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SAÚDE REV., Piracicaba, v. 7, n. 17, p. 1-72, set./dez. 2005 saude17_abertura.fm Page 1 Friday, November 25, 2005 11:30 AM INSTITUTO EDUCACIONAL PIRACICABANO – IEP Presidente do Conselho Diretor LUIZ ALCEU SAPAROLLI Diretor Geral ALMIR DE SOUZA MAIA Universidade Metodista de Piracicaba Reitor GUSTAVO JACQUES DIAS ALVIM (e vice-diretor geral do IEP) Vice-Reitor Acadêmico SÉRGIO MARCUS PINTO LOPES Vice-Reitor Administrativo ARSÊNIO FIRMINO DE NOVAES NETTO EDITORA UNIMEP Conselho de Política Editorial GUSTAVO JACQUES DIAS ALVIM (presidente) Policy Advisory Committee SÉRGIO MARCUS PINTO LOPES (vice-presidente) AMÓS NASCIMENTO ANTONIO ROQUE DECHEN CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI CRISTINA BROGLIA F. DE LACERDA LUIZ ANTONIO ROLIM NANCY ALFIERI NUNES NELSON CARVALHO MAESTRELLI SAÚDE EM REVISTA Helth in Review set./dez. 2005 vol. 7, n.17 “Atividade Física e Saúde” / “Physical Activity and Health” Coordenação Temática CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI (Mestrado de Educação Física - UNIMEP/SP) Comissão Científico-Editorial CRISTINA BROGLIA F. DE LACERDA – editora científica (Curso de Fonoaudiologia) Scientific-Editorial Board CARLOS ALBERTO DA SILVA (Curso de Fisioterapia) FÁTIMA CRISTIANE L. GOULART FARHAT (Curso de Farmácia) MARCELO DE CASTRO CESAR (Curso de Educação Física) MÁRCIA REGINA C. C. DA FONSECA (Curso de Enfermagem) RINALDO GUIRRO (Curso de Fisioterapia) VÂNIA APARECIDA LEANDRO MERHI (Curso de Nutrição) Comitê Científico ALBERT - JESUS FIGUERAS SUÑE (Fundació Institut Català de Farmacologia / Universitat Autònoma de Barcelona, Espanha) ARTURO SAN FELICIANO (Departamento de Química Farmacêutica / Advisory Board Faculdad de Farmacia / Universidade de Salamanca, Espanha) ELVIRA MARIA GUERRA SHINOHARA (Faculdade de Ciências Farmacêuticas / USP-SP) ESTER DA SILVA (Faculdade de Ciências da Saúde / UNIMEP-SP) FRAN HARSTROM (Department of Rehabilitation, Human Resources and Communication Disorders / University of Arkansas-Fayetteville, USA) ISABELA HOFFMEISTER MENEGOTTO (Curso de Fonoaudiologia / Universidade Luterana do Brasil-ULBRA / RS) LÉSLIE PICCOLOTTO FERREIRA (Faculdade de Fonoaudiologia / PUC-SP) LISIAS NOGUEIRA CASTILHO (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina / USP-SP) MARIA CRISTINA FABER BOOG (Departamento de Enfermagem – Faculdade de Ciências Médicas / Unicamp-SP) MAURO FISBERG (Departamento de Pediatria e Adolescência – Nutrologia / Unifesp-SP) PEDRO LUIZ ROSALEN (Faculdade de Odontologia de Piracicaba / Unicamp-SP) RENATA MOTA MAMEDE CARVALHO (Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional / Faculdade de Medicina da USP-SP) RUI CURI (Instituto de Ciências Biomédicas / USP-SP) Editor Executivo/Managing Editor HEITOR AMÍLCAR DA SILVEIRA NETO (MTb 13.787) Equipe Técnica/Technical Team IVONETE SAVINO (secretária) ALTAIR ALVES DA SILVA (assistente administrativo) ALEX GARCIA CALMONT DE ANDRADE (bolsista atividade da revista) REGINA FRACETO (ficha catalográfica) SUZANA VERISSIMO (edição de texto) NUNO COIMBRA MESQUITA (revisão de textos em inglês) Printfit Soluções CARLOS TERRA (coordenação) WESLEY LOPES HONÓRIO (capa) ALEX CAMARGO (editoração eletrônica) JURACI VITTI (revisão gráfica) SAÚDE EM REVISTA é uma publicação quadrimestral da Editora UNIMEP que traz artigos vinculados ao desenvolvimento científico e tecnológico nas áreas de ciências biológicas e da saúde. Os originais devem ser encaminhados à Comissão Editorial da revista, observadas suas normas para publicação de artigos. As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade dos seus autores. Os textos são selecionados por pro- cesso anônimo de avaliação por pares (blind peer review). Na última edição de cada ano, é publicada a relação do seu corpo de referee. Veja as normas para publicação no final da revista (estilo Vancouver: <www.icmje.org>) ou no site da Editora UNIMEP (<www.unimep.br/editora>). SAÚDE EM REVISTA is published three times a year by UNIMEP Press (São Paulo/Brazil). It contains papers on scientific and technological issues from biological and health sciences. Editorial norms for submission of articles can be requested to the Editor. Manuscripts are selected through a blind peer review process. In the last issue of the year, the list of referee body is published. See editorial norms for submission of arti- cles in the back of this journal (Vancouver stile: <www.icmje.org>) or in UNIMEP's site (<www.unimep.br/editora>). Aceita-se permuta / Exchange is desired. Saúde em Revista é indexada pelo / Saúde em Revista is indexed by Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Cientificas de América Latina, el Caribe, España y Portugal (LATINDEX), base de dados Peri (ESALQ/USP), Qualis A-Nacional (Ciência de Alimentos), B-Nacional (Educação e Saúde Coletiva) e C-Nacional (Enfermagem e Educação Física). Disponibilizada no sítio / available in site <www.unimep.br/editora> Assinaturas EDITORA UNIMEP <www.unimep.br/editora> Rodovia do Açúcar, km 156 – 13400-911 – Piracicaba/SP Tel./fax: 55 (19) 3124-1620 / 3124-1621 E-mail: editora@unimep.br / Comissão Editorial: <sauderev@unimep.br> Saúde em Revista Universidade Metodista de Piracicaba V. 1 • n. 1 • 1999 Quadrimestral / Three times yearly ISSN 1516-7356 1. Ciências da Saúde – periódicos CDU – 613/614 ´ saude17_abertura.fm Page 2 Friday, November 25, 2005 11:30 AM ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE Com a evolução da ciência e da tecnologia nas últimas décadas, vários estudos científicos publicados e divulgados em diferentes regiões do mundo apontam que o exercício físico pode atuar na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida de seus praticantes. O conhecimento da ciência do esporte, tanto no contexto das teorias da preparação física como dos fatores fisiológicos, psicológicos, biomecânicos e nutricionais, busca explicações de como podemos proteger a saúde do atleta, alcançando os melhores resultados técnicos possíveis, com mínimo esforço e máxima eficiência para realizar suas provas esportivas. Dessa forma, o objetivo da ciência é atingir uma performance ideal, com o menor gasto de tempo e de esforço possível, sem que o atleta se depare com graves danos ao seu organismo. Nesse contexto, o respaldo científico para a prática esportiva é de grande importância aos seres humanos, já que os resultados que apontam para prática mais saudável dos atletas em seus treinamentos e competições podem se estender aos praticantes de atividade física, que se orientam visando à melhoria da qualidade de vida. Além disso, o exercício físico tem sido utilizado na pre- venção ou como coadjuvante terapêutico em várias patologias, principalmente nas doenças crônico degenerativas como diabetes, hipertensão, dislipidemias, obesidade e câncer. A aplicação de um treinamento sistematizado e de longo prazo provoca alterações signifi- cativas tanto nas estruturas como nas funções orgânicas de seus praticantes. As respostas da perfor- mance humana estão intrinsecamente ligadas aos programas de preparação física, constituindo fator extremamente importante para se atingir o(s) objetivo(s) pretendido(s). Sabe-se que os resulta- dos conseguidos na prática esportiva são conseqüências dos fatores hereditários, ambientais, psico- lógicos, nutricionais e dos programas específicos de treinamento a que são submetidos os praticantes ou atletas. Dessa forma, um exercício físico, segundo um plano adequado no que diz respeito à freqüência, volume, intensidade e tipo de exercício físico, pode sem dúvida alguma trazer benefícios à promoção da saúde para os praticantes que buscam no esporte uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, este número da Saúde em Revista traz artigos que discutem tal temática, com vistas a respaldar os profissionais diretamente envolvidos com a prática esportiva e a atividade física para saúde. Três trabalhos abordam a prática regular de atividade física com o intuito de proporcio- nar benefícios para qualidade de vida e para a performance motora em indivíduos idosos. Em continuação, encontram-se nesta edição pesquisas que avaliam a performance respira- tória em pacientes. Uma delas analisou a performance ventilatória na obesidade, hoje considerada em todo mundo como um problema de saúde pública, inferindo altos índices de mortalidade e morbidade. Outro estudo analisou o efeito do alongamento sobre a mecânica respiratória e ativi- saude17_abertura.fm Page 3 Friday, November 25, 2005 11:30 AM dade elétrica dos músculos respiratórios em pacientes com DPOC, com intuito de utilizar essa téc- nica em um programa de reabilitação pulmonar. Dois trabalhos aqui publicados abordaram aspectos relacionados à fisiologia do exercício. Um desses trabalhos experimentais avaliou a participação dos eritrócitos na homeostase da glicemia em animais submetidos aos efeitos estressores induzidos pelo exercício físico. Outro deles avaliou a indução de glomerulosclerose, termo morfológico utilizado para designar as doenças renais identi- ficadas pelo aumento de matriz extracelular, que pode ser induzida em situações em que o hormô- nio do crescimento (GH) se faz presente em concentrações suprafisiológicas, como, por exemplo, em atletas e indivíduos que utilizam esse hormônio para estimular a síntese proteica, com intuito de melhorar a performance. A partir da década de 70, aliado ao desenvolvimento tecnológico, cresce o interesse e as publicações relacionando exercício físico e promoção da saúde. Um dos aspectos que vem se desen- volvendo consideravelmente, a partir da década de 90, são as pesquisas relacionadas com a resposta imunológica induzida pelo exercício físico. Atualmente vários estudos têm relatado que o exercício, dependendo de sua intensidade e de seu volume, e do adequado suporte nutricional, pode promo- ver efeito positivo ou negativo sobre a resistência imunológica de atletas ou praticantes. Um dos artigos desta edição aborda o efeito da suplementação do aminoácido glutamina sobre a resistência imunológica em atletas jovens do futebol, que podem ser susceptíveis a infecções das vias aéreas superiores (IVAS), em virtude da grande exigência física de tal modalidade esportiva. Assim, é com prazer que publicamos mais este número da Saúde em Revista, que contri- buirá com a ciência e com a compreensão de vários aspectos relacionados à prática de exercício físico, promoção da saúde e qualidade de vida. CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI Professora do Núcleo de Performance Humana Mestrado em Educação Física / Faculdade de Ciências da Saúde, da UNIMEP saude17_abertura.fm Page 4 Friday, November 25, 2005 11:30 AM CONTENTS ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES 7. Indução de Glomerulosclerose pelo Hormônio do Crescimento Glomerulosclerosis Induction by Growth Hormone ENRICO FUINI PUGGINA (UNIMEP/SP); CLÁUDIA JACQUES LAGRANHA (USP/SP); DONALD FRANCIS SELLITTI (University of the Health Sciences/EUA); SONIA QUATELI DOI (University of the Health Sciences/EUA) & TÂNIA CRISTINA PITHON-CURI (UNIMEP/SP) 13. Efeito do Alongamento sobre a Atividade dos Músculos Inspiratórios na DPOC Effects of Stretching on the Inspiratory Muscular Activity in COPD ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA (UFPE/PE); PATRÍCIA ÉRIKA DE MELO MARINHO (UFPE/PE); THAYSE NEVES SANTOS SILVA (UFPE/PE); EDUARDO ÉRIKO TENÓRIO DE FRANÇA (UFPE/PE); CÉSAR AMORIM (Univap/SP); VALDECIR CASTOR GALINDO FILHO (UFPE/PE) & ARMÈLE DORNELAS DE ANDRADE (UFPE/PE) 21. Suplementação de Glutamina e Resistência Imunológica em Atletas de Futebol Glutamine Supplementation and Immunological Resistance in Soccer Players JOSÉ FRANCISCO DANIEL (PUCCamp/SP) & CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI (UNIMEP/SP) 31. Participação dos Eritrócitos no Controle Glicêmico do Exercício Erythrocytes Participation in Glycemic Control of the Exercise CARLOS ALBERTO DA SILVA (UNIMEP/SP); RINALDO ROBERTO DE JESUS GUIRRO (UNIMEP/SP); KARINA MARIA CANCELLIERO (UNIMEP/SP) & FABIANA FORTI (UNIMEP/SP) 41. Aptidão Física de Mulheres Idosas: estudo a partir de aulas recreativas de karatê-do Physical Aptitude of Senior Women: a study developed from karate-do recreational classes CASSIANE RODRIGUES; JOÃO PAULO BORIN (UNIMEP/SP); CARLOS ROBERTO PEREIRA PADOVANI (Unesp/SP) & CARLOS ROBERTO PADOVANI (Unesp/SP) saude17_abertura.fm Page 5 Friday, November 25, 2005 11:30 AM 47. Qualidade de Vida e Performance em Idosos: estudo comparativo Quality of Life and Performance of Elderly Persons: a comparative study MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO (UNIMEP/SP); MARCELO DE CASTRO CESAR (UNIMEP/SP); ADALBERTO VICENTE DE OLIVEIRA JR. (UNIMEP/SP) & IRIA APARECIDA STORER (UNIMEP/SP) REVISÕES DE LITERATURA / BIBLIOGRAPHY REVIEWS 53. Alterações do Sistema Neuromuscular com o Envelhecimento e a Atividade Física Neuromuscular System Changes in Aging and Physical Activity RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI (UNIMEP/SP) & TANIA CRISTINA PITHON-CURI (UNIMEP/SP) 57. Performance Ventilatória na Obesidade Ventilatory Performance in Obesity ALESSANDRA MONACO RIGATTO (FAG/PR); SILVIA C. CREPALDI ALVES (UNIMEP/ SP); CAMILA BRETAS GONÇALVES; JACQUELINE FERNANDES FIRMO & LUCIANA MARA PROVIN (FAG/PR) RESENHA / REVIEW 63. Efeito Metabólico da Glutamina e da Estimulação Elétrica no Músculo Imobilizado Metabolic Effect of Glutamine and Electrical Stimulation in Immobilized Muscle AVALIAÇÃO DO PERFIL METABÓLICO DO MÚSCULO ESQUELÉTICO IMOBILIZADO SUBMETIDO À SUPLEMENTAÇÃO COM GLUTAMINA ASSOCIADA OU NÃO À ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA, DE WANDERLEY ALBINO JUNIOR KARINA MARIA CANCELLIERO (UFSCar/SP) 67. Normas para Publicação 72. Corpo de Consultores 2005 saude17_abertura.fm Page 6 Friday, November 25, 2005 11:30 AM ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE Com a evolução da ciência e da tecnologia nas últimas décadas, vários estudos científicos publicados e divulgados em diferentes regiões do mundo apontam que o exercício físico pode atuar na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida de seus praticantes. O conhecimento da ciência do esporte, tanto no contexto das teorias da preparação física como dos fatores fisiológicos, psicológicos, biomecânicos e nutricionais, busca explicações de como podemos proteger a saúde do atleta, alcançando os melhores resultados técnicos possíveis, com mínimo esforço e máxima eficiência para realizar suas provas esportivas. Dessa forma, o objetivo da ciência é atingir uma performance ideal, com o menor gasto de tempo e de esforço possível, sem que o atleta se depare com graves danos ao seu organismo. Nesse contexto, o respaldo científico para a prática esportiva é de grande importância aos seres humanos, já que os resultados que apontam para prática mais saudável dos atletas em seus treinamentos e competições podem se estender aos praticantes de atividade física, que se orientam visando à melhoria da qualidade de vida. Além disso, o exercício físico tem sido utilizado na pre- venção ou como coadjuvante terapêutico em várias patologias, principalmente nas doenças crônico degenerativas como diabetes, hipertensão, dislipidemias, obesidade e câncer. A aplicação de um treinamento sistematizado e de longo prazo provoca alterações signifi- cativas tanto nas estruturas como nas funções orgânicas de seus praticantes. As respostas da perfor- mance humana estão intrinsecamente ligadas aos programas de preparação física, constituindo fator extremamente importante para se atingir o(s) objetivo(s) pretendido(s). Sabe-se que os resulta- dos conseguidos na prática esportiva são conseqüências dos fatores hereditários, ambientais, psico- lógicos, nutricionais e dos programas específicos de treinamento a que são submetidos os praticantes ou atletas. Dessa forma, um exercício físico, segundo um plano adequado no que diz respeito à freqüência, volume, intensidade e tipo de exercício físico, pode sem dúvida alguma trazer benefícios à promoção da saúde para os praticantes que buscam no esporte uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, este número da Saúde em Revista traz artigos que discutem tal temática, com vistas a respaldar os profissionais diretamente envolvidos com a prática esportiva e a atividade física para saúde. Três trabalhos abordam a prática regular de atividade física com o intuito de proporcio- nar benefícios para qualidade de vida e para a performance motora em indivíduos idosos. Em continuação, encontram-se nesta edição pesquisas que avaliam a performance respira- tória em pacientes. Uma delas analisou a performance ventilatória na obesidade, hoje considerada em todo mundo como um problema de saúde pública, inferindo altos índices de mortalidade e morbidade. Outro estudo analisou o efeito do alongamento sobre a mecânica respiratória e ativi- saude17.book Page 3 Friday, November 11, 2005 9:05 AM dade elétrica dos músculos respiratórios em pacientes com DPOC, com intuito de utilizar essa téc- nica em um programa de reabilitação pulmonar. Dois trabalhos aqui publicados abordaram aspectos relacionados à fisiologia do exercício. Um desses trabalhos experimentais avaliou a participação dos eritrócitos na homeostase da glicemia em animais submetidos aos efeitos estressores induzidos pelo exercício físico. Outro deles avaliou a indução de glomerulosclerose, termo morfológico utilizado para designar as doenças renais identi- ficadas pelo aumento de matriz extracelular, que pode ser induzida em situações em que o hormô- nio do crescimento (GH) se faz presente em concentrações suprafisiológicas, como, por exemplo, em atletas e indivíduos que utilizam esse hormônio para estimular a síntese proteica, com intuito de melhorar a performance. A partir da década de 70, aliado ao desenvolvimento tecnológico, cresce o interesse e as publicações relacionando exercício físico e promoção da saúde. Um dos aspectos que vem se desen- volvendo consideravelmente, a partir da década de 90, são as pesquisas relacionadas com a resposta imunológica induzida pelo exercício físico. Atualmente vários estudos têm relatado que o exercício, dependendo de sua intensidade e de seu volume, e do adequado suporte nutricional, pode promo- ver efeito positivo ou negativo sobre a resistência imunológica de atletas ou praticantes. Um dos artigos desta edição aborda o efeito da suplementação do aminoácido glutamina sobre a resistência imunológica em atletas jovens do futebol, que podem ser susceptíveis a infecções das vias aéreas superiores (IVAS), em virtude da grande exigência física de tal modalidade esportiva. Assim, é com prazer que publicamos mais este número da Saúde em Revista, que contri- buirá com a ciência e com a compreensão de vários aspectos relacionados à prática de exercício físico, promoção da saúde e qualidade de vida. CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI Professora do Núcleo de Performance Humana Mestrado em Educação Física / Faculdade de Ciências da Saúde, da UNIMEP saude17.book Page 4 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CONTENTS ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES 7. Indução de Glomerulosclerose pelo Hormônio do Crescimento Glomerulosclerosis Induction by Growth Hormone ENRICO FUINI PUGGINA (UNIMEP/SP); CLÁUDIA JACQUES LAGRANHA (USP/SP); DONALD FRANCIS SELLITTI (University of the Health Sciences/EUA); SONIA QUATELI DOI (University of the Health Sciences/EUA) & TÂNIA CRISTINA PITHON-CURI (UNIMEP/SP) 13. Efeito do Alongamento sobre a Atividade dos Músculos Inspiratórios na DPOC Effects of Stretching on the Inspiratory Muscular Activity in COPD ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA (UFPE/PE); PATRÍCIA ÉRIKA DE MELO MARINHO (UFPE/PE); THAYSE NEVES SANTOS SILVA (UFPE/PE); EDUARDO ÉRIKO TENÓRIO DE FRANÇA (UFPE/PE); CÉSAR AMORIM (Univap/SP); VALDECIR CASTOR GALINDO FILHO (UFPE/PE) & ARMÈLE DORNELAS DE ANDRADE (UFPE/PE) 21. Suplementação de Glutamina e Resistência Imunológica em Atletas de Futebol Glutamine Supplementation and Immunological Resistance in Soccer Players JOSÉ FRANCISCO DANIEL (PUCCamp/SP) & CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI (UNIMEP/SP) 31. Participação dos Eritrócitos no Controle Glicêmico do Exercício Erythrocytes Participation in Glycemic Control of the Exercise CARLOS ALBERTO DA SILVA (UNIMEP/SP); RINALDO ROBERTO DE JESUS GUIRRO (UNIMEP/SP); KARINA MARIA CANCELLIERO (UNIMEP/SP) & FABIANA FORTI (UNIMEP/SP) 41. Aptidão Física de Mulheres Idosas: estudo a partir de aulas recreativas de karatê-do Physical Aptitude of Senior Women: a study developed from karate-do recreational classes CASSIANE RODRIGUES; JOÃO PAULO BORIN (UNIMEP/SP); CARLOS ROBERTO PEREIRA PADOVANI (Unesp/SP) & CARLOS ROBERTO PADOVANI (Unesp/SP) saude17.book Page 5 Friday, November 11, 2005 9:05 AM 47. Qualidade de Vida e Performance em Idosos: estudo comparativo Quality of Life and Performance of Elderly Persons: a comparative study MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO (UNIMEP/SP); MARCELO DE CASTRO CESAR (UNIMEP/SP); ADALBERTO VICENTE DE OLIVEIRA JR. (UNIMEP/SP) & IRIA APARECIDA STORER (UNIMEP/SP) REVISÕES DE LITERATURA / BIBLIOGRAPHY REVIEWS 53. Alterações do Sistema Neuromuscular com o Envelhecimento e a Atividade Física Neuromuscular System Changes in Aging and Physical Activity RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI (UNIMEP/SP) & TANIA CRISTINA PITHON-CURI (UNIMEP/SP) 57. Performance Ventilatória na Obesidade Ventilatory Performance in Obesity ALESSANDRA MONACO RIGATTO (FAG/PR); SILVIA C. CREPALDI ALVES (UNIMEP/ SP); CAMILA BRETAS GONÇALVES; JACQUELINE FERNANDES FIRMO & LUCIANA MARA PROVIN (FAG/PR) RESENHA / REVIEW 63. Efeito Metabólico da Glutamina e da Estimulação Elétrica no Músculo Imobilizado Metabolic Effect of Glutamine and Electrical Stimulation in Immobilized Muscle AVALIAÇÃO DO PERFIL METABÓLICO DO MÚSCULO ESQUELÉTICO IMOBILIZADO SUBMETIDO À SUPLEMENTAÇÃO COM GLUTAMINA ASSOCIADA OU NÃO À ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA, DE WANDERLEY ALBINO JUNIOR KARINA MARIA CANCELLIERO (UFSCar/SP) 67. Normas para Publicação 72. Corpo de Consultores 2005 saude17.book Page 6 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL. Saúde em Revista 7 INDUÇÃO DE GLOMERULOSCLEROSE PELO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO Indução de Glomerulosclerose pelo Hormônio do Crescimento Glomerulosclerosis Induction by Growth Hormone RESUMO Glomerulosclerose é o termo morfológico utilizado para designar as doenças renais identificadas pelo aumento de matriz extracelular. Tal si- tuação condiciona a obstrução da estrutura glomerular e, conseqüentemen- te, evolução do quadro clínico para insuficiência renal. O fator de transformação de crescimento beta-1 (TGF-β1) é uma citocina de 25 kilodal- tons que atua diretamente no desenvolvimento de glomerulosclerose. Mui- tas vias de sinalização celular vêm sendo descritas, na tentativa de compreender o aumento da transcrição de TGF-β1 em células mesangiais. Existe a possibilidade de moléculas que apresentam sítios de ligação seme- lhantes ao do TGF-β1, como a Tg (tireoglobulina) e a família de IGFBP’s (pro- teína de ligação do fator de crescimento semelhante à insulina), atuarem de modo análogo ao TGF-β1 em células mesangiais. Verificou-se também que a expressão de tais proteínas pode ser induzida em situações em que o hor- mônio do crescimento (GH) se faz presente em concentrações suprafisiológi- cas, como, por exemplo, atletas e indivíduos que utilizam esse hormônio para estimular a síntese protéica. Palavras-chave TGF-β1 – TG – IGFBP-3 – MATRIZ EXTRACELULAR – GLOME- RULOSCLEROSE. ABSTRACT Glomerulosclerosis is the term used to designate renal diseases identified morphologically by an increase in extracellular matrix. This alteration leads to a collapse of the glomerular tuft and consequent development of renal failure. Transforming growth factor beta-1 (TGF-β1) is a 25 kilodalton cytokine that plays a major role in the development of glomerulosclerosis. Many cell signaling pathways have been investigated to explain the TGF-β1 increase in mesangial cells. There is the possibility that molecules presenting linking places similar to those present in TGF-β1, such as Tg and the insulin like growth factor binding proteins (IGFBP´s) family, could have similar effects to TGF-β1 in mesangial cells. There is a possibility that the TGF-β1 expression could be stimulated by the high concentrations of GH, as in athletes and individuals that use this type of hormone to increase protein synthesis, for example. Keywords TGF-β1 – TG – IGFBP-3 – EXTRACELULLAR MATRIX – GLOMERULOSCLEROSIS. ORIGINAL / ORIGINAL ENRICO FUINI PUGGINA* Mestrado em Educação Física – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) CLÁUDIA JACQUES LAGRANHA Laboratório de Fisiologia Celular – Departamento de Fisiologia e Biofísica (USP/SP) DONALD FRANCIS SELLITTI Division of Endocrinology and Nephrolgy – Department of Medicine (Uniformed Services University of the Health Sciences/EUA) SONIA QUATELI DOI Division of Endocrinology and Nephrolgy – Department of Medicine (Uniformed Services University of the Health Sciences/EUA) TÂNIA CRISTINA PITHON-CURI Mestrado em Educação Física – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) *Correspondências: Rua Campos Sales, 299, Centro, 13970-170, Itapira/SP efpuggina@yahoo.com saude17.book Page 7 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL. 8 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 7-12, 2005 INTRODUÇÃO hormônio do crescimento (GH) é uma pro- teína de 191 aminoácidos em cadeia única, que possui peso molecular de 22,005 dal- tons. Esse hormônio é secretado pela glândula hi- pófise anterior ou adenohipófise e suas ações estão relacionadas à síntese de proteínas, diferen- ciação e proliferação celular e, conseqüentemen- te, crescimento tecidual. A concentração de GH sérico regula-se por vários fatores – macronutri- entes, neurotransmissores e hormônios –, oscilan- do muito de acordo com o período do dia, o sexo e a idade do indivíduo.1 A secreção do GH, mediante o seu fator de li- beração, é regulada pelo hipotálamo. Este fator é carreado para a hipófise anterior pelo sistema porta hipotálamo hipofisário e, quando presente, estimula a secreção do GH.2 A secreção diária do GH pode variar de acordo com a situação ou mes- mo a condição em que o organismo se encontra – sabe-se que este atinge seus valores de pico du- rante o sono e que fatores extrínsecos, como a atividade física, podem fazer com que seus valo- res circulantes se alterem positivamente.1, 2 A concentração sérica do hormônio do crescimento tende a decrescer 14% a cada década de vida, a partir dos 30 anos de idade.2 O hormônio do crescimento não atua apenas por si só nos tecidos do organismo para exercer seus efeitos no crescimento; este estimula fatores de crescimento conhecidos como somatomedi- nas, sendo o mais importante deles o de cresci- mento de ação semelhante à insulina 1 (insulin like growth factor -1 – IGF-1). Tais fatores são produzidos no fígado e nos tecidos e atuam local- mente no sentido de promover o crescimento.3, 4 Além de seus efeitos no crescimento e no de- senvolvimento, o GH pode também alterar deter- minadas variáveis metabólicas, entre elas, o fluxo de glicose e ácidos graxos para diferentes tecidos como fontes energéticas. Sabe-se que o GH reduz a intensidade de utilização de carboidratos e au- menta o aporte de ácidos graxos para a maior parte das células do organismo, melhorando, as- sim, o perfil lipídico do indivíduo.3, 5 Atualmente, buscam-se compreender os efeitos agudos e crônicos do GH em doses suprafisiológi- cas, no sentido de entender se os efeitos desse hor- mônio, quando suplementado incorretamente ou mesmo utilizado sem necessidade, podem revelar- se deletérios nos diversos sistemas do organismo.3 Experimentalmente, a administração de GH asso- cia-se ao aumento da síntese protéica.6, 7 Com base nesse dado, muitos atletas acreditam que o uso de GH pode melhorar sua performance por meio da potencialização dos efeitos do treinamento.1 Apesar de a literatura pouco relatar casos de emprego de substâncias capazes de induzir a sín- tese protéica e, conseqüentemente, de potenci- alizar a capacidade de realização de gestos técnicos específicos por atletas, o uso do GH, de hormônios esteróides e de estimulantes, entre ou- tras classes de substâncias, especialmente por atle- tas de alto rendimento nas últimas décadas, é de conhecimento público.8 A utilização de GH vem se tornando uma estratégia de doping bastante comum no meio desportivo,1 sobretudo no que diz respeito a atletas em que a força rápida, a for- ça máxima e a taxa de desenvolvimento de força constituem requisitos biomotores ao êxito.7 De acordo com Jenkins et al.,1 o uso em gran- S o n o A t i v i d a d e F í s i c a H i p o t á l a m o H i p ó f i s e G H R H F í g a d o S í n t e s e P r o t e i c a A u m e n t o d o A p o r t e d e Á c i d o s G r a x o s p a r a o s t e c i d o s A u m e n t o d a s r e s e r v a s d e g l i c o g ê n i o S o n o A t i v i d a d e F í s i c a H i p o t á l a m o H i p ó f i s e G H R H G H F í g a d o I G F - 1 S í n t e s e P r o t é i c a A u m e n t o d o A p o r t e d e Á c i d o s G r a x o s p a r a o s t e c i d o s A u m e n t o d a s r e s e r v a s d e g l i c o g ê n i o Figura 1. Esquema simplificado da