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SUMÁRIO
VOLUME 2
GEOGRAFIA I
Aula 19 – A POLÍTICA SUBSTITUTIVA E A INDUSTRIALIZAÇÃO PÓS-1930 ............................................................ 1
Aula 20 – A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL E A DESCENTRALIZAÇÃO ATUAL ..................................................... 7
Aula 21 – A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA DAS SESMARIAS A LEI DE TERRAS (ATÉ 1930) ................ 13
Aula 22 – A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA PÓS-1930 E OS MOVIMENTOS SOCIAIS ............................ 22
Aula 23 – A AGROPECUÁRIA I A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ ........................................................................... 30
Aula 24 – A AGROPECUÁRIA II- A SOJA, A LARANJA E O ALGODÃO ................................................................... 37
Aula 25 – PECUARIA ................................................................................................................................................... 45
Aula 26 – RECURSOS MINERAIS .............................................................................................................................. 52
Aula 27 – FONTES DE ENERGIA I ............................................................................................................................. 61
Aula 28 – FONTES DE ENERGIA II ............................................................................................................................ 73
Aula 29 – SISTEMA DE TRANSPORTES ................................................................................................................... 83
Aula 30 – FORMAÇÃO ÉTNICA - OS ÍNDIOS ONTEM E HOJE ................................................................................ 91
Aula 31 – IMIGRAÇÃO BRASILEIRA ........................................................................................................................ 101
Aula 32 – MIGRAÇÕES INTERNAS .......................................................................................................................... 112
Aula 33 – O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO BRASILEIRO E A ESTRUTURA DEMOGRÁFICA E O TRABALHO .... 120
Aula 34 – HIERARQUIA URBANA URBANIZAÇÃO DO BRASIL ............................................................................. 130
Aula 35 – O MEIO AMBIENTE E AS CONFERENCIAS AMBIENTAIS ..................................................................... 141
Aula 36 – OS PROBLEMAS ATMOSFÉRICOS E A QUESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL ...................................... 153
GEOGRAFIA II
Aula 21 – O PLANERA TERRA - ORIGENS E MOVIMENTOS ................................................................................ 165
Aula 22 – ESTRUTURA INTERNA DA TERRA ......................................................................................................... 180
Aula 23 – ROCHAS E MINERAIS .............................................................................................................................. 191
Aula 24 – DEPÓSITOS FÓSSEIS E ENERGIA I ....................................................................................................... 201
Aula 25 – CLIMA I ...................................................................................................................................................... 213
Aula 26 – CLIMA II ..................................................................................................................................................... 222
Aula 27 – CLIMA E VEGETAÇÃO - QUESTÕES AMBIENTAIS ............................................................................... 236
Aula 28 – ECOSSISTEMAS I ..................................................................................................................................... 255
Aula 29 – RELEVO E AGENTES I ............................................................................................................................. 271
Aula 30 – RELEVO E AGENTES II ............................................................................................................................ 279
Aula 31 – PEDOGÊNESE - MODELADO ANTRÓPICO ........................................................................................... 292
Aula 32 – RELEVO BRASILEIRO I ............................................................................................................................ 305
Aula 33 – HIDROGRAFIA I ........................................................................................................................................ 322
Aula 34 – HIDROGRAFIA II ....................................................................................................................................... 334
Aula 35 – HIDROGRAFIA III ...................................................................................................................................... 343
Aula 36 – HIDROGRAFIA IV ...................................................................................................................................... 353
Aula 37 – HIDROGRAFIA V ....................................................................................................................................... 362
Aula 38 – HIDROGRAFIA VI ...................................................................................................................................... 371
Respostas e Comentários Exercícios de Fixação ...................................................................................................... 379
Geografia I
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
A POLÍTICA SUBSTITUTIVA E A
INDUSTRIALIZAÇÃO PÓS - 1930
Num primeiro momento, a depressão econômica teve efeito
devastador no Brasil. O país tinha sua base econômica construída
a partir da exportação de gêneros agrícolas. Com a crise, grande
parte do volumoso estoque de café produzido no Brasil ficou sem
mercado consumidor. O Brasil não conseguiu conter o desastre
econômico que abalou a classe cafeicultora, e por consequência
abalou as próprias estruturas políticas da República Velha, abrindo
caminho para a Revolução de 1930, que levaria Getúlio Vargas ao
poder. Vargas toma o poder por meio de um golpe de Estado
contra o domínio da oligarquia agrária que comandara o país na
primeira fase da República (1889-1930).
Até 1920, o contexto econômico do país não estimulava
significativamente o desenvolvimento industrial, mas a crise
introduziu mudanças nesse quadro. O violento corte nas
importações de bens de consumo criou uma conjuntura favorável
ao investimento, por parte do empresariado, na indústria nacional.
As indústrias brasileiras passaram a ocupar então boa parte do
mercado, que antes era praticamente abastecido só por produtos
importados. Foi a partir daí (dos anos 1930-1940) que a indústria
transformou-se num setor importante da economia, alcançando
taxas de crescimento superiores às do setor agrário. Por essa
razão, afirma-se que o primeiro momento da industrialização
brasileira baseou-se na substituição de importações. Além disso,
o Estado passou a estimular os empresários industriais, que, em
1931, já haviam se organizado em São Paulo, com a criação da
FIESP. Logo no primeiro ano do Governo Vargas a economia
diversificou-se tanto no setor industrial como no setor agrário. Ao
lado das indústrias têxtil, alimentícia e de confecção, apareceram
outros setores, como os de cimento, aço, materiais de transportes
e extração mineral.
A primeira metade da década de 1940, ainda no governo Vargas,
foi decisiva para a criação de uma infraestrutura industrial, com a
fundação da Companhia Siderúrgica Nacional, da Companhia Vale
do Rio Doce, da Companhia Nacional de Álcalis, da Fábrica
Nacional de Motores e outras. No segundo governo de Vargas
(1951-1954) foi criada a Petrobrás (1953). Todas as empresas
tinham participação majoritária do capital estatal.
Propaganda do sedanna periferia das grandes cidades
do Sudeste do país.
c) formada por trabalhadores desempregados do campo e da
cidade, que por serem militantes do Partido dos Trabalhadores
defendem uma reforma agrária nos latifúndios improdutivos na
Região Sul do país.
d) revolucionária, uma vez que lutam pela socialização dos meios
de produção e por um governo baseado na ditadura do
proletariado.
e) composta por trabalhadores rurais, que defendem uma reforma
agrária em todo o país nos mesmos moldes da defendida pela
União Democrática Ruralista.
Questão 03
As opções a seguir descrevem corretamente características de
elementos presentes na estrutura agrária brasileira, EXCETO:
a) AGRICULTURA ITINERANTE ' feita em pequenas
propriedades, descapitalizada, baixa fertilidade do solo, baixa
produtividade, com uso de queimadas e ocupação de novas áreas.
b) AGRICULTURA INTENSIVA ' modernas técnicas de preparo do
solo, de cultivo e de colheita, elevados índices de produtividade e
bom grau de capitalização.
c) PLANTATIONS ' pequenas e médias propriedades policultoras,
cuja produção alimentar é destinada ao abastecimento dos centros
urbanos mais próximos.
d) POSSEIROS ' invasores de terras improdutivas, que atualmente
estão organizados no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST).
Questão 04
São situações marcantes na transformação dos espaços agrários
brasileiros, EXCETO:
a) a preocupação constante em garantir a sustentabilidade dos
solos, preparando-os para as gerações futuras.
b) a modernização na forma de máquinas e insumos, aumentando
a produtividade dos espaços.
c) o aparecimento, no campo, de diversas atividades econômicas
não rurais.
d) a expressiva liberação de mão-de-obra, apesar do aumento de
produção agrícola.
Questão 05
Responder à questão com base nas afirmativas.
A realidade rural brasileira apresenta acentuadas contradições,
como, por exemplo:
I. A expansão das fronteiras agrícolas através do capitalismo
investidor, pelo qual grandes grupos industriais tornam-se
proprietários rurais.
II. Grandes áreas agrícolas reduzidas a monoculturas
exportadoras, como no interior de São Paulo, onde os extensos
laranjais fornecem matéria-prima para sucos destinados à
exportação.
III. A substituição do sistema de colonato pelo trabalho temporário
de bóias-frias.
IV. O aumento de subsídios governamentais para o pequeno
produtor, objetivando o abastecimento interno e a conseqüente
baixa dos preços ao consumidor.
Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas as da
alternativa
a) I e II
b) I, II e III
c) I e III
d) II e IV
e) III e IV
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930)
19 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Questão 06
Observe o gráfico para responder à questão.
A leitura do gráfico permite afirmar que
a) o Brasil depende cada vez menos do setor agropecuário.
b) nesta década aumentou a participação dos estados nordestinos
na produção agropecuária.
c) a produção agropecuária brasileira está muito concentrada.
d) tem aumentado o valor da produção agropecuária graças às
crescentes exportações.
e) as maiores produções agropecuárias situam-se em estados
interioranos.
Questão 07
Considerando a estrutura fundiária brasileira e de acordo com a
tabela a seguir, assinale a alternativa correta.
Fonte: INCRA, 1996. Extraído de ADAS, M. e ADAS, S. "Panorama geográfico do
Brasil". São Paulo: Moderna, 1999. p. 404.
a) O percentual de estabelecimentos com área inferior a 100
hectares indica uma fraca concentração fundiária.
b) Os estabelecimentos superiores a 1.000 hectares representam
um percentual elevado da área total dos estabelecimentos,
igualando-se às propriedades de até 100 hectares.
c) A tabela expressa o que se entende por modernização
conservadora da agricultura brasileira, caracterizada pelos
latifúndios e pela concentração da propriedade rural.
d) Na média, a distribuição de terras no Brasil, tanto em número de
estabelecimentos quanto em área ocupada está em situação de
equilíbrio, isto é, há uma correta divisão de terra entre os
brasileiros.
e) O número de estabelecimentos com mais de 1.000 hectares
representa apenas 1,4% do total, o que indica uma fraca
concentração fundiária.
Questão 08
TEXTO I
"No contexto maior da economia colonial, a produção para o
mercado interno - gado e alimentos - apresentava um forte caráter
de subordinação face à grande produção de exportação. (...)
Enquanto os compradores compareciam a um mercado de preços
tabelados, os produtores de alimentos são obrigados a comprar os
gêneros de que necessitam - escravos, ferros, tachos, armas - em
um mercado livre, quase sempre com preços estabelecidos na
base do exclusivo colonial, sem qualquer concorrência."
(SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. In: LINHARES, M. Yedda (org.). "História
geral do Brasil". Rio de Janeiro: Campus, 2000.)
TEXTO II
"A luta pelos alimentos como direito e pela comida sadia é das
menos obscurantistas que pode haver, reflete o direito à vida e à
escolha do que comer e ser informado sobre o que está comendo.
É uma luta dos direitos do consumidor contra a lógica voraz dos
grandes consórcios alimentícios, dentre os quais se destaca o
Monsanto - que ocupa vários cargos no governo Bush, tal sua
força e voracidade."
(SADER, Emir. In: "Época", março de 2001.)
O primeiro texto procura contextualizar a produção para o
abastecimento interno no Brasil Colônia, enquanto o segundo
refere-se à invasão de uma propriedade do Monsanto, produtor
internacional de alimentos, por ambientalistas e pelo MST, durante
o Fórum Social Mundial contra a globalização, realizado em Porto
Alegre.
A alternativa que aproxima os dois textos por apontar uma
semelhança entre o processo brasileiro de produção de alimentos,
no passado e no presente, é:
a) A produção agrícola se mantém subordinada a interesses
externos.
b) O Estado deixa para agricultores de subsistência a tarefa da
produção alimentar.
c) As políticas públicas para o setor agrário provocam preços altos
dos produtos exportados.
d) As ações do Estado priorizam a produção alimentícia através de
consórcios internacionais.
Questão 09
"Aprendemos que somos 'um dom de Deus e da Natureza' porque
nossa terra desconhece catástrofes naturais (...) e que aqui, 'em se
plantando, tudo dá'.
(...) Aprendemos também que nossa história foi escrita sem
derramamento de sangue, (...) que a grandeza do território foi um
feito de bravura heróica do Bandeirante, da nobreza de caráter
moral do Pacificador, Caxias, e da agudeza fina do Barão do Rio
Branco; e que, forçados pelos inimigos a entrar em guerras, jamais
passamos por derrotas militares. (...) Não tememos a guerra, mas
desejamos a paz. (...) somos um povo bom, pacífico e ordeiro,
convencidos de que 'não existe pecado abaixo do Equador'. (...)
Em suma, essa representação permite que uma sociedade que
tolera a existência de milhões de crianças sem infância e que,
desde seu surgimento, pratica o "apartheid" social possa ter de si
mesma a imagem positiva de sua unidade fraterna."
(Adaptado de CHAUÍ, Marilena. "Brasil-mito fundador e sociedade autoritária". São
Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000.)
"aqui, em se plantando, tudo dá"
A construção do mito de satisfação das necessidades alimentares,
evidenciada neste fragmento do texto, contradiz a seguinte
afirmativa:
a) As terras férteis resultam da ação de agrotóxicos.
b) Os melhores solos destinam-se aos cultivos para exportação.
c) Os avanços tecnológicos direcionam-se às propriedades
improdutivas.
20 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
d) Os diversos tipos climáticos dificultam a variedade de cultivos
agrícolas
Questão 10
(Adaptado de SANTOS, Milton e SILVEIRA, Maria Laura. "OBrasil: território e
sociedade no início do século XXI". Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 2001.)
Os mapas, de 1975 e 1995, mostram a evolução do número e da
distribuição de empresas de aviação agrícola no Brasil, que
utilizam equipamentos sofisticados para pulverizar com pesticidas
as plantações.
Isso demonstra uma dinamização do setor associada aos
processos de:
a) metropolização e êxodo rural
b) expansão da fronteira agrícola e difusão da agroindústria
c) esvaziamento das áreas interiores e concentração urbana
d) centralização da política agrícola e descentralização de
investimentos produtivos
Questão 11
O mais novo dos impérios e a única monarquia do Novo Mundo,
tão ricamente contemplado com belezas naturais e riquezas
materiais ainda enterradas em seu seio, tão esplêndido em
posição geográfica (...) parece ser o filho predileto da Fortuna. (...)
Agricultores de primeira categoria parecem inclinados a vir para
um país onde uma área igual de terreno produz três vezes mais do
que na Luisiana. (...) Começou, assim, um acentuado influxo de
homens trabalhadores e diligentes, acostumados a utilizar
maquinaria agrícola e formando, em cada colônia, um núcleo, em
torno do qual podem fixar-se agricultores europeus.
(BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. São Paulo: Itatiaia /
EDUSP, 1976.)
O naturalista e explorador inglês Richard Burton esteve no Brasil
durante a década de 1860. Após percorrer o interior do país,
produziu uma narrativa sobre o que observou, fazendo sugestões
para o progresso nacional.
Pelo que se diz no texto, no que se refere às relações entre
natureza e população, Burton avaliava as potencialidades da
economia como boas, desde que se criasse a seguinte condição:
a) o trabalho agrícola fosse financiado pelas elites nacionais e
estrangeiras
b) a posição geográfica e a fertilidade da terra permitissem a
fixação de imigrantes
c) a natureza generosa fosse trabalhada por mão-de-obra
produtiva e qualificada
d) os recursos existentes fossem utilizados para o
desenvolvimento do setor urbano e industrial
Questão 12
Considere o gráfico apresentado abaixo.
(Melhem Adas. "Panorama Geográfico do Brasil". São Paulo:
Moderna, 1998. p. 407.)
A partir dos dados apresentados e de seus conhecimentos sobre a
estrutura agrária brasileira, pode-se concluir que
a) os estabelecimentos com mais de 1.000ha são os mais
produtivos, visto que os proprietários não necessitam utilizar toda a
área disponível para a produção agrícola.
b) as pequenas propriedades e os minifúndios no Brasil
caracterizam-se por um maior grau de utilização da terra para a
agricultura.
c) as propriedades entre 10 e 1.000ha apresentam maior equilíbrio
na utilização da terra para a agricultura, mantendo grandes áreas
de vegetação nativa.
d) a maior parte das propriedades com mais de 1.000ha situam-se
em áreas de proteção ambiental, e por isso não podem ser usadas
para a agricultura.
e) há um grande desequilíbrio na utilização da terra pelos
proprietários de pequenas propriedades e minifúndios, já que a
maior área é ocupada pela lavoura temporária.
Questão 13
Observe este mapa, em que estão representadas as fronteiras
agrícolas que se constituíram no território brasileiro, na segunda
metade do século XX:
(FONTE: BECKER, B. K. et al. (Org.). "Geografia e meio ambiente no Brasil". São
Paulo / Rio de Janeiro: HUCITEC / Comissão Nacional do Brasil da União
Geográfica Internacional, 1995. p. 197.) (Adaptado)
Considerando-se essas fronteiras agrícolas, é INCORRETO
afirmar que elas
a) diferem quanto ao grau de incorporação de técnicas produtivas,
podendo ser tanto modernas quanto tradicionais.
b) ocupam ecossistemas diferentes, como os de floresta
equatorial, floresta tropical e cerrado.
c) priorizam a horticultura e a fruticultura voltadas para o
abastecimento das metrópoles regionais.
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930)
21 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
d) resultam de movimentos migratórios espontâneos e de projetos
de colonização oficial e privada.
Questão 14 (Ufpe)
As afirmativas a seguir referem-se à organização do espaço
agrário brasileiro. Uma delas, no entanto, não corresponde à
realidade. Identifique-a.
a) A faixa litorânea úmida do Nordeste Oriental constitui um
espaço singular, individualizado pelo predomínio da agricultura de
"plantation", organizada em torno de grandes propriedades e
culturas tropicais.
b) A modernização e a capitalização da economia rural estão
associadas ao desenvolvimento urbano e industrial verificado no
país.
c) Em São Paulo, Rio de Janeiro, sul de Minas e Paraná, verifica-
se um complexo econômico agropecuário moderno, relacionado às
necessidades industriais, bastante dependentes de fluxos
financeiros.
d) Os fluxos migratórios que deixam São Paulo e os estados do
Sul não refletem as conseqüências da modernização da economia
rural regional; associam-se mais aos conflitos, às vezes violentos,
entre posseiros e proprietários rurais.
e) A concentração da propriedade da terra é um dos traços mais
significativos da economia rural brasileira; esse fato remonta ao
modelo de colonização adotado no país pelos portugueses.
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA PÓS-1930 E OS
MOVIMENTOS SOCIAIS
INTRODUÇÃO
A partir do momento em que a Indústria se tornou o setor-chave da
economia nacional, desde pelo menos os anos 1950, a cidade
passou a dominar o campo e a agropecuária começou a
desempenhar um triplo papel: primeiro, continuar a gerar divisas
por meio das exportações, divisas que servirão para ajudar a pagar
a dívida externa e a importar maquinarias indispensáveis ao
processo de industrialização; segundo, fornecer as matérias-primas
ou os combustíveis necessários para os bens fabricados pela
indústria (algodão, fumo, álcool, por exemplo); por fim, alimentar os
grandes contingentes humanos que se concentram nas cidades e
servem de força de trabalho nas indústrias ou no setor terciário da
economia. Este último papel é o que ela desempenha mais
precariamente, já que os outros dois são bem mais lucrativos
Dessa forma os cultivos da soja, da cana-de-açúcar, da laranja e
do café passaram nos últimos anos por grande modernização:
multiplicaram-se os tratores e as demais máquinas, usam-se cada
vez mais fertilizantes e herbicidas. E produtos voltados para o
mercado interno de alimentos, como feijão, arroz, mandioca, milho
e batata, continuam a ser cultivados com métodos tradicionais,
sem conhecerem esse processo de modernização agrícola. O
único produto voltado para a alimentação que passou por
modernização e crescimento da área cultivada foi o trigo. Mas isso
só ocorreu porque houve subsídios governamentais para a sua
produção, que aumentava muito as importações do país. Contudo,
com a criação do Mercosul, em 1991, a produção nacional de trigo
ficou praticamente estagnada por causa da entrada do produto
argentino, em geral mais competitivo.
AGRIBUSINESS
O campo vem se modernizando bastante nas últimas décadas.
Tanto que alguns autores falam num “novo rural” brasileiro. Um dos
destaques deste “novo rural” são os agribusiness, os agronegócios
ou, como preferem alguns, a agroindústria.
O termo agribusiness designa toda uma cadeia de produção
interligada de bens que dependem uns dos outros: desde produtos
agrícolas (soja, uva, fumo, algodão, café, cana-de-açúcar,
pecuária, etc...) máquinas e equipamentos agrícolas, adubos,
fertilizantes etc..., até os produtos agrícolas industrializados (óleos,
cigarros, tecidos, vinhos, café solúvel, etc..)
Como se percebe, não se trata de um setor apenasrural, e muito
menos apenas agrário, mas de um complexo que envolve
atividades urbanas e interligadas. Uma subordinação do campo à
cidade ou, em outros termos, uma modernização do campo. É
evidente que a atividade básica do agribusiness é a agropecuária,
mas uma agropecuária modernizada, com elevada produtividade
da terra, fruto da aplicação de uma tecnologia avançada (correção
de solos, aprimoramento em laboratórios de raças de animais ou
de cultivos) e de forte investimento de capitais.
O grande destaque do agribusiness brasileiro tem sido a soja, um
produto que antes era importado e hoje representa cerca de 10%
das nossas exportações totais. O Brasil virou o maior exportador
mundial de soja, desbancando os Estados Unidos, e pode até se
tornar rapidamente o maior produtor mundial (que ainda são os
Estados Unidos em virtude de seu grande consumo interno).
A viabilidade da soja no Brasil, especialmente na região do cerrado
(Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, oeste da Bahia, parte
de Minas Gerais, sul do Piauí, etc..), foi o resultado de décadas de
pesquisas para a correção dos solos tidos como pobres, para o
aprimoramento da planta e das técnicas de produção. E a soja está
ligada a toda uma cadeia que vai da grande produção de
máquinas, tratores e instrumentos agrícolas até as indústrias do
farelo e do óleo de soja.
Outro setor da agroindústria que se expandiu e continua a crescer
é o da fabricação de vinhos, especialmente no Rio Grande do Sul
(região serrana ao redor de Bento Gonçalves e região fronteiriça
com o Uruguai) e no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e
Bahia. Nesta última região, existe ainda uma forte produção de
frutas que, em geral, se destinam ao mercado externo. Também
aqui houve um exaustivo trabalho de pesquisa para se chegar às
melhores variedades de uvas ou de outras frutas, para irrigar os
solos, etc.. Outros setores importantes no agronegócio brasileiro
são a produção de carnes (de boi e de aves) e derivados
(salsichas, patês, salames, produtos de couro, de ossos ou de
chifres, etc..) de álcool combustível, de algodão e tecidos e de café
e derivados.
O Brasil tem excelentes condições, que nenhum outro país tem na
mesma proporção, de expandir o seu agribusiness. Primeiro, a
enorme disponibilidade de terras agricultáveis ainda não
aproveitadas ainda não aproveitadas. Segundo, a incrível
disponibilidade de água, elemento básico na agropecuária – que é
a atividade econômica que mais utiliza água várias vezes mais que
os setores industrial, residencial, de serviços, etc.. – e que já
começa a escassear em várias partes do mundo. O Brasil é o país
que possui as maiores reservas mundiais de água potável, embora
elas estejam desigualmente distribuídas pelo território. Terceiro,
uma tecnologia apropriada. O país desenvolveu – e continua a
desenvolver, apesar dos frequentes problemas de cortes de verbas
para pesquisas – inúmeras tecnologias inovadoras nesse campo,
desde o álcool como combustível (puro ou misturado à gasolina)
até a correção dos solos do cerrado, passando pelo biodiesel, pela
criação por meio da engenharia genética de novas espécies de
plantas ou de aves (como o chester), etc.
A QUESTÃO DA REFORMA AGRÁRIA
A partir de 1970, começou uma expansão das “fronteiras agrícolas”
(faixa de terras cultivadas ou aproveitadas pela pecuária) do país
em direção à Amazônia, com a ocupação de terras devolutas, a
derrubada da mata e o estabelecimento da lavoura ou da pecuária.
Em boa parte, essa ocupação da terra é apenas formal, com a
empresa (às vezes, uma multinacional) conseguindo o título de
propriedade da área e deixando-a ociosa à espera de valorização.
Mas essa expansão das áreas ocupadas pela agropecuária acabou
agravando ainda mais o problema da estrutura fundiária, já que o
tamanho médio das propriedades que ocupam a maior parte das
novas terras é enorme, constituindo, de fato, autênticos latifúndios.
Esse agravamento – crescimento das grandes propriedades em
detrimento dos minifúndios – também prejudica a produção de
alimentos, porque as grandes propriedades, em geral, se voltam
para os gêneros agrícolas de exportação. Vários estudos
calcularam que 60% a 70% dos gêneros alimentícios destinados ao
abastecimento do país procedem da produção de pequenos
lavradores, que trabalham em base familiar. Portanto, a
concentração ainda maior da estrutura fundiária explica a queda da
produção de alguns gêneros alimentícios básicos e o crescimento
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais
23 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
de produtos agrícolas de exportação.
Desde os anos de 1950, discute-se no Brasil a reforma agrária, que
consiste em uma redistribuição das propriedades do meio rural, em
uma melhor distribuição de terras. De forma genérica, a reforma
agrária é uma mudança na estrutura fundiária do país efetuada
pelo Estado, que desapropia grandes fazendeiros com
propriedades improdutivas e distribui lotes de terras a famílias
camponesas.
É bom ressaltar que a reforma agrária nada tem de “socialista”, tal
como apregoam alguns. Pelo contrário, ela já foi feita em
praticamente todos os países desenvolvidos, todos eles capitalistas
– desde a França até o Japão -, além de ter sido realizada em
países que antes eram considerados pobres e hoje são tidos como
desenvolvidos (como a Coréia do Sul).
Uma melhor distribuição social da propriedade rural – tal como
existe nos Estados Unidos, por exemplo, onde não há latifúndios e
predominam as propriedades familiares – é algo fundamental para
o desenvolvimento econômico e social de uma nação.
A atual situação fundiária do Brasil, com grandes propriedades
improdutivas, milhares de camponeses sem-terra e grande pobreza
no campo, além dos conflitos pela terra, comuns do país, é
desastrosa para a maioria da população e para a imagem do Brasil
no exterior. Além disso, é comum existirem períodos de falta de
gêneros agrícolas para a alimentação e os preços de certos
produtos agropecuários tornarem-se proibitivos para amplas
parcelas da população.
Ao mesmo tempo, existem enormes extensões de terras férteis que
têm dono e não são utilizadas produtivamente. O desperdício e a
subutilização convivem lada a lado com a miséria dos pequenos
agricultores e dos trabalhadores agrícolas.
A reforma agrária, em síntese, deve visar resolver o problema dos
camponeses sem-terra e da pobreza em campo, assim como o
abastecimento alimentar da maioria da população. Ela deve, então,
promover a justiça social, pois em qualquer parte do mundo é
intolerável uma enorme concentração de riquezas ou das terras em
poucas mãos. Mas não podem consistir somente na
desapropriação de certas áreas para redistribuição, pois, sem
outras condições complementares – crédito bancário facilitado,
preços mínimos para certos produtos agrícolas, garantia de
transporte, incentivos à modernização das técnicas e etc... -, corre-
se o risco de fracasso total.
Em muitos exemplos de distribuição de lotes de terras a famílias
camponesas, especialmente na Amazônia, após alguns anos o
pequeno proprietário vendeu sua terra para grandes empresas ou
fazendeiros, partindo em busca de novas terras, ainda mais longe,
ou trabalhando como assalariado. Isso porque não dispôs das
condições citadas. Sem crédito bancário, sem sementes, sem
compradores com preços razoáveis e até sem transporte, somando
a isso tudo o fato de que, na Amazônia, os solos são pobres e
podem se esgotar em poucos anos, o pequeno proprietário tem de
vender sua terra para sustentar a família. Em suma, uma reforma
agrária deve ter em conta todos esses aspectos, pois não se trata
apenas de redistribuição da terra rural, mas também de uma
reforma da política agrícola.
Apesar de ser intensamente discutida e de terem sido criados
órgãos governamentais que deveriam implementá-la – o último foi
o Instituto Nacionalde Colonização e Reforma Agrária (Incra), que
ainda existe -, a reforma agrária nunca foi amplamente executada
no Brasil, embora tenha sido e continue sendo executada de forma
parcial. Uma evidência da falta de uma ampla reforma agrária
encontra-se na persistência da enorme concentração na
propriedade fundiária. Em todo o caso, desde meados dos anos
1990 o governo federal vem tentando, na medida do possível,
expandir a reforma agrária no Brasil. Mas as dificuldades para isso
são enormes.
Uma delas é que existem fortes interesses contrários dos grandes
proprietários rurais, que muitas vezes acabaram predominando:
esses proprietários formam lobbies ou grupos de pressão para
convencer os políticos – tal como ocorreu na Constituinte de 1988
– e abortam as tentativas de mudanças na legislação que
procuram facilitar a desapropriação das terras.
Também existem dificuldades jurídicas: em muitos casos, os
proprietários ganham na justiça indenizações milionárias ou até
bilionárias, várias vezes acima do preço de mercado dos imóveis,
como pagamento de suas terras desapropriadas, algo que ocorreu
muito nos anos 1990 e início deste século. Isso ocorreu e, às
vezes, ainda ocorre, por causa da corrupção ou dos interesses
comuns entre os proprietários e determinados fiscais ou
funcionários do Incra. Encarregados de avaliar o imóvel, que
exageram o seu valor na medida em que, por vezes, negociam
uma comissão para isso, e eventualmente alguns juízes, que, por
diversos motivos – seja pela identificação ou conivência com os
proprietários, seja por acreditarem nos laudos dos fiscais -, dão
sentenças favoráveis a essas indenizações abusivas.
Mas talvez o grande impedimento para uma ampla e generalizada
reforma agrária no Brasil seja o custo de manter os assentados.
Uma reforma agrária bem-feita não consiste apenas em
desapropriar terras improdutivas e distribuí-las para os
trabalhadores rurais. Se fosse apenas isso, seria bem menos
complicado: consistiria tão somente em detectar as terras
improdutivas (algo que não é tão fácil como parece), desapropriá-
las (o que como já vimos, também é complicado por causa das
indenizações) e distribuí-las entre os camponeses sem-terra,
pessoas que têm uma vocação para o trato com a terra e alguma
experiência nessa atividade. Esta distribuição também não é algo
fácil, pois existe um grande número de oportunistas que se
misturam aos verdadeiros camponeses, de pessoas que não tem o
menor interesse em trabalhar na terra (e, às vezes, nem precisam
dela), mas apenas pretendem vende-la rapidamente para
conseguir algum lucro.
Algumas organizações de sem-terra até mesmo incentivam a vinda
de pessoas sem vocação nem experiência no trabalho rurais,
principalmente desempregados (embora não apenas), que existem
aos milhões nas cidades, para engrossar suas fileiras. Isso porque,
com um maior número de pessoas, elas podem promover
manifestações mais ruidosas e conseguir, assim, uma maior
cobertura da mídia (TV, jornais, revistas), o que garantirá a
continuidade de verbas ou auxílios que recebem de algumas ONGs
(Organizações Não Governamentais) dos países ricos ou, às
vezes, até do Banco Mundial.
Para custear os assentamentos – as pessoas assentadas que
receberam lotes de terras da reforma agrária -, é preciso haver
financiamento com juros baixíssimos (caso contrário, não
conseguirão pagar) para a compra de adubos, sementes,
eventualmente máquinas etc... Os assentamentos precisam de
estradas e caminhões para escoar a produção, precisam de
garantias de um preço mínimo para cada produto que cultivam,
etc... e isso tudo é extremamente custoso. Foi por falta dessas
condições – o apoio aos assentados – que vários projetos de
reforma agrária fracassaram no Brasil, especialmente na
Amazônia, onde, após alguns anos, os assentados venderam suas
terras para grandes proprietários por não conseguirem sustentar a
família com essa atividade.
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
A estrutura fundiária do Brasil é caracterizada por uma forte concentração de terras. A Tabela A
permite visualizar as diferenças regionais desta concentração. A Tabela B destaca o número de
conflitos pela terra nos estados de São Paulo e Tocantins, em 1997.
Aponte duas razões para a menor incidência de áreas improdutivas na região Sul.
Questão 02
A população rural do Brasil tem decrescido nas últimas décadas. De acordo com dados do IBGE, na
década de 1980, a população rural era de aproximadamente 37 milhões; no ano 2000 havia cerca de
31 milhões de brasileiros morando no campo. O gráfico apresenta o comportamento da agricultura no
Brasil nas duas últimas décadas em relação à produção e à área cultivada.
Adaptado de "Boletim Técnico O agrônomo", Instituto Agronômico de Campinas, volume 51. 213, 1999.
Levando em consideração as mudanças ocorridas no campo nas últimas duas décadas e analisando o
comportamento do gráfico, é correto afirmar que
a) as áreas destinadas à lavoura têm aumentado consideravelmente, graças ao crescimento do
mercado consumidor.
b) a produção agrícola aumentou juntamente com a área cultivada, devido à abertura do mercado para
exportação.
c) a densidade demográfica nas áreas cultivadas tem crescido junto com a produção agrícola.
d) a área destinada à agricultura não aumentou, mas a produtividade tem crescido, graças à aplicação
de novas tecnologias.
e) a produção agrícola do País cresceu no período considerado, enquanto a produtividade do homem
do campo diminuiu.
Questão 03
Leia atentamente as afirmações abaixo.
I. Nas proximidades da capital paulista temos áreas de ........................... em que se destacam as
atividades de hortifruticultura associadas à criação de gado leiteiro.
II. Na região Nordeste, o abastecimento do mercado de consumo do litoral é oriundo do
......................................, área tradicional de policultura e criação leiteira.
III. Na maior parte do Maranhão e do Piauí, a extração de ........................... aparece associada à
criação de gado bovino.
Anotações
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais
25 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das afirmações I, II e III.
a) policultura intensiva; Meio Norte; babaçu e carnaúba.
b) policultura intensiva; Agreste; babaçu e carnaúba.
c) monocultura; Sertão; cacau e carnaúba.
d) policultura extensiva; Agreste; carnaúba e seringueira.
e) monocultura; Sertão; cacau e seringueira.
Questão 04
Dentre as tendências predominantes na agricultura brasileira, nos últimos trinta anos, destacam-se:
a) O fornecimento de matérias-primas para as indústrias, e a agricultura moderna de alimentos
voltadas à exportação / A intensa liberação dos trabalhadores expulsos da agropecuária.
b) O processo de modernização que igualou os produtores rurais empresariais e familiares na
produção para o mercado interno. / O maior fornecimento de matérias-primas para as indústrias.
c) O desenvolvimento significativo das culturas voltadas apenas para a produção de insumos
industriais. / A intensa liberação dos trabalhadores expulsos da agropecuária.
d) O processo de modernização que igualou os produtores rurais empresarias e familiares na
produção para o mercado interno. / A intensa liberação dos trabalhadores expulsos da agropecuária.
e) A maior produção de grãos destinada ao mercado interno. / O crescimento progressivo da oferta de
empregos relacionados ao AGRIBUSINESS.
.
Questão 05
"As transformações profundas por que tem passado o campo brasileiro nas últimas décadas têm
gerado um aumento significativo dos movimentos sociais rurais, em luta pela terra ou por melhores
condições de trabalho."
(AriovaldoU. de Oliveira "Agricultura Brasileira" In: Ross, 1995, p. 523).
A esse respeito pode-se afirmar que:
a) o processo de luta pela terra é recente no Brasil, tendo como marco inicial a ocupação de terras
devolutas em Goiás, na década de 1970, conhecida como a Revolta de Trombas e Formoso.
b) o Movimento das Ligas Camponesas expandiu-se do Nordeste para outras áreas do país nas
décadas de 1950-60, sendo considerado a primeira forma de luta pela reforma agrária.
c) os movimentos sociais predominam no Norte e Nordeste, mas não têm expressão na Região
Sudeste, em razão do estágio de organização e desenvolvimento de sua economia rural.
d) o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) originou-se na Amazônia, nos anos 90,
em decorrência de conflitos entre posseiros e fazendeiros nas áreas de fronteira agrícola.
e) o reconhecimento e a demarcação efetiva do conjunto das terras indígenas na Amazônia resultaram
de pressões exercidas pelos movimentos internacionais nas esferas do Governo Federal.
Questão 06
Nas áreas assinaladas por 1 e 2 no mapa do Estado de São Paulo predominam, respectivamente, as
seguintes atividades econômicas:
a) Pecuária de corte modernizada, verificando-se em alguns municípios o uso de zootecnia para o
aprimoramento das espécies. / Pecuária voltada para o abastecimento de leite.
b) Agroindústria da laranja. / Pecuária de corte modernizada, verificando-se em alguns municípios o
uso de zootécnica para o aprimoramento das espécies.
c) Pecuária voltada para o abastecimento de leite. / Complexo agropecuário especializado na
produção de leite e em atividades agro-industriais.
d) Pecuária Tradicional do tipo extensivo, utilizada para corte e produção de leite. / Agroindústria da
laranja e demais frutos tropicais.
e) Agroindústria canavieira. / Complexo agropecuário especializado na produção de leite e em
atividades agro-industriais.
Anotações
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 07
As transformações no campo brasileiro, a partir da década de 1970, incluem processos como o
ilustrado acima, acontecidos na região
a) Norte. b) Sul. c) Centro-Oeste. d) Nordeste. e) Sudeste.
Questão 08
No Piauí, uma empresa fruticultora vem produzindo para exportação, sobretudo mangas para o
mercado europeu. A região, sem tradição no setor, tem terras férteis e baratas, reserva hídrica,
luminosidade e altas temperaturas no verão. Em função do clima, o ciclo de maturação dos frutos é
rápido, o que impôs pesquisar e descobrir usos adequados de nutrientes e hormônios vegetais para
controlar o amadurecimento. A empresa dispõe de 18 poços artesianos para irrigar 400 ha de área
plantada. Empregando 200 trabalhadores, exportou 800 toneladas de manga para a Europa. Pretende
atingir 4 mil toneladas por ano e expandir-se para o mercado dos EUA.
(Fonte: Adaptado de "Pomares do futuro", Revista Globo Rural, abril de 1999, p. 61-63.)
Assinale a alternativa que NÃO corresponde ao contexto da situação descrita:
a) As inovações técnicas e organizacionais na agropecuária brasileira, no período atual, concorrem
para um novo uso da terra e do tempo no calendário agrícola, e para reforçar a redivisão territorial do
trabalho no campo.
b) O território brasileiro tem incorporado características da revolução agrícola, especialmente nas
culturas de exportação, que vêm invadindo algumas áreas antes destinadas à agricultura alimentar
básica (como milho, feijão e arroz).
c) A modernização capitalista no campo, à base de investimentos em ciência e tecnologia, elevou a
produtividade e o volume da produção no país. Com isso, diminuem as limitações impostas pelas
condições naturais.
d) Com a modernização da produção agropecuária no Brasil, marcada pela forte participação do
Estado, as empresas agroindustriais absorveram o excedente da mão-de-obra agrícola e aqueles que
não tiveram acesso à terra.
e) A modernização do campo concentrou-se basicamente no Centro-Sul do país, expandindo-se a
seguir em manchas descontínuas e especializadas (frutas, soja, legumes para industrialização etc.),
como é o caso de algumas áreas do Nordeste.
Anotações
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais
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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
Além de possíveis problemas relacionados à saúde pública e à
ecologia, a introdução de produtos agrícolas geneticamente
modificados, os chamados transgênicos, no Brasil, pode ter uma
implicação econômica, devido:
a) à proibição da entrada destes produtos nos Estados Unidos.
b) à concorrência com a produção de transgênicos na Europa.
c) ao atraso tecnológico do Brasil frente aos demais produtores da
América Latina.
d) à resistência dos países da União Européia em consumirem
estes produtos.
e) à falta de preparo do trabalhador rural no manejo destes
produtos.
Questão 02
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence
disse que a proposta de limitação do tamanho das propriedades
rurais deveria "ter como base o módulo rural, que permita a
adequação do limite à evolução da tecnologia da terra".
("O Estado de São Paulo" - 22/08/2000)
O Estatuto da Terra de 1964 define módulo rural como uma área
suficiente para garantir ao trabalhador e à sua família (média de
quatro pessoas) o rendimento mínimo necessário para sua
sobrevivência. Sobre esse assunto assinale a alternativa
INCORRETA:
a) a extensão do módulo rural varia dependendo do tipo de
atividade desenvolvida.
b) a extensão do módulo rural é fixada pelo INCRA e é válida para
todo o território nacional.
c) nas áreas dos cinturões verdes o módulo rural pode ter uma
pequena extensão.
d) as condições climáticas e de solo interferem na definição da
extensão do módulo rural.
e) nas áreas de cultivo e nas áreas de pecuária o módulo rural tem
extensões diferenciadas.
Questão 03
Qual das alternativas seguintes NÃO faz uma afirmativa correta
sobre a situação da agricultura brasileira?
a) Nas últimas décadas, com o avanço do capitalismo no campo, a
agricultura passou por um processo de modernização; mas isso
não garantiu a melhoria do padrão de vida de grande parte dos
trabalhadores rurais.
b) Nos últimos anos, a manutenção de latifúndios vem sendo
duplamente ameaçada: pela ocupação de terras e pela queda do
preço da terra.
c) Nos anos 90, o Movimento dos Sem Terra (MST) tem sido o
mais forte movimento social em prol da distribuição da terra no país
e vem contando com o apoio de grandes proprietários de terra e de
grandes empresários rurais.
d) Na última década, as indústrias de alimentos inovam e
diversificam os produtos alimentícios agregando maior valor à
matéria-prima fornecida pelos produtores rurais e transferindo
renda do campo para as grandes indústrias e cadeias de
supermercados.
e) A partir da década de 1960, a modernização da produção
agrícola teve como condição básica os créditos agrícolas
garantidos pelo Estado, e os grandes beneficiários foram os grupos
sociais com maior poder político e econômico.
Questão 04
A origem do problema agrícola mostrado na foto é, principalmente,
a) pedológico, pois a existência de vastas manchas de latossolos
de baixa produtividade tem excluído muitos camponeses sem
recursos para a compra de insumos agrícolas.
b) político, pois a concentrada estrutura fundiária impede que
milhares de pessoas tenham acesso à terra e produzam alimentos
ou outros gêneros agrícolas.
c) geográfico, pois com a expansão da fronteira agrícola houve um
aumento de migrantes no campo, muitos dos quais não adaptados
às novas condições climáticas das áreas ocupadas.
d) técnica, pois a introdução de novos produtos agrícolas
inviabilizou o processo de modernização da produção devido à
carência de especialistas na atividade agrária.e) comercial, pois o elevado número de trabalhadores no campo
tem alto custo e baixa produtividade, fatores que diminuem a
competitividade agrícola.
Questão 05
Considere o seguinte depoimento:
Meu nome é Benedito. Sou do interior. Moro na capital. No interior,
o trabalho era pouco, as cercas eram muitas, a seca era grande.
Às vezes, trabalhava na cana, às vezes, trabalhava de servente, às
vezes, fazia bico brocando mato. Eu não tinha terra. Vim para a
capital. Aqui trabalho na construção civil. Levanto edifícios, levanto
casas, levanto pontes e cavo galerias. A minha mão faz a cidade
maior. Sonho construir uma boa casa. A casa da minha família.
(Revista "Travessia", maio/agosto de 2001, p. 38)
A leitura do texto e seus conhecimentos sobre a dinâmica
populacional brasileira permitem afirmar que
a) nos anos de 1990, as migrações cíclicas no campo perderam
força, principalmente, devido às oportunidades de trabalho nas
cidades.
b) desde o início dos anos de 1980, que praticamente não há mais
migração do campo para a cidade, sendo este depoimento bem
antigo.
c) nos anos de 1990, a nova abertura das fronteiras agrícolas, no
Norte, redirecionou as migrações para o campo e não mais para as
cidades.
d) no final do século XX, a estrutura fundiária concentradora, ainda,
é responsável pelo êxodo de milhares de trabalhadores rurais.
e) nos anos de 1990, o movimento do campo em direção às
pequenas e médias cidades declinou, aumentando aquele que se
dirige para as grandes cidades.
28 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 06
Responda a esta questão com base nos mapas seguintes:
Um título adequado integrando os dois mapas poderia ser:
a) substituição da pecuária pela lavoura
b) substituição da vegetação natural por áreas de atuação
antrópica
c) implantação de parques e reservas nas áreas de cerrado
d) expansão da desertificação nas áreas de cerrado
e) lavouras irrigadas no domínio do cerrado
Questão 07
As maiores alterações do espaço agrário brasileiro são irradiadas
da Região Sudeste, sendo essa a região que mais contribui para o
produto interno do setor agropecuário brasileiro. Nesse sentido,
são corretas as seguintes afirmativas, EXCETO:
a) A concentração de capital permite maiores investimentos para a
melhoria das técnicas agrícolas que, por sua vez, são tomadas
como exemplos pelos produtores rurais de outras áreas do país.
b) As empresas se expandem para continuar a crescer, fazem
investimentos fora de sua sede territorial, mas mantêm com ela
fortes laços de dependência.
c) A concentração industrial exige grande quantidade de produtos
agrícolas como matéria prima.
d) Cada vez mais a economia agroindustrial no Brasil está apoiada
na produção de matéria prima bruta para as indústrias sediadas no
complexo urbano-industrial de São Paulo.
Questão 08
Leia com atenção o texto abaixo:
"A ocupação do Paraná intensificou-se na década de 40, com a
chegada das culturas de café e de algodão no norte do Estado, nas
áreas pioneiras polarizadas por Londrina. Nelas, multiplicaram-se
as pequenas e médias propriedades e a oferta de emprego rural.
Milhares de migrantes chegavam atualmente à região: entre 1950 e
1960, a população paranaense cresceu mais de 100%, um recorde
entre os estados brasileiros.
A partir de 1970, a introdução do cultivo de soja alterou
substancialmente a estrutura agrária de vastas porções do Estado.
(...) Entre 1970 e 1980 o Paraná voltou a quebrar um recorde, só
que desta vez negativo: sua população cresceu apenas 11%, o
menor índice entre os estados brasileiros."
(MAGNOLI, D. e ARAÚJO, R. "A Nova Geografia", Ed. Moderna)
Assinale a alternativa que indica as causas dessa grande mudança
no crescimento populacional do Paraná:
a) O crescimento do tamanho médio das propriedades e a
mecanização agrícola.
b) A fragmentação das grandes unidades rurais em novas
pequenas propriedades de terra, acompanhada pela melhoria da
infra-estrutura para o escoamento da produção do pequeno
agricultor.
c) A ampliação de oportunidades econômicas na região rural do
Estado e o deslocamento de parte da população urbana das
médias e pequenas cidades do interior para as áreas rurais para
trabalhar no cultivo de soja.
d) A estabilidade da política agrária, sobretudo no que concerne
aos incentivos e subsídios ao pequeno trabalhador rural e o
conseqüente crescimento de sua renda familiar.
e) A instalação de assentamentos rurais destinados a retomar a
cultura do café e o aumento da necessidade de mão-de-obra no
campo.
