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OAB - 2ª FASE 2011.2
Direito Civil 
A proteção aos incapazes: Tutela e Curatela
Profª Fernanda Pimentel
CRFB, Art. 227 (EC 65/2010)
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do
Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao
jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda
forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão .
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CRFB, Art. 227 (EC 65/2010)
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral
à saúde da criança, do adolescente e do jovem, admitida a
participação de entidades não governamentais, mediante
políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos:
II - criação de programas de prevenção e atendimento
especializado para as pessoas portadoras de deficiência
física, sensorial ou mental, bem como de integração social
do adolescente e do jovem portador de deficiência,
mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e
a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a
eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as
formas de discriminação.
Lei 8069/90, Art. 19
Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a
ser criado e educado no seio da sua família e,
excepcionalmente, em família substituta,
assegurada a convivência familiar e comunitária,
em ambiente livre da presença de pessoas
dependentes de substâncias entorpecentes
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Guarda 
• Meio de inserção do menor em família
substituta;
• Conforme o ECA, sua ratio está na
transitoriedade, devendo o Estado promover
a regularização da situação do menor em
abandono ou que tenha pais abusadores ou
destituídos do poder familiar.
Guarda: Lei 8069/90 
• Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á
mediante guarda, tutela ou adoção,
independentemente da situação jurídica da criança ou
adolescente, nos termos desta Lei.
§ 1o Sempre que possível, a criança ou o adolescente
será previamente ouvido por equipe interprofissional,
respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de
compreensão sobre as implicações da medida, e terá
sua opinião devidamente considerada.
§ 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de
idade, será necessário seu consentimento, colhido em
audiência.
4
Guarda: Lei 8069/90 
§ 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o
grau de parentesco e a relação de afinidade ou de
afetividade, a fim de evitar ou minorar as consequências
decorrentes da medida.
§ 4o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção,
tutela ou guarda da mesma família substituta, ressalvada
a comprovada existência de risco de abuso ou outra
situação que justifique plenamente a excepcionalidade de
solução diversa, procurando-se, em qualquer caso, evitar
o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.
§ 5o A colocação da criança ou adolescente em
família substituta será precedida de sua
preparação gradativa e acompanhamento
posterior, realizados pela equipe interprofissional
a serviço da Justiça da Infância e da Juventude,
preferencialmente com o apoio dos técnicos
responsáveis pela execução da política municipal
de garantia do direito à convivência familiar.
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Guarda: Deferimento 
CIVIL - GUARDA - AVOS - EFEITO PREVIDENCIARIO. I -
A CONVENIENCIA DE GARANTIR BENEFICIO
PREVIDENCIARIO AO NETO NÃO CARACTERIZA A
SITUAÇÃO EXCEPCIONAL QUE JUSTIFICA, NOS
TERMOS DO ECA (ART. 33, PAR. 2), O DEFERIMENTO
DE GUARDA A AVOS. II - RECURSO NÃO
CONHECIDO.
REsp 94369 / RJ 
Guarda: Deferimento 
• DIREITO DE FAMÍLIA. GUARDA DE MENOR PLEITEADA POR
AVÓS. POSSIBILIDADE. PREVALÊNCIA ABSOLUTA DO INTERESSE
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE OBSERVADA.(...) 2. No caso
em exame, não se trata de pedido de guarda unicamente para
fins previdenciários, que é repudiada pela jurisprudência. Ao
reverso, o pedido de guarda visa à regularização de situação de
fato consolidada desde o nascimento do infante (16.01.1991),
situação essa qualificada pela assistência material e afetiva
prestada pelos avós, como se pais fossem. Nesse passo,
conforme delineado no acórdão recorrido, verifica-se uma
convivência entre os autores e o menor perfeitamente apta a
assegurar o seu bem estar físico e espiritual, não havendo, por
outro lado, nenhum fato que sirva de empecilho ao seu pleno
desenvolvimento psicológico e social.
