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TRABALHO FEITO PARA CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA
COMPILAÇÃO DE INFORMAÇÕES PINÇADAS DA INTERNET
O USO DO CONTEÚDO É SUA RESPONSABILIDADE TOTAL
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SUMÁRIO
51 INTRODUÇÃO	
2 A FLORESTA TROPICAL	6
2.1 A estrutura da floresta tropical	7
2.2 O Dossel	10
3 A MATA ATLÂNTICA	12
3.1 Perfil da Vegetação da Mata Atlântica	13
4 A BIODIVERSIDADE	14
5 O SOLO DA FLORESTA TROPICAL	15
6 A FLORA DA FLORESTA TROPICAL	17
6.1 Perfil da Vegetação da Floresta Tropical	17
7 A FAUNA DA FLORESTA TROPICAL	21
8 A PRESENÇA E AÇÃO DO HOMEM NA FLORESTA TROPICAL	26
8.1 O preço do "progresso"	26
8.2 As conseqüências do desmatamento	27
9 CONCLUSÃO	33
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LISTA DE FIGURAS
Figura 1- Floresta Tropical	6
Figura 2- Distribuição das Florestas Tropicais pelo mundo	7
Figura 3- Distribuição das Camadas Verticais de uma Floresta Tropical	8
Figura 4- Dossel	11
Figura 5- Mata Atlântica	13
Figura 6- Corte Esquemático do solo da Floresta Tropical	15
Figura 7- Perfil da Floresta Amazônica	17
Figura 8- Árvore coberta de Epífitas	18
Figura 9- Infográfico sobre o desmatamento da Floresta Atlântica	27
Figura 10- Floresta após queimada	28
Figura 11- Erosão em Floresta Tropical	29
Figura 12- Gado novo pastando onde era floresta	30
Figura 13- Floresta após o desmate	32
Figura 14- Infográfico sobre o desmatamento	32
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INTRODUÇÃO
Uma floresta tropical é composta por várias camadas distintas e seu mundo estende-se desde um metro abaixo da terra até sessenta metros sobre ela.
As florestas tropicais são encontradas nas regiões dos trópicos – daí o seu nome – e abrigam a maior biodiversidade do planeta. Sua importância é avaliada pelos inúmeros movimentos voltados à sua conservação espalhados por todo o mundo, dada a exploração desenfreada que se tem conduzido sobre elas.
Essas florestas são base para a manutenção da estabilidade climática do planeta, bem como fonte inesgotável de recursos minerais, orgânicos e de subsistência para toda a população mundial. Sem contar que sua biodiversidade permite a todo instante a descoberta de medicamentos e outros produtos necessários ao bom viver da humanidade.
Entretanto, a sede desenfreada de lucro fácil e rápido tem colocado essas maravilhas da natureza em risco. O desmatamento para fins de agricultura e pecuária – apesar de seu solo ser impróprio para culturas – tem trazido conseqüências desagradáveis para o ecossistema tropical. A luta incessante de muitos grupos de defesa tem trazido resultados significativos e o serviço prestado pelos meios de comunicação tem ajudado a conter e até mesmo impedir essa ação nefasta. Porém, a verdadeira solução está na implementação de medidas sócio-educativas junto às populações que habitam essas florestas e a fiscalização intensiva contra os crimes praticados pelos exploradores sem escrúpulos, com aplicação de pesadas multas.
As florestas tropicais e suas características, descritas a seguir, são ecossistemas frágeis – apesar de sua imensidão e complexidade – e necessitam do auxílio do homem para não desaparecer.
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A FLORESTA TROPICAL
Florestas tropicais são os ecossistemas mais diversos na Terra e também os mais antigos. Elas abrigam mais da metade das espécies de plantas e animais do planeta e são florestas com árvores altas, de clima quente e que recebem muita chuva durante o ano. Em algumas áreas de florestas tropicais chove mais do que 25 milímetros (1 polegada) todo dia. A temperatura fica em torno de 24 a 27 ºC todo o ano.
Estão localizadas nos trópicos, a região que fica entre o Trópico de Capricórnio e o Trópico de Câncer. Nesta região, o sol é muito forte e brilha na mesma quantidade de tempo todos os dias, durante o ano inteiro, fazendo com que o clima sempre fique quente e estável e são encontradas na África, Ásia, América Central e América do Sul. A maior floresta tropical úmida do mundo é a Floresta Amazônica.
Pode ser chamada de Equatorial quando ocorre na zona equatorial do planeta, como a Floresta Amazônica, na América do Sul; a Floresta do Congo, na África e a Floresta da Indonésia, na Ásia. Trata-se de uma formação vegetal exuberante, adaptada a ambiente úmido, e latifoliada – com vegetais de folhas largas e chatas. Possui característica heterogênea, abrigando grande biodiversidade.
Os países com maiores quantidades de florestas tropicais são:
Brasil;
República Democrática do Congo;
Peru;
Indonésia;
Colômbia;
Papua Nova Guiné;
Venezuela;
Bolívia;
México;
Suriname.
A estrutura da floresta tropical
Uma floresta tropical é composta por várias camadas distintas. O explorador Alexander Von Humboldt a descrevia como uma "floresta sobre uma floresta". Cada uma dessas camadas constitui um habitat específico para os animais e as plantas que nele vivem. Dessa forma, uma floresta tropical sustenta várias comunidades bastante diferenciadas entre si.
O mundo da floresta tropical estende-se desde aproximadamente um metro abaixo da terra até sessenta metros sobre ela. Na parte mais alta estão as árvores emergentes, os gigantes dispersos da floresta, com mais de 50 metros de altura. Cerca de 10 metros abaixo, está a dossel, uma camada contínua de copas de árvores que estende-se além do alcance da vista. Essa ordenação espacial da floresta tropical, protege o solo e oferece mais espaço nos nichos que outros habitats terrestres. A dossel consiste em 3 sub-camadas: dossel superior – a camada mais alta (abaixo dos gigantes dispersos), com 40 - 50 metros de altura e 30 - 40 árvores/h.; dossel média – abaixo da dossel superior, árvores ao redor de 30 metros de altura e 80 - 160 árvores/hec.; dossel inferior – aqui encontram-se palmeiras, bambus e árvores jovens, de 5 - 20 metros de altura e 400 - 500 árvores/h.