liberação e ação do GH no organismo. O saude17.book Page 8 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL. Saúde em Revista 9 INDUÇÃO DE GLOMERULOSCLEROSE PELO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO de escala do GH não se restringe a atletas de mo- dalidades desportivas que requerem grandes manifestações de força. Atletas de endurance, como nadadores, ciclistas e maratonistas, tam- bém o utilizam, acreditando serem beneficiados pela síntese generalizada de proteínas promovida por esse hormônio.9 Tal uso provavelmente origi- nou-se da crença de atletas de que o hormônio possui não apenas propriedades relacionadas a performance, mas também por conta da grande dificuldade de detecção dele pelos métodos anti- doping hoje em dia empregados no esporte.10 Embora a administração de GH venha sendo associada ao aumento da retenção de produtos ni- trogenados, à melhora da performance e, conse- qüentemente, à melhor realização de gestos técnicos específicos,11, 12 existem poucos dados na literatura sobre a sua administração nos diversos sistemas do organismo de atletas e indivíduos adultos saudá- veis.9 Além disso, poucos dados privilegiam os efeitos agudos do GH nas respostas metabólicas e de perfor- mance no exercício subseqüente.10 Recentemente, foram averiguados os efeitos agudos do GH no aumento do lactato sérico e no decréscimo na performance em ciclistas.9 Esse mesmo estudo verificou a performance após qua- tro horas da administração aguda de GH. Os re- sultados apontam uma interferência em função da alimentação duas horas antes do exercício, o que ocorreu provavelmente por conta da secre- ção de insulina. Irving et al. examinaram o efeito agudo do GH em mensurações metabólicas, durante 30 mi- nutos de atividade física constante, com cinco dife- rentes infusões desse hormônio. A administração do hormônio no período pré-exercício não afe- tou o trabalho total, o gasto calórico e a concen- tração de lactato. Porém, apresentou redução no VO2 em intensidade fixa, sugerindo que o GH pode ser um fator de economia de movimento (maior performance em intensidade fixa).10 O objetivo deste trabalho foi caracterizar os efeitos crônicos do GH, quando administrado em concentrações acima da normalmente presente em nosso organismo (abaixo de 10 μg/mL).4 Para tanto, realizou-se um levantamento de literatura, buscando compreender os efeitos de GH e de fa- tores distais a ele sobre a estrutura renal. Verifi- cou-se que determinados fatores distais ao GH – TGF-β1, tireoglobulina e IGFBP-3 (insulin like gro- wth binding protein-3) – seriam capazes de atuar no mecanismo de indução da GS pela transcrição de TGF-β1, por meio da seqüência de eventos de- sencadeada pela presença desse hormônio em do- ses suprafisiológicas. HORMÔNIO DO CRESCIMENTO, TGF-β1 E GLOMERULOSCLEROSE “Glomerulosclerose (GS) é o termo utilizado para designar aquelas doenças renais identificadas pela presença crescente de matriz extracelular”.13 Tal processo ocorre, na maior parte dos casos, no mesangium (porção interna da estrutura glome- rular) e, quando presente, indica obstrução pro- gressiva da estrutura glomerular e conseqüente evolução do quadro clínico para insuficiência re- nal, exigindo tratamento via diálise e, posterior- mente, transplante renal.14 O fator de transformação de crescimento-beta 1 (TGF-β1) é uma citocina de 25 kilodaltons que atua diretamente no desenvolvimento de GS e de outras formas de manifestação de patologias da es- trutura glomerular, incluindo nefropatia diabética e glomerulonefrite.15, 16 Tal molécula foi inicialmen- te estudada como fator de diferenciação tecidual, mostrando, assim, sua capacidade de estimular a proliferação celular.17 Atualmente, a relevância pa- togênica do TGF-β1 para o desenvolvimento de glomerulosclerose está muito bem estabelecida.13, 18, 19 Pelo TGF-β1 ser o mediador central do repa- ro,15 hipotetizou-se que esse fator de crescimento pode ter sua regulação aumentada pela expressão de proteínas produzidas por podócitos, contribuin- do, por conseguinte, para esclerose. Em ratos com redução de massa renal, o acú- mulo de proteínas de podócitos resulta de transca- pilaridade e conseqüentes lesão, aumento da expressão de TGF-β1 em podócitos e ativação de TGF-β1 em células mesangiais.20 O mecanismo de ação do TGF-β1 no desenvolvimento de doenças glomerulares ocorre pela ativação de vias SMAD de- pendente e independente de cascatas de sinaliza- ção intracelular. O termo SMAD deriva da redução dos nomes de ligantes semelhantes ao TGF-β1, pri- meiramente identificados em Drosophila (Mad) e Quadro 1. Levantamento de artigos relacionados. Os dados refle- tem os artigos publicados entre os anos de 2000 e 2005 disponíveis no site Entrez PubMed. TEMA PESQUISADO NÚMERO DE ARTIGOS GH e exercício 269 Envelhecimento e suplementação de GH 11 Esporte de rendimento e suplementação de GH 0 saude17.book Page 9 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL. 10 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 7-12, 2005 Caenorhabditis elegans (Sma), resultando, em últi- ma instância, no aumento de fibrogênese.21 A ativação desses caminhos de sinalização por proteínas não relacionadas, que conseguem atra- vessar a membrana capilar glomerular como re- sultado de lesão da membrana basal glomerular, ou mesmo geradas endogenamente, pode ser considerada um fator que resulta em lesão glome- rular. Assim, a identificação de proteínas que po- deriam mimetizar as ações do TGF-β1 seria um instrumento de determinação de mecanismos es- pecíficos para o aumento da passagem delas ao meio intraglomerular e início da lesão.20 Muitas linhas de estudos procuram evidenciar como a produção local de TGF-β1 contribui para a doença renal, particularmente para o acúmulo de matriz extracelular que caracteriza GS e fibrose in- tersticial. Os dados obtidos sugerem, de maneira geral, que a elevação crônica dos níveis circulantes de TGF-β1 induz progressiva glomerulosclerose.22 A tireoglobulina (Tg) é uma glicoproteína de 660 daltons, produzida pelas células foliculares da tireóide e reconhecida como precursora dos hormônios dessa glândula. Sua concentração plasmática revela-se relativamente baixa em con- dições normais (40 ng/mL a 60 ng/mL), porém, em alguns casos de tireoidite ou de tumor de tire- óide, ela pode atingir concentrações mais eleva- das. Usualmente, a Tg não é considerada de relevância funcional na estrutura renal, mas acú- mulos dessa glicoproteína na membrana basal glomerular foram encontrados em casos de glo- merulonefrite de complexo imune.23 O IGFBP-3 (41 kilodaltons) é a proteína de liga- ção mais abundante no soro humano (2,10 mg/L a 5,25 mg/L). Ultimamente, vem sendo estudada como inibidor de crescimento e indutor de apop- tose, e capaz de agir tanto via insulin-like growth factor (IGF) dependente quanto IGF independente, acreditando-se que essa insulina pode estar agindo tanto associada aos IGFs quanto em sua forma livre no plasma. Quando ligada ao IGF, essa proteína atua como inibidor do fator de crescimento e, li- vre no plasma, pode ter seu próprio mecanismo de ação em alguns modelos celulares.24 O GH contribui para a GS e isso provavelmen- te ocorre por meio do insulin-like growth factor- 1 (IGF-1) e dos insulin like growth factor binding proteins (IGFBPs). No entanto, a maneira como o GH influi na concentração dos IGFBPs no rim ain- da não foi totalmente explicada.25 Já a presença de TGF-β1, Tg e IGFBP-3 foi observada na estrutu- ra renal por RT-PCR em amostras de tecido renal de camundongos transgênicos (animais que apre- sentavam a concentração sérica de GH aumentada em dez vezes) e não transgênicos para o hormô- nio do crescimento. Nesse estudo, as moléculas de TGF-β1 e Tg foram encontradas na estrutura renal, sendo que o IGFBP-3 não parece ser regula- do pelo GH. Os autores propõe a existência de uma via de regulação própria para cada uma das moléculas supracitadas em razão do hormônio do crescimento.18 Ainda de acordo com esse estudo, as molécu- las de TGF-β1, Tg e IGFBP-3 mostraram o efeito dose/resposta para a transcrição de TGF-β1, em que para quantidades crescentes dessas substân- cias as células utilizadas respondiam com intensi- Figura 2. Esquema da ativação da sinalização SMAD pelos receptores dos tipos I e II de TGF-β1. C ito p la s m a M e io E x t r a C e lu la r L ig a n te R -S m a d R -S m a d P P S m u r f 1 /2S m a d 6 /7 R -S m a d P R -S m a d P S m a d 4 S m a d 4 N ú c le o R e c e p to r I R e c e p to r I I I I I C i to p la s m a M e io E x t r a C e lu la r L ig a n te R -S m a d R -S m a d P R -S m a d P P S m u r f 1 /2S m a d 6 /7 R -S m a d P R -S m a d P R -S m a d P R -S m a d P S m a d 4 S m a d 4 N ú c le o R e c e p to r I R e c e p to r I I I I I saude17.book Page 10 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL. Saúde em Revista 11 INDUÇÃO DE GLOMERULOSCLEROSE PELO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO dades superiores de transcrição de TGF-β1.18, 26 Tais resultados contrariam os estudos prévios, nos quais não se observou a relação dose/resposta nos níveis de expressão de TGF-β1 em células mesan- giais de ratos.27 Trabalhos mais recentes demons- traram o efeito dose/resposta do TGF-β1 nas células que receberam esse tratamento.18, 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os mRNAs de TGF-β1, Tg e IGFBP-3 são ex- pressos em tecido renal de camundongos, suge- rindo uma possível ação autócrina em adição à fonte endócrina para essas proteínas regulatórias, sendo a transcrição de TGF-β1 e Tg significativa- mente elevada em camundongos transgênicos para GH.18, 26, 28 O aumento da transcrição de Tg encontrado em tecido renal de camundongos transgênicos indica que espécies endógenas de Tg podem contribuir para a lesão glomerular.18 TGF- β1, Tg e IGFBP-3 apresentam a propriedade de au- mentar a expressão de TGF-β1 em células mesan- giais de camundongos em cultura, apontando a possibilidade de essas proteínas atuarem no desen- volvimento da GS pela estimulação da transcrição desse fator, sendo todo o processo desencadeado pelo GH.22 Este nosso trabalho, por sua vez, propõe no- vos rumos no que diz respeito ao desenvolvimen- to de patologias glomerulares em razão do hormônio do crescimento por meio da ação indi- reta dele na estrutura renal. Torna-se imperativo que tanto os indivíduos que vêm utilizando essa substância, com fins estéticos ou de performance, quanto os profissionais da área médica que a prescrevem com objetivos terapêuticos infor- mem-se acerca de seus efeitos nos diversos siste- mas do organismo, em particular no renal. São necessários mais estudos para se com- preenderem os efeitos de diferentes dosagens e diversos períodos de utilização para melhor pro- gramação de esquemas de administração de GH a indivíduos que necessitam desse hormônio. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Jenkins PJ. Growth Hormone and Exercise: physiology, use and abuse. Growth Horm IGF Res 2001;11 Suppl A: S71-7. 2. Welle S, Thornton C, Statt M, McHenry B. Growth Hormone Increases Muscle Mass and Strength but does not Rejuvenate Myofibrilar Protein Synthesis in Healthy Subjects Over 60 Years Old. J Clin Endocrinol Metab 1996; 81: 3.239-43. 3. Gibney J, Johannsson G. Safety of Growth Hormone Replacement Therapy in Adults. 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Sumário dos resultados encontrados na literatura, na qual representa diferenças significativas e Ns signi- fica ausência de diferença estatística entre os dife- rentes grupos.28 Proliferação de Células Mesangiais TGF-β1 Tg IGFBP-3 ↑ ↑ Ns Transcrição de TGF-β1 em Células Mesangiais TGF-β1 Tg IGFBP-3 TGF-β1 ↑ ↑ ↑ saude17.book Page 11 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL. 12 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 7-12, 2005 12. Woodhouse L, Asa S, Thomas S, Ezzat S. Measures of Submaximal Aerobic Performance Evaluate and Predict Functional Response to Growth Hormone (GH) Treatment in GH Deficient Adults. J Clin Endocrinol Metab 1999; 84: 4.570-7. 13. Striker LJ, Doi T, Elliot S, Striker GE. The Contribution of Glomerular Mesangial Cells to Progressive Glomerulosclerosis. Seminars in Nephrology 1989; 9: 318-28. 14. Doi SQ. 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A Elevação da Transcrição de TGF-ß1 em Células Mesangiais Sugere uma Via de Sinaliza- ção na Produção de Matriz Extracelular e Indução de Glomerulosclerose. In: 3.º Congresso Latino-Americano de Educação Física da UNIMEP. Piraci- caba; 2004. Submetido: 3/nov./2004 Aprovado: 1.º/jul./2005 saude17.book Page 12 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. Saúde em Revista 13 EFEITO DO ALONGAMENTO SOBRE A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS INSPIRATÓRIOS NA DPOC Efeito do Alongamento sobre a Atividade dos Músculos Inspiratórios na DPOC Effects of Stretching on the Inspiratory Muscular Activity in COPD RESUMO O objetivo deste estudo foi analisar a mecânica respiratória e a ati- vidade elétrica dos músculos respiratórios após um programa de alonga- mento muscular em pacientes DPOC. Foram estudados oito indivíduos, com idade média de 65 ± 6,9 anos, com distúrbio ventilatório obstrutivo de moderado a grave. Analisaram-se a eletromiografia de superfície (EMGS), a perimetria do tórax, a pressão inspiratória e expiratória máxima (Pimáx e Pemáx) e o volume corrente (VC). O programa de alongamento muscular teve duração de 16 sessões. Para análise estatística foi utilizado o teste de Wilcoxon. Observou-se diminuição nos perímetros torácicos axilar e xifoideo, em relação à expiração. Houve aumento no VC (p = 0,034), na Pimáx e na Pemáx (p = 0,0085 e p = 0,04, respectivamente) e, quanto a EMGS, constatou-se diminuição significativa no RMS dos músculos trapézio (p = 0,006) e peitoral maior (p = 0,009). Após o alongamento muscular, verificou-se maior expansibilidade torácica e diminuição da atividade ele- tromiográfica dos músculos trapézio e peitoral maior, refletindo melhora da mecânica respiratória desses pacientes. O resultados sugerem que o alongamento muscular respiratório possibilitou aumentar a mobilidade to- rácica e a força muscular respiratória, assim como reduzir a tensão dos músculos acessórios, sendo, portanto, uma técnica que poderá ser realizada em programas de reabilitação pulmonar. Palavras-chave DPOC – ALONGAMENTO MUSCULAR – ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE (EMGS). ABSTRACT The purpose of this study was to analyze the mechanics of breathing and the electrical activity of respiratory muscles after a muscle stretching program in COPD patients. Eight patients with the mean age of (65 ± 6,9 yrs) with moderate to severe obstructive ventilatory disorder were studied. This study analyzed thoracic perimetry, maximal inspiratory pressure (MIP), maximal expiratory pressure (MEP), tidal volume (TV) and surface electromyography (SEMG) before and after a muscle stretching program with 16 sessions. For statistical analysis, we used the Wilcoxon test. We observed a reduction in axilar and xiphoid thoracic perimetry, mainly in expiration and increase in TV (p = 0,034), MIP (p = 0,0085) and MEP (p = 0,04). The surface EMG had significant reduction in RMS of upper trapezium and pectoral major muscles. After the muscle stretching program we verified an improvement of thoracic expansion and a reduction in trapezium and major pectoral tension, which reflects an improvement in the respiratory mechanics of those patients. According to our results, respiratory muscle stretching increased thoracic mobility and muscular respiratory pressure, as well as decreased tension from accessory muscles, thus, it should be considered a useful technique in pulmonary rehabilitation programs. Keywords COPD – MUSCLE STRETCHING – SURFACE ELETROMIOGRAPHY (SEMG). ORIGINAL /ORIGINAL ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA Especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória pela UFPE/PE PATRÍCIA ÉRIKA DE MELO MARINHO* Departamento de Fisioterapia – Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE) THAYSE NEVES SANTOS SILVA Departamento de Fisioterapia – Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE) EDUARDO ÉRIKO TENÓRIO DE FRANÇA Departamento de Fisioterapia – Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE) CÉSAR AMORIM Curso de Engenharia Biomédica – Departamento de Engenharia Biomédica (Univap/SP) VALDECIR CASTOR GALINDO FILHO Departamento de Fisioterapia – Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE) ARMÈLE DORNELAS DE ANDRADE Departamento de Fisioterapia – Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE) *Correspondências: R. Bel. José Mário de Oliveira, 5.946, Candeias, 54450-070, Jaboatão/PE pemm@ufpe.br saude17.book Page 13 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. 14 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005 INTRODUÇÃO Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) tem por característica a obstrução lenta e progressiva das vias aéreas,1, 2, 3, 4 promovendo a limitação ao fluxo expiratório5, 6 e o aumento da resistência das vias aéreas,7, 8 além de gerar sobrecarga muscular inspiratória e aumento da carga elástica, decorrente das mu- danças na arquitetura do tecido pulmonar, e do volume residual do pulmão (hiperinsuflação).9, 10 A hiperinsuflação11, 12, 13, 14 exerce efeito marcante sobre o padrão de recrutamento dos músculos respiratórios, podendo alterar profun- damente a mobilidade da parede torácica e a atu- ação dos demais músculos inspiratórios.15, 16 Embora os programas de reabilitação pulmonar de maneira geral não incluam o alongamento dos músculos acessórios, este pode vir a ser um meio de intervenção capaz de colocar em vantagem os músculos que atuam sobre a caixa torácica, me- lhorando, assim, o seu desempenho.17 Os efeitos advindos do alongamento muscular podem ser observados a partir da expansibilidade torácica, do padrão respiratório, da força e da ati- vidade muscular respiratória, entre outros.18 Quanto à avaliação da atividade dos músculos res- piratórios, a eletromiografia de superfície (EMGS) tem sido utilizada na investigação do funciona- mento do tecido muscular e reflete a soma algébrica espacial ou temporal dos potenciais de ação das unidades motoras ativas (despolarização do sarcolema) durante a contração muscular, pro- piciando a obtenção de resultados qualitativos e quantitativos sobre o funcionamento do tecido muscular.22 Nesse sentido, este estudo teve por objetivo analisar a mecânica respiratória e a atividade elé- trica dos músculos escaleno, esternocleidomastói- deo, trapézio superior e peitoral maior por meio de perimetria torácica, ventilometria, manovacuo- metria e EMGS, após um programa de alongamen- to muscular em pacientes portadores de DPOC. METODOLOGIA Amostra Foram estudados oito pacientes do sexo mas- culino apresentando distúrbio ventilatório obstru- tivo de moderado a grave [Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) 32,1 ± 5,7% prev., Capacidade Vital Forçada (CVF) 57,2 ± 9,6% prev. e relação VEF1/CVF 57,2 ± 11,2% prev.], com idade média de 65 ± 6,9 anos, clinica- mente estáveis durante o período do estudo. Este trabalho foi submetido ao Comitê de Éti- ca em Pesquisa e aprovado de acordo com a reso- lução 196/96 do CNS (protocolo n.º 198/99 – CEP/CCS). Solicitou-se o consentimento por escri- to dos pacientes, depois de devidamente esclare- cidos a respeito do estudo. Avaliação inicial Anamnese e exame físico: • Perimetria torácica: realizaram-se três medidas em inspiração, repouso e expiração a partir da linha axilar (ponto de referência: linha axilar), li- nha xifóidea (ponto de referência: apêndice xifói- de) e linha diafragmática (ponto de referência: linha média entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical); • Força muscular inspiratória (Pimáx) e expira- tória (Pemáx): deu-se a partir da capacidade resi- dual funcional (CRF) e a Pemáx a partir da capacidade pulmonar total (CPT) [manovacuôme- tro da Marshal Town Instrumentation Industries, modelo MV-150, USA], efetuando-se as manobras com os pacientes na posição sentada, utilizando o clip nasal. Foram feitas três manobras para a veri- ficação da Pimáx e a Pemáx a partir da capacida- de pulmonar total (CPT), respectivamente, com intervalo de um minuto entre elas. Cada mano- bra era sustentada por um segundo após estabili- zação do ponteiro. Para registro dos dados, adotou-se a melhor entre as três manobras; • Ventilometria (Wright Respirometer Mark 8, Ferraris Medical Limited, England): mensura- ram-se os volumes minuto e corrente, utilizando- se máscara facial. A mensuração da ventilometria realizou-se a partir da posição sentada, com o paciente respirando tranqüilamente. O volume corrente era calculado com base no volume mi- nuto e na freqüência respiratória; • Prova de função pulmonar (Beatrice-EBEM 2000 v.4.1y.): ocorreu segundo o protocolo de Pereira,23 em que se avaliavam: capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), fluxo expiratório for- çado entre 25% e 75% (FEF 25-75%), pico de flu- xo expiratório (PFE) e relação VEF1/CVF; • Análise da Atividade Muscular (EMG): a ele- tromiografia de superfície deu-se pelo sistema de aquisição de dados da EMG System do Brasil, A 19, 20, 21 saude17.book Page 14 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. Saúde em Revista 15 EFEITO DO ALONGAMENTO SOBRE A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS INSPIRATÓRIOS NA DPOC por meio da captação dos sinais mioelétricos a partir de um módulo de aquisição de sinais bio- lógicos de quatro canais. Esse sistema de aquisição é composto por: ele- trodos ativos com entrada diferencial (PA6020), de prata pura, com 1 cm2 de área e um amplificador interno (amplificação de sinal de 1000 X), a fim de diminuir o efeito das interferências eletromagnéticas e outros ruídos; módulo condicionador de sinais (MCS), que prepara o sinal de forma a ser aceito pela próxima etapa; placa de aquisição de dados localiza- da dentro do micro (CAD32), de 12 bits para con- versão dos sinais analógicos em digitais, com freqüência de amostragem 1000 Hz anti-aliasing e com faixa de entrada de ± 5mV e interface amigável ao usuário (software Aqdados). Esse programa Aq- dados permite o armazenamento dos dados em ar- quivos e o processamento estatístico e matemático para o tratamento dos sinais por meio da raiz qua- drada da média (RMS). Os músculos avaliados foram o trapézio superi- or, o esternocleidomastóideo, o escaleno e o peito- ral maior, orientando-se a localização dos eletrodos pelas eminências ósseas e pelo trajeto das fibras musculares e a afixação deles após tricotomização e limpeza da pele com álcool. No músculo trapé- zio superior, o eletrodo encontrava-se no ventre muscular a 6 cm da base do occipital; no esterno- cleidomastóideo, no ventre muscular a 5 cm do processo mastóide; no escaleno, no ventre muscu- lar a 5 cm da articulação esternoclavicular com mais 2 cm acima dessa marcação; e no músculo peitoral maior, na altura do quarto arco intercostal a 3 cm do esterno. Os pacientes permaneceram na posição sentada durante o registro e em repouso durante a captação dos sinais. Para a aquisição dos sinais eletromiográficos utilizaram-se quatro canais de captação, em que os quatro eletrodos eram colocados nos músculos do lado direito e a aquisição realizada durante um minuto na ordem de milissegundos (ms), repetin- do-se o mesmo procedimento no lado esquerdo. O programa de alongamento muscular cons- tou de 16 sessões, três vezes por semana. Os alongamentos foram realizados com os pacientes posicionados em decúbito dorsal, com joelhos fletidos, reposicionamento da cintura escapular (rebaixamento) e adução das escápulas e braços, com o objetivo de prevenir compensações postu- rais. Os indivíduos foram devidamente esclareci- dos a realizar expirações lentas e com os lábios semicerrados (freio labial), a fim de promover um padrão desinsuflativo. O alongamento ocor- reu durante toda a fase expiratória, levando o músculo ao comprimento máximo, sendo duas séries de dez incursões consecutivas para cada músculo, com intervalo de cinco segundos entre cada série. Os alongamentos foram desenvolvi- dos da seguinte forma: • trapézio superior: paciente posicionado, o tera- peuta apoiava-lhe uma mão na região occipital, realizando a flexão da cabeça para o lado oposto ao que seria alongado, e, com a outra mão, deslo- cava-lhe o ombro no sentido crânio-caudal; • esternocleidomastóideo: paciente posiciona- do, o terapeuta realizava a flexão com rotação lateral da cabeça para o lado oposto ao que seria alongado. Promovia-se o alongamento com uma das mãos na região occipital e a outra na re- gião superior do tórax, deslocando-a no sentido crânio-caudal; • escaleno: paciente posicionado, o terapeuta apoiava-lhe uma mão na região occipital e a ou- tra na região superior do tórax, promovendo o deslocamento dos dois pontos de apoio, sendo o primeiro no sentido superior e o segundo no sentido inferior; • peitoral maior: paciente posicionado, com o braço a ser alongado abduzido, o antebraço fle- tido e a mão na região occipital, o terapeuta apoiava-lhe uma mão no terço superior do bra- ço e a outra na região lateral do tórax superior, deslocando-a no sentido crânio-caudal, seguin- do a orientação das fibras musculares. Os dados foram estudados de forma não pa- ramétrica, pareada, com base no teste de Wilco- xon e analisados por meio do software SPSS versão 8.0 para avaliação da significância estatísti- ca (p ≤ 0,05). RESULTADOS Na tabela 1 observam-se os dados referentes às características da amostra estudada. Os resultados relativos à perimetria apresenta- ram uma redução significativa para o perímetro axilar na inspiração e na expiração (p = 0,029 e p = 0,009, respectivamente). Em relação ao perí- metro axilar em repouso (p = 0,172) e à diferen- ça entre os perímetros em inspiração e expiração antes e após o tratamento (p = 0,057), não hou- ve diferença significativa. saude17.book Page 15 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. 16 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005 No que diz respeito à perimetria xifóidea, ve- rificou-se diferença significativa (p = 0,024) na expiração, não ocorrendo na inspiração e no re- pouso (p = 0,342 e p = 0,232). Quanto à dife- rença entre os perímetros em inspiração e expiração antes e após o tratamento, houve dife- rença significativa (p = 0,017). No referente à perimetria diafragmática, não houve diferença significativa em inspiração (p = 0,102), expiração (p = 0,172) e repouso (p = 0,155), e sim em relação à diferença entre os pe- rímetros em inspiração e expiração antes e após o tratamento (p = 0,041). Observou-se também ganho significativo na força muscular inspiratória e na expiratória (Pimáx e Pemáx) (p = 0,0085 e p = 0,04, respectivamente) (fig.1). Houve diferença significativa no volume cor- rente (VC) (p = 0,034), entre o início e o término do tratamento (fig. 2). Em relação aos dados so- bre o pico de fluxo expiratório, o volume minuto e a freqüência respiratória, não houve diferença significativa (p = 0,361, p = 0,061 e p = 0,155, respectivamente), quando comparados antes e após o tratamento. Quanto à eletromiografia de superfície (EMG), verificou-se redução significativa no RMS dos músculos trapézio direito (p = 0,006), trapézio esquerdo (p = 0,006), peitoral direito (p = 0,009) e peitoral esquerdo (p = 0,006) após o tratamento (fig. 3 e 4). Observou-se ganho significativo no RMS do músculo escaleno direito (p = 0,035), ao passo que não houve alteração significativa no esquer- do (p = 0,69). O músculo esternocleidomastói- deo esquerdo apresentou ganho significativo (p = 0,035), o mesmo não ocorrendo no lado direi- to (p = 0,181) (fig. 5 e 6). Figura 1. Média da força muscular inspiratória e expiratória (cmH2O), antes e depois do programa de alongamento (n = 8, *p = 0,0085 e **p = 0,04). Figura 2. Média do volume corrente (ml), antes e depois do pro- grama de alongamento (n = 8, *p = 0,034). Figura 3. Atividade eletromiográfica em RMS (root mean square) dos músculos trapézio direito e esquerdo, antes e após pro- grama de alongamento (n = 8, *p = 0,006). 