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Guarda: Deferimento 
3. Em casos como o dos autos, em que os avós pleiteiam a
regularização de uma situação de fato, não se tratando de
“guarda previdenciária”, o Estatuto da Criança e do
Adolescente deve ser aplicado tendo em vista mais os
princípios protetivos dos interesses da criança. Notadamente
porque o art. 33 está localizado em seção intitulada “Da
Família Substituta”, e, diante da expansão conceitual que hoje
se opera sobre termo “família”, não se pode afirmar que, no
caso dos autos, há, verdadeiramente, uma substituição
familiar. 4. O que deve balizar o conceito de “família” é,
sobretudo, o princípio da afetividade, que “fundamenta o
direito de família na estabilidade das relações socioafetivas e
na comunhão de vida, com primazia sobre as considerações de
caráter patrimonial ou biológico”.
REsp 945283/RN
Procedimento
• Poderá ser objeto de ação autônoma ou
deferida, liminar ou incidentalmente, nos
processos de tutela e adoção (exceto na
adoção por estrangeiros).
• O direito-dever dos pais de terem consigo
seus filhos, com vistas a garantir o seu
pleno desenvolvimento.
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ECA, Art. 33
• Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material,
moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu
detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais.
• § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo
ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de
tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros.
• § 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de
tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a
falta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o
direito de representação para a prática de atos determinados.
• § 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de
dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive
previdenciários
Enunciado
• 102 – Art. 1.584: a expressão “melhores condições”
no exercício da guarda, na hipótese do art. 1.584,
significa atender ao melhor interesse da criança.
• 333 - O direito de visita pode ser estendido aos avós e
pessoas com as quais a criança ou o adolescente
mantenha vínculo afetivo, atendendo ao seu melhor
interesse.
• 334 - A guarda de fato pode ser reputada como
consolidada diante da estabilidade da convivência
familiar entre a criança ou o adolescente e o terceiro
guardião, desde que seja atendido o princípio do
melhor interesse.
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Guarda x Alimentos
• 0048601-23.2009.8.19.0000 (2009.002.44893)- AGRAVO DE
INSTRUMENTO - 1ª Ementa DES. ROBERTO GUIMARAES -
Julgamento: 26/05/2010 - DECIMA PRIMEIRA CAMARA CIVEL
AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALIMENTOS. GUARDA
PROVISÓRIA. DEVOLUÇÃO DO MENOR. AÇÃO PROPOSTA PELO
MINISTÉRIO PÚBLICO. DECISÃO ORA RECORRIDA QUE
INDEFERIU O PEDIDO LIMINAR DE FIXAÇÃO DE ALIMENTOS
PROVISÓRIOS, A QUAL PRIMA FACIE, ANTE O PRESENTE
CONTEXTO FÁTICO-JURÍDICO, SE MANTÉM.1- O caso em tela
versa sobre pedido de alimentos. Ocorre, porém, que tal
pleito, prima facie, é direcionado à ex-guardiã do menor e não
tutora, adotante ou parente, casos esses em que a obrigação
alimentar encontra direta aplicação da Lei. (...)
Guarda x Alimentos
• (...).2- Assim, sem dúvida, há que se aguardar a devida
instrução processual e, bem assim, a sentença de mérito, para
melhor se aquilatar a situação fática e sua inserção no
universo da Lei e do Direito.3Ademais, há que se resguardar o
importantíssimo
e indispensável Instituto da Guarda, eis que
uma apressada decisão a respeito da matéria em questão
poderá causar, até mesmo, uma fuga dos atuais guardiães,
quanto às responsabilidades assumidas e impedir, ou
dificultar, que outros se habilitem a ser guardiães de
menores.4- registre-se, por fim, que, conforme o artigo 227 da
Constituição Federal, a responsabilidade para assegurar os
direitos da criança e do adolescente cabe, em primeiro lugar, à
família respectiva, à sociedade, veja-se que indistintamente, e
ao Estado. 5-Agravo Improvido.
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Competência 
• Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é
competente para:
• Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou
adolescente nas hipóteses do art. 98, é também
competente a Justiça da Infância e da Juventude
para o fim de:
• a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
• b) conhecer de ações de destituição do poder
familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda
Competência 
• Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é
competente para:
• Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou
adolescente nas hipóteses do art. 98, é também
competente a Justiça da Infância e da Juventude
para o fim de:
• a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
• b) conhecer de ações de destituição do poder
familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda
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Competência 
• Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é
competente para:
• Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou 
adolescente nas hipóteses do art. 98, é também 
competente a Justiça da Infância e da Juventude 
para o fim de:
• a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
• b) conhecer de ações de destituição do poder 
familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda
Competência para processar ações de interesse do 
menor: 
Súmula 383 do STJ
• A competência para processar e julgar as ações
conexas de interesse de menor é, em princípio, do
foro do domicílio do detentor de sua guarda.
