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1 OAB - 2ª FASE 2011.2 Direito Civil A proteção aos incapazes: Tutela e Curatela Profª Fernanda Pimentel CRFB, Art. 227 (EC 65/2010) Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão . 2 CRFB, Art. 227 (EC 65/2010) § 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. Lei 8069/90, Art. 19 Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes 3 Guarda • Meio de inserção do menor em família substituta; • Conforme o ECA, sua ratio está na transitoriedade, devendo o Estado promover a regularização da situação do menor em abandono ou que tenha pais abusadores ou destituídos do poder familiar. Guarda: Lei 8069/90 • Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei. § 1o Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada. § 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência. 4 Guarda: Lei 8069/90 § 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as consequências decorrentes da medida. § 4o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais. § 5o A colocação da criança ou adolescente em família substituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanhamento posterior, realizados pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com o apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. 5 Guarda: Deferimento CIVIL - GUARDA - AVOS - EFEITO PREVIDENCIARIO. I - A CONVENIENCIA DE GARANTIR BENEFICIO PREVIDENCIARIO AO NETO NÃO CARACTERIZA A SITUAÇÃO EXCEPCIONAL QUE JUSTIFICA, NOS TERMOS DO ECA (ART. 33, PAR. 2), O DEFERIMENTO DE GUARDA A AVOS. II - RECURSO NÃO CONHECIDO. REsp 94369 / RJ Guarda: Deferimento • DIREITO DE FAMÍLIA. GUARDA DE MENOR PLEITEADA POR AVÓS. POSSIBILIDADE. PREVALÊNCIA ABSOLUTA DO INTERESSE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE OBSERVADA.(...) 2. No caso em exame, não se trata de pedido de guarda unicamente para fins previdenciários, que é repudiada pela jurisprudência. Ao reverso, o pedido de guarda visa à regularização de situação de fato consolidada desde o nascimento do infante (16.01.1991), situação essa qualificada pela assistência material e afetiva prestada pelos avós, como se pais fossem. Nesse passo, conforme delineado no acórdão recorrido, verifica-se uma convivência entre os autores e o menor perfeitamente apta a assegurar o seu bem estar físico e espiritual, não havendo, por outro lado, nenhum fato que sirva de empecilho ao seu pleno desenvolvimento psicológico e social. 6 Guarda: Deferimento 3. Em casos como o dos autos, em que os avós pleiteiam a regularização de uma situação de fato, não se tratando de “guarda previdenciária”, o Estatuto da Criança e do Adolescente deve ser aplicado tendo em vista mais os princípios protetivos dos interesses da criança. Notadamente porque o art. 33 está localizado em seção intitulada “Da Família Substituta”, e, diante da expansão conceitual que hoje se opera sobre termo “família”, não se pode afirmar que, no caso dos autos, há, verdadeiramente, uma substituição familiar. 4. O que deve balizar o conceito de “família” é, sobretudo, o princípio da afetividade, que “fundamenta o direito de família na estabilidade das relações socioafetivas e na comunhão de vida, com primazia sobre as considerações de caráter patrimonial ou biológico”. REsp 945283/RN Procedimento • Poderá ser objeto de ação autônoma ou deferida, liminar ou incidentalmente, nos processos de tutela e adoção (exceto na adoção por estrangeiros). • O direito-dever dos pais de terem consigo seus filhos, com vistas a garantir o seu pleno desenvolvimento. 7 ECA, Art. 33 • Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. • § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros. • § 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o direito de representação para a prática de atos determinados. • § 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários Enunciado • 102 – Art. 1.584: a expressão “melhores condições” no exercício da guarda, na hipótese do art. 1.584, significa atender ao melhor interesse da criança. • 333 - O direito de visita pode ser estendido aos avós e pessoas com as quais a criança ou o adolescente mantenha vínculo afetivo, atendendo ao seu melhor interesse. • 334 - A guarda de fato pode ser reputada como consolidada diante da estabilidade da convivência familiar entre a criança ou o adolescente e o terceiro guardião, desde que seja atendido o princípio do melhor interesse. 