Pousada nos troncos e galhos das árvores estão as epífitas ou trepadeiras, plantas que não possuem raízes fincadas no chão ou precisam do amparo de outras árvores com troncos firmes, para erguerem-se. Ainda temos o chão (solo) da floresta. Aqui a matéria morta protege a capa superficial do solo e é o único recurso significativo de nutrientes. Os microorganismos chamados decompositores ou desintegradores, transformam essa matéria orgânica em nutrientes, alimento que as plantas da floresta absorvem através das suas raízes. Esse processo é conhecido como ciclo dos nutrientes. Infelizmente esta delicada rede é destruída facilmente pelas queimadas. As espécies da floresta tropical tendem a ser altamente especializadas, interdependentes, e portanto, vulneráveis às perturbações do habitat. A maioria das plantas desenvolvidas das florestas está mais próxima do sol. A maior parte dos animais, incluindo macacos, pássaros e rãs vivem na dossel. Os grandes mamíferos como a anta da América do Sul e elefantes da Ásia são tão pesados para escalar dentro das camadas mais altas, que vivem no obscuro da dossel inferior e no solo da floresta.
O segredo que faz esse sistema funcionar é que a floresta tropical reusa quase tudo que cai no solo através da decomposição da matéria orgânica. A maior parte dos nutrientes estão na biomassa, a massa de animais e plantas vivas acima do solo. Florestas tropicais igualmente reciclam sua própria chuva. Como a água evapora na floresta, ela forma nuvens acima da dossel que mais tarde cai em forma de chuva.
No passado, cientistas se referiam às florestas tropicais como "pulmões do mundo" por causa do grande volume de oxigênio que elas produzem. Evidências mais recentes mostram que elas não têm tanto efeito no suprimento de oxigênio mundial. A decomposição da matéria de plantas mortas consome aproximadamente o mesmo tanto de oxigênio que as plantas vivas produzem.
Mas estas florestas têm um papel principal no ecossistema global. Alguns especialistas agora as estão chamando de "ar condicionado do mundo", porque as profundidades escuras absorvem calor do sol. Sem a cobertura florestal estas regiões refletiriam ainda mais calor na atmosfera, aquecendo o resto do mundo. Perder as selvas pode ainda
afetar profundamente os padrões globais de ventos e chuvas, causando potencial aridez através dos Estados Unidos e outras áreas. O próprio ato do desmatamento afeta o meio ambiente como um todo. Aproximadamente 30% do dióxido de carbono liberado no ar (um fator líder do aquecimento global) vem da queima das selvas.
Cada floresta tropical úmida é única, mas há certas características em comum para todas as florestas tropicais:
Localização: as florestas tropicais encontram-se nos trópicos;
Precipitação: as florestas tropicais recebem pelo menos 2.000 mm (80 polegadas) de chuva por ano;
Dossel: as florestas tropicais têm um dossel que é a camada de galhos e folhas das árvores tropicais que se encontram proximamente espaçadas entre elas;
Biodiversidade: as florestas tropicais têm um alto nível de diversidade biológica ou biodiversidade. Biodiversidade é o nome para todas as coisas vivas – como plantas, animais e fungos – encontrados em um ecossistema. Os cientistas acreditam que aproximadamente a metade das plantas e animais encontrados na superfície terrestre vive nas florestas tropicais úmidas.
Relações simbióticas entre as espécies: as espécies nas florestas tropicais geralmente trabalham juntas. Uma relação simbiótica é uma relação onde duas diferentes espécies ambas se beneficiam por ajudar uma a outra. Por exemplo, as plantas produzem pequenas estruturas de abrigo e açúcar para as formigas. Por sua vez, as formigas protegem as plantas de outros insetos predadores que podem querer se alimentar das folhas das formigas.
A Dossel
Na floresta tropical a vida animal e vegetal nem sempre é encontrada sobre o chão da floresta, mas sim nas folhagens das árvores muito acima do chão, conhecido como dossel. A dossel, que pode ter mais do que 25 metros de altura, é resultado da sobreposição dos galhos e folhas das árvores. Os cientistas estimam que 70 - 90% da vida na floresta tropical é encontrada sobre as árvores, fazendo com que a dossel seja o mais rico habitat para a vida das plantas e animais. Muitos animais bastante conhecidos, como os macacos, sapos, lagartos, pássaros, preguiças, cobras e pequenos felinos são encontrados na dossel.
O ambiente da dossel é muito diferente do ambiente próximo ao chão da floresta. Durante o dia, a dossel é mais seca e mais quente do que outras partes da floresta e as plantas e animais que vivem na dossel são especialmente adaptadas para viver neste local. Por exemplo, devido que a grande quantidade de folhas na dossel torna difícil visualizar não mais do que poucos metros. Muitos animais de dossel contam com certas especializações para se comunicar neste ambiente, como determinados sons. Os espaços entre as árvores permitem que alguns animais de dossel voem, deslizem, ou pulem para mover-se entre os topos das árvores.
Os cientistas há muito tempo estão interessados em estudar a dossel, mas por causa da altura das árvores das florestas tropicais, a pesquisa tem sido difícil até recentemente. Hoje em dia, no entanto, há algumas facilidades como postes com corda, escadas e torres para ajudar os cientistas descobrirem os segredos da dossel.
A dossel é apenas uma das camadas verticais da floresta tropical. A figura abaixo mostra além da dossel as outras camadas da floresta (o sobre-dossel, o sub-bosque, a camada de arbustos e o chão da floresta).
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A MATA ATLÂNTICA
A Mata Tropical compõe o domínio da Mata Atlântica, também conhecida como Floresta Tropical Atlântica. É uma das florestas tropicais mais ameaçadas do mundo e a mais devastada em 500 anos de colonização do Brasil.