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TUTELA
Previsão normativa - ECA (Alterado pela Lei 12010/09
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18
(dezoito) anos incompletos.
Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação
da perda ou suspensão do poder familiar e implica necessariamente o
dever de guarda.
Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer documento
autêntico, conforme previsto no parágrafo único do art. 1.729 da Lei no
10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, deverá, no prazo de 30
(trinta) dias após a abertura da sucessão, ingressar com pedido destinado
ao controle judicial do ato, observando o procedimento previsto nos arts.
165 a 170 desta Lei.
Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão observados os
requisitos previstos nos arts. 28 e 29 desta Lei, somente sendo deferida a
tutela à pessoa indicada na disposição de última vontade, se restar
comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando e que não existe
outra pessoa em melhores condições de assumi-la.
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Previsão normativa - CCB
• Art. 1.728. Os filhos menores são postos em 
tutela:
• I - com o falecimento dos pais, ou sendo estes 
julgados ausentes;
• II - em caso de os pais decaírem do poder familiar.
Tentativa conceitual
• Inexistindo a “assistência e a representação dos menores
que não estejam sob a autoridade dos pais, a lei organiza
a tutela, pela qual alguém é investido nos poderes
necessários à proteção que a família não lhe pode
dispensar, seja porque perdeu os pais, seja porque não os
conhece, seja porque foram destituídos do poder familiar.
( ... ) sendo um instituto de caráter jurídico-familiar”.
Orlando Gomes 
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Natureza jurídica 
É um “munus” público, sendo imposição do Poder
Público, à qual só poderá ser recusada nas
hipóteses previstas na Lei, devendo ser exercida no
prazo mínimo de 2 anos.
É uma delegação do Estado.
A nomeação do tutor é um negócio jurídico 
unilateral. 
Espécies
• 1 – TESTAMENTÁRIA – Instituída pelos pais através de
testamento ou instrumento público. Prevista no artigo 1729, §
único do Código Civil.
• 2 – LEGÍTIMA – Decorre da ordem legal, elencada no artigo
1731 do Código Civil, sendo estabelecida pelo juiz.
• 3 – DATIVA – Prevista no artigo 1732 do Código Civil, o tutor é
nomeado pelo juiz na falta de tutor testamentário ou
legítimo, ou ainda, se estes oferecerem escusa legítima ou
sejam impedidos de exercer a tutela, na forma do artigo 1735
da Lei.
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Estão sujeitos ao exercício da tutela 
Art. 1.731. Em falta de tutor nomeado pelos pais incumbe a tutela aos parentes 
consangüíneos do menor, por esta ordem:
I - aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto;
II - aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, e, no 
mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer dos casos, o juiz escolherá 
entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor.
Art. 1.732. O juiz nomeará tutor idôneo e residente no domicílio do menor:
I - na falta de tutor testamentário ou legítimo;
II - quando estes forem excluídos ou escusados da tutela;
III - quando removidos por não idôneos o tutor legítimo e o testamentário.
Art. 1.733. Aos irmãos órfãos dar-se-á um só tutor.
§ 1o No caso de ser nomeado mais de um tutor por disposição testamentária sem indicação 
de precedência, entende-se que a tutela foi cometida ao primeiro, e que os outros lhe 
sucederão pela ordem de nomeação, se ocorrer morte, incapacidade, escusa ou qualquer 
outro impedimento.
§ 2o Quem institui um menor herdeiro, ou legatário seu, poderá nomear-lhe curador especial 
para os bens deixados, ainda que o beneficiário se encontre sob o poder familiar, ou 
tutela.
Deferimento: Melhor interesse do menor 
TUTELA. PEDIDO DA AVO MATERNA. GUARDA.