8 Guarda x Alimentos • 0048601-23.2009.8.19.0000 (2009.002.44893)- AGRAVO DE INSTRUMENTO - 1ª Ementa DES. ROBERTO GUIMARAES - Julgamento: 26/05/2010 - DECIMA PRIMEIRA CAMARA CIVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALIMENTOS. GUARDA PROVISÓRIA. DEVOLUÇÃO DO MENOR. AÇÃO PROPOSTA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. DECISÃO ORA RECORRIDA QUE INDEFERIU O PEDIDO LIMINAR DE FIXAÇÃO DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS, A QUAL PRIMA FACIE, ANTE O PRESENTE CONTEXTO FÁTICO-JURÍDICO, SE MANTÉM.1- O caso em tela versa sobre pedido de alimentos. Ocorre, porém, que tal pleito, prima facie, é direcionado à ex-guardiã do menor e não tutora, adotante ou parente, casos esses em que a obrigação alimentar encontra direta aplicação da Lei. (...) Guarda x Alimentos • (...).2- Assim, sem dúvida, há que se aguardar a devida instrução processual e, bem assim, a sentença de mérito, para melhor se aquilatar a situação fática e sua inserção no universo da Lei e do Direito.3Ademais, há que se resguardar o importantíssimo e indispensável Instituto da Guarda, eis que uma apressada decisão a respeito da matéria em questão poderá causar, até mesmo, uma fuga dos atuais guardiães, quanto às responsabilidades assumidas e impedir, ou dificultar, que outros se habilitem a ser guardiães de menores.4- registre-se, por fim, que, conforme o artigo 227 da Constituição Federal, a responsabilidade para assegurar os direitos da criança e do adolescente cabe, em primeiro lugar, à família respectiva, à sociedade, veja-se que indistintamente, e ao Estado. 5-Agravo Improvido. 9 Competência • Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para: • Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98, é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de: • a) conhecer de pedidos de guarda e tutela; • b) conhecer de ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda Competência • Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para: • Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98, é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de: • a) conhecer de pedidos de guarda e tutela; • b) conhecer de ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda 10 Competência • Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para: • Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98, é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de: • a) conhecer de pedidos de guarda e tutela; • b) conhecer de ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda Competência para processar ações de interesse do menor: Súmula 383 do STJ • A competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda. 11 TUTELA Previsão normativa - ECA (Alterado pela Lei 12010/09 Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos. Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão do poder familiar e implica necessariamente o dever de guarda. Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer documento autêntico, conforme previsto no parágrafo único do art. 1.729 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, deverá, no prazo de 30 (trinta) dias após a abertura da sucessão, ingressar com pedido destinado ao controle judicial do ato, observando o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei. Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão observados os requisitos previstos nos arts. 28 e 29 desta Lei, somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada na disposição de última vontade, se restar comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando e que não existe outra pessoa em melhores condições de assumi-la. 12 Previsão normativa - CCB • Art. 1.728. Os filhos menores são postos em tutela: • I - com o falecimento dos pais, ou sendo estes julgados ausentes; • II - em caso de os pais decaírem do poder familiar. Tentativa conceitual • Inexistindo a “assistência e a representação dos menores que não estejam sob a autoridade dos pais, a lei organiza a tutela, pela qual alguém é investido nos poderes necessários à proteção que a família não lhe