75 80 85 90 95 Antes Depois Fo rç a M us cu la r ( cm H 2O ) Força musc. Insp Força Musc. Exp. * ** 510 560 610 660 710 760 Antes Depois V ol um e c or re nt e (m l) * 0 5 10 15 20 25 30 Antes Depois R M S Trapézio direito Trapézio Esquerdo * * Tabela 1. Características do grupo estudado. * Idade em anos; ** valores percentuais em relação ao previsto para a população brasileira. PACIENTES IDADE* CVF** VEF1** VEF1/CVF 1 61 61 40,5 66,4 2 62 45 29 64,4 3 59 60 38 63,3 4 72 75 29 38,7 5 71 62 36 58,1 6 72 57 23 40,4 7 69 47 29 61,7 8 62 51 33 64,7 Média 66 57,25 32,19 57,21 DP 5,50 9,66 5,77 11,21 23 saude17.book Page 16 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. Saúde em Revista 17 EFEITO DO ALONGAMENTO SOBRE A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS INSPIRATÓRIOS NA DPOC Figura 4. Atividade eletromiográfica em RMS dos músculos peito- ral direito e esquerdo, antes e após programa de alongamento (n = 8, *p = 0,009 e **p = 0,006). Figura 5. Atividade eletromiográfica em RMS dos músculos esca- leno direito e esquerdo, antes e após programa de alongamento (n = 8, *p = 0,035). Figura 6. Atividade eletromiográfica em RMS dos músculos ester- nocleidomastóideo direito e esquerdo, antes e após programa de alongamento (n = 8, *p = 0,035). DISCUSSÃO Nos pacientes portadores de DPOC, existem várias anormalidades relacionadas ao movimento da parede torácica. Os músculos inspiratórios en- contram-se encurtados em razão do desloca- mento da posição de equilíbrio do sistema respiratório, havendo uma diminuição do ar ex- pirado e alterações na habilidade de gerar mu- danças de volume, encontrando-se, assim, menor volume de ar efetivo para as trocas gasosas.2, 15 Nosso estudo observou um maior desloca- mento da parede torácica em relação às fases ins- piratória e expiratória nos perímetros xifóideo e diafragmático, após o programa de alongamento. Além disso, verificou uma diminuição nos perí- metros axilar e xifóideo na fase expiratória, pos- sivelmente por conta de um maior volume de ar expirado. No que diz respeito à ventilometria, houve um aumento significativo do volume corrente, apesar de o VM e a FR não terem apresentado di- ferenças significativas, o que reflete uma possível melhora na mecânica respiratória desses pacien- tes como resultado de um deslocamento mais efi- caz da parede torácica.12, 24 Quanto à força muscular inspiratória, Wen et al.8 e Rochester et al.25 observaram a influência da fraqueza muscular generalizada e da desvanta- gem mecânica dos músculos inspiratórios sobre a obtenção da Pimáx em pacientes com DPOC. Nos- so estudo verificou aumento significativo da Pi- máx após os alongamentos, sugerindo melhora na vantagem mecânica, indo de acordo com a lei ten- são-comprimento, descrita por De Troyer et al.13 Em seu estudo sobre a atividade eletromiográ- fica (EMG) por eletrodos de agulhas, De Troyer et al.9 observaram que os músculos trapézio e ester- nocleidomastóideo permaneciam silenciosos du- rante a respiração basal de pacientes DPOC severos, verificando atividade apenas nos múscu- los escalenos. Martinez et al.,16 por meio da men- suração das pressões pleural e transdiafragmática com balões esofágico e gástrico, examinaram a atuação dos músculos acessórios na respiração basal de dez pacientes com moderada hiperinsu- flação pulmonar. Nosso estudo, por sua vez, ava- liou a atividade elétrica em todos esses músculos; no entanto, apenas o escaleno apresentou aumen- to da atividade durante a fase inspiratória, o que se encontra de acordo com o trabalho de Gande- via et al.,26 que utilizaram a pletismografia associ- ada à EMG com eletrodos de agulha. Em nosso estudo, observamos ainda uma di- minuição na atividade dos músculos trapézio e peitoral, após o programa de alongamento. Grandi27 menciona, em seu trabalho sobre alon- gamento muscular, o “relaxamento de estresse” relacionado à queda da tensão muscular depois de sessões de alongamento. O aumento da atividade elétrica dos músculos escaleno e esternocleidomastóideo pode ser ex- plicado em parte por Maarsingh et al., ao sugerir que o aumento da atividade muscular após o alongamento deve-se a problemas técnicos na ob- tenção dos sinais EMG de superfície, e por De Troyer et al.,9 que fazem referência à localização 0 5 10 15 20 25 30 Antes Depois R M S Peitoral Direito Peitoral esquerdo * ** 0 5 10 15 20 25 30 Antes Depois R M S Escaleno Direito Escaleno Esquerdo* * 0 5 10 15 20 25 30 Antes Depois R M S Estern. Direito Estern. Esquerdo* saude17.book Page 17 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. 18 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005 anatômica desses músculos para enfatizar a inter- ferência na obtenção de sinais EMG por esses ele- trodos. Quanto a esse aspecto, Gandevia et al.26 mencionam a contaminação da atividade mioelé- trica dos escalenos pela atividade do esternoclei- domastóideo e do platisma, o que justificaria nossos achados. Ao mesmo tempo, Peche et al.29 e Decra- mer15 relatam, em seus estudos, a existência de rara atividade nos músculos esternocleidomastói- deos e escalenos em pacientes com DPOC severa- mente hiperinsuflados. Isso nos faz pensar que nossos resultados tenham decorrido do aumento da flexibilidade torácica após o programa de alongamento muscular,30 em razão do reposicio- namento desses músculos15 e, a partir daí, do de- senvolvimento de maior atividade muscular. Observamos ainda a redução dos perímetros torácicos durante a respiração, o que reflete pro- vável desinsuflação pulmonar após o programa de alongamento muscular, embora o nosso estu- do não tenha realizado mensurações dos níveis de hiperinsuflação. Ao final do tratamento, os paci- entes relataram menor sensação de desconforto respiratório (dispnéia) e maior disposição na rea- lização das atividades da vida diária. CONCLUSÃO Este estudo evidenciou mudanças dos períme- tros torácicos após o alongamento de alguns mús- culos respiratórios, levando-nos a refletir acerca da importância do desenvolvimento de trabalhos que venham a comprovar a eficácia dessa técnica (alongamento muscular) sobre a mecânica respi- ratória dos pacientes com DPOC. Tais resultados apontaram melhora significati- va por meio dos parâmetros utilizados. Nesse sen- tido, sugerimos novos estudos sobre o assunto valendo-se de outras metodologias, com o objeti- vo de propiciar maior aprofundamento científico para utilização dos alongamentos musculares e proporcionar maiores benefícios aos pacientes que apresentam distúrbios da mecânica respiratória. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Global Initiative For Chronic Obstructive Lung Disease. Pocket Guide to COPD Diagnosis, Management and Prevention 2004 [acesso em 22 mar 2004]; 30p. Disponível em <http://www.goldcopd.com/pg2004clean.pdf>. 2. Pauwels RA, Buist AS, Calverley PM, Jenkins CR, Hurd SS. Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Am J Resp Crit Care Med 2001;163: 1.256-76. 3. Satta A, Migliori GB, Spanevello A, Neri M, Bottinelli R, Canepari M, et al. Fibre Types in Skeletal Muscles of Chronic Obstructive Pulmonary Disease Patients Related to Respiratory Function and Exercise Tolerance. Eur Resp J 1997; 10: 2.853-60. 4. Senior RM, Anthonisen NR. Chronic Obstructive Pulmonary Disease (COPD). Am J Resp Crit Care Med 1998; 157: 5.139-47. 5. Kostianev S, Hristova A, Iluchev D. Characteristics of Tidal Expiratory Flow Pattern in Healthy People and Patient with Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Folia Med 1999; 41 (3): 18-25. 6. Pellegrino R, Brusasco V. Lung Hyperinflation and Flow Limitation in Chronic Airway Obstruction. Eur Resp J 1997; 10: 543-9. 7. Gibson GJ. Pulmonary Hyperinflation a Clinical Overview. Eur Resp J 1996; 9: 2.640-9. 8. Wen AS, Woo MS, Keens TG. How Many Maeuvers are Required to Measure Maximal Inspiratory Pressure Accurately? Chest 1997; 111: 802-7. 9. De Troyer A, Peche R, Yernault JC, Estenne M. Neck Muscle Activity in Patients With Severe Chronic Obstrutive Pulmonary Disease. Am J Resp Crit Care Med 1994; 150: 41-7. 10. Serres I, Hayot M, Prefaut C, Mercier J. Skeletal Muscle Abnormalities in Patients with COPD: contribution to exercise intolerance. Med. Sci Sport Exer. 1998; 30 (7): 1.019-27. 11. Cassart M, Pettiaux N, Gevenois PA, Paiva M, Estenne M. Effect of Chronic Hyperinflation on Diaphagm Lenght and Surface Area. Am J Resp Crit Care Med 1997; 156: 504-8. 12. De Troyer A. Effect of Hyperynflation on the Diaphragm. Eur Resp J 1997; 10: 708-13. 13. De Troyer A, Estenne M. Functional Anatomy of the Respiratory Muscles. Clin Chest Med 1988; 9 (2): 175-93. 14. Farkas GA, Cerny FJ, Rochester DF. Contractility of the Ventilatory Pump Muscles. Med. Sci Sport Exer 1996; 28: 1.106-14. 15. Decramer M. Hiperinflation and Respiratory Muscle Interacion. Eur Resp J 1997; 10: 934-41. 16. Martinez FJ, Couser JI, Celli BR. Factors Influenting Ventilatory Muscle Recruitment in Patients with Chronic Airflow Obstruction Am Resp Dis 1990; 142: 276-82. 17. Mahler DA. Pulmonary Rehabilitation. Chest 1998; 113: 2.635-85. saude17.book Page 18 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. Saúde em Revista 19 EFEITO DO ALONGAMENTO SOBRE A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS INSPIRATÓRIOS NA DPOC 18. Tiep BL. Disease Management of COPD with Pulmonary Rehabilitation. Chest 1997; 112: 1.630-56. 19. Fiz JA, Montserrat JM, Picado C, Plaza V, Agusti-Vidal A. How Many Manouvres Should be done to Measure Maximal Inspiratory Mouth Pressure in Patients with Chronic Airflow Obstruction? Thorax 1989; 44: 419-21. 20. Gilmartin JJ. Mechanics of Paradoxical Rib Cage Motion in Patients with Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Am Rev Resp Dis 1986; 134: 83-7. 21. Sliwinski P, Kaminski D, Zielinski J, Yan S. Partinioning of the Elastic Work of Inspiration in Patients with COPD During Exercise. Eur Resp J. 1998; 11: 416-21. 22. Kasman GS. Electromyographicaly: triggered neuromuscular eletrical stimulation. Phys Med Reha 1997; 3: 10-7. 23. Pereira CAC. Espirometria. J Pneum 2002; 28 (supl 3): S1-82. 24. Cassart M, Hamacher J, Verbandt Y, Wildermuth S, Ritscher D, Russi EW, et al. Effects of Lung Volume Reduction Surgery for Emphysema on Dia- phragm Dimensions and Configuration. Am J Resp Crit Care Med 2001; 163: 1.171-5. 25. Rochester DF, Braun NMT. Determinants of Maximal Inspiratory Pressure in Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Am Rev Resp Dis 1985; 132: 42-7. 26. Gandevia SC, Leeper JB, Mckenzie DK, De Troyer A. Discharge Frequencies of Intercostal and scalene Motor Units During Breathing in Normal and COPD Subjects. Am J Resp Crit Care Med 1996; 153: 622-8. 27. Grandi L. Comparação de Duas “Doses Ideais” de Alongamento. Acta Fisiátrica 1998; 5 (3):154-8. 28. Maarsingh EJ, Van Eykern LA, Sprikkelman AB, Hoekstra MO, Van Aalderen WM. Respiratory Muscle Activity Measured with a Noninvasive EMG Technique: technical aspects and reproducibility. J Appl Physiol 2000; 65: 1.955-61. 29. Peche R, Estenne M, Genevois PA, Brassinne E, Yernault JC, De Troyer A. Sternomastoid Muscle Size and Strength in Patients with Severe Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Am J Respir Crit Care Med 1996; 153: 422-5. 30. Rosário JLR, Marques AP, Maluf AS. Aspectos Clínicos do Alongamento: uma revisão de literatura. Rev Bras Fisioter 2004; 8 (1): 83-8. Submetido: 10/set./2004 Aprovado: 1.º/jul./2005 saude17.book Page 19 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL. 20 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005 saude17.book Page 20 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. Saúde em Revista 21 SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL Suplementação de Glutamina e Resistência Imunológica em Atletas de Futebol Glutamine Supplementation and Immunological Resistance in Soccer Players RESUMO O futebol apresenta grande exigência física, sobretudo para os atletas mais jovens. O aminoácido glutamina é o principal substrato energé- tico para as células do sistema imunitário e tem sido utilizado por atletas de resistência e força. O objetivo deste estudo foi verificar os efeitos da suple- mentação crônica (30 dias) de glutamina sobre o número de células do sis- tema imunitário e a incidência de infecções das vias aéreas superiores (IVAS) em jovens atletas de futebol. Iniciaram o estudo 23 futebolistas do sexo masculino e concluíram 14, com idade de 16 ± 0,55 anos. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Metodista de Piracicaba. Para o estudo fez-se contagem dos leucócitos antes e após a su- plementação, além de acompanhamento das IVAS e suplementação diária após treinamento, por um período de 30 dias, de 5g de glutamina ou pla- cebo (amido). Não se observou alteração no número total de leucócitos, no leucograma diferencial e na incidência de IVAS no grupo suplementado com glutamina em comparação ao grupo placebo. Concluímos que, em atletas jovens do futebol, a suplementação com glutamina, por 30 dias após o treinamento diário, não induziu alteração no número de células do siste- ma imunitário e na incidência de IVAS, portanto, não apresentou efeitos po- sitivos sobre a resistência imunológica. Palavras-chave GLUTAMINA – FUTEBOL – SISTEMA IMUNOLÓGICO – INFEC- ÇÕES RESPIRATÓRIAS. ABSTRACT Soccer demands great physical requirements, especially for young athletes. The amino acid glutamine is the principal energetic substrate for immune system cells and has been used by resistance and strength athletes. The purpose of this study was to determine the effects of chronic supplementation of glutamine for 30 days on immunological system cells and respiratory infection intercurrence in young soccer players. Twenty- three male soccer players started the study, but only fourteen concluded. The mean (± SD) age of the subjects was 16 ± 0,55 yr. The study was approved by the Ethical Committee of the Methodist University of Piracicaba. For this study, the count of the leukocytes was made before and after supplementation, as well as the attendance of the RI’s and placebo (starch). The number of leukocytes and intercurrence of respiratory infections was not altered comparing both groups. We concluded that in young soccer players, the supplementation of glutamine for 30 days did not show positive effects for the immunological system. Keywords GLUTAMINE – SOCCER – IMMUNOLOGICAL SYSTEM – RESPIRATORY INFECTIONS. ORIGINAL /ORIGINAL JOSÉ FRANCISCO DANIEL Curso de Educação Física – Faculdade de Educação Física (PUCCamp/SP) CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI* Mestrado em Educação Física – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) *Correspondências: Rod. do Açúcar, km 156, Vice-Reitoria Acadêmica, 13400-911, Piracicaba/SP ccavagli@unimep.br saude17.book Page 21 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. 22 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 21-29, 2005 INTRODUÇÃO glutamina é o aminoácido mais abundante no plasma, representando cerca de 20% do total dos aminoácidos, e nos tecidos, consti- tuindo cerca de 60% destes.1 Tem sido utilizada por atletas de esportes de resistência, como mara- tonistas, e de força, como halterofilistas, no senti- do de promover o anabolismo celular, reduzir o catabolismo e combater a imunossupressão.2 Aproximadamente 50% dos aminoácidos li- vres do organismo estão presentes nos músculos, em razão do seu peso total em relação aos demais órgãos do corpo. A capacidade do músculo em li- berar glutamina é de aproximadamente 42 μmol/ h.3 Em algumas situações estressantes – trauma, septicemia e câncer, por exemplo – e eventual- mente no esforço físico extremo, a concentração de glutamina pode diminuir substancialmente.4 No plano funcional, a glutamina pode ser uti- lizada para a gliconeogênese hepática, mas tem como principais destinos os rins, onde atua na manutenção do equilíbrio do pH e no processo gliconeogênico renal.2 É também empregada como substrato ergogênico para as células do sis- tema imunitário e os enterócitos. Quando a de- manda de glutamina no organismo aumenta, em especial durante situações de catabolismo inten- so, como no jejum prolongado e exercício, o teci- do muscular eleva sua produção e liberação, mantendo os valores elevados no plasma.4, 5 A síntese de glutamina no músculo esqueléti- co é catalisada pela enzima glutamina sintetase, que atua na reação final, tendo o glutamato como substrato e usando NH3 como fonte de nitrogênio e ATP como fonte de energia. Interação entre a glutamina e o sistema imunitário A glutamina garante a funcionalidade do siste- ma imunitário, pois é o principal precursor de energia e de macromoléculas para o linfócito,5, 6 e adotada em dietas enterais e parenterais de pacien- tes hospitalizados e com doenças graves, como também em pacientes com queimaduras.7, 8 Linfócitos e fagócitos mononucleares agem em conjunto para responder rapidamente na eli- minação de antígenos estranhos, regulando a res- posta após esse procedimento. Para tanto, aumentam a demanda metabólica e a taxa de uti- lização da glutamina. A taxa de utilização de glu- tamina por neutrófilos, linfócitos e macrófagos é similar ou até mesmo maior do que a de glicose, podendo ser totalmente suprida pelo músculo es- quelético e pela dieta. Entretanto, se a taxa de consumo de glutamina for muito aumentada, ou se a produção e a liberação pelo músculo diminuir excessivamente e a dieta permanecer com a mes- ma concentração desse aminoácido, poderá haver comprometimento da função imunitária.7, 9 Durante uma infecção e ativação da função imunitária ocorrem alterações marcantes no me- tabolismo dos leucócitos, particularmente linfóci- tos, macrófagos e também neutrófilos. Nessa situação há elevação no consumo de glutamina por essas células e, quando tal condição perdura, ocorre redução nos níveis plasmáticos de glutami- na e da massa muscular, causando perda de peso e caquexia, e induzindo, conseqüentemente, um agravamento do quadro infeccioso.5, 9, 10 Relação entre exercício, glutamina e sistema imunitário Alterações drásticas do metabolismo muscular podem modificar a taxa de produção/liberação de glutamina, alterando, assim, a funcionalidade do sistema imunitário.11 É interessante observar que exercícios de alta intensidade e de longa duração, como o praticado por maratonistas12 e corredores de média e longa distância, apresentam alta inci- dência de infecções, particularmente no trato res- piratório.13 Isso poderia decorrer da alteração na liberação de glutamina pelo músculo esquelético, durante a fase pós-atividade física intensa. Em estudo realizado com maratonistas, ob- servou-se que, após uma prova, a concentração plasmática de glutamina apresentou-se reduzida em 20%, na primeira hora. Essa diminuição, bem como o aumento na concentração de glicocorti- cóides, em virtude do estresse induzido pelo exercício, podem contribuir para redução da ca- pacidade de resposta do sistema imune e aumen- to da susceptibilidade do atleta em adquirir infecções oportunistas.13 Há evidências de que o estresse provocado por tais exercícios induz um aumento no número e na atividade das células do sistema imunológico,14 que poderiam levar a um maior consumo e, conseqüentemente, contribuir para redução da concentração de glutamina cir- culante.11 Verificou-se que, uma hora após a participa- ção em maratona, as concentrações de glutamina e de linfócitos revelaram-se significantemente menores que as concentrações pré-esforço. Nesse Glutamato + NH3 + ATP Glutamina + ADP + Pi A saude17.book Page 22 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. Saúde em Revista 23 SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL estudo, os atletas que beberam 5 g de glutamina diluídas em 330 ml de água, comparadas com placebo, apresentaram aumento significativo das células T nas 16 horas após a prova. No grupo placebo, passado esse tempo, a concentração des- sas células retornou ao nível normal.15 Essa situação de redução na população dos lin- fócitos, após atividade física intensa, e de provável ligação com o risco de infecções originou a seguin- te relação: pessoas sedentárias teriam risco médio; as moderadamente treinadas, risco baixo; e aque- las submetidas a treinamentos intensos, risco eleva- do, podendo elevar-se de acordo com aumentos da intensidade e do volume do treinamento.14 Tal ligação entre o volume/intensidade do exercício e o risco de adquirir infecção foi relacionada com a diminuição da concentração plasmática de gluta- mina, resultante do desequilíbrio entre as taxas de liberação pelos músculos esqueléticos e de capta- ção pelos vários órgãos e células do organismo.11 Imediatamente depois do exercício, durante o período de recuperação, o metabolismo ainda permanece elevado, desencadeando um processo denominado débito de oxigênio. A magnitude e a duração desse metabolismo elevado são influen- ciadas pela intensidade do exercício. O débito de oxigênio pode permanecer por várias horas, po- rém, em constante declínio, dividindo-se em três fases: 1. fase rápida, com duração de poucos mi- nutos, suficiente para ressintetizar o sistema ATP- CP armazenados e repor os estoques teciduais de oxigênio (mioglobina e hemoglobina); 2. fase len- ta, com duração de aproximadamente uma hora, em que o lactato é convertido em glicose e glico- gênio (gliconeogênese hepática); 3. fase ultralen- ta, com duração de várias horas, em que se propõe que a estimulação dos ciclos de substratos (interconversões de substratos, como proteína- aminoácidos-proteína, por exemplo) seja o fator responsável pelo débito de oxigênio.16 A utilização de substratos, nesse período, é determinada pelo consumo de nutrientes. Com a ingestão apenas de água, ocorre o catabolismo de proteínas e continua a mobilização de ácidos gra- xos, utilizados como principal substrato. Haven- do o consumo de nutrientes, particularmente de carboidratos, o anabolismo protéico e a reesterifi- cação dos ácidos graxos são estimulados, passan- do a glicose a ser empregada como principal substrato.17 As concentrações de glicogênio e a disponibi- lidade de glicose mostram-se determinantes nas concentrações de glutamina. Quando o glicogê- nio recompõe-se após o exercício físico, também a glutamina se encontra em níveis normais.11 A importância da suplementação de glutami- na vem sendo estudada em processos envolvendo respostas imunitárias e inflamatórias.17, 18 Essas situações caracterizam-se pelo balanço nitrogena- do negativo, com elevação das taxas de degrada- ção protéica muscular, e alterações essenciais no fluxo de glutamina entre os tecidos. A suplemen- tação pode melhorar as funções imunológicas e intestinais, além de auxiliar o fígado a manter o metabolismo normal num grande número de si- tuações patológicas.10 Observou-se que a suplementação oral de 5 g de glutamina, após exercício intenso e de longa duração, é eficiente para manter sua concentra- ção ao final dele, aumentar a razão dos linfócitos13 e diminuir a incidência de infecções nos sete dias posteriores. Nesse caso, o grupo pla- cebo apresentou 51% de incidência de infecções, ao passo que o grupo glutamina, 19%.13 A suplementação de glutamina tem sido em- pregada com maior freqüência, especialmente após sua aprovação por parte dos órgãos de vigi- lância sanitária de diversos países, incluindo os EUA e os da Europa. Tal aprovação tem por base estudos atestando a segurança de sua administra- ção e a isenção de efeitos tóxicos, exceto em indi- víduos com desordem hepática severa. A dose de 5 g de glutamina ministrada a corredores de mé- dia distância, maratonistas, ultramaratonistas e remadores, imediatamente após a competição, ou sessão de treinamento intenso, e duas horas de- pois, mostrou-se suficiente para diminuir a inci- dência de infecções nos sete dias posteriores ao exercício, mas não para alterar os parâmetros de concentração de glutamina e do número total de leucócitos em comparação àqueles que recebe- ram placebo.10 Futebol O futebol caracteriza-se por uma exigência de corrida que exige velocidade, agilidade, força de impulsão, flexibilidade, capacidade aeróbia e ana- eróbia geral, coordenação e técnica. O futebol contemporâneo é jogado com predominância da velocidade e força, devendo-se a estas ser dada es- pecial atenção.19 Durante os jogos, os futebolistas apresentam grande desgaste físico, que pode ser maior em atletas mais jovens, pois estes se posicionam e se deslocam de maneira menos eficiente, em razão saude17.book Page 23 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. 24 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 21-29, 2005 da posição da bola, que atletas experientes.19 Assi- nalando os esforços no futebol, por meio da deter- minação da distância total percorrida pelos atletas, Campeiz20 observou que, nos profissionais, essa distância se encontra entre 5,6 km e 8,4 km, em média, por jogo. Com relação aos juniores, Olivei- ra, Amorim e Goulart21 verificaram uma distância entre 7 km e 9 km. Além dessa questão dos jogos, futebolistas com idade entre 15 e 17 anos nor- malmente têm atividades físico-esportivas por seis dias na semana, necessitando de ótima organiza- ção do processo de treinamento e recuperação. Afora o treinamento e a recuperação, a alimenta- ção adequada também é fundamental à saúde e ao rendimento esportivo, pois uma dieta pobre em al- guns nutrientes pode levar a diversos problemas fí- sicos.22 Uma alimentação balanceada em geral atende às necessidades nutricionais diárias, mas muitos atletas não conseguem ingerir as quantidades recomendadas. Nesses casos, cabe a suplemen- tação de determinadas substâncias, com propósi- tos de complementar a ingestão nutricional.22 A suplementação dietética também pode ser em- pregada para retardar o aparecimento da fadiga e aumentar o poder contrátil do músculo esqueléti- co e/ou cardíaco.23 Tomando por base os estudos descritos ante- riormente, o objetivo deste trabalho foi verificar se a suplementação oral crônica de glutamina, ad- ministrada diariamente após o treinamento, seria capaz de melhorar a resposta do sistema imune de atletas jovens do futebol. METODOLOGIA Para a realização do estudo fez-se contagem total dos leucócitos circulantes e de seus subtipos, além de acompanhamento das intercorrências do sistema imunitário e aplicação de questionário para inquérito nutricional e suplementação com glutamina e placebo. Após programadas as ativi- dades, em conjunto com a comissão técnica da equipe, e na chegada dos atletas para o início da temporada de treinamentos e jogos, eles foram esclarecidos sobre o experimento e participaram espontaneamente, manifestando seu consenti- mento mediante termo específico. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética da UNIMEP (proc. CEP/UNIMEP 010/02). Em seguida, os atletas passaram por uma ava- liação clínica e laboratorial pelo médico do clube, o qual incluiu no projeto aqueles que não apre- sentavam nenhum problema relacionado à saúde. Tomaram parte inicialmente 23 futebolistas do sexo masculino, com idade entre 15 e 17 anos, categoria juvenil, sub 17, de clube filiado e parti- cipante de campeonatos organizados pela Federa- ção Paulista de Futebol. Com o passar do tempo, alguns foram deixando a equipe e, do grupo ini- cial, completaram o estudo 14 atletas. Para o início do experimento, eles foram divi- didos em dois grupos, G1 e G2, cada um deles com, aproximadamente, o mesmo número de atletas de cada posição de jogo. Para a suplemen- tação, utilizou-se L-glutamina em pó aromatizado e amido em pó aromatizado (placebo) diluídos em água natural, na proporção de 5 g por 200 ml. Foram servidos, diariamente e exclusivamente, após os treinamentos, que ocorreram no período da tarde. A dieta alimentar mais a suplementação da glutamina totalizavam entre 1,2 g a 1,6 g de proteína, por quilograma de peso corporal por dia e por atleta. Ambos os grupos receberam 30 doses de glutamina e 30 de placebo, em períodos distintos, mediante o protocolo duplo-cego. Trinta dias após o início dos treinamentos, ini- ciou-se a suplementação nos dois grupos e, passa- dos 45 dias do início da suplementação, que correspondeu a 30 doses dos suplementos, houve uma inversão deles por período idêntico. As ativi- dades dos atletas envolvendo treinamentos e jo- gos aconteceram em seis dias da semana, durante um dos períodos do dia, por aproximadamente 2h30min. Foram realizados exames hematológicos, an- tes e depois do experimento, para os parâmetros contagem dos leucócitos, conforme descrição das técnicas de análise, métodos, resultados e varia- ções de acordo com a idade. O sangue de cada atleta foi coletado, em jejum, por punção da veia braquial, e analisado em Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Municipal de Americana/SP. Foi feito um controle, por meio de uma planilha de anotação diária, do departamento médico do clube, do número de futebolistas que apresenta- ram qualquer tipo de intercorrência médica, in- clusive lesões musculoesqueléticas, mas este estudo considerou apenas as infecções das vias aé- reas superiores (IVAS). Foram descartadas reinci- dências de um mesmo futebolista, que poderiam caracterizar uma situação individual. Para avaliar a influência do treinamento e do uso da glutamina sobre os parâmetros contagem saude17.book Page 24 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. Saúde em Revista 25 SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL dos leucócitos, adotaram-se as medidas do início e do fim do experimento, e do teste t de Student para amostras sobre o mesmo indivíduo (amos- tras pareadas). A comparação entre os dois gru- pos (glutamina vs. placebo) considerou as diferenças entre a primeira e a segunda amostra e o teste t de Student foi adotado para amostras provenientes de diferentes indivíduos, com va- riâncias populacionais desconhecidas, mas supos- tamente equivalentes (dado serem indivíduos do mesmo sexo e faixa etária, devendo, portanto, apresentar a mesma variação quanto ao acaso). Para comparar as freqüências observadas no nú- mero de pessoas com IVAS, utilizou-se o teste de Fisher. Para os testes, consideraram-se significati- vos os valores de p ≤ 0,05, ou seja, com nível de significância de, no mínimo, 5%. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os valores de t estão associados a sete graus de liberdade para o G1 e cinco graus de liberdade para o G2. Médias, desvios padrões, valores da estatística t e respectiva significância da contagem total dos leucócitos sanguíneos e de seus subtipos, antes e após o período de treinamento e suple- mentação com glutamina e placebo – apresenta- dos nas figuras 1 para os leucócitos (n.º total/ml de sangue), 2 e 3 para os neutrófilos (% e n.