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SAÚDE REV., Piracicaba, v. 7, n. 17, p. 1-72, set./dez. 2005
saude17_abertura.fm Page 1 Friday, November 25, 2005 11:30 AM
INSTITUTO EDUCACIONAL PIRACICABANO – IEP
Presidente do Conselho Diretor LUIZ ALCEU SAPAROLLI
Diretor Geral ALMIR DE SOUZA MAIA
Universidade Metodista de Piracicaba
Reitor GUSTAVO JACQUES DIAS ALVIM (e vice-diretor geral do IEP)
Vice-Reitor Acadêmico SÉRGIO MARCUS PINTO LOPES
Vice-Reitor Administrativo ARSÊNIO FIRMINO DE NOVAES NETTO
EDITORA UNIMEP
Conselho de Política Editorial GUSTAVO JACQUES DIAS ALVIM (presidente) 
Policy Advisory Committee SÉRGIO MARCUS PINTO LOPES (vice-presidente)
AMÓS NASCIMENTO
ANTONIO ROQUE DECHEN
CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI
CRISTINA BROGLIA F. DE LACERDA
LUIZ ANTONIO ROLIM
NANCY ALFIERI NUNES 
NELSON CARVALHO MAESTRELLI
SAÚDE EM REVISTA Helth in Review set./dez. 2005
vol. 7, n.17 “Atividade Física e Saúde” / “Physical Activity and Health” 
Coordenação Temática CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI (Mestrado de Educação Física - UNIMEP/SP)
Comissão Científico-Editorial CRISTINA BROGLIA F. DE LACERDA – editora científica (Curso de Fonoaudiologia)
Scientific-Editorial Board CARLOS ALBERTO DA SILVA (Curso de Fisioterapia)
FÁTIMA CRISTIANE L. GOULART FARHAT (Curso de Farmácia)
MARCELO DE CASTRO CESAR (Curso de Educação Física)
MÁRCIA REGINA C. C. DA FONSECA (Curso de Enfermagem)
RINALDO GUIRRO (Curso de Fisioterapia)
VÂNIA APARECIDA LEANDRO MERHI (Curso de Nutrição)
Comitê Científico ALBERT - JESUS FIGUERAS SUÑE (Fundació Institut Català de Farmacologia / Universitat 
Autònoma de Barcelona, Espanha) 
ARTURO SAN FELICIANO (Departamento de Química Farmacêutica / 
Advisory Board Faculdad de Farmacia / Universidade de Salamanca, Espanha)
ELVIRA MARIA GUERRA SHINOHARA (Faculdade de Ciências Farmacêuticas / USP-SP) 
ESTER DA SILVA (Faculdade de Ciências da Saúde / UNIMEP-SP)
FRAN HARSTROM (Department of Rehabilitation, Human Resources and
Communication Disorders / University of Arkansas-Fayetteville, USA)
ISABELA HOFFMEISTER MENEGOTTO (Curso de Fonoaudiologia / Universidade Luterana 
do Brasil-ULBRA / RS)
LÉSLIE PICCOLOTTO FERREIRA (Faculdade de Fonoaudiologia / PUC-SP)
LISIAS NOGUEIRA CASTILHO (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina / USP-SP)
MARIA CRISTINA FABER BOOG (Departamento de Enfermagem – Faculdade de Ciências 
Médicas / Unicamp-SP)
MAURO FISBERG (Departamento de Pediatria e Adolescência – Nutrologia / Unifesp-SP)
PEDRO LUIZ ROSALEN (Faculdade de Odontologia de Piracicaba / Unicamp-SP)
RENATA MOTA MAMEDE CARVALHO (Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e 
Terapia Ocupacional / Faculdade de Medicina da USP-SP)
RUI CURI (Instituto de Ciências Biomédicas / USP-SP)
Editor Executivo/Managing Editor HEITOR AMÍLCAR DA SILVEIRA NETO (MTb 13.787)
Equipe Técnica/Technical Team IVONETE SAVINO (secretária)
ALTAIR ALVES DA SILVA (assistente administrativo)
ALEX GARCIA CALMONT DE ANDRADE (bolsista atividade da revista)
REGINA FRACETO (ficha catalográfica)
SUZANA VERISSIMO (edição de texto)
NUNO COIMBRA MESQUITA (revisão de textos em inglês)
Printfit Soluções CARLOS TERRA (coordenação)
WESLEY LOPES HONÓRIO (capa)
ALEX CAMARGO (editoração eletrônica)
JURACI VITTI (revisão gráfica)
SAÚDE EM REVISTA é uma publicação quadrimestral da Editora UNIMEP que traz artigos vinculados ao desenvolvimento científico e tecnológico
nas áreas de ciências biológicas e da saúde. Os originais devem ser encaminhados à Comissão Editorial da revista, observadas suas normas
para publicação de artigos. As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade dos seus autores. Os textos são selecionados por pro-
cesso anônimo de avaliação por pares (blind peer review). Na última edição de cada ano, é publicada a relação do seu corpo de referee. Veja as
normas para publicação no final da revista (estilo Vancouver: <www.icmje.org>) ou no site da Editora UNIMEP (<www.unimep.br/editora>).
SAÚDE EM REVISTA is published three times a year by UNIMEP Press (São Paulo/Brazil). It contains papers on scientific and technological issues
from biological and health sciences. Editorial norms for submission of articles can be requested to the Editor. Manuscripts are selected
through a blind peer review process. In the last issue of the year, the list of referee body is published. See editorial norms for submission of arti-
cles in the back of this journal (Vancouver stile: <www.icmje.org>) or in UNIMEP's site (<www.unimep.br/editora>).
Aceita-se permuta / Exchange is desired.
Saúde em Revista é indexada pelo / Saúde em Revista is indexed by
Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Cientificas de América Latina, el Caribe, España y Portugal (LATINDEX), base de dados Peri
(ESALQ/USP), Qualis A-Nacional (Ciência de Alimentos), B-Nacional (Educação e Saúde Coletiva) e C-Nacional (Enfermagem e Educação Física).
Disponibilizada no sítio / available in site <www.unimep.br/editora>
Assinaturas EDITORA UNIMEP
<www.unimep.br/editora>
Rodovia do Açúcar, km 156 – 13400-911 – Piracicaba/SP
Tel./fax: 55 (19) 3124-1620 / 3124-1621
E-mail: editora@unimep.br / Comissão Editorial: <sauderev@unimep.br>
Saúde em Revista
Universidade Metodista de Piracicaba
V. 1 • n. 1 • 1999
Quadrimestral / Three times yearly
 ISSN 1516-7356
1. Ciências da Saúde – periódicos
CDU – 613/614
´
saude17_abertura.fm Page 2 Friday, November 25, 2005 11:30 AM
ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE
Com a evolução da ciência e da tecnologia nas últimas décadas, vários estudos científicos
publicados e divulgados em diferentes regiões do mundo apontam que o exercício físico pode atuar
na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida de seus praticantes.
O conhecimento da ciência do esporte, tanto no contexto das teorias da preparação física
como dos fatores fisiológicos, psicológicos, biomecânicos e nutricionais, busca explicações de como
podemos proteger a saúde do atleta, alcançando os melhores resultados técnicos possíveis, com
mínimo esforço e máxima eficiência para realizar suas provas esportivas. Dessa forma, o objetivo
da ciência é atingir uma performance ideal, com o menor gasto de tempo e de esforço possível, sem
que o atleta se depare com graves danos ao seu organismo.
Nesse contexto, o respaldo científico para a prática esportiva é de grande importância aos
seres humanos, já que os resultados que apontam para prática mais saudável dos atletas em seus
treinamentos e competições podem se estender aos praticantes de atividade física, que se orientam
visando à melhoria da qualidade de vida. Além disso, o exercício físico tem sido utilizado na pre-
venção ou como coadjuvante terapêutico em várias patologias, principalmente nas doenças crônico
degenerativas como diabetes, hipertensão, dislipidemias, obesidade e câncer.
A aplicação de um treinamento sistematizado e de longo prazo provoca alterações signifi-
cativas tanto nas estruturas como nas funções orgânicas de seus praticantes. As respostas da perfor-
mance humana estão intrinsecamente ligadas aos programas de preparação física, constituindo
fator extremamente importante para se atingir o(s) objetivo(s) pretendido(s). Sabe-se que os resulta-
dos conseguidos na prática esportiva são conseqüências dos fatores hereditários, ambientais, psico-
lógicos, nutricionais e dos programas específicos de treinamento a que são submetidos os
praticantes ou atletas. Dessa forma, um exercício físico, segundo um plano adequado no que diz
respeito à freqüência, volume, intensidade e tipo de exercício físico, pode sem dúvida alguma trazer
benefícios à promoção da saúde para os praticantes que buscam no esporte uma melhor qualidade
de vida. 
Dessa forma, este número da Saúde em Revista traz artigos que discutem tal temática, com
vistas a respaldar os profissionais diretamente envolvidos com a prática esportiva e a atividade física
para saúde. Três trabalhos abordam a prática regular de atividade física com o intuito
de proporcio-
nar benefícios para qualidade de vida e para a performance motora em indivíduos idosos.
Em continuação, encontram-se nesta edição pesquisas que avaliam a performance respira-
tória em pacientes. Uma delas analisou a performance ventilatória na obesidade, hoje considerada
em todo mundo como um problema de saúde pública, inferindo altos índices de mortalidade e
morbidade. Outro estudo analisou o efeito do alongamento sobre a mecânica respiratória e ativi-
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dade elétrica dos músculos respiratórios em pacientes com DPOC, com intuito de utilizar essa téc-
nica em um programa de reabilitação pulmonar. 
Dois trabalhos aqui publicados abordaram aspectos relacionados à fisiologia do exercício.
Um desses trabalhos experimentais avaliou a participação dos eritrócitos na homeostase da glicemia
em animais submetidos aos efeitos estressores induzidos pelo exercício físico. Outro deles avaliou a
indução de glomerulosclerose, termo morfológico utilizado para designar as doenças renais identi-
ficadas pelo aumento de matriz extracelular, que pode ser induzida em situações em que o hormô-
nio do crescimento (GH) se faz presente em concentrações suprafisiológicas, como, por exemplo,
em atletas e indivíduos que utilizam esse hormônio para estimular a síntese proteica, com intuito de
melhorar a performance.
A partir da década de 70, aliado ao desenvolvimento tecnológico, cresce o interesse e as
publicações relacionando exercício físico e promoção da saúde. Um dos aspectos que vem se desen-
volvendo consideravelmente, a partir da década de 90, são as pesquisas relacionadas com a resposta
imunológica induzida pelo exercício físico. Atualmente vários estudos têm relatado que o exercício,
dependendo de sua intensidade e de seu volume, e do adequado suporte nutricional, pode promo-
ver efeito positivo ou negativo sobre a resistência imunológica de atletas ou praticantes. Um dos
artigos desta edição aborda o efeito da suplementação do aminoácido glutamina sobre a resistência
imunológica em atletas jovens do futebol, que podem ser susceptíveis a infecções das vias aéreas
superiores (IVAS), em virtude da grande exigência física de tal modalidade esportiva.
Assim, é com prazer que publicamos mais este número da Saúde em Revista, que contri-
buirá com a ciência e com a compreensão de vários aspectos relacionados à prática de exercício
físico, promoção da saúde e qualidade de vida.
CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI
Professora do Núcleo de Performance Humana
Mestrado em Educação Física / Faculdade de Ciências da Saúde, da UNIMEP
saude17_abertura.fm Page 4 Friday, November 25, 2005 11:30 AM
CONTENTS 
ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES
7. Indução de Glomerulosclerose pelo Hormônio do Crescimento
Glomerulosclerosis Induction by Growth Hormone
ENRICO FUINI PUGGINA (UNIMEP/SP); CLÁUDIA JACQUES LAGRANHA (USP/SP); 
DONALD FRANCIS SELLITTI (University of the Health Sciences/EUA); SONIA 
QUATELI DOI (University of the Health Sciences/EUA) & TÂNIA CRISTINA 
PITHON-CURI (UNIMEP/SP)
13. Efeito do Alongamento sobre a Atividade dos Músculos 
Inspiratórios na DPOC
Effects of Stretching on the Inspiratory Muscular Activity in COPD
ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA (UFPE/PE); PATRÍCIA ÉRIKA DE MELO 
MARINHO (UFPE/PE); THAYSE NEVES SANTOS SILVA (UFPE/PE); EDUARDO ÉRIKO 
TENÓRIO DE FRANÇA (UFPE/PE); CÉSAR AMORIM (Univap/SP); VALDECIR CASTOR 
GALINDO FILHO (UFPE/PE) & ARMÈLE DORNELAS DE ANDRADE (UFPE/PE)
21. Suplementação de Glutamina e Resistência Imunológica em 
Atletas de Futebol
Glutamine Supplementation and Immunological Resistance in Soccer 
Players
JOSÉ FRANCISCO DANIEL (PUCCamp/SP) & CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI 
(UNIMEP/SP)
31. Participação dos Eritrócitos no Controle Glicêmico do Exercício
Erythrocytes Participation in Glycemic Control of the Exercise
CARLOS ALBERTO DA SILVA (UNIMEP/SP); RINALDO ROBERTO DE JESUS GUIRRO 
(UNIMEP/SP); KARINA MARIA CANCELLIERO (UNIMEP/SP) & FABIANA FORTI 
(UNIMEP/SP)
41. Aptidão Física de Mulheres Idosas: estudo a partir de aulas 
recreativas de karatê-do
Physical Aptitude of Senior Women: a study developed from karate-do 
recreational classes
CASSIANE RODRIGUES; JOÃO PAULO BORIN (UNIMEP/SP); CARLOS ROBERTO 
PEREIRA PADOVANI (Unesp/SP) & CARLOS ROBERTO PADOVANI (Unesp/SP)
saude17_abertura.fm Page 5 Friday, November 25, 2005 11:30 AM
47. Qualidade de Vida e Performance em Idosos: estudo 
comparativo
Quality of Life and Performance of Elderly Persons: a comparative study
MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO (UNIMEP/SP); MARCELO DE CASTRO CESAR 
(UNIMEP/SP); ADALBERTO VICENTE DE OLIVEIRA JR. (UNIMEP/SP) & IRIA 
APARECIDA STORER (UNIMEP/SP)
REVISÕES DE LITERATURA / BIBLIOGRAPHY REVIEWS
53. Alterações do Sistema Neuromuscular com o Envelhecimento e 
a Atividade Física
Neuromuscular System Changes in Aging and Physical Activity
RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI (UNIMEP/SP) & TANIA CRISTINA PITHON-CURI 
(UNIMEP/SP)
57. Performance Ventilatória na Obesidade
Ventilatory Performance in Obesity
ALESSANDRA MONACO RIGATTO (FAG/PR); SILVIA C. CREPALDI ALVES (UNIMEP/
SP); CAMILA BRETAS GONÇALVES; JACQUELINE FERNANDES FIRMO & LUCIANA 
MARA PROVIN (FAG/PR)
RESENHA / REVIEW
63. Efeito Metabólico da Glutamina e da Estimulação Elétrica no 
Músculo Imobilizado
Metabolic Effect of Glutamine and Electrical Stimulation in Immobilized 
Muscle
AVALIAÇÃO DO PERFIL METABÓLICO DO MÚSCULO ESQUELÉTICO IMOBILIZADO 
SUBMETIDO À SUPLEMENTAÇÃO COM GLUTAMINA ASSOCIADA OU NÃO À 
ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA, DE WANDERLEY ALBINO JUNIOR
KARINA MARIA CANCELLIERO (UFSCar/SP)
67. Normas para Publicação
72. Corpo de Consultores 2005
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ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE
Com a evolução da ciência e da tecnologia nas últimas décadas, vários estudos científicos
publicados e divulgados em diferentes regiões do mundo apontam que o exercício físico pode atuar
na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida de seus praticantes.
O conhecimento da ciência do esporte, tanto no contexto das teorias da preparação física
como dos fatores fisiológicos, psicológicos, biomecânicos e nutricionais, busca explicações de como
podemos proteger a saúde do atleta, alcançando os melhores resultados técnicos possíveis, com
mínimo esforço e máxima eficiência para realizar suas provas esportivas. Dessa forma, o objetivo
da ciência é atingir uma performance ideal, com o menor gasto de tempo e de esforço possível, sem
que o atleta se depare com graves danos ao seu organismo.
Nesse contexto, o respaldo científico para a prática esportiva é de grande importância aos
seres humanos, já que os resultados que apontam para prática mais saudável dos atletas em seus
treinamentos e competições podem se estender aos praticantes de atividade física, que se orientam
visando à melhoria da qualidade de vida. Além disso, o exercício físico tem sido utilizado na pre-
venção ou como coadjuvante terapêutico em várias patologias, principalmente nas doenças crônico
degenerativas como diabetes, hipertensão, dislipidemias, obesidade e câncer.
A aplicação de um treinamento sistematizado e de longo prazo provoca alterações signifi-
cativas tanto nas estruturas como nas funções orgânicas de seus praticantes. As respostas da perfor-
mance humana estão intrinsecamente ligadas aos programas de preparação física, constituindo
fator extremamente importante para se atingir o(s) objetivo(s) pretendido(s). Sabe-se que os resulta-
dos conseguidos na prática esportiva são conseqüências dos fatores hereditários, ambientais, psico-
lógicos, nutricionais e dos programas específicos de treinamento a que são submetidos os
praticantes ou atletas. Dessa forma, um exercício físico, segundo um plano adequado no que diz
respeito à freqüência, volume, intensidade e tipo de exercício físico, pode sem dúvida alguma trazer
benefícios
à promoção da saúde para os praticantes que buscam no esporte uma melhor qualidade
de vida. 
Dessa forma, este número da Saúde em Revista traz artigos que discutem tal temática, com
vistas a respaldar os profissionais diretamente envolvidos com a prática esportiva e a atividade física
para saúde. Três trabalhos abordam a prática regular de atividade física com o intuito de proporcio-
nar benefícios para qualidade de vida e para a performance motora em indivíduos idosos.
Em continuação, encontram-se nesta edição pesquisas que avaliam a performance respira-
tória em pacientes. Uma delas analisou a performance ventilatória na obesidade, hoje considerada
em todo mundo como um problema de saúde pública, inferindo altos índices de mortalidade e
morbidade. Outro estudo analisou o efeito do alongamento sobre a mecânica respiratória e ativi-
saude17.book Page 3 Friday, November 11, 2005 9:05 AM
dade elétrica dos músculos respiratórios em pacientes com DPOC, com intuito de utilizar essa téc-
nica em um programa de reabilitação pulmonar. 
Dois trabalhos aqui publicados abordaram aspectos relacionados à fisiologia do exercício.
Um desses trabalhos experimentais avaliou a participação dos eritrócitos na homeostase da glicemia
em animais submetidos aos efeitos estressores induzidos pelo exercício físico. Outro deles avaliou a
indução de glomerulosclerose, termo morfológico utilizado para designar as doenças renais identi-
ficadas pelo aumento de matriz extracelular, que pode ser induzida em situações em que o hormô-
nio do crescimento (GH) se faz presente em concentrações suprafisiológicas, como, por exemplo,
em atletas e indivíduos que utilizam esse hormônio para estimular a síntese proteica, com intuito de
melhorar a performance.
A partir da década de 70, aliado ao desenvolvimento tecnológico, cresce o interesse e as
publicações relacionando exercício físico e promoção da saúde. Um dos aspectos que vem se desen-
volvendo consideravelmente, a partir da década de 90, são as pesquisas relacionadas com a resposta
imunológica induzida pelo exercício físico. Atualmente vários estudos têm relatado que o exercício,
dependendo de sua intensidade e de seu volume, e do adequado suporte nutricional, pode promo-
ver efeito positivo ou negativo sobre a resistência imunológica de atletas ou praticantes. Um dos
artigos desta edição aborda o efeito da suplementação do aminoácido glutamina sobre a resistência
imunológica em atletas jovens do futebol, que podem ser susceptíveis a infecções das vias aéreas
superiores (IVAS), em virtude da grande exigência física de tal modalidade esportiva.
Assim, é com prazer que publicamos mais este número da Saúde em Revista, que contri-
buirá com a ciência e com a compreensão de vários aspectos relacionados à prática de exercício
físico, promoção da saúde e qualidade de vida.
CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI
Professora do Núcleo de Performance Humana
Mestrado em Educação Física / Faculdade de Ciências da Saúde, da UNIMEP
saude17.book Page 4 Friday, November 11, 2005 9:05 AM
CONTENTS 
ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES
7. Indução de Glomerulosclerose pelo Hormônio do Crescimento
Glomerulosclerosis Induction by Growth Hormone
ENRICO FUINI PUGGINA (UNIMEP/SP); CLÁUDIA JACQUES LAGRANHA (USP/SP); 
DONALD FRANCIS SELLITTI (University of the Health Sciences/EUA); SONIA 
QUATELI DOI (University of the Health Sciences/EUA) & TÂNIA CRISTINA 
PITHON-CURI (UNIMEP/SP)
13. Efeito do Alongamento sobre a Atividade dos Músculos 
Inspiratórios na DPOC
Effects of Stretching on the Inspiratory Muscular Activity in COPD
ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA (UFPE/PE); PATRÍCIA ÉRIKA DE MELO 
MARINHO (UFPE/PE); THAYSE NEVES SANTOS SILVA (UFPE/PE); EDUARDO ÉRIKO 
TENÓRIO DE FRANÇA (UFPE/PE); CÉSAR AMORIM (Univap/SP); VALDECIR CASTOR 
GALINDO FILHO (UFPE/PE) & ARMÈLE DORNELAS DE ANDRADE (UFPE/PE)
21. Suplementação de Glutamina e Resistência Imunológica em 
Atletas de Futebol
Glutamine Supplementation and Immunological Resistance in Soccer 
Players
JOSÉ FRANCISCO DANIEL (PUCCamp/SP) & CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI 
(UNIMEP/SP)
31. Participação dos Eritrócitos no Controle Glicêmico do Exercício
Erythrocytes Participation in Glycemic Control of the Exercise
CARLOS ALBERTO DA SILVA (UNIMEP/SP); RINALDO ROBERTO DE JESUS GUIRRO 
(UNIMEP/SP); KARINA MARIA CANCELLIERO (UNIMEP/SP) & FABIANA FORTI 
(UNIMEP/SP)
41. Aptidão Física de Mulheres Idosas: estudo a partir de aulas 
recreativas de karatê-do
Physical Aptitude of Senior Women: a study developed from karate-do 
recreational classes
CASSIANE RODRIGUES; JOÃO PAULO BORIN (UNIMEP/SP); CARLOS ROBERTO 
PEREIRA PADOVANI (Unesp/SP) & CARLOS ROBERTO PADOVANI (Unesp/SP)
saude17.book Page 5 Friday, November 11, 2005 9:05 AM
47. Qualidade de Vida e Performance em Idosos: estudo 
comparativo
Quality of Life and Performance of Elderly Persons: a comparative study
MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO (UNIMEP/SP); MARCELO DE CASTRO CESAR 
(UNIMEP/SP); ADALBERTO VICENTE DE OLIVEIRA JR. (UNIMEP/SP) & IRIA 
APARECIDA STORER (UNIMEP/SP)
REVISÕES DE LITERATURA / BIBLIOGRAPHY REVIEWS
53. Alterações do Sistema Neuromuscular com o Envelhecimento e 
a Atividade Física
Neuromuscular System Changes in Aging and Physical Activity
RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI (UNIMEP/SP) & TANIA CRISTINA PITHON-CURI 
(UNIMEP/SP)
57. Performance Ventilatória na Obesidade
Ventilatory Performance in Obesity
ALESSANDRA MONACO RIGATTO (FAG/PR); SILVIA C. CREPALDI ALVES (UNIMEP/
SP); CAMILA BRETAS GONÇALVES; JACQUELINE FERNANDES FIRMO & LUCIANA 
MARA PROVIN (FAG/PR)
RESENHA / REVIEW
63. Efeito Metabólico da Glutamina e da Estimulação Elétrica no 
Músculo Imobilizado
Metabolic Effect of Glutamine and Electrical Stimulation in Immobilized 
Muscle
AVALIAÇÃO DO PERFIL METABÓLICO DO MÚSCULO ESQUELÉTICO IMOBILIZADO 
SUBMETIDO À SUPLEMENTAÇÃO COM GLUTAMINA ASSOCIADA OU NÃO À 
ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA, DE WANDERLEY ALBINO JUNIOR
KARINA MARIA CANCELLIERO (UFSCar/SP)
67. Normas para Publicação
72. Corpo de Consultores 2005
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ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL.
Saúde em Revista 7
INDUÇÃO DE GLOMERULOSCLEROSE PELO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO
Indução de Glomerulosclerose pelo 
Hormônio do Crescimento
Glomerulosclerosis Induction by Growth Hormone
RESUMO Glomerulosclerose é o termo morfológico utilizado para designar
as doenças renais identificadas pelo aumento de matriz extracelular. Tal si-
tuação condiciona a obstrução da estrutura glomerular e, conseqüentemen-
te, evolução do quadro clínico para insuficiência renal. O fator de
transformação de crescimento beta-1 (TGF-β1) é uma citocina de 25 kilodal-
tons que atua diretamente no desenvolvimento de glomerulosclerose. Mui-
tas vias de sinalização celular vêm sendo descritas, na tentativa de
compreender o aumento da transcrição de TGF-β1 em células mesangiais.
Existe a possibilidade de moléculas que apresentam sítios de ligação seme-
lhantes ao do TGF-β1, como a Tg (tireoglobulina) e a família de IGFBP’s (pro-
teína de ligação do fator de crescimento semelhante à insulina), atuarem de
modo análogo ao TGF-β1 em células mesangiais. Verificou-se também que a
expressão de tais proteínas pode ser induzida em situações em que o hor-
mônio do crescimento (GH) se faz presente em concentrações suprafisiológi-
cas, como, por exemplo, atletas e indivíduos que utilizam esse hormônio
para estimular a síntese protéica.
Palavras-chave TGF-β1 – TG – IGFBP-3 – MATRIZ EXTRACELULAR – GLOME-
RULOSCLEROSE.
ABSTRACT Glomerulosclerosis is the term used to designate renal diseases
identified morphologically by an increase in extracellular matrix. This
alteration leads to a collapse of the glomerular tuft and consequent
development of renal failure. Transforming growth factor beta-1 (TGF-β1) is
a 25 kilodalton cytokine that plays a major role in the development of
glomerulosclerosis.
Many cell signaling pathways have been investigated to
explain the TGF-β1 increase in mesangial cells. There is the possibility that
molecules presenting linking places similar to those present in TGF-β1, such
as Tg and the insulin like growth factor binding proteins (IGFBP´s) family,
could have similar effects to TGF-β1 in mesangial cells. There is a possibility
that the TGF-β1 expression could be stimulated by the high concentrations
of GH, as in athletes and individuals that use this type of hormone to
increase protein synthesis, for example.
Keywords TGF-β1 – TG – IGFBP-3 – EXTRACELULLAR MATRIX –
GLOMERULOSCLEROSIS.
ORIGINAL / ORIGINAL
ENRICO FUINI PUGGINA*
Mestrado em Educação Física – 
Faculdade de Ciências da Saúde 
(UNIMEP/SP)
CLÁUDIA JACQUES LAGRANHA
Laboratório de Fisiologia Celular – 
Departamento de Fisiologia e 
Biofísica (USP/SP)
DONALD FRANCIS SELLITTI
Division of Endocrinology and 
Nephrolgy – Department of Medicine 
(Uniformed Services University of the 
Health Sciences/EUA)
SONIA QUATELI DOI
Division of Endocrinology and 
Nephrolgy – Department of Medicine 
(Uniformed Services University of the 
Health Sciences/EUA)
TÂNIA CRISTINA PITHON-CURI
Mestrado em Educação Física – 
Faculdade de Ciências da Saúde 
(UNIMEP/SP)
*Correspondências: Rua Campos 
Sales, 299, Centro, 13970-170, 
Itapira/SP
efpuggina@yahoo.com
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ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL.
 8 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 7-12, 2005
INTRODUÇÃO
hormônio do crescimento (GH) é uma pro-
teína de 191 aminoácidos em cadeia única,
que possui peso molecular de 22,005 dal-
tons. Esse hormônio é secretado pela glândula hi-
pófise anterior ou adenohipófise e suas ações
estão relacionadas à síntese de proteínas, diferen-
ciação e proliferação celular e, conseqüentemen-
te, crescimento tecidual. A concentração de GH
sérico regula-se por vários fatores – macronutri-
entes, neurotransmissores e hormônios –, oscilan-
do muito de acordo com o período do dia, o sexo
e a idade do indivíduo.1
A secreção do GH, mediante o seu fator de li-
beração, é regulada pelo hipotálamo. Este fator é
carreado para a hipófise anterior pelo sistema
porta hipotálamo hipofisário e, quando presente,
estimula a secreção do GH.2 A secreção diária do
GH pode variar de acordo com a situação ou mes-
mo a condição em que o organismo se encontra –
sabe-se que este atinge seus valores de pico du-
rante o sono e que fatores extrínsecos, como a
atividade física, podem fazer com que seus valo-
res circulantes se alterem positivamente.1, 2 A
concentração sérica do hormônio do crescimento
tende a decrescer 14% a cada década de vida, a
partir dos 30 anos de idade.2
O hormônio do crescimento não atua apenas
por si só nos tecidos do organismo para exercer
seus efeitos no crescimento; este estimula fatores
de crescimento conhecidos como somatomedi-
nas, sendo o mais importante deles o de cresci-
mento de ação semelhante à insulina 1 (insulin
like growth factor -1 – IGF-1). Tais fatores são
produzidos no fígado e nos tecidos e atuam local-
mente no sentido de promover o crescimento.3, 4
Além de seus efeitos no crescimento e no de-
senvolvimento, o GH pode também alterar deter-
minadas variáveis metabólicas, entre elas, o fluxo
de glicose e ácidos graxos para diferentes tecidos
como fontes energéticas. Sabe-se que o GH reduz
a intensidade de utilização de carboidratos e au-
menta o aporte de ácidos graxos para a maior
parte das células do organismo, melhorando, as-
sim, o perfil lipídico do indivíduo.3, 5 
Atualmente, buscam-se compreender os efeitos
agudos e crônicos do GH em doses suprafisiológi-
cas, no sentido de entender se os efeitos desse hor-
mônio, quando suplementado incorretamente ou
mesmo utilizado sem necessidade, podem revelar-
se deletérios nos diversos sistemas do organismo.3
Experimentalmente, a administração de GH asso-
cia-se ao aumento da síntese protéica.6, 7 Com base
nesse dado, muitos atletas acreditam que o uso de
GH pode melhorar sua performance por meio da
potencialização dos efeitos do treinamento.1
Apesar de a literatura pouco relatar casos de
emprego de substâncias capazes de induzir a sín-
tese protéica e, conseqüentemente, de potenci-
alizar a capacidade de realização de gestos
técnicos específicos por atletas, o uso do GH, de
hormônios esteróides e de estimulantes, entre ou-
tras classes de substâncias, especialmente por atle-
tas de alto rendimento nas últimas décadas, é de
conhecimento público.8 A utilização de GH vem
se tornando uma estratégia de doping bastante
comum no meio desportivo,1 sobretudo no que
diz respeito a atletas em que a força rápida, a for-
ça máxima e a taxa de desenvolvimento de força
constituem requisitos biomotores ao êxito.7 
De acordo com Jenkins et al.,1 o uso em gran-
 
S o n o 
A t i v i d a d e F í s i c a H i p o t á l a m o H i p ó f i s e G H R H
 
 
F í g a d o 
 
S í n t e s e P r o t e i c a 
A u m e n t o d o A p o r t e d e 
Á c i d o s G r a x o s p a r a o s 
t e c i d o s 
A u m e n t o d a s r e s e r v a s d e 
g l i c o g ê n i o 
S o n o 
A t i v i d a d e F í s i c a H i p o t á l a m o H i p ó f i s e G H R H
 
G H 
F í g a d o 
I G F - 1 
S í n t e s e P r o t é i c a 
A u m e n t o d o A p o r t e d e 
Á c i d o s G r a x o s p a r a o s 
t e c i d o s 
A u m e n t o d a s r e s e r v a s d e 
g l i c o g ê n i o 
Figura 1. Esquema simplificado da liberação e ação do GH no organismo. 