Questão 09
O avanço das relações capitalistas na década de 1970 provocou
expressivas mudanças no espaço agrário gaúcho, ao mesmo
tempo que o país se preocupava com a inserção da sua economia
no mercado internacional. A característica que melhor define a
situação do Rio Grande do Sul nessa década é
a) o predomínio da produção de alimentos em pequenas
propriedades em função do abastecimento de uma sociedade
urbano-industrial local.
b) a produção de policulturas destinadas ao mercado interno
gaúcho, realizada por antigos colonos com o auxílio de subsídios
governamentais.
c) o intenso processo de reformas agrárias, que contribuíram
definitivamente para o atual quadro fundiário gaúcho.
d) o retorno do migrante das grandes e médias cidades gaúchas,
que busca novamente possibilidades no campo, amenizando os
problemas sociais urbanos.
e) a produção voltada principalmente para a cultura da soja, com a
finalidade de exportação, contribuindo para a diminuição da área
destinada a outros cultivos.
Questão 10
Fonte: Conflitos no Campo Brasil 1997. Comissão Pastoral da Terra.
(SANTOS, M. e SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século
XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.)
O mapa acima mostra a distribuição espacial de conflitos em torno
da propriedade da terra no Brasil.
Observando a diferenciação por estados e regiões e traçando um
paralelo com as características da agricultura brasileira, é possível
afirmar que os conflitos ocorrem principalmente em:
a) áreas em processo de modernização agrícola e expansão da
agroindústria
b) estados administrados pela oposição ao governo federal e em
crise econômica
c) regiões de maior densidade demográfica e crescimento
populacional acelerado
d) periferias das grandes metrópoles e áreas urbanas em processo
de rápida expansão
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais
29 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Questão 11
A distribuição geográfica dos assentamentos rurais no Ceará
segue a lógica do processo de ocupação histórica do Estado. Face
a essa constatação, analise as afirmativas abaixo.
I. A região dos sertões, na qual predominam os latifúndios,
concentra o maior número de assentamentos rurais.
II. A região do litoral possui o maior número de assentamentos
rurais na Região Metropolitana de Fortaleza.
III. A região do Cariri, incluindo a Chapada do Araripe, possui o
menor número de assentamentos rurais.
Das assertivas acima, pode-se afirmar corretamente que:
a) apenas I e II são verdadeiras.
b) apenas I é verdadeira.
c) apenas II e III são verdadeiras.
d) apenas I e III são verdadeiras.
e) I, II e III são verdadeiras.
Questão 12
Assinale a alternativa que indica a principal característica do
processo de modernização da agricultura brasileira.
a) Redução da produtividade por falta de insumos
b) Atendimento à demanda interna por produtos agrícolas
c) Aplicação de técnicas tradicionais no uso agrícola da terra
d) Atendimento à demanda externa por produtos agrícolas
e) Fundamentação em cultivos de subsistência e minifúndios
Questão 13
Apesar da permanência dos latifúndios e da pobreza de imensas
parcelas da população rural, o espaço agrário brasileiro vem
experimentando transformaçõesimportantes. Isto pode ser
constatado ao se observar:
a) a presença de grandes empresas industriais que atuam tanto na
produção de bens agrícolas, como no processamento e
financiamento de insumos para a agricultura;
b) a homogeneização dos processos produtivos, graças aos
incentivos fiscais concedidos pelo Estado ao conjunto das
propriedades rurais;
c) a extensão prioritária da difusão de técnicas modernas e créditos
bancários às médias e pequenas propriedades dedicadas à cultura
de produtos destinados à exportação;
d) a substituição do modelo agroexportador pelo modelo de
sustentabilidade do mercado interno, em função da política agrícola
do governo federal;
e) o desenvolvimento da agroecologia em áreas degradadas pelo
uso de monoculturas de exportação e pela prática da pecuária
intensiva.
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
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A AGROPECUÁRIA I: A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ
INTRODUÇÃO
É comum dividir os produtos agrícolas brasileiros em duas
categorias: as “culturas de pobre”, nas quais se incluem o feijão, o
milho, a mandioca e boa parte da produção do arroz; e as “culturas
de rico”, como são conhecidas as plantações de cana-de-açucar,
café, soja, algodão, trigo, etc...
As primeiras – destinadas principalmente à produção de alimentos
para a população -, desde a época colonial, são relegadas a
segundo plano, cultivadas nas piores terras e em pequenas
propriedades. As “culturas de rico”, ao contrário, destinam-se
principalmente à exportação ou à transformação industrial, como
ocorre com parte da produção da cana, do fumo, do algodão, etc..
Desde o período colonial, ocupam os melhores solos e são
cultivadas principalmente nas médias ou grandes propriedades
rurais.
Essas diferenças são relativas, pois muitos produtos destinados ao
consumo interno podem eventualmente ser exportados se
apresentarem forte valorização, como ocorreu nas últimas décadas
com a laranja. Da mesma forma, os produtos destinados à
exportação também são consumidos dentro do país, mas
geralmente se exporta o melhor e deixa-se o pior para o consumo
interno. Assim, em Nova York ou em Londres, toma-se um
cafezinho melhor do que em São Paulo ou no Rio de Janeiro.
As grandes propriedades cultivam, eventualmente, os gêneros
alimentícios para a população em geral, mas, por via de regra,
essa tarefa cabe às pequenas propriedades. Muitos minifúndios
também cultivam algodão, café e outras “culturas de rico”, embora
a maior parte desses produtos, principalmente a cana-de-açúcar e
a soja, se concentre nas médias e grandes propriedades.
Os produtos extremos são a mandioca e o feijão, de um lado, e a
cana, de outro. Os imóveis rurais com dimensão de até cem
hectares, que abrangem pouco menos de 20% da área total das
propriedades agrárias, produzem mais de 80% da mandioca e 75%
do feijão nacional; mas, na produção da cana-de-açúcar, eles
contribuem com apenas cerca de 16% do total. Já os imóveis com
área a mil hectares, que abrangem cerca de 45% da superfície
total dos imóveis rurais, produzem cerca de 50% da cana-de-
açúcar e apenas 3% da mandioca e 5% do feijão.
Vamos estudar agora os principais produtos cultivados pela
agricultura brasileira.
CANA-DE-AÇÚCAR
A cana-de-açúcar, a princípio originária da espécie Saccharum
officinarum, provém do território asiático, e era aí semeada desde
tempos ancestrais. Com o tempo, vários outros espécimes foram
produzidos com a ajuda de inovações tecnológicas, pois a planta
original provocava diversas enfermidades.
No Brasil esta planta desembarcou pelas mãos dos portugueses,
no início do século XVI. Ela prosperou principalmente no Nordeste
deste país, sendo responsável por esta nação se converter na
melhor criadora e exportadora de açúcar neste período, que se
estendeu até o século XVII.
O Ciclo do Açúcar foi um período da história do Brasil Colonial
compreendido entre meados do século XVI e meados do XVIII.
Neste período, a produção de açúcar, voltada para a exportação,
nos engenhos do Nordeste brasileiro foi a principal atividade
econômica.
As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram em território
brasileiro pelas mãos de Martim Afonso de Souza. Sua expedição
tinha a função de dar início à colonização do território brasileiro,
ação desejada pela coroa portuguesa como forma de proteger o
litoral do Brasil das invasões estrangeiras.
Neste contexto, Martim Afonso de Souza deu início a produção de
açúcar no Brasil em 1533, através da instalação do primeiro
engenho da colônia, na cidade de São Vicente (localizada no
atual litoral do estado de São Paulo).
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO
- A economia do açúcar foi responsável pela consolidação da
colonização, através da ocupação de parte da costa brasileira.
- O engenho foi a principal unidade de produção de açúcar no
Brasil Colonial.
-Uso de mão-de-obra escrava, de origem africana, no plantio e
colheita da cana-de-açúcar, assim como nas várias etapas
de produção do açúcar. Os escravos, principalmente
mulheres, também foram usadas na execução de atividades
domésticas.
- Prevalência das grandes propriedades rurais (latifúndios) no
Nordeste brasileiro, com forte concentração de terra.
- Sociedade patriarcal, com poderes político, econômico e social
concentrados nas mãos dos senhores de engenho.
- Sociedade estática e estratificada dividida em: Aristocracia rural
(senhores de engenho); homens livres (comerciantes, artesãos,
funcionários públicos, feitores, etc.) e escravos (maioria da
população do período).
- Tráfico negreiro como outra importante atividade lucrativa,
principalmente para os comerciantes e coroa portuguesa.
Hoje, porém, é na região interiorana de São Paulo que se localiza a
maior parte dos canaviais. E o açúcar não é mais seu principal
produto, pois atualmente o álcool, especialmente o etanol, extraído
deste vegetal, é o que mais destaca economicamente, pois,
enquanto combustível alternativo, contribui igualmente para o
desenvolvimento sustentável.
A cana tem também outras finalidades. Ela é utilizada no estado
natural como pasto consumido pelo gado, ou na forma de
ingrediente em alimentos como a rapadura, o melado, a
aguardente, entre outros produtos. Este arbusto apresenta o caule
delgado, agradável ao tato e extenso, o qual é recoberto de folhas
igualmente compridas e esverdeadas. Na haste há um elevado teor
de açúcar.
Ela se desenvolve melhor em climas que se caracterizam por
apresentar duas estações bem diferenciadas, uma de altas
temperaturas e a outra úmida, que possibilitam a evolução
germinativa, a rebentação e o progresso do vegetal. A estação fria
e seca é necessária para incentivar o estágio maduro e, como
resultado deste processo, a concentração de sacarose nos caules
de nós salientes. As regiões tropicais são as que oferecem
melhores recursos para o desenvolvimento da cana, pois ela
necessita da luz solar para seu crescimento.
As terras apropriadas para o cultivo desta planta são as mais
fundas, densas, dotadas de maior estrutura e fecundas. Por ser
grosseira, a cana-de-açúcar evolui de forma satisfatória em
territórios repletos de areia e menos abundantes de recursos, como
o cerrado. Até hoje este vegetal é submetido a constantes
melhorias, que resultam em espécimes híbridos.
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café
31 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
O cultivo da cana-de-açúcar é um dos mais significativos nas
regiões declima tropical, pois, além dos produtos que gera,
economicamente importantes, ele também oferece diretamente
milhares de empregos, apesar de gerar uma alta convergência de
renda. A área que mais produz esta planta, no Brasil, é a de
Ribeirão Preto. A indústria canavieira se caracteriza especialmente
pelo modelo latifundiário,pois muitas terras são depositadas nas
mãos de poucos senhores de terra. Este mecanismo resulta no
temível êxodo do campo.
O CAFÉ
A fruta vermelha que nasce da flor branca e perfumada do pé de
café tem sua origem geográfica nas terras quentes a nordeste da
África, em tempos muito remotos. Ali nascia o verdadeiro café
selvagem, em meio à mata, no centro da também lendária região
de Kafa, no interior da Etiópia, país de clima árido-tropical, onde
hoje se localiza a cidade de Bonga. Até o presente, o arbusto do
café é parte daquela vegetação natural.
Os etíopes iniciaram seu consumo na forma de fruto.
Alimentavamse de sua polpa doce, por vezes macerada, ou a
misturavam em banha, para refeição. E produziam um suco, que
fermentado se transformava em bebida alcoólica. Suas folhas
também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá.
A África foi o território de origem, mas coube aos árabes o domínio
inicial da técnica de plantio e preparação do produto, quando o
café da Etiópia, atravessando o Mar Vermelho, foi levado para a
vizinha Península Arábica.
Ali, de acordo com os mesmos manuscritos do ano de 575, a
primeira região a receber as sementes do fruto foi o Iêmen
(sudoeste da Ásia). Só por volta do ano 1000 seria conhecida sua
infusão, com as cerejas fervidas em água, servida para fins
medicinais. Naquela altura, monges e dervixes começaram a usar
o café como bebida excitante que os auxiliava nas rezas e vigílias
noturnas, postura que indiretamente se constituiu em aval para que
seu consumo se propagasse. O processo de torrefação, porém, só
foi desenvolvido no século XIV, quando a bebida adquiriu forma e
gosto como a conhecemos hoje. As plantas foram denominadas
kaweh e sua bebida recebeu o nome de kahwah ou cahue, que
significa “força”, em árabe.
Em 1760, a situação econômica do Império português era delicada.
O ouro, sua maior fonte de riqueza, começava a dar sinais de
declínio com o esgotamento das jazidas. O açúcar, sobretudo em
função da concorrência de novos produtores, encontrava
dificuldades de colocação no mercado. Outras culturas precisavam
ser tentadas para reanimar o combalido Reino português,
submetido à exploração britânica. A tradicional ingerência da
Inglaterra em Portugal levava aquele país a desvalorizar o pouco
café do Brasil que entrava no porto de Lisboa, barateando o gênero
e desmerecendo-o em sua inicial concorrência com o café do
Levante. Mais que isso, desencorajava francamente o investimento
no produto que lhe poderia ameaçar o consumo do chá.
Razão pela qual as remessas então enviadas à metrópole eram
inexpressivas, longe de se tornarem competitivas no mercado.
Os apelos de fora eram muitos. Na Europa e nos Estados Unidos
elevava-se o consumo da bebida, sendo necessário suprir aqueles
mercados. Concomitantemente, a navegação marítima atravessava
fase de grande expansão, propiciando facilidades no transporte do
produto. Acima disso, a Revolução nas Antilhas, em 1789, que
elevou os preços do café, deixava o mercado a descoberto,
beneficiando os concorrentes.
O pioneirismo das plantações cariocas alcançou toda a região do
Vale do Paraíba, sendo o principal espaço de produção até a
década de 1870. Reproduzindo a mesma dinâmica produtiva do
período colonial, essas plantações foram sustentadas por meio de
latifúndios monocultores dominados pela mão-de-obra escrava. As
propriedades contavam com uma pequena roça de gêneros
alimentícios destinados ao consumo interno, sendo as demais
terras inteiramente voltadas para a produção do café.
A produção fluminense, dependente de uma exploração
sistemática das terras, logo começaria a sentir seus primeiros
sinais de crise. Ao mesmo tempo, a proibição do tráfico de
escravos, em 1850, inviabilizou os moldes produtivos que
inauguraram a produção cafeeira do Brasil. No entanto, nesse meio
tempo, a região do Oeste Paulista ofereceu condições para que a
produção do café continuasse a crescer significativamente.
Os cafeicultores paulistas deram uma outra dinâmica à produção
do café incorporando diferentes parcelas da economia capitalista.
A mentalidade fortemente empresarial desses fazendeiros
introduziu novas tecnologias e formas de plantio favoráveis a uma
nova expansão cafeeira. Muitos deles investiam no mercado de
ações, dedicavam-se a atividades comerciais urbanas e na
indústria. Para suprir a falta de escravos atraíram mão-de-obra de
imigrantes europeus e recorriam a empréstimos bancários para
financiar as futuras plantações.
O curto espaço de tempo em que a produção cafeeira se
estabeleceu foi suficiente para encerrar as constantes crises
econômicas observadas desde o Primeiro Reinado. Depois de se
fixar nos mercados da Europa, o café brasileiro também conquistou
o paladar dos norte-americanos, fazendo com que os Estados
Unidos se tornassem nosso principal mercado consumidor. Ao
longo dessa trajetória de ascensão, o café, nos finais do século
XIX, representou mais da metade dos ganhos com exportação.
A adoção da mão-de-obra assalariada, na principal atividade
econômica do período, trouxe uma nova dinâmica à nossa
economia interna. Ao mesmo tempo, o grande acúmulo de capitais
obtido com a venda do café possibilitou o investimento em infra-
estrutura (estradas, ferrovias...) e o nascimento de novos setores
de investimento econômico no comércio e nas indústrias. Nesse
sentido, o café contribuiu para o processo de urbanização do
Brasil.
Durante muitas décadas o café foi o principal produto das
exportações nacionais e, apesar da perda de sua importância
relativa na pauta das exportações brasileiras nas últimas três
décadas, este produto ainda é muito importante para o país.
Simultaneamente, a cafeicultura brasileira tem passado por
importantes mudanças geográficas e estruturais.
As transformações que ocorreram na cafeicultura brasileira a partir
da década de 1970, com abertura de novas fronteiras agrícolas,
decorrentes de fatores climáticos favoráveis e incentivos públicos
subsidiados, resultaram em mudanças importantes na geografia da
produção cafeeira, hoje, presente em grande parte do território
nacional, porém concentrada em seis estados: Minas Gerais,
Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Bahia e Rondônia. Em cada um
deles, há regiões produtoras distintas, que refletem as diversidades
edafoclimáticas, produzem diferentes tipos de café e utilizam,
predominantemente, sistemas de cultivo intensivos em mão de
obra, especialmente na etapa da colheita. O Estado de Minas
Gerais é o maior produtor rasileiro em volume e valor da produção,
concentrada no cultivo da espécie Coffea arábica, destinada à
indústria de torrefação e moagem.
32 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
Nos mapas estão representadas as principais áreas de plantio de três produtos agrícolas importantes
na economia brasileira.
São, respectivamente, da esquerda para a direita:
a) trigo, soja e arroz.
b) soja, café e cana-de-açúcar.
c) soja, cana-de-açúcar e café.
d) arroz, cana-de-açúcar e café.
e) trigo, café e arroz.
Questão 02
Brasil 1994
Fonte: Graça Maria Lemos Ferreira. "Atlas Geográfico" S. P., Moderna, 1998, p.23.
Na figura acima, I e II representam a espacialização:
a) do consumo nacional de soja e laranja.
b) da produção nacional de trigo e café.
c) das áreas exportadoras de soja e café.
d) do consumo nacional de trigo e laranja.
e) da produção nacional de uva e algodão.
Questão 03
Os mapas I e II destacam, respectivamente, a predominância dos seguintes usos da terra:
a) Pecuária melhorada / Pecuária primitiva.
b) Grande agricultura comercial / Extrativismo vegetal.
c) Pecuária melhorada / Pequena agricultura comercial e de subsistência.
d) Pecuária primitiva / Extrativismo vegetal.
e) Pequena agricultura comercial e de subsistência / Grande agriculturacomercial.
Anotações
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café
33 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Questão 04
Examine as cifras correspondentes ao volume de produção de três importantes produtos agrícolas, na
tabela a seguir:
Associando os dados acima aos conhecimentos referentes à agricultura brasileira, I, II e III
correspondem, respectivamente, aos seguintes produtos:
a) café / cana-de-açúcar / soja.
b) milho / trigo / arroz.
c) laranja / soja / cana-de-açúcar.
d) café / milho / soja.
e) laranja / cana-de-açúcar / trigo.
.
Questão 05
A propósito da agricultura brasileira, pode-se afirmar que
a) a escravidão por dívida consiste numa situação de servidão do trabalhador, característica da
parceria.
b) o Estatuto do Trabalhador Rural dos anos sessenta substituiu a antiga Legislação dos
Trabalhadores Rurais.
c) a empresa agropecuária capitalista caracteriza-se pela presença do trabalhador agregado.
d) a denominação "bóia-fria" é dada ao trabalhador temporário que vive nos latifúndios.
e) a unidade familiar de subsistência tanto pode contratar força de trabalho quanto vender trabalho
familiar.
Questão 06
No Brasil, a atuação de empresas transnacionais no setor agroindustrial apresenta
I. investimentos no plantio e na aquisição de terras.
II. participação na produção vinícola que integra a base alimentar da população brasileira.
III. investimentos no beneficiamento de produtos agrícolas.
IV. associação e fusão com empresas de capital nacional do setor.
Está correto o que se afirma em
a) apenas I.
b) I e II.
c) I, III e IV.
d) II, III e IV.
e) apenas IV.
Questão 07
Apesar do recente crescimento do setor industrial e de serviços, a cidade de Londrina ainda guarda
importante ligação com as origens da ocupação do Norte do Paraná, pois
a) é importante centro madeireiro, concentrando indústrias de móveis que têm nas reservas do
pinheiro de araucária sua principal matéria-prima.
b) mantém uma importante produção de cana-de-açúcar, cujo cultivo nesta região remonta ao período
colonial e à expansão portuguesa.
c) possui a maior colônia italiana da região Sul, que aí se concentraram na virada do século, através
de projetos de colonização dirigida.
d) é o principal centro produtor de trigo do país, produção que orientou a ocupação e valorizou as
áreas da região na década de 1960.
e) é importante centro de comercialização de café do país, sedia escritórios de exportadoras e mantém
Bolsa de Cereais e Mercadorias.
Anotações
34 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 08
A região sombreada no mapa está encontrando na fruticultura uma saída para seu crescimento
econômico. A alternativa que contém o nome da região em destaque e as características da natureza
que vêm possibilitando essa expansão, é:
a) Serrana - patamares escalonados e fortes chuvas de relevo
b) Noroeste Fluminense - morros cristalinos e pequena insolação
c) Baixadas Litorâneas - encostas pronunciadas e intensa precipitação
d) Norte Fluminense - áreas planas e desenvolvimento de cana, devido a abundância de água.
Anotações
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café
35 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
Em 1975, o Governo Militar brasileiro, para enfrentar a alta geral
dos preços internacionais do petróleo, baixou um Decreto criando o
Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL). Dentre as principais
conseqüências sociais e ambientais desse importante programa,
estão:
( ) a aceleração do processo de proletarização do trabalhador
rural.
( ) a diminuição da poluição dos cursos de água,
especialmente na Zona da Mata nordestina.
( ) a intensa utilização dos agrotóxicos nas novas áreas
cultivadas com cana-de-açúcar.
( ) a diminuição da mão-de-obra empregada na lavoura
canavieira, com a elevada mecanização das atividades agrícolas.
( ) a intensificação da concentração fundiária.
Questão 02
As afirmativas a seguir abordam certos aspectos do tema
Agricultura Brasileira. Analise-as.
( ) A expansão cafeeira, iniciada no Rio de Janeiro e atingindo
seu apogeu no deslocamento pelas terras do oeste paulista,
propiciou as transformações econômicas, sociais e políticas
fundamentais ao País, durante e após o Império.
( ) Apesar de ter no Sudeste e no Sul do Brasil uma agricultura
que utiliza sistemas agrícolas mais adiantados, de uma maneira
geral, a agricultura brasileira ainda apresenta amplos espaços com
um baixo nível tecnológico.
( ) O País possui condições geográficas bastante favoráveis ao
desenvolvimento das atividades agrícolas, uma vez que dispõe de
amplas terras agricultáveis e climas que vão do equatorial ao frio.
( ) A acumulação de capitais oriundos da expansão cafeeira
determinou a aceleração do processo de industrialização e
urbanização em São Paulo e em outras áreas do Brasil.
( ) Para o colonizador português, a escolha da Zona da Mata
do Nordeste, como área produtora da agroindústria açucareira, foi
devida apenas às condições edáficas ali encontradas, como por
exemplo o solo massapé.
Questão 03
Analisando as relações cidade e campo no Nordeste Brasileiro é
correto afirmar que:
a) a liberação de mão-de-obra no campo em função da
mecanização agrícola é uma das características do espaço rural.
b) o espaço rural vem se tornando cada vez mais independente do
espaço urbano.
c) as elevadas taxas de produtividade agrícola, através da
modernização do setor, explicam o aumento do êxodo rural.
d) a pecuária na região do sertão é hoje praticada de forma
intensiva com elevados índices de produtividade, liberando mão-
de-obra do campo para as cidades.
e) a migração campo-cidade provoca intensa urbanização
produzindo periferias urbanas deficientes em infra-estrutura e
serviços urbanos.
Questão 04
Sobre a estrutura fundiária e as relações de trabalho no campo
brasileiro, assinale a alternativa correta.
a) A estrutura fundiária apresenta acentuada concentração da
propriedade decorrente das formas de apropriação das terras,
desde o período colonial.
b) A partir de 1850, com a Lei de Terras, todos os trabalhadores
rurais passaram a ter acesso à terra.
c) A modernização do campo proporcionou a extinção dos
contratos de parceria em todas as regiões brasileiras.
d) Nas áreas de fronteiras agrícolas, todos os trabalhadores rurais
possuem títulos de propriedade da terra.
e) Os bóias-frias são assalariados que trabalham nas propriedades
de forma permanente e com vínculo empregatício.
Questão 05
Os cultivos modificados geneticamente vêm sendo fortemente
criticados e repudiados em sua comercialização como alimento por
alguns setores da Comunidade Européia. Assinale a alternativa
correta que indica a denominação desses alimentos.
a) Poligênicos. d) Mutagênicos.
b) Clonados. e) Transgênicos.
c) Enxertados.
Questão 06
"Em 1964, o Estatuto da Terra estabeleceu o conceito de 'módulo
rural' para orientar a política de reforma agrária, o qual consiste
numa propriedade com extensão de terra suficiente para oferecer
condições de vida adequadas para uma família de quatro membros
adultos. Isso significa que o tamanho de um módulo rural varia de
região para região, dependendo da fertilidade do solo, da
localização da propriedade em relação aos mercados
consumidores e do tipo de produto cultivado na região. Desse
modo, foi possível classificar os vários tipos de propriedades rurais
conforme suas dimensões em relação ao módulo rural definido
para a região onde cada propriedade se localiza."
(Adaptado de: SENE, E.; MOREIRA, J. C. "Geografia geral e do Brasil: espaço
geográfico e globalização". São Paulo: Scipione, 1998. p. 280.)
O texto acima mostra que, na políticade reforma agrária, o
importante não é o tamanho da propriedade em si, mas o uso que
se faz dela. Sobre o assunto, e seguindo os critérios usados para
fins de reforma agrária, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
( ) O "minifúndio" é um tipo de propriedade com extensão
inferior ao módulo rural da região, sendo portanto impróprio para
gerar renda suficiente ao sustento digno de uma família de
tamanho médio.
( ) O "latifúndio" por dimensão é um tipo de propriedade com
tamanho superior a 600 vezes o módulo rural da região e produção
agroindustrial em larga escala.
( ) O "latifúndio por exploração" tem como principal
característica a improdutividade, já que a área desse tipo de
latifúndio é destinada sobretudo à especulação imobiliária.
( ) A "empresa rural" é um tipo de propriedade explorada de
forma inadequada; utiliza intensamente agrotóxicos e técnicas
agrícolas que degradam a fertilidade dos solos, sendo por isso
objeto de desapropriação para fins de reforma agrária.
Questão 07
A terra cedida a terceiros em troca de parte da produção
caracteriza o sistema de meia ou de terça.
Esse modo de exploração da terra se dá sob forma de
a) arrendamento. c) ocupação.
b) parceria. d) grilagem
36 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 08
Quanto à utilização, o espaço agrário brasileiro encontra-se ainda,
em boa parte, condicionado pelo mercado externo. Compreende
lavouras que, além de atender às necessidades do mercado
interno, destinam grande parte de sua produção à exportação.
Sobre esse tema, analise o mapa a seguir.
BRASIL: EXEMPLOS DE LOCALIZAÇÃO DE CULTIVOS
COMERCIAIS
Fonte: Adaptado de Adas, 1998.
Assinale a alternativa que completa corretamente, de cima para
baixo, as linhas da legenda do mapa acima.
a) cana-de-açúcar - algodão - arroz - cacau
b) café - cana-de-açúcar - soja - cacau
c) café - algodão - arroz - cana-de-açúcar
d) arroz - algodão - soja - laranja
e) café - cana-de-açúcar - arroz - cacau
Questão 09
Sobre a agricultura brasileira são feitas as seguintes afirmações.
I - A mecanização da agricultura é uma das manifestações da
modernização agrícola, e trouxe consigo o êxodo rural.
II - A estrutura fundiária brasileira mantém-se excludente, na
medida em que privilegia o grande capital e as culturas de
exportação, em detrimento da agricultura familiar.
III - A reforma agrária é atualmente uma das grandes questões
sociais e políticas do Brasil, congregando vários setores da
sociedade e partidos políticos.
Quais estão corretas?
a) Apenas I. d) Apenas I e II.
b) Apenas II. e) I, II e III.
c) Apenas III.
Questão 10
Leia o texto a seguir.
"O processo de industrialização da agricultura tem eliminado
gradativamente a separação entre a cidade e o campo, entre o
rural e o urbano, unificando-os dialeticamente."
(OLIVEIRA, A. V. Agricultura Brasileira: Transformações recentes. In:
Ross, I. (ORG) "Geografia do Brasil". São Paulo: Edusp/FDE, 1995. p. 475.)
Considerando esse assunto, assinale a(s) alternativa(s) que
constitui(em) exemplo(s) da relação rural/urbana a que se refere o
texto.
I. fixação na cidade do trabalhador assalariado do campo
II. comercialização e transformação da produção agrícola na
cidade
III. expansão, no meio rural, da agricultura familiar
IV. manifestações, nas cidades, dos movimentos sociais rurais
Está(ão) correta(s)
a) apenas I. d) apenas III e IV.
b) apenas II e III. e) I, II, III e IV.
c) apenas I, II e IV.
Questão 11
"Tem muita gente sem terra
tem muita terra sem gente"
(Cartaz do MST, inspirado nos versos de lavradores de Goiás.)
A luta pela terra no Brasil, existe há décadas e já fez várias vítimas
entre trabalhadores do campo, religiosos e outros. Entre as
principais razões dos conflitos de terra no Brasil, pode-se citar:
a) a disputa pelas poucas áreas férteis em nosso território, típico
de terras montanhosas.
b) a concentração da propriedade da terra nas mãos de poucos e a
ausência de uma reforma agrária efetiva.
c) a divisão excessiva da terra em pequenas propriedades,
dificultando o aumento da produção.
d) a perda do valor da terra agrícola pelo crescimento da
industrialização no nosso país.
e) a utilização intensiva de mão-de-obra permanente, onerando o
grande produtor rural.
Questão 12
O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi criado em 1975,
como uma forma encontrada pelo governo brasileiro para enfrentar
as crises do petróleo, iniciadas em 1973. Sobre o Proálcool,
assinale a alternativa INCORRETA:
a) Baseou-se em uma forte política de subsídios e financiamento a
juros baixos aos grandes usineiros, agravando ainda mais o
problema fundiário no país.
b) Contribuiu para atenuar a crise do setor açucareiro brasileiro na
década de 70, devido aos baixos preços internacionais do açúcar.
c) Possibilitou a abertura de novas fronteiras agrícolas, evitando
investimentos em plantações e usinas já existentes.
d) Representou uma fonte de desenvolvimento de tecnologias
"limpas" por aproveitar a cana-de-açúcar como fonte de energia
renovável.
e) Ocasionou uma série de problemas ambientais pela dificuldade
de aproveitamento e armazenamento dos resíduos da produção de
álcool.
Questão 13
A área em destaque no mapa abaixo é uma região do Estado de
São Paulo que tem como principais atividades econômicas a
pecuária de corte, as culturas de soja e cana-de-açúcar, além de
uma agricultura de produtos alimentares pouco desenvolvida. Esta
região ganhou projeção nacional no ano de 1990, quando o
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou
uma ocupação em terras devolutas existentes na área. Mesmo
passados quase dez anos da ação do MST, esta região é
altamente conflitante, assim como outras do Brasil (Nonoai-RS,
Eldorado do Carajás-PA e áreas do sertão da Bahia).
A área em destaque no mapa é conhecida por
a) Alto Paraná. d) Conceição do Araguaia.
b) Bico do Papagaio. e) Pontal do Paranapanema.
c) Baixo Pantanal.
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
A AGROPECUÁRIA II: A SOJA, A LARANJA E O
ALGODÃO
A SOJA
A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma das mais
importantes culturas na economia mundial. Seus grãos são
muito usados pela agroindústria (produção de óleo vegetal e
rações para alimentação animal), indústria química e de alimentos.
Recentemente, vem crescendo também o uso como fonte
alternativa de biocombustível (COSTA NETO & ROSSI, 2000).
A soja apresenta como centro de origem e domesticação o
nordeste da Ásia (China e regiões adjacentes) e a sua
disseminação do Oriente para o Ocidente ocorreu através de
navegações.
No Brasil, o primeiro relato sobre o surgimento da soja através de
seu cultivo é de 1882, no estado da Bahia (BLACK, 2000).
Em seguida, foi levada por imigrantes japoneses para São
Paulo, e somente, em 1914, a soja foi introduzida no estado do
Rio Grande do Sul, sendo este por fim, o lugar onde as
variedades trazidas dos Estados Unidos, melhor se adaptaram às
condições edafoclimáticas, principalmente em relação ao
fotoperíodo.
Durante a década de 1970 e início da década de 1980, a expansão
da soja se baseou na abertura e consolidação de novas áreas para
agricultura nas regiões Sul e Centro-Oeste. Essa forma de
expansão deveu-se, em grande parte, a três fatores: (1) mercado
favorável; (2) políticas agrícolas de incentivo ao complexo
agroindustrial nacional; (3) desenvolvimento e estabelecimento de
uma ampla cadeia produtiva, que permitiu a oferta crescente de
modernas tecnologias de produção, associadas com diversos
aspectos, como melhoramento vegetal, produção de sementes,
manejo e fertilidade do solo e controle deHudson, 1941, revista O Cruzeiro.
A grande e decisiva arrancada industrial ocorreu a partir da década
de 1950 com o chamado Plano de Metas no governo Juscelino
Kubitschek (1956-1961). A eleição de JK representou o início do
rompimento com a política nacionalista de Vargas. O novo modelo
nacionalista defendido por JK, concentrava-se no estímulo da
produção local, não levando em conta a origem dos capitais
investidos, esse fato marca o início da internacionalização do
parque industrial brasileiro.
O Plano de Metas que tinha com objetivo "crescer cinquenta anos
em cinco”. Desenvolver a indústria de base, investir na construção
de estradas e de hidrelétricas e fazer crescer a extração de
petróleo, tudo com o objetivo de arrancar o Brasil de seu
subdesenvolvimento e transformá-lo num país industrializado. Os
industriais brasileiros continuavam investindo nos setores
tradicionais (tecido, móveis, alimentos, roupas e construção civil), e
as multinacionais entravam no Brasil pela primeira vez, para a
produção de bens de consumo.
O plano teve tanto consequências positivas quanto negativas para
o país. Por um lado, deu-se a modernização da indústria; por outro,
o forte endividamento internacional por causa dos empréstimos,
que fizeram possível a realização do plano e a dependência
tecnológica. Isto sem falar no grande êxodo rural, porque, à medida
em que os centros urbanos se desenvolviam, as características da
vida rural não progrediam e reformas não eram implementadas.
O Plano de Metas dividiu-se em 31 metas que privilegiavam 4
setores da economia brasileira: energia, transporte, indústrias de
base e alimentação.
A DITADURA E O MILAGRE ECONÔMICO
Durante a Ditadura Militar, a indústria doméstica continuava
protegida da concorrência internacional pelas elevadas tarifas de
importação. Entretanto, a estrutura produtiva passou a ser
dominada por três agentes: o capital estatal (que predominava nos
setores de infraestrutura e de bens de produção), o capital privado
nacional (dominava o setor de produção de bens de consumo não
duráveis, tais como têxteis, alimentos, calçados, etc) e o capital
transnacional (que destacava-se principalmente no setor de bens
de consumo duráveis, que se tornou o mais dinâmico da economia
brasileira).
A partir da segunda metade do século XX o setor automobilístico
torna-se o setor industrial de maior destaque no cenário nacional,
acompanhado de perto pelos eletrodomésticos.
O “sucesso” deste modelo econômico teve como suporte: a visão
autoritária do regime militar, a abertura do Estado às elites
capitalistas, a exploração da mão-de-obra, a grande concentração
de renda e o elevado endividamento externo. Já no fim da década
de 1960, o país amplia seu parque industrial e vem à tona o
chamado milagre econômico brasileiro (1968-1974), período no
qual a economia brasileira crescia a taxas anuais de 9%, um
2 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
crescimento comparado somente ao japonês e ao alemão do
período 1950 e 1960.
A construção da ponte Rio-Niterói (RJ), 1974, foi uma das obras
que mais marcaram o período do milagre econômico.
MILAGRE ECONÔMICO?
Entre 1968 e 1974, a economia brasileira sofreria uma notável
expansão, refletida no crescimento acelerado do PIB. O
período, que ficou conhecido como ‘milagre brasileiro’ em
alusão aos ‘milagres’ alemão e japonês, seria marcado por
taxas de crescimento excepcionalmente elevadas, que foram
mantidas, enquanto a inflação, ‘controlada e
institucionalizada’, declinava, estabilizando-se em torno de 20
a 25% ano ano [...] Em setembro de 1970, a Bolsa de Valores
do Rio de Janeiro bateu o recorde de volume de transações
em toda a sua história, negociando 24 milhões de cruzeiros
num só dia, fato que se repetiria no ano seguinte.
Emílio Garrastazu Médici. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. FGV/CPDOC.
A partir de 1967, retomou-se o processo de desenvolvimento,
graças à conjuntura favorável no plano internacional, que contava
com um excesso de liquidez, ou seja, dólares à procura de
aplicação. Aproveitando a situação, o ministro Delfim Netto lançou
o plano de combate à inflação, assentado em duas bases: o
endividamento externo para a obtenção da tecnologia estrangeira e
a concentração da renda para criar um mercado consumidor. Esse
plano garantiu um crescimento econômico, mas condenou o
mercado a se desenvolver de uma forma distorcida, aumentando
as desigualdades sociais. Outro lado negativo foi a perda da
soberania nacional, em razão da dominação da nossa economia
pelas multinacionais.
Delfim Neto e o General Médici, 1971.
Aula 19 – A Política Substitutiva e a Industrialização Pós-1930
3 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
O período que vai de 1956 a 1967 é considerado como a primeira fase da industrialização pesada no
Brasil.
Barjas Negri. Concentração e desconcentração industrial em São Paulo – 1880-1990. Campinas: Unicamp, 1996.
Sobre as características da industrialização brasileira no período de 1956 a 1967, é correto afirmar
que:
a) houve uma associação entre investimentos no setor estatal e a entrada de capital estrangeiro, que
propiciaram a instalação de plantas produtoras de bens de capital.
b) a instituição do Plano de Metas, que teve como principal finalidade incrementar a incipiente
industrialização do Rio de Janeiro e de São Paulo, marcou politicamente esse momento do processo.
c) partiu do Estado Brasileiro, de caráter fortemente centralizador e nacionalista, a criação das
condições para a nascente indústria têxtil que se instalava no país, por meio de diversos incentivos e
isenções fiscais.
d) ocorreu a implantação de multinacionais do setor automobilístico, que se concentraram em São
Paulo, principalmente ao longo do eixo da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em direção a Ribeirão
Preto.
e) se trata de uma fase marcada pela política de “substituição de importações”, uma vez que se deu
um incremento da indústria nacional, pela abundância de mão de obra.
Questão 02
Observe a tabela abaixo.
Com base na tabela e nos conhecimentos de Geografia Industrial, assinale a alternativa correta.
a) Na década de 70, a política de substituição de importações de petróleo levou à modernização
tecnológica do setor petrolífero e ao consequente salto de produtividade expresso nos dados da
tabela.
b) Na década de 80, o retrocesso da indústria foi resultado da opção do governo de privilegiar as
exportações de produtos agrícolas com o fim de obter divisas para o pagamento da dívida externa.
c) Na década de 90, a produtividade cresceu mais rapidamente em função dos estímulos criados pelo
controle da inflação, pela abertura da economia e também pela atração de investimento direto
estrangeiro.
d) A desconcentração espacial da indústria tem como contrapartida a redução do ritmo de inovação
tecnológica, razão pela qual a produtividade só cresceu com força nas décadas de 70 e 90, quando
aumentou o nível de concentração industrial em São Paulo.
e) Na primeira década do séc. XXI, o fraco crescimento da produtividade resultou da privatização de
empresas do setor produtivo estatal, medida que implicou a desativação dos centros de pesquisa
científica dessas empresas.
Questão 03
Na(s) questões adiante escreva, no espaço apropriado, a soma dos itens corretos.
A industrialização, no Brasil, provocou profundas transformações na organização do espaço.
Baseando-se nessa afirmativa, pode-se dizer:
(01) No período do governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil atingiu um estágio de desenvolvimento e
independência econômicaplantas daninhas, pragas
e doenças, dentre outros.
A partir de meados dos anos 1980, com a consolidação da cadeia
produtiva da soja brasileira como segmento dinâmico e moderno, o
processo de expansão da área cultivada começou a migrar da
abertura de novas áreas, para a substituição de atividades
produtivas, como a bovinocultura de corte e o cultivo de arroz.
Nesse sentido, destaca-se, por exemplo, que gradativamente a
oleaginosa passou a ocupar importantes áreas já consolidadas de
pastagens degradadas, haja vista as baixas eficiências técnica e
econômica de grande parte dos sistemas de pecuária de corte
tradicionais, em relação aos níveis de eficiência observados na
exploração sojícola.
Como alternativa para melhorar a estabilidade de produção e de
renda dos produtores, nos últimos anos, os sistemas de integração
lavoura-pecuária têm sido ampliados em áreas de pastagens.
A exploração da oleaginosa iniciou-se no sul do país e hoje já é
encontrada nos mais diferentes ambientes, retratado pelo avanço
do cultivo em áreas de Cerrado. Nos anos 80, a soja liderou a
implantação de uma nova civilização no Brasil Central
(principalmente nos estados de Goiás e Mato Grosso),
levando o progresso e o desenvolvimento para regiões
despovoadas e desvalorizadas A expansão continua em novos
territórios do bioma Cerrado, estabelecendo uma nova fronteira
agrícola chamada de Mapitoba – Maranhão, Piauí, Tocantins e
Bahia, no Norte e Nordeste do país. Apesar das condições
edafoclimáticas ideais para o cultivo da soja, o crescimento
contínuo da área cultivada na região enfrenta desafios como
avanço em logística para o transporte do grão e além
disso, impasses na questão ambiental, na qual o código
florestal tenta reduzir o desmatamento na região.
Segundo o levantamento da safra brasileira de grãos 2009/10,
divulgado em setembro pela Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), as colheitas alcançaram a produção
recorde de 68,68 milhões de toneladas em 23,6 milhões de
hectares cultivados. Na safra 2010/11 a soja pode vir a bater um
novo recorde de produção no Brasil, atingindo mais de 70
milhões de toneladas em uma área de aproximadamente 24
milhões de hectares (CONAB, 2010).
O crescimento da cultura da soja no país esteve sempre
associado aos avanços científicos e a disponibilização de
tecnologias ao setor produtivo. A mecanização e a criação de
cultivares altamente produtivas adaptadas às diversas regiões, o
desenvolvimento de pacotes tecnológicos relacionados ao
manejo de solos, ao manejo de adubação e calagem, manejo de
pragas e doenças, além da identificação e solução para os
principais fatores responsáveis por perdas no processo de
colheita, são fatores promotores desse avanço.
O cenário otimista de um país que tem para onde e
como crescer a sua produção, projeta um salto produtivo na
cultura de mais de 40% até 2020, enquanto que nos Estados
Unidos, atualmente o maior produtor mundial, o crescimento no
mesmo período deverá ser no máximo de 15%. Com essa
projeção, o Brasil atingirá a produção de mais de 105
milhões de toneladas, quando será isoladamente o maior
produtor mundial dessa commodity (VENCATO et al., 2010).
O MILHO
O milho é um conhecido cereal cultivado em grande parte do
mundo sendo utilizado como alimento humano ou ração animal,
devido às suas qualidades nutricionais. Dentro da realidade desse
cereal, o Brasil seria o terceiro maior produtor mundial de milho. A
primeira ideia é o cultivo do grão para atender ao consumo na
mesa dos brasileiros, mas essa é a parte menor da produção. O
principal destino da safra são as indústrias de rações para animais
como citado no início.
Fonte: FIESP
Juntamente com a soja, o milho é cultivado principalmente nas
regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O Brasil está entre os
países que terão aumento significativo das exportações de milho,
ao lado da Argentina. O crescimento será obtido por meio de
ganhos de produtividade. Enquanto a produção de milho está
projetada para crescer 2,67% ao ano nos próximos anos, a área
plantada deverá aumentar 0,73%.
A produção de milho no Brasil, juntamente com a soja, contribui
com cerca de 80% da produção de grãos no Brasil, mas a soja
38 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
possui maior valor por ser produto de exportação, enquanto que o
milho atende ao mercado interno. A importância do milho não está
apenas na produção de uma cultura anual, mas em todo o
relacionamento que essa cultura tem na produção agropecuária
brasileira, tanto no que diz respeito a fatores econômicos quanto a
fatores sociais. Pela sua versatilidade de uso, pelos
desdobramentos de produção animal e pelo aspecto social, o milho
é um dos mais importantes produtos do setor agrícola no Brasil.
Os principais estados produtores de milho no Brasil são a Bahia,
Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do
Sul, Mato Grosso e Goiás. A produção nacional tem como
expectativa alcançar 70,12 milhões de toneladas nos próximos dez
anos.
CITRICULTURA
A citricultura engloba uma gama variada de espécies de laranjas,
limas, tangerinas, limões, etc., dos quais a de maior importância
agrícola é a laranja. A citricultura que tem como principal produto a
laranja é uma das mais destacadas agroindústrias do Brasil e torna
o nosso país responsável por 60% da produção mundial de suco
de laranja, sendo também o campeão de exportações do produto.
São colhidas, anualmente no País, mais de 18 milhões de
toneladas de laranja ou cerca de 30% da safra mundial da fruta.
Para ser mais exato, somente o Estado de São Paulo responde por
mais de 28,8% do total produzido no globo, (dados do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e IBGE). Em
segundo lugar, viriam os Estados Unidos com cerca de 15% do
total.
Mas afinal, quais razões justificam uma tão concentrada produção
em um único estado? É possível responder a essa pergunta com
algumas características encontradas no estado:
• Clima favorável que permite colheita de safras durante o ano
todo.
• Baixo custo de produção.
• Proximidade do setor produtivo.
• Indústrias de grande escala, com navios próprios para
distribuição de suco e armazéns de portos particulares.
Ainda que o suco brasileiro seja considerado de ótima qualidade,
quando se trata de exportar para os Estados Unidos, as cargas são
submetidas a uma rigorosa inspeção pelo USDA sendo
classificados através de uma escala que atribui pontos às vendas
como cor, sabor e defeitos. Vale ainda ressaltar que os Estados
Unidos já foram acusados por diversas vezes de aplicarem
sobretaxas e outras medidas protecionistas.
A RIZICULTURA
Juntamente com o feijão, o arroz compõe a alimentação diária dos
brasileiros e está entre os cereais mais consumidos do mundo. O
Brasil durante muitos anos foi exportador de arroz, mas a partir da
década de 80 passou a importar pequenas quantidades.
Atualmente, somente 5% da produção nacional é destinada à
exportação e com a elevação do consumo, espera-se um aumento
nas importações na casa de 652,85 mil toneladas para a safra
2019/2020, onde os grandes exportadores para o Brasil são o
Uruguai e a Argentina que corresponde a 85 a 90% do arroz
importado.
Atualmente o estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor do
país e juntamente com o estado de Santa Catarina contribui, em
média, com 54% da produção nacional.
