Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA DE MANHUAÇU JOSÉ DIRCEU, brasileiro, solteiro, estudante, menor púbere, e JAQUELINE RORIZ, brasileira, solteira, estudante, menor impúbere, neste ato assistido e representada respectivamente por seus guardiões VILA LOBO, brasileiro, casado, lavrador, portador do CPF xxxx, e do RG xxxx e ANÁLIA RODRIGUES, brasileira, casada, lavradora, portadora do CPF xxxx, e do RG xxxx, residentes no Córrego do Piabanha, sem número, perto da fazenda do João Mineiro, em Manhuaçu/MG, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, por seu advogado infra-assinado (mandato incluso), DR. XXXX, brasileiro, casado, advogado, inscrito na OAB/MG sob o número xxx, com escritório à Rua Luiz Cerqueira, nº 10, centro, nesta cidade, propor a presente: AÇÃO DE ALIMENTOS Em desfavor de LUIS INACIO, brasileiro, viúvo, aposentado, residente na Rua Martins Soares nº 15, Centro, Manhumirim/MG, pelos fatos e fundamentos que passa a expor: I – DOS FATOS O requerido é genitor dos menores JOSÉ DIRCEU, de 17 (dezessete) anos, e de JAQUELINE RORIZ, atualmente com 06 (seis) anos de idade, conforme se verifica em documentos em anexo. Acontece que os menores residem com os tios maternos, possuindo estes a guarda das crianças desde a data do trágico acidente automobilístico que levou a óbito Dilma Roussef, genitora. Nesse mesmo acidente, o genitor, ora requerido, também se feriu gravemente e teve sua perna direita amputada. Como se não bastasse o nefasto ocorrido, o requerido ao invés de voltar sua atenção para os filhos apoiando-os neste momento tão difícil preferiu uma vida hipócrita numa comodidade cínica e egoísta. Logo se enveredou pela vida boêmia, tornou-se alcoólatra e um autêntico usuário de drogas, chegou ao fundo do poço, revelando a crassa franqueza que o ser humano pode atingir. Após todo o ocorrido, os tios de José Dirceu e Jaqueline Roriz, obtiveram a guarda definitiva das crianças, e ainda possuem a intenção de adotá-los. Porém, Vossa Excelência, apesar de todo amor e carinho que os tios sentem pelos sobrinhos, e ainda de trabalharem duro para o sustento, saúde e boa educação deles, os tios se encontram em uma situação financeira bastante miserável, pois são lavradores e a última colheita não foi suficiente para arcar com todas as despesas básicas da família. Procurado várias vezes para eventual ajuda financeira que pudesse contribuir com a mantença dos filhos, o genitor quedou-se inerte. É importante ressaltar ainda, que o requerido percebe remuneração mensal de dois salários mínimos, uma proveniente de sua aposentadoria por invalidez e a outra da pensão pela morte da esposa. Tendo-se em vista que a situação dos requerentes é grave, e que o requerido tem condição financeira para tanto, não resta alternativa senão a presente busca pela tutela jurisdicional. II – DOS FUNDAMENTOS Reza o art. 227 da Constituição Federal de 1988, que: “É dever da família (grifo nosso) assegurar a criança o Direito à Vida, à Saúde, à Alimentação (grifo nosso), à Educação[...] As necessidades dos Requerentes são muitas e notórias, englobando: alimentação, vestuário, moradia, assistência médica e odontológica, educação, dentre outras. E ainda o art. 1694 do Código Civil de 2002, corrobora conosco, ocasião que gostaríamos de transcrevê-lo: “Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação.” § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. É garantido também em nossa Lei Maior, a Constituição Federal de 1988, elencado em seu art. 1º, inciso III, c/c com o art. 1695 da Lei 10406/2002, in verbis: “Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: [...] - III - a dignidade da pessoa humana” “Art. 1695 - São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento.” II – DOS PEDIDOS Por derradeiro, restando infrutíferas todas as tentativas para uma saída suasória, não restou aos Requerentes outra alternativa senão a propositura da presente Ação de Alimentos, para que seu Genitor, ora Requerido, seja compelido a contribuir com o necessário para que os Requerentes sobrevivam com um mínimo de dignidade, e para tanto requer: A - A citação por meio de carta precatória do Requerido, no endereço declinado no intróito desta, para comparecer em audiência a ser designada pelo Juízo, sob pena de confesso, quando, querendo, poderá contestar o feito, no prazo legal, sob pena de sujeitar-se aos efeitos da revelia; B - Que seja deferido ao Requerente os benefícios da justiça gratuita por ser pobre na acepção jurídica da palavra, não podendo arcar com as despesas processuais sem privar-se do seu próprio sustento e de sua família; C – Que seja concedida Ordem Liminar para a fixação de Alimentos provisórios na proporção de 30% (trinta por cento) do salário mínimo vigente, em face da situação de necessidade experimentada pelos Requerentes, conforme demonstrado com os documentos acostados a esse feito e as possibilidades financeiras do Requerido, desde o despacho deste pedido, nos termos do art. 4º da Lei nº. 5.478/68: “Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor [...]” D - A intimação do ilustre representante do Ministério Público para intervir no feito ad finem; E - Que, ao final, seja a AÇÃO JULGADA PROCEDENTE, condenando-se o Requerido ao pagamento dos Alimentos Definitivos na proporção de 50% (cinquenta por cento) salário mínimo vigente, que deverá ser depositado em conta corrente em nome da genitora dos menores, que deverá ser aberta especificamente para esse fim. F – Requer ainda que seja o Requerido condenado ao pagamento das custas processuais e honorárias advocatícios, esse último segundo o prudente arbítrio de Vossa Excelência; G - Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, além dos documentos que ora junta, notadamente pelo depoimento pessoal do Requerido, sob pena de confesso e também da oitiva de testemunhas que serão arroladas oportunamente. À presente demanda atribui-se o valor de R$ 4.068,00 (quatro mil e sessenta e oito reais) para todos os efeitos legais. Nestes termos, Pede Deferimento Reduto/MG, 01 de abril de 2013. ____________________________ Dr. xxxxx