PREFERENCIA. AS QUESTOES DE CUNHO ESTRITAMENTE
FORMAL DEVEM CEDER DIANTE DO IMPERATIVO DA VIDA,
DOS FATOS, CIRCUNSTANCIAS E DOCUMENTOS DO
PROCESSO. INACEITAVEL QUE PROCESSO TAO SIMPLES
TENHA TRAMITACAO TAO LENTA. A CRIANCA MORA COM A
AVO MATERNA DESDE OS ONZE MESES, QUANDO FICOU
ORFA DE PAI E MAE, QUALIFICADOS COMO BORRACHEIRO E
DO LAR, OS QUAIS NAO DEIXARAM BENS. A AVO PATERNA
NUNCA VIU A CRIANCA, QUE JA CONTA SEIS ANOS DE
IDADE. A AVO MATERNA TEM A PREFERENCIA LEGAL PARA
O "MUNUS", DESAPARECENDO A PREFERENCIA DA LINHA
PATERNA SOBRE A MATERNA, DIATE DA IGUALDADE DOS
GENEROS PRECONIZADA PELA CARTA MAGNA,
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SENDO A UNICA PARENTE CONSANGUINEA DA INFANTE E
UNICA PESSAO A DEVOTAR-LHE CUIDADOS E AFETO.
INADMISSIVEL SOBREPOR O REMOTO INTERESSE
ECONOMICO QUE A AVO PATERNA PUDESSE VIR A TER,
SOBRE O INTERESSE PESSOAL DA INFANTE EM VER-SE
TUTELADA NOS SEUS DIREITOS E INTERESSES.
DISPENSAVEL A EXIGENCIA DE ESPECIALIZACAO DE
HIPOTECA LEGAL CONSOANTE DISPOE O ART. 37,
PARAGRAFO UNICO DA LEI N. 8.069/90. RECURSO
PROVIDO. (7FLS) (Agravo de Instrumento Nº
70000800003, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves,
Julgado em 26/04/2000)
Protutor 
Art. 1.742. Para fiscalização dos atos do tutor,
pode o juiz nomear um protutor:
Natureza: órgão fiscalizatório da atividade do tutor.
Finalidade: Zelar pelo regular exercício da tutela, de
molde a evitar quaisquer prejuízos a pessoa do
tutelado.
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Não podem exercer a tutela: 
Art. 1.735. Não podem ser tutores e serão exonerados da
tutela, caso a exerçam:
I - aqueles que não tiverem a livre administração de seus
bens;
II - aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela,
se acharem constituídos em obrigação para com o menor,
ou tiverem que fazer valer direitos contra este, e aqueles
cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o
menor;
III - os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem
sido por estes expressamente excluídos
da tutela;
IV - os condenados por crime de furto, roubo, estelionato,
falsidade, contra a família ou os costumes, tenham ou não
cumprido pena;
V - as pessoas de mau procedimento, ou falhas em
probidade, e as culpadas de abuso em tutorias anteriores;
VI - aqueles que exercerem função pública incompatível
com a boa administração da tutela.
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Escusa do exercício da tutela 
Art. 1.736. Podem escusar-se da tutela:
I - mulheres casadas;
II - maiores de sessenta anos;
III - aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos;
IV - os impossibilitados por enfermidade;
V - aqueles que habitarem longe do lugar onde se
haja de exercer a tutela;
VI - aqueles que já exercerem tutela ou curatela;
VII - militares em serviço.
Art. 1.737. Quem não for parente do menor não
poderá ser obrigado a aceitar a tutela, se houver
no lugar parente idôneo, consangüíneo ou afim,
em condições de exercê-la.
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Escusa do exercício da tutela 
• 0188707-47.2000.8.19.0001 (2002.001.14605) - APELACAO - 1ª Ementa
DES. EDSON SCISINIO DIAS - Julgamento: 27/05/2003 - DECIMA QUARTA
CAMARA CIVEL
TUTELA RECUSA MENOR DOENCA CRONICA TRATAMENTO MEDICO
NOMEACAO DE TUTOR JUDICIAL
Tutela com destituicao de patrio poder. Menor, portador de encefalopatia
cronica infantil, epilepsia, deficiencia visual e cognitiva. Tia, nomeada
tutora, encontra-se desempregada, passando por dificuldades
financeiras, e sem condicoes de dar continuidade ao tratamento que o
sobrinho recebe no "Lar Maria de Lourdes". Nomeacao de tutor judicial.
Recurso provido.
