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INTRODUÇÃO As sensações são os elementos estruturais simples da forma da percepção. O objeto de percepção pode se diferenciar através de qualidades que o individualizam e dão um significado, como cores, formas, impressão de leve ou pesado, quente ou frio, entre outros. O conceito de sensação permitiu que estabelecesse as relações mais simples entre as vivências psíquicas sensoriais e os processos biológicos e físicos que lhe servem de base. Além disso, foi possível determinar o mecanismo de adaptação dos órgãos sensoriais aos estímulos do meio exterior. Segundo E.D. Adrian, adaptação seria a diminuição progressiva da excitação produzida, apesar de persistir o estímulo perturbador. Em alguns casos especiais algumas pessoas não têm condições de adaptar os órgãos sensoriais aos estímulos, no caso de um cego de nascença que recupera a visão por meio cirúrgico, aquele novo meio é perturbador a visão, a rapidez dos movimentos e confusão das ruas, faz com que ele acabe por não enxergar nada. E essas dificuldades de adaptações podem causar uma fadiga local, com repercussões de ordem geral. Pode haver um rompimento do equilíbrio entre os organismos e o meio, gerando esgotamento do sistema nervoso central. Percepção é o ato pelo qual tomamos conhecimento de um objeto do meio exterior, considerado como real, isto é, como existente fora da própria atividade perceptiva. A maior parte da percepção é do meio externo, pois o meio interno (órgãos internos) as sensações são muito confusas e limitadas. A percepção pode ser modificada por condições pessoais momentâneas, como fadiga que podem ser capitados estímulos desagradáveis, ou pela a ação de certas substâncias químicas que podem alterar e muito a percepção, podendo trazer, por exemplo, um colorido estranho à forma. ALTERAÇÕES DA PERCEPÇÃO SENSAÇÃO Fenômeno psíquico, que resulta da ação da luz, do som, do calor, etc. sobre os nossos órgãos dos sentidos. Existe uma relação causal entre o estímulo exterior e o estado psicológico ao qual designamos sensação. Classificam-se as sensações em dois grupos principais: externas e internas. No primeiro grupo, que corresponde às sensações externas, refletem as propriedades e aspectos isolados das coisas e fenômenos que se encontram no mundo exterior (visuais, auditivas, gustativas, olfativas e táteis). Denomina-se estímulo à causa física – som, luz, etc. – que atua sobre um dos nossos órgãos dos sentindo para produzir a sensação, e excitação. No Segundo grupo se incluem as sensações internas que refletem os movimentos de partes isoladas do nosso corpo e o estado dos órgãos internos, ao conjunto chama-se sensibilidade geral, essa se manifesta na forma de: Fome, sede, fadiga, mal estar ou bem estar. Neste grupo definem-se 3 tipos de sensações: motoras, equilíbrio e proprioceptivas. Alterações na intensidade das sensações As alterações na intensidade das sensações referem-se ao aumento e à diminuição do número e da intensidade dos estímulos dos diversos campos da sensibilidade, são elas: Hiperestesia, hipoestesia, anestesia e analgesia. Hiperestesia Aumento da intensidade das sensações. Observa-se aumento da sensibilidade ao vários estímulos sensoriais. Frequente nos neuróticos, no hipertireoidismo, nos acessos de enxaqueca e em casos de epilepsia. Vejamos um exemplo: O relógio de bolso sobre uma mesinha de cabeceira parece transformado no relógio da torre, ou o ruído dos trens que passam, chega ao ouvido como um ruído estrondoso. Hipoestesia A diminuição da sensibilidade aos estímulos sensoriais. É observada em todos os casos que se acompanham de depressão. Coincide com a diminuição dos reflexos tendinosos, elevação da sensibilidade fisiológica e lentidão dos processos psíquicos. Em pessoas normais, pode ocorrer uma diminuição da sensibilidade sensorial em consequência de causas emocionais. Exemplo: O espanto pode cegar-nos e não nos deixar ouvir nada. Anestesia Abolição de todas as formas de sensibilidade. A perda da sensibilidade não é completa, mas seletiva, obedecendo sempre à ação de fatores afetivos. Encontra-se geralmente em histéricos. Analgesia Perda da sensibilidade à dor, com a conservação de outras formas de sensibilidade, encontra-se em zona determinada. Pode ser observada em casos de paralisia geral, catatonia e no estupor. PERCEPÇÃO É o ato pelo qual tomamos conhecimento de um objeto do meio exterior, considerado como real, isto é, como existente