º to- tal/ml de sangue) e 4 e 5 para os linfócitos típicos (% e n.º total/ml de sangue) – mostram que cada item está de acordo com os valores de referência tidos como normais para essa faixa etária e esse gênero. Demonstram também não haver diferen- ça significativa (p > 0,05) entre os períodos para nenhum dos grupos, nem entre eles. Neste estudo, não se objetivou avaliar a funci- onalidade dos leucócitos, mas apenas verificar al- terações no valor absoluto. Sabe-se que o estresse provocado pelos exercícios aeróbios e pelos inter- mitentes de alta intensidade induz aumento no número e na atividade das células do sistema imu- nitário, particularmente a linfocitose e a mobiliza- ção das Natural Killer cells (NK).11 Essa elevação aguda no número de leucócitos faz crescer o con- sumo de glutamina, dificultando a manutenção dos níveis necessários desse aminoácido24 e le- vando, posteriormente, a um aumento no risco de infecções. Tal situação relaciona-se ao estresse induzido pela atividade até a adaptação do orga- nismo, e não diretamente ao exercício físico, pois, após adaptação das cargas de treinamento, o ocorrido desaparece.25 O excesso de treinamento, ao longo de um período, induz a diminuição na contagem dos leucócitos.26 Entretanto, quando o nível de trei- namento é adequado, observa-se, no período posterior de recuperação, um aumento na conta- gem dessas células.26 Foi relatado que a suple- mentação oral de glutamina, após exercício intenso e de longa duração, torna maior o núme- ro dos linfócitos, bem como apresenta efeitos be- néficos à incidência de infecções subseqüentes.18 Como em nosso estudo verificou-se o efeito crô- nico das cargas de treinamento e da suplementa- ção crônica de 5 g diárias de glutamina, até a totalização de 30 doses, não tivemos como avali- ar qualquer alteração aguda nessas variáveis sobre o número dessas células e, nesse protocolo, não observamos alterações crônicas. Quando da realização do segundo exame de sangue, não havia nenhum atleta com problemas relacionados à saúde – o treinamento apresentava as características de manutenção e, conseqüente- mente, os atletas mostravam-se adaptados à carga de treinamento e ao estresse por ele induzido. Os resultados relativos às IVAS, incluindo gripes, res- friados, coriza, otite etc., apresentam-se nas tabe- las 1, 2 e 3. Na primeira época, somente o G1 tomou glutamina e, na segunda, apenas o G2. Essa análise adotou o teste exato de Fisher para a confrontação entre grupo suplementado com glutamina e placebo, nos dois períodos. A tabela 1 estabelece uma comparação entre os respectivos grupos e demonstra que, em relação ao número de IVAS de cada época, não houve diferen- ça significativa, ou seja, os grupos apresentaram a mesma tendência nas duas épocas, independente- mente do suplemento adotado (glutamina ou pla- cebo). • G1 (n = 9) apresentou duas pessoas (22% do n) com IVAS em cada época. • G2 (n = 7) apresentou quatro pessoas (57% do n) com IVAS, na época suplementada com placebo, e três pessoas (47% do n), naquela su- plementada com glutamina. Procurou-se, então, verificar se o número de atletas com IVAS, durante o período em que não fizeram uso da glutamina, apresentou diferenças significativas. Na primeira época de suplementa- ção, ocorreram seis intercorrências (quatro, no grupo suplementado com placebo, e duas, no su- saude17.book Page 25 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. 26 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 21-29, 2005 plementado com glutamina) e, na segunda época, cinco intercorrências (duas, no grupo suplemen- tado com placebo, e três, no suplementado com glutamina). A tabela 2 mostra essas freqüências observadas das pessoas que ficaram com IVAS na época em que não tomaram a glutamina, para o G1 e G2. O resultado do teste de Fisher (0,1573ns) permite observar que não existe dife- rença significativa entre os grupos, em relação ao número de pessoas com IVAS. Como, aparentemente, o número de atletas com IVAS do grupo suplementado com glutamina foi menor, se comparado ao suplementado com placebo em cada época, verificou-se se tal obser- vação procedia. A tabela 3 mostra as freqüências no número de pessoas com IVAS para o G1 (que tomou glutamina na primeira época) e para o G2 (que tomou glutamina na segunda época). O re- sultado do teste exato de Fisher (primeira época, 0,1573ns e, segunda época, 0,2885ns) atesta que não existe diferença significativa para os atletas que tomaram glutamina, em relação aos que to- maram placebo, para cada uma das épocas. Em outras palavras, o número de IVAS é o mesmo, comparando-se o grupo que tomou glutamina com o outro que recebeu placebo, para a primei- ra e a segunda épocas. Ao analisar as características das épocas, cons- tatamos que a primeira época de suplementação ocorreu no final do primeiro período preparató- rio, com cargas aeróbias em maior volume e in- tensidade, e no início do segundo período preparatório, em que o treinamento direcionou- se para as cargas de velocidade e força. Sabe-se que exercícios extenuantes podem gerar maior número de infecções por vários fatores, entre eles, a diminuição dos níveis séricos de glutami- na,1 essencial à funcionalidade do sistema imuni- tário, precursor de energia e de macromoléculas para linfócitos e macrófagos, juntamente com a glicose.27 Apesar do maior volume e intensidade das car- gas aeróbias do primeiro período preparatório, e das alterações nas características do treinamento no início do segundo período preparatório, que induzem às novas adaptações de todo o organis- mo e a um estresse adicional capaz de causar imu- nossupressão,25 não foi verificada diferença significativa entre este e o segundo período de su- plementação. O grupo suplementado com glutamina (n = 9) apresentou 22% (n = 2) de IVAS e o grupo su- plementado com placebo (n = 7), 57% (n = 4). Mesmo com essa disparidade percentual, não houve diferença estatística significativa, provavel- mente por conta do número de atletas participan- tes do estudo. Por outro lado, no segundo período de suplementação, as cargas direciona- ram-se para velocidade, força, aprimoramento geral e início das competições. Houve redução do volume e posterior manutenção, com alguns au- mentos da intensidade de treinamento. Esse perí- odo deu-se entre meados de maio e de julho, época do ano em que a temperatura está mais baixa e o clima mais seco, situação comum para maior número de IVAS.28 Apesar das características climáticas, não se revelou, nesse período, alteração significativa do número de IVAS. É provável que a redução das cargas de treino, relacionado especialmente ao volume, e o efeito crônico da suplementação da glutamina podem ter contribuído para que isso ocorresse. Nesse sentido, alguns estudos têm demons- trado que a suplementação de glutamina é efici- ente na manutenção de sua concentração ao final do exercício e também na diminuição da inci- dência de infecções nos dias posteriores ao esfor- ço físico intenso.13 Apesar das evidências de que, em exercícios intensos e prolongados, a ingestão de fluídos contendo glutamina reduz a incidência de IVAS,10 em nosso estudo com o futebol – es- porte característico de esforços intermitentes – não foi verificada diferença significativa. Assim como foi atestado em nosso estudo, no protocolo adotado de suplementação crônica de 5 g diárias (após treinamento) de glutamina até a to- talização de 30 doses não se observou diferença significativa. Já Nieman e Pedersen14 consideram inconclusivos os resultados obtidos com a suple- mentação de glutamina quanto à eficiência na redução de infecções. Contrariamente, comparan- do a suplementação de glutamina com maltodex- trina como placebo, Castell et al.13 observaram que a glutamina reduziu expressivamente o núme- ro de infecções. Em estudo que verificou os efeitos da suple- mentação de carboidrato nas respostas imunitári- as, em protocolos de exercícios específicos para atletas de futebol,29 concluiu-se que, após realiza- ção de exercícios contínuos e prolongados, o car- boidrato revelou-se efetivo em atenuar as respostas imunitárias. Mas, depois da realização de exercícios específicos intermitentes, não se verifi- saude17.book Page 26 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. Saúde em Revista 27 SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL cou o mesmo efeito. Nesse sentido, sugeriu-se que, quando da intensidade moderada do exercício e de alterações plasmáticas relativamente pequenas de glicose, cortisol e variáveis imunitárias, a inges- tão de carboidratos apresenta uma influência míni- ma na resposta imunitária para o exercício. Protocolos de exercícios específicos, por mais que tentem reproduzir a situação de competição do esporte, não conseguem igualar todos os fato- res influenciadores da performance, como pre- sença de público, níveis físico, técnico e tático do adversário, expectativas, fase do campeonato, co- brança de resultado etc.,30 e não provocam es- tresse similar. Assim, seria necessária a verificação das alterações plasmáticas de glicose, cortisol e variáveis imunitárias, após situação real de jogo. CONCLUSÃO Este estudo foi desenvolvido para investigar os efeitos da suplementação do aminoácido gluta- mina e do treinamento sobre a contagem de leu- cócitos, neutrófilos e linfócitos e sobre a incidência de infecções das vias aéreas superiores. Com base em seus resultados, concluiu-se que, nesse protocolo de suplementação oral crô- nica de 5 g diárias, após treinamento, de glutami- na até a totalização de 30 doses, a glutamina não alterou o número de leucócitos, neutrófilos e lin- fócitos. Também não foi capaz de reduzir a inci- dência de infecções das IVAS nos atletas jovens do futebol. Figura 1. Médias dos leucócitos, dos dois grupos, antes e após o período de treinamento e suplementação. Não houve diferença significativa. ANTES DEPOIS LEUCÓCITOS (ml) M É D IA S 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 GRUPO 1 GRUPO 2 Figura 3. Médias dos neutrófilos em ml, dos dois grupos, antes e após o período de treinamento e suplementação. Não houve dife- rença significativa. ANTES DEPOIS NEUTRÓFILOS (ml) M ÉD IA S 0 600 1200 1800 2400 3000 3600 4200 4800 GRUPO 1 GRUPO 2 Figura 4. Médias dos linfócitos típicos em porcentagem, dos dois grupos, antes e após o período de treinamento e suplementação. Não houve diferença significativa. ANTES DEPOIS LINFÓCITOS TÍPICOS (%) M É D IA S 0 8 16 24 32 40 48 56 GRUPO 1 GRUPO 2 Figura 5. Médias dos linfócitos típicos por ml, dos dois grupos, antes e após o período de treinamento e suplementação. Não houve diferença significativa. ANTES DEPOIS LINFÓCITOS TÍPICOS (ml) M É D IA S 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 GRUPO 1 GRUPO 2 Figura 2. Médias dos neutrófilos em porcentagem, dos dois gru- pos, antes e após o período de treinamento e suplementação. Não houve diferença significativa ANTES DEPOIS NEUTRÓFILOS (%) M ÉD IA S 0 8 16 24 32 40 48 56 64 GRUPO 1 GRUPO 2 saude17.book Page 27 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. 28 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 21-29, 2005 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. 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VARIÁVEIS N.º DE ATLETAS COM IVAS N.º DE ATLETAS SEM IVAS N.º DE ATLETAS DO GRUPO TESTE EXATO DE FISHER Grupo 1 2 (22%) 7 (88%) 9 Grupo 2 4 (57%) 3 (43%) 7 0,1573ns Tabela 3. Freqüências e porcentagens (%) observadas para os períodos, distinguindo-se a glutamina e o placebo em razão do número de pessoas com IVAS, e o teste exato de Fisher. ns: não significativo, considerando-se um nível mínimo de significância de 5% (p < 0,05). VARIÁVEIS N.º DE ATLETAS COM IVAS N.º DE ATLETAS SEM IVAS N.º DE ATLETAS DO GRUPO TESTE EXATO DE FISHER 1.ª época Glutamina 2 (22%) 7 (88%) 9 Placebo 4 (57%) 3 (43%) 7 0,1573ns 2.ª época Glutamina 3 (43%) 4 (57%) 7 Placebo 2 (22%) 7 (88%) 9 0,2885ns saude17.book Page 28 Friday, November 11, 2005 9:05 AM JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL. Saúde em Revista 29 SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL 15. Castell LM, Poortmans JR, Leclercq R, Brasseur M, Duchateau J, Newsholme EA. 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Saúde em Revista 31 PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO Participação dos Eritrócitos no Controle Glicêmico do Exercício Erythrocytes Participation in Glycemic Control of the Exercise RESUMO O objetivo do trabalho foi demonstrar que os eritrócitos partici- pam na homeostase da glicemia. Os parâmetros avaliados nos eritrócitos foram: consumo de glicose, armazenamento de glicogênio, transporte e mobilização. Ratos foram submetidos a uma sessão de natação (50 min., 32 ± 2°C) e anestesiados com pentobarbital sódico (40 mg/kg), de modo a se coletar amostras de sangue em diferentes partes dos vasos para avaliar a gli- cemia e o conteúdo de glicogênio (GLI). In vivo, o GLI do eritrócito mudou de acordo com a glicemia nos vasos. A diferença arteriovenosa e entre as veias portal e supra-hepática no GLI é paralelo a diferenças de glicemia. De acordo com os resultados citados, eritrócitos incubados em salina a 37oC aumentaram seu GLI com a maior concentração de glicose extracelular e re- duziram quando a concentração de glicose caiu. Captação e liberação são bem correlacionadas à concentração de glicose extracelular (r = 0.942), si- milarmente in vivo. Condições estressoras como o exercício quase depleta- ram o GLI do eritrócito e também depletaram intensamente o GLI hepático. Essa reação é característica do eritrócito, pois ele respondeu in vitro para os hormônios hiperglicemiantes, glucagon, adrenalina, noradrenalina, redu- zindo o GLI, até mesmo na presença de alta concentração de glicose. Isso se assemelha à resposta dos hepatócitos aos mesmos hormônios. Palavras-chave GLICOGÊNIO – GLICEMIA – ERITRÓCITOS – NATAÇÃO. ABSTRACT The objective of this work was demonstrated that the erythrocytes participate in the glycaemic homeostasis. The parameters evaluated in erythrocytes were: glucose consumption, glycogen storage, transport and mobilization. Rats were submitted to a swimming section (50 min., 32 ± 2°C) and anesthesiated with sodic pentobarbital (40 mg/kg) to collect blood samples in different parts of vessels to evaluated the glycaemia and glycogen content (GLY). In vivo, the erythrocyte GLY changed in according to glycaemia in vessels. The arteriovenous and the between portal and suprahepatic veins difference in GLY is parallel to glycaemia differences. In accordance to the results mentioned, erythrocytes incubated in saline at 37oC increased their GLY with the increase in extracellular glucose concentration and reduced it when glucose concentration diminished. Both uptake and release are well correlated to extracellular glucose concentration (r = 0.942), similarly in vivo. Stressing conditions as the exercise almost deplete the erythrocyte GLY. Those conditions also deplete GLY liver acutely. This response is characteristic of erythrocytes because they responded in vitro to hyperglycemic hormones, glucagon, adrenaline, noradrenaline reducing the GLY, even in the presence of high glucose concentration. This resembles the hepathocytes response to the same hormones. Keywords GLYCOGEN – GLYCAEMIA – ERYTHROCYTES – SWIMMING. ORIGINAL /ORIGINAL CARLOS ALBERTO DA SILVA* Curso de Fisioterapia – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) RINALDO ROBERTO DE JESUS GUIRRO Curso de Fisioterapia – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) KARINA MARIA CANCELLIERO Curso de Fisioterapia – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) FABIANA FORTI Curso de Fisioterapia – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) *Correspondências: Rod. do Açúcar, km 156, FACIS, 13400-911, Piracicaba/SP casilva@unimep.br saude17.book Page 31 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. 32 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005 INTRODUÇÃO o longo do exercício físico, a utilização dos substratos metabólicos pelo território mus- cular varia consideravelmente. Nas fases iniciais do exercício, o glicogênio tecidual consti- tui a principal fonte energética consumida. No entanto, concomitantemente ao prolongamento da atividade, assume fundamental importância à glicose sérica e à concentração plasmática de áci- dos graxos livres.1 Cabe ressaltar que a mobiliza- ção das reservas energéticas ocorre por conta da ação hormonal representada pela elevação na concentração sérica do hormônio de crescimen- to, glucagon, adrenalina, noradrenalina e corti- costeróides. Guarner e Alvarez-Buylla2 demonstraram que os eritrócitos absorvem e incorporam glicose aos reservatórios de glicogênio quando a glicose está elevada, liberando-a no caso de redução da glice- mia. Como as reservas de glicogênio superam as necessidades metabólicas dessas células, foi suge- rido que contribuam de maneira importante para o controle glicêmico. Recentes pesquisas vêm reunindo informações a favor dessa hipótese em humanos e outros mamíferos. Durante estudos de glicogenoses hepáticas em humanos, Moses et al.3 verificaram que os eritró- citos contêm as enzimas glicogênio sintetase e gli- cogênio fosforilase, responsáveis, respectivamente, pela síntese e pela degradação de glicogênio. Po- rém, as enzimas responsáveis pela degradação das reservas de glicogênio estão inativadas, possibili- tando o acúmulo de glicogênio em concentração maior que a observada em eritrócitos de indivídu- os normais. No fígado, duas formas da enzima glicogênio sintetase, passíveis de interconversão, têm uma implicação direta na regulação da síntese de glico- gênio. A forma a possui alta afinidade pela glico- se-6-fosfato (G6P) e uridina di-fosfoglicose (UDPG) e a forma b apresenta baixa afinidade pelo subs- trato e pelo ativador, sendo ativa somente na pre- sença da G6P. Nos eritrócitos, somente um tipo de glicogênio sintetase está presente, semelhante à forma b descrita no fígado, dependente da G6P. Nesse sentido, o eritrócito é único, ao contrário dos outros tecidos, nos quais há interconversão entre as duas formas da enzima. A baixa atividade da glicogênio sintetase nos eritrócitos pode dever- se à concentração intracelular de UDPG (0,03 mM) e de glicose 6-fosfato (0,2 mM), que estão abaixo do Km e Ka (afinidade do substrato ao transportador) da enzima. Ao contrário de outros tecidos, o ATP (1,2 mM) e o fosfato inorgânico (1,3 mM) não ini- bem a glicogênio sintetase dos eritrócitos. Con- seqüentemente, a regulação da síntese de glicogênio nos eritrócitos depende, em maior in- tensidade, das mudanças nas concentrações de G6P do que da concentração dos ativadores ou inibidores da enzima.3 O metabolismo de glicogênio em eritrócitos normais foi avaliado por Moses et al.,3 utilizando como parâmetro a incorporação de glicose radio- ativa ao reservatório de glicogênio. A taxa de in- corporação de glicose para a formação de glicogênio nos eritrócitos atingiu 0,04 ± 0,01 μmol. g Hb-1.h, sendo o valor máximo obtido em pH 7.6. Esses autores propuseram que o grau de saturação da hemoglobina pelo oxigênio poderia induzir modificações no pH intracelular e, assim, regular a atividade das enzimas envolvidas na sín- tese de glicogênio. A quantidade de glicose captada pelos eritró- citos supera em muito as suas necessidades meta- bólicas, o que implica alta velocidade de transporte de glicose e/ou grande quantidade de transportadores do tipo GLUT1 na membrana.4, 5 Esse tipo de transportador constitui 3,5% das proteínas da membrana, superior ao medido na membrana de adipócitos, correspondente a ape- nas 0,04%.6 Identificado nos eritrócitos, ele con- siste de 492 aminoácidos, é classificado como GLUT1,7 apresenta um Km para glicose de aproxi- madamente 5 mM e in situ exibe um padrão assi- métrico de transporte, com Km para efluxo aproximadamente quatro vezes maior e Vmáx (50% da velocidade máxima de captação do substrato) comparado ao influxo.8 A atividade do GLUT1 não é regulada por hormônios e ele não é translocado de sítios intracelulares para a mem- brana plasmática.9 Sob normoglicemia (5 mM), os eritrócitos hu- manos utilizam 1 a 2 μmoles de glicose.ml célu- las.h. Aproximadamente 95% da glicose oxidada seguem a via de Embden-Mayerhof, produzindo lactato e piruvato e gerando o ATP necessário à manutenção das condições homeostáticas. A gli- cose (5-10%) pode ainda ser metabolizada pela via da pentose fosfato, produzindo nicotinamida adenina dinucleotídeo reduzido (NADPH), que de- sempenha papel fundamental na manutenção de componentes intracelulares na forma reduzida.10 A saude17.book Page 32 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. Saúde em Revista 33 PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO A identificação de reservas de glicogênio nos eritrócitos estimulou o interesse em avaliar a fun- ção desses depósitos de glicose. Rapoport11 ava- liou a glicólise em eritrócitos humanos em 1,1 mmol.h-1.l células a 37oC e afirmou a importân- cia deles para manter o suprimento de glicose ce- rebral, em razão do seu alto número na corrente sangüínea associado à habilidade de transportar 40% da glicose plasmática. Sob normoglicemia (aproximadamente 5 mM) a concentração de gli- cogênio dos eritrócitos humanos equivale a 12 mil vezes ao requerido pelo seu metabolismo. Guarner e Alvarez-Buylla2 constataram uma diferença arteriovenosa no teor de glicogênio eri- trocitário em ratos e sugeriram que os eritrócitos estariam distribuindo glicose aos tecidos, partici- pando da regulação glicêmica. Esses autores tam- bém verificaram que a captação de glicose pelos eritrócitos depende da concentração dessa substân- cia no meio a que estão expostos, in vivo e in vitro, ocorrendo incorporação dela aos reservatórios de glicogênio durante a elevação da glicemia e, por outro lado, redução nas reservas quando diminui a glicemia. A estação de captação de glicose seria o fígado, ao qual forneceria em troca o lactato.12 A reserva de glicogênio está sujeita à ação de hormônios e, portanto, aos eventos que determi- nam a flutuação em suas concentrações no plas- ma. A adrenalina pode mobilizar as reservas de glicogênio da mesma maneira que o faz nos hepa- tócitos, por meio de receptores β2-adrenérgicos, e o efeito se manifesta inclusive durante a hiper- glicemia.13 Além disso, aumenta o metabolismo da glicose nos eritrócitos, pois inibe os últimos passos da glicólise, diminuindo a produção de ATP e, ao mesmo tempo, induzindo aumento na síntese de 2,3 bi-fosfoglicerato, o que possibilita maior liberação de oxigênio.14 A influência da insulina sobre a captação de glicose nos eritrócitos pode ser aventada em de- corrência da presença de receptores de insulina em eritrócitos maduros. Eritrócitos normais pos- suem aproximadamente dois mil receptores de insulina, distribuídos em 14 sítios por micrôme- tro quadrado de membrana e com as mesmas propriedades observadas nos receptores de insuli- na de outros tecidos, como fígado, músculo e te- cido adiposo.15 Em alguns estudos,2 a insulina não promoveu aumento na captação de glicose, nem a síntese de glicogênio; porém, em outros trabalhos com reticulócitos, que apresentam oito vezes mais receptores de insulina que os eritróci- tos maduros, a captação de glicose e a síntese de glicogênio elevaram-se na presença de insulina. Possivelmente, esses receptores de insulina são perdidos durante o período de maturação.16 Pe- terson et al.17 incubaram eritrócitos humanos na presença de insulina durante três horas e verifica- ram uma redução de 70% na população de re- ceptores. Nova incubação desses eritrócitos na ausência de insulina mostrou que a população de receptores foi restabelecida, sugerindo que a insu- lina promove a internalização dos receptores, bai- xando, assim, a sensibilidade a si própria. Pelas raras informações na literatura a respeito das propriedades dos eritrócitos como transporta- dores de glicose, faz-se necessário reavaliar a im- portância dessas células na regulação glicêmica diante de exercício físico e a capacidade delas de modificar suas reservas de glicogênio na presença de diferentes hormônios. Portanto, o objetivo ge- ral deste trabalho foi estudar a habilidade dos eri- trócitos em incorporar glicose ou mobilizá-la de seu depósito de glicogênio em face do exercício físico in vivo e dos efeitos dos hormônios que par- ticipam da condição indutora de estresse in vitro. MATERIAL E MÉTODOS Foram utilizados ratos machos, albinos, Wis- tar, com idade variando de três a quatro meses, fornecidos pelo biotério da UNIMEP, alimentados com ração e água ad libitum e submetidos a ciclo fotoperiódico de 12 horas claro/escuro. Os ani- mais foram divididos em dois grupos experimen- tais: controle e natação. O segundo grupo realizou o exercício físico de natação sem sobre- carga, durante 50 minutos, em um tanque de vi- dro (100 cm x 80 cm x 50 cm) contendo água a 31 ± 1oC.18 Para amostragem da avaliação da concentração de glicogênio em eritrócitos in vitro, os animais fo- ram decapitados, sendo que, no grupo Natação, a morte ocorreu imediatamente após o exercício físi- co e o sangue coletado em um recipiente de 50 ml, sob gelo, contendo anticoagulante, formando um pool de células. Transferiu-se o sangue coletado para um tubo de ensaio e centrifugou-se durante dez minutos a 2.500 rpm. Após a centrifugação, descartou-se uma camada superficial para a retira- da dos leucócitos e distribuíram-se alíquotas de 0,5 ml em tubos de ensaio, submetidas à incubação du- rante 15 minutos a 37oC, na presença de diferen- tes concentrações de glicose e hormônios. saude17.book Page 33 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. 