• Ementário: 26/2003 - N. 23 - 02/10/2003 REV. DIREITO DO T.J.E.R.J., vol
62, pag 290
Competência - CODJERJ 
Art. 85 - Compete aos juízes de direito,
especialmente em matéria de família:
c) as causas de interdições e as de tutela ou
emancipação de menores, cabendo-lhes nomear
curadores ou administradores provisórios, e
tutores, exigir-lhes garantias legais, conceder-lhes
autorizações, suprir-lhes o consentimento, tomar-
lhes contas, removê-los e substituí-los;
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Competência - CODJERJ 
Art. 92 - Compete aos juízes de direito,
especialmente em matéria da infância, da
juventude e do idoso: I - processar, julgar e
praticar todos os atos concernentes a crianças e
adolescentes em situação irregular e de risco e ao
idoso abrigado ou abandonado ou em situação de
risco, situações definidas nas respectivas
legislações;
IX - conhecer de pedidos de adoção de criança e 
adolescente e seus incidentes;
XI – quando se verificarem as hipóteses do art. 98 da Lei
Federal nº 8069/90 ou do art. 43 da Lei Federal nº
10.741/03, dentre elas, especialmente, as situações que
coloquem a criança, o adolescente ou o idoso em
situação de risco por abuso sexual, e / ou maus tratos
físicos e /ou psicológicos, comissivos ou omissivos, por
parte daqueles que exercem a guarda, a tutela ou a
curatela: a) – conhecer de pedidos de guarda, tutela, ou
curatela; b) – conhecer de ações de destituição do poder
familiar, perda ou modificação da guarda, tutela ou
curatela;
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Competência - CODJERJ 
• Art. 98 - Aos juízes de direito das varas de órfãos e sucessões
compete, por distribuição: I - exercer as atribuições definidas
no art. 87; II - processar e julgar; a) os feitos relativos a
doações, usufrutos, cancelamentos, inscrições, sub-rogações
de cláusulas ou gravames, mesmo que decorrentes de atos
entre vivos; b) as causas de interdições e as de tutela ou
emancipação de menores, cujos pais sejam falecidos,
interditos ou declarados ausentes, com poder de nomear
curadores, ou administradores provisórios, e tutores, exigir
destes garantias legais, conceder-lhes autorizações, suprir-lhes
o consentimento, tomar-lhes contas, removê-los e substituí-
los; III - Revogado.
Responsabilidade do tutor 
Art. 1.752. O tutor responde pelos prejuízos que, por
culpa, ou dolo, causar ao tutelado; mas tem direito a ser
pago pelo que realmente despender no exercício da
tutela, salvo no caso do art. 1.734, e a perceber
remuneração proporcional à importância dos bens
administrados.
§ 1o Ao protutor será arbitrada uma gratificação módica
pela fiscalização efetuada.
§ 2o São solidariamente responsáveis pelos prejuízos as
pessoas às quais competia fiscalizar a atividade do tutor, e
as que concorreram para o dano.
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Responsabilidade do tutor: hipoteca legal 
Art. 1.188. Prestado o compromisso por termo em livro
próprio rubricado pelo juiz, o tutor ou curador, antes de
entrar em exercício, requererá, dentro em 10 (dez) dias, a
especialização em hipoteca legal de imóveis necessários para
acautelar os bens que serão confiados à sua administração.
Parágrafo único. Incumbe ao órgão do Ministério Público
promover a especialização de hipoteca legal, se o tutor ou
curador não a tiver requerido no prazo assinado neste artigo.
X
Art. 1.745. Os bens do menor serão entregues ao tutor
mediante termo especificado deles e seus valores, ainda
que os pais o tenham dispensado.
Parágrafo único. Se o patrimônio do menor for de valor
considerável, poderá o juiz condicionar o exercício da
tutela à prestação de caução bastante, podendo dispensá-
la se o tutor for de reconhecida idoneidade.
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CURATELA
Curatela x Curadoria 
Curatela: é encargo imposto a uma pessoa de
gerir o patrimônio e e os interesses de pessoa
portadora de incapacidade subjetiva. É um
instituto protetivo do Direito de Família.