Área: a Mata Atlântica chegou a cobrir 15% do território nacional, entre o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul - cerca de 1,3 milhão de km2. Destruída no período colonial para dar lugar à agricultura canavieira no Nordeste; mais tarde cedeu espaço à produção cafeeira no Sudeste; devastada pela expansão industrial e a especulação imobiliária, a mata está reduzida hoje a 7% de sua área original - cerca de 90.000 km2. Seus domínios estendem-se principalmente pelas terras altas - escarpas dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, em especial na Serra do Mar e na Serra Geral, caracterizando o centro-sul de Minas Gerais, grande parte do Estado de São Paulo e trechos planálticos e serranos dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Clima: a Mata Atlântica sofre influência de duas variações do clima tropical que ocorrem na região costeira, onde planaltos e serras impedem a passagem das massas de ar para o interior - provocando as chuvas orográficas constantes na região. Essas chuvas, também chamadas de chuvas de relevo, ocorrem porque as escarpas de planalto barram a umidade transportada pelos ventos oceânicos. Nas regiões de relevo mais elevado, a tropicalidade é amenizada pela altitude, caracterizando outro tipo climático.
Tropical semi-úmido: quente e úmido, com temperaturas médias variando entre 22 °C e 25 °C e precipitação estacional marcada por um período com déficit hídrico durante o ano e, excepcionalmente com dois meses de umidade escassa. Por outro lado há uma grande umidade concentrada nos ambientes das escarpas de planalto, influenciadas pelas chuvas orográficas, onde temos o clima Tropical Úmido de Encosta. Tropical de altitude: com chuvas de verão e estiagem de inverno. Devido à conjugação de latitude, altitude e penetração de frentes frias, este domínio sofre importantes quedas de temperatura. Caracteriza as terras altas dos Planaltos e Serras do Atlântico-Leste-Sudeste.
Perfil da Vegetação da Mata Atlântica
Com solos de baixa fertilidade, a floresta é constituída por grandes árvores nos terraços aluviais e nos tabuleiros terciários, onde se encontram ricas espécies vegetais como o jequitibá-rosa – que atinge até 40 m de altura –, o cedro, a figueira, o ipê e a braúna. Nas escarpas de planalto, encontram-se árvores de porte médio como o pau-brasil, palmeiras e trepadeiras lenhosas, com farta vegetação rasteira, em função da penetração da luz propiciada pela inclinação dos terrenos.
Apesar da devastação, a floresta ainda abriga quantidade significativa de espécies animais e vegetais. É por essa razão que os movimentos ambientalistas brasileiros, entre os quais se destaca a SOS Mata Atlântica, têm dedicado tanto esforço à causa de um patrimônio que não pode ser considerado perdido.
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A BIODIVERSIDADE
Um viajante que percorrer os 5 mil quilômetros que separam o Alasca da costa atlântica do Canadá vai encontrar pequena diversidade de vida nas enormes extensões de florestas temperadas pelas quais passará. Se for atento poderá registrar no máximo 200 espécies de vegetais, com cerca de apenas dez variedades por hectare. Se, em seguida, esta mesma pessoa percorrer alguns poucos quilômetros de uma floresta tropical, ficará surpresa com a mudança radical na exuberância e com a diversidade de espécies. São mais de 600 espécies por hectare, com até 400 tipos diferentes de árvores. Das 250 mil espécies de vegetais superiores conhecidas da ciência, 90 mil encontram-se na América Latina tropical, 30 mil nas zonas tropicais da África e 35 mil nas da Ásia.
Nas florestas tropicais, que recobrem apenas 7% da superfície terrestre, está cerca da metade do total de espécies do planeta. Esta fantástica diversidade de vida confere a estes ecossistemas um potencial de recursos para utilização pelo homem jamais imaginado.
Somente no campo medicinal, há na Floresta Amazônica 1.300 diferentes vegetais com reconhecido valor terapêutico. Nas florestas tropicais asiáticas, onde as civilizações atingiram maior desenvolvimento, este número é pelo menos dez vezes maior. Atualmente, 25% dos remédios que o homem utiliza nos países desenvolvidos possuem elementos retirados das florestas tropicais, porcentagem em progressivo crescimento.
Pesquisas recentes demonstram que problemas de saúde até então insuperados pela humanidade podem ser solucionados com auxílio de componentes retirados das matas tropicais. Encontram-se catalogados pelo menos 1.400 vegetais
com substâncias anticancerígenas. Uma pequena planta das florestas de Madagascar, ameaçada de extinção, aumentou as chances de sobrevivência de crianças com leucemia de 10% (1960) para 90% (1980).
O SOLO DA FLORESTA TROPICAL
O solo das florestas tropicais não é rico. As folhas no chão da floresta apodrecem e se transformam em nutrientes, que logo são aproveitados pelas árvores.
Cogumelos proliferam em galhos e apodrecem.
Bactérias no solo decompõem tudo o que resta.
O piso da floresta é a sua camada mais inferior. O chão é coberto por uma fina camada de serapilheira. Ela é protegida pelas folhas e outras estruturas vegetais que caem das árvores ao longo do ano. Esse material, que serve de alimento a muitos insetos, entra em rápida decomposição na atmosfera úmida.
A fina camada resultante desse processo fornece as condições necessárias para o crescimento de várias espécies de fungos, sendo muitas semelhantes a guarda-sóis, outras a lascas de vidro e algumas são até mesmo fosforescentes.
As folhas e os galhos da dossel fazem com que o chão da floresta tropical seja um local escuro e úmido. No entanto, apesar da constante sombra, o chão da floresta é uma parte importante do ecossistema florestal.
O chão da floresta é onde a decomposição se realiza. A decomposição é o processo pelo qual os decompositores como os fungos e os microorganismos vão quebrando as plantas mortas, reciclando materiais essenciais e nutrientes necessários à sobrevivência das plantas.