O
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ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL.
Saúde em Revista 9
INDUÇÃO DE GLOMERULOSCLEROSE PELO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO
de escala do GH não se restringe a atletas de mo-
dalidades desportivas que requerem grandes
manifestações de força. Atletas de endurance,
como nadadores, ciclistas e maratonistas, tam-
bém o utilizam, acreditando serem beneficiados
pela síntese generalizada de proteínas promovida
por esse hormônio.9 Tal uso provavelmente origi-
nou-se da crença de atletas de que o hormônio
possui não apenas propriedades relacionadas a
performance, mas também por conta da grande
dificuldade de detecção dele pelos métodos anti-
doping hoje em dia empregados no esporte.10
Embora a administração de GH venha sendo
associada ao aumento da retenção de produtos ni-
trogenados, à melhora da performance e, conse-
qüentemente, à melhor realização de gestos técnicos
específicos,11, 12 existem poucos dados na literatura
sobre a sua administração nos diversos sistemas do
organismo de atletas e indivíduos adultos saudá-
veis.9 Além disso, poucos dados privilegiam os efeitos
agudos do GH nas respostas metabólicas e de perfor-
mance no exercício subseqüente.10 
Recentemente, foram averiguados os efeitos
agudos do GH no aumento do lactato sérico e no
decréscimo na performance em ciclistas.9 Esse
mesmo estudo verificou a performance após qua-
tro horas da administração aguda de GH. Os re-
sultados apontam uma interferência em função
da alimentação duas horas antes do exercício, o
que ocorreu provavelmente por conta da secre-
ção de insulina. 
Irving et al. examinaram o efeito agudo do
GH em mensurações metabólicas, durante 30 mi-
nutos de atividade física constante, com cinco dife-
rentes infusões desse hormônio. A administração
do hormônio no período pré-exercício não afe-
tou o trabalho total, o gasto calórico e a concen-
tração de lactato. Porém, apresentou redução no
VO2 em intensidade fixa, sugerindo que o GH
pode ser um fator de economia de movimento
(maior performance em intensidade fixa).10
O objetivo deste trabalho foi caracterizar os
efeitos crônicos do GH, quando administrado em
concentrações acima da normalmente presente
em nosso organismo (abaixo de 10 μg/mL).4
Para
tanto, realizou-se um levantamento de literatura,
buscando compreender os efeitos de GH e de fa-
tores distais a ele sobre a estrutura renal. Verifi-
cou-se que determinados fatores distais ao GH –
TGF-β1, tireoglobulina e IGFBP-3 (insulin like gro-
wth binding protein-3) – seriam capazes de atuar
no mecanismo de indução da GS pela transcrição
de TGF-β1, por meio da seqüência de eventos de-
sencadeada pela presença desse hormônio em do-
ses suprafisiológicas.
HORMÔNIO DO CRESCIMENTO, TGF-β1 
E GLOMERULOSCLEROSE
“Glomerulosclerose (GS) é o termo utilizado
para designar aquelas doenças renais identificadas
pela presença crescente de matriz extracelular”.13
Tal processo ocorre, na maior parte dos casos, no
mesangium (porção interna da estrutura glome-
rular) e, quando presente, indica obstrução pro-
gressiva da estrutura glomerular e conseqüente
evolução do quadro clínico para insuficiência re-
nal, exigindo tratamento via diálise e, posterior-
mente, transplante renal.14
O fator de transformação de crescimento-beta
1 (TGF-β1) é uma citocina de 25 kilodaltons que
atua diretamente no desenvolvimento de GS e de
outras formas de manifestação de patologias da es-
trutura glomerular, incluindo nefropatia diabética e
glomerulonefrite.15, 16 Tal molécula foi inicialmen-
te estudada como fator de diferenciação tecidual,
mostrando, assim, sua capacidade de estimular a
proliferação celular.17 Atualmente, a relevância pa-
togênica do TGF-β1 para o desenvolvimento de
glomerulosclerose está muito bem estabelecida.13,
18, 19 Pelo TGF-β1 ser o mediador central do repa-
ro,15 hipotetizou-se que esse fator de crescimento
pode ter sua regulação aumentada pela expressão
de proteínas produzidas por podócitos, contribuin-
do, por conseguinte, para esclerose. 
Em ratos com redução de massa renal, o acú-
mulo de proteínas de podócitos resulta de transca-
pilaridade e conseqüentes lesão, aumento da
expressão de TGF-β1 em podócitos e ativação de
TGF-β1 em células mesangiais.20 O mecanismo de
ação do TGF-β1 no desenvolvimento de doenças
glomerulares ocorre pela ativação de vias SMAD de-
pendente e independente de cascatas de sinaliza-
ção intracelular. O termo SMAD deriva da redução
dos nomes de ligantes semelhantes ao TGF-β1, pri-
meiramente identificados em Drosophila (Mad) e
Quadro 1. Levantamento de artigos relacionados. Os dados refle-
tem os artigos publicados entre os anos de 2000 e
2005 disponíveis no site Entrez PubMed.
TEMA PESQUISADO NÚMERO DE ARTIGOS
GH e exercício 269
Envelhecimento e suplementação de GH 11
Esporte de rendimento e 
suplementação de GH 0
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ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL.
 10 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 7-12, 2005
Caenorhabditis elegans (Sma), resultando, em últi-
ma instância, no aumento de fibrogênese.21 
A ativação desses caminhos de sinalização por
proteínas não relacionadas, que conseguem atra-
vessar a membrana capilar glomerular como re-
sultado de lesão da membrana basal glomerular,
ou mesmo geradas endogenamente, pode ser
considerada um fator que resulta em lesão glome-
rular. Assim, a identificação de proteínas que po-
deriam mimetizar as ações do TGF-β1 seria um
instrumento de determinação de mecanismos es-
pecíficos para o aumento da passagem delas ao
meio intraglomerular e início da lesão.20
Muitas linhas de estudos procuram evidenciar
como a produção local de TGF-β1 contribui para a
doença renal, particularmente para o acúmulo de
matriz extracelular que caracteriza GS e fibrose in-
tersticial. Os dados obtidos sugerem, de maneira
geral, que a elevação crônica dos níveis circulantes
de TGF-β1 induz progressiva glomerulosclerose.22
A tireoglobulina (Tg) é uma glicoproteína de
660 daltons, produzida pelas células foliculares
da tireóide e reconhecida como precursora dos
hormônios dessa glândula. Sua concentração
plasmática revela-se relativamente baixa em con-
dições normais (40 ng/mL a 60 ng/mL), porém,
em alguns casos de tireoidite ou de tumor de tire-
óide, ela pode atingir concentrações mais eleva-
das. Usualmente, a Tg não é considerada de
relevância funcional na estrutura renal, mas acú-
mulos dessa glicoproteína na membrana basal
glomerular foram encontrados em casos de glo-
merulonefrite de complexo imune.23
O IGFBP-3 (41 kilodaltons) é a proteína de liga-
ção mais abundante no soro humano (2,10 mg/L a
5,25 mg/L). Ultimamente, vem sendo estudada
como inibidor de crescimento e indutor de apop-
tose, e capaz de agir tanto via insulin-like growth
factor (IGF) dependente quanto IGF independente,
acreditando-se que essa insulina pode estar agindo
tanto associada aos IGFs quanto em sua forma livre
no plasma. Quando ligada ao IGF, essa proteína
atua como inibidor do fator de crescimento e, li-
vre no plasma, pode ter seu próprio mecanismo
de ação em alguns modelos celulares.24
O GH contribui para a GS e isso provavelmen-
te ocorre por meio do insulin-like growth factor-
1 (IGF-1) e dos insulin like growth factor binding
proteins (IGFBPs). No entanto, a maneira como o
GH influi na concentração dos IGFBPs no rim ain-
da não foi totalmente explicada.25 Já a presença
de TGF-β1, Tg e IGFBP-3 foi observada na estrutu-
ra renal por RT-PCR em amostras de tecido renal
de camundongos transgênicos (animais que apre-
sentavam a concentração sérica de GH aumentada
em dez vezes) e não transgênicos para o hormô-
nio do crescimento. Nesse estudo, as moléculas
de TGF-β1 e Tg foram encontradas na estrutura
renal, sendo que o IGFBP-3 não parece ser regula-
do pelo GH. Os autores propõe a existência de
uma via de regulação própria para cada uma das
moléculas supracitadas em razão do hormônio do
crescimento.18
Ainda de acordo com esse estudo, as molécu-
las de TGF-β1, Tg e IGFBP-3 mostraram o efeito
dose/resposta para a transcrição de TGF-β1, em
que para quantidades crescentes dessas substân-
cias as células utilizadas respondiam com intensi-
Figura 2. Esquema da ativação da sinalização SMAD pelos receptores dos tipos I e II de TGF-β1.
 
C ito p la s m a
M e io E x t r a C e lu la r
L ig a n te
R -S m a d
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P
P
S m u r f 1 /2S m a d 6 /7
R -S m a d
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N ú c le o
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R e c e p to r I I
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M e io E x t r a C e lu la r
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N ú c le o
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ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL.
Saúde em Revista 11
INDUÇÃO DE GLOMERULOSCLEROSE PELO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO
dades superiores de transcrição de TGF-β1.18, 26
Tais resultados contrariam os estudos prévios, nos
quais não se observou a relação dose/resposta nos
níveis de expressão de TGF-β1 em células mesan-
giais de ratos.27 Trabalhos mais recentes demons-
traram o efeito dose/resposta do TGF-β1 nas
células que receberam esse tratamento.18, 28
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os mRNAs de TGF-β1, Tg e IGFBP-3 são ex-
pressos em tecido renal de camundongos, suge-
rindo uma possível ação autócrina em adição à
fonte endócrina para essas proteínas regulatórias,
sendo a transcrição de TGF-β1 e Tg significativa-
mente elevada em camundongos transgênicos
para GH.18, 26, 28 O aumento da transcrição de
Tg encontrado em tecido renal de camundongos
transgênicos indica que espécies endógenas de Tg
podem contribuir para a lesão glomerular.18 TGF-
β1, Tg e IGFBP-3 apresentam a propriedade de au-
mentar a expressão de TGF-β1 em células mesan-
giais de camundongos em cultura, apontando a
possibilidade de essas proteínas atuarem no desen-
volvimento da GS pela estimulação da transcrição
desse fator, sendo
todo o processo desencadeado
pelo GH.22
Este nosso trabalho, por sua vez, propõe no-
vos rumos no que diz respeito ao desenvolvimen-
to de patologias glomerulares em razão do
hormônio do crescimento por meio da ação indi-
reta dele na estrutura renal. Torna-se imperativo
que tanto os indivíduos que vêm utilizando essa
substância, com fins estéticos ou de performance,
quanto os profissionais da área médica que a
prescrevem com objetivos terapêuticos infor-
mem-se acerca de seus efeitos nos diversos siste-
mas do organismo, em particular no renal. 
São necessários mais estudos para se com-
preenderem os efeitos de diferentes dosagens e
diversos períodos de utilização para melhor pro-
gramação de esquemas de administração de GH a
indivíduos que necessitam desse hormônio.
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Quadro 2. Sumário dos resultados encontrados na literatura, na
qual representa diferenças significativas e Ns signi-
fica ausência de diferença estatística entre os dife-
rentes grupos.28
Proliferação de Células Mesangiais
TGF-β1 Tg IGFBP-3
↑ ↑ Ns
Transcrição de TGF-β1 em Células Mesangiais
TGF-β1 Tg IGFBP-3
TGF-β1 ↑ ↑ ↑
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ENRICO FUINI PUGGINA, ET AL.
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Submetido: 3/nov./2004
Aprovado: 1.º/jul./2005
saude17.book Page 12 Friday, November 11, 2005 9:05 AM
ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL.
Saúde em Revista 13
EFEITO DO ALONGAMENTO SOBRE A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS INSPIRATÓRIOS NA DPOC
Efeito do Alongamento sobre
a Atividade dos Músculos 
Inspiratórios na DPOC
Effects of Stretching on the Inspiratory Muscular 
Activity in COPD
RESUMO O objetivo deste estudo foi analisar a mecânica respiratória e a ati-
vidade elétrica dos músculos respiratórios após um programa de alonga-
mento muscular em pacientes DPOC. Foram estudados oito indivíduos,
com idade média de 65 ± 6,9 anos, com distúrbio ventilatório obstrutivo
de moderado a grave. Analisaram-se a eletromiografia de superfície
(EMGS), a perimetria do tórax, a pressão inspiratória e expiratória máxima
(Pimáx e Pemáx) e o volume corrente (VC). O programa de alongamento
muscular
teve duração de 16 sessões. Para análise estatística foi utilizado o
teste de Wilcoxon. Observou-se diminuição nos perímetros torácicos axilar
e xifoideo, em relação à expiração. Houve aumento no VC (p = 0,034), na
Pimáx e na Pemáx (p = 0,0085 e p = 0,04, respectivamente) e, quanto a
EMGS, constatou-se diminuição significativa no RMS dos músculos trapézio
(p = 0,006) e peitoral maior (p = 0,009). Após o alongamento muscular,
verificou-se maior expansibilidade torácica e diminuição da atividade ele-
tromiográfica dos músculos trapézio e peitoral maior, refletindo melhora
da mecânica respiratória desses pacientes. O resultados sugerem que o
alongamento muscular respiratório possibilitou aumentar a mobilidade to-
rácica e a força muscular respiratória, assim como reduzir a tensão dos
músculos acessórios, sendo, portanto, uma técnica que poderá ser realizada
em programas de reabilitação pulmonar.
Palavras-chave DPOC – ALONGAMENTO MUSCULAR – ELETROMIOGRAFIA DE
SUPERFÍCIE (EMGS).
ABSTRACT The purpose of this study was to analyze the mechanics of
breathing and the electrical activity of respiratory muscles after a muscle
stretching program in COPD patients. Eight patients with the mean age of
(65 ± 6,9 yrs) with moderate to severe obstructive ventilatory disorder were
studied. This study analyzed thoracic perimetry, maximal inspiratory
pressure (MIP), maximal expiratory pressure (MEP), tidal volume (TV) and
surface electromyography (SEMG) before and after a muscle stretching
program with 16 sessions. For statistical analysis, we used the Wilcoxon test.
We observed a reduction in axilar and xiphoid thoracic perimetry, mainly in
expiration and increase in TV (p = 0,034), MIP (p = 0,0085) and MEP (p =
0,04). The surface EMG had significant reduction in RMS of upper trapezium
and pectoral major muscles. After the muscle stretching program we verified
an improvement of thoracic expansion and a reduction in trapezium and
major pectoral tension, which reflects an improvement in the respiratory
mechanics of those patients. According to our results, respiratory muscle
stretching increased thoracic mobility and muscular respiratory pressure, as
well as decreased tension from accessory muscles, thus, it should be
considered a useful technique in pulmonary rehabilitation programs.
Keywords COPD – MUSCLE STRETCHING – SURFACE ELETROMIOGRAPHY (SEMG).
ORIGINAL /ORIGINAL
ANA PAULA NASCIMENTO DA 
CUNHA
Especialista em Fisioterapia 
Cardiorrespiratória pela UFPE/PE
PATRÍCIA ÉRIKA DE MELO 
MARINHO*
Departamento de Fisioterapia – 
Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE)
THAYSE NEVES SANTOS SILVA
Departamento de Fisioterapia – 
Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE)
EDUARDO ÉRIKO TENÓRIO DE 
FRANÇA
Departamento de Fisioterapia – 
Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE)
CÉSAR AMORIM
Curso de Engenharia Biomédica – 
Departamento de Engenharia 
Biomédica (Univap/SP)
VALDECIR CASTOR GALINDO 
FILHO
Departamento de Fisioterapia – 
Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE)
ARMÈLE DORNELAS DE 
ANDRADE
Departamento de Fisioterapia – 
Centro de Ciências da Saúde (UFPE/PE)
*Correspondências: R. Bel. José 
Mário de Oliveira, 5.946, Candeias, 
54450-070, Jaboatão/PE
pemm@ufpe.br
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ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL.
 14 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005
INTRODUÇÃO
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
(DPOC) tem por característica a obstrução
lenta e progressiva das vias aéreas,1, 2, 3, 4
promovendo a limitação ao fluxo expiratório5, 6
e o aumento da resistência das vias aéreas,7, 8
além de gerar sobrecarga muscular inspiratória e
aumento da carga elástica, decorrente das mu-
danças na arquitetura do tecido pulmonar, e do
volume residual do pulmão (hiperinsuflação).9, 10
A hiperinsuflação11, 12, 13, 14 exerce efeito
marcante sobre o padrão de recrutamento dos
músculos respiratórios, podendo alterar profun-
damente a mobilidade da parede torácica e a atu-
ação dos demais músculos inspiratórios.15, 16
Embora os programas de reabilitação pulmonar
de maneira geral não incluam o alongamento dos
músculos acessórios, este pode vir a ser um meio
de intervenção capaz de colocar em vantagem os
músculos que atuam sobre a caixa torácica, me-
lhorando, assim, o seu desempenho.17
Os efeitos advindos do alongamento muscular
podem ser observados a partir da expansibilidade
torácica, do padrão respiratório, da força e da ati-
vidade muscular respiratória, entre outros.18
Quanto à avaliação da atividade dos músculos res-
piratórios, a eletromiografia de superfície (EMGS)
tem sido utilizada na investigação do funciona-
mento do tecido muscular e reflete a soma
algébrica espacial ou temporal dos potenciais de
ação das unidades motoras ativas (despolarização
do sarcolema) durante a contração muscular, pro-
piciando a obtenção de resultados qualitativos e
quantitativos sobre o funcionamento do tecido
muscular.22
Nesse sentido, este estudo teve por objetivo
analisar a mecânica respiratória e a atividade elé-
trica dos músculos escaleno, esternocleidomastói-
deo, trapézio superior e peitoral maior por meio
de perimetria torácica, ventilometria, manovacuo-
metria e EMGS, após um programa de alongamen-
to muscular em pacientes portadores de DPOC.
METODOLOGIA
Amostra
Foram estudados oito pacientes do sexo mas-
culino apresentando distúrbio ventilatório obstru-
tivo de moderado a grave [Volume Expiratório
Forçado no primeiro segundo (VEF1) 32,1 ±
5,7% prev., Capacidade Vital Forçada (CVF) 57,2
± 9,6% prev. e relação VEF1/CVF 57,2 ± 11,2%
prev.], com idade média de 65 ± 6,9 anos, clinica-
mente estáveis durante o período do estudo. 
Este trabalho foi submetido ao Comitê de Éti-
ca em Pesquisa e aprovado de acordo com a reso-
lução 196/96 do CNS (protocolo n.º 198/99 –
CEP/CCS). Solicitou-se o consentimento por escri-
to dos pacientes, depois de devidamente esclare-
cidos a respeito do estudo.
Avaliação inicial
Anamnese e exame físico: 
• Perimetria torácica: realizaram-se três medidas
em inspiração, repouso e expiração a partir da
linha axilar (ponto de referência: linha axilar), li-
nha xifóidea (ponto de referência: apêndice xifói-
de) e linha diafragmática (ponto de referência:
linha média entre o apêndice xifóide e a cicatriz
umbilical);
• Força muscular inspiratória (Pimáx) e expira-
tória (Pemáx): deu-se a partir da capacidade resi-
dual funcional (CRF) e a Pemáx a partir da
capacidade pulmonar total (CPT) [manovacuôme-
tro da Marshal Town Instrumentation Industries,
modelo MV-150, USA], efetuando-se as manobras
com os pacientes na posição sentada, utilizando o
clip nasal. Foram feitas três manobras para a veri-
ficação da Pimáx e a Pemáx a partir da capacida-
de pulmonar total (CPT), respectivamente, com
intervalo de um minuto entre elas. Cada mano-
bra era sustentada por um segundo após estabili-
zação do ponteiro. Para registro dos dados,
adotou-se a melhor entre as três manobras;
• Ventilometria (Wright Respirometer Mark 8,
Ferraris Medical Limited, England): mensura-
ram-se os volumes minuto e corrente, utilizando-
se máscara facial. A mensuração da ventilometria
realizou-se a partir da posição sentada, com o
paciente respirando tranqüilamente. O volume
corrente era calculado com base no volume mi-
nuto e na freqüência respiratória;
• Prova de função pulmonar (Beatrice-EBEM
2000 v.4.1y.): ocorreu segundo o protocolo de
Pereira,23 em que se avaliavam: capacidade vital
forçada (CVF), volume expiratório forçado no
primeiro segundo (VEF1), fluxo expiratório for-
çado entre 25% e 75% (FEF 25-75%), pico de flu-
xo expiratório (PFE) e relação VEF1/CVF;
• Análise da Atividade Muscular (EMG): a ele-
tromiografia de superfície deu-se pelo sistema de
aquisição de dados da EMG System do Brasil,
A
19, 20, 21
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ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL.
Saúde em Revista 15
EFEITO DO ALONGAMENTO SOBRE A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS INSPIRATÓRIOS NA DPOC
por meio da captação dos sinais mioelétricos a
partir de um módulo de aquisição de sinais bio-
lógicos de quatro canais.
Esse sistema de aquisição é composto por: ele-
trodos ativos com entrada diferencial (PA6020), de
prata pura, com 1 cm2 de área e um amplificador
interno (amplificação de sinal de 1000 X), a fim de
diminuir o efeito das interferências eletromagnéticas
e outros ruídos; módulo condicionador de sinais
(MCS), que prepara o sinal de forma a ser aceito pela
próxima etapa; placa de aquisição de dados localiza-
da dentro do micro (CAD32), de 12 bits para con-
versão dos sinais analógicos em digitais, com
freqüência de amostragem 1000 Hz anti-aliasing e
com faixa de entrada de ± 5mV e interface amigável
ao usuário (software Aqdados). Esse programa Aq-
dados permite o armazenamento dos dados em ar-
quivos e o processamento estatístico e matemático
para o tratamento dos sinais por meio da raiz qua-
drada da média (RMS).
Os músculos avaliados foram o trapézio superi-
or, o esternocleidomastóideo, o escaleno e o peito-
ral maior, orientando-se a localização dos eletrodos
pelas eminências ósseas e pelo trajeto das fibras
musculares e a afixação deles após tricotomização
e limpeza da pele com álcool. No músculo trapé-
zio superior, o eletrodo encontrava-se no ventre
muscular a 6 cm da base do occipital; no esterno-
cleidomastóideo, no ventre muscular a 5 cm do
processo mastóide; no escaleno, no ventre muscu-
lar a 5 cm da articulação esternoclavicular com
mais 2 cm acima dessa marcação; e no músculo
peitoral maior, na altura do quarto arco intercostal
a 3 cm do esterno. Os pacientes permaneceram na
posição sentada durante o registro e em repouso
durante a captação dos sinais. 
Para a aquisição dos sinais eletromiográficos
utilizaram-se quatro canais de captação, em que
os quatro eletrodos eram colocados nos músculos
do lado direito e a aquisição realizada durante um
minuto na ordem de milissegundos (ms), repetin-
do-se o mesmo procedimento no lado esquerdo. 
O programa de alongamento muscular cons-
tou de 16 sessões, três vezes por semana. Os
alongamentos foram realizados com os pacientes
posicionados em decúbito dorsal, com joelhos
fletidos, reposicionamento da cintura escapular
(rebaixamento) e adução das escápulas e braços,
com o objetivo de prevenir compensações postu-
rais. Os indivíduos foram devidamente esclareci-
dos a realizar expirações lentas e com os lábios
semicerrados (freio labial), a fim de promover
um padrão desinsuflativo. O alongamento ocor-
reu durante toda a fase expiratória, levando o
músculo ao comprimento máximo, sendo duas
séries de dez incursões consecutivas para cada
músculo, com intervalo de cinco segundos entre
cada série. Os alongamentos foram desenvolvi-
dos da seguinte forma:
• trapézio superior: paciente posicionado, o tera-
peuta apoiava-lhe uma mão na região occipital,
realizando a flexão da cabeça para o lado oposto
ao que seria alongado, e, com a outra mão, deslo-
cava-lhe o ombro no sentido crânio-caudal;
• esternocleidomastóideo: paciente posiciona-
do, o terapeuta realizava a flexão com rotação
lateral da cabeça para o lado oposto ao que seria
alongado. Promovia-se o alongamento com
uma das mãos na região occipital e a outra na re-
gião superior do tórax, deslocando-a no sentido
crânio-caudal;
• escaleno: paciente posicionado, o terapeuta
apoiava-lhe uma mão na região occipital e a ou-
tra na região superior do tórax, promovendo o
deslocamento dos dois pontos de apoio, sendo o
primeiro no sentido superior e o segundo no
sentido inferior;
• peitoral maior: paciente posicionado, com o
braço a ser alongado abduzido, o antebraço fle-
tido e a mão na região occipital, o terapeuta
apoiava-lhe uma mão no terço superior do bra-
ço e a outra na região lateral do tórax superior,
deslocando-a no sentido crânio-caudal, seguin-
do a orientação das fibras musculares.
Os dados foram estudados de forma não pa-
ramétrica, pareada, com base no teste de Wilco-
xon e analisados por meio do software SPSS
versão 8.0 para avaliação da significância estatísti-
ca (p ≤ 0,05).
RESULTADOS
Na tabela 1 observam-se os dados referentes
às características da amostra estudada.
Os resultados relativos à perimetria apresenta-
ram uma redução significativa para o perímetro
axilar na inspiração e na expiração (p = 0,029 e
p = 0,009, respectivamente). Em relação ao perí-
metro axilar em repouso (p = 0,172) e à diferen-
ça entre os perímetros em inspiração e expiração
antes e após o tratamento (p = 0,057), não hou-
ve diferença significativa.
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ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL.
 16 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005
No que diz respeito à perimetria xifóidea, ve-
rificou-se diferença significativa (p = 0,024) na
expiração, não ocorrendo na inspiração e no re-
pouso (p = 0,342 e p = 0,232). Quanto à dife-
rença entre os perímetros em inspiração e
expiração antes e após o tratamento, houve dife-
rença significativa (p = 0,017).
No referente à perimetria diafragmática, não
houve diferença significativa em inspiração (p =
0,102), expiração (p = 0,172) e repouso (p =
0,155), e sim em relação à diferença entre os pe-
rímetros em inspiração e expiração antes e após o
tratamento (p = 0,041). Observou-se também
ganho significativo na força muscular inspiratória
e na expiratória (Pimáx e Pemáx) (p = 0,0085 e p
= 0,04, respectivamente) (fig.1).
Houve diferença significativa no volume cor-
rente (VC) (p = 0,034), entre o início e o término
do tratamento (fig. 2). Em relação aos dados so-
bre o pico de fluxo expiratório, o volume minuto
e a freqüência respiratória, não houve diferença
significativa (p = 0,361, p = 0,061 e p = 0,155,
respectivamente), quando comparados antes e
após o tratamento. 
Quanto à eletromiografia de superfície (EMG),
verificou-se redução significativa no RMS dos
músculos trapézio direito (p = 0,006), trapézio
esquerdo (p = 0,006), peitoral direito (p =
0,009) e peitoral esquerdo (p = 0,006) após o
tratamento (fig. 3 e 4).
Observou-se ganho significativo no RMS do
músculo escaleno direito (p = 0,035), ao passo
que não houve alteração significativa no esquer-
do (p = 0,69). O músculo esternocleidomastói-
deo esquerdo apresentou ganho significativo (p
= 0,035), o mesmo não ocorrendo no lado direi-
to (p = 0,181) (fig. 5 e 6).
Figura 1. Média da força muscular inspiratória e expiratória
(cmH2O), antes e depois do programa de alongamento (n = 8,
*p = 0,0085 e **p = 0,04).
Figura 2. Média do volume corrente (ml), antes e depois do pro-
grama de alongamento (n = 8, *p = 0,034).
Figura 3. Atividade eletromiográfica em RMS (root mean square)
dos músculos trapézio direito e esquerdo, antes e após pro-
grama de alongamento (n = 8, *p = 0,006).
75
80
85
90
95
Antes Depois
Fo
rç
a 
M
us
cu
la
r (
cm
H
2O
) 
Força musc. Insp
Força Musc. Exp.