Curadoria: nomeação de pessoa para gerir os
interesses de outra dentro de uma determinada
situação jurídica específica. Ex.: Artigo 22 do
Código Civil
23
CPC, artigo 9º: O juiz dará curador especial:
I - ao incapaz, se não tiver representante legal, ou
se os interesses deste colidirem com os daquele;
II - ao réu preso, bem como ao revel citado por
edital ou com hora certa.
Parágrafo único. Nas comarcas onde houver
representante judicial de incapazes ou de
ausentes, a este competirá a função de curador
especial.
Há curatela sem interdição? 
Curatela é encargo imposto a alguém para regência
de uma pessoa incapaz e dos seus bens, conforme
os limites fixados em sentença. É um instituto
protetivo do Direito de Família.
Já a curadoria é a nomeação de uma pessoa para
gerir os interesses de outra dentro de uma
determinada situação específica. Exemplo: Artigo
22 do Código Civil, artigo 9º do CPC.
24
Sujeitos passivos 
“Todos aqueles, que, em virtude, de doença ou
deficiência mental estejam impossibilitados para
cuidar dos próprios interesses. Tais seres sujeitam-
se, pois, à curatela, que constitui medida de
amparo e proteção, e não penalidade”
Washington de Barros
Monteiro
Destinatários 
Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela:
I - aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental,
não tiverem o necessário discernimento para os atos
da vida civil;
II - aqueles que, por outra causa duradoura, não
puderem exprimir a sua vontade;
III - os deficientes mentais, os ébrios habituais e os
viciados em tóxicos;
IV - os excepcionais sem completo desenvolvimento
mental;
V - os pródigos.
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Destinatários 
Na interdição, há um processo de supressão ou
minimização da capacidade de fato ou negocial,
pois ao reconhecer-se a incapacidade absoluta ou
relativa há o reconhecimento judicial de que a
pessoa é portadora de “doença” que lhe reduz o
discernimento.
Processo de Interdição: Requisitos
AÇÃO DE INTERDIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA
INCAPACIDADE. Nos termos do art. 1.767 do
Código Civil, somente estão sujeitos à curatela de
interditos: "I - aqueles que, por enfermidade ou
deficiência mental, não tiverem o necessário
discernimento para os atos da vida civil; II -
aqueles que, por outra causa duradoura, não
puderem exprimir sua vontade; III - os deficientes
mentais, os ébrios habituais e os viciados em
tóxicos; IV - os excepcionais sem completo
desenvolvimento
mental;
26
V - os pródigos". Se o interditando não se enquadra em 
qualquer dessas hipóteses, o pedido de interdição deve 
ser julgado improcedente. A interdição de pessoa é 
medida extrema, por demais invasiva, de complexa 
repercussão social e pessoal; daí o rigor que deve nortear 
a avaliação do preenchimento dos pressupostos 
autorizadores do decreto. Há notório interesse público na 
medida, motivo pelo qual o interesse particular da parte 
não deve àquele se sobrepor. Apelo conhecido e não 
provido. (TJDF; APC 2007.01.1.078630-9; Ac. 398.849; 6ª 
T.Cív.; Relª Desª Ana Maria Duarte Amarante Brito; 
DJDFTE 14/01/2010; p. 198)
Processo de Interdição 
Art. 1.768. A interdição deve ser promovida:
I - pelos pais ou tutores;
II - pelo cônjuge, ou por qualquer parente;
III - pelo Ministério Público.
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Art. 1.769. O Ministério Público só promoverá interdição:
I - em caso de doença mental grave;
II - se não existir ou não promover a interdição alguma
das pessoas designadas nos incisos I e II do artigo
antecedente;
III - se, existindo, forem incapazes as pessoas
mencionadas no inciso antecedente.
Art. 1.770. Nos casos em que a interdição for promovida
pelo Ministério Público, o juiz nomeará defensor
ao suposto incapaz; nos demais casos o Ministério
Público será o defensor..
Procedimento da Ação de Interdição
• Petição Inicial: deve ser subscrita em nome de um
dos legitimados (Art. 1.768 do CC);
• Interrogatório Obrigatório;
• Prazo para Impugnação de 5 dias (tem a mesma
natureza de uma contestação);
• Nomeação de curador especial para a defesa do
interditando (para formalizar o devido processo
legal, garantindo que de alguma forma ele terá
defesa).
• Art. 1.182 do CPC e o Art. 1.770 do CC determinam
que o curador do interditando seja o MP.
