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DISCURSO ECONÔMICO, HISTÓRIA E SOCIEDADE
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O PROBLEMA DO OBJETO
Economia: ciência de quê?
“Political Economy” x “Economics”
Diferentes maneiras de enxergar o objeto próprio da ciência, dentro de seu período mesmo de maturidade 
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“A ciência que trata da produção e da distribuição da riqueza, na medida em que dependam das leis da natureza humana”
John Stuart Mill, “On the Definition of Political Economy; and on the Method of Investigation Proper to It” (1844)
“A economia é a ciência que estuda o comportamento humano como uma relação entre fins e meios escassos que possuem usos alternativos”
Lionel Robbins, “Essay on the Nature and Significance of Economic Science” (1932)
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A PRÉ-HISTÓRIA DA CIÊNCIA
A economia apenas atinge o status de ciência autônoma ao final do século XVIII
Antes disso, questões econômicas eram amplamente discutidas, porém fora do âmbito da “ciência”
Se a definição do objeto é controversa mesmo durante o período de maturidade, suas origens são certamente ainda mais nebulosas
O que era, então, a economia antes de Adam Smith?
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ETIMOLOGIA
Economia → Oikonomia
“Oikos” + “Nomia”
Administração do lar (“household”)
Na Antiguidade Clássica, referia-se às maneiras adequadas, ao chefe de domicílio, para administrar tudo aquilo que lhe pertencia e estava sob seu controle
Aparece assim em Aristóteles e Xenofonte
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OIKONOMIA X KHREMATIZEIN
Crematística → arte de enriquecer 
Em Aristóteles, problemas como o valor de troca ou a função da moeda são crematística
A crematística é entendida, porém, de maneira derrogatória
A moeda é estéril, e o acúmulo de moeda é uma atividade não-natural
Tal atitude permeia a literatura escolástica
Leis contra a usura e preocupação com o “justum pretium”
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INÍCIO DO PERÍODO MODERNO
Keith Tribe
A preocupação com “household management” permanece um tema essencial
Tratados de administração da propriedade agrícola
O mercantilismo como tradução dos princípios da oikonomia para a esfera dos Estados-nação
Problema central: preservação da ordem nas relações econômicas
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ECONOMIA E SOCIEDADE
Até às vésperas da Revolução Industrial, a economia não era percebida como uma esfera autônoma da realidade
Karl Polanyi
A economia como apêndice da estrutura social
Atividades econômicas só fazem sentido quando percebidas dentro das relações sociais que lhes dão origem
Reciprocidade e redistribuição
As atividades “econômicas” não são institucionalizadas de maneira autônoma
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AS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE
O que muda, então, a partir de meados do século XVIII?
As atividades econômicas passam a ser organizadas por meio de um novo arranjo institucional
O mercado
Disseminação da produção mercantil
Toda a reprodução material passa a ser mediada pelas trocas
Todos os recursos necessários à reprodução material precisam estar disponíveis para compra
Polanyi → surgimento das mercadorias fictícias
Terra, trabalho e moeda
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AS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE
Nesse novo cenário, a atividade econômica passa a ser organizada de maneira autônoma, descolada das demais relações sociais
Todo ato econômico passa, finalmente, a seguir um mesmo princípio institucional
Produção mercantil e transação no mercado
Mais do que isso, quando a terra e o trabalho se tornam mercadorias, inverte-se a relação
A sociedade passa a ser um apêndice da estrutura econômica
Os princípios do mercado e da produção mercantil convertem-se em norma de comportamento social
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O DISCURSO ECONÔMICO MODERNO
Em Adam Smith, a propensão à troca aparece como um princípio da natureza humana
Tendência à naturalização e universalização do comportamento econômico típico de uma sociedade de mercado
Permeia grande parte do desenvolvimento da ciência econômica desde então
O motivo econômico se emancipa da filosofia moral e passa a ocupar um lugar distinto e destacado dentro da estrutura ideológica moderna

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