34 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005 Para incubação dos eritrócitos, os tubos de en- saio contendo os eritrócitos foram acondiciona- dos em grades e parcialmente submersos em banho-maria a 37oC, durante 15 minutos. No procedimento utilizado para extração e determi- nação do glicogênio dos eritrócitos, empregou-se o método de Farquarson et al.,19 expressando o conteúdo em μg.g-1 de hemoglobina com preci- são do método que é de 0,1 μg de glicogênio. A hemoglobina foi avaliada por meio de um teste de aplicação laboratorial e, para determinar a gli- cemia, adotou-se o método enzimático colorimé- trico, segundo método de aplicação laboratorial. Na amostragem para avaliação da concentra- ção de glicogênio in vivo empregou-se o seguinte procedimento: após 30 minutos de anestesia (pentobarbital sódico 40 mg/kg, i.p.), amostras de sangue foram coletadas da artéria femural, veia fe- mural, veia porta-hepática e veia supra-hepática. Centrifugou-se o sangue a 3.000 rpm, durante dez minutos, e transferiu-se o plasma para a deter- minação da glicemia. Os eritrócitos foram lavados duas vezes com solução salina 0,9%, descartando- se a camada superficial em que se encontravam os leucócitos, procedimento comparável com os mé- todos usados para preparar eritrócitos para estu- dos metabólicos.20 Uma alíquota de 20 μl dos eritrócitos destinou-se à avaliação da hemoglobi- na e 200 μl de eritrócitos foram usados na avalia- ção do conteúdo de glicogênio. A seguir, amostras do fígado foram coletadas e encaminhadas à dosa- gem do conteúdo de glicogênio, segundo o méto- do proposto por Siu et al.21 A análise estatística foi realizada da seguinte maneira: para as diferenças arteriovenosa e veias porta supra-hepática, foi utilizado o teste t de Stu- dent pareado, ao passo que, para a diferença en- tre os grupos experimentais, adotou-se ANOVA seguido do teste de Tukey. Em todos os cálculos, fixou-se o nível crítico de 5% (p < 0,05). As relações entre o conteúdo eritrocitário de glicogênio e as variações da glicemia foram calcu- ladas por meio da correlação. Nos estudos in vi- tro, o conteúdo de glicogênio nos eritrócitos foi examinado em razão da variação da concentra- ção de glicose. Determinaram-se a correlação (R) e a regressão linear pelo método dos mínimos quadrados na forma Y = a + b X, onde Y = con- centração de glicogênio; X = concentração de gli- cose; a = interseção com a ordenada e b = inclinação da curva. RESULTADOS Para orientar a dinâmica experimental, os re- sultados estão apresentados em módulos, inician- do pela concentração de glicogênio em eritrócitos e pela correlação com a glicemia em diferentes se- tores do leito vascular. A tabela 1 mostra os valo- res da glicemia e da concentração de glicogênio eritrocitário em quatro setores do leito vascular: artéria e veia femurais e veias porta e supra-hepá- tica de ratos, durante o período pós-prandial. A glicemia medida nas femurais revela uma diferença arteriovenosa de 25,4%, sendo maiores os valores obtidos no ramo arterial. Essa diferen- ça correspondeu à utilização de glicose no mem- bro posterior esquerdo do rato. Também, como esperado, houve diferença entre as glicemias da veia porta e da supra-hepática, sendo maior a concentração nessa última, em virtude da libera- ção de glicose pelo fígado. Para avaliar se os eritrócitos participam na ho- meostasia da glicose, como armazenadores e transportadores de glicose, o conteúdo de glico- gênio neles foi quantificado no sangue coletado nos quatro setores do leito vascular. As reservas eritrocitárias de glicogênio variaram conforme a região de coleta, registrando-se diferença de 16,7% entre a artéria e a veia femural e de 28% entre a veia supra-hepática e a porta. A diferença arteriovenosa observada poderia estar relaciona- da à mobilização do glicogênio dos eritrócitos em condições em que a glicemia diminuiu (veia fe- mural). Esta correspondeu à diferença glicêmica entre as femurais de 25,4%. O conteúdo de glico- gênio, que na veia porta não diferiu da femural, aumentou 28% após a passagem do sangue pelo fígado, indicando ter havido carga de glicose e síntese de glicogênio nos eritrócitos nesse ínterim. Tal recuperação do conteúdo de glicogênio deu- se no período em que o fígado liberou glicose, uma vez que a concentração plasmática dessa substância na veia supra-hepática foi 56,3% mai- or que na veia porta. A concentração de glicogê- nio avaliada nos setores do leito vascular mostrou alta correlação com a glicemia (r = 0,794). Uma vez que o conteúdo eritrocitário de gli- cogênio e a concentração plasmática de glicose nos setores estudados estavam altamente correla- cionados, avaliamos o comportamento dos eri- trócitos coletados de ratos submetidos a exercício físico (sessão de natação de 50 minutos), condi- saude17.book Page 34 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. Saúde em Revista 35 PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO ção indutora de alterações no metabolismo de carboidratos (tab. 2). No grupo de ratos submetidos ao exercício fí- sico, a glicemia foi maior que a do grupo contro- le, não havendo diferença entre as femurais. Porém, a glicemia da veia supra-hepática foi 50,7% maior que na veia porta, típica de uma condição mobilizadora das reservas hepáticas de glicose. O estresse por exercício físico forçado de- pletou as reservas de glicogênio dos eritrócitos, desaparecendo-se a diferença entre os setores analisados constatada em ratos controle. Como conseqüência, a concentração de glicogênio eri- trocitário e a glicemia apresentaram correlação muito baixa (r = 0,202). Os estudos realizados in vivo apontaram cor- relação entre a glicemia e o conteúdo de glicogê- nio nos eritrócitos em ratos normais, sugerindo que podem armazenar e liberar glicose enquanto circulam no organismo. Ademais, alterações in- duzidas no metabolismo, como o exercício físico forçado, também afetaram sua capacidade arma- zenadora, provavelmente mobilizando o glicogê- nio sob efeito de hormônios hiperglicemiantes. Para demonstrar que os eritrócitos participam da homeostasia glicêmica, é necessário provar a capacidade deles de acumular glicogênio quando a glicemia se eleva acima dos níveis normoglicê- micos e de depletá-lo quando em hipoglicemia. Nos estudos de carga (isto é, de capacidade de síntese de glicogênio), empregaram-se eritrócitos de ratos adultos contendo 16,56 ± 2,4 μg.g-1Hb de glicogênio em concentração de glicose plasmá- tica de 89,11 ± 6,7 mg.dl-1. Na ausência de gli- cose ou na presença de 40 mg.dl-1, os eritrócitos reduziram suas reservas de glicogênio em 96,4% e 33,7%, respectivamente. Por outro lado, quan- do incubados em salina com de 120 mg.dl-1 a 240 mg.dl-1 de glicose, apresentaram elevação no conteúdo de glicogênio variando de 30,6% até 138,11% (tab. 3). A capacidade de descarga (mobilização) das re- servas eritrocitárias de glicogênio foi estudada em eritrócitos de ratos controle (glicemia 80,96 ± 1,5 mg.dl-1), cuja reserva original de glicogênio era 18,90 ± 0,5 μg.g-1Hb. Após incubação durante 15 minutos a 37oC na presença de 240 mg.dl-1 de glicose, o conteúdo de glicogênio aumentou 57%. Naqueles eritrócitos reincubados em concentra- ções de glicose iguais a 160 mg.dl-1 ou menores, houve progressiva redução no conteúdo de glico- gênio em 50,7%, 45,9%, 58,2%, 94,9% e 98,1%, quando comparado à condição 240 mg.dl-1. A dependência do conteúdo de glicogênio dos eritrócitos em relação à concentração de glicose do meio extracelular, quando avaliado por meio de curvas de regressão linear, descreve a carga com elevada correlação (r = 0,942). Observou-se forte correlação (r = 0,835) também no experi- mento de descarga. A tabela 4 mostra o efeito, in vitro, dos hormô- nios glicogenolíticos sobre as reservas eritrocitárias de glicogênio em células incubadas na presença de diferentes concentrações de glicose. Eritrócitos in- cubados na presença de adrenalina (200 ng.ml-1) apresentaram depleção das reservas de glicogênio, independentemente da concentração de glicose do meio e com uma correlação muito baixa (r = 0,20) entre a concentração eritrocitária de glicogê- nio e de glicose no meio de incubação. Percebeu-se o mesmo efeito nos eritrócitos incubados na pre- Tabela 1. Valor da média ± epm da concentração de glicogênio eritrocitário (μg.g-1 Hb) e de glicose plasmática (mg.dl-1) no leito vascular de ratos adultos; n = 4, p < 0,05, * na comparação entre a artéria e veia femural e # na comparação entre a veia porta e a supra-hepática. SETORES DO LEITO VASCULAR GLICOGÊNIO (ΜG.G-1 HB) GLICOSE (MG.DL-1) Artéria femural 44,23 ± 0,1 97,42 ± 1,2 Veia femural 36,82 ± 1* 72,62 ± 3,4* Veia porta 38,10 ± 0,9 71,11 ± 4,3 Veia supra-hepática 48,96 ± 1,4# 111,21 ± 4,3# Tabela 2. Valor da média ± epm da concentração de glicogênio eritrocitário (μg.g-1Hb) e de glicose plasmática (mg/dL) dos grupos controle e submetidos a natação; n = 4, p < 0,05, * na comparação entre a artéria e veia femural, # na comparação entre a veia porta e a supra-hepática. GLICOGÊNIO CONTROLE GLICEMIA CONTROLE GLICOGÊNIO NATAÇÃO GLICEMIA NATAÇÃO Artéria femural 44,23 ± 0,1 97,42 ± 1,2 1,92 ± 0,3a 277,92 ± 32a Veia femural 36,82 ± 1* 72,62 ± 3,4* 1,58 ± 0,1a 241,43 ± 27a Veia porta 38,10 ± 0,9 71,11 ± 4,3 2,16 ± 0,1a 224,53 ± 17a Veia supra-hepática 48,96 ± 1,4# 111,21 ± 4,3* 1,77 ± 0,2a 338,38 ± 14# a saude17.book Page 35 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. 36 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005 sença de noradrenalina (200 ng.ml-1) que também apresentaram correlação muito baixa (r = 0,062) entre a concentração de glicogênio e de glicose no meio de incubação. Houve ainda redução do con- teúdo eritrocitário de glicogênio na presença de corticosterona e de glucagon. Na presença de cor- ticosterona (22 μg.ml-1) ocorreu redução de 95%, independentemente da concentração de glicose do meio (r = 0,008). Apesar de os eritrócitos incuba- dos na presença de glucagon também terem reve- lado depleção das reservas de glicogênio, a redução de 53,3% a 78,6% foi menor que a ocor- rida em presença dos outros hormônios glicogeno- líticos estudados. Tem sido sugerido que, em várias ocasiões, os eritrócitos armazenam e mobilizam glicogênio de modo semelhante ao fígado. Nessa condição es- tudou-se a distribuição hepática de glicogênio e a tabela 5 mostra a concentração dele nos três ló- bulos hepáticos de ratos, em que se pode verificar que, desse total de lóbulos, o superior possui o maior conteúdo de glicogênio. Entretanto, essa forma de amostragem não possibilitou a detecção das diferenças entre os setores do mesmo lóbulo. Nos ratos submetidos à natação, as reservas de glicogênio foram depletadas nos lóbulos supe- rior, direito e esquerdo, em 87,8%, 49,7% e 57,8%, respectivamente. Não se observou dife- rença significativa entre os lóbulos e a depleção do conteúdo de glicogênio ocorreu de maneira homogênea. DISCUSSÃO A manutenção da normoglicemia depende da integridade dos sistemas nervoso e endócrino, que regulam a dinâmica de mobilização e armaze- namento das reservas hepáticas de glicogênio.22 Diversos estudos têm demonstrado, nos eritróci- tos, a presença das enzimas glicogênio sintetase, amiloglicosidase e fosforilase, as quais contribu- em para a formação do reservatório de glicogênio e sua utilização.3 O interesse pela compreensão dos mecanis- mos que colaboram na manutenção de níveis normoglicêmicos levou-nos a examinar a partici- Tabela 3. Efeito da concentração de glicose sobre a concentra- ção de glicogênio (μg.g-1Hb) de eritrócitos de ratos adultos in vitro. O conteúdo de glicogênio foi deter- minado em eritrócitos, após incubação em solução salina (NaCl 0,9%) durante 15 min. a 37oC. No grupo descarga, os eritrócitos foram inicialmente incuba- dos em salina contendo 240 mg.dl-1 de glicose nas condições descritas acima e, em seguida, reincuba- dos em soluções com outras concentrações de gli- cose; n = 4, p < 0,05, * comparado à ausência de glicose. CARGA DESCARGA Glicose Glicogênio Glicose Glicogênio nihil 0,52 ± 0,05 240 29,77 ± 5,8* 40 9,72 ± 3,5* 200 22,60 ± 5,5* 80 13,72 ± 0,7* 160 12,61 ± 2,1* 120 21,52 ± 0,3* 120 9,10 ± 2,2* 160 21,75 ± 1,4* 80 7,35 ± 1* 200 24,64 ± 0,8* 40 1,49 ± 0,2* 240 34,67 ± 0,8* NIHIL 0,55 ± 0,2 Tabela 4. Valor da média ± epm da concentração de glicogênio (μg.g-1Hb) de eritrócitos incubados na presença de glicose (mg/dL) in vitro dos grupos tratados com hormônios glicogenolíticos. O conteúdo de glicogênio foi determinado em eritrócitos após incubação em solução salina (NaCl 0,9%), durante 15 min. a 37oC na presença do hormônio; n = 4, p < 0,05, * comparado ao controle. GLICOSE CONTROLE ADRENALINA NORADRENALINA CORTICOSTERONA GLUCAGON NIHIL 0,52 ± 0,05 0,20 ± 0,02* 0,55 ± 0,03* 0,87 ± 0,02* 0,43 ± 0,02* 40 9,72 ± 3,5 0,94 ± 0,03* 0,86 ± 0,04* 1,06 ± 0,03* 4,93 ± 0,2* 80 13,72 ± 0,7 1,77 ± 0,04* 1,11 ± 0,1* 0,93 ± 0,1* 7,58 ± 0,2* 120 21,52 ± 0,3 1,46 ± 0,04* 2,05 ± 0,2* 0,72 ± 0,05* 6,52 ± 0,9* 160 21,75 ± 1,4 1,20 ± 0,3* 1,58 ± 0,2* 1,00 ± 0,1* 4,47 ± 1,4* 200 24,64 ± 0,8 0,94 ± 0,1* 1,71 ± 0,08* 0,86 ± 0,2* 3,47 ± 1,5* 240 34,67 ± 0,8 1,06 ± 0,2* 2,41 ± 0,2* 0,94 ± 0,1* 6,53 ± 0,8* Tabela 5. Valor da média ± epm da concentração de glicogênio hepático lobular (mg/100mg) de ratos controle e sub- metidos a natação 50 min., n = 4, p < 0,05, * com- parado ao controle. LÓBULO CONTROLE NATAÇÃO Superior 4,13 ± 0,1 0,50 ± 0,05* Direito 3,58 ± 0,2 1,80 ± 0,1* Esquerdo 3,46 ± 0,2 1,46 ± 0,1* Média ± epm 3,72 ± 0,2 1,66 ± 0,1* saude17.book Page 36 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. Saúde em Revista 37 PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO pação dos eritrócitos, considerando que seus re- servatórios de glicogênio poderiam desempenhar importante função na distribuição de glicose, conforme sugerido por Guarner e Alvarez- Buylla.2 Essa função dos eritrócitos tem sido rele- gada a um plano secundário, em virtude do gran- de reservatório de glicogênio do fígado e a rapidez com que ele é mobilizado e reconstituído em in- divíduos normais. Todavia, este estudo mostrou di- versas semelhanças entre os eritrócitos e os hepatócitos quanto ao armazenamento e à libe- ração de glicose em diversas situações funcionais envolvendo rápidas mudanças no metabolismo. Além disso, os eritrócitos são um reservatório de glicogênio de fácil acesso, permitindo várias amos- tragens em estudos de longa duração, sem provo- car grande estresse para os animais ou sujeitos experimentais. Com o intuito de avaliar as reservas eritroci- tárias de glicogênio, foram examinados eritróci- tos de diversos setores do leito vascular. Houve uma diferença de 16,7% entre a concentração de glicogênio dos eritrócitos coletados na artéria e na veia femurais, sendo significativamente maior no ramo arterial. Essa diferença arteriovenosa pe- riférica sugere que os eritrócitos poderiam estar liberando glicose durante o trânsito pelos capila- res. E, embora menor, é simultânea à observada na concentração de glicose plasmática, sendo 25,4% maior na artéria do que na veia femural. Após os eritrócitos passarem pelo interior do fí- gado, a concentração de glicogênio aumentou 28,5%, sugerindo que tenham captado glicose no interior desse órgão. Tal diferença também é pa- ralela à ocorrida na glicemia, sendo as concentra- ções de glicose plasmática na veia supra-hepática 56,3% maiores que na veia porta. As observações acima estão de acordo com os estudos de Guar- ner e Alvarez-Buylla,2 que demonstraram que, independentemente da ação da insulina, quando a glicemia se eleva os eritrócitos captam glicose, estocando-a na forma de glicogênio, e a liberam quando a glicemia é reduzida. Em 1984, Jacquez23 verificou que o conteúdo de glicose intraeritrocitário supera as necessida- des metabólicas em 12 mil vezes, sugerindo que essas células transportam glicose pela corrente sanguínea. Neste estudo, verificou-se diferença na concentração eritrocitária de glicogênio nas fe- murais (artéria e veia) de 7.41 μg.g-1 Hb. Consi- derando-se o baixo consumo de glicose pelos eritrócitos, a disparidade no conteúdo eritrocitá- rio de glicogênio sugere ter havido a liberação de glicose, e não a utilização dela pelos eritrócitos. Também as diferenças arteriovenosa e entre as veias porta e supra-hepática estão de acordo com a proposta de envolvimento dos eritrócitos na distribuição de glicose.2, 23 Para constituir importante fonte de glicose, os eritrócitos devem armazenar glicogênio em razão das variações da glicemia. A forte correlação en- tre a glicemia e a concentração de glicogênio eri- trocitária (r = 0,794), encontrada nos diferentes setores vasculares, sugeriu que o conteúdo de gli- cogênio nos eritrócitos depende da concentração plasmática de glicose. Tal impressão confirmou-se experimentalmente in vitro. In vitro, em concentrações crescentes de gli- cose, os eritrócitos aumentaram, de maneira dire- tamente proporcional, as suas reservas de glicogênio, com correlação elevada (r = 0,94). Todavia, houve ainda necessidade de demonstrar que os eritrócitos liberavam glicose à medida que a concentração dela no meio se reduzia. Eritróci- tos inicialmente incubados na presença de 240 mg.dl-1 de glicose acumularam glicogênio e, pos- teriormente, reduziram o seu conteúdo, ao serem novamente incubados em concentrações mais baixas de glicose (r = 0,83). Para verificar se os eritrócitos contribuem para a regulação da glicemia, estudou-se a capacidade dos eritrócitos de variar seu conteúdo de glicogê- nio em várias situações nas quais o metabolismo de carboidratos, entre outros, é afetado, reque- rendo a utilização das reservas em virtude de ajus- tes metabólicos. Para isso, escolheu-se o exercício físico (sessão de natação de 50 minutos), caracte- rizado pela elevada mobilização de substratos energéticos como resultado da ação dos hormôni- os contra-reguladores da insulina, cujas concen- trações se elevam no plasma.24 O quadro metabólico adaptativo caracteriza-se por altera- ções hormonais vinculadas à redução da insuline- mia e concomitante elevação dos níveis séricos de glucagon, glicocorticóides e catecolaminas, que induzem a depleção do glicogênio hepático.25 Sob essa condição, os eritrócitos apresenta- ram baixa concentração de glicogênio, em com- paração ao grupo controle. Todavia, ainda persistiu a diferença glicêmica arteriovenosa de 59%, indicativo da distribuição de glicose aos te- cidos periféricos, maior do que a observada nos animais com livre acesso ao alimento. Igualmente foi possível verificar a carga dos eritrócitos (au- mento de 294%) ao passarem pelo fígado, sujeito saude17.book Page 37 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. 38 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005 à intensa atividade glicogenolítica por conta da ação dos hormônios contra-reguladores. Uma situação que determina intensa mobiliza- ção de substratos energéticos é o exercício físico por natação. Durante sua fase inicial, o glicogênio tecidual constitui a principal fonte energética consumida. No entanto, com a continuidade do esforço físico, outras fontes energéticas desempe- nham importante papel: ácidos graxos livres, aminoácidos de cadeia ramificada e lactato. A ele- vação na disponibilidade plasmática desses subs- tratos advém da mobilização de reservatórios hepáticos e/ou de tecido adiposo.24 Durante a realização dessa forma de esforço físico aumenta a secreção dos mesmos hormônios glicogenolíticos.26 De maneira similar ao que se verificou no fígado, as reservas de glicogênio dos eritrócitos também foram mobilizadas durante o estresse causado por exercício físico contínuo. Provavelmente, a redução do conteúdo de glico- gênio deveu-se ao efeito direto dos hormônios hi- perglicemiantes liberados nesse período, pois as reservas sofreram depleção mesmo quando a gli- cemia manteve-se elevada (r = 0,194). Os efeitos dos hormônios glicogenolíticos so- bre as reservas hepáticas de glicogênio são conhe- cidos.26 Considerando os resultados do exercício físico sobre as reservas de glicogênio em eritróci- tos e as aparentes semelhanças entre fígado e eri- trócitos quanto ao metabolismo de carboidratos, avaliamos as reservas de glicogênio em eritrócitos de ratos controle, incubados na presença de hor- mônios glicogenolíticos e de glicose. Adrenalina, noradrenalina e glucagon indu- ziram depleção das reservas de glicogênio, mesmo em presença de elevada concentração de glicose, confirmando as observações de Guarner e Alvarez- Buylla2 sobre os efeitos da adrenalina. À seme- lhança do observado no fígado por Pilks e Gran- ner,27 o glucagon também promoveu a depleção das reservas de glicogênio em eritrócitos. Além disso, este estudo mostrou que a corticosterona, cuja liberação no sangue aumenta durante o estres- se causado pelo exercício físico, também compro- meteu as reservas de glicogênio em eritrócitos incubados em alta concentração de glicose.20 Os hepatócitos compreendem 92% da massa celular do fígado – daí o parênquima hepático ter sido classificado como tecido funcionalmente ho- mogêneo. Entretanto, estudos da microestrutura do fígado mostraram diferenças estruturais e fun- cionais entre as células do parênquima hepático conforme a posição do hepatócito, ou seja, na re- gião perivenosa ou na periportal.19 Na porção periportal predominam as enzimas que regulam a síntese de glicogênio (succinato de- sidrogenase, glicose 6-fosfatase, hexoquinase, pi- ruvato quinase, isoenzima M2, frutose 1-6 bifosfatase e fosfoenolpiruvato carboxiquinase, por exemplo). Já na região perivenosa detecta- ram-se predominantemente as enzimas chaves da glicólise e lipogênese (glicoquinase, piruvato qui- nase, citrato liase, acetil Co-A carboxilase e isoen- zima L, entre outras). A constatação dessas diversidades entre os hepatócitos levou à formula- ção do modelo do zoneamento metabólico do fí- gado, propondo que os hepatócitos periportais e perivenosos exercem funções metabólicas diferen- tes, o que facilitaria o controle do metabolismo.28 Conforme Bartels et al.,29 a síntese hepática de glicogênio na porção periportal ocorre a partir de lactato, piruvato e glutamina, ao passo que na região perivenosa acontece diretamente a partir de glicose. Portanto, durante a fase absortiva, os hepatócitos perivenosos captariam glicose, a qual poderia ser incorporada aos estoques de glicogê- nio ou degradada até lactato; este é liberado na circulação e captado pelas células periportais, onde participa da síntese de glicogênio. No perío- do pós-absortivo, essas células liberam glicose, ao passo que as perivenosas liberam lactato.28 Pelo fato de o fígado tratar-se de um órgão importante no controle glicêmico, decidimos comparar as suas células aos eritrócitos. A análise dos resultados setoriais (intralobular) não revelou diferenças no conteúdo de glicogênio, quanto ao zoneamento. Porém, demonstrou que o lóbulo superior, o qual não é o maior, armazenou maior quantidade de glicogênio que os demais.30 Esse lóbulo corresponde a 33% da massa hepática e contém 36% da reserva de glicogênio, ao passo que o lóbulo direito possui 26% da massa e 32% da reserva de glicogênio, e o lóbulo esquerdo, 41% da massa e 32% da reserva de glicogênio. Portanto, este trabalho mostrou as similarida- des entre eritrócitos e hepatócitos, no que se refe- re ao armazenamento e à mobilização das reservas de glicogênio. CONCLUSÃO Este estudo demonstra in vivo que: 1. os eritrócitos possuem reservas de glicogênio maiores no ramo arterial do que no venoso. Na veia porta, o conteúdo de glicogênio dos eritró- saude17.book Page 38 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL. Saúde em Revista 39 PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO citos é menor do que na veia supra-hepática, sendo tais diferenças sugestivas de que os eritró- citos participam do transporte e da distribuição de glicose aos tecidos, captando-a no interior do fígado e liberando-a na periferia; 2. o consumo eritrocitário de glicose é muito baixo em relação ao seu conteúdo de glicogênio, re- forçando a proposta de que os reservatórios de glicose têm a finalidade de distribuição, e não de consumo; 3. quando o rato foi submetido a natação, as reservas eritrocitárias de glicogênio foram afe- tadas de modo similar ao observado nos he- patócitos, acontecendo provavelmente pela ação dos hormônios glicogenolíticos secretados nessa condição. Os resultados demonstraram, in vitro, que: 1 a incorporação ou liberação de glicose da reser- va de glicogênio eritrocitário correlacionou-se fortemente com a variação da glicose do meio; 2 os hormônios glicogenolíticos adrenalina, nora- drenalina e glucagon promoveram depleção das reservas eritrocitárias de glicogênio. Assim, as propriedades eritrocitárias aqui de- monstradas apontam sua importância durante as fases iniciais do exercício físico, oferecendo um suporte glicêmico que precede o nutricional de- corrente da glicogenólise hepática. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Lancha Jr. Nutrição e Metabolismo Aplicados a Atividade Motora. 1.ª ed. São Paulo: Ed. Atheneu; 2002. p.37-69. 2. Guarner V, Alvarez-Buylla R. Erythrocyte and Glucose Homeostasis in Rats. Diabetes 1989; 38: 410-5. 3. Moses SW, Bashan N, Gutman A. Glycogen Metabolism in the Normal Red Blood Cell. Blood 1971; 40 (6): 836-43. 4. Li YZ, Zhou HQ, Peng F, Zhang ZH. 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Assim, o presente trabalho visa a i) conhecer o comportamento de indicadores de aptidão física, particularmente flexibili- dade e deslocamento vertical de membros inferiores em idosos praticantes da modalidade karatê-do; e ii) explorar variação das variáveis estudadas em diferentes momentos das aulas. As unidades de observação constituíram-se de 18 voluntárias participantes do projeto oferecido pelo município de Rincão/SP. Coletaram-se os dados em três momentos distintos: antes de ini- ciar as atividades, após dez e vinte aulas. Posteriormente, eles foram trans- critos em planilha específica e armazenados em banco computacional, produzindo informações no plano descritivo (medidas de centralidade e dispersão) e inferencial por meio de análise de medidas repetidas. Os prin- cipais resultados apresentaram como destaque a flexibilidade, com aumen- to significativo do primeiro para o segundo momento das aulas (p < 0,01) e, no deslocamento vertical de membros inferiores, discreta melhora em todas as etapas (p > 0,05). Conclui-se, assim, que as aulas de karatê-do po- dem ser utilizadas como metodologia na melhoria nas variáveis estudadas. Palavras-chave KARATÊ – DESLOCAMENTO VERTICAL – FLEXIBILIDADE. ABSTRACT The incentive of the regular practice of any physical activity has been observed in several age groups and in different settings. In this sense, the feedback from training becomes relevant for the elaboration of programs. The present study has as its main goals: i) to know the behavior of physical aptitude indicators, particularly flexibility and vertical dislocation of inferior members in seniors apprentices of Karate-Do, ii) to explore variation of studied variables in different moments during the classes. The observation units were constituted of 18 volunteers who participated in the project offered by the town of Rincão/SP. The data were collected in three different moments: before the beginning of the activities, after ten and twenty classes. The data were, then, transcribed in specific spreadsheet, stored in data bank producing information in the descriptive plan (central measures and dispersion) and inference throughout analysis of repeated measures. The principal results highlighted flexibility, that raised significantly from the first to the second moment of the classes (p < 0,01), and in the vertical dislocation of inferior members, which showed discreet improvement in all the stages (p > 0,05). The data suggested that the karate-do classes can be used as a methodology on improving the studied variables. Keywords KARATE-DO – VERTICAL DISLOCATION – FLEXIBILITY. ORIGINAL /ORIGINAL CASSIANE RODRIGUES Secretaria de Esportes e Turismo – Prefeitura Municipal de Rincão/SP JOÃO PAULO BORIN* Curso de Mestrado em Educação Física – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) CARLOS ROBERTO PEREIRA PADOVANI Mestre em informática pela Fatec/SP CARLOS ROBERTO PADOVANI Departamento de Bioestatística – Faculdade de Ciências Médicas (Unesp/SP) *Correspondências: Rod. do Açúcar, km 156, Mestrado em Educação Física, 13400-911, Piracicaba/SP jpborin@unimep.br saude17.book Page 41 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CASSIANE RODRIGUES, ET AL. 42 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 41-45, 2005 INTRODUÇÃO os últimos anos, a busca pela qualidade de vida tornou-se alvo de diferentes camadas da sociedade e faixas etárias, particularmen- te dos idosos, para auxílio no retardo do envelhe- cimento. Associa-se qualidade de vida a fatores como estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, salário, lazer, relações familiares, dispo- sição, prazer e até espiritualidade.1 Raso et al.,2 de forma objetiva, classificam como idosos os indivíduos pertencentes à faixa etária superior aos 50 anos de idade. Levinson,3 mais detalhadamente, sugere que adultos passam por importantes transições, classificando os está- gios da vida adulta da seguinte maneira: aproxi- madamente aos 20 anos de idade, transição inicial da vida adulta; aos 25, entrada no mundo adulto; aos 30, transição dos 30 anos; dos 35 aos 40, es- tabelecimento; dos 40 aos 45, transição da meia- idade; dos 45 aos 50, entrada nos meados da fase adulta; dos 50 aos 55, transição dos 50 anos; dos 55 aos 60, culminação dos meados da fase adulta; dos 60 aos 65, transição da fase adulta avançada; e dos 65 aos 70, fase adulta avançada. Nota-se que algumas dificuldades são enfrenta- das pelos idosos, como o padrão de beleza estabe- lecido pela indústria da beleza, que vende a eterna juventude e nega a velhice. Porém, verifica-se aí o reconhecimento e a conscientização nas questões voltadas à saúde e aos cuidados com o corpo,4 pois, no Brasil, há aproximadamente 23 milhões de idosos, com projeção de se chegar a 32 mi- lhões, ao longo de 2005.5 O envelhecimento é um fenômeno biológico e psicológico, que gera influência no âmbito fa- miliar e social. Tal processo caracteriza-se pela perda gradual de diversas funções orgânicas: no sistema cardiovascular, por exemplo, a diminui- ção do volume sistólico em repouso e do débito cardíaco; no respiratório, a redução do volume residual e da capacidade vital; e, no músculo es- quelético, a perda óssea de 1% ao ano, a partir dos 35 anos, bem como diminuição da força muscular e da flexibilidade.6 Segundo estudos do Colégio Americano de Medicina do Esporte,7 o envelhecimento é um processo complexo envolvendo muitas variáveis, como genética, estilo de vida e doenças crônicas que interagem entre si e influenciam significativa- mente o modo como alcançamos determinada idade. À medida que a idade cronológica aumen- ta, as pessoas tornam-se menos ativas e, conse- qüentemente, suas capacidades físicas diminuem. Diversas alterações acompanham esse processo, como estresse, depressão e sentimento de velhice, sendo que a redução da atividade física facilita o surgimento de doenças crônicas.8 A participação regular em programas de exer- cício físico tem sido uma das alternativas para amenizar o impacto do envelhecimento sobre al- gumas funções fisiológicas,5 pois o sedentarismo prolongado leva a uma diminuição gradativa da aptidão física. Já o treinamento físico é capaz de produzir melhoras imediatas nas funções essenci- ais da aptidão física do idoso.4 No entanto, Alves9 alerta que os exercícios físicos podem apresentar algumas limitações para os idosos, so- bretudo em razão das modificações fisiológicas impostas pelo processo de envelhecimento. Pesquisas demonstram que, com treinamento adequado, é possível a pessoa melhorar suas dife- rentes capacidades físicas, como força, flexibilida- de, resistência e agilidade, pois a primeira depende da secção longitudinal do músculo e a segunda, de quanto o músculo pode se alongar – mecanismos que, mesmo diferentes, não elimi- nam um ao outro.10 O desenvolvimento tanto da força quanto da resistência muscular apresentam vários benefícios à saúde, como aumento da den- sidade óssea, do volume muscular, da força do te- cido conjuntivo e da auto-estima. Idosos que se exercitam com pesos recuperam boa parte da for- ça perdida.6 De acordo com Barbanti,11 a força manifesta- se de duas maneiras: dinâmica e estática. A dinâ- mica é quando ocorre encurtamento das fibras musculares, provocando a movimentação dos segmentos musculares – portanto, há movimen- to. Pode ser classificada como positiva (concêntri- ca), quando é maior que a resistência, ou negativa (excêntrica), quando a resistência é maior que ela, provocando recuo. Já na forma estática, não ocorre encurtamento das fibras musculares, não havendo, assim, movimento. Cabe aqui destacar que, em média, a mulher atinge o seu valor máximo de força entre 16 e 18 anos de vida, ao passo que o homem o faz entre 18 e 20 anos.12 Outro ponto de destaque nesse cenário refere-se à capacidade