*
**
510
560
610
660
710
760
Antes Depois
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e 
 c
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l)
*
0
5
10
15
20
25
30
Antes Depois
R
M
S
Trapézio direito
Trapézio Esquerdo
*
*
Tabela 1. Características do grupo estudado.
* Idade em anos; ** valores percentuais em relação ao previsto para a população brasileira.
PACIENTES IDADE* CVF** VEF1** VEF1/CVF
1 61 61 40,5 66,4
2 62 45 29 64,4
3 59 60 38 63,3
4 72 75 29 38,7
5 71 62 36 58,1
6 72 57 23 40,4
7 69 47 29 61,7
8 62 51 33 64,7
Média 66 57,25 32,19 57,21
DP 5,50 9,66 5,77 11,21
23
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ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL.
Saúde em Revista 17
EFEITO DO ALONGAMENTO SOBRE A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS
INSPIRATÓRIOS NA DPOC
Figura 4. Atividade eletromiográfica em RMS dos músculos peito-
ral direito e esquerdo, antes e após programa de alongamento (n
= 8, *p = 0,009 e **p = 0,006).
Figura 5. Atividade eletromiográfica em RMS dos músculos esca-
leno direito e esquerdo, antes e após programa de alongamento
(n = 8, *p = 0,035).
Figura 6. Atividade eletromiográfica em RMS dos músculos ester-
nocleidomastóideo direito e esquerdo, antes e após programa de
alongamento (n = 8, *p = 0,035).
DISCUSSÃO
Nos pacientes portadores de DPOC, existem
várias anormalidades relacionadas ao movimento
da parede torácica. Os músculos inspiratórios en-
contram-se encurtados em razão do desloca-
mento da posição de equilíbrio do sistema
respiratório, havendo uma diminuição do ar ex-
pirado e alterações na habilidade de gerar mu-
danças de volume, encontrando-se, assim, menor
volume de ar efetivo para as trocas gasosas.2, 15
Nosso estudo observou um maior desloca-
mento da parede torácica em relação às fases ins-
piratória e expiratória nos perímetros xifóideo e
diafragmático, após o programa de alongamento.
Além disso, verificou uma diminuição nos perí-
metros axilar e xifóideo na fase expiratória, pos-
sivelmente por conta de um maior volume de ar
expirado.
No que diz respeito à ventilometria, houve
um aumento significativo do volume corrente,
apesar de o VM e a FR não terem apresentado di-
ferenças significativas, o que reflete uma possível
melhora na mecânica respiratória desses pacien-
tes como resultado de um deslocamento mais efi-
caz da parede torácica.12, 24
Quanto à força muscular inspiratória, Wen et
al.8 e Rochester et al.25 observaram a influência
da fraqueza muscular generalizada e da desvanta-
gem mecânica dos músculos inspiratórios sobre a
obtenção da Pimáx em pacientes com DPOC. Nos-
so estudo verificou aumento significativo da Pi-
máx após os alongamentos, sugerindo melhora na
vantagem mecânica, indo de acordo com a lei ten-
são-comprimento, descrita por De Troyer et al.13
Em seu estudo sobre a atividade eletromiográ-
fica (EMG) por eletrodos de agulhas, De Troyer et
al.9 observaram que os músculos trapézio e ester-
nocleidomastóideo permaneciam silenciosos du-
rante a respiração basal de pacientes DPOC
severos, verificando atividade apenas nos múscu-
los escalenos. Martinez et al.,16 por meio da men-
suração das pressões pleural e transdiafragmática
com balões esofágico e gástrico, examinaram a
atuação dos músculos acessórios na respiração
basal de dez pacientes com moderada hiperinsu-
flação pulmonar. Nosso estudo, por sua vez, ava-
liou a atividade elétrica em todos esses músculos;
no entanto, apenas o escaleno apresentou aumen-
to da atividade durante a fase inspiratória, o que
se encontra de acordo com o trabalho de Gande-
via et al.,26 que utilizaram a pletismografia associ-
ada à EMG com eletrodos de agulha.
Em nosso estudo, observamos ainda uma di-
minuição na atividade dos músculos trapézio e
peitoral, após o programa de alongamento.
Grandi27 menciona, em seu trabalho sobre alon-
gamento muscular, o “relaxamento de estresse”
relacionado à queda da tensão muscular depois
de sessões de alongamento.
O aumento da atividade elétrica dos músculos
escaleno e esternocleidomastóideo pode ser ex-
plicado em parte por Maarsingh et al., ao sugerir
que o aumento da atividade muscular após o
alongamento deve-se a problemas técnicos na ob-
tenção dos sinais EMG de superfície, e por De
Troyer et al.,9 que fazem referência à localização
0
5
10
15
20
25
30
Antes Depois
R
M
S
Peitoral Direito
Peitoral esquerdo
* **
0
5
10
15
20
25
30
Antes Depois
R
M
S
Escaleno Direito
Escaleno Esquerdo* *
0
5
10
15
20
25
30
Antes Depois
R
M
S
Estern. Direito
Estern. Esquerdo*
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ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL.
 18 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005
anatômica desses músculos para enfatizar a inter-
ferência na obtenção de sinais EMG por esses ele-
trodos. Quanto a esse aspecto, Gandevia et al.26
mencionam a contaminação da atividade mioelé-
trica dos escalenos pela atividade do esternoclei-
domastóideo e do platisma, o que justificaria
nossos achados. 
Ao mesmo tempo, Peche et al.29 e Decra-
mer15 relatam, em seus estudos, a existência de
rara atividade nos músculos esternocleidomastói-
deos e escalenos em pacientes com DPOC severa-
mente hiperinsuflados. Isso nos faz pensar que
nossos resultados tenham decorrido do aumento
da flexibilidade torácica após o programa de
alongamento muscular,30 em razão do reposicio-
namento desses músculos15 e, a partir daí, do de-
senvolvimento de maior atividade muscular. 
Observamos ainda a redução dos perímetros
torácicos durante a respiração, o que reflete pro-
vável desinsuflação pulmonar após o programa
de alongamento muscular, embora o nosso estu-
do não tenha realizado mensurações dos níveis de
hiperinsuflação. Ao final do tratamento, os paci-
entes relataram menor sensação de desconforto
respiratório (dispnéia) e maior disposição na rea-
lização das atividades da vida diária.
CONCLUSÃO
Este estudo evidenciou mudanças dos períme-
tros torácicos após o alongamento de alguns mús-
culos respiratórios, levando-nos a refletir acerca
da importância do desenvolvimento de trabalhos
que venham a comprovar a eficácia dessa técnica
(alongamento muscular) sobre a mecânica respi-
ratória dos pacientes com DPOC.
Tais resultados apontaram melhora significati-
va por meio dos parâmetros utilizados. Nesse sen-
tido, sugerimos novos estudos sobre o assunto
valendo-se de outras metodologias, com o objeti-
vo de propiciar maior aprofundamento científico
para utilização dos alongamentos musculares e
proporcionar maiores benefícios aos pacientes que
apresentam distúrbios da mecânica respiratória.
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Saúde em Revista 19
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Submetido: 10/set./2004
Aprovado: 1.º/jul./2005
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ANA PAULA NASCIMENTO DA CUNHA, ET AL.
 20 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 13-19, 2005
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JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL.
Saúde em Revista 21
SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL
Suplementação de Glutamina
e Resistência Imunológica 
em Atletas de Futebol
Glutamine Supplementation and Immunological Resistance
in Soccer Players
RESUMO O futebol apresenta grande exigência física, sobretudo para os
atletas mais jovens. O aminoácido glutamina é o principal substrato energé-
tico para as células do sistema imunitário e tem sido utilizado por atletas de
resistência e força. O objetivo deste estudo foi verificar os efeitos da suple-
mentação crônica (30 dias) de glutamina sobre o número de células do sis-
tema imunitário e a incidência de infecções das vias aéreas superiores (IVAS)
em jovens atletas de futebol. Iniciaram o estudo 23 futebolistas do sexo
masculino e concluíram 14, com idade de 16 ± 0,55 anos. O projeto foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Metodista de
Piracicaba. Para o estudo fez-se contagem dos leucócitos antes e após a su-
plementação, além de acompanhamento das IVAS e suplementação diária
após treinamento, por um período de 30 dias, de 5g de glutamina ou pla-
cebo (amido). Não se observou alteração no número total de leucócitos, no
leucograma diferencial e na incidência de IVAS no grupo suplementado
com glutamina em comparação ao grupo placebo. Concluímos que, em
atletas jovens do futebol, a suplementação com glutamina, por 30 dias após
o treinamento diário, não induziu alteração no número de células do siste-
ma imunitário e na incidência de IVAS, portanto, não apresentou efeitos po-
sitivos sobre a resistência imunológica.
Palavras-chave GLUTAMINA – FUTEBOL – SISTEMA IMUNOLÓGICO – INFEC-
ÇÕES RESPIRATÓRIAS.
ABSTRACT Soccer demands great physical requirements, especially for
young athletes. The amino acid glutamine is the principal energetic substrate
for immune system cells and has been used by resistance and strength
athletes. The purpose of this study was to determine the effects of chronic
supplementation of glutamine for 30 days on immunological system cells
and respiratory infection intercurrence in young soccer players. Twenty-
three male soccer players started the study, but only fourteen concluded.
The mean (± SD) age of the subjects was 16 ± 0,55 yr. The study was
approved by the Ethical Committee of the Methodist University of
Piracicaba. For this study, the count of the leukocytes was made before and
after supplementation, as well as the attendance of the RI’s and placebo
(starch). The number of leukocytes and intercurrence of respiratory
infections was not altered comparing both groups. We concluded that in
young soccer players, the supplementation of glutamine for 30 days did not
show positive effects for the immunological system.
Keywords GLUTAMINE – SOCCER – IMMUNOLOGICAL SYSTEM –
RESPIRATORY INFECTIONS.
ORIGINAL /ORIGINAL
JOSÉ FRANCISCO DANIEL
Curso de Educação Física – 
Faculdade de Educação Física 
(PUCCamp/SP)
CLÁUDIA REGINA CAVAGLIERI*
Mestrado em Educação Física – 
Faculdade de Ciências da Saúde 
(UNIMEP/SP)
*Correspondências: Rod. do Açúcar, 
km 156, Vice-Reitoria Acadêmica, 
13400-911, Piracicaba/SP
ccavagli@unimep.br
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INTRODUÇÃO
glutamina é o aminoácido mais abundante
no plasma, representando cerca de 20% do
total dos aminoácidos, e nos tecidos, consti-
tuindo cerca de 60% destes.1 Tem sido utilizada
por atletas de esportes de resistência, como mara-
tonistas, e de força, como halterofilistas, no senti-
do de promover o anabolismo celular, reduzir o
catabolismo e combater a imunossupressão.2
Aproximadamente 50% dos aminoácidos li-
vres do organismo estão presentes nos músculos,
em razão do seu peso total em relação aos demais
órgãos do corpo. A capacidade do músculo em li-
berar glutamina é de aproximadamente 42 μmol/
h.3 Em algumas situações estressantes – trauma,
septicemia e câncer, por exemplo – e eventual-
mente no esforço físico extremo, a concentração
de glutamina pode diminuir substancialmente.4
No plano funcional, a glutamina pode ser uti-
lizada para a gliconeogênese hepática, mas tem
como principais destinos os rins, onde atua na
manutenção do equilíbrio do pH e no processo
gliconeogênico renal.2 É também empregada
como substrato ergogênico para as células do sis-
tema imunitário e os enterócitos. Quando a de-
manda de glutamina no organismo aumenta, em
especial durante situações de catabolismo inten-
so, como no jejum prolongado e exercício, o teci-
do muscular eleva sua produção e liberação,
mantendo os valores elevados no plasma.4, 5
A síntese de glutamina no músculo esqueléti-
co é catalisada pela enzima glutamina sintetase,
que atua na reação final, tendo o glutamato como
substrato e usando NH3 como fonte de nitrogênio
e ATP como fonte de energia.
Interação entre a glutamina e 
o sistema imunitário
A glutamina garante a funcionalidade do siste-
ma imunitário, pois é o principal precursor de
energia e de macromoléculas para o linfócito,5, 6 e
adotada em dietas enterais e parenterais de pacien-
tes hospitalizados e com doenças graves, como
também em pacientes com queimaduras.7, 8
Linfócitos e fagócitos mononucleares agem
em conjunto para responder rapidamente na eli-
minação de antígenos estranhos, regulando a res-
posta após esse procedimento. Para tanto,
aumentam a demanda metabólica e a taxa de uti-
lização da glutamina. A taxa de utilização de glu-
tamina por neutrófilos, linfócitos e macrófagos é
similar ou até mesmo maior do que a de glicose,
podendo ser totalmente suprida pelo músculo es-
quelético e pela dieta. Entretanto, se a taxa de
consumo de glutamina for muito aumentada, ou
se a produção e a liberação pelo músculo diminuir
excessivamente e a dieta permanecer com a mes-
ma concentração desse aminoácido, poderá haver
comprometimento da função imunitária.7, 9
Durante uma infecção e ativação da função
imunitária ocorrem alterações marcantes no me-
tabolismo dos leucócitos, particularmente linfóci-
tos, macrófagos e também neutrófilos. Nessa
situação há elevação no consumo de glutamina
por essas células e, quando tal condição perdura,
ocorre redução nos níveis plasmáticos de glutami-
na e da massa muscular, causando perda de peso
e caquexia, e induzindo, conseqüentemente, um
agravamento do quadro infeccioso.5, 9, 10
Relação entre exercício, glutamina 
e sistema imunitário
Alterações drásticas do metabolismo muscular
podem modificar a taxa de produção/liberação de
glutamina, alterando, assim, a funcionalidade do
sistema imunitário.11 É interessante observar que
exercícios de alta intensidade e de longa duração,
como o praticado por maratonistas12 e corredores
de média e longa distância, apresentam alta inci-
dência de infecções, particularmente no trato res-
piratório.13 Isso poderia decorrer da alteração na
liberação de glutamina pelo músculo esquelético,
durante a fase pós-atividade física intensa. 
Em estudo realizado com maratonistas, ob-
servou-se que, após uma prova, a concentração
plasmática de glutamina apresentou-se reduzida
em 20%, na primeira hora. Essa diminuição, bem
como o aumento na concentração de glicocorti-
cóides, em virtude do estresse induzido pelo
exercício, podem contribuir para redução da ca-
pacidade de resposta do sistema imune e aumen-
to da susceptibilidade do atleta em adquirir
infecções oportunistas.13 Há evidências de que o
estresse provocado por tais exercícios induz um
aumento no número e na atividade das células do
sistema imunológico,14 que poderiam levar a um
maior consumo e, conseqüentemente, contribuir
para redução da concentração de glutamina cir-
culante.11
Verificou-se que, uma hora após a participa-
ção em maratona, as concentrações de glutamina
e de linfócitos revelaram-se significantemente
menores que as concentrações pré-esforço. Nesse
Glutamato + NH3 + ATP Glutamina + ADP + Pi
A
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SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL
estudo, os atletas que beberam 5 g de glutamina
diluídas em 330 ml de água, comparadas com
placebo, apresentaram aumento significativo das
células T nas 16 horas após a prova. No grupo
placebo, passado esse tempo, a concentração des-
sas células retornou ao nível normal.15
Essa situação de redução na população dos lin-
fócitos, após atividade física intensa, e de provável
ligação com o risco de infecções originou a seguin-
te relação: pessoas sedentárias teriam risco médio;
as moderadamente treinadas, risco baixo; e aque-
las submetidas a treinamentos intensos, risco eleva-
do, podendo elevar-se de acordo com aumentos
da intensidade e do volume do treinamento.14 Tal
ligação entre o volume/intensidade do exercício e
o risco de adquirir infecção foi relacionada com a
diminuição da concentração plasmática de gluta-
mina, resultante do desequilíbrio entre as taxas de
liberação pelos músculos esqueléticos e de capta-
ção pelos vários órgãos e células do organismo.11
Imediatamente depois do exercício, durante o
período de recuperação, o metabolismo ainda
permanece elevado, desencadeando um processo
denominado débito de oxigênio. A magnitude e a
duração desse metabolismo elevado são influen-
ciadas pela intensidade do exercício. O débito de
oxigênio pode permanecer por várias horas, po-
rém, em constante declínio, dividindo-se em três
fases: 1. fase rápida, com duração de poucos mi-
nutos, suficiente para ressintetizar o sistema ATP-
CP armazenados e repor os estoques teciduais de
oxigênio (mioglobina e hemoglobina); 2. fase len-
ta, com duração de aproximadamente uma hora,
em que o lactato é convertido em glicose e glico-
gênio (gliconeogênese hepática); 3. fase ultralen-
ta, com duração de várias horas, em que se
propõe que a estimulação dos ciclos de substratos
(interconversões de substratos, como proteína-
aminoácidos-proteína, por exemplo) seja o fator
responsável pelo débito de oxigênio.16
A utilização de substratos, nesse período, é
determinada pelo consumo de nutrientes. Com a
ingestão apenas de água, ocorre o catabolismo de
proteínas e continua a mobilização de ácidos gra-
xos, utilizados como principal substrato. Haven-
do o consumo de nutrientes, particularmente de
carboidratos, o anabolismo protéico e a reesterifi-
cação dos ácidos graxos são estimulados, passan-
do a glicose a ser empregada como principal
substrato.17
As concentrações de glicogênio e a disponibi-
lidade de glicose mostram-se determinantes nas
concentrações de glutamina. Quando o glicogê-
nio recompõe-se após o exercício físico, também
a glutamina se encontra em níveis normais.11
A importância da suplementação de glutami-
na vem sendo estudada em processos envolvendo
respostas imunitárias e inflamatórias.17, 18 Essas
situações caracterizam-se pelo balanço nitrogena-
do negativo, com elevação das taxas de degrada-
ção protéica muscular, e alterações essenciais no
fluxo de glutamina entre os tecidos. A suplemen-
tação pode melhorar as funções imunológicas e
intestinais, além de auxiliar o fígado a manter o
metabolismo normal num grande número de si-
tuações patológicas.10 
Observou-se que a suplementação oral de 5 g
de glutamina, após exercício intenso e de longa
duração, é eficiente para manter sua concentra-
ção ao final dele, aumentar a razão dos
linfócitos13 e diminuir a incidência de infecções
nos sete dias posteriores. Nesse caso, o grupo pla-
cebo apresentou 51% de incidência de infecções,
ao passo que o grupo glutamina, 19%.13
A suplementação de glutamina tem sido em-
pregada com maior freqüência, especialmente
após sua aprovação por parte dos órgãos de vigi-
lância sanitária de diversos países, incluindo os
EUA e os da Europa. Tal aprovação tem por base
estudos atestando a segurança de sua administra-
ção e a isenção de efeitos tóxicos, exceto em indi-
víduos com desordem hepática severa. A dose de
5 g de glutamina ministrada a corredores de mé-
dia distância, maratonistas, ultramaratonistas e
remadores, imediatamente após a competição, ou
sessão de treinamento intenso, e duas horas de-
pois, mostrou-se suficiente para diminuir a inci-
dência de infecções nos sete dias posteriores ao
exercício, mas não para alterar os parâmetros de
concentração de glutamina e do número total de
leucócitos em comparação àqueles que recebe-
ram placebo.10
Futebol
O futebol caracteriza-se por uma exigência de
corrida que exige velocidade, agilidade, força de
impulsão, flexibilidade, capacidade aeróbia e ana-
eróbia geral,
coordenação e técnica. O futebol
contemporâneo é jogado com predominância da
velocidade e força, devendo-se a estas ser dada es-
pecial atenção.19
Durante os jogos, os futebolistas apresentam
grande desgaste físico, que pode ser maior em
atletas mais jovens, pois estes se posicionam e se
deslocam de maneira menos eficiente, em razão
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da posição da bola, que atletas experientes.19 Assi-
nalando os esforços no futebol, por meio da deter-
minação da distância total percorrida pelos atletas,
Campeiz20 observou que, nos profissionais, essa
distância se encontra entre 5,6 km e 8,4 km, em
média, por jogo. Com relação aos juniores, Olivei-
ra, Amorim e Goulart21 verificaram uma distância
entre 7 km e 9 km. Além dessa questão dos jogos,
futebolistas com idade entre 15 e 17 anos nor-
malmente têm atividades físico-esportivas por seis
dias na semana, necessitando de ótima organiza-
ção do processo de treinamento e recuperação.
Afora o treinamento e a recuperação, a alimenta-
ção adequada também é fundamental à saúde e ao
rendimento esportivo, pois uma dieta pobre em al-
guns nutrientes pode levar a diversos problemas fí-
sicos.22
Uma alimentação balanceada em geral atende
às necessidades nutricionais diárias, mas muitos
atletas não conseguem ingerir as quantidades
recomendadas. Nesses casos, cabe a suplemen-
tação de determinadas substâncias, com propósi-
tos de complementar a ingestão nutricional.22 A
suplementação dietética também pode ser em-
pregada para retardar o aparecimento da fadiga e
aumentar o poder contrátil do músculo esqueléti-
co e/ou cardíaco.23
Tomando por base os estudos descritos ante-
riormente, o objetivo deste trabalho foi verificar
se a suplementação oral crônica de glutamina, ad-
ministrada diariamente após o treinamento, seria
capaz de melhorar a resposta do sistema imune
de atletas jovens do futebol.
METODOLOGIA
Para a realização do estudo fez-se contagem
total dos leucócitos circulantes e de seus subtipos,
além de acompanhamento das intercorrências do
sistema imunitário e aplicação de questionário
para inquérito nutricional e suplementação com
glutamina e placebo. Após programadas as ativi-
dades, em conjunto com a comissão técnica da
equipe, e na chegada dos atletas para o início da
temporada de treinamentos e jogos, eles foram
esclarecidos sobre o experimento e participaram
espontaneamente, manifestando seu consenti-
mento mediante termo específico. O protocolo
foi aprovado pelo Comitê de Ética da UNIMEP
(proc. CEP/UNIMEP 010/02).
Em seguida, os atletas passaram por uma ava-
liação clínica e laboratorial pelo médico do clube,
o qual incluiu no projeto aqueles que não apre-
sentavam nenhum problema relacionado à saúde.
Tomaram parte inicialmente 23 futebolistas do
sexo masculino, com idade entre 15 e 17 anos,
categoria juvenil, sub 17, de clube filiado e parti-
cipante de campeonatos organizados pela Federa-
ção Paulista de Futebol. Com o passar do tempo,
alguns foram deixando a equipe e, do grupo ini-
cial, completaram o estudo 14 atletas.
Para o início do experimento, eles foram divi-
didos em dois grupos, G1 e G2, cada um deles
com, aproximadamente, o mesmo número de
atletas de cada posição de jogo. Para a suplemen-
tação, utilizou-se L-glutamina em pó aromatizado
e amido em pó aromatizado (placebo) diluídos
em água natural, na proporção de 5 g por 200
ml. Foram servidos, diariamente e exclusivamente,
após os treinamentos, que ocorreram no período
da tarde. A dieta alimentar mais a suplementação
da glutamina totalizavam entre 1,2 g a 1,6 g de
proteína, por quilograma de peso corporal por
dia e por atleta. Ambos os grupos receberam 30
doses de glutamina e 30 de placebo, em períodos
distintos, mediante o protocolo duplo-cego.
Trinta dias após o início dos treinamentos, ini-
ciou-se a suplementação nos dois grupos e, passa-
dos 45 dias do início da suplementação, que
correspondeu a 30 doses dos suplementos, houve
uma inversão deles por período idêntico. As ativi-
dades dos atletas envolvendo treinamentos e jo-
gos aconteceram em seis dias da semana, durante
um dos períodos do dia, por aproximadamente
2h30min.
Foram realizados exames hematológicos, an-
tes e depois do experimento, para os parâmetros
contagem dos leucócitos, conforme descrição das
técnicas de análise, métodos, resultados e varia-
ções de acordo com a idade. O sangue de cada
atleta foi coletado, em jejum, por punção da veia
braquial, e analisado em Laboratório de Análises
Clínicas do Hospital Municipal de Americana/SP.
Foi feito um controle, por meio de uma planilha
de anotação diária, do departamento médico do
clube, do número de futebolistas que apresenta-
ram qualquer tipo de intercorrência médica, in-
clusive lesões musculoesqueléticas, mas este
estudo considerou apenas as infecções das vias aé-
reas superiores (IVAS). Foram descartadas reinci-
dências de um mesmo futebolista, que poderiam
caracterizar uma situação individual.
Para avaliar a influência do treinamento e do
uso da glutamina sobre os parâmetros contagem
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SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL
dos leucócitos, adotaram-se as medidas do início
e do fim do experimento, e do teste t de Student
para amostras sobre o mesmo indivíduo (amos-
tras pareadas). A comparação entre os dois gru-
pos (glutamina vs. placebo) considerou as
diferenças entre a primeira e a segunda amostra e
o teste t de Student foi adotado para amostras
provenientes de diferentes indivíduos, com va-
riâncias populacionais desconhecidas, mas supos-
tamente equivalentes (dado serem indivíduos do
mesmo sexo e faixa etária, devendo, portanto,
apresentar a mesma variação quanto ao acaso).
Para comparar as freqüências observadas no nú-
mero de pessoas com IVAS, utilizou-se o teste de
Fisher. Para os testes, consideraram-se significati-
vos os valores de p ≤ 0,05, ou seja, com nível de
significância de, no mínimo, 5%.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os valores de t estão associados a sete graus
de liberdade para o G1 e cinco graus de liberdade
para o G2. Médias, desvios padrões, valores da
estatística t e respectiva significância da contagem
total dos leucócitos sanguíneos e de seus subtipos,
antes e após o período de treinamento e suple-
mentação com glutamina e placebo – apresenta-
dos nas figuras 1 para os leucócitos (n.º total/ml
de sangue), 2 e 3 para os neutrófilos (% e n.º to-
tal/ml de sangue) e 4 e 5 para os linfócitos típicos
(% e n.º total/ml de sangue) – mostram que cada
item está de acordo com os valores de referência
tidos como normais para essa faixa etária e esse
gênero. Demonstram também não haver diferen-
ça significativa (p > 0,05) entre os períodos para
nenhum dos grupos, nem entre eles.
Neste estudo, não se objetivou avaliar a funci-
onalidade dos leucócitos, mas apenas verificar al-
terações no valor absoluto. Sabe-se que o estresse
provocado pelos exercícios aeróbios e pelos inter-
mitentes de alta intensidade induz aumento no
número e na atividade das células do sistema imu-
nitário, particularmente a linfocitose e a mobiliza-
ção das Natural Killer cells (NK).11 Essa elevação
aguda no número de leucócitos faz crescer o con-
sumo de glutamina, dificultando a manutenção
dos níveis necessários desse aminoácido24 e le-
vando, posteriormente, a um aumento no risco
de infecções. Tal situação relaciona-se ao estresse
induzido pela atividade até a adaptação do orga-
nismo, e não diretamente ao exercício físico,
pois, após adaptação das cargas de treinamento, o
ocorrido desaparece.25
O excesso de treinamento, ao longo de um
período, induz a diminuição na contagem dos
leucócitos.26 Entretanto,
quando o nível de trei-
namento é adequado, observa-se, no período
posterior de recuperação, um aumento na conta-
gem dessas células.26 Foi relatado que a suple-
mentação oral de glutamina, após exercício
intenso e de longa duração, torna maior o núme-
ro dos linfócitos, bem como apresenta efeitos be-
néficos à incidência de infecções subseqüentes.18
Como em nosso estudo verificou-se o efeito crô-
nico das cargas de treinamento e da suplementa-
ção crônica de 5 g diárias de glutamina, até a
totalização de 30 doses, não tivemos como avali-
ar qualquer alteração aguda nessas variáveis sobre
o número dessas células e, nesse protocolo, não
observamos alterações crônicas.
Quando da realização do segundo exame de
sangue, não havia nenhum atleta com problemas
relacionados à saúde – o treinamento apresentava
as características de manutenção e, conseqüente-
mente, os atletas mostravam-se adaptados à carga
de treinamento e ao estresse por ele induzido. Os
resultados relativos às IVAS, incluindo gripes, res-
friados, coriza, otite etc., apresentam-se nas tabe-
las 1, 2 e 3. Na primeira época, somente o G1
tomou glutamina e, na segunda, apenas o G2.
Essa análise adotou o teste exato de Fisher para a
confrontação entre grupo suplementado com
glutamina e placebo, nos dois períodos.
A tabela 1 estabelece uma comparação entre os
respectivos grupos e demonstra que, em relação ao
número de IVAS de cada época, não houve diferen-
ça significativa, ou seja, os grupos apresentaram a
mesma tendência nas duas épocas, independente-
mente do suplemento adotado (glutamina ou pla-
cebo).
• G1 (n = 9) apresentou duas pessoas (22% do
n) com IVAS em cada época.
• G2 (n = 7) apresentou quatro pessoas (57%
do n) com IVAS, na época suplementada com
placebo, e três pessoas (47% do n), naquela su-
plementada com glutamina.
Procurou-se, então, verificar se o número de
atletas com IVAS, durante o período em que não
fizeram uso da glutamina, apresentou diferenças
significativas. Na primeira época de suplementa-
ção, ocorreram seis intercorrências (quatro, no
grupo suplementado com placebo, e duas, no su-
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plementado com glutamina) e, na segunda época,
cinco intercorrências (duas, no grupo suplemen-
tado com placebo, e três, no suplementado com
glutamina). A tabela 2 mostra essas freqüências
observadas das pessoas que ficaram com IVAS na
época em que não tomaram a glutamina, para o
G1 e G2. O resultado do teste de Fisher
(0,1573ns) permite observar que não existe dife-
rença significativa entre os grupos, em relação ao
número de pessoas com IVAS.
Como, aparentemente, o número de atletas
com IVAS do grupo suplementado com glutamina
foi menor, se comparado ao suplementado com
placebo em cada época, verificou-se se tal obser-
vação procedia. A tabela 3 mostra as freqüências
no número de pessoas com IVAS para o G1 (que
tomou glutamina na primeira época) e para o G2
(que tomou glutamina na segunda época). O re-
sultado do teste exato de Fisher (primeira época,
0,1573ns e, segunda época, 0,2885ns) atesta que
não existe diferença significativa para os atletas
que tomaram glutamina, em relação aos que to-
maram placebo, para cada uma das épocas. Em
outras palavras, o número de IVAS é o mesmo,
comparando-se o grupo que tomou glutamina
com o outro que recebeu placebo, para a primei-
ra e a segunda épocas.