As raízes das árvores da floresta tropical e a vegetação como um todo, ajudam a protegem o solo. Quando as árvores são cortadas não há mais nada para proteger o chão e os solos são rapidamente lavados com a chuva. O processo de carregar (lavar) o solo é conhecido como erosão.
Conforme os solos são carregados para os rios, ocorrerão problemas para os peixes e para as pessoas. Os peixes sofrem porque a água torna-se bastante túrvida, ao passo que as pessoas têm problemas para navegar devido que os rios tornam-se rasos em função do aumento da quantidade de sedimentos na água. Enquanto isso, os fazendeiros perdem o solo que é importante para o plantio.
O solo da Amazônia é rico em minérios de ferro, manganês, estanho, além de ouro, esmeraldas, diamantes e outras pedras preciosas. Mas é pobre em substâncias necessárias à sobrevivência dos vegetais. Desse modo, como crescem tantas árvores na região? É que frutos, galhos e folhas que caem no solo, bem como restos de animais, apodrecem rapidamente com o calor e a umidade, pois a Amazônia é quente e chuvosa. Essa decomposição dá à terra o que as plantas precisam para viver. Removida a vegetação, esse adubo natural é levado pela chuva junto com a terra.
Nem todo solo da Amazônia depende da floresta, Nas várzeas, periodicamente invadidas pelas enchentes, é o rio que enriquece o solo. Mesmo nas terras altas, onde as águas dos rios não chegam, há solos ricos, principalmente em Rondônia e no Acre.
No chão, sobre um tapete fofo de folhas que se desfazem, um ou outro pequeno roedor vem procurar frutos caídos. Ali também vive uma infinidade de pequenos animais – insetos, aranhas, fungos e bactérias – que decompõem folhas, galhos, animais mortos e deles se alimentam. O resultado dessa decomposição é uma grossa camada de húmus que enriquece o solo pobre da região. Nele as árvores espalham suas raízes superficiais para retirar as substâncias de que necessitam para viver.
A FLORA DA FLORESTA TROPICAL
Perfil da Vegetação da Floresta Tropical
A Amazônia tem em seu domínio a mais diversificada e rica formação vegetal do mundo. Muito heterogênea, suas matas dividem-se em três tipos principais:
Igapó – nas partes mais baixas, dentro dos leitos fluviais, permanentemente inundadas, cujo símbolo é a vitória-régia. É a mata mais emaranhada (fechada) e de difícil penetração;
Várzea – nas baixadas marginais, atingidas por inundações periódicas, nas épocas das cheias. É a mata rica em seringueiras, jatobás e palmeiras;
Caá-etê ou mata de terra firme – corresponde às partes mais elevadas – os baixos platôs – livres das inundações, onde as árvores alcançam até 60 m de altura. O entrelaçamento de suas copas, em algumas regiões, impede quase totalmente a passagem da luz, o que torna o interior da mata muito úmido, escuro e pouco ventilado, com aspecto sombrio e insalubre. A mata de terra firme ocupa a maior área da Amazônia.
De maneira geral, a Floresta Amazônica apresenta-se sempre verde, perene, disposta em andares, com vegetais de todos os tamanhos e rica em espécies, com impressionante exuberância.
A floresta, que já foi famosa pela extração de látex e de castanha-do-pará, e pela cultura do guaraná, hoje é vista pelo mundo como o maior reservatório de biodiversidade do planeta – 30 mil, das 100 mil espécies de plantas existentes em toda a América Latina, estão na Floresta Amazônica. Além de uma fauna riquíssima, na região encontram-se mais de 2,5 mil espécies diferentes de árvores.
As empresas de exploração agrícola e madeireira e o extrativismo vegetal e mineral garantem a subsistência das comunidades nativas e indígenas.
Por outro lado, o desmatamento provocado pela extração ilegal de madeira e pelas queimadas para limpeza do solo destinado à agricultura é considerado o problema ecológico brasileiro mais urgente.
Vimos que a ampla luz solar e o clima extremamente úmido de muitas áreas tropicais encoraja o crescimento de árvores altas com largas copas. Esta grossa camada alta da selva dita as vidas das outras plantas na floresta. Novos brotos raramente sobrevivem até o topo a menos que alguma árvore antiga morra, criando um "buraco" na cobertura. Quando isso acontece, todos os brotos ao nível do solo competem intensamente o alcance da luz solar. A maioria das plantas sobrevive tirando vantagem das árvores que formam a camada da cobertura.
Muitas espécies de plantas alcançam o topo da floresta escalando as árvores altas. É muito mais fácil ascender dessa forma, porque a planta não precisa formar sua própria estrutura de suporte. As lianas, plantas longas e amadeiradas, podem crescer mais de 20 cm para cima, escalando árvores altas por todo o caminho até a camada da cobertura. No topo da floresta, estas trepadeiras podem se espalhar de árvore em árvore, fazendo a camada de cobertura ainda mais grossa.
Algumas espécies de plantas, chamadas epífitas, crescem diretamente na superfície das árvores gigantes. Estas plantas, que incluem uma variedade de orquídeas e samambaias, formam a área mesófila, a camada da selva exatamente sob a cobertura. Epífitas estão perto o suficiente da cobertura para receber luz adequada e a água que corre na camada de cobertura oferece todos os nutrientes que elas precisam, já que não têm acesso aos nutrientes do solo.
Algumas epífitas, que nascem na copa e galhos das árvores, eventualmente se desenvolvem como estrangulantes. Elas desenvolvem raízes longas e grossas que se estendem para baixo do tronco da árvore dentro do solo. Como continuam a crescer, as raízes formam um tipo de estrutura de teia ao redor da árvore. Ao mesmo tempo, os galhos da planta estrangulante crescem para cima, se espalhando sobre a cobertura. Eventualmente, a estrangulante pode bloquear tanto da luz de cima e absorver uma porcentagem tão alta de nutrientes do solo abaixo, que a planta hospedeira morre. Quando a hospedeira se decompõe, a gelosia da raiz estrangulante permanece, dando à planta a estrutura necessária para chegar desde o solo da floresta até a cobertura.