fora da própria atividade perceptiva. A percepção pode ser modificada em consequência de condições pessoais momentâneas. Nos estados de fadiga, os estímulos externos podem ser captados como sensações extremamente desagradáveis, ou pela ação de determinadas substâncias químicas, que podem ocorrer ilusões e verdadeiras “aberrações perceptivas”. Agnosias Consiste numa alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Em alguns casos, observa-se a perda da diferenciação da intensidade e da extensão das sensações. Há uma perda da capacidade de reconhecimento dos objetos, não tem a condição de identifica-lo pelo nome. As alterações perceptivas, agnosias, são divido em três: visual, tátil e auditiva como podemos ver abaixo. Agnosia visual: Incapaz de identificar objeto, formas, cor e de espaço. Os conteúdos constituem mais contornos, superfícies e cores, luzes e sombras do que coisas dotadas da realidade. Agnosia tátil: refere-se à incapacidade para reconhecer objetos quanto ao seu valor e utilização, só através de deduções e suposições. Agnosia auditiva: Neste caso, o enfermo ouve sons e ruídos, porém não os pode identificar; não os compreende. Alterações da síntese perceptiva São alterações na percepção dos objetos, do próprio corpo e do mundo exterior. Em casos assim, nota-se além da deformação do objeto, modificação nas relações espaciais. As alterações da síntese perceptivas são observadas nas fases iniciais da esquizofrenia. Os doentes se queixam, por exemplo, de uma sensação de irrealidade, de que as pessoas e os objetos estão modificados. Essas sensações acompanhavam-se de um estado de ânimo angustioso. A ilusão é uma percepção deformada de um objeto real e presente. Não se constitui sintoma de doença mental. Em determinados momentos, entre as quais se incluem os estados emocionais ou até mesmo falta de atenção, a ilusão também pode ser observada em pessoas normais. Nos doentes mentais, as ilusões são devidas à perturbação da atenção, às influencias emocionais e às alterações da consciência. Exemplo: um cobertor abandonado sobre o leito ou uma toalha pendurada são percebidos como figuras humanas. As “Aberrações perceptivas” ou “aberração cromática” consiste no fato de se emprestar cores inusitadas aos objetos exteriores, por exemplo: objetos inaparentes, que sempre passam despercebidos, como ponta de cigarro. ALTERAÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES ALUCINAÇÃO É uma falsa percepção por não corresponder a nenhum objeto ou coisa real, atual ou presente, situado no campo sensorial; consiste na expressão de uma experiência psicológica interna, resultado de um profundo transtorno da personalidade, que se manifesta por uma alteração psicossensorial, aceita pelo enfermo que a vivencia como a imagem de uma percepção normal, devido aos seus caracteres da corporeidade, vivacidade, nitidez sensorial, objetividade e projeção no espaço externo. As alucinações não são frequentes, mas podem ser observadas em quase todas as enfermidades mentais. Na maioria dos casos não se trata de alucinação e sem de ilusões ou de interpretações falsas. Às vezes as alucinações tem a mais perfeita nitidez, em outras ocasiões, são captadas figuras nebulosas, vozes confusas ou murmúrios imprecisos. Tipos de Alucinação Visual As alucinações visuais, os enfermos vêem determinados objetos, figuras ou cenas completas, são caracterizados de algumas intoxicações (cocaína, ópio e álcool). Algumas vezes os doentes vêem imagens reais, com os caracteres dos seres vivos, dotadas de forma, cor e movimento. Outras vezes, as imagens percebidas são inteiramente fantásticas. Por exemplo: partes isoladas de uma pessoa ou de um animal inexistente. Liliputianas Trata-se de um tipo especial de alucinação visual no qual, ao lado da percepção normal dos objetos e pessoas, que o rodeiam, o enfermo divisa uma série de personagem minúsculo geralmente de 10 a 25 centímetro, isolados ou acompanhados de pequenos animais em movimento. Ao contrário da maioria dos fenômenos alucinatórios, as liliputianas acompanham-se de um estado afetivo agradável; o paciente contempla com satisfação o espetáculo que presencia. Autoscópica É uma variedade de alucinação visual em que o enfermo percebe a sua imagem corporal como se estivesse diante de si. Pode manifestar-se durante o sonho, “quando o espírito se desprende do sonhador e se manifesta o mais voluntário fenômeno da autoscopia” e nos estados de devaneio. Extracampinas