pode dispensar, seja porque perdeu os pais, seja porque não os conhece, seja porque foram destituídos do poder familiar. ( ... ) sendo um instituto de caráter jurídico-familiar”. Orlando Gomes 13 Natureza jurídica É um “munus” público, sendo imposição do Poder Público, à qual só poderá ser recusada nas hipóteses previstas na Lei, devendo ser exercida no prazo mínimo de 2 anos. É uma delegação do Estado. A nomeação do tutor é um negócio jurídico unilateral. Espécies • 1 – TESTAMENTÁRIA – Instituída pelos pais através de testamento ou instrumento público. Prevista no artigo 1729, § único do Código Civil. • 2 – LEGÍTIMA – Decorre da ordem legal, elencada no artigo 1731 do Código Civil, sendo estabelecida pelo juiz. • 3 – DATIVA – Prevista no artigo 1732 do Código Civil, o tutor é nomeado pelo juiz na falta de tutor testamentário ou legítimo, ou ainda, se estes oferecerem escusa legítima ou sejam impedidos de exercer a tutela, na forma do artigo 1735 da Lei. 14 Estão sujeitos ao exercício da tutela Art. 1.731. Em falta de tutor nomeado pelos pais incumbe a tutela aos parentes consangüíneos do menor, por esta ordem: I - aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto; II - aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor. Art. 1.732. O juiz nomeará tutor idôneo e residente no domicílio do menor: I - na falta de tutor testamentário ou legítimo; II - quando estes forem excluídos ou escusados da tutela; III - quando removidos por não idôneos o tutor legítimo e o testamentário. Art. 1.733. Aos irmãos órfãos dar-se-á um só tutor. § 1o No caso de ser nomeado mais de um tutor por disposição testamentária sem indicação de precedência, entende-se que a tutela foi cometida ao primeiro, e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação, se ocorrer morte, incapacidade, escusa ou qualquer outro impedimento. § 2o Quem institui um menor herdeiro, ou legatário seu, poderá nomear-lhe curador especial para os bens deixados, ainda que o beneficiário se encontre sob o poder familiar, ou tutela. Deferimento: Melhor interesse do menor TUTELA. PEDIDO DA AVO MATERNA. GUARDA. PREFERENCIA. AS QUESTOES DE CUNHO ESTRITAMENTE FORMAL DEVEM CEDER DIANTE DO IMPERATIVO DA VIDA, DOS FATOS, CIRCUNSTANCIAS E DOCUMENTOS DO PROCESSO. INACEITAVEL QUE PROCESSO TAO SIMPLES TENHA TRAMITACAO TAO LENTA. A CRIANCA MORA COM A AVO MATERNA DESDE OS ONZE MESES, QUANDO FICOU ORFA DE PAI E MAE, QUALIFICADOS COMO BORRACHEIRO E DO LAR, OS QUAIS NAO DEIXARAM BENS. A AVO PATERNA NUNCA VIU A CRIANCA, QUE JA CONTA SEIS ANOS DE IDADE. A AVO MATERNA TEM A PREFERENCIA LEGAL PARA O "MUNUS", DESAPARECENDO A PREFERENCIA DA LINHA PATERNA SOBRE A MATERNA, DIATE DA IGUALDADE DOS GENEROS PRECONIZADA PELA CARTA MAGNA, 15 SENDO A UNICA PARENTE CONSANGUINEA DA INFANTE E UNICA PESSAO A DEVOTAR-LHE CUIDADOS E AFETO. INADMISSIVEL SOBREPOR O REMOTO INTERESSE ECONOMICO QUE A AVO PATERNA PUDESSE VIR A TER, SOBRE O INTERESSE PESSOAL DA INFANTE EM VER-SE TUTELADA NOS SEUS DIREITOS E INTERESSES. DISPENSAVEL A EXIGENCIA DE ESPECIALIZACAO DE HIPOTECA LEGAL CONSOANTE DISPOE O ART. 37, PARAGRAFO UNICO DA LEI N. 8.069/90. RECURSO PROVIDO. (7FLS) (Agravo de Instrumento Nº 70000800003, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 26/04/2000) Protutor Art. 1.742. Para fiscalização dos atos do tutor, pode o juiz nomear um protutor: Natureza: órgão fiscalizatório da atividade do tutor. Finalidade: Zelar pelo regular exercício da tutela, de molde a evitar quaisquer prejuízos a pessoa do tutelado. 16 Não podem exercer a tutela: Art. 1.735. Não podem ser tutores e serão exonerados da tutela, caso a exerçam: I - aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; II - aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem constituídos em obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer direitos contra este, e aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor; III - os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por estes expressamente excluídos da tutela; IV - os condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade, contra a família ou os costumes, tenham ou não cumprido pena; V - as pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e as culpadas de abuso em tutorias anteriores; VI - aqueles que exercerem função pública incompatível com a boa administração da tutela. 