de realizar movi- mentos com grande amplitude, conhecida como flexibilidade, afetada pela maneira, pelo tipo e pela estrutura das articulações, além dos tendões e ligamentos, entre outros.13 N saude17.book Page 42 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CASSIANE RODRIGUES, ET AL. Saúde em Revista 43 APTIDÃO FÍSICA DE MULHERES IDOSAS: ESTUDO A PARTIR DE AULAS RECREATIVAS DE KARATÊ-DO A flexibilidade pode ser classificada como geral ou específica. A primeira é entendida quando a movimentação ocorre pela ação conjunta das arti- culações; a segunda, quando a ação dá-se apenas em uma ou um conjunto de articulações.11 O trei- namento de flexibilidade pode proporcionar vários benefícios: diminuição do estresse e da tensão mus- cular, melhora da postura e simetria corporal, alívio de dor lombar e de cãibras, aumento da amplitude de movimento como resultado da melhora da mo- bilidade articular e do alongamento muscular.10 Segundo Nieman,6 os benefícios da flexibili- dade associados à saúde são: melhoria da mobili- dade articular, aumento da resistência a lesão e dores musculares, diminuição do risco de lombal- gia e outras dores de coluna, melhoria da postu- ra, movimentos mais graciosos do corpo e melhoria da aparência pessoal e da auto-imagem, desenvolvimento da habilidade para práticas es- portivas e diminuição da tensão e do estresse. Coelho e Araújo14 relatam maior facilidade na execução das atividades cotidianas em adultos, quando aumentados os níveis de flexibilidade. Nota-se, assim, a importância do desenvolvi- mento das diversas capacidades biomotoras nas várias faixas etárias, particularmente na terceira idade. Nesse sentido, o presente trabalho objetiva conhecer o comportamento da flexibilidade e do deslocamento vertical de membros inferiores em idosos praticantes da modalidade karatê-do e ex- plorar a variação das referidas variáveis em dife- rentes momentos das aulas. METODOLOGIA As unidades observacionais foram compostas por 18 voluntárias, saudáveis, todas do sexo fe- minino, com média de idade de 58,8 (± 12,4) anos, peso de 57,4 (± 8,8) kg, estatura de 1,59 (± 5,8) [cm], residentes no município de Rincão/ SP. Utilizou-se como critério de exclusão o regis- tro de evidências clínicas de alterações cardíacas, pulmonares e ortopédicas na anamnese inicial. Para análise do deslocamento vertical de membros inferiores, empregou-se o teste de im- pulsão vertical com o auxílio dos braços, realizan- do-se três tentativas e anotando-se a melhor.15 Para a flexibilidade, o Banco de Wells, com duas tentativas, considerando-se a melhor.15 A uni- dade de medida adotada em ambos os testes foi centímetros. Cabe destacar que se preservou a ho- mogeneidade dos procedimentos de coleta pela adoção do mesmo examinador. Realizou-se a avaliação física no próprio local das aulas, no Centro Comunitário Antônio Pinto, em três momentos distintos: antes de iniciarem as aulas (AI); após 10 aulas (A10); e depois de 20 aulas (A20). As aulas começavam com a confirmação da presença, em seguida, alongamento durante cinco minutos e, depois, aquecimento, na maioria das vezes feito com recreação, com duração por volta de 15 minutos. Os exercícios específicos de karatê- do eram executados em 30 minutos e, nos 10 últi- mos, administravam-se atividades recreativas ou relaxantes. O período total foi de 12 semanas, com encontros marcados duas vezes por semana, com duração de 60 minutos cada aula. Os dados obtidos foram transcritos em plani- lha específica e armazenados em banco computaci- onal, produzindo informações no plano descritivo (medidas de centralidade e dispersão – média e desvio-padrão) e inferencial, mediante análise de medidas repetidas.16 Todas as participantes assina- ram o termo de consentimento livre e esclarecido antes da participação no programa, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universi- tário de Araraquara. RESULTADOS A tabela 1 apresenta os resultados encontrados nos diferentes momentos da avaliação. Quanto à flexibilidade, nota-se na avaliação inicial (AI) que a média aponta valores de 28,5 ± 7,9 cm. No se- gundo momento, após participação em 10 aulas (A10), as alunas apresentaram escores médios de 30,8 ± 7,6 cm. Pode-se averiguar, de AI para A10, um ganho significativo de flexibilidade (p < 0,01). Cabe ressaltar que a identificação com letras iguais significa semelhança e o contrário, diferença signi- ficativa entre os momentos analisados. No terceiro e último momento, após 20 aulas (A20), as alunas mostraram, em média, 30,9 ± 6,8 cm. No que diz respeito ao deslocamento vertical de membros inferiores, pode-se observar que na AI, as alunas alcançaram escores médios de 12,5 ± 4 cm; no segundo momento (A10), os dados médios elevaram-se para 13 ± 3 cm e, por fim, na terceira e última etapa (A20), os escores médi- os apontam valores de 17 ± 3,3 cm. Nota-se que, nessa variável, pelo comportamento da letra a, não houve diferença significativa (p > 0,05). saude17.book Page 43 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CASSIANE RODRIGUES, ET AL. 44 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 41-45, 2005 DISCUSSÃO Os resultados obtidos permitem verificar uma melhora na aptidão física das senhoras submetidas a treinamento de karatê-do, de acordo com a litera- tura sobre programas dirigidos à população idosa. O efeito positivo no deslocamento vertical de membros inferiores, de 12,5cm em AI para 17cm em A20, pode explicar-se por uma das característi- cas do treinamento de karatê: na execução dos exercícios, as pernas permanecem semiflexionadas, com constante movimentação e transferência de peso de uma para outra. Matsudo et al.17 citam que, em relação a programas de exercícios dirigidos a idosos, é fundamental o fortalecimento da mus- culatura, de modo a incrementar a massa muscular e, em conseqüência, a força, evitando uma das principais causas de inabilidade e quedas. Meirelles4 objetivou verificar o efeito de um protocolo de treinamento com pesos, de intensi- dade progressiva sobre a variável força, de nove mulheres saudáveis, com média de idade 68,4 ± 6,6 anos. Concluiu que, com 12 semanas de trei- namento, é possível constatar resultados significa- tivos, apontando ainda que idosos podem melhorar seu nível de força e autonomia funcio- nal. Tais resultados elucidam os dados obtidos no presente estudo, pois, mesmo não sendo treina- mento específico para o desenvolvimento de for- ça, obtiveram-se indícios de que essa variável aumenta com a prática de atividade física regular – os efeitos mais expressivos são observados na atividade com pesos, priorizando, dessa forma, o desenvolvimento da capacidade força. Frontera et al.18 citam que a força muscular em indivíduos idosos pode sofrer incremento de duas a três vezes, em períodos relativamente curtos de três a quatro meses de treinamento, em razão do maior recrutamento das fibras musculares. Ado- tando metodologia de condicionamento físico, método Pilates, Ada19 encontrou melhorias tanto em equilíbrio e coordenação quanto em ganhos de força muscular. Outros autores – Costa et al.,20 que estudaram idosas, e Teixeira et al.,21 em sua análise de idosos com o teste de sentar e levantar de cadeira durante 30 segundos, de modo a verifi- car modificação de força de membros inferiores – encontraram, em ambos os sexos, melhoria a par- tir da oitava semana de treinamento. De fato, Gomes22 relata que os ganhos de força em períodos iniciais de um programa de treinamen- to, compreendendo de duas a oito semanas, relacio- nam-se aos impulsos neurais aumentados para o músculo, sincronização aumentada de unidades motoras, otimização da ativação da fibra contrátil e inibição dos mecanismos de proteção muscular. De acordo com Lorda,23 as atividades das fibras muscu- lares diminuem com o processo de envelhecimento e, como pudemos notar, as aulas proporcionaram aumento nas atividades dessas fibras. Quanto à flexibilidade, observou-se um au- mento significativo no momento inicial, com re- sultados semelhantes aos de Oliveira et al.,24 que comparam nível de flexibilidade (quadril e tron- co) entre praticantes de Tai Chi Chuan e não pra- ticantes de atividade física, constatando maiores valores com diferenças significativas na extensão e flexão de quadril nos adeptos da arte chinesa. Yazawa et al.25 também verificaram aumento sig- nificativo na flexibilidade de senhoras com a prá- tica de ginástica aquática, após 12 meses de treinamento. E Petroski26 examinou as alterações causadas por um programa de atividade para ido- sos durante um ano, analisando o tempo de rea- ção, flexibilidade e equilíbrio, e concluiu que tal programa proporcionou melhoras significativas nessas duas últimas variáveis. Os dados aqui apontados comportam-se na mesma direção de Alter,10 sobre os vários benefí- cios do treinamento da flexibilidade, pois apon- tam melhoria da mobilidade articular e do alongamento muscular durante várias sessões de atividade física regular. Ao rever as recomendações e o posicionamento do ACSM7 e WHO27, que incentivam a prática de ati- vidades físicas, enfatizando as que abrangem sobre- tudo a função cardiovascular, a força, a estabilidade postural, o equilíbrio, a flexibilidade e a função psi- Tabela 1. Valores médios e desvio-padrão das variáveis estudadas segundo momentos da avaliação e respectivo resultado do teste estatístico. VARIÁVEL MOMENTOS DA AVALIAÇÃO RESULTADO DO TESTE ESTATÍSTICO AI A10 A20 Flexibilidade 28,5 (± 7,9)a 30,8 (± 7,6)b 30,9 (± 6,8)b 5,50 (p < 0,01) Deslocamento Vertical MMII 12,5 (± 4,0)a 13,0 (±3,0)a 17,0 (±3,3)a 5,77 (p > 0,05) saude17.book Page 44 Friday, November 11, 2005 9:05 AM CASSIANE RODRIGUES, ET AL. Saúde em Revista 45 APTIDÃO FÍSICA DE MULHERES IDOSAS: ESTUDO A PARTIR DE AULAS RECREATIVAS DE KARATÊ-DO cológica, e sua ligação com a saúde, é possível con- cluir que o karatê-do também situa-se como válida opção e sugestão de exercício para melhora da saú- de e qualidade de vida de indivíduos idosos e de meia idade, já que atende à maioria das propostas de atividades dirigidas a essa população. Por sua vez, este estudo demonstrou melhoria nas duas variáveis analisadas durante as aulas, in- dicando que o treinamento em karatê-do é capaz de proporcionar benefício na aptidão física, mais especificamente nas condições musculoesqueléti- cas em mulheres idosas. CONCLUSÃO O presente estudo indica que, por meio das aulas recreativas de karatê-do, as mulheres idosas estudadas conseguiram aumento significativo na flexibilidade e discreta melhoria no deslocamento vertical de membros inferiores. RERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Nahas MV. Atividade Física. Saúde e Qualidade de Vida. 3ª ed. 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Saúde em Revista 47 QUALIDADE DE VIDA E PERFORMANCE EM IDOSOS: ESTUDO COMPARATIVO Qualidade de Vida e Performance em Idosos: estudo comparativo Quality of Life and Performance of Elderly Persons: a comparative study RESUMO O objetivo deste estudo foi comparar a qualidade de vida e a per- formance motora de indivíduos idosos. Participaram do estudo 18 voluntá- rios com idade maior ou igual a 60 anos. Foram formados dois grupos treinados (GT): cinco indivíduos do sexo masculino e quatro do sexo femi- nino (que realizavam treinamento físico três vezes por semana, há no míni- mo um ano) e dois grupos controle (GC): cinco indivíduos do sexo masculino e quatro do sexo feminino (que não realizavam treinamento físi- co). Os voluntários submeteram-se aos seguintes protocolos: avaliação da qualidade de vida (questionário SF-36) e da performance motora (teste de capacidade aeróbia – teste de caminhada de seis minutos e teste de flexibili- dade – teste de sentar e alcançar). Na avaliação da qualidade de vida, o GT masculino apresentou diferença significante para capacidade funcional, as- pecto físico e dor. O GT feminino apresentou diferença significante para ca- pacidade funcional e estado geral de saúde. Na avaliação da performance motora, o GT masculino percorreu uma distância maior que o GC, e a per- cepção subjetiva do esforço foi maior nos GC masculino e feminino. Na avaliação da flexibilidade, não ocorreram diferenças significantes. Conside- ramos que prática de exercícios físicos proporciona benefícios à qualidade de vida e performance motora de indivíduos idosos. Palavras-chave IDOSOS – TREINAMENTO FÍSICO – QUALIDADE DE VIDA – PERFORMANCE. ABSTRACT The purpose of this study was to compare the quality of life and motor performance of elderly persons. The volunteers were eighteen 60 year-old or more persons. The elderly persons formed two trained groups (TG): five men and four women who realized physical training three times per week, over a one year period. And two control groups (CG): five men and four women that didn’t realize physical training. The volunteers were submitted to the following protocol: evaluation of the quality of life (questionnaire SF-36) and motor performance (aerobic capacity test – six minute walk test and flexibility – sit and reach test). In the evaluation of the quality of life, the male TG presented a significant difference for the functional capacity, physical and pain aspect. The female TG presented a significant difference for the functional capacity and general health conditions. In the evaluation of the motor performance, the male TG walked a greater distance than the CG, and the subjective perception of exertion was greater in the male and female CG’s. Flexibility didn’t show significant differences. We considered that the practice of physical exercises provides benefits in the quality of life and motor performance in elderly persons. Keywords ELDERLY PERSONS – PHYSICAL TRAINING – QUALITY OF LIFE – PERFORMANCE. ORIGINAL /ORIGINAL MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO* Mestre em Educação Física pela UNIMEP/SP MARCELO DE CASTRO CESAR Mestrado em Educação Física – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) ADALBERTO VICENTE DE OLIVEIRA JR. Mestre em Educação Física pela UNIMEP/SP IRIA APARECIDA STORER Biblioteca da UNIMEP/SP *Correspondências: R. Maria Tarsia, 312, 13416-440, Piracicaba/SP marcelo.pacheco@terra.com.br saude17.book Page 47 Friday, November 11, 2005 9:05 AM MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL. 48 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 47-52, 2005 INTRODUÇÃO envelhecimento é um processo complexo envolvendo muitas variáveis que, ao intera- gir, influenciam significativamente o modo como alcançamos determinada idade. Entre as patologias que podem estar associadas ao proces- so de envelhecimento, o National Heart, Lung, and Blood Institute,1 destaca que o idoso seden- tário corre maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, câncer de cólon, diabetes tipo II, pressão alta e obesidade. Isso, além das quedas e fraturas decorrentes do envelhecimento, que afe- ta, de muitas formas, os músculos utilizados na locomoção, entre elas, capacidade de trabalho re- duzida e maior tempo de recuperação após uma lesão. Por sua vez, os exercícios de resistência po- dem diminuir esses efeitos do envelhecimento.2 Outro sistema afetado por tal processo é o metabolismo energético, que também declina progressivamente e, concomitantemente às alte- rações musculoesqueléticas relacionadas com a idade, pode contribuir para mudanças na massa óssea, na sensibilidade à insulina e na capacidade cardiorrespiratória.3 Existem evidências que demonstram que a melhor maneira de otimizar e promover a saúde no idoso é prevenir seus problemas médicos mais freqüentes: o aumento do peso, da pressão arterial e da intolerância à glicose, bem como perda de massa óssea e osteoporose.4 Nesse sentido, o exer- cício físico pode constituir excelente instrumento de promoção da saúde, em especial no idoso, pois a sua prática regular induz a várias adaptações fisi- ológicas e psicológicas positivas. São elas: aumen- to do consumo máximo de oxigênio (VO2máx); maiores benefícios circulatórios periféricos; au- mento da massa muscular; melhor controle da gli- cemia; melhora do perfil lipídico; redução do peso corporal; melhor controle da pressão arterial em repouso; melhora da função pulmonar; me- lhora do equilíbrio e da marcha; menor depen- dência para realização de atividades diárias; melhora da auto-estima e da autoconfiança; signi- ficativa melhora da qualidade de vida.1, 3, 4, 5 A participação em exercícios físicos regulares fornece um número de respostas favoráveis que colaboram para o envelhecimento saudável, me- lhorando a qualidade de vida, pois é uma modali- dade de intervenção efetiva para reduzir e prevenir inúmeros declínios psicológicos e funci- onais associados ao envelhecimento.3, 5 Com o objetivo de avaliar os efeitos do treina- mento físico em idosos, este estudo propôs-se a comparar a qualidade de vida e a performance mo- tora de indivíduos idosos treinados e não treinados. MÉTODOS Foram avaliados 18 indivíduos, 10 do sexo masculino e oito do feminino, saudáveis, com idade de 60 anos ou mais. Cinco indivíduos do sexo masculino e quatro do feminino formaram o grupo treinado (GT), de praticantes de exercício físico três vezes por semana, com tempo de trei- namento maior ou igual a um ano. Cinco indiví- duos do sexo masculino e quatro do feminino, que não praticavam nenhum exercício físico re- gular, compuseram o grupo controle (GC). Os voluntários inicialmente responderam a um questionário para avaliação clínica e foram realizadas medidas antropométricas (tab. 1 e 2). Tomaram-se como critérios de exclusão: índice de massa corpórea maior ou igual a 30 kg/m2, doenças cardiovasculares, metabólicas e ortopédi- cas e câncer. Este estudo vinculou-se ao projeto temático em andamento, intitulado “Avaliação e Treina- mento Físico de Participantes do Centro de Qua- lidade de Vida da Universidade Metodista de Piracicaba”, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa dessa universidade. Os voluntários selecionados submeteram-se a avaliação da qualidade de vida e da performance motora. Para a primeira, foi aplicado um questio- nário padrão (SF-36), validado por Ciconelli.6 É um questionário multidimensional com oito do- mínios: aspectos físicos, capacidade funcional, es- tado geral de saúde, dor, aspectos emocionais, aspectos sociais, vitalidade e saúde mental. Já para o exame da performance motora, foram rea- lizados testes de capacidade cardiorrespiratória, empregando-se o teste da caminhada de seis mi- nutos.7 Adotaram-se como variáveis desse teste: a distância percorrida em metros, a freqüência car- díaca – FC (bpm), a freqüência respiratória – FR (respirações/min.), a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) (mmHg) e a percepção subjetiva de esforço pela escala de Borg. O teste de cami- nhada de seis minutos efetuou-se em um trajeto de 28 metros demarcado metro a metro, duas ve- zes em cada avaliação. Se fosse necessário, em cada avaliação havia ainda intervalos sem limite de tempo para descanso entre os testes. Para a O saude17.book Page 48 Friday, November 11, 2005 9:05 AM MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL. Saúde em Revista 49 QUALIDADE DE VIDA E PERFORMANCE EM IDOSOS: ESTUDO COMPARATIVO quantificação dos resultados aqui obtidos, adota- ram-se as equações de referência do protocolo de Enright e Sherrill,8 em que se verifica distância percorrida/distância predita em metros (%). No que diz respeito à análise da flexibilidade, foi realizado o teste de sentar e alcançar no banco de Wells. A variável mensurada nesse teste é a amplitude de movimento de uma determinada articulação e/ou o nível de amplitude de movi- mento alcançado por um grupo de articulações em centímetros. Foram feitas três tentativas para registrar o maior valor alcançado, aferido em centímetros. Os resultados obtidos, por meio das variáveis mensuradas, foram tratados estatistica- mente,9 aferindo-se valores de média e desvio-pa- drão para cada um deles e para o conjunto de dados, conforme os grupos de estudo: indivíduos treinados (GT) e não treinados (GC). O teste de hi- pótese escolhido, por se tratarem de amostras pe- quenas de dez e oito indivíduos cada uma, foi o t não pareado para a análise das variáveis antropo- métricas, flexibilidade e capacidade cardiorrespi- ratória por grupo de estudo. A avaliação dos domínios do questionário de avaliação da qualidade vida adotou o Mann-Whi- tney U Test, não paramétrico; já o cálculo do teste t empregou o software Excel; e o Mann-Whitney U Test, o software OS versão 3.0. RESULTADOS Na avaliação da qualidade de vida dos indiví- duos do sexo masculino, o GT apresentou dife- renças significantes nos domínios capacidade funcional, aspecto físico e dor (tab. 3). Na análise da capacidade cardiorrespiratória, o mesmo gru- po percorreu uma distância maior que o GC; já a percepção subjetiva do esforço (PSE) revelou-se maior no GC (tab. 3). As variáveis freqüência cardíaca, pressão arte- rial sistólica, pressão arterial diastólica e freqüên- cia respiratória, obtidas ao final do teste, não demonstraram diferenças significantes entre os grupos, assim como a distância percorrida/predita (tab. 3). Também não houve diferença relevante entre os grupos na avaliação da flexibilidade dos indivíduos do sexo masculino (tab. 3). Na análise da qualidade de vida dos indivídu- os do sexo feminino, os do GT apresentaram dife- renças significantes nos domínios capacidade funcional e estado geral de saúde (tab. 4). Na da capacidade cardiorrespiratória, a percepção sub- jetiva do esforço mostrou-se significativamente maior no GC (tab. 4). As variáveis freqüência cardíaca, pressão arte- rial sistólica, pressão arterial diastólica e freqüên- cia respiratória, obtidas ao final do teste, não se revelaram diferentes entre os grupos, assim como a distância percorrida/predita (tab. 4). O teste de flexibilidade dos indivíduos do sexo feminino também não apresentou disparidade relevante entre o GT e o GC (tab. 4). DISCUSSÃO Os grupos masculino e feminino não apresen- taram diferenças significativas nos parâmetros an- tropométricos, o que era esperado em razão do fator de exclusão de indivíduos obesos da amos- tra. A obesidade prejudica a performance motora, Tabela 1. Médias, desvio-padrão e resultados do teste t, das características dos grupos GC e GT, indivíduos do sexo masculino. Tabela 2. Médias, desvio-padrão e resultados do teste t, das características dos grupos GC e GT, indivíduos do sexo feminino. VARIÁVEIS GRUPOS MASCULINOS P GC (n = 5) GT (n = 5) Idade (anos) Estatura (m) Massa corporal (kg) Índice de massa corporal (kg/m2) 68,2 ± 3,1 1,69 ± 0,07 77,4 ± 7,7 27,1 ± 1,2 65,6 ± 4 1,68 ± 0,03 72,6 ± 8,6 25,68 ± 2,8 0,28 0,86 0,38 0,35 VARIÁVEIS GRUPOS FEMININOS P GC (n = 4) GT (n = 4) Idade (anos) Estatura (m) Massa corporal (kg) Índice de massa corporal (kg/m2) 69 ± 5,3 1,54 ± 0,04 65,6 ± 12 27,5 ± 5,4 63,2 ± 5,2 1,50 ± 0,09 61,3 ± 10,2 26,9 ± 2,11 0,17 0,41 0,60 0,83 saude17.book Page 49 Friday, November 11, 2005 9:05 AM MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL. 50 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 47-52, 2005 bem como a flexibilidade, a capacidade cardior- respiratória e a qualidade de vida, de modo que a inclusão de indivíduos obesos na amostra dificul- taria a interpretação dos resultados.10 Porém, deve-se destacar que ainda são inconclusivos os estudos que comprovam a capacidade do exercí- cio regular de melhorar os efeitos adversos da obesidade na saúde do idoso. Neste estudo, bem como nos de Kraemer et al.11 não se observaram disparidades significati- Tabela 3. Medidas descritivas e análise estatística dos resultados dos GC e GT, indivíduos do sexo masculino. * Parâmetros que apresentam diferenças significantes (p ≤ 0,05); FC – freqüência cardíaca; PAS – pressão arterial sistólica; PAD – pressão arterial diastólica; FR – freqüência respiratória; PSE – percepção subjetiva do esforço. RESULTADO DAS AVALIAÇÕES GRUPOS MASCULINOS P GC (n = 5) GT (n = 5) Qualidade de vida – SF-36 Capacidade funcional (%) Aspectos físicos (%) Dor (%) Estado geral de saúde (%) Vitalidade (%) Aspectos sociais (%) Aspectos emocionais (%) Saúde mental (%) Capacidade cardiorrespiratória Distância percorrida (m) Distância percorrida/predita (%) FC final (bpm) PAS final (mmHg) PAD final (mmHg) FR final(ipm) PSE Flexibilidade Valor alcançado (cm) 76 ± 19,1 45 ± 51,2 70,6 ± 14,3 70 ± 7,5 69 ± 19,8 87,8 ± 15,1 60 ± 43,5 72,8 ± 21,6 555,6 ± 90,4 114,4 ± 10,13 113 ± 12,5 136 ± 5,4 80 ± 0 19,6 ± 2,9 3,5 ± 0,57 23,8 ± 7,4 97 ± 4,4* 100 ± 0* 86,6 ± 15,5* 81 ± 10,8 77 ± 5,7 92,8 ± 6,5 80 ± 44,7 81,6 ± 19,7 664,6 ± 44,7* 131,6 ± 10,1 116,6 ± 11,3 150 ± 16 80 ± 0 22 ± 6,2 1,75 ± 0,9* 29,6 ± 4,8 0,03 0,037 0,047 0,10 0,37 0,45 0,14 0,14 0,049 0,20 0,70 0,13 0,90 0,005 0,18 Tabela 4. Medidas descritivas e análise estatística dos resultados dos GC e GT, indivíduos do sexo feminino. * Parâmetros que apresentam diferenças significantes (p ≤ 0,05); FC – freqüência cardíaca; PAS – pressão arterial sistólica; PAD – pressão arterial diastólica; FR – freqüência respiratória; PSE – percepção subjetiva do esforço. RESULTADO DAS AVALIAÇÕES GRUPOS FEMININOS P GC (n = 4) GT (n = 4) Qualidade de vida – SF-36 Capacidade funcional (%) Aspectos físicos (%) Dor (%) Estado geral de saúde (%) Vitalidade (%) Aspectos sociais (%) Aspectos emocionais (%) Saúde mental (%) Capacidade cardiorrespiratória Distância percorrida (m) Distância percorrida/predita FC final (bpm) PSA final (mmHg) PDA final (mmHg) FR final (ipm) PSE Flexibilidade Valor atingido 60 ± 16,8 56,25 ± 42,6 57 ± 18,5 65,7 ± 11,8 78,7 ± 6,3 78,2 ± 35,8 66,7 ± 47,1 82 ± 6,9 484,5 ± 66 109,5 ± 16,2 114,5 ± 6,6 137,5 ± 9 80 ± 0 19,5 ± 3 4,25 ± 1,9 17,5 ± 4,7 83,7 ± 2,5* 93,7 ± 12,5 79,5 ± 16,3 91,5 ± 6,1* 86,2 ± 9,4 90,7 ± 11,9 91,7 ± 16,5 81,0 ± 14,4 510,5 ± 92,9 111 ± 13,7 119,5 ± 16,5 135 ± 1 80 ± 0 20,5 ± 5,2 1 ± 0,8* 22 ± 4,8 0,01 0,17 0,049 0,01 0,22 0,54 0,27 0,66 0,66 0,89 0,40 0,15 1,00 0,13 0,03 0,23 saude17.book Page 50 Friday, November 11, 2005 9:05 AM MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL. Saúde em Revista 51 QUALIDADE DE VIDA E PERFORMANCE EM IDOSOS: ESTUDO COMPARATIVO vas na massa corporal e no percentual de gordura de indivíduos idosos praticantes de exercícios físi- cos regulares, quando comparados com indivídu- os não treinados. O mesmo acontece nos trabalhos de Ferrara et al.,12 Barbosa e Santarém et al.,13 e Ades et al.14 A falta de orientação nutri- cional aliada ao pequeno tamanho da amostra também pode ter influenciado os resultados, su- gerindo a necessidade de adoção de dieta orienta- da para verificar possíveis alterações nas variáveis analisadas. Relevantes perdas de flexibilidade são obser- vadas durante o processo de envelhecimento, o que foi constatado neste estudo, que não de- monstrou diferenças significantes entre o GT e o GC . Os poucos trabalhos relacionando os efeitos do treinamento de força e/ou exercícios aeróbios na flexibilidade de indivíduos idosos ainda não se mostraram capazes de desvendar quais mecanis- mos fisiológicos, decorrentes desses tipos de trei- namento, acarretariam mudanças positivas nesse parâmetro, além de também não comprovar a eficácia de um programa de exercícios para a me- lhoria da flexibilidade.15 Os quatro grupos não apresentaram limitação funcional cardiorrespiratória para as atividades em razão da idade, o que era esperado, pois cons- tituíam-se de indivíduos idosos saudáveis. Esse achado parece corroborar as afirmações de Kuo et al.16 sobre semelhanças na diminuição da taxa do consumo de oxigênio, comparando idosos que mantiveram um volume de treino diário vi- goroso, desde a adolescência até idade avançada, com a população em geral, admitindo-se um des- gaste natural da capacidade cardiorrespiratória resultante do envelhecimento. Porém, deve-se destacar que o GT masculino demonstrou melhor capacidade motora, levando-se em conta as dife- renças estatisticamente significantes na distância percorrida/predita do teste de caminhada de seis minutos. A análise da percepção subjetiva do es- forço demonstrou diferença estatisticamente sig- nificativa para os dois grupos treinados, coerente com os achados de ACSM,15 Barros Neto et al.17 e Buchheit.18 É possível ainda que este estudo não apresente diferenças significativas nos parâmetros cardior- respiratórios, porque os indivíduos do GC podem estar praticando atividades de lazer (como a dan- ça), cotidianas (jardinagem), faxina da casa e até utilizando meios de locomoção, como caminhada e bicicleta, capazes de trazer os mesmos benefíci- os que a prática regular de exercícios, conforme Buchheit.18 As novas recomendações do Ameri- can College of Sports Medicine4 e dos Centers for Disease Control and Prevention19 dos Esta- dos Unidos destacam os efeitos salutares de qual- quer tipo de atividade física, assegurando que elas são da mesma ordem de grandeza para a popula- ção idosa, mesmo quando interrompidas ou sem a manutenção de uma freqüência cardíaca alvo. Quanto à qualidade de vida, o GT masculino demonstrou maiores valores nos parâmetros ca- pacidade funcional, aspectos físicos e dor, embora não tenham ocorrido diferenças significantes nos outros domínios. O GT feminino também apre- sentou maiores valores e diferenças significantes quanto a capacidade funcional, dor e estado geral de saúde. Sugere-se, então, que o potencial benéfico da prática de exercícios físicos regulares deve ser me- lhor apreciado, levando em conta uma anamnese mais aprofundada, que contemple toda e qual- quer atividade física praticada pelo indivíduo ido- so para a formação de grupos de estudo, e adotando protocolos como o Score for Sport Activities from the Modified Baecke Questionnai- re for Older Adults (MBQOA), desenvolvido por Voorrips et al.20 CONCLUSÃO Os resultados deste estudo apontam que a prática de exercícios físicos, sem orientação nutri- cional, não modifica os parâmetros antropomé- tricos de idosos. A performance motora de idosos parece melhor em indivíduos que praticam exer- cícios físicos do que naqueles que não o fazem, pois observou-se que a percepção subjetiva ao es- forço revelou-se significativamente menor em ambos os grupos, sendo também maior a distân- cia percorrida pelo grupo masculino. A qualidade de vida dos idosos treinados é melhor que a dos não treinados nos domínios ca- pacidade funcional, aspectos físicos e dor, no gru- po masculino, e capacidade funcional e estado geral de saúde, no grupo feminino. Os indivíduos treinados de ambos os sexos não apresentaram resultados inferiores aos dos não treinados, indi- cando que o treinamento físico não acarreta pre- juízo para idosos nos aspectos investigados. saude17.book Page 51 Friday, November 11, 2005 9:05 AM MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL. 52 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 47-52, 2005 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. NHLBI. National Heart, Lung, and Blood Institute. 