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Introdução ao
Estudo do Direito
Professor JAIR VANDERLEI KREWER
Introdução ao
Estudo do Direito
O
Direito
não
é
uma
pura
teoria,
mas
uma
força
viva.
Por
isso
a
jus8ça
sustenta
numa
das
mãos
a
balança
em
que
pesa
o
Direito
e
na
outra
a
espada
de
que
se
serve
para
o
defender.
A
espada
sem
a
balança
é
força
brutal;
a
balança
sem
a
espada
é
a
impotência
do
Direito.
Uma
não
pode
avançar
sem
a
outra,
nem
haverá
ordem
jurídica
perfeita
sem
que
a
energia
com
que
a
Jus8ça
aplica
à
espada
seja
igual
à
habilidade
com
que
maneja
a
balança.
O
direito
é
trabalho
incessante,
não
somente
dos
poderes
públicos
mas,
de
uma
nação
inteira.
Por
isso,
lute
pelo
Direito,
mas
quando
encontrares
o
Direito
em
conflito
com
a
Jus8ça,
lute
pela
Jus8ça.
(Rudolf
von
Ihering)
Introdução ao
Estudo do Direito
1. SISTEMA DE IDEIAS GERAIS DO DIREITO
1. A necessidade de um sistema de ideias gerais do direito
O ensino do Direito pressupõe a organização de uma disciplina de
base, introdutória a matéria, a quem cumpre definir o objeto de estudo,
indicar os limites da área de conhecimento, apresentar as características
da ciência, seus fundamentos, valores e princípios.
... disciplina estrutural, com o propósito de agrupar os conceitos e
elementos comuns às novas especializações.
“...
Aprendam
o
ABC
da
ciência
antes
de
tentar
galgar
o
seu
cume.
Nunca
acreditem
no
que
se
segue
sem
assimilar
o
que
vem
antes.
Nunca
tentem
dissimular
sua
falta
de
conhecimento,
ainda
que
com
suposições
e
hipóteses.
Como
se
alegra
nossa
vista
com
o
jogo
de
cores
dessa
bolha
de
sabão
–
no
entanto,
ela,
inevitavelmente,
arrebenta
e
nada
fica
além
da
confusão...”
(I.
Pavlov)
Introdução ao
Estudo do Direito
2. A Introdução ao Estudo do Direito
2.1 Apresentação da disciplina
A Introdução ao Estudo do Direito é matéria de iniciação, que fornece ao
estudante as noções fundamentais para a compreensão do fenômeno
jurídico.
2.2 Objeto de Introdução ao Estudo do Direito
... visa fornecer ao iniciante uma visão global do Direito, que não pode ser
obtida através do estudo isolado dos diferentes ramos da árvore jurídica.
Fazem parte do objeto de estudo da disciplina:
conceitos gerais, como o de Direito, fato jurídico, relação jurídica, lei,
justiça, segurança jurídica;
conceitos específicos, como o de crime, mar territorial, hipoteca,
desapropriação, aviso prévio.
“Introduzir
é
um
termo
composto
de
duas
palavras
la8nas:
um
advérbio
(intro)
e
um
verbo
(ducere).
Introduzir
é
conduzir
de
um
lugar
para
outro,
fazer
penetrar
num
lugar
novo.”
(Michel
Miaille)
Introdução ao
Estudo do Direito
Concluindo, podemos dizer que ela possui um tríplice objeto:
a) os conceitos gerais do Direito;
b) a visão de conjunto do Direito;
c) os lineamentos da técnica jurídica.
2.3 A importância da introdução
... funciona como um elo entre a cultura geral, obtida no curso médio, e a
específica do Direito.
É através da Introdução ao Estudo do Direito que o estudante deverá
superar os primeiros desafios e testar a sua vocação para a Ciência do
Direito.
A
Introdução
ao
Estudo
do
Direito
foi
comparada,
por
Pepere,
com
o
alto
de
um
mirante,
de
onde
o
estrangeiro
observa
a
extensão
de
um
país,
para
fazer
a
sua
análise.
...
começar
um
curso
de
Direito
sem
uma
disciplina
introdutória
é
o
mesmo
que
se
pretender
conhecer
um
grande
edi[cio,
entrando
por
uma
porta
lateral,
percorrendo
corredores
e
saindo
por
uma
porta
de
serviço.
O
observador
não
se
aperceberá
do
conjunto
e
nem
terá
uma
visão
da
harmonia
e
esté8ca
da
obra.
(apud
Benjamim
de
Oliveira
Filho)
Introdução ao
Estudo do Direito
3. Outros sistemas de ideias gerais do direito
3.1 Filosofia do Direito
... é uma reflexão sobre o Direito e seus postulados, com o objetivo de
formular o conceito de Jus e de analisar as instituições jurídicas no plano de
dever ser, levando-se em consideração a condição humana, a realidade
objetiva e os valores da justiça e segurança.
3.2 Sociologia do Direito
... é a disciplina que examina o fenômeno jurídico do ponto de vista social,
a fim de observar a adequação da ordem jurídica aos fatos sociais.
As relações entre a sociedade e o Direito, que formam o núcleo de seus
estudos, podem ser investigadas sob os seguintes aspectos principais:
! adaptação do Direito à vontade social;
! cumprimento pelo povo das leis vigentes e a aplicação destas pelas
autoridades;
! correspondência entre os objetivos visados pelo legislador e os
efeitos sociais provocados pelas leis.
Introdução ao
Estudo do Direito
3.3 História do Direito
... a compreensão plena do significado de um objeto cultural exige o
conhecimento de duas diferentes fases de elaboração.
A História do Direito é uma disciplina jurídica que tem por escopo a
pesquisa e a análise dos institutos jurídicos do passado.
... o Direito vive impregnado de fatos históricos, que comandam o seu
rumo, e a sua compreensão exige, muitas vezes, o conhecimento das
condições sociais existentes à época em que foi elaborado.
O
Direito
de
um
povo
se
revela
autên8co,
quando
retrata
a
vida
social,
quando
se
adapta
ao
momento
histórico,
quando
evolui
à
medida
que
o
organismo
social
ganha
novas
dimensões.
Introdução ao
Estudo do Direito
2. O DIREITO COMO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO SOCIAL
As necessidades de paz, ordem e bem comum levam a sociedade à
criação de um organismo responsável pela instrumentalização e regência
desses valores. Esse mecanismo é o DIREITO.
Porque só se tem direito relativamente à alguém. O homem que vive fora
da sociedade vive fora do império das leis. O homem só não possui direitos
nem deveres.
Para o homem e para a sociedade, o Direito não constitui um fim, apenas
um meio para tornar possível a convivência e progresso social.
As instituições jurídicas são inventos humanos que sofrem variações no
tempo e no espaço. Como processo de adaptação social, o Direito deve estar
sempre se refazendo, em face da mobilidade social.
Introdução ao
Estudo do Direito
“...
o
Direito
não
é
uma
criação
espontânea
e
audaciosa
do
legislador;
mas
possui
uma
raiz
muito
mais
profunda:
a
consciência
do
povo...
O
Direito
nasce
da
vida
social,
se
transforma
com
a
vida
social
e
deve
se
adaptar
à
vida
social.”
(Cosen8ni)
Na sua missão de proporcionar bem-estar, a fim de que os homens possam
livremente atingir os ideais de vida e desenvolver o seu potencial para o bem,
o Direito não deve absorver todos os atos e manifestações humanas, de vez
que não é o único responsável pelo sucesso das relações sociais.
O Direito, portanto, não visa o aperfeiçoamento do homem – esta meta
pertence à MORAL; não pretende preparar o ser humano para a conquista de
uma vida supraterrena, ligada a Deus – valor perquirido pela RELIGIÃO; não se
preocupa em incentivar a cortesia, o cavalheirismo ou normas de etiqueta –
âmbito específico das REGRAS DE TRATO SOCIAL.
Se o Direito regulasse todos os atos sociais, o homem perderia a iniciativa, a
sua liberdade seria utópica e passaria a viver como autômato.
Introdução ao
Estudo do Direito
3. SOCIEDADE E DIREITO
1. A sociabilidade humana
A própria constituição física do ser humano revela que ele foi programado
para conviver e se completar com outro ser de sua espécie.
Aristóteles considerou o homem fora da sociedade “um bruto ou um deus”,
significando algo inferior ou superior à condição humana.
Santo Tomás de Aquino, enumerou três hipóteses para a vida humana fora
da sociedade:
! mala fortuna;
! corruptio naturae;
! excellentia naturae.
Introdução ao
Estudo do Direito
2. O “Estado de Natureza”
Para Thomas Hobbes, o "estado de natureza" é qualquer situação onde
não há um governo que estabeleça a ordem. O fato de todos os seres
humanos serem iguais no seu egoísmo faz com que a ação de um só seja
limitada pela força do outro.
"O homem é o lobo do homem". Para que todos não acabem se matando
e tenham segurança, é necessário um Estado, uma instituição de poder
comum. Aqui o "direito natural" é o direito de cada um usar o seu poder para
se autopreservar e satisfazer os seus desejos.