17 Escusa do exercício da tutela Art. 1.736. Podem escusar-se da tutela: I - mulheres casadas; II - maiores de sessenta anos; III - aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos; IV - os impossibilitados por enfermidade; V - aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela; VI - aqueles que já exercerem tutela ou curatela; VII - militares em serviço. Art. 1.737. Quem não for parente do menor não poderá ser obrigado a aceitar a tutela, se houver no lugar parente idôneo, consangüíneo ou afim, em condições de exercê-la. 18 Escusa do exercício da tutela • 0188707-47.2000.8.19.0001 (2002.001.14605) - APELACAO - 1ª Ementa DES. EDSON SCISINIO DIAS - Julgamento: 27/05/2003 - DECIMA QUARTA CAMARA CIVEL TUTELA RECUSA MENOR DOENCA CRONICA TRATAMENTO MEDICO NOMEACAO DE TUTOR JUDICIAL Tutela com destituicao de patrio poder. Menor, portador de encefalopatia cronica infantil, epilepsia, deficiencia visual e cognitiva. Tia, nomeada tutora, encontra-se desempregada, passando por dificuldades financeiras, e sem condicoes de dar continuidade ao tratamento que o sobrinho recebe no "Lar Maria de Lourdes". Nomeacao de tutor judicial. Recurso provido. • Ementário: 26/2003 - N. 23 - 02/10/2003 REV. DIREITO DO T.J.E.R.J., vol 62, pag 290 Competência - CODJERJ Art. 85 - Compete aos juízes de direito, especialmente em matéria de família: c) as causas de interdições e as de tutela ou emancipação de menores, cabendo-lhes nomear curadores ou administradores provisórios, e tutores, exigir-lhes garantias legais, conceder-lhes autorizações, suprir-lhes o consentimento, tomar- lhes contas, removê-los e substituí-los; 19 Competência - CODJERJ Art. 92 - Compete aos juízes de direito, especialmente em matéria da infância, da juventude e do idoso: I - processar, julgar e praticar todos os atos concernentes a crianças e adolescentes em situação irregular e de risco e ao idoso abrigado ou abandonado ou em situação de risco, situações definidas nas respectivas legislações; IX - conhecer de pedidos de adoção de criança e adolescente e seus incidentes; XI – quando se verificarem as hipóteses do art. 98 da Lei Federal nº 8069/90 ou do art. 43 da Lei Federal nº 10.741/03, dentre elas, especialmente, as situações que coloquem a criança, o adolescente ou o idoso em situação de risco por abuso sexual, e / ou maus tratos físicos e /ou psicológicos, comissivos ou omissivos, por parte daqueles que exercem a guarda, a tutela ou a curatela: a) – conhecer de pedidos de guarda, tutela, ou curatela; b) – conhecer de ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da guarda, tutela ou curatela; 20 Competência - CODJERJ • Art. 98 - Aos juízes de direito das varas de órfãos e sucessões compete, por distribuição: I - exercer as atribuições definidas no art. 87; II - processar e julgar; a) os feitos relativos a doações, usufrutos, cancelamentos, inscrições, sub-rogações de cláusulas ou gravames, mesmo que decorrentes de atos entre vivos; b) as causas de interdições e as de tutela ou emancipação de menores, cujos pais sejam falecidos, interditos ou declarados ausentes, com poder de nomear curadores, ou administradores provisórios, e tutores, exigir destes garantias legais, conceder-lhes autorizações, suprir-lhes o consentimento, tomar-lhes contas, removê-los e substituí- los; III - Revogado. Responsabilidade do tutor Art. 1.752. O tutor responde pelos prejuízos que, por culpa, ou dolo, causar ao tutelado; mas tem direito a ser pago pelo que realmente despender no exercício da tutela, salvo no caso do art. 1.734, e a perceber remuneração proporcional à importância dos bens administrados. § 1o Ao protutor será arbitrada uma gratificação módica pela fiscalização efetuada. § 2o São solidariamente responsáveis pelos prejuízos as pessoas às quais competia fiscalizar a atividade do tutor, e as que concorreram para o dano. 21 Responsabilidade do tutor: hipoteca legal Art. 1.188. Prestado o compromisso por termo em livro próprio rubricado pelo juiz, o tutor ou curador, antes de entrar em exercício, requererá, dentro em 10 (dez) dias, a especialização em hipoteca legal de imóveis necessários para acautelar os bens que serão confiados à sua administração. Parágrafo único. Incumbe ao órgão do Ministério Público promover a especialização de hipoteca legal, se o tutor ou curador não a tiver requerido no prazo assinado neste artigo. X Art. 1.745. Os bens do menor serão entregues ao tutor mediante termo especificado deles e seus valores, ainda que os pais o tenham dispensado. Parágrafo único. Se o patrimônio do menor for de valor considerável, poderá o juiz condicionar o exercício da tutela à prestação de caução bastante, podendo dispensá- la se o tutor for de reconhecida idoneidade. 