que o homem 
amazônico tivesse uma civilização muito mais primitiva; ele poderia 
ter esquecido de tudo o que aprendera? 
Os especialistas respondiam que, de certa forma, era exatamente 
isso que havia ocorrido: as terras baixas tropicais eram 
inadequadas ao desenvolvimento humano; a densa floresta 
dificultava o deslocamento das pessoas e era pobre em recursos 
alimentares; as características do solo impediam a agricultura 
intensiva; e a uniformidade do clima dificultava a irrigação. Bastava 
ver, diziam, o atual padrão de vida das populações indígenas na 
Amazônia e mesmo no Brasil em geral. Comunidades pequenas e 
primitivas, vivendo da caça da pesca e, eventualmente, de 
agricultura itinerante. 
 Por causa desses fatores, os agrupamentos humanos que 
desceram dos Andes, em direção ao atual território brasileiro, 
teriam aos poucos perdido conhecimentos técnicos, tornando-se 
mais primitivos conforme se afastavamda região andina e se 
aproximavam do Atlântico. Ficava assim explicado o estado 
primitivo das populações indígenas encontradas pelos portugueses 
quando chegaram aqui. 
 
Porcentagem da contribuição de cada origem para a população 
brasileira. 
Cidade ou 
estado 
Africana Europeia Ameríndia 
AM 16,3% 45,9% 37,8% 
PA 16,8% 53,7% 29,5% 
PE 27,9% 56,8% 15,3% 
AL 26,6% 54,7% 18,7% 
GO 13,3% 82,7% 3,0% 
MG 28,9% 59,2% 11,9% 
ES 13,4% 74,1% 12,5% 
RJ 31,1% 55,2% 13,7% 
SP 18,2 69,9 10,6 
PR 17,5% 71,0% 11,5% 
SC 11,4% 79,7% 8,9% 
RS 14,0% 72,9% 13,0% 
POLÍTICA INDIGENISTA NO BRASIL 
Há mais de100 anos o Estado brasileiro criou o Serviço de 
Proteção ao Índio e Localização de Trabalhadores Nacionais 
(SPILTN), a primeira estrutura organizacional responsável por uma 
política indigenista oficial. A Fundação Nacional do Índio – Funai, 
hoje vinculada ao Ministério da Justiça, tem suas origens 
relacionadas com a criação do extinto SPILTN, mais tarde 
denominado apenas Serviço de Proteção aos Índios (SPI). 
Criado pelo Decreto-Lei n.º 8.072, de 20 de junho de 1910, o SPI 
teve como objetivo ser o órgão do Governo Federal encarregado 
de executar a política indigenista. Sua principal finalidade era 
proteger os índios e, ao mesmo tempo, assegurar a implementação 
de uma estratégia de ocupação territorial do país. A criação do SPI 
modificou profundamente a abordagem da questão indígena no 
Brasil. 
A primeira Constituição, de 1824, ignorou completamente a 
existência das sociedades indígenas, prevalecendo uma 
concepção da sociedade brasileira como sendo homogênea. 
Consequentemente, não reconheceu a diversidade étnica e cultural 
do país e estabeleceu como sendo de competência das 
Assembleias das Províncias a tarefa de promover a catequese e de 
agrupar os índios em estabelecimentos coloniais, o que acarretou 
impactos significativos sobre as terras ocupadas. 
Com este a Igreja deixou de ter a hegemonia no tocante ao 
trabalho de assistência junto aos índios, de modo que a política de 
catequese passou a coexistir com a política de proteção por parte 
do Estado. Além disso, buscou-se centralizar a política indigenista, 
reduzindo o papel que os estados desempenhavam em relação às 
decisões sobre o destino dos povos indígenas. 
Mais de meio século depois, a Funai foi criada por meio da Lei n.º 
5.371 de 5/12/1967 em substituição ao SPI. Esta decisão 
governamental foi tomada num momento histórico em que 
predominavam, ainda, as ideias evolucionistas sobre a 
humanidade e o seu desenvolvimento através de estágios. Esta 
ideologia de caráter etnocêntrico influenciou a visão 
governamental, sendo que a Constituição vigente naquela época 
estabelecia a figura jurídica da tutela e considerava os índios como 
"relativamente incapazes". 
Mesmo reconhecendo a diversidade cultural entre as muitas 
sociedades indígenas, a Funai tinha o papel de integrá-las, de 
 
 
 
 
 94 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
maneira harmoniosa, na sociedade nacional. Considerava-se que 
essas sociedades precisavam "evoluir" rapidamente, até serem 
integradas, o que é considerado na prática como uma negação da 
riqueza da diversidade cultural. 
Posteriormente, com a edição da Lei n.º 6.001 de 19/12/1973 
(conhecida como Estatuto do Índio) se formalizaram os 
procedimentos a serem adotados pela Funai para proteger e 
assistir as populações indígenas, inclusive no que diz respeito à 
definição de suas terras e ao processo de regularização fundiária. 
O Estatuto do Índio representou um avanço em relação à política 
indigenista praticada, estabelecendo novos referenciais no que diz 
respeito à definição das terras ocupadas tradicionalmente pelos 
índios. 
A Constituição de 1988 instaurou um novo marco conceitual, 
substituindo o modelo político pautado nas noções de tutela e de 
assistencialismo por um modelo que afirma a pluralidade étnica 
como direito e estabelece relações protetoras e promotoras de 
direitos entre o Estado e comunidades indígenas brasileiras. Além 
disso, estabeleceu o prazo de cinco anos para que todas as terras 
indígenas (TIs) do país fossem demarcadas. Assim, estas 
mudanças de visão, de abordagem e dos princípios que devem 
orientar a ação do Estado exigiram uma reformulação dos seus 
mecanismos de ação relativos às populações indígenas. 
TRATAMENTO CONSTITUCIONAL DE 1934 à 1965 
* CONSTITUIÇÃO DE 1934- Estabeleceu a competência privativa 
da UNIÃO para legislar sobre incorporação dos silvícolas à 
comunhão nacional, assegurando-lhes o respeito à posse das 
terras em que se achassem permanentemente localizadas, as 
quais não poderiam ser alienadas. 
* CONSTITUÍÇÃO de 1967 – Estabeleceu que as terras ocupadas 
pelos silvícolas integram o PATRIMÔNIO DA UNIÃO. Outro 
dispositivo assegurou o usufruto exclusivo dos índios sobre os 
recursos naturais, e de todas as utilidades existentes em suas 
terras. 
* A EMENDA CONSTITUCIONAL DE 1969- Aditaria a esse corpo 
de normas um novo preceito estatuindo “nulidade e extinção dos 
efeitos jurídicos dos atos de qualquer natureza, que tivessem por 
objeto o domínio, a posse, ou a ocupação por terceiros de terras 
habitadas pelos indígenas”, estabelecendo também que os 
terceiros ocupantes não teriam direito a qualquer ação ou 
indenização contra a UNIÃO e a FUNAI. 
* CONSTITUIÇÃO DE 1988 – O artigo 20 da Constituição Federal 
de 1988, inclui entre os bens da UNIÃO as terras tradicionalmente 
ocupadas pelos índios. A inovação é importante, trata-se aqui de 
reconhecer não apenas a ocupação física das áreas habitadas 
pelos grupos indígenas, mas sim a ocupação tradicional, (segundo 
as tradições) do território indígena, o que significa reconhecê-lo 
com toda extensão de terra necessária a manutenção, e 
preservação das particularidades culturais de cada grupo. 
Incorporam se aí, não apenas as áreas de habitação permanente e 
de coletas, mas também todos os espaços necessários à 
manutenção das tradições do grupo. Entram nesse conceito, por 
exemplo, as terras consideradas sagradas, os cemitérios distantes, 
e as áreas de deambulação.Ao abandonar intencionalmente 
qualquer referência à incorporação dos índios à sociedade 
nacional, a Constituição de 1988, reconheceu o direito das 
populações indígenas de preservar sua identidade própria e cultura 
diferenciada. Na tradição constitucional anterior, a condição de 
índio era vista como um estado transitório, que cessaria com a 
integração. A partir de 1988, o discurso da integração, cedeu passo 
ao reconhecimento da diversidade cultural. 
- O ARTIGO 215 assegura às comunidades indígenas o ensino 
fundamental bilingüe, (utilização de suas línguas) e processos 
próprios de aprendizagem. 
- OS ARTIGOS: 231 e 232 – estabelecem o reconhecimento da 
identidade cultural própria e diferenciada dos grupos indígenas 
(organização social, costumes, línguas, crenças e tradições); e 
direito sobre as terras que tradicionalmente ocupam; as terras 
indígenas devem ser demarcadas, e protegidas pela UNIÃO 
As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, são aquelas por 
eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas 
atividades produtivas, as imprescindíveis a preservação dos 
recursos ambientais necessários a seu bem-estar, e as 
necessárias a sua reprodução física, cultural, segundo seus usos, 
costumes e tradições. 
Aproveitamento dos recursos hídricos, e a pesquisa e lavra de 
mineral em terras indígenas, somente podem ser realizadas 
mediante autorização do Congresso Nacional, ouvidas as 
comunidades afetadas, que terão participação assegurada nos 
resultados da lavra, na forma de lei. 
As terras indígenas são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos 
que os índios exercem sobre elas são imprescritíveis. 
Os grupos indígenas não podem ser removidos de suas terras, a 
não ser em casos de catástrofes, ou epidemia. 
São nulos, extintos e não produzem efeitos jurídicos os atos que 
tenham por objeto a ocupação,o domínio ou a posse por terceiros, 
e a exploração dos recursos naturais do solo, rios e lagos nas 
terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Ressalva-se, no 
entanto, a possibilidade de ocupação e exploração dos recursos 
naturais em caso de relevante interesse pela UNIÃO. 
Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas 
para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, 
sendo obrigatória a intervenção do Ministério Público, em todos os 
atos do processo. 
O artigo 67 das Disposições Transitórias determinou prazo de 
cinco anos a partir da promulgação da Constituição, para a 
conclusão da demarcação das terras indígenas. Esse prazo 
encerrou-se em 5 de outubro de 1933, sem que pudesse Ter sido 
concluído a demarcação de todas as áreas indígenas do país. 
AMARELOS 
No censo demográfico do Brasil de 2010 cerca de 2.084.288 
indivíduos se declararam amarelos. Estão concentrados em dois 
estados brasileiros: São Paulo e Paraná, embora populações 
menores estejam espalhadas por todo o território brasileiro. 
A categoria amarela é reservada para as pessoas de origem 
oriental. Contudo, no último censo do IBGE, sobretudo no Piauí, 
muitas pessoas que não têm qualquer origem oriental 
classificaram-se como "amarelas" no censo. Isso inflacionou o 
número real de orientais que vivem no Brasil. 
A grande maioria dos amarelos brasileiros são descendentes de 
japoneses que imigraram para o Brasil entre 1908 e 1960, devido a 
problemas econômicos. O Brasil abriga hoje a maior comunidade 
japonesa fora do Japão. Outros grupos amarelos em fase de 
crescimento rápido, são os chineses e coreanos que atualmente 
integram o comércio nas capitais. 
 
 
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 (ENEM - 2012) 
 
 
Elaborado pelos partidários da Revolução Constitucionalista de 1932, o cartaz apresentado pretendia 
mobilizar a população paulista contra o governo federal. Essa mobilização utilizou-se de uma 
referência histórica, associando o processo revolucionário 
a) à experiência francesa, expressa no chamado à luta contra a ditadura. 
b) aos ideais republicanos, indicados no destaque à bandeira paulista. 
c) ao protagonismo das Forças Armadas, representadas pelo militar que empunha a bandeira. 
d) ao bandeirantismo, símbolo paulista apresentado em primeiro plano. 
e) ao papel figurativo de Vargas na política, enfatizado pela pequenez de sua figura no cartaz. 
 
Questão 02 (ENEM - 2009) 
A partir de 1942 e estendendo-se até o final do Estado Novo, o Ministro do Trabalho, Indústria e 
Comércio de Getúlio Vargas falou aos ouvintes da Rádio Nacional semanalmente, por dez minutos, no 
programa “Hora do Brasil”. O objetivo declarado do governo era esclarecer os trabalhadores acerca 
das inovações na legislação de proteção ao trabalho. 
GOMES, A. C. A invenção do trabalhismo. Rio de Janeiro: IUPERJ / Vértice. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
1988 [adaptado]. 
 
Os programas “Hora do Brasil” contribuíram para 
a) conscientizar os trabalhadores de que os direitos sociais foram conquistados por seu esforço, após 
anos de lutas sindicais. 
b) promover a autonomia dos grupos sociais, por meio de uma linguagem simples e de fácil 
entendimento. 
c) estimular os movimentos grevistas, que reivindicavam um aprofundamento dos direitos trabalhistas. 
d) consolidar a imagem de Vargas como um governante protetor das massas. 
e) aumentar os grupos de discussão política dos trabalhadores, estimulados pelas palavras do ministro 
 
Questão 03 (ENEM - 2012) 
Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito antes dos europeus, foram os próprios 
africanos trazidos como escravos. E essa descoberta não se restringia apenas ao reino linguístico, 
estendia-se também a outras áreas culturais, inclusive à da região. 
Há razões para pensar que os africanos, quando misturados e transportados ao Brasil, não 
Demoraram em perceber a existência entre si de elos culturais mais profundos. 
SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP, n. 12, dez./jan./fev. 1991-92 [adaptado]. 
 
Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de diferentes partes da África, a experiência 
da escravidão no Brasil tornou possível a 
a) formação de uma identidade cultural afro-brasileira. 
b) superação de aspectos culturais africanos por antigas tradições europeias. 
c) reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos. 
d) manutenção das características culturais específicas de cada etnia. 
e) resistência à incorporação de elementos culturais indígenas 
 
Questão 04 (ENEM - 2010) 
“Pecado nefando” era expressão correntemente utilizada pelos inquisidores para a sodomia. Nefandus: 
o que não pode ser dito. A Assembleia de clérigos reunida em Salvador, em 1707, considerou a 
Anotações 
 
 
 
 
 
 96 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
sodomia “tão péssimo e horrendo crime”, tao contrário à lei da natureza, que “era indigno de ser 
nomeado” e, por isso mesmo, nefando. 
NOVAIS, F.; MELLO E SOUZA L. História da vida privada no 
Brasil. V. 1. São Paulo: Companhia das Letras. 1997 (adaptado). 
 
O número de homossexuais assassinados no Brasil bateu o recorde histórico em 2009. De acordo com 
o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT – Lés - bicas, Gays, Bissexuais e 
Travestis), nesse ano foram registrados 195 mortos por motivação homofóbica no País. 
Disponível em: www.alemdanoticia.com.br/utimas_noticias.php?codnoticia=3871. 
Acesso em: 29 abr. 2010 (adaptado). 
 
A homofobia é a rejeição e menosprezo à orientação sexual do outro e, muitas vezes, expressa-se sob 
a forma de comportamentos violentos. 
Os textos indicam que as condenações públicas, perseguições e assassinatos de homossexuais no 
país estão associadas 
a) à baixa representatividade polítíca de grupos organizados que defendem os direitos de cidadania 
dos homossexuais. 
b) à falência da democracia no país, que torna impeditiva a divulgação de estatísticas relacionadas à 
violência contra homossexuais. 
c) à Constituição de 1988, que exclui do tecido social os homossexuais, além de impedi-los de exercer 
seus direitos políticos. 
d) a um passado histórico marcado pela demonização do corpo e por formas recorrentes de tabus e 
intolerância. 
e) a uma política eugênica desenvolvida pelo Estado, justificada a partir dos posicionamentos de 
correntes filosófico-científicas 
 
Questão 05 (ENEM - 2010) 
As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a identidade 
cultural dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o modo de vida dos 
antigos revoltosos. 
Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Instituto do Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) porque reúnem um conjunto de: 
a) objetos arqueológicos e paisagísticos. 
b) acervos museológicos e bibliográficos. 
c) núcleos urbanos e etnográficos. 
d) práticas e representações de uma sociedade. 
e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta. 
 
Questão 06 
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo 
diante da chacina 
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos 
ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres 
e pobres são como podres e todos sabem 
como se tratam os pretos 
(...) 
 (Gilberto Gil e Caetano Veloso, "Haiti") 
 
(...) 
Vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico 
foi encontrado na ruína de uma escola em construção 
Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína 
tudo é menino e menina no olho da rua 
o asfalto, a ponte, o viaduto ganindo pra rua nada continua 
E o cano da pistola que as crianças mordem 
reflete todas as cores da paisagem da cidade 
(...) 
 (Caetano Veloso, "Fora da ordem") 
 
A violênciaé hoje um dos graves problemas das grandes cidades brasileiras, apresentando, como 
causas mais gerais, a injusta distribuição de renda e o aumento do desemprego. 
Identifique a manifestação de violência citada em cada uma das canções acima. 
Anotações 
 
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje 
 
 
 
 
 
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Questão 07 
 
 
Fonte: Adap. Simielli, 2000. 
 
Correlacione os mapas apresentados, quanto à questão indígena no Brasil e analise a relação entre a 
área das terras e as populações indígenas nas regiões I e II. 
 
Questão 08 
Do ponto de vista sociológico, o Brasil se constituiu sobre o mito da democracia racial principalmente 
depois da publicação de casa grande e senzala de gilberto freyre (2003). De acordo com florestan 
fernandes (1965) o ideal de miscigenação fora difundido como mecanismo de absorção do mestiço 
não para a ascensão social do negro, mas para a hegemonia da classe dominante. O mito da 
democracia racial assentou-se sobre dois fundamentos: 1) o mito do bom senhor; 2) o mito do escravo 
submisso. 
Analise as afirmações: 
I. a crença no bom senhor exalta a vulgaridade das elites modernas, como diria contardo calligaris, e 
juntamente com uma espécie de pseudocordialidade seriam responsáveis pela manutenção e o 
aprofundamento das diferenças sociais. 
II. o mito do escravo submisso fez com que a sociedade de um modo geral não encarasse de frente a 
violência da escravidão, fez com que os ouvidos se ensurdecessem aos clamores do movimento 
negro, por direitos e por justiça. 
III. as proposições legislativas sobre a inclusão de negros vão desde o projeto de lei que reserva aos 
negros um percentual fixo de cargos da administração pública, aos que instituem cotas para negros 
nas universidades públicas e nos meios de comunicação. 
 
Assinale a alternativa correta: 
a) todas as afirmações são verdadeiras. 
b) apenas a afirmação II é verdadeira. 
c) as afirmações I e III são verdadeiras. 
d) as afirmações I e II são falsas. 
e) todas as afirmações são falsas. 
 
 
 
 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 (UERJ) 
As mesmas forças produtivas engajadas no desenvolvimento 
extensivo e intensivo do capitalismo produzem tanto a integração 
como a fragmentação. As muitas variações de formas sociais de 
vida e de trabalho, compreendendo grupos e classes, etnias e 
minorias, nações e nacionalidades, religiões e línguas, são 
frequentemente recriadas. 
Octavio Ianni- Adaptado de Sociedade global. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira,1999. 
 
A ilustração e o texto expressam diferentes pontos de vista acerca 
do processo de globalização. Essa diferença se manifesta pela 
contradição entre: 
a) polarização e dispersão econômica 
b) elitização e popularização financeira 
c) homogeneização e diversidade cultural 
d) especialização e flexibilidade profissional 
 
Questão 02 (UERJ) 
No I Congresso Mundial das Raças, ocorrido em Londres em 1911, 
o médico João Baptista de Lacerda ilustrou suas reflexões sobre a 
sociedade brasileira analisando a tela “A redenção de Cam”, que 
retrata três gerações de uma família. 
Essa pintura foi utilizada na época para indicar a seguinte 
tendência demográfica no Brasil: 
a) controle de natalidade 
b) branqueamento da população 
c) equilíbrio entre faixas etárias 
d) segregação dos grupos étnicos 
 
Questão 03 (PUC-SP) 
Leia: Por causa do risco iminente de extinção, a UNESCO produziu 
o Livro Vermelho das Línguas Ameaçadas, hoje substituído pelo 
Atlas das línguas ameaçadas do mundo [...] Os países que têm o 
maior número de línguas em risco de desaparecimento, segundo o 
Atlas, são: 
Tendo em conta os processos e as localizações geográficas 
implicadas na questão das línguas ameaçadas de extinção, nota-
se que 
a) várias das línguas ameaçadas são línguas de grupos nativos 
preexistentes em países originários da colonização europeia, nos 
quais houve a imposição da língua do colonizador. 
b) essa perda iminente da diversidade linguística, nos países 
listados, deve-se à necessidade de eliminar a própria diversidade 
cultural, condição necessária para o desenvolvimento social em 
ambientes mais comunicativos. 
c) no Brasil, as línguas ameaçadas são várias das indígenas, em 
função do interesse dos falantes dessas línguas de pertencer ao 
conjunto da sociedade moderna e romper com o isolamento social 
em que vivem. 
d) as línguas ameaçadas, nos países listados, sobrevivem por 
esforço dos estados, visto que as sociedades desses locais 
defendem que existam políticas públicas para preservar as culturas 
minoritárias. 
e) a modernização e a globalização dominante da sociedade 
contemporânea tendem a reverter o processo de ameaça de 
extinção de várias línguas nativas, pela sua lógica de valorização 
da diversidade cultural. 
 
Questão 04 (UENP) 
Leia atentamente o fragmento de texto a seguir. Trata-se de uma 
entrevista com o sociólogo Zigmunt Bauman. 
Poderia falar mais amplamente sobre os riscos da modernidade? 
Uma das características do que chamo de "modernidade sólida" 
era que as maiores ameaças para a existência humana eram muito 
mais óbvias. Os perigos eram reais, palpáveis, e não havia muito 
mistério sobre o que fazer para neutralizá-los ou, ao menos, aliviá-
los. Era óbvio, por exemplo, que alimento, e só alimento, era o 
remédio para a fome. 
Os riscos de hoje são de outra ordem, não se pode sentir ou tocar 
muitos deles, apesar de estarmos todos expostos, em algum grau, 
a suas consequências. Não podemos, por exemplo, cheirar, ouvir, 
ver ou tocar as condições climáticas que gradativamente, mas sem 
trégua, estão se deteriorando. O mesmo acontece com os níveis 
de radiação e de poluição, a diminuição das matérias-primas e das 
fontes de energia não renováveis, e os processos de globalização 
sem controle político ou ético, que solapam as bases de nossa 
existência e sobrecarregam a vida dos indivíduos com um grau de 
incerteza e ansiedade sem precedentes. 
Diferentemente dos perigos antigos, os riscos que envolvem a 
condição humana no mundo das dependências globais podem não 
só deixar de ser notados, mas também deixar de ser minimizados 
mesmo quando notados. As ações necessárias para exterminar ou 
limitar os riscos podem ser desviadas das verdadeiras fontes do 
perigo e canalizadas para alvos errados. Quando a complexidade 
da situação é descartada, fica fácil apontar para aquilo que está 
mais à mão como causa das incertezas e das ansiedades 
modernas. Veja, por exemplo, o caso das manifestações contra 
imigrantes que ocorrem na Europa. Vistos como "o inimigo" 
próximo, eles são apontados como os culpados pelas frustrações 
da sociedade, como aqueles que põem obstáculos aos projetos de 
vida dos demais cidadãos. A noção de "solicitante de asilo" 
adquire, assim, uma conotação negativa, ao mesmo tempo em que 
as leis que regem a imigração e a naturalização se tornam mais 
restritivas, e a promessa de construção de "centros de detenção" 
para estrangeiros confere vantagens eleitorais a plataformas 
políticas. 
Para confrontar sua condição existencial e enfrentar seus desafios, 
a humanidade precisa se colocar acima dos dados da experiência 
a que tem acesso como indivíduo. Ou seja, a percepção individual, 
para ser ampliada, necessita da assistência de intérpretes munidos 
com dados não amplamente disponíveis à experiência individual. E 
a Sociologia, como parte integrante desse processo interpretativo 
— um processo que, cumpre lembrar, está em andamento e é 
permanentemente inconclusivo —, constitui um empenho 
constante para ampliar os horizontes cognitivos dos indivíduos e 
uma voz potencialmente poderosa nesse diálogo sem fim com a 
condição humana. 
PALLARES-BURKE, Maria Lúcia Garcia. Entrevista com Zigmunt Bauman. Tempo 
soc.promoveu a intensificação dos 
fluxos internacionais de capitais nos mercados financeiros e 
abertura das economias nacionais ao comércio global. 
Os governos de Fernando Collor de Melo (1990-1992) e Itamar 
Franco (1992-1994) iniciaram essa abertura. Em 1991 iniciou-se o 
Programa Nacional de Desestatização, com grande participação de 
capitais provenientes dos Estados Unidos, Espanha e Portugal. 
Em junho de 1994, a moeda brasileira passou a ser o real. A 
mudança da moeda era parte de um plano econômico maior, que 
tinha como objetivo central o combate a inflação e a estabilização 
da economia brasileira. A ilusão da moeda forte e do consumo fácil 
fez com que o país entrasse as cegas na modernidade. 
A verdade é que do século XX para o século XXI, o 
desenvolvimento industrial-tecnológico, colocou o Brasil entre as 
maiores economias no Mundo, sendo considerado um dos 
mercados emergentes nesse início de século. Entretanto, grande 
parte da população ainda encontra-se excluída do mercado 
consumidor dos produtos industriais e o abismo entre os ricos e 
pobres tem se acentuado ainda mais. 
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS INDÚSTRIAS NO BRASIL 
POR REGIÕES 
Até por volta da segunda metade do século XX o Brasil não 
possuía um mercado nacional consolidado muito menos um 
espaço geográfico de fato integrado. Na verdade, o país mais se 
assemelha a um “arquipélago” com a existência de verdadeiras 
“ilhas” de economia primárias voltada para a exportação. A partir 
da década de 50, pela primeira vez na história, o Brasil deixa de 
ser um país essencialmente agrário e a industrialização passou a 
comandar a economia nacional. 
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS INDÚSTRIAS 
 
CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL 
Quanto à distribuição espacial da indústria, o que se verifica é uma 
grande concentração de estabelecimentos na região Sudeste. A 
concentração industrial na região, sobretudo, no Estado de São 
Paulo, deve-se a fatores históricos que já conhecemos. Esses 
fatores (a lavoura de café, entre outros) orientaram o surgimento 
da atividade industrial nessa região. Mas um outro fator também 
explica essa concentração espacial – é a interdependência que se 
estabelece entre as várias empresas industriais. Por exemplo, a 
indústria automobilística está ligada às metalúrgicas, às indústrias 
de autopeças, de tintas, de vidros etc. 
Além disso, a concentração industrial é acompanhada pela 
concentração das demais atividades econômicas e extra-
econômicas. Assim, a indústria, o comércio e o sistema bancário e 
financeiro dependem uns dos outros. 
Por outro lado, a concentração das atividades econômicas gera um 
grande número de empregos, atraindo população de outras regiões 
e criando grandes centros populacionais, que necessitam de 
serviços, incluindo-se escolas, centros culturais e profissionais. Por 
isso, as grandes metrópoles são também os núcleos culturais mais 
desenvolvidos do país. 
DESCONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL 
O debate sobre o processo de desconcentração espacial da 
indústria nos últimas duas décadas tem início nos trabalhos 
pioneiros de Diniz (1993) e Diniz e Crocco (1996), que apontam 
para um movimento de desconcentração ocorrido entre as décadas 
de setenta e noventa. Segundo esses autores, teria havido perdas 
na participação das Regiões Metropolitanas de São Paulo e do Rio 
de Janeiro ao longo daquele período. Em contrapartida, teria 
ocorrido aumento nos estados do Sul e de Minas Gerais, assim 
como no interior de São Paulo, surgindo uma espécie de polígono 
que ia do centro de Minas Gerais ao nordeste do Rio Grande do 
Sul. Assim, as transformações ocorridas fariam com que o 
processo de desconcentração ficasse restrito às cidades 
localizadas no interior de tal polígono. 
Atualmente, seguindo uma tendência mundial, o Brasil vem 
passando por um processo de descentralização industrial, 
chamada por alguns autores de desindustrialização, que vem 
ocorrendo intrarregionalmente e também entre as regiões. 
Dentro da Região Sudeste há uma tendência de saída do ABCD 
Paulista, buscando menores custos de produção do interior 
paulista, no Vale do Paraíba, ao longo da Rodovia Fernão Dias, 
que liga São Paulo à Belo Horizonte. Estas áreas oferecem, além 
de incentivos fiscais, menores custos de mão-de-obra, transportes 
menos congestionados e por tratarem-se de cidades-médias, 
melhor qualidade de vida, o que é vital quando trata-se de 
tecnopolos. 
A desconcentração industrial entre as regiões vem determinando o 
crescimento de cidades-médias dotadas de boa infraestrutura e 
com centros formadores de mão-de-obra qualificada, geralmente 
universidades. Além disso, percebe-se um movimento de indústrias 
tradicionais, de uso intensivo de mão-de-obra, como a de calçados 
e vestuários para o Nordeste, atraídas sobretudo, pela mão-de-
obra extremamente barata. 
Com base em técnicas de estatística multivariada e indicadores 
sintéticos e de dados das mesorregiões do país, Saboia, Kubrusly 
e Barros (2008) confirmam que, em meados da década de 2000, 
os desequilíbrios regionais permaneciam elevados, beneficiando as 
regiões Sul e Sudeste. Foram, entretanto, encontrados resultados 
favoráveis em algumas mesorregiões do Norte, do Nordeste e do 
Centro-Oeste, o que confirmaria o ponto de vista de alguns autores 
 
 
 
 
 8 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
aqui resenhados no sentido de uma extrapolação do processo de 
desconcentração para fora do polígono original de Diniz e Crocco 
em anos recentes. Há casos de desenvolvimento em regiões no 
entorno das capitais e outros em que se trata de políticas explícitas 
de atração de investimentos industriais para o interior. 
TECNOPÓLOS BRASILEIROS 
Os “tecnopolos” são parques empresariais e científicos 
especializados no desenvolvimento da alta tecnologia e da 
chamada Tecnologia de Ponta (química fina, robótica, informática, 
eletrônica, raio laser etc). As regiões de Campinas (favorecida pela 
presença da Unicamp), de São José dos Campos (onde está 
localizado o Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA) e São 
Carlos (que abriga a UFSCar e um campus da USP) são alguns 
dos centros industriais que ostentam a tecnologia mais avançada 
do país. 
MAIORIA DAS INDÚSTRIAS INOVADORES ESTÁ EM SÃO 
PAULO 
A ideia de que a economia paulista perde importância para as 
de outros estados está sendo matizada pelos resultados da 
pesquisa Performance Econômica das Regiões Brasileiras 
(Perb), capitaneada pelo professor Aurílio Caiado, da 
Universidade de Sorocaba. Os resultados mostram que a saída 
de indústrias restringiu-se ao município de São Paulo e seu 
entorno. Se em 1985 a capital abrigava 15% de toda a indústria 
de transformação do país, o índice em 2005 caiu para 6,1%. A 
pesquisa mostra que a perda de indústrias na capital paulista 
nem de longe é sinônimo de decadência, pois a cidade 
consolida-se como o grande polo brasileiro de empresas que 
investem em inovação, aquelas cujos produtos têm mais valor 
agregado. 
Revista pesquisa Fapesp, n.157, mar.2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 20 – A Concentração Industrial e a Descentralização Atual 
 
 
 
 
 
9 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
As migrações internas no Brasil na década de 1990 mantiveram algumas tendências observadas 
durante a década de 1980, ou seja: 
I. queda do movimento interno migratório em direção à região Sudeste e, particularmente, às 
metrópoles; 
II. diminuição do crescimento populacional do município de São Paulo, que nas décadas anteriores 
destacou-se como o principal pólo de atração da população; 
III. permanência do vetor migratório em direção à Amazônia. 
(Adas Melhem. "Panorama Geográfico do Brasil". São Paulo: Moderna, 1998. p. 535.) 
 
Dentre os fatores que explicam essas tendências pode-se citar[online]. 2004 
 
Sobre a questão dos imigrantes na Europa, julgue a veracidade 
das proposições abaixo. 
I. A França começou a ser lentamente islamizada, em 
consequência de ondas sucessivas de novas migrações, 
nomeadamente das suas antigas colônias africanas, na sua 
maioria islamizadas. O número de muçulmanos não parou de 
aumentar (cerca de 10% da população francesa). Os grandes 
valores republicanos, com que a França integrava facilmente os 
imigrantes europeus, começaram a não surtirem efeito. A França 
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje 
 
 
 
 
 
99 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
começou então a depurar as suas referências culturais para se 
ajustar a esta nova realidade. 
II. A Inglaterra e a Holanda adotaram um modelo próprio de 
integração: o multiculturalismo, isto é, cada imigrantes pode ter os 
valores que quiser, viver como entender, praticar a sua religião, 
mas não pode é interferir na ordem instituída. Tudo isto em nome 
da tolerância e dos direitos do indivíduo. A verdade é que essas 
sociedades acabaram por entrar numa lógica segregacionista: 
naturais para um lado, estrangeiros para outro. 
III. A Alemanha e a Suíça levaram até às últimas consequências o 
modelo segregacionista, impondo uma clara separação entre 
"naturais" e "imigrantes. Estes últimos são mantidos, desde a sua 
chegada, a distância, sendo-lhes dito que não passam de mão-de-
obra descartável, sempre que a situação o exija. Apesar do 
elevado número de imigrantes turcos existentes na Alemanha, a 
verdade é que apenas um pequeno número conseguiu naturalizar-
se alemão. 
Pode-se afirmar que é(são) verdadeira(s): 
a) todas d) apenas I e III 
b) apenas II e III e) nenhuma 
c) apenas I e II 
 
Questão 05 (UNESP) 
Soweto viu a Copa do Mundo. Em um Mundial questionado por seu 
impacto social apenas limitado e por excluir grande parte da 
população africana dos benefícios, os 4 milhões de moradores da 
cidade nas proximidades de Johannesburgo só souberam um dia 
antes que a seleção brasileira faria seu único treino aberto em 
Soweto. 
(O Estado de S.Paulo, 04.06.2010. Adaptado.) 
 
Considere as afirmações seguintes. 
 I. Soweto está localizado na região metropolitana de 
Johanesburgo e foi a maior township da África do Sul. 
II. As townships nasceram durante o período do apartheid, devido à 
separação espacial entre negros e brancos. 
III. Dentre os Prêmios Nobel da Paz, estão Nelson Mandela e o 
Arcebispo Desmond Tutu, que viveram em Soweto. 
IV. Berço da luta contra o apartheid, durante o regime racista, 
Soweto conseguiu resolver seus problemas sociais, integrando-se 
totalmente ao restante da capital. 
Estão corretas apenas as afirmações 
a) I, III e IV. 
b) III e IV. 
c) I, II e III. 
d) I e II. 
e) II, III e IV. 
 
Questão 06 (UFF) 
A seleção alemã de futebol da Copa do Mundo de 2010 apresentou 
cinco atletas nascidos fora da Alemanha e seis filhos de imigrantes, 
num total de 23 jogadores. “É a verdadeira nação arco-íris”, 
estampou um jornal de Johannesburgo, brincando com a 
expressão utilizada pelo bispo Desmond Tutu para designar a 
África do Sul pós-apartheid. Para o sociólogo alemão Martin Curi, a 
inserção de estrangeiros, principalmente de turcos, na equipe 
alemã ocorre até com certo atraso. Mesut Ozil e Sedar Tasci são 
os primeiros turcos a jogarem uma Copa do Mundo pelo país, 40 
anos após ser registrado o maior fluxo migratório da Turquia para a 
Alemanha. 
 Folha de São Paulo, 
03/07/2010, p. D-28. Adaptação. 
Com relação à inserção de jogadores estrangeiros destacada no 
texto, conclui-se, adequadamente, que ela 
a) representa a flexibilização do mercado de trabalho na União 
Europeia. 
b) mostra a inexistência da xenofobia por parte da população 
nativa original. 
c) dificulta os fluxos migratórios para o país mais desenvolvido da 
Europa. 
d) expressa o caráter pluriétnico da sociedade alemã 
contemporânea. 
e) reflete a falta de programas sociais para a juventude alemã 
desportiva. 
 
Questão 07 (UFF) 
EM 5 ANOS, NOVA ORLEANS RENASCE BRANCA 
“A tragédia do furacão Katrina em Nova Orleans completa cinco 
anos neste mês com um legado que vai muito além das casas 
ainda destruídas da cidade: o equilíbrio de poder foi totalmente 
realinhado, a clivagem racial, aprofundada. A maioria negra, que 
sofreu retirada forçada durante a enchente ocorrida após o furacão, 
viu sua dominância sobre a política das últimas décadas ir se 
esvaindo até que praticamente todos os órgãos eletivos locais 
“embranqueceram”. (...) Moradores e estudiosos afirmam que a 
virada é resultado de um esforço deliberado. O primeiro plano de 
reconstrução da cidade previa fazer parques nos bairros negros 
devastados. Pra onde os antigos moradores voltariam? De 
referência, para lugar nenhum.” 
Folha de São Paulo, 08/08/2010, p. A24. 
 
Para além dos efeitos imediatos do furacão Katrina, a reportagem 
focaliza a dinâmica de “embranquecimento” de Nova Orleans, 
diretamente associada a processos de 
a) nomadismo urbano. 
b) densificação urbana. 
c) segregação espacial. 
d) exploração demográfica. 
e) migração sazonal. 
 
Questão 08 (UEG) 
Um dos grandes desafios do século XXI para tornar o mundo 
melhor é o de aprender a conviver com os outros, aceitar e 
respeitar os que são diferentes na cultura, na religião, nos 
costumes, na sexualidade etc. A intolerância, os preconceitos, as 
discriminações e o racismo, no entanto, vêm crescendo. 
Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar: 
a) o princípio de que todos os seres humanos são iguais, 
independentemente de sexo, cor da pele, orientação sexual, local 
de nascimento, valores culturais, existe de direito e de fato nas 
sociedades democráticas. 
b) o racismo consiste numa tendência a desvalorizar certos grupos 
étnicos, sociais ou culturais, atribuindo-lhes características 
inferiores e manifesta-se na segregação e rejeição de valores 
culturais. 
c) os neonazistas, os carecas, os arianos, entre outros, são grupos 
organizados que visam combater os preconceitos, sobretudo 
contra migrantes pobres. 
d) a xenofobia e a homofobia atingem em maior grau os indígenas, 
os negros e a mulher, considerados inferiores em determinadas 
sociedades. 
 
 
 
 
 
 100 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 09 (UERJ) 
Cada um, de cada lugar do mundo, tem de assinalar em seu 
endereço eletrônico o país onde mora e de onde fala (.br, .ar, .mx, 
etc.); aquele que fala a partir dos EUA não precisa apor .us ao seu 
endereço e, assim, é como se falasse de lugar-nenhum, tornando 
familiar que cada qual se veja, sempre, de um lugar determinado, 
enquanto haveria aqueles que falam como se fossem do mundo e 
não de nenhuma parte específica. 
 Adaptado de 
Carlos Walter Porto-Gonçalves 
In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 
2005. 
 
O texto acima contém uma reflexão acerca de um aspecto 
importante das redes mundiais de produção e circulação de 
conhecimento. Segundo o autor, essas redes são marcadas pelo 
conceito de: 
a) pluralismo 
b) autoritarismo 
c) nacionalismo 
d) etnocentrismo 
 
Questão 10 (UERJ) 
Cada um, de cada lugar do mundo, tem de assinalar em seu 
endereço eletrônico o país onde mora e de onde fala (.br, .ar, .mx 
etc.); aquele que fala a partir dos EUA não precisa apor .us ao seu 
endereço e, assim, é como se falasse de lugar nenhum, tornando 
familiar que cada qual se veja, sempre, de um lugar determinado, 
enquanto haveria aqueles que falam como se fossem do mundo e 
não de nenhuma parte específica. 
 Adaptado de Carlos Walter Porto-Gonçalves In: LANDER, Edgardo (org.). 
A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 2005. 
 
O texto acima contém uma reflexão acerca de um aspecto 
importantea 
a) crescente concentração fundiária e o incentivo à exploração madeireira na região Norte. 
b) desconcentração industrial e a busca de novas fronteiras agropecuárias. 
c) crise econômica da década de 1980 e o agravamento da seca no sertão nordestino. 
d) mecanização da agricultura e programas governamentais de assentamentos rurais. 
e) decadência industrial no Estado de São Paulo e abertura de novas estradas na Amazônia. 
 
Questão 02 
No último quartel do século XX, particularmente na década de 90, uma nova forma de organização 
empresarial tem agregado os centros de formação de pessoal de alto nível às unidades de produção e 
de serviços, empregando os mais modernos recursos de microeletrônica. Em tais centros estão se 
implantando atividades de alta tecnologia, como em Campinas e São José dos Campos, na região 
Sudeste do Brasil. 
Qual a denominação dada a esses centros? 
a) centros megalopolitanos 
b) centros-acrópoles 
c) regiões metropolitanas 
d) tecnopólos 
e) edifícios empresariais urbanos 
 
Questão 03 
"As indústrias localizadas em Cubatão são extremamente poluidoras. Em qualquer lugar em que 
estivesem instaladas, a poluição seria um sério problema. Entretanto, em Cubatão, é um desastre 
ambiental, devido aos fatores geográficos." 
(Adaptado de D.J. Hogan - "POPULAÇÃO, POBREZA E POLUIÇÃO EM CUBATÃO, São Paulo") 
 
Tendo em vista o texto anterior, responda: 
a) Que tipo de indústria foi instalado em Cubatão? 
b) Quais são os fatores geográficos responsáveis pelo agravamento da poluição nessa cidade, e como 
eles contribuem para esse agravamento? 
 
Questão 04 
Qual das alternativas a seguir apresenta o grupo de setores industriais com maior difusão espacial na 
seção Oeste representada no mapa adiante? 
 
a) Gráfico e de madeira. 
b) Mecânico e de ouro. 
c) Químico e de borracha. 
d) Alimentar e de vestuário. 
e) Têxtil e de transporte. 
Anotações 
 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 05 
A modernização do Brasil, resultante do crescimento da economia urbano-industrial, produz uma 
divisão territorial do trabalho que: 
a) torna a indústria dependente da agricultura. 
b) determina maior autonomia regional à Amazônia e ao Nordeste. 
c) diminui as desigualdades econômicas regionais. 
d) reduz o êxodo rural. 
e) subordina progressivamente o campo à cidade. 
 
Questão 06 
Identifique a alternativa que combina de forma adequada as regiões numeradas de 2 a 5 no mapa com 
as categorias a seguir: 
 
I - área tradicional com atividade agrária a industrial em decadência. 
II- periferia mais integrada ao centro industrial e financeiro. 
III- domínio da economia primária. 
IV- zona pioneira agrícola e mineral. 
a) I - 3, II - 2, III - 4, IV - 5. d) I - 2, II - 3, III - 5, IV - 4. 
b) I - 4, II - 2, III - 5, IV - 3. e) I - 3, II - 2, III - 5, IV - 4. 
c) I - 2, II - 3, III - 4, IV - 5. 
 
Questão 07 
Considere o mapa a seguir. 
 
Os algarismos I e II representados no mapa do Estado de São Paulo correspondem, respectivamente, 
aos eixos da industrialização que se expandiu para as regiões 
a) do Vale do Paraíba e Sorocaba (vias Dutra e Castelo Branco), onde predominam indústrias bélicas, 
têxteis e agroindústrias. 
b) de Sorocaba e Campinas-Ribeirão Preto (vias Castelo Branco e Anhangüera-Bandeirantes), com 
indústrias diversificadas e agroindústrias. 
c) do ABCD-Baixada Santista e Campinas (vias Anchieta-Imigrantes e Bandeirantes), com centros 
poliindustriais. 
d) do Vale do Paraíba e ABCD-Baixada Santista (vias Dutra e Imigrantes), com predomínio das 
montadoras de automóveis, autopeças, indústrias metalúrgicas e químicas. 
e) do ABCD-Baixada Santista e Sorocaba (vias Anchieta-Imigrantes e Castelo Branco), com destaque 
para as indústrias metalúrgicas, automobilísticas, siderúrgicas, de móveis e têxteis. 
 