O "estado de natureza" é sempre um estado de Guerra: Mesmo que não
haja batalha, ela está latente, podendo ocorrer a qualquer momento e sem
causa aparente. Preocupados em se defender ou atacar, todos seres
humanos se tornam incapazes de gerar riquezas. De acordo com Hobbes, “a
origem das sociedades amplas e duradouras não foi a boa vontade de uns
para com os outros, mas o medo recíproco”.
Introdução ao
Estudo do Direito
3. As formas de interação social e a ação do Direito
2.1 A interação social
As pessoas e os grupos sociais se relacionam estreitamente, na busca
de seus objetivos. Os processos de mútua influência, de relações
interindividuais e intergrupais, que se formam sob a força de variados
interesses, denominam-se interação social.
A interação social se apresenta sob as formas de cooperação,
competição e conflito e encontra no Direito a sua garantia, o instrumento de
apoio que protege a dinâmica das ações.
2.2 A ação do Direito
O Direito está em função da vida social. A sua finalidade é favorecer o
amplo relacionamento entre as pessoas e os grupos sociais, que é uma das
bases do progresso da sociedade. Ao separar o lícito do ilícito, segundo
valores de convivência que a própria sociedade elege, o ordenamento
jurídico torna possíveis os nexos de cooperação e disciplina a competição,
estabelecendo limitações necessárias ao equilíbrio e à justiça nas
relações.
Introdução ao
Estudo do Direito
Em relação ao conflito, a ação do Direito se opera em duplo sentido. De um
lado, preventivamente, ao evitar desinteligências quanto aos direitos que cada
parte julga ser portadora. De outro lado, diante do conflito concreto, o Direito
apresenta solução de acordo com a natureza do caso, seja para definir o
titular do direito, determinar a restauração da situação anterior ou aplicar
penalidades de diferentes tipos.
Introdução ao
Estudo do Direito
Vivendo
em
ambiente
comum,
possuindo
idên8cos
ins8ntos
e
necessidades,
é
natural
o
aparecimento
de
conflitos
sociais,
que
vão
reclamar
soluções.
Introdução ao
Estudo do Direito
A
sociedade
sem
o
Direito
não
resis8ria,
seria
anárquica,
teria
o
seu
fim.
O
Direito
é
a
grande
coluna
que
sustenta
a
sociedade.
Criado
pelo
homem,
para
corrigir
a
sua
imperfeição,
o
Direito
representa
um
grande
esforço
para
adaptar
o
mundo
exterior
às
necessidades
de
vida.
Introdução ao
Estudo do Direito
4. A mútua dependência entre o Direito e a Sociedade
4.1 Fato social e Direito
O Direito não tem existência em si próprio. Ele existe na sociedade. A
sua causa material está nas relações da vida, nos acontecimentos mais
importantes para a vida social. A sociedade, ao mesmo tempo, é fonte
criadora e área de ação do Direito, seu foco de convergência.
Cada povo tem a sua história e seus fatos sociais. O Direito, como
fenômeno de adaptação social, não pode formar-se alheio a esses fatos. As
normas jurídicas devem achar-se conforme as manifestações do povo.
4.2 A Teoria Tridimensional do Direito
4.3 O papel do legislador
O Direito é criado pela sociedade para reger a própria vida social.
O Estado moderno dispõe de um poder próprio, para a formulação do
Direito – o Poder Legislativo.
A sua meta mais ampla é promover o bem comum, que implica justiça,
segurança, bem-estar e progresso.
Introdução ao
Estudo do Direito
1. Considerações prévias
2. Direito e Religião
Por muito tempo, desde as épocas mais recuadas da história, a Religião
exerceu um domínio absoluto sobre as coisas humanas. A falta de
conhecimento científico era suprida pela fé.
O Direito era considerado como expressão da vontade divina.
- O Decálogo;
- O Código de Hamurabi;
- O Código de Manu;
A classe sacerdotal possuía o monopólio do conhecimento jurídico.
Durante a Idade Média, ficaram famosos os chamadas juízos de Deus
(ordálias).
Laicização do Direito.
A religião é um dos mais poderosos instrumentos de controle social de que
dispõe a sociedade.
4. INSTRUMENTOS DE CONTROLE SOCIAL
Introdução ao
Estudo do Direito
3. Direito e Moral
3.1 Conceito
Moral é um conjunto de normas, prescrições e valores que regulamentam o
comportamento dos indivíduos em sociedade. Ou seja, são os limites que o
homem estabelece para si nas suas ações e intervenções na realidade e na
convivência na sociedade. O senso moral, a consciência moral, é aquilo que
faz com que a minha ação tenha por parâmetro a referência o respeito a
liberdade do outro e a responsabilidade e consciência de que isso significa
também não fazer ao outro o que não gostaria que fizesse a mim.
3.2 Critérios de distinção entre a Moral e o Direito
3.2.1 Distinções de ordem formal
Bilateralidade do Direito e a Unilateralidade da Moral
As normas jurídicas possuem uma estrutura imperativo-atributiva,
isto é, ao mesmo tempo em que impõem um dever jurídico à alguém, atribuem
um poder ou direito subjetivo a outrem.
A Moral possui uma estrutura mais simples, pois impõe apenas
deveres. Perante ela, ninguém tem o poder de exigir uma conduta de outrem.
Fica-se apenas na expectativa de o próximo aderir às normas.
Introdução ao
Estudo do Direito
Exterioridade do Direito e Interioridade da Moral
Enquanto a Moral de preocupa pela vida interior das pessoas,
como a consciência, julgando atos exteriores apenas como meio de inferir a
intencionalidade, o Direito
cuida das ações humanas em primeiro plano e,
em função destas, quando necessário, investiga o animus do agente.
Autonomia e Heteronomia
A Moral é autônoma por tratar-se de um querer espontâneo. Já o
Direito é heterônomo, pois as regras jurídicas são impostas
independentemente da vontade dos seus destinatários.
Coercibilidade do Direito e Incoercibilidade da Moral
3.2.2 Distinções quanto ao conteúdo
Teorias dos Círculos e o “Mínimo Ético”
Introdução ao
Estudo do Direito
Teoria dos círculos concêntricos - Jeremy Berthan (1748-1832)
Desta teoria infere-se:
- o campo da Moral é mais amplo do que o do Direito;
- o Direito se subordina a Moral.
MORAL
DIREITO
Introdução ao
Estudo do Direito
Teoria dos círculos secantes – Du Pasquier
MORAL DIREITO
Introdução ao
Estudo do Direito
A visão kelseniana
MORAL DIREITO
Introdução ao
Estudo do Direito
A teoria do “mínimo ético” (Jellinek)
... consiste na ideia de que o Direito representa um mínimo de
preceitos morais necessários ao bem-estar da coletividade.
... toda sociedade converte em Direito axiomas morais estritamente
essenciais à garantia da preservação de suas instituições.
Como o Direito não tem por finalidade o aperfeiçoamento do homem,
mas a segurança social, não deve ser uma cópia do amplo campo da
Moral; não deve preocupar-se em transladar para os códigos todo o
continente ético.
4. O Direito e as Regras de Trato Social
4.1 Conceito
... são padrões de conduta social, elaboradas pela sociedade e que,
não resguardando os interesses de segurança do homem, visam tornar o
ambiente social mais ameno, sob pressão da própria sociedade.
Introdução ao
Estudo do Direito
Qual
é
o
papel
das
regras
de
trato
social?
... é propiciar um ambiente de efetivo bem-estar aos membros da
coletividade, favorecendo os processos de interação social, tornando mais
agradável a convivência, mais amenas as disputas, possível o diálogo. As
regras de trato social, em conclusão, cultivam um valor próprio, que é o de
aprimorar o nível das relações sociais, dando-lhes o polimento necessário à
compreensão.
4.2 Aspectos históricos
4.3 Caracteres
Aspecto social: constituem sempre maneira de se apresentar perante
o outro. O indivíduo isolado não se subordina a esses preceitos.
Exterioridade: essas normas visam apenas à superficialidade, às
aparências, ao exterior.
Unilateralidade: a cada regra correspondem deveres e nenhuma
exigibilidade.
Introdução ao
Estudo do Direito
Heteronomia: obrigam os indivíduos independentemente de suas
vontades.
Incoercibilidade: por serem unilaterais e não sofrerem intervenção
do Estado, essas regras não são impostas coercitivamente.
Sanção difusa: consiste na reprovação, censura, crítica, rompimento
das relações sociais.
Isonomia por classes e níveis de cultura: o seu caráter impositivo
varia em função da classe social e nível de cultura.
Introdução ao
Estudo do Direito
DIREITO MORAL RELIGIÃO
REGRAS DE
TRATO SOCIAL
Bilateral Unilateral Unilateral Unilateral
Heterônomo Autônoma Autônoma Heterônoma
Exterior Interior Interior Exterior
Coercível Incoercível Incoercível Incoercível
Sanção
prefixada
Sansão difusa
Sanção
geralmente é
prefixada
Sanção difusa
5. Quadro resumo
Introdução ao
Estudo do Direito
1. Considerações prévias
2. Conceitos
Nominais: procuram expressar o significado da palavra em função
do nome do objeto.