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Saúde em Revista 53 ALTERAÇÕES DO SISTEMA NEUROMUSCULAR COM O ENVELHECIMENTO E A ATIVIDADE FÍSICA Alterações do Sistema Neuromuscular com o Envelhecimento e a Atividade Física Neuromuscular System Changes in Aging and Physical Activity RESUMO O número de idosos vem crescendo significativamente, em todo o mundo, nesses últimos anos. Isso se deve a uma melhora na qualidade de vida, em decorrência dos avanços tecnológicos e progressos nas pesquisas biomédicas, no saneamento básico e na assistência médica, melhora dos há- bitos alimentares e conscientização de todos sobre a necessidade de realizar atividades físicas regulares. Segundo dados estatísticos, o Brasil possui cerca de 5,8% de idosos acima de 65 anos e estima-se que, em 2050, a popula- ção mundial acima dessa idade aumentará para 15,9%. A expectativa de vida também cresceu no Brasil, de 66 anos, em 1991, para 68,6 anos, em 2000. Há diferenças entre os sexos: as mulheres têm expectativa de vida maior que os homens em 7,8 anos. Em virtude desse aumento da popula- ção de idosos, cresce a necessidade de os profissionais da saúde pesquisa- rem sobre esse grupo de indivíduos que precisa de cuidados especiais. Deve-se entender o processo de envelhecimento, as alterações morfofisio- lógicas por ele desencadeadas e também os métodos para tratar, prevenir e minimizar as suas conseqüências no organismo. Este trabalho teve como objetivo, por meio de uma revisão de literatura, elencar as principais mu- danças decorrentes do envelhecimento e os principais benefícios da prática regular de atividades físicas. Palavras-chave ENVELHECIMENTO – ALTERAÇÕES MORFOFUNCIONAIS – ATIVIDADE FÍSICA REGULAR – SISTEMA NEUROMUSCULAR. ABSTRACT The number of aged people is growing significantly in the whole world these last years. This process occurs because of an increase in the quality of life due to technological advances, biomedical progress, improvements in basic sanitation, medical assistance, feeding habits and the conscience of the importance to be physically active. According to statistical data, in Brazil there are nearly 5.8% of aged people over the age of 65, and it is estimated that the world population over this age, in 2050, will increase to 15.9%. The Brazilian life expectancy also increased from 66 years in 1991 to 68.6 years in 2000. Brazilian women have higher life expectancy comparing to men (7.8 years). With the increasing number of aged people, health professionals need to study even more about this population, which require special care. It is very important to understand the aging process, the morphological and functional changes that occur, and also the methods to treat, prevent and minimize all these events. The aim of this review was to verify the main changes in the aging process and the benefits of regular physical activity. Keywords AGING – MORPHOLOGICAL AND FUNCTIONAL CHANGES – REGULAR PHYSICAL ACTIVITY – NEUROMUSCULAR SYSTEM. REVISÃO DE LITERATURA /BIBLIOGRAPHY REVIEW RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI Curso de Educação Física – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) TANIA CRISTINA PITHON- CURI* Curso de Educação Física – Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) *Correspondências: Rua Coronel Melo de Oliveira, 1.031, Pompéia, 05011-040, São Paulo/SP saude17.book Page 53 Friday, November 11, 2005 9:05 AM RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI, ET AL. 54 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 53-56, 2005 INTRODUÇÃO envelhecimento inicia-se desde a concepção. Esse processo é responsável por várias mu- danças, tanto fisiológicas quanto morfológi- cas, que afetam células, tecidos e órgãos, mas em momentos e com velocidades diferentes, varian- do entre os indivíduos.1 Nos dias atuais, com os progressos nas pesqui- sas biomédicas, os avanços tecnológicos, a melho- ra na assistência médica e a conscientização da importância de se ter bons hábitos alimentares conjugados à prática regular de atividades físicas, o número de idosos em todo o mundo aumenta a cada dia. Segundo estatísticas do World Populati- on Prospects: the 2002 revision, em 1995 o nú- mero de idosos com idade acima de 65 anos era de 6,5% da população mundial. Em 2000, esse número elevou-se para 6,9% e estima-se que, em 2050, atingirá 15,9%. No Brasil, o Censo Demo- gráfico 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou que essa fatia da po- pulação é de 5,8% e que a expectativa de vida dos brasileiros teve aumento de 2,6 anos, compa- rando-se com o Censo de 1991, passando de 66 para 68,6 anos de vida. Muitos se perguntam por que envelhecemos e o que envolve esse processo tão complexo. Se- gundo Kirkwood,1 um único gene responsável pelo envelhecimento ainda não foi encontrado. Existem várias teorias e definições acerca do en- velhecimento; contudo, por se tratar de um pro- cesso envolvendo inúmeros fatores, não há uma totalmente aceita. Entre elas, a teoria imunológi- ca, proposta por Walford em 1981,2 caracteriza- se por dois aspectos principais: o primeiro descre- ve que a capacidade funcional do sistema imune diminui com o passar dos anos, reduzindo a resis- tência do organismo às doenças infecciosas; o se- gundo relaciona-se com a redução do sistema imune, com o passar dos anos, quando aumen- tam as doenças auto-imunes associadas à idade. O processo de envelhecimento é responsável por alterações em todos os sistemas do organis- mo. No entanto, são as perdas ocorridas no siste- ma muscular esquelético que causam o maior impacto na qualidade de vida dos idosos. Confor- me o ser humano envelhece, sua massa muscular diminui, tornando-se mais frágil e gerando insta- bilidade, perda da capacidade funcional, perda parcial ou total da independência (dificuldade de realizar as tarefas do dia-a-dia) e, sobretudo, au- mento dos riscos de quedas, uma das principais causas de acidentes na terceira idade.3, 4 Descreveremos, a seguir, algumas alterações morfofuncionais que afetam o sistema neuromuscu- lar dos indivíduos, com o passar dos anos, e os bene- fícios proporcionados pela atividade física regular. SISTEMA NEUROMUSCULAR Utilizando tomografia computadorizada e téc- nicas de autópsia, identificou-se diminuição no peso e no volume do cérebro, em indivíduos com mais de 60 anos de idade, acompanhada de au- mento dos espaços de fluído cérebro-espinal e também do volume dos ventrículos.5 Apesar de essas alterações envolverem todo o cérebro, as re- giões mais afetadas são o lobo frontal e o hipo- campo. Tal perda de volume com o passar dos anos é diferente entre as diversas áreas do cére- bro. Entre as idades de 30 a 90 anos ocorre perda de 14% no córtex cerebral, 35% no hipocampo e 26% na massa cerebral branca.6, 7 O número de neurônios também tem sido ob- jeto de estudo no processo de envelhecimento. Os resultados são controversos em relação à di- minuição da quantidade deles. Uma possível ex- plicação para esse fato é a diminuição dos corpos dos neurônios, que, apesar de presentes, não fo- ram contados nem, conseqüentemente, somados ao número total, ao término dos estudos. Apesar dessas diferenças entre as técnicas empregadas, há um consenso sobre a diminuição no número de neurônios do hipocampo e do córtex cerebral.7, 8 Com tais alterações morfológicas, certas mu- danças funcionais ocorrem. O avanço da idade leva à queda na performance cognitiva e na memória. Além desses, outros aspectos patológicos associados à doença de Alzheimer são encontrados em idosos intelectualmente saudáveis, porém, em menor nú- mero. Com isso, acredita-se nessa doença como um quadro inevitável de envelhecimento precoce, po- rém, os fatores genéticos que a influenciam direta- mente precisam ser determinados. Considera-se que a presença da apoliproteína E4 (Apo E4), por exemplo, resulte em uma diminuição muito mais acentuada das funções cerebrais. Em outras pala- vras, quanto maior a taxa de Apo E4, maior a velo- cidade de decréscimo das funções cerebrais.9, 10 Outra característica observada entre os idosos é a demência. Ela se deve, entre outros fatores, a um acúmulo de pequenos infartos (AVC), também encontrados em cérebros de idosos saudáveis.7 Para Kauffman,5 essas alterações anatômicas, muitas vezes acompanhadas de patologias, geram O saude17.book Page 54 Friday, November 11, 2005 9:05 AM RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI, ET AL. Saúde em Revista 55 ALTERAÇÕES DO SISTEMA NEUROMUSCULAR COM O ENVELHECIMENTO E A ATIVIDADE FÍSICA mudanças funcionais, como: alteração de refle- xos, tempo de reação, força, equilíbrio e raciocí- nio; diminuição da velocidade de condução nos nervos periféricos em aproximadamente 20%; al- terações sensoriais, ou seja, diminuição na eficá- cia dos sistemas visual e auditivo; perda de dendritos, ocasionando maior dificuldade nas si- napses; e redução no número de neurônios em determinadas áreas do sistema nervoso, como os motoneurônios do cordão espinal, no cerebelo, células de Purkinje e substância negra neocórtex. Com o envelhecimento, a musculatura esque- lética dos idosos sofre várias desnervações e rei- nervações. As primeiras acontecem, na maior parte, nas fibras rápidas, e as segundas, nas fibras lentas, resultando em atrofia e perda da funciona- lidade das fibras desnervadas.11, 12 Também as alterações neurais desencadeadas pelo envelheci- mento dão-se em diversos locais, desde os moto- neurônios até a junção neuromuscular. Em ratos idosos, foi encontrada diminuição da mieliniza- ção dos axônios, em paralelo com um aumento do comprimento internodal, reduzindo o poten- cial de ação. Provavelmente, essa deterioração da bainha de mielina resulta da menor expressão das principais proteínas mielínicas, como a PO, a PMP22 e a MBP.13, 14 Por sua vez, o motivo do enfraquecimento progressivo da musculatura dos idosos, que, como dito anteriormente, leva à instabilidade, à perda da capacidade funcional, à dificuldade de realizar as tarefas do dia-a-dia e sobretudo ao aumento dos riscos de quedas ainda é pouco entendido. Al- guns pesquisadores acreditam que, com o enve- lhecimento, problemas no mecanismo de excitação-contração do tecido muscular produ- zem menor capacidade de geração de força das fi- bras musculares, tornando-o, portanto, cada vez mais frágil.15 Em estudos realizados por Welle et al.,16 foi constatada redução de mitocôndrias nos tecidos musculares dos idosos, em virtude da di- minuição de DNA mitocondrial e, conseqüente- mente, do seu mRNA. Esse processo está associado a uma menor captação de O2 e, por conseguinte, às dificuldades de realizar tarefas cotidianas. Contudo, nesse mesmo estudo, também se observou que a prática de atividades físicas, por um período de apenas três dias, já aumentava a expressão e/ou a atividade desses genes. A ativida- de física regular é um fator importante para me- lhorar significativamente a musculatura esquelética dos idosos – hipertrofia muscular, aumento da força e adaptações celulares e funcionais, por exemplo. Porém, resultados bastante distintos fo- ram encontrados em estudos, em razão da utiliza- ção variada de freqüência, intensidade e duração dos programas de exercício.17 Segundo Matsudo et al.,18 a intensidade do treinamento é a variável mais importante. Dife- renças significativas nos resultados podem apare- cer quando essa variável não é aplicada adequadamente. Em programas de treinamento de baixa intensidade em idosos, por exemplo, fo- ram verificados ganhos de força muscular meno- res que 20%, ao passo que, nos de alta intensidade (70% a 80% de uma repetição máxima – RM), fo- ram de até 227%, evidenciando que os treinamen- tos de alta intensidade proporcionam melhores resultados no aumento da força muscular. Notaram-se ainda aumentos da força estática e dinâmica em poucos dias de treinamento de força, variando de 10% até 180%, em razão dos diferentes protocolos de treinamento. Esse rápi- do aumento de força nos primeiros dias de trei- namento deve-se particularmente a adaptações neurais (melhora no recrutamento das fibras musculares, por exemplo). As adaptações perifé- ricas, como a hipertrofia muscular, passam a con- tribuir mais com os ganhos de força após um período maior de treinamento.17 A hipertrofia muscular foi verificada em di- versos estudos, mesmo utilizando-se de técnicas diferentes, como tomografia computadorizada, ultra-som e ressonância magnética, demonstran- do ganhos de 2% a 14,5%.19, 20 Hipertrofia em nível microscópico também foi evidenciada, em- pregando-se técnicas histoquímicas em espécies de biópsia. Em ambas as fibras, tipo I e tipo II, notificaram-se aumentos de até 30%.17 Matsudo et al.18 citam trabalho de Fiatarone et al. (1990) com idosos de 86 a 96 anos de ida- de, participantes de um programa de treinamento de oito semanas, com atividades três vezes por se- mana, que obtiveram aumentos de 174% na for- ça muscular e 48% na velocidade do passo. Porém, após quatro semanas sem atividades, ob- servou-se diminuição de 32% na força, evidenci- ando a importância da regularidade das atividades físicas. Com todos esses ganhos proporcionados pelo treinamento de força, a capacidade funcional dos idosos aumenta significativamente, apresentando melhoras na velocidade de andar, subir escadas e realizar tarefas cotidianas, alcançando novamente sua “independência”.21 saude17.book Page 55 Friday, November 11, 2005 9:05 AM RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI, ET AL. 56 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 53-56, 2005 CONSIDERAÇÕES FINAIS O processo de envelhecimento ocasiona várias al- terações fisiológicas e morfológicas no organismo. Po- rém, muitas dessas mudanças, consideradas normais do processo de envelhecimento, se não forem cuida- das, podem levar à invalidez e até mesmo à morte. A prática regular de atividades físicas mos- trou-se excelente para o tratamento, a reabilita- ção e a minimização dos efeitos dessas alterações, trazendo grandes benefícios aos idosos. Mas cabe salientar que essa prática deve ser sempre orienta- da por um profissional qualificado, que conheça muito as características dessa população. Com isso, conclui-se que a regularidade nas atividades físicas é indispensável para que ocorra um processo de envelhecimento saudável. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Kirkwood TB. Evolution of ageing. Mech Ageing Dev 2002; 123 (7): 737-45. 2. Gottesman SR, Kristie JA, Walford RL. Proliferative and Cytotoxic Immune Functions in Ageing Mice. I. Sequence of Decline of Reactivities Measu- red Under Optimal and Suboptimal Sensitization Conditions. Immunology 1981; 44 (3): 607-16. 3. 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Conceitos como saúde e qualidade de vida têm sido motivo de discussão, não havendo con- senso em sua definição até a atualidade. O fato de a obesidade ser conside- rada problema de saúde pública, inferindo altos índices de mortalidade e morbidade no Brasil e no mundo, traz atenção ao seu estudo e aos efeitos por ela acarretados. A obesidade associa-se a disfunções respiratórias, inclu- indo diminuição da resistência cardiorrespiratória e dispnéia. As alterações mais características na função pulmonar e na performance ventilatória nos indivíduos obesos são diminuição do volume corrente, aumento de fre- qüência respiratória, diminuição da complacência total e pulmonar, au- mento do trabalho elástico e muscular, aumento do VO2 e altos índices de fadigabilidade, relacionados, por sua vez, com os níveis de obesidade, bem como com as alterações nos padrões de distribuição da gordura corporal. O objetivo deste trabalho é estabelecer referencial teórico sobre as altera- ções na performance ventilatória em indivíduos obesos. Palavras-chave OBESIDADE – PERFORMANCE VENTILATÓRIA – MÚSCULOS – RESISTÊNCIA CARDIORRESPIRATÓRIA. ABSTRACT Obesity is defined currently as the excess of adipose tissue in relation to thin mass, being contained among the alterations that enclose the health term, altering people’s life quality. Terms as health and life quality have been the aim of discussion, not having consensus in their definition. The fact that obesity is considered a public health problem, inferring high mortality and morbidity rates in Brazil and in the world, brings more attention to its study and effects. Obesity is associated with breathing dysfunctions, including decrease of the resistance and dyspnea. The most characteristic alterations in the pulmonary function and ventilatory performance in obese people are the reduction of the average volume, increase of respiratory frequency, decrease of the total and pulmonary compliance, increase of the elastic and muscle work indulgence, increase of VO2 and low resistance respiratory muscle work, that are related with obesity levels, as well as the alterations in the patterns of distribution of the body fat. The objective of this work is to establish a theoretical reference on the alterations of the ventilatory performance in obese individuals. Keywords OBESITY – VENTILATORY PERFORMANCE – MUSCLES – CARDIORESPIRATORY RESISTANCE. REVISÃO DE LITERATURA /BIBLIOGRAPHY REVIEW ALESSANDRA MONACO RIGATTO* Curso de Fisioterapia – Faculdade Assis Gurgacz (FAG/PR) SILVIA C. CREPALDI ALVES Curso de Educação Física– Faculdade de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP) CAMILA BRETAS GONÇALVES Fisioterapeuta graduada pela Unicastelo/SP JACQUELINE FERNANDES FIRMO Fisioterapeuta graduada pela Unicastelo/SP LUCIANA MARA PROVIN Curso de Fisioterapia – Faculdade Assis Gurgacz (FAG/PR) *Correspondências: Rua Dois, 495, Cidade Jardim, 13501-030, Rio Claro/SP lerigatto@hotmail.com saude17.book Page 57 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL. 58 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 57-62, 2005 INTRODUÇÃO obesidade está entre as alterações que pre- judicam a saúde das pessoas e, com isso, a qualidade de vida delas. Para que um indi- víduo seja considerado obeso, o Índice de Massa Corpórea (IMC) poderá ser a medida adotada para calcular-lhe o grau de obesidade, pois diver- sos estudos têm mostrado alta correlação entre IMC e gordura corporal.1 Quando falamos em saúde, analisando do ponto de vista de que “saúde é o estado de com- pleto bem-estar físico, mental e social, e não ape- nas ausência de doença” (Organização Mundial de Saúde – OMS, 1948), fica-nos uma idéia não muito clara de que tal conceito estaria longe de nossa realidade. Portanto, essa condição de “saú- de ótima, estável” não seria atingida em vida. O próprio termo saúde torna-se subjetivo, visto que ela é julgada pela sociedade conforme os padrões da época, inserindo esse conceito num contexto histórico.2 Considera-se a obesidade um risco à saúde e sua incidência é mundialmente crescente. Segun- do a OMS, em 1995 estimava-se que a população de adultos obesos no mundo era de 200 milhões, além de 18 milhões de crianças, menores de cin- co anos de idade, com sobrepeso.3 Em países como Alemanha, Estados Unidos e Canadá, a prevalência da obesidade é bastante elevada entre 15% a 20% nos homens e 15% a 25% nas mulheres. Já na Holanda e na Inglaterra, que possuem riquezas semelhantes, esses números revelam-se bem menores: 8% em homens e 13% a 16% em mulheres. Isso mostra que os aspectos culturais parecem ser mais importantes do que os econômicos na prevalência da obesidade.4, 5 No Brasil, em 2003, segundo pesquisa realiza- da pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís- tica (IBGE), a obesidade afeta 8,9% dos homens e 13,1% das mulheres adultas.6 Com o aumento na quantidade de informações obtidas mediante os veículos de comunicação em geral, que menci- onam os problemas causados pela obesidade, pelo sedentarismo e pelo desequilíbrio alimentar, vem se observando uma diminuição nos índices de obesidade em mulheres de classes mais favore- cidas, por elas terem maior acesso a esses dados.7 A principal causa de óbitos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, deve-se às doenças cardio- vasculares e respiratórias, que poderiam ser redu- zidas em cerca de 30% com a prevenção da obesidade. Esses fatores têm sido motivo de gran- de preocupação para o governo.2 A obesidade as- socia-se a disfunções respiratórias, incluindo diminuição da resistência cardiorrespiratória e dispnéia. As alterações mais características na fun- ção pulmonar, nos indivíduos obesos, são a dimi- nuição da capacidade residual funcional (CRF) e do volume de reserva expiratória (VRE).8 Anormalidades da função pulmonar são mais comuns na obesidade central, em que o acúmulo de tecido adiposo localiza-se na região da cintura. Recentemente passou-se a questionar se o efeito da obesidade nessa função seria simplesmente mecânico ou se haveriam também alterações no metabolismo celular e na utilização de substratos gerados pela obesidade central.9, 10 A obesidade é tida como o maior fator de ris- co à Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SA- OS).11, 12 Estudos sobre perda de peso trazem significantes achados na redução dos sintomas da SAOS após a redução do peso.13 Dados epidemio- lógicos evidenciaram ainda uma associação entre obesidade e asma. No momento, não é possível dizer se a primeira tem contribuído para o au- mento na prevalência da segunda ou se pacientes asmáticos ganham peso como um resultado de hi- poatividade ou de limitações das atividades moto- ras, bem como por alguma outra razão. Os efeitos da obesidade na função respiratória devem ser estudados isoladamente, de modo a avaliar o seu papel nas disfunções percebidas em diversas doenças respiratórias.14 Diferenças nos padrões de distribuição da gordura corporal tam- bém promovem alterações nos volumes pulmo- nares. A gordura armazenada na cavidade abdominal (ginóide) provavelmente exerce efeito mecânico direto na caixa torácica e no diafragma, por um mecanismo de compressão, que, por sua vez, restringe a expansibilidade pulmonar, cau- sando redução dos volumes pulmonares.10 Ao mesmo tempo, tem sido postulado que o ganho de tecido adiposo em indivíduos de estatura mais baixa faria com que eles dificilmente atingissem volumes pulmonares mais próximos da normali- dade. De maneira geral, a obesidade e o padrão de distribuição da gordura corporal podem ter re- sultados independentes na função ventilatória.15 Segundo Collins et al.,9 a relação cintura/qua- dril assume valores inversamente proporcionais aos volumes pulmonares demonstrados por meio da espirometria. Questiona-se se o efeito da gor- dura abdominal exerce meramente um efeito me- A saude17.book Page 58 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL. Saúde em Revista 59 PERFORMANCE VENTILATÓRIA NA OBESIDADE cânico, ao passo que os mecanismos para os riscos de doenças cardiovasculares e metabólicas relacionados à obesidade central não são comple- tamente conhecidos. Admite-se que as alterações da função pulmonar sejam mais uma das conse- qüências da obesidade central.10 VOLUMES PULMONARES E TAXAS DE FLUXO EXPIRATÓRIO As anormalidades mais comuns da função res- piratória associadas à obesidade são a diminuição do VRE e da CRF, com propensão a desenvolver patologias pulmonares, na maior parte restritivas, com hipoventilação crônica e redução da capaci- dade aeróbica. Essas patologias refletem numa re- duzida tolerância ao esforço, em razão das condições cardiopulmonares; ocorrendo facil- mente dispnéia.16, 17, 18, 19 Quando a obesidade é de grau moderado (IMC de 35 Kg/m2 a 39,9 Kg/m2) geralmente a ca- pacidade vital (CV) e a capacidade pulmonar total (CPT) encontram-se dentro dos valores normais, mas, no caso de obesidade mórbida, pode haver redução de 20% a 30% desses valores.20 Dessa maneira, fica claro que o grau da obesidade tam- bém exerce influência nas alterações dos volumes ou das capacidades pulmonares. Essa teoria já te- ria sido observada por Raio et al.,19 ao relatar uma diminuição da CV e da CPT em indivíduos com obesidade extrema, mas sem notar nenhuma alteração dos volumes pulmonares nos graus infe- riores de obesidade. Por outro lado, o acúmulo de massa de tecido adiposo na região torácica limita a função dos músculos expiratórios, apresentando um aumen- to do VRE e ajudando a manter o volume residual (VR) dentro da normalidade, inclusive em indiví- duos com obesidade mórbida. A relação VR/CPT pode apresentar valores até mais altos que o nor- mal, em indivíduos com obesidade mórbida.19 Existem também vários estudos sobre a defici- ência orgânica dos músculos respiratórios na obe- sidade, a redução da complacência da caixa torácica em obesos ou a diminuição dos volumes pulmonares, podendo causar insuficiência dos músculos respiratórios.21 À medida que aumenta o IMC, a complacência da caixa torácica declina significantemente, chegando a cair até 30%, nos casos mais graves. A complacência total do siste- ma respiratório diminui em indivíduos obesos, por conta de um aumento da resistência da pare- de torácica, isto é, um aumento na resistência elástica para que haja a expansão (tab. 1). Tabela 1. Trabalho mecânico* dos músculos respiratórios em indivíduos normais e obesos. * Trabalho mecânico em kg/ml; valores para trabalho elástico calculados por valores de complacência; valores obtidos dos estudos de Cherniack calculados pelo custo de O2 em indivíduos obesos determinados por Kaufman et al. (fonte: Naimark & Cherniack, 1960).22 A complacência do sistema respiratório total e de seus componentes revela-se inferior em indiví- duos obesos, quando comparados a indivíduos normais; a diferença mais marcante está na com- placência da parede torácica: em obesos, essa me- dida é 50% inferior à dos indivíduos normais. Portanto, a redução na performance, deve-se, em maior parte, ao prejuízo mecânico atribuído aos músculos respiratórios e à restrição da expansibi- lidade dos elementos torácicos.22 Mancini23 postula que, embora o acúmulo de gordura na região interna e na parede torácica possa levar a uma modesta redução da compla- cência da parede torácica, estudos demonstraram uma redução da complacência pulmonar em vir- tude de um aumento no volume de sangue pul- monar. Ele também ressalta que a complacência está associada à diminuição da CRF, levando a um decréscimo das trocas gasosas. Quando a obesidade é marcante, ela também aparece ligada ao aumento da resistência respira- tória total, como resultado do aumento da resis- tência pulmonar. Tais alterações na complacência e na resistência pulmonar levam o indivíduo a apresentar um padrão respiratório rápido e de baixa amplitude, aumentando o trabalho respira- tório e, com isso, limitando a capacidade ventila- tória máxima.23 A complacência do sistema respiratório total diminui em obesos, reduzindo adicionalmente na posição supina. Assim, enquanto a resistência da parede torácica para expansão na posição senta- do, em indivíduos obesos, é de 70% da resistência total, na posição supina ela aumenta para 80%.2 TRABALHO MUSCULAR E CONSUMO DE OXIGÊNIO Pessoas morbidamente obesas apresentam de- manda metabólica aumentada por realizar traba- lho extra dos músculos respiratórios, como também de todos os outros músculos que movi- mentam o corpo.8 Em indivíduos obesos, as taxas INDIVÍDUO TRABALHO TOTAL TRABALHO ELÁSTICO Total Pulmão Tórax Normal 227 J 0,90 J 0,39 J 0,51 J Obesos 540 J 2,00 J 0,50 J 1,50 J saude17.book Page 59 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL. 60 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 57-62, 2005 de consumo de oxigênio (VO2) e de produção de gás carbônico (VCO2) estão aumentadas mesmo em repouso. A ventilação minuto em repouso é alta em obesos, quando comparada a pessoas com peso normal.17 O consumo de oxigênio e o aumento na ven- tilação mostram-se altos em indivíduos obesos, considerando que as propriedades mecânicas dos pulmões nem sempre permanecem normais.22 A tabela 2 fornece dados relacionados ao consumo de oxigênio, à eficiência dos músculos respiratóri- os e ao trabalho feito para superar a resistência elástica, permitindo analisar as diferenças entre obesos e indivíduos normais. A média de volume corrente para os indi- víduos obesos é inferior à dos não obesos; po- rém, a freqüência respiratória é maior, o que garante uma média de volume minuto signifi- cantemente maior nos indivíduos obesos. Isso justifica-se pelo maior consumo de oxigênio e pela menor eficiência dos músculos respiratórios nesses indivíduos. Em relação ao estudo de Nicherson e Ke- ens,24 tanto os músculos respiratórios quanto os outros músculos do esqueleto podem fadigar, contribuindo para o fracasso ventilatório. Daí a importância de um programa de redução de peso, visto que indivíduos obesos fadigam mais facilmen- te. Por sua vez, Weiner et al.25 demonstraram me- lhora significante do desempenho dos músculos respiratórios conseqüente à perda de peso em pa- cientes com obesidade mórbida. Essa melhora se dá predominantemente na resistência da muscu- latura respiratória. Wadström et al.21 reportaram que, apesar de uma perda de peso de 18% e de aumento do volume pulmonar, os obesos não mostraram nenhuma melhora na força muscular respiratória, ocorrendo até, em alguns casos, uma diminuição transitória da força muscular. De qualquer modo, essa pesquisa realizou-se em uma média de 78 dias após cirurgia de gastroplastia re- dutora. A diferença dos resultados obtidos por Weiner25 e Wadstron21 pode ser explicada pela Tabela 2. Padrão respiratório, trabalho e eficiência dos músculos respiratórios em indivíduos normais e obesos. Fonte: Cherniack & Guenter, 1961. NÚMERO DE INDIVÍDUOS VOLUME CORRENTE (ML) FREQÜÊNCIA RESPIRATÓRIA (N.