Ao analisar as características das épocas, cons-
tatamos que a primeira época de suplementação
ocorreu no final do primeiro período preparató-
rio, com cargas aeróbias em maior volume e in-
tensidade, e no início do segundo período
preparatório, em que o treinamento direcionou-
se para as cargas de velocidade e força. Sabe-se
que exercícios extenuantes podem gerar maior
número de infecções por vários fatores, entre
eles, a diminuição dos níveis séricos de glutami-
na,1 essencial à funcionalidade do sistema imuni-
tário, precursor de energia e de macromoléculas
para linfócitos e macrófagos, juntamente com a
glicose.27
Apesar do maior volume e intensidade das car-
gas aeróbias do primeiro período preparatório, e
das alterações nas características do treinamento
no início do segundo período preparatório, que
induzem às novas adaptações de todo o organis-
mo e a um estresse adicional capaz de causar imu-
nossupressão,25 não foi verificada diferença
significativa entre este e o segundo período de su-
plementação.
O grupo suplementado com glutamina (n =
9) apresentou 22% (n = 2) de IVAS e o grupo su-
plementado com placebo (n = 7), 57% (n = 4).
Mesmo com essa disparidade percentual, não
houve diferença estatística significativa, provavel-
mente por conta do número de atletas participan-
tes do estudo. Por outro lado, no segundo
período de suplementação, as cargas direciona-
ram-se para velocidade, força, aprimoramento
geral e início das competições. Houve redução do
volume e posterior manutenção, com alguns au-
mentos da intensidade de treinamento. Esse perí-
odo deu-se entre meados de maio e de julho,
época do ano em que a temperatura está mais
baixa e o clima mais seco, situação comum para
maior número de IVAS.28
Apesar das características climáticas, não se
revelou, nesse período, alteração significativa do
número de IVAS. É provável que a redução das
cargas de treino, relacionado especialmente ao
volume, e o efeito crônico da suplementação da
glutamina podem ter contribuído para que isso
ocorresse.
Nesse sentido, alguns estudos têm demons-
trado que a suplementação de glutamina é efici-
ente na manutenção de sua concentração ao final
do exercício e também na diminuição da inci-
dência de infecções nos dias posteriores ao esfor-
ço físico intenso.13 Apesar das evidências de que,
em exercícios intensos e prolongados, a ingestão
de fluídos contendo glutamina reduz a incidência
de IVAS,10 em nosso estudo com o futebol – es-
porte característico de esforços intermitentes –
não foi verificada diferença significativa.
Assim como foi atestado em nosso estudo, no
protocolo adotado de suplementação crônica de 5
g diárias (após treinamento) de glutamina até a to-
talização de 30 doses não se observou diferença
significativa. Já Nieman e Pedersen14 consideram
inconclusivos os resultados obtidos com a suple-
mentação de glutamina quanto à eficiência na
redução de infecções. Contrariamente, comparan-
do a suplementação de glutamina com maltodex-
trina como placebo, Castell et al.13 observaram
que a glutamina reduziu expressivamente o núme-
ro de infecções.
Em estudo que verificou os efeitos da suple-
mentação de carboidrato nas respostas imunitári-
as, em protocolos de exercícios específicos para
atletas de futebol,29 concluiu-se que, após realiza-
ção de exercícios contínuos e prolongados, o car-
boidrato revelou-se efetivo em atenuar as
respostas imunitárias. Mas, depois da realização de
exercícios específicos intermitentes, não se verifi-
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Saúde em Revista 27
SUPLEMENTAÇÃO DE GLUTAMINA E RESISTÊNCIA IMUNOLÓGICA EM ATLETAS DE FUTEBOL
cou o mesmo efeito. Nesse sentido, sugeriu-se que,
quando da intensidade moderada do exercício e
de alterações plasmáticas relativamente pequenas
de glicose, cortisol e variáveis imunitárias, a inges-
tão de carboidratos apresenta uma influência míni-
ma na resposta imunitária para o exercício.
Protocolos de exercícios específicos, por mais
que tentem reproduzir a situação de competição
do esporte, não conseguem igualar todos os fato-
res influenciadores da performance, como pre-
sença de público, níveis físico, técnico e tático do
adversário, expectativas, fase do campeonato, co-
brança de resultado etc.,30 e não provocam es-
tresse similar. Assim, seria necessária a verificação
das alterações
plasmáticas de glicose, cortisol e
variáveis imunitárias, após situação real de jogo.
CONCLUSÃO
Este estudo foi desenvolvido para investigar
os efeitos da suplementação do aminoácido gluta-
mina e do treinamento sobre a contagem de leu-
cócitos, neutrófilos e linfócitos e sobre a
incidência de infecções das vias aéreas superiores. 
Com base em seus resultados, concluiu-se
que, nesse protocolo de suplementação oral crô-
nica de 5 g diárias, após treinamento, de glutami-
na até a totalização de 30 doses, a glutamina não
alterou o número de leucócitos, neutrófilos e lin-
fócitos. Também não foi capaz de reduzir a inci-
dência de infecções das IVAS nos atletas jovens do
futebol.
Figura 1. Médias dos leucócitos, dos dois grupos, antes e após o
período de treinamento e suplementação. Não houve diferença
significativa.
ANTES
DEPOIS
LEUCÓCITOS (ml)
M
É
D
IA
S
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
8000
GRUPO 1 GRUPO 2
Figura 3. Médias dos neutrófilos em ml, dos dois grupos, antes e
após o período de treinamento e suplementação. Não houve dife-
rença significativa.
ANTES
DEPOIS
NEUTRÓFILOS (ml)
M
ÉD
IA
S
0
600
1200
1800
2400
3000
3600
4200
4800
GRUPO 1 GRUPO 2
Figura 4. Médias dos linfócitos típicos em porcentagem, dos dois
grupos, antes e após o período de treinamento e suplementação.
Não houve diferença significativa.
ANTES
DEPOIS
LINFÓCITOS TÍPICOS (%)
M
É
D
IA
S
0
8
16
24
32
40
48
56
GRUPO 1 GRUPO 2
Figura 5. Médias dos linfócitos típicos por ml, dos dois grupos,
antes e após o período de treinamento e suplementação. Não
houve diferença significativa.
ANTES
DEPOIS
LINFÓCITOS TÍPICOS (ml)
M
É
D
IA
S
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
GRUPO 1 GRUPO 2
Figura 2. Médias dos neutrófilos em porcentagem, dos dois gru-
pos, antes e após o período de treinamento e suplementação.
Não houve diferença significativa
ANTES
DEPOIS
NEUTRÓFILOS (%)
M
ÉD
IA
S
0
8
16
24
32
40
48
56
64
GRUPO 1 GRUPO 2
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JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL.
 28 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 21-29, 2005
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Tabela 1. Freqüências e porcentagens (%) observadas para os grupos, distinguindo-se os suplementos, em razão do número de pes-
soas com IVAS, e o teste exato de Fisher.
ns: não significativo, considerando-se um nível mínimo de significância de 5% (p < 0,05).
VARIÁVEIS N.º DE ATLETAS 
COM IVAS
N.º DE ATLE-
TAS SEM IVAS
N.º DE ATLETAS
DO GRUPO
TESTE EXATO
DE FISHER
Grupo 1 Glutamina 2 (22%) 7 (88%) 9
Placebo 2 (22%) 7 (88%) 9 0,4235ns
Grupo 2 Placebo 4 (57%) 3 (43%) 7
Glutamina 3 (43%) 4 (57%) 7 0,8569ns
Tabela 2. Freqüências e porcentagens (%) observadas para os grupos, em razão do número de pessoas com IVAS no período em que não
receberam glutamina, e o teste exato de Fisher.
ns: não significativo, considerando-se um nível mínimo de significância de 5% (p < 0,05).
VARIÁVEIS N.º DE ATLETAS 
COM IVAS
N.º DE ATLETAS 
SEM IVAS
N.º DE ATLETAS
DO GRUPO
TESTE EXATO
DE FISHER
Grupo 1 2 (22%) 7 (88%) 9
Grupo 2 4 (57%) 3 (43%) 7 0,1573ns
Tabela 3. Freqüências e porcentagens (%) observadas para os períodos, distinguindo-se a glutamina e o placebo em razão do número
de pessoas com IVAS, e o teste exato de Fisher.
ns: não significativo, considerando-se um nível mínimo de significância de 5% (p < 0,05).
VARIÁVEIS N.º DE ATLETAS 
COM IVAS
N.º DE ATLETAS
SEM IVAS
N.º DE ATLETAS 
DO GRUPO
TESTE EXATO 
DE FISHER
1.ª época Glutamina 2 (22%) 7 (88%) 9
Placebo 4 (57%) 3 (43%) 7 0,1573ns
2.ª época Glutamina 3 (43%) 4 (57%) 7
Placebo 2 (22%) 7 (88%) 9 0,2885ns
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JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL.
Saúde em Revista 29
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Submetido: 9/nov./2004
Aprovado: 1.º/jul./2005
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JOSÉ FRANCISCO DANIEL, ET AL.
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PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO, ET AL.
Saúde em Revista 31
PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO
Participação dos Eritrócitos no 
Controle Glicêmico do Exercício
Erythrocytes Participation in Glycemic Control of the Exercise
RESUMO O objetivo do trabalho foi demonstrar que os eritrócitos partici-
pam na homeostase da glicemia. Os parâmetros avaliados nos eritrócitos
foram: consumo de glicose, armazenamento de glicogênio, transporte e
mobilização. Ratos foram submetidos a uma sessão de natação (50 min., 32
± 2°C) e anestesiados com pentobarbital sódico (40 mg/kg), de modo a se
coletar amostras de sangue em diferentes partes dos vasos para avaliar a gli-
cemia e o conteúdo de glicogênio (GLI). In vivo, o GLI do eritrócito mudou
de acordo com a glicemia nos vasos. A diferença arteriovenosa e entre as
veias portal e supra-hepática no GLI é paralelo a diferenças de glicemia. De
acordo com os resultados citados, eritrócitos incubados em salina a 37oC
aumentaram seu GLI com a maior concentração de glicose extracelular e re-
duziram quando a concentração de glicose caiu. Captação e liberação são
bem correlacionadas à concentração de glicose extracelular (r = 0.942), si-
milarmente in vivo. Condições estressoras como o exercício quase depleta-
ram o GLI do eritrócito e também depletaram intensamente o GLI hepático.
Essa reação é característica do eritrócito, pois ele respondeu in vitro para os
hormônios hiperglicemiantes, glucagon, adrenalina, noradrenalina, redu-
zindo o GLI, até mesmo na presença de alta concentração de glicose. Isso se
assemelha à resposta dos hepatócitos aos mesmos hormônios.
Palavras-chave GLICOGÊNIO – GLICEMIA – ERITRÓCITOS – NATAÇÃO.
ABSTRACT The objective of this work was demonstrated that the
erythrocytes participate in the glycaemic homeostasis. The parameters
evaluated in erythrocytes were: glucose consumption, glycogen storage,
transport and mobilization. Rats were submitted to a swimming section (50
min., 32 ± 2°C) and anesthesiated with sodic pentobarbital (40 mg/kg) to
collect blood samples in different parts of vessels to evaluated the glycaemia
and glycogen content (GLY). In vivo, the erythrocyte GLY changed in
according to glycaemia in vessels. The arteriovenous and the between portal
and suprahepatic veins difference in GLY is parallel to glycaemia differences.
In accordance to the results mentioned, erythrocytes incubated in saline at
37oC increased their GLY with the increase in extracellular glucose
concentration and reduced it when glucose concentration diminished. Both
uptake and release are well correlated to extracellular glucose concentration
(r = 0.942), similarly in vivo. Stressing conditions as the exercise almost
deplete the erythrocyte GLY. Those conditions also deplete GLY liver acutely.
This response is characteristic of erythrocytes because they responded in
vitro to hyperglycemic hormones, glucagon, adrenaline, noradrenaline
reducing the GLY, even in the presence of high glucose concentration. This
resembles the hepathocytes response to the same hormones.
Keywords GLYCOGEN – GLYCAEMIA – ERYTHROCYTES – SWIMMING.
 ORIGINAL /ORIGINAL 
CARLOS ALBERTO DA SILVA*
Curso de Fisioterapia – Faculdade de 
Ciências da Saúde (UNIMEP/SP)
RINALDO ROBERTO DE JESUS 
GUIRRO
Curso de Fisioterapia – Faculdade de 
Ciências da Saúde (UNIMEP/SP)
KARINA MARIA CANCELLIERO
Curso de Fisioterapia – Faculdade de 
Ciências da Saúde (UNIMEP/SP)
FABIANA FORTI
Curso de Fisioterapia – Faculdade de 
Ciências da Saúde (UNIMEP/SP)
*Correspondências: Rod. do Açúcar, km 
156, FACIS, 13400-911, Piracicaba/SP
casilva@unimep.br
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CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL.
 32 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005
INTRODUÇÃO
o longo do exercício físico, a utilização dos
substratos metabólicos pelo território mus-
cular varia consideravelmente. Nas fases
iniciais do exercício, o glicogênio tecidual consti-
tui a principal fonte energética consumida. No
entanto, concomitantemente ao prolongamento
da atividade, assume fundamental importância à
glicose sérica e à concentração plasmática de áci-
dos graxos livres.1 Cabe ressaltar que a mobiliza-
ção das reservas energéticas ocorre por conta da
ação hormonal representada pela elevação na
concentração sérica do hormônio de crescimen-
to, glucagon, adrenalina, noradrenalina e corti-
costeróides.
Guarner e Alvarez-Buylla2 demonstraram que
os eritrócitos absorvem e incorporam glicose aos
reservatórios de glicogênio quando a glicose está
elevada, liberando-a no caso de redução da glice-
mia. Como as reservas de glicogênio superam as
necessidades metabólicas dessas células, foi suge-
rido que contribuam de maneira importante para
o controle glicêmico. Recentes pesquisas vêm
reunindo informações a favor dessa hipótese em
humanos e outros mamíferos.
Durante estudos de glicogenoses hepáticas em
humanos, Moses et al.3 verificaram que os eritró-
citos contêm as enzimas glicogênio sintetase e gli-
cogênio fosforilase, responsáveis, respectivamente,
pela síntese e pela degradação de glicogênio. Po-
rém, as enzimas responsáveis pela degradação das
reservas de glicogênio estão inativadas, possibili-
tando o acúmulo de glicogênio em concentração
maior que a observada em eritrócitos de indivídu-
os normais.
No fígado, duas formas da enzima glicogênio
sintetase, passíveis de interconversão, têm uma
implicação direta na regulação da síntese de glico-
gênio. A forma a possui alta afinidade pela glico-
se-6-fosfato (G6P) e uridina di-fosfoglicose (UDPG)
e a forma b apresenta baixa afinidade pelo subs-
trato e pelo ativador, sendo ativa somente na pre-
sença da G6P. Nos eritrócitos, somente um tipo
de glicogênio sintetase está presente, semelhante
à forma b descrita no fígado, dependente da G6P.
Nesse sentido, o eritrócito é único, ao contrário
dos outros tecidos, nos quais há interconversão
entre as duas formas da enzima. A baixa atividade
da glicogênio sintetase nos eritrócitos pode dever-
se à concentração intracelular de UDPG (0,03
mM) e de glicose 6-fosfato (0,2 mM), que estão
abaixo do Km e Ka (afinidade do substrato ao
transportador) da enzima. 
Ao contrário de outros tecidos, o ATP (1,2
mM) e o fosfato inorgânico (1,3 mM) não ini-
bem a glicogênio sintetase dos eritrócitos. Con-
seqüentemente, a regulação da síntese de
glicogênio nos eritrócitos depende, em maior in-
tensidade, das mudanças nas concentrações de
G6P do que da concentração dos ativadores ou
inibidores da enzima.3 
O metabolismo de glicogênio em eritrócitos
normais foi avaliado por Moses et al.,3 utilizando
como parâmetro a incorporação de glicose radio-
ativa ao reservatório
de glicogênio. A taxa de in-
corporação de glicose para a formação de
glicogênio nos eritrócitos atingiu 0,04 ± 0,01
μmol. g Hb-1.h, sendo o valor máximo obtido em
pH 7.6. Esses autores propuseram que o grau de
saturação da hemoglobina pelo oxigênio poderia
induzir modificações no pH intracelular e, assim,
regular a atividade das enzimas envolvidas na sín-
tese de glicogênio. 
A quantidade de glicose captada pelos eritró-
citos supera em muito as suas necessidades meta-
bólicas, o que implica alta velocidade de
transporte de glicose e/ou grande quantidade de
transportadores do tipo GLUT1 na membrana.4, 5
Esse tipo de transportador constitui 3,5% das
proteínas da membrana, superior ao medido na
membrana de adipócitos, correspondente a ape-
nas 0,04%.6 Identificado nos eritrócitos, ele con-
siste de 492 aminoácidos, é classificado como
GLUT1,7 apresenta um Km para glicose de aproxi-
madamente 5 mM e in situ exibe um padrão assi-
métrico de transporte, com Km para efluxo
aproximadamente quatro vezes maior e Vmáx
(50% da velocidade máxima de captação do
substrato) comparado ao influxo.8 A atividade do
GLUT1 não é regulada por hormônios e ele não é
translocado de sítios intracelulares para a mem-
brana plasmática.9
Sob normoglicemia (5 mM), os eritrócitos hu-
manos utilizam 1 a 2 μmoles de glicose.ml célu-
las.h. Aproximadamente 95% da glicose oxidada
seguem a via de Embden-Mayerhof, produzindo
lactato e piruvato e gerando o ATP necessário à
manutenção das condições homeostáticas. A gli-
cose (5-10%) pode ainda ser metabolizada pela
via da pentose fosfato, produzindo nicotinamida
adenina dinucleotídeo reduzido (NADPH), que de-
sempenha papel fundamental na manutenção de
componentes intracelulares na forma reduzida.10
A
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CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL.
Saúde em Revista 33
PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO
A identificação de reservas de glicogênio nos
eritrócitos estimulou o interesse em avaliar a fun-
ção desses depósitos de glicose. Rapoport11 ava-
liou a glicólise em eritrócitos humanos em 1,1
mmol.h-1.l células a 37oC e afirmou a importân-
cia deles para manter o suprimento de glicose ce-
rebral, em razão do seu alto número na corrente
sangüínea associado à habilidade de transportar
40% da glicose plasmática. Sob normoglicemia
(aproximadamente 5 mM) a concentração de gli-
cogênio dos eritrócitos humanos equivale a 12
mil vezes ao requerido pelo seu metabolismo.
Guarner e Alvarez-Buylla2 constataram uma
diferença arteriovenosa no teor de glicogênio eri-
trocitário em ratos e sugeriram que os eritrócitos
estariam distribuindo glicose aos tecidos, partici-
pando da regulação glicêmica. Esses autores tam-
bém verificaram que a captação de glicose pelos
eritrócitos depende da concentração dessa substân-
cia no meio a que estão expostos, in vivo e in vitro,
ocorrendo incorporação dela aos reservatórios de
glicogênio durante a elevação da glicemia e, por
outro lado, redução nas reservas quando diminui a
glicemia. A estação de captação de glicose seria o
fígado, ao qual forneceria em troca o lactato.12
A reserva de glicogênio está sujeita à ação de
hormônios e, portanto, aos eventos que determi-
nam a flutuação em suas concentrações no plas-
ma. A adrenalina pode mobilizar as reservas de
glicogênio da mesma maneira que o faz nos hepa-
tócitos, por meio de receptores β2-adrenérgicos,
e o efeito se manifesta inclusive durante a hiper-
glicemia.13 Além disso, aumenta o metabolismo
da glicose nos eritrócitos, pois inibe os últimos
passos da glicólise, diminuindo a produção de
ATP e, ao mesmo tempo, induzindo aumento na
síntese de 2,3 bi-fosfoglicerato, o que possibilita
maior liberação de oxigênio.14
A influência da insulina sobre a captação de
glicose nos eritrócitos pode ser aventada em de-
corrência da presença de receptores de insulina
em eritrócitos maduros. Eritrócitos normais pos-
suem aproximadamente dois mil receptores de
insulina, distribuídos em 14 sítios por micrôme-
tro quadrado de membrana e com as mesmas
propriedades observadas nos receptores de insuli-
na de outros tecidos, como fígado, músculo e te-
cido adiposo.15 Em alguns estudos,2 a insulina
não promoveu aumento na captação de glicose,
nem a síntese de glicogênio; porém, em outros
trabalhos com reticulócitos, que apresentam oito
vezes mais receptores de insulina que os eritróci-
tos maduros, a captação de glicose e a síntese de
glicogênio elevaram-se na presença de insulina.
Possivelmente, esses receptores de insulina são
perdidos durante o período de maturação.16 Pe-
terson et al.17 incubaram eritrócitos humanos na
presença de insulina durante três horas e verifica-
ram uma redução de 70% na população de re-
ceptores. Nova incubação desses eritrócitos na
ausência de insulina mostrou que a população de
receptores foi restabelecida, sugerindo que a insu-
lina promove a internalização dos receptores, bai-
xando, assim, a sensibilidade a si própria.
Pelas raras informações na literatura a respeito
das propriedades dos eritrócitos como transporta-
dores de glicose, faz-se necessário reavaliar a im-
portância dessas células na regulação glicêmica
diante de exercício físico e a capacidade delas de
modificar suas reservas de glicogênio na presença
de diferentes hormônios. Portanto, o objetivo ge-
ral deste trabalho foi estudar a habilidade dos eri-
trócitos em incorporar glicose ou mobilizá-la de
seu depósito de glicogênio em face do exercício
físico in vivo e dos efeitos dos hormônios que par-
ticipam da condição indutora de estresse in vitro.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram utilizados ratos machos, albinos, Wis-
tar, com idade variando de três a quatro meses,
fornecidos pelo biotério da UNIMEP, alimentados
com ração e água ad libitum e submetidos a ciclo
fotoperiódico de 12 horas claro/escuro. Os ani-
mais foram divididos em dois grupos experimen-
tais: controle e natação. O segundo grupo
realizou o exercício físico de natação sem sobre-
carga, durante 50 minutos, em um tanque de vi-
dro (100 cm x 80 cm x 50 cm) contendo água a
31 ± 1oC.18
Para amostragem da avaliação da concentração
de glicogênio em eritrócitos in vitro, os animais fo-
ram decapitados, sendo que, no grupo Natação, a
morte ocorreu imediatamente após o exercício físi-
co e o sangue coletado em um recipiente de 50 ml,
sob gelo, contendo anticoagulante, formando um
pool de células. Transferiu-se o sangue coletado
para um tubo de ensaio e centrifugou-se durante
dez minutos a 2.500 rpm. Após a centrifugação,
descartou-se uma camada superficial para a retira-
da dos leucócitos e distribuíram-se alíquotas de 0,5
ml em tubos de ensaio, submetidas à incubação du-
rante 15 minutos a 37oC, na presença de diferen-
tes concentrações de glicose e hormônios.
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CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL.
 34 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005
Para incubação dos eritrócitos, os tubos de en-
saio contendo os eritrócitos foram acondiciona-
dos em grades e parcialmente submersos em
banho-maria a 37oC, durante 15 minutos. No
procedimento utilizado para extração e determi-
nação do glicogênio dos eritrócitos, empregou-se
o método de Farquarson et al.,19 expressando o
conteúdo em μg.g-1 de hemoglobina com preci-
são do método que é de 0,1 μg de glicogênio. A
hemoglobina foi avaliada por meio de um teste
de aplicação laboratorial e, para determinar a gli-
cemia, adotou-se o método enzimático colorimé-
trico, segundo método de aplicação laboratorial.
Na amostragem para avaliação da concentra-
ção de glicogênio in vivo empregou-se o seguinte
procedimento: após 30 minutos de anestesia
(pentobarbital sódico 40 mg/kg, i.p.), amostras de
sangue foram coletadas da artéria femural, veia fe-
mural, veia porta-hepática e veia supra-hepática.
Centrifugou-se o sangue
a 3.000 rpm, durante
dez minutos, e transferiu-se o plasma para a deter-
minação da glicemia. Os eritrócitos foram lavados
duas vezes com solução salina 0,9%, descartando-
se a camada superficial em que se encontravam os
leucócitos, procedimento comparável com os mé-
todos usados para preparar eritrócitos para estu-
dos metabólicos.20 Uma alíquota de 20 μl dos
eritrócitos destinou-se à avaliação da hemoglobi-
na e 200 μl de eritrócitos foram usados na avalia-
ção do conteúdo de glicogênio. A seguir, amostras
do fígado foram coletadas e encaminhadas à dosa-
gem do conteúdo de glicogênio, segundo o méto-
do proposto por Siu et al.21
A análise estatística foi realizada da seguinte
maneira: para as diferenças arteriovenosa e veias
porta supra-hepática, foi utilizado o teste t de Stu-
dent pareado, ao passo que, para a diferença en-
tre os grupos experimentais, adotou-se ANOVA
seguido do teste de Tukey. Em todos os cálculos,
fixou-se o nível crítico de 5% (p < 0,05).
As relações entre o conteúdo eritrocitário de
glicogênio e as variações da glicemia foram calcu-
ladas por meio da correlação. Nos estudos in vi-
tro, o conteúdo de glicogênio nos eritrócitos foi
examinado em razão da variação da concentra-
ção de glicose. Determinaram-se a correlação (R)
e a regressão linear pelo método dos mínimos
quadrados na forma Y = a + b X, onde Y = con-
centração de glicogênio; X = concentração de gli-
cose; a = interseção com a ordenada e b =
inclinação da curva. 
RESULTADOS
Para orientar a dinâmica experimental, os re-
sultados estão apresentados em módulos, inician-
do pela concentração de glicogênio em eritrócitos
e pela correlação com a glicemia em diferentes se-
tores do leito vascular. A tabela 1 mostra os valo-
res da glicemia e da concentração de glicogênio
eritrocitário em quatro setores do leito vascular:
artéria e veia femurais e veias porta e supra-hepá-
tica de ratos, durante o período pós-prandial. 
A glicemia medida nas femurais revela uma
diferença arteriovenosa de 25,4%, sendo maiores
os valores obtidos no ramo arterial. Essa diferen-
ça correspondeu à utilização de glicose no mem-
bro posterior esquerdo do rato. Também, como
esperado, houve diferença entre as glicemias da
veia porta e da supra-hepática, sendo maior a
concentração nessa última, em virtude da libera-
ção de glicose pelo fígado.
Para avaliar se os eritrócitos participam na ho-
meostasia da glicose, como armazenadores e
transportadores de glicose, o conteúdo de glico-
gênio neles foi quantificado no sangue coletado
nos quatro setores do leito vascular. As reservas
eritrocitárias de glicogênio variaram conforme a
região de coleta, registrando-se diferença de
16,7% entre a artéria e a veia femural e de 28%
entre a veia supra-hepática e a porta. A diferença
arteriovenosa observada poderia estar relaciona-
da à mobilização do glicogênio dos eritrócitos em
condições em que a glicemia diminuiu (veia fe-
mural). Esta correspondeu à diferença glicêmica
entre as femurais de 25,4%. O conteúdo de glico-
gênio, que na veia porta não diferiu da femural,
aumentou 28% após a passagem do sangue pelo
fígado, indicando ter havido carga de glicose e
síntese de glicogênio nos eritrócitos nesse ínterim.
Tal recuperação do conteúdo de glicogênio deu-
se no período em que o fígado liberou glicose,
uma vez que a concentração plasmática dessa
substância na veia supra-hepática foi 56,3% mai-
or que na veia porta. A concentração de glicogê-
nio avaliada nos setores do leito vascular mostrou
alta correlação com a glicemia (r = 0,794). 
Uma vez que o conteúdo eritrocitário de gli-
cogênio e a concentração plasmática de glicose
nos setores estudados estavam altamente correla-
cionados, avaliamos o comportamento dos eri-
trócitos coletados de ratos submetidos a exercício
físico (sessão de natação de 50 minutos), condi-
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CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL.
Saúde em Revista 35
PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO
ção indutora de alterações no metabolismo de
carboidratos (tab. 2).
No grupo de ratos submetidos ao exercício fí-
sico, a glicemia foi maior que a do grupo contro-
le, não havendo diferença entre as femurais.
Porém, a glicemia da veia supra-hepática foi
50,7% maior que na veia porta, típica de uma
condição mobilizadora das reservas hepáticas de
glicose. O estresse por exercício físico forçado de-
pletou as reservas de glicogênio dos eritrócitos,
desaparecendo-se a diferença entre os setores
analisados constatada em ratos controle. Como
conseqüência, a concentração de glicogênio eri-
trocitário e a glicemia apresentaram correlação
muito baixa (r = 0,202).
Os estudos realizados in vivo apontaram cor-
relação entre a glicemia e o conteúdo de glicogê-
nio nos eritrócitos em ratos normais, sugerindo
que podem armazenar e liberar glicose enquanto
circulam no organismo. Ademais, alterações in-
duzidas no metabolismo, como o exercício físico
forçado, também afetaram sua capacidade arma-
zenadora, provavelmente mobilizando o glicogê-
nio sob efeito de hormônios hiperglicemiantes.
Para demonstrar que os eritrócitos participam
da homeostasia glicêmica, é necessário provar a
capacidade deles de acumular glicogênio quando
a glicemia se eleva acima dos níveis normoglicê-
micos e de depletá-lo quando em hipoglicemia.
Nos estudos de carga (isto é, de capacidade de
síntese de glicogênio), empregaram-se eritrócitos
de ratos adultos contendo 16,56 ± 2,4 μg.g-1Hb
de glicogênio em concentração de glicose plasmá-
tica de 89,11 ± 6,7 mg.dl-1. Na ausência de gli-
cose ou na presença de 40 mg.dl-1, os eritrócitos
reduziram suas reservas de glicogênio em 96,4%
e 33,7%, respectivamente. Por outro lado, quan-
do incubados em salina com de 120 mg.dl-1 a
240 mg.dl-1 de glicose, apresentaram elevação no
conteúdo de glicogênio variando de 30,6% até
138,11% (tab. 3).