A palavra Direito é oriunda do adjetivo latino directus – qualidade do
está conforme a reta; o que não tem inclinação, desvio ou curvatura.
Para os romanos, a palavra Direito é oriunda de jus para designar o
que era lícito.
1. CONCEITOS E ACEPÇÕES DA PALAVRA DIREITO
O
que
é
DIREITO?
Introdução ao
Estudo do Direito
Reais ou Lógicas: fixam a essência do objeto.
Examinando o vocábulo do ponto de vista objetivo, temos:
“Direito é um conjunto de normas de conduta social, imposto coercitivamente
pelo Estado, para a realização da segurança, segundo os critérios de justiça.”
3. Conceitos históricos do Direito
Platão (427-348 a.C)
... dar a cada um aquilo que corresponde à sua natureza e função na
sociedade.
Aristóteles (384-322 a.C)
... o Estado define o que é Direito, devendo empregar o critério de
justiça. O direito é justo quando protege os interesses gerais da
sociedade e, em particular quando trata de maneira igual as pessoas
que se encontram em situação igual.
Introdução ao
Estudo do Direito
Celso (Século I e II d.C)
... constitui a arte do bem do justo.
Immanuel Kant (1724 - 1804)
... considera o direito com produto da sociedade e expressão de
obrigações morais dos indivíduos. O direito deve expressar uma
regra básica: devemos atuar de forma que a nossa conduta possa
valer como lei geral.
Hans Kelsen (1881 - 1973)
... organização da força ou ordem de coação.
Rudolf von Ihering (Século XIX)
... é soma das condições de existência social, no seu amplo sentido,
assegurada pelo Estado através da coação.
Introdução ao
Estudo do Direito
4. Acepções da palavra Direito
Ciência do Direito
Setor do conhecimento humano que investiga e sistematiza os
conhecimentos jurídicos.
Direito Natural e Direito Positivo
Direito Natural revela ao legislador os princípios fundamentais de proteção
ao homem, que forçosamente deverão ser consagrados pela legislação, a fim
de que se obtenha um ordenamento jurídico substancialmente justo. O Direito
Natural não é escrito, não é criado pela sociedade, nem formulado pelo
Estado. É constituído por um conjunto de princípios, e não de regras, de
caráter universal, eterno e imutável.
Existe
diferença
entre
um
direito
e
o
Direito?
Introdução ao
Estudo do Direito
Direito Positivo é aquele institucionalizado pelo Estado. É a ordem jurídica
obrigatória em determinado lugar e tempo.
Direito Objetivo e Direito Subjetivo
Do ponto de vista objetivo, o Direito é norma de organização social. É a
chamada norma agendi.
O Direito subjetivo corresponde às possibilidades ou poderes de agir,
que a ordem jurídica garante a alguém. É a chamada facultas agendi.
Emprego do vocábulo no Sentido de Justiça
5. Conceito de Ordem Jurídica
... agrupamento de normas que se ajustam entre si e formam um todo
harmônico e coerente de preceitos.
... reunião de normas vinculadas entre si por uma fundamentação
unitária.
Introdução ao
Estudo do Direito
6. Definição normativa
O direito das sociedades modernas é um conjunto de normas que
objetiva regulamentar o comportamento social. Suas normas possuem seis
características:
a) são criadas, aplicadas, modificadas e extintas por autoridades que
possuem competência para tanto;
b) são escritas e veiculadas em publicações oficiais a cargo do Estado;
c) objetivam a manutenção da estrutura social;
d) são, geralmente, respeitadas nas relações sociais;
e) sua eficácia social é garantida pela ameaça da coação;
f) são reconhecidas como vinculantes pela maioria da população que
acredita na legitimidade do direito estatal.
Introdução ao
Estudo do Direito
O
que
é
jus8ça?
2. DIREITO E JUSTIÇA
1. A justiça no mundo jurídico
... os valores da justiça dependem de três fatores: tempo, espaço e
social;
Ulpiano: “Justiça é a constante e perpétua vontade de atribuir a cada um
aquilo que lhe pertence.”
Principio da igualdade (Aristóteles): ... tratar iguais de forma igual e os
desiguais de forma desigual, de acordo com o grau e a intensidade de suas
diferenças.
Ações af i rmat ivas: por tadores de def ic iência, mulheres,
afrodescendentes, indígenas...
Introdução ao
Estudo do Direito
A
jus8ça
possui
um
caráter
absoluto?
Qual
a
importância
da
jus8ça
para
o
Direito?
2. Critérios de justiça
Critérios formais
Critérios Materiais
Igualdade
Proporcionalidade
Mérito
Capacidade
Necessidade
Introdução ao
Estudo do Direito
3. Classificação da justiça
3.1 Justiça distributiva
Apresenta o Estado como agente, a quem compete a repartição dos
bens e dos encargos aos membros da sociedade.
3.2 Justiça comutativa
É a forma de justiça que preside às relações entre os particulares.
3.3 Justiça geral
... consiste na contribuição dos membros da comunidade para o bem
comum.
Introdução ao
Estudo do Direito
ESTADO
PARTICULAR
PARTICULAR
ge
ra
l
distribu8va
comuta8va
3.4 Justiça social
... consiste na proteção aos mais pobres e aos desamparados,
mediante a adoção de critérios que favoreçam uma repartição mais
equilibrada das riquezas.
Introdução ao
Estudo do Direito
4. Justiça e bem comum
... consiste em um acervo de bens, criado pelo esforço e a participação
ativa dos membros de uma coletividade e cuja missão é ajudar os indivíduos
que dele necessitam, para a realização de seus fins existenciais.
5. Equidade
... é a justiça do caso concreto.
Decreto-‐Lei
Nº
4.657,
de
4
de
setembro
de
1942
-‐
Lei
de
Introdução
às
normas
do
Direito
Brasileiro
(...)
Art.
5º
Na
aplicação
da
lei,
o
juiz
atenderá
aos
fins
sociais
a
que
ela
se
dirige
e
às
exigências
do
bem
comum.
Introdução ao
Estudo do Direito
6. O Estado de Direito
Um conceito que permite examinar as relações entre direito e justiça é o
de Estado de Direito.
6.1 Estado de polícia, Estado legal e Estado constitucional
Estado de polícia;
Estado legal – relacionado aos princípios da igualdade, legalidade e
segurança jurídica (generalidade, taxatividade, irretroatividade, controle e
estabilidade);
Estado constitucional – rigidez constitucional e controle de
constitucionalidade;
6.2 Requisitos do Estado de direito
Caráter democrático da legislação;
Garantia da separação dos poderes;
Independência do Judiciário;
Controle de constitucionalidade;
Direitos e garantias fundamentais; etc....
Introdução ao
Estudo do Direito
1. Conceito de norma jurídica
... o estudo da norma jurídica é de fundamental importância, porque se
refere a elemento essencial do Direito objetivo.
... conhecer o Direito é conhecer as normas jurídicas em seu
encadeamento lógico e sistemático.
1. TEORIA DA NORMA JURÍDICA
“...
as
normas
ou
regras
jurídicas
estão
para
o
Direito
de
um
povo,
assim
como
as
células
para
um
organismo
vivo.”
... para promover a ordem social, o Direito Positivo deve ser prático, ou
seja, revelar-se mediante normas orientadoras interindividuais.
Introdução ao
Estudo do Direito
... não é suficiente, para se alcançar o equilíbrio na sociedade, de que os
homens estejam dispostos à prática da justiça; é necessário que se lhes
indique a fórmula de justiça que satisfaça a sociedade em determinado
momento histórico.
Qual
é
o
papel
da
norma
jurídica?
... ser o instrumento de definição da conduta exigida pelo Estado.
RESUMINDO....
O Direito Positivo, em todos os sistemas, compõe-se de normas jurídicas,
que são padrões de conduta ou de organização social impostos pelo Estado,
para que seja possível a convivência dos homens em sociedade. São
fórmulas de agir, determinações que fixam as pautas do comportamento
interindividual.
Introdução ao
Estudo do Direito
Norma
e
Regra
jurídicas
são
sinônimos?
Há
dis8nção
entre
Norma
e
Lei?
2. Institutos jurídicos
... é a reunião de normas jurídicas afins, que rege um tipo de relação
social ou interesse e se identifica pelo fim que procura realizar.
Instituto Jurídico
Adoção
Poder familiar
Casamento
Divórcio
Ramo do Direito
Direito de
Família
Ordenamento
Jurídico
Introdução ao
Estudo do Direito
3. Estrutura lógica da norma jurídica
3.1 Concepção de Kelsen
Segundo o autor da Teoria Pura do Direito, a estrutura lógica da norma
jurídica pode ser enunciada do seguinte modo:
... em determinadas circunstâncias, um determinado sujeito deve observar
tal ou qual conduta; se não observa, outro sujeito, órgão do Estado, deve
aplicar ao infrator uma sanção.