A competição por nutrientes é quase tão intensa quanto a competição pela luz. A chuva excessiva dissolve rapidamente os nutrientes no solo, fazendo-o relativamente infértil, exceto nas camadas superficiais. Por esta razão, as raízes das árvores da selva crescem exteriormente para cobrir uma área maior, ao invés de crescer para baixo a níveis mais profundos. Isso faz das árvores da floresta tropical um tanto instáveis, já que elas não têm bases fortes no solo. Algumas árvores
compensam isto desenvolvendo suportes naturais. Estes suportes são basicamente troncos de árvores que se estendem lateralmente e na direção do solo, dando à árvore suporte adicional.
Estas árvores são dependentes de bactérias que estão continuamente produzindo nutrientes no solo. As bactérias da floresta e as árvores têm uma relação muito próxima, simbiótica. As árvores fornecem a bactéria com alimento, na forma de folhas caídas e outras matérias, e a bactéria quebra essa matéria nos nutrientes que as árvores precisam para sobreviver. Mesmo com este impressionante ciclo simbiótico, os nutrientes são escassos. Algumas espécies de plantas recolhem nutrientes capturando insetos ou apanhando material de plantas que cai da cobertura.
Um dos fatos mais marcantes sobre plantas da floresta tropical é a diversidade. As florestas temperadas do noroeste do Pacífico são principalmente compostas de uma dezena ou mais de espécies de árvores. Uma floresta tropical, por outro lado, pode ter centenas espécies de árvores distintas. Estas plantas estão espalhadas sobre outras áreas. Uma espécie inteira pode ser representada apenas por algumas plantas individuais.
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A FAUNA DA FLORESTA TROPICAL
As florestas tropicais são o lar para a maioria das espécies animais no mundo. E um grande número de espécies que agora vivem em outros ambientes, incluindo os humanos, originalmente habitavam estas florestas. Pesquisadores estimam que em uma grande área de selva, pode haver mais de 10 milhões de espécies diferentes de animais.
A maioria destas espécies se adaptaram para a vida em níveis mais altos na selva, onde o alimento é mais abundante. Insetos, que podem facilmente escalar ou voar de árvore em árvore, formam o maior grupo; formigas são os animais mais abundantes. Espécies de insetos têm uma grande relação simbiótica com as plantas numa floresta. Os insetos se movem de planta em planta, aproveitando a riqueza de alimento oferecida ali. Enquanto viajam, os insetos apanham muitas sementes de plantas, derrubando-as a alguma distância. Isto ajuda a dispersar a população de espécies de planta sobre uma área maior - debaixo da cobertura, o vento não é forte o suficiente para carregar sementes numa distância significante, então as plantas dependem totalmente de animais para a dispersão de sementes. Insetos menos nocivos podem também ajudar uma planta lutando contra uma espécie de inseto destrutivo.
Os numerosos pássaros também têm um papel importante na dispersão de sementes. Quando eles comem frutas de uma planta, as sementes passam através de seus sistemas digestivos. Quando eles excretam as sementes, os pássaros podem já ter voado vários quilômetros desde a árvore de onde ele comeu a fruta.
Muitas pessoas estão familiarizadas com as araras coloridas das florestas tropicais, mas isto é apenas uma parte da população total de pássaros. As espécies de pássaros da selva surgem em todas as cores e formatos, desde pequenos beija-flores até grandes tucanos. Mais de um quarto das espécies no mundo hoje vivem nas florestas tropicais
Há também um grande número de répteis e mamíferos nestas florestas. Muitas dessas espécies têm adaptações fantásticas para a vida nas árvores. Alguns animais têm tecidos de pele muito finos que os permitem deslizar de galho em galho. Muitos mamíferos, incluindo uma grande variedade de macacos, desenvolveram caudas tenazes. Essencialmente, a cauda funciona como uma pata extra que agarra os galhos da árvore. Obviamente, esta adaptação facilita muito a vida de animais que passam suas vidas em árvores. Por exemplo, um macaco pode agarrar um galho com sua cauda e pode alcançar um pedaço de fruta mais abaixo que poderia ser inacessível de outra forma.
Como o clima é muito quente e úmido durante o dia, muitos mamíferos da selva são ativos apenas à noite. As várias espécies de morcegos da selva são especialmente bem adaptados para este estilo de vida. Usando seu sonar, os morcegos navegam facilmente através da massa de árvores na selva, se alimentando de insetos e frutas.
Enquanto muitas espécies passam suas vidas nas árvores, há também muita vida no solo da floresta. Grandes macacos, como gorilas e orangotangos, porcos selvagens, grandes felinos e até elefantes podem ser encontrados. Há também pessoas vivendo nestas florestas. Estas tribos indígenas e outras sociedades tradicionais, que até recentemente eram contadas em milhares, estão sendo forçadas a sair da selva numa taxa alarmante por causa do desmatamento.
As florestas tropicais têm uma maior riqueza de plantas e animais pelas seguintes razões:
Clima: devido que as florestas tropicais estão localizadas nas regiões tropicais, elas recebem muita luz do sol. Esta luz do sol é convertida em energia pelas plantas através do processo da fotossíntese. Em função da grande quantidade de luz do sol significa que há muita energia na floresta tropical. Esta energia é estocada na vegetação o que, por sua vez, é comida pelos animais. Portanto, desde que haja bastante alimento há muitas espécies de plantas e animais vivendo;
Dossel: a estrutura da dossel da floresta tropical implica que há mais espaços para as plantas crescerem e animais viverem. A dossel oferece novas fontes de alimento e abrigo e fornece outro mundo para a interação com as diferentes espécies. Por exemplo, há plantas na dossel chamadas bromélias que estocam água nas suas folhas. Animais como os sapos usam estes bolsos de água nas bromélias para caçar e depositar seus ovos.
As florestas tropicais úmidas são os lares para muitos tipos de mamíferos. A seguir relaciona-se alguns mamíferos das florestas tropicais.
PRIMATAS
Japuçá boliviano
Macaco da Índia
Mico leão dourado
Gorila
Lêmure
Macaco de rabo comprido
Símio
Orangotango
Macaco-aranha
Onça pintada
Jaguar
Oncelote
OUTROS
Búfalo Africano
Paca
Morcego
Porco-do-mato
Capivara
Elefante
Tamanduá-bandeira
Lontra
Ariranha
Capivara da Malásia
Bicho-preguiça
Rinoceronte
PÁSSAROS
Papagaio cinza africano
Calau asiático
Mutum-preto
Arara azul e amarela
Casuar-comum
Araçari-de-bico-branco
Casuar de pescoço dourado
Pavão-grande
Arara-azul
Pica-peixe
Cegonha
Juruva
Pombo
Papagaio
Pavão
Periquito australiano
Periquito vermelho
Guará
Aracanga
Tucano
Pombo-correio
RÉPTEIS
Lagarto
Camaleão
Geco
Iguana
Geco-de-olhos-verdes
Cameleão das folhas
Geco-de-rabo-grande
Lagarto-do-mangue
Jibóia
Cobra-cascavel
Cobra-cipó
Jacarés
Crocodilos
Crocodilo africano
Caiman
SAPOS
Sapo-azul-venenoso
Giant Monkey Frog
Green Poison Dart Frog
Sapo dourado do Panamá
Sapo-tomate
Sapo-branco
Sapo-amarelo venenoso
INSETOS
Besouros
Borboletas
Borboleta-de-asa-clara
Mosca-dragão
Besouro-de-esterco
Milípede
Gafanhoto
PEIXES
As águas das florestas tropicais – que incluem os rios, riachos, lagos e pântanos – são os lares da maioria das espécies de peixe de água doce. Apenas a bacia Amazônica tem cerca de 3.000 espécies conhecidas e possivelmente ainda muitas espécies ainda não identificadas.
Muitos dos peixes tropicais mantidos em aquários são originalmente das florestas tropicais.
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A PRESENÇA E AÇÃO DO HOMEM NA FLORESTA TROPICAL
Até agora examinamos a surpreendente variedade de plantas e animais que vivem nas florestas. Mas não devemos nos esquecer que povos têm vivido nas florestas por milhares de anos, sabendo usar muito bem os recursos florestais para construir casas e extrair alimentos e remédios.
Hoje, cerca de 200 milhões de pessoas vivem em florestas. A floresta da América do Sul é habitada por tribos de índios, enquanto pigmeus e bosquímanos vivem em algumas partes das florestas africanas. Muitos povos diferentes vivem na floresta do Sudeste Asiático, entre os quais estão os pigmeus, em algumas partes das Filipinas, os biameses e gibusis de Nova Guiné, e os sianh daya de Bornéu.
Cada tribo tem suas próprias tradições e crenças, embora o modo de vida dos indígenas seja, em
geral, bastante semelhante. Os povos das florestas sempre caçaram animais selvagens e usaram sementes como alimento. Hoje, muitos deles roçam pequenos trechos de floresta que cultivam para sua subsistência, plantando milho, mandioca e batata-doce. Os indígenas possuem um conhecimento especial das plantas nativas da floresta, que usam como remédios eficientes no tratamento de muitas doenças.
O modo de vida bastante específico dos povos das florestas permaneceu inalterado por milhares de anos. Sofreu a primeira ameaça quando os europeus chegaram à América do Sul, no início do século XVI, perturbando os povos que viviam em áreas longínquas das florestas. Naquela época, o número de indígenas sul-americanos era de aproximadamente 4 milhões. Hoje estão reduzidos a menos de 100 mil. As populações africanas e asiáticas também diminuíram com o passar dos séculos.
O preço do "progresso"
A rápida expansão da tecnologia moderna constitui um perigo constante para os povos nativos das florestas. Quando novas estradas são abertas no seio das florestas, áreas até então inacessíveis tornam-se imediatamente de fácil acesso. Com isso, cortar árvores para plantio ou novos assentamentos torna-se uma tarefa simples.
Tribos inteiras de povos da floresta têm sido expulsas de suas áreas quando estranhos chegam para limpar o terreno, instalar fazendas e cidades. Aqueles que ficam são forçados a se adaptar a um modo de vida que lhes é totalmente estranho. Encontram pessoas que trazem consigo novas religiões e valores, métodos diferentes de educação, tecnologia moderna, outras comidas e álcool. Ficam expostos a doenças contra as quais seus organismos não possuem defesa imunológica.
Muitas tribos desapareceram devido ao contato com outras civilizações. Oitenta e sete grupos de indígenas sul-americanos que viviam em florestas brasileiras foram exterminados neste século XX. Na Indonésia, milhões de habitantes das florestas estão sendo levados para longe de suas casas em função de um projeto governamental. Muitos deles foram transferidos das ilhas populosas de Bali, Java e Madura para Irian Jaya, a porção indonésia da Nova Guiné. Lá terão que adotar um modo de vida completamente diferente.
As conseqüências do desmatamento
Pode ser deplorável – mas compreensível – que as florestas tenham de ser destruídas para ceder lugar ao crescimento e à expansão, tão necessários aos países em desenvolvimento. Mas, infelizmente, florestas destruídas não significam terras adequadas para atividades agrícolas ou pecuárias. O solo das florestas é velho demais e já sustentou o ciclo de crescimento de inúmeras gerações de plantas. Sendo pobre em nutrientes, as culturas agrícolas tradicionais nele plantadas não se desenvolvem tão bem como as plantas nativas, especialmente adaptadas a esses solos.