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Procedimento da Ação de Interdição
• Atuação do Ministério Público:
– Art. 1.182 do CPC e Art. 1.770 do CCB
– Art. 1.770. Nos casos em que a interdição for
promovida pelo Ministério Público, o juiz
nomeará defensor ao suposto incapaz; nos
demais casos o Ministério Público será o
defensor.
Procedimento da Ação de Interdição
• O processo de interdição é de jurisdição
voluntária, pois não há a caracterização da lide.
• Ressalte-se que não há lide em abstrato, porque
se trata de processo instituído por lei
unicamente para fins de tutela do interesse
único do incapaz.
• No plano concreto: Ocorre o conflito de
interesses em várias hipóteses em que o incapaz
se recusa ao processo de interdição.
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Eficácia da sentença de interdição
• Efeitos ex nunc, salvo se provada a incapacidade
natural:
• REQUISITOS:
• 1. Haverá o ônus de se demonstrar a efetiva ausência de
discernimento a época do ato. Esse ônus não haverá em
relação a atos posteriores.
• 2. Efetivo prejuízo.
• 3. Majoritariamente: Falta de diligência do terceiro
(violação do princípio da confiança/ boa-fé objetiva) .
Min.: Má-fé do Terceiro
Eficácia da sentença de interdição
• Resp 255271 / GO
• CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO.
PROVA. INTERDIÇÃO.
• Somente a ausência de fundamentação, não
ocorrente na espécie, é que enseja a decretação de
nulidade da sentença com base no art. 458, II, não a
fundamentação sucinta. Sendo o processo anulado
por motivo não referente à prova, esta pode ser
utilizada, no mesmo feito, desde que ratificada, em
respeito ao princípio da economia processual.
• Os atos praticados pelo interditado anteriores à
interdição podem ser anulados, desde que provada
a existência de anomalia psíquica - causa da
incapacidade - já no momento em que se praticou o
ato que se quer anular. Recurso não conhecido.
30
Eficácia da sentença de interdição
RECURSO ESPECIAL Nº 652.837 - RJ 
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL.
MILITAR. AUXÍLIO-INVALIDEZ. PRESCRIÇÃO.
INCAPACIDADE MENTAL. ANTERIOR À
PROLAÇÃO DA SENTENÇA DE INTERDIÇÃO.
TERMO INICIAL DA SUSPENSÃO DO PRAZO
PRESCRICIONAL. ART. 198, INCISO I, DO
CÓDIGO CIVIL. AUXÍLIO-INVALIDEZ.
REQUISITOS. ART. 126 DA LEI N.º
5.787/72. VERIFICAÇÃO NA VIA DO ESPECIAL.
INVIABILIDADE. SÚMULA N.º 07/STJ.
1. Conquanto a sentença de interdição tenha sido
proferida em data posterior ao decurso do prazo
prescricional, a suspensão deste prazo ocorre no
momento em que se manifestou a incapacidade mental
do indivíduo. Inteligência do art. 198, inciso I, do Código
Civil. Precedentes.
2. A reforma do acórdão recorrido no sentido de afastar a
condenação da União ao pagamento do Auxílio-
Invalidez, é inviável na via estreita do recurso especial,
na medida em que implicaria, necessariamente, no
reexame do conjunto probatório dos autos, o que é
vedado pela Súmula n.º 07/STJ. Precedentes.
3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte,
desprovido.
31
Há curatela sem interdição? 
Art. 1.780. A requerimento do enfermo ou
portador de deficiência física, ou, na
impossibilidade de fazê-lo, de qualquer das
pessoas a que se refere o art. 1.768, dar-se-lhe-á
curador para cuidar de todos ou alguns de seus
negócios ou bens.
32
Há curatela sem interdição? 
Caio Mário e Maria Berenice Dias: O artigo 1780
não diz respeito á curatela, mas tão somente a
celebração de contrato de mandato para
administração patrimonial.
Há curatela sem interdição? 
Curatela é encargo imposto a alguém para
regência de uma pessoa incapaz e dos seus bens,
conforme os limites fixados em sentença. É um
instituto protetivo do Direito de Família.
Curadoria: Designação de pessoa para gerir os
interesses de outra dentro de uma determinada
situação específica.

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