Da formulação kelseniana, infere-se que o esquema possui duas partes,
que o autor denomina por “norma secundária” e “norma primária”.
Norma
Secundária
Dado ñP, deve ser S
Dada a não
prestação, deve ser
aplicada a sanção.
Norma Primária Dado Ft, deve ser P
Dado um fato
temporal deve ser
feita a prestação.
Introdução ao
Estudo do Direito
3.2 O juízo disjuntivo de Carlos Cossio
O renomado jusfilósofo argentino concebeu a estrutura das regras
jurídicas como um juízo disjuntivo, que reúne também duas normas:
endonorma e perinorma.
perinorma Dado ñP, deve ser S
Impõe uma sanção ao
sujeito que não efetuou a
prestação a que estava
obrigado (ñ)
endonorma Dado A, deve ser P
Corresponde ao juízo que
impõe uma prestação (P) ao
sujeito que se encontra em
determinada situação (A).
OU
Traduzinhdo...
SE Luizinho assumiu uma dívida, DEVE efetuar o pagamento OU, CASO não
efetue o pagamento, DEVE pagar multa e juros.
Introdução ao
Estudo do Direito
3.2 Conclusões
Dividir a estrutura da norma jurídica em duas partes, como fizeram
Kelsen e Cossio, parece-nos o mesmo que se dizer que a norma oferece uma
alternativa para o seu destinatário: adotar a conduta definida como lícita ou
sujeitar-se à sanção prevista.
Se muitas vezes torna-se difícil, ou até mesmo impossível impedir-se a
violação da uma norma, isto não significa que a violação é facultada.
Assim, a norma jurídica, considerada em sua forma genérica,
apresenta uma estrutura uma, na qual a sanção se integra. Como decorrência
lógica, o esquema possui o seguinte enunciado:
“Se A é, B deve ser, sob pena de S” → em que “A” corresponde à
situação de fato; “B” é a conduta exigida e “S” a sanção aplicável, na
eventualidade do não cumprimento de “B”.
Exemplo: quem é contribuinte do imposto de renda (A) deve apresentar
a sua declaração até determinada data (B), sob pena de pagamento de multa
(S).
Introdução ao
Estudo do Direito
NORMA
ESQUEMA
INTERPRETAÇÃO
MORAL
“Deve
ser
A”
Impõe-‐se
por
si
própria
(A).
JURÍDICA
“Se
A
é,
B
deve
ser,
sob
pena
de
S”
Sob
determinada
condição
(A),
deve-‐se
agir
de
acordo
com
o
que
for
previsto
(B),
sob
pena
de
sofrer
uma
sanção
(S).
NATURAL
“Se
A
é,
é
B”
Ocorrida
a
causa
(A),
ocorrerá
o
efeito
“B”.
Introdução ao
Estudo do Direito
4. Características
4.1 Bilateralidade
O Direito existe sempre vinculando duas ou mais pessoas, atribuindo
poder a uma parte e impondo dever à outra. Bilateralidade significa, pois, que
a norma jurídica possui dois lados: um representado pelo direito subjetivo e
outro pelo dever jurídico, de tal sorte
que um não pode existir sem o outro.
Em toda relação jurídica há sempre um sujeito ativo, portador do direito
subjetivo e um sujeito passivo, que possui o dever jurídico.
4.2 Generalidade
Característica relacionada ao fato da norma valer para qualquer um,
sem distinção de qualquer natureza, para os indivíduos, também iguais entre
si, que se encontram na mesma situação. A norma não foi criada para um ou
outro, mas para todos. Essa característica consagra um dos princípios
basilares do Direito: igualdade de todos perante a lei.
Introdução ao
Estudo do Direito
4.3 Abstratividade
A abstratividade diz respeito ao fato de a norma não ter sido criada
para regular uma situação concreta ocorrida, mas para regular, de forma
abstrata, abrangendo o maior número possível de casos semelhantes, que
ocorrem, normalmente, da mesma forma.
A norma não pode disciplinar situações concretas, mas tão somente
formular os modelos de situação, com as características fundamentais, sem
mencionar as particularidades de cada situação, pois é impossível ao
legislador prever todas as possibilidades que podem ocorrer nas relações
sociais.
Introdução ao
Estudo do Direito
4.4 Imperatividade
Para garantir efetivamente a ordem social, o Direito se manifesta
através de normas que possuem caráter imperativo. Não fosse assim, o Direito
não lograria estabelecer segurança nem justiça.
O caráter imperativo da norma significa imposição de vontade e não
mero aconselhamento.
4.5 Coercibilidade
Coercibilidade quer dizer possibilidade de uso da coação. Possui dois
elementos:
Psicológico → relacionado a intimidação, através de penalidades
previstas para a hipótese de violação das normas jurídicas;
Material → que é a força propriamente dita, acionada quando o
destinatário da regra não a cumpre espontaneamente.
Introdução ao
Estudo do Direito
Coação
é
o
mesmo
que
sanção?
As noções de coação e sanção não se confundem.
Coação é uma reserva de força a serviço do Direito;
CPP,
Art.
411.
(...)
(...)
§
7º
Nenhum
ato
será
adiado,
salvo
quando
imprescindível
à
prova
faltante,
determinando
o
juiz
a
condução
coerci8va
de
quem
deva
comparecer.
CPC,
Art.
412.
A
testemunha
é
in^mada
a
comparecer
à
audiência,
(...).
Se
a
testemunha
deixar
de
comparecer,
sem
mo^vo
jus^ficado,
será
conduzida,
respondendo
pelas
despesas
do
adiamento.
Sanção é medida punitiva para a hipótese de violação de normas;
CP,
Art.
121.
Matar
alguém:
Pena
-‐
reclusão,
de
seis
a
vinte
anos.
Introdução ao
Estudo do Direito
Coação
é
essencial
ao
Direito?
Ihering → Direito sem coação “é um fogo que não queima; uma luz que não
ilumina”.
Max Weber → “o decisivo no conceito de direito é a existência de um quadro
coativo”.
Introdução ao
Estudo do Direito
5. Classificação
5.1 Quanto ao sistema a que pertencem
Nacionais
Estrangeiras
Direito Uniforme
5.2 Quanto à fonte
Legislativas
Consuetudinárias
Jurisprudenciais
LINDB,
Art.
7º
A
lei
do
país
em
que
domiciliada
a
pessoa
determina
as
regras
sobre
o
começo
e
o
fim
da
personalidade,
o
nome,
a
capacidade
e
os
direitos
de
família.
Introdução ao
Estudo do Direito
5.3 Quanto aos âmbitos de validez
Âmbito espacial
- Gerais
- Locais
Âmbito temporal
- Vigência por prazo determinado
- Vigência por prazo indeterminado
Âmbito material
- Normas de Direito Público
- Normas de Direito Privado
Âmbito pessoal
- Genéricas
- Individualizadas
Introdução ao
Estudo do Direito
5.4 Quanto a hierarquia
Constitucionais
Complementares
Ordinárias
Regulamentares
Individualizadas
5.5 Quanto à sanção
Perfeitas
Mais que perfeitas
Menos que perfeitas
Imperfeitas
Apenas
NULIDADE
→
Art.
166
do
CC
NULIDADE
+
PENA
→
Lei
nº
8.429/92
Apenas
PENA
→
Art.
121
do
CP
Sem
NULIDADE
e
PENA
→
LC
Nº
95
Introdução ao
Estudo do Direito
5.6 Quanto à qualidade
Positivas ou permissivas
Negativas ou proibitivas
5.7 Quanto à aplicabilidade
Auto-aplicáveis
Dependentes
Exige
uma
conduta
comissiva
ou
omissiva
→
poder
familiar
→
art.
1.634
CC.
Proíbe
uma
conduta
comissiva
ou
omissiva
→
vedação
de
aval
parcial
→
art.
898
CC.
Introdução ao
Estudo do Direito
5.8 Quanto à vontade das partes
Taxativas ou cogentes
Dispositivas
5.9 Quanto à flexibilidade ou arbítrio do juiz
Rígidas ou cerradas
Elásticas ou abertas
5.10 Quanto à sistematização
Legislação esparsa
Códigos
Consolidação
Forma
da
declaração
de
vontade
→
Art.
107
do
CC
Transmissão
da
propriedade→
Art.
1.245
do
CC
Imputabilidade
penal
Guarda
de
menor
–
Função
social
do
contrato
Introdução ao
Estudo do Direito
6. Validade, vigência e eficácia da norma jurídica
6.1 Validade
Validade da norma é a sua adequação ao ordenamento jurídico em
que se insere. Por ter sido criada pelo processo legislativo próprio.
6.2 Vigência
A vigência representa a característica de obrigatoriedade da
observância de uma determinada norma, ou seja, é uma qualidade da norma
que permite a sua incidência no meio social.
6.3 Eficácia
As normas jurídicas não são geradas por acaso, mas visando a
alcançar certos resultados sociais. Como processo de adaptação social que é,
o Direito se apresenta como fórmula capaz de resolver problemas de
convivência e de organização da sociedade. O atribulo “eficácia” significa que
a norma jurídica produz, realmente, os efeitos sociais planejados. Para que a
eficácia se manifeste, é indispensável que seja observada socialmente.