O ALGODÃO
Além de ser destinado, em grande parte, para o mercado externo,
o algodão era utilizado nas vestimentas dos escravos. As fibras de
algodão já eram utilizadas pelos índios na produção de redes.
Com a decadência da mineração no país,os colonizadores
começaram a enfrentar problemas com a crise. E, para que ela não
afetasse a economia europeia, começaram a cultivar diversos
produtos no país: algodão, tabaco, açúcar, arroz, cacau, café,
dentre outros. Todos eles eram cultivados essencialmente para
suprir as necessidades do mercado externo.
O algodão (também chamado de ouro branco), obteve atenção
especial não somente com a Revolução Industrial, mas sobretudo
pela Independência da Treze Colônias, as quais auxiliavam no
envio do produto para a Inglaterra.
O Ciclo do Algodão no Brasil ocorreu entre a segunda metade do
século XVIII e começo do século XIX. Neste período, a produção
de algodão era quase toda voltada para o mercado externo,
principalmente para a Inglaterra, que passava pelo auge da
Revolução Industrial Inglesa. Portanto, o algodão brasileiro foi
muito usado como matéria-prima para a indústria têxtil britânica.
Vale ressaltar que, nesta época, o algodão não era o único produto
da economia brasileira. A economia era diversificada, embora
centrada na produção de gêneros agrícolas.
Neste período, a principal região produtora de algodão do mundo
era o sul dos Estados Unidos, cuja quase totalidade da produção
também era destinada à indústria têxtil inglesa.
O algodoeiro é uma das principais plantas domesticadas pelo
homem e uma das mais antigas, tendo registros de seu uso a mais
de 4.000 anos, sendo cultivado comercialmente em mais de 65
países, em uma área anual superior a 30 milhões de hectares.
Essa cultura representa mundialmente mais de 40% da vestidura
da humanidade.
Durante anos o Brasil importou algodão, mas com um mercado
interno crescente e o avanço da tecnologia, passou a ocorrer um
nítido aumento da produtividade que elevou o Brasil ao patamar de
terceiro maior exportador de algodão. A cotonicultura nacional tem
sua produção voltada prioritariamente para atender às
necessidades da indústria têxtil, ainda que também ocorra
exportação do produto.
Atualmente o Brasil possui um índice de produtividade
consideravelmente superior ao dos Estados Unidos (cerca de
60%), e são os estados do Mato Grosso e Bahia os principais
responsáveis pela maior parte da produção nacional (cerca de
82%). Nossos maiores compradores são a Indonésia, a Coréia do
Sul, a China, os Estados Unidos e a União Europeia.
Aula 24 – A Agropecuária II – A Soja, a Laranja e o Algodão
39 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
A lógica do desenvolvimento capitalista na agricultura se faz no interior do processo de
internacionalização da economia brasileira. Esse processo se dá no âmago do capitalismo mundial e
está relacionado, portanto, com o mecanismo da dívida externa.
(Adaptado de Ariovaldo Umbelino de Oliveira, "Agricultura Brasileira: Transformações Recentes" in: Jurandyr L. S. Ross
(org.), Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995, p. 468-469.)
A soja é um dos principais produtos exportados pelo Brasil. Explique a expansão, a partir de 1970, da
cultura da soja em nosso país.
Questão 02
Apesar do conhecimento acumulado em anos de práticas agrícolas, a tendência à homogeneização
dos tipos de produção vem preocupando cientistas e ativistas ecológicos do mundo inteiro.
Baseadas em um mercado mundial de "commodities" e estruturas agroindustriais a elas relacionadas,
apenas quatro principais culturas de cereais destacam-se na produção mundial:
a) batata, beterraba, trigo e cevada.
b) cevada, trigo, aveia e mandioca.
c) mandioca, feijão, arroz e milho.
d) soja, feijão, aveia e batata.
e) trigo, milho, arroz e soja.
Questão 03
Considere o gráfico apresentado a seguir.
Atualmente, na produção agrícola brasileira, ocorreu aumento de produção de vários produtos do
mercado interno, o que se explica principalmente pela prática da associação de culturas em grandes
propriedades. No gráfico anterior temos representada essa situação.
Os produtos C e D são:
a) trigo e milho. d) arroz e café.
b) milho e café. e) arroz e feijão.
c) feijão e trigo.
Questão 04
No período de 30 anos indicado no gráfico,
a) nenhuma região permaneceu na mesma posição na distribuição do gado bovino.
b) a região III, o Norte, deixou de ter o maior gado bovino.
c) houve um pequeno aumento do rebanho bovino em todas as regiões.
d) a região V, o Sul, passou a ter o maior rebanho bovino.
e) a região V, o Centro-Oeste, passou a ter o maior rebanho bovino.
Anotações
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 05
Observe os mapas apresentados a seguir, para responder à questão.
A observação dos mapas e seus conhecimentos sobre a agricultura brasileira permitem afirmar que as
áreas assinaladas correspondem ao avanço
a) do café, que deixou de ser um produto essencialmente sulino para ocupar áreas antes destinadas a
pastagens naturais.
b) do milho, que se aproveitando das freqüentes altas no mercado internacional, expandiu-se por
áreas de terras economicamente mais valorizadas.
c) da soja, que deve o aumento da produção e da produtividade à incorporação de modernas
tecnologias e à ocupação de novas áreas.
d) do algodão, que, com as desvalorizações cambiais, tornou-se um produto caro para ser importado e
passou a ser cultivado em associação aos cultivos de subsistência.
e) da cana-de-açúcar, que tem incorporado novas áreas de cultivo, graças aos incentivos, oferecidos
pelo Estado aos pequenos e médios proprietários.
Questão 06
"Foi ocupada com pecuária extensiva em pastos naturais; suas terras não são muito férteis; existência
de seis meses de seca de abril a setembro; grande parte de seu bioma já perdeu a cobertura vegetal
original; atualmente vem sendo ocupada por extensas plantações de soja."
Essas características referem-se:
a) ao Planalto Meridional.
b) ao Sertão Nordestino.
c) à Região Amazônica.
d) à Região do Cerrado.
e) à Região do Pantanal.
Questão 07
"Produtores ganham com plantio de soja tradicional, mas querem a transgênica."
"Preferência européia por grão convencional fez crescer demanda."
("Folha de S. Paulo", 4. ago. 2000).
A questão da biotecnologia está registrada na imprensa.
Sobre a biotecnologia na agricultura, podemos considerar:
I- A revolução da biotecnologia na agropecuária vai desde a inserção do hormônio do crescimento
bovino no gado, para aumentar a produção de leite, até as transferências de embriões, as alterações
genéticas das células reprodutoras dos peixes, aves, coelhos e porcos, criação de plantas resistentes
a vírus e insetos, até a criação de lavouras insensíveis a determinados pesticidas, etc.
II- A biotecnologia também põe em risco as possibilidades que o mundo em desenvolvimento tem de
melhorar a sua posição econômica relativa. A pesquisa relacionada com o DNA - a engenharia
genética - oferece as melhores perspectivas de aumentar a produção geral de alimentos, mas é muito
cara e está quase que exclusivamente nas mãos de companhias agroquímicas e biotécnicas do
mundo desenvolvido.
III- Mesmo que os agricultores dos países em desenvolvimento fossem capazes de custear os
métodos mais novos de agricultura biotécnica, eles se tornariam dependentes - como muitos de seus
colegas no mundo desenvolvido - das empresas ocidentais para os hormônios, sementes, fertilizantes
e herbicidas necessários.
Assinale a alternativa correta:
a) Somente I. d) Somente I e II.
b) Somente II. e) Todas.
c) Somente III.
Anotações
Aula 24 – A Agropecuária II – A Soja, a Laranja e o Algodão
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Questão 08
Considere a frase apresentada a seguir sobre o nordeste brasileiro.
"O sertão vai virar... (po)mar!"
(José Arbex Jr. e Nelson Bacic Olic. "O Brasil emregiões - Nordeste". São Paulo: Moderna, 1999. p. 38.)
A frase faz referência, principalmente, às mudanças recentes no uso do solo nordestino, a saber:
a) o cultivo de cana-de-açúcar na região do Cariri-CE, nos chamados "brejos de encosta".
b) a recuperação de grandes áreas de produção de cacau, anteriormente devastadas por pragas como
a "vassoura de bruxa".
c) a ampliação das áreas de cultivo de coqueiros em direção ao interior nordestino.
d) a introdução da fruticultura irrigada no médio vale do Rio São Francisco.
e) a exploração da Mata dos Cocais no Maranhão, através de métodos extrativistas sustentáveis.
Anotações
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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
"A quantidade de postos de trabalho não-agrícolas gerados no
campo brasileiro cresceu 35% nos anos 90, saltando de 3,4
milhões para 4,6 milhões. Já os postos de trabalho ligados
diretamente à lavoura diminuíram 9% na mesma década, passando
de 11 milhões para 10 milhões."
(Adaptado de "Veja", 20/09/00.)
Com base no texto e no conhecimento sobre a modernização da
agricultura brasileira, considere as seguintes afirmativas:
I - A atividade não-agrícola vem ganhando importância como fator
de fixação do homem no campo, na medida em que aumenta o
número de estabelecimentos rurais onde se desenvolvem
atividades econômicas diversificadas.
II - A industrialização da agricultura implicou mudanças no modo de
produzir e nas relações sociais de trabalho.
III - Parte dos trabalhadores agrícolas dispensados pela
mecanização das lavouras já não migra para as cidades, devido às
novas oportunidades de emprego geradas no próprio meio rural.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
b) Apenas a afirmativa III é verdadeira.
c) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
d) Nenhuma das afirmativas é verdadeira.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.
Questão 02
Considere o gráfico e as afirmações a seguir.
I. A maior parte dos rendimentos de produtos agrícolas no Brasil se
equivalem aos norte-americanos.
II. No cultivo de exportação representado no gráfico, os
rendimentos agrícolas brasileiros estão próximos aos norte-
americanos.
III. Nas chamadas culturas de subsistência, o nível técnico é mais
baixo, e as diferenças entre os rendimentos brasileiro e norte-
americano são mais acentuados.
IV. A agricultura brasileira tem apresentado, no geral, elevação nos
níveis de rendimento, sobretudo em função do aumento da área
plantada.
Com base nos seus conhecimentos da agricultura brasileira pode-
se afirmar que estão corretas SOMENTE
a) I e II d) I, II e III
b) I e IV e) II, III e IV
c) III e IV
Questão 03
Analise as afirmações sobre o processo da formação do território
brasileiro no qual pode-se distinguir diferentes eixos de ocupação
ligados às atividades econômicas.
( ) A pecuária, praticada em caráter extensivo, foi de
importância fundamental na ocupação da região Norte, em especial
no vale do Rio Amazonas.
( ) A mineração deu o impulso fundamental para a ocupação
de áreas no interior do país, durante o período colonial.
( ) Na região Nordeste, a cultura da cana-de-açúcar foi
responsável pela ocupação inicial do litoral, a Zona da Mata,
avançando posteriormente para o Agreste.
( ) O café deu grande impulso à economia do Sudeste,
promovendo uma maior ocupação do interior do Estado de São
Paulo.
( ) Além da pecuária e da cana-de-açúcar, o cacau, o tabaco e
o algodão também foram importantes na constituição do espaço
econômico nordestino.
Questão 04
A partir de 1970, surgiram novas culturas no espaço agrário
brasileiro, como, por exemplo, a soja. Sobre esse produto, assinale
a alternativa correta.
a) Cultura produzida por grandes empresas rurais e destinada,
principalmente, ao mercado externo.
b) Cultura produzida em pequenas propriedades e, principalmente,
para o mercado interno.
c) Cultura de subsistência, produzida, principalmente, na região
Centro-Oeste do país.
d) Cultura produzida em escala comercial e dominante na Zona da
Mata nordestina.
e) Cultura produzida em escala familiar utilizando muita mão-de-
obra.
Questão 05
Observe as áreas hachuradas no mapa a seguir.
Nas duas últimas décadas, essas áreas hachuradas têm-se
notabilizado, no cenário nacional, devido
a) aos grandes projetos agroindustriais.
b) à intensa produção agrícola.
c) aos conflitos pela posse da terra.
d) à expansão da fronteira agrícola.
Questão 06
O gráfico abaixo representa a área ocupada pelas culturas de
arroz, milho, soja e trigo no município de São Francisco de
Assis/RS entre 1920 e 1990.
Fonte: IBGE, Censos Agrícolas.
Aula 24 – A Agropecuária II – A Soja, a Laranja e o Algodão
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Observando esse gráfico pode-se afirmar que
a) a produção agrícola do município caracteriza-se, desde a
década de 20, como voltada às culturas do binômio trigo-soja.
b) apesar da introdução da cultura da soja, a cultura do milho
continua crescendo.
c) diferentemente do norte do Estado, o impulso nas culturas do
trigo e da soja surge no município a partir da década de 70.
d) com a ampliação da área cultivada do trigo e da soja, as culturas
do milho e arroz sofreram drástica redução de área de plantio.
e) a política agrícola relativa ao binômio trigo-soja favoreceu, no
município, a expansão da área cultivada desde a década de 50 até
1990.
Questão 07
O mapa a seguir mostra um dos aspectos do espaço agrário
brasileiro.
ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL, 1995. p.143, IBGE. (adaptado)
Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(s).
01. A grande produção de trigo, laranja, cana-de-açúcar e café do
país coincide com a área em branco do mapa.
02. As áreas pontilhadas assinalam que o uso da terra está
destinado apenas à pecuária leiteira.
04. As áreas em branco representa, grosso modo, espaços onde a
agropecuária é pouco modernizada.
08. A produção agrícola com mais tratores, fertilizantes e
herbicidas corresponde à área pontilhada do Centro-Sul.
16. As setas indicam as tendências da expansão das áreas mais
modernizadas da agropecuária.
Soma ( )
Questão 08
A utilização do espaço agrário brasileiro apresenta muitas
variações, devido à influência dos fatores naturais, histórico-sociais
e técnicos.
Marque a alternativa que NÃO corresponde às características do
espaço agrário brasileiro.
a) A concentração populacional e o elevado nível de urbanização
fazem do Sudeste o grande mercado consumidor do país, para o
qual se volta boa parte das atividades agrárias organizadas com
fins comerciais.
b) A região Sul apresenta uma grande independência em relação
ao Sudeste, pela grande expansão da fronteira agrícola, nos
últimos anos, nos três estados que a compõem.
c) Em 1960, a área irrigada do Brasil estava em torno de 460 mil
hectares. Atualmente, este número ultrapassa os 3 milhões de
hectares, crescimento que foi fruto da atuação do Estado.
d) No Centro-Sul, que engloba as regiões Sudeste, Sul e a porção
meridional do Centro-Oeste, o aproveitamento do espaço agrário é
mais intensivo.
e) Um dos problemas do campo no Brasil é a distorção da estrutura
fundiária, acentuada com o processo de modernização da
agricultura.
Questão 09
O grande volume de produção de frutas tropicais do nordeste
brasileiro, cujo grande consumidor é o mercado europeu, deve-se
a) ao clima quente e úmido, sem mudanças bruscas e ao
aproveitamento das águas das nascentes do Rio São Francisco.
b) à tecnologia de irrigação por gotejamento e ao aproveitamento
das águas do Rio Capibaribe.
c) ao clima semi-árido e ao aproveitamento das águas do Rio São
Franciscopara irrigação.
d) ao clima tropical super úmido e ao aproveitamento das fortes
chuvas concentradas no verão.
e) ao clima desértico e à utilização de tecnologia israelense,
aproveitando o orvalho, frequente na região.
Questão 10
A importância do agronegócio na economia paulista e brasileira é
uma realidade, pois, "... ainda que tenha se industrializado, o Brasil
tem sua presença comercial internacional associada à
multiplicação de produtos com origem no rural, que respondem por
41,2% das vendas externas. E há ainda uma imensa possibilidade
de agregação de valor ao produto. A ruptura histórica da presença
brasileira no mercado mundial não está em deixar de ser
exportador de café para ser um exportador industrial. O desafio é
transformar-se de primário exportador de café em grão em
agroexportador de café processado, agregando valor ao vender
bens finais."
(Apta 2000-2003, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, SP.)
A melhor definição para agronegócio é:
a) combinação de cadeias produtivas de um produto rural, desde a
germinação até a colheita.
b) agregação de valor ao produto rural, por sua industrialização.
c) denominação moderna para o termo agropecuária.
d) agregação de valor ao produto rural, pela modernização dos
meios de produção.
e) exportação do produto rural, com negociação por meio de bolsas
de mercadorias.
Questão 11
O Brasil, de importador de algodão na década de noventa do
século XX, passou a ter exportações significativas na atualidade.
No mapa, estão destacados os estados produtores de algodão
para exportação.
Utilizando seus conhecimentos geográficos, assinale a alternativa
que indica corretamente a vegetação nativa da área, o sistema de
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
cultivo e as técnicas principais empregadas.
a) Campos de altitude, rotação de terras, baixa mecanização.
b) Coníferas, rotação de cultura algodão/cana-de-açúcar, baixa
mecanização.
c) Gramíneas, rotação de terras, tração animal.
d) Floresta caducifólica, rotação de culturas com pastagens
artificiais, alta mecanização.
e) Cerrado, rotação de cultura algodão/soja, alta mecanização.
Questão 12
Está correto afirmar que a agricultura brasileira
a) recebeu capital internacional nos últimos anos, resultando em
um aumento da exportação de grãos.
b) desenvolveu-se em pequenas e médias propriedades,
resultando em um modelo de produção competitivo com os países
europeus.
c) não recebe subsídios fiscais, resultando no aumento do custo de
produção e na perda de mercado internacional.
d) está baseada no extrativismo, resultando na formação de
cooperativas de pequenos proprietários.
e) não sofre influência da estrutura agrária do país, resultando na
produção de alimentos nas áreas agricultáveis de todo o país.
Questão 13
A utilização agrícola dos solos depende não só de seu potencial
natural, mas também de condições inerentes à estrutura sócio-
econômica específica de cada região. O Estado do Rio de Janeiro
também não foge à regra. No que diz respeito à utilização dos
solos fluminenses afirma-se:
I - O plantio comercial limita-se a algumas áreas como as planícies
litorâneas e o delta do Rio Paraíba, importantes redutos
canavieiros; de maneira geral, predominam as pastagens naturais,
indicando um sub-aproveitamento dos solos.
II - A fertilidade dos solos e o alto grau de modernização das
atividades agropecuárias em todo o Estado fazem do setor
primário, depois do setor secundário, o maior colaborador na
formação do PIB estadual.
III - O uso de técnicas rudimentares durante a sua ocupação tem
provocado o esgotamento de solos, requisitando grandes
investimentos na sua recuperação, contribuindo para aumentar o
custo de produção e desestimular o desenvolvimento das
atividades agrícolas.
Assinale a opção que apresenta a(s) afirmativa(s) correta(s):
a) I e II
b) II e III
c) I e III
d) Apenas a III
e) Todas.
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Prof. Fernandes Epitácio
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PECUÁRIA
INTRODUÇÃO
A pecuária (do latim pecus, em português “gado”) pode ser definida
como sendo a atividade de criação de determinados rebanhos,
com fins exploratórios.
Acredita-se que a criação de gado tenha se iniciado no período
Neolítico, há aproximadamente 15 mil anos, sendo, portanto, uma
das mais antigas atividades humanas. Através dos tempos, o
homem foi domesticando inúmeras espécies de animais, a fim de
poder controlar sua criação e obter produtividade delas.
Objetivos da pecuária
Os principais objetivos da criação de gado são: a produção de
alimentos, de energia e de matérias-primas e a utilização como
meio de transporte.
A produção de alimentos foi certamente a primeira finalidade da
criação de gado e é, até hoje, provavelmente, a mais importante.
Os principais alimentos de origem animal são: carne, leite, ovos,
banha e mel.
O homem sempre se utilizou de animais como elementos de tração
e de transporte. O uso de animais como fontes produtoras de
matériasprimas data do começo da história do homem. No início,
os ossos e os chifres eram utilizados como armas de caça. Hoje,
são matérias-primas nas fábricas de botões, pentes, material de
revestimento etc. As peles e couros ainda são usados na
confecção de vestuário e calçados, além de serem aproveitados
em indústrias diversas, como de equipamentos hidráulicos e de
intrumentos musicais.
Existem, ainda, outras aplicações da pecuária menos conhecidas.
Por exemplo, a produção de combustível, como o gás metano, a
partir de fezes dos animais, além do uso de cascos e chifres
moídos, farinha de ossos e fezes, como elementos fertilizantes.
FORMAS DE CRIAÇÃO
Entre os sistemas pecuaristas dominantes na superfície da Terra,
destacam-se: o extensivo e o intensivo.
PECUÁRIA EXTENSIVA
A pecuária extensiva caracteriza-se por abranger rebanhos
numerosos, criados à solta, geralmente em solos pobres ou
esgotados, normalmente sem tratos especiais, o que requer pouca
mão-de-obra. Os animais, dispersos em grandes áreas com
pastagens naturais, procuram seu próprio alimento.
PECUÁRIA INTENSIVA
As características básicas desse sistema se opõem às do sistema
extensivo. Geralmente, abrange pequenos rebanhos, criados em
pequenas áreas, submetidas a muitos cuidados com higiene e
saúde, o que exige maior quantidade de mão-de-obra para o seu
desenvolvimento.
Embora o custo da criação seja elevado, a pecuária intensiva
apresenta alta produtividade, tornando-se muito mais lucrativa.
Faz-se o uso de métodos zootécnicos, visando a criação do melhor
animal no menor tempo e pelo menor custo.
PECUÁRIA BOVINA
• Extensiva: gado solto nas pastagens onde são criados novilhos e
engordados o “gado de corte”, bois que servem para a produção de
carnes para mercado.
• INTENSIVA: gado criado em estábulos, normalmente vacas, para
a produção de leite. Na criação intensiva, a utilização de rações
adequadas e os cuidados veterinários possibilitam a inseminação
artificial e a seleção de touros e de raças. Os maiores rebanhos
bovinos do mundo estão localizados na Índia, nos Estados Unidos,
na Rússia, no Brasil, na Austrália e na Argentina.
Um tipo de gado bovino muito produzido hoje é o búfalo,
principalmente na Índia, na China, no Paquistão e nos Estados
Unidos.
O rebanho brasileiro de bovinos é da ordem de 147 milhões de
cabeças, tratando-se de um dos maiores rebanhos mundiais, o que
corresponde a cerca de 12% de todo o efetivo do planeta.
A criação de gado bovino no Brasil começou com a entrada de
animais vindos de Portugal, em 1534, na capitania de São Vicente.
Durante os séculos XVI e XVII, a pecuária desenvolveu- se mais na
região Nordeste, em função de fatores naturais e econômicos
favoráveis: relevo de topografia plana, presença de sal-gema na
superfície,disponibilidade de terras e mercado consumidor de
carne e couro bastante amplo, representado pela concentração
humana em torno dos engenhos açucareiros.
A área total voltada para as atividades agropecuárias no Brasil,
atualmente, é de cerca de 376 milhões de hectares, dos quais a
pecuária abrange aproximadamente 48%. Dessa área, dois terços
correspondem a pastos naturais que apresentam baixa
produtividade por hectare, enquanto apenas um terço é composto
por pastos artificiais. Boa parte de nosso rebanho encontra- se em
estado de subnutrição, favorecendo a disseminação das doenças e
diminuindo sensivelmente o nível de produtividade da pecuária
nacional.
Considerando o efetivo existente, a produção do rebanho bovino
nacional é bastante baixa, o que se deve à pequena aplicação de
recursos zootécnicos, e também ao baixo poder aquisitivo do
mercado interno, além da disseminação de doenças, como a febre
aftosa, que dificultam a exportação.
O rebanho bovino brasileiro deriva fundamentalmente do boi
europeu e do zebu indiano, sendo que essas duas variedades se
cruzam normalmente, gerando híbridos férteis.
As raças de origem européia concentram-se na porção meridional
do país, especialmente na Campanha Gaúcha, no Rio Grande do
Sul, por causa da semelhança climática, o que torna sua
aclimatação mais fácil. Destacam-se as seguintes variedades:
• raças produtoras de leite: Holandesa e Jersey, raça inglesa cuja
produção destina-se à fabricação de manteiga;
• raças produtoras de carne: Hereford e Polled-Angus, raças
inglesas, e Charolês, raça francesa;
46 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
• raças produtoras de carne e de leite: Devon (inglesa) e caracu
(brasileira) desenvolvida pela zootecnia paulista, produzindo um
animal forte, baixo e bom produtor de leite.
Quanto ao zebu indiano, encontramos no Brasil as seguintes raças:
• Gir: raça predominantemente voltada para corte, embora tenha
se desenvolvido aqui uma linhagem especial, o “Gir leiteiro”,
característico do Vale do Paraíba paulista;
•. Nelore: é a raça indiana mais voltada à produção de carne,
espalhou-se por todo o país, em grandes rebanhos. Sua maior
concentração ocorre no Triângulo Mineiro e no noroeste do Estado
de São Paulo.
Nas principais bacias leiteiras do país – Vale do Paraíba e sul de
Minas Gerais –, tem-se desenvolvido uma nova raça, fruto do
cruzamento de animais Gir (indianos) com animais da raça
holandesa (européia), originando o Girolanda. Este cruzamento
tenta obter um grande produtor de leite que se adapte melhor ao
clima tropical.
O rebanho bovino brasileiro está bastante disperso pelo território,
porém algumas áreas apresentam maior concentração.
• Minas Gerais: possui 15% do rebanho nacional,
aproximadamente 20 milhões de cabeças, localizadas
principalmente no Triângulo Mineiro e norte de Minas, com
pecuária extensiva de corte; Zona da Mata mineira e sul de Minas,
com pecuária semiextensiva ou intensiva e produção leiteira.
• Goiás: abriga também 15% do rebanho nacional, principalmente
nas porções norte e ocidental do Estado, com predominância
absoluta da pecuária extensiva de corte.
• Rio Grande do Sul: responde por aproximadamente 10% do
rebanho nacional, destacando-se, principalmente, o sul do estado –
a Campanha Gaúcha –, onde se cria, de forma extensiva, gado de
origem européia para corte.
• São Paulo: abriga cerca de 9% do rebanho nacional, entre a
porção noroeste do estado – que apresenta desenvolvida pecuária
extensiva de corte – e o Vale do Paraíba, onde se pratica pecuária
intensiva ou semi-extensiva, para a produção de leite.
• Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: responsáveis por 18% do
rebanho nacional, têm como principais regiões o Pantanal Mato-
Grossense e o interior do Mato Grosso, na região do cerrado, onde
se pratica pecuária extensiva de corte com gado nacional.
OVINOS
• INTENSIVA: criação de ovelhas para a produção de lã,
principalmente
na Austrália, na Nova Zelândia e na Rússia.
• EXTENSIVA: ovelhas de corte para a produção de carne.
Originários da Ásia, alcançaram a Europa, de onde foram trazidos
para o Brasil pelos colonizadores portugueses. O rebanho nacional
é da ordem de 20 milhões de ovinos, 56% dos quais concentrados
na região Sul, especialmente na Campanha Gaúcha. Segue-se o
Nordeste, com 38% do total, estando o restante disperso pelas
demais regiões brasileiras.
A produção de lã é variável, podendo ser de 0,5 a 10kg por ano,
dependendo do tipo de animal, do clima, do sistema de criação etc.
No Brasil, o Rio Grande do Sul é o maior estado produtor de lã,
com 98% do total nacional.
SUINOCULTURA
• EXTENSIVA: criação de porcos para a produção de banha e de
carnes para consumo do próprio produtor. Nesse tipo de criação,
poucos são os cuidados técnicos e com a higiene.
• INTENSIVA: porcos estabulados com cuidados científicos e muita
higiene; destinados à produção de couro e carnes para indústrias e
frigoríficos.
Os maiores rebanhos de suínos no planeta estão na China,
Estados Unidos, Rússia e Brasil.
CARPINOCULTURA
Aula 25 – Pecuaria
47 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXTENSIVA: criação de cabras para a produção de carne, mais
comum em regiões de relevo acidentados e de climas semiáridos
ou áridos.
• INTENSIVA: produção estabulada de cabritos para o
aproveitamento da pele e da carne e de cabras fornecedoras de
leite.
A China, a Índia e a Itália são os grandes produtores.
O rebanho brasileiro tem aproximadamente 12 milhões de caprinos
concentrados quase totalmente no Nordeste, onde são criados de
forma extensiva e apresentam qualidade muito baixa. O Sul, como
pouco menos de 500 mil cabeças, faz grandes investimentos na
criação, apresentando os melhores animais com elevada taxa de
rentabilidade.
EQUINOS
• EXTENSIVA: criação de éguas e cavalos para tração, montaria
ou corte.
• INTENSIVA: estabulada e com o propósito de selecionar e
preparar éguas e cavalos para atividades esportivas (“corrida de
cavalo” e “partidas de pólo”).
No Brasil, os principais objetivos da criação eqüina são:
• SELA E MONTARIA: destacam-se as raças estrangeiras Árabe,
Persa e Quarto de Milha (norte-americana) e as raças nacionais
Manga-larga, Campolina e Crioula;
• TRAÇÃO PESADA: destaca-se a raça Shire (inglesa), que é a
mais pesada – os machos atingem de 850 a 900kg e as éguas de
750 a 800kg;
• TRAÇÃO LIGEIRA: destacam-se aí as raças Francesa e a
Morgan (norte-americana).
48 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
No campo, a prática da agropecuária pode ser classificada de diversas formas, tudo a depender do
critério utilizado para avaliação. No caso da divisão das atividades rurais em extensivas e intensivas, a
classificação é realizada com base em:
a) tamanho de propriedades d) impactos ambientais gerados
b) legalidade de posses e) gestão da mão de obra
c) intensidade de produção
Questão 02
“(…) Na pecuária intensiva, não basta ter pasto bom. Todo piquete tem um cocho grande, o
suplemento é servido sempre no começo da manhã. Cada boi recebe dois quilos por dia de proteína e
energia. O propósito é turbinar o ganho de peso. Com suplemento, o boi engorda 400 gramas a mais
por dia em relação ao sistema convencional. Não fica barato suplementar, mas a relação
custo/benefício compensa (…)”.
Globo Rural, maio de 2012. Disponível em: http://g1.globo.com (com adaptações).
Uma das vantagens da aplicação da pecuária intensiva em detrimento da extensiva é:
a) menores gastos com investimentos
b) acessibilidade das técnicas e das tecnologiasc) baixa necessidade de equipamentos avançados
d) redução da área de ação de impactos ambientais
e) maior recrutamento de mão de obra
Questão 03
Embora muitos especialistas recomendem o uso da agropecuária intensiva, em razão de seus
benefícios, a utilização do modelo extensivo ainda é muito comum em todo o país e também em várias
partes do mundo, principalmente em áreas com menor oferta tecnológica. Uma das vantagens que
justifica o emprego da agropecuária extensiva é:
a) o menor uso de fertilizantes e agrotóxicos
b) a possibilidade de produção de transgênicos
c) a redução do preço dos produtos agrícolas
d) o diminuto índice de desflorestamento
e) a maximização da relação custo/benefício
Questão 04
Leia o fragmento de texto a seguir:
A produção avícola é hoje ainda mais semelhante a uma operação fabril. [...] Algumas das grandes
empresas de alimentos, como a Ralston Purina, a Cargill e a Allied Mills, são responsáveis por
gigantescas instalações aviárias que processam dezenas de milhares de galinhas por dia. Como na
organização fabril, as chaves dessa produção são a procriação especial, alimentação intensiva
enriquecida, estímulos químicos (hormônios) e o controle de doenças. [...] O alimento passa na frente
das galinhas imóveis, numa correia transportadora, enquanto ovos e excrementos são removidos em
outras correias. A iluminação artificial supera o ciclo diário natural e mantém as galinhas em postura
constante.
IANNI, Otavio. A era do globalismo. São Paulo: Civilização brasileira, 1996. p.47-8.
O exemplo apresentado por Ianni refere-se ao desenvolvimento de uma agropecuária de forma
intensiva.
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE os itens responsáveis por essa classificação.
a) Capitalização e produtividade da área.
b) Mercado consumidor e produção total.
c) Predominância do fator trabalho e terra.
d) Regime de propriedade vigente e trabalho.
e) Utilização abundante de terras e energia.
Questão 05
No Brasil colônia, a pecuária teve um papel decisivo na
a) ocupação das áreas litorâneas
Anotações
http://g1.globo.com/
Aula 25 – Pecuaria
49 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
b) expulsão do assalariado do campo
c) formação e exploração dos minifúndios
d) fixação do escravo na agricultura
e) expansão para o interior
Questão 06
Na questão a seguir, escreva no espaço apropriado a soma dos itens corretos.
Sobre a pecuária na vida brasileira durante o Período Colonial, é correto afirmar que:
01. No século XVIII, a pecuária no Sul do Brasil não teve qualquer relação com o surto minerador das
Minas Gerais.
02. A atividade pecuária foi muito importante para a expansão do território brasileiro.
04. Era realizada desde o século XVI na costa nordestina, coexistindo lado a lado com a produção
açucareira.
08. Graças à pecuária, a existência de carne e leite no Sertão nordestino amenizava a dura vida dos
sertanejos, e o couro lhes era matéria-prima fundamental.
16. Cidades como feira de Santana, na Bahia, e Sorocaba, em São Paulo, eram importantes centros
de comercialização de gado.
32. No Rio Grande do Sul, o charque tornou-se grande fonte de renda.
Questão 07
Todas as alternativas apresentam afirmações corretas sobre a atividade pecuária no processo de
colonização no Brasil, exceto:
a) constituiu-se numa atividade subsidiária de grande lavoura.
b) criou núcleos urbanos destinados ao comércio do couro.
c) destinou grande parte da produção de charque para o mercado externo.
d) foi um dos elementos importantes na interiorização da colonização.
e) produziu a figura do vaqueiro, um trabalhador livre geralmente pago em espécie.
Questão 08
"Os que trazem [o gado] são brancos, mulatos e pretos, e também índios, que com este trabalho
procuram ter algum lucro. Guiam-se indo uns adiante cantando, para serem seguidos pelo gado, e
outros vêm atrás das reses, tangendo-as, tendo o cuidado para que não saiam do caminho ou se
amontoem".
(ANTONIL, Cultura e opulência do Brasil, 1711.)
O texto expressa uma atividade econômica característica
a) do sertão nordestino, dando origem a trabalhadores diferenciados do resto da colônia.
b) das regiões canavieiras onde se utilizava mão de obra disponível da entressafra do açúcar.
c) de todo o território da América portuguesa, onde era fácil obter mão de obra indígena e negra.
d) das regiões do nordeste, produtoras de charque, que empregavam mão de obra assalariada.
e) do sul da colônia, visando abastecer de carne a região açucareira do Nordeste.
Anotações
50 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01 (MACKENZIE)
O Pantanal mato-grossense possui características singulares que o
individualizam e tornam uma unidade fisiográfica e morfoestrutural
única no território brasileiro, com uma economia caracterizada
pela:
a) criação extensiva de gado bovino.
b) criação intensiva de gado bovino.
c) extração mineral.
d) elevada densidade de produção agrícola.
e) policultura comercial.
Questão 02 (CESGRANRIO)
Que atividade econômica foi desenvolvida no Vale do Paraíba do
Sul, como fase intermediária entre a cultura cafeeira e a indústria?
a) plantação de milho
b) cultivo de videira
c) plantação de algodão
d) pecuária leiteira
e) rizicultura
Questão 03
O rebanho ovino do Brasil, em razão das condições climáticas mais
favoráveis, concentra-se principalmente no Estado de:
a) São Paulo
b) Mato Grosso
c) Rio Grande do Sul
d) Rio de Janeiro
e) Pará
Questão 04
O Vale do Itajaí (SC) destaca-se por apresentar expressivo
rebanho:
a) caprino d) equino
b) bubalino e) bovino de leite
c) ovino
Questão 05 (SANTA CECÍLIA – Santos)
A maior parte do rebanho bovino brasileiro está concentrada na
região:
a) Sudeste d) Nordeste
b) Sul e) Norte
c) Centro-Oeste
Questão 06
“O homem está destruindo, em poucas décadas, o que a natureza
levou milhões de anos para construir. A enorme capa de basalto,
encobrindo o arenito, já está totalmente desaparecida, em virtude
da erosão. A prática da queima e o pisoteio dos campos pelo gado
bovino e principalmente ovino, não permitem uma margem de
tempo para que a terra recupere suas qualidades naturais.”
O texto acima aplica-se melhor às áreas agropecuárias do:
a) sul de Goiás
b) oeste de Mato Grosso
c) oeste de Mato Grosso do Sul
d) norte do Paraná
e) oeste do Rio Grande do Sul
Questão 07
“O homem está destruindo, em poucas décadas, o que a natureza
levou milhões de anos para construir. A enorme capa de basalto,
encobrindo o arenito, já está totalmente desaparecida, em virtude
da erosão. A prática da queima e o pisoteio dos campos pelo gado
bovino e principalmente ovino, não permitem uma margem de
tempo para que a terra recupere suas qualidades naturais.”
Qual das seguintes alternativas apresenta o tema mais abrangente
do texto?
a) Degradação dos recursos naturais.
b) Empobrecimento de áreas agrícolas.
c) Erosão em solos de campos.
d) Conseqüências de atividades pecuárias.
e) Conseqüências do desmatamento.
Questão 08 (UNISA)
Na região Sudeste, dois Estados se destacam na criação de gado:
a) Espírito Santo e Rio de Janeiro;
b) Minas Gerais e Espírito Santo;
c) São Paulo e Rio de Janeiro;
d) Minas Gerais e São Paulo;
e) Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Questão 09
“Até hoje, a produção leiteira é das mais importantes do vale que
se tornou uma das mais fortes áreas da zona de laticínios da
Região.” O vale e a Região a que se refere o texto são,
respectivamente:
a) Vale do Paraíba e Região Sudeste;
b) Vale do Ribeira e Região Sudeste;
c) Vale do Rio Doce e Região Sudeste;
d) Vale do São Francisco e Região Nordeste;
e) Vale do Itajaí e Região Sul.
Questão 10
A pecuária, apesar de ter desempenhado importante papel na
ocupação de determinadas áreas doterritório brasileiro, conservou
seu caráter complementar na economia colonial especializada para
a exportação, disso decorrendo
a) seu equilíbrio em relação às atividades agrícolas e extrativas na
ocupação efetiva do território.
b) sua subordinação ao capital comercial europeu.
c) a exportação da produção de abastecimento, o que gerou
superávit no comércio colonial.
d) a direção estatal da metrópole sobre a pecuária, por força do
monopólio régio sobre o sal e a carne.
e) constantes crises de abastecimento dos alimentos, cuja
produção era preterida pelas culturas de exportação.
Questão 11
"(...) ela foi responsável pelo povoamento do Sertão nordestino, da
Bahia ao Maranhão. Foi um excelente instrumento de expansão e
colonização do Brasil.
Com ela surgiram muitas feiras que deram origem a importantes
centros urbanos, como por exemplo a Feira de Santana, na Bahia".
Ao instrumento de expansão a que o texto se refere, pode ser
associado a
a) pecuária. d) economia mineira.
b) mineração. e) produção açucareira.
c) economia extrativa.
Aula 25 – Pecuaria
51 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Questão 12
A produção agropecuária na atualidade requer a adoção de
sistemas de produção (intensivos e extensivos) rural, que
dependem principalmente
a) do tamanho da propriedade e da presença de recursos hídricos
abundantes para a implantação de pivôs centrais.
b) da existência de fatores naturais como clima úmido, solos
férteis, relevo plano e proximidade das vias de transportes.
c) das condições físico-geográficas de uma região, da cultura e do
nível de desenvolvimento econômico de uma dada sociedade.
d) do uso de agrotóxicos e sementes transgênicas, da utilização de
mão de obra barata e de técnicas tradicionais de produção.
Questão 13
A geografia rural tem sido essencialmente uma geografia agrária,
aliás, ela tornou-se, sobretudo, uma geografia agrícola ao invés de
tornar-se plenamente uma geografia rural, levando em conta o
conjunto das populações e das atividades do espaço rural e não
mais somente o que tange à agricultura.
In: La Géographie Agraire et la Géographie Rurale, Robert Chapuis, 2005, p.147
Considerando-se a concepção de geografia rural defendida pelo
autor, marque a única opção que indica um tema de estudo do
espaço rural que se afasta das temáticas mais frequentes da
geografia agrária.
a) Modernização dos Complexos Agroindustriais
b) Urbanização do campo e infraestrutura
c) Biodiversidade na agricultura comercial
d) Geração de energia por biomassa
e) Saúde de populações tradicionais
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
RECURSOS MINERAIS
INTRODUÇÃO
Sem os recursos minerais e energéticos a humanidade não teria
como subsidiar o seu crescente desenvolvimento tecnológico. A
aplicação de técnicas modernas permitiu descobrir, obter e
transformar bens minerais e energéticos em bens manufaturados
que tornaram a vida mais confortável. As substâncias minerais,
metálicas ou não, os combustíveis fósseis e as pedras preciosas
passaram a fazer parte inalienável de nossas vidas.
Os minérios são associações de minerais ou um único mineral que
pode ser explorado do ponto de vista comercial pelas sociedades
de diferentes maneiras.
Volumes gigantescos de minérios estão sendo explorados
rapidamente pelas sociedades, o que pode levar à escassez ou
mesmo a exaustão desses recursos.
A conservação do recurso mineral é uma atitude necessária para
garantirmos o suprimento de insumos minerais praticamente
imprescindíveis à manutenção de um desenvolvimento sustentável.
Essa atitude permitirá que preservemos por maior tempo os
recursos minerais, diminuindo assim o impacto ao meio ambiente.
IMPORTÂNCIA DOS MINERAIS
A grande diversidade de minerais encontrados na crosta são, sob o
aspecto econômico, muito importante para a humanidade, devido
suas diversas utilidades. Alguns exemplos de usos de minerais:
• Alumínio - metalurgia e indústrias químicas.
• Argila - cerâmica, indústria de papel e cimenteira.
• Calcário - construção civil, siderurgia, indústria cimenteira e
química.
• Gnaisse - construção civil (pavimentação).
• Manganês - siderurgia, metalurgia, indústria elétrica e cerâmica.
• Ouro - lastro monetário, indústria química e joalheria.
• Diamante - joalheria, abrasivos e materiais de corte.
• Cobre - metalurgia, indústria elétrica e química.
Diamantes. Fonte: www.rc.unesp.br
CONSERVACIONISMO X PRESERVACIONISMO
Conservar um recurso natural não significa guardá-lo, mesmo
porque a humanidade não poderia sobreviver sem o seu uso.
Conservação dos recursos naturais significa sua utilização de
forma racional, ou seja, procurando obter o máximo de
aproveitamento para satisfazer o maior número possível de
pessoas. Para atingir um estágio de conservação dos recursos
naturais são necessários alguns requisitos básicos, tais como:
educação do homem, técnicas adequadas, proteção, reprodução e
recuperação.
Preservar consiste em resguardar ou proteger os recursos naturais
evitando a sua utilização. Na verdade o preservacionismo é
direcionado para os ambientes ou espécies que estejam
ameaçados de extinção. De uma forma geral a preservação está
ligada à ideia de patrimônio cultural e/ou ecológico de um espaço
geográfico. Trata-se de paisagens naturais ou obras de artes que
possuem valores ideológicos inestimáveis.
CONSUMO ANUAL MÉDIO DE ALGUNS MINERAIS POR
NORTE-AMERICANOS DOS ESTADOS UNIDOS
Fonte: Craig, Voughan & Skinner, 1996.
A produção e o uso inadequado do bem mineral podem direta ou
indiretamente levar a diferentes formas de degradação ambiental,
outrora de efeitos locais ou regionais, agora amplos (aquecimento
global, chuva ácida, deterioração da camada de ozônio, poluição
dos reservatórios de água, etc.). Não só a provável futura escassez
dos minerais nos preocupa como as consequências danosas para
as sociedades humanas.
Os minerais podem ser classificados em: Minerais metálicos:
ferro, manganês, alumínio, magnésio, cobre, mercúrio, chumbo,
estanho, ouro, prata e urânio. Minerais não-metálicos: quartzo,
feldspato, enxofre, titânio, diamante, mica, amianto, etc.
.
Extração de ouro em Nova Aripuanã
EXPECTATIVA DE DURAÇÃO DAS RESERVAS DE ALGUNS
MINERAIS
MINERAL DURAÇÃO
Sal e Magnésio Quase infinita.
Cal e Silício Mais de milhares de anos.
Minério de Manganês e Cobalto. Mais de 200 anos.
Aula 26 – Recursos Minerais
53 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Minério de Ferro e Feldspato. 100 a 200 anos.
Bauxita, Fosfato e Níquel. 50 a 100 anos.
Fonte: CAMERON, Eugene N.At the crossroads. In.: Manual Global de Ecologia.
São Paulo: Augustus,1993.p.,180.
Para solucionar o problema da extinção de alguns recursos
minerais, as sociedades terão de se preocupar em recuperar áreas
degradadas e explorar mais racionalmente as áreas mineradoras,
além de procurar substitutos para minerais escassos.
OS EFEITOS AMBIENTAIS DA MINERAÇÃO
A mineração e o garimpo são atividades que também exercem
forte interferência no ambiente natural e contribuem para sua
deterioração. Trata-se da extração de recursos naturais do
solo e do subsolo, dos mais variados tipos e usos. Os
recursos minerais, como o carvão e o petróleo, tanto são
usados como fontes energéticas quanto como matérias-
primas (...). É praticamente impossível para a sociedade
industrial privar-se do uso dos recursos minerais. Foram os
múltiplos usos desses recursos que possibilitaram o grande
desenvolvimento industrial. Minerais de grande valor
comercial como ouro, diamante e até cassiterita são muito
explorados no Brasil através do garimpo.
Equipamento usado na mineração.
Esse trabalho de mineração é feito nos leitos fluviais e nos
depósitos de sedimentos dosterraços e das planícies fluviais,
principalmente dos rios da bacia hidrográfica amazônica e no
alto rio Paraguai-Cuiabá. (...) A operação de garimpo
mecanizado movimenta um volume enorme de detritos ao
destruir as margens dos leitos fluviais e na dragagem dos
depósitos de fundos dos leitos fluviais. Alteram a qualidade
das águas dos rios com sedimentos em suspensão e com o
uso do mercúrio para aumentar o aproveitamento das
partículas finas de ouro. A garimpagem, tal como tem sido
praticada no Brasil, gera grande desperdício por extrair cerca
de 50% dos minerais disponíveis nos sedimentos. Além disso,
altera totalmente a paisagem e afeta a qualidade das águas
dos rios e com isso interfere na vida da fauna [da flora] e na
saúde do homem.
Fonte: ROSS, J. L. S. (org.) Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2003.
A prospecção mineral é uma atividade importante e essencial ao
homem moderno. Por ser uma atividade econômica extrativista,
produz grandes transformações e impactos no espaço geográfico.