São casos em que as visões se localizam fora do campo sensorial correspondente, os paciente “vê” pessoas que estão atrás. de sua cabeça. Alguns enfermos não consideram como anormal essa estranha capacidade de percepção visual, como se tivesse o dom de ver através da nuca. Auditiva As alucinações auditivas são as mais frequentes e as mais importantes. Apresentam-se sob a forma elementar: ruídos, zumbidos e murmúrios; sob a forma complexa: como vozes que censuram e ameaçam. Exemplo: o enfermo escuta não só as palavras ofensivas e ameaçadoras, como ouve ao mesmo tempo o ruído dos passos de indivíduos que se aproximam para consumar os seus desígnios e fazer com que o mesmo muitas vezes pratique atos violentos. Existem três tipos de alucinações auditivas: Sonorização do pensamento: ouvir os próprios pensamentos, como se as palavras fossem pronunciadas por alguém do meio exterior. O fenômeno apresenta-se com mais frequência no momento de ler. Audição de vozes sob forma de diálogo: o enfermo percebe o diálogo alucinatório entre vozes de duas pessoas, que falam entre si coisas agradáveis ou desagradáveis, elogiam ou censuram o paciente. Audição de vozes que interferem na própria atividade: vozes que transmitem ordens ou fazem comentários sobre os seus atos. Quando o quadro clínico vai se tornando mais grave, o enfermo se torna vítima passiva das “vozes” imperativas. São frequentes nos casos de esquizofrenia. Táteis e de contato Os enfermos sentem sobre a pele pequenos animais, como baratas, aranhas piolhos e formigas. Encontram-se com mais frequência nas psicose tóxicas (cocaína). As alucinações de contato estão em maioria localizadas nas zonas erógenas e aparecem com mais frequência no sexo feminino. As enfermas se queixam de serem vítimas de práticas de relações sexuais e de masturbação. Alucinações olfativas e gustativas: Normalmente, as alucinações olfativas e gustativas estão associadas e são raras. Estados delirantes cujo tema diz respeito à putrefação, o gosto e os odores podem ser muito desagradáveis e são percebidos, como é típico de todas as alucinações, sem que exista o objeto correspondente ao gosto e ao cheiro. Em geral os gostos alucinados aparentam ser de sangue, terra, catarro ou qualquer outra coisa desagradável; os odores podem ser desde perfumes exóticos até de fezes. Alucinações cinestésicas Estas alucinações se relacionam a movimentos, ao senso de equilíbrio. O enfermo sente que seu corpo ou parte dele realiza movimentos fora de sua vontade. São diagnosticadas em pacientes neurológicos e em algumas ocasiões, na esquizofrenia. Alucinações cenestésicas São sensações anormais dentro de partes do corpo. Há relatos de que os olhos estão saltados fora das órbitas, que o cérebro esta queimando ou que o sangue esta congelado dentro das veias. Comumente há associação com as zonas erógenas de enfermos do sexo feminino. Alucinações psíquicas Estas alucinações são de difícil interpretação e não tem um verdadeiro caráter objetivo. Há descrições de palavras sem som, vozes sem ruídos e linguagem dos espíritos, por exemplo. 3.1.1.11 Alucinose Alucinógeno é um termo introduzido por Wernicke para indicar os estados alucinatórios agudos. Atualmente, o termo Alucinose se refere à percepção de uma imagem patológica com todas as características de uma imagem alucinatória (sobretudo uma notável nitidez), entretanto, ao contrário das alucinações, há menor convicção de realidade ou menor participação do eu, isto é, o paciente reconhece aquela experiência perceptiva como algo estranho a si mesmo, como um acontecimento patológico. Alucinose peduncular Experiência alucinatória, em geral visual, tipicamente vivida e brilhante, incluindo cenas, pessoas, animais e figuras geométricas. Ocorre mais comumente no final do dia, junto com a obnubilação da consciência, podendo aparecer associada a sonhos vívidos. Na maioria dos casos, a Alucinose peduncular é causada por lesões vasculares ou neoplásicas nas porções superiores do tronco cerebral. Essas lesões não incluem diretamente o sistema visual, mas parecem lesar o sistema reticular ascendente, incluindo as vias serotonérgicas. Pseudo-alucinações Ao contrário das alucinações verdadeiras, as pseudo-alucinações consistem em vivências imaginárias, representações plásticas ou imagens interiores, que não implicam a forma de um objeto percepcionável nem a sua determinação espacial. REFERÊNCIA PAIM, I. Curso de psicopatologia. São Paulo: EPU, 1982. cap. 1 e 2.