Quando convertidas em terras para a lavoura, as florestas permanecem férteis por poucos anos. Então, mais áreas de floresta têm de ser destruídas e o processo se repete. Os habitantes das florestas sabem disso e adotam um método agrícola baseado no corte e queima de pequenos trechos da floresta que usam para cultivo temporário. Hoje, contudo, essa prática está atingindo proporções gigantescas, deixando um rastro de terra estéril, imprópria para o plantio de produtos agrícolas e até mesmo para o crescimento de capim.
A remoção da camada que cobre o solo da floresta pode gerar outros sérios efeitos colaterais. As florestas são diretamente responsáveis pelas chuvas, pois as gigantescas árvores absorvem grande parte da água, devolvendo-a lentamente ao meio ambiente sob a forma de umidade. A devastação da floresta, reduzindo a quantidade de chuva na região, pode levar a um processo de desertificação. Desprovido de sua cobertura vegetal, o solo fica mais vulnerável à erosão. A terra carregada pela erosão pode, por sua vez, depositar-se nos leitos dos rios, deixando-os mais rasos e provocando inundações. Na Índia, anualmente ocorrem cheias de graves proporções no delta dos rios, devido ao desmatamento realizado nas montanhas do Himalaia. Há 40 anos, quase metade da Etiópia era coberta de florestas, fonte de água preciosa para a irrigação das lavouras. Hoje restam apenas 5% das florestas etíopes. Como conseqüência, a enorme população do país tem sido vitimada pela fome, seca e enchentes.
A destruição das florestas tem também graves conseqüências em escala mundial. Sabe-se que as florestas tropicais regulam os padrões climáticos globais. Em regiões tropicais, mais de 1 bilhão de pessoas dependem da água produzida pelas florestas para irrigar sua produção agrícola. No Hemisfério Norte, fenômenos como ciclos de chuvas desregulados e o aumento de dióxido de carbono na atmosfera são possíveis resultados do desmatamento registrado nos trópicos. Essa devastação poderia levar a um aquecimento generalizado da atmosfera, conhecido por "efeito estufa" que, por sua vez, poderia acelerar o derretimento das calotas polares e contribuir para a elevação do nível do mar.
A erosão do solo é uma conseqüência direta do desmatamento. Por que as florestas estão desaparecendo a uma velocidade tão alta? A resposta está nas necessidades dos homens, que cortam árvores pensando no benefício imediato que isso lhes trará. Em países com florestas tropicais, a maioria da população camponesa está envolvida em algum tipo de atividade agrária de pequena escala. Para essas pessoas a floresta não possui valor em si, mas cortando as árvores e limpando o terreno podem conseguir uma valiosa terra cultivável. Simultaneamente, a madeira é responsável pela entrada das divisas necessárias para muitos países dotados de florestas. Algumas das madeiras de lei fornecidas pelas árvores das florestas têm um alto valor comercial. Teca e mogno possuem uma madeira boa e durável, muito consumida no mundo ocidental para a fabricação de inúmeros produtos, como móveis e barcos. Todas as árvores menos nobres podem ser convertidas em polpa de madeira, compensado e papel.
Segundo o economista sênior do Banco Mundial, Sérgio Margulis, 12% da Amazônia Legal, ou 60 milhões de hectares, é utilizada em atividade de agropecuária. Três quartos disso são pastos – o que dá à criação de bois o troféu de campeã no desmatamento da Amazônia.
Estima-se que, para cada hectare de floresta destruída, 100 dólares anuais são perdidos em custos ambientais e sociais.
Depois de concluírem que não é possível viver da extração de látex, os seringueiros da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, estão optando pela criação de gado. Em todas as outras reservas extrativistas do Acre os seringueiros se renderam à lucratividade da pecuária. Até a viúva de Chico Mendes, Ilzamar Gadelha Bezerra Mendes, já formou seu rebanho.
Dois artigos científicos publicados no mês passado projetaram cenários para o futuro das florestas tropicais com base em cálculos e modelos computacionais. Aponta-se, por exemplo, uma alta probabilidade de que o aquecimento global vá converter uma parte da Amazônia brasileira em savanas, em decorrência da redução da quantidade de água no solo. Mas, por outro lado, tanto as mudanças globais como seus efeitos na cobertura vegetal poderão ser amenizados caso se reduzam os desmatamentos praticados pelo homem. Os artigos foram escritos por vários cientistas e, em comum, têm a assinatura do brasileiro Carlos Nobre, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), fórum criado pelas Nações Unidas.
Países em desenvolvimento precisam de apoio financeiro para reduzir a devastação. "Tem que ser um esforço mundial e parte das reduções precisa ser financiada pelos países ricos”; diz Carlos Nobre (PESQUISA FAPESP – pág. 32). O Brasil, na avaliação de Nobre, tem amplas condições de alcançar a meta de redução de 50% muito antes de 2050.
Já o caso das f1orestas tropicais
da Indonésia é mais complexo, segundo o pesquisador. "O controle institucional lá é mais complicado e, como muito já foi desmatado, o que sobrou é especialmente vulnerável. Mais de 75% dos modelos convergem e indicam que é provável que o sudeste da Amazônía, principalmente as matas do estado do Pará, sofra um processo de savanização. Esta região já tem uma estação seca mais longa do que outras áreas da floresta. As projeções indicam uma redução de,18% das áreas cobertas por florestas tropicais até o final deste século, com o aumento de 30,4% das áreas cobertas por savanas” (idem).
Análise da Ong Imazon sugere que os órgãos ambientais só precisariam cobrar 70% das multas que aplica para inviabilizar corte criminoso. Basta aumentar em 28 vezes a eficiência de arrecadação de multas emitidas pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que hoje é de 2,5%. Entre agosto de 2004 e agosto de 2006, o Ibama emitiu, segundo números oficiais, 19.762 multas.
Pelas estimativas de Paulo Barreto, da Imazon, “nem precisava que a eficiência de arrecadação chegasse aos 100%. Com 70% (28 vezes mais que os 2,5% atuais) já haveria queda total no desmatamento ilegal feito hoje na Amazônia”.