A capacidade de descarga (mobilização) das re-
servas eritrocitárias de glicogênio foi estudada em
eritrócitos de ratos controle (glicemia 80,96 ± 1,5
mg.dl-1), cuja reserva original de glicogênio era
18,90 ± 0,5 μg.g-1Hb. Após incubação durante 15
minutos a 37oC na presença de 240 mg.dl-1 de
glicose, o conteúdo de glicogênio aumentou 57%.
Naqueles eritrócitos reincubados em concentra-
ções de glicose iguais a 160 mg.dl-1 ou menores,
houve progressiva redução no conteúdo de glico-
gênio em 50,7%, 45,9%, 58,2%, 94,9% e 98,1%,
quando comparado à condição 240 mg.dl-1.
A dependência do conteúdo de glicogênio dos
eritrócitos em relação à concentração de glicose
do meio extracelular, quando avaliado por meio
de curvas de regressão linear, descreve a carga
com elevada correlação (r = 0,942). Observou-se
forte correlação (r = 0,835) também no experi-
mento de descarga. 
A tabela 4 mostra o efeito, in vitro, dos hormô-
nios glicogenolíticos sobre as reservas eritrocitárias
de glicogênio em células incubadas na presença de
diferentes concentrações de glicose. Eritrócitos in-
cubados na presença de adrenalina (200 ng.ml-1)
apresentaram depleção das reservas de glicogênio,
independentemente da concentração de glicose do
meio e com uma correlação muito baixa (r =
0,20) entre a concentração eritrocitária de glicogê-
nio e de glicose no meio de incubação. Percebeu-se
o mesmo efeito nos eritrócitos incubados na pre-
Tabela 1. Valor da média ± epm da concentração de glicogênio
eritrocitário (μg.g-1 Hb) e de glicose plasmática
(mg.dl-1) no leito vascular de ratos adultos; n = 4, p
< 0,05, * na comparação entre a artéria e veia
femural e # na comparação entre a veia porta e a
supra-hepática.
SETORES DO 
LEITO VASCULAR
GLICOGÊNIO
(ΜG.G-1 HB)
GLICOSE 
(MG.DL-1)
Artéria femural 44,23 ± 0,1 97,42 ± 1,2
Veia femural 36,82 ± 1* 72,62 ± 3,4*
Veia porta 38,10 ± 0,9 71,11 ± 4,3
Veia supra-hepática 48,96 ± 1,4# 111,21 ± 4,3#
Tabela 2. Valor da média ±
epm da concentração de glicogênio eritrocitário (μg.g-1Hb) e de glicose plasmática (mg/dL) dos grupos
controle e submetidos a natação; n = 4, p < 0,05, * na comparação entre a artéria e veia femural, # na comparação
entre a veia porta e a supra-hepática.
GLICOGÊNIO
CONTROLE
GLICEMIA
CONTROLE
GLICOGÊNIO
NATAÇÃO
GLICEMIA
NATAÇÃO
Artéria femural 44,23 ± 0,1 97,42 ± 1,2 1,92 ± 0,3a 277,92 ± 32a
Veia femural 36,82 ± 1* 72,62 ± 3,4* 1,58 ± 0,1a 241,43 ± 27a
Veia porta 38,10 ± 0,9 71,11 ± 4,3 2,16 ± 0,1a 224,53 ± 17a
Veia supra-hepática 48,96 ± 1,4# 111,21 ± 4,3* 1,77 ± 0,2a 338,38 ± 14# a
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 36 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005
sença de noradrenalina (200 ng.ml-1) que também
apresentaram correlação muito baixa (r = 0,062)
entre a concentração de glicogênio e de glicose no
meio de incubação. Houve ainda redução do con-
teúdo eritrocitário de glicogênio na presença de
corticosterona e de glucagon. Na presença de cor-
ticosterona (22 μg.ml-1) ocorreu redução de 95%,
independentemente da concentração de glicose do
meio (r = 0,008). Apesar de os eritrócitos incuba-
dos na presença de glucagon também terem reve-
lado depleção das reservas de glicogênio, a
redução de 53,3% a 78,6% foi menor que a ocor-
rida em presença dos outros hormônios glicogeno-
líticos estudados.
Tem sido sugerido que, em várias ocasiões, os
eritrócitos armazenam e mobilizam glicogênio de
modo semelhante ao fígado. Nessa condição es-
tudou-se a distribuição hepática de glicogênio e a
tabela 5 mostra a concentração dele nos três ló-
bulos hepáticos de ratos, em que se pode verificar
que, desse total de lóbulos, o superior possui o
maior conteúdo de glicogênio. Entretanto, essa
forma de amostragem não possibilitou a detecção
das diferenças entre os setores do mesmo lóbulo.
Nos ratos submetidos à natação, as reservas
de glicogênio foram depletadas nos lóbulos supe-
rior, direito e esquerdo, em 87,8%, 49,7% e
57,8%, respectivamente. Não se observou dife-
rença significativa entre os lóbulos e a depleção
do conteúdo de glicogênio ocorreu de maneira
homogênea.
DISCUSSÃO
A manutenção da normoglicemia depende da
integridade dos sistemas nervoso e endócrino,
que regulam a dinâmica de mobilização e armaze-
namento das reservas hepáticas de glicogênio.22
Diversos estudos têm demonstrado, nos eritróci-
tos, a presença das enzimas glicogênio sintetase,
amiloglicosidase e fosforilase, as quais contribu-
em para a formação do reservatório de glicogênio
e sua utilização.3 
O interesse pela compreensão dos mecanis-
mos que colaboram na manutenção de níveis
normoglicêmicos levou-nos a examinar a partici-
Tabela 3. Efeito da concentração de glicose sobre a concentra-
ção de glicogênio (μg.g-1Hb) de eritrócitos de ratos
adultos in vitro. O conteúdo de glicogênio foi deter-
minado em eritrócitos, após incubação em solução
salina (NaCl 0,9%) durante 15 min. a 37oC. No grupo
descarga, os eritrócitos foram inicialmente incuba-
dos em salina contendo 240 mg.dl-1 de glicose nas
condições descritas acima e, em seguida, reincuba-
dos em soluções com outras concentrações de gli-
cose; n = 4, p < 0,05, * comparado à ausência de
glicose.
CARGA DESCARGA
Glicose Glicogênio Glicose Glicogênio
nihil 0,52 ± 0,05 240 29,77 ± 5,8*
 40 9,72 ± 3,5* 200 22,60 ± 5,5*
 80 13,72 ± 0,7* 160 12,61 ± 2,1*
120 21,52 ± 0,3* 120 9,10 ± 2,2*
160 21,75 ± 1,4* 80 7,35 ± 1*
200 24,64 ± 0,8* 40 1,49 ± 0,2*
240 34,67 ± 0,8* NIHIL 0,55 ± 0,2
Tabela 4. Valor da média ± epm da concentração de glicogênio (μg.g-1Hb) de eritrócitos incubados na presença de glicose (mg/dL) in
vitro dos grupos tratados com hormônios glicogenolíticos. O conteúdo de glicogênio foi determinado em eritrócitos após
incubação em solução salina (NaCl 0,9%), durante 15 min. a 37oC na presença do hormônio; n = 4, p < 0,05, * comparado
ao controle.
GLICOSE CONTROLE ADRENALINA NORADRENALINA CORTICOSTERONA GLUCAGON
NIHIL 0,52 ± 0,05 0,20 ± 0,02* 0,55 ± 0,03* 0,87 ± 0,02* 0,43 ± 0,02*
 40 9,72 ± 3,5 0,94 ± 0,03* 0,86 ± 0,04* 1,06 ± 0,03* 4,93 ± 0,2*
 80 13,72 ± 0,7 1,77 ± 0,04* 1,11 ± 0,1* 0,93 ± 0,1* 7,58 ± 0,2*
120 21,52 ± 0,3 1,46 ± 0,04* 2,05 ± 0,2* 0,72 ± 0,05* 6,52 ± 0,9*
160 21,75 ± 1,4 1,20 ± 0,3* 1,58 ± 0,2* 1,00 ± 0,1* 4,47 ± 1,4*
200 24,64 ± 0,8 0,94 ± 0,1* 1,71 ± 0,08* 0,86 ± 0,2* 3,47 ± 1,5*
240 34,67 ± 0,8 1,06 ± 0,2* 2,41 ± 0,2* 0,94 ± 0,1* 6,53 ± 0,8*
Tabela 5. Valor da média ± epm da concentração de glicogênio
hepático lobular (mg/100mg) de ratos controle e sub-
metidos a natação 50 min., n = 4, p < 0,05, * com-
parado ao controle.
LÓBULO CONTROLE NATAÇÃO
Superior 4,13 ± 0,1 0,50 ± 0,05*
Direito 3,58 ± 0,2 1,80 ± 0,1*
Esquerdo 3,46 ± 0,2 1,46 ± 0,1*
Média ± epm 3,72 ± 0,2 1,66 ± 0,1*
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CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL.
Saúde em Revista 37
PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO
pação dos eritrócitos, considerando que seus re-
servatórios de glicogênio poderiam desempenhar
importante função na distribuição de glicose,
conforme sugerido por Guarner e Alvarez-
Buylla.2 Essa função dos eritrócitos tem sido rele-
gada a um plano secundário, em virtude do gran-
de reservatório de glicogênio do fígado e a rapidez
com que ele é mobilizado e reconstituído em in-
divíduos normais. Todavia, este estudo mostrou di-
versas semelhanças entre os eritrócitos e os
hepatócitos quanto ao armazenamento e à libe-
ração de glicose em diversas situações funcionais
envolvendo rápidas mudanças no metabolismo.
Além disso, os eritrócitos são um reservatório de
glicogênio de fácil acesso, permitindo várias amos-
tragens em estudos de longa duração, sem provo-
car grande estresse para os animais ou sujeitos
experimentais.
Com o intuito de avaliar as reservas eritroci-
tárias de glicogênio, foram examinados eritróci-
tos de diversos setores do leito vascular. Houve
uma diferença de 16,7% entre a concentração de
glicogênio dos eritrócitos coletados na artéria e
na veia femurais, sendo significativamente maior
no ramo arterial. Essa diferença arteriovenosa pe-
riférica sugere que os eritrócitos poderiam estar
liberando glicose durante o trânsito pelos capila-
res. E, embora menor, é simultânea à observada
na concentração de glicose plasmática, sendo
25,4% maior na artéria do que na veia femural.
Após os eritrócitos passarem pelo interior do fí-
gado, a concentração de glicogênio aumentou
28,5%, sugerindo que tenham captado glicose no
interior desse órgão. Tal diferença também é pa-
ralela à ocorrida na glicemia, sendo as concentra-
ções de glicose plasmática na veia supra-hepática
56,3% maiores que na veia porta. As observações
acima estão de acordo com os estudos de Guar-
ner e Alvarez-Buylla,2 que demonstraram que,
independentemente da ação da insulina, quando
a glicemia se eleva os eritrócitos captam glicose,
estocando-a na forma de glicogênio, e a liberam
quando a glicemia é reduzida. 
Em 1984, Jacquez23 verificou que o conteúdo
de glicose intraeritrocitário supera as necessida-
des metabólicas em 12 mil vezes, sugerindo que
essas células transportam glicose pela corrente
sanguínea. Neste estudo, verificou-se diferença na
concentração eritrocitária de glicogênio nas fe-
murais (artéria e veia) de 7.41 μg.g-1 Hb. Consi-
derando-se o baixo consumo de glicose pelos
eritrócitos, a disparidade no conteúdo eritrocitá-
rio de glicogênio sugere ter havido a liberação de
glicose, e não a utilização dela pelos eritrócitos.
Também as diferenças arteriovenosa e entre as
veias porta e supra-hepática estão de acordo com
a proposta de envolvimento dos eritrócitos na
distribuição de glicose.2, 23
Para constituir importante fonte de glicose, os
eritrócitos devem armazenar glicogênio em razão
das variações da glicemia. A forte correlação en-
tre a glicemia e a concentração de glicogênio eri-
trocitária (r = 0,794), encontrada nos diferentes
setores vasculares, sugeriu que o conteúdo de gli-
cogênio nos eritrócitos depende da concentração
plasmática de glicose. Tal impressão confirmou-se
experimentalmente in vitro.
In vitro, em concentrações crescentes de gli-
cose, os eritrócitos aumentaram, de maneira dire-
tamente proporcional, as suas reservas de
glicogênio, com correlação elevada (r = 0,94).
Todavia, houve ainda necessidade de demonstrar
que os eritrócitos liberavam glicose à medida que
a concentração dela no meio se reduzia. Eritróci-
tos inicialmente incubados na presença de 240
mg.dl-1 de glicose acumularam glicogênio e, pos-
teriormente, reduziram o seu conteúdo, ao serem
novamente incubados em concentrações mais
baixas de glicose (r = 0,83).
Para verificar se os eritrócitos contribuem para
a regulação da glicemia, estudou-se a capacidade
dos eritrócitos de variar seu conteúdo de glicogê-
nio em várias situações nas quais o metabolismo
de carboidratos, entre outros, é afetado, reque-
rendo a utilização das reservas em virtude de ajus-
tes metabólicos. Para isso, escolheu-se o exercício
físico (sessão de natação de 50 minutos), caracte-
rizado pela elevada mobilização de substratos
energéticos como resultado da ação dos hormôni-
os contra-reguladores da insulina, cujas concen-
trações se elevam no plasma.24 O quadro
metabólico adaptativo caracteriza-se por altera-
ções hormonais vinculadas à redução da insuline-
mia e concomitante elevação dos níveis séricos de
glucagon, glicocorticóides e catecolaminas, que
induzem a depleção do glicogênio hepático.25
Sob essa condição, os eritrócitos apresenta-
ram baixa concentração de glicogênio, em com-
paração ao grupo controle. Todavia, ainda
persistiu a diferença glicêmica arteriovenosa de
59%, indicativo da distribuição de glicose aos te-
cidos periféricos, maior do que a observada nos
animais com livre acesso ao alimento. Igualmente
foi possível verificar a carga dos eritrócitos (au-
mento de 294%) ao passarem pelo fígado, sujeito
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CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL.
 38 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 31-40, 2005
à intensa atividade glicogenolítica por conta da
ação dos hormônios contra-reguladores.
Uma situação que determina intensa mobiliza-
ção de substratos energéticos é o exercício físico
por natação. Durante sua fase inicial, o glicogênio
tecidual constitui a principal fonte energética
consumida. No entanto, com a continuidade do
esforço físico, outras fontes energéticas desempe-
nham importante papel: ácidos graxos livres,
aminoácidos de cadeia ramificada e lactato. A ele-
vação na disponibilidade plasmática desses subs-
tratos advém da mobilização de reservatórios
hepáticos e/ou de tecido adiposo.24
Durante a realização dessa forma de esforço
físico aumenta a secreção dos mesmos hormônios
glicogenolíticos.26 De maneira similar ao que se
verificou no fígado, as reservas de glicogênio dos
eritrócitos também foram mobilizadas durante o
estresse causado por exercício físico contínuo.
Provavelmente, a redução do conteúdo de glico-
gênio deveu-se ao efeito direto dos hormônios hi-
perglicemiantes liberados nesse período, pois as
reservas sofreram depleção mesmo quando a gli-
cemia manteve-se elevada (r = 0,194). 
Os efeitos dos hormônios glicogenolíticos so-
bre as reservas hepáticas de glicogênio são conhe-
cidos.26 Considerando os resultados do exercício
físico sobre as reservas de glicogênio em eritróci-
tos e as aparentes semelhanças entre fígado e eri-
trócitos quanto ao metabolismo de carboidratos,
avaliamos as reservas de glicogênio em eritrócitos
de ratos controle, incubados na presença de hor-
mônios glicogenolíticos e de glicose.
Adrenalina, noradrenalina e glucagon indu-
ziram depleção das reservas de glicogênio, mesmo
em presença de elevada concentração de glicose,
confirmando as observações de Guarner e Alvarez-
Buylla2 sobre os efeitos da adrenalina. À seme-
lhança do observado no fígado por Pilks e Gran-
ner,27 o glucagon também promoveu a depleção
das reservas de glicogênio em eritrócitos. Além
disso, este estudo mostrou que a corticosterona,
cuja liberação no sangue aumenta durante o estres-
se causado pelo exercício físico, também compro-
meteu as reservas de glicogênio em eritrócitos
incubados em alta concentração de glicose.20
Os hepatócitos compreendem 92% da massa
celular do fígado – daí o parênquima hepático ter
sido classificado como tecido funcionalmente ho-
mogêneo. Entretanto, estudos da microestrutura
do fígado mostraram diferenças estruturais e fun-
cionais entre as células do parênquima hepático
conforme a posição do hepatócito, ou seja, na re-
gião perivenosa ou na periportal.19
Na porção periportal predominam as enzimas
que regulam a síntese de glicogênio (succinato de-
sidrogenase, glicose 6-fosfatase, hexoquinase, pi-
ruvato quinase, isoenzima M2, frutose 1-6
bifosfatase e fosfoenolpiruvato carboxiquinase,
por exemplo). Já na região perivenosa detecta-
ram-se predominantemente as enzimas chaves da
glicólise e lipogênese (glicoquinase, piruvato qui-
nase, citrato liase, acetil Co-A carboxilase e isoen-
zima L, entre outras). A constatação dessas
diversidades entre os hepatócitos levou à formula-
ção do modelo do zoneamento metabólico do fí-
gado, propondo que os hepatócitos periportais e
perivenosos exercem funções metabólicas diferen-
tes, o que facilitaria o controle do metabolismo.28
Conforme Bartels et al.,29 a síntese hepática
de glicogênio na porção periportal ocorre a partir
de lactato, piruvato e glutamina, ao passo que na
região perivenosa acontece diretamente a partir
de glicose. Portanto, durante a fase absortiva, os
hepatócitos perivenosos captariam glicose, a qual
poderia ser incorporada aos estoques de glicogê-
nio ou degradada até lactato; este é liberado na
circulação e captado pelas células periportais,
onde participa da síntese de glicogênio. No perío-
do pós-absortivo, essas células liberam glicose, ao
passo que as perivenosas liberam lactato.28 Pelo
fato de o fígado tratar-se de um órgão importante
no controle glicêmico, decidimos comparar as
suas células aos eritrócitos.
A análise dos resultados setoriais (intralobular)
não revelou diferenças no conteúdo de glicogênio,
quanto ao zoneamento. Porém, demonstrou que o
lóbulo superior, o qual não é o maior, armazenou
maior quantidade de glicogênio que os demais.30
Esse lóbulo corresponde a 33% da massa hepática
e contém 36% da reserva de glicogênio, ao passo
que o lóbulo direito possui 26% da massa e 32%
da reserva de glicogênio, e o lóbulo esquerdo,
41% da massa e 32% da reserva de glicogênio.
Portanto, este trabalho mostrou as similarida-
des entre eritrócitos e hepatócitos, no que se refe-
re ao armazenamento e à mobilização das
reservas de glicogênio.
CONCLUSÃO
Este estudo demonstra in vivo que:
1. os eritrócitos possuem reservas de glicogênio
maiores no ramo arterial do que no venoso. Na
veia porta, o conteúdo de glicogênio dos eritró-
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CARLOS ALBERTO DA SILVA, ET AL.
Saúde em Revista 39
PARTICIPAÇÃO DOS ERITRÓCITOS NO CONTROLE GLICÊMICO DO EXERCÍCIO
citos é menor do que na veia supra-hepática,
sendo tais diferenças sugestivas de que os eritró-
citos participam do transporte e da distribuição
de glicose aos tecidos, captando-a no interior do
fígado e liberando-a na periferia;
2. o consumo eritrocitário de glicose é muito baixo
em relação ao seu conteúdo de glicogênio, re-
forçando a proposta de que os reservatórios de
glicose têm a finalidade de distribuição, e não de
consumo;
3. quando o rato foi submetido a natação, as
reservas eritrocitárias de glicogênio foram afe-
tadas de modo similar ao observado nos he-
patócitos, acontecendo provavelmente
pela ação
dos hormônios glicogenolíticos secretados nessa
condição.
Os resultados demonstraram, in vitro, que:
1 a incorporação ou liberação de glicose da reser-
va de glicogênio eritrocitário correlacionou-se
fortemente com a variação da glicose do meio;
2 os hormônios glicogenolíticos adrenalina, nora-
drenalina e glucagon promoveram depleção das
reservas eritrocitárias de glicogênio.
Assim, as propriedades eritrocitárias aqui de-
monstradas apontam sua importância durante as
fases iniciais do exercício físico, oferecendo um
suporte glicêmico que precede o nutricional de-
corrente da glicogenólise hepática.
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Submetido: 22/set./2004
Aprovado: 27/abr./2005
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CASSIANE RODRIGUES, ET AL.
Saúde em Revista 41
APTIDÃO FÍSICA DE MULHERES IDOSAS: ESTUDO A PARTIR DE AULAS RECREATIVAS DE KARATÊ-DO
Aptidão Física de Mulheres Idosas: 
estudo a partir de aulas 
recreativas de karatê-do
Physical Aptitude of Senior Women: a study developed 
from karate-do recreational classes
RESUMO O incentivo à prática regular de qualquer atividade física tem sido
observado nas diversas faixas etárias e em diferentes âmbitos. Nesse senti-
do, o conhecimento das respostas do treinamento torna-se relevante na ela-
boração de programas. Assim, o presente trabalho visa a i) conhecer o
comportamento de indicadores de aptidão física, particularmente flexibili-
dade e deslocamento vertical de membros inferiores em idosos praticantes
da modalidade karatê-do; e ii) explorar variação das variáveis estudadas em
diferentes momentos das aulas. As unidades de observação constituíram-se
de 18 voluntárias participantes do projeto oferecido pelo município de
Rincão/SP. Coletaram-se os dados em três momentos distintos: antes de ini-
ciar as atividades, após dez e vinte aulas. Posteriormente, eles foram trans-
critos em planilha específica e armazenados em banco computacional,
produzindo informações no plano descritivo (medidas de centralidade e
dispersão) e inferencial por meio de análise de medidas repetidas. Os prin-
cipais resultados apresentaram como destaque a flexibilidade, com aumen-
to significativo do primeiro para o segundo momento das aulas (p < 0,01)
e, no deslocamento vertical de membros inferiores, discreta melhora em
todas as etapas (p > 0,05). Conclui-se, assim, que as aulas de karatê-do po-
dem ser utilizadas como metodologia na melhoria nas variáveis estudadas.
Palavras-chave KARATÊ – DESLOCAMENTO VERTICAL – FLEXIBILIDADE.
ABSTRACT The incentive of the regular practice of any physical activity has
been observed in several age groups and in different settings. In this sense,
the feedback from training becomes relevant for the elaboration of
programs. The present study has as its main goals: i) to know the behavior
of physical aptitude indicators, particularly flexibility and vertical dislocation
of inferior members in seniors apprentices of Karate-Do, ii) to explore
variation of studied variables in different moments during the classes. The
observation units were constituted of 18 volunteers who participated in the
project offered by the town of Rincão/SP. The data were collected in three
different moments: before the beginning of the activities, after ten and
twenty classes. The data were, then, transcribed
in specific spreadsheet,
stored in data bank producing information in the descriptive plan (central
measures and dispersion) and inference throughout analysis of repeated
measures. The principal results highlighted flexibility, that raised
significantly from the first to the second moment of the classes (p < 0,01),
and in the vertical dislocation of inferior members, which showed discreet
improvement in all the stages (p > 0,05). The data suggested that the
karate-do classes can be used as a methodology on improving the studied
variables.
Keywords KARATE-DO – VERTICAL DISLOCATION – FLEXIBILITY.
ORIGINAL /ORIGINAL 
CASSIANE RODRIGUES
Secretaria de Esportes e Turismo – 
Prefeitura Municipal de Rincão/SP 
JOÃO PAULO BORIN*
Curso de Mestrado em Educação 
Física – Faculdade de Ciências da 
Saúde (UNIMEP/SP)
CARLOS ROBERTO PEREIRA 
PADOVANI
Mestre em informática pela Fatec/SP
CARLOS ROBERTO PADOVANI
Departamento de Bioestatística – 
Faculdade de Ciências Médicas 
(Unesp/SP)
*Correspondências: Rod. do Açúcar, 
km 156, Mestrado em Educação 
Física, 13400-911, Piracicaba/SP
jpborin@unimep.br
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CASSIANE RODRIGUES, ET AL.
 42 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 41-45, 2005
INTRODUÇÃO
os últimos anos, a busca pela qualidade de
vida tornou-se alvo de diferentes camadas
da sociedade e faixas etárias, particularmen-
te dos idosos, para auxílio no retardo do envelhe-
cimento. Associa-se qualidade de vida a fatores
como estado de saúde, longevidade, satisfação no
trabalho, salário, lazer, relações familiares, dispo-
sição, prazer e até espiritualidade.1
Raso et al.,2 de forma objetiva, classificam
como idosos os indivíduos pertencentes à faixa
etária superior aos 50 anos de idade. Levinson,3
mais detalhadamente, sugere que adultos passam
por importantes transições, classificando os está-
gios da vida adulta da seguinte maneira: aproxi-
madamente aos 20 anos de idade, transição inicial
da vida adulta; aos 25, entrada no mundo adulto;
aos 30, transição dos 30 anos; dos 35 aos 40, es-
tabelecimento; dos 40 aos 45, transição da meia-
idade; dos 45 aos 50, entrada nos meados da fase
adulta; dos 50 aos 55, transição dos 50 anos; dos
55 aos 60, culminação dos meados da fase adulta;
dos 60 aos 65, transição da fase adulta avançada;
e dos 65 aos 70, fase adulta avançada.
Nota-se que algumas dificuldades são enfrenta-
das pelos idosos, como o padrão de beleza estabe-
lecido pela indústria da beleza, que vende a eterna
juventude e nega a velhice. Porém, verifica-se aí o
reconhecimento e a conscientização nas questões
voltadas à saúde e aos cuidados com o corpo,4
pois, no Brasil, há aproximadamente 23 milhões
de idosos, com projeção de se chegar a 32 mi-
lhões, ao longo de 2005.5 
O envelhecimento é um fenômeno biológico
e psicológico, que gera influência no âmbito fa-
miliar e social. Tal processo caracteriza-se pela
perda gradual de diversas funções orgânicas: no
sistema cardiovascular, por exemplo, a diminui-
ção do volume sistólico em repouso e do débito
cardíaco; no respiratório, a redução do volume
residual e da capacidade vital; e, no músculo es-
quelético, a perda óssea de 1% ao ano, a partir
dos 35 anos, bem como diminuição da força
muscular e da flexibilidade.6
Segundo estudos do Colégio Americano de
Medicina do Esporte,7 o envelhecimento é um
processo complexo envolvendo muitas variáveis,
como genética, estilo de vida e doenças crônicas
que interagem entre si e influenciam significativa-
mente o modo como alcançamos determinada
idade. À medida que a idade cronológica aumen-
ta, as pessoas tornam-se menos ativas e, conse-
qüentemente, suas capacidades físicas diminuem.
Diversas alterações acompanham esse processo,
como estresse, depressão e sentimento de velhice,
sendo que a redução da atividade física facilita o
surgimento de doenças crônicas.8
A participação regular em programas de exer-
cício físico tem sido uma das alternativas para
amenizar o impacto do envelhecimento sobre al-
gumas funções fisiológicas,5 pois o sedentarismo
prolongado leva a uma diminuição gradativa da
aptidão física. Já o treinamento físico é capaz de
produzir melhoras imediatas nas funções essenci-
ais da aptidão física do idoso.4 No entanto,
Alves9 alerta que os exercícios físicos podem
apresentar algumas limitações para os idosos, so-
bretudo em razão das modificações fisiológicas
impostas pelo processo de envelhecimento.
Pesquisas demonstram que, com treinamento
adequado, é possível a pessoa melhorar suas dife-
rentes capacidades físicas, como força, flexibilida-
de, resistência e agilidade, pois a primeira
depende da secção longitudinal do músculo e a
segunda, de quanto o músculo pode se alongar –
mecanismos que, mesmo diferentes, não elimi-
nam um ao outro.10 O desenvolvimento tanto da
força quanto da resistência muscular apresentam
vários benefícios à saúde, como aumento da den-
sidade óssea, do volume muscular, da força do te-
cido conjuntivo e da auto-estima. Idosos que se
exercitam com pesos recuperam boa parte da for-
ça perdida.6
De acordo com Barbanti,11 a força manifesta-
se de duas maneiras: dinâmica e estática. A dinâ-
mica é quando ocorre encurtamento das fibras
musculares, provocando a movimentação dos
segmentos musculares – portanto, há movimen-
to. Pode ser classificada como positiva (concêntri-
ca), quando é maior que a resistência, ou negativa
(excêntrica), quando a resistência é maior que ela,
provocando recuo. Já na forma estática, não
ocorre encurtamento das fibras musculares, não
havendo, assim, movimento.
Cabe aqui destacar que, em média, a mulher
atinge o seu valor máximo de força entre 16 e 18
anos de vida, ao passo que o homem o faz entre
18 e 20 anos.12 Outro ponto de destaque nesse
cenário refere-se à capacidade de realizar movi-
mentos com grande amplitude, conhecida como
flexibilidade, afetada pela maneira, pelo tipo e
pela estrutura das articulações, além dos tendões
e ligamentos, entre outros.13 
N
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CASSIANE RODRIGUES, ET AL.
Saúde em Revista 43
APTIDÃO FÍSICA DE MULHERES IDOSAS: ESTUDO A PARTIR DE AULAS RECREATIVAS DE KARATÊ-DO
A flexibilidade pode ser classificada como geral
ou específica. A primeira é entendida quando a
movimentação ocorre pela ação conjunta das arti-
culações; a segunda, quando a ação dá-se apenas
em uma ou um conjunto de articulações.11 O trei-
namento de flexibilidade pode proporcionar vários
benefícios: diminuição do estresse e da tensão mus-
cular, melhora da postura e simetria corporal, alívio
de dor lombar e de cãibras, aumento da amplitude
de movimento como resultado da melhora da mo-
bilidade articular e do alongamento muscular.10
Segundo Nieman,6 os benefícios da flexibili-
dade associados à saúde são: melhoria da mobili-
dade articular, aumento da resistência a lesão e
dores musculares, diminuição do risco de lombal-
gia e outras dores de coluna, melhoria da postu-
ra, movimentos mais graciosos do corpo e
melhoria da aparência pessoal e da auto-imagem,
desenvolvimento da habilidade para práticas es-
portivas e diminuição da tensão e do estresse.
Coelho e Araújo14 relatam maior facilidade na
execução das atividades cotidianas em adultos,
quando aumentados os níveis de flexibilidade.
Nota-se, assim, a importância do desenvolvi-
mento das diversas capacidades biomotoras nas
várias faixas etárias, particularmente na terceira
idade. Nesse sentido, o presente trabalho objetiva
conhecer o comportamento da flexibilidade e do
deslocamento vertical de membros inferiores em
idosos praticantes da modalidade karatê-do e ex-
plorar a variação das referidas variáveis em dife-
rentes momentos das aulas.
METODOLOGIA
As unidades observacionais foram compostas
por 18 voluntárias, saudáveis, todas do sexo fe-
minino, com média de idade de
58,8 (± 12,4)
anos, peso de 57,4 (± 8,8) kg, estatura de 1,59
(± 5,8) [cm], residentes no município de Rincão/
SP. Utilizou-se como critério de exclusão o regis-
tro de evidências clínicas de alterações cardíacas,
pulmonares e ortopédicas na anamnese inicial.
Para análise do deslocamento vertical de
membros inferiores, empregou-se o teste de im-
pulsão vertical com o auxílio dos braços, realizan-
do-se três tentativas e anotando-se a melhor.15
Para a flexibilidade, o Banco de Wells, com duas
tentativas, considerando-se a melhor.15 A uni-
dade de medida adotada em ambos os testes foi
centímetros. Cabe destacar que se preservou a ho-
mogeneidade dos procedimentos de coleta pela
adoção do mesmo examinador.
Realizou-se a avaliação física no próprio local
das aulas, no Centro Comunitário Antônio Pinto,
em três momentos distintos: antes de iniciarem as
aulas (AI); após 10 aulas (A10); e depois de 20 aulas
(A20). As aulas começavam com a confirmação da
presença, em seguida, alongamento durante cinco
minutos e, depois, aquecimento, na maioria das
vezes feito com recreação, com duração por volta
de 15 minutos. Os exercícios específicos de karatê-
do eram executados em 30 minutos e, nos 10 últi-
mos, administravam-se atividades recreativas ou
relaxantes. O período total foi de 12 semanas, com
encontros marcados duas vezes por semana, com
duração de 60 minutos cada aula.
Os dados obtidos foram transcritos em plani-
lha específica e armazenados em banco computaci-
onal, produzindo informações no plano descritivo
(medidas de centralidade e dispersão – média e
desvio-padrão) e inferencial, mediante análise de
medidas repetidas.16 Todas as participantes assina-
ram o termo de consentimento livre e esclarecido
antes da participação no programa, aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universi-
tário de Araraquara.
RESULTADOS
A tabela 1 apresenta os resultados encontrados
nos diferentes momentos da avaliação. Quanto à
flexibilidade, nota-se na avaliação inicial (AI) que a
média aponta valores de 28,5 ± 7,9 cm. No se-
gundo momento, após participação em 10 aulas
(A10), as alunas apresentaram escores médios de
30,8 ± 7,6 cm. Pode-se averiguar, de AI para A10,
um ganho significativo de flexibilidade (p < 0,01).
Cabe ressaltar que a identificação com letras iguais
significa semelhança e o contrário, diferença signi-
ficativa entre os momentos analisados. No terceiro
e último momento, após 20 aulas (A20), as alunas
mostraram, em média, 30,9 ± 6,8 cm.
No que diz respeito ao deslocamento vertical
de membros inferiores, pode-se observar que na
AI, as alunas alcançaram escores médios de 12,5
± 4 cm; no segundo momento (A10), os dados
médios elevaram-se para 13 ± 3 cm e, por fim,
na terceira e última etapa (A20), os escores médi-
os apontam valores de 17 ± 3,3 cm. Nota-se que,
nessa variável, pelo comportamento da letra a,
não houve diferença significativa (p > 0,05). 
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CASSIANE RODRIGUES, ET AL.
 44 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 41-45, 2005
DISCUSSÃO
Os resultados obtidos permitem verificar uma
melhora na aptidão física das senhoras submetidas
a treinamento de karatê-do, de acordo com a litera-
tura sobre programas dirigidos à população idosa.
O efeito positivo no deslocamento vertical de
membros inferiores, de 12,5cm em AI para 17cm
em A20, pode explicar-se por uma das característi-
cas do treinamento de karatê: na execução dos
exercícios, as pernas permanecem semiflexionadas,
com constante movimentação e transferência de
peso de uma para outra. Matsudo et al.17 citam
que, em relação a programas de exercícios dirigidos
a idosos, é fundamental o fortalecimento da mus-
culatura, de modo a incrementar a massa muscular
e, em conseqüência, a força, evitando uma das
principais causas de inabilidade e quedas. 
Meirelles4 objetivou verificar o efeito de um
protocolo de treinamento com pesos, de intensi-
dade progressiva sobre a variável força, de nove
mulheres saudáveis, com média de idade 68,4 ±
6,6 anos. Concluiu que, com 12 semanas de trei-
namento, é possível constatar resultados significa-
tivos, apontando ainda que idosos podem
melhorar seu nível de força e autonomia funcio-
nal. Tais resultados elucidam os dados obtidos no
presente estudo, pois, mesmo não sendo treina-
mento específico para o desenvolvimento de for-
ça, obtiveram-se indícios de que essa variável
aumenta com a prática de atividade física regular
– os efeitos mais expressivos são observados na
atividade com pesos, priorizando, dessa forma, o
desenvolvimento da capacidade força.
Frontera et al.18 citam que a força muscular em
indivíduos idosos pode sofrer incremento de duas
a três vezes, em períodos relativamente curtos de
três a quatro meses de treinamento, em razão do
maior recrutamento das fibras musculares. Ado-
tando metodologia de condicionamento físico,
método Pilates, Ada19 encontrou melhorias tanto
em equilíbrio e coordenação quanto em ganhos de
força muscular. Outros autores – Costa et al.,20
que estudaram idosas, e Teixeira et al.,21 em sua
análise de idosos com o teste de sentar e levantar
de cadeira durante 30 segundos, de modo a verifi-
car modificação de força de membros inferiores –
encontraram, em ambos os sexos, melhoria a par-
tir da oitava semana de treinamento.
De fato, Gomes22 relata que os ganhos de força
em períodos iniciais de um programa de treinamen-
to, compreendendo de duas a oito semanas, relacio-
nam-se aos impulsos neurais aumentados para o
músculo, sincronização aumentada de unidades
motoras, otimização da ativação da fibra contrátil e
inibição dos mecanismos de proteção muscular. De
acordo com Lorda,23 as atividades das fibras muscu-
lares diminuem com o processo de envelhecimento
e, como pudemos notar, as aulas proporcionaram
aumento nas atividades dessas fibras.
Quanto à flexibilidade, observou-se um au-
mento significativo no momento inicial, com re-
sultados semelhantes aos de Oliveira et al.,24 que
comparam nível de flexibilidade (quadril e tron-
co) entre praticantes de Tai Chi Chuan e não pra-
ticantes de atividade física, constatando maiores
valores com diferenças significativas na extensão
e flexão de quadril nos adeptos da arte chinesa.
Yazawa et al.25 também verificaram aumento sig-
nificativo na flexibilidade de senhoras com a prá-
tica de ginástica aquática, após 12 meses de
treinamento. E Petroski26 examinou as alterações
causadas por um programa de atividade para ido-
sos durante um ano, analisando o tempo de rea-
ção, flexibilidade e equilíbrio, e concluiu que tal
programa proporcionou melhoras significativas
nessas duas últimas variáveis. 
Os dados aqui apontados comportam-se na
mesma direção de Alter,10 sobre os vários benefí-
cios do treinamento da flexibilidade, pois apon-
tam melhoria da mobilidade articular e do
alongamento muscular durante várias sessões de
atividade física regular.
Ao rever as recomendações e o posicionamento
do ACSM7 e WHO27, que incentivam a prática de ati-
vidades físicas, enfatizando as que abrangem sobre-
tudo a função cardiovascular, a força, a estabilidade
postural, o equilíbrio, a flexibilidade e a função psi-
Tabela 1. Valores médios e desvio-padrão das variáveis estudadas segundo momentos da avaliação e respectivo resultado do teste
estatístico.
VARIÁVEL MOMENTOS DA AVALIAÇÃO RESULTADO DO 
TESTE ESTATÍSTICO
AI A10 A20
Flexibilidade 28,5 (± 7,9)a 30,8 (± 7,6)b 30,9 (± 6,8)b 5,50 (p < 0,01)
Deslocamento 
Vertical MMII 12,5 (± 4,0)a 13,0 (±3,0)a 17,0 (±3,3)a 5,77 (p > 0,05)
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CASSIANE RODRIGUES, ET AL.
Saúde em Revista 45
APTIDÃO FÍSICA DE MULHERES IDOSAS: ESTUDO A PARTIR DE AULAS RECREATIVAS DE KARATÊ-DO
cológica, e sua ligação com a saúde, é possível con-
cluir que o karatê-do também situa-se como válida
opção e sugestão
de exercício para melhora da saú-
de e qualidade de vida de indivíduos idosos e de
meia idade, já que atende à maioria das propostas
de atividades dirigidas a essa população.
Por sua vez, este estudo demonstrou melhoria
nas duas variáveis analisadas durante as aulas, in-
dicando que o treinamento em karatê-do é capaz
de proporcionar benefício na aptidão física, mais
especificamente nas condições musculoesqueléti-
cas em mulheres idosas.
CONCLUSÃO
O presente estudo indica que, por meio das
aulas recreativas de karatê-do, as mulheres idosas
estudadas conseguiram aumento significativo na
flexibilidade e discreta melhoria no deslocamento
vertical de membros inferiores.
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Submetido: 30/set./2004
Aprovado: 27/abr./2005
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CASSIANE RODRIGUES, ET AL.
 46 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 41-45, 2005
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MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL.
Saúde em Revista 47
QUALIDADE DE VIDA E PERFORMANCE EM IDOSOS: ESTUDO COMPARATIVO
Qualidade de Vida e Performance
em Idosos: estudo comparativo
Quality of Life and Performance of Elderly Persons: 
a comparative study
RESUMO O objetivo deste estudo foi comparar a qualidade de vida e a per-
formance motora de indivíduos idosos. Participaram do estudo 18 voluntá-
rios com idade maior ou igual a 60 anos. Foram formados dois grupos
treinados (GT): cinco indivíduos do sexo masculino e quatro do sexo femi-
nino (que realizavam treinamento físico três vezes por semana, há no míni-
mo um ano) e dois grupos controle (GC): cinco indivíduos do sexo
masculino e quatro do sexo feminino (que não realizavam treinamento físi-
co). Os voluntários submeteram-se aos seguintes protocolos: avaliação da
qualidade de vida (questionário SF-36) e da performance motora (teste de
capacidade aeróbia – teste de caminhada de seis minutos e teste de flexibili-
dade – teste de sentar e alcançar). Na avaliação da qualidade de vida, o GT
masculino apresentou diferença significante para capacidade funcional, as-
pecto físico e dor. O GT feminino apresentou diferença significante para ca-
pacidade funcional e estado geral de saúde. Na avaliação da performance
motora, o GT masculino percorreu uma distância maior que o GC, e a per-
cepção subjetiva do esforço foi maior nos GC masculino e feminino. Na
avaliação da flexibilidade, não ocorreram diferenças significantes. Conside-
ramos que prática de exercícios físicos proporciona benefícios à qualidade
de vida e performance motora de indivíduos idosos.
Palavras-chave IDOSOS – TREINAMENTO FÍSICO – QUALIDADE DE VIDA –
PERFORMANCE.
ABSTRACT The purpose of this study was to compare the quality of life and
motor performance of elderly persons. The volunteers were eighteen 60
year-old or more persons. The elderly persons formed two trained groups
(TG): five men and four women who realized physical training three times
per week, over a one year period. And two control groups (CG): five men
and four women that didn’t realize physical training. The volunteers were
submitted to the following protocol: evaluation of the quality of life
(questionnaire SF-36) and motor performance (aerobic capacity test – six
minute walk test and flexibility – sit and reach test). In the evaluation of the
quality of life, the male TG presented a significant difference for the
functional capacity, physical and pain aspect. The female TG presented a
significant difference for the functional capacity and general health
conditions. In the evaluation of the motor performance, the male TG
walked a greater distance than the CG, and the subjective perception of
exertion was greater in the male and female CG’s. Flexibility didn’t show
significant differences. We considered that the practice of physical exercises
provides benefits in the quality of life and motor performance in elderly
persons.
Keywords ELDERLY PERSONS – PHYSICAL TRAINING – QUALITY OF LIFE –
PERFORMANCE.
ORIGINAL /ORIGINAL
MARCELO DIAS DE AGUIAR 
PACHECO*
Mestre em Educação Física pela 
UNIMEP/SP
MARCELO DE CASTRO CESAR
Mestrado em Educação Física – 
Faculdade de Ciências
da Saúde 
(UNIMEP/SP)
ADALBERTO VICENTE DE 
OLIVEIRA JR.
Mestre em Educação Física pela 
UNIMEP/SP
IRIA APARECIDA STORER
Biblioteca da UNIMEP/SP
*Correspondências: R. Maria Tarsia, 
312, 13416-440, Piracicaba/SP
marcelo.pacheco@terra.com.br
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MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL.
 48 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 47-52, 2005
INTRODUÇÃO
envelhecimento é um processo complexo
envolvendo muitas variáveis que, ao intera-
gir, influenciam significativamente o modo
como alcançamos determinada idade. Entre as
patologias que podem estar associadas ao proces-
so de envelhecimento, o National Heart, Lung,
and Blood Institute,1 destaca que o idoso seden-
tário corre maior risco de desenvolver doenças
cardiovasculares, câncer de cólon, diabetes tipo II,
pressão alta e obesidade. Isso, além das quedas e
fraturas decorrentes do envelhecimento, que afe-
ta, de muitas formas, os músculos utilizados na
locomoção, entre elas, capacidade de trabalho re-
duzida e maior tempo de recuperação após uma
lesão. Por sua vez, os exercícios de resistência po-
dem diminuir esses efeitos do envelhecimento.2
Outro sistema afetado por tal processo é o
metabolismo energético, que também declina
progressivamente e, concomitantemente às alte-
rações musculoesqueléticas relacionadas com a
idade, pode contribuir para mudanças na massa
óssea, na sensibilidade à insulina e na capacidade
cardiorrespiratória.3
Existem evidências que demonstram que a
melhor maneira de otimizar e promover a saúde
no idoso é prevenir seus problemas médicos mais
freqüentes: o aumento do peso, da pressão arterial
e da intolerância à glicose, bem como perda de
massa óssea e osteoporose.4 Nesse sentido, o exer-
cício físico pode constituir excelente instrumento
de promoção da saúde, em especial no idoso, pois
a sua prática regular induz a várias adaptações fisi-
ológicas e psicológicas positivas. São elas: aumen-
to do consumo máximo de oxigênio (VO2máx);
maiores benefícios circulatórios periféricos; au-
mento da massa muscular; melhor controle da gli-
cemia; melhora do perfil lipídico; redução do
peso corporal; melhor controle da pressão arterial
em repouso; melhora da função pulmonar; me-
lhora do equilíbrio e da marcha; menor depen-
dência para realização de atividades diárias;
melhora da auto-estima e da autoconfiança; signi-
ficativa melhora da qualidade de vida.1, 3, 4, 5
A participação em exercícios físicos regulares
fornece um número de respostas favoráveis que
colaboram para o envelhecimento saudável, me-
lhorando a qualidade de vida, pois é uma modali-
dade de intervenção efetiva para reduzir e
prevenir inúmeros declínios psicológicos e funci-
onais associados ao envelhecimento.3, 5
Com o objetivo de avaliar os efeitos do treina-
mento físico em idosos, este estudo propôs-se a
comparar a qualidade de vida e a performance mo-
tora de indivíduos idosos treinados e não treinados.
MÉTODOS
Foram avaliados 18 indivíduos, 10 do sexo
masculino e oito do feminino, saudáveis, com
idade de 60 anos ou mais. Cinco indivíduos do
sexo masculino e quatro do feminino formaram o
grupo treinado (GT), de praticantes de exercício
físico três vezes por semana, com tempo de trei-
namento maior ou igual a um ano. Cinco indiví-
duos do sexo masculino e quatro do feminino,
que não praticavam nenhum exercício físico re-
gular, compuseram o grupo controle (GC).
Os voluntários inicialmente responderam a
um questionário para avaliação clínica e foram
realizadas medidas antropométricas (tab. 1 e 2).
Tomaram-se como critérios de exclusão: índice
de massa corpórea maior ou igual a 30 kg/m2,
doenças cardiovasculares, metabólicas e ortopédi-
cas e câncer. 
Este estudo vinculou-se ao projeto temático
em andamento, intitulado “Avaliação e Treina-
mento Físico de Participantes do Centro de Qua-
lidade de Vida da Universidade Metodista de
Piracicaba”, aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa dessa universidade.
Os voluntários selecionados submeteram-se a
avaliação da qualidade de vida e da performance
motora. Para a primeira, foi aplicado um questio-
nário padrão (SF-36), validado por Ciconelli.6 É
um questionário multidimensional com oito do-
mínios: aspectos físicos, capacidade funcional, es-
tado geral de saúde, dor, aspectos emocionais,
aspectos sociais, vitalidade e saúde mental. Já
para o exame da performance motora, foram rea-
lizados testes de capacidade cardiorrespiratória,
empregando-se o teste da caminhada de seis mi-
nutos.7 Adotaram-se como variáveis desse teste: a
distância percorrida em metros, a freqüência car-
díaca – FC (bpm), a freqüência respiratória – FR
(respirações/min.), a pressão arterial sistólica (PAS)
e diastólica (PAD) (mmHg) e a percepção subjetiva
de esforço pela escala de Borg. O teste de cami-
nhada de seis minutos efetuou-se em um trajeto
de 28 metros demarcado metro a metro, duas ve-
zes em cada avaliação. Se fosse necessário, em
cada avaliação havia ainda intervalos sem limite
de tempo para descanso entre os testes. Para a
O
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MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL.
Saúde em Revista 49
QUALIDADE DE VIDA E PERFORMANCE EM IDOSOS: ESTUDO COMPARATIVO
quantificação dos resultados aqui obtidos, adota-
ram-se as equações de referência do protocolo de
Enright e Sherrill,8 em que se verifica distância
percorrida/distância predita em metros (%).
No que diz respeito à análise da flexibilidade,
foi realizado o teste de sentar e alcançar no banco
de Wells. A variável mensurada nesse teste é a
amplitude de movimento de uma determinada
articulação e/ou o nível de amplitude de movi-
mento alcançado por um grupo de articulações
em centímetros. Foram feitas três tentativas para
registrar o maior valor alcançado, aferido em
centímetros. Os resultados obtidos, por meio das
variáveis mensuradas, foram tratados estatistica-
mente,9 aferindo-se valores de média e desvio-pa-
drão para cada um deles e para o conjunto de
dados, conforme os grupos de estudo: indivíduos
treinados (GT) e não treinados (GC). O teste de hi-
pótese escolhido, por se tratarem de amostras pe-
quenas de dez e oito indivíduos cada uma, foi o t
não pareado para a análise das variáveis antropo-
métricas, flexibilidade e capacidade cardiorrespi-
ratória por grupo de estudo.
A avaliação dos domínios do questionário de
avaliação da qualidade vida adotou o Mann-Whi-
tney U Test, não paramétrico; já o cálculo do teste
t empregou o software Excel; e o Mann-Whitney
U Test, o software OS versão 3.0.
RESULTADOS
Na avaliação da qualidade de vida dos indiví-
duos do sexo masculino, o GT apresentou dife-
renças significantes nos domínios capacidade
funcional, aspecto físico e dor (tab. 3). Na análise
da capacidade cardiorrespiratória, o mesmo gru-
po percorreu uma distância maior que o GC; já a
percepção subjetiva do esforço (PSE) revelou-se
maior no GC (tab. 3). 
As variáveis freqüência cardíaca, pressão arte-
rial sistólica, pressão arterial diastólica e freqüên-
cia respiratória, obtidas ao final do teste, não
demonstraram diferenças significantes entre os
grupos, assim como a distância percorrida/predita
(tab. 3). Também não houve diferença relevante
entre os grupos na avaliação da flexibilidade dos
indivíduos do sexo masculino (tab. 3).
Na análise da qualidade de vida dos indivídu-
os do sexo feminino, os do GT apresentaram dife-
renças significantes nos domínios capacidade
funcional e estado geral de saúde (tab. 4). Na da
capacidade cardiorrespiratória, a percepção sub-
jetiva do esforço mostrou-se significativamente
maior no GC (tab. 4).
As variáveis freqüência cardíaca, pressão arte-
rial sistólica, pressão arterial diastólica e freqüên-
cia respiratória, obtidas ao final do teste, não se
revelaram diferentes entre os grupos, assim como
a distância percorrida/predita
(tab. 4). O teste de
flexibilidade dos indivíduos do sexo feminino
também não apresentou disparidade relevante
entre o GT e o GC (tab. 4).
DISCUSSÃO
Os grupos masculino e feminino não apresen-
taram diferenças significativas nos parâmetros an-
tropométricos, o que era esperado em razão do
fator de exclusão de indivíduos obesos da amos-
tra. A obesidade prejudica a performance motora,
Tabela 1. Médias, desvio-padrão e resultados do teste t, das características dos grupos GC e GT, indivíduos do sexo masculino.
Tabela 2. Médias, desvio-padrão e resultados do teste t, das características dos grupos GC e GT, indivíduos do sexo feminino.
VARIÁVEIS GRUPOS MASCULINOS P
GC (n = 5) GT (n = 5)
Idade (anos)
Estatura (m)
Massa corporal (kg)
Índice de massa corporal (kg/m2) 
68,2 ± 3,1
1,69 ± 0,07
77,4 ± 7,7
27,1 ± 1,2
65,6 ± 4
1,68 ± 0,03
72,6 ± 8,6
25,68 ± 2,8
0,28
0,86
0,38
0,35
VARIÁVEIS GRUPOS FEMININOS P
GC (n = 4) GT (n = 4)
Idade (anos)
Estatura (m)
Massa corporal (kg)
Índice de massa corporal (kg/m2)
69 ± 5,3
1,54 ± 0,04
65,6 ± 12
27,5 ± 5,4
63,2 ± 5,2
1,50 ± 0,09
61,3 ± 10,2
26,9 ± 2,11
0,17
0,41
0,60
0,83
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MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL.
 50 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 47-52, 2005
bem como a flexibilidade, a capacidade cardior-
respiratória e a qualidade de vida, de modo que a
inclusão de indivíduos obesos na amostra dificul-
taria a interpretação dos resultados.10 Porém,
deve-se destacar que ainda são inconclusivos os
estudos que comprovam a capacidade do exercí-
cio regular de melhorar os efeitos adversos da
obesidade na saúde do idoso.
Neste estudo, bem como nos de Kraemer et
al.11 não se observaram disparidades significati-
Tabela 3. Medidas descritivas e análise estatística dos resultados dos GC e GT, indivíduos do sexo masculino.
* Parâmetros que apresentam diferenças significantes (p ≤ 0,05);
FC – freqüência cardíaca; PAS – pressão arterial sistólica; PAD – pressão arterial diastólica; FR – freqüência respiratória; PSE – percepção subjetiva do esforço.
RESULTADO DAS AVALIAÇÕES GRUPOS MASCULINOS P
GC (n = 5) GT (n = 5)
Qualidade de vida – SF-36
Capacidade funcional (%)
Aspectos físicos (%) 
Dor (%)
Estado geral de saúde (%)
Vitalidade (%)
Aspectos sociais (%)
Aspectos emocionais (%)
Saúde mental (%)
Capacidade cardiorrespiratória
Distância percorrida (m)
Distância percorrida/predita (%)
FC final (bpm)
PAS final (mmHg)
PAD final (mmHg)
FR final(ipm)
PSE
Flexibilidade
Valor alcançado (cm)
76 ± 19,1
45 ± 51,2
70,6 ± 14,3
70 ± 7,5
69 ± 19,8
87,8 ± 15,1
60 ± 43,5
72,8 ± 21,6
555,6 ± 90,4
114,4 ± 10,13
113 ± 12,5
136 ± 5,4
80 ± 0
19,6 ± 2,9
3,5 ± 0,57 
23,8 ± 7,4
97 ± 4,4*
100 ± 0*
86,6 ± 15,5*
81 ± 10,8
77 ± 5,7
92,8 ± 6,5
80 ± 44,7
81,6 ± 19,7
664,6 ± 44,7*
131,6 ± 10,1
116,6 ± 11,3
150 ± 16
80 ± 0
22 ± 6,2
1,75 ± 0,9*
29,6 ± 4,8
0,03
0,037
0,047
0,10
0,37
0,45
0,14
0,14
0,049
0,20
0,70
0,13
0,90
0,005
0,18
Tabela 4. Medidas descritivas e análise estatística dos resultados dos GC e GT, indivíduos do sexo feminino.
* Parâmetros que apresentam diferenças significantes (p ≤ 0,05);
FC – freqüência cardíaca; PAS – pressão arterial sistólica; PAD – pressão arterial diastólica; FR – freqüência respiratória; PSE – percepção subjetiva do esforço. 
RESULTADO DAS AVALIAÇÕES GRUPOS FEMININOS P
GC (n = 4) GT (n = 4)
Qualidade de vida – SF-36
Capacidade funcional (%)
Aspectos físicos (%) 
Dor (%) 
Estado geral de saúde (%) 
Vitalidade (%)
Aspectos sociais (%)
Aspectos emocionais (%)
Saúde mental (%)
Capacidade cardiorrespiratória
Distância percorrida (m) 
Distância percorrida/predita
FC final (bpm)
PSA final (mmHg)
PDA final (mmHg)
FR final (ipm)
PSE
Flexibilidade
Valor atingido
60 ± 16,8
56,25 ± 42,6
57 ± 18,5
65,7 ± 11,8
78,7 ± 6,3
78,2 ± 35,8
66,7 ± 47,1
82 ± 6,9
484,5 ± 66
109,5 ± 16,2
114,5 ± 6,6
137,5 ± 9
80 ± 0
19,5 ± 3
4,25 ± 1,9
17,5 ± 4,7
83,7 ± 2,5*
93,7 ± 12,5
79,5 ± 16,3
91,5 ± 6,1*
86,2 ± 9,4
90,7 ± 11,9
91,7 ± 16,5
81,0 ± 14,4
510,5 ± 92,9
111 ± 13,7
119,5 ± 16,5
135 ± 1
80 ± 0
20,5 ± 5,2
1 ± 0,8*
22 ± 4,8
0,01 
0,17 
0,049 
0,01
0,22
0,54
0,27
0,66
0,66
0,89
0,40
0,15
1,00
0,13
0,03
0,23
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MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL.
Saúde em Revista 51
QUALIDADE DE VIDA E PERFORMANCE EM IDOSOS: ESTUDO COMPARATIVO
vas na massa corporal e no percentual de gordura
de indivíduos idosos praticantes de exercícios físi-
cos regulares, quando comparados com indivídu-
os não treinados. O mesmo acontece nos
trabalhos de Ferrara et al.,12 Barbosa e Santarém
et al.,13 e Ades et al.14 A falta de orientação nutri-
cional aliada ao pequeno tamanho da amostra
também pode ter influenciado os resultados, su-
gerindo a necessidade de adoção de dieta orienta-
da para verificar possíveis alterações nas variáveis
analisadas. 
Relevantes perdas de flexibilidade são obser-
vadas durante o processo de envelhecimento, o
que foi constatado neste estudo, que não de-
monstrou diferenças significantes entre o GT e o
GC . Os poucos trabalhos relacionando os efeitos
do treinamento de força e/ou exercícios aeróbios
na flexibilidade de indivíduos idosos ainda não se
mostraram capazes de desvendar quais mecanis-
mos fisiológicos, decorrentes desses tipos de trei-
namento, acarretariam mudanças positivas nesse
parâmetro, além de também não comprovar a
eficácia de um programa de exercícios para a me-
lhoria da flexibilidade.15
Os quatro grupos não apresentaram limitação
funcional cardiorrespiratória para as atividades
em razão da idade, o que era esperado, pois cons-
tituíam-se de indivíduos idosos saudáveis. Esse
achado parece corroborar as afirmações de Kuo
et al.16 sobre semelhanças na diminuição da taxa
do consumo de oxigênio, comparando idosos
que mantiveram um volume de treino diário vi-
goroso, desde a adolescência até idade avançada,
com a população em geral, admitindo-se um des-
gaste natural da capacidade cardiorrespiratória
resultante do envelhecimento. Porém, deve-se
destacar que o GT masculino demonstrou melhor
capacidade motora, levando-se em conta as dife-
renças estatisticamente significantes na distância
percorrida/predita do teste de caminhada de seis
minutos. A análise da percepção subjetiva do es-
forço demonstrou diferença estatisticamente sig-
nificativa para os dois grupos treinados, coerente
com os achados de ACSM,15 Barros Neto et al.17 e
Buchheit.18 
É possível ainda que este estudo não apresente
diferenças significativas nos parâmetros cardior-
respiratórios, porque os indivíduos do GC podem
estar praticando atividades de lazer (como a dan-
ça), cotidianas (jardinagem), faxina da casa e até
utilizando meios de locomoção, como caminhada
e bicicleta, capazes de trazer os mesmos benefíci-
os que a prática regular de exercícios, conforme
Buchheit.18 As novas recomendações do Ameri-
can College of Sports Medicine4 e dos Centers
for Disease Control and Prevention19 dos Esta-
dos Unidos destacam os efeitos salutares de qual-
quer tipo de atividade física, assegurando que elas
são da mesma ordem de grandeza para a popula-
ção idosa, mesmo quando interrompidas ou sem
a manutenção de uma freqüência cardíaca alvo.
Quanto à qualidade de vida, o GT masculino
demonstrou maiores valores nos parâmetros ca-
pacidade funcional, aspectos físicos e dor, embora
não tenham ocorrido diferenças significantes nos
outros domínios. O GT feminino também apre-
sentou maiores valores e diferenças significantes
quanto a capacidade funcional, dor e estado geral
de saúde.
Sugere-se, então, que o potencial benéfico da
prática de exercícios físicos regulares deve ser me-
lhor apreciado, levando
em conta uma anamnese
mais aprofundada, que contemple toda e qual-
quer atividade física praticada pelo indivíduo ido-
so para a formação de grupos de estudo, e
adotando protocolos como o Score for Sport
Activities from the Modified Baecke Questionnai-
re for Older Adults (MBQOA), desenvolvido por
Voorrips et al.20
CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo apontam que a
prática de exercícios físicos, sem orientação nutri-
cional, não modifica os parâmetros antropomé-
tricos de idosos. A performance motora de idosos
parece melhor em indivíduos que praticam exer-
cícios físicos do que naqueles que não o fazem,
pois observou-se que a percepção subjetiva ao es-
forço revelou-se significativamente menor em
ambos os grupos, sendo também maior a distân-
cia percorrida pelo grupo masculino.
A qualidade de vida dos idosos treinados é
melhor que a dos não treinados nos domínios ca-
pacidade funcional, aspectos físicos e dor, no gru-
po masculino, e capacidade funcional e estado
geral de saúde, no grupo feminino. Os indivíduos
treinados de ambos os sexos não apresentaram
resultados inferiores aos dos não treinados, indi-
cando que o treinamento físico não acarreta pre-
juízo para idosos nos aspectos investigados.
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MARCELO DIAS DE AGUIAR PACHECO, ET AL.
 52 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 47-52, 2005
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Submetido: 26/out./2004
Aprovado: 24/ago./2005
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RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI, ET AL.
Saúde em Revista 53
ALTERAÇÕES DO SISTEMA NEUROMUSCULAR COM O ENVELHECIMENTO E A ATIVIDADE FÍSICA
Alterações do Sistema Neuromuscular 
com o Envelhecimento e a 
Atividade Física
Neuromuscular System Changes in Aging and Physical Activity
RESUMO O número de idosos vem crescendo significativamente, em todo
o mundo, nesses últimos anos. Isso se deve a uma melhora na qualidade de
vida, em decorrência dos avanços tecnológicos e progressos nas pesquisas
biomédicas, no saneamento básico e na assistência médica, melhora dos há-
bitos alimentares e conscientização de todos sobre a necessidade de realizar
atividades físicas regulares. Segundo dados estatísticos, o Brasil possui cerca
de 5,8% de idosos acima de 65 anos e estima-se que, em 2050, a popula-
ção mundial acima dessa idade aumentará para 15,9%. A expectativa de
vida também cresceu no Brasil, de 66 anos, em 1991, para 68,6 anos, em
2000. Há diferenças entre os sexos: as mulheres têm expectativa de vida
maior que os homens em 7,8 anos. Em virtude desse aumento da popula-
ção de idosos, cresce a necessidade de os profissionais da saúde pesquisa-
rem sobre esse grupo de indivíduos que precisa de cuidados especiais.
Deve-se entender o processo de envelhecimento, as alterações morfofisio-
lógicas por ele desencadeadas e também os métodos para tratar, prevenir e
minimizar as suas conseqüências no organismo. Este trabalho teve como
objetivo, por meio de uma revisão de literatura, elencar as principais mu-
danças decorrentes do envelhecimento e os principais benefícios da prática
regular de atividades físicas.
Palavras-chave ENVELHECIMENTO – ALTERAÇÕES MORFOFUNCIONAIS –
ATIVIDADE FÍSICA REGULAR – SISTEMA NEUROMUSCULAR.
ABSTRACT The number of aged people is growing significantly in the whole
world these last years. This process occurs because of an increase in the
quality of life due to technological advances, biomedical progress,
improvements in basic sanitation, medical assistance, feeding habits and the
conscience of the importance to be physically active. According to statistical
data, in Brazil there are nearly 5.8% of aged people over the age of 65, and
it is estimated that the world population over this age, in 2050, will increase
to 15.9%. The Brazilian life expectancy also increased from 66 years in
1991 to 68.6 years in 2000. Brazilian women have higher life expectancy
comparing to men (7.8 years). With the increasing number of aged people,
health professionals need to study even more about this population, which
require special care. It is very important to understand the aging process, the
morphological and functional changes that occur, and also the methods to
treat, prevent and minimize all these events.
The aim of this review was to
verify the main changes in the aging process and the benefits of regular
physical activity.
Keywords AGING – MORPHOLOGICAL AND FUNCTIONAL CHANGES –
REGULAR PHYSICAL ACTIVITY – NEUROMUSCULAR SYSTEM.
REVISÃO DE LITERATURA /BIBLIOGRAPHY REVIEW
RAFAEL HERLING 
LAMBERTUCCI
Curso de Educação Física – 
Faculdade de Ciências da Saúde 
(UNIMEP/SP)
TANIA CRISTINA PITHON-
CURI*
Curso de Educação Física – 
Faculdade de Ciências da Saúde 
(UNIMEP/SP)
*Correspondências: Rua Coronel 
Melo de Oliveira, 1.031, Pompéia, 
05011-040, São Paulo/SP
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RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI, ET AL.
 54 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 53-56, 2005
INTRODUÇÃO
envelhecimento inicia-se desde a concepção.
Esse processo é responsável por várias mu-
danças, tanto fisiológicas quanto morfológi-
cas, que afetam células, tecidos e órgãos, mas em
momentos e com velocidades diferentes, varian-
do entre os indivíduos.1
Nos dias atuais, com os progressos nas pesqui-
sas biomédicas, os avanços tecnológicos, a melho-
ra na assistência médica e a conscientização da
importância de se ter bons hábitos alimentares
conjugados à prática regular de atividades físicas,
o número de idosos em todo o mundo aumenta a
cada dia. Segundo estatísticas do World Populati-
on Prospects: the 2002 revision, em 1995 o nú-
mero de idosos com idade acima de 65 anos era
de 6,5% da população mundial. Em 2000, esse
número elevou-se para 6,9% e estima-se que, em
2050, atingirá 15,9%. No Brasil, o Censo Demo-
gráfico 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), divulgou que essa fatia da po-
pulação é de 5,8% e que a expectativa de vida
dos brasileiros teve aumento de 2,6 anos, compa-
rando-se com o Censo de 1991, passando de 66
para 68,6 anos de vida.
Muitos se perguntam por que envelhecemos e
o que envolve esse processo tão complexo. Se-
gundo Kirkwood,1 um único gene responsável
pelo envelhecimento ainda não foi encontrado.
Existem várias teorias e definições acerca do en-
velhecimento; contudo, por se tratar de um pro-
cesso envolvendo inúmeros fatores, não há uma
totalmente aceita. Entre elas, a teoria imunológi-
ca, proposta por Walford em 1981,2 caracteriza-
se por dois aspectos principais: o primeiro descre-
ve que a capacidade funcional do sistema imune
diminui com o passar dos anos, reduzindo a resis-
tência do organismo às doenças infecciosas; o se-
gundo relaciona-se com a redução do sistema
imune, com o passar dos anos, quando aumen-
tam as doenças auto-imunes associadas à idade.
O processo de envelhecimento é responsável
por alterações em todos os sistemas do organis-
mo. No entanto, são as perdas ocorridas no siste-
ma muscular esquelético que causam o maior
impacto na qualidade de vida dos idosos. Confor-
me o ser humano envelhece, sua massa muscular
diminui, tornando-se mais frágil e gerando insta-
bilidade, perda da capacidade funcional, perda
parcial ou total da independência (dificuldade de
realizar as tarefas do dia-a-dia) e, sobretudo, au-
mento dos riscos de quedas, uma das principais
causas de acidentes na terceira idade.3, 4
Descreveremos, a seguir, algumas alterações
morfofuncionais que afetam o sistema neuromuscu-
lar dos indivíduos, com o passar dos anos, e os bene-
fícios proporcionados pela atividade física regular.
SISTEMA NEUROMUSCULAR
Utilizando tomografia computadorizada e téc-
nicas de autópsia, identificou-se diminuição no
peso e no volume do cérebro, em indivíduos com
mais de 60 anos de idade, acompanhada de au-
mento dos espaços de fluído cérebro-espinal e
também do volume dos ventrículos.5 Apesar de
essas alterações envolverem todo o cérebro, as re-
giões mais afetadas são o lobo frontal e o hipo-
campo. Tal perda de volume com o passar dos
anos é diferente entre as diversas áreas do cére-
bro. Entre as idades de 30 a 90 anos ocorre perda
de 14% no córtex cerebral, 35% no hipocampo e
26% na massa cerebral branca.6, 7
O número de neurônios também tem sido ob-
jeto de estudo no processo de envelhecimento.
Os resultados são controversos em relação à di-
minuição da quantidade deles. Uma possível ex-
plicação para esse fato é a diminuição dos corpos
dos neurônios, que, apesar de presentes, não fo-
ram contados nem, conseqüentemente, somados
ao número total, ao término dos estudos. Apesar
dessas diferenças entre as técnicas empregadas, há
um consenso sobre a diminuição no número de
neurônios do hipocampo e do córtex cerebral.7, 8
Com tais alterações morfológicas, certas mu-
danças funcionais ocorrem. O avanço da idade leva
à queda na performance cognitiva e na memória.
Além desses, outros aspectos patológicos associados
à doença de Alzheimer são encontrados em idosos
intelectualmente saudáveis, porém, em menor nú-
mero. Com isso, acredita-se nessa doença como um
quadro inevitável de envelhecimento precoce, po-
rém, os fatores genéticos que a influenciam direta-
mente precisam ser determinados. Considera-se
que a presença da apoliproteína E4 (Apo E4), por
exemplo, resulte em uma diminuição muito mais
acentuada das funções cerebrais. Em outras pala-
vras, quanto maior a taxa de Apo E4, maior a velo-
cidade de decréscimo das funções cerebrais.9, 10
Outra característica observada entre os idosos
é a demência. Ela se deve, entre outros fatores, a
um acúmulo de pequenos infartos (AVC), também
encontrados em cérebros de idosos saudáveis.7
Para Kauffman,5 essas alterações anatômicas,
muitas vezes acompanhadas de patologias, geram
O
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RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI, ET AL.
Saúde em Revista 55
ALTERAÇÕES DO SISTEMA NEUROMUSCULAR COM O ENVELHECIMENTO E A ATIVIDADE FÍSICA
mudanças funcionais, como: alteração de refle-
xos, tempo de reação, força, equilíbrio e raciocí-
nio; diminuição da velocidade de condução nos
nervos periféricos em aproximadamente 20%; al-
terações sensoriais, ou seja, diminuição na eficá-
cia dos sistemas visual e auditivo; perda de
dendritos, ocasionando maior dificuldade nas si-
napses; e redução no número de neurônios em
determinadas áreas do sistema nervoso, como os
motoneurônios do cordão espinal, no cerebelo,
células de Purkinje e substância negra neocórtex.
Com o envelhecimento, a musculatura esque-
lética dos idosos sofre várias desnervações e rei-
nervações. As primeiras acontecem, na maior
parte, nas fibras rápidas, e as segundas, nas fibras
lentas, resultando em atrofia e perda da funciona-
lidade das fibras desnervadas.11, 12 Também as
alterações neurais desencadeadas pelo envelheci-
mento dão-se em diversos locais, desde os moto-
neurônios até a junção neuromuscular. Em ratos
idosos, foi encontrada diminuição da mieliniza-
ção dos axônios, em paralelo com um aumento
do comprimento internodal, reduzindo o poten-
cial de ação. Provavelmente, essa deterioração da
bainha de mielina resulta da menor expressão das
principais proteínas mielínicas, como a PO, a
PMP22 e a MBP.13, 14
Por sua vez, o motivo do enfraquecimento
progressivo da musculatura dos idosos, que, como
dito anteriormente, leva à instabilidade, à perda
da capacidade funcional, à dificuldade de realizar
as tarefas do dia-a-dia e sobretudo ao aumento
dos riscos de quedas ainda é pouco entendido. Al-
guns pesquisadores acreditam que, com o enve-
lhecimento, problemas no mecanismo de
excitação-contração do tecido muscular produ-
zem menor capacidade de geração de força das fi-
bras musculares, tornando-o, portanto, cada vez
mais frágil.15 Em estudos realizados por Welle et
al.,16 foi constatada redução de mitocôndrias nos
tecidos musculares dos idosos, em virtude da di-
minuição de DNA mitocondrial e, conseqüente-
mente, do seu mRNA. Esse processo está associado
a uma menor captação de O2 e, por conseguinte,
às dificuldades de realizar tarefas cotidianas. 
Contudo, nesse
mesmo estudo, também se
observou que a prática de atividades físicas, por
um período de apenas três dias, já aumentava a
expressão e/ou a atividade desses genes. A ativida-
de física regular é um fator importante para me-
lhorar significativamente a musculatura esquelética
dos idosos – hipertrofia muscular, aumento da
força e adaptações celulares e funcionais, por
exemplo. Porém, resultados bastante distintos fo-
ram encontrados em estudos, em razão da utiliza-
ção variada de freqüência, intensidade e duração
dos programas de exercício.17
Segundo Matsudo et al.,18 a intensidade do
treinamento é a variável mais importante. Dife-
renças significativas nos resultados podem apare-
cer quando essa variável não é aplicada
adequadamente. Em programas de treinamento
de baixa intensidade em idosos, por exemplo, fo-
ram verificados ganhos de força muscular meno-
res que 20%, ao passo que, nos de alta intensidade
(70% a 80% de uma repetição máxima – RM), fo-
ram de até 227%, evidenciando que os treinamen-
tos de alta intensidade proporcionam melhores
resultados no aumento da força muscular.
Notaram-se ainda aumentos da força estática
e dinâmica em poucos dias de treinamento de
força, variando de 10% até 180%, em razão dos
diferentes protocolos de treinamento. Esse rápi-
do aumento de força nos primeiros dias de trei-
namento deve-se particularmente a adaptações
neurais (melhora no recrutamento das fibras
musculares, por exemplo). As adaptações perifé-
ricas, como a hipertrofia muscular, passam a con-
tribuir mais com os ganhos de força após um
período maior de treinamento.17
A hipertrofia muscular foi verificada em di-
versos estudos, mesmo utilizando-se de técnicas
diferentes, como tomografia computadorizada,
ultra-som e ressonância magnética, demonstran-
do ganhos de 2% a 14,5%.19, 20 Hipertrofia em
nível microscópico também foi evidenciada, em-
pregando-se técnicas histoquímicas em espécies
de biópsia. Em ambas as fibras, tipo I e tipo II,
notificaram-se aumentos de até 30%.17
Matsudo et al.18 citam trabalho de Fiatarone
et al. (1990) com idosos de 86 a 96 anos de ida-
de, participantes de um programa de treinamento
de oito semanas, com atividades três vezes por se-
mana, que obtiveram aumentos de 174% na for-
ça muscular e 48% na velocidade do passo.
Porém, após quatro semanas sem atividades, ob-
servou-se diminuição de 32% na força, evidenci-
ando a importância da regularidade das
atividades físicas.
Com todos esses ganhos proporcionados pelo
treinamento de força, a capacidade funcional dos
idosos aumenta significativamente, apresentando
melhoras na velocidade de andar, subir escadas e
realizar tarefas cotidianas, alcançando novamente
sua “independência”.21
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RAFAEL HERLING LAMBERTUCCI, ET AL.
 56 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 53-56, 2005
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo de envelhecimento ocasiona várias al-
terações fisiológicas e morfológicas no organismo. Po-
rém, muitas dessas mudanças, consideradas normais
do processo de envelhecimento, se não forem cuida-
das, podem levar à invalidez e até mesmo à morte.
A prática regular de atividades físicas mos-
trou-se excelente para o tratamento, a reabilita-
ção e a minimização dos efeitos dessas alterações,
trazendo grandes benefícios aos idosos. Mas cabe
salientar que essa prática deve ser sempre orienta-
da por um profissional qualificado, que conheça
muito as características dessa população.
Com isso, conclui-se que a regularidade nas
atividades físicas é indispensável para que ocorra
um processo de envelhecimento saudável.
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Submetido: 5/nov./2004
Aprovado: 27/abr./2005
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ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL.
Saúde em Revista 57
PERFORMANCE VENTILATÓRIA NA OBESIDADE
Performance Ventilatória 
na Obesidade
Ventilatory Performance in Obesity
RESUMO A obesidade é definida atualmente como o excesso de tecido adi-
poso em relação à massa magra e consta entre as alterações que abrangem
o termo saúde, alterando a qualidade de vida das pessoas. Conceitos como
saúde e qualidade de vida têm sido motivo de discussão, não havendo con-
senso em sua definição até a atualidade.
O fato de a obesidade ser conside-
rada problema de saúde pública, inferindo altos índices de mortalidade e
morbidade no Brasil e no mundo, traz atenção ao seu estudo e aos efeitos
por ela acarretados. A obesidade associa-se a disfunções respiratórias, inclu-
indo diminuição da resistência cardiorrespiratória e dispnéia. As alterações
mais características na função pulmonar e na performance ventilatória nos
indivíduos obesos são diminuição do volume corrente, aumento de fre-
qüência respiratória, diminuição da complacência total e pulmonar, au-
mento do trabalho elástico e muscular, aumento do VO2 e altos índices de
fadigabilidade, relacionados, por sua vez, com os níveis de obesidade, bem
como com as alterações nos padrões de distribuição da gordura corporal.
O objetivo deste trabalho é estabelecer referencial teórico sobre as altera-
ções na performance ventilatória em indivíduos obesos.
Palavras-chave OBESIDADE – PERFORMANCE VENTILATÓRIA – MÚSCULOS –
RESISTÊNCIA CARDIORRESPIRATÓRIA.
ABSTRACT Obesity is defined currently as the excess of adipose tissue in
relation to thin mass, being contained among the alterations that enclose the
health term, altering people’s life quality. Terms as health and life quality
have been the aim of discussion, not having consensus in their definition.
The fact that obesity is considered a public health problem, inferring high
mortality and morbidity rates in Brazil and in the world, brings more
attention to its study and effects. Obesity is associated with breathing
dysfunctions, including decrease of the resistance and dyspnea. The most
characteristic alterations in the pulmonary function and ventilatory
performance in obese people are the reduction of the average volume,
increase of respiratory frequency, decrease of the total and pulmonary
compliance, increase of the elastic and muscle work indulgence, increase of
VO2 and low resistance respiratory muscle work, that are related with
obesity levels, as well as the alterations in the patterns of distribution of the
body fat. The objective of this work is to establish a theoretical reference on
the alterations of the ventilatory performance in obese individuals.
Keywords OBESITY – VENTILATORY PERFORMANCE – MUSCLES –
CARDIORESPIRATORY RESISTANCE.
REVISÃO DE LITERATURA /BIBLIOGRAPHY REVIEW
ALESSANDRA MONACO 
RIGATTO*
Curso de Fisioterapia – Faculdade 
Assis Gurgacz (FAG/PR)
SILVIA C. CREPALDI ALVES
Curso de Educação Física– Faculdade 
de Ciências da Saúde (UNIMEP/SP)
CAMILA BRETAS GONÇALVES
Fisioterapeuta graduada pela 
Unicastelo/SP
JACQUELINE FERNANDES 
FIRMO
Fisioterapeuta graduada pela 
Unicastelo/SP
LUCIANA MARA PROVIN
Curso de Fisioterapia – Faculdade 
Assis Gurgacz (FAG/PR)
*Correspondências: Rua Dois, 495, 
Cidade Jardim, 13501-030, 
Rio Claro/SP
lerigatto@hotmail.com
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ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL.
 58 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 57-62, 2005
INTRODUÇÃO
obesidade está entre as alterações que pre-
judicam a saúde das pessoas e, com isso, a
qualidade de vida delas. Para que um indi-
víduo seja considerado obeso, o Índice de Massa
Corpórea (IMC) poderá ser a medida adotada
para calcular-lhe o grau de obesidade, pois diver-
sos estudos têm mostrado alta correlação entre
IMC e gordura corporal.1
Quando falamos em saúde, analisando do
ponto de vista de que “saúde é o estado de com-
pleto bem-estar físico, mental e social, e não ape-
nas ausência de doença” (Organização Mundial
de Saúde – OMS, 1948), fica-nos uma idéia não
muito clara de que tal conceito estaria longe de
nossa realidade. Portanto, essa condição de “saú-
de ótima, estável” não seria atingida em vida. O
próprio termo saúde torna-se subjetivo, visto que
ela é julgada pela sociedade conforme os padrões
da época, inserindo esse conceito num contexto
histórico.2
Considera-se a obesidade um risco à saúde e
sua incidência é mundialmente crescente. Segun-
do a OMS, em 1995 estimava-se que a população
de adultos obesos no mundo era de 200 milhões,
além de 18 milhões de crianças, menores de cin-
co anos de idade, com sobrepeso.3
Em países como Alemanha, Estados Unidos e
Canadá, a prevalência da obesidade é bastante
elevada entre 15% a 20% nos homens e 15% a
25% nas mulheres. Já na Holanda e na Inglaterra,
que possuem riquezas semelhantes, esses números
revelam-se bem menores: 8% em homens e 13%
a 16% em mulheres. Isso mostra que os aspectos
culturais parecem ser mais importantes do que os
econômicos na prevalência da obesidade.4, 5
No Brasil, em 2003, segundo pesquisa realiza-
da pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-
tica (IBGE), a obesidade afeta 8,9% dos homens e
13,1% das mulheres adultas.6 Com o aumento
na quantidade de informações obtidas mediante
os veículos de comunicação em geral, que menci-
onam os problemas causados pela obesidade,
pelo sedentarismo e pelo desequilíbrio alimentar,
vem se observando uma diminuição nos índices
de obesidade em mulheres de classes mais favore-
cidas, por elas terem maior acesso a esses dados.7
A principal causa de óbitos no Brasil, segundo
o Ministério da Saúde, deve-se às doenças cardio-
vasculares e respiratórias, que poderiam ser redu-
zidas em cerca de 30% com a prevenção da
obesidade. Esses fatores têm sido motivo de gran-
de preocupação para o governo.2 A obesidade as-
socia-se a disfunções respiratórias, incluindo
diminuição da resistência cardiorrespiratória e
dispnéia. As alterações mais características na fun-
ção pulmonar, nos indivíduos obesos, são a dimi-
nuição da capacidade residual funcional (CRF) e
do volume de reserva expiratória (VRE).8
Anormalidades da função pulmonar são mais
comuns na obesidade central, em que o acúmulo
de tecido adiposo localiza-se na região da cintura.
Recentemente passou-se a questionar se o efeito
da obesidade nessa função seria simplesmente
mecânico ou se haveriam também alterações no
metabolismo celular e na utilização de substratos
gerados pela obesidade central.9, 10
A obesidade é tida como o maior fator de ris-
co à Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SA-
OS).11, 12 Estudos sobre perda de peso trazem
significantes achados na redução dos sintomas da
SAOS após a redução do peso.13 Dados epidemio-
lógicos evidenciaram ainda uma associação entre
obesidade e asma. No momento, não é possível
dizer se a primeira tem contribuído para o au-
mento na prevalência da segunda ou se pacientes
asmáticos ganham peso como um resultado de hi-
poatividade ou de limitações das atividades moto-
ras, bem como por alguma outra razão. 
Os efeitos da obesidade na função respiratória
devem ser estudados isoladamente, de modo a
avaliar o seu papel nas disfunções percebidas em
diversas doenças respiratórias.14 Diferenças nos
padrões de distribuição da gordura corporal tam-
bém promovem alterações nos volumes pulmo-
nares. A gordura armazenada na cavidade
abdominal (ginóide) provavelmente exerce efeito
mecânico direto na caixa torácica e no diafragma,
por um mecanismo de compressão, que, por sua
vez, restringe a expansibilidade pulmonar, cau-
sando redução dos volumes pulmonares.10 Ao
mesmo tempo, tem sido postulado que o ganho
de tecido adiposo em indivíduos de estatura mais
baixa faria com que eles dificilmente atingissem
volumes pulmonares mais próximos da normali-
dade. De maneira geral, a obesidade e o padrão
de distribuição da gordura corporal podem ter re-
sultados independentes na função ventilatória.15
Segundo Collins et al.,9 a relação cintura/qua-
dril assume valores inversamente proporcionais
aos volumes pulmonares demonstrados por meio
da espirometria. Questiona-se se o efeito da gor-
dura abdominal exerce meramente um efeito me-
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ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL.
Saúde em Revista 59
PERFORMANCE VENTILATÓRIA NA OBESIDADE
cânico, ao passo que os mecanismos para os
riscos de doenças cardiovasculares e metabólicas
relacionados à obesidade central não são comple-
tamente conhecidos. Admite-se que as alterações
da função pulmonar sejam mais uma das conse-
qüências da obesidade central.10
VOLUMES PULMONARES E TAXAS 
DE FLUXO EXPIRATÓRIO
As anormalidades mais comuns da função res-
piratória associadas à obesidade são a diminuição
do VRE e da CRF, com propensão a desenvolver
patologias pulmonares, na maior parte restritivas,
com hipoventilação crônica e redução da capaci-
dade aeróbica. Essas patologias refletem numa re-
duzida tolerância ao esforço, em razão das
condições cardiopulmonares; ocorrendo facil-
mente dispnéia.16, 17, 18, 19
Quando a obesidade é de grau moderado
(IMC de 35 Kg/m2 a 39,9 Kg/m2) geralmente a ca-
pacidade vital (CV) e a capacidade pulmonar total
(CPT) encontram-se dentro dos valores normais,
mas, no caso de obesidade mórbida, pode haver
redução de 20% a 30% desses valores.20 Dessa
maneira, fica claro que o grau da obesidade tam-
bém exerce influência nas alterações dos volumes
ou das capacidades pulmonares. Essa teoria já te-
ria sido observada por Raio et al.,19 ao relatar
uma diminuição da CV e da CPT em indivíduos
com obesidade extrema, mas sem notar nenhuma
alteração dos volumes pulmonares nos graus infe-
riores de obesidade.
Por outro lado, o acúmulo de massa de tecido
adiposo na região torácica limita a função dos
músculos expiratórios, apresentando um aumen-
to do VRE e ajudando a manter o volume residual
(VR) dentro da normalidade, inclusive em indiví-
duos com obesidade mórbida. A relação VR/CPT
pode apresentar valores até mais altos que o nor-
mal, em indivíduos com obesidade mórbida.19
Existem também vários estudos sobre a defici-
ência orgânica dos músculos respiratórios na obe-
sidade, a redução da complacência da caixa
torácica em obesos ou a diminuição dos volumes
pulmonares, podendo causar insuficiência dos
músculos respiratórios.21 À medida que aumenta
o IMC, a complacência da caixa torácica declina
significantemente, chegando a cair até 30%, nos
casos mais graves. A complacência total do siste-
ma respiratório diminui em indivíduos obesos,
por conta de um aumento da resistência da pare-
de torácica, isto é, um aumento na resistência
elástica para que haja a expansão (tab. 1).
Tabela 1. Trabalho mecânico* dos músculos respiratórios em
indivíduos normais e obesos.
* Trabalho mecânico em kg/ml; valores para trabalho elástico calculados
por valores de complacência; valores obtidos dos estudos de Cherniack
calculados pelo custo de O2 em indivíduos obesos determinados por
Kaufman et al. (fonte: Naimark & Cherniack, 1960).22
A complacência do sistema respiratório total e
de seus componentes revela-se inferior em indiví-
duos obesos, quando comparados a indivíduos
normais; a diferença mais marcante está na com-
placência da parede torácica: em obesos, essa me-
dida é 50% inferior à dos indivíduos normais.
Portanto, a redução na performance, deve-se, em
maior parte, ao prejuízo mecânico atribuído aos
músculos respiratórios e à restrição da expansibi-
lidade dos elementos torácicos.22
Mancini23 postula que, embora o acúmulo de
gordura na região interna e na parede torácica
possa levar a uma modesta redução da compla-
cência da parede torácica, estudos demonstraram
uma redução da complacência pulmonar em vir-
tude de um aumento no volume de sangue pul-
monar. Ele também ressalta que a complacência
está associada à diminuição da CRF, levando a um
decréscimo das trocas gasosas.
Quando a obesidade é marcante, ela também
aparece ligada ao aumento da resistência respira-
tória total, como resultado do aumento da resis-
tência pulmonar. Tais alterações na complacência
e na resistência pulmonar levam o indivíduo a
apresentar um padrão respiratório rápido e de
baixa amplitude, aumentando o trabalho respira-
tório e, com isso, limitando a capacidade ventila-
tória máxima.23
A complacência do sistema respiratório total
diminui em obesos, reduzindo adicionalmente na
posição supina. Assim, enquanto a resistência da
parede torácica para expansão na posição senta-
do, em indivíduos obesos, é de 70% da resistência
total, na posição supina ela aumenta para 80%.2
TRABALHO MUSCULAR E CONSUMO DE OXIGÊNIO
Pessoas morbidamente obesas apresentam de-
manda metabólica aumentada por realizar traba-
lho extra dos músculos respiratórios, como
também de todos os outros músculos que movi-
mentam o corpo.8 Em indivíduos obesos, as taxas
INDIVÍDUO TRABALHO 
TOTAL
TRABALHO 
ELÁSTICO
Total Pulmão Tórax
Normal 227 J 0,90 J 0,39 J 0,51 J
Obesos 540 J 2,00 J 0,50 J 1,50 J
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 60 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 57-62, 2005
de consumo de oxigênio (VO2) e de produção de
gás carbônico (VCO2) estão aumentadas mesmo
em repouso. A ventilação minuto em repouso é
alta em obesos, quando comparada a pessoas
com peso normal.17
O consumo de oxigênio e o aumento na ven-
tilação mostram-se altos em indivíduos obesos,
considerando que as propriedades mecânicas dos
pulmões nem sempre permanecem normais.22 A
tabela 2 fornece dados relacionados ao consumo
de oxigênio, à eficiência dos músculos respiratóri-
os e ao trabalho feito para superar a resistência
elástica, permitindo analisar as diferenças entre
obesos e indivíduos normais.