22 CURATELA Curatela x Curadoria Curatela: é encargo imposto a uma pessoa de gerir o patrimônio e e os interesses de pessoa portadora de incapacidade subjetiva. É um instituto protetivo do Direito de Família. Curadoria: nomeação de pessoa para gerir os interesses de outra dentro de uma determinada situação jurídica específica. Ex.: Artigo 22 do Código Civil 23 CPC, artigo 9º: O juiz dará curador especial: I - ao incapaz, se não tiver representante legal, ou se os interesses deste colidirem com os daquele; II - ao réu preso, bem como ao revel citado por edital ou com hora certa. Parágrafo único. Nas comarcas onde houver representante judicial de incapazes ou de ausentes, a este competirá a função de curador especial. Há curatela sem interdição? Curatela é encargo imposto a alguém para regência de uma pessoa incapaz e dos seus bens, conforme os limites fixados em sentença. É um instituto protetivo do Direito de Família. Já a curadoria é a nomeação de uma pessoa para gerir os interesses de outra dentro de uma determinada situação específica. Exemplo: Artigo 22 do Código Civil, artigo 9º do CPC. 24 Sujeitos passivos “Todos aqueles, que, em virtude, de doença ou deficiência mental estejam impossibilitados para cuidar dos próprios interesses. Tais seres sujeitam- se, pois, à curatela, que constitui medida de amparo e proteção, e não penalidade” Washington de Barros Monteiro Destinatários Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela: I - aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil; II - aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir a sua vontade; III - os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; IV - os excepcionais sem completo desenvolvimento mental; V - os pródigos. 25 Destinatários Na interdição, há um processo de supressão ou minimização da capacidade de fato ou negocial, pois ao reconhecer-se a incapacidade absoluta ou relativa há o reconhecimento judicial de que a pessoa é portadora de “doença” que lhe reduz o discernimento. Processo de Interdição: Requisitos AÇÃO DE INTERDIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA INCAPACIDADE. Nos termos do art. 1.767 do Código Civil, somente estão sujeitos à curatela de interditos: "I - aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil; II - aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir sua vontade; III - os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; IV - os excepcionais sem completo desenvolvimento mental; 26 V - os pródigos". Se o interditando não se enquadra em qualquer dessas hipóteses, o pedido de interdição deve ser julgado improcedente. A interdição de pessoa é medida extrema, por demais invasiva, de complexa repercussão social e pessoal; daí o rigor que deve nortear a avaliação do preenchimento dos pressupostos autorizadores do decreto. Há notório interesse público na medida, motivo pelo qual o interesse particular da parte não deve àquele se sobrepor. Apelo conhecido e não provido. (TJDF; APC 2007.01.1.078630-9; Ac. 398.849; 6ª T.Cív.; Relª Desª Ana Maria Duarte Amarante Brito; DJDFTE 14/01/2010; p. 198) Processo de Interdição Art. 1.768. A interdição deve ser promovida: I - pelos pais ou tutores; II - pelo cônjuge, ou por qualquer parente; III - pelo Ministério Público. 