A lógica é que tendo certeza de que vai sentir a punição no bolso, o criminoso ambiental conclua que sai mais barato cumprir a lei. Hoje o desmatamento médio ilegal anual atinge 2 milhões de hectares.
De acordo com Barreto, o mercado tem influenciado fortemente na flutuação dos índices de desmatamento, que deve cair mais de 30% em 2007. Um gráfico construído pelo pesquisador mostra que entre 1994 e 2006, quase todas as vezes que o preço do boi caiu, os índices de desmate da Amazônia também sofreram quedas semelhantes.
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CONCLUSÃO
Ao longo da história, o homem teve seu desenvolvimento alicerçado no aproveitamento dos recursos naturais e, dentre esses, as florestas foram e continuam sendo a grande reserva econômica do desenvolvimento da população. Mesmo quando o homem considerou-a como entrave para o seu desenvolvimento, as árvores foram fontes de abrigo, combustível, material de construção, alimentação e garantia de sobrevivência. Embora muitos produtos venham surgindo no mercado para substituir a madeira, jamais irão substituir o habitat de muitas espécies da fauna e da flora e a biodiversidade que morre com a eliminação da floresta. Muito precisa ser feito para mudarmos o quadro atual.
Caso seja mantido o ritmo de desmatamento dos últimos anos, a destruição das florestas tropicais deverá lançar uma quantidade adicional de 87 bilhões a 130 bilhões de toneladas de carbono até o ano 2100. 
A Floresta Amazônica está sendo devastada como se nunca fosse acabar. Já não é possível continuar nesse ritmo, pois estamos nos aproximando do ponto em que não haverá mais volta. Simulações feitas em computador pelo meteorologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de São José dos Campos. indicam que a floresta desaparecerá quando a perda atingir entre 40% e 60% da cobertura vegetal. Não falta muito, pois nos últimos quarenta anos a mata encolheu 17%. A razão disso é o delicado equilíbrio do sistema de chuvas na região. Metade da precipitação pluviométrica é formada pelas massas de ar úmido provenientes do Oceano Atlântico, uma fonte inesgotável de umidade. O restante é alimentado pela transpiração das plantas e pela evaporação da água dos rios, do solo e da superfície das folhas. Essa fonte é destruída com a vegetação. No ritmo atual de devastação, a maior floresta tropical do planeta será substituída por uma vegetação típica de cerrado em apenas cinqüenta anos. Ou em trinta, de acordo com o prognóstico mais pessimista, que levou em conta a possível aceleração no ritmo de desmatamento.
Como metade da chuva na Amazônia é criada pela própria floresta, a destruição será muito mais rápida e irreversível do que foi a da Mata Atlântica, onde a chuva depende sobretudo da umidade vinda do mar, diz o engenheiro agrônomo Enéas Salati, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, do Rio de Janeiro, e autor do estudo que desvendou o ciclo hidrológico da Amazônia. A redução do volume das chuvas seria apenas uma das conseqüências do rompimento do ciclo das águas na Amazônia. O calor que antes era amenizado pela evaporação da água retida na mata passaria a se concentrar no ar, provocando o aumento da temperatura. O clima da região ficaria mais quente e seco, o que dificultaria a sobrevivência de plantas e animais habituados ao ambiente úmido atual. Uma simulação em computador do que aconteceria com o ambiente da Floresta Amazônica indica que alterações significativas devem começar a ocorrer quando a perda de cobertura vegetal chegar a 20% - ou seja, um índice que estamos próximos de atingir. "Se o ritmo da devastação não for contido, em poucas décadas toda essa biodiversidade desaparecerá da superfície terrestre sem que o homem tenha sequer sido capaz de conhecer toda a sua riqueza", diz o biólogo americano Thomas Lovejoy, presidente do Centro H. John Heinz III para Ciência, Economia e Meio Ambiente, dos Estados Unidos.
 
Fig. 1 –Floresta Tropica (Fonte: � HYPERLINK "http://www.meusestudos.com/ecologia/florestas-tropicais/" ��http://www.meusestudos.com/ecologia/florestas-tropicais/�)
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Fig. 2 – Distribuição das Florestas Tropicais pelo mundo (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��http://world.mongabay.com/brazilian/�)
Fig. 3 – Distribuição das Camadas Verticais de uma Floresta Tropical (Fonte: FLORESTA TROPICAL – pág. 05)
Fig. 4 – Dossel (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��http://world.mongabay.com/brazilian/�)
Fig. 5 – Mata Atlântica (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��GEOGRAFIA� NO ENSINO MÉDIO – pág. 261)
Fig. 6 – Corte esquemático do solo da Floresta Tropical (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��FLORESTA� TROPICAL – pág. 10)
Fig. 7 – Perfil da Floresta Amazônica (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��GEOGRAFI�A NO ENSINO MÉDIO – pág. 259)
Fig. 8 – Árvore coberta de epífitas (Fonte: � HYPERLINK "http://ciencia.hsw.uol.com.br/florestas-tropicais.htm" ��http://ciencia.hsw.uol.com.br/florestas-tropicais.htm�)
Fig. 9 – Infográfico sobre o desmatamento na Floresta Amazônica (Fonte: Revista Veja – pág. 108)
Fig. 10 – Floresta após queimada (Fonte: � HYPERLINK "http://www.meusestudos.com/ecologia/florestas-tropicais/" ��http://www.meusestudos.com/ecologia/florestas-tropicais/�)
Fig. 11 – Erosão em Floresta Tropical (Fonte: � HYPERLINK "http://www.meusestudos.com/ecologia/florestas-tropicais/" ��http://www.meusestudos.com/ecologia/florestas-tropicais/�)
Fig. 12 – Gado novo pastando onde era floresta (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��Revista� Veja – pág. 108)
Fig. 13 – Floresta após o desmate (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��Revista� Veja – pág. 106 - 107)
Fig. 14 – Infográfico sobre o desmatamento (Fonte: � HYPERLINK "http://world.mongabay.com/brazilian/" ��Revista� Veja – pág. 115)

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