A média de volume corrente para os indi-
víduos obesos é inferior à dos não obesos; po-
rém, a freqüência respiratória é maior, o que
garante uma média de volume minuto signifi-
cantemente maior nos indivíduos obesos. Isso
justifica-se pelo maior consumo de oxigênio e
pela menor eficiência dos músculos respiratórios
nesses indivíduos.
Em relação ao estudo de Nicherson e Ke-
ens,24 tanto os músculos respiratórios quanto os
outros músculos do esqueleto podem fadigar,
contribuindo para o fracasso ventilatório. Daí a
importância de um programa de redução de peso,
visto que indivíduos obesos fadigam mais facilmen-
te. Por sua vez, Weiner et al.25 demonstraram me-
lhora significante do desempenho dos músculos
respiratórios conseqüente à perda de peso em pa-
cientes com obesidade mórbida. Essa melhora se
dá predominantemente na resistência da muscu-
latura respiratória. Wadström et al.21 reportaram
que, apesar de uma perda de peso de 18% e de
aumento do volume pulmonar, os obesos não
mostraram nenhuma melhora na força muscular
respiratória, ocorrendo até, em alguns casos, uma
diminuição transitória da força muscular. De
qualquer modo, essa pesquisa realizou-se em uma
média de 78 dias após cirurgia de gastroplastia re-
dutora.
A diferença dos resultados obtidos por
Weiner25 e Wadstron21 pode ser explicada pela
Tabela 2. Padrão respiratório, trabalho e eficiência dos músculos respiratórios em indivíduos normais e obesos.
Fonte: Cherniack & Guenter, 1961.
NÚMERO DE 
INDIVÍDUOS
VOLUME 
 CORRENTE 
(ML)
FREQÜÊNCIA 
RESPIRATÓRIA 
(N.°/MIN)
VOLUME 
MINUTO
(L/MIN)
VO2 
(ML/L)
EFICIÊNCIA 
(%)
TRABALHO TRABALHO
ELÁSTICO MECÂNICO
KG-M/L KG -M/MIN
Normal
1 854 10,9 9,1 77 9,5 050 0,45
2 875 5,5 4,8 99 12,0 037 0,18
3 670 9,6 6,4 49 7,9 055 0,35
4 453 12,7 5,6 95 7,3 016 0,09
5 898 8,7 7,8 89 11,0 045 0,36
6 405 12,4 5,0 62 9,6 016 0,08
7 480 24,0 11,5 1,24 10,8 023 0,26
Média 662 11,9 7,2 85 9,7 035 0,25
Obesos
8 405 10,6 5,2 1,72 4,9 0,29 0,15
9 820 10,6 8,7 3,46 3,3 110 0,96
10 460 11,7 5,4 1,83 6,1 039 0,21
11 335 15,0 5,0 1,20 5,4 024 0,13
12 872 16,0 14,0 2,80 3,1
13 768
17,5 13,4 3,27 3,3
14 564 22,5 12,7 5,90 1,2 040 0,52
Média 602 14,3 9,2 2,88 3,9 048 0,39
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ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL.
Saúde em Revista 61
PERFORMANCE VENTILATÓRIA NA OBESIDADE
própria composição corporal e pelo intervalo
adotado na análise. A musculatura corporal
contém um pequeno percentual de depósito de
gordura, camada de gordura essencial (aproxima-
damente 3%), utilizado como fonte de energia.
Durante a perda de peso acentuada, há diminui-
ção na força dos músculos respiratórios, relacio-
nados proporcionalmente com a redução de
massa magra após duas semanas de dieta hipoca-
lórica. Portanto, somente após seis meses o orga-
nismo dos indivíduos obesos já passou por um
processo de organização e adaptação, com me-
lhora nos parâmetros ventilatórios. 
Quando um indivíduo engorda, há também
um certo aumento na porcentagem de massa ma-
gra. Da mesma forma, no caso de uma redução
do peso, também ocorre uma redução da massa
magra, variando com o tipo de dieta e o de obesi-
dade. Além disso, a dieta de baixa caloria está as-
sociada à diminuição do glicogênio, necessário ao
trabalho e à resistência muscular.2 Assim, o siste-
ma respiratório também sofre alterações propor-
cionais à redução do peso corpóreo, ocorrendo
redução da espessura da massa muscular diafrag-
mática.26
SÍNDROMES RESPIRATÓRIAS
O sobrepeso e a obesidade estão associados
ao risco aumentado dos sintomas respiratórios. A
prevalência dos sintomas aumenta, quanto maior
o IMC ou a circunferência da cintura. Em um es-
tudo realizado por Sahenjami,27 foram avaliados
5.887 homens e 7.018 mulheres, com idade entre
29 a 59 anos, em que 45% deles e 31% delas pos-
suíam índice de massa corpórea de 25-30 Kg/m2.
Notou-se que a diminuição na resistência ventila-
tória, o aumento da freqüência respiratória (f) e a
diminuição dos volumes correntes relacionavam-
se com maiores IMCs, apresentando alterações
significantes quando estes eram submetidos a tes-
tes de subir e descer escadas.27
SÍNDROME DA APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO
A SAOS apresenta como característica freqüen-
tes episódios de apnéia ou hipopnéia durante o
sono (roncos acompanhados de engasgos e tosse,
quando a potência é restaurada), sintomas diur-
nos (sonolência, diminuição da concentração e da
memória e cefaléia) e alterações fisiológicas (hi-
poxemia e hipercapnia). Um episódio de apnéia
obstrutiva do sono ocorre quando há interrupção
do fluxo aéreo por 10 segundos ou mais, sobre a
conseqüência de um esforço respiratório contí-
nuo contra uma via aérea fechada, terminando só
ao microdespertar, que restabelece a patência da
via área colapsada e permite, dessa forma, que o
indivíduo volte a respirar.23, 28
Os principais fatores predisponentes a SAOS
são a obesidade e o sexo masculino, sendo que
70% dos indivíduos com SAOS já diagnosticada
são obesos. Além disso, índices como hipertensão
arterial, acúmulo de gordura na região abdominal
e cervical, policitemia, hipoxemia ou hipercapnia
e hipertrofia do ventrículo direito reforçam a pre-
sença de SAOS.28
Em estudos sobre a circulação cerebral pelo
método doopler-transcraniano notou-se que a
auto-regulação cerebral é suficiente para proteger
o cérebro das oscilações da pressão arterial, le-
vando a alterações no fluxo sanguíneo cerebral
durante os períodos de apnéia. Assim, os indiví-
duos com SAOS apresentam maior predisposição a
sofrer uma isquemia cerebral noturna.23
SÍNDROME DA HIPOVENTILAÇÃO
A acidose respiratória limita-se inicialmente
ao sono, retornando à homeostase durante o dia.
Porém, uma conseqüência tardia seria uma altera-
ção do controle respiratório, cujo achado caracte-
rístico é a presença de eventos apnéicos sem
esforço respiratório, decorrente de uma progres-
siva dessensibilização dos centros respiratório à
hipercapnia (noturna). No começo, tais eventos
restringem-se ao sono, mas, eventualmente, le-
vam à falência respiratória, com dependência
crescente do controle neural respiratório hi-
póxico para a ventilação.23 A síndrome da hipo-
ventilação na obesidade, antigamente chamada
de síndrome de Pick Wick, caracteriza-se por
obesidade marcante, hipersonolência, hipóxia,
hipercapnia, insuficiência ventricular direita e po-
licitemia.29
CONCLUSÕES
Segundo os autores citados, indivíduos obesos
apresentam performance ventilatória alterada,
possuindo volume corrente reduzido, freqüência
respiratória aumentada, diminuição na compla-
cência total e pulmonar, aumento no trabalho
elástico e muscular, aumento no VO2 e altos índi-
ces de fadigabilidade.2, 15, 18, 23
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ALESSANDRA MONACO RIGATTO, ET AL.
 62 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 57-62, 2005
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Submetido: 27/out./2004
Aprovado: 6/set./2005
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KARINA MARIA CANCELLIERO.
Saúde em Revista 63
EFEITO METABÓLICO DA GLUTAMINA E DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NO MÚSCULO IMOBILIZADO
Efeito Metabólico da Glutamina 
e da Estimulação Elétrica 
no Músculo Imobilizado
Metabolic Effect of Glutamine and Electrical Stimulation 
in Immobilized Muscle
“Avaliação do Perfil Metabólico do Músculo Esquelético 
Imobilizado Submetido à Suplementação com Glutamina 
Associada ou não à Estimulação Elétrica”, 
de WANDERLEY ALBINO JUNIOR
Tese de mestrado, Universidade Metodista de 
Piracicaba/SP, 2004, 82p.
Orientador: prof. dr. Carlos Alberto da Silva
ssa dissertação foi desenvolvida no programa de pós-graduação
da Universidade Metodista de Piracicaba (Mestrado em Fisiote-
rapia) pelo fisioterapeuta Wanderley Albino Junior, sob orienta-
ção do professor dr. Carlos Alberto da Silva. O trabalho é apresentado
de forma organizada e objetiva, com boa qualidade de escrita e ilustra-
ções, incluindo gráficos e fotos. Sua estrutura se faz pelo resumo, abs-
tract, lista de figuras, introdução, objetivos, material e métodos,
resultados, conclusão, discussão e referências bibliográficas, as quais
constituem fonte de pesquisa ao leitor pela variabilidade de análises e
anos de publicação. 
A dissertação destaca a relevância da imobilização articular na práti-
ca clínica da fisioterapia, área de fundamental importância e participa-
ção no processo de reabilitação. Esse tema é bem abordado na
literatura atual, pelo processo de hipotrofia muscular limitar a funcio-
nalidade do ser humano, não somente pelas alterações músculo-esque-
léticas, mas também alterações em órgãos vitais devido à inatividade do
indivíduo. É importante destacar que a reabilitação fisioterapêutica é
importante, pois objetiva a melhor qualidade de vida dos pacientes.
A cinesioterapia é um recurso bastante utilizado pelo profissional fi-
sioterapeuta, porém há casos em que a contração muscular necessita de
um auxílio eletroterapêutico, no caso a estimulação elétrica neuromus-
cular, que promove a contração muscular passivamente. Assim, esse re-
curso pode estar sendo utilizado durante períodos de inatividade
muscular para minimizar o processo de hipotrofia e comprometimento
RESENHA /REVIEW
E
KARINA MARIA CANCELLIERO*
Doutoranda em fisioterapia na UFSCar/SP
*Correspondências: Rua Gomes 
Carneiro, 875, Centro, 13400-530, 
Piracicaba/SP
karca@terra.com.br
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KARINA MARIA CANCELLIERO.
 64 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 63-65, 2005
metabólico muscular, uma vez que promove a contração muscular e ati-
va mecanismos intracelulares.
Suplementações alimentares e fármacos também são abordados na
literatura pelo fato da ação anabólica na musculatura esquelética, prin-
cipalmente em estados catabólicos, como na atrofia ou hipotrofia mus-
cular, induzidas por inatividade, imobilizações, ambientes espaciais,
doenças neuromusculares ou na utilização de corticosteróides sintéti-
cos. Assim, um recurso ergogênico pode ser um coadjuvante na reabili-
tação do paciente, com objetivo da melhora metabólica e da massa
muscular. Vale ressaltar que a glutamina, especificamente, tem outras
ações, como no sistema imunológico e que vem sendo bastante estuda-
da, não somente em estados catabólicos, mas também em exercícios
agudos e crônicos, principalmente objetivando seus efeitos benéficos
em atletas profissionais.
Nesse contexto, o trabalho objetivou avaliar o perfil metabólico (re-
servas de glicogênio) e tecidual (peso) muscular de ratos, os quais foram
submetidos à imobilização do membro posterior mantendo a posição
neutra do tornozelo com órtese de resina acrílica, além de propor dois
protocolos de tratamento que pudessem ser aplicados (isolados ou asso-
ciados) durante o período de sete dias de imobilização articular. A esti-
mulação elétrica neuromuscular, um dos tratamentos, que é um recurso
usado freqüentemente na prática fisioterapêutica por promover a con-
tração muscular e a glutamina, um segundo recurso que é um aminoáci-
do não essencial, bastante utilizado em estados catabólicos musculares. 
A glutamina foi administrada pela via oral, diluída em água potável,
na concentração de 1g/kg/dia. Os parâmetros utilizados para estimula-
ção elétrica seguiram o seguinte protocolo: f = 10Hz; i = 5mA (au-
mento de 1mA a cada cinco minutos); T = 3ms; t = 20 minutos/dia.
Além da análise metabólica e tecidual, comparou-se o grupo tratado
com glutamina ao grupo controle sob os aspectos do perfil bioquímico
plasmático (glicose, lactato e creatinina), perfil hematológico (hemoglo-
bina, hematócrito, eritrometria, índices hematimétricos), teste de fragi-
lidade osmótica, teste de tolerância à insulina e análise do peso
constante do músculo sóleo.
Para efetivar a ação da glutamina nas reservas de glicogênio e no
peso muscular, também se administrou a alanina-glicina (isoenergético
e isonitrogenado) nos grupos semelhantes e na mesma concentração da
glutamina. 
Os resultados mostraram que a imobilização promoveu redução nas
reservas energéticas dos músculos analisados, porém, quando os trata-
mentos foram aplicados de maneira isolada ou associados, as reservas
de glicogênio se apresentaram maiores. Com relação ao peso do mús-
culo sóleo, este apresentou redução pela imobilização, porém, com o
tratamento da glutamina e da associação do aminoácido com a estimu-
lação, a perda de peso minimizou-se.
O tratamento com glutamina não alterou os parâmetros de fragili-
dade osmótica, perfil bioquímico e teste de tolerância à insulina, porém
promoveu aumento na hidratação do músculo sóleo, acompanhado de
aumento em duas variáveis do índice hematimétrico (volume globular e
volume globular médio), ressaltando sua ação na hidratação celular.
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KARINA MARIA CANCELLIERO
Saúde em Revista 65
EFEITO METABÓLICO DA GLUTAMINA E DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NO MÚSCULO IMOBILIZADO
O complexo alanina-glicina não apresentou ação efetiva como a
glutamina, pois não alterou as reservas de glicogênio e peso muscular
na condição normal e de imobilização.
Esse trabalho mostra a importância de protocolos de tratamento
durante o período agudo de imobilização do membro, na melhora das
reservas energéticas e na minimização da perda de peso
muscular, des-
tacando o uso de suplementações, como a glutamina e de um recurso
fisioterapêutico, como a estimulação elétrica neuromuscular.
Um ponto relevante é o modelo de órtese desenvolvido, o qual foi
eficaz em alterar o metabolismo energético e o peso muscular, além de
ser funcional ao animal. Isso gera outras propostas de análises e de trata-
mentos para tentar minimizar o processo de hipotrofia muscular, condi-
ção importante para a ação do fisioterapeuta no processo de reabilitação.
Submetido: 29/out./04
Aprovado: 1.º/jul./05
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KARINA MARIA CANCELLIERO.
 66 SAÚDE REV., Piracicaba, 7(17): 63-65, 2005
saude17.book Page 66 Friday, November 11, 2005 9:05 AM
Saúde em Revista 67
SAÚDE EM REVISTA
Normas para Publicação
Princípios Gerais
I. A SAÚDE EM REVISTA tem por objetivo publicar trabalhos que contribuam para o desenvolvimento científico
e tecnológico nas áreas de ciências biológicas e da saúde.
II. A revista privilegia a veiculação de temas em ciências biológicas e de saúde (teoria, ética e história), pes-
quisa teórica e/ou experimental, política e ensino. 
III. Os temas podem ser desenvolvidos através das seguintes categorias:
• ARTIGOS ORIGINAIS: trabalhos resultantes de pesquisa científica apresentando dados originais de desco
bertas com relação a aspectos experimentais ou observacionais de característica médica, bioquímica e social,
incluindo análise descritiva e ou inferências de dados próprios. Sua estrutura é a convencional, trazendo os
seguintes itens: Introdução, Métodos, Resultados, Discussão, Conclusão e Referências Bibliográficas;
• ARTIGOS DE REVISÃO: trabalhos que têm por objeto resumir, analisar ou sintetizar trabalhos de investiga-
ção já publicados em revistas científicas;
• ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO OU DIVULGAÇÃO: trabalhos que relatam informações geralmente atuais sobre
tema de interesse para determinada especialidade (uma nova técnica, por exemplo), e que têm característi-
cas distintas de um artigo de revisão;
• RELATO DE CASO: artigos que representam dados descritos de um ou mais casos, explorando um
método ou problemas por meio de exemplo. Apresenta as características do indivíduo estudado, com
indicação de sexo e idade, podendo ser realizado em humano ou animal;
• RESUMOS DE MONOGRAFIAS: trabalho de graduação e de pós-graduação mais relevantes e originais;1
• RESENHAS: comentários críticos de livros e/ou teses. Devem conter todas as informações para a identifi-
cação do livro comentado (autor; título; tradutor e título original, se houver; edição, se não for a primeira;
local; editora; ano; total de páginas; ISBN; e preço).
• CARTAS: comentários a artigos relevantes publicados anteriormente.
Nota: os artigos submetidos à revista devem preferencialmente enquadrar-se na categoria de relatos origi-
nais (científicos).
IV. Com exceção dos Resumos, a submissão dos manuscritos implica que o trabalho não tenha sido publi-
cado e não esteja sob consideração para publicação em outra revista.
V. A aceitação se dará observando-se os seguintes critérios:
a) adequação ao escopo da revista;
b) qualidade científica, atestada pela Comissão Editorial e por processo anônimo de avaliação por pares
(blind peer review),2 com consultores não remunerados, especialmente convidados, cujos nomes são divul-
gados anualmente, como forma de reconhecimento;
c) cumprimento das normas da SAÚDE EM REVISTA. O autor será informado do andamento do processo de
seleção e os originais enviados à Editora UNIMEP serão a ele devolvidos;
d) coerência do número de autores com as dimensões do projeto.
VI. Os artigos devem respeitar as seguintes dimensões (unidade-padrão: lauda de 1.400 toques** ou 20
linhas com 70 toques cada):
• ARTIGOS ORIGINAIS: 10 a 18 laudas (de 14.000 a 25.200 toques);3
• REVISÕES DE LITERATURA: 8 a 12 laudas (de 11.200 a 16.800 toques);
• ENSAIOS: 12 a 20 laudas (de 16.800 a 28.000 toques);
1 Resumos de monografias: encaminhar três cópias em papel e uma em disquete, contendo: título em português e inglês;
resumo em português e inglês; palavras-chave em português e inglês (mínimo: três; máximo: seis); nome do autor e curso;
nome do orientador; data da aprovação; total de páginas do texto original e documento do orientador atestando sua aprovação.
2Para maior detalhamento das etapas, v. item 2 de “Apresentação”.
3 Nesse total de toques, considerar também os espaços entre palavras.
*
1
1
*
**
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• RESUMOS DE MONOGRAFIAS: 1 lauda (até 1.400 toques);
• RESENHAS: 2 a 4 laudas (de 2.800 a 5.600 toques).
VII. A exatidão e a adequação das referências bibliográficas consultadas e menciondas no artigo são de inteira
responsabilidade do(s) autor(es).
VIII. Cabe à revista a exclusividade na publicação dos artigos aprovados.
IX. Os artigos podem sofrer alterações editoriais não substanciais (reparagrafações, correções gramaticais e
adequações estilísticas), que não modifiquem o sentido do texto. O autor poderá revisar as mudanças intro-
duzidas.
X. NÃO HÁ REMUNERAÇÃO PELOS TRABALHOS. Por artigo, o(s) autor(es) recebe(m) 1 (um) exemplar da
revista e 10 (dez) separatas do seu artigo. Ele(s) pode(m) ainda adquirir exemplares da revista com desconto
de 30% sobre o preço de capa, bem como a quantidade que desejar(em) de separatas, a preço de custo equi-
valente ao respectivo número de páginas e de cópias.
XI. Os artigos devem ser encaminhados à Comissão Editorial da revista por meio de ofício, no qual devem constar:
• DECLARAÇÃO de anuência e concordância dos autores, assinada por pelo menos um deles, indicando a
exclusividade de publicação na SAÚDE EM REVISTA, caso o artigo venha a ser aceito pela Comissão Editorial;
• CONCORDÂNCIA com as Normas para Publicação;
• CONSIDERAÇÕES ÉTICAS E LEGAIS: evitar o uso de iniciais ou números de registros hospitalares dos
pacientes. Um paciente não poderá ser identificado em fotografias, exceto com consentimento expressso,
por escrito, acompanhando o trabalho original. Estudos realizados em seres humanos devem estar de
acordo com padrões éticos e com o devido consentimento livre e esclarecido dos pacientes. Deve ser
incluída a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, devidamente registrada no Conselho Nacional de
Saúde ou na Universidade à qual o(s) autor(es) estejam vinculados, ou na instituição mais próxima ao seu
local de trabalho que o possa registrar;
• INDICAÇÃO DA CATEGORIA do manuscrito, conforme item 3.
Forma e preparação dos manuscritos 
Cada artigo deve conter os seguintes elementos:
I. IDENTIFICAÇÃO
• NOME e SOBRENOME do(s) AUTOR(es) (no caso de mais de um, indicar o responsável para troca de cor-
respondência);
• Telefone, e-mail e endereço para correspondência;
• TITULAÇÃO acadêmica, INSTITUIÇÃO a que cada autor está afiliado, acompanhado do respectivo ende-
reço, UNIDADE e FUNÇÃO do(s) autor(es); 
• DEPARTAMENTO e INSTITUIÇÃO em que o trabalho foi realizado;
• TÍTULO (e subtítulo, se houver): precisa(m) indicar claramente o conteúdo do texto e ser conciso(s), evi-
tando-se palavras supérfluas [título: máximo de 40 toques; subtítulos: máximo de 80 toques];
• SUBVENÇÃO: menção de apoio e financiamento eventualmente recebidos;
• Se tiver sido baseado em DISSERTAÇÃO ou TESE, indicar título, ano e instituição onde foi apresentada;
• Se tiver sido apresentado em REUNIÃO CIENTÍFICA, indicar nome do evento, local e data da realização
• AGRADECIMENTO, apenas se absolutamente indispensável.
Esses elementos devem ser descritos em folha individualizada, antecedendo o texto do artigo propriamente dito.
II. TEXTO
• TÍTULO do trabalho em português e inglês (textos em inglês devem apresentar título, resumo e palavras-
chave em português; textos em espanhol, título em inglês, abstract e keywords).
• RESUMO indicativo
e informativo, em português (intitulado Resumo) e inglês (denominado Abstract), em,
no máximo, 1.400 toques. Para fins de indexação, o autor deve indicar as palavras-chave ou descritores
(mínimo de três e máximo de seis) do artigo, em português e inglês (keywords). Recomenda-se o uso de DECS-
Descritores em Ciências da Saúde (LILACS: <http://www.bireme.br/ abd/P/lilacs.htm>, <http://decs.bvs.br>).
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Saúde em Revista 69
• TÍTULO ABREVIADO, com até 40 caracteres, para fins de legenda nas páginas impressas.
Documentação
As citações devem obedecer à apresentação aqui detalhada: 45
I. CITAÇÕES NO TEXTO
a) As referências ao longo do texto, assim como nas tabelas e figuras, devem ser identificadas por número
arábico e numeradas consecutivamente segundo a ordem em que são mencionadas no artigo. Esse número
precisa ser colocado em expoente (sobrescrito). Ao se citar dois autores de obra referenciada, seus sobre-
nomes devem estar ligados pela conjução “e”; no caso de mais de três, cita-se o primeiro autor seguido da
expressão “et al.” Exemplos:
• Terris et al.8 altualizam a clássica definição de saúde pública.
• O fracasso do movimento de saúde comunitária parece evidente.1, 5, 7
As NOTAS EXPLICATIVAS,* quando houver, precisam ser dispostas no rodapé, remetidas por asterisco (não por
número), sobrescrito no corpo do texto. Havendo mais de uma por página, o seu número corresponderá à
quantidade de astericos necessários para indicá-lo,** processo esse que será reiniciado em eventual nova página.
Toda vez que a citação for literal, ou específica a um trecho da obra, e tiver (a) menos que quatro linhas, ela
deve aparecer entre aspas, e não em itálico; se for (b) igual ou maior que quatro linhas deve ter recuo de qua-
tro centímetros das margens do texto (sem aspas), sendo destacada em parágrafo próprio, com corpo redu-
zido em relação ao restante do texto, pulando-se uma linha antes e outra depois da transcrição.
(a) ...Fica claro, portanto, que “as exigências nutricionais dos fungos que afetam papéis são carbono, hidro-
gênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre, potássio, magnésio, fósforo, ferro, zinco, cobre e manganês”, con-
forme afirma Kowalik17 (pp. 99-114).
(b) ...Como afirma Malerbi, discutindo o atendimento ao paciente diabético na rede básica do município
de São Paulo:
O atendimento de pacientes diabéticos ainda está dependendo da iniciativa pessoal dos profissio-
nais que atuam nos postos, os quais, quando têm interesse, deparam-se com dificuldades relativas a
critérios, medicamentos, materiais, recursos auxiliares etc. As maiores dificuldades residem,
porém, quanto ao treinamento e atualização das equipes, e quanto ao sistema de referência e con-
tra-referência, o qual é extremamente complicado, burocratizado e ineficaz. (Malerbi,8 p. 31)
Os demais complementos (nome completo do autor, nome da obra, cidade, editora, ano de publicação etc.)
constarão das Referências Bibliográficas, ao fim de cada artigo, seguindo o padrão abaixo.
II. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
As Referências Bibliográficas são limitadas a 30, nos textos que se enquadram nas categorias Artigos Origi-
nais, Revisão e Ensaio. As referências ao longo do texto (citações), assim como tabelas e figuras, devem ser
identificadas por número arábico e numeradas consecutivamente, e normatizadas de acordo com o estilo
Vancouver (<www.icmje.org>). Os títulos de periódicos devem ser referidos de forma abreviada, de acordo
com o Index Medicus (<http://bioinfo.ernet.in/~shubha/IndexMedicus/IndexMedicus-A.html>). Publica-
ções com dois autores até o limite de seis citam-se todos; acima de seis autores, citam-se os seis primeiros,
seguidos de “et al.”, de acordo com o padrão abaixo.
Artigos em periódicos
1. Listar os seis autores seguidos por “et al.”.
• Vega KJ, Pina I, Krevsky B. Heart transplantation is associated with an increased risk for pancreatobili-
ary disease. Ann Intern Med 1996 Jun 1;124 (11):980-3. 
Como opção, se o periódico tem paginação contínua e não apresenta numeração, pode ser omitido o
número da revista:
4 *Nota explicativa no rodapé da página.
5**Uma eventual segunda nota na mesma página será indicada por dois asteriscos.
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• Vega KJ, Pina I, Krevsky B. Heart transplantation is associated with an increased risk for pancreatobili-
ary disease. Ann Intern Med 1996;124:980-3.
Para mais de seis autores: 
• Parkin DM, Clayton D, Black RJ, Masuyer E, Friedl HP, Ivanov E, et al. Childhood leukaemia in
Europe after Chernobyl: 5 year follow-up. Br J Cancer 1996;73:1006-12.
2. Organizados como autores 
• The Cardiac Society of Australia and New Zealand. Clinical exercise stress testing. Safety and perfor-
mance guidelines. Med J Aust 1996; 164: 282-4.
3. Nenhum autor apresentado.
• Cancer in South Africa [editorial]. S Afr Med J 1994;84:15.
4. Volume ou artigo com suplemento 
• Shen HM, Zhang QF. Risk assessment of nickel carcinogenicity and occupational lung cancer. Environ
Health Perspect 1994;102 Suppl 1:275-82.
• Payne DK, Sullivan MD, Massie MJ. Women’s psychological reactions to breast cancer. Semin Oncol
1996;23(1 Suppl 2):89-97.
5. Artigo sem volume 
• Turan I, Wredmark T, Fellander-Tsai L. Arthroscopic ankle arthrodesis in rheumatoid arthritis. Clin
Orthop 1995;(320):110-4.
6. Nenhum título ou volume 
• Browell DA, Lennard TW. Immunologic status of the cancer patient and the effects of blood transfusion
on antitumor responses. Curr Opin Gen Surg 1993:325-33.
7. Paginação em algarismos romanos
• Fisher GA, Sikic BI. Drug resistance in clinical oncology and hematology. Introduction. Hematol Oncol
Clin North Am 1995 Apr;9(2):xi-xii.
8. Autores citados em outros artigos 
• Enzensberger W, Fischer PA. Metronome in Parkinson’s disease [letter]. Lancet 1996;347:1337. Clem-
ent J, De Bock R. Hematological complications of hantavirus nephropathy (HVN) [abstract]. Kidney Int
1992;42:1285.
Livros e monografias
• Ringsven MK, Bond D. Gerontology and leadership skills for nurses. 2nd ed. Albany (NY): Delmar
Publishers; 1996.
• Norman IJ, Redfern SJ, editors. Mental health care for elderly people. New York: Churchill Livings-
tone; 1996.
• Institute of Medicine (US). Looking at the future of the Medicaid program. Washington: The Institute;
1992.
• Phillips SJ, Whisnant JP. Hypertension and stroke. In: Laragh JH, Brenner BM, editors. Hypertension:
pathophysiology, diagnosis, and management. 2nd ed. New York: Raven Press; 1995. p. 465-78.
• Kimura J, Shibasaki H [editors]. Recent advances in clinical neurophysiology. Proceedings of the 10th
International Congress of EMG and Clinical Neurophysiology; 1995 Oct 15-19; Kyoto, Japan. Amster-
dam: Elsevier; 1996.
• Bengtsson S, Solheim BG. Enforcement of data protection, privacy and security in medical informatics.
In: Lun KC, Degoulet P, Piemme TE, Rienhoff O, editors. MEDINFO 92. Proceedings of the 7th World
Congress on Medical Informatics; 1992 Sep 6-10; Geneva, Switzerland. Amsterdam: North-Holland;
1992. p. 1561-5.
1. Dissertação ou tese
• Ferreira SJ. Caracterização molecular da Xillela fastidiosa [Dissertação ou Tese]. Piracicaba (SP): Univer-
sidade de São Paulo; 2000.
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