27 Art. 1.769. O Ministério Público só promoverá interdição: I - em caso de doença mental grave; II - se não existir ou não promover a interdição alguma das pessoas designadas nos incisos I e II do artigo antecedente; III - se, existindo, forem incapazes as pessoas mencionadas no inciso antecedente. Art. 1.770. Nos casos em que a interdição for promovida pelo Ministério Público, o juiz nomeará defensor ao suposto incapaz; nos demais casos o Ministério Público será o defensor.. Procedimento da Ação de Interdição • Petição Inicial: deve ser subscrita em nome de um dos legitimados (Art. 1.768 do CC); • Interrogatório Obrigatório; • Prazo para Impugnação de 5 dias (tem a mesma natureza de uma contestação); • Nomeação de curador especial para a defesa do interditando (para formalizar o devido processo legal, garantindo que de alguma forma ele terá defesa). • Art. 1.182 do CPC e o Art. 1.770 do CC determinam que o curador do interditando seja o MP. 28 Procedimento da Ação de Interdição • Atuação do Ministério Público: – Art. 1.182 do CPC e Art. 1.770 do CCB – Art. 1.770. Nos casos em que a interdição for promovida pelo Ministério Público, o juiz nomeará defensor ao suposto incapaz; nos demais casos o Ministério Público será o defensor. Procedimento da Ação de Interdição • O processo de interdição é de jurisdição voluntária, pois não há a caracterização da lide. • Ressalte-se que não há lide em abstrato, porque se trata de processo instituído por lei unicamente para fins de tutela do interesse único do incapaz. • No plano concreto: Ocorre o conflito de interesses em várias hipóteses em que o incapaz se recusa ao processo de interdição. 29 Eficácia da sentença de interdição • Efeitos ex nunc, salvo se provada a incapacidade natural: • REQUISITOS: • 1. Haverá o ônus de se demonstrar a efetiva ausência de discernimento a época do ato. Esse ônus não haverá em relação a atos posteriores. • 2. Efetivo prejuízo. • 3. Majoritariamente: Falta de diligência do terceiro (violação do princípio da confiança/ boa-fé objetiva) . Min.: Má-fé do Terceiro Eficácia da sentença de interdição • Resp 255271 / GO • CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. PROVA. INTERDIÇÃO. • Somente a ausência de fundamentação, não ocorrente na espécie, é que enseja a decretação de nulidade da sentença com base no art. 458, II, não a fundamentação sucinta. Sendo o processo anulado por motivo não referente à prova, esta pode ser utilizada, no mesmo feito, desde que ratificada, em respeito ao princípio da economia processual. • Os atos praticados pelo interditado anteriores à interdição podem ser anulados, desde que provada a existência de anomalia psíquica - causa da incapacidade - já no momento em que se praticou o ato que se quer anular. Recurso não conhecido. 30 Eficácia da sentença de interdição RECURSO ESPECIAL Nº 652.837 - RJ ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MILITAR. AUXÍLIO-INVALIDEZ. PRESCRIÇÃO. INCAPACIDADE MENTAL. ANTERIOR À PROLAÇÃO DA SENTENÇA DE INTERDIÇÃO. TERMO INICIAL DA SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 198, INCISO I, DO CÓDIGO CIVIL. AUXÍLIO-INVALIDEZ. REQUISITOS. ART. 126 DA LEI N.º 5.787/72. VERIFICAÇÃO NA VIA DO ESPECIAL. INVIABILIDADE. SÚMULA N.º 07/STJ. 1. Conquanto a sentença de interdição tenha sido proferida em data posterior ao decurso do prazo prescricional, a suspensão deste prazo ocorre no momento em que se manifestou a incapacidade mental do indivíduo. Inteligência do art. 198, inciso I, do Código Civil. Precedentes. 2. A reforma do acórdão recorrido no sentido de afastar a condenação da União ao pagamento do Auxílio- Invalidez, é inviável na via estreita do recurso especial, na medida em que implicaria, necessariamente, no reexame do conjunto probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula n.º 07/STJ. Precedentes. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. 31 Há curatela sem interdição? Art. 1.780. A requerimento do enfermo ou portador de deficiência física, ou, na impossibilidade de fazê-lo, de qualquer das pessoas a que se refere o art. 1.768, dar-se-lhe-á curador para cuidar de todos ou alguns de seus negócios ou bens. 32 Há curatela sem interdição? Caio Mário e Maria Berenice Dias: O artigo 1780 não diz respeito á curatela, mas tão somente a celebração de contrato de mandato para administração patrimonial. Há curatela sem interdição? Curatela é encargo imposto a alguém para regência de uma pessoa incapaz e dos seus bens, conforme os limites fixados em sentença. É um instituto protetivo do Direito de Família. Curadoria: Designação de pessoa para gerir os interesses de outra dentro de uma determinada situação específica.