Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Perspectiva teórica de Fernando A. Novais para explicar o episódio da montagem da Companhia das Índias Orientais (1602), tendo em vista a política econômica marcadamente liberal do Países Baixos
Desde os primórdios da Idade Média a Holanda destacava-se por sua condição de entreposto comercial, daí sua política econômica sempre pautada em um grande liberalismo. Entretando, as iniciativas privadas e isoladas de avançar no comércio com o oriente resultaram quase sempre em grandes perdas e fracassos econômicos, demonstrando a necessidade de centralismo.
Portugal, que ao longo do tempo havia criado instituições político-militares que lhe garantiam o monopólio das rotas comerciais com o oriente, frequentemente tinha que recorrer ao financiamento internacional, dada a sua debilidade de acumulação de capital, o que aos poucos foi resultando em concessões a estrangeiros (especialmente aos holandeses) no que tange ao comércio oriental. 
Apesar disto, o governo português foi cauteloso na manutenção monopolista, ou seja, os benefícios podiam não se concentrar, em larga escala, apenas em Portugal, mas o sistema garantidor de altos lucros era mantido plenamente.
O episódio da montagem da Companhia das Índias Orientais (1602) esta inserido, na perspectiva teórica de Novais, no contextualização do “exclusivo” comercial como ferramenta das políticas mercantilistas.
A prática comercial mercantilista, onde o lucro era gerado como resultado do processo de circulação, baseava-se fundamentalmente na criação de monopólios comerciais com suas colônias, ou nesse caso específico, no monopólio das rotas comerciais com o oriente. O “exclusivo” comercial aparece como integrante do grupo de políticas protecionistas. Outras políticas são a balança comercial favorável e mesmo o sistema colonial.
As práticas mercantis tinham como objetivo promover a acumulação, e o monopólico comercial praticado pelas CIO colaborava nesse sentido, uma vez que à ela era garantia a exclusividade das operações mercantis no Oriente.