Observa-se, no momento atual, um crescimento tanto no que se
refere a investimentos em novas tecnologias de exploração mineral
quanto na busca por novos depósitos minerais, já que o mercado
mundial tem demandado mais recursos minerais como forma de
atender à sociedade cada vez mais consumista. Em alguns países,
a atividade extrativa mineral responde por mais de 20% do PIB,
como no Chile. Já no Brasil, essa atividade responde por cerca de
5% do PIB, com boas perspectivas de crescimento para os
próximos anos.
Apesar da importância do extrativismo mineral para o mundo
moderno, essa atividade tem sido vista como uma das
responsáveis pela degradação ambiental. Como forma de tentar
amenizar ou mesmo reverter esse problema, programas de
desenvolvimento sustentável aliados a leis ambientais mais rígidas
têm contribuído para o desenvolvimento de tecnologias que visam
a minimizar os impactos no meio ambiente.
A EXPLORAÇÃO MINERAL NO BRASIL
O Brasil está entre os cinco países com maior potencial de
descobertas minerais, ao lado da Austrália, do Canadá, dos EUA e
da Rússia; porém é apenas o oitavo país em investimentos em
exploração mineral. Desde os tempos coloniais, a atividade
extrativa mineral é importante em nosso país.
A preocupação com os recursos minerais no Brasil evidencia-se a
partir da evolução nacionalista de 1930, culminando com a
aprovação do Código de Minas que distinguia a propriedade do
solo e do subsolo (pertencente à União). Em 1934, a Constituição
permitiu que “empresas constituídas no Brasil explorassem jazidas
minerais”, dando espaço às empresas estrangeiras para se
organizarem no território brasileiro. Em 1937, a nova Constituição
corrigiu essa falha na lei, e o direito exclusivo de exploração
mineral voltou a ser de brasileiros. Em 1965, durante o período
militar, ocorreu a aprovação do Plano Decenal de Avaliação dos
Recursos Minerais, que deu início a um grande impulso na
exploração dos recursos minerais brasileiros. A Carta de 1988
estabeleceu o monopólio da União para pesquisa, lavra e comércio
do petróleo, do gás natural e dos minerais de uso nuclear. Apenas
em 1995, o monopólio estatal foi quebrado, permitindo a
penetração do capital estrangeiro nessas atividades. Na década de
1990, o Brasil aderiu ao Neoliberalismo e deu início às
privatizações nos setores petroquímico e de extrativismo mineral,
entre outros.
A exploração mineral exige altos investimentos (pesquisa – em
áreas de alto risco, já que nem todas geram resultados –
infraestrutura de minas, transportes, energia) e também envolve
grandes riscos de capital, já que os produtos oriundos do
extrativismo mineral sofrem grandes variações de preços. No
Brasil, a presença de grandes empresas de capital nacional
privado e capital estrangeiro é uma realidade. Sete grandes
empresas respondem por 94% da produção nacional de ferro: Cia.
Vale do Rio Doce; Minerações Brasileiras Reunidas S.A.;
Mineração da Trindade; Ferteco Mineração S.A.; Samarco
Mineração S.A.; Cia. Siderúrgica Nacional; e Itaminas Comércio de
Minérios S.A., Cia. Siderúrgica Nacional; e Itaminas Comércio de
Minérios S.A., segundo o Departamento Nacional de Produção
Mineral (DNPM).
A antiguidade de nossa estrutura geológica associada aos
diferentes tipos de rochas que a compõem conferem ao Brasil uma
riqueza mineral diversificada, o que não significa que somos
autossuficientes em todos os minerais essenciais ao
desenvolvimento industrial.
Segundo levantamentos mineralógicos do Brasil, nosso país
apresenta o seguinte quadro:
• Reservas abundantes: ferro, manganês, cassiterita, níquel,
bauxita, cristal de rocha, zircônio, berilo, magnesita, calcário, sal-
gema e tório.
• Reservas suficientes: ouro, cobre, zinco, potássio, fluorita e xisto.
• Reservas deficientes: chumbo, prata, platina, antimônio, cromo,
tungstênio, enxofre, petróleo, carvão e gás natural.
54 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
PRINCIPAIS PROJETOS MINERAIS
Corresponde à principal região de exploração de minério de ferro
do país, porém são também identificadas na região outras jazidas,
como as de manganês, de cobre, de níquel, de bauxita e de
cassiterita. A produção dessa área é escoada por meio de dois
corredores (a Estrada de Ferro Vitória-Minas, que liga a região do
Quadrilátero aos portos de Vitória e Tubarão – ambos no ES –, e a
Estrada de Ferro Central do Brasil, que liga o Quadrilátero ao Porto
de Sepetiba no Rio de Janeiro). A produção mineral do
Quadrilátero atende aos mercados interno e externo.
PROJETO GRANDE CARAJÁS
O Projeto faz parte do programa desenvolvimentista do Governo
Federal visando à integração da Amazônia Oriental e à exploração
do minério de ferro, por meio da implantação de projetos voltados
para a mineração, metalurgia, agricultura, reflorestamento e
pecuária. Essa exploração foi fruto da implantação de projetos de
colonização e política de incentivo aos empreendimentos
agrominerais na Amazônia, desde os anos 1960.
O Programa Grande Carajás foi lançado em 1979 com o objetivo
de tornar viável a exploração mineral na região da Serra de
Carajás, uma grande província mineralógica que contém a maior
reserva mundial de minério de ferro de alto teor, além de
importantes reservas de manganês, cobre, ouro, entre outros. A
prospecção de minério na Serra dos Carajás, no leste do Pará,
começou em 1966 com a participação de empresas transnacionais.
Em 1970, os minérios já tinham sido localizados e, então,
constituiu-se a Amazônia Mineração S.A., que se associou a
empresas estrangeiras e à Companhia Vale do Rio Doce. No final
dos anos 1970, a CVRD assumiu o controle total do
empreendimento e lançou o Programa Grande Carajás. Na década
de 1990, a Companhia Vale do Rio Doce foi privatizada,
transformando-se na maior exportadora de minério de ferro do
mundo, possuindo todos os direitos de exploração dos minérios da
Serra de Carajás. A exploração de minérios, sobretudo o ferro,
exigiu o desenvolvimento de uma infraestrutura da qual fazem
parte a Estrada de Ferro Carajás – que se estende até o Porto
Ponta da Madeira, no Maranhão – e a Usina Hidrelétrica de
Tucuruí, no Rio Tocantins. O Projeto Carajás atraiu grandes
contingentes populacionais para o sul do Pará e o impacto
ecológico de suas atividades foi inevitável. Segundo os
pesquisadores, a Província Mineral de Carajás, pela diversidade de
seus recursos minerais e grandeza das jazidas, é única no planeta.
PROJETO TROMBETAS (PA)
O Projeto Carajás está articulado ao Projeto Trombetas, com a
extração de bauxita na Serra de Oriximiná, junto ao Vale do Rio
Trombetas, no noroeste do Pará. A empresa controladora desse
segundo projeto chama-se Mineração Rio do Norte, constituída a
partir da associação da Companhia Vale do Rio Doce com um
grupo de empresas nacionais e estrangeiras. A bauxitade
Oriximiná é destinada ao abastecimento do complexo industrial
ALBRÁS / ALUNORTE, onde a bauxita é transformada em alumínio
e alumina, sendo depois exportada para o mercado japonês.
SERRA DO NAVIO (AP)
O projeto na Serra do Navio, implantado no final da década de
1950, no estado do Amapá, foi até a década de 1990 a principal
mina de manganês do Brasil, com uma produção acumulada de
mais de 30 milhões de toneladas. Em 1968, havia a preocupação
com o crescimento da pauta de exportação, mas também com a
ocupação do espaço. Buscava-se sair da economia baseada na
indústria extrativa vegetal e em modestas atividades
agropecuárias, para novas formas agropastoris e para a
industrialização dos produtos naturais. A exaustão dessa mina foi
compensada com a definição de novas reservas no sul do Pará,
em especial a jazida do Igarapé do Azul.
MACIÇO DO URUCUM (MS)
Localizado próximo à cidade de Corumbá, corresponde a uma área
produtora de minério de ferro e manganês. A produção oriunda
dessa área abastece principalmente países como Paraguai,
Argentina e Bolívia. O escoamento é realizado próximo à cidade de
Corumbá.
PRINCIPAIS JAZIMENTOS MINERAIS
• Minério de ferro – Mineral abundante no mundo, porém com
jazidas em poucos países, sendo que apenas cinco detêm 77%
das ocorrências totais. O Brasil possui 8,3% das reservas totais, a
quinta maior do mundo, equivalente a 19 bilhões de toneladas. As
reservas do Brasil e da Austrália apresentam o maior teor de ferro,
da ordem de 60%. Ocupamos o segundo lugar na produção
mundial, perdendo apenas para a China, no entanto, se for
considerado o volume de minério de ferro já beneficiado, estamos
à frente desse país. No mundo, os maiores produtores de minério
de ferro são os Estados Unidos, o Brasil, a China e a Austrália.
• Manganês – Esse mineral é importante para a industrialização
de um país, devido à empregabilidade na indústria (química,
Aula 26 – Recursos Minerais
55 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
cerâmica, baterias elétricas, fertilizantes). Na siderurgia é
empregado para retirar o oxigênio e o enxofre prejudiciais ao ferro.
O manganês é encontrado em terrenos antigos do Proterozoico,
geralmente associado ao minério de ferro. O Brasil é o terceiro
produtor mundial, sendo que o primeiro é a África do Sul. A
produção brasileira vem aumentando, principalmente com a
atuação da CVRD em Carajás, e as exportações também têm
apresentado substancial crescimento. Internamente, o manganês é
utilizado nas siderúrgicas compondo ligas com o ferro na produção
de aço. A produção brasileira está concentrada no estado do Pará
(Serra dos Carajás), Minas Gerais (Quadrilátero Ferrífero) e no
Amapá (Serra do Navio). No mundo, as mais importantes reservas
de manganês estão na Rússia, África do Sul, Gabão, Austrália,
Índia, México, Gana, Hungria e Marrocos.
• Alumínio – Mineral abundante na crosta terrestre, no entanto, o
alumínio não é encontrado de forma isolada na natureza e o
processo de industrialização desse metal exige alto consumo de
energia elétrica. O minério de bauxita é a principal fonte para a
obtenção do alumínio e a sua extração é realizada no Vale do Rio
Trombetas, no Pará (Mineração Rio do Norte – 76,6%), com
industrialização pela ALUNORTE / ALBRÁS e no estado de Minas
Gerais. No mundo, os principais produtores de alumínio sã China,
Rússia, Canadá, Estados Unidos e Austrália.
• Estanho – O Brasil possui 6,8% das reservas mundiais, uma
produção de 6,7% e um consumo de 3,2% do total mundial. O
estanho é obtido da cassiterita, sendo utilizado na composição de
ligas metálicas como a folha de flandres, com o aço. As principais
áreas de produção estão nos estados do Amazonas, Rondônia,
Minas Gerais, Pará, Goiás e Mato Grosso. As exportações desse
mineral têm enfrentado forte concorrência do estanho chinês
(44,2% das reservas mundiais). No mundo, os principais
produtores de estanho são China, Malásia, Tailândia, Indonésia,
Austrália, Bolívia e Peru.
• Cobre – O Brasil possui modesta participação no mundo em
relação ao cobre, em um mercado dominado pelo Chile e pelos
EUA, tanto no que diz respeito às reservas quanto à produção. A
prospecção desse minério no Brasil está concentrada nos estados
da Bahia, do Pará (Carajás) e de Goiás, sendo insuficiente para
atender ao consumo interno. O Brasil importa cobre principalmente
do Chile e do Peru. No mundo, os principais produtores de cobre
são Estados Unidos, Peru, China, Austrália, Indonésia e Rússia.
• Ouro – A principal característica desse mineral é a sua
resistência a quase todos os tipos de corrosão, sendo utilizado em
diversas ligas metálicas, joias, tratamentos dentários, etc. A
produção brasileira atende ao mercado interno e externo. Os
maiores produtores são África do Sul, Estados Unidos, Austrália,
Canadá, Rússia e Brasil, sendo Minas Gerais o principal produtor
nacional seguido do Pará.
• Nióbio – Minério utilizado na composição de ligas metálicas que
requerem resistência e leveza. É considerado estratégico para as
indústrias, como aeronáutica, naval e espacial, além da
automobilística. O Brasil detém grande parte das reservas e da
produção mundial, e, internamente, a produção se concentra em
Minas Gerais (96,3%), Amazonas (2,7%) e Goiás (1,0%). No
mundo, o Brasil é o maior produtor, seguido pela Rússia que detém
apenas 2% da produção mundial.
• Quartzo – Minério estratégico para a indústria de informática e
eletroeletrônica. O Brasil detém quase a totalidade do quartzo
mundial em estado natural e exporta esse produto especialmente
para o Japão, Hong Kong e Reino Unido. Em termos de produção
de quartzo em cristal, merecem destaque os estados da Bahia,
Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa
Catarina. No mundo, os principais produtores são Brasil, Suíça,
Japão e África do Sul. O quatzo também pode ser obtido
industrialmente através de crescimento hidrotérmico. O Japão é o
maior produtor mundial de quatzo sintético, já o Brasil não possui
tecnologia nesse setor.
• Sal marinho – É utilizado na fabricação de baterias, óxidos,
soldas e munições. A grande extensão do litoral brasileiro e as
condições físicas favoráveis (ventos alísios, elevada insolação e
evaporação, elevada salinidade em alguns pontos do litoral)
permitem ao Brasil uma grande produção que atende tanto o
mercado interno quanto o externo. O Rio Grande do Norte é o
maior produtor nacional, Rio de Janeiro, Ceará e Piauí, são outros
produtores.
• Chumbo – A participação do Brasil nas reservas e produção de
chumbo no mundo é muito reduzida. A produção brasileira é
encontrada em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia.
O Brasil importa semimanufaturados de chumbo do Peru, China,
Reino Unido e Argentina. Conforme dados de 2007, as maiores
reservas mundiais de chumbo, em milhões de toneladas (mt),
estavam na Austrália (59 mt), China (36 mt), EUA (19 mt), Canadá
(5 mt), Peru (4 mt) e México (2 mt).
56 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
"No final da década de 1970, a Vale do Rio Doce apresentou ao governo um projeto bastante
ambicioso, denominado 'Amazônia Oriental - um projeto nacional de exportação', envolvendo não só a
exploração dos recursos minerais mas também o potencial agrícola-pecuário e madeireiro."
(Melhem Adas. "Panorama Geográfico do Brasil." São Paulo: Moderna, 1998. p. 271.)
Conhecido como Projeto Grande Carajás, este empreendimento implicou na construção de grandes
equipamentos de infra-estrutura na região Norte, dentre os quais destacam-se:
a) a usina hidrelétrica de Tucuruí, o porto de Itaqui no Maranhão e a Estrada de Ferro Carajás.
b) a Zona Franca de Manaus, a rodovia Transamazônica e a usina hidrelétricade Tucuruí.
c) o projeto SIVAM, a Zona Franca de Manaus e a Companhia Siderúrgica Nacional no Pará.
d) a usina hidrelétrica de Balbina, a rodovia Belém-Brasília e o porto de Itaqui no Maranhão.
e) o porto de Tubarão no Pará, a Zona Franca de Manaus e a Estrada de Ferro Carajás.
Questão 02
Como estratégia de desenvolvimento nacional e regional, pode-se afirmar que o Projeto Grande
Carajás
a) obteve pleno êxito em seus objetivos, propiciando uma redução significativa na dívida externa
brasileira, através dos recursos obtidos com a exportação de minério de ferro.
b) contribuiu para o desenvolvimento industrial da região Norte, através dos incentivos que permitiram
a instalação de indústrias siderúrgicas nos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins.
c) beneficiou apenas a região Norte do país, ao concentrar o desenvolvimento industrial nos Estados
do Pará e Amazonas, através da criação de "zonas francas" voltadas para a exportação de minérios.
d) ficou comprometido em seus objetivos devido, principalmente, ao grande endividamento
governamental para sua implantação e os baixos preços do minério de ferro no mercado internacional.
e) não alcançou seus objetivos devido à pressão de grupos indígenas e ambientalistas, os quais
forçaram o governo brasileiro a diminuir a extração e a exportação de minério de ferro na região.
Questão 03
Nas formações proterozóicas, que ocupam cerca de 4% do território nacional, encontramos a maior
parte dos minerais metálicos do Brasil.
No mapa a seguir, a área assinalada pela letra A exemplifica a importância econômica desses terrenos
com a produção mineral de:
a) ferro, no Quadrilátero Central, sob o controle da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) associadas a
outras empresas.
b) ouro, no Vale do Jequitinhonha, sob o comando da Indústria e Comércio de Minérios S.A. (ICOMI).
c) manganês, na Serra do Navio, sob o controle do Grupo Antunes com capitais nacionais e
estrangeiros.
d) ferro e manganês, no Maciço de Urucum, controlada pela Indústria e Comércio de Minérios (ICOMI).
e) bauxita, no Distrito de Paragominas, comandada pela Mineração Rio do Norte, associação da
CVRD com outras empresas.
Questão 04
A existência de grandes jazidas minerais, como as de ferro e manganês no Quadrilátero Ferrífero (MG)
e na Serra dos Carajás (PA), pode ser explicada por processos geológicos ligados à:
a) predominância de bacias sedimentares que facilitam os depósitos de minerais mais pesados.
b) existência de escudos cristalinos, de formação recente, os quais contêm ouro e bauxita, além de
ferro e manganês.
Anotações
Aula 26 – Recursos Minerais
57 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
c) concentração de dobramentos modernos, formados na Era Cenozóica, tanto no Pará como em
Minas Gerais.
d) ocorrência de terrenos muito antigos, do Arqueozóico e Proterozóico, favorecendo a concentração
desses minérios.
e) formação de amplas áreas sedimentares muito antigas, onde se concentram, predominantemente,
jazidas de ferro.
Questão 05
Analisando o mapa acima, pode-se inferir que
a) a área 1 corresponde ao Planalto Meridional, com áreas vulcânicas e solo fértil, enquanto a área 2
corresponde à Planície Costeira, de origem sedimentar.
b) a área 1 corresponde ao Planalto Central, com a vegetação do cerrado, enquanto a área 2
corresponde à área do Planalto Atlântico, formado por rochas cristalinas.
c) a área 1 é o Planalto Guiano, rico em recursos minerais e a área 2 é a do Planalto Atlântico, com
enorme riqueza em minerais ferríferos.
d) as áreas 1 e 2 correspondem a trechos do Planalto Brasileiro, com derramamentos vulcânicos e
ocorrência de minerais ferríferos, respectivamente.
e) as áreas 1 e 2 correspondem a trechos do Planalto Brasileiro, ambas de origem sedimentar e com
ricos depósitos de carvão e petróleo.
Questão 06
Considere os mapas apresentados abaixo, para responder à questão.
Relacione, a estrutura geológica brasileira e a exploração econômica dos principais recursos minerais,
nos mapas.
a) Mapa I - Rochas cristalinas (ferro, manganês e cassiterita);
Mapa II - Rochas sedimentares (petróleo e carvão);.
b) Rochas cristalinas (petróleo e carvão);
Rochas sedimentares (ferro, manganês e cassiteria);
c) Rochas sedimentares (bauxita, ferro e manganês);
Rochas cristalinas (petróleo, carvão e ouro);
d) Rochas cristalinas (ferro, manganês e cassiterita);
Rochas sedimentares (bauxita, ouro e cassiterita);
e) Rochas sedimentares (ferro, ouro e bauxita);
Rochas cristalinas (petróleo, carvão e ouro).
Anotações
58 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 07
Dê o nome do estado brasileiro representado no mapa a seguir e indique duas atividades extrativas
importantes, uma tradicional e outra moderna, praticadas nas áreas identificadas pelos nomes das
cidades assinaladas. Explique os fatores naturais responsáveis por uma delas.
Questão 08
A área destacada pelo traço forte no mapa a seguir refere-se:
a) ao projeto Jari para a produção de celulose em várias fábricas para, através do Porto de São Luís,
alcançar os mercados externos.
b) ao projeto hidrelétrico de Tucuruí-Balbina como apoio para a criação de um pólo industrial em
Marabá.
c) ao programa grande Carajás (exploração de minérios, agropecuária e madeiras) com corredor de
exportação para o porto de São Luís.
d) ao programa agropecuário do Bico do Papagaio, que visa à colonização regional em pequenas
propriedades.
e) ao programa Araguaia-Tocantins para as áreas indígenas na Amazônia.
Anotações
Aula 26 – Recursos Minerais
59 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
No mapa a seguir, as reservas de bauxita e manganês estão
representadas respectivamente pelos números:
a) 1 e 3. b) 2 e 5. c) 7 e 4. d) 3 e 6. e) 4 e 2.
Questão 02
"Oitenta anos de intensa exploração praticamente esterilizaram a
região. Três mil e seiscentos quilômetros quadrados da malha
hidrográfica foram invadidos pela poluição por níquel, enxofre,
ferro, manganês, decorrentes da lavagem.......... . O centro da
destruição é Criciúma, a 202km de Florianópolis, situada no exato
divisor de águas das bacias dos rios Araranguá e Urussanga."
Assinale a alternativa que preenche o claro pontilhado.
a) do carvão. d) do cobre.
b) da cassiterita. e) da bauxita.
c) do chumbo.
Questão 03
"(...) Dez anos depois da descoberta de ouro em Serra Pelada (...)
a saga que atraiu jornalistas do mundo inteiro vai agonizando
lentamente (...). Em lugar dos sonhos dourados, agora só há fome
e desesperança (...)."
("Jornal do Brasil", 06/01/91)
O rápido crescimento e a lenta agonia de Serra Pelada se
expressam na grande mobilidade da população. Explique essa
mobilidade e suas conseqüências tanto para a população envolvida
como para a região citada no texto.
Questão 04
A produção garimpeira declina desde 1988, quando chegou a
quase 90 toneladas de ouro. Em 1992 não chegou a 40. Em 1993
será menor que a produção mecanizada desse valor.
Apesar disso, ainda há mais de 300 mil garimpeiros espalhados em
2 mil garimpos de ouro.
Sobre a mineração do ouro, são feitas as afirmativas a seguir.
I - O garimpo foi, até os nossos dias, a mais difundida maneira de
obter ouro, desde os tempos coloniais.
II - O fim dos garimpos não causa problemas sociais, já que os
garimpeiros, seminômades, facilmente se reciclam em outras
atividades.
III - Um dos problemas dos garimpos é o prejuízo causado aos rios,
seja pelo seu desvio ou represamento, seja pela poluição através
do uso do mercúrio.
IV - O garimpo tem determinado o progresso duradouro de
inúmeras áreas e cidades, de zonas longínquas do país.
V - Serra Pelada (PA), que já foi nosso maior garimpo, está
praticamenteque possibilitou a consolidação do seu parque industrial.
(02) O período do "milagre econômico" caracterizou-se pela concentração industrial, pela produção de
bens de consumo duráveis e pelo aprofundamento dos desníveis regionais.
(04) O crescimento econômico brasileiro, nas décadas de 70/80 deste século, está associado ao
crescimento da sua dívida externa.
(08) Ao se industrializar, o Brasil conseguiu crescer economicamente e promover o seu desenvolvimento.
(16) A indústria automobilística brasileira consolidou a formação do complexo industrial de São Paulo.
Soma ( )
Anotações
4 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 04
O texto a seguir descreve alguns aspectos da implantação da indústria automobilística no Brasil.
"(...) as montadoras estrangeiras, a começar pelas européias, aceitaram o convite e instalaram suas
fábricas no Brasil, ao lado das empresas já em operação no país: a Fábrica Nacional de Motores
(FNM), produzindo inicialmente alguns caminhões e a Vemag (automóveis e utilitários) (...), ambas de
capital nacional. A Vemag foi comprada pela Volkswagen (...), a FNM foi comprada pela Alfa Romeo e
posteriormente incorporada à Fiat."
(adaptado de RETRATOS DO BRASIL, São Paulo, p.262)
a) A partir de quando as grandes montadoras estrangeiras vieram para o Brasil e onde se instalaram?
b) Quais as características da industrialização brasileira, a partir desse momento?
Questão 05
A política industrial do atual governo brasileiro visa a:
a) proteger as indústrias tradicionais de baixa tecnologia, para garantir o atual nível de emprego
industrial.
b) proteger a indústria nacional contra a competição desleal de empresas estrangeiras mais eficientes.
c) uma melhor distribuição geográfica do parque industrial que atualmente se concentra no Sudeste.
d) amparar os setores industriais de alta tecnologia, garantindo-lhes reserva de mercado e apoio
tecnológico.
e) desenvolver maior eficiência produtiva e competitividade das empresas, desestimulando cartéis e
monopólios.
Questão 06 (Unesp)
O período de 1969-1973 caracterizou-se pelo crescimento acelerado da economia brasileira, ou seja,
as taxas de crescimento do produto interno bruto (PIB) alcançaram cifras superiores a 10% ao ano.
Este processo foi gerado por medidas político-econômicas implementadas pelos governos militares
pós-64. Nesse período ocorreu o que se denominou de:
a) "milagre brasileiro“. c) "Brasil ano 2000". e) "Diretas-já".
b) "crescer 50 anos em 5". d) "Plano de Metas".
Questão 07
"Entre 1955 e 1960 houve um salto no processo de industrialização brasileira através da fase
conhecida como PLANO DE METAS, onde o crescimento econômico esteve apoiado em um conjunto
de investimentos e profundas modificações na estrutura industrial do País."
O conjunto de investimentos e modificações a que se refere o texto consistiam, entre outros,
a) na grande ampliação das centrais de energia termelétricas; na instalação e modernização de
terminais marítimos e no crescimento de indústrias de bens de consumo duráveis, como a alimentícia
e a eletroeletrônica.
b) na recuperação de áreas urbanas junto às metrópoles; na criação de corredores de exportação e no
sensível crescimento dos setores de indústria de base, como a do aço, cimento e química pesada.
c) na crescente diversificação da pauta de exportações de produtos primários e na nacionalização de
indústrias inicialmente ligadas ao capital internacional, como a química leve e a farmacêutica.
d) na ampliação significativa da capacidade instalada de energia elétrica; no aumento do número e na
modernização das rodovias e no crescimento do setor de bens de produção e da indústria
automobilística.
e) na criação e instalação de portos fluviais, na expansão da agroindústria, na descentralização da
atividade industrial e no fortalecimento dos mecanismos de distribuição equilibrada da renda.
Questão 08
Em sua fase inicial, associada à substituição das importações, a industrialização brasileira ressentiu-se
principalmente
a) da falta de iniciativa estatal, uma vez que o Estado tinha interesse em manter a agroexportação do
café.
b) das dificuldades provocadas pela Grande Guerra que impossibilitavam a produção de bens, antes
importados.
c) da conjuntura internacional desfavorável, pois as grandes potências econômicas procuravam manter
o monopólio industrial.
d) da ausência de uma integração em nível de América Latina.
e) da falta de integração do território, reflexo de uma organização espacial ligada à exportação de
bens primários.
Anotações
Aula 19 – A Política Substitutiva e a Industrialização Pós-1930
5 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
Levando-se em consideração que, historicamente, a implantação
de indústrias siderúrgicas constituiu-se em fator fundamental no
processo de industrialização:
a) justifique a importância das indústrias siderúrgicas;
b) explique como se deu a sua implantação no Brasil.
Questão 02
I- Até a década de 1930, não se desenvolveu uma política de
industrialização. As atenções voltavam-se para o setor agrário-
exportador.
II- Um período importante para o desenvolvimento industrial
ocorreu após 1929 com a crise da cafeicultura.
III- Após 1950, o desenvolvimento foi realizado com grande
participação de capitais estrangeiros, iniciando-se a
internacionalização da economia do país.
IV- Os governos militares, após 1964, interromperam o processo de
internacionalização, diminuindo a dependência de capitais externos.
Sobre as fases do processo de industrialização do Brasil, são
corretas as afirmações:
a) I, II, III e IV. d) I, II e IV.
b) I, III e IV. e) I, II e III.
c) II, III e IV.
Questão 03
Sobre a industrialização e urbanização no Brasil, julgue as
afirmativas adiante:
I. É pertinente afirmar que a urbanização brasileira não é
decorrente da industrialização, uma vez que isso não gera
emprego em número suficiente para o grande volume do êxodo
rural que ela provoca.
II. Pelo fato de a indústria brasileira ser do tipo tardia, ela se
caracteriza por importar tecnologia e máquinas dos países centrais
e por ser poupadora de mão-de-obra.
III. A tecnologia importada pelo Brasil tem agravado o problema do
desemprego, uma vez que o declínio das taxas de natalidade é
menos acentuado do que nos países onde ela foi elaborada.
Assinale:
a) se for correta apenas a afirmativa I.
b) se forem corretas apenas as afirmativas I e II.
c) se forem corretas apenas as afirmativas I e III.
d) se forem corretas apenas as afirmativas II e III.
e) se forem corretas as afirmativas I, II e III.
Questão 04
"O desenvolvimento da rede de transporte é um fator fundamental
para o crescimento industrial".
Analisando a organização do espaço brasileiro, tendo em vista seu
processo de industrialização, é correto afirmar, EXCETO:
a) Em 1930 não existia integração econômica entre as diversas
regiões.
b) A industrialização procedeu-se, gerando uma maior
concentração espacial.
c) O Sudeste foi favorecido pela construção de vias de transporte
e, conseqüentemente, pelo crescimento industrial.
d) A construção da rede rodoviária favoreceu a reprodução interna
do modelo de dominação e exploração.
e) A Amazônia permanece numa posição periférica, contando
apenas com a presença de indústrias nacionais tradicionais.
Questão 05
Considerando a estrutura industrial brasileira no que se refere à
origem do capital, é correto afirmar que:
a) desde a origem da industrialização brasileira, a indústria de
capital privado nacional sempre foi, numericamente, superior às
demais
b) na atualidade, as indústrias de capital privado nacional são um
setor forte e predominante no sistema econômico
c) somente após 1964, as empresas estatais passaram a uma fase
de enfraquecimentodesativada. O ouro que lá existe só pode ser
extraído, agora, por processos mecânicos.
As afirmativas corretas são:
a) somente I, III e V. d) somente I, II, III e IV.
b) somente II, III e V. e) somente I, III, IV e V.
c) somente II, IV e V.
Questão 05
Considere os textos que seguem.
I. "As reservas brasileiras estão entre as maiores do mundo com,
aproximadamente, 4 bilhões de
toneladas. Este minério tem larga utilização industrial desde a
fabricação de utensílios domésticos até a indústria aeronáutica."
II. "Trata-se de um minério vital para a indústria siderúrgica, pois
funciona como agente desoxidante e como liga, aumentando o
limite de elasticidade do aço. As reservas brasileiras giram em
torno de 160 milhões de toneladas."
Os textos referem-se, respectivamente, aos minérios de
a) alumínio e chumbo. d) chumbo e estanho.
b) cobre e alumínio. e) alumínio e manganês.
c) manganês e estanho.
Questão 06
Considere os mapas a seguir para responder à esta questão.
As áreas assinaladas nos mapas A, B e C correspondem,
respectivamente, à produção dominante dos seguintes minerais:
a) Projeto Grande Carajás - ferro e alumínio; Maciço de Urucum -
ferro e manganês; Quadrilátero Central - ferro.
b) Serra do Navio - manganês; Quadrilátero Central - ferro e
bauxita; Quadrilátero Mineiro - bauxita e carvão.
c) Projeto Jari - carvão e alumínio; Maciço de Urucum - ouro e
ferro; Quadrilátero Mineiro - ferro e bauxita.
d) Projeto Grande Carajás - manganês e cobre; Serra do Navio -
ferro; Quadrilátero Ferrífero - ferro e manganês.
e) Serra do Navio - manganês e ferro; Projeto Jari - bauxita e ferro;
Quadrilátero Central - ferro.
Questão 07
Observe o mapa:
60 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Legenda:
1- Jazidas e Minas
2- Sedimentos Quaternários
3- Derrames Basálticos
4- Sedimentos Paleo-mesozóicos
5- Embasamento Cristalino
O recurso mineral encontrado nas jazidas e minas localizadas no
mapa é
a) a bauxita.
b) a turfa.
c) o carvão mineral.
d) o estanho.
Questão 08
A localização espacial das usinas siderúrgicas de grande porte no
Brasil subordinou-se:
a) ao planejamento governamental de suas instalações.
b) à localização das matérias primas, mercado consumidor e rede
de transportes.
c) à localização das fontes de energia.
d) à localização dos depósitos de carvão e minério de ferro.
e) ao processo de urbanização e desenvolvimento da rede
ferroviária.
Questão 09
Os três últimos governos federais brasileiros investiram enormes
recursos em projetos econômicos de grande vulto. Um desses
projetos destaca-se por ser de grande extensão e complexidade
territorial, abrangendo setores como o de energia, transportes,
mineração e industrialização.
Trata-se do projeto:
a) Jari. d) Carajás.
b) Angra II. e) Itaipu.
c) Transamazônico.
Questão 10 (Fuvest)
As cidades de Sabará, Itabira, Monlevade, Coronel Fabriciano e
Ipatinga localizam-se em Minas Gerais, na área geográfica
conhecida como:
a) zona metalúrgica. d) zona dos gerais.
b) triângulo mineiro. e) sul de Minas.
c) zona da mata.
Questão 11 (Fuvest)
No esquema a seguir, X e Y são, respectivamente,
a) manganês e bauxita.
b) manganês e cobre.
c) cobre e cassiterita.
d) ferro e cassiterita.
e) ferro e bauxita.
Questão 12
Sobre o dinamismo econômico do Quadrilátero Central de MG,
com a criação de um "Complexo" transformador, pode-se afirmar
que:
a) ocorreu um grande crescimento demográfico, tendo a região,
hoje, mais de 5 milhões de habitantes, nucleados por uma das
maiores RMs do país.
b) a área, que tinha uma indústria especializada no setor sídero-
metalúrgico, é atualmente polindustrial, com a petroquímica e a
mecânica.
c) a recente conclusão da ferrovia do aço permite melhor
escoamento do ferro do vale do rio Paraopeba.
d) a privatização de siderúrgicas, como a Usiminas e a Acesita
garantirão a chegada de maiores investimentos na região.
e) a utilização da lenha nas guserias regionais adiciona à renda
local o valor da extração vegetal.
Questão 13
No mapa, aparece delimitada uma área marcada pela:
a) concentração de colônias de imigrantes.
b) criação extensiva de bovinos.
c) presença de carvão mineral.
d) agricultura monocultora de soja.
e) ocorrência de jazidas de petróleo.
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Prof. Fernandes Epitácio
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FONTES DE ENERGIA I
ENERGIA E SOCIEDADES
Entre as condições gerais que ampliam a capacidade social de
gerar riquezas, uma das que mais se destacam é a energia. A
história da humanidade pode ser narrada através do consumo de
energia. Dos tempos pré-históricos até as sociedades tecnológicas
atuais, o consumo médio aumentou em cerca de 90 vezes.
A PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Por volta de 1720, o emprego de bombas a vapor para extração de
água foi o início do processo de alteração do ciclo energético
mundial, mas foi com as inovações produzidas por James Watt,
que o uso desse princípio permitiu a movimentação de máquinas
na indústria e nos meios de transportes.
A partir desse momento, o homem passou a utilizar as chamadas
fontes de energia modernas (carvão mineral, petróleo,
hidreletricidade, energia atômica, etc).
Máquina a vapor
CONTEXTO HISTÓRICO
O que signifca a frase “a revolução industrial explodiu”?
Significa que a certa altura da década de 1780, e pela primeira
vez na história da humanidade, foram retirados os grilhões do
poder produtivo das sociedades humanas, que daí em diante
se tornaram capazes de multiplicação rápida, constante, e até
o presente ilimitada, de homens, mercadorias e serviços. Esse
fato é hoje tecnicamente conhecido pelos economistas como
a “partida para o crescimento autossustentável”. Nenhuma
sociedade anterior tinha sido capaz de transpor o teto que
uma estrutura social pré-industrial, uma tecnologia e uma
ciência deficientes, e consequentemente o colapso, a fome e a
morte periódicas, impunham à produção. A “partida” não foi
logicamente um desses fenômenos que, como os terremotos e
os cometas, assaltam o mundo não-técnico de surpresa.
HOBSBAWN, Eric J. A Era das Revoluções. Ed.Paz e Terra.
As fontes de energia primárias podem ser classificadas em
renováveis e não-renováveis:
• Renováveis: São as fontes que têm a possibilidade de se
renovar, como a energia solar, a hidráulica, a eólica, a das marés,
a da biomassa, etc. Inúmeras destas renovam-se naturalmente e
se administradas com o devido cuidado podem durar
indefinidamente.
• Não-Renováveis: São fontes que se esgotam com o uso. Para
que acontecesse sua formação foram necessários milhões de anos
e condições geológicas específicas. Compreende os combustíveis
fósseis e os minerais energéticos e radioativos (urânio e tório).
O CONCEITO DE ENERGIA E DESENVOLVIMENTO
ECONÔMICO
Energia 1significa a capacidade de se realizar trabalho. O
desenvolvimento industrial, em particular, e o econômico, em geral,
estão intimamente ligados ao desenvolvimento das fontes de
energia. Pode-se dizer que há uma interdependência: os
progressos industrial e econômico resultam da ativação de novas
fontes de energia, que, por sua vez, ocorrem em consequência das
necessidades econômicas e sociais. Os países mais ricos são os
grandes consumidores de energias devido a dinamismo da sua
economia e ao elevado padrão de consumo de sua população e
indústria. Os EUA são os maiores produtores de energia do
mundo, entretanto, como o consumo de energia é elevado o país
tem que importar energia, e junto com o Japão são os maiores
importadores de energia do mundo.
CONSUMO FINAL DE ENERGIA NO MUNDO EM 2012
Fonte: Comitê Internacional de Bologne.
PETRÓLEO
O petróleo é conhecido desde tempos remotos. A Bíblia já traz
referências sobre a existência de lagos deasfalto.
Nabucodonosor pavimentava estradas com esse produto na
Babilônia, enquanto os egípcios o utilizavam como
impermeabilizante. Por vários séculos o petróleo foi utilizado
para iluminação. Apesar da técnica de perfuração de poços
profundos ser dominada desde 200 anos a.C., o objetivo
exploratório era sempre agua potável. Entretanto durante o
século XVIII já eram cavados poços a profundidades de 50
metros que buscavam petróleo. A vantagem desse
procedimento era que o petróleo assim produzido era mais
“leve” do que o aflorante naturalmente, ou seja, com os seus
constituintes mais voláteis presentes. No entanto, a
construção desses poços era uma tarefa extremamente
arriscada devido à presença de gases altamente inflamáveis.
No início do século XIX, as primeiras destilarias foram
construídas, visando a separação dos constituintes do
1 Conceito conforme o Comitê Nacional Brasileiro da Conferência
Mundial de Energia – 2004.
62 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
petróleo. Paralelamente era desenvolvido o lampião a
querosene, que produzia uma chama muito mais brilhante e
com menos fumaça do que os que utilizavam petróleo bruto ou
mesmo óleo de baleia.
TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, M. Cristina Motta de; FAIRCHILD, Thomas Rich;
TAIOLI, Fábio. Decifrando a Terra. Companhia Editora Nacional. São Paulo: 2008.
O petróleo é um hidrocarboneto que se apresenta sob a forma
fluida, formado por restos vegetais e animais em ambiente
marinho. Os restos dos animais e vegetais microscópicos
(plâncton) que vivem na superfície são depositados junto com a
lama e areia no fundo do mar. Para que tenha início o processo de
formação do petróleo, é necessário que haja pouca circulação e
oxigenação no fundo das águas, de forma a impedir a ação
destruidora das bactérias aeróbias. Mares interiores, baías
fechadas e golfos são os ambientes mais propícios à formação do
petróleo. Normalmente apresenta densidade menor que a da água,
e sua cor varia desde o incolor até o preto.
A mais importante rocha-fonte de óleo é formada por sedimentos
finos, ricos em matéria-orgânica, soterrados a uma profundidade
mínima de 500 m onde a rocha se comprime, diminuindo sua
porosidade e, com a alta temperatura, induz os hidrocarbonetos a
migrarem para cima, para um ambiente de menor pressão e maior
porosidade. Esse movimento é chamado de migração primária.
Para que se forme, é necessário haver pouca circulação e
oxigenação no fundo das águas, de modo a impedir a proliferação
das bactérias aeróbicas. Apesar de sua origem marinha, o petróleo
também, é encontrado no interior dos continentes, tal como ocorre
na Rússia. Isso acontece porque o óleo migra através de fissuras a
interstícios das rochas permeáveis, até encontrar uma barreira
relativamente impermeável.
PRINCIPAIS RESERVAS DE PETRÓLEO DO MUNDO
As principais reservas mundiais de petróleo estão concentradas em
algumas poucas regiões: o Oriente Médio (cerca de 65%), Golfo do
México, sul dos Estados Unidos, lago de Maracaibo (Venezuela),
Sibéria (Rússia) e Golfo de Bohai (China). A Arábia Saudita, maior
produtora, responde por 12,9% do total mundial. Os Estados
Unidos figuram como principal importador, apesar de produzirem
cerca de 8% do total mundial.
RESERVAS MUNDIAS DE PETRÓLEO (BILHÕES DE BARRIS
DE PETRÓLEO)
Fonte: Petrobras.
PRINCIPAIS DERIVADORS DO PETRÓLEO (MÉDIA)
Em algumas regiões, como no Oriente Médio, a maior parte do
petróleo encontra-se perto da superfície. Mas a maior parte das
reservas mundiais está alojada do fundo dos oceanos. Desde a
década de 1950, a tecnologia de extração de petróleo no subsolo
oceânico (offshore) vem evoluindo continuamente. Hoje, as
plataformas marinhas representam pouco mais de 25% da
produção no mundo e 68% a produção do Brasil.
Arábia Saudita e Rússia figuram entre os maiores produtores
mundiais de petróleo, seguidas pelos Estados Unidos, Irã e China.
BRASIL DOMINA TECNOLOGIA DE EXPLORAÇÃO DE
PETRÓLEO EM ÁGUAS PROFUNDAS
A Petrobras é referência internacional na exploração de petróleo
em águas profundas, para a qual desenvolveu tecnologia própria,
pioneira no mundo, sendo a líder mundial deste setor. Tornou-se
uma referência tecnológica para o mundo do petróleo e
confirmando a liderança da Petrobras em águas profundas. A
Petrobras bateu sucessivos recordes de profundidade por lâmina
de água em extração de petróleo:
Aula 27 – Fontes de Energia I
63 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
PROFUNDIDADE ANO
492 METROS 1988
781 METROS 1992
1709 METROS 1997
1877 METROS 2000
1886 METROS 2003
Em 2007 a Petrobras mantém o recorde mundial de profundidade
em perfuração no mar, com um poço em lâmina d'água de 2.777
metros. A Petrobras exporta tecnologia de exploração em águas
profundas para vários países - a maioria dos métodos de
colocação de tubos a grandes profundidades, como a instalação de
risers flexíveis sem mergulhadores e os métodos de colocação
vertical de sistemas de conexão em forma de "J" previamente
amarrados à ANM, na realidade, foram desenvolvidos em estreita
colaboração com a Petrobras, e foram patenteados pela empresa
francesa Coflexip.
GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO
A importância estratégica alcançada pelo petróleo ao longo do
século XX provocou inúmeras crises de proporções mundiais.
Eclodiram muitos litígios envolvendo empresas e países, nos quais
sempre estiveram em jogo a posse, o refino e a comercialização do
petróleo. A exploração de petróleo no Golfo Pérsico começou em
1908, quando foram descobertos importantes lençóis desse
hidrocarboneto no Irã. Nessa época, foram negociadas concessões
a grandes companhias estrangerias, sobretudo por chefes tribais
árabes.
Até 1960, sete grandes empresas petrolíferas (cinco norte-
americanas, Standart Oil of New Jersey, hoje conhecido como
Exxon; Standart Oil of Califórnia, hoje Chevron; Gulf que hoje é
parte da Chevron; Mobil, que é parte da Exxon e Texaco, também
incorporada pela Chevron; uma anglo-holandesa, Royal
Dutch/Shell; e uma britânica, British Petrolium, hoje Beyong
Petrolium) controlavam grande parte da exploração e
comercialização do petróleo, determinando aumento ou redução de
preços de acordo com suas conveniências. Eram chamadas de
“sete irmãs”, em virtude dos acordos que faziam para a divisão do
mercado mundial e das estratégias conjuntas que adotavam.
No início do século XX, o petróleo já era considerado riqueza fundamental, base do
sistema de transporte automotivo e geradora de inúmeras atividades indiretas.
Os principais países exportadores, que pouco se beneficiavam com
a exploração do produto, resolveram mudar esse quadro e, em
1960, por meio do Acordo de Bagdá, criaram a O.P.E.P
(Organização dos Países Exportadores de Petróleo), formada
atualmente por 12 países: Arábia Saudita, Irã, Venezuela,
Emirados Árabes, Nigéria, Iraque, Indonésia, Líbia, Kuwait, Argélia,
Qatar, Gabão e o Equador, que na década de 90 deixou a
organização mas, retornou em 2007. A O.P.E.P é na realidade um
cartel de países exportadores de petróleo. Essa organização
determina cotas de produção para cada país e elimina a
concorrência estabelecendo um preço comum. A Guerra de Yom
Kippur, em outubro de 1973, entre árabes e israelenses, na qual os
EUA e as potências capitalistas apoiaram Israel, foi um bom
pretexto para esse aumento desse preço. A O.P.E.P, usando o
petróleo como uma arma política, reduziu o fornecimento e
aumentou o preço de 2,9 para 11,65 dólares o barril, um aumento
de 301% em menos de três meses.
Esse episódio ficou conhecido como o primeiro choque do
petróleo. Em 1979 quando iniciou-se a revolução islâmica no Irã, e
em 1980, quando eclodiu a guerra entre Irã e Iraque, ocorreu um
novo choquedo petróleo, onde o barril sai de 13 para 34 dólares,
ou seja, um incremento de 161% em relação ao preço de 1973.
A Guerra do Golfo (1990) fez com que o preço ultrapassasse os 40
dólares, porém com o fim do conflito o preço voltou a estabilizar-se
e fechou o momento em 20 dólares.
Em 2000, quando George W. Bush e sua corja chegaram ao poder
nos Estados Unidos, boa parte deles ligados a indústria petrolífera,
os interesses do governo norte-americanos em relação ao petróleo
se intensificaram, como foi possível observar no caso da ocupação
do Iraque no ano de 2003.
O desenvolvimento das economias emergentes, particularmente
China e índia, pressionou a demanda mundial e colocou o preço do
petróleo no patamar de US$147 o barril em 2008. A crise
econômica, iniciada em 2007/2008, acarretou uma queda no preço
do produto. No início de 2010, o preço do barril era de
aproximadamente US$ 80 e fechou o ano de 2012 em uma
cotação de US$ 110.
A OPEP E A PRODUÇÃO MUNDIAL DE PETRÓLEO (2008)
Fonte: ANP, Gás Natural e Biocombustíveis. Anuário estatístico
2009. * Segundo a OPEP, a Indonésia deixou de fazer parte da
organização em janeiro 2009.
PETRÓLEO NO BRASIL
(UM LOBATO INCOMODA MUITA GENTE)
Dono de um ufanismo febril em tudo aquilo em que se
envolvia, o escritor Monteiro Lobato era um dínamo a procurar
continuamente novas causas, novas frentes de batalha além
da literatura – que, paradoxalmente, era a fonte financiadora
das investidas no mundo dos negócios, e não o contrário. E o
64 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
sonho de encontrar petróleo ocuparia uma década de
esforços, tempo e recursos financeiros do escritor. (...) Em
1932 criaria a Cia. de Petróleo do Brasil e, nos anos seguintes,
duas outras empresas. Em 1936 seu livro O Escândalo do
Petróleo provocaria intensa polêmica em torno das teses ali
defendidas – de que havia um conluio entre autoridades
governamentais e empresas multinacionais de petróleo no
sentido de impedir a exploração do subsolo brasileiro pelo
capital nacional. Mas a escolha do governo Vargas se daria
pela estatização da exploração de petróleo, em vez do formato
de livre-iniciativa defendido pelo escritor.
Cartacapital na escola, maio/junho de 2006.
Em 2007, o petróleo representava a maior oferta interna de energia
no Brasil (37,4%). Entre as atividades econômicas que mais
consomem petróleo estão os transportes (67%), a indústria (17%) e
a produção de energia (7%). O ano marcou a descoberta da
Camada Pré-Sal. A camada pré-sal é uma faixa que se estende ao
longo de 800 quilômetros entre os Estados do Espírito Santo e
Santa Catarina, abaixo do leito do mar, e engloba três bacias
sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O recurso natural
encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil
metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo
geólogos, conservam a qualidade desse recurso. Vários campos já
foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, o principal. Há
também os nomeados: Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara,
entre outros.
ENTENDA O PRÉ-SAL
Fonte: CALDINI, Vera ÍSOLA, Leda. Atlas Geográfico Saraiva. 2009.
Nas décadas de 1950 a 1970, com a intensa industrialização e
urbanização, o consumo do petróleo manteve-se superior à
produção interna. No primeiro choque do petróleo, em 1973, o
Brasil ainda importava quase 80% do que consumia desse produto.
Após o segundo choque do petróleo, em 1979, procurou-se o
aumento da produção interna e a exploração de fontrds
alternativas.
Na década de 1970, foram feitos novos investimentos e esforços
para descobrir petróleo concentrado na plataforma continental,
terreno submerso que começa na linha da costa litorânea e
apresenta um declive suave até uma profunidade de cerca de 200
metros. Essas pesquisas levaram à descoberta de importantes
jazidas petrolíferas no litoral, ao longo da costa de diversos
estados. A Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, tornou-
se a ais importante região produtora. A partir de meados da
década de 1980, diversos campos foram descobertos na Bacia de
Campos (Albacarota, Marlim, Barracuda-Caratinga), culminando
com a descoberta do campo gigante de Roncador, em 1996.
PRODUÇÃO DE ÓLEO E GÁS (1000 bpd)
O refino vem acompanhando de perto as transformações que a
Petrobras vivencia nos últimos anos, adequando-se ao novo
modelo de mercado do setor no Brasil. O desafio de processar a
crescente produção de óleo pesado brasileiro, permitindo
investimentos e grandes avanços tecnológicos. A Petrobras tem
batido sucessivos recordes em suas refinarias, desenvolvendo
tecnologia própria e possibilitando que o petróleo nacional, de
característica mais pesada, possa render uma percentagem maior
de produtos nobres e aumentar a rentabilidade do negócio.
Aula 27 – Fontes de Energia I
65 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
PRODUÇÃO E RESERVA NACIONAL DE PETRÓLEO 2008 (Milhões de barris)
Em 2008, o petróleo representava a maior oferta interna de energia no Brasil (36,6%). Entre as atividades econômicas que mais consomem
petróleo, estão os transportes (51,1%), a indústria (13%) e a agropecuária (6%). A partir da década de 1940, houve um aumento no uso
desse recurso, o que está bastante associado à política de expansão rodoviária implementada pelo Estado brasileiro nessa época. Em
1950, o transporte, rodoviário já transportava 65,6% das pessoas e 53,1% das mercadorias do país. O desenvolvimento da indústria
automobilística, implantada na década de 1950, levou a um constante aumento no consumo de derivados de petróleo, atendendo aos
interesses das grandes companhias mundiais de petróleo. Em 1953, foi instituído o monopólio estatal do petróleo, e em 1954, foi criada a
Petrobras, empresa que, além de executar as atividades do setor petrolífero (exploração, produção e distribuição), dedica-se à pesquisa e
ao desenvolvimento de tecnologias para o petróleo e derivados.
66 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
A atuação do downstream (abastecimento) é fundamental para
consolidar os objetivos estratégicos da Petrobras, que caminha
para se transformar numa corporação de alto desempenho na área
de energia.
A intenção é firmar sua liderança no mercado brasileiro, além de
expandir suas atividades no exterior, sobretudo na América Latina,
onde atua em refinarias na Bolívia e na Argentina.
A Petrobras possui 16 refina rias e uma fábrica de lubrificantes,
assim localizadas:
• Refinaria Landulto Alves (Rlam) – Mataripe, Bahia.
• Refinaria Presidente Bernar des (RPBC) – Cubatão, São Paulo.
• Refinaria Duque de Caxias (Reduc) – Campos Elíseos, Rio de
Janeiro.
• Refinaria Gabriel Passos (Regap) – Betim, Minas Gerais.
• Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) – Canoas, Rio Grande do
Sul.
• Refinaria de Paulínia (Replan) – Paulínia, São Paulo.
• Refinaria de Manaus (Reman) – Manaus, Amazonas.
• Refinaria de Capuava (Recap) – Mauá, São Paulo.
• Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) – Araucária, Paraná.
• Refinaria Henrique Lage (Revap) – São José dos Campos, São
Paulo.
• Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor) –
Fortaleza, Ceará.
UNIDADES DE PROCESSAMENTO DA PETROBRAS
Além das refinarias localizadas no Brasil, a Petrobras também
opera duas refinarias na Bolívia, desde 1999 (Refinarias Guilhermo
Elder Bell e Gualberto Villarroel) e na Argentina. As unidades
industriais da Petro bras completam-se com duas fábricas de
fertilizantes nitrogenados (Fafen), localizadas em Laranjeiras,
Sergipe, e em Camaçari, Bahia. Operam ainda no Brasil as
refinarias Ipiranga, no Rio Grande do Sul e Manguinhos, no Rio de
Janeiro, ambas pertencentes a grupos privados.BRASIL – IMPORTAÇÃO DE PETRÓLEO
No Brasil, o óleo bruto é transportado internamente por oleodutos
(30 318 km) ou externamente por navios da Fronape, que conta
120 petroleiros, dos quais 46 de propriedade da Petrobras
(Transpetro). O petróleo é levado a terminais e daí transportado até
refinarias ou depósitos.
GÁS NATURAL
Por se formar do mesmo modo e por se acumular no mesmo tipo
de rocha, o gás natural, uma composição de hidrocarbonetos em
estado gasoso, é frequentemente encontrado junto ao petróleo. O
gás natural, em relação ao petróleo, oferece algumas vantagens: é
menos poluente, as reservas conhecidas podem durar cerca de 60
anos e estão distribuídas em diversos continentes. Entretanto, os
custos de exploração e de transporte (construção de gasodutos)
são maiores do que os despendidos com o petróleo.
O custo de geração de energia elétrica, a partir do gás natural, é
bem menor em relação às outras fontes (carvão, urânio — energia
atômica; água dos rios — energia hidrelétrica), recomendando-se
bastante sua utilização. Somente nos EUA, há 550 mil quilômetros
de gasodutos, o que pode ser um indicativo do largo uso desse
recurso naquele país. Por ser menos denso, o gás ocupa em geral,
a parte superior dos depósitos petrolíferos. A Arábia Saudita, maior
produtora, responde por 12,9% da produção mundial.
Na Bacia do Mar Cáspio existem inúmeros campos de gás, a maior
parte no deserto do Turcomenistão.
PROJETOS DE DUTOS NA BACIA DO MAR CÁSPIO
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações Internacionais: teoria e
história. São Paulo: Saraiva, 2004.p.29.3
CARVÃO MINERAL
O carvão mineral é utilizado há mais de 2000 anos, desde a
época da ocupação romana da Inglaterra, quando era usado para
aquecer as residências dos romanos.
O carvão é formado pelos restos soterrados de plantas que
sofreram um lento processo de solidificação em um ambiente
anaeróbico.
Levando em consideração o poder calorífico, diretamente
relacionado à quantidade de carbono, o carvão apresenta-se sob
quatro formas:
• Antrácito: possui de 90 % a 96% de carbono, apresentando,
portanto, maior poder calorífero. É o melhor e também o mais
raro, pois corresponde a apenas 5% do consumo mundial.
Aula 27 – Fontes de Energia I
67 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
• Hulha: tipo mais abundante e mais consumido (80% do total),
apresenta teor de carbono de 75% a 90% Bastante usado para a
produção de coque (carvão siderúrgico).
• Linhito: possui teor de carbono e 65% a 75% (baixo poder
calorífero). É o segundo estágio de desenvolvimento do carvão.
• Turfa: possui o menor teor de carbono (cerca de 55%) e,
portanto, o menor poder calorífero. É o primeiro estágio de
desenvolvimento do carvão.
LOCALIZAÇÃO DAS PRINCIÁIS JAZIDAS DE CARVÃO DO MUNDO
Fonte: Mérenne-Schoumaker, Géographie de l’énergie, p.211
A exploração do carvão mineral pode ocorrer
• a céu aberto: para isso, é necessário que as camadas que
contêm o mineral encontrem-se próximas da superfície terrestre,
o que facilita a extração e o emprego de máquinas bastante
modernas, barateando o custo da produção.
• em minas subterrâneas: as rochas que contêm o mineral são
encontradas em maiores profundidades, o que ocorre na maioria
das minas de carvão espalhadas pelo mundo. Essa forma de
exploração, ao contrário da primeira, requer maior quantidade de
instalações na superfície e no fundo das minas, sendo,
consequentemente, mais dispendiosa.
No decorrer do século XX, com a expansão da utilização do
petróleo, chegou-se a afirmar, especialmente na década de 1960,
que o carvão era uma fonte de energia ultrapassada. Entretanto,
em virtude do encarecimento do petróleo na década de 1970, a
produção e o consumo do carvão aumentaram sensivelmente.
China, EUA, Índia, África do Sul, Austrália, Rússia e Polônia
detinham, em 2008, mais de 85% da produção mundial do carvão,
que é o mais abundante dos combustíveis fósseis.
MAIORES PRODUTORES MUNDIAIS DE CARVÃO
Fonte: ANEEL
Com o aumento da produção e do consumo, a utilização do carvão
ainda apresenta dois problemas a serem solucionados: o alto custo
do transporte e o elevado índice de poluição verificado tanto na sua
extração como no seu consumo. Quanto ao transporte, a construção
de ferrovias pode contribuir para o barateamento final do produto,
tornando-o ainda mais competitivo. Já a poluição pode ser reduzida
com a instalação de filtros e outros equipamentos antipoluidores nas
usinas termelétricas, grandes responsáveis pela emissão de gases
poluentes. EUA, Alemanha, França e Grã-Bretanha, por exemplo, já
dominam a tecnologia para a utilização limpa do carvão. A redução
da emissão de poluentes decorrentes do uso desse recurso justifica-
se ainda pelo fato de ele também ser utilizado nas indústrias
siderúrgicas para a produção de aço e nas indústrias químicas para
fabricar benzinas, amoníaco, gás de iluminação, óleo, anilina, etc.
Sabemos que o Hemisfério Sul é pobre em carvão mineral, se
comparado com o Hemisfério Norte. Esta pobreza do Hemisfério
Sul está ligada a fenômenos geológicos. Assim, o Brasil não faz
exceção neste particular. É também pobre em jazidas carboníferas
(pelo menos no que se refere às jazidas conhecidas até hoje). As
nossas principais jazidas estão localizadas no sul do país, numa
formação que data do permocarbonífero, entre o cristalino da Serra
do Mar e a Bacia Sedimentar Paranaica.
Praticamente todo o carvão mineral brasileiro procede da região
Sul. O Rio Grande do Sul detém as maiores reservas, mas Santa
Catarina é o maior produtor, graças às reservas existentes no vale
do Rio Tubarão e arredores, abrangendo os municípios de
Urussanga, Lauro Muller, Siderópolis e Criciúma. As reservas
catarinenses, diferentemente do que ocorre no Rio Grande do Sul,
aparecem em camadas pouco profundas, facilitando a extração e
tornando-a menos onerosa.
68 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
REGIÃO DE OCORRÊNCIA DE CARVÃO NO BRASIL
PRINCIPAIS DEPÓSITOS
• Santa Catarina – 5 606 112 toneladas, localiza das no Vale do
Rio Tubarão e proximidades.
• Rio Grande do Sul – 3 364 953 toneladas, localizadas no Vale
do Jacuí e proximidades. Foi localizada uma jazida de linhito no
alto Amazonas, mas não foi ainda avaliada. A exploração do
carvão mineral, no Brasil, efetivou-se a partir de 1942, em Santa
Catarina, quando foi ini cia da a instalação da Companhia
Siderúrgica Nacional (primeiro alto-forno a coque no Brasil), em
Volta Redonda (RJ). A partir desta data, a nossa produção tem
crescido de forma bastante lenta, em razão de uma série de
problemas já citados. Em 1969, atingiu 5 127 351 toneladas,
produção irrisória, se compararmos com a produção dos EUA. A
produção atual (1993) gira em torno de 9 241 099 toneladas de
carvão bruto.
Dos depósitos brasileiros, o único que possui carvão coqueificável
é o de Santa Catarina, cuja com posição é a seguinte:
• carvão metalúrgico – 45%;
• carvão vapor – 30%;
• rejeitos – 25%.
EVOLUÇÃO DO CONSUMO DE ENERGIA PRIMÁRIA NO
BRASIL(%)
A principal compradora deste carvão é a Companhia Siderúrgica
Nacional.
• Rio Grande do Sul
Os depósitos desse Estado aparecem com 30 a 120 metros de
profundidade. A exploração ocorre no Vale do Jacuí (São
Jerônimo e Butiá), Bagé e Leão. O carvão é de baixa qualidade,
não sendo coqueificá vel, em nível econômico, nas técnicas atuais.
A produção é consumida no próprio Estado, para geração de
termoeletricidade (CEEE) e transportes (Viação Férrea do Rio
Grande do Sul).
• Paraná
É explorado no Vale do Rio do Peixe e no Vale do Rio das
Cinzas, sendo consumido para trans por tes.
PROBLEMAS DE EXPLORAÇÃO
Vários são os problemas que dificultam o aumento da
exploração:
1) depósitos relativamente pequenos;
2) pequena espessura dos horizontes carboníferos,dificultando a
exploração;
3) baixa qualidade do carvão, produzindo até 18% de cinzas;
4) baixo nível técnico das minas e equipamentos deficientes,
encarecendo o produto;
5) distância dos depósitos em relação aos centros consumidores;
6) alto custo dos transportes.
Em relação ao carvão metalúrgico, o importado sai mais barato do
que o nacional. Daí a tendência das empresas de consumir carvão
importado, mais barato e de melhor qualidade (produz 4% a 5% de
cinzas, contra 16% a 18% do carvão nacional). Para defender a
produção brasileira, principalmente de Santa Catarina, o governo
obrigava até 1991 o uso do car vão nacional na proporção de
40% do consumo nas siderúrgicas.
O consumo, quanto aos setores, sofreu importantes modificações.
O consumo nas ferrovias sofreu redução, indicando não só a
pequena evolução deste meio de transporte, como também a
substituição das locomotivas a vapor para diesel ou elétrica. Já no
setor de termoeletricidade, o aumento relativo foi considerável,
refletindo o rápido desenvolvimento da produção de energia
elétrica.
Quanto ao aumento no setor siderúrgico, era de se esperar, uma
vez que o esforço para desenvolver a nossa siderurgia é bastante
grande, como dissemos anteriormente. Em 1991, o então
presidente Collor acabou com os subsí dios do carvão mineral, o
que inviabilizou a produção nacional, visto que o carvão importado
é de melhor qualidade e de menor custo.
Temos instalados 12 entrepostos com capacidade de armazenar 8
milhões de toneladas de carvão mineral, sendo que o de Tubarão –
SC é para 6 milhões de toneladas e ocupa uma área de 120
hectares, o que nos dá ideia das dificuldades para armazenamento
e manuseio do carvão.
XISTO PIROBETUMINOSO
• SP – Vale do Paraíba, Tremembé;
• PR – Vale do Irati, São Mateus do Sul.
Em junho de 1972, teve lugar, pela primeira vez em nosso país, a
extração de óleo de xisto pirobetuminoso, com o funcionamento da
Usina Protótipo de Irati, que obtém do xisto gás e enxofre.
Aula 27 – Fontes de Energia I
69 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
A origem do petróleo está associada a:
a) rochas cristalinas e detritos orgânicos depositados em mares profundos.
b) rochas sedimentares e detritos orgânicos marinhos depositados em mares rasos.
c) rochas metamórficas e restos vegetais alterados por temperatura e pressão elevadas.
d) rochas sedimentares e detritos orgânicos continentais depositados em grandes pântanos.
e) rochas cristalinas e detritos orgânicos depositados em mares profundos.
Questão 02
Examine a tabela adiante.
Os dados permitem concluir que
a) mais da metade do petróleo processado em 1989 era nacional.
b) à medida que diminuiu a participação do petróleo nacional, aumentou a porcentagem de
processamento do petróleo importado.
c) mais da metade do petróleo processado em 1992 era importado.
d) enquanto em 1989 havia perfeito equilíbrio entre o processamento de petróleo nacional e importado,
em 1992 houve maior processamento de petróleo nacional.
e) houve aumento no processamento de petróleo nacional e diminuição na participação de petróleo
importado.
Questão 03
Associe as datas a seguir aos importantes marcos da história do petróleo, no Brasil.
I. 1938 II. l 953 II. 1968
(a) início da exploração da plataforma continental
(b) criação do Conselho Nacional do Petróleo
(c) criação da PETROBRÁS
a) I - a; II - b; III – c; d) I - b; II - a; III – c;
b) I - a; II - c; III – b; e) I - c; II - b; III – a;
c) I - b; II - c; III – a;
Questão 04
Na última década a ampliação das reservas e da extração de petróleo no Brasil foi possibilitada pela
descoberta de novos campos localizados principalmente nas bacias sedimentares:
a) do Amazonas. d) do Meio-Norte.
b) da Plataforma Continental. e) do Recôncavo Baiano.
c) do Planalto Atlântico.
Questão 05
Sobre o petróleo no Estado do Rio de Janeiro, assinale a afirmativa INCORRETA:
a) O Estado é, atualmente, o grande produtor de petróleo do país produzindo mais da metade da
produção total brasileira.
b) O RJ, a partir do aumento da produção campista, beneficiou-se também com a construção de novas
refinarias e com a implantação dos Pólos Petroquímicos.
c) Os poços na plataforma continental de Campos estão atingindo, cada vez mais, lâminas d'água a
grandes profundidades com tecnologia de ponta.
d) O escoamento da produção força a construção de um amplo sistema de apoio, com plataformas
fixas, oleodutos e gasodutos, além dos depósitos em terra.
e) Macaé e Campos são os municípios fluminenses que mais têm sido beneficiados com as atividades
petrolíferas no Norte do Estado.
Anotações
70 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 06
Considere o mapa para responder à questão.
As principais ocorrências minerais no Brasil localizam-se basicamente em áreas
a) cristalinas.
b) sedimentares antigas.
c) sedimentares recentes.
d) magmáticas extrusivas recentes.
e) magmáticas extrusivas antigas.
Questão 07
Sobre recursos minerais do Brasil, verifique no mapa a correspondência entre as áreas numeradas
que indicam grandes jazidas e as expressões à direita dos parênteses e assinale a seqüência correta:
( ) Carvão mineral
( ) Petróleo
( ) Ferro e manganês
( ) Bauxita
( ) Ouro
a) 7, 4, 6, 3, 2. b) 3, 7, 4, 5, 1. c) 1, 7, 4, 5, 3. d) 5, 6, 2, 4, 3. e) 2, 7, 5, 4, 6.
Questão 08
Com relação às grandes unidades geológicas, o Brasil está inteiramente inserido na plataforma sul-
americana, que exibe dois vastos conjuntos de escudos ou maciços cristalinos, de origem pré-
cambriana, envolvidos por extensas bacias sedimentares fanerozóicas. As riquezas minerais do
território brasileiro são imensas, porém, pouco conhecidas.
Quanto à localização e à exploração econômica dessas riquezas, é possível afirmar que
( ) as jazidas de minerais metálicos, como ferro, bauxita, cassiterita e manganês, localizam-se no
embasamento cristalino, e sua exploração exige grandes intervenções no ambiente natural.
( ) a ocorrência de pedras preciosas está relacionada às formações sedimentares mesozóicas. Na
exploração dessas pedras, utiliza-se de tecnologia avançada, além de pessoal altamente qualificado.
( ) as principais reservas petrolíferas do Brasil encontram-se nas bacias sedimentares meso-
cenozóicas submersas no oceano, o que exige o desenvolvimento de uma tecnologia adequada à
exploração em grandes profundidades.
( ) a existência dos minerais mais nobres está associada às áreas dos dobramentos antigos -
cinturões orogênicos pré-cambrianos -, e sua exploração é feita por garimpagem mecânica.
Anotações
Aula 27 – Fontes de Energia I
71 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
Bacias sedimentares são depressões dos antigos escudos que
receberam sedimentos dos próprios escudos. Os recursos minerais
típicos destas formações são:
a) ferro e níquel. b) carvão mineral e petróleo.
c) ouro e manganês. d) bauxita e cassiterita.
e) cobre e petróleo.
Questão 02
Considere a tabela a seguir para
a) indicar duas causas que justifiquem a opção pelo consumo de
energia nuclear no conjunto dos países apresentados.
b) analisar duas implicações dessa opção de consumo.
Questão 03 (UEL)
De maior significado que o consumo global de energia em um país
é a relação entre o consumo e o número de habitantes, isto é, o
consumo de energia per capita.
Esse índice é significativo porque revela
a) o consumo médio de petróleo pela população e a sua
distribuição pelas diferentes camadas sociais.
b) a existência de grandes problemas econômicos, mesmo quando
esse indicador apresenta-se comelevação.
c) a grande produção de petróleo que é consumida internamente
em atividades industriais.
d) a grande produção de carvão mineral, que é consumida
sobretudo pela siderurgia.
e) o grau de industrialização: se o índice é elevado trata-se de um
país altamente industrializado
Questão 04 (Fuvest)
Na legenda do gráfico a seguir, os algarismos correspondentes às
fontes de energia não renováveis são:
1- Industrial
2- Transportes
3- Residencial
4- Comercial
5- Agropecuária
a) I e II b) I e V c) III e I d) III e IV e) V e II
Questão 05 (Unicamp)
O petróleo, recurso não-renovável, é a principal fonte de energia
consumida no mundo.
a) Aponte duas fontes alternativas de energia para a diminuição do
consumo do petróleo.
b) Quais as vantagens e desvantagens do uso dessas fontes
alternativas de energia em relação ao petróleo?
Questão 06
Os depósitos de xisto betuminoso são explorados como recurso
mineral em várias partes do mundo. Sobre estes depósitos, é
correto afirmar que se trata de rochas:
a) formadas através do resfriamento do magma, sendo utilizadas
como brita.
b) ricas em matéria orgânica, sendo aproveitadas na obtenção de
combustível.
c) formadas sob forte pressão e seus depósitos são explorados
para a fabricação do aço.
d) de elevada dureza, sendo bastante usadas como rochas
ornamentais.
e) não consolidadas formando depósitos arenosos utilizados na
construção civil.
Questão 07 (Enem)
As sociedades modernas necessitam cada vez mais de energia.
Para entender melhor a relação entre desenvolvimento e consumo
de energia, procurou-se relacionar o índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) de vários países com o consumo de energia nesses
países.
O IDH é um indicador social que considera a longevidade, o grau
de escolaridade, o PIB (Produto Interno Bruto) "per capita" e o
poder de compra da população. Sua variação é de 0 a 1. Valores
do IDH próximos de 1 indicam melhores condições de vida.
Tentando-se estabelecer uma relação entre o IDH e o consumo de
energia "per capita" nos diversos países, no biênio 1991-1992,
obteve-se o gráfico a seguir, onde cada ponto isolado representa
um país, e a linha cheia, uma curva de aproximação.
Fonte: GOLDEMBERG, J. "Energia, meio ambiente e desenvolvimento".
São Paulo: Edusp, 1998.
Com base no gráfico, é correto afirmar que:
a) quanto maior o consumo de energia "per capita", menor é o IDH.
b) os países onde o consumo de energia "per capita" é menor que
1 TEP não apresentam bons índices de desenvolvimento humano.
c) existem países com IDH entre 0,1 e 0,3 com consumo de
energia "per capita" superior a 8 TEP.
d) existem países com consumo de energia "per capita" de 1 TEP e
72 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
de 5 TEP que apresentam aproximadamente o mesmo IDH, cerca
de 0,7.
e) os países com altos valores de IDH apresentam um grande
consumo de energia "per capita" (acima de 7 TEP).
Questão 08 (Enem)
Para compreender o processo de exploração e o consumo dos
recursos petrolíferos, é fundamental conhecer a gênese e o
processo de formação do petróleo descritos no texto abaixo.
"O petróleo é um combustível fóssil, originado provavelmente de
restos de vida aquática acumulados no fundo dos oceanos
primitivos e cobertos por sedimentos. O tempo e a pressão do
sedimento sobre o material depositado no fundo do mar
transformaram esses restos em massas viscosas de coloração
negra denominadas jazidas de petróleo."
(Adaptado de TUNDISI. "Usos de energia." São Paulo: Atual Editora, 1991.)
As informações do texto permitem afirmar que:
a) o petróleo é um recurso energético renovável a curto prazo, em
razão de sua constante formação geológica.
b) a exploração de petróleo é realizada apenas em áreas marinhas.
c) a extração e o aproveitamento do petróleo são atividades não
poluentes dada sua origem natural.
d) o petróleo é um recurso energético distribuído
homogeneamente, em todas as regiões, independentemente da
sua origem.
e) o petróleo é um recurso não renovável a curto prazo, explorado
em áreas continentais de origem marinha ou em áreas submarinas.
Questão 09 (Fuvest)
Com base no mapa, assinale a alternativa correta.
Consumo de energia "per Capita"
Adap. "Atlas de Peters", 1994.
O consumo de energia é maior em países com
a) produção de bens intermediários para exportação e transição
demográfica inicial.
b) elevada produção na indústria de base e transição demográfica
concluída.
c) produção de bens de consumo não duráveis para exportação e
elevado crescimento vegetativo.
d) elevada produção na indústria de base e elevado crescimento
vegetativo.
e) produção de bens de consumo não duráveis para exportação e
predomínio de população jovem.
Questão 10 (Ufscar)
A descoberta de uma grande reserva de petróleo estimada em 26
bilhões de barris, no sudoeste do Irã, coloca em destaque nos
noticiários a maior região produtora-exportadora de petróleo
conhecida como
a) bacia Caspiana.
b) Mar do Norte.
c) Golfo Pérsico.
d) bacia de Maracaibo e Orenoco.
e) delta do Níger.
Questão 11
(Puc-rio) Na "nova" economia mundial, ocorre o declínio da
importância da indústria em relação às finanças e às
telecomunicações, muito menos intensivas em energia. No entanto,
ao longo do ano 2000, o aumento dos preços do petróleo voltou a
ameaçar a tranqüilidade da economia mundial.
Entre as possíveis resultantes desse fato, temos:
I) o aumento dos custos de transporte e dos custos de produção
em praticamente toda a cadeia produtiva que usa derivados de
petróleo como insumos;
II) a redução dos estoques de petróleo nos países desenvolvidos,
os maiores consumidores dessa fonte de energia e matéria-prima
industrial;
III) o aumento dos gastos com a importação do petróleo, agrava o
desequilíbrio da balança comercial de alguns países em
desenvolvimento.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
a) I. b) II. c) I e II. d) II e III. e) I, II e III.
Questão 12 (Faap)
Com a criação da Petrobrás, decidiu-se que a empresa teria
monopólio nas seguintes atividades, exceto:
a) distribuição dos derivados de petróleo
b) extração de hidrocarbonetos
c) importação de petróleo bruto
d) refino do produto nacional e do importado
e) transporte marítimo do petróleo para o Brasil
Questão 13 (UFPE)
Analise as afirmativas a seguir referentes ao assunto "Fontes de
Energia".
1) O xisto é uma "rocha energética" estratificada que se encontra
sempre impregnada de substâncias orgânicas e inorgânicas,
podendo gerar óleos.
2) O carvão mineral brasileiro tem uma distribuição geográfica
muito limitada, sendo, de certa forma, antieconômico o seu
fornecimento às regiões mais longínquas.
3) A maior parte dos depósitos carboníferos da América do Sul se
situa numa estreita faixa que se estende do Sul da Bahia até Santa
Catarina; esses depósitos aparecem em terrenos pré-cambrianos.
4) Dos diversos tipos de carvão encontrados no Brasil, a turfa é a
que é mais explorada, pois possui o maior poder calorífico.
5) A indústria de extração de carvão, muitas vezes, é responsável
por graves problemas ambientais, uma vez que a degradação
causada por essa atividade pode atingir o solo, o ar e a água
consumida pela população.
Estão corretas:
a) 1 e 2 apenas d) 1, 2 e 5 apenas
b) 3 e 4 apenas e) 1, 2, 3, 4 e 5
c) 4 e 5 apenas
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
FONTES DE ENERGIA II
ENERGIA NUCLEAR
A energia nuclear produzida pelas usinas atuais baseia-se na
fissão do núcleo do Urânio (235U) por bombeamento de nêutrons,
que libera três nêutrons de calor.
Fonte: TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, M.C.M.de; FAIRCHILD, T.R & TAIOLI, F.
Decifrando a Terra. São Paulo, Companhia Editora Nacional,2008.p.480.
O Urânio é o único elemento fissionável que ocorre naturalmente,
no entanto, para ser utilizado como fonte geradora de energia deve
ser concentrado até atingir um conteúdo de urânio de 3%, na forma
de UO2 gerando o que chamamos de urânio enriquecido. O 238U
também pode ser fissionável, para isso, é necessário um
bombardeamento de nêutrons para que se transforme em 239Pu
(Plutônio).
O sistema de geração de energia por fissão nuclear são chamados
reatores, e fazem parte das usinas geradoras de eletricidade, eles
são de dois tipos:
• BWR (Boiling Water Reactor): Reator de água fervente.
• PWR (Pressurized Water Reactor): Reator de água pressurizada.
PAÍSES DEPENDENTES DE ENERGIA NUCLEAR
País Energia gerada por usinas nucleares
França 75%
Lituânia 73%
Bélgica 58%
Bulgária 47%
Eslováquia 47%
Suécia 47%
Ucrânia 44%
Armênia 36%
Fonte: Agência Internacional de Energia Atômica, 2000.
O ACIDENTE DE CHERNOBYL
Em 26 de Abril de 1986, o núcleo de um dos reatores da usina
atômica de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu devido a uma falha no
sistema de refrigeração. O mundo soube do acidente, que foi
mantido em sigilo, quando a radiação se espalhou e foi percebida
em outros países.
O calor – entre 3000 e 4000ºC – incendiou o bloco de grafite,
provocando uma explosão química e o desmoronamento parcial do
prédio. As terras num raio de 5 mil quilômetros ao redor da usina
tiveram de ser abandonadas e assim devem permanecer por várias
décadas. Cerca de 30 mil pessoas morreram desde então, em
consequência da radiação recebida. A nuvem de radiação se
espalhou por vários países europeus (Alemanha, Polônia, Suécia,
Finlândia e outras repúblicas da antiga União Soviética), afetando a
saúde de milhões de pessoas (estima-se que 5 milhões de
pessoas contraíram câncer), contaminando as plantas e os animais
(inclusive seus subprodutos, como leite e ovos). Muitos produtos
foram proibidos para consumo e tiveram de ser eliminados.
COELHO, M.A & TERRA, Lígia. Geografia Geral. São Paulo, Moderna, 2008.
HIDRELETRICIDADE
Nas usinas hidrelétricas, a eletricidade é obtida por meio do
aproveitamento das águas dos rios. A força hidráulica movimenta
uma turbina, que aciona o gerador responsável pela transformação
de energia hidráulica em elétrica. O potencial hidrelétrico de um
país ou de uma região está diretamente condicionado pela
morfologia do relevo e pelo regime de chuvas.
A energia gerada nas usinas não depende de combustíveis fósseis.
Porém as grandes usinas provocam impactos ambientais e sociais
profundos, resultantes do alargamento de vastas áreas e da
necessidade de remoção das pessoas que vivem nelas. A usina de
Três Gargantas, na China, é um bom exemplo disso. Mais de um
milhão de pessoas tiveram de ser removidos em razão da
construção da barragem, cuja represa forma um lago artificial de
632 quilômetros quadrados que inundou 160 cidades e povoados,
além de destruir uma importante reserva arqueológica chinesa.
Instalada em uma área montanhosa a usina tem sido apontada
como a responsável pela intensificação dos processos erosivos e
dos deslizamentos de terra nas colinas ao redor da represa.
PRODUÇÃO E CONSUMO DE HIDRELETRICIDADE
Fonte: Agência Internacional de Energia. Key World Energy Statistics 2007.
Países que dispõem de uma densa rede fluvial em condições de
aproveitamento energético como os Estados Unidos e o Brasil
muitas vezes são capazes de suprir uma parcela significativa da
demanda interna.
ENERGIA HIDRELÉTRICA NO BRASIL
Além de ser um recurso renovável, a água é uma das poucas
fontes utilizadas para a produção de energia que não contribui para
o aquecimento global – um dos problemas ambientais mais
discutidos da atualidade. As principais vantagens da construção de
uma usina hidrelétrica são baixo custo de megawatt; geração de
empregos, tanto na construção como no funcionamento; e
desenvolvimento econômico de várias regiões.
Porém, as hidrelétricas apresentam algumas desvantagens que
precisam ser avaliadas com cuidado, como desapropriação de
74 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
terras produtivas para inundação; impactos ambientais, como
perdas de vegetação e da fauna terrestres; impactos sociais, como
realocação de moradores e desapropriações; interferência na
migração de peixes e outras alterações na fauna do rio; perdas de
heranças históricas e culturais; além de mudanças em atividades
econômicas e usos tradicionais da terra.
A primeira hidrelétrica existente foi construída no final do século XIX
próximo às quedas-d’água das cataratas do Niágara, localizadas na
fronteira do Canadá com os Estados Unidos, entre os lagos Erie e
Ontário. Na mesma época, durante o reinado de Dom Pedro II (1841-
1889), o Brasil construiu a primeira hidrelétrica, no município de
Diamantina, utilizando as águas do ribeirão do Inferno, afluente do rio
Jequitinhonha, com 0,5MW de potência e linha de transmissão de
dois quilômetros.
A primeira hidrelétrica de maior porte começou a ser construída no
Nordeste (Paulo Afonso I), em 1949, pela Companhia Hidrelétrica do
São Francisco. As demais hidrelétricas construídas ao longo dos 60
anos seguintes concentram-se ao longo das regiões Sul, Sudeste e
Nordeste. No Norte foram construídas Tucuruí, no Pará e Balbina, no
Amazonas. Nos anos 1990, as regiões Norte e Centro-Oeste
começaram a ser exploradas com maior intensidade, com a
construção da usina Serra da Mesa (GO), no rio Tocantins, e outros
projetos importantes na região Norte.
Em virtude do predomínio do relevo de planalto e a grande
disponibilidade de recursos hídricos, as usinas hidrelétricas são muito
importantes para a geração de energia elétrica no país. Em todo o
mundo, o Brasil é o país que possui maior potencial hidrelétrico. Os
mais importantes projetos hidrelétricos, para os próximos anos, estão
na bacia Amazônica, e vêm enfrentando protestos de ambientalistas
e embargos da justiça. Entre os projetos, propõem-se a construção
das usinas de Jirau e Santo Antônio no rio Madeira, a usina de Belo
Monte, no rio Xingu e as usinas de São Luiz do Tapajós e Jatobá, no
rio Tapajós.
De modo geral, as bacias dos principais rios que banham os estados
do Nordeste e do Sudeste estão com o seu potencial bastante
aproveitado. Já as bacias do Uruguai, do Tocantins e do Amazonas
oferecem ainda muito potencial a ser explorado. Na Amazônia, tanto
as usinas em operação quanto as planejadas têm provocado muita
polêmica. Embora a ELETRONORTE alegue que elas podem
beneficiar todo o Brasil, a transmissão dessa energia para o Centro-
Sul tem um custo muito alto, em razão das enormes distâncias.
POTENCIAL HIDRELÉTRICO POR BACIA – 2008
Fonte: Atlas de energia elétrica do Brasil. Brasília: Aneel, 2008.p.57-58.
BACIA AMAZÔNICA E DO TOCANTINS ARAGUAIA
A potência hidráulica da Amazônia é estimada pela Eletrobrás em
100 milhões de kW, distribuídos ao longo dos rios da bacia
Amazônica (80%) e da Tocantins-Araguaia (20%).
A evolução tecnológica alcançada nos setores de transmissão de
energia vem atenuando o problema da distância entre as bacias
regionais e os principais centros consumidores do país. Assim o
aproveitamento da potência hidráulica da bacia Amazônica e da
Tocantins-Araguaia torna-se uma possibilidade concreta, de que é
exemplo a implantação no rio Tocantins da usina de Tucuruí, que
faz parte das obras projetadas pela ditadura militar no Brasil.
AS USINAS DO RIO MADEIRA
A partir de 2001, Furnas Centrais Elétricas S/A, deu início a
construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no rio
Madeira, entre Porto Velho e Abunã, no estado de Rondônia. Estão
previstos projetos de aproveitamento múltiplo que ampliará a
navegação em todo o rio Madeira. Os defensores da instalação
dessas usinas dizem que elas podem abastecer cerca de 38
milhões de pessoas e trazerinvestimentos para a região norte do
país. Além de gerar empregas ela garantirá a navegabilidade onde
havia quedas d’água e cachoeiras, uma vez que serão instaladas
eclusas.
Aqueles que se opõem ao projeto afirmam que o impacto ambiental
será maior do que os benefícios econômicos e sociais que as
obras vão trazer. Alguns afirmam que muitas espécies de peixes
desaparecerão e que a área inundada, mesmo pequena, provocará
destruição de áreas verdes importantes e até mesmo de riquezas
arqueológicas ainda não estudadas. Boa parte da obra já está em
andamento e tem atraído para a região a mão de obra de milhares
de trabalhadores.
BACIA DO SÃO FRANCISCO
A construção da usina de Três Marias (MG) é um exemplo típico
dos prejuízos provocados pelo represamento de águas de um
grande rio ao final do período de estiagem: represa-se tanta água
que falta água para irrigação e navegação. Das usinas construídas
no São Francisco, destaca-se, por sua grandiosidade a de
Sobradinho, que tem um potencial de 1 milhão de kW e é
administrada pela CHESF (Companhia Hidrelétrica do São
Francisco).
USINA CONCESSIONÁRIA POTENCIAL
Itaparica CHESF 2.500 Mw
Moxotó CHESF 440 Mw
Paulo
Afonso CHESF 2.460 Mw
Três Marias CEMIG 387,6 Mw
BACIA DO PARANÁ
Cerca de 70% da potência instalada no Brasil encontra-se nessa
região. O grande aproveitamento hidrelétrico deve-se a
potencialidade natural e à localização.
Entre as numerosas hidrelétricas nela instaladas, destacam-se as
do rio Paraná, especialmente o Conjunto Urubupungá, da CESP
(Companhia Energética de São Paulo) – que abarca duas grandes
usinas: Ilha Solteira e Jupiá e a usina de Itaipu, que é a maior usina
hidrelétrica do mundo ainda hoje. Sua construção foi realizada a
partir de um acordo binacional entre Brasil e Paraguai, ficando a
Eletrobrás e a Ande (Administración Nacional de Eletricidad)
responsáveis pela comissão técnica do projeto no ano de 1973.
Aula 28 – Fontes de Energia II
75 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
HIDRELÉTRICAS EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS
Fonte: Ministério de Minas e Energia, 2009.
PRINCIPAIS HIDRELÉTRICAS DO BRASIL
REGIÕES LOCALIZAÇÃO USINA
Norte Rio Tocantins - PA Tucuruí
Nordeste Rio S.Francisco –
MG/BA/SE/AL
Três Marias, Paulo Afonso,
Sobradinho e Moxotó.
Sudeste Rio Paraná –
SP/MS/PR
Jupiá, Ilha Solteira e Porto
Primavera.
Sul Iguaçú - PR Descalvado.
A Eletrobras, criada como parte do esforço de modernização
industrial do país, passou décadas vendendo energia às indústrias
pela metade do preço praticado no mercado internacional.
Produzindo a custos elevados, vendendo a preços subsidiados e
arcando com elevadas taxas de juros sobre capitais internacionais
tomados de empréstimo, a estatal chegou aos anos 1990 em
situação financeira caótica. Em 1995, ela e suas quatro subsidiárias
de âmbito regional – CHESF, FURNAS, ELETROSUL e
ELETRONORTE – foram incluídas no Programa Nacional de
Desestatização e, no ano seguinte, foi criada a ANEEL para
fiscalizar as empresas públicas e privadas que operam no setor.
Em 2000, 20% da geração e 80% da distribuição de energia
elétrica já haviam sido privatizados.
O governo Lula interrompeu o programa de privatizações,
mantendo a Eletrobras e suas subsidiárias na condição de
empresas estatais. Contudo, elaborou um novo modelo para o
setor elétrico destinado a atrair investimentos privados para a
construção de usinas hidrelétricas e termelétricas. No centro do
novo modelo está a garantia de remuneração, a preços mais
elevados, da energia gerada pelas novas usinas. Evitando a
concorrência das “velhas energias”, produzida em usinas que já
amortizaram seus custos, o modelo procura atrair capitais privados
para a ampliação da capacidade de geração e distribuição de
eletricidade no país.
POLÊMICA DE BELO MONTE
O debate nacional sobre a exploração do potencial amazônico
transformou-se em polêmica política nacional, com a decisão de
construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, nas proximidades
da cidade de Altamira (PA), por onde passa a rodovia
Transamazônica. Originalmente, a proposta de Belo Monte foi
entregue pela Eletronorte em 1990.
A hidrelétrica teria a capacidade de geração de mais de 11.000 MW
e inundaria uma área de 1.225 quilômetros quadrados.
Do ponto de vista estritamente energético, Belo Monte pode elevar
a oferta de energia para o Sistema Interligado Nacional, o que
beneficia praticamente todo o país, exceto as regiões remotas com
sistemas de abastecimento isolado. É um projeto grande em
tamanho. Como terceira maior usina hidrelétrica do mundo (atrás
da chinesa Três Gargantas e da binacional Itaipu), Belo Monte será
um gigante com força limitada. Apesar de o projeto prever a
capacidade instalada de 11.233 MW, a oferta média de energia não
passará de 4.500 MW médios. A relação entre potência instalada e
geração firme que poderá ser extraída da usina será de 40% do
poder das turbinas que receberão as águas do Xingu. É uma das
piores relações potência/energia firme do sistema elétrico
brasileiro. Sobre isso, a Eletrobras --controladora da Eletronorte,
que será a operadora de Belo Monte-- diz que o baixo fator de
carga (nome técnico para essa medida de eficiência do projeto) é
compensado pelo fato de que a hidrelétrica poderá melhorar o
aproveitamento das usinas instaladas em outras bacias
hidrográficas. Enquanto Belo Monte puder gerar a plena carga os
mais de 11 mil MW, outras usinas das regiões Sudeste, Centro-
Oeste, Nordeste ou Sul poderão "descansar" e recuperar o nível de
água de seus reservatórios.
A construção de Tucuruí impulsionou a ideia de utilização do vasto
potencial dos afluentes do Amazonas para a produção de
eletricidade destinada a atender aos mercados do Centro-Sul.
Balbina serviu para mostrar os desastrosos custos ambientais
dessa ideia. Mesmo assim, continua a avançar o projeto do
aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará,
que rivalizaria em capacidade de geração com Itaipú.
76 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
PROÁLCOOL
A utilização do álcool como combustível automobilístico no Brasil
começou na segunda metade da década de 1970, quando o mundo
amargava os efeitos da crise do petróleo. Então, o governo
brasileiro implantou o PROÁLCOOL (Programa Nacional do
Álcool), concedendo isenção fiscal e outras formas de subsídios
(como empréstimos a juros abaixo das taxas de mercado) aos
produtores de álcool (usineiros) e às indústrias automobilísticas,
para que estas desenvolvessem tecnologia para a produção de
motores a álcool.
O PROÁLCOOL possibilitou a oferta de veículos e combustível
mais baratos aos consumidores brasileiros. O governo acreditava
numa gradativa substituição do veículo a gasolina pelo veículo a
álcool. De fato, na segunda metade da década de 1980, as vendas
de carros a álcool chegaram a ser responsáveis por 96% do
mercado de veículos. No início da década de 1990 a queda no
preço do petróleo diminuiu a diferença entre o preço do álcool e da
gasolina.
Nos anos 2000, mudanças geopolíticas geraram um
reordenamento internacional. Entre os motivos destacam-se:
• A expansão acelerada da economia de países emergentes como
os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que elevou a demanda por
recursos energéticos alternativos.
• A instabilidade geopolítica no Oriente Médio a partir das
intervenções militares norte-americanas no Afeganistão e Iraque.
• A problemática ambiental.
Esse novo contexto geopolítico revalorizou as commodities, entre
as quais o petróleo, levando o governo brasileiro a revitalizar o
Proálcool.
Novos subsídios estatais passaram a ser concedidos a essa cadeia
produtiva, que se estende do plantio de cana-de-açúcar às
revendedoras de veículos flex, o que tem estimulado a expansão
do plantio da cana pelopaís afora.
BIODIESEL
O biodiesel é um combustível renovável, pois é produzido a partir
de fontes vegetais (soja, mamona, dendê, girassol, entre outros),
misturado com etanol (proveniente da cana-de-açúcar) ou metanol
(pode ser obtido a partir da biomassa de madeiras). Ou seja, um
combustível parcialmente limpo, orgânico e renovável.
O ano de 1983 marca a inauguração do laboratório de pesquisas
em biodiesel proveniente da soja na Universidade Federal do
Paraná, que serviu de sustentação para a criação vinte anos depois
do Programa Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB) do
Governo Federal, que tem os seguintes objetivos:
• Introduzir o biodiesel na matriz energética brasileira para que se
torne sustentável.
• Gerar emprego e renda, especialmente no campo (inclusão
social).
• Reduzir emissões de poluentes e gastos com importação de
petróleo e derivados.
• Exigir e fiscalizar rigorosamente a qualidade.
• Usar distintas espécies oleaginosas: mamona, palma, girassol,
algodão, soja, amendoim, etc.
Fonte: Atlas do Biodiesel.
VANTAGENS E DESVANTAGENS DO BIODIESEL?
• Gera emprego e renda no campo, diminuindo o êxodo rural.
• Trata-se de uma fonte de energia renovável, dependendo da
plantação de grãos oleaginosos no campo.
• Deixa as economias dos países menos dependentes dos
produtores de petróleo.
• Produzido em larga escala e com uso de tecnologias, o custo de
produção pode ser mais baixo do que os derivados de petróleo.
• Se o consumo mundial for em larga escala, serão necessárias
plantações em grandes áreas agrícolas. Em países que não
fiscalizam adequadamente seus recursos florestais, poderemos ter
um alto grau de desmatamento de florestas para dar espaço para a
plantação de grãos. Ou seja, diminuição das reservas florestais do
nosso planeta.
• Com o uso de grãos para a produção do biodiesel, poderemos ter
o aumento no preço dos produtos derivados deste tipo de matéria-
prima ou que utilizam eles em alguma fase de produção. Exemplos:
leite de soja, óleos, carne, rações para animais, ovos entre outros.
ENERGIAS MODERNAS DE UM MUNDO MODERNO
• BIOLÓGICAS: São consideradas as possíveis fontes do século
XXI, em substituição as fontes mais utilizadas nos dias atuais.
Calcula-se que 30% do total da energia consumida no planeta será
oriunda da biomassa1.
• BIOGÁS: É o gás liberado pela decomposição de certas
bactérias do esterco, da palha, do lixo, etc. O equipamento
utilizado para produzi-lo é chamado de biodigestor. São
apropriados para a utilização em pequenas unidades. China e Índia
são grandes exemplos de países que adotam os biodigestores nas
zonas rurais e urbanas.
• SOLAR: É aquela aproveitada da incidência de raios solares na
superfície terrestre. Pode ser utilizada de forma passiva
simplesmente para o aquecimento de água ou mesmo de
ambientes, sendo que, nos últimos anos, cada vez mais unidades
coletoras de calor podem ser vistas sobre os telhados nas cidades.
A energia fototérmica está relacionada ao aquecimento de líquidos
ou gases pela absorção dos raios solares ocasionando seu
1 Biomassa: é o conjunto de organismos que podem ser aproveitados
como fonte de energia – plantas das quais se extrai álcool, como a
cana-de-açúcar; lenha e carvão; alguns óleos vegetais, como a soja, a
mamona e o dendê, etc.
Aula 28 – Fontes de Energia II
77 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
aquecimento. Geralmente empregada para o aquecimento de água
para uso em chuveiros, ou gases para secagem de grãos ou uso
em turbinas, esta técnica utiliza um coletor solar que irá captar a
energia e um reservatório isolado termicamente onde o líquido ou
gás será acondicionado. A energia solar pode também ser
aproveitada por meio das células fotovoltaicas, que geram uma
corrente elétrica capaz de carregar baterias. Ela apresenta pontos
positivos e negativos, entre eles podemos destacar: Instalação
relativamente simples e com pequena manutenção. Não há
resíduos e nem impactos ambientais. Não há consumo de
combustível e não há gastos suplementares, após a instalação,
como positivos e custo inicial elevado, baixo rendimento na
obtenção de energia elétrica, necessidade de insolação adequada,
como negativos.
• EÓLICA: É produzida pela movimentação das hélices pela ação
dos ventos. Pode ser utilizada ainda, para bombear água ou mover
moinhos. Sua utilização vem crescendo bastante, e acredita-se que
em 2020, cerca de 10% da energia das áreas mais desenvolvidas
do planeta seja oriunda da força dos ventos. A Europa responde
por aproximadamente 60% da geração atual, com destaque para a
Alemanha e Dinamarca. Entre os pontos positivos podemos citar o
fato de ser uma promissora fonte de geração de energia elétrica,
ter apresentado uma redução significativa do custo do
equipamento, nas duas últimas décadas, não contribuir para os
problemas ligados ao efeito estufa e não existir consumo de
combustível. Entre os negativos destacamos os altos investimentos
para a transmissão da energia elétrica gerada, os impactos
sonoros (ruído dos rotores) e visuais, além da interferência nos
sistemas de comunicação (rádio e TV).
Usina eólica na Califórnia, EUA.
• MARÉMOTRIZ: Em determinadas áreas as marés conseguem
produzir enormes variações do nível das águas. Desde a Idade
Média este tipo de geração de energia é utilizada, um exemplo
disso são as instalações no Rio Tejo, em Portugal.
• GEOTÉRMICA: Existem regiões onde a água aflora a superfície
da Terra em temperaturas elevadas na forma de jatos (os gêiseres)
ou na forma de lagos. A energia responsável pelo aquecimento da
água tem origem vulcânica e é denominada energia geotérmica,
sendo utilizada para aquecimento domiciliar e para obter energia
elétrica. Em El Salvador, esta fonte de energia supre 30% do
consumo do país.
APROVEITAMENTO ENERGÉTICO DE UM SISTEMA ÍGNEO
QUENTE
Fonte: TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, M. Cristina Motta de; FAIRCHILD, Thomas
Rich; TAIOLI, Fábio. Decifrando a Terra. Companhia Editora Nacional. São Paulo:
2008.
78 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
Em usinas hidrelétricas, a queda d’água move turbinas que acionam geradores. Em usinas eólicas, os
geradores são acionados por hélices movidas pelo vento. Na conversão direta solar-elétrica são
células fotovoltaicas que produzem tensão elétrica. Além de todos produzirem eletricidade, esses
processos têm em comum o fato de:
a) não provocarem impacto ambiental.
b) independerem de condições climáticas.
c) a energia gerada poder ser armazenada.
d) utilizarem fontes de energia renováveis.
e) dependerem das reservas de combustíveis fósseis.
Questão 02
“Águas de março definem se falta luz este ano”. Esse foi o título de uma reportagem em jornal de
circulação nacional, pouco antes do início do racionamento do consumo de energia elétrica, em 2001.
No Brasil, a relação entre a produção de eletricidade e a utilização de recursos hídricos, estabelecida
nessa manchete, se justifica porque:
a) a geração de eletricidade nas usinas hidrelétricas exige a manutenção de um dado fluxo de água
nas barragens.
b) o sistema de tratamento da água e sua distribuição consomem grande quantidade de energia
elétrica.
c) a geração de eletricidade nas usinas termelétricas utiliza grande volume de água para refrigeração.
d) o consumo de água e de energia elétrica utilizadas na indústria compete com o da agricultura.
e) é grande o uso de chuveiros elétricos, cuja operação implica abundante consumo de água.
Questão 03
Qual das seguintes fontes de produção de energia é a mais recomendável para a diminuição dos
gases causadores do aquecimento global?
a) Óleo diesel. b) Gasolina.c) Carvão mineral. d) Gás natural. e) Vento.
Questão 04
A economia moderna depende da disponibilidade de muita energia em diferentes formas, para
funcionar e crescer. No Brasil, o consumo total de energia pelas indústrias cresceu mais de quatro
vezes no periodo entre 1970 e 2005. Enquanto os investimentos em energias limpas e renováveis,
como solar e eólica, ainda são incipientes, ao se avaliar a possibilidade de instalação de usinas
geradoras de energia elétrica, diversos fatores devem ser levados em consideração, tais como os
impactos causados ao ambiente e às populações locais. Ricardo. B. e Campanili, M. Almanaque Brasil
Socioambiental. Instituto Socioambiental. São Paulo, 2007 (adaptado) Em uma situação hipotética,
optou-se por construir uma usina hidrelétrica em região que abrange diversas quedas d’água em rios
cercados por mata, alegando-se que causaria impacto ambiental muito menor que uma usina
termelétrica.
Entre os possíveis impactos da instalação de uma usina hidrelétrica nessa região, inclui-se:
a) a poluição da água por metais da usina.
b) a destruição do habitat de animais terrestres.
c) o aumento expressivo na liberação de CO2 para a atmosfera.
d) o consumo não renovável de toda água que passa pelas turbinas.
e) o aprofundamento no leito do rio, com a menor deposição de resíduos no trecho de rio anterior à
represa.
Questão 05
Deseja-se instalar uma estação de geração de energia elétrica em um município localizado no interior
de um pequeno vale cercado de altas montanhas de difícil acesso. A cidade é cruzada por um rio, que
é fonte de água para consumo, irrigação das lavouras de subsistência e pesca. Na região, que possui
pequena extensão territorial, a incidência solar é alta o ano todo. A estação em questão irá abastecer
apenas o município apresentado.
Qual forma de obtenção de energia, entre as apresentadas, é a mais indicada para ser implantada
nesse município de modo a causar o menor impacto ambiental?
a) Termelétrica, país é possível utilizar a água do rio no sistema de refrigeração.
b) Eólica, pois a geografia do local é própria para a captação desse tipo de energia.
Anotações
Aula 28 – Fontes de Energia II
79 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
c) Nuclear, pois o modo de resfriamento de seus sistemas não afetaria a população.
d) Fotovoltaica, pois é possível aproveitar a energia solar que chega à superfície do local.
e) Hidrelétrica, pois o rio que corta o município é suficiente para abastecer a usina construída.
Questão 06
A usina hidrelétrica de Belo Monte será construída no rio Xingu, no município de Vitória de Xingu, no
Pará. A usina será a terceira maior do mundo e a maior totalmente brasileira, com capacidade de 11,2
mil megawatts. Os índios do Xingu tomam a paisagem com seus cocares, arcos e flechas. Em
Altamira, no Pará, agricultores fecharam estradas de uma região que será inundada pelas águas da
usina.
Os impasses, resistências e desafios associados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte
estão relacionados:
a) ao potencial hidrelétrico dos rios no norte e nordeste quando comparados às bacias hidrográficas
das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.
b) à necessidade de equilibrar e compatibilizar o investimento no crescimento do país com os esforços
para a conservação ambiental.
c) à grande quantidade de recursos disponíveis para as obras e à escassez dos recursos direcionados
para o pagamento pela desapropriação das terras.
d) ao direito histórico dos indígenas à posse dessas terras e à ausência de reconhecimento desse
direito por parte das empreiteiras.
e) ao aproveitamento da mão de obra especializada dispo – nível na região Norte e o interesse das
construtoras na vinda de profissionais do Sudeste do país.
Questão 07
Segundo dados do Balanço Energético Nacional de 2008, do Ministério das Minas e Energia, a matriz
energética brasileira é composta por hidrelétrica (80%), termelétrica (19,9%) e eólica (0,1%). Nas
termelétricas, esse percentual é dividido conforme o combustível usado, sendo: gás natural (6,6%),
biomassa (5,3%), derivados de petróleo (3,3%), energia nuclear (3,1%) e carvão mineral (1,6%). Com
a geração de eletricidade da biomassa, pode-se considerar que ocorre uma compensação do carbono
liberado na queima do material vegetal pela absorção desse elemento no crescimento das plantas.
Entretanto, estudos indicam que as emissões de metano (CH4) das hidrelétricas podem ser
comparáveis às emissões de CO2 das termelétricas.
MORET, A. S.; FERREIRA, I. A. As hidrelétricas do Rio Madeira e os impactos socioambientais da eletrificação no Brasil.
Revista Ciência Hoje. V. 45, n.° 265, 2009 (adaptado).
No Brasil, em termos do impacto das fontes de energia no crescimento do efeito estufa, quanto à
emissão de gases, as hidrelétricas seriam consideradas como uma fonte:
a) limpa de energia, contribuindo para minimizar os efeitos deste fenômeno.
b) eficaz de energia, tomando-se o percentual de oferta e os benefícios verificados.
c) limpa de energia, não afetando ou alterando os níveis dos gases do efeito estufa.
d) poluidora, colaborando com níveis altos de gases de efeito estufa em função de seu potencial de
oferta.
e) alternativa, tomando-se por referência a grande emissão de gases de efeito estufa das demais
fontes geradoras.
Questão 08
A ampliação do uso de fontes de energia renováveis e não poluentes representa uma das principais
esperanças para a redução dos impactos ambientais sobre o planeta. Considerando os gráficos, a
distribuição espacial da produção instalada das energias eólica e fotovoltaica é explicada sobretudo
pela seguinte característica dos países que mais as utilizam:
a) matriz elétrica limpa.
b) perfil climático favorável.
c) densidade demográfica reduzida.
d) desenvolvimento tecnológico avançado.
Anotações
80 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
A França pode reiniciar quando quiser os testes nucleares no atol
de Mururoa, região do Pacífico Sul (...), depois de três anos de
uma moratória acatada por todas as potências atômicas com
exceção da China...
(Adaptada da Rev. "Veja". 06/09/95. p.55)
Sobre a energia nuclear e o lixo atômico, julgue os itens a seguir.
( ) A queima do urânio nos reatores nucleares dá origem ao
plutônio, material extremamente tóxico e perigoso, utilizado na
fabricação de armas nucleares.
( ) A água utilizada pela usina atômica é depositada nos rios e
nos mares, com grande quantidade de tório, que baixa a
temperatura da água causando a mortandade dos peixes.
( ) O lixo atômico é colocado em caixas de concreto fechadas
que são enterradas ou jogadas no mar. Nos mares existe o
problema da corrosão das caixas que com o tempo poderão abrir,
provocando grande contaminação das águas.
( ) Na França 60% do total da energia elétrica é gerada em
usinas nucleares.
( ) O uso da energia nuclear para o Brasil é de extrema
importância, graças ao sucesso e pleno funcionamento das Usinas
Angra I e Angra II, com moderna tecnologia para evitar qualquer
tipo de acidente.
Questão 02 (Enem)
Em usinas hidrelétricas, a queda d'água move turbinas que
acionam geradores. Em usinas eólicas, os geradores são
acionados por hélices movidas pelo vento. Na conversão direta
solar-elétrica são células fotovoltaicas que produzem tensão
elétrica. Além de todos produzirem eletricidade, esses processos
têm em comum o fato de
a) não provocarem impacto ambiental.
b) independerem de condições climáticas.
c) a energia gerada poder ser armazenada.
d) utilizarem fontes de energia renováveis.
e) dependerem das reservas de combustíveis fósseis.
Questão 03 (Ufc)
As reservas petrolíferas estão relacionadas a um tipo de formação
geológica. Indique, corretamente, essed) as multinacionais, com sede no exterior, começaram a penetrar
mais intensamente no Brasil após a 2ª Guerra Mundial
Questão 06
Sobre o processo brasileiro de industrialização, fala-se que,
embora seja bastante avançado e tenha grande significado na
América Latina, ele é classificado como tardio e que sua origem
substitutiva de importados deixou lacunas na sua implantação.
Justifique o emprego do adjetivo TARDIO para o nosso processo
de industrialização e esclareça de que lacunas trata a questão.
Questão 07
Considere o texto apresentado abaixo:
Substituição de importados ainda patina
"O Brasil ainda patina na tentativa de impulsionar seu processo de
substituição de importações. Com a valorização do dólar, que
tornou mais caros os produtos estrangeiros, era esperada uma
forte retomada nos projetos de fornecimento local para
multinacionais. Mas alguns setores não conseguiram oferecer
produtos com preços competitivos e o nível de tecnologia exigido".
(Fonte: "Folha de São Paulo", 19/03/2000, p.10-2.)
Com base nessa notícia e em seus conhecimentos sobre o
processo de industrialização no Brasil, é correto afirmar que
a) a preponderância do setor agropecuário na economia nacional
vem impedindo um maior desenvolvimento tecnológico do setor
industrial e o crescimento da substituição de importações.
b) o período atual caracteriza-se pela fase da substituição de
importações, como resposta às políticas de proteção industrial
adotadas pelos governos militares.
c) o processo de substituição das importações, iniciado na década
de 1930 pelo governo de Getúlio Vargas, só recentemente tem
recebido maior atenção das empresas multinacionais.
d) a internacionalização da economia, intensificada pelo governo
Collor em 1990, não implicou uma modernização de todos os
setores da indústria nacional.
e) os efeitos do processo de globalização na economia brasileira
têm permanecido restritos ao desenvolvimento tecnológico da
indústria nacional.
Questão 08
Considere os textos a seguir, para responder a esta questão.
I. "No período de 1930 a 1956, os grandes investimentos foram
direcionados ao setor de base (siderurgia, petroquímica e extração
mineral), com grande intervenção do Estado."
II. Embora a indústria, desde o início do século, estivesse
concentrada no eixo São Paulo - Rio de Janeiro, até 1930 a
organização espacial se caracterizava pelas atividades econômicas
dispersas e regionalmente quase autônomas."
III. "O sucesso do Plano de Metas foi acompanhado por um
significativo aumento da inflação e da dívida externa, pelo
afastamento da capital federal do centro econômico e populacional
do país e pela efetiva implantação do rodoviarismo."
6 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
IV. "A política do Plano de Metas acentuou a concentração do
parque industrial na região sudeste, intensificando ainda mais as
migrações internas e provocando o crescimento caótico dos
grandes centros urbanos."
(Adap. Sene & Moreira, 1998)
Referem-se à industrialização brasileira os textos
a) I e III somente. d) II, III e IV somente.
b) II e III somente. e) I, II, III e IV.
c) I, III e IV somente.
Questão 09
A partir da década de 1970, dois fatos importantes ocorreram
simultaneamente: início da diminuição da concentração industrial
no Sudeste e o processo de desconcentração industrial no Brasil.
Dentre os motivos que podem explicar esses fatos citam-se
a) o esgotamento dos recursos minerais no Sudeste e o aumento
das necessidades de exportação geradas pela entrada do Brasil na
ALADI.
b) a forte atuação do Estado criando incentivos fiscais para que
indústrias do Sudeste se instalassem em outras regiões e o
desenvolvimento em âmbito nacional de infra-estrutura de
transportes e comunicações.
c) o aumento das necessidades de combustíveis fósseis como o
carvão e o petróleo, inexistentes no Sudeste e a formação do
Mercosul que representa maiores exportações para o País.
d) o declínio acentuado dos fluxos migratórios em direção ao
Sudeste e a descoberta de importantes recursos minerais em
vários pontos do País, como o caso de Carajás.
e) a limitação do espaço do Sudeste para a instalação de novos
parques industriais e a elevação generalizada dos padrões de
renda e consumo da população brasileira.
Questão 10
Sobre a industrialização brasileira, é correto afirmar que:
a) difundiu-se de modo homogêneo no território brasileiro.
b) caracteriza-se por ausentar-se do eixo centro-sul.
c) é resultado de uma política nacionalista de desenvolvimento
econômico.
d) constitui base da política de desenvolvimento econômico
implementada no país.
e) gera o maior número de empregos nos principais centros
urbanos do país.
Questão 11
Observe o mapa abaixo:
Temos, acima, a representação do espaço geográfico industrial
brasileiro. O que se pode perceber, com a leitura do mapa, é:
a) a dinâmica homogênea da industrialização brasileira.
b) o peso que a Zona Franca de Manaus possui graças ao fato de
ela, sozinha, ser equivalente a toda produção industrial do centro-
sul do país.
c) a herança histórica da concentração industrial ocorrida na região
Sudeste do país.
d) o elevado processo de devastação de áreas naturais para a
construção de zonas industriais.
e) que o Rio Grande do Sul é a Unidade Federativa mais
industrializada do país.
Questão 12
Sobre a indústria brasileira, sua concentração e desconcentração
espacial, a alternativa correta é:
a) A industrialização brasileira foi tardia, ao longo do século XIX,
concentrando-se na região Sudeste do Brasil, reproduzindo as
desigualdades regionais sociais e econômicas.
b) No governo de Getúlio Vargas, no período do Estado Novo, a
preocupação estatal foi com a indústria de base, com enfoque na
produção de energia e setor de transportes; já no governo de
Juscelino Kubitschek, o setor automobilístico teve a atenção maior.
c) A industrialização como substituição de importações, com capital
estatal abundante e mão-de-obra barata, acontece no Brasil
através da indústria de bens de consumo duráveis e com destaque
para o setor têxtil e produção de alimentos.
d) A partir de 1950, como parte do planejamento estatal do governo
federal, inicia-se a desconcentração industrial, acentuada depois
de 1990, pela crescente abertura econômica e desenvolvimento
técnico- científico.
e) Com a desconcentração industrial, o Sudeste brasileiro,
principalmente São Paulo, passou por grandes mudanças
espaciais e sociais, deixando de ser a área de maior concentração
industrial, posto ocupado hoje pelo Nordeste brasileiro.
Questão 13
O período comumente denominado de “anos dourados” marcaram
uma etapa da recente história brasileira associada ao
desenvolvimentismo (abertura de rodovias, expansão da rede
hidrelétrica, implantação da indústria automobilística,
descentralização da capital) e à atmosfera cultural marcada pelo
surgimento da Bossa Nova. A que governo tal período está
associado:
a) Juscelino Kubstchek
b) João Goulart
c) Getúlio Vargas
d) Eurico Gaspar Dutra
e) Jânio da Silva Quadros
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL E A
DESCENTRALIZAÇÃO ATUAL
A década de 1980 ficou conhecida como a década perdida e foi
caracterizada pela recessão, inflação e desemprego, gerados por
uma economia estagnada após o segundo choque do petróleo de
1979. Nesse contexto, vários setores da sociedade apontavam o
fim do Regime Militar, como “saída” para a crise, mas os problemas
continuaram (como a inflação elevada) com os governos civis no
poder, fato que comprometeu a nossa industrialização.
A grave crise econômica iniciada em 1988 e a globalização da
economia mundial foram os pontos de partida para o surgimento de
um novo modelo econômico, quetipo de formação.
a) Escudos cristalinos.
b) Bacias sedimentares.
c) Dobramentos cenozóicos.
d) Placas tectônicas.
e) Aluviões quaternários.
Questão 04 (Fuvest)
"A controvertida represa de Três Gargantas, na China, poderá levar
até 15 anos para ficar pronta. O nível de água se elevará dezenas
de metros no estreito vale, entre as cadeias de montanhas ao
longo do rio, destruindo praticamente toda a beleza de Três
Gargantas. Será a maior hidrelétrica do mundo."
("O Estado de S. Paulo", 30/10/94)
Considerando-se a direção geral do Yang-Tsé Kiang, temos a leste
e a oeste da represa regiões geo-econômicas bastante distintas.
Caracterize-as.
ÁREA ALAGADA PELA REPRESA DE TRÊS GARGANTAS
Questão 05 (Unitau)
Após alguns acidentes com usinas nucleares nos E.U.A. e,
principalmente Chernobyl na URSS, aumentaram as críticas sobre
a construção dessas usinas. Além dos altos custos, discuta os
riscos desse tipo de energia.
Questão 06 (Unicamp)
Interprete os gráficos a seguir, explicando comparativamente os
percentuais de oferta mundial de carvão e de petróleo nos anos
1960 a 1980.
Fonte: Adaptado de CHALIAND, Gérard e RAGEAU, Jean-Pierre.
ATLAS ESTRATEGICO Y GEOPOLÍTICO. Madri, Ed. Alianza, 1984. p. 881.
Questão 07 (Pucsp)
Leia com atenção as caracterizações a seguir sobre fontes de
energia:
1. É uma fonte de energia secundária cujo processo de
transformação dá-se no próprio local de captação da energia
primária (a fonte natural). Logo, ela é fixa no território e dependente
da distribuição geográfica da fonte natural.
2. Trata-se, por um lado, de uma fonte de energia secundária cujas
possibilidades de estocagem são limitadas, o que dificulta o
processamento de sua produção. Por outro lado, sua produção
pode estar associada a várias fontes naturais.
3. É uma fonte de energia secundária cujo processo de produção
dá-se, em geral, no próprio local de captação da matéria prima.
Essa matéria-prima, por sua vez, é produzida pelo ser humano.
Logo, seu local de produção também é escolhido.
4. É uma fonte de energia natural que pode ser transportada por
terra ou em meio aquático, até os locais em que ocorrerá a
transformação em vários tipos de energia secundária (esses locais
são escolhidos de modo independente da localização da fonte
natural).
A seguir, assinale a alternativa que as identifique correta e
respectivamente:
a) petróleo, álcool, hidreletricidade e eletricidade.
Aula 28 – Fontes de Energia II
81 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
b) eletricidade, álcool, hidreletricidade e petróleo.
c) hidreletricidade, eletricidade, álcool e petróleo.
d) eletricidade, hidreletricidade, álcool e petróleo.
e) eletricidade, hidreletricidade, petróleo e álcool.
Questão 08
Fontes de energia
VESENTINI, J. W. "Sociedade e Espaço: Geografia Geral e do Brasil".
São Paulo: Ática, 2000. p. 163.
Observando o quadro que ilustra a evolução das fontes de energia,
pode(m)-se afirmar:
I. As fontes compreendidas nos números 1, 2, 3 e 4, embora
descobertas e colocadas em uso antes de Cristo, ainda se
constituem como recursos energéticos em muitas regiões do
planeta.
II. As fontes compreendidas nos números 5, 6, 7 e 8 marcaram os
séculos desde o XI até o XX.
III. As fontes compreendidas no número 9 levam a que se deduza
que, provavelmente, no século XXI, coexistirão várias fontes
energéticas renováveis e pouco poluidoras.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas I e II
c) apenas III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
Questão 09 (Mackenzie)
No mapa, 1, 2 e 3 indicam bacias hidrográficas onde se encontram
instaladas, respectivamente, as hidrelétricas:
a) Tucuruí, Paulo Afonso e Ilha Solteira.
b) Xavantes, Furnas e Sobradinho.
c) Jupiá, Funil e Castelo Branco.
d) Três Marias, Balbina e Promissão.
e) Tucuruí, Marimbondo e Jupiá.
Questão 10 Fuvest)
(As barras A, B e C representam a relação entre o potencial
hidrelétrico aproveitado (em operação) e o potencial a ser
aproveitado (inventariado e estimado) de três bacias hidrográficas
brasileiras. Sabendo-se que A representa a Bacia do Paraná,
identifique, respectivamente, as bacias B e C.
a) Tocantins e Amazonas.
b) São Francisco e Uruguai.
c) Amazonas e São Francisco.
d) Uruguai e Amazonas.
e) São Francisco e Tocantins.
Questão 11
Na região Nordeste do Brasil, o predomínio de bacias hidrográficas
intermitentes impossibilita um grande aproveitamento de seus
recursos hidroelétricos.
Dentre as principais bacias fluviais e suas usinas hidroelétricas
correspondentes, está correta a relação:
a) Bacias do São Francisco e Parnaíba/Usinas de Paulo Afonso e
Boa Esperança.
b) Bacias do São Francisco e Tocantins/Usinas de Tucuruí e Boa
Esperança.
c) Bacias do Tocantins e Parnaíba/Usinas de Ilha Solteira e Três
Marias.
d) Bacias do Tocantins e Pardo/Usinas de Balbina e Paulo Afonso.
e) Bacias do Parnaíba e Jequitinhonha/Usinas de Três Marias e
Balbina.
Questão 12 (Ufv)
O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi criado em 1975,
como uma forma encontrada pelo governo brasileiro para enfrentar
as crises do petróleo, iniciadas em 1973. Sobre o Proálcool,
assinale a alternativa INCORRETA:
a) Baseou-se em uma forte política de subsídios e financiamento a
juros baixos aos grandes usineiros, agravando ainda mais o
problema fundiário no país.
b) Contribuiu para atenuar a crise do setor açucareiro brasileiro na
década de 70, devido aos baixos preços internacionais do açúcar.
c) Possibilitou a abertura de novas fronteiras agrícolas, evitando
investimentos em plantações e usinas já existentes.
d) Representou uma fonte de desenvolvimento de tecnologias
"limpas" por aproveitar a cana-de-açúcar como fonte de energia
renovável.
e) Ocasionou uma série de problemas ambientais pela dificuldade
de aproveitamento e armazenamento dos resíduos da produção de
álcool.
Questão 13 (Puccamp)
Cercada por acusações de fraude e corrupção, a usina hidrelétrica
de .......................... é uma construção moderna em pleno sertão.
82 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Encravada no "canyon" do rio São Francisco, na fronteira entre
.................... e ....................., cercada pelo mato seco e crespo da
caatinga, 'esta nova usina vai gerar', quando totalmente concluída,
25% da energia total do Nordeste.
Para completar corretamente o texto, as lacunas devem ser
preenchidas, respectivamente, por
a) Sobradinho - Alagoas - Sergipe
b) Paulo Afonso - Bahia - Sergipe
c) Itaparica - Bahia - Pernambuco
d) Três Marias - Minas Gerais - Bahia
e) Xingó - Alagoas - Sergipe
Questão 14 (Unesp)
O mapa mostra a localização de uma grande usina hidrelétrica
destinada a abastecer as regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Assinalar a alternativa que contém, na seguinte ordem:
1 - o nome da hidrelétrica;
2 - o nome do rio em que se localiza.
a) 1 - Furnas; 2 - Grande.
b) 1 - Carajás; 2 - Tocantins.
c) 1 - Tocantins; 2 - Tucuruí.
d) 1 - Tucuruí; 2 - Araguaia.
e) 1 - Tucuruí; 2 - Tocantins.
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
SISTEMA DE TRANSPORTES
O setor de transportes desempenhou papel fundamental no
processo de crescimento econômico e de integração do território
brasileiro. Esta integração é um fato muito recente. Até poucas
décadas atrás, as regiões Norte e Centro-Oeste encontravam-se
quase totalmente isoladas do restante do país. A integração mais
completa destas regiões só ocorreu na década de 1970.
Até a primeira metade do século XIX, os meios de transporte
utilizados no Brasil eram o marítimo (navegação costeira), o fluvial
(pequenas embarcações) e o terrestre (carruagens e lombo deanimal). Os transportes modernos (ferroviário, rodoviário) foram
implantados a partir da segunda metade do século XIX, na
seguinte ordem:
*1854: estabelecimento da primeira ferrovia, pelo Barão de Mauá.
A Estrada de Ferro Mauá tinha 15KM de extensão e ligava a Praia
da Estrela, na Baía da Guanabara, à raiz da serra de Petrópolis
(RJ).
*1926: construção da primeira via moderna de transporte rodoviário
(governo Washington Luís), a Rodovia Rio-São Paulo, a única
rodovia interestadual pavimentada até 1940.
*1927: início da aviação comercial com a criação da Viação Aérea
Rio-Grandense (Varig).
*1974: início do transporte metroviário, com a inauguração da linha
norte-sul (Santana-Jabaquara) na capital paulista.
O TRANSPORTE FERROVIÁRIO NO BRASIL
O desenvolvimento do transporte ferroviário no Brasil está
diretamente ligado à expansão da cafeicultura, primeiro no Estado
do Rio de Janeiro, ligando o Vale do Paraíba até o Porto do Rio de
Janeiro, e a seguir no Estado de São Paulo, do interior até o Porto
de Santos.
As primeiras ferrovias do café foram a Estrada de Ferro D.Pedro II
(1855, Rio de Janeiro) e a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1868,
São Paulo). O período de maior expansão ferroviária situou-se
entre 1870 e 1920, quando a extensão das ferrovias passou de
745KM para 28.535KM. A partir daí, e principalmente após a crise
da cafeicultura, o ritmo de expansão das ferrovias diminuiu.
Enquanto no período anterior foram construídos quase 28.000 KM
de ferrovias, entre 1920 a 1960 construíram-se menos de
10.000KM. Durante essa época, as ferrovias concentravam-se
mais nos estados do sudeste.
Desde 1960, a eliminação de vários ramais antieconômicos
diminuiu de 38.280KM para 28.056 KM (1999) a extensão das
linhas férreas. Enquanto isso, no mesmo período, a extensão das
rodovias passou de 476.938KM para 1.658.677KM (1997).
A decadência do transporte ferroviário decorreu dos problemas
inerentes ao seu próprio desempenho e, principalmente, da
concorrência do ramo rodoviário. Isso porque:
*Com a presença de montadoras de veículos (carros, caminhões,
ônibus), a partir de 1950, houve uma pressão de multinacionais
para aumentar os investimentos públicos em rodovias,
desconsiderando que o transporte ferroviário é mais barato e ideal
para grandes distâncias.
*Direcionadas quase sempre no sentido interior-litoral para escoar
a produção agrícola, as ferrovias não integraram as regiões do
país.
*Desde a década de 1930, quando a economia começava a
transformar-se de agroexportadora em predominantemente
industrial, alterando com isso os tipos de carga, as ferrovias não
foram estruturadas para atender com rapidez e eficiência à nova
realidade do país.
*Não houve investimentos para eliminar problemas que as ferrovias
apresentavam como: bitolas (espaço entre os trilhos) diferentes, o
que não permitia a integração das ferrovia; ou a correção de
traçados confusos ou sinuosos, resultando em grande morosidade
no transporte de pessoas e mercadorias.
Diante dessa situação de decadência e estagnação, em 1957 o
governo federal criou a Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA), que
encampou grande parte das ferrovias do país. Em 1971, com a
criação do Fepasa (Ferrovias Paulistas S.A), foi a vez de o governo
do Estado de São Paulo encampar a maior parte das ferrovias
paulistas.
No entanto, por falta de investimentos o ramo ferroviário continuou
com graves problemas, como: elevados déficits, material rodante
obsoleto, administração ineficiente, morosidade no transporte.
Num modo cada vez mais internacionalizado, o aumento da
eficiência, a velocidade e a agilização na entrega de mercadorias,
o barateamento dos custos e a modernização operacional e
tecnológica são medidas necessárias aos meios de transporte e às
vias de circulação de um país.
Nos países desenvolvidos de grande extensão territorial (como
países da Europa, Estados Unidos e Canadá), as ferrovias tiveram
importância histórica na integração nacional, na dinamização
econômica e comercial. Os investimentos feitos em ferrovias (trens
modernos e velozes, metrô) devem-se, entre outros fatores, às
crises do petróleo e à expansão de transportes de massa.
No Brasil, desde 1996 grande parte da malha da ferroviária,
principalmente relacionada com o transporte de cargas, foi
repassada por concessão à iniciativa privada, como os sete trechos
da RFFSA (malhas Oeste, Centro-Leste, Sudeste, Teresa Cristina,
Nordeste e Paulista).
O TRANSPORTE RODOVIÁRIO
O desenvolvimento do transporte rodoviário no Brasil teve início na
década de 1920, no governo de Washington Luís. O autor do lema
“Governar é abrir estradas”, foi Washington Luís quem determinou
as construção da Rodovia Rio-São Paulo. A atual Via Dutra, que
liga os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, só foi concluída em
1950, no governo Dutra.
A organização e a expansão do setor rodoviário iniciaram-se em
1937, no governo Getúlio Vargas, com a criação do Departamento
Nacional de Estradas de Rodagens (DNER). Mas foi a partir da
década de 1950, impulsionado pela indústria, que o transporte
rodoviário transformou-se no principal meio de locomoção do país.
Era necessário que as matérias-primas chegassem às industrias e
as mercadorias, aos centros consumidores.
A opção rodoviária atendia aos interesses da indústria
automobilística (implantada em 1956) e aos das grandes
companhias de petróleo mundial, que visavam aumento de
produção e de vendas. No início da década de 1950, o transporte
rodoviário já era predominante, locomovendo 65,6% das pessoas e
53,1% das mercadorias. Em 2000, respondia por 96% dos
passageiros e por 62,6% das mercadorias.
A integração por meio de extensas rodovias iniciou-se na década
de 1960 com a construção das rodovias Rio-Bahia (em 1963) e
84 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Régis Bittencourt (BR-116), que ligaram as regiões Nordeste,
Sudeste e Sul.
Entretanto, foi a partir da construção de Brasília que o plano
integracionista ganhou maior impulso. A necessidade de ligar a
nova capital federal ao restante do país possibilitou a
complementação e a construção de várias rodovias, como: Rio-
Belo Horizonte-Brasília (BR-40); São Paulo-Belo Horizonte-Brasília
(Rodovia Fernão Dias, BR-50); Brasília-Belém (BR10); Brasília-
Cuiabá (BR-70); Brasília-Fortaleza (BR-20) e outras.
Após 1964, durante os governos militares, surgiram outros projetos
rodoviários, agropecuários e de extração mineral, responsáveis
pela recente ocupação da Amazônia. À medida que avançavam, a
floresta recuava, abrindo caminho para as estradas, para o gado,
para a mineração.
Mesmo com todos esses projetos, as rodovias continua, bastante
concentradas na Região Centro-Sul e no litoral. As duas crises
mundiais do petróleo (1973 e 1979) contribuíram para mostrar a
ineficiência de grandes projetos rodoviários, como a
Transamazônica e a Perimetral Norte, até hoje inacabadas.
O brasil construiu, em pouco mais de duas décadas, a segunda
maior malha rodoviária do mundo (1.658.677KM), inferior apenas à
dos Estados Unidos (6.307.584KM). Em 1997, 150.836KM são de
estradas pavimentadas (menos de 10%) e 1.507.841 de estradas
não-pavimentadas.
Até 1994 todas as vias de transporte eram administradas pelos
governos estaduais e federal. A partir de 1995, realizaram-se
privatizações de rodovias, por meio de CONCESSÕES, ou seja,
exploram-se determinados trechos, por um período, mediante o
pagamento ao governo e o compromisso de manutenção e de
melhorias. A iniciativa privada já controla 10.000KM de estradas
federais e estradas estaduais. As concessionárias cobram
pedágios dos usuários, pela utilização das rodovias. O valor das
tarifas tem aumentado (45% de 1997 a 2001). Se, de um lado, a
conservação das estradas resulta em economia na manutenção de
veículos e na redução de acidentes, de outro lado encarece as
viagens e os custosdo transporte de carga, tendo influência direta
no custo de vida. Há alimentos que percorrem, às vezes, grande
distância para chegar ao consumidor.
O sistema de transporte rodoviário apresenta sérios problemas,
como alto índice de acidentes (em 1998, perto de 20 mil pessoas
perderam a vida e 311 mil ficaram feridas) e elevado número de
roubo de cargas de caminhões.
A frota de veículos automotores tem aumentado e em 1998
ultrapassou a marca de 44 milhões de veículos. A maior parte
desses veículos encontra-se nas áreas urbanas, principalmente
nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Esta
cidade conta com cerca de 8 milhões de veículos.
Quanto aos transporte urbanos, existe um descompasso entre a
demanda e a oferta de coletivos urbanos, devido aos baixos
investimentos públicos. Entre as consequências desta situação
estão o aumento do transporte informal ou clandestino (peruas,
ônibus), a excessiva utilização de veículos particularmente, os
congestionamentos, o aumento da poluição sonora e atmosférica
nas cidades.
O TRANSPORTE HIDROVIÁRIO NO BRASIL
Com a prioridade dada aos transportes terrestres no Brasil, e
particularmente devido à política rodoviarista, a participação do
transporte de mercadorias nas vias de circulação hidroviárias
reduziu-se de 32,4% em 1950 para 12,75% em 2000.
O transporte aquaviário ou hidroviário classifica-se em marítimo e
fluvial. O transporte marítimo compreende duas modalidades de
navegação: a costeira ou de cabotagem (ao longo do litoral) e a
internacional ou de longo curso.
NAVEGAÇÃO COSTEIRA
A existência de inúmeros portos ao longo do litoral brasileiro (pólos
exportadores) serviu de base para o desenvolvimento da
navegação costeira.
Desde os primeiros tempos da colonização até a chegada dos
modernos meios de transporte (ferrroviário, rodoviário), a
navegação costeira ocupou lugar de destaque no transporte de
pessoas e mercadorias ao longo da extensa costa marítima do
Brasil.
A partir do início da Segunda Guerra Mundial a navegação costeira
entrou em declínio. As razões desse declínio foram a
impossibilidade de importar equipamentos e peças de reposição, o
envelhecimento da frota mercante, a deterioração de cargas, que
afastam da infra-estrutura portuária (instalações, equipamentos), a
concorrência crescente das rodovias e os altos custos da
movimentação de cargas, que afastam do padrão internacional os
terminais portuários nacionais.
A melhoria da navegação costeira depende de várias medidas,
como a renovação da frota mercante, a maior regularidade dos
navios para facilitar o atendimento aos usuários e a modernização
dos principais portos.
A partir de agosto de 1995 a navegação costeira ou de cabotagem
deixou de ser monopólio do governo federal. O congresso Nacional
aprovou emenda à Constituição de 1988 que permite a
participação de empresas estrangeiras na navegação costeira e na
do interior (rios, lagos).
A privatização do setor de navegação vem se processando
paulatinamente por meio do arrendamento das instalações e
operações de serviços. Desde 1991 têm sido transferida para a
iniciativa privada a exploração de terminais de contêineres. As
concessões para a operação de terminais e prestação de serviços
específicos acentuaram-se a partir de 1997. Os principais portos
envolvidos na transferência da exploração dos terminais de
contêineres foram Santos (SP), Sepetiba (RJ), Angra dos Reis
(RJ), Vitória (ES), Cais de Paul, Cais de Capuaba, Salvador (BA).
NAVEGAÇÃO INTERNACIONAL
Devido ao tradicional controle deste setor por empresas
estrangeiras, o Brasil pouco participou do transporte marítimo
externo. Até 1967, sua participação era inferior a 10%. Esforços
governamentais realizados a partir desta data resultaram em
substancial aumento desta participação (cerca de 65% a partir de
1985).
Apesar disso, a navegação de longo curso continua apresentando
vários problemas, como: frota mercante insuficiente, falta de
investimentos e limitada capacidade de competição com as
empresas estrangeiras.
Mesmo com as privatizações, o sistema portuário está longe de ser
um exemplo de eficiência em tecnologia e informatização. Os
custos portuários continuam altos e pouco competitivos
comparados com os padrões internacionais.
Em 1999, existia, 44 portos de território nacional: 6 na Região
Norte, 13 na Nordeste, 13 na Sudeste, 10 na Sul e 2 na Centro-
Oeste. Entre os portos mais importantes, estão o de Santos, Rio de
Janeiro, Porto Alegre, de Paranaguá e de Vitória.
Aula 29 – Sistema de Transportes
85 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Apesar de subaproveitadas, duas hidrovias estão impulsionando o
transporte fluvial (rios)no interior do Brasil e na ligação com países
vizinhos do sul e sudeste: a hidrovia do Paraná-Paraguai e a do
Tietê-Paraná, esta última também chamada de Hidrovia do
Mercosul.
CORREDORES DE EXPORTAÇÃO
A década de 1980, marcada por forte crise econômica,
caracterizou-se pela implantação dos corredores de exportação e
das vias especializadas (rodovias e ferrovias) no escoamento de
determinados produtos.
Etapa avançada da integração dos transportes na economia, os
corredores de exportação são áreas dotadas de uma infra-estrutura
que envolve o transporte, a armazenagem e a comercialização de
produtos, desde as áreas de origem até os portos de exportação.
Visam à integração de transportes para facilitar o escoamento da
produção até os portos marítimos.
A modernização e eficiência dos corredores de exportação
apresentam enormes vantagens: evita prejuízos (a demora no
escoamento da produção; a deterioração dos produtos), reduz o
preço final dos produtos e aumenta o poder de competitividade
com os países concorrentes.
O estabelecimento dos corredores de exportação decorreu da
necessidade de o Brasil escoar sua produção com maior rapidez e
eficiência, reduzir custos e competir melhor no mercado externo.
O TRANSPORTE AÉREO NO BRASIL
A aviação comercial iniciou-se no país em 1927, com a criação da
Varig. A primeira linha aérea ligou as cidades gaúchas de Porto
Alegre e Rio Grande.
A grande extensão territorial, a deficiência dos outros meios de
transporte, o pioneirismo (Santos Dumont) e interesses
econômicos estrangeiros são os principais fatores responsáveis
pelo desenvolvimento da aviação brasileira. Também muitas
empresas aéreas comerciais, tanto vôos domésticos, como trajetos
de longa distância, utilizam aeronaves projetadas e construídas no
Brasil.
O país está ligado por via aérea a todos os continentes, e todo o
seu território acha-se integrado pelo transporte aéreo. Apesar
disso, se levarmos em conta o tamanho da população brasileira,
veremos que o transporte aéreo é pouco utilizado.
O elevado preço e o baixo poder aquisitivo da população explicam
o caráter elitista deste transporte. Existem dez modernos
aeroportos internacionais em funcionamento.
Todas as companhias aéreas do Brasil são privadas, e algumas
permitem a participação de capital estrangeiro. Há três grandes
empresas de atuação nacional e internacional (Varig-Cruzeiro,
Vasp e Transbrasil) e várias de atuação regional (Tam, Rio-Sul,
Taba, Pantanal e outras).
Em 1999, o transporte aeroviário era responsável por 2,16% do
movimento total de passageiros no país. Havia 10,250 aeronaves
registradas e 1.977 aeroportos oficiais. A operação e a
administração da maioria dos principais aeroportos estão sob a
responsabilidade da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura
Aeroportuária), entidade federal ligada ao Ministério da
Aeronáutica.
No setor aeroportuário, o governo também está facilitando a
entrada do capital privado. O primeiro aeroporto a ser privatizado
deve ser o de Ribeirão Preto (SP), importante centro regional,
enquanto o maior aeroporto internacional do país, em Guarulhos,
deve oferecer dois novos terminais para concessão.86 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
Em usinas hidrelétricas, a queda d’água move turbinas que acionam geradores. Em usinas eólicas, os
geradores são acionados por hélices movidas pelo vento. Na conversão direta solar-elétrica são
células fotovoltaicas que produzem tensão elétrica. Além de todos produzirem eletricidade, esses
processos têm em comum o fato de:
a) não provocarem impacto ambiental.
b) independerem de condições climáticas.
c) a energia gerada poder ser armazenada.
d) utilizarem fontes de energia renováveis.
e) dependerem das reservas de combustíveis fósseis.
Questão 02
“Águas de março definem se falta luz este ano”. Esse foi o título de uma reportagem em jornal de
circulação nacional, pouco antes do início do racionamento do consumo de energia elétrica, em 2001.
No Brasil, a relação entre a produção de eletricidade e a utilização de recursos hídricos, estabelecida
nessa manchete, se justifica porque:
a) a geração de eletricidade nas usinas hidrelétricas exige a manutenção de um dado fluxo de água
nas barragens.
b) o sistema de tratamento da água e sua distribuição consomem grande quantidade de energia
elétrica.
c) a geração de eletricidade nas usinas termelétricas utiliza grande volume de água para refrigeração.
d) o consumo de água e de energia elétrica utilizadas na indústria compete com o da agricultura.
e) é grande o uso de chuveiros elétricos, cuja operação implica abundante consumo de água.
Questão 03
Qual das seguintes fontes de produção de energia é a mais recomendável para a diminuição dos
gases causadores do aquecimento global?
a) Óleo diesel. b) Gasolina. c) Carvão mineral. d) Gás natural. e) Vento.
Questão 04
A economia moderna depende da disponibilidade de muita energia em diferentes formas, para
funcionar e crescer. No Brasil, o consumo total de energia pelas indústrias cresceu mais de quatro
vezes no periodo entre 1970 e 2005. Enquanto os investimentos em energias limpas e renováveis,
como solar e eólica, ainda são incipientes, ao se avaliar a possibilidade de instalação de usinas
geradoras de energia elétrica, diversos fatores devem ser levados em consideração, tais como os
impactos causados ao ambiente e às populações locais. Ricardo. B. e Campanili, M. Almanaque Brasil
Socioambiental. Instituto Socioambiental. São Paulo, 2007 (adaptado) Em uma situação hipotética,
optou-se por construir uma usina hidrelétrica em região que abrange diversas quedas d’água em rios
cercados por mata, alegando-se que causaria impacto ambiental muito menor que uma usina
termelétrica.
Entre os possíveis impactos da instalação de uma usina hidrelétrica nessa região, inclui-se:
a) a poluição da água por metais da usina.
b) a destruição do habitat de animais terrestres.
c) o aumento expressivo na liberação de CO2 para a atmosfera.
d) o consumo não renovável de toda água que passa pelas turbinas.
e) o aprofundamento no leito do rio, com a menor deposição de resíduos no trecho de rio anterior à
represa.
Questão 05
Deseja-se instalar uma estação de geração de energia elétrica em um município localizado no interior
de um pequeno vale cercado de altas montanhas de difícil acesso. A cidade é cruzada por um rio, que
é fonte de água para consumo, irrigação das lavouras de subsistência e pesca. Na região, que possui
pequena extensão territorial, a incidência solar é alta o ano todo. A estação em questão irá abastecer
apenas o município apresentado. Qual forma de obtenção de energia, entre as apresentadas, é a mais
indicada para ser implantada nesse município de modo a causar o menor impacto ambiental?
a) Termelétrica, país é possível utilizar a água do rio no sistema de refrigeração.
b) Eólica, pois a geografia do local é própria para a captação desse tipo de energia.
c) Nuclear, pois o modo de resfriamento de seus sistemas não afetaria a população.
Anotações
Aula 29 – Sistema de Transportes
87 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
d) Fotovoltaica, pois é possível aproveitar a energia solar que chega à superfície do local.
e) Hidrelétrica, pois o rio que corta o município é suficiente para abastecer a usina construída.
Questão 06
A usina hidrelétrica de Belo Monte será construída no rio Xingu, no município de Vitória de Xingu, no
Pará. A usina será a terceira maior do mundo e a maior totalmente brasileira, com capacidade de 11,2
mil megawatts. Os índios do Xingu tomam a paisagem com seus cocares, arcos e flechas. Em
Altamira, no Pará, agricultores fecharam estradas de uma região que será inundada pelas águas da
usina.
Os impasses, resistências e desafios associados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte
estão relacionados:
a) ao potencial hidrelétrico dos rios no norte e nordeste quando comparados às bacias hidrográficas
das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.
b) à necessidade de equilibrar e compatibilizar o investimento no crescimento do país com os esforços
para a conservação ambiental.
c) à grande quantidade de recursos disponíveis para as obras e à escassez dos recursos direcionados
para o pagamento pela desapropriação das terras.
d) ao direito histórico dos indígenas à posse dessas terras e à ausência de reconhecimento desse
direito por parte das empreiteiras.
e) ao aproveitamento da mão de obra especializada dispo – nível na região Norte e o interesse das
construtoras na vinda de profissionais do Sudeste do país.
Questão 07
Segundo dados do Balanço Energético Nacional de 2008, do Ministério das Minas e Energia, a matriz
energética brasileira é composta por hidrelétrica (80%), termelétrica (19,9%) e eólica (0,1%). Nas
termelétricas, esse percentual é dividido conforme o combustível usado, sendo: gás natural (6,6%),
biomassa (5,3%), derivados de petróleo (3,3%), energia nuclear (3,1%) e carvão mineral (1,6%). Com
a geração de eletricidade da biomassa, pode-se considerar que ocorre uma compensação do carbono
liberado na queima do material vegetal pela absorção desse elemento no crescimento das plantas.
Entretanto, estudos indicam que as emissões de metano (CH4) das hidrelétricas podem ser
comparáveis às emissões de CO2 das termelétricas.
MORET, A. S.; FERREIRA, I. A. As hidrelétricas do Rio Madeira e os impactos socioambientais da eletrificação no Brasil.
Revista Ciência Hoje. V. 45, n.° 265, 2009 (adaptado).
No Brasil, em termos do impacto das fontes de energia no crescimento do efeito estufa, quanto à
emissão de gases, as hidrelétricas seriam consideradas como uma fonte:
a) limpa de energia, contribuindo para minimizar os efeitos deste fenômeno.
b) eficaz de energia, tomando-se o percentual de oferta e os benefícios verificados.
c) limpa de energia, não afetando ou alterando os níveis dos gases do efeito estufa.
d) poluidora, colaborando com níveis altos de gases de efeito estufa em função de seu potencial de
oferta.
e) alternativa, tomando-se por referência a grande emissão de gases de efeito estufa das demais
fontes geradoras.
Questão 08
A ampliação do uso de fontes de energia renováveis e não poluentes representa uma das principais
esperanças para a redução dos impactos ambientais sobre o planeta. Considerando os gráficos, a
distribuição espacial da produção instalada das energias eólica e fotovoltaica é explicada sobretudo
pela seguinte característica dos países que mais as utilizam:
a) matriz elétrica limpa.
b) perfil climático favorável.
c) densidade demográfica reduzida.
d) desenvolvimento tecnológico avançado.
Anotações
88 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01 (Fuvest)
Das paisagens naturais alteradas pela construção da rodovia
Transamazônica, as maioresmudanças em relação às condições
anteriormente reinantes foram registradas no domínio das
a) chapadas tropicais com cerrados.
b) áreas mamelonares tropicais florestadas.
c) terras baixas florestadas equatoriais.
d) depressões semi-áridas com caatingas.
e) coxilhas subtropicais com pradarias.
Questão 02
DESLOCAMENTO DE CARGA INTERNA, SEGUNDO O TIPO DE
TRANSPORTE (%)
Nesta tabela os países 1, 2 e 3 são, respectivamente:
a) U.R.S.S., Japão e Brasil
b) E.U.A., França e Austrália.
c) Japão, Canadá e Itália.
d) U.R.S.S., França e Argentina.
e) Brasil, E.U.A. e Canadá.
Questão 03
A rede hidrográfica brasileira, utilizada para os transportes fluviais,
a) é bem distribuída e apresenta um alto potencial de navegação
no sudeste, especialmente na sua porção centro-oriental.
b) é distribuída desigualmente pelo país, estando o maior potencial
navegável localizado perifericamente às áreas de economia mais
avançada.
c) apresenta um potencial de navegação que coincide com as
áreas de maior exploração de hidroeletricidade.
d) apresenta suas principais bacias voltadas para o Atlântico Sul
nas costas orientais brasileiras, facilitando os transportes com o
interior.
e) é rica em interligações por canais fluviais que facilitam os
transportes entre as bacias do rio São Francisco e do Paraná.
Questão 04
As figuras a seguir representam dois esquemas de relações entre
as cidades: o esquema clássico e o esquema atual.
(Fonte: SENE, Eustáquio de & MOREIRA, João Carlos. "Geografia Geral e do
Brasil". São Paulo: Scipione, 1999.)
Por que a concepção tradicional de hierarquia urbana está sendo
substituída pela atual?
a) Porque muitos distritos, vilas e até mesmo bairros se
emanciparam e foram elevados à categoria de município.
b) Porque o êxodo rural leva ao desaparecimento de muitas vilas e
cidades pequenas, localizadas distantes das metrópoles.
c) Porque o avanço tecnológico dos transportes e comunicações e
a disponibilidade de renda encurtam as distâncias.
d) Porque a queda de regimes totalitários não permitiu maior
mobilidade da população e favoreceu a migração interurbana.
e) Porque as atuais diretrizes do planejamento urbano promovem a
concentração das indústrias de base nas metrópoles.
Questão 05 (Pucmg)
"O desenvolvimento da rede de transporte é um fator fundamental
para o crescimento industrial".
Analisando a organização do espaço brasileiro, tendo em vista seu
processo de industrialização, é correto afirmar, EXCETO:
a) Em 1930 não existia integração econômica entre as diversas
regiões.
b) A industrialização procedeu-se, gerando uma maior
concentração espacial.
c) O Sudeste foi favorecido pela construção de vias de transporte
e, conseqüentemente, pelo crescimento industrial.
d) A construção da rede rodoviária favoreceu a reprodução interna
do modelo de dominação e exploração.
e) A Amazônia permanece numa posição periférica, contando
apenas com a presença de indústrias nacionais tradicionais.
Questão 06
Observe o mapa
"Folha de São Paulo" - 25/03/97 - Supl. Agrícola
Implantado recentemente, este novo corredor de exportação
beneficiará principalmente os produtores de:
a) café. b) soja. c) arroz. d) suco de laranja. e) açúcar.
Questão 07
Os terminais de corredores de exportação 1, 2 e 3 assinalados no
mapa são, respectivamente:
Aula 29 – Sistema de Transportes
89 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
a) ltaqui, Santos e Paranaguá.
b) Areia Branca, Paranaguá e São Sebastião.
c) ltaqui, Rio de Janeiro e Santos.
d) São Luís, Vitória e Santos.
e) Fortaleza, Santos e Paranaguá.
Questão 08 (Ufmg)
Analise os mapas sobre algumas redes no Brasil.
Fonte: BECKER, B. K. & EGLER C. A. G.: Uma Nova Potência Regional Na
Economia - Mundo, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S. A., 1992, p. 197
Com base no que é representado nos mapas, todas as afirmativas
apresentam conclusões corretas, EXCETO:
a) A configuração da rede de energia elétrica relaciona-se com a
concentração no espaço do potencial hidroelétrico nacional.
b) A rede de ferrovias estende-se por áreas de valorização as mais
antigas do território nacional.
c) A rede de rodovias expressa, de modo geral, a área de mercado
mais integrada do território nacional.
d) A rede de telecomunicações mostra que a circulação rápida de
informação a longa distância ocorre em nível nacional.
e) O adensamento das redes no centro-sul do território nacional
constitui um indicador da importância econômica desse região.
Questão 09
Assinale a alternativa que contém duas causas que prejudicam a
navegação fluvial no Brasil.
a) A maior parte dos rios é de planalto e os rios de planícies
situam-se longe das áreas mais desenvolvidas.
b) Os rios não têm volume de água suficiente e as embarcações
são muito deficitárias.
c) A rede de drenagem é endorrêica e os rios de planícies
encontram-se fora das áreas mais desenvolvidas.
d) O custo de transporte rodoviário é baixo e a expansão da rede
ferroviária foi rápida.
e) A maioria dos rios é intermitente e as embarcações possuem
pequeno calado.
Questão 10
A análise das vias de circulação no Brasil revela:
a) a expansão da rede ferroviária, em relação às décadas
anteriores, como medida prioritária para a redução de custos
b) o investimento maciço em hidrovias, em função do Mercosul,
embora o custo do transporte fluvial de cargas supere o do
transporte ferroviário.
c) o descaso com a modernização de seus portos marítimos,
considerados os mais baratos do mundo para o transporte de
carga internacional.
d) o subaproveitamento das potencialidades naturais do país, pois
em áreas de rios navegáveis o transporte rodoviário, mais caro,
supera o fluvial.
e) a opção pela rodovia como principal meio de transporte de
carga, seguindo o padrão dominante nos EUA, Japão a Europa
Ocidental.
Questão 11 (Cesgranrio)
O Brasil tem aproveitado escassamente as suas bacias
hidrográficas para a navegação, apesar de imenso potencial. São
poucas as eclusas construídas, são poucos os trechos de rios
dragados. Existem apenas dois grandes sistemas hidroviários
construídos.
Qual dos conjuntos e bacias citados a seguir apresenta maior
volume de tráfego de mercadorias?
a) O sistema do Tietê, recém-concluído, ligando os arredores de
São Paulo com o Centro-Oeste.
b) A Bacia do São Francisco, no trecho Pirapora-Juazeiro, após a
conclusão das eclusas em Paulo Afonso.
c) A Bacia Amazônica, que apresenta quase 30.000 km de rios
navegáveis.
d) A Bacia Tocantins-Araguaia, responsável pelo escoamento da
produção de soja do Centro-Oeste.
e) O sistema Jacuí/Taquari-Lagoa dos Patos, construído com
eclusas e retificações, escoando as safras gaúchas.
Questão 12
Considere a tabela a seguir que mostra a expansão da Rede
Ferroviária no Brasil de 1855 a 1991.
Fonte: "Anuário Estatístico do IBGE", 1992.
A leitura da tabela e os seus conhecimentos sobre os meios de
transportes no Brasil, permitem afirmar que a variação, em km, das
ferrovias foi motivada, entre outros fatores, por:
a) forte desenvolvimento tecnológico deste transporte que
aumentou seu potencial mesmo sem o crescimento da Rede.
b) contínuas crises econômicas mundiais que afetaram o setor
agrário-exportador e limitaram os investimentos nesse transporte.
c) predomínio crescente das rodovias que, a partir de meados
deste século tornaram-se o meio de transporte privilegiado pelo
processo industrial.
d) substituição do transporte ferroviário de carga e de passageiros
pelo hidroviário, em virtude da maior eficiência deste.
e) crescimento urbano após a década de 60, inviabilizando a
expansão agrícola e conseqüentemente gerando o abandono das
ferrovias.
90 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 13
"Houve concentração de investimentos nosetor rodoviário, o que
gerou uma série de implicações: o encarecimento dos produtos
transportados, (já que o frete rodoviário é sabidamente mais
elevado que o dos outros tipos de transporte), além de um
aumento considerável no consumo de derivados de petróleo,
obrigando o país a arcar com o ônus da importação e uma
conseqüente queima de divisas".
Em relação ao Brasil, o texto é considerado
a) incorreto, porque a prioridade recentemente dada à construção
das rodovias é real apenas para o sudeste do País.
b) incorreto, porque existe relativo equilíbrio entre a proporção de
tráfego das hidrovias, ferrovias e rodovias.
c) incorreto, porque as ferrovias, são ainda muito utilizadas no
País, estando interligadas às rodovias.
d) correto, porque as hidrovias que tinham um papel importante
para a economia nacional, hoje são deficitárias.
e) correto porque desde a década de 50 até nossos dias, a
quilometragem de ferrovias não aumentou significativamente,
devido à priorização do transporte rodoviário.
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
FORMAÇÃO ÉTNICA: OS ÍNDIOS ONTEM E HOJE
FORMAÇÃO ÉTNICA: OS NEGROS E A IDENTIDADE
AFROBRASILEIRA
A composição étnica e racial da sociedade brasileira é resultado de
uma confluência de pessoas de várias origens étnicas diferentes,
dos povos indígenas originais, negros africanos, dos colonizadores
portugueses, e de posteriores ondas imigratórias de europeus,
árabes e japoneses, além de outros povos asiáticos e de países
sul-americanos.
Há uma diferença entre os conceitos de raça e etnia. Raça é uma
construção social utilizada para destingir pessoas em termos de
uma ou mais marcas físicas, dentre elas a cor, que são
socialmente significativas. Desse modo, a raça é um termo
sociológico e não biológico. Em termos biológicos considera-se que
há apenas uma raça humana. Um grupo étnico, por outro lado,
corresponde a uma categoria de pessoas cujas marcas culturais
percebidas são consideras socialmente significativas. Os grupos
étnicos diferem entre si em termos de língua, religião, costumes,
valores, ancestralidade entre outras marcas culturais.
O Brasil pode ser apontado como um exemplo de que o conceito
de raça é uma construção social, e que o entendimento de raça
pode variar em diferentes sociedades.
Nos séculos XIX e XX, a cultura brasileira tem promovido uma
integração e miscigenação racial. No entanto, as relações raciais
no Brasil não têm sido harmônicas, especialmente em relação ao
papel de desvantagem dos negros brasileiros e indígenas, grupos
fortemente explorados no período colonial do país, que tendem a
ocupar posições menos prestigiadas na sociedade brasileira
moderna, além das questões de choque cultural e dificuldade de
preservação étnico-racial no país.
As análises de marcadores genéticos revelam que o brasileiro
médio possui, de forma decrescente, ancestralidades europeias,
africanas e ameríndias. Este é o resultado de deliberadas políticas
de "branqueamento racial" prosseguidas pelo Imperador Dom
Pedro II e pelos governos da República Velha, que se manifestam
na seleção de imigrantes brancos, sob a influência das teorias
racialistas de Gobineau. Uma pesquisa realizada com mais de 34
milhões de brasileiros, dos quais quase vinte milhões se declaram
brancos, perguntou a origem étnica dos participantes de cor ou
raça branca. A maioria apontou origem brasileira (45,53%). 15,72%
apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola,
5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana,
indígena, judaica e árabe.
CLASSIFICAÇÃO POR ETNIA, COR E RAÇA
A classificação do IBGE segundo cor ou raça encontra-se dividido
nas seguintes categorias: brancos, pardos, pretos, amarelos e
indígenas. Os negros correspondem ao somatório das populações
pardas e pretas. O IBGE verifica a composição brasileira através
de um censo realizado a cada 10 anos. A composição por cor ou
raça é verificada pela autodeclaração.
BRANCOS
Estados de acordo com a percentagem de brancos em 2009.
Os brancos autodeclarados compõem cerca de 47,7% da
população brasileira, somando cerca de 91 milhões de indivíduos.
Estão espalhados por todo o território brasileiro, embora a maior
concentração esteja no Sul e Sudeste do Brasil.
Uma pesquisa realizada com mais de 32 milhões de brasileiros,
dos quais quase vinte milhões se declaram brancos, perguntou a
origem étnica dos participantes de cor ou raça branca. Uma
pluralidade apontou origem brasileira (45,53%). 15,72% apontou
origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51%
alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena,
judaica e árabe.
Os números condizem fortemente com o passado imigratório no
Brasil. Entre o final do século XIX e início do século XX, sobretudo
após a Abolição da Escravatura, o Estado brasileiro passou a
incentivar a vinda de imigrantes para substituir a mão-de-obra
africana. Entre 1870 e 1951, de Portugal e da Itália chegaram
números próximos de imigrantes, cerca de 1,5 milhão de italianos e
1,4 milhão de portugueses. Da Espanha chegaram cerca de 650
mil e da Alemanha em torno de 260 mil imigrados. Os números
refletem as porcentagens das origens declaradas pelos brancos
brasileiros.
É notório, porém, que quase metade dos brancos pesquisados
declararam ser de origem brasileira. É explicável pelo fato de a
imigração portuguesa no Brasil ser bastante antiga, remontando
mais de quinhentos anos, fato que muitos brasileiros brancos
desconhecem tais origens por já terem suas famílias enraizadas no
Brasil há séculos, assim como por exemplo muitos estadunidenses
se declaram americanos, mas sendo de origem inglesa.
Deve ser salientado que as classificações raciais no Brasil são
fluídas e influenciadas por diversos fatores. Existe uma histórica
tendência ao "branqueamento" na hora de ser classificado
racialmente. Desta forma, riqueza, relações de família ou talentos
pessoais podem fazer com que pessoas "de cor" sejam
classificadas como brancas.
Atualmente, a quantidade de brasileiros que se dizem brancos está
em rápido declínio.
MULTIRACIAL-PARDOS
Estados de acordo com a percentagem de Pardos em 2009.
Segundo a definição do IBGE, pardos são pessoas que se
declaram mulatas, caboclas, cafuzas, mamelucas ou mestiças de
negro com pessoa de outra raça. No censo de 2010, 43,1% da
população nacional se autodeclarou como sendo parda.
Ao contrário do que muitos pensam, o termo pardo não foi criado
censitariamente como uma categoria de cunho "étnico-racial"
distinto ou como sinônimo de miscigenado: o termo passou a ser
utilizado no censo do ano de 1872, com o intuito único de
contabilizar de forma separada os negros (não importando se
puros ou miscigenados) ainda cativos, e os negros (não
importando se puros ou miscigenados) nascidos livres ou forros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brancos_no_Brasil.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pardos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pardos_no_Brasil_2009.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brancos_no_Brasil.png�
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pardos_no_Brasil_2009.png�
92 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
NEGROS
Estados de acordo com a percentagem de negros em 2009.
Os negros autodeclarados compõem 7,6% da população brasileira,
somando cerca de 15 milhões de indivíduos. Estão espalhados por
todo o território brasileiro, embora os maiores números estejam no
Nordeste e no Sudeste.
É salientável que nem todos os descendentes de africanos no
Brasil classificam-se como "negros", vez que muitos optam por
dizer-se "pardos" ou mesmo "brancos."
A escravidão no Brasil durou cerca de 350 anos e trouxe para o
país cerca de 4 milhões de africanos—37% de todos os escravos
trazidos às Américas.
Pesquisas genéticas já de alguns anos atrás sugeriram que agrande maioria dos brasileiros teriam mais de 10% de marcadores
genéticos africanos, mas foram confessados que seus limites de
confiança são amplos e foram feitos por extrapolação: "Obviamente
estas estimativas foram feitas por extrapolação de resultados
experimentais com amostras relativamente pequenas e,
consequentemente, têm limites de confiança bastante amplos".
POVOS INDÍGENAS
O quadro Moema de Victor Meirelles. A imagem do índio no Brasil
foi positivada pelo indianismo.
Há cinco séculos, os Europeus portugueses chegaram à América,
desembarcando em solo brasileiro, e deram início a uma paulatina
reorganização das terras que eram ocupadas pelos povos
indígenas. Esse processo de migração se estendeu até o início do
século XX e marcou o processo de formação sociopolítica e
econômica de nosso país.
O avanço da colonização implicou na extinção muitas sociedades
indígenas que ali viviam, em razão de conflitos bélicos, da
disseminação das doenças trazidas pelos europeus, e da adoção
de táticas de "assimilação" dos índios à nova sociedade
implantada.
O mapa da distribuição das populações indígenas no território
brasileiro hoje identifica os reflexos do movimento histórico de
expansão político-econômica. Os primeiros contatos se deram no
litoral e só aos poucos houve um movimento de interiorização por
parte dos europeus, motivo pelo qual o grande percentual da
população indígena recenseada hoje no Brasil encontra-se na
Amazônia Legal, embora, contudo, haja maior concentração da
população indígena no Centro-Sul e Nordeste do país.
De acordo com o Censo 2010 do IBGE, a população indígena no
país atualmente soma 896,9 mil indígenas. Estão distribuídos em
688 Terras Indígenas e algumas áreas urbanas do território
nacional. Há também 82 referências de grupos indígenas não-
contatados, das quais 32 foram confirmadas pela Fundação
Nacional do Índio – Funai.
O QUE É SER ÍNDIO
Os habitantes das Américas foram chamados de índios pelos
europeus que aqui chegaram. Uma denominação genérica
provocada pela primeira impressão que eles tiveram de haver
chegado às Índias.
Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, e sim em
um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a
chamá-los assim. Ignoravam-se propositalmente as diferenças
linguperiodo colonial, ístico-culturais. Era mais fácil torná-los todos
iguais, tratá-los de forma homogênea, já que o objetivo era um só:
o domínio político, econômico e religioso.
Se no período colonial era assim, ao longo dos tempos, definir
quem era índio ou não constituía sempre uma questão legal.
Desde a independência das metrópoles européias, vários países
americanos estabeleceram diferentes legislações em relação aos
índios e foram criadas Instituições oficiais para cuidar dos assuntos
a eles relacionados.
Nas últimas décadas, o critério da auto-identificação étnica vem
sendo o mais amplamente aceito pelos estudiosos da temática
indígena. Na década de 50, o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro
baseou-se na definição elaborada pelos participantes do II
Congresso Indigenista Interamericano, no Peru, em 1949, para
assim definir, no texto “Culturas e línguas indígenas do Brasil”, o
indígena como: “(…) aquela parcela da população brasileira que
apresenta problemas de inadaptação à sociedade brasileira,
motivados pela conservação de costumes, hábitos ou meras
lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana. Ou,
ainda mais amplamente: índio é todo o indivíduo reconhecido como
membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica
etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela
população brasileira com quem está em contato”.
O APARECIMENTO DOS AMERÍNDIOS
O homem americano não surgiu dentro do próprio continente,
como resultado da evolução de primatas, ele apareceu por aqui
vindo de outras regiões, pelas migrações ocorridas há milhares de
anos. É que todos os especialistas afirmam. Todavia, sua teorias
começam a se diferenciar à respeito de como o homem chegou à
América. Ao longo dos anos formaram-se teorias, dentre elas
estão: a teoria do Estreito de Bering, e da teoria das Correntes do
Pacífico.
1ª TEORIA: O ESTREITO DE BERING
Até pouco tempo, quase todos afirmavam que as primeiras
comunidades humanas da América teriam vindo da Ásia, por volta
de 12 000 a.C., saindo do atual território russo da Sibéria,
atravessando o estreito de Bering (quem tem umas poucas
dezenas de quilômetros de largura) e chegando à região hoje
ocupada pelo Alasca. A partir daí, o povoamento fora se
expandindo lentamen te, primeiro pela América do Norte e, depois,
pela América Central, para finalmente atingir a América do Sul. Os
caminhos eventualmente seguidos por essas comunidades
humanas, de um extremo ao outro do continente americano,
podem ser acompanhados no mapa 1.
Essa teoria baseava-se em um pressuposto, em um acontecimento
físico-geográfico e em várias descobertas arqueológicas. Esses
elementos podem ser resumidos como a seguir.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pretos_no_Brasil_2009.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Victor_Meirelles_-_Moema.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pretos_no_Brasil_2009.png�
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Victor_Meirelles_-_Moema.jpg�
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje
93 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Pressuposto- O homem primitivo era incapaz de desenvolver
técnicas de navegação; portanto, não poderia ter chegado à
América cruzando o Atlântico ou o Pacífico. Assim, só lhe restava
um caminho: o estreito de Bering, com cerca de 100 km, que
separa a Ásia da América.
Acontecimento físico-geográfico- A glaciação-redução da
temperatura da Terra-, entre 35000 a.C e 12000 a.C. Com a queda
de temperatura, a massa de gelo polar aumentou e o nível dos
oceanos abaixou. O estreito de Bering teria então ficado seco,
permitindo a passagem dos seres humanos, a pé, da Ásia para a
América.
Descobertas arqueológicas- Os vestígios humanos mais antigos
encontrados em nosso continente datavam aproximadamente de
12 000 a.C. e foram descobertos na América do Norte. Os mesmos
tipos de vestígios eram, na América Central, de aproximadamente
9000 a.C.; e na América do Sul, de 8000 a.C. na região dos Andes,
e de 6000 a.C no atual território brasileiro.
Tais elementos davam a essa teoria um aspecto bastante lógico e,
inclusive, indicavam o caminho seguido pelo homem até chegar a
América do Sul. Ultrapassando o Panamá, ele acompanhara a
cordilheira dos Andes, em direção ao sul e finalmente descera para
as regiões mais baixas, a maior parte delas ocupadas hoje pelo
Brasil.
Essa teoria era complementada por algumas outras, que
procuravam explicar certos casos particulares, como o da América
do Sul, por exemplo. Se os agrupamentos de humano se
estabeleceram primeiro nos Andes (onde se desenvolveram
brilhantes civilizações) e depois, vieram para o leste, ocupando a
gigantesca região amazônica, como explicar que o homem
amazônico tivesse uma civilização muito mais primitiva; ele poderia
ter esquecido de tudo o que aprendera?
Os especialistas respondiam que, de certa forma, era exatamente
isso que havia ocorrido: as terras baixas tropicais eram
inadequadas ao desenvolvimento humano; a densa floresta
dificultava o deslocamento das pessoas e era pobre em recursos
alimentares; as características do solo impediam a agricultura
intensiva; e a uniformidade do clima dificultava a irrigação. Bastava
ver, diziam, o atual padrão de vida das populações indígenas na
Amazônia e mesmo no Brasil em geral. Comunidades pequenas e
primitivas, vivendo da caça da pesca e, eventualmente, de
agricultura itinerante.
Por causa desses fatores, os agrupamentos humanos que
desceram dos Andes, em direção ao atual território brasileiro,
teriam aos poucos perdido conhecimentos técnicos, tornando-se
mais primitivos conforme se afastavamda região andina e se
aproximavam do Atlântico. Ficava assim explicado o estado
primitivo das populações indígenas encontradas pelos portugueses
quando chegaram aqui.
Porcentagem da contribuição de cada origem para a população
brasileira.
Cidade ou
estado
Africana Europeia Ameríndia
AM 16,3% 45,9% 37,8%
PA 16,8% 53,7% 29,5%
PE 27,9% 56,8% 15,3%
AL 26,6% 54,7% 18,7%
GO 13,3% 82,7% 3,0%
MG 28,9% 59,2% 11,9%
ES 13,4% 74,1% 12,5%
RJ 31,1% 55,2% 13,7%
SP 18,2 69,9 10,6
PR 17,5% 71,0% 11,5%
SC 11,4% 79,7% 8,9%
RS 14,0% 72,9% 13,0%
POLÍTICA INDIGENISTA NO BRASIL
Há mais de100 anos o Estado brasileiro criou o Serviço de
Proteção ao Índio e Localização de Trabalhadores Nacionais
(SPILTN), a primeira estrutura organizacional responsável por uma
política indigenista oficial. A Fundação Nacional do Índio – Funai,
hoje vinculada ao Ministério da Justiça, tem suas origens
relacionadas com a criação do extinto SPILTN, mais tarde
denominado apenas Serviço de Proteção aos Índios (SPI).
Criado pelo Decreto-Lei n.º 8.072, de 20 de junho de 1910, o SPI
teve como objetivo ser o órgão do Governo Federal encarregado
de executar a política indigenista. Sua principal finalidade era
proteger os índios e, ao mesmo tempo, assegurar a implementação
de uma estratégia de ocupação territorial do país. A criação do SPI
modificou profundamente a abordagem da questão indígena no
Brasil.
A primeira Constituição, de 1824, ignorou completamente a
existência das sociedades indígenas, prevalecendo uma
concepção da sociedade brasileira como sendo homogênea.
Consequentemente, não reconheceu a diversidade étnica e cultural
do país e estabeleceu como sendo de competência das
Assembleias das Províncias a tarefa de promover a catequese e de
agrupar os índios em estabelecimentos coloniais, o que acarretou
impactos significativos sobre as terras ocupadas.
Com este a Igreja deixou de ter a hegemonia no tocante ao
trabalho de assistência junto aos índios, de modo que a política de
catequese passou a coexistir com a política de proteção por parte
do Estado. Além disso, buscou-se centralizar a política indigenista,
reduzindo o papel que os estados desempenhavam em relação às
decisões sobre o destino dos povos indígenas.
Mais de meio século depois, a Funai foi criada por meio da Lei n.º
5.371 de 5/12/1967 em substituição ao SPI. Esta decisão
governamental foi tomada num momento histórico em que
predominavam, ainda, as ideias evolucionistas sobre a
humanidade e o seu desenvolvimento através de estágios. Esta
ideologia de caráter etnocêntrico influenciou a visão
governamental, sendo que a Constituição vigente naquela época
estabelecia a figura jurídica da tutela e considerava os índios como
"relativamente incapazes".
Mesmo reconhecendo a diversidade cultural entre as muitas
sociedades indígenas, a Funai tinha o papel de integrá-las, de
94 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
maneira harmoniosa, na sociedade nacional. Considerava-se que
essas sociedades precisavam "evoluir" rapidamente, até serem
integradas, o que é considerado na prática como uma negação da
riqueza da diversidade cultural.
Posteriormente, com a edição da Lei n.º 6.001 de 19/12/1973
(conhecida como Estatuto do Índio) se formalizaram os
procedimentos a serem adotados pela Funai para proteger e
assistir as populações indígenas, inclusive no que diz respeito à
definição de suas terras e ao processo de regularização fundiária.
O Estatuto do Índio representou um avanço em relação à política
indigenista praticada, estabelecendo novos referenciais no que diz
respeito à definição das terras ocupadas tradicionalmente pelos
índios.
A Constituição de 1988 instaurou um novo marco conceitual,
substituindo o modelo político pautado nas noções de tutela e de
assistencialismo por um modelo que afirma a pluralidade étnica
como direito e estabelece relações protetoras e promotoras de
direitos entre o Estado e comunidades indígenas brasileiras. Além
disso, estabeleceu o prazo de cinco anos para que todas as terras
indígenas (TIs) do país fossem demarcadas. Assim, estas
mudanças de visão, de abordagem e dos princípios que devem
orientar a ação do Estado exigiram uma reformulação dos seus
mecanismos de ação relativos às populações indígenas.
TRATAMENTO CONSTITUCIONAL DE 1934 à 1965
* CONSTITUIÇÃO DE 1934- Estabeleceu a competência privativa
da UNIÃO para legislar sobre incorporação dos silvícolas à
comunhão nacional, assegurando-lhes o respeito à posse das
terras em que se achassem permanentemente localizadas, as
quais não poderiam ser alienadas.
* CONSTITUÍÇÃO de 1967 – Estabeleceu que as terras ocupadas
pelos silvícolas integram o PATRIMÔNIO DA UNIÃO. Outro
dispositivo assegurou o usufruto exclusivo dos índios sobre os
recursos naturais, e de todas as utilidades existentes em suas
terras.
* A EMENDA CONSTITUCIONAL DE 1969- Aditaria a esse corpo
de normas um novo preceito estatuindo “nulidade e extinção dos
efeitos jurídicos dos atos de qualquer natureza, que tivessem por
objeto o domínio, a posse, ou a ocupação por terceiros de terras
habitadas pelos indígenas”, estabelecendo também que os
terceiros ocupantes não teriam direito a qualquer ação ou
indenização contra a UNIÃO e a FUNAI.
* CONSTITUIÇÃO DE 1988 – O artigo 20 da Constituição Federal
de 1988, inclui entre os bens da UNIÃO as terras tradicionalmente
ocupadas pelos índios. A inovação é importante, trata-se aqui de
reconhecer não apenas a ocupação física das áreas habitadas
pelos grupos indígenas, mas sim a ocupação tradicional, (segundo
as tradições) do território indígena, o que significa reconhecê-lo
com toda extensão de terra necessária a manutenção, e
preservação das particularidades culturais de cada grupo.
Incorporam se aí, não apenas as áreas de habitação permanente e
de coletas, mas também todos os espaços necessários à
manutenção das tradições do grupo. Entram nesse conceito, por
exemplo, as terras consideradas sagradas, os cemitérios distantes,
e as áreas de deambulação.Ao abandonar intencionalmente
qualquer referência à incorporação dos índios à sociedade
nacional, a Constituição de 1988, reconheceu o direito das
populações indígenas de preservar sua identidade própria e cultura
diferenciada. Na tradição constitucional anterior, a condição de
índio era vista como um estado transitório, que cessaria com a
integração. A partir de 1988, o discurso da integração, cedeu passo
ao reconhecimento da diversidade cultural.
- O ARTIGO 215 assegura às comunidades indígenas o ensino
fundamental bilingüe, (utilização de suas línguas) e processos
próprios de aprendizagem.
- OS ARTIGOS: 231 e 232 – estabelecem o reconhecimento da
identidade cultural própria e diferenciada dos grupos indígenas
(organização social, costumes, línguas, crenças e tradições); e
direito sobre as terras que tradicionalmente ocupam; as terras
indígenas devem ser demarcadas, e protegidas pela UNIÃO
As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, são aquelas por
eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas
atividades produtivas, as imprescindíveis a preservação dos
recursos ambientais necessários a seu bem-estar, e as
necessárias a sua reprodução física, cultural, segundo seus usos,
costumes e tradições.
Aproveitamento dos recursos hídricos, e a pesquisa e lavra de
mineral em terras indígenas, somente podem ser realizadas
mediante autorização do Congresso Nacional, ouvidas as
comunidades afetadas, que terão participação assegurada nos
resultados da lavra, na forma de lei.
As terras indígenas são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos
que os índios exercem sobre elas são imprescritíveis.
Os grupos indígenas não podem ser removidos de suas terras, a
não ser em casos de catástrofes, ou epidemia.
São nulos, extintos e não produzem efeitos jurídicos os atos que
tenham por objeto a ocupação,o domínio ou a posse por terceiros,
e a exploração dos recursos naturais do solo, rios e lagos nas
terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Ressalva-se, no
entanto, a possibilidade de ocupação e exploração dos recursos
naturais em caso de relevante interesse pela UNIÃO.
Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas
para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses,
sendo obrigatória a intervenção do Ministério Público, em todos os
atos do processo.
O artigo 67 das Disposições Transitórias determinou prazo de
cinco anos a partir da promulgação da Constituição, para a
conclusão da demarcação das terras indígenas. Esse prazo
encerrou-se em 5 de outubro de 1933, sem que pudesse Ter sido
concluído a demarcação de todas as áreas indígenas do país.
AMARELOS
No censo demográfico do Brasil de 2010 cerca de 2.084.288
indivíduos se declararam amarelos. Estão concentrados em dois
estados brasileiros: São Paulo e Paraná, embora populações
menores estejam espalhadas por todo o território brasileiro.
A categoria amarela é reservada para as pessoas de origem
oriental. Contudo, no último censo do IBGE, sobretudo no Piauí,
muitas pessoas que não têm qualquer origem oriental
classificaram-se como "amarelas" no censo. Isso inflacionou o
número real de orientais que vivem no Brasil.
A grande maioria dos amarelos brasileiros são descendentes de
japoneses que imigraram para o Brasil entre 1908 e 1960, devido a
problemas econômicos. O Brasil abriga hoje a maior comunidade
japonesa fora do Japão. Outros grupos amarelos em fase de
crescimento rápido, são os chineses e coreanos que atualmente
integram o comércio nas capitais.
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje
95 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01 (ENEM - 2012)
Elaborado pelos partidários da Revolução Constitucionalista de 1932, o cartaz apresentado pretendia
mobilizar a população paulista contra o governo federal. Essa mobilização utilizou-se de uma
referência histórica, associando o processo revolucionário
a) à experiência francesa, expressa no chamado à luta contra a ditadura.
b) aos ideais republicanos, indicados no destaque à bandeira paulista.
c) ao protagonismo das Forças Armadas, representadas pelo militar que empunha a bandeira.
d) ao bandeirantismo, símbolo paulista apresentado em primeiro plano.
e) ao papel figurativo de Vargas na política, enfatizado pela pequenez de sua figura no cartaz.
Questão 02 (ENEM - 2009)
A partir de 1942 e estendendo-se até o final do Estado Novo, o Ministro do Trabalho, Indústria e
Comércio de Getúlio Vargas falou aos ouvintes da Rádio Nacional semanalmente, por dez minutos, no
programa “Hora do Brasil”. O objetivo declarado do governo era esclarecer os trabalhadores acerca
das inovações na legislação de proteção ao trabalho.
GOMES, A. C. A invenção do trabalhismo. Rio de Janeiro: IUPERJ / Vértice. São Paulo: Revista dos Tribunais,
1988 [adaptado].
Os programas “Hora do Brasil” contribuíram para
a) conscientizar os trabalhadores de que os direitos sociais foram conquistados por seu esforço, após
anos de lutas sindicais.
b) promover a autonomia dos grupos sociais, por meio de uma linguagem simples e de fácil
entendimento.
c) estimular os movimentos grevistas, que reivindicavam um aprofundamento dos direitos trabalhistas.
d) consolidar a imagem de Vargas como um governante protetor das massas.
e) aumentar os grupos de discussão política dos trabalhadores, estimulados pelas palavras do ministro
Questão 03 (ENEM - 2012)
Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito antes dos europeus, foram os próprios
africanos trazidos como escravos. E essa descoberta não se restringia apenas ao reino linguístico,
estendia-se também a outras áreas culturais, inclusive à da região.
Há razões para pensar que os africanos, quando misturados e transportados ao Brasil, não
Demoraram em perceber a existência entre si de elos culturais mais profundos.
SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP, n. 12, dez./jan./fev. 1991-92 [adaptado].
Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de diferentes partes da África, a experiência
da escravidão no Brasil tornou possível a
a) formação de uma identidade cultural afro-brasileira.
b) superação de aspectos culturais africanos por antigas tradições europeias.
c) reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos.
d) manutenção das características culturais específicas de cada etnia.
e) resistência à incorporação de elementos culturais indígenas
Questão 04 (ENEM - 2010)
“Pecado nefando” era expressão correntemente utilizada pelos inquisidores para a sodomia. Nefandus:
o que não pode ser dito. A Assembleia de clérigos reunida em Salvador, em 1707, considerou a
Anotações
96 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
sodomia “tão péssimo e horrendo crime”, tao contrário à lei da natureza, que “era indigno de ser
nomeado” e, por isso mesmo, nefando.
NOVAIS, F.; MELLO E SOUZA L. História da vida privada no
Brasil. V. 1. São Paulo: Companhia das Letras. 1997 (adaptado).
O número de homossexuais assassinados no Brasil bateu o recorde histórico em 2009. De acordo com
o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT – Lés - bicas, Gays, Bissexuais e
Travestis), nesse ano foram registrados 195 mortos por motivação homofóbica no País.
Disponível em: www.alemdanoticia.com.br/utimas_noticias.php?codnoticia=3871.
Acesso em: 29 abr. 2010 (adaptado).
A homofobia é a rejeição e menosprezo à orientação sexual do outro e, muitas vezes, expressa-se sob
a forma de comportamentos violentos.
Os textos indicam que as condenações públicas, perseguições e assassinatos de homossexuais no
país estão associadas
a) à baixa representatividade polítíca de grupos organizados que defendem os direitos de cidadania
dos homossexuais.
b) à falência da democracia no país, que torna impeditiva a divulgação de estatísticas relacionadas à
violência contra homossexuais.
c) à Constituição de 1988, que exclui do tecido social os homossexuais, além de impedi-los de exercer
seus direitos políticos.
d) a um passado histórico marcado pela demonização do corpo e por formas recorrentes de tabus e
intolerância.
e) a uma política eugênica desenvolvida pelo Estado, justificada a partir dos posicionamentos de
correntes filosófico-científicas
Questão 05 (ENEM - 2010)
As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a identidade
cultural dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o modo de vida dos
antigos revoltosos.
Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) porque reúnem um conjunto de:
a) objetos arqueológicos e paisagísticos.
b) acervos museológicos e bibliográficos.
c) núcleos urbanos e etnográficos.
d) práticas e representações de uma sociedade.
e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta.
Questão 06
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
e pobres são como podres e todos sabem
como se tratam os pretos
(...)
(Gilberto Gil e Caetano Veloso, "Haiti")
(...)
Vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico
foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína
tudo é menino e menina no olho da rua
o asfalto, a ponte, o viaduto ganindo pra rua nada continua
E o cano da pistola que as crianças mordem
reflete todas as cores da paisagem da cidade
(...)
(Caetano Veloso, "Fora da ordem")
A violênciaé hoje um dos graves problemas das grandes cidades brasileiras, apresentando, como
causas mais gerais, a injusta distribuição de renda e o aumento do desemprego.
Identifique a manifestação de violência citada em cada uma das canções acima.
Anotações
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje
97 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
Questão 07
Fonte: Adap. Simielli, 2000.
Correlacione os mapas apresentados, quanto à questão indígena no Brasil e analise a relação entre a
área das terras e as populações indígenas nas regiões I e II.
Questão 08
Do ponto de vista sociológico, o Brasil se constituiu sobre o mito da democracia racial principalmente
depois da publicação de casa grande e senzala de gilberto freyre (2003). De acordo com florestan
fernandes (1965) o ideal de miscigenação fora difundido como mecanismo de absorção do mestiço
não para a ascensão social do negro, mas para a hegemonia da classe dominante. O mito da
democracia racial assentou-se sobre dois fundamentos: 1) o mito do bom senhor; 2) o mito do escravo
submisso.
Analise as afirmações:
I. a crença no bom senhor exalta a vulgaridade das elites modernas, como diria contardo calligaris, e
juntamente com uma espécie de pseudocordialidade seriam responsáveis pela manutenção e o
aprofundamento das diferenças sociais.
II. o mito do escravo submisso fez com que a sociedade de um modo geral não encarasse de frente a
violência da escravidão, fez com que os ouvidos se ensurdecessem aos clamores do movimento
negro, por direitos e por justiça.
III. as proposições legislativas sobre a inclusão de negros vão desde o projeto de lei que reserva aos
negros um percentual fixo de cargos da administração pública, aos que instituem cotas para negros
nas universidades públicas e nos meios de comunicação.
Assinale a alternativa correta:
a) todas as afirmações são verdadeiras.
b) apenas a afirmação II é verdadeira.
c) as afirmações I e III são verdadeiras.
d) as afirmações I e II são falsas.
e) todas as afirmações são falsas.
Anotações
98 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01 (UERJ)
As mesmas forças produtivas engajadas no desenvolvimento
extensivo e intensivo do capitalismo produzem tanto a integração
como a fragmentação. As muitas variações de formas sociais de
vida e de trabalho, compreendendo grupos e classes, etnias e
minorias, nações e nacionalidades, religiões e línguas, são
frequentemente recriadas.
Octavio Ianni- Adaptado de Sociedade global. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira,1999.
A ilustração e o texto expressam diferentes pontos de vista acerca
do processo de globalização. Essa diferença se manifesta pela
contradição entre:
a) polarização e dispersão econômica
b) elitização e popularização financeira
c) homogeneização e diversidade cultural
d) especialização e flexibilidade profissional
Questão 02 (UERJ)
No I Congresso Mundial das Raças, ocorrido em Londres em 1911,
o médico João Baptista de Lacerda ilustrou suas reflexões sobre a
sociedade brasileira analisando a tela “A redenção de Cam”, que
retrata três gerações de uma família.
Essa pintura foi utilizada na época para indicar a seguinte
tendência demográfica no Brasil:
a) controle de natalidade
b) branqueamento da população
c) equilíbrio entre faixas etárias
d) segregação dos grupos étnicos
Questão 03 (PUC-SP)
Leia: Por causa do risco iminente de extinção, a UNESCO produziu
o Livro Vermelho das Línguas Ameaçadas, hoje substituído pelo
Atlas das línguas ameaçadas do mundo [...] Os países que têm o
maior número de línguas em risco de desaparecimento, segundo o
Atlas, são:
Tendo em conta os processos e as localizações geográficas
implicadas na questão das línguas ameaçadas de extinção, nota-
se que
a) várias das línguas ameaçadas são línguas de grupos nativos
preexistentes em países originários da colonização europeia, nos
quais houve a imposição da língua do colonizador.
b) essa perda iminente da diversidade linguística, nos países
listados, deve-se à necessidade de eliminar a própria diversidade
cultural, condição necessária para o desenvolvimento social em
ambientes mais comunicativos.
c) no Brasil, as línguas ameaçadas são várias das indígenas, em
função do interesse dos falantes dessas línguas de pertencer ao
conjunto da sociedade moderna e romper com o isolamento social
em que vivem.
d) as línguas ameaçadas, nos países listados, sobrevivem por
esforço dos estados, visto que as sociedades desses locais
defendem que existam políticas públicas para preservar as culturas
minoritárias.
e) a modernização e a globalização dominante da sociedade
contemporânea tendem a reverter o processo de ameaça de
extinção de várias línguas nativas, pela sua lógica de valorização
da diversidade cultural.
Questão 04 (UENP)
Leia atentamente o fragmento de texto a seguir. Trata-se de uma
entrevista com o sociólogo Zigmunt Bauman.