Questão 08 
Sobre a zona franca de Manaus podemos afirmar corretamente que: 
a) seu parque industrial é dominado principalmente por modernas indústrias têxteis e alimentícias. 
b) seu projeto industrial tem como base a proteção tarifária e, em sua estrutura dominam os capitais 
internacionais. 
c) sua produção se destina basicamente a atender à demanda do mercado consumidor regional. 
d) mesmo caracterizando-se como um pólo industrial, a zona franca não chegou a promover um 
processo de expansão urbana. 
e) domina a utilização de matérias-primas regionais atendendo às necessidades do mercado 
consumidor. 
 
Anotações 
 
Aula 20 – A Concentração Industrial e a Descentralização Atual 
 
 
 
 
 
11 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Sobre a industrialização e urbanização no Brasil, julgue as 
afirmativas adiante: 
I. É pertinente afirmar que a urbanização brasileira não é 
decorrente da industrialização, uma vez que isso não gera 
emprego em número suficiente para o grande volume do êxodo 
rural que ela provoca. 
II. Pelo fato de a indústria brasileira ser do tipo tardia, ela se 
caracteriza por importar tecnologia e máquinas dos países centrais 
e por ser poupadora de mão-de-obra. 
III. A tecnologia importada pelo Brasil tem agravado o problema do 
desemprego, uma vez que o declínio das taxas de natalidade é 
menos acentuado do que nos países onde ela foi elaborada. 
Assinale: 
a) se for correta apenas a afirmativa I. 
b) se forem corretas apenas as afirmativas I e II. 
c) se forem corretas apenas as afirmativas I e III. 
d) se forem corretas apenas as afirmativas II e III. 
e) se forem corretas as afirmativas I, II e III. 
 
Questão 02 
"O desenvolvimento da rede de transporte é um fator fundamental 
para o crescimento industrial". 
Analisando a organização do espaço brasileiro, tendo em vista seu 
processo de industrialização, é correto afirmar, EXCETO: 
a) Em 1930 não existia integração econômica entre as diversas 
regiões. 
b) A industrialização procedeu-se, gerando uma maior 
concentração espacial. 
c) O Sudeste foi favorecido pela construção de vias de transporte 
e, conseqüentemente, pelo crescimento industrial. 
d) A construção da rede rodoviária favoreceu a reprodução interna 
do modelo de dominação e exploração. 
e) A Amazônia permanece numa posição periférica, contando 
apenas com a presença de indústrias nacionais tradicionais. 
 
Questão 03 
A indústria brasileira tem passado, nos últimos anos, por um 
processo de modernização que permitiu ao país elevar 
significativamente a produtividade média do trabalhador. 
A esse respeito, só NÃO podemos afirmar que a elevação da 
produtividade: 
a) baseia-se na introdução crescente e sistemática de novas 
técnicas de produção. 
b) baseia-se na queda constante dos salários pagos, uma vez que 
as máquinas substituem os trabalhadores qualificados. 
c) baseia-se na diminuição do tempo médio de produção e nos 
ganhos de qualidade nos produtos, processos e serviços. 
d) reforça o desemprego tecnológico, pois muitos trabalhadores 
perdem seus postos quando se incorporam novas tecnologias às 
linhas de produção. 
e) poderá reforçar as desigualdades de renda e oportunidades nos 
centros urbanos, uma vez que serão necessários trabalhadores 
cada vez mais qualificados e em menor número. 
 
Questão 04 
Ao contrário do que presenciamos, no momento nos anos 40 o 
Estado brasileiro teve importante papel no processo de 
industrialização. A sua principal intervenção foi na indústria... 
a) automotiva. d) alimentícia. 
b) de bens de consumo. e) de base 
c) têxtil. 
 
Questão 05 
Após a Segunda Guerra Mundial a industrialização do Brasil 
ganhou mais impulso. Vários fatores contribuíram para a sua 
concentração em São Paulo e vizinhanças, tais como: 
I - o desenvolvimento da lavoura cafeeira. 
II - a presença da mão-de-obra do imigrante. 
III - a existência de um bom mercado consumidor. 
IV - a expansão da exploração mineral. 
Assinale: 
a) se somente III e IV estiverem corretas. 
b) se somente II, III e IV estiverem corretas.c) se I, II, III e IV estiverem corretas. 
d) se I, II, III e IV estiverem incorretas. 
e) se somente I, II e III estiverem corretas. 
 
Questão 06 
Considerando a estrutura industrial brasileira no que se refere à 
origem do capital, é correto afirmar que: 
a) desde a origem da industrialização brasileira, a indústria de 
capital privado nacional sempre foi, numericamente, superior às 
demais 
b) na atualidade, as indústrias de capital privado nacional são um 
setor forte e predominante no sistema econômico 
c) somente após 1964, as empresas estatais passaram a uma fase 
de enfraquecimento 
d) as multinacionais, com sede no exterior, começaram a penetrar 
mais intensamente no Brasil após a 2ª Guerra Mundial 
 
Questão 07 
Considere a tabela e as afirmações apresentadas a seguir. 
 
Fontes: Anfavea e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (São Paulo) 
 
I. O aumento da produção de automóveis está associado à 
crescente exportação para os países do Oriente Médio e Sudeste 
da Ásia. 
II. A redução do número de trabalhadores na indústria 
automobilística deve-se à robotização de algumas atividades. 
III. O fechamento de unidades produtivas em estados do Sudeste 
influenciou a redução da mão-de-obra empregada na indústria 
automobilística. 
IV. A relação de automóveis/número de empregos indica que 
houve aumento da produtividade por trabalhador. 
A leitura da tabela e seus conhecimentos sobre o processo de 
industrialização brasileiro permitem afirmar que estão corretas 
SOMENTE 
a) I e II d) II e IV 
b) I e III e) III e IV 
c) II e III 
 
 
 
 
 12 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 08 
A tendência à desindustrialização dos grandes centros urbanos 
tem traçado novos rumos para o desenvolvimento regional. 
Indústrias tradicionais do Sul e Sudeste se transferem para o 
Nordeste buscando compensações. 
Assinale a opção que representa um fator de atração para as 
indústrias do Sul e do Sudeste. 
a) Mão-de-obra especializada. 
b) Maiores benefícios fiscais por parte dos governos estaduais 
nordestinos. 
c) Proximidades dos maiores centros consumidores do país. 
d) Existência de pólos industriais com infra-estrutura econômica e 
tecnologia. 
e) Concentração de empresas fornecedoras de matérias-primas, 
equipamentos e peças. 
 
Questão 09 
A região de Campinas tem apresentado um intenso crescimento 
industrial que se destaca no contexto nacional pelo: 
a) desenvolvimento da indústria de ponta, estimulado pelos 
tecnopólos criados a partir de uma integração entre comunidade 
acadêmica e empresariado. 
b) desenvolvimento da agroindústria açucareira decorrente da 
grande produção local dos canaviais. 
c) desenvolvimento de indústrias tradicionais que utilizam muita 
mão-de-obra e predominantemente associadas ao beneficiamento 
de matéria-prima local. 
d) grande domínio de capitais nacionais, sendo uma das poucas 
áreas do país onde as empresas transnacionais não atuam. 
e) predomínio da indústria de calçados, responsável pela maior 
parte da oferta de empregos na região. 
 
Questão 10 
Recentemente tem-se dado grande destaque à instalação de 
várias indústrias no Nordeste brasileiro, muitas das quais de capital 
estrangeiro: indústrias de bens de consumo (vestuário e calçados) 
no Ceará, montadoras de veículos na Bahia, indústrias variadas 
que criam algumas centenas de empregos diretos e possibilitam 
muitos outros empregos indiretos. 
Essa preferência do capital externo pelo Nordeste brasileiro deve-
se, entre outros motivos, 
a) ao fim das políticas de incentivos fiscais instituídas na época da 
SUDENE e à densa rede rodo-ferroviária da Região. 
b) à redução das diferenças regionais, graças ao processo de 
democratização do Estado e à existência de sindicatos de 
trabalhadores fortes e atuantes. 
c) à existência de mecanismo de atração, como isenção de 
impostos, subsídios e incentivos fiscais, e à presença de mão-de-
obra abundante e pouco organizada do ponto de vista sindical. 
d) ao atual momento econômico, que tem possibilitado a volta 
maciça dos migrantes nordestinos, com novos hábitos de 
consumo, e à presença de ambulantes matérias-primas. 
e) ao novo papel do Estado, cada vez mais distanciado do 
mercado, e à melhoria generalizada da qualidade da mão-de-obra 
nordestina. 
 
Questão 11 
A produção de aço, no Brasil, aumentou rapidamente após a 
Segunda Guerra Mundial e, em 1995, atingiu, aproximadamente, 
25 milhões de toneladas. A estratégia de implementação do setor 
siderúrgico baseou-se na construção de grandes usinas 
espacialmente concentradas na Região Sudeste. 
A alternativa que explica essa concentração do setor siderúrgico é: 
a) A articulação entre a proximidade das matérias primas, os 
centros de consumo e os terminais de exportação. 
b) A integração entre as áreas produtoras de carvão, as fontes de 
energia e os corredores de exportação. 
c) A ligação entre a mão-de-obra qualificada, os centros de 
pesquisa e a transferência de tecnologia. 
d) A união entre a proximidade dos portos, a absorção de mão-de-
obra e o acesso aos terminais rodo-ferroviários. 
e) A relação entre a distância das áreas fornecedoras de matérias 
primas, os custos de transportes e o acesso aos mercados 
consumidores. 
 
Questão 12 (Uel) 
 
 
As hachuras, no mapa, representam áreas de 
a) baixa densidade demográfica. 
b) degradação das florestas tropicais. 
c) alto índice pluviométrico. 
d) influência das regiões metropolitanas. 
e) concentração industrial. 
 
Questão 13 
"Fábio de Souza, 19, teve mais sorte que seu pai. Na década de 
80, Antônio de Souza se cansou da vida dura de pequeno 
agricultor em Sobral, no Ceará, e migrou para São Paulo. 
Analfabeto, Antônio não prosperou e teve de voltar para o Ceará. 
Seu filho não vai precisar se esforçar tanto para buscar emprego 
numa fábrica. A indústria está chegando ao sertão." 
("Folha de S. Paulo" 19/09/99.) 
 
As histórias de Antônio e Fábio de Souza mostram duas fases da 
organização da atividade industrial no território brasileiro. São elas, 
respectivamente, a: 
a) centralização industrial na região sudeste e a dispersão da 
atividade industrial para regiões de custos mais baixos. 
b) descentralização do parque industrial sulista e o aumento da 
industrialização nordestina. 
c) concentração industrial em São Paulo e a transferência da 
indústria de alta tecnologia para o nordeste. 
d) concentração da indústria de base no sudeste e a dispersão da 
indústria da construção civil. 
e) dispersão da atividade industrial, durante o milagre brasileiro, e 
a centralização de unidades produtivas no período Collor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
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VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA: DAS 
SESMARIAS A LEI DE TERRAS (ATÉ 1930) 
INTRODUÇÃO 
O Brasil está entre os países mais desiguais do mundo. Os 
reflexos desses problemas sociais contribuíram para que Edmar 
Bacha (1975) denominasse o Brasil como Belíndia, ou seja, uma 
apologia entre a pequena e rica Bélgica com a pobreza e 
imensidão da Índia. Em geral, por todo o território brasileiro é 
possível identificar grandes disparidades sociais, dentre elas na 
distribuição de renda e de terras, nos índices educacionais, de 
saúde, entre muitos outros. No entanto, muitas dessas 
disparidades constatadas no país não são conjunturais, mas 
decorrentes de um encadeamento de ações que vem ocorrendo 
desde o surgimento do Brasil. No que se refere à questão fundiária, 
foco desse trabalho, nota-se uma distribuição da posse da terra 
altamente concentradora desde a formação da propriedade. 
O HISTÓRICO FUNDIÁRIO 
As raízes dos problemas fundiários no Brasil são reflexos da 
construção histórica da formação da propriedade. Essa 
herança provem da própria dinâmica de funcionamento da 
colônia e das leis vigentes nesse período, as quais 
introduziramas disparidades na distribuição de terras e, 
posteriormente, na concepção mercadológica da terra (FURTADO, 
1989). Assim, para analisar a concentração de terras, a 
produção e até mesmo a produtividade agrícola nos dias 
atuais, é preciso levar em consideração a perspectiva histórica 
da questão agrária no Brasil. Segundo Asselin (1991), quando os 
portugueses chegaram em terras brasileiras, o país perdeu sua 
autonomia e iniciou-se o processo de grilagem. A partir de 
1500 as terras brasileiras passaram ao domínio público do 
Reino de Portugal de modo que, quando começa a 
colonização portuguesa no Brasil com a constituição das 
capitanias hereditárias e concessões de Sesmarias, inicia-se o 
processo de formação da propriedade privada no Brasil. Aliado a 
política adotada de transferência de propriedade do domínio 
público para o privado, o período Sesmarial (1530 a 1850) 
caracterizou-se pela concessão de grandes extensões de terras 
aos pleiteadores de propriedades no novo território de 
colonização português (SILVA, 1997). 
A partir da concepção acima se pode afirmar que, sob domínio 
português, todo o território brasileiro foi, por ora, originalmente 
público por direitos de conquista. Depois, as terras passaram ao 
domínio do império e da República. A transferência de terras 
públicas à iniciativa privada se deu através de 
concessões de Sesmarias, comercialização, trocas e 
legitimação de posses no decorrer da história. Através dessa 
perspectiva, segue a regra de que toda propriedade particular sem 
título legal é pública ou devoluta. 
O início da formação das propriedades no Brasil começa ocorrer de 
fato a partir de 1530, quando é instituída a colonização de 
exploração baseada na monocultura de cana-de-açúcar, 
denominada plantation. Esse modo-de-produção era uma 
combinação entre monocultivos, latifúndios (grandes extensões 
de terras) e mercado exportador (MORISSAWA, 2001). 
Como afirma Silva (1997), quando se concedia uma capitania a um 
determinado donatário, ele possuía o direito sobre a posse da 
terra, porém não era lhe concedido à emissão de propriedade, 
que se mantinha sobre o domínio da Coroa portuguesa. Além 
disso, os donatários poderiam conceder Sesmarias a 
benfeitores, que passavam a desfrutar de direitos exploratórios 
e produtivos nas terras recebidas. O intuito da metrópole era, 
através dessas concessões, ocupar o território e explorá-lo 
com fins econômicos, garantindo-se o cultivo sobre pena de 
perda do domínio das terras por desobrigação das condições 
legais impostas pela Coroa. Por essa razão, o processo de 
concessões de terras era amplamente privilegiado. 
O período sesmarial estendeu-se até o início do século XIX, 
quando em julho de 1822, extingue-se o regime sesmarial 
até que fosse regulamentada uma lei de legitimação de 
terras no Brasil. Logo, a partir dessa data inicia-se um novo 
período na história da formação de propriedade no Brasil que se 
estende até 1850, quando surge a chamada Lei de Terras. Esses 
quase trinta anos entre a derrubada do regime sesmarial e a 
instituição de uma nova Lei ficaram conhecidos como “Império 
de posses” ou “fase áurea do posseiro”, pois não havendo 
nenhum tipo de normatização e regulamentação de terras, a 
posse tornou-se a única forma de aquisição de terras. Nesse 
período aumenta-se paulatinamente o número de posseiros, de 
grandes propriedades e também marca a formação das 
oligarquias rurais no Brasil. Por outro lado, essas posses não 
poderiam, conforme o cumprimento da norma vigente, serem 
legalizadas (SILVA, 1997). 
Após esse vácuo legislativo e a fim de buscar novas soluções para 
os problemas fundiários do Império brasileiro, promulga-se então, 
em 18 de setembro de 1850, a Lei n° 601 Euzébio de Queiroz, 
também conhecida como Lei de Terras. A Lei 601, antes de tudo, 
previa a delimitação da propriedade no Brasil e a forma de 
concessão de novas propriedades a partir dessa data. Por um 
lado, a lei previa a legitimação das sesmarias concedidas que 
não haviam caído em comisso, a legitimação de outras posses 
(ocorridas essencialmente no período compreendido entre 1822 e 
1850) e a demarcação das terras devolutas. Por outro lado, foi 
uma forma de se estimular a entrada de imigrantes no Brasil, 
já que previa o fim do trabalho escravo, sendo necessária a 
transição para o trabalho livre. Logo, essa transição seria 
financiada pela venda de terras devolutas da Coroa. Embora 
as medidas não tivessem uma correlação intimamente 
dependente, houve então, uma vinculação entre a questão da 
regulamentação da propriedade privada e a imigração. O que se 
pode concluir diante da Lei de Terras é que essa foi uma espécie 
de divisor de águas em relação à territorialização do Brasil, 
tanto na legitimação da propriedade privada e do latifúndio 
como na demarcação de terras devolutas no país. 
Desse modo, toda e qualquer propriedade no Brasil deve ter 
como marco inicial a regulamentação da propriedade expedida 
em 1850 ou comprada da Coroa portuguesa, caso contrário é 
terra devoluta, ou seja, passível de dessa propriação. (SILVA, 
1996). 
No período subsequente entre a proclamação da República, 
em 1889 até 1964(estatuto da terra), o problema da legitimação 
de posses foi posto em plano secundário. Inclusive, em 1891, é 
instituída uma lei que aprovava a emissão de propriedade por 
parte dos estados e não mais como função da União. Isso 
demonstra não só o desinteresse sobre o caso, como também a 
omissão da Federação em relação à estrutura fundiária da 
nação. Ainda que, do ponto de vista legal, esse período não 
 
 
 
 
 14 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
seja significativo para análise sobre a formação da propriedade, 
vale ressaltar os anseios de setores das camadas populares em se 
procurar formas de desconcentração de terras e a tentativa de 
João Goulart, em 1964, de se realizar as reformas de base. Uma 
delas seria a reforma agrária como saída à concentração de 
terras e ao desemprego exacerbado, contudo, meses depois, 
Jango seria deposto pelo Golpe Militar. Assim, inicia-se o 
período de ditadura militar que se segue até 1984 (SILVA, 1997; 
MORISSAWA, 2001). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930) 
 
 
 
 
 
15 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA 
 
(Adaptado de SILVA, J. G. "A Nova dinâmica da agricultura brasileira". Rio de Janeiro: Campus, 1996.) 
 
Nos momentos II e III, registra-se parte do processo de modernização da agricultura brasileira. 
Exemplifique duas conseqüências desse processo nos referidos momentos. 
Duas dentre as conseqüências: 
- alterações na organização da produção 
- intensificação das relações assalariadas de trabalho 
- aumento da concentração empresarial da produção 
- aumento da dependência do setor agrícola em relação ao setor industrial 
 
Questão 02 
-"Os próprios gaúchos e sulinos, pouco mais tarde, refariam o caminho em sentido inverso, entrando 
pelo miolo do País, avançando para o ___(I) ___ e para o ___(II)___, e espalhando progresso e 
riqueza até a beirada da floresta e, até mesmo, lá, do lado de cima, nos confins de Roraima. De certo 
modo, pode-se dizer que essa ida-e-vinda, esse continental vaivém, resume a história do Brasil no 
século, a história do nosso tempode vida". 
 Fonte: "O Estado de S. Paulo", 8/10/2000. 
 
Indique a alternativa que preenche corretamente as lacunas no texto e o tema analisado. 
 
 
Questão 03 
No Brasil, a divisão territorial do trabalho, fruto do crescimento da economia industrial, foi responsável, 
entre outras coisas, pelo(a) 
a) dependência gradativa do campo em relação à cidade. 
b) restrição das desigualdades regionais. 
c) crescimento da exportação de bens de consumo. 
d) elevação da taxa de crescimento vegetativo. 
 
Questão 04 
Considere os gráficos a seguir sobre a estrutura fundiária do Brasil. 
 
LEGENDA: 
1 - Menos de 10 ha 
2 - De 10 a menos de 100 ha 
Anotações 
 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
3 - De 100 a menos de 1.000 ha 
4 - Mais de 1.000 ha 
(Adas, Melhem, 1998.) 
 
A partir da análise dos gráficos e de seus conhecimentos sobre o assunto, é possível afirmar que 
ocorreu 
a) um processo de fragmentação das propriedades com mais de 1.000 ha, entre 1970 e 1980, 
diminuindo a concentração fundiária no Brasil. 
b) uma diminuição do número de imóveis entre 100 e menos de 1.000 ha, mas com aumento da área 
ocupada, caracterizando uma fragmentação dessas propriedades. 
c) um processo de concentração fundiária entre 1970 e 1992, em especial com o aumento da área 
ocupada pelos estabelecimentos com mais de 1.000 ha. 
d) uma redução significativa das propriedades entre 10 ha e menos de 100 ha e um aumento daquelas 
com menos de 10 ha, como resultado dos assentamentos rurais. 
e) um processo de modernização da agricultura brasileira, caracterizado pelo aumento do tamanho 
das propriedades com mais de 1.000 ha, responsáveis pela maior parte da produção agrícola para 
consumo alimentar no País. 
 
Questão 05 
 
 
Assinale a alternativa que completa corretamente a legenda do mapa. 
a) I - Paisagem natural pouco modificada; 
 II - Região de alta densidade demográfica; 
 III - Área de agropecuária mais desenvolvida. 
 
b) I - Região de economia agroindustrial; 
 II - Região menos urbanizada; 
 III - Paisagem natural pouco modificada. 
 
c) I - Região de baixa densidade demográfica; 
 II - Paisagem natural pouco modificada; 
 III - Área de agropecuária menos desenvolvida. 
 
d) I - Área de agropecuária pouco modernizada; 
 II - Região de economia agroindustrial; 
 III - Região menos urbanizada. 
 
e) I – Paisagem natural pouco modificada 
 II - Área de agropecuária pouco modernizada 
 III - Área de agropecuária mais modernizada; 
 
Questão 06 
Ações voltadas exclusivamente para o desenvolvimento agrícola lograram invejável modernização da 
base tecnoprodutiva no Centro-Sul do país, mas sem um desenvolvimento rural correspondente. 
Dimensões tecnológicas e econômicas do processo foram privilegiadas. A organização sindical dos 
trabalhadores sem terra e a dos pequenos produtores - para citar apenas dois casos - foi relegada. O 
resultado sinaliza um antagonismo entre o econômico, o social e o ambiental. 
Fonte: Revista "Globo Rural", junho de 2001. Tendências: O poder local na globalização. 
 
O texto trata das transformações no campo brasileiro, principalmente a partir da década de 1970. As 
afirmações do texto exemplificam: 
Anotações 
 
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930) 
 
 
 
 
 
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a) A formação de uma "indústria da seca" no sertão nordestino, baseada na incorporação de 
tecnologias modernas pelos agricultores sertanejos, que viabilizam a produção agrícola em áreas de 
clima semi-árido. 
b) A expansão da mecanização da produção agrícola, paralela ao crescimento e pauperização da 
categoria dos trabalhadores rurais temporários, como os bóias-frias na cultura da cana-de-açúcar. 
c) A criação de reservas ecológicas nos Estados do Acre e Amazonas, destinadas à preservação de 
árvores nativas, com a conseqüente proibição das atividades tradicionais de extração por populações 
de seringueiros e castanheiros. 
d) O aumento da mão-de-obra na atividade agrícola, como conseqüência da expansão de modernas 
empresas rurais de caráter familiar, como no caso da produção integrada de porcos e aves no interior 
paulista. 
e) O baixo nível de tecnologia ainda presente nas culturas de exportação, como a soja, e o modelo de 
expansão das áreas de pecuária intensiva para o interior do país, baseado em pequenas unidades de 
criação familiar. 
 
Questão 07 
A área assinalada no mapa pode ser definida como: 
 
a) pouquíssimo povoada, com reduzida ocupação produtiva do solo. 
b) pouco povoada, com economia mais ou menos estagnada. 
c) de agropecuária tradicional, mas com algumas grandes cidades. 
d) de acentuada industrialização e urbanização. 
e) de agropecuária moderna, com cidades de porte médio e agroindústrias. 
 
Questão 08 
Só produzir alimentos não é o bastante para acabar com a fome. O importante - sobretudo nos países 
e nas regiões onde a população rural é grande e tem taxas de crescimento demográfico elevadas - é 
que se consiga uma integração orgânica entre o combate à fome e a produção de alimentos por parte 
dos pobres que vivem no campo. 
(Abramovay, R. "Folha de S. Paulo" 18/06/95.) 
 
O texto pode ser utilizado como argumento a favor: 
a) do desenvolvimento industrial. 
b) do controle da natalidade. 
c) da reforma agrária. 
d) da distribuição de cestas básicas. 
e) da exportação de produtos agrícolas. 
 
 
Anotações 
 
 
 
 
 
 18 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
"(...) Grandes, médios, pequenos e microprodutores capitalizados, 
organizados em cooperativas das mais diversas categorias (...) 
compõem as classes produtoras incorporadas à agricultura 
moderna. Aí se enquadram como setores produtivos os 
hortifrutigranjeiros, a floricultura, os cultivos raros intensivos em 
capital e tecnologia de ponta que caracterizam os cinturões verdes 
das grandes cidades. Aí se enquadram igualmente diversas 
modalidades de agricultura biológica ou agricultura natural, em 
relação às quais multiplicam-se investigações científicas e 
experimentos de campo que estimulam sua expansão, como setor 
altamente inovador da agricultura moderna. (...)" 
Maria do Carmo Corrêa Galvão, "O Ensino de Geografia frente às transformações 
globais", 1996. 
 
O texto apresenta a face do campo brasileiro, das atividades 
modernas e qualificadas, que convive com arcaicas estruturas 
produtivas. Em relação à atual situação do campo brasileiro, é 
correto afirmar que: 
a) o modelo agrário-exportador de base colonial foi substituído por 
um modelo de alta tecnologia voltado para o mercado interno. 
b) a agricultura moderna reflete a mudança do padrão alimentar da 
população, aumentando a produção de grãos, como o feijão e o 
milho, e de raízes e tubérculos como a mandioca e a batata. 
c) o espaço agrícola sofreu transformações com a aplicação de 
novas técnicas e o aumento da produtividade que viabilizaram a 
formação do complexo agroindustrial. 
d) o complexo agroindustrial, o padrão mais moderno de 
agricultura no país, vem perdendo importância com o surgimento 
dos produtos alimentares transgênicos. 
e) os espaços agrícolas modernos concentram-se nas fronteiras 
agrícolas do Centro-Oeste, enquanto as formas tradicionais de 
produção agropecuária localizam-se no Centro-Sul. 
 
Questão 02 
 
 
A foto revela alguns aspectos do Movimento dos Sem-Terra no 
Brasil. Esse Movimento consiste numa organização 
a) com base social camponesa, com dimensão nacional, que se 
utiliza das ocupações, sobretudo de latifúndios, como arma de luta 
para pressionar o poder público a realizar reformas na estrutura 
agrária do país. 
b) constituída de bóias-frias, cujo objetivo central são ocupações 
de terras produtivas localizadas

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