°/MIN) VOLUME MINUTO (L/MIN) VO2 (ML/L) EFICIÊNCIA (%) TRABALHO TRABALHO ELÁSTICO MECÂNICO KG-M/L KG -M/MIN Normal 1 854 10,9 9,1 77 9,5 050 0,45 2 875 5,5 4,8 99 12,0 037 0,18 3 670 9,6 6,4 49 7,9 055 0,35 4 453 12,7 5,6 95 7,3 016 0,09 5 898 8,7 7,8 89 11,0 045 0,36 6 405 12,4 5,0 62 9,6 016 0,08 7 480 24,0 11,5 1,24 10,8 023 0,26 Média 662 11,9 7,2 85 9,7 035 0,25 Obesos 8 405 10,6 5,2 1,72 4,9 0,29 0,15 9 820 10,6 8,7 3,46 3,3 110 0,96 10 460 11,7 5,4 1,83 6,1 039 0,21 11 335 15,0 5,0 1,20 5,4 024 0,13 12 872 16,0 14,0 2,80 3,1 13 768 17,5 13,4 3,27 3,3 14 564 22,5 12,7 5,90 1,2 040 0,52 Média 602 14,3 9,2 2,88 3,9 048 0,39 saude17.book Page 60 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL. Saúde em Revista 61 PERFORMANCE VENTILATÓRIA NA OBESIDADE própria composição corporal e pelo intervalo adotado na análise. A musculatura corporal contém um pequeno percentual de depósito de gordura, camada de gordura essencial (aproxima- damente 3%), utilizado como fonte de energia. Durante a perda de peso acentuada, há diminui- ção na força dos músculos respiratórios, relacio- nados proporcionalmente com a redução de massa magra após duas semanas de dieta hipoca- lórica. Portanto, somente após seis meses o orga- nismo dos indivíduos obesos já passou por um processo de organização e adaptação, com me- lhora nos parâmetros ventilatórios. Quando um indivíduo engorda, há também um certo aumento na porcentagem de massa ma- gra. Da mesma forma, no caso de uma redução do peso, também ocorre uma redução da massa magra, variando com o tipo de dieta e o de obesi- dade. Além disso, a dieta de baixa caloria está as- sociada à diminuição do glicogênio, necessário ao trabalho e à resistência muscular.2 Assim, o siste- ma respiratório também sofre alterações propor- cionais à redução do peso corpóreo, ocorrendo redução da espessura da massa muscular diafrag- mática.26 SÍNDROMES RESPIRATÓRIAS O sobrepeso e a obesidade estão associados ao risco aumentado dos sintomas respiratórios. A prevalência dos sintomas aumenta, quanto maior o IMC ou a circunferência da cintura. Em um es- tudo realizado por Sahenjami,27 foram avaliados 5.887 homens e 7.018 mulheres, com idade entre 29 a 59 anos, em que 45% deles e 31% delas pos- suíam índice de massa corpórea de 25-30 Kg/m2. Notou-se que a diminuição na resistência ventila- tória, o aumento da freqüência respiratória (f) e a diminuição dos volumes correntes relacionavam- se com maiores IMCs, apresentando alterações significantes quando estes eram submetidos a tes- tes de subir e descer escadas.27 SÍNDROME DA APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO A SAOS apresenta como característica freqüen- tes episódios de apnéia ou hipopnéia durante o sono (roncos acompanhados de engasgos e tosse, quando a potência é restaurada), sintomas diur- nos (sonolência, diminuição da concentração e da memória e cefaléia) e alterações fisiológicas (hi- poxemia e hipercapnia). Um episódio de apnéia obstrutiva do sono ocorre quando há interrupção do fluxo aéreo por 10 segundos ou mais, sobre a conseqüência de um esforço respiratório contí- nuo contra uma via aérea fechada, terminando só ao microdespertar, que restabelece a patência da via área colapsada e permite, dessa forma, que o indivíduo volte a respirar.23, 28 Os principais fatores predisponentes a SAOS são a obesidade e o sexo masculino, sendo que 70% dos indivíduos com SAOS já diagnosticada são obesos. Além disso, índices como hipertensão arterial, acúmulo de gordura na região abdominal e cervical, policitemia, hipoxemia ou hipercapnia e hipertrofia do ventrículo direito reforçam a pre- sença de SAOS.28 Em estudos sobre a circulação cerebral pelo método doopler-transcraniano notou-se que a auto-regulação cerebral é suficiente para proteger o cérebro das oscilações da pressão arterial, le- vando a alterações no fluxo sanguíneo cerebral durante os períodos de apnéia. Assim, os indiví- duos com SAOS apresentam maior predisposição a sofrer uma isquemia cerebral noturna.23 SÍNDROME DA HIPOVENTILAÇÃO A acidose respiratória limita-se inicialmente ao sono, retornando à homeostase durante o dia. Porém, uma conseqüência tardia seria uma altera- ção do controle respiratório, cujo achado caracte- rístico é a presença de eventos apnéicos sem esforço respiratório, decorrente de uma progres- siva dessensibilização dos centros respiratório à hipercapnia (noturna). No começo, tais eventos restringem-se ao sono, mas, eventualmente, le- vam à falência respiratória, com dependência crescente do controle neural respiratório hi- póxico para a ventilação.23 A síndrome da hipo- ventilação na obesidade, antigamente chamada de síndrome de Pick Wick, caracteriza-se por obesidade marcante, hipersonolência, hipóxia, hipercapnia, insuficiência ventricular direita e po- licitemia.29 CONCLUSÕES Segundo os autores citados, indivíduos obesos apresentam performance ventilatória alterada, possuindo volume corrente reduzido, freqüência respiratória aumentada, diminuição na compla- cência total e pulmonar, aumento no trabalho elástico e muscular, aumento no VO2 e altos índi- ces de fadigabilidade.2, 15, 18, 23 saude17.book Page 61 Friday, November 11, 2005 9:05 AM ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL. 62 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 57-62, 2005 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Deurenberg P, Schutz Y. 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Barros SE, Moura LSA, Carvalho MJC, Oliveira SCP, Moreira AM, Oliveira CR et al. Correlação das Pressões Respiratórias Máximas com o Estado Nutricional de Doentes Pulmonares. Rev Bras Nutr Clin 2003; 18 (3). 27. Sahenjami H. Dyspnea in Obese Healthy Men. Chest 1998; 114: 1.373-7. 28. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes para Cardiologistas sobre Excesso de Peso e Doença Cardiovascular. Arq Bras Cardiol 2002; 78 (Supl. 1) 8. 29. Teichtahl H. The Obesity-Hypoventilation Syndrome Revisited. Chest 2001; 120 (2): 336-9. 30. Dureuil B, Matuszczak Y. Alteration in Nutritional Status and Diaphragm Muscle Function. Reprod Nutr Dev 1998; 38 (2): 175-80. Submetido: 27/out./2004 Aprovado: 6/set./2005 saude17.book Page 62 Friday, November 11, 2005 9:05 AM KARINA MARIA CANCELLIERO. Saúde em Revista 63 EFEITO METABÓLICO DA GLUTAMINA E DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NO MÚSCULO IMOBILIZADO Efeito Metabólico da Glutamina e da Estimulação Elétrica no Músculo Imobilizado Metabolic Effect of Glutamine and Electrical Stimulation in Immobilized Muscle “Avaliação do Perfil Metabólico do Músculo Esquelético Imobilizado Submetido à Suplementação com Glutamina Associada ou não à Estimulação Elétrica”, de WANDERLEY ALBINO JUNIOR Tese de mestrado, Universidade Metodista de Piracicaba/SP, 2004, 82p. Orientador: prof. dr. Carlos Alberto da Silva ssa dissertação foi desenvolvida no programa de pós-graduação da Universidade Metodista de Piracicaba (Mestrado em Fisiote- rapia) pelo fisioterapeuta Wanderley Albino Junior, sob orienta- ção do professor dr. Carlos Alberto da Silva. O trabalho é apresentado de forma organizada e objetiva, com boa qualidade de escrita e ilustra- ções, incluindo gráficos e fotos. Sua estrutura se faz pelo resumo, abs- tract, lista de figuras, introdução, objetivos, material e métodos, resultados, conclusão, discussão e referências bibliográficas, as quais constituem fonte de pesquisa ao leitor pela variabilidade de análises e anos de publicação. A dissertação destaca a relevância da imobilização articular na práti- ca clínica da fisioterapia, área de fundamental importância e participa- ção no processo de reabilitação. Esse tema é bem abordado na literatura atual, pelo processo de hipotrofia muscular limitar a funcio- nalidade do ser humano, não somente pelas alterações músculo-esque- léticas, mas também alterações em órgãos vitais devido à inatividade do indivíduo. É importante destacar que a reabilitação fisioterapêutica é importante, pois objetiva a melhor qualidade de vida dos pacientes. A cinesioterapia é um recurso bastante utilizado pelo profissional fi- sioterapeuta, porém há casos em que a contração muscular necessita de um auxílio eletroterapêutico, no caso a estimulação elétrica neuromus- cular, que promove a contração muscular passivamente. Assim, esse re- curso pode estar sendo utilizado durante períodos de inatividade muscular para minimizar o processo de hipotrofia e comprometimento RESENHA /REVIEW E KARINA MARIA CANCELLIERO* Doutoranda em fisioterapia na UFSCar/SP *Correspondências: Rua Gomes Carneiro, 875, Centro, 13400-530, Piracicaba/SP karca@terra.com.br saude17.book Page 63 Friday, November 11, 2005 9:05 AM KARINA MARIA CANCELLIERO. 64 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 63-65, 2005 metabólico muscular, uma vez que promove a contração muscular e ati- va mecanismos intracelulares. Suplementações alimentares e fármacos também são abordados na literatura pelo fato da ação anabólica na musculatura esquelética, prin- cipalmente em estados catabólicos, como na atrofia ou hipotrofia mus- cular, induzidas por inatividade, imobilizações, ambientes espaciais, doenças neuromusculares ou na utilização de corticosteróides sintéti- cos. Assim, um recurso ergogênico pode ser um coadjuvante na reabili- tação do paciente, com objetivo da melhora metabólica e da massa muscular. Vale ressaltar que a glutamina, especificamente, tem outras ações, como no sistema imunológico e que vem sendo bastante estuda- da, não somente em estados catabólicos, mas também em exercícios agudos e crônicos, principalmente objetivando seus efeitos benéficos em atletas profissionais. Nesse contexto, o trabalho objetivou avaliar o perfil metabólico (re- servas de glicogênio) e tecidual (peso) muscular de ratos, os quais foram submetidos à imobilização do membro posterior mantendo a posição neutra do tornozelo com órtese de resina acrílica, além de propor dois protocolos de tratamento que pudessem ser aplicados (isolados ou asso- ciados) durante o período de sete dias de imobilização articular. A esti- mulação elétrica neuromuscular, um dos tratamentos, que é um recurso usado freqüentemente na prática fisioterapêutica por promover a con- tração muscular e a glutamina, um segundo recurso que é um aminoáci- do não essencial, bastante utilizado em estados catabólicos musculares. A glutamina foi administrada pela via oral, diluída em água potável, na concentração de 1g/kg/dia. Os parâmetros utilizados para estimula- ção elétrica seguiram o seguinte protocolo: f = 10Hz; i = 5mA (au- mento de 1mA a cada cinco minutos); T = 3ms; t = 20 minutos/dia. Além da análise metabólica e tecidual, comparou-se o grupo tratado com glutamina ao grupo controle sob os aspectos do perfil bioquímico plasmático (glicose, lactato e creatinina), perfil hematológico (hemoglo- bina, hematócrito, eritrometria, índices hematimétricos), teste de fragi- lidade osmótica, teste de tolerância à insulina e análise do peso constante do músculo sóleo. Para efetivar a ação da glutamina nas reservas de glicogênio e no peso muscular, também se administrou a alanina-glicina (isoenergético e isonitrogenado) nos grupos semelhantes e na mesma concentração da glutamina. Os resultados mostraram que a imobilização promoveu redução nas reservas energéticas dos músculos analisados, porém, quando os trata- mentos foram aplicados de maneira isolada ou associados, as reservas de glicogênio se apresentaram maiores. Com relação ao peso do mús- culo sóleo, este apresentou redução pela imobilização, porém, com o tratamento da glutamina e da associação do aminoácido com a estimu- lação, a perda de peso minimizou-se. O tratamento com glutamina não alterou os parâmetros de fragili- dade osmótica, perfil bioquímico e teste de tolerância à insulina, porém promoveu aumento na hidratação do músculo sóleo, acompanhado de aumento em duas variáveis do índice hematimétrico (volume globular e volume globular médio), ressaltando sua ação na hidratação celular. saude17.book Page 64 Friday, November 11, 2005 9:05 AM KARINA MARIA CANCELLIERO Saúde em Revista 65 EFEITO METABÓLICO DA GLUTAMINA E DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NO MÚSCULO IMOBILIZADO O complexo alanina-glicina não apresentou ação efetiva como a glutamina, pois não alterou as reservas de glicogênio e peso muscular na condição normal e de imobilização. Esse trabalho mostra a importância de protocolos de tratamento durante o período agudo de imobilização do membro, na melhora das reservas energéticas e na minimização da perda de peso muscular, des- tacando o uso de suplementações, como a glutamina e de um recurso fisioterapêutico, como a estimulação elétrica neuromuscular. Um ponto relevante é o modelo de órtese desenvolvido, o qual foi eficaz em alterar o metabolismo energético e o peso muscular, além de ser funcional ao animal. Isso gera outras propostas de análises e de trata- mentos para tentar minimizar o processo de hipotrofia muscular, condi- ção importante para a ação do fisioterapeuta no processo de reabilitação. Submetido: 29/out./04 Aprovado: 1.º/jul./05 saude17.book Page 65 Friday, November 11, 2005 9:05 AM KARINA MARIA CANCELLIERO. 66 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 63-65, 2005 saude17.book Page 66 Friday, November 11, 2005 9:05 AM Saúde em Revista 67 SAÚDE EM REVISTA Normas para Publicação Princípios Gerais I. A SAÚDE EM REVISTA tem por objetivo publicar trabalhos que contribuam para o desenvolvimento científico e tecnológico nas áreas de ciências biológicas e da saúde. II. A revista privilegia a veiculação de temas em ciências biológicas e de saúde (teoria, ética e história), pes- quisa teórica e/ou experimental, política e ensino. III. Os temas podem ser desenvolvidos através das seguintes categorias: • ARTIGOS ORIGINAIS: trabalhos resultantes de pesquisa científica apresentando dados originais de desco bertas com relação a aspectos experimentais ou observacionais de característica médica, bioquímica e social, incluindo análise descritiva e ou inferências de dados próprios. Sua estrutura é a convencional, trazendo os seguintes itens: Introdução, Métodos, Resultados, Discussão, Conclusão e Referências Bibliográficas; • ARTIGOS DE REVISÃO: trabalhos que têm por objeto resumir, analisar ou sintetizar trabalhos de investiga- ção já publicados em revistas científicas; • ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO OU DIVULGAÇÃO: trabalhos que relatam informações geralmente atuais sobre tema de interesse para determinada especialidade (uma nova técnica, por exemplo), e que têm característi- cas distintas de um artigo de revisão; • RELATO DE CASO: artigos que representam dados descritos de um ou mais casos, explorando um método ou problemas por meio de exemplo. Apresenta as características do indivíduo estudado, com indicação de sexo e idade, podendo ser realizado em humano ou animal; • RESUMOS DE MONOGRAFIAS: trabalho de graduação e de pós-graduação mais relevantes e originais;1 • RESENHAS: comentários críticos de livros e/ou teses. Devem conter todas as informações para a identifi- cação do livro comentado (autor; título; tradutor e título original, se houver; edição, se não for a primeira; local; editora; ano; total de páginas; ISBN; e preço). • CARTAS: comentários a artigos relevantes publicados anteriormente. Nota: os artigos submetidos à revista devem preferencialmente enquadrar-se na categoria de relatos origi- nais (científicos). IV. Com exceção dos Resumos, a submissão dos manuscritos implica que o trabalho não tenha sido publi- cado e não esteja sob consideração para publicação em outra revista. V. A aceitação se dará observando-se os seguintes critérios: a) adequação ao escopo da revista; b) qualidade científica, atestada pela Comissão Editorial e por processo anônimo de avaliação por pares (blind peer review),2 com consultores não remunerados, especialmente convidados, cujos nomes são divul- gados anualmente, como forma de reconhecimento; c) cumprimento das normas da SAÚDE EM REVISTA. O autor será informado do andamento do processo de seleção e os originais enviados à Editora UNIMEP serão a ele devolvidos; d) coerência do número de autores com as dimensões do projeto. VI. Os artigos devem respeitar as seguintes dimensões (unidade-padrão: lauda de 1.400 toques** ou 20 linhas com 70 toques cada): • ARTIGOS ORIGINAIS: 10 a 18 laudas (de 14.000 a 25.200 toques);3 • REVISÕES DE LITERATURA: 8 a 12 laudas (de 11.200 a 16.800 toques); • ENSAIOS: 12 a 20 laudas (de 16.800 a 28.000 toques); 1 Resumos de monografias: encaminhar três cópias em papel e uma em disquete, contendo: título em português e inglês; resumo em português e inglês; palavras-chave em português e inglês (mínimo: três; máximo: seis); nome do autor e curso; nome do orientador; data da aprovação; total de páginas do texto original e documento do orientador atestando sua aprovação. 2Para maior detalhamento das etapas, v. item 2 de “Apresentação”. 3 Nesse total de toques, considerar também os espaços entre palavras. * 1 1 * ** saude17.book Page 67 Friday, November 11, 2005 9:05 AM 68 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 67-71, 2005 • RESUMOS DE MONOGRAFIAS: 1 lauda (até 1.400 toques); • RESENHAS: 2 a 4 laudas (de 2.800 a 5.600 toques). VII. A exatidão e a adequação das referências bibliográficas consultadas e menciondas no artigo são de inteira responsabilidade do(s) autor(es). VIII. Cabe à revista a exclusividade na publicação dos artigos aprovados. IX. Os artigos podem sofrer alterações editoriais não substanciais (reparagrafações, correções gramaticais e adequações estilísticas), que não modifiquem o sentido do texto. O autor poderá revisar as mudanças intro- duzidas. X. NÃO HÁ REMUNERAÇÃO PELOS TRABALHOS. Por artigo, o(s) autor(es) recebe(m) 1 (um) exemplar da revista e 10 (dez) separatas do seu artigo. Ele(s) pode(m) ainda adquirir exemplares da revista com desconto de 30% sobre o preço de capa, bem como a quantidade que desejar(em) de separatas, a preço de custo equi- valente ao respectivo número de páginas e de cópias. XI. Os artigos devem ser encaminhados à Comissão Editorial da revista por meio de ofício, no qual devem constar: • DECLARAÇÃO de anuência e concordância dos autores, assinada por pelo menos um deles, indicando a exclusividade de publicação na SAÚDE EM REVISTA, caso o artigo venha a ser aceito pela Comissão Editorial; • CONCORDÂNCIA com as Normas para Publicação; • CONSIDERAÇÕES ÉTICAS E LEGAIS: evitar o uso de iniciais ou números de registros hospitalares dos pacientes. Um paciente não poderá ser identificado em fotografias, exceto com consentimento expressso, por escrito, acompanhando o trabalho original. Estudos realizados em seres humanos devem estar de acordo com padrões éticos e com o devido consentimento livre e esclarecido dos pacientes. Deve ser incluída a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, devidamente registrada no Conselho Nacional de Saúde ou na Universidade à qual o(s) autor(es) estejam vinculados, ou na instituição mais próxima ao seu local de trabalho que o possa registrar; • INDICAÇÃO DA CATEGORIA do manuscrito, conforme item 3. Forma e preparação dos manuscritos Cada artigo deve conter os seguintes elementos: I. IDENTIFICAÇÃO • NOME e SOBRENOME do(s) AUTOR(es) (no caso de mais de um, indicar o responsável para troca de cor- respondência); • Telefone, e-mail e endereço para correspondência; • TITULAÇÃO acadêmica, INSTITUIÇÃO a que cada autor está afiliado, acompanhado do respectivo ende- reço, UNIDADE e FUNÇÃO do(s) autor(es); • DEPARTAMENTO e INSTITUIÇÃO em que o trabalho foi realizado; • TÍTULO (e subtítulo, se houver): precisa(m) indicar claramente o conteúdo do texto e ser conciso(s), evi- tando-se palavras supérfluas [título: máximo de 40 toques; subtítulos: máximo de 80 toques]; • SUBVENÇÃO: menção de apoio e financiamento eventualmente recebidos; • Se tiver sido baseado em DISSERTAÇÃO ou TESE, indicar título, ano e instituição onde foi apresentada; • Se tiver sido apresentado em REUNIÃO CIENTÍFICA, indicar nome do evento, local e data da realização • AGRADECIMENTO, apenas se absolutamente indispensável. Esses elementos devem ser descritos em folha individualizada, antecedendo o texto do artigo propriamente dito. II. TEXTO • TÍTULO do trabalho em português e inglês (textos em inglês devem apresentar título, resumo e palavras- chave em português; textos em espanhol, título em inglês, abstract e keywords). • RESUMO indicativo e informativo, em português (intitulado Resumo) e inglês (denominado Abstract), em, no máximo, 1.400 toques. Para fins de indexação, o autor deve indicar as palavras-chave ou descritores (mínimo de três e máximo de seis) do artigo, em português e inglês (keywords). Recomenda-se o uso de DECS- Descritores em Ciências da Saúde (LILACS: <http://www.bireme.br/ abd/P/lilacs.htm>, <http://decs.bvs.br>). saude17.book Page 68 Friday, November 11, 2005 9:05 AM Saúde em Revista 69 • TÍTULO ABREVIADO, com até 40 caracteres, para fins de legenda nas páginas impressas. Documentação As citações devem obedecer à apresentação aqui detalhada: 45 I. CITAÇÕES NO TEXTO a) As referências ao longo do texto, assim como nas tabelas e figuras, devem ser identificadas por número arábico e numeradas consecutivamente segundo a ordem em que são mencionadas no artigo. Esse número precisa ser colocado em expoente (sobrescrito). Ao se citar dois autores de obra referenciada, seus sobre- nomes devem estar ligados pela conjução “e”; no caso de mais de três, cita-se o primeiro autor seguido da expressão “et al.” Exemplos: • Terris et al.8 altualizam a clássica definição de saúde pública. • O fracasso do movimento de saúde comunitária parece evidente.1, 5, 7 As NOTAS EXPLICATIVAS,* quando houver, precisam ser dispostas no rodapé, remetidas por asterisco (não por número), sobrescrito no corpo do texto. Havendo mais de uma por página, o seu número corresponderá à quantidade de astericos necessários para indicá-lo,** processo esse que será reiniciado em eventual nova página. Toda vez que a citação for literal, ou específica a um trecho da obra, e tiver (a) menos que quatro linhas, ela deve aparecer entre aspas, e não em itálico; se for (b) igual ou maior que quatro linhas deve ter recuo de qua- tro centímetros das margens do texto (sem aspas), sendo destacada em parágrafo próprio, com corpo redu- zido em relação ao restante do texto, pulando-se uma linha antes e outra depois da transcrição. (a) ...Fica claro, portanto, que “as exigências nutricionais dos fungos que afetam papéis são carbono, hidro- gênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre, potássio, magnésio, fósforo, ferro, zinco, cobre e manganês”, con- forme afirma Kowalik17 (pp. 99-114). (b) ...Como afirma Malerbi, discutindo o atendimento ao paciente diabético na rede básica do município de São Paulo: O atendimento de pacientes diabéticos ainda está dependendo da iniciativa pessoal dos profissio- nais que atuam nos postos, os quais, quando têm interesse, deparam-se com dificuldades relativas a critérios, medicamentos, materiais, recursos auxiliares etc. As maiores dificuldades residem, porém, quanto ao treinamento e atualização das equipes, e quanto ao sistema de referência e con- tra-referência, o qual é extremamente complicado, burocratizado e ineficaz. (Malerbi,8 p. 31) Os demais complementos (nome completo do autor, nome da obra, cidade, editora, ano de publicação etc.) constarão das Referências Bibliográficas, ao fim de cada artigo, seguindo o padrão abaixo. II. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS As Referências Bibliográficas são limitadas a 30, nos textos que se enquadram nas categorias Artigos Origi- nais, Revisão e Ensaio. As referências ao longo do texto (citações), assim como tabelas e figuras, devem ser identificadas por número arábico e numeradas consecutivamente, e normatizadas de acordo com o estilo Vancouver (<www.icmje.org>). Os títulos de periódicos devem ser referidos de forma abreviada, de acordo com o Index Medicus (<http://bioinfo.ernet.in/~shubha/IndexMedicus/IndexMedicus-A.html>). Publica- ções com dois autores até o limite de seis citam-se todos; acima de seis autores, citam-se os seis primeiros, seguidos de “et al.”, de acordo com o padrão abaixo. Artigos em periódicos 1. Listar os seis autores seguidos por “et al.”. • Vega KJ, Pina I, Krevsky B. Heart transplantation is associated with an increased risk for pancreatobili- ary disease. Ann Intern Med 1996 Jun 1;124 (11):980-3. Como opção, se o periódico tem paginação contínua e não apresenta numeração, pode ser omitido o número da revista: 4 *Nota explicativa no rodapé da página. 5**Uma eventual segunda nota na mesma página será indicada por dois asteriscos. saude17.book Page 69 Friday, November 11, 2005 9:05 AM 70 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 67-71, 2005 • Vega KJ, Pina I, Krevsky B. Heart transplantation is associated with an increased risk for pancreatobili- ary disease. Ann Intern Med 1996;124:980-3. Para mais de seis autores: • Parkin DM, Clayton D, Black RJ, Masuyer E, Friedl HP, Ivanov E, et al. Childhood leukaemia in Europe after Chernobyl: 5 year follow-up. Br J Cancer 1996;73:1006-12. 2. Organizados como autores • The Cardiac Society of Australia and New Zealand. Clinical exercise stress testing. Safety and perfor- mance guidelines. Med J Aust 1996; 164: 282-4. 3. Nenhum autor apresentado. • Cancer in South Africa [editorial]. S Afr Med J 1994;84:15. 4. Volume ou artigo com suplemento • Shen HM, Zhang QF. Risk assessment of nickel carcinogenicity and occupational lung cancer. Environ Health Perspect 1994;102 Suppl 1:275-82. • Payne DK, Sullivan MD, Massie MJ. Women’s psychological reactions to breast cancer. Semin Oncol 1996;23(1 Suppl 2):89-97. 5. Artigo sem volume • Turan I, Wredmark T, Fellander-Tsai L. Arthroscopic ankle arthrodesis in rheumatoid arthritis. Clin Orthop 1995;(320):110-4. 6. Nenhum título ou volume • Browell DA, Lennard TW. Immunologic status of the cancer patient and the effects of blood transfusion on antitumor responses. Curr Opin Gen Surg 1993:325-33. 7. Paginação em algarismos romanos • Fisher GA, Sikic BI. Drug resistance in clinical oncology and hematology. Introduction. Hematol Oncol Clin North Am 1995 Apr;9(2):xi-xii. 8. Autores citados em outros artigos • Enzensberger W, Fischer PA. Metronome in Parkinson’s disease [letter]. Lancet 1996;347:1337. Clem- ent J, De Bock R. Hematological complications of hantavirus nephropathy (HVN) [abstract]. Kidney Int 1992;42:1285. Livros e monografias • Ringsven MK, Bond D. Gerontology and leadership skills for nurses. 2nd ed. Albany (NY): Delmar Publishers; 1996. • Norman IJ, Redfern SJ, editors. Mental health care for elderly people. New York: Churchill Livings- tone; 1996. • Institute of Medicine (US). Looking at the future of the Medicaid program. Washington: The Institute; 1992. • Phillips SJ, Whisnant JP. Hypertension and stroke. In: Laragh JH, Brenner BM, editors. Hypertension: pathophysiology, diagnosis, and management. 2nd ed. New York: Raven Press; 1995. p. 465-78. • Kimura J, Shibasaki H [editors]. Recent advances in clinical neurophysiology. Proceedings of the 10th International Congress of EMG and Clinical Neurophysiology; 1995 Oct 15-19; Kyoto, Japan. Amster- dam: Elsevier; 1996. • Bengtsson S, Solheim BG. Enforcement of data protection, privacy and security in medical informatics. In: Lun KC, Degoulet P, Piemme TE, Rienhoff O, editors. MEDINFO 92. Proceedings of the 7th World Congress on Medical Informatics; 1992 Sep 6-10; Geneva, Switzerland. Amsterdam: North-Holland; 1992. p. 1561-5. 1. Dissertação ou tese • Ferreira SJ. Caracterização molecular da Xillela fastidiosa [Dissertação ou Tese]. Piracicaba (SP): Univer- sidade de São Paulo; 2000. saude17.book Page 70 Friday, November 11, 2005 9:05 AM