Poderia falar mais amplamente sobre os riscos da modernidade?
Uma das características do que chamo de "modernidade sólida"
era que as maiores ameaças para a existência humana eram muito
mais óbvias. Os perigos eram reais, palpáveis, e não havia muito
mistério sobre o que fazer para neutralizá-los ou, ao menos, aliviá-
los. Era óbvio, por exemplo, que alimento, e só alimento, era o
remédio para a fome.
Os riscos de hoje são de outra ordem, não se pode sentir ou tocar
muitos deles, apesar de estarmos todos expostos, em algum grau,
a suas consequências. Não podemos, por exemplo, cheirar, ouvir,
ver ou tocar as condições climáticas que gradativamente, mas sem
trégua, estão se deteriorando. O mesmo acontece com os níveis
de radiação e de poluição, a diminuição das matérias-primas e das
fontes de energia não renováveis, e os processos de globalização
sem controle político ou ético, que solapam as bases de nossa
existência e sobrecarregam a vida dos indivíduos com um grau de
incerteza e ansiedade sem precedentes.
Diferentemente dos perigos antigos, os riscos que envolvem a
condição humana no mundo das dependências globais podem não
só deixar de ser notados, mas também deixar de ser minimizados
mesmo quando notados. As ações necessárias para exterminar ou
limitar os riscos podem ser desviadas das verdadeiras fontes do
perigo e canalizadas para alvos errados. Quando a complexidade
da situação é descartada, fica fácil apontar para aquilo que está
mais à mão como causa das incertezas e das ansiedades
modernas. Veja, por exemplo, o caso das manifestações contra
imigrantes que ocorrem na Europa. Vistos como "o inimigo"
próximo, eles são apontados como os culpados pelas frustrações
da sociedade, como aqueles que põem obstáculos aos projetos de
vida dos demais cidadãos. A noção de "solicitante de asilo"
adquire, assim, uma conotação negativa, ao mesmo tempo em que
as leis que regem a imigração e a naturalização se tornam mais
restritivas, e a promessa de construção de "centros de detenção"
para estrangeiros confere vantagens eleitorais a plataformas
políticas.
Para confrontar sua condição existencial e enfrentar seus desafios,
a humanidade precisa se colocar acima dos dados da experiência
a que tem acesso como indivíduo. Ou seja, a percepção individual,
para ser ampliada, necessita da assistência de intérpretes munidos
com dados não amplamente disponíveis à experiência individual. E
a Sociologia, como parte integrante desse processo interpretativo
— um processo que, cumpre lembrar, está em andamento e é
permanentemente inconclusivo —, constitui um empenho
constante para ampliar os horizontes cognitivos dos indivíduos e
uma voz potencialmente poderosa nesse diálogo sem fim com a
condição humana.
PALLARES-BURKE, Maria Lúcia Garcia. Entrevista com Zigmunt Bauman. Tempo
soc.promoveu a intensificação dos
fluxos internacionais de capitais nos mercados financeiros e
abertura das economias nacionais ao comércio global.
Os governos de Fernando Collor de Melo (1990-1992) e Itamar
Franco (1992-1994) iniciaram essa abertura. Em 1991 iniciou-se o
Programa Nacional de Desestatização, com grande participação de
capitais provenientes dos Estados Unidos, Espanha e Portugal.
Em junho de 1994, a moeda brasileira passou a ser o real. A
mudança da moeda era parte de um plano econômico maior, que
tinha como objetivo central o combate a inflação e a estabilização
da economia brasileira. A ilusão da moeda forte e do consumo fácil
fez com que o país entrasse as cegas na modernidade.
A verdade é que do século XX para o século XXI, o
desenvolvimento industrial-tecnológico, colocou o Brasil entre as
maiores economias no Mundo, sendo considerado um dos
mercados emergentes nesse início de século. Entretanto, grande
parte da população ainda encontra-se excluída do mercado
consumidor dos produtos industriais e o abismo entre os ricos e
pobres tem se acentuado ainda mais.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS INDÚSTRIAS NO BRASIL
POR REGIÕES
Até por volta da segunda metade do século XX o Brasil não
possuía um mercado nacional consolidado muito menos um
espaço geográfico de fato integrado. Na verdade, o país mais se
assemelha a um “arquipélago” com a existência de verdadeiras
“ilhas” de economia primárias voltada para a exportação. A partir
da década de 50, pela primeira vez na história, o Brasil deixa de
ser um país essencialmente agrário e a industrialização passou a
comandar a economia nacional.
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS INDÚSTRIAS
CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
Quanto à distribuição espacial da indústria, o que se verifica é uma
grande concentração de estabelecimentos na região Sudeste. A
concentração industrial na região, sobretudo, no Estado de São
Paulo, deve-se a fatores históricos que já conhecemos. Esses
fatores (a lavoura de café, entre outros) orientaram o surgimento
da atividade industrial nessa região. Mas um outro fator também
explica essa concentração espacial – é a interdependência que se
estabelece entre as várias empresas industriais. Por exemplo, a
indústria automobilística está ligada às metalúrgicas, às indústrias
de autopeças, de tintas, de vidros etc.
Além disso, a concentração industrial é acompanhada pela
concentração das demais atividades econômicas e extra-
econômicas. Assim, a indústria, o comércio e o sistema bancário e
financeiro dependem uns dos outros.
Por outro lado, a concentração das atividades econômicas gera um
grande número de empregos, atraindo população de outras regiões
e criando grandes centros populacionais, que necessitam de
serviços, incluindo-se escolas, centros culturais e profissionais. Por
isso, as grandes metrópoles são também os núcleos culturais mais
desenvolvidos do país.
DESCONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
O debate sobre o processo de desconcentração espacial da
indústria nos últimas duas décadas tem início nos trabalhos
pioneiros de Diniz (1993) e Diniz e Crocco (1996), que apontam
para um movimento de desconcentração ocorrido entre as décadas
de setenta e noventa. Segundo esses autores, teria havido perdas
na participação das Regiões Metropolitanas de São Paulo e do Rio
de Janeiro ao longo daquele período. Em contrapartida, teria
ocorrido aumento nos estados do Sul e de Minas Gerais, assim
como no interior de São Paulo, surgindo uma espécie de polígono
que ia do centro de Minas Gerais ao nordeste do Rio Grande do
Sul. Assim, as transformações ocorridas fariam com que o
processo de desconcentração ficasse restrito às cidades
localizadas no interior de tal polígono.
Atualmente, seguindo uma tendência mundial, o Brasil vem
passando por um processo de descentralização industrial,
chamada por alguns autores de desindustrialização, que vem
ocorrendo intrarregionalmente e também entre as regiões.
Dentro da Região Sudeste há uma tendência de saída do ABCD
Paulista, buscando menores custos de produção do interior
paulista, no Vale do Paraíba, ao longo da Rodovia Fernão Dias,
que liga São Paulo à Belo Horizonte. Estas áreas oferecem, além
de incentivos fiscais, menores custos de mão-de-obra, transportes
menos congestionados e por tratarem-se de cidades-médias,
melhor qualidade de vida, o que é vital quando trata-se de
tecnopolos.
A desconcentração industrial entre as regiões vem determinando o
crescimento de cidades-médias dotadas de boa infraestrutura e
com centros formadores de mão-de-obra qualificada, geralmente
universidades. Além disso, percebe-se um movimento de indústrias
tradicionais, de uso intensivo de mão-de-obra, como a de calçados
e vestuários para o Nordeste, atraídas sobretudo, pela mão-de-
obra extremamente barata.
Com base em técnicas de estatística multivariada e indicadores
sintéticos e de dados das mesorregiões do país, Saboia, Kubrusly
e Barros (2008) confirmam que, em meados da década de 2000,
os desequilíbrios regionais permaneciam elevados, beneficiando as
regiões Sul e Sudeste. Foram, entretanto, encontrados resultados
favoráveis em algumas mesorregiões do Norte, do Nordeste e do
Centro-Oeste, o que confirmaria o ponto de vista de alguns autores
8 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
aqui resenhados no sentido de uma extrapolação do processo de
desconcentração para fora do polígono original de Diniz e Crocco
em anos recentes. Há casos de desenvolvimento em regiões no
entorno das capitais e outros em que se trata de políticas explícitas
de atração de investimentos industriais para o interior.
TECNOPÓLOS BRASILEIROS
Os “tecnopolos” são parques empresariais e científicos
especializados no desenvolvimento da alta tecnologia e da
chamada Tecnologia de Ponta (química fina, robótica, informática,
eletrônica, raio laser etc). As regiões de Campinas (favorecida pela
presença da Unicamp), de São José dos Campos (onde está
localizado o Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA) e São
Carlos (que abriga a UFSCar e um campus da USP) são alguns
dos centros industriais que ostentam a tecnologia mais avançada
do país.
MAIORIA DAS INDÚSTRIAS INOVADORES ESTÁ EM SÃO
PAULO
A ideia de que a economia paulista perde importância para as
de outros estados está sendo matizada pelos resultados da
pesquisa Performance Econômica das Regiões Brasileiras
(Perb), capitaneada pelo professor Aurílio Caiado, da
Universidade de Sorocaba. Os resultados mostram que a saída
de indústrias restringiu-se ao município de São Paulo e seu
entorno. Se em 1985 a capital abrigava 15% de toda a indústria
de transformação do país, o índice em 2005 caiu para 6,1%. A
pesquisa mostra que a perda de indústrias na capital paulista
nem de longe é sinônimo de decadência, pois a cidade
consolida-se como o grande polo brasileiro de empresas que
investem em inovação, aquelas cujos produtos têm mais valor
agregado.
Revista pesquisa Fapesp, n.157, mar.2009.
Aula 20 – A Concentração Industrial e a Descentralização Atual
9 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
As migrações internas no Brasil na década de 1990 mantiveram algumas tendências observadas
durante a década de 1980, ou seja:
I. queda do movimento interno migratório em direção à região Sudeste e, particularmente, às
metrópoles;
II. diminuição do crescimento populacional do município de São Paulo, que nas décadas anteriores
destacou-se como o principal pólo de atração da população;
III. permanência do vetor migratório em direção à Amazônia.
(Adas Melhem. "Panorama Geográfico do Brasil". São Paulo: Moderna, 1998. p. 535.)
Dentre os fatores que explicam essas tendências pode-se citar[online]. 2004
Sobre a questão dos imigrantes na Europa, julgue a veracidade
das proposições abaixo.
I. A França começou a ser lentamente islamizada, em
consequência de ondas sucessivas de novas migrações,
nomeadamente das suas antigas colônias africanas, na sua
maioria islamizadas. O número de muçulmanos não parou de
aumentar (cerca de 10% da população francesa). Os grandes
valores republicanos, com que a França integrava facilmente os
imigrantes europeus, começaram a não surtirem efeito. A França
Aula 30 – Formação Étnica – Os índios Ontem e Hoje
99 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
começou então a depurar as suas referências culturais para se
ajustar a esta nova realidade.
II. A Inglaterra e a Holanda adotaram um modelo próprio de
integração: o multiculturalismo, isto é, cada imigrantes pode ter os
valores que quiser, viver como entender, praticar a sua religião,
mas não pode é interferir na ordem instituída. Tudo isto em nome
da tolerância e dos direitos do indivíduo. A verdade é que essas
sociedades acabaram por entrar numa lógica segregacionista:
naturais para um lado, estrangeiros para outro.
III. A Alemanha e a Suíça levaram até às últimas consequências o
modelo segregacionista, impondo uma clara separação entre
"naturais" e "imigrantes. Estes últimos são mantidos, desde a sua
chegada, a distância, sendo-lhes dito que não passam de mão-de-
obra descartável, sempre que a situação o exija. Apesar do
elevado número de imigrantes turcos existentes na Alemanha, a
verdade é que apenas um pequeno número conseguiu naturalizar-
se alemão.
Pode-se afirmar que é(são) verdadeira(s):
a) todas d) apenas I e III
b) apenas II e III e) nenhuma
c) apenas I e II
Questão 05 (UNESP)
Soweto viu a Copa do Mundo. Em um Mundial questionado por seu
impacto social apenas limitado e por excluir grande parte da
população africana dos benefícios, os 4 milhões de moradores da
cidade nas proximidades de Johannesburgo só souberam um dia
antes que a seleção brasileira faria seu único treino aberto em
Soweto.
(O Estado de S.Paulo, 04.06.2010. Adaptado.)
Considere as afirmações seguintes.
I. Soweto está localizado na região metropolitana de
Johanesburgo e foi a maior township da África do Sul.
II. As townships nasceram durante o período do apartheid, devido à
separação espacial entre negros e brancos.
III. Dentre os Prêmios Nobel da Paz, estão Nelson Mandela e o
Arcebispo Desmond Tutu, que viveram em Soweto.
IV. Berço da luta contra o apartheid, durante o regime racista,
Soweto conseguiu resolver seus problemas sociais, integrando-se
totalmente ao restante da capital.
Estão corretas apenas as afirmações
a) I, III e IV.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) I e II.
e) II, III e IV.
Questão 06 (UFF)
A seleção alemã de futebol da Copa do Mundo de 2010 apresentou
cinco atletas nascidos fora da Alemanha e seis filhos de imigrantes,
num total de 23 jogadores. “É a verdadeira nação arco-íris”,
estampou um jornal de Johannesburgo, brincando com a
expressão utilizada pelo bispo Desmond Tutu para designar a
África do Sul pós-apartheid. Para o sociólogo alemão Martin Curi, a
inserção de estrangeiros, principalmente de turcos, na equipe
alemã ocorre até com certo atraso. Mesut Ozil e Sedar Tasci são
os primeiros turcos a jogarem uma Copa do Mundo pelo país, 40
anos após ser registrado o maior fluxo migratório da Turquia para a
Alemanha.
Folha de São Paulo,
03/07/2010, p. D-28. Adaptação.
Com relação à inserção de jogadores estrangeiros destacada no
texto, conclui-se, adequadamente, que ela
a) representa a flexibilização do mercado de trabalho na União
Europeia.
b) mostra a inexistência da xenofobia por parte da população
nativa original.
c) dificulta os fluxos migratórios para o país mais desenvolvido da
Europa.
d) expressa o caráter pluriétnico da sociedade alemã
contemporânea.
e) reflete a falta de programas sociais para a juventude alemã
desportiva.
Questão 07 (UFF)
EM 5 ANOS, NOVA ORLEANS RENASCE BRANCA
“A tragédia do furacão Katrina em Nova Orleans completa cinco
anos neste mês com um legado que vai muito além das casas
ainda destruídas da cidade: o equilíbrio de poder foi totalmente
realinhado, a clivagem racial, aprofundada. A maioria negra, que
sofreu retirada forçada durante a enchente ocorrida após o furacão,
viu sua dominância sobre a política das últimas décadas ir se
esvaindo até que praticamente todos os órgãos eletivos locais
“embranqueceram”. (...) Moradores e estudiosos afirmam que a
virada é resultado de um esforço deliberado. O primeiro plano de
reconstrução da cidade previa fazer parques nos bairros negros
devastados. Pra onde os antigos moradores voltariam? De
referência, para lugar nenhum.”
Folha de São Paulo, 08/08/2010, p. A24.
Para além dos efeitos imediatos do furacão Katrina, a reportagem
focaliza a dinâmica de “embranquecimento” de Nova Orleans,
diretamente associada a processos de
a) nomadismo urbano.
b) densificação urbana.
c) segregação espacial.
d) exploração demográfica.
e) migração sazonal.
Questão 08 (UEG)
Um dos grandes desafios do século XXI para tornar o mundo
melhor é o de aprender a conviver com os outros, aceitar e
respeitar os que são diferentes na cultura, na religião, nos
costumes, na sexualidade etc. A intolerância, os preconceitos, as
discriminações e o racismo, no entanto, vêm crescendo.
Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar:
a) o princípio de que todos os seres humanos são iguais,
independentemente de sexo, cor da pele, orientação sexual, local
de nascimento, valores culturais, existe de direito e de fato nas
sociedades democráticas.
b) o racismo consiste numa tendência a desvalorizar certos grupos
étnicos, sociais ou culturais, atribuindo-lhes características
inferiores e manifesta-se na segregação e rejeição de valores
culturais.
c) os neonazistas, os carecas, os arianos, entre outros, são grupos
organizados que visam combater os preconceitos, sobretudo
contra migrantes pobres.
d) a xenofobia e a homofobia atingem em maior grau os indígenas,
os negros e a mulher, considerados inferiores em determinadas
sociedades.
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 09 (UERJ)
Cada um, de cada lugar do mundo, tem de assinalar em seu
endereço eletrônico o país onde mora e de onde fala (.br, .ar, .mx,
etc.); aquele que fala a partir dos EUA não precisa apor .us ao seu
endereço e, assim, é como se falasse de lugar-nenhum, tornando
familiar que cada qual se veja, sempre, de um lugar determinado,
enquanto haveria aqueles que falam como se fossem do mundo e
não de nenhuma parte específica.
Adaptado de
Carlos Walter Porto-Gonçalves
In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO,
2005.
O texto acima contém uma reflexão acerca de um aspecto
importante das redes mundiais de produção e circulação de
conhecimento. Segundo o autor, essas redes são marcadas pelo
conceito de:
a) pluralismo
b) autoritarismo
c) nacionalismo
d) etnocentrismo
Questão 10 (UERJ)
Cada um, de cada lugar do mundo, tem de assinalar em seu
endereço eletrônico o país onde mora e de onde fala (.br, .ar, .mx
etc.); aquele que fala a partir dos EUA não precisa apor .us ao seu
endereço e, assim, é como se falasse de lugar nenhum, tornando
familiar que cada qual se veja, sempre, de um lugar determinado,
enquanto haveria aqueles que falam como se fossem do mundo e
não de nenhuma parte específica.
Adaptado de Carlos Walter Porto-Gonçalves In: LANDER, Edgardo (org.).
A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
O texto acima contém uma reflexão acerca de um aspecto
importantea
a) crescente concentração fundiária e o incentivo à exploração madeireira na região Norte.
b) desconcentração industrial e a busca de novas fronteiras agropecuárias.
c) crise econômica da década de 1980 e o agravamento da seca no sertão nordestino.
d) mecanização da agricultura e programas governamentais de assentamentos rurais.
e) decadência industrial no Estado de São Paulo e abertura de novas estradas na Amazônia.
Questão 02
No último quartel do século XX, particularmente na década de 90, uma nova forma de organização
empresarial tem agregado os centros de formação de pessoal de alto nível às unidades de produção e
de serviços, empregando os mais modernos recursos de microeletrônica. Em tais centros estão se
implantando atividades de alta tecnologia, como em Campinas e São José dos Campos, na região
Sudeste do Brasil.
Qual a denominação dada a esses centros?
a) centros megalopolitanos
b) centros-acrópoles
c) regiões metropolitanas
d) tecnopólos
e) edifícios empresariais urbanos
Questão 03
"As indústrias localizadas em Cubatão são extremamente poluidoras. Em qualquer lugar em que
estivesem instaladas, a poluição seria um sério problema. Entretanto, em Cubatão, é um desastre
ambiental, devido aos fatores geográficos."
(Adaptado de D.J. Hogan - "POPULAÇÃO, POBREZA E POLUIÇÃO EM CUBATÃO, São Paulo")
Tendo em vista o texto anterior, responda:
a) Que tipo de indústria foi instalado em Cubatão?
b) Quais são os fatores geográficos responsáveis pelo agravamento da poluição nessa cidade, e como
eles contribuem para esse agravamento?
Questão 04
Qual das alternativas a seguir apresenta o grupo de setores industriais com maior difusão espacial na
seção Oeste representada no mapa adiante?
a) Gráfico e de madeira.
b) Mecânico e de ouro.
c) Químico e de borracha.
d) Alimentar e de vestuário.
e) Têxtil e de transporte.
Anotações
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 05
A modernização do Brasil, resultante do crescimento da economia urbano-industrial, produz uma
divisão territorial do trabalho que:
a) torna a indústria dependente da agricultura.
b) determina maior autonomia regional à Amazônia e ao Nordeste.
c) diminui as desigualdades econômicas regionais.
d) reduz o êxodo rural.
e) subordina progressivamente o campo à cidade.
Questão 06
Identifique a alternativa que combina de forma adequada as regiões numeradas de 2 a 5 no mapa com
as categorias a seguir:
I - área tradicional com atividade agrária a industrial em decadência.
II- periferia mais integrada ao centro industrial e financeiro.
III- domínio da economia primária.
IV- zona pioneira agrícola e mineral.
a) I - 3, II - 2, III - 4, IV - 5. d) I - 2, II - 3, III - 5, IV - 4.
b) I - 4, II - 2, III - 5, IV - 3. e) I - 3, II - 2, III - 5, IV - 4.
c) I - 2, II - 3, III - 4, IV - 5.
Questão 07
Considere o mapa a seguir.
Os algarismos I e II representados no mapa do Estado de São Paulo correspondem, respectivamente,
aos eixos da industrialização que se expandiu para as regiões
a) do Vale do Paraíba e Sorocaba (vias Dutra e Castelo Branco), onde predominam indústrias bélicas,
têxteis e agroindústrias.
b) de Sorocaba e Campinas-Ribeirão Preto (vias Castelo Branco e Anhangüera-Bandeirantes), com
indústrias diversificadas e agroindústrias.
c) do ABCD-Baixada Santista e Campinas (vias Anchieta-Imigrantes e Bandeirantes), com centros
poliindustriais.
d) do Vale do Paraíba e ABCD-Baixada Santista (vias Dutra e Imigrantes), com predomínio das
montadoras de automóveis, autopeças, indústrias metalúrgicas e químicas.
e) do ABCD-Baixada Santista e Sorocaba (vias Anchieta-Imigrantes e Castelo Branco), com destaque
para as indústrias metalúrgicas, automobilísticas, siderúrgicas, de móveis e têxteis.
Questão 08
Sobre a zona franca de Manaus podemos afirmar corretamente que:
a) seu parque industrial é dominado principalmente por modernas indústrias têxteis e alimentícias.
b) seu projeto industrial tem como base a proteção tarifária e, em sua estrutura dominam os capitais
internacionais.
c) sua produção se destina basicamente a atender à demanda do mercado consumidor regional.
d) mesmo caracterizando-se como um pólo industrial, a zona franca não chegou a promover um
processo de expansão urbana.
e) domina a utilização de matérias-primas regionais atendendo às necessidades do mercado
consumidor.
Anotações
Aula 20 – A Concentração Industrial e a Descentralização Atual
11 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
Sobre a industrialização e urbanização no Brasil, julgue as
afirmativas adiante:
I. É pertinente afirmar que a urbanização brasileira não é
decorrente da industrialização, uma vez que isso não gera
emprego em número suficiente para o grande volume do êxodo
rural que ela provoca.
II. Pelo fato de a indústria brasileira ser do tipo tardia, ela se
caracteriza por importar tecnologia e máquinas dos países centrais
e por ser poupadora de mão-de-obra.
III. A tecnologia importada pelo Brasil tem agravado o problema do
desemprego, uma vez que o declínio das taxas de natalidade é
menos acentuado do que nos países onde ela foi elaborada.
Assinale:
a) se for correta apenas a afirmativa I.
b) se forem corretas apenas as afirmativas I e II.
c) se forem corretas apenas as afirmativas I e III.
d) se forem corretas apenas as afirmativas II e III.
e) se forem corretas as afirmativas I, II e III.
Questão 02
"O desenvolvimento da rede de transporte é um fator fundamental
para o crescimento industrial".
Analisando a organização do espaço brasileiro, tendo em vista seu
processo de industrialização, é correto afirmar, EXCETO:
a) Em 1930 não existia integração econômica entre as diversas
regiões.
b) A industrialização procedeu-se, gerando uma maior
concentração espacial.
c) O Sudeste foi favorecido pela construção de vias de transporte
e, conseqüentemente, pelo crescimento industrial.
d) A construção da rede rodoviária favoreceu a reprodução interna
do modelo de dominação e exploração.
e) A Amazônia permanece numa posição periférica, contando
apenas com a presença de indústrias nacionais tradicionais.
Questão 03
A indústria brasileira tem passado, nos últimos anos, por um
processo de modernização que permitiu ao país elevar
significativamente a produtividade média do trabalhador.
A esse respeito, só NÃO podemos afirmar que a elevação da
produtividade:
a) baseia-se na introdução crescente e sistemática de novas
técnicas de produção.
b) baseia-se na queda constante dos salários pagos, uma vez que
as máquinas substituem os trabalhadores qualificados.
c) baseia-se na diminuição do tempo médio de produção e nos
ganhos de qualidade nos produtos, processos e serviços.
d) reforça o desemprego tecnológico, pois muitos trabalhadores
perdem seus postos quando se incorporam novas tecnologias às
linhas de produção.
e) poderá reforçar as desigualdades de renda e oportunidades nos
centros urbanos, uma vez que serão necessários trabalhadores
cada vez mais qualificados e em menor número.
Questão 04
Ao contrário do que presenciamos, no momento nos anos 40 o
Estado brasileiro teve importante papel no processo de
industrialização. A sua principal intervenção foi na indústria...
a) automotiva. d) alimentícia.
b) de bens de consumo. e) de base
c) têxtil.
Questão 05
Após a Segunda Guerra Mundial a industrialização do Brasil
ganhou mais impulso. Vários fatores contribuíram para a sua
concentração em São Paulo e vizinhanças, tais como:
I - o desenvolvimento da lavoura cafeeira.
II - a presença da mão-de-obra do imigrante.
III - a existência de um bom mercado consumidor.
IV - a expansão da exploração mineral.
Assinale:
a) se somente III e IV estiverem corretas.
b) se somente II, III e IV estiverem corretas.c) se I, II, III e IV estiverem corretas.
d) se I, II, III e IV estiverem incorretas.
e) se somente I, II e III estiverem corretas.
Questão 06
Considerando a estrutura industrial brasileira no que se refere à
origem do capital, é correto afirmar que:
a) desde a origem da industrialização brasileira, a indústria de
capital privado nacional sempre foi, numericamente, superior às
demais
b) na atualidade, as indústrias de capital privado nacional são um
setor forte e predominante no sistema econômico
c) somente após 1964, as empresas estatais passaram a uma fase
de enfraquecimento
d) as multinacionais, com sede no exterior, começaram a penetrar
mais intensamente no Brasil após a 2ª Guerra Mundial
Questão 07
Considere a tabela e as afirmações apresentadas a seguir.
Fontes: Anfavea e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (São Paulo)
I. O aumento da produção de automóveis está associado à
crescente exportação para os países do Oriente Médio e Sudeste
da Ásia.
II. A redução do número de trabalhadores na indústria
automobilística deve-se à robotização de algumas atividades.
III. O fechamento de unidades produtivas em estados do Sudeste
influenciou a redução da mão-de-obra empregada na indústria
automobilística.
IV. A relação de automóveis/número de empregos indica que
houve aumento da produtividade por trabalhador.
A leitura da tabela e seus conhecimentos sobre o processo de
industrialização brasileiro permitem afirmar que estão corretas
SOMENTE
a) I e II d) II e IV
b) I e III e) III e IV
c) II e III
12 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 08
A tendência à desindustrialização dos grandes centros urbanos
tem traçado novos rumos para o desenvolvimento regional.
Indústrias tradicionais do Sul e Sudeste se transferem para o
Nordeste buscando compensações.
Assinale a opção que representa um fator de atração para as
indústrias do Sul e do Sudeste.
a) Mão-de-obra especializada.
b) Maiores benefícios fiscais por parte dos governos estaduais
nordestinos.
c) Proximidades dos maiores centros consumidores do país.
d) Existência de pólos industriais com infra-estrutura econômica e
tecnologia.
e) Concentração de empresas fornecedoras de matérias-primas,
equipamentos e peças.
Questão 09
A região de Campinas tem apresentado um intenso crescimento
industrial que se destaca no contexto nacional pelo:
a) desenvolvimento da indústria de ponta, estimulado pelos
tecnopólos criados a partir de uma integração entre comunidade
acadêmica e empresariado.
b) desenvolvimento da agroindústria açucareira decorrente da
grande produção local dos canaviais.
c) desenvolvimento de indústrias tradicionais que utilizam muita
mão-de-obra e predominantemente associadas ao beneficiamento
de matéria-prima local.
d) grande domínio de capitais nacionais, sendo uma das poucas
áreas do país onde as empresas transnacionais não atuam.
e) predomínio da indústria de calçados, responsável pela maior
parte da oferta de empregos na região.
Questão 10
Recentemente tem-se dado grande destaque à instalação de
várias indústrias no Nordeste brasileiro, muitas das quais de capital
estrangeiro: indústrias de bens de consumo (vestuário e calçados)
no Ceará, montadoras de veículos na Bahia, indústrias variadas
que criam algumas centenas de empregos diretos e possibilitam
muitos outros empregos indiretos.
Essa preferência do capital externo pelo Nordeste brasileiro deve-
se, entre outros motivos,
a) ao fim das políticas de incentivos fiscais instituídas na época da
SUDENE e à densa rede rodo-ferroviária da Região.
b) à redução das diferenças regionais, graças ao processo de
democratização do Estado e à existência de sindicatos de
trabalhadores fortes e atuantes.
c) à existência de mecanismo de atração, como isenção de
impostos, subsídios e incentivos fiscais, e à presença de mão-de-
obra abundante e pouco organizada do ponto de vista sindical.
d) ao atual momento econômico, que tem possibilitado a volta
maciça dos migrantes nordestinos, com novos hábitos de
consumo, e à presença de ambulantes matérias-primas.
e) ao novo papel do Estado, cada vez mais distanciado do
mercado, e à melhoria generalizada da qualidade da mão-de-obra
nordestina.
Questão 11
A produção de aço, no Brasil, aumentou rapidamente após a
Segunda Guerra Mundial e, em 1995, atingiu, aproximadamente,
25 milhões de toneladas. A estratégia de implementação do setor
siderúrgico baseou-se na construção de grandes usinas
espacialmente concentradas na Região Sudeste.
A alternativa que explica essa concentração do setor siderúrgico é:
a) A articulação entre a proximidade das matérias primas, os
centros de consumo e os terminais de exportação.
b) A integração entre as áreas produtoras de carvão, as fontes de
energia e os corredores de exportação.
c) A ligação entre a mão-de-obra qualificada, os centros de
pesquisa e a transferência de tecnologia.
d) A união entre a proximidade dos portos, a absorção de mão-de-
obra e o acesso aos terminais rodo-ferroviários.
e) A relação entre a distância das áreas fornecedoras de matérias
primas, os custos de transportes e o acesso aos mercados
consumidores.
Questão 12 (Uel)
As hachuras, no mapa, representam áreas de
a) baixa densidade demográfica.
b) degradação das florestas tropicais.
c) alto índice pluviométrico.
d) influência das regiões metropolitanas.
e) concentração industrial.
Questão 13
"Fábio de Souza, 19, teve mais sorte que seu pai. Na década de
80, Antônio de Souza se cansou da vida dura de pequeno
agricultor em Sobral, no Ceará, e migrou para São Paulo.
Analfabeto, Antônio não prosperou e teve de voltar para o Ceará.
Seu filho não vai precisar se esforçar tanto para buscar emprego
numa fábrica. A indústria está chegando ao sertão."
("Folha de S. Paulo" 19/09/99.)
As histórias de Antônio e Fábio de Souza mostram duas fases da
organização da atividade industrial no território brasileiro. São elas,
respectivamente, a:
a) centralização industrial na região sudeste e a dispersão da
atividade industrial para regiões de custos mais baixos.
b) descentralização do parque industrial sulista e o aumento da
industrialização nordestina.
c) concentração industrial em São Paulo e a transferência da
indústria de alta tecnologia para o nordeste.
d) concentração da indústria de base no sudeste e a dispersão da
indústria da construção civil.
e) dispersão da atividade industrial, durante o milagre brasileiro, e
a centralização de unidades produtivas no período Collor.
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
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A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA: DAS
SESMARIAS A LEI DE TERRAS (ATÉ 1930)
INTRODUÇÃO
O Brasil está entre os países mais desiguais do mundo. Os
reflexos desses problemas sociais contribuíram para que Edmar
Bacha (1975) denominasse o Brasil como Belíndia, ou seja, uma
apologia entre a pequena e rica Bélgica com a pobreza e
imensidão da Índia. Em geral, por todo o território brasileiro é
possível identificar grandes disparidades sociais, dentre elas na
distribuição de renda e de terras, nos índices educacionais, de
saúde, entre muitos outros. No entanto, muitas dessas
disparidades constatadas no país não são conjunturais, mas
decorrentes de um encadeamento de ações que vem ocorrendo
desde o surgimento do Brasil. No que se refere à questão fundiária,
foco desse trabalho, nota-se uma distribuição da posse da terra
altamente concentradora desde a formação da propriedade.
O HISTÓRICO FUNDIÁRIO
As raízes dos problemas fundiários no Brasil são reflexos da
construção histórica da formação da propriedade. Essa
herança provem da própria dinâmica de funcionamento da
colônia e das leis vigentes nesse período, as quais
introduziramas disparidades na distribuição de terras e,
posteriormente, na concepção mercadológica da terra (FURTADO,
1989). Assim, para analisar a concentração de terras, a
produção e até mesmo a produtividade agrícola nos dias
atuais, é preciso levar em consideração a perspectiva histórica
da questão agrária no Brasil. Segundo Asselin (1991), quando os
portugueses chegaram em terras brasileiras, o país perdeu sua
autonomia e iniciou-se o processo de grilagem. A partir de
1500 as terras brasileiras passaram ao domínio público do
Reino de Portugal de modo que, quando começa a
colonização portuguesa no Brasil com a constituição das
capitanias hereditárias e concessões de Sesmarias, inicia-se o
processo de formação da propriedade privada no Brasil. Aliado a
política adotada de transferência de propriedade do domínio
público para o privado, o período Sesmarial (1530 a 1850)
caracterizou-se pela concessão de grandes extensões de terras
aos pleiteadores de propriedades no novo território de
colonização português (SILVA, 1997).
A partir da concepção acima se pode afirmar que, sob domínio
português, todo o território brasileiro foi, por ora, originalmente
público por direitos de conquista. Depois, as terras passaram ao
domínio do império e da República. A transferência de terras
públicas à iniciativa privada se deu através de
concessões de Sesmarias, comercialização, trocas e
legitimação de posses no decorrer da história. Através dessa
perspectiva, segue a regra de que toda propriedade particular sem
título legal é pública ou devoluta.
O início da formação das propriedades no Brasil começa ocorrer de
fato a partir de 1530, quando é instituída a colonização de
exploração baseada na monocultura de cana-de-açúcar,
denominada plantation. Esse modo-de-produção era uma
combinação entre monocultivos, latifúndios (grandes extensões
de terras) e mercado exportador (MORISSAWA, 2001).
Como afirma Silva (1997), quando se concedia uma capitania a um
determinado donatário, ele possuía o direito sobre a posse da
terra, porém não era lhe concedido à emissão de propriedade,
que se mantinha sobre o domínio da Coroa portuguesa. Além
disso, os donatários poderiam conceder Sesmarias a
benfeitores, que passavam a desfrutar de direitos exploratórios
e produtivos nas terras recebidas. O intuito da metrópole era,
através dessas concessões, ocupar o território e explorá-lo
com fins econômicos, garantindo-se o cultivo sobre pena de
perda do domínio das terras por desobrigação das condições
legais impostas pela Coroa. Por essa razão, o processo de
concessões de terras era amplamente privilegiado.
O período sesmarial estendeu-se até o início do século XIX,
quando em julho de 1822, extingue-se o regime sesmarial
até que fosse regulamentada uma lei de legitimação de
terras no Brasil. Logo, a partir dessa data inicia-se um novo
período na história da formação de propriedade no Brasil que se
estende até 1850, quando surge a chamada Lei de Terras. Esses
quase trinta anos entre a derrubada do regime sesmarial e a
instituição de uma nova Lei ficaram conhecidos como “Império
de posses” ou “fase áurea do posseiro”, pois não havendo
nenhum tipo de normatização e regulamentação de terras, a
posse tornou-se a única forma de aquisição de terras. Nesse
período aumenta-se paulatinamente o número de posseiros, de
grandes propriedades e também marca a formação das
oligarquias rurais no Brasil. Por outro lado, essas posses não
poderiam, conforme o cumprimento da norma vigente, serem
legalizadas (SILVA, 1997).
Após esse vácuo legislativo e a fim de buscar novas soluções para
os problemas fundiários do Império brasileiro, promulga-se então,
em 18 de setembro de 1850, a Lei n° 601 Euzébio de Queiroz,
também conhecida como Lei de Terras. A Lei 601, antes de tudo,
previa a delimitação da propriedade no Brasil e a forma de
concessão de novas propriedades a partir dessa data. Por um
lado, a lei previa a legitimação das sesmarias concedidas que
não haviam caído em comisso, a legitimação de outras posses
(ocorridas essencialmente no período compreendido entre 1822 e
1850) e a demarcação das terras devolutas. Por outro lado, foi
uma forma de se estimular a entrada de imigrantes no Brasil,
já que previa o fim do trabalho escravo, sendo necessária a
transição para o trabalho livre. Logo, essa transição seria
financiada pela venda de terras devolutas da Coroa. Embora
as medidas não tivessem uma correlação intimamente
dependente, houve então, uma vinculação entre a questão da
regulamentação da propriedade privada e a imigração. O que se
pode concluir diante da Lei de Terras é que essa foi uma espécie
de divisor de águas em relação à territorialização do Brasil,
tanto na legitimação da propriedade privada e do latifúndio
como na demarcação de terras devolutas no país.
Desse modo, toda e qualquer propriedade no Brasil deve ter
como marco inicial a regulamentação da propriedade expedida
em 1850 ou comprada da Coroa portuguesa, caso contrário é
terra devoluta, ou seja, passível de dessa propriação. (SILVA,
1996).
No período subsequente entre a proclamação da República,
em 1889 até 1964(estatuto da terra), o problema da legitimação
de posses foi posto em plano secundário. Inclusive, em 1891, é
instituída uma lei que aprovava a emissão de propriedade por
parte dos estados e não mais como função da União. Isso
demonstra não só o desinteresse sobre o caso, como também a
omissão da Federação em relação à estrutura fundiária da
nação. Ainda que, do ponto de vista legal, esse período não
14 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
seja significativo para análise sobre a formação da propriedade,
vale ressaltar os anseios de setores das camadas populares em se
procurar formas de desconcentração de terras e a tentativa de
João Goulart, em 1964, de se realizar as reformas de base. Uma
delas seria a reforma agrária como saída à concentração de
terras e ao desemprego exacerbado, contudo, meses depois,
Jango seria deposto pelo Golpe Militar. Assim, inicia-se o
período de ditadura militar que se segue até 1984 (SILVA, 1997;
MORISSAWA, 2001).
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930)
15 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM
Questão 01
MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA
(Adaptado de SILVA, J. G. "A Nova dinâmica da agricultura brasileira". Rio de Janeiro: Campus, 1996.)
Nos momentos II e III, registra-se parte do processo de modernização da agricultura brasileira.
Exemplifique duas conseqüências desse processo nos referidos momentos.
Duas dentre as conseqüências:
- alterações na organização da produção
- intensificação das relações assalariadas de trabalho
- aumento da concentração empresarial da produção
- aumento da dependência do setor agrícola em relação ao setor industrial
Questão 02
-"Os próprios gaúchos e sulinos, pouco mais tarde, refariam o caminho em sentido inverso, entrando
pelo miolo do País, avançando para o ___(I) ___ e para o ___(II)___, e espalhando progresso e
riqueza até a beirada da floresta e, até mesmo, lá, do lado de cima, nos confins de Roraima. De certo
modo, pode-se dizer que essa ida-e-vinda, esse continental vaivém, resume a história do Brasil no
século, a história do nosso tempode vida".
Fonte: "O Estado de S. Paulo", 8/10/2000.
Indique a alternativa que preenche corretamente as lacunas no texto e o tema analisado.
Questão 03
No Brasil, a divisão territorial do trabalho, fruto do crescimento da economia industrial, foi responsável,
entre outras coisas, pelo(a)
a) dependência gradativa do campo em relação à cidade.
b) restrição das desigualdades regionais.
c) crescimento da exportação de bens de consumo.
d) elevação da taxa de crescimento vegetativo.
Questão 04
Considere os gráficos a seguir sobre a estrutura fundiária do Brasil.
LEGENDA:
1 - Menos de 10 ha
2 - De 10 a menos de 100 ha
Anotações
16 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
3 - De 100 a menos de 1.000 ha
4 - Mais de 1.000 ha
(Adas, Melhem, 1998.)
A partir da análise dos gráficos e de seus conhecimentos sobre o assunto, é possível afirmar que
ocorreu
a) um processo de fragmentação das propriedades com mais de 1.000 ha, entre 1970 e 1980,
diminuindo a concentração fundiária no Brasil.
b) uma diminuição do número de imóveis entre 100 e menos de 1.000 ha, mas com aumento da área
ocupada, caracterizando uma fragmentação dessas propriedades.
c) um processo de concentração fundiária entre 1970 e 1992, em especial com o aumento da área
ocupada pelos estabelecimentos com mais de 1.000 ha.
d) uma redução significativa das propriedades entre 10 ha e menos de 100 ha e um aumento daquelas
com menos de 10 ha, como resultado dos assentamentos rurais.
e) um processo de modernização da agricultura brasileira, caracterizado pelo aumento do tamanho
das propriedades com mais de 1.000 ha, responsáveis pela maior parte da produção agrícola para
consumo alimentar no País.
Questão 05
Assinale a alternativa que completa corretamente a legenda do mapa.
a) I - Paisagem natural pouco modificada;
II - Região de alta densidade demográfica;
III - Área de agropecuária mais desenvolvida.
b) I - Região de economia agroindustrial;
II - Região menos urbanizada;
III - Paisagem natural pouco modificada.
c) I - Região de baixa densidade demográfica;
II - Paisagem natural pouco modificada;
III - Área de agropecuária menos desenvolvida.
d) I - Área de agropecuária pouco modernizada;
II - Região de economia agroindustrial;
III - Região menos urbanizada.
e) I – Paisagem natural pouco modificada
II - Área de agropecuária pouco modernizada
III - Área de agropecuária mais modernizada;
Questão 06
Ações voltadas exclusivamente para o desenvolvimento agrícola lograram invejável modernização da
base tecnoprodutiva no Centro-Sul do país, mas sem um desenvolvimento rural correspondente.
Dimensões tecnológicas e econômicas do processo foram privilegiadas. A organização sindical dos
trabalhadores sem terra e a dos pequenos produtores - para citar apenas dois casos - foi relegada. O
resultado sinaliza um antagonismo entre o econômico, o social e o ambiental.
Fonte: Revista "Globo Rural", junho de 2001. Tendências: O poder local na globalização.
O texto trata das transformações no campo brasileiro, principalmente a partir da década de 1970. As
afirmações do texto exemplificam:
Anotações
Aula 21 – A Estrutura Fundiária Brasileira das Sesmarias a Leia de Terras (até 1930)
17 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
a) A formação de uma "indústria da seca" no sertão nordestino, baseada na incorporação de
tecnologias modernas pelos agricultores sertanejos, que viabilizam a produção agrícola em áreas de
clima semi-árido.
b) A expansão da mecanização da produção agrícola, paralela ao crescimento e pauperização da
categoria dos trabalhadores rurais temporários, como os bóias-frias na cultura da cana-de-açúcar.
c) A criação de reservas ecológicas nos Estados do Acre e Amazonas, destinadas à preservação de
árvores nativas, com a conseqüente proibição das atividades tradicionais de extração por populações
de seringueiros e castanheiros.
d) O aumento da mão-de-obra na atividade agrícola, como conseqüência da expansão de modernas
empresas rurais de caráter familiar, como no caso da produção integrada de porcos e aves no interior
paulista.
e) O baixo nível de tecnologia ainda presente nas culturas de exportação, como a soja, e o modelo de
expansão das áreas de pecuária intensiva para o interior do país, baseado em pequenas unidades de
criação familiar.
Questão 07
A área assinalada no mapa pode ser definida como:
a) pouquíssimo povoada, com reduzida ocupação produtiva do solo.
b) pouco povoada, com economia mais ou menos estagnada.
c) de agropecuária tradicional, mas com algumas grandes cidades.
d) de acentuada industrialização e urbanização.
e) de agropecuária moderna, com cidades de porte médio e agroindústrias.
Questão 08
Só produzir alimentos não é o bastante para acabar com a fome. O importante - sobretudo nos países
e nas regiões onde a população rural é grande e tem taxas de crescimento demográfico elevadas - é
que se consiga uma integração orgânica entre o combate à fome e a produção de alimentos por parte
dos pobres que vivem no campo.
(Abramovay, R. "Folha de S. Paulo" 18/06/95.)
O texto pode ser utilizado como argumento a favor:
a) do desenvolvimento industrial.
b) do controle da natalidade.
c) da reforma agrária.
d) da distribuição de cestas básicas.
e) da exportação de produtos agrícolas.
Anotações
18 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
"(...) Grandes, médios, pequenos e microprodutores capitalizados,
organizados em cooperativas das mais diversas categorias (...)
compõem as classes produtoras incorporadas à agricultura
moderna. Aí se enquadram como setores produtivos os
hortifrutigranjeiros, a floricultura, os cultivos raros intensivos em
capital e tecnologia de ponta que caracterizam os cinturões verdes
das grandes cidades. Aí se enquadram igualmente diversas
modalidades de agricultura biológica ou agricultura natural, em
relação às quais multiplicam-se investigações científicas e
experimentos de campo que estimulam sua expansão, como setor
altamente inovador da agricultura moderna. (...)"
Maria do Carmo Corrêa Galvão, "O Ensino de Geografia frente às transformações
globais", 1996.
O texto apresenta a face do campo brasileiro, das atividades
modernas e qualificadas, que convive com arcaicas estruturas
produtivas. Em relação à atual situação do campo brasileiro, é
correto afirmar que:
a) o modelo agrário-exportador de base colonial foi substituído por
um modelo de alta tecnologia voltado para o mercado interno.
b) a agricultura moderna reflete a mudança do padrão alimentar da
população, aumentando a produção de grãos, como o feijão e o
milho, e de raízes e tubérculos como a mandioca e a batata.
c) o espaço agrícola sofreu transformações com a aplicação de
novas técnicas e o aumento da produtividade que viabilizaram a
formação do complexo agroindustrial.
d) o complexo agroindustrial, o padrão mais moderno de
agricultura no país, vem perdendo importância com o surgimento
dos produtos alimentares transgênicos.
e) os espaços agrícolas modernos concentram-se nas fronteiras
agrícolas do Centro-Oeste, enquanto as formas tradicionais de
produção agropecuária localizam-se no Centro-Sul.
Questão 02
A foto revela alguns aspectos do Movimento dos Sem-Terra no
Brasil. Esse Movimento consiste numa organização
a) com base social camponesa, com dimensão nacional, que se
utiliza das ocupações, sobretudo de latifúndios, como arma de luta
para pressionar o poder público a realizar reformas na estrutura
agrária do país.
b) constituída de bóias-frias, cujo objetivo central são ocupações
de terras produtivas localizadas