Introdução ao
Estudo do Direito
1.
Aspectos
gerais
...
fonte
provém
do
la8m,
fons,
fon8s
e
significa
nascente
de
água.
O
estudo
das
fontes
do
Direito
é
importante,
pois
dele
é
que
se
iden8ficam
quais
são
as
origens
do
fenômeno
jurídico,
de
forma
a
perceber
como
se
deu
o
surgimento
desse
fenômeno.
...
no
âmbito
da
Ciência
do
Direito
é
empregada
como
metáfora.
1. FONTES DO DIREITO
“...
remontar
à
fonte
de
um
rio
é
buscar
o
lugar
de
onde
as
suas
águas
saem
da
terra;
do
mesmo
modo,
inquirir
sobre
a
fonte
de
uma
regra
jurídica
é
buscar
o
ponto
pelo
qual
sai
das
profundidades
da
vida
social
para
aparecer
na
super[cie
do
Direito.”
(Du
Pasquier)
Distinguimos três espécies de fontes do Direito: históricas, materiais e
formais.
Introdução ao
Estudo do Direito
2. Fontes históricas
...
estudo
dos
fatores
históricos
que
poderão
influir
no
processo
de
formação
do
Direito,
que
se
dá
pela
verificação
de
documentos
e
textos
an8gos.
...
as
fontes
históricas
do
Direito
indicam
a
gênese
das
modernas
ins8tuições
jurídicas:
a
época,
local,
as
razões
que
determinaram
a
sua
formação.
“...
aquele
que
quisesse
realizar
o
Direito
sem
a
História
não
seria
jurista,
nem
sequer
utopista,
não
traria
à
vida
nenhum
espírito
de
ordenamento
social
consciente,
senão
mera
desordem
e
destruições.”
(Sternberg)
2. Fontes materiais
O
Direito
não
é
um
produto
arbitrário
da
vontade
do
legislador,
mas
uma
criação
que
se
lastreia
no
querer
social.
É
a
sociedade,
como
centro
de
relações
de
vida,
como
sede
de
acontecimentos
que
envolvem
o
homem,
quem
fornece
ao
legislador
os
elementos
necessários
à
formação
dos
estatutos
jurídicos.
Como
causa
produtora
do
Direito,
as
fontes
materiais
são
cons8tuídas
pelos
fatos
sociais,
pelos
problemas
que
emergem
na
sociedade
e
que
são
condicionados
pelos
chamados
fatores
do
Direito,
como
a
Moral,
a
Economia,
a
Geografia,
entre
outros.
Introdução ao
Estudo do Direito
3. Fontes formais
...
o
Direito
Posi8vo
apresenta-‐se
aos
seus
des8natários
por
diversas
formas
de
expressão,
notadamente
pela
lei
e
costume.
Fontes
formais
são
os
meios
de
expressão
do
Direito,
as
formas
pelas
quais
as
normas
jurídicas
se
exteriorizam,
tornam-‐se
conhecidas.
Para
que
um
processo
jurídico
cons8tua
fonte
formal
é
necessário
que
tenha
o
poder
de
criar
o
Direito.
Em
que
consiste
o
ato
de
criação
do
Direito?
Criar significa introduzir no ordenamento jurídico novas normas jurídicas.
Introdução ao
Estudo do Direito
Quais
são
os
órgãos
que
possuem
essa
capacidade
de
criar
regras
de
conduta
social?
Vai
depender
do
sistema
jurídico
adotado
e
também
das
diferentes
fases
históricas.
Na
terminologia
adotada
pelos
autores,
há
a
dis8nção
entre
as
chamadas
fontes
direta
e
indireta.
A
direta
é
tratada
como
formal,
enquanto
a
indireta
(informal)
não
cria
a
norma,
mas
fornece
ao
jurista
subsídios
para
o
encontro
desta,
como
é
a
situação
da
doutrina
e
da
jurisprudência
em
nosso
país.
Para
os
países
que
seguem
a
tradição
romano-‐germânica,
como
o
Brasil,
a
principal
forma
de
expressão
é
o
Direito
escrito,
que
se
manifesta
por
leis
e
códigos,
enquanto
o
costume
figura
como
fonte
complementar.
Introdução ao
Estudo do Direito
4. O Direito Romano
Direito
romano
é
um
termo
histórico-‐jurídico
que
se
refere,
originalmente,
ao
conjunto
de
regras
jurídicas
observadas
na
cidade
de
Roma
e,
mais
tarde,
ao
corpo
de
direito
aplicado
ao
território
do
Império
Romano
e,
após
a
queda
do
Império
Romano
do
Ocidente
em
476
d.C.,
ao
território
do
Império
Romano
do
Oriente.
Em
termos
gerais,
a
história
do
direito
romano
abarca
mais
de
mil
anos,
desde
a
Lei
das
Doze
Tábuas
(Lex
Duodecim
Tabularum,
449
a.C.)
até
o
Corpus
Iuris
Civilis
por
Jus8niano
(530
d.C.).
A
influência
do
direito
romano
sobre
os
direitos
nacionais
europeus
é
imensa
e
perdura
até
hoje.
Uma
das
grandes
divisões
do
direito
comparado
é
o
sistema
romano-‐
germânico,
adotado
por
diversos
Estados
con8nentais
europeus
e
baseado
no
direito
romano.
O
mesmo
acontece
com
o
sistema
jurídico
em
vigor
em
todos
os
países
la8no-‐
americanos.
Introdução ao
Estudo do Direito
5. Conceito de lei
5.1
Considerações
prévias
A
lei
é
a
forma
moderna
de
produção
do
Direito
Posi8vo.
É
ato
do
Poder
Legisla8vo,
que
estabelece
normas
de
acordo
com
os
interesses
sociais.
Não
cons8tui,
como
outrora,
a
expressão
de
uma
vontade
individual
(L’
Étac
c’
est
moi),
pois
traduz
as
aspirações
cole8vas.
Apesar
de
uma
elaboração
intelectual
que
exige
técnica
específica,
não
tem
por
base
os
ar8[cios
da
razão,
pois
se
estrutura
na
realidade
social.
A
sua
fonte
material
é
representada
pelos
próprios
fatos
e
valores
que
a
sociedade
oferece.
5.2
E8mologia
do
vocábulo
“Lei”
-‐
Legere
(ler)
→
porque
os
an8gos
8nham
o
costume
de
se
reunir
em
praça
pública,
local
em
que
se
afixavam
cópias
das
leis,
para
leitura
e
comentário
dos
novos
atos;
-‐
Ligare
(ligar)
→
por
força
da
bilateralidade
da
norma
jurídica,
que
vincula,
liga,
duas
ou
mais
pessoas,
a
uma
impondo
o
dever
e
à
outra
atribuindo
um
poder;
-‐
Eligere
(escolher)
→
porque
o
legislador
escolhe,
entre
as
diversas
proposições
norma8vas
possíveis,
uma
para
ser
a
lei.
Introdução ao
Estudo do Direito
5.3
Conceito
Lei
é
ato
escrito,
primário,
geral,
abstrato,
emanado
do
poder
competente,
imposto
coa8vamente
pelo
Estado
e
dotado
de
sanção.
5.4
Lei
em
sen8do
amplo
...
emprega-‐se
o
vocábulo
lei
para
indicar
o
Jus
scriptum.
É
uma
referência
genérica
que
a8nge
à
lei
propriamente
dita,
à
media
provisória
e
ao
decreto.
Por
esse
sen8do
a
expressão
lei
poderia
ser
u8lizada
em
sen8do
abrangente,
pois
todo
e
qualquer
ato
que
descrever
e
regular
uma
determinada
conduta,
mesmo
que
esse
ato
não
vier
do
Poder
Legisla8vo,
seria
considerado
como
lei.
É
o
caso
das
medidas
provisórias,
sendo
atribuição
do
Presidente
da
República,
que,
diante
de
uma
situação
de
urgência
e
relevância,
edita
uma
norma,
para,
somente
depois,
passar
pela
avaliação
do
Poder
Legisla8vo.
Introdução ao
Estudo do Direito
5.5
Lei
em
sen8do
estrito
Por
essa
classificação,
a
expressão
“lei”
somente
poderia
ser
assim
considerada
quando
fosse
fruto
de
elaboração
do
Poder
Legisla8vo
e
contasse
com
todos
os
requisitos
necessários.
Esses
requisitos
são
formais
ou
materiais;
os
primeiros
se
relacionam
com
o
processo
de
elaboração
dentro
do
Poder
Legisla8vo;
já
os
segundos
dizem
respeito
ao
conteúdo,
por
ser
uma
descrição
de
uma
conduta
abstrata,
genérica,
impera8va
e
coerciva.
5.6
Lei
em
sen8do
formal
e
formal-‐material
Formal:
São
aquelas
leis
que,
embora
sejam
fruto
de
um
correto
processo
de
elaboração
(forma),
há
falha
de
conteúdo,
por
não
descrever
uma
conduta
genérica,
abstrata,
impera8va
e
coerci8va.
Formal-‐material:
são
aquelas
leis
que
respeitam
tanto
os
requisitos
de
forma,
como
os
requisitos
de
conteúdo.
Introdução ao
Estudo do Direito
5.7
Lei
substan8va
e
adje8va
Lei
substan8va
(material):
são
aquelas
que
regulam
os
direitos
e
obrigações
dos
indivíduos,
nas
relações
entre
estes
e
o
Estado,
e
entre
os
próprios
indivíduos.
Normalmente
são
do
conhecimento
de
todos.
Lei
adje8va
(formal):
aquelas
que
estabelecem
regras
rela8vas
aos
procedimentos
e
devem
ser
de
conhecimento
mais
específico
dos
advogados
e
juízes
por
se
referirem
aos
processos.
5.8
Lei
de
ordem
pública
Regulam
os
principais
interesses
da
sociedade;
são
suas
normas
fundamentais
e
que
preservam
o
interesse
e
o
bem
comum
de
toda
a
cole8vidade.
Devem
ser
respeitadas
não
pela
vontade
individual
de
cada
pessoa,
mas
pelo
seu
caráter
fundamental
e
obrigatório
de
suas
regras.
Exemplo:
leis
que
dispõem
sobre
a
família,
direitos
personalíssimos,
capacidade
das
pessoas,
prescrição,
nulidade
de
atos,
normas
cons8tucionais,
administra8vas,
penais,
processuais,
etc).
Introdução ao
Estudo do Direito
6. Formação da lei
O
processo
legisla8vo
é
estabelecido
pela
Cons8tuição
Federal
e
se
desdobra
nas
seguintes
etapas:
apresentação
do
projeto,
exame
das
comissões,
discussão
e
aprovação,
revisão,
sanção,
promulgação
e
publicação.
6.1
Inicia8va
da
lei
Art.
61.
A
inicia8va
das
leis
complementares
e
ordinárias
cabe
a
qualquer
membro
ou
Comissão
da
Câmara
dos
Deputados,
do
Senado
Federal
ou
do
Congresso
Nacional,
ao
Presidente
da
República,
ao
Supremo
Tribunal
Federal,
aos
Tribunais
Superiores,
ao
Procurador-‐Geral
da
República
e
aos
cidadãos,
na
forma
e
nos
casos
previstos
nesta
Cons8tuição.
6.2.
Exame
pelas
comissões
técnicas,
discussões
e
aprovação
Uma
vez
apresentado,
o
projeto
tramita
por
diversas
comissões
parlamentares,
às
quais
se
vincula
por
seu
objeto.
Passado
pelo
crivo
das
comissões
competentes,
deverá
ir
ao
plenário
para
discussão
e
votação.
No
regime
bicameral,
como
é
o
nosso,
é
indispensável
a
aprovação
do
projeto
pelas
duas
Casas.
Introdução ao
Estudo do Direito
6.3
Revisão
do
projeto
O
projeto
pode
ser
apresentado
na
Câmara
dos
Deputados
ou
no
Senado
Federal.
Iniciado
na
Câmara,
o
Senado
funcionará
como
Casa
revisora
e
vice-‐versa,
com
a
circunstância
de
que
os
projetos
encaminhados
pelo
Presidente
da
República,
STF
e
Tribunais
Superiores
serão
apreciados
primeiramente
pela
Câmara
dos
Deputados.
Se
a
Casa
revisora
aprová-‐lo,
deverá
ser
encaminhado
à
Presidência
da
República
para
sanção,
promulgação
e
publicação;
se
o
rejeitar,
será
arquivado;
se
apresentar
emenda,
volverá
à
Casa
de
origem
para
nova
apreciação.
Não
admi8da
a
emenda,
o
projeto
será
arquivado.
Introdução ao
Estudo do Direito
6.4
Sanção
Consiste
na
aquiescência,
na
concordância
do
Chefe
do
Execu8vo
com
o
projeto
aprovado
pelo
Legisla8vo.
É
ato
da
alçada
exclusiva
do
Poder
Execu8vo.
Na
esfera
federal,
o
Presidente
tem
o
prazo
de
15
dias
para
sancionar
ou
vetar
o
projeto.
A
sanção
pode
ser
tácita
(o
Presidente
não
se
manifesta
no
prazo)
ou
expressa
(quando
o
Presidente
declara
a
concordância
com
o
projeto
no
prazo).
Na
hipótese
de
veto,
o
Congresso
Nacional
(Câmara
e
Senado)
disporá
de
30
dias
para
sua
apreciação.
Para
que
o
veto
seja
rejeitado
é
necessário
o
voto
da
maioria
absoluta
dos
deputados
e
senadores,
em
escru{nio
secreto.
Vencido
o
prazo,
sem
deliberação,
o
projeto
entrará
na
ordem
do
dia
da
sessão
seguinte
e
em
regime
prioritário.
6.5
Promulgação
É
quando
a
lei
passa
a
exis8r.
Ordinariamente
é
ato
do
Chefe
do
Execu8vo.
Consiste
na
declaração
formal
da
existência
da
lei.
Rejeitado
o
veto
presidencial,
será
o
projeto
encaminhado
à
presidência,
para
efeito
de
promulgação
no
prazo
de
48
horas.
Esta
não
ocorrendo,
compe8rá
ao
presidente
do
Senado
Federal,
que
disporá
de
igual
prazo.
Introdução ao
Estudo do Direito
6.6
Publicação
A
publicação
é
indispensável
para
que
a
lei
entre
em
vigor
e
deverá
ser
feita
por
órgão
oficial.
O
início
de
vigência
pode
dar-‐se
com
a
publicação
ou
decorrida
a
vaca8o
legis,
que
é
o
tempo
que
medeia
entre
a
publicação
e
o
início
da
vigência.
7. Obrigatoriedade da lei
A
conseqüência
natural
da
vigência
da
lei
é
a
sua
obrigatoriedade,
que
dimana
do
caráter
impera8vo
do
Direito.
LINDB,
Art.
3o
-‐
Ninguém
se
escusa
de
cumprir
a
lei,
alegando
que
não
a
conhece.
Por
que
a
lei
obriga?
Teoria
da
autoridade
→
a
obrigatoriedade
da
lei
é
uma
simples
decorrência
da
força.
Teorias
da
valoração
→
subordinam
a
obrigatoriedade
da
lei
ao
seu
conteúdo
é8co.
Teorias
contratualistas
→
a
norma
jurídica
é
obrigatória
se
e
enquanto
os
que
devem
obedecê-‐la
concorrerem
para
a
sua
formação.
Teoria
posi8vista
→
é
expressão
da
vontade
de
uma
autoridade
suprema.
Introdução ao
Estudo do Direito
8. Aplicação da lei
Diagnose
do
fato
→
o
aplicador
considera
a
narra8va
apresentada
pelas
partes
interessadas,
examina
cuidadosamente
as
provas
e
firma
o
diagnós8co
quanto
à
matéria
de
fato.
Diagnose
do
Direito
→
é
a
constatação
da
existência
de
lei
aplicável
aos
fatos.
Crí8ca
formal
→
o
aplicador
verifica
se
a
lei
se
reveste
de
todos
os
requisitos
de
caráter
formal
(regularidade
do
processo
de
formação).
Crí8ca
substancial
→
verificação
dos
elementos
intrínsecos
de
validade
e
efe8vidade
da
lei
(competência
do
poder
legiferante,
cons8tucionalidade).
Interpretação
da
lei
→
conhecer
o
espírito
das
leis.
Verificação
do
sen8do
e
o
alcance
das
normas
jurídicas.
Aplicação
da
lei
→
é
um
silogismo.
A
aplicação
do
Direito
é
uma
operação
lógica,
mas
não
exclusivamente
lógica,
pois
importante
é
a
contribuição
do
juiz,
com
as
suas
es8ma8vas
pessoais.
Introdução ao
Estudo do Direito
1. Aspectos gerais
Em
tempos
mais
an8gos,
os
costumes,
ou
seja,
as
prá8cas
sociais
mais
freqüentes,
influenciavam
de
maneira
concreta
o
Direito,
sendo,
inclusive,
sua
maior
fonte.
Entretanto
com
o
passar
dos
tempos,
principalmente
a
par8r
do
século
XIX,
o
Direito
iniciou-‐se
por
um
processo
de
intensa
codificação,
no
qual
as
leis
deixaram
ser
8das
apenas
nos
usos
e
costumes
sociais,
para
serem
escritas
e
organizadas
em
Códigos.
2. Conceito
O
costume,
diferentemente
do
Direito,
é
criação
espontânea
da
sociedade,
sendo
o
resultado
dos
acontecimentos
sociais.
Vale
dizer
que
os
costumes
baseiam-‐se
nos
valores
morais
da
sociedade,
rela8vos
ao
bom
senso
e
ao
ideal
de
Jus8ça.
Cumpre
salientar
que
o
costume
surge
diante
da
prá8ca
reiterada
de
uma
determinada
conduta,
ou
seja,
em
casos
semelhantes,
as
pessoas
sempre
vão
agir
de
uma
determinada
forma,
e
é
na
ocorrência
de
muitas
situações
parecidas
é
que
os
costumes
se
tornam
válidos.
2. DIREITO COSTUMEIRO
Introdução ao
Estudo do Direito
...
conjunto
de
normas
de
conduta
social,
criadas
espontaneamente
pelo
povo,
através
do
uso
reiterado,
uniforme
e
que
gera
a
certeza
de
obrigatoriedade,
reconhecidas
e
impostas
pelo
Estado.
A
Ordem
Jurídica
brasileira
prevê
a
observância
dos
costumes
no
caso
de
omissão
legal,
que
está
descrito
no
art.
4º
da
Lei
de
Introdução
as
Normas
de
Direito
Brasileiro.
Art.
4°
-‐
Quando
a
lei
for
omissa,
o
juiz
decidirá
o
caso
de
acordo
com
a
analogia,
os
costumes
e
os
princípios
gerais
de
direito.
CC,
Art.
1.297,
§
1o
Os
intervalos,
muros,
cercas
e
os
tapumes
divisórios,
tais
como
sebes
vivas,
cercas
de
arame
ou
de
madeira,
valas
ou
banquetas,
presumem-‐se,
até
prova
em
contrário,
pertencer
a
ambos
os
proprietários
confinantes,
sendo
estes
obrigados,
de
conformidade
com
os
costumes
da
localidade,
a
concorrer,
em
partes
iguais,
para
as
despesas
de
sua
construção
e
conservação.
CC,
Art.
599.
Não
havendo
prazo
es8pulado,
nem
se
podendo
inferir
da
natureza
do
contrato,
ou
do
costume
do
lugar,
qualquer
das
partes,
a
seu
arbítrio,
mediante
prévio
aviso,
pode
resolver
o
contrato.
Introdução ao
Estudo do Direito
3. Paralelo entre o costume e a lei
REFERÊNCIAS
LEI
COSTUME
Autor
Poder
Legisla8vo
Povo
Forma
Escrita
Oral
Obrigatoriedade
Início
a
vigência
A
par8r
da
efe8vidade
Criação
Reflexiva
Espontânea
Posi8vidade
Validade
que
aspira
à
efe8vidade
Efe8vidade
que
aspira
à
validade
Condições
de
validade
Cumprimento
de
formas
e
respeito
à
hierarquia
das
fontes
Ser
admi8do
como
fonte
e
respeito
à
hierarquia
das
fontes
Quanto
à
legi8midade
Quando
traduz
os
costumes
e
valores
sociais
Presumida
Introdução ao
Estudo do Direito
4. Espécies de costumes
Costume
Secundum
Legem
(segundo
a
lei):
os
costumes
con8dos
nessa
classificação
seriam
aqueles
que
retratam
prá8ca
idên8ca
ao
comportamento
exigido
pela
lei.
Seria
o
costume
correspondente
à
vontade
da
lei.
Costume
Praeter
Legem
(além
da
lei):
segundo
essa
classificação,
os
costumes
seriam
u8lizados
no
caso
de
lacunas
na
lei,
ou
seja,
diante
da
inexistência
de
uma
lei
específica
para
regular
determinada
situação,
poderão
ser
observados
os
costumes
correntes
na
região.
Costume
Contra
Legem
(contra
e
lei):
é
o
costume
que
contraria
a
lei,
e
nessa
classificação
faz
surgir
um
grande
problema
sobre
a
validade
e
importância
dos
costumes.
Introdução ao
Estudo do Direito
5. Valor dos costumes
Código
de
Processo
Civil
Art.
126.
O
juiz
não
se
exime
de
sentenciar
ou
despachar
alegando
lacuna
ou
obscuridade
da
lei.
No
julgamento
da
lide
caber-‐lhe-‐á
aplicar
as
normas
legais;
não
as
havendo,
recorrerá
à
analogia,
aos
costumes
e
aos
princípios
gerais
de
direito.
Código
Comercial
Art.
673
-‐
Suscitando-‐se
dúvida
sobre
(...)
3
-‐
o
costume
geral,
observado
em
casos
idên8cos
na
praça
onde
se
celebrou
o
contrato,
prevalecerá
a
qualquer
significação
diversa
que
as
palavras
possam
ter
em
uso
vulgar;
Consolidação
das
Leis
do
Trabalho
Art.
8º
-‐
As
autoridades
administra8vas
e
a
Jus8ça
do
Trabalho,
na
falta
de
disposições
legais
ou
contratuais,
decidirão,
conforme
o
caso,
pela
jurisprudência,
por
analogia,
por
eqüidade
e
outros
princípios
e
normas
gerais
de
direito,
principalmente
do
direito
do
trabalho,
e,
ainda,
de
acordo
com
os
usos
e
costumes,
o
direito
comparado,
mas
sempre
de
maneira
que
nenhum
interesse
de
classe
ou
par8cular
prevaleça
sobre
o
interesse
público.
Introdução ao
Estudo do Direito
Direito
Internacional
Em
face
da
peculiaridade
desse
ramo
do
Direito,
que
não
é
comandado
por
um
poder
centralizador,
o
costume
cons8tui
a
sua
fonte
universal.
Código
Penal
Art.
1º
-‐
Não
há
crime
sem
lei
anterior
que
o
defina.
Não
há
pena
sem
prévia
cominação
legal.
Código
Civil
Art.
569.
O
locatário
é
obrigado:
(...)
II
-‐
a
pagar
pontualmente
o
aluguel
nos
prazos
ajustados,
e,
em
falta
de
ajuste,
segundo
o
costume
do
lugar;
Introdução ao
Estudo do Direito
6. Prova dos costumes
O
princípio
iura
novit
curia
(os
juízes
conhecem
o
Direito),
pelo
qual
as
partes
não
precisam
provar
a
existência
do
Direito
invocado,
não
tem
aplicação
quanto
as
costumes,
em
face
do
que
dispõe
o
art.
337
do
Código
de
Processo
Civil:
Art.
337.
A
parte,
que
alegar
direito
municipal,
estadual,
estrangeiro
ou
consuetudinário,
provar-‐lhe-‐á
o
teor
e
a
vigência,
se
assim
o
determinar
o
juiz.
Os
costumes
podem
ser
provados
pelos
mais
diversos
modos:
documentos,
testemunhas,
vistorias
etc.
Introdução ao
Estudo do Direito
1. Conceito
O
Poder
Judiciário
tem
como
função
principal,
a
aplicação
do
Direito,
julgando,
diante
de
uma
determinada
situação,
qual
lei
será
aplicada
e
de
que
forma
ela
irá
influir
no
caso
concreto.
Assim,
as
decisões
judiciais
influenciam
o
Direito.
A
jurisprudência,
então,
pode
ser
conceituada
como
as
decisões
uniformes
e
reiteradas
dos
tribunais,
ou
seja,
os
tribunais
(instâncias
superiores)
entendem
que
situações
semelhantes
devem
ser
decididas
da
mesma
maneira,
tendo
em
vista
que
um
grande
número
de
situações
semelhantes
já
forma
solucionadas
da
mesma
forma.
3. JURISPRUDÊNCIA
Sentido amplo
Sentido estrito
Consiste
apenas
no
conjunto
de
decisões
uniformes,
prolatadas
pelos
órgãos
do
Poder
Judiciário,
sobre
determinada
questão
jurídica.
É
a
coletânea
de
decisões
proferidas
pelos
tribunais
sobre
determinada
matéria
jurídica.
Comporta
a
jurisprudência
uniforme
e
a
jurisprudência
divergente.
3. JURISPRUDÊNCIA
Introdução ao
Estudo do Direito
2. Espécies
Jurisprudência
Secundum
Legem
(segundo
a
lei):
limita-‐se
a
interpretar
determinadas
regras
definidas
na
ordem
jurídica.
Jurisprudência
Praeter
Legem
(além
da
lei):
é
a
que
se
desenvolve
na
falta
de
regras
específicas,
quando
as
leis
são
omissas.
Jurisprudência
Contra
Legem
(contra
e
lei):
se
forma
ao
arrepio
da
lei,
contra
disposições
desta.
É
prá8ca
não
admi8da
no
plano
teórico,
contudo,
é
aplicada
e
surge
quase
sempre
em
face
de
leis
anacrônicas
ou
injustas.
SUM-‐80
INSALUBRIDADE
A
eliminação
da
insalubridade
mediante
fornecimento
de
aparelhos
protetores
aprovados
pelo
órgão
competente
do
Poder
Execu^vo
exclui
a
percepção
do
respec^vo
adicional.
SUM-‐32
ABANDONO
DE
EMPREGO
Presume-‐se
o
abandono
de
emprego
se
o
trabalhador
não
retornar
ao
serviço
no
prazo
de
30
(trinta)
dias
após
a
cessação
do
benefcio
previdenciário
nem
jus^ficar
o
mo^vo
de
não
o
fazer.
Introdução ao
Estudo do Direito
2. O grau de liberdade dos juízes
→
princípio
da
razoabilidade
e
proporcionalidade;
→
princípio
do
livre
convencimento
do
juiz;
A
jurisprudência
cria
Direito?
A
jurisprudência
vincula
os
tribunais?
Introdução ao
Estudo do Direito
1. Conceito
A
doutrina
também
pode
ser
chamada
de
Direito
Cien{fico,
e
consiste
nos
estudos
desenvolvidos
pelos
vários
juristas,
que
obje8vam
entender
e
explicar
todos
os
temas
rela8vos
ao
Direito.
Buscam
explicação
e
a
correta
interpretação
dos
vários
ins8tutos
e
normas,
de
forma
a
se
obter
uma
real
compreensão
de
todo
o
mundo
jurídico,
servindo
de
auxílio
e
subsídio
para
os
que
se
aventuram
nessa
área
do
conhecimento
humano.
Para
que
se
possa
desenvolver
esse
estudo,
o
jurista
deve
ter
uma
índole
livre,
ou
seja,
deve
possuir
um
pensamento
não
comprome8do
com
os
preconceitos
e
pressupostos,
para
que,
assim,
possam
surgir
concepções
inéditas.
O
jurista
deverá,
também,
contar
com
vasto
conhecimento
a
cerca
do
Direito,
pois
somente
aquele
que
conhece
é
capaz
de
estabelecer
conceitos
e
crí8cas,
tendo
em
mente
a
sua
responsabilidade
na
produção
de
um
trabalho
sério
e
que
contribuirá
para
o
mundo
jurídico.
4. DOUTRINA
Introdução ao
Estudo do Direito
2. Funções
A
doutrina
jurídica
possui
como
funções
no
mundo
jurídico:
→
o
estudo
aprofundado
das
principais
normas
e
princípios
do
Direito;
→
atualização
dos
conceitos
e
ins8tutos
para
estar
sempre
em
contato
com
a
dinâmica
realidade,
que
muda
a
todo
o
tempo.
→
a
sistema8zação
e
organização
de
todo
o
conteúdo
do
Direito,
agrupando-‐o
em
de
forma
coerente
e
lógica,
pois
será
através
da
divisão
dos
vários
ramos
e
espécies
de
normas,
é
que
será
possível
total
compreensão
da
Ordem
Jurídica.
→
estabelecer
crí8cas
ao
objeto
de
estudo,
devido
ao
senso
jurídico
e
crí8co
que
deve
possuir
o
jurista;
de
forma
que
mediante
debates
se
chegue
a
uma
correta
proposição.
→
verificar
maneiras
para
aperfeiçoar
o
Direito,
de
que
forma
que
vez
cada
mais
esteja
voltado
para
os
seu
fim
maior:
a
Jus8ça;
Dessa
forma,
percebe-‐se
que
a
doutrina
jurídica
possui
uma
importância
fundamental
para
o
Direito,
influenciando
de
maneira
indireta
na
elaboração
das
leis
e
nos
julgamentos,
pois
fornece
pontos
de
apoio
tanto
ao
legislador
e
ao
juiz,
em
suas
a8vidades
intelectuais.
Introdução ao
Estudo do Direito
3. Argumento de autoridade
Ao
defender
uma
causa
em
juízo,
o
advogado
deve
atuar
de
forma
a
convencer
o
juiz
de
seus
argumentos
e,
para
isso,
deve
fazer
uma
disposição
lógicas
dos
fatos
e
fundamentos
de
seu
pedido.
Para
auxiliar
o
advogado
nessa
árdua
missão
de
convencer,
poderá
ser
u8lizado
o
argumento
de
autoridade,
que
consiste
na
citação
das
opiniões
e
estudos
de
juristas
conceituados,
para
servir
de
subsídio
ao
juiz,
demonstrando
que
os
argumentos
u8lizados
pelo
advogado
são
coerentes
e
lógicos,
haja
vista
não
está
sozinho
em
determinado
entendimento.
A
u8lização
do
argumento
de
autoridade
poderá
auxiliar
o
juiz
a
decidir
com
maior
segurança.
4. Modelos
A
doutrina
poderá
se
manifestar,
basicamente,
por
dois
grandes
modelos:
modelo
alemão
e
modelo
francês.
O
modelo
alemão
consiste
na
doutrina
feita
mediante
comentários,
ou
seja,
a
medida
que
se
faz
o
estudo
de
determinada
lei
ou
código,
são
feitos
comentários,
normalmente
sendo
ar8go
por
ar8go,
sendo
indicado
o
significado
daquele
preceito,
as
caracterís8cas
e
a
posição
da
jurisprudência
a
respeito
do
tema
abordado.
Introdução ao
Estudo do Direito
Já
o
modelo
francês
não
faz
esse
estudo
isolado,
mas,
a
doutrina
é
organizada
na
forma
de
uma
abordagem
sistêmica
e
conceitual
de
toda
a
estrutura
jurídica,
estabelecendo
os
princípios
e
pressupostos
per8nentes
ao
tema.
Há
uma
exposição
lógica
e
coerente
do
tema,
iniciando-‐se
com
introdução,
que
serve
de
preparação
ao
aprofundamento
do
tema,
desenvolvimento,
momento
em
que
o
estudo
apresenta
as
par8cularidades
do
assunto
abordado,
e
a
conclusão,
com
a
opinião
do
jurista
a
respeito
do
tema.
Introdução ao
Estudo do Direito
1. Conceito
É
um
recurso
técnico
que
consiste
em
se
aplicar
a
uma
hipótese
não
prevista
pelo
legislador,
a
solução
por
ele
apresentada
para
uma
outra
hipótese
fundamentalmente
semelhante
à
não
prevista.
EXEMPLO:
CLT,
Art.
72
-‐
Nos
serviços
permanentes
de
mecanografia
(da8lografia,
escrituração
ou
cálculo),
a
cada
período
de
90
(noventa)
minutos
de
trabalho
consecu8vo
corresponderá
um
repouso
de
10
(dez)
minutos
não
deduzidos
da
duração
normal
de
trabalho.
SUM-‐346
DIGITADOR.
INTERVALOS
INTRAJORNADA.
APLICAÇÃO
ANALÓGICA
DO
ART.
72
DA
CLT
Os
digitadores,
por
aplicação
analógica
do
art.
72
da
CLT,
equiparam-‐se
aos
trabalhadores
nos
serviços
de
mecanografia
(da^lografia,
escrituração
ou
cálculo),
razão
pela
qual
têm
direito
a
intervalos
de
descanso
de
10
(dez)
minutos
a
cada
90
(noventa)
de
trabalho
consecu^vo.
4. ANALOGIA
Introdução ao
Estudo do Direito
3. JURISPRUDÊNCIA
Analogia legal (legis)
Analogia jurídica (juris)
Ela
se
fundamenta
em
um
conjunto
de
normas,
para
extrair
elementos
que
possibilitem
sua
aplicabilidade
ao
caso
não
previsto.
A
solução
deve
ser
buscada
no
sistema
como
um
todo.
Consiste
na
aplicação
de
uma
norma
existente
des8nada
a
reger
caso
semelhante
ao
não
previsto.
O
paradigma,
no
caso,
se
localiza
em
determinado
ato
legisla8vo.
2. Exclusão da analogia
No
Direito
Penal
No
Direito
Fiscal
→
para
impor
tributos
ou
penas
ao
contribuinte.
-‐
In
malam
partem
(que
prejudica
o
réu)
-‐
In
bonam
partem
(que
beneficia
o
réu)
→
art.
128,
II
do
CP;
Introdução ao
Estudo do Direito
Os
princípios
gerais
do
Direito,
são
enunciações
norma8vas
de
valor
genérico,
que
condicionam
e
orientam
a
compreensão
do
ordenamento
jurídico
em
sua
aplicação
e
integração
ou
mesmo
para
a
elaboração
de
novas
normas.
Os
princípios
gerais
do
direito
são
os
alicerces
do
ordenamento
jurídico,
informando
o
sistema
independentemente
de
estarem
posi8vados
em
norma
legal.
Os
Princípios
Gerais
do
Direito
seriam
as
idéias
basilares
e
fundamentais
do
Direito,
que
lhe
dão
apoio
e
coerência,
respaldados
pelo
ideal
de
Jus8ça,
que
envolve
o
Direito.
Seriam
idéias
fundamentais
de
caráter
geral
dentro
de
cada
área
de
atuação
do
Direito.
São
exemplos:
Falar
e
não
provar
é
o
mesmo
que
não
falar;
Ninguém
pode
causar
dano,
e
quem
causar
terá
que
indenizar;
Ninguém
pode
se
beneficiar
da
própria
torpeza;
Ninguém
deve
ser
punido
por
seus
pensamentos;
Ninguém
é
obrigado
a
citar
os
disposi8vos
legais
nos
quais
ampara
sua
pretensão,
pois
se
presume
que
o
juiz
os
conheça;
Ninguém